terça-feira, 11 de junho de 2013

Qual a relação entre mudanças climáticas e tornados?

Um poderoso tornado de três quilômetros devastou o subúrbio de Moore, na cidade de Oklahoma, em 20 de maio. O fenômeno apresentava ventos de mais de 300km/h enquanto destruía casas e escolas, deixando um rastro de destruição em grande escala e matando dezenas de pessoas, incluindo muitas crianças.
Oklahoma é marco zero de tornados por razões geográficas. O estado fica localizado precisamente onde o ar quente do Golfo do México colide com o frio do oeste e do norte. Muitos cientistas se perguntam se o aumento recente das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre – e o calor extra que eles aprisionam – intensificou esse fenômeno climático em particular, e se vai continuar a potencializando outros tornados durante a temporada, prevista para durar até agosto.
O cientista climático Kevin Trenberth, do National Center for Atmospheric Research em Boulder, no Colorado, diz o que pensa sobre o papel do aquecimento global na indução de tornados mais fortes ou mais intensos. Em um artigo de 2007 para Scientific American, Trenberth previu que a mudança climática levaria a furacões mais intensos no Oceano Atlântico.
Tornados são basicamente um fenômeno climático. Eles surgem a partir de certas tempestades, normalmente tempestades supercelulares, que estão em um ambiente de cisalhamento de vento que promove rotação. Esse ambiente é mais comum na primavera, em todos os Estados Unidos, quando a rota da tempestade fica na distância certa do Golfo do México e de outras fontes de umidade.
A principal conexão com a mudança climática é através da instabilidade básica do ar baixo que cria a convecção e as tempestades. Condições mais quentes e mais úmidas são fundamentais para o ar instável. Os oceanos estão mais quentes devido à mudança climática.
O efeito da mudança climática provavelmente contribui entre 5% e 10% em termos de instabilidade e subsequente precipitação, mas ele se traduz em até 33% na potencialização de danos. (Algo altamente não-linear, para 10% é 1,1 ao cubo =1,33). Há uma cadeia de eventos. As mudanças climáticas afetam principalmente seu primeiro elo: a flutuabilidade básica do ar é aumentada. Se isso se traduz em uma tempestade supercelular ou em um tornado, depende muito do clima.
Existe um grande nível de variabilidade natural. Quando a variabilidade natural toma a mesma direção dos efeitos das mudanças climáticas, repentinamente quebramos recordes. Nós cruzamos limiares e registramos novos extremos. Um pequeno efeito pode se traduzir em um grande impacto nessas condições. É a gota d’água que faz o copo transbordar.
Como o aquecimento afeta a flutuabilidade do ar? É a combinação de temperatura e umidade. A estrutura de temperatura vertical da atmosfera é um ingrediente crítico: adicionar mais calor e umidade adiciona flutuabilidade nos níveis mais baixos. A parte da umidade aparece principalmente quando o ar começa a se condensar, emitindo calor latente no processo. Esse calor, que vem do calor original usado para evaporar a umidade, se soma à flutuabilidade.
Por que os Estados Unidos tiveram uma ausência de tornados recentemente?A mudança climática não altera (muito) o clima ou padrões climáticos. No ano passado tivemos condições anticiclônicas e uma redução no ar flutuante, e a corrente de jato foi empurrada para o norte. Quase não ocorrem tempestades nessas circunstâncias. A variabilidade anual é grande, e o fenômeno El Niño tem grande importância nesse cenário. Neste ano o El Niño e a La Niña não estão em jogo, permitindo que o clima seja mais normal e variável. O padrão não está fixo como estava nos últimos dois anos (de maneiras muito diferentes).
Sem dúvida o maior problema envolve pessoas se colocando no caminho do desastre, construindo principalmente em áreas costeiras e planícies de inundação.
O que podemos esperar no futuro uma vez que níveis cada vez mais elevados de gases de efeito estufa na atmosfera provavelmente aprisionarão ainda mais calor?O calor tem que ir para algum lugar. Esperamos mais extremos, particularmente no ciclo da água. Secas mais fortes, maiores ondas de calor, e um risco muito maior de incêndios, além de tempestades mais fortes e chuvas mais pesadas, onde a chuva já ocorre. Administrar a água será um grande desafio.
Scientific American




 

Por que pinguins não voam?

Pinguins perderam a capacidade de voar milênios atrás e cientistas podem ter finalmente descoberto o motivo. Um novo estudo sugere que sair eventualmente do chão passou a exigir muita energia dos pássaros que estavam se tornando especialistas em natação.
O voo deve fazer em alguns aspectos a vida dos pinguins na Antártida mais fácil. A exaustiva marcha do pinguim imperador, por exemplo, tomaria apenas poucas fáceis horas em vez de vários dias. Fugir de predadores, como a temida foca-leopardo, na beira d’água seria também mais fácil caso os pinguins pudessem voar.
Uma teoria popular de biomecânica sugere que pinguins adaptaram suas asas para se tornarem mais eficientes no nado e elas eventualmente perderam a habilidade para tirar as aves do chão.
Um mergulho mais eficiente, por outro lado, aumenta as oportunidades de conseguir alimento. Um pinguim imperador moderno pode ficar sem respirar por mais de 20 minutos e mergulhar rapidamente a 450 metros.
O novo estudo de custos de energia em aves vivas que voam e mergulham fornece importantes provas que reforçam a teoria antiga. “Claramente, a forma restringe a função em animais selvagens e o movimento em um meio cria compensações no movimento em um segundo meio”, disse Kyle Elliott da Universidade de Manitoba, em comunicado. “O saldo é que para ter boas nadadeiras têm-se asas que não voam bem”.
Senta, nada e voa
A ave marinha conhecida como airo de Brünnich ( Uria lomvia) usa suas asas para mergulhar assim como fazem os pinguins, mas ela também é capaz de voar. Cientistas teorizam que a fisiologia e a energia usada por estas aves para voar podem ser semelhantes aos dos últimos ancestrais de pinguim voadores.
Outra ave voadora, o biguá ( Phalacrocorax pelagicus), se impulsiona na água com as patas. Elliot e colegas afirmam que os biguás podem ser considerados modelos biomecânicos para o estilo de uso de energia e de vida do ultimo ancestral voador dos pinguins.
A análise aprofundada da técnica de voo a análise de isótopos de como aves nadadoras queimam energia revela por que os pinguins de hoje não voam. Aves como o airo e o biguá mergulham com mais eficiência do que qualquer outro pássaro mas são superados no mergulho pelos pinguins, de acordo com o estudo.
O voo, no entanto, custa aos pinguins mais energia que qualquer outro pássaro ou vertebrado e ficou muito difícil para ser mantido.
A equipe examinou uma colônia de airos de Brünnich em Nunavut, no Canadá e de biguás na ilha de Middleton, no Alasca. Os pesquisadores injetaram isótopos de oxigênio e hidrogênio nos animais para servir como marcadores do custo de energia de cada atividade realizada pelos pássaros, eles também usaram equipamentos para monitorar o tempo que as aves levavam em cada uma destas atividades.
“Basicamente os pássaros fazem três coisas: sentam, nadam e voam. Portanto, ao medir a atividade de vários pássaros e combinar com o tempo dispendido e o gasto de energia foi possível calcular quanto cada componente de atividade custa em energia”, disse o coautor do estudo John Speakman, da Universidade de Aberdeen, na Escócia.
“A suposição é que os pinguins evoluíram de um ancestral parecido com os Alcidae (grupo inclui as tordas e araus)“, disse Speakman.
"Isso implicaria em uma redução progressiva no tamanho da asa, o que faz o mergulho mais eficiente e o voo pior. Os ossos dos pinguins também engrossam ao longo do tempo, e como ossos mais leves facilitam o voo, deram lugar a ossos mais densos, que podem ter ajudado a torná-los menos flutuante no mergulho". Porém, Speakman acredita que as mudanças de asa foram a principal adaptação sofrida.
Explicação elegante “Estes resultados fazem muito sentido”, disse Julia Clarke, pesquisadora da Universidade do Texas que estuda a evolução dos pássaros e para quem o curso do voo foi cooptada para o mergulho.
“Existem diferentes cenários explorados sobre a origem dos pinguins, mas poucos dados relevantes. Estas informações sobre outras aves nadadoras nos dá uma elegante explicação sobre uma etapa chave na transição de asa para nadadeira”.
IGCiência

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Frase


Como o rosto humano será daqui a 100 anos?


