quinta-feira, 11 de abril de 2013

O que havia antes do Big Bang?

Os cientistas não gostam de falar do que não sabem. Menos ainda revelar a própria ignorância. É por isso que nenhum cosmologista envolvido na produção do mapa mais nítido da origem do Universo, divulgado no dia 21 de março, tentou explicar as anomalias surpreendentes da imagem abaixo. Ninguém as explicou porque não têm explicação. Como explicar o inexplicável é o ofício da ciência, os cosmologistas estão intrigados.
 O Universo é bem velho. Surgiu há 13,8 bilhões de anos numa explosão conhecida como Big Bang, que lançou matéria e energia em todas as direções. Quando os astrônomos usam telescópios para perscrutar os céus, observam galáxias que estão milhões de anos-luz da Terra. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em 365 dias, à velocidade de 300.000 quilômetros por segundo. Por isso, telescópios também são máquinas do tempo. Olhar estrelas e galáxias é ver como elas eram quando a luz que enxergamos foi emitida. Quanto mais potente o telescópio, mais longe no passado enxerga. Observatórios poderosos fotografam galáxias a bilhões de anos-luz. Em dezembro, o telescópio espacial Hubble revelou o objeto mais distante já visto, uma galáxia a 13,4 bilhões de anos-luz. Sua luz começou a viajar em nossa direção quando o Universo tinha 400 milhões de anos. É improvável que se veja mais longe. Aquela galáxia é das mais antigas. Antes dela, não havia estrelas. O que existia era a energia emitida 380 mil anos após o Big Bang. O tênue eco daquela energia ainda reverbera nos céus. É conhecido como Radiação Cósmica de Fundo (CBR, de cosmic background radiation).
Seu mapeamento começou em 1992.

O satélite Explorador do Fundo Cósmico (Cobe), da Nasa, revelou uma distribuição homogênea de radiação no cosmo, um fato de acordo com a teoria do Big Bang. Em 2003, a Sonda Anisotrópica de Micro-ondas Wilkinson (WMAP), também da Nasa, fez um mapa mais preciso. A trama se mostrou mais intrincada, porém ainda homogênea.
Agora, tudo mudou. O novo mapa, produzido pelo telescópio espacial Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA), é o mais nítido. Revela a fina renda de um Universo nada homogêneo, em desacordo com as teorias. O granulado na imagem revela variações ínfimas na temperatura do espaço que nos cerca (o mapa é uma imagem em 360 graus do céu noturno, a partir do ponto de vista aqui da Terra). Os pontos amarelos e laranja indicam as regiões mais densas e quentes. Nelas se formariam as galáxias. Os pontos verdes e azuis indicam as regiões mais frias e vazias, que hoje representam vácuos intergaláticos. Isso era o esperado. O que não se explica é a enorme faixa alaranjada, mais quente, que divide o céu de ponta a ponta. Sem falar no misterioso círculo vazio e gelado no canto inferior direito. Tais anomalias simplesmente não deveriam existir. “A qualidade do retrato do Universo criança feito pelo Planck revela que nossa visão do cosmo está longe de ser completa”, diz Jean-Jacques Dordain, diretor-geral da ESA.
possibilidade da existência das anomalias fora levantada no mapa de 2003, mas prontamente descartada como uma imprecisão. “O fato de o Planck ter detectado as anomalias elimina qualquer dúvida sobre sua existência. Elas são reais. Temos de buscar explicações plausíveis”, afirma o físico italiano Paolo Natoli, da Universidade de Ferrara. O cosmologista Max Tegmark, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, é membro da equipe responsável pelo novo mapa e se diz “encantado”. “O Universo está tentando nos dizer alguma coisa.”
 O que será? A revelação das anomalias não fere a teoria tradicional do Big Bang. Sua vítima é outra, a teoria inflacionária. Segundo ela, em seus primeiros trilionésimos de segundo, o Universo passou por uma expansão exponencial, chamada de inflação. Daí surgiram as variações na textura cósmica, que até então pensávamos ser homogênea. Pode uma nova teoria explicar por que o Universo bebê tinha duas anomalias concêntricas? Muitos cosmologistas creem que nosso Universo é só um entre infinitos outros. Se for este o caso, seria aquele misterioso círculo escuro um umbigo cósmico? A imagem é fascinante. É hora de os cosmologistas começarem a sonhar.
 
 
Época.com

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Frase


Verões árticos recentes foram os mais quentes em 600 anos, diz estudo

Os verões registrados nos anos 2005, 2007, 2010 e 2011 foram considerados os mais quentes dos últimos 600 anos, de acordo com estudo publicado nesta quarta-feira (10) pela revista científica “Nature”.
A análise foi feita por pesquisadores da Universidade Harvard, dos Estados Unidos, a partir da verificação de sulcos circulares presentes nos troncos de árvores, calotas de gelo, sedimentos de lagos, além do registro de temperaturas.
Com isso, os cientistas puderam assegurar que os recordes de calor em altas latitudes “atingiram níveis sem precedentes em 600 anos, em frequência e amplitude”.
“O verão de 2010 foi o mais quente em seis séculos na Rússia ocidental e, provavelmente, também foi o mais quente no oeste da Groenlândia e no norte do Canadá”, acrescentou a equipe de cientistas.
G1
 

Cientistas preveem que 2013 terá muitos furacões nos EUA


A temporada de furacões de 2013 no Atlântico será "acima da média", com 18 tempestades tropicais, das quais nove se tornarão furacões, previram meteorologistas da Universidade do Estado do Colorado, nos EUA, nesta quarta-feira (10).
Quatro dos furacões serão grandes, com ventos sustentados de pelo menos 178 km/h, disse a principal equipe de pesquisa de tempestades nos EUA.
A média de uma temporada é de cerca de 12 tempestades tropicais, seis furacões e dois grandes furacões no Atlântico, Caribe e Golfo do México, de acordo com a universidade. A temporada de furacões na região vai de 1º de junho a 30 de novembro.
A previsão para um 2013 mais agitado foi feita com base em dois fatores, segundo os pesquisadores. Furacões prosperam em água morna, e o oceano Atlântico tem se aquecido nos últimos meses.
Há também pouca expectativa de um efeito El Niño no verão e outono. O El Niño é um aquecimento das águas superficiais do Pacífico, que ocorre a cada 4 a 12 anos e tem muitas consequências em todo mundo. O fenômeno meteorológico corta os ventos de forma a dificultar que as tempestades se transformem em furacões na bacia Atlântico-Caribe.
Os pesquisadores disseram que há uma chance de 72% de que um grande furacão atinja a costa dos EUA este ano, em comparação com uma média histórica de 52%.
A temporada de furacões de 2012 gerou 19 tempestades tropicais e 10 furacões, incluindo o Sandy, que atingiu o nordeste dos Estados Unidos em outubro, após passar pelo Caribe.
O Sandy matou mais de 200 pessoas e causou mais de US$ 71 bilhões (R$ 140,5 bilhões) em danos nos estados de Nova York e Nova Jersey.
G1

Líder indígena é eleito Herói da Floresta pela ONU

Almir Narayamoga, líder dos Paiter-Surui, de Rondônia, recebeu hoje (10) o prêmio Herói da Floresta para a América Latina e o Caribe, concedido pela ONU (Organização das Nações Unidas), graças ao seu esforço em preservar a floresta e o bem estar de seu povo.
Almir Surui, como é conhecido, é o responsável por uma parceria inédita entre povos indígenas e a empresa americana Google. Os índios receberam smartphones para mapear a floresta e denunciar a exploração da madeira em seu território.
Por meio de fotos e vídeos feitos pelos Paiter-Surui, o Google elaborou um mapa cultural com a história desse povo e a biodiversidade encontrada em sua reserva de 600 000 hectares. A iniciativa, que durou cinco anos, resultou em um projeto mais amplo: o uso sustentável dos recursos naturais da área na qual vivem pelas próximas cinco décadas.
National Geographic

terça-feira, 9 de abril de 2013

Frase


Marinha americana cria protótipo de arma laser

A Marinha dos EUA vai se lançar pela primeira vez ao mar com um canhão laser que testes mostraram ser capaz de inutilizar barcos patrulha e cegar ou destruir aeronaves não tripuladas de reconhecimento. Um protótipo da arma laser será instalado em um navio de transporte anfíbio convertido em base de atracamento no Golfo Pérsico, onde barcos rápidos de ataque iranianos têm perturbado a frota americana o governo de Teerã está construindo aviões de controle remoto que carregam equipamentos de observação e, eventualmente, foguetes.
O canhão laser não estará operacional antes do ano que vem, mas o anúncio feito pelo almirante Jonathan W. Greenert, chefe de Operações Navais da Marinha dos EUA, esta semana pareceu um alerta ao Irã para que não incremente suas atividades no golfo nos próximos meses se a tensão aumentar por causa das sanções e o impasse nas negociações sobre o programa nuclear iraniano. A Marinha americana divulgou vídeos e fotos do laser queimando através de uma aeronave não tripulada em um teste de fogo.
O canhão laser foi desenhado para desempenhar uma escala gradual de missões, desde perfurar barcos rápidos de ataque ou aviões de controle remoto a produzir flashes não letais que confundem os sensores do inimigo e os inutilizam sem causar danos físicos. O Pentágono tem uma longa história de inflacionar grosseiramente a eficiência de suas armas experimentais, mas um estudo suprapartidário do Congresso dos EUA afirma que a arma oferece à Marinha uma oportunidade histórica.
Globo.com

