domingo, 7 de julho de 2013

Céu mais limpo mais tempestades

Entre os itens da lista cada vez maior de acontecimentos produzidos pelos seres humanos que parecem ter alterado o planeta podemos acrescentar mais um: a poluição do ar. Ela pode estar influenciando significativamente a diminuição dos ciclos de tempestades do Atlântico Norte.
Essa descoberta foi publicada esta semana em um artigo que sugere que a poluição industrial produzida pela América do Norte e Europa durante grande parte do século 20 pode ter modificado as nuvens causando o esfriamento da superfície oceânica. Esse fato, por sua vez, pode ter contido as tempestades e os maiores furacões, até que alcançassem um nível impossível de ocorrer em um ambiente natural.
Se os autores estiverem corretos, a diminuição das tempestades nas duas últimas décadas talvez não seja uma casualidade. Ao contrário, essa diminuição talvez seja, em parte, resultado da Lei do Ar Limpo, que reduziu a poluição ao redor da bacia do Atlântico Norte, fazendo com que os ciclos de tempestade retornassem a um estado próximo do natural.
Esse possível impacto sobre as tempestades foi revelado por novas análises climáticas realizadas por computadores sofisticados, que procuram levar em conta os efeitos indiretos de partículas presentes no ar. Um conhecimento científico de última geração, que pode ou não obter atenção no longo prazo.
“Nossos resultados mostram que o papel da mudança nos níveis de poluição talvez tenha sido maior do que pensávamos”, afirmou Nick J. Dunstontido, pesquisador do serviço meteorológico britânico e principal autor do novo artigo. Entretanto, ele reconhece que “esse fato é bastante novo” e o conhecimento científico permanece incerto.
Muitas pessoas se lembrarão da calmaria no Atlântico Norte nos anos 1970 e 1980, principalmente em relação aos grandes furacões, que criou a falsa sensação de segurança e estimulou o desenvolvimento da região costeira. A partir dos anos 1990, porém, as tempestades aumentaram bastante. De acordo com o novo estudo, esse aumento talvez se deva a entrada em vigor da Lei do Ar Limpo.
Estudos anteriores sugeriram que a poluição poderia exercer papel significativo sobre as tempestades, mas o novo artigo investiga com mais detalhes do nunca esse possível mecanismo. O estudo foi publicado online no periódico Nature Geoscience.
O conceito que a maioria dos climatologistas defende há bastante tempo, de que a variabilidade das tempestades do Atlântico Norte depende de oscilações naturais amplas nas correntes oceânicas, é a alternativa para essa nova perspectiva.
Cinco cientistas que não estiveram envolvidos no novo estudo afirmaram acreditar que as descobertas são, a princípio, verossímeis – “totalmente plausíveis”, nas palavras de Kerry A. Emanuel, especialista em atmosfera do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Entretanto, diversos especialistas acrescentaram: mesmo que o efeito da poluição sobre as tempestades seja real, é possível que seja inferior ao proposto no novo artigo.
O principal efeito nos padrões de tempestades teria se originado de partículas de dióxido de enxofre que entram no ar pela combustão de combustíveis com essa substância, como o carvão e o óleo diesel. A água pode condensar junto a essas partículas e o excesso delas no ar pode alterar a propriedade das nuvens tornando menores as gotículas de que são compostas.
Isso, por sua vez, pode clarear a nuvem, fazendo com que sua superfície superior reflita mais luz solar para o espaço, o que diminui a quantidade de luz que chega à superfície terrestre para aquecê-la.
Inserir uma representação acurada desse processo em programas de computador que criam modelos climáticos tem sido um trabalho árduo para os pesquisadores e, por essa razão, as evidências de um possível efeito sobre as tempestades estão surgindo neste momento.
Os autores do novo artigo estão trabalhando no Reino Unido com um dos mais avançados modelos climáticos. A pesquisa recente, que usa esse modelo, sugere que um aumento enorme da poluição ao redor da bacia do Atlântico Norte em meados do século XX resfriou a superfície a ponto de alterar a circulação atmosférica em larga escala impedindo a ocorrência de tempestades.
Em uma entrevista, Dunstone enfatizou não apenas a necessidade de realizar mais estudos, mas que a descoberta de sua equipe não representa um motivo para interromper a limpeza do ar. A poluição gera efeitos graves para a saúde dos seres humanos e para o meio ambiente e acredita-se que a Lei do Ar Limpo tenha poupado muitas vidas.
IG

sábado, 6 de julho de 2013

Desmatamento na Amazônia Legal sobe 370% em um ano, diz Inpe

O desmatamento na Amazônia Legal cresceu 370% na comparação de maio com o mesmo mês de 2012. Os dados levantados pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter) mostram que a retirada de floresta nativa alcançou 464,96 quilômetros quadrados, enquanto há um ano havia sido de 98,85 km². No acumulado de agosto a maio, o desmatamento alcança 2.337,78 km², 35% a mais que no período anterior.
 aumento drástico entre um ano e outro aparece mesmo com a cobertura de nuvens menor. Em 2012, a visibilidade era de 68%. Em 2013, de 59%. Em toda a região, apenas Acre e Amapá aparecem como tendo reduzido as áreas de desmatamento. Mais uma vez, as maiores áreas desmatadas são em Mato Grosso - apesar da ressalva feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de que o Estado não tinha cobertura de nuvens durante a captação. Os maiores crescimentos, no entanto, aparecem no Maranhão, que aumentou em 123% as áreas desmatadas, e no Amazonas, com 77%.             
O coordenador-geral de Desmatamento do Ibama, George Ferreira, considera os dados preocupantes, mas afirmou acredita que não devem se confirmar como desflorestamento corte raso, aquele que é considerado para as estatísticas finais do governo federal, porque, na maior parte, são áreas degradadas e não totalmente derrubadas. "Mais de 70% das detecções representam degradação."            
O Deter, usado para dados mensais de desmatamento, funciona como um sistema de alerta para a fiscalização e capta somente áreas superiores a 25 hectares. Já O Prodes - outro sistema de detecção de desmate - é mais preciso, pega áreas de 20 a 30 metros e é usado para o cálculo final do desflorestamento.
Áreas degradadas são aquelas onde a vegetação nativa foi alterada. Uma verificação in loco do Ibama mostra que, na maior parte delas, essa degradação foi causada por fogo, seja para limpar a área e proceder depois ao desmatamento, seja porque "escapou" de área próxima que era queimada. "Uma área degradada se recupera muito mais fácil que o corte raso. O cuidado que precisamos ter é para que essa degradação não se transforme em corte raso", afirmou Ferreira.            
O diretor de Fiscalização do Ibama, Luciano Evaristo, afirma que o desmatamento que se concentrava nos períodos de seca tem se estendido à época das chuvas, quando os desmatadores acreditam que a fiscalização não será tão rígida. "Só que estamos mantendo o trabalho durante todo o ano. De agosto a maio já foram aplicados R$ 1,7 bilhão em multas e foram embargados 236 mil hectares de áreas com desmatamento ilegal", disse ele.
 

Lixo espacial pode colocar comunicações na Terra em risco

As conexões telefônicas internacionais, os sinais de televisão e alguns serviços de internet