Dois pesquisadores simularam a aparência do rosto humano daqui a cem mil anos e os resultados, aqui em cima, provam quemse a raça humana ainda estiver caminhando sobre a Terra dentro de cem mil anos, seremos todos um cosplay da cara de fofo do Gato de Botas em Shrek:

 
Nickolay Lamm, um artista e pesquisador, e Alan Kwan, PhD em genômica computacional pela Universidade de Washington, trabalharam na evolução das feições humanas e constataram que vamos exibir uma cabeça maior, para acomodar um cérebro maior, narinas maiores para facilitar a respiração em ambientes poluídos, cabelo mais grosso para proteger o novo cabeção de uma perda de calor, olhos maiores por conta da vivência em planetas mais distante do sol no sistema solar e uma pele mais pigmentada e menos suscetível à danos por radiação UV.
Galileu.com

China prepara lançamento de nova missão tripulada ao espaço

A agência nacional espacial da China confirmou nesta segunda-feira o lançamento da quinta missão tripulada do país para o início da manhã desta terça, quase dez anos depois de colocar o primeiro chinês no espaço, Yang Liwei, em outubro de 2003. O voo da cápsula Shenzou 10, carregada por um foguete do tipo Longa Marcha 2F, está previsto para partir às 17h38 no horário local, 6h38 em Brasília. A nave leva a bordo três “taikonautas”, termo usado para designar os astronautas chineses, entre eles Wang Yaping, de 33 anos, ex-pilota da Força Aérea do país e a segunda chinesa a ir ao espaço.
Segundo Wu Ping, porta-voz da agência, a missão está prevista para durar 15 dias, a mais longa da história do programa espacial chinês. Uma vez em órbita, a cápsula deverá se acoplar com o laboratório espacial Tiangong 1, módulo de teste para construção de uma estação permanente própria pela China, que não participa do consórcio de países, entre eles o Brasil, responsável pela operação da Estação Espacial Internacional (ISS). Lá, Yaping e os colegas taikonautas Nie Haisheng e Zhang Xiaoguang conduzirão vários experimentos e farão uma palestra ao vivo para estudantes chineses em terra.
- Por meio deste evento, esperamos trazer o programa espacial para mais perto das gerações mais jovens, aumentando sua compreensão e atraindo seu interesse para nosso trabalho – comentou Ping no anúncio da missão, transmitido pela rede estatal de TV.
Segundo o porta-voz, o módulo Tiangong 1, há 620 dias no espaço, está em boas condições e pronto para receber os taikonautas. Ele reconheceu, no entanto, que alguns sistemas e componentes podem não estar funcionando devidamente, já que o laboratório foi projetado para ficar em órbita durante dois anos, prazo que termina daqui a apenas três meses. Apesar disso, a missão também tem entre seus objetivos principais novos testes dos procedimentos de acoplagem, tanto manual quanto automática.



Emissões de CO2 no mundo batem novo recorde, aponta AIE

Montagem da agência Reuters mostra a poluição do ar entre os dias 6 e 15 de março deste ano, durante o Congresso Nacional do Povo, em Pequim, sessão anual do Parlamento chinês. País foi o que mais contribuiu com as emissões globais de CO2
 
As emissões de CO2 (dióxido de carbono) em todo o mundo aumentaram 1,4% em 2012, nível considerado recorde pela Agência Internacional de Energia (AIE), que divulgou relatório nesta segunda-feira (10).
Segundo o órgão, foi registrada a emissão total de 31,6 gigatoneladas de gases-estufa no ano passado.
No entanto, apesar da alta, há diferenças regionais, com países reduzindo seus índices e outros aumentando.
Os cientistas disseram que o aumento da temperatura média global precisa ser limitado a menos de 2 ºC neste século para evitar efeitos climáticos, como quebras de safra e derretimento de geleiras, o que exigiria que as emissões sejam mantidas a cerca de 44 bilhões de toneladas de CO2 até 2020.
Diferenças regionais A China foi quem mais emitiu gases-estufa e contribuiu para o crescimento global. De acordo com o relatório, foi expelido um adicional de 300 milhões de toneladas de gases em relação ao ano de 2011. No entanto, o aumento foi considerado baixo se comparado com períodos anteriores devido aos investimentos pesados que o país asiático fez na última década para adotar fontes renováveis e melhorar a eficiência energética.
Nos Estados Unidos, a substituição de usinas de carvão por tecnologias que usam gás natural na geração de energia ajudou a reduzir as emissões em 200 milhões de toneladas nos últimos anos, trazendo-as de volta ao nível de meados de 1990.
Na Europa, a desaceleração da economia em decorrência da crise e o crescimento do uso de fontes renováveis -- além de políticas que restringem as emissões provenientes da indústria -- fizeram o continente reduzir em 50 milhões de toneladas de CO2.
Emissões do Japão, entretanto, aumentaram em 70 milhões de toneladas, ou 5,8%, enquanto os esforços para melhorar a eficiência energética não conseguiram compensar o aumento da utilização de combustíveis fósseis, após o acidente nuclear de Fukushima em 2011, disse a AIE.
Planeta em risco Segundo Maria Van de Hoeven, diretora da AIE, com o ritmo atual de emissões a temperatura do planeta deve crescer entre 3,6 ºC e 5,3 ºC nas próximas décadas. Ainda segundo ela, dois terços dessas emissões são provenientes do setor energético.
Segundo Fatih Birol, economista-chefe da agência, o setor deve se adaptar urgentemente às mudanças climáticas pois pode ser duramente afetado por elas. Ele cita inundações e ciclones como catástrofes naturais que podem impactar a infraestrutura petrolífera, por exemplo.
A AIE é organização autônoma sediada em Paris, que tem como objetivo pesquisar fontes de energia confiáveis, baratas e limpas para seus 28 países membros – o Brasil não faz parte do grupo.

Por que Cuba tem tantos médicos?

A notícia de que o governo brasileiro estaria estudando levar médicos cubanos ao país desatou uma imensa polêmica no mês passado. Se concretizados, tais planos incluiriam o Brasil em uma longa lista de países que já recebem médicos da ilha.
Mas como, afinal, Cuba chegou a ter tantos médicos? E por que tem tanto interesse em "exportar" seus serviços para outros países?
Em Cuba, os profissionais da área de saúde têm uma função bem mais ampla do que simplesmente atender à população local. Já há algum tempo, a exportação de serviços médicos tornou-se crucial para a economia da ilha.
Segundo informações repassadas pela chancelaria do país ao correspondente da BBC Mundo em Havana, Fernando Ravsberg, o contingente de profissionais de saúde cubanos fora da ilha incluem atualmente 15 mil médicos, 2,3 mil oftalmologistas, 5 mil técnicos de saúde e 800 prestadores de serviço trabalhando em 60 países e gerando lucros milionários ao regime - as cifras mais otimistas falam em até US$ 5 bilhões (R$ 10,6 bilhões) ao ano.
O serviço que os médicos cubanos prestam à Venezuela, por exemplo, permite que Cuba receba 100 mil barris diários de petróleo. E também há profissionais em outros países da região, cerca de 4 mil na África, mais de 500 na Ásia e na Oceania e 40 na Europa.
Segundo fontes oficiais, a Venezuela pagaria esses serviços por consulta - e a mais barata custaria US$ 8 (R$ 17) em 2008. Já a África do Sul pagaria mensalmente US$ 7 mil (R$ 14,9 mil) por cada médico da ilha.
Para muitos países em desenvolvimento, o atrativo dos médicos cubanos é que eles estão dispostos a trabalhar em lugares que os locais evitam, como bairros periféricos ou zonas rurais de difícil acesso - onde moram pessoas de baixíssimo poder aquisitivo. Além disso, em geral eles também receberiam remunerações mais baixas.
História
Em 1959, Cuba contava com apenas 6 mil médicos, sendo que a metade deles emigrou após a Revolução. A crise sanitária que se seguiu a essa debandada alertou o governo para a necessidade de formar profissionais de saúde em ritmo acelerado, como relata Ravsberg.
Meio século depois, o país tem 75 mil médicos, ou um para cada 160 habitantes - a taxa mais alta da América Latina.
Boa parte dos médicos que ficaram na ilha após a Revolução viraram professores, foram abertas faculdades de medicina em todo o país e se priorizou o acesso de estudantes ao setor. Tudo facilitado pelo fato de o ensino ser gratuito.
A primeira missão de saúde ao exterior foi organizada em 1963. Apesar da escassez de médicos, Cuba enviou alguns de seus profissionais à Argélia para apoiar os guerrilheiros que acabavam de obter a independência. Eram os primeiros de 130 mil colaboradores que, ao longo dos anos, já trabalharam em 108 países.
O tema dos profissionais de saúde cubanos no exterior é um dos muitos que dividiram Cuba e EUA - e Washington chegou a criar um programa para facilitar os vistos para médicos cubanos que estejam trabalhando em terceiros países.
Incentivos
 
No exterior, esses profissionais de saúde recebem salários muito mais altos do que os que trabalham dentro de Cuba, como explicaram a Ravsberg duas médicas, sob a condição de anonimato.
Alicia (o nome é fictício) disse ter trabalhado na Venezuela durante 7 anos e garante que, apesar de já estar aposentada, "se me pedissem para voltar, aceitaria sem pestanejar".
"O que me motivou foi a possibilidade de trabalhar com o apoio a diabéticos, porque padeço da doença. Comecei (atendendo) gente que perdia a visão por causa disso", diz, agregando que "também buscava uma melhoria econômica, porque o salário (em Cuba) não era suficiente".
"Cheguei à Venezuela ganhando 400 bolívares (R$ 135), mas foram subindo (o salário) e, antes de voltar, ganhava 1,4 mil (R$ 474)", diz. "Foi uma experiência maravilhosa, que não dá para esquecer. (Atendia) pessoas pobres e algumas delas me ligam até hoje em Cuba."