NASA anuncia novas missões para 2017

 
A Nasa acaba de anunciar dois novos projetos para 2017 - o primeiro seria um satélite, batizado de TESS (sigla para Transiting Exoplanet Survey Satellite - Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito), que deve caçar novos planetas fora do Sistema Solar. E a segunda é uma pesquisa dentro da Estação Espacial Internacional sobre estrelas de nêutrons.
Os dois planos são considerados de baixo custo. O TESS sairia por 200 milhões de dólares, enquanto o experimento na EEI seria pago com 55 milhões de dólares.
Para procurar novos planetas, o TESS usaria uma série de câmeras para cobrir uma área '400 vezes' maior do céu do que missões anteriores, de acordo com a Nasa, focando em planetas de condições semelhantes às da Terra, que poderiam ser habitáveis.
A técnica, que detecta os exoplanetas quando eles 'eclipsam' suas estrelas-mãe é usada com sucesso pela missão Kepler, que já identificou 2700 deles desde seu lançamento, em 2009.
Galileu.com

Efeito estufa aumentará turbulência em voos transatlânticos, diz estudo


Os voos transatlânticos devem ficar cada vez mais turbulentos se o aquecimento global levar às mudanças climáticas previstas por cientistas, afirma um novo estudo.
De acordo com a pesquisa da Universidade de Reading, publicada na revista especializada Nature Climate Change, aviões já vêm enfrentando ventos mais fortes e poderão sofrer ainda mais com turbulências.
De acordo com, Paul Williams, um dos autores da pesquisa, além de causar mais desconforto aos passageiros, o aumento da turbulência também traz consequências financeiras.
''Certamente é plausível que se voos começarem a ser desviados com mais regularidade para evitar a turbulência, a quantidade de combustível que precisará ser queimada irá aumentar'', afirma.
O cientista acredita também que à medida que as companhias aéreas aumentarem seus gastos com combustíveis, isso acabará levando a um aumento de preços de passagens.
Paul Williams e o colega Manoj Joshi, da Universidade de East Anglia, centraram sua pesquisa em voos que percorrem o Atlântico Norte. Um total de 600 voos diários, em média, cruzam o oceano entre as Américas e a Europa.
Os cientistas utilizaram um supercomputador para simular as prováveis mudanças nas correntes de ar acima de dez quilômetros de altitude, como as chamadas correntes de jato.
Williams e Joshi compararam dados do que era essencialmente um clima inalterado ''pré-industrial'' com os de um clima com o dobro da quantidade de dióxido de carbono - comparável ao clima previsto para 2050, seguindo as tendências atuais de aquecimento global.
Elevações O modelo traçado pelos dois especialistas sugere que a força média de turbulência transatlântica poderia sofrer uma elevação de 10% a 40% e que a região do espaço aéreo mais provável a conter essa turbulência teria o dobro de tamanho.
 
Área do Atlântico Norte afetada por turbulência poderá aumentar
''A probabilidade de turbulência moderada a grande aumenta em 10,8%''. 'Turbulência moderada a grande' é uma definição específica da aviação. É a turbulência forte o suficiente para balançar a aeronave com uma aceleração de cinco metros por segundo quadrado. Com isso, os sinais para colocar o cinto de segurança estariam acesos, seria difícil andar pelo avião, bebidas seriam derrubadas, você se sentiria pressionado contra o cinto de segurança'', afirma Williams.
pesquisa se diz a primeira a estudar o futuro da turbulência aérea levando em conta as atuais projeções de aquecimento global.
Atualmente, os custos da turbulência aérea em termos de ferimentos, danos a aviões e inquéritos pós-acidentes chegam a US$ 150 milhões por ano (cerca de R$ 300 milhões).
É muito difícil detectar a turbulência do ar quando o tempo está estável por meio de sensores remotos.
Por isso, atualmente, os pilotos se baseiam em relatos feitos por outros pilotos de aviões que já fizeram a viagem através do Atlântico no início do dia, a fim de poder antecipar as condições de voo que encontrarão.
IGCiência

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Paraquedas usado pelo Curiosity é movido pelo vento em Marte

Fotografias tiradas pela Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), sonda norte-americana lançada em 2005 para procurar evidências de água em Marte, mostram o paraquedas utilizado durante o pouso do robô Curiosity, em agosto do ano passado, sendo movido pelo vento.
A sequência de sete imagens foi captada pela câmera High Resolution Imaging Science Experiment (HiRISE), instalada na sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), e correspondem ao período de 12 de agosto de 2012 a 13 de janeiro de 2013.
A movimentação mais visível acontece da quarta para a quinta imagem, quando parte do paraquedas se move para dentro dele mesmo, fazendo com que ele cubra uma área menor. Já entre a sexta imagem (de dezembro de 2012) e a última, o paraquedas se move um pouco para o sudeste. Essa movimentação pode impedir o acúmulo de poeira na superfície do objeto, o que pode explicar porque o paraquedas da nave Viking 1, que chegou a marte em 1976, ainda pode ser detectado.
O paraquedas do Curiosity é o maior já utilizado em um pouso em marte. Totalmente aberto, durante a descida pela atmosfera, ele tinha cerca de 15 metros de diâmetro.

domingo, 7 de abril de 2013

Frase


Os robôs vão à guerra

Do arco e flecha à bomba atômica, a tecnologia tem sido usada para decidir guerras e conflitos desde o início da civilização humana. Até agora, no entanto, o homem sempre esteve no controle, decidindo quando e em cima de quem descarregar o golpe fatal. Na guerra do futuro, esse poder pode escapar de suas mãos. Daqui a alguns anos, robôs avançados terão a capacidade de decidir quem vive e quem morre nos campos de batalha. Seja se locomovendo sobre quatro patas – impossíveis de derrubar – ou voando a centenas de metros do combate, estarão equipados com metralhadoras e pistolas automáticas e serão capazes de acertar alvos a quilômetros de distância. Se sofrerem algum tipo de dano, estarão equipados com chips capazes de se regenerar, para que continuem em ação ininterruptamente. Inteligentes, saberão o modo mais eficaz de atacar um alvo, causando o maior estrago possível. Esses robôs ainda não são realidade. Mas a tecnologia descrita existe, espalhada por diversos laboratórios científicos nos Estados Unidos — todos financiados pelo exército americano. É apenas questão de tempo para que as armas autônomas e letais saiam dos laboratórios e passem a ser aplicadas nos conflitos humanos, mudando a experiência da guerra para sempre.
Há mais de dez anos, o uso de robôs nos campos e batalha é uma realidade. Hoje, cerca de 12.000 aviões não-tripulados — também chamados de drones — cruzam os céus do Oriente Médio comandados pelo exército americano. O Predator, por exemplo, é usado no Iraque e Afeganistão para missões de vigilância e espionagem, e pode ser controlado desde os Estados Unidos. No chão, mais 8.000 robôs são usados pelos soldados para desarmar bombas a distância, prevenindo danos à tropa. O Packbot, o mais famosos deles, foi desenvolvido pela empresa iRobot, responsável também pelo Roomba, o primeiro aspirador de pó robótico do mundo.
Faltava a esse robôs, no entanto, um grau de autonomia e letalidade que aumentasse sua eficiência nas zonas de guerra. Por isso, nos últimos anos, centenas de drones começaram a receber armas e sistemas de GPS que facilitam sua navegação automática. O SWORD, uma espécie de Packbot com uma arma na topo, já foi enviado ao Afeganistão e Iraque. Ele, no entanto, ainda não é levado muito a sério pelas tropas. Por ser fácil de derrubar e incapaz de se levantar sozinho, é vítima fácil de emboscadas e costuma fornecer armas aos inimigos – recebeu por isso o apelido jocoso de "Veículo de Reabastecimento do Talibã".
Essa tecnologia, no entanto, não dever ser motivo de piada por muito tempo. O que está sendo mostrado no Oriente Médio é apenas a primeira geração de robôs desenvolvidos para a guerra, ainda com uma série de limitações que estão sendo superadas por protótipos testados em diversos laboratórios nos Estados Unidos. Segundo Peter W. Singer, cientista político que já trabalhou com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e hoje é pesquisador do Instituto Brookings, um think tank sediado em Washington D.C., essa primeira geração é comparável ao Ford T, um dos primeiros carros a ser fabricado em massa no mundo, ainda no início do século XX. Quando eles aparecerem, era impossível prever a importância que os automóveis viriam a ter, e a revolução que causariam no estilo de vida americano. Do mesmo modo, só agora começam a se mostrar as aplicações militares mais avançadas dos robôs, com cada vez mais autonomia em relação aos seus controladores humanos. Segundo Singer, o cenário que se desenha é claro: os homens estão perdendo o monopólio da guerra.
Corrida de cientistas — Os especialistas concordam que os Estados Unidos saem na frente nessa nova corrida armamentista. A maioria dos robôs usados no mundo vêm de seus laboratórios e é de lá que surgem as principais novidades no campo. O principal polo de desenvolvimento das armas robóticas é a DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency - Agência para a Pesquisa de Projetos Avançados de Defesa), agência fundada ainda na década de 50, logo após a União Soviética ter colocado o primeiro satélite em órbita da Terra. À época, seu objetivo era incentivar o desenvolvimento tecnológico americano, para que o país não ficasse defasado durante a Guerra Fria. Hoje a agência é voltada especialmente para novas tecnologias com aplicações militares.
 