No Brasil

Juana (outro nome fictício) tem 35 anos e é médica em Cuba. Quando recém-formada, deixou marido e a filha de 4 anos na ilha para trabalhar na Venezuela, com a ideia de se desenvolver profissionalmente, conhecer o mundo e melhorar sua situação econômica.
"Não tinha absolutamente nada. Graças à missão, mobiliei toda minha casa."
Agora, ela tem a chance de voltar a viajar. "O Ministério me chamou para trabalhar no Brasil, em condições muito melhores do que na Venezuela", disse à BBC.
Segundo o projeto inicial, anunciado no início de maio, o governo brasileiro estudava contratar 6 mil médicos cubanos para trabalhar principalmente em áreas remotas do país.
O Conselho Federal de Medicina, porém, expressou "preocupação" com a possibilidade de médicos estrangeiros atuarem no Brasil sem passar por exames de avaliação, alegando que isso poderia expor a população a "situações de risco".

Nos cinco continentes

Até em Cuba a "exportação de médicos" causa alguma polêmica.
A formação de tantos profissionais de saúde permitiu que a ilha criasse a figura do Médico de Família, profissionais que atendem em todos os bairros e encaminham os pacientes para especialistas ou hospitais.
Mas esse é justamente o programa mais afetado pela saída dos médicos ao exterior.
O fechamento de algumas das casas de saúde gera insatisfação entre os cubanos, aumenta a concentração de pacientes por médico e o tempo de espera.
"Ainda assim, 60 mil médicos ficaram em Cuba, 1 para cada 200 habitantes - média melhor que a de muitos países desenvolvidos", diz Ravsberg.
"A ilha também tem uma expectativa de vida próxima aos 80 anos e programas de prevenção a Aids e HIV reconhecidos internacionalmente."
BBC

domingo, 9 de junho de 2013

Deixando o Sistema Solar, Voyager segue em busca do meio interestelar

O primeiro objeto terráqueo a deixar o Sistema Solar. A candidata é a Voyager 1, sonda de exploração espacial lançada há 35 anos pela Nasa. A possibilidade de que ela já houvesse chegado ao espaço interestelar foi aventada em estudo publicado em março, na revista Geophysical Research Letters. Mas grande parte da comunidade científica, inclusive a agência espacial americana, acredita que a viajante ainda não tenha atravessado a fronteira. Segundo estimativas, o marco poderá ser comemorado em menos de uma década.
Com base no relatório, cuja autoria principal recai sobre o astrônomo Bill Webber, professor da Universidade Estadual do Novo México, a União Americana de Geofísica chegou a anunciar o feito como definitivo, para logo se corrigir e descrever a posição da Voyager como uma nova região do espaço. A agitação na comunidade científica foi imediata, e a Nasa apressou-se em declarar que o limite do Sistema Solar ainda não havia sido cruzado. Desde então, viu-se aumentada a expectativa dessa confirmação e do que a Voyager encontrará no desconhecido.
Transição
Para o doutor em Astrofísica Alexandre Zabot, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), não há um ponto que marque o fim do Sistema Solar. Ele fala em uma área de transição, passando de uma região onde o Sol é a maior influência para uma região onde as outras estrelas exercem esse papel. “Atualmente, as Voyagers estão nessa região de transição”, diz, referindo-se às sondas 1 e 2 - que distam 3 bilhões de quilômetros entre si.
A Voyager 1 está a 18,4 bilhões de quilômetros da Terra. Apesar de ter sido enviada ao espaço duas semanas depois da Voyager 2, realizou trajetória elíptica que a colocou em vantagem na missão interestelar e, por isso, recebeu o número 1.
Zabot acredita que há consenso na classe científica quanto ao não ingresso da sonda no espaço interestelar. A dúvida, explica o astrofísico, reside no desconhecimento quanto ao tamanho da região de transição. Enquanto o fim não for alcançado, restará a dúvida se as Voyagers estão mais perto da parte de fora do Sistema Solar ou da parte de dentro.
“Sabemos que, quando este momento chegar, o campo magnético não será mais o do Sol, e as principais partículas também não serão mais oriundas dele, mas esse é um momento que ainda não chegou”, afirma.
As estimativas do tempo restante para o meio interestelar são imprecisas. Zabot entende que, com base em modelos e observações astronômicas, é possível aguardar que a passagem por essa região ocorra nos próximos anos, em menos de uma década. Em dezembro, Edward Stone, cientista do projeto Voyager, declarou que a aposta da Nasa é de alguns meses a dois anos.


Surpresas
Após as espaçonaves deixarem a região dominada pelo Sol, será possível analisar os dados obtidos e declarar, oficialmente, em que faixa de distâncias acaba o Sistema Solar. Essa será apenas mais uma das conquistas proporcionadas pela Voyager, entre aquelas que ainda são aguardadas com certa curiosidade.
Zabot acredita que o meio interestelar seja muito mais calmo do que o ambiente do Sistema Solar, devido a menor quantidade de partículas encontradas e a sua velocidade. Outro ponto aguardado refere-se ao campo magnético, o qual, não sendo mais governado pelo Sol, pode ser mais irregular.
“Podemos ter surpresas, mas não se sabe quais serão. Seria interessante que as tivéssemos, pois poderíamos aprender muito a partir delas”, afirma o astrofísico, lembrando que a Ciência respira surpresas.
 
Vento solar
O principal indicativo considerado para declarar completa a transição das sondas à zona interestelar está no chamado vento solar, que são as partículas emitidas pelo astro (prótons e elétrons, principalmente). A Voyager 1 detectou uma queda abrupta de velocidade do vento solar, ou seja, um declínio da intensidade de partículas energéticas vindas do Sol. O fato aponta para uma aproximação da sonda do meio interestelar.
Conforme Zabot, todas as estrelas emitem essas partículas a partir de suas atmosferas, atingindo os planetas. No caso da Terra, podem danificar satélites ou afetar a saúde de astronautas em órbita se não estiverem bem protegidos. “As auroras boreais e austrais também são causadas por elas”, exemplifica.
 
Missão cumprida
A Voyager 1 foi lançada ao espaço em 5 de setembro de 1977, com a missão de visitar e estudar Júpiter e Saturno, os dois maiores planetas do Sistema Solar. Juntas, as sondas 1 e 2 revelaram detalhes dos anéis de Saturno, descobriram os anéis de Júpiter e passaram ainda por Urano, Netuno e 48 luas.
A missão para a qual foi criada concluiu-se em 1980, mas a Voyager 1 segue enviando informações importantes, embora a comunicação com a Terra esteja cada vez mais lenta - os dados transmitidos à Nasa demoram mais de 16 horas para serem detectados.
Para Alexandre Zabot, surpreende a capacidade dos equipamentos a bordo continuarem funcionando, inclusive as antenas que permitem a comunicação com a Terra. “Guardadas as devidas proporções, a tecnologia a bordo das espaçonaves Voyager é muito avançada e robusta, mesmo tendo sido feita há quase quatro décadas”, conclui.

 

 

Viagem de 500 anos - Mary Rose: os segredos revelados do navio Tudor

Ninguém jamais ousaria imaginar, em 1509, que o então recém-inaugurado navio de guerra inglês, Mary Rose, um dos mais importantes da frota do rei Henrique VIII, um dia viajaria longe o suficiente para chegar ao século XXI. Esta poderosa máquina de guerra lutou e venceu várias batalhas contra os mais diversos inimigos de seu país por pouco mais de três décadas. Mas não sobreviveu para ver os 30 mil soldados franceses e seus 200 navios se renderem aos 19 mil ingleses, com suas 20 embarcações, na batalha de Solent (quando a França tentou, sem sucesso, invadir a Inglaterra): naufragou na véspera, no dia 19 de julho de 1545.
Mais de 500 anos depois, de volta a Portsmouth, na Inglaterra, de onde saiu para o oceano pela primeira vez, tornou-se uma espécie de cápsula do tempo e, depois de décadas de pesquisas, ganhou um museu que acaba de ser inaugurado. Resgatados do fundo do mar, a partir de escavações arqueológicas consideradas as mais profundas de que se tem notícia, ele e os 19 mil objetos que afundaram séculos atrás com a embarcação têm a missão de reconstituir a história de uma era.
— É algo totalmente inédito. O Mary Rose e os objetos que viajavam com ele nos dão uma visão única da vida cotidiana no período dos Tudors. Não há nada similar. É único não só pela abrangência da coleção, mas pela sua capacidade de retratar uma era — disse o arqueólogo Christopher Dodds, diretor de Interpretação do museu Mary Rose, à frente do projeto desde o seu inicio.
O minucioso quebra-cabeça montado pelos cientistas permitiu não apenas reproduzir hábitos, mas rostos de parte dos cerca de 500 tripulantes que morreram a bordo do navio, além de um cachorro. O trabalho foi feito por médicos forenses, habituados a lidar com vítimas de assassinatos. Não há listas nem nomes dessas pessoas, mas sete delas ganharam corpos e passaram a representar a cara do naufrágio na exposição permanente. Estudos arqueológicos indicam que eram homens e meninos entre 12 e 40 anos. Não há indícios da presença de mulheres, nem de objetos que fizessem os navegadores de se lembrar delas.
— Carregar fotos ou outros tipos de recordação da família era mais uma coisa da nobreza. Não encontramos nada referente a mulheres, mas itens relacionados à religião — conta Dodds.
Apaixonado pelo resultado final da empreitada, o arqueólogo destaca que não há réplicas no museu. Todos os objetos são originais, o que faz do navio uma verdadeira máquina do tempo. O mais impressionante é que não se trata apenas de uma coleção completíssima de instrumentos musicais ou equipamentos de medicina da era Tudor, nem objetos de madeira e cobre, ou artigos pessoais. Recuperaram-se detalhes tão pequenos como o que estavam comendo a bordo.
Além das armas e armamentos já conhecidos do período, objetos pessoais encontrados em baús intactos ajudam a identificar as particularidades da tripulação, como se vestiam e o que faziam para se divertir.
— O Mary Rose te leva de volta ao passado. Estamos falando de objetos originais, num momento em que há tantas reproduções feitas em computador no mundo, em Hollywood — afirma. — Havia restos de espinhas de peixe, por exemplo.
Se a exposição "In fine style: the Art of Tudor e Stuart Fashion" (Em alto estilo: a arte da moda dos Tudor e dos Stuart), que acaba de estrear na Queen's Gallery do Palácio de Buckingham, em Londres, é o retrato fiel da moda da corte dos Tudors, pelas telas de artistas, de membros da nobreza, o Mary Rose vai muito além. Ele reconstituiu uma sociedade inteira. É como se o visitante pudesse entrar nos retratos da época. Esta é uma das suas grandes virtudes, na avaliação de especialistas. O historiador David Starkey o chamou de "Pompeia britânica".
Uma espécie de Titanic do século XVI, o Mary Rose era para a sua época um exemplo de modernidade. Equipamentos garantiram sua sobrevida por 34 anos, o que era muito tempo para o um navio de guerra do período. A diferença é que o Titanic foi feito para os cruzeiros de luxo. A bordo do navio cujo naufrágio foi tema de filmes e marcou o século XX, morreram centenas de tripulantes e passageiros que faziam uma viagem luxosa até o momento em que baterem contra um iceberg numa noite de lua cheia.
O Mary Rose permaneceu no fundo do mar por pelo menos 300 anos sem que se tivesse notícias do seu paradeiro. Algumas peças chegaram a ser encontradas pelos mergulhadores John e Charles Deane em 1836. Pouco depois, perdeu-se de vista novamente por mais um século. Somente a partir de 1971 as buscas voltaram a ser feitas. Mesmo assim, lentamente.
Centenas de pessoas trabalharam neste projeto que levou década para ser finalizado. Estima-se em 28 mil o número de mergulhos realizado por 500 profissionais. Não há estatísticas para os custos de pesquisa desde os primeiros mergulhos. Mas o museu custou 27 milhões de libras (ou cerca de R$ 90 milhões) e a manutenção do navio, que precisou ser umidificado com água fresca durante 30 anos para depois ser encerado, saiu a 8 milhões de libras (pouco mais de R$ 26 milhões). O contribuinte britânico não pagou um tostão. Os recursos vieram de parcerias e doações.
— Estamos falando aqui do trabalho não apenas de arqueólogos, mas de mergulhadores, museólogos, restauradores, publicitários, arquitetos, designers, engenheiros, administradores, economistas, o pessoal que levantou dinheiro, que vendeu ingressos — comemora Dodds.
O Titanic também acaba de receber um museu milionário na cidade de Belfast, na Irlanda do Norte, onde foi construído. O acervo são as histórias, estatísticas e as reproduções do ambiente a bordo do navio e da sociedade da época, além de algumas peças originais.




sábado, 8 de junho de 2013

Frase


Opportunity encontra sinais de condições de vida no passado em Marte

Uma rocha marciana analisada pelo veículo explorador de Marte (Rover) Opportunity, contém amostras de barro formado em água não-ácida, um ambiente potencialmente adequado para que a química da vida antiga se desenvolva.
O Opportunity, movido a energia solar pousou em Marte em janeiro de 2004, para o que se esperava que fosse uma missão de 90 dias, para buscar sinais de que já houve água no planeta. Ele e um segundo rover, o Spirit, que sucumbiu ao inóspito ambiente marciano há três anos, tinham encontrado rochas modificadas por água altamente ácida.
Embora existam micróbios que gostam de acidez na Terra, cientistas suspeitam que os blocos químicos de construção de vida precisam de condições mais neutras para evoluir e se transformarem em vida.
"O difícil em relação a um ambiente ácido é que, acreditamos que seja extremamente difícil conseguir uma química pré-biótica, o tipo de química que pode levar à origem da vida," disse aos repórteres, durante uma teleconferência na sexta-feira, Steve Squyres, da Universidade de Cornell e principal cientista das missões Opportunity e Spirit.
"O que é interessante nessa descoberta é que ela aponta para um pH neutro em um momento muito cedo na história marciana," ele acrescentou. "O que temos aqui é uma química muito diferente. Essa é uma água que podemos beber," disse Squyres. "Essa é a prova mais forte de água (não-ácida) de pH neutro, que foi encontrada pelo Opportunity, ele acrescentou. O Opportunity levou três anos para chegar à borda de uma cratera chamada Endeavour Crater (Cratera Endeavour), onde ele examinou, entre outros objetos, uma pequena rocha chamada Esperance.
Foram necessárias sete tentativas até que a Opportunity conseguisse se posicionar adequadamente para arranhar a superfície de rocha e ver o que havia embaixo. Ao contrário do Rover Curiosity, da NASA, que pousou no lado oposto de Marte em agosto, o Opportunity não tem nenhuma perfuradora ou laboratório químico a bordo para obter e analisar amostras.
Em vez disso, ele usa seus instrumentos para pesquisar mineralogia básica. Os cientistas descobriram que Esperance contém argilas ricas em alumínio, um sinal revelador de que a água neutra correu sobre a rocha.
O Opportunity está agora se encaminhando para o sul, ao longo da borda da Cratera Endeavour, em direção à uma pilha de rochas que poderão fornecer mais pistas sobre a transição de Marte de um mundo quente e úmido, para o deserto frio, seco e ácido que existe atualmente. Cientistas esperam que o Opportunity chegue lá até 1º de agosto.
Exame.com

Pesquisador: proteger os oceanos é questão crítica para sobrevivência humana


Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície terrestre, somam 97% da água do planeta, concentram um número imenso de espécies, mantêm um grande estoque de alimentos e guardam reservas minerais. Em reconhecimento à importância dos mares nas nossas vidas, há cinco anos a Assembleia Geral das Nações Unidas criou o Dia Mundial dos Oceanos, comemorado desde 2009 no dia 8 de junho.
Para o pesquisador José Luiz Azevedo, coordenador do curso de oceanologia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), o mais antigo no país, a proteção dos oceanos é crítica para a sobrevivência da espécie humana.
“Está muito claro que os oceanos têm uma grande importância ecológica, econômica, política e sociocultural. Os oceanos são um ponto crítico até para a sobrevivência da espécie humana e de todos os seres vivos no nosso planeta. Os oceanos são fundamentais. Eles regulam o clima, nos proporcionam alimentação. E grande parte da população mundial vive na zona costeira. As grandes cidades do mundo estão todas na costa, em contato direto com o oceano”, disse.
E, ao longo de centenas de anos sofrendo com a ação humana, os oceanos já começam a dar sinais de desgaste. No Brasil, por exemplo, a acidificação da água do mar, provocada pelo excesso de dióxido de carbono na atmosfera (e sua absorção pelas águas), tem provocado a morte de corais.
“Com os oceanos ficando cada vez mais ácidos, os bancos de corais da costa brasileira têm sofrido bastante. A comunidade oceanográfica tem observado que esses bancos estão perdendo área. Os corais estão morrendo, eles não estão mais com aquela taxa de crescimento que tinham”, ressaltou Azevedo.
Segundo o especialista, nos últimos anos os oceanos passaram a receber atenção especial no mundo por causa das mudanças climáticas e da consequente elevação do nível dos mares. No Brasil, em especial, a pesquisa oceanográfica também recebeu um impulso com as grandes descobertas de petróleo na camada pré-sal.
Azevedo explica que a preocupação com licenças ambientais para empresas que atuam na costa brasileira também aumentou nos últimos anos. Além disso, o fundo dos oceanos poderá ser a principal fonte de areia para a construção civil nos próximos anos no país.
Como parte da estratégia de expansão das pesquisas na costa brasileira, o governo federal criou no final de maio o Instituto Nacional de Pesquisa Oceanográfia e Hidroviária, que reunirá quatro centros de pesquisa: Centro de Oceanografia do Atlântico Tropical, Centro de Oceanografia do Atlântico Sul, Centro de Portos e Hidrovias e Centro de Pesquisa Marinha em Pesca e Aquicultura. Além disso, o governo deve comprar mais um navio oceanográfico.