Os cientistas do DARPA costumam financiar pesquisas científicas ousadas e ainda em seus estágios iniciais, sem aplicações imediatas. Os investimentos do grupo são aplicados em uma série de tecnologias experimentais, desde armas sônicas e a laser até exoesqueleteos e interfaces cérebro-máquina — como as desenvolvidas pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. É importante destacar que as tecnologias financiadas pela agência costumam sair do papel. "O DARPA é importante não só para a robótica mas também para o desenvolvimento de uma grande variedade de inovações que literalmente mudaram o mundo, desde os foguetes que levaram o homem à Lua até a rede mundial de computadores. Quando as pessoas dizem que o governo não e capaz de desenvolver novas tecnologias, eu pergunto: 'você já usou a internet?'", disse Peter W. Singer, em entrevista.
Apesar da dianteira, os Estados Unidos não são o único país que domina esse tipo de tecnologia. "Hoje já existem 60 nações que estão usando ou desenvolvendo a robótica para a guerra", diz Peter Assaro, pesquisador da Faculdade de Direito de Stanford especializado nas implicações éticas da tecnologia, em entrevista ao site de VEJA. O Brasil, por exemplo, usa drones (aqui chamados de VANTs, Veículos Aéreos Não Tripulados) para patrulhar fronteiras e monitorar a Amazônia. "A maioria dos países ainda não está desenvolvendo versões armadas dessa tecnologia, mas temos notícia de que pelos menos dez estão", diz o pesquisador. Entre eles, estão Coreia do Sul, China, Rússia e Inglaterra — sinal de que a tendência das armas autônomas é mundial.
Condolências e responsabilidades — Essas tecnologias devem afetar não só os campos de batalha, mas o modo como a guerra é debatida por políticos, eleitores e imprensa. Sem a necessidade de enviar soldados para territórios longínquos, os custos morais de se envolver em um combate diminuem. "Agora, nós possuímos a tecnologia que remove as últimas barreiras políticas à guerra. O principal apelo dos sistemas autônomos é que não precisamos mais enviar o filho de alguém em direção à morte. Se os políticos podem evitar as consequências políticas das cartas de condolências — e o impacto que as mortes têm no eleitorado e na opinião pública — eles passam a avaliar os pesos de guerra e da paz de modo diferente", afirma Singer em um artigo intitulado A Revolução Robótica, publicado pelo Instituto Brookings.
Como exemplo dessa alteração, Singer cita o fato de os drones americanos estarem sendo usados para atacar inimigos em lugares como o Iêmen e o Paquistão — já são mais de 350 ataques — sem que isso seja debatido pelo congresso ou pela imprensa do país. "Algo que antes seria claramente chamado de guerra, não apenas pelos nosso líderes mas também pelo publico e pela imprensa, não é mais tratado como tal", diz.
Ao mesmo tempo, a utilização de robôs autônomos nas zonas de combate faz surgir complicadas questões de responsabilidade. Os robôs podem ter a capacidade de decidir matar alguém, mas não podem ser responsabilizados pelo ato — nenhum juiz em sã consciência mandaria uma máquina para a cadeia. "Imagine que, durante uma missão, um robô mate toda população de uma aldeia isolada, incluindo os civis. Quem na cadeia de comando poderá ser responsabilizado por isso? É difícil dizer, principalmente se o robô se comportou de maneira inesperada e as mortes não foram intencionais. É difícil chamar a situação de crime de guerra, mesmo que exista uma vila cheia de civis mortos. Isso pode acabar se tornando um modo de eliminar a responsabilidade humana dessas questões", diz Peter Assaro.
Alertas – Por esses e outros motivos, Assaro é um defensor do controle desse tipo de tecnologia. Em 2009, em parceria com especialistas de diferentes aéreas, filósofos, engenheiros, cientistas da computação e especialistas em robóticas, ele fundou o ICRAC (International Comitte for Robot Arms Control - Comitê Internacional para o Controle de Armas Robóticas), que propõe o banimento total das tecnologias autônomas letais. "Qualquer tipo de sistema tecnológico — recomendo que você olhe para seu celular ou laptop — quebra, tem falhas e começa funcionar de modos não esperados. Quando eles estão armados com tecnologia letal, esse tipo de imprevisibilidade pode ser muito perigosa", diz.
O grupo, que já conta com mais de cem pesquisadores inscritos, diz que as armas autônomas podem até existir e se tornar comuns nos arsenais dos exércitos. No entanto, é necessário que em algum momento de seu funcionamento exista um humano no controle — seja na hora decidir quais serão os alvos, seja na hora de apertar o gatilho. "A autonomia dessas armas é um perigo às pessoas nas zonas de combate. A inteligência artificial ainda não é capaz de distinguir combatentes de civis ou crianças de adultos. Elas são incapazes de compreender quando um adversário se rende. Esse sistemas são bons em atirar em pessoas, mas entender o funcionamento de leis e tratados, como a Convenção de Genebra, é mais difícil", diz Assaro.
Alguns pesquisadores preocupados com os rumos dessa tecnologia comparam seu estágio atual ao Projeto Manhattan, que desenvolveu as bombas nucleares durante a década de 1940. Pesquisadores de todo o mundo foram até os Estados Unidos trabalhar na pesquisa. A física nuclear era uma área cientificamente excitante e o financiamento era farto. No entanto, seu trabalho levou ao desenvolvimento de uma das armas mais letais da história humana — e inúmeros pesquisadores relataram, anos depois, arrependimento por ter se envolvido no projeto.
Os críticos das armas robóticas dizem que suas consequências podem ser as mesmas, mas não está nas mãos dos cientistas parar seu desenvolvimento. "Ao contrário do que aconteceu com a física atômica, os conhecimentos de hardware e software necessários para construir essas tecnologias estão espalhados pelo globo. Sua aplicação militar é impossível de ser freada pelo esforço de um grupo de pesquisadores. Nós defendemos um tratado internacional entre os governos para frear o desenvolvimento dessas armas", diz Assaro. Os alertas não parecem chamar muito a atenção dos governantes e os robôs letais e autônomos continuam a ser estudados ao redor do mundo — principalmente por causa de seu potencial de retirar os soldados dos momentos mais sangrentos das guerras e poupar um grande número de vidas de pelo menos um dos lados do conflito. Os humanos estão prestes a se tornar obsoletos nos campos de batalha.
Veja.com

Estrago causado por meteorito na Rússia poderia ser muito pior

Usando uma variedade de vídeos colaborativos, informações provenientes do Google Earth e dados de sensores que servem para a interdição de testes nucleares, cientistas obtiveram uma imagem muito mais precisa da queda do meteorito perto da cidade russa de Chelyabinsk em 15 de fevereiro.
O que fica mais claro, porém, é que mesmo que Chelyabinsk não tenha conseguido exatamente escapar do meteorito, a cidade teve sorte de ter sido atingida apenas de raspão por ele.
O povo de Chelyabinsk teve muita sorte", disse Edward Lu, ex-astronauta que atualmente chefia a Fundação B612, uma iniciativa privada dedicada a detectar asteroides desse mesmo tipo, em uma audiência realizada na semana passada no Congresso dos Estados Unidos sobre as ameaças vindas do espaço.
O meteorito russo – que, de acordo com as últimas estimativas, tinha cerca de 18 metros de diâmetro e chegou ao espaço aéreo sem ser detectado a cerca de 67 mil quilômetros por hora – estava a quase 25 quilômetros de altura quando explodiu. Não houve mortes, e a maioria das 1.500 pessoas machucadas se feriu com pedaços de vidro, quando janelas se quebraram após uma onda de choque atingir a cidade 88 segundos depois.
"Se ele tivesse explodido mais perto da terra, teria sido pior", disse Margaret Campbell-Brown, membro de uma equipe de pesquisadores da Universidade do Oeste de Ontario que analisou a órbita do meteoro e as características da explosão. O que também ajudou foi o fato de que o meteoro era pedregoso – o que os cientistas chamam de condrito ordinário – e não um mais raro de ligas de ferro e níquel, caso em que ele poderia ter chegado ao solo antes de explodir.
A explosão envolveu a maior bola de fogo vista desde o evento de Tunguska, ocorrido em 1908, e à medida que vídeos provenientes de sistemas de vigilância, de câmeras montadas em automóveis e gravados por celulares começaram a ser rapidamente publicados na Internet, ficou evidente que essa explosão seria estudada como nenhuma outra, com cientistas e blogueiros amadores se apressando para analisar as imagens.
O evento de Tunguska ficou marcado pela explosão do que geralmente se acredita ser um meteorito sobre uma parte remota da Sibéria central. Esse objeto pode ter entrado na atmosfera em um ângulo mais inclinado que o de Chelyabinsk – que ficou a um ângulo de menos de 20 graus em relação à horizontal – e explodiu a cerca de oito quilômetros acima do solo. A altitude mais baixa, assim como a maior dimensão da rocha de Tunguska, ajuda a explicar por que ela teve um impacto muito maior, aplainando árvores em uma área do tamanho da região metropolitana de Washington.
A equipe canadense calculou que a energia liberada na explosão de Chelyabinsk teve o equivalente a cerca de 440 quilotons de TNT, ou cerca de 30 vezes a potência da bomba de Hiroshima. Esse cálculo foi feito com a ajuda de dados de uma rede de sensores acústicos criados para monitorar o cumprimento do tratado de interdição dos testes de armas nucleares. Há cerca de 45 desses sensores em todo o mundo, detectando os chamados infrassons a frequências bem abaixo das captadas pela audição humana.
Thomas Muetzelburg, porta-voz da Comissão Preparatória da Organização do Tratado de Interdição Completa de Testes Nucleares, sediada em Viena, disse que a explosão foi detectada por mais de 20 dos sensores, incluindo um baseado na Antártica, a cerca de 16 mil quilômetros de Chelyabinsk. Sons de baixa frequência não se dissipam facilmente, motivo pelo qual alguns dos detectores captaram a explosão mais de uma vez, já que o som deu a volta ao mundo várias vezes.
Com o conhecimento da energia e informações sobre o quão rápido o meteoro estava se deslocando, os pesquisadores puderam calcular a massa do meteoro: cerca de 11 mil toneladas.
"Tudo se resume à energia cinética desse corpo", que está relacionada com sua massa e velocidade, disse Richard P. Binzel, cientista planetário do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
O meteoro tem certa quantidade de energia ao entrar na atmosfera, disse Binzel. Assim que ele atinge o ar, começa a desacelerar rapidamente e, em seguida, o diferencial de pressão entre o ar superpressurizado na frente e o ar menos pressurizado na parte de trás faz com que a rocha se parta violentamente.
"Toda essa energia cinética tem de ser liberada", disse ele. Apenas pequenos fragmentos do meteoro atingiram a terra, e alguns foram levados para laboratórios nos Estados Unidos, incluindo o Instituto de Magnetismo de Rochas da Universidade de Minnesota, onde um cientista russo está estudando suas propriedades magnéticas.
Como outras equipes, os pesquisadores canadenses usaram imagens em vídeo do percurso que o meteoro seguiu de leste a oeste sobre Chelyabinsk, a fim de ajudar a calcular sua trajetória e órbita. Como a explosão ocorreu à luz do dia, Campbell-Brown disse que eles pediram a um colega que estava na área para tirar fotos noturnas dos mesmos locais. Ao sobrepor as imagens da trajetória do meteoro às imagens da noite estrelada, os pesquisadores devem conseguir traçar com ainda mais precisão o caminho que ele percorreu.
Por enquanto, porém, essa e outras equipes, incluindo uma da Universidade de Antioquia, em Medellín, na Colômbia, concordam que o meteoro se originou na parte interna do cinturão de asteroides, em uma órbita regular e inofensiva ao redor do sol, entre Marte e Júpiter. Não se sabe como ele veio a assumir uma órbita irregular, que cruzou a Terra, mas como outros objetos que passam pela Terra, ele provavelmente sofreu influência da gravidade de Júpiter ou outro planeta em algum momento. Em seguida, circundou o Sol por completo a cada 18 meses em uma órbita altamente excêntrica – mais de 2 1/2 vezes a distância da Terra ao Sol em seu ponto mais afastado, perto da órbita de Vênus em seu ponto mais próximo – antes de atingir a atmosfera da Terra.
Jorge Zuluaga, membro do grupo colombiano, disse que foi inspirado pelo trabalho feito logo após o evento por Stefan Geens, um blogueiro de Estocolmo. Geens utilizou vários vídeos – incluindo um feito com uma câmera na Praça da Revolução, no centro de Chelyabinsk – para triangular a trajetória. O vídeo não mostra a explosão diretamente, mas sim as sombras dos postes de luz (e de uma enorme estátua de Lênin) que se moviam assim como a sombra de um relógio de sol à medida que a bola de fogo cruzava o céu.
Usando o Google Earth, é fácil identificar as coordenadas da câmera que estava na Praça da Revolução e de outras. Zuluaga disse que sua equipe, que incluiu Geens como coautor em sua mais recente publicação, está trabalhando para aprimorar seus cálculos por meio, entre outras coisas, do conhecimento da ótica das câmeras de vídeo. "Estamos tentando entender a distorção com a qual estamos lidando", disse ele.
Zuluaga acredita que mais cedo ou mais tarde será possível reconstruir a órbita da rocha com tanta precisão que os pesquisadores podem conseguir detectá-la retroativamente, debruçando-se sobre imagens de telescópios que mapeiam o céu, feitas na última vez que ele transitou nas proximidades da Terra. "Poderemos então atribuir-lhe um nome", disse ele. "Como se trata de um asteroide morto, ele ainda não tem nome".
Além de ajudar os cientistas a identificarem o percurso do meteoro, os vídeos que foram postados na Internet contribuíram para aumentar o interesse em projetos de detecção de asteroides antes que eles atinjam a Terra. Em entrevista realizada após seu depoimento ao Congresso, Lu disse que a sua fundação, que quer colocar em órbita um telescópio financiado pela iniciativa privada dentro de cinco anos, passou a receber bem mais doações desde a explosão.
"Foi um evento que tornou a queda de meteoros mais real para as pessoas", disse ele. "Nada como uma centena de vídeos do YouTube para fazer isso."
IGCiência

sábado, 6 de abril de 2013

Demanda externa por carnes e soja aumenta pressão sobre a Amazônia

O aumento da demanda externa por carne bovina e soja vai induzir o Brasil a desmatar mais a floresta amazônica, revertendo o sucesso recente na diminuição das perdas florestais, mostrou um estudo divulgado nesta quinta-feira (4).
Cerca de 30 por cento do desmatamento no Brasil na primeira década deste século ocorreram porque agricultores e pecuaristas procuraram terras para expandir a produção de carne e soja para exportação, contra cerca de 20 por cento na década de 1990, disse o relatório.
"O comércio está emergindo como o principal motor do desmatamento no Brasil", de acordo com especialistas do Centro de Pesquisas Internacionais sobre Clima e Meio Ambiente.
"Isso pode contribuir indiretamente para a perda das florestas que os países industrializados estão tentando proteger por meio de acordos internacionais", escreveram eles na revista Environmental Research Letters.
As exportações de carne bovina e soja responderam por 2,7 bilhões de toneladas de emissões de carbono causadas pelo desmatamento no Brasil na década de 2010, disse o relatório. Isso excede as emissões de gases de efeito estufa de uma nação como o Egito, no mesmo período.
O desmatamento na região amazônica caiu 27 por cento entre agosto de 2011 e julho de 2012, para 4.656 quilômetros quadrados, na comparação com o mesmo período do ano anterior, disse em novembro o Ministério do Meio Ambiente.
No entanto, dados divulgados na semana passada mostraram um aumento de 26,6 por cento no desmatamento entre agosto de 2012 e fevereiro deste ano, para 1.695 quilômetros quadrados, em relação ao mesmo período anterior, segundo o ministério.
A chamada Amazônia Legal cobre 5,2 milhões de quilômetros quadrados.
A crescente demanda externa e a ânsia do governo brasileiro por crescimento econômico significam que uma queda contínua na taxa de desmatamento era improvável sem novas medidas para proteger as florestas, disse o relatório.
Mundialmente, o desmatamento representa até um quinto das emissões de gases do efeito estufa de origem humana, de acordo com estimativas da ONU. As árvores absorvem dióxido de carbono enquanto crescem e o liberam quando são queimadas ou apodrecem.
Segundo as regras de mudança climática da ONU, as emissões de gases do efeito estufa são consideradas aquelas dentro das fronteiras nacionais. Sugestões de transferir a responsabilidade aos consumidores, neste caso os compradores externos da carne bovina brasileira, são muitas vezes desprezadas como sendo muito complicadas.
"Tem sido um pesadelo no setor florestal", disse o pesquisador de florestas do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, Duncan Macqueen, em Edimburgo. "Os consumidores se perguntam 'por que devemos sofrer o custo da reforma do sistema?'", disse.
Alguns projetos procuram certificar a produção florestal como vindo de uma fonte que não envolve extração ilegal de madeira. Mas têm inconvenientes, já que os custos das auditorias podem ser muito elevados para os pequenos produtores, afirmou.
O estudo do centro sugeriu uma melhor rotulagem ou informações sobre importações para ajudar os consumidores.
O estudo não tentou comparar o impacto ambiental da produção de carne bovina ou de soja no Brasil com a de outras nações para ver onde a produção foi menos prejudicial. "Análises similares ainda têm de ser feitas", afirmou o autor Jonas Karstensen.
IGCiência