Ovni atinge avião comercial na China

Um Ovni (objeto voador não identificado) atingiu a ponta de um avião comercial na China, no início desta semana, entre Chengdu e Guangzhou.
A aeronave estava a uma altitude de 26 mil pés (oito mil metros) quando foi atingida pelo objeto não identificado.
O incidente aconteceu pouco após a decolagem. Ninguém ficou ferido e o avião conseguiu pousar, segundo a imprensa local.
 

Asteroide do tamanho de um caminhão passa pela Terra

Um asteroide do tamanho de um pequeno caminhão passou pela Terra em distância quatro vezes mais próxima que a Lua neste sábado, o último de uma sequência de objetos celestiais que passaram pelo planeta, e que aumentou a consciência sobre impactos potencialmente perigosos no planeta.
Segundo a Agência Espacial norte-americana (Nasa, na sigla em inglês) o asteroide 2013 LR6 foi descoberto cerca de um dia antes de sua aproximação à Terra, que ocorreu à 1h42 (horário de Brasília) deste sábado a cerca de 105 mil quilômetros sobre o Oceano Antártico, ao sul da Tasmânia, na Austrália. O asteroide de 10 metros de largura não representava nenhuma ameaça.
Há uma semana, o enorme asteroide QE2, de 2,7 quilômetros de largura, completo com sua própria lua a reboque, passou a 5,8 milhões de quilômetros da Terra.
Em 15 de fevereiro, um pequeno asteroide explodiu na atmosfera sobre Chelyabinsk, na Rússia, e deixou mais de 1,5 mil pessoas feridas por conta de destroços e pedaços de vidro. No mesmo dia, um asteroide não relacionado passou a cerca de 27,7 mil quilômetros da Terra, mais perto do que os satélites de comunicação que cercam o planeta.
Teoricamente, há uma possibilidade de colisão entre asteroides e o planeta Terra", disse o astrônomo do projeto Telescópio Virtual, Gianluca Masi, durante uma transmissão do Google+ que mostrou imagens ao vivo da aproximação de um asteroide.
A Nasa diz que já encontrou cerca de 95% dos asteroides maiores, aqueles com diâmetro de 1 quilômetro ou mais, com órbitas que os levam relativamente perto da Terra.
Um objeto deste tamanho atingiu o planeta há cerca de 65 milhões de anos onde hoje é península de Yucatán, no México, provocando uma mudança climática global que se acredita ser responsável pela extinção dos dinossauros e muitas outras formas de vida na Terra.
A agência espacial dos EUA e outras organizações de pesquisa, além de empresas privadas, estão trabalhando no rastreamento de objetos menores que voam perto da Terra.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Frase



Bilhete só de ida a Marte: Projeto seleciona 40 astronautas para iniciar processo de colonização do planeta

Durante a Segunda Guerra Mundial, os pilotos camicases japoneses transformavam os seus aviões em mísseis e se atiravam sobre os navios inimigos. Decolavam da base aérea com a certeza de que jamais iriam voltar. Até o final deste ano, um grupo de 40 astronautas será escolhido para colonizar Marte a partir de 2023. Quando partirem, eles estarão com a certeza camicase de que nunca mais voltarão à Terra. É isso o que propõe o projeto Mars One, lançado por Bas Lansdorp, um empresário holandês do ramo da energia eólica, que planeja construir uma colônia no planeta. Se der certo, os habitantes passarão seu tempo cuidando da colônia e coletando informações para pesquisadores na Terra. Mas, provavelmente, eles terão de passar o resto da vida por lá, já que trazê-los de volta encareceria a missão a ponto de inviabilizá-la.
Para que o projeto saia do papel, grandes obstáculos precisam ser superados. Um deles é a radiação à qual os tripulantes estariam expostos, tanto durante a viagem quanto em solo marciano. Um estudo do Instituto de Pesquisa Southwest, nos EUA, calculou que uma ida a Marte acumula 330 milisieverts de radiação no organismo, o que equivale a uma tomografia de corpo inteiro por semana, durante um ano. Agências espaciais calculam que mil milisieverts é o limite de exposição na vida para que o risco de câncer não se eleve. “E, se houver muita atividade solar, a quantidade de radiação pode aumentar”, diz Nilton Rennó, professor da Universidade de Michigan e membro da equipe que desenvolveu o rover Curiosity, que está conduzindo pesquisas no planeta.
Outro desafio é garantir o básico para a sobrevivência: comida, água e oxigênio. Alimentos levados pelos tripulantes serão consumidos apenas em emergências. Para o dia a dia, legumes, verduras e frutas serão cultivados hidroponicamente. Já a água será extraída do solo, por meio de máquinas que esquentarão a terra até que a umidade evapore. Ela será então condensada e armazenada. O oxigênio será produzido a partir dessa água.
Por fim, é preciso muito dinheiro. A organização do Mars One estima que o projeto consumirá cerca de seis bilhões de dólares. Mas a Nasa avalia que uma missão tripulada a Marte pode chegar a 100 bilhões. Lansdorp espera levantar a verba com doações e venda de merchandising e de publicidade na transmissão de etapas da seleção de candidatos.
Para fazer parte dos pioneiros da colonização marciana, qualquer pessoa acima de 18 anos pode se inscrever pelo site do projeto. Basta enviar um vídeo de apresentação e pagar uma taxa por volta de US$ 17 (cerca de R$ 34), que varia conforme o país. Há pelo menos 19 brasileiros inscritos.
Mas, afinal, é possível construir uma colônia em Marte? Não há uma resposta fechada, mas há esperança. “Quando o projeto Apollo começou, ninguém achou que daria certo, mas com um investimento grande foi possível”, diz Nilton Rennó. O problema é juntar o dinheiro necessário sem ter uma Guerra Fria para abrir os cofres.
IstoÉ

A Antártica sem sua camada de gelo

Em parceria com a Nasa, a organização British Antartic Survey removeu digitalmente a camada de gelo que cobre a Antártica. O resultado é o mapa Bedmap2, que mostra as rochas que sustentam o continente.
Para produzir o mapa, foram usados dados coletados durante anos de pesquisa da organização britânica, além de medições fietas pelo satélite ICESat (sigla para Ice, Cloud, and Land Elevation Satellite - Satélite de Gelo, Nuvens e Elevações Terrestres, em tradução livre), atualmente aposentado.
O Bedmap2, como seu nome sugere, não é o primeiro projeto do tipo. O primeiro Bedmap foi feito há cerca de 10 anos, em resolução e detalhamento menores. No link, abaixo, é possível comparar as duas versões.
A ideia é que, visualizando a terra por baixo do gelo, pesquisadores possam ter uma noção de como o Pólo Sul irá reagir às mudanças climáticas, provendo informações sobre a topografia e sobre a espessura do gelo. O gelo antártico não é estático, logo ele flui constantemente para o mar. Com informações sobre o relevo será possível entender melhor esse fluxo e prever mudanças em um futuro próximo.
Galileu.com 

NASA | The Bedrock Beneath


Cientistas criam "manto de invisibilidade do tempo" nos EUA

Cientistas da Purdue University, no Estado americano de Indiana, disseram ter conseguido criar uma espécie de "manto de invisibilidade" que conseguiria esconder eventos contínuos em um feixe luz.
O "manto" funciona ao manipular a velocidade da luz em fibras ópticas fazendo com que interações que ocorrem nos "buracos do tempo" criados por ele não possam ser detectadas.
Os resultados de seus experimentos foram publicados no periódico Nature.
Outras equipes científicas estão trabalhando para criar técnicas para esconder - ou tornar "invisíveis" - determinados objetos no espaço físico, mas a equipe de Indiana é pioneira ao tentar ocultar eventos ocorridos em intervalos de tempo.
Para provar isso, a equipe da Purdue University montou um circuito de feixes de luz. Usando lasers eles teriam conseguido fazer com que, por uma série de breves momentos, os "buracos no tempo", tais feixes não fossem detectados, o que lhes permitiu "esconder" quase a metade dos dados transmitidos por eles.
No ano passado, a equipe teria conseguido resultados semelhantes - mas ocultando apenas um breve momento em cada repetição do experimento. Agora, dizem ter conseguido ocultar uma quantidade muito maior de "intervalos de tempo" - e, portanto, de dados.
"Fizemos isso 'empurrando' a luz para frente e para trás usando componentes de telecomunicações controlados por sinais elétricos", disse Andrew Weiner, co-autor do estudo.
A técnica, como explica Greg Gbur, especialista em física óptica da Universidade da Carolina do Norte, não implica em uma "manipulação do tempo", mas sim em uma "manipulação da luz".
Gbur não faz parte da equipe que realizou a pesquisa, mas acredita que ela representa um avanço importante na área.
"Em seu primeiro estudo sobre o 'manto do tempo', eles discutiram a possibilidade de esconder eventos de alguns bilionésimos de segundo de vez em quando. Agora, estão contemplando a possibilidade de esconder os dados transmitidos em 46% do tempo total considerado", diz Gbur.
Isso sugere que a técnica deixou de ser uma curiosidade para ser algo que poderia ser utilizado em comunicações ópticas e processamento de dados."
Para Ortwin Hess, físico do Imperial College London, o estudo é "notável". Ele diz que uma parte importante do trabalho explora a dualidade espaço-tempo.
"(Esse estudo) mostra como os princípios de espaço-tempo podem ser usados na óptica. As 'capas de invisibilidade' já estudadas também são interessantes, pois mudam o que vemos no espaço. Mas agora podemos mudar a maneira como a luz, e, portanto, as informações, comportam-se no espaço e no tempo", disse Hess.
De acordo com o físico, a pesquisa teria várias aplicações práticas. Ela poderia ajudar a tornar certos dados invioláveis.
Entre os potenciais interessados nessa tecnologia em desenvolvimento estariam governos e grandes empresas que lidam com informações sensíveis ou confidenciais.
IG

Cometa passando rente ao Sol revela segredos sobre o astro

Em 2011, o cometa Lovejoy chegou a se aprofundar na turbulenta e extremamente aquecida atmosfera do sol, uma área conhecida como corona solar.
Imagens registradas por telescópios espaciais revelaram como a cauda do cometa foi puxada pelo intenso campo magnético da corona, permitindo a cientistas, pela primeira vez, conhecer melhor a ação dessa força.
A corona é constituída de plasma com temperaturas de aproximadamente dois milhões de graus Celsius.
O Lovejoy viajava a uma velocidade de 600 quilômetros por segundo. O corpo formado por gelo e poeira surpreendeu os cientistas ao aparecer do outro lado do sol. Mas, dois dias depois, ele se desintegrou.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Curiosity vai começar viagem para ponto principal de missão espacial em Marte

 
Dez meses após aterrissar em Marte, o jipe-robô Curiosity está prestes a se direcionar para o monte Sharp, ponto em Marte que é o objetivo de estudo da missão.
Cientistas da Nasa afirmaram nesta quarta-feira (5) que o Curiosity vai começar a percorrer o caminho até a montanha em poucas semanas após fazer três rápidas observações em rochas do solo marciano. O trajeto de oito quilômetros deve demorar entre dez meses e um ano, com a previsão de algumas paradas no caminho.
Desde que aterrissou próximo ao equador de Marte no ano passado, o jipe-robô descobriu um antigo riacho e encontrou provas de um ambiente habitável em Marte no passado. Ele precisa ainda encontrar sinais de complexas moléculas orgânicas que são fundamentais para todos os seres vivos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Frase

 

No Dia do Meio Ambiente, 13 números chocantes do desperdício de comida no mundo

 
No Dia do Meio Ambiente, um novo estudo da Onu alerta para o desafio de reduzir o desperdício e a fome mundial, além de satisfazer as necessidades de uma população em rápida expansão. Todos os anos, um terço de toda a comida produzida pelo sistema agrícola global está sendo perdida, indica a pesquisa realizada pelo World Resources Institute (WRI) em parceria com o Programa Ambiental das Nações Unidas (Pnuma).

1,3 bilhão de toneladas

Ou um terço da produção total de alimentos no mundo vai parar no lixo. Em termos de calorias, uma a cada quatro calorias produzidas são perdidas.

Quase 1 bilhão de famintos

Enquanto isso, 870 milhões de pessoas passam fome e, a cada dia, mais de 20 mil crianças menores de 5 anos morrem de fome. Segundo a ONU, 26% das crianças em todo o mundo são consideradas raquíticas por desnutrição.

Até US$ 2,1 trilhões

Os custos com a desnutrição no mundo são estimados em 2% a 3% do PIB global, o equivalente à quantia de US$ 1,4 a US$ 2,1 trilhões por ano, segundo a FAO.

44 % de frutas e vegetais

Dos 1,3 bilhão de toneladas de alimentos desperdiçados, 44% é composto de frutas e vegetais, os produtos que mais vão pro lixo. Em seguida, aparecem raízes e tubérculos, compondo 20% das perdas; cereais com 19% e leite, com 8%.

Um México no lixo

O desperdício de comida significa também desperdício de recursos naturais, contribuindo assim para impactos ambientais negativos. Hoje, a produção global de alimentos ocupa 25% de toda a terra habitável do mundo. A quantidade de terras cultiváveis usada para produzir comida desperdiçada é equivalente ao tamanho do México.

70 milhões de piscinas olímpicas

A agricultura consome 70% de toda água usada no mundo. Somando todo o volume usado para produzir os alimentos que são desperdiçados a cada ano dá para encher 70 milhões de piscinas olímpicas.

50% (e mais um pouco)

Mais da metade do desperdício de alimentos na Europa, Estados Unidos, Canadá e Austrália ocorre na fase do consumo. Juntos, os países ricos são responsáveis por 56% de todo o desperdício.

Dois terços

Enquanto nos países em desenvolvimento, cerca de dois terços da comida é perdida após a colheita e armazenamento inadequado. Melhorar a eficiência nessa etapa é fundamental pata reduzir as perdas.

US$ 48.3 bilhões

Só nos Estados Unidos, 30% de toda a comida produzida no país é desperdiçada todos os anos, uma perda equivalente a 48.3 bilhões de dólares. Os segundos maiores componentes de lixões do país são resíduos orgânicos, que resultam na maior parte das emissões de metano.

Mais de US$ 1000 por família

O desperdício de alimentos na fase de consumo custa uma média de US$ 1.600 dólares por ano para uma família de quatro pessoas nos Estados Unidos e US$ 1 mil por ano para uma família média no Reino Unido.

US$ 4 bilhões em perdas

Na África Subsaariana, onde muitos agricultores ganham menos que US$ 2 por dia de trabalho, as perdas econômicas associadas à pós-colheita ineficiente têm um valor estimado de US$ 4 bilhões.

Até 2050

Segundo a ONU, o mundo vai precisar de cerca de 60 por cento mais calorias dos alimentos em 2050 em comparação a 2006, se a demanda global mantiver sua trajetória atual de crescimento.

26,3 milhões de toneladas

O desperdício de alimento no Brasil é estimado em 26,3 milhões de toneladas. Cerca de 10% desse total se perdem ainda no campo, outros 50% se dá no tranporte e manuseio, e 10% da perda acontece na fase de consumo.

Lago australiano consegue se manter intacto a mudanças do clima

Pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, encontraram um lago na costa de Queensland, no mesmo país, que guarda uma característica especial: conseguiu resistir intacta à colonização humana e às mudanças do clima nos últimos 7 mil anos. O Lago Azul, como é conhecido, é um dos maiores lagos da Ilha North Stradbroke, ao sudeste de Brisbane, e tem sido foco de pesquisa sobre sua capacidade de responder a mudanças no clima.
Os pesquisadores estudaram o nível do lago, a qualidade da água e as comparações de fotos históricas ao longo dos últimos 117 anos, assim como pólen fossilizado e algas para entender melhor a sua história ao longo dos últimos 7.500 anos.
Os resultados, publicados na versão online da revista “Freshwater Biology”, mostram que o Lago Azul se manteve relativamente estável e resiliente por milênios.
- O Lago Azul é um daqueles belos lagos raros na Austrália. É incomum porque é mais de dez metros de profundidade, mas é tão transparente que você pode ver o fundo - diz o líder da pesquisa, Cameron Barr. - Não percebemos o quão único e incomum é este lago até que começamos a olhar para uma ampla gama de indicadores ambientais.
O estudo sugere que a crescente exploração dos recursos hídricos do lago é uma ameaça óbvia para a estabilidade do local e, segundo os cientistas, dará argumentos para se reconsiderar os métodos de preservação da bacia hidrográfica da região.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Os supermercados que menos agridem os oceanos