Arqueólogos descobrem centro da cidade suméria onde viveu Abraão

Arqueólogos britânicos encontraram em escavações um grande complexo perto da antiga cidade de Ur, no Iraque. Eles acreditam que a estrutura, provavelmente de 4 mil anos, tenha servido como centro administrativo de Ur, na época em que o profeta Abraão, de acordo com a Bíblia, lá vivia antes de ir para Canaã. O personagem bíblico é citado no livro do Gênesis e é considerado o responsável pelo Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.
De acordo Stuart Campbell, arqueólogo da Universidade de Manchester que liderou as escavações, o complexo está próximo do local onde foi parcialmente reconstruído um zigurate, um tipo de templo sumério.
“É uma descoberta muito empolgante”, disse Campbell, por causa do tamanho da área, com cerca de 80 metros de cada lado. Segundo o arqueólogo, complexos deste tamanho e idade eram raros.
“Aparentemente, trata-se de algum tipo de prédio público. Devia ser algum prédio administrativo, com conexões religiosas ou controle de mercadorias da cidade de Ur”, disse.
O complexo de quartos ao redor do pátio foi descoberto a 20 quilômetros de Ur, a última capital da dinastia real suméria, cuja civilização floresceu há 5 mil anos.
Campbell afirma que um dos artefatos encontrados era uma placa de argila que mostrava um adorador vestindo uma longa túnica se aproximando de um local sagrado. Além dos artefatos, o local revelou as condições ambientais e econômicas da região.
IGCiência

Cientistas japoneses conseguem revelar o conteúdo dos sonhos



Até hoje tidos como impermeáveis à ciência, os sonhos começam a ser traduzidos pela neurologia. Um grande passo, descrito na revista “Science” desta semana, veio de um experimento japonês com três voluntários. Pesquisadores japoneses conseguiram revelar, com uma margem de 60% de acerto, o que passava pela mente dos participantes do estudo no momento em que dormiam.
A equipe de Yukiyasu Kamitani, do Laboratório de Neurociência Computacional ATR, de Tóquio, levou os participantes para dormir dentro de uma máquina de ressonância magnética. Cada um deles foi submetido a 200 sessões, de pelo menos três horas cada.
Na primeira etapa do experimento, o participante era acordado logo depois que dormia. Então, precisava descrever o que sonhava.
Um exemplo de um dos sonhos descritos pelos voluntários: “Vi no céu algo parecido a uma estátua de bronze, posicionada sobre uma pequena colina, e sob esta havia casas, ruas e árvores”. Outro sonolento participante do estudo relatou: “Escondi a chave em um lugar entre uma cadeira e uma cama e alguém a pegou”.
Kamitani dividiu as imagens descritas em vinte categorias. Assim, hotéis, casas e edifícios, por exemplo, integrava o grupo chamado “estruturas”. Entre as outros estão “homens”, “mulheres”, “ferramentas”, “livros” e “carros”.
Depois, os voluntários, agora acordados, contemplavam uma série de imagens, que representavam cada categoria. Após este exercícios, passavam normalmente pela ressonância. Dessa forma, os cientistas conseguiram relacionar padrões de atividade do córtex visual — a zona posterior do cérebro, que normalmente processa as imagens provenientes do mundo exterior — e o imaginário visual. Seria como se cada categoria adquirisse sua própria “assinatura”.
sono profundo
Por último, o equipamento enfim fazia uma nova varredura nos participantes, agora tentando identificar o que cada participante sonhava. Acertou em 60% dos casos.
Eu tinha uma crença muito forte de que a decodificação dos sonhos era possível, ao menos em alguns aspectos particulares — revelou Kamitani. — Já esperávamos um resultado positivo, mas ainda assim é empolgante.
Para alguns neurologistas que tiveram acesso à pesquisa, o sono dos voluntários era tão leve que, tecnicamente, seria como se não estivessem sonhando. Mas Kamitani já cogita levantamentos muito mais complexos: a análise do sono profundo, quando ocorrem as imagens mais intensas do sonho; e eventualmente prever emoções, cheiros, cores e ações que as pessoas experimentam ao dormir.
Para o neurocientista cognitivo Mark Stokes, da Universidade de Oxford, a pesquisa aproximou a ciência de construir máquinas capazes de ler os sonhos.
— Obviamente ainda há um longo caminho a ser trilhado pela neurociência, mas não há razão para pensar que isso seja impossível — ressaltou. — O mais difícil é fazer o mapeamento sistemático da atividade cerebral, e isso teria de ser feito individualmente. Não dá para estabelecer uma classificação geral para ler o sonho das pessoas. Nunca será possível, por exemplo, construir algo que leia o pensamento de outras pessoas sem que elas saibam disso.
Exame.com


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Frase


Cientistas localizam água oxigenada na superfície de lua de Júpiter

 
Cientistas descobriram peróxido de hidrogênio – conhecido popularmente como água oxigenada – "abundante" na superfície de Europa, uma das luas de Júpiter. A substância poderia funcionar como uma importante fonte de energia para micro-organismos.
Não existe confirmação de que haja vida na lua, mas ela é considerada pelos cientistas como uma das principais candidatas a abrigar vida no Sistema Solar, fora da Terra. Além de água – que existe no estado líquido por baixo de uma crosta de gelo nos oceanos –, o corpo celeste contém em sua superfície carbono, nitrogênio, fósforo e enxofre, elementos essenciais para o surgimento da vida.
Essa água oxigenada foi identificada em pontos da superfície de Europa, longe dos oceanos. No entanto, caso ela caia nos oceanos, uma reação química geraria oxigênio suspenso na água, e esse oxigênio possibilitaria a respiração de organismos vivos.
“A disponibilidade de oxidantes como o peróxido [de hidrogênio] na Terra foi uma parte fundamental da ascensão de formas de vida complexas e multicelulares”, afirmou Kevin Hand, do Laboratório de Propulsão de Jatos da Nasa e autor principal do estudo, publicado pela revista científica “Astrophysical Journal Letters”.
G1

Aquecimento global derrete 1,6 mil anos de gelo dos Andes em 25 anos

O gelo glacial nos Andes peruanos que levou pelo menos 1,6 mil anos para se acumular derreteu em apenas 25 anos, informaram cientistas, em mais um sinal de que o recente aumento nas temperaturas globais está desequilibrando a natureza. As evidências vêm de uma descoberta notável nas margens do glaciar Quelccaya, no Peru, o maior do mundo em uma região tropical. O derretimento acelerado no local durante a era moderna está revelando plantas que ficaram presas no gelo quando o glaciar avançou milhares de anos atrás.
A datação destas plantas, a partir de uma forma radiativa de carbono que decai a um ritmo conhecido, deu aos cientistas um método com precisão incomum para determinar a história das margens do glaciar. Lonnie G. Thompson, glaciologista da Universidade do Estado de Ohio cuja equipe tem trabalho intermitentemente no glaciar Quelccaya durante décadas, anunciou as descobertas esta semana no site da revista “Science”. O artigo inclui uma muito esperada análise dos marcadores químicos nos cilindros de gelo que a equipe escavou do fundo de Quelccaya, um registro que ajudará os cientistas de todo mundo na reconstrução das variações climáticas do passado.
Estas análises levarão tempo, mas Thompson diz que as evidências preliminares mostram, por exemplo, que a Terra provavelmente atravessou um período de clima anômalo na época da Revolução Francesa, que começou em 1789. O clima possivelmente contribuiu para a falta de comida que exacerbou a revolta.
- Quando há problemas no suprimento de comida, isto é má notícia para qualquer governo – disse Thompson em uma entrevista.
De ainda mais interesse, Thompson e sua equipe expandiram as pesquisas prévias envolvendo plantas há muito mortas que emergiram nas bordas de gelo derretido de Quelccaya, um enorme e plano glaciar localizado num planalto vulcânico a 5,5 mil metros de altitude. Há alguns anos, a equipe estudou as plantas que ficaram expostas próximas a um lago de gelo derretido. A análise química mostrou que elas tinham cerca de 4,7 mil anos de idade, provando que o glaciar atingiu no momento sua menor extensão em aproximadamente 5 milênios.
No novo estudo, outros 300 metros de derretimento expuseram plantas que os laboratórios mostraram ter 6,3 mil anos de idade. A interpretação mais simples, diz Thompson, é que o gelo que foi acumulado ao longo de aproximadamente 1,6 mil anos derreteu em não mais que 25 anos.
- Se há qualquer momento nos últimos 6 mil anos estas plantas tivessem sido expostas por um período de cinco anos, elas já teriam se decomposto – explicou Thompson. - Isso nos diz que o glaciar tinha que estar lá há 6 mil anos.
Meredith A. Kelly, geomorfologista glacial da Universidade de Dartmouth que trabalhou com . Thompson mas não está envolvida no último estudo, disse que está interpretação a partir dos restos de plantas é razoável. Sua própria pesquisa em Quelccaya sugere que as margens do glaciar derreteram rapidamente em épocas passadas, mas o derretimento atual parece ser tão rápido, se não mais, do que qualquer coisa que os registros geológicos mostram desde o fim da última Idade do Gelo.
O aquecimento global, que os cientistas dizem estar sendo causado primariamente pela liberação de gases-estufa pela Humanidade, tem mostrado seus efeitos mais fortes nas altas latitudes e altas altitudes. Depositado em uma elevação nos trópicos, o glaciar de Quelccaya parece ser extremamente sensível às mudanças na temperatura, dizem vários cientistas.
- Ele pode não derreter todo rapidamente porque tem muito gelo, mas talvez estejamos presos a uma situação em que vamos perder todo este gelo – disse Mathias Vuille, cientista climático da Universidade do Estado de Nova York em Albany.
Por todos os Andes, glaciares estão derretendo tão rápido que os cientistas estão profundamente preocupados com o suprimento de água das pessoas que vivem na região. A água derretida dos glaciares é essencial para as comunidades andinas enfrentarem as estações de seca. A curto prazo, o derretimento está aumentando o abastecimento de água e alimentando o crescimento da população nas maiores cidades dos Andes, contam os especialistas. Mas, com o encolhimento dos glaciares, problemas certamente são esperado no futuro. Douglas R. Hardy, pesquisador da Universidade de Massachusetts que trabalha na região, resume a questão:
- Quanto tempo temos antes que 50% das fontes de água de Lima ou La Paz desapareçam?



Entenda a tensão envolvendo a Coreia do Norte


As duas Coreias estão, tecnicamente, em estado de guerra desde a metade do século passado. Ao final da Segunda Guerra, a península ficou sob influencia da União Soviética no norte e dos Estado Unidos no sul.
Entre 1950 e 1953, um conflito armado causou a morte de mais de 1 milhão de pessoas na região, e o armistício de 53 não acabou com a tensão que se intensificou nos últimos meses.
Em março, exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul levaram Pyongyang a encerrar uma linha de comunicação direta com Seul, e a Coreia do Norte anunciou ao mundo que estava em estado de guerra, prometendo reativar uma usina nuclear.
Nesta semana, trabalhadores sul-coreanos foram proibidos de entrar na Coreia do Norte, onde trabalham em um complexo industrial que é um símbolo de cooperação entre os dois países, na cidade de Kaesong.
Observadores tentam interpretar as ações do líder norte-coreano, Kim Jong-un: se está genuinamente preocupado com um possível ataque ao seu país ou se, ainda inseguro após substituir seu pai como chefe de estado, tenta mostrar firmeza à população.
Analistas acreditam que a possibilidade de um ataque nuclear é muito baixa, mas a Coreia do Norte se diz determinada a produzir mísseis capazes de atingir os Estado Unidos.
Por se tratar de um país isolado, com pouquíssimo contato externo centrado num forte culto à personalidade do ditador e sem espaço para dissidência, toda vez que a Coreia do Norte ruge, a comunidade internacional se pergunta: eles vão apertar o botão? É pouco provável. “Kim Jong-un tem cara de louco, jeito de louco, mas sabe muito bem o que está fazendo”, afirma Victor Cha, professor de estudos estratégicos e de segurança para a Ásia da Universidade Georgetown. Segundo um estudo coordenado por Victor, desde 1992 a Coreia do Norte eleva o tom das ameaças em um prazo de 10 a 16 semanas depois da eleição de um novo governo na Coreia do Sul. No fim de dezembro do ano passado, Park Geun-hye se elegeu a primeira presidente mulher do país, pelo partido conservador Saenuri. “Kim Jong-un está seguindo a cartilha da sua família e testando o novo governo sul-coreano, ao mesmo tempo que dá uma demonstração de força para o seu Exército.”
O regime norte-coreano sabe que seria suicídio provocar um conflito com os americanos. Os EUA têm 4.650 armas nucleares em estoque, das quais cerca de 2.150 estão operacionais em mísseis e bombardeiros. Mas as ameaças de atingir território americano não passam de mais uma bravata. “Os norte-coreanos não tem uma ogiva nuclear pronta, nem combustível, nem mísseis capazes de viajar 10 mil quilômetros e atingir a costa dos EUA”, afirma Jonathan Pollack, do Brookings Institution, um dos maiores especialistas em península coreana.
Dados sobre as capacidades militares do Norte são pouco confiáveis. Não existem estimativas precisas de quantas armas nucleares o país teria, ou se seus foguetes tem alcance para atingir território americano (veja mais no quadro abaixo). O país mantém um enorme arsenal de mísseis balísticos, em sua maioria variantes dos modelos soviéticos Scud B e Scud C, obsoletos e cujo alcance não ultrapassa os 500 km. Aquele que seria o míssil mais poderoso, o Taepodong-2, só teve um teste até hoje, em 2006, e fracassou. As estimativas sobre seu alcance são imprecisas: os especialistas falam que poderia atingir alvos entre 4.000 km a 9.000 km de distância. Em um conflito armado, a única carta na manga das forças armadas norte coreanas seria o míssil Nodong 2, com capacidade para atingir a Ilha de Guam, no Pacífico, onde os Estados Unidos tem uma base militar. “Eles conseguiriam atingir uma cidade como Tóquio, mas jamais qualquer território dos Estados Unidos”, afirma Greg Thielmann, pesquisador da Associação de Controle de Armas dos Estados Unidos.

A maior dúvida é se a Coreia do Norte possui tecnologia avançada o suficiente para equipar esses mísseis. “É muito duvidoso que a Coreia do Norte consiga armar qualquer um de seus mísseis com ogivas nucleares”, diz Thielmann. Para construir uma arma nuclear, não basta apenas enriquecer metais radioativos como urânio ou polônio. É necessário encontrar meios para reduzir o tamanho da ogiva e encaixá-la no míssil, sem provocar sua explosão. Não se sabe se o país teria a tecnologia para produzir uma arma pequena o suficiente para ser instalada na ponta de um míssil.
 Nem tudo ainda foi testado para conter a loucura de Kim Jong-un. A esperança é que a China, o último aliado importante da Coreia do Norte no mundo, consiga demover o país de suas intenções. É pouco provável que os chineses apoiem a mudança de um regime aliado em uma área de influência tão disputada como a península coreana. Mas os chineses também não vão se embrenhar em uma guerra para defender um regime que se tornou uma pedra no seu sapato. Há sete anos os chineses tentam convencer os norte-coreanos a promover uma abertura econômica similar a da China, sem sucesso. A impaciência com Kim Jong-un e seus delírios chegou ao ápice em fevereiro. O país votou a favor das sanções financeiras aplicadas pela ONU depois do terceiro teste nuclear do país. A única esperança que resta para reduzir a instabilidade na região é a China finalmente exercer seu poder para pressionar a Coreia do Norte.
Época.com 

Acelerador busca partículas que podem mudar compreensão do Universo

Engenheiros deram início a um processo de aprimoramento do Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) para dobrar a energia do que já é o maior acelerador de partículas do mundo.
Cientistas acreditam que o "upgrade" lhes permitirá descobrir novas partículas e, assim, a formular uma teoria mais completa sobre o funcionamento do universo.
A cientista Pippa Wells, que trabalha no Cern, disse à BBC que há muito a ser descoberto com o LHC. "Os dois últimos anos foram os mais animadores da minha vida como física de partículas", declarou.
"Houve uma descoberta (pistas da chamada 'partícula de Deus'), e os cientistas querem mais com os altos níveis de energia que teremos. Podemos descobrir um novo reino de partículas físicas."
Um elevador leva a equipe da BBC ao subsolo, cem metros abaixo da superfície, e a uma grande e pesada porta verde, que se abre para uma das maiores e mais complexas máquinas já construídas no mundo.
Lá, engenheiros começam a substituir alguns conectores de energia elétrica - de um total de 10 mil que serão trocados. Oitocentas pessoas estão envolvidas no projeto de aprimoramento, que deve custar o equivalente a R$ 213 milhões.
A tarefa também inclui testar e substituir alguns dos principais dipolos (sistemas de duas cargas elétricas opostas) e quadripolos (circuito elétrico com quatro terminais de acesso) que são usados para curvar os caminhos percorridos pelas partículas testadas e mantê-las agrupadas.
Ciência de ponta
O LHC aplica tanto ciência quanto engenharia de ponta na difícil tarefa de criar condições para replicar os primórdios do Universo.
"Ninguém jamais fez esse tipo de tecnologia antes", declarou Stephanie Hills, uma das funcionárias do local, respondendo a críticas de que a atualização do LHC custará muito caro.
"Tudo, das soldas mais básicas aos mais complexos diagnósticos dos feixes (de luz), está ampliando as fronteiras da tecnologia, e às vezes essas coisas não dão certo simplesmente porque não sabemos como elas funcionarão."
Houve um dano ao LHC poucos dias depois que ele foi ligado, em setembro de 2008. As conexões entre os ímãs supercondutores do sistema simplesmente não aguentaram a corrente que passou por eles.
Os reparos levaram um ano e custaram o equivalente a R$ 73 milhões em dinheiro de contribuintes, para que o LHC pudesse operar pela metade. Isso já bastou para que fossem descobertos indícios do tão procurado Bóson de Higgs, a "partícula de Deus", matéria-prima básica da criação do Universo, uma partícula subatômica que permitiu que as partículas elementares obtivessem massa.
No início deste ano, o Cern foi fechado para os consertos de longo prazo.
Nova etapa
 