Um novo relatório da Ong ambientalista Greenpeace divulgado nos EUA avaliou os supermercados de acordo com suas práticas de compra e venda de animais marinhos. O objetivo era identificar quais adotam políticas de sustentabilidade nessa ceara e, por tabela, acabam tendo impacto reduzido sobre a vida nos oceanos.
A preocupação justifica-se. Estudos mostram que as reservas de peixes e outros frutos do mar estão se exaurindo em ritmo preocupante, o que coloca a biodiversidade marinha em risco. Um dos mais recentes, publicado na revista Science, indica que mais da metade das populações de peixes estão em declínio, levando a perdas econômicas anuais de US$ 50 bilhões.
Baseado em critérios de pesca e aquicultura sustentáveis, o ranking do Greenpeace leva em conta, por exemplo, a venda e compra de peixes de espécies listadas no site www.fishbase.org como tendo "resistência muito baixa" e/ou "alta para muito alta vulnerabilidade".
Outro importante fator avaliado é o uso de quaisquer dos seguintes métodos para capturar os animais: explosivos ou venenos, arrasto demersal (prática onde duas embarcações puxam uma grande rede que se arrasta por todo o fundo), arrasto de vara ou draga.
Avalia-se também se os animais têm origem de reservas consideradas sobreexploradas, esgotadas, ou em declínio a curto, médio ou longo prazo.
Além disso, é levado em em conta o uso de práticas indiscriminadas de pesca que resultem na captura acidental de indivíduos juvenis e de outras espécies que não são o alvo da pesca – em ambos os casos, a incidência não pode superar 25% do peso total da rede.
Whole Foods dá exemplo
Quem lidera o ranking do Greenpeace é a rede supermercados Whole Foods, que em abril de 2012 tomou uma decisão que acabaría por contribuir em muito para sua classificação: ela anunciou que deixaria de vender peixe e frutos do mar que tivessem origem insustentável.
Ao fazer isso, a rede levou ao extremo a sua apolítica de compra e venda de peixes, que desde 2010 previa a classificação dos produtos em três categorias - verde, amarela e vermelha. A primeira inclui espécies abundantes e capturadas de forma “amigável”, enquanto a segunda apresenta certa precaução quanto ao método de pesca. Já a última delas, proibida desde o ano passado, identificava espécies de pesca predatória, captura acidental ou ainda métodos que causam sérios impactos ambientais.
Exame.com

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Frase


Parte da humanidade dobra os pés como macacos que vivem em árvores

Os cientistas estimam que cerca de 8% da população têm flexibilidade maior da planta do pé, comparável à de macacos que vivem nas árvores.
O relatório sobre o estudo foi publicado na revista “American Journal of Physical Anthropology ". Jeremy de Silva, um dos autores do estudo, explica que a flexibilidade excessiva pode impedir que o indivíduo ande com eficiência. Para demonstrar a flexibilidade do pé humano, Silva e a médica Simone Gill pediram a 400 pessoas para que andassem descalças, enquanto uma câmera filmava o movimento dos pés.
A mesma característica dessa parte da Humanidade foi provada por um estudo da Universidade de Liverpool. Robin Huw Crompton, autor do estudo britânico, explica que algumas pessoas têm os ligamentos mais flexíveis, o que permite ao pé dobrar de uma maneira incomum, mas não presta atenção para o fato. Crompton acredita que esta capacidade especial entre alguns humanos foi herança do processo evolutivo que nos separou dos demais primatas.
Portanto:
Esta característica é resquício da origem de nossa evolução entre primatas.

Como o aquecimento global pode mudar nossa economia

Principal vilão das emissões de gases efeito estufa do Brasil, o desmatamento na floresta amazônica atingiu uma área de 175 km² entre março e abril de 2013, uma queda de quase 50% em relação aos doze meses anteriores. Apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito.
Cerca de 26% do desmatamento na Amazônia Legal (área que engloba nove estados brasileiros) é causado pela pecuária. Segundo estudos do Instituto Nacional de Pesquisadas Espaciais (Inpe), entre 1990 e 2006 o rebanho existente na região subiu de 26 milhões (18% do total nacional) para 73 milhões de cabeças, o que equivale a 36% do total nacional.
Quanto mais cabeça de gado, mais espaço para a criação do rebanho é necessário. Dessa forma, a emissão de gases de efeito estufa (GEEs) resultantes das queimadas para limpeza do solo e dos dejetos dos animais acaba contribuindo para o aquecimento global.
Mas a pecuária, que é responsável por 50% das emissões de gases de efeito estufa no país, não leva a culpa sozinha. A agricultura também está no rol de atividades econômicas que contribuem para as mudanças climáticas.
Segundo Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), membro do Experimento de Larga Escala da Biosfera e Atmosfera da Amazônia (LBA) e do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o agronegócio é um dos principais drivers quando se fala de mudanças climáticas.
O uso de fertilizantes e agrotóxicos leva à contaminação do solo e dos lençóis freáticos, e gera emissões de dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O) e metano (NH4) para a atmosfera, compostos que contribuem para o efeito estufa.
Efeito colateral
E se toda ação tem uma reação, o agronegócio pode – e deve – se preparar para as influências das mudanças climáticas no setor. O aumento da temperatura, e a alteração no padrão das chuvas e dos níveis de fertilidade do solo podem afetar a produção de alimentos, a criação de rebanho, e até alterar o mapa geográfico dessas atividades.
Para Artaxo, com o aumento da população mundial e, consequentemente, da demanda por alimentos, países como Brasil e Índia – que possuem os maiores rebanhos bovinos do mundo - enfrentarão um grande desafio: alimentar a população sem aumentar consideravelmente a emissão de GEEs.
José Gustavo Feres, economista do IPEA especializado em meio ambiente, afirma que a pecuária intensiva pode ser uma solução. “Uma pecuária mais intensiva, além de apresentar melhor produtividade, evitaria a necessidade de expansão para novas áreas e o decorrente impacto sobre o desmatamento”, afirma o especialista. Ele acredita que o mesmo aconteceria com a recuperação e reaproveitamento de pastos degradados.
Para a agricultura a alternativa pode ser o investimento em métodos de irrigação, que tornaria os agricultores menos vulneráveis a falta de chuvas. Além disso, a biotecnologia pode desenvolver plantas mais adaptadas a climas quentes e ambientes de estresse hídrico. “Mas medidas de adaptação tem seus limites. Há regiões no Nordeste, por exemplo, onde não há disponibilidade hídrica para se implementar sistemas de irrigação”, alerta Feres.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vem pesquisando novas técnicas agrícolas, como o plantio direto, que minimizam a emissão de gases de efeito estufa sem afetar a produtividade. Há também estudos para reduzir a quantidade de gás metano produzido pelo gado.
Energia em perigo
Mas se engana quem pensa que o agronegócio será o único setor econômico afetado. Segundo um relatório divulgado em 2012 pelo grupo independente Dara, e pelo Fórum de Vulnerabilidade Climática, as mudanças climáticas estão custando, por ano, uma redução de 1,6% do PIB global – o equivalente a US$ 1,2 trilhão –, e essa quantia deve dobrar a partir de 2030. ”Não haverá um único setor da economia que não seja afetado pelas mudanças climáticas”, afirma Artaxo.
O setor de geração de energia será um dos que terá que se readequar. Atualmente, os reservatórios das usinas hidrelétricas já começam a sofrer com a redução das chuvas e de vazão dos rios. Se as secas se intensificarem, o governo se verá obrigado a apostar em outras alternativas.
Na opinião de Artaxo, a região sul do Brasil está perto da saturação de seus recursos hidrelétricos, e conta apenas com poucas opções: energia nuclear, as termelétricas e o uso de combustíveis fósseis – que contribuem para a emissão de gases de efeito-estufa - ou a construção de hidrelétricas em regiões como a Amazônia. A segunda opção não seria tão eficiente, pois além das áreas inundadas, os custos para as obras de transmissão de energia seriam muito altos.
A solução também pode estar em novas tecnologias. “O COP está terminando um projeto de hidrelétricas de fluxo contínuo, onde você não precisa de reservatórios para produzir eletricidade”, conta Artaxo. O próprio fluxo do rio passando pelas turbinas pode gerar energia, sem a necessidade de inundar grandes áreas, e a um custo razoável.
Quem paga a conta?
Com o aumento da frequência de eventos extremos (chuvas, enchentes, tornados) causados pelas mudanças climáticas, o setor de Seguros também será afetado, sendo obrigado a desembolsar grandes quantias em indenizações a seus segurados.
Segundo Luiz Jurandir Simões, professor de Ciências Atuariais na USP, as empresas serão obrigadas a reprecificar os riscos. “Terá que cobrar mais. Se o aumento for exorbitante, o que pode acontecer é que alguns riscos deixarão de ter seguro”, afirma o especialista em modelagem de risco e precificação de ativos.
Dessa maneira, dificilmente a inflação não será atingida. A soja é uma das culturas mais vulneráveis às mudanças climáticas, e a queda na sua produtividade terá impacto direto nas exportações brasileiras, o que pode trazer problemas para a balança de pagamentos.
Com as dificuldades no setor agropecuário, a oferta de alimentos deve diminuir, o que pode encarecer também o preço da alimentação. Os preços de serviços como o de iluminação e saneamento serão alterados, assim como o dos combustíveis, já que a exploração de petróleo ficará comprometida.
O estudo “Economia da Mudança no Clima no Brasil”, desenvolvido por instituições públicas brasileiras como a Embrapa, a USP, e o Instituto de Pesquisas Amazônicas (Ipam) traz algumas possibilidades de adaptação e mitigação. O uso de energias renováveis e biocombustíveis são exemplos de alternativas viáveis que podem reduzir os danos.
Segundo Artaxo, o fato é que não existe atividade socioeconômica que não traga algum dano ambiental. “Tudo tem um preço, a questão é como você minimiza esse preço. E a decisão é da sociedade”, afirma o cientista.
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China lança este mês sua próxima missão espacial tripulada