Após as melhorias, os feixes de luz vão colidir entre si com o dobro da energia.
Isso permitirá que os pesquisadores se aproximem de seu objetivo final: encontrar provas da "nova física", que eles creem que levará a uma nova e mais completa teoria sobre a física subatômica.
A descoberta do Bóson de Higgs, no ano passado, fechou um capítulo da física do século 20 - do desenvolvimento da teoria do Modelo Padrão.
A teoria diz que a maioria das forças da natureza, os objetos ao nosso redor e a nossa própria existência decorrem da interação do Bóson de Higgs com outras 16 partículas. O modelo explica com sucesso a forma como a eletricidade, o magnetismo e a luz operam.
Desde então, todas as partículas previstas pelo Modelo Padrão foram descobertas - incluindo o Higgs.
O problema é que os cientistas sabem que essa teoria é limitada. Ela explica muito bem o mundo ao nosso redor, mas não é capaz de explicar a forma como a maior parte do Universo opera.
Físicos esperam agora que, quando o LHC voltar a operar em força total, poderá encontrar provas das chamadas partículas supersimétricas. Estas são parecidas com as partículas do Modelo Padrão, porém mais maciças.
Um tipo de supersimetria prevê que pode haver cinco Bóson de Higgs, mas ligeiramente diferentes.
A primeira tarefa do LHC, quando voltar a promover colisões, em 2015, será testar o Higgs já descoberto, para ver se ele tem alguma das propriedades previstas pela supersimetria, disse Pippa Wells.
"O LHC não foi desenhado apenas para encontrar o Higgs", declarou Wells. "Esperamos encontrar algo totalmente novo, que mude nosso entendimento sobre o Universo. Estamos no limiar de encontrar novas partículas."
BBC.com

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Frase


Empresa cria sistema de lançamento de satélites quatro vezes mais barato

Uma empresa suíça desenvolveu um sistema de lançamento de pequenos satélites a um custo até quatro vezes menor do que o atual. A Swiss Space Systems (S3) está construindo um veículo que será acoplado a um avião Airbus A300 para compor uma plataforma comercial de lançamento de satélites. Os primeiros testes devem acontecer em 2017.
O veículo de lançamento, um "avião-foguete" não tripulado, será levado pelo Airbus A300 até uma altitude de 10 quilômetros, e então ativará um motor movido a querosene e oxigênio líquido para atingir uma altitude de 80 quilômetros. Apesar de ser chamado de nave espacial, esse veículo não chegará a ultrapassar a barreira do espaço, a 100 quilômetros. Ainda assim, 80 quilômetros de altitude são suficientes para lançar o satélite, equipado com seu próprio foguete, que nesta terceira etapa poderá levá-lo a uma altitude de 700 quilômetros. Após lançar o satélite, a nave retornará à Terra.
Custos e parcerias – De acordo com a empresa S3, o equipamento será capaz de lançar satélites de até 250 quilos. O custo total de desenvolvimento desse sistema é de cerca de 211 milhões de dólares, e mais 53 milhões serão necessários para a construção de uma base em Payerne, na Suíça, que deve ficar pronta em 2015. O custo por lançamento é estimado em 10,5 milhões de dólares.
Dentre os parceiros que cooperam com a S3 no projeto estão a empresa de construção aeroespacial belga Sonaca, a britânica Meggitt e a francesa Dassault Aviation, fabricante de aviões. A S3 afirmou ainda que está em contato com os governos do Marrocos e da Malásia, a fim de estabelecer parcerias para lançamentos e retornos da nave espacial. Os primeiros testes de voo com um protótipo da nave estão previstos para 2014.
Veja.com

Programa nos EUA vai mapear atividade cerebral

Promessa de seu principal discurso à população, em fevereiro, o mapeamento da atividade cerebral foi lançado oficialmente ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com previsão de US$ 100 milhões em fundos federais apenas para 2014. A proposta foi apresentada como o "próximo grande projeto da América", na sequência de iniciativas como o programa Apolo, que levou o homem à Lua na década de 60, e o mapeamento do genoma humano.
"Nós podemos identificar galáxias a anos-luz de distância, estudar partículas menores do que um átomo. Mas nós ainda não podemos desvendar o mistério de 1,3 quilo de matéria localizada entre as nossas orelhas", afirmou Obama, em tom jocoso.
O Brain Initiative envolverá três institutos de pesquisa de ponta dos EUA. A coordenação estará a cargo de Cori Bargmann, neurocientista da Rockfeller University, e do neurobiólogo William Newsome, da Stanford University. Ambos à frente de uma equipe de 15 cientistas.
Atualmente, cientistas são capazes de mapear a atividade de algumas centenas de neurônios em ação. O projeto lançado por Obama terá a ambição de mapear bilhões deles, em trilhões de conexões. A pesquisa, espera Obama, ajudará no tratamento e na prevenção de doenças críticas, como o Alzheimer e a Síndrome Pós-Traumática Cerebral, e elucidará o desenvolvimento da epilepsia e do autismo.
Estadão.com

Aquecimento global pode tornar maratonas mais lentas

O calor é inimigo do corredor. As altas temperaturas atrapalham, e muito, o desempenho de um maratonista durante uma competição. Pior, o mal estar físico pode até levar à morte, como ocorreu com um participante da maratona de Tel-Aviv, em março deste ano. Em tempos de mudanças climáticas, a preocupação com o desempenho dos atletas promete aumentar ainda mais.
Estudo da Universidade de Boston indica que o aquecimento global poderá tornar as maratonas mais lentas, afetando o tempo das vitórias. Segundo a pesquisa, embora o tempo dos vencedores de provas de resistência, como as maratonas, tenha melhorando gradativamente ao longo do século passado, essa tendência corre risco de diminuir diante do aumento das temperaturas.
Mantida a tendência de aquecimento atual, de 0.058°C por ano, até 2100, a chance de detectar uma "desaceleração consistente no tempo de vitória da maratona" é de 95%, diz o estudo.
Os pesquisadores usaram a tradicional Maratona de Boston para ver se o aquecimento afetou os resultados das marcas vencedoras dos corredores, por se tratar da mais antiga maratona do mundo, que acontece todo ano sempre no mesmo dia desde 1924.
"Examinamos uma série de tempo (1933-2004) para testar o efeito do aquecimento no tempo de vitória de homens e mulheres", diz o professor de meio ambiente Richard Primack. "Nós descobrimos que as temperaturas mais quentes e ventos contrários no dia da maratona, tornava a corrida mais lenta, aumentando o tempo do vencedor”.
Apesar de estudos anteriores já terem associado as temperaturas quentes ao menor desempenho de atletas de resistência, afetando sua capacidade de regular a temperatura corporal interna, não se sabia até então como as tendências de aquecimento poderiam afetar o desempenho dos atletas durante as competições no longo prazo.
Exame.com

terça-feira, 2 de abril de 2013

Frase



Ártico pode sofrer invasão de vegetação por causa de aquecimento

As porções de terra no entorno do Círculo Polar Ártico devem passar por um "esverdeamento" explosivo nas próximas décadas, à medida que capim, arbustos e árvores começarem a crescer no solo despido de gelo e "permafrost" devido ao aquecimento global, alertou um estudo publicado este domingo (1º).
As áreas com florestas no Ártico devem aumentar em até 52% até 2050 quando a chamada linha de árvores - a latitude máxima onde a vegetação consegue crescer - variar centenas de quilômetros para o norte, segundo simulações de computador publicadas na revista "Nature Climate Change".
"Esta redistribuição generalizada da vegetação no Ártico teria impactos que reverberariam no ecossistema global", explicou Richard Pearson, do Centro de Biodiversidade e Conservação do Museu Americano de História Natural.
O Ártico se tornou um dos "pontos quentes" do mundo quando se fala em aquecimento global. No último quarto de século, as temperaturas ali tem aumentado duas vezes mais rápido do que no resto do mundo.
"Estes impactos se estenderiam muito além da região do Ártico", destacou Pearson em um comunicado. "Por exemplo, algumas espécies de aves migram sazonalmente para latitudes mais baixas e confiam em encontrar hábitats polares em particular, como espaços abertos para construir ninhos no chão", acrescentou.
 
Dois mapas da região ártica mostram, em cima, a distribuição atual da vegetação, e abaixo, uma projeção para 2050 considerando um aumento do clima. A cor verde representa a cobertura vegtal com árvores, que, no segundo mapa, é claramente maior .
G1

Produção de fertilizantes causa grave poluição na China

As centenas de milhões de toneladas de lixo produzido pela indústria de fertilizantes fosfatados ocasionaram graves contaminações em diversas regiões da China, afirmou o Greenpeace nesta terça-feira.
As centenas de milhões de toneladas de lixo produzido pela indústria de fertilizantes fosfatados ocasionaram graves contaminações em diversas regiões da
Desde 2001, a China duplicou sua capacidade de fabricação de fertilizantes fosfatados, convertendo-se no líder mundial desse setor, com 40% da produção em nível planetário. O país sofre atualmente com um excesso de capacidade, segundo a ONG de proteção ao meio ambiente.
No entanto, esta indústria gera um subproduto muito poluente, o fosfogesso, do qual são encontradas grandes quantidades armazenadas de forma ilegal e perigosa. "É uma bomba-relógio", denunciou a ONG em um relatório a respeito divulgado nesta terça.
"A China já acumulou ao menos 300 milhões de toneladas de fosfogesso, ou seja, ao menos 200 kg por habitante. E o pior é que o fosfato de gesso contém uma gama de substâncias altamente nocivas", declarou Lang Xiyu, um dos pesquisadores.
A ONG divulgou fotos e vídeos que mostram a existência de gigantescos depósitos ao ar livre deste subproduto (que cobre, por exemplo, 33 hectares na província de Sichuan), a pouca distância de um rio e de zonas habitadas e, segundo o Greenpeace, em violação flagrante das leis vigentes.
Análises de amostras tiradas no local revelaram a presença de arsênico, cádmio, cromo, mercúrio e outros metais pesados extremadamente nocivos.
Exame.com
 

China vai enviar segunda mulher ao espaço em 2013

A China enviará ao espaço ainda neste ano sua segunda mulher astronauta, Wang Yaping, na nave Shenzhou 10, de acordo com informações do site oficial do país. A missão, que deve ocorrer entre junho e agosto, vai durar 15 dias e será a quinta tripulada da corrida espacial chinesa.
Wang, tenente da Força Aérea, tem 35 anos, é natural da cidade de Yantai, na província de Shandong, casada e tem um filho. Ela vai embarcar junto com dois colegas homens na Shenzhou 10, que deve se acoplar, como sua predecessora, ao laboratório espacial chinês Tiangong I ('Palacio do Paraíso I'). "Os três astronautas permanecerão em órbita por 15 dias, 12 dos quais passarão no interior do Tiangong I", disse o chefe de design do Programa Espacial Tripulado, Zhou Jianping.
Os astronautas chineses realizaram o primeiro acoplamento de uma nave tripulada (a Shenzhou 9) em junho do ano passado, e ficaram dentro dela por dez dias. A tenente Wang foi uma das mulheres candidatas para tripular esta nave, mas quem acabou indo foi Liu Yang, que assim se transformou na primeira mulher chinesa a ir ao espaço.
Wang participou dos trabalhos de resgate durante o terremoto de Sichuan (no sudoeste), em 2008 – o mais grave em mais de três décadas na China e que causou 88.000 mortes e milhares de desaparecidos–, e pilotou um avião para modificar o clima durante as Olimpíadas de Pequim no mesmo ano. A missão precede as que terão como objetivo substituir o módulo Tiangong-I por uma estação espacial em 2020.
Pioneira – Liu Yang, a primeira chinesa a ir ao espaço, fez parte da tripulação da nave Shenzhou 9, que decolou em 16 de junho de 2012. O objetivo da missão era realizar a primeira acoplagem tripulada com o módulo-laboratório Tiangong I. A acoplagem aconteceu a 340 quilômetros de altura e a astronauta chinesa operou uma câmera manual que filmou o procedimento. Aos 33 anos de idade, Liu Yang voou acompanhada do comandante Jing Haipeng, de 46, e do engenheiro Liu Wang, de 42 anos.
veja.com

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Frase


Jeans sustentável é fabricado com fibra de madeira

Um novo tipo de jeans desenvolvido por pesquisadores escoceses pode ajudar a reduzir as emissões de carbono pela indústria de tecido. O produto batizado de Tencel é fabricado com fibra de madeira de eucalipto.
A invenção é dos estudantes da Escola de Têxteis e Design da Universidade Heriot-Watt. O Tencel é produzido de maneira simples e deve substituir o algodão. A tecnologia dispensa o uso de produtos químicos nocivos à saúde e diminui o uso de água.
A fabricação de um jeans de algodão usa, em média, 42 litros de água e consome muita energia. O jeans sustentável usa apenas um quinto de água, energia e outras substâncias necessárias na produção do jeans convencional.
Dawn Ellams, coordenadora dos estudos, afirma que o novo método pode reduzir as emissões de carbono na indústria de roupas. Além disso, pode poupar boa parte da água que seria usada na confecção da versão comum.
O Tencel é mais sustentável porque é fabricado com fibras de Eucalipto. Ele também tem rendimento dez vezes maior que o algodão. Segundo Ellams, as questões sobre sustentabilidade relacionadas com a fabricação de peças de algodão já é algo compreendido. No entanto, o uso do algodão não mostra sinais que vai diminuir.
Outro ponto de destaque é que os pés de eucalipto não exigem o uso de pesticidas e irrigação artificial. Diferente do algodão, os genes não passam por manipulação.
A ideia de Ellams agora é descobrir como aprimorar e popularizar a nova técnica. Isso porque ela ainda é mais cara do que a confecção de tecidos com algodão.
Exame.com

Robô água-viva poderá patrulhar oceanos

Engenheiros da Universidade de Virginia Tech, nos EUA, estão desenvolvendo um robô água-viva que poderá ajudar a monitorar o meio ambiente marinho e mapear os solos dos oceanos. O protótipo é parte de um projeto de US$ 5 milhões da Marinha Americana.
O robô tenta imitar a movimentação e a morfologia das águas-vivas, mas também o baixo consumo de energia e a adaptação à variação de correntes e diferentes condições ambientais. Criado com base na espécie de água-viva chamada Cyanea capillata, seu nome, "Cyro", é uma mistura de Cyanea e da primeira sílaba de "robô".
Com oito patas e uma cobertura de silicone para camuflagem, a medusa robótica possui medidas que impressionam: pesa cerca de 77 quilos e mede mais de dois metros de diâmetro. Ainda em fase de laboratório, o protótipo precisa de aperfeiçoamentos antes de ser lançado ao mar, segundo os cientistas.
A expectativa é que o robô água-viva seja capaz de resistir durante semanas, e até meses, nos oceanos para melhor coleta de dados. Além do monitoramento ambiental, no futuro, as missões poderão incluir patrulhamento marítimo e limpeza de vazamentos de petróleo.
Exame.com

Avião movido a energia solar deve iniciar travessia dos EUA em maio

O avião experimental suíço Solar Impulse, cujos motores elétricos são alimentados com energia do Sol, está pronto para atravessar os EUA de oeste para leste, informaram seus criadores a agências internacionais. A previsão é que a aeronave parta de São Francisco rumo à Nova York no dia 1º de maio, segundo o co-autor do projeto, André Borschberg.
"Estamos prontos para voar através dos Estados Unidos", declarou Borschberg durante entrevista coletiva dada para agências internacionais na última semana, na Califórnia.
Por motivos de segurança, a travessia deve ser realizada em cinco etapas, segundo a AFP. Tecnicamente, a aeronave pode completar o voo sem fazer escalas, mas o trajeto exigiria pelo menos três dias de viagem, o que dificulta muito para o piloto, afirma Borschberg.
"Estamos limitados a voar no máximo 24 horas" devido às condições físicas na pilotagem, disse o co-autor do projeto. Ele pilotará o avião em em revezamento com Bertrand Piccard, outro criador do Solar Impulse.
Na primeira fase da viagem, o avião seguirá a Phoenix, no estado do Arizona. Em seguida, ele vai passar por Atlanta (Geórgia) e Nashville (Tennessee), entre outras cidades.
Na etapa final, o avião deve chegar ao Aeroporto de Dulles, na região de Washington, em junho, para em seguida ir ao Aeroporto de Nova York, em julho. O avião ficará entre uma semana e dez dias em cada cidade para a visitação do público.
Lançado há dez anos, o projeto realizou seu primeiro voo em junho de 2009. O Solar Impulse pesa 1,6 toneladas, mas tem uma envergadura de mais de 63 metros, o equivalente a um Boeing 747, afirma a AFP.
G1

A Muralha de "Guerra dos Tronos" poderia existir em nosso mundo?

Neste domingo , dia 31 de março, estreiou na HBO a terceira temporada de "A Guerra dos Tronos". E, inspirados pela história dos "Sete Reinos", cientistas discutiram a possibilidade da Muralha existir em nosso mundo.
A Muralha, é uma enorme parede de gelo de quase 500 km de extensão e com quase 200 metros de altura. Nos livros e na série, essa estrutura gigantesca teria sido feita e mantida por mágica. E, de acordo com os cientistas, para que ela ficasse em pé em nosso mundo, a mesma mágica seria necessária.
Afinal, de acordo com a engenheira de perfuração de gelo da Universidade de Dartmouth, Mary Albert, por mais que as temperaturas sejam baixas, grandes massas de gelo tendem a se deformar sob seu próprio peso com o passar do tempo. Ou seja: a Muralha não poderia ficar inteira por mais de mil anos, como na história.
"Muralhas" naturais até existem - como na Groenlândia ou na Antártica - mas elas demoraram centenas de milhares de anos para se formar, com muita neve sendo acumulada e nunca se derretendo.
E os hotéis de gelo e outras esculturas feitas com o material? De acordo com Albert isso é possível por se tratar de uma construção em escala bem menor do que a Muralha. Colocar algo tão grandioso de pé seria uma corrida contra o tempo - mesmo em temperaturas negativas, com a pressão de seu próprio peso a muralha iria ficar deformada e sua parte de baixo seria impulsionada pra frente, enquanto a parte superior simplesmente iria cair, da mesma forma que acontece no desmoronamento de uma geleira.
Galileu.com