A China irá lançar seu próximo foguete tripulado em meados deste mês, levando três astronautas a um módulo espacial experimental, informou a mídia estatal nesta segunda-feira, a última etapa em um ambicioso plano de construir uma estação espacial.
A nave espacial Shenzhou 10 e seu foguete já teria sido transferido para a área de lançamento em um local remoto no deserto de Gobi, disse a agência oficial de notícias Xinhua.
Uma vez em órbita, a Shenzhou 10 se ligará ao módulo Tiangong (Palácio Celestial) 1, que foi deslocado para a posição orbital correta no mês passado.
Astronautas chineses realizaram um atracamento no módulo pela primeira vez em junho passado.
Exercícios de aproximação e acoplagem entre as duas naves são um obstáculo importante nos esforços da China em adquirir as competências tecnológicas e de logística para operar um laboratório espacial completo, que possa abrigar astronautas por longos períodos.
A China ainda está longe de recuperar o atraso ante as superpotências espaciais estabelecidas, os Estados Unidos e a Rússia. O Tiangong 1 é um módulo de teste, e não um bloco para construção de uma estação espacial.
Mas a missão deste verão será a mais recente demonstração da crescente habilidade da China no espaço e vem enquanto restrições orçamentárias e mudanças de prioridades têm impedido lançamentos espaciais tripulados nos EUA.
Será a quinta missão espacial tripulada da China desde 2003, quando o astronauta Yang Liwei se tornou a primeira pessoa do país em órbita.
A China também planeja um pouso não tripulado na lua e a operação de um veículo lunar. Os cientistas levantaram a possibilidade de enviar um homem à lua, mas não antes de 2020.
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Nasa desvenda mistério da gravidade na Lua

A Nasa, agência espacial americana, conseguiu desvendar o mistério da gravidade irregular na Lua. Após uma missão de nove meses, os cientistas descobriram que as diferenças de força gravitacional no satélite natural da Terra se formaram devido ao impacto de asteroides e cometas sobre a superfície.
Em geral, a Lua tem cerca de um sexto da gravidade da Terra. Mas essa força não é distribuída de forma homogênea. A gravidade da Lua varia de região para região, o que afeta o projeto de naves que ficam na órbita lunar. Mapas gravitacionais das planícies lunares mostram bolsões até então inexplicáveis de gravidade extra, o que indica depósitos ou estruturas subterrâneas.
Conhecer a estrutura interior da Lua é importante para remontar a história do que aconteceu por lá desde a formação do satélite, há cerca de 4,5 bilhões de anos. Por isso, o Laboratório de Recuperação da Gravidade e Interior (Grail, na sigla em inglês) conduziu a missão de nove meses.
A bordo do foguete United Launch Alliance Delta 2 viajaram duas sondas idênticas, projetados para revelar os altos e baixos do campo gravitacional lunar, o que dá aos cientistas pistas sobre seu interior. Elas revelaram a localização das áreas mais densas, algo que as câmeras tradicionais não conseguiam mostrar.
O artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica “Science”. A Nasa acredita que com a compreensão do fenômeno será possível aumentar a precisão da navegação dos satélites afetados pelas variações gravitacionais.
Os cientistas acreditam que a descoberta também pode ser relevante nos estudos sobre a geologia da própria Terra. Isso porque o planeta sofreu impactos similares no passado. Os cientistas acreditam que a Lua foi "construída" com enormes pedaços de material expelidos da Terra após uma colisão com um objeto que poderia ser tão grande quanto Marte. Entender as concentrações de massa pode ensinar sobre como as placas tectônicas surgiram, por exemplo.

sábado, 1 de junho de 2013

O que é melhor: enxugar as mãos com papel ou nas máquinas de vento?

De acordo com um estudo da Unicamp, levando em conta apenas o gasto de energia, o papel pode ser uma opção melhor às máquinas de ventania utilizadas em alguns banheiros de shoppings e restaurantes.
A pesquisa comparou as duas formas de enxugar as mãos a partir de três aspectos: higienização, impacto ambiental e usabilidade. No quesito impacto ambiental, a comparação foi feita de acordo com cálculos de gasto de energia de cada uma das formas. Os secadores elétricos consomem energia durante o tempo de utilização. Já as toalhas de papel, durante o processo de fabricação.
No caso do secador elétrico, o resultado do gasto de energia é o produto da potência do aparelho pelo tempo de secagem. Como tanto a potência quanto o tempo necessário variam conforme o produto, a pesquisa chegou a uma média a partir de dados tabelados: eles consumem aproximadamente 32.000 J (joules) por secagem.
No caso das toalhas de papel, o cálculo foi feito da seguinte maneira: considerando que o gasto de energia para produzir papel para fins sanitários é de 3.395 GJ/tonelada (*referências bibliográficas podem ser encontradas no próprio PDF da pesquisa), uma toalha, que pesa em media 2.2g, equivale a 7.469 J.
Logo, para a secagem ideal (2 folhas), são gastos 14.938 J. No entanto, considerando que a média de uso é de 3,4 toalhas de papel por pessoa, esse número sobe para aproximadamente 25.395 J.
Conclusão
A primeira conclusão é de que as toalhas de papel são mais econômicas do que os secadores elétricos, desde que o consumo não ultrapasse cinco unidades por secagem.
No entanto, como tudo na vida é relativo, não podemos deixar de levar em conta que o estudo não inclui nos cálculos outros impactos causados durante a fabricação do papel, como a geração de resíduos químicos, a geração de toneladas de lixo que vão ocupar espaço em lixões e aterros e o uso de grande quantidade de água e madeira.
Superinteressante

Pedregulhos comprovam passagem de água em Marte, diz estudo

 
Há tempos já se acreditava que os vales, canais e deltas vistos da órbita eram obra da erosão provocada pela água, e o jipe-robô Curiosity, da Nasa, acaba de oferecer "provas de solo" disso.
Pesquisadores relatam que sua observação de pedregulhos arredondados no solo da cratera de 150 km Gale, no Planeta Vermelho.
Sua aparência suave é idêntica à de cascalhos encontrados em rios da Terra.
Fragmentos de rocha que se chocam pelo leito de um curso d'água perdem suas arestas; e quando esses pedregulhos se acomodam, costumam se alinhar de forma sobreposta.
O jipe-robô Curiosity observou isso em diversas áreas na base da cratera Gale.
É uma confirmação de que a água teve um papel em esculpir não apenas a cratera, mas muitas das outras formas geográficas vistas no planeta.
Remanescentes
Ao longo de décadas, especulamos que a superfície de Marte teria sido esculpida pela água, mas esta é a primeira vez em que podemos ver os remanescentes de um fluxo (d'água)", diz Rebecca Williams, do Planetary Science Institute, nos EUA.
A Nasa anunciou a descoberta dos pedregulhos em setembro do ano passado, apenas sete semanas depois de o Cusiosity ter aterrissado em Gale.
Desde então, pesquisadores têm estudado os detalhes das fotos feitas pelos robôs. Agora, escreveram um artigo na revista cientítica Science - o primeiro documento acadêmico publicado sobre a missão - reforçando essa tese inicial.
O artigo descreve a natureza da área e estima as prováveis condições em que seus sedimentos se acumularam.
Os pedregulhos têm cerca de 40mm de diâmetro - grandes demais para terem sido levados pelo vento.
Em muitos lugares, eles se encostam, e fotos mostram arranjos de pedregulhos alongados empilhados como em uma fileira de dominós derrubados - um clássico sinal de que ali houve atividade fluvial.
Bilhões de anos
Não é possível determinar com precisão a data das formações geográficas de Marte, mas as rochas vistas pelo Curiosity provavelmente têm mais de 3 bilhões de anos.
As fotos do jipe-robô permitiram aos pesquisadores entender a velocidade e a profundidade da água que um dia passou pela cratera.
"Estimamos que a velocidade do fluxo era semelhante à de uma caminhada. Não é algo que podemos reconstruir com absoluta certeza, mas nos dá uma ideia geral", explica Sanjeev Gupta, do Imperial College, em Londres.
"Também podemos dizer que a profundidade da água variava entre a altura de um tornozelo à de uma cintura. É a primeira vez que podemos quantificar isso (em Marte), algo rotineiro na Terra."
Os pedregulhos têm tonalidades escuras ou claras - mais um indicativo de que erodiram de diferentes tipos de rocha e foram transportados de locais diferentes.
Usando um sensor remoto, o jipe-robô detectou, nas pedras mais claras, vestígios de feldspato - mineral comum na Terra e que se deteriora na presença de água. Isso sugere que as condições antes observadas em Marte não eram extremamente úmidas e que os pedregulhos foram levados por uma distância pequena, talvez 10 a 15 km.
Isso condiz com observações de satélites sobre o que parecia ser uma rede de antigos rios ou córregos ao norte de Gale.
O Curiosity deve retornar nas próximas semanas rumo ao Monte Sharp, no centro da cratera. A expectativa dos cientistas é de que, no caminho, o jipe-robô passe por cenários semelhantes de rochas e tire novas fotos - agora, com resolução ainda melhor, que traga ainda mais detalhes dessas formações.
BBC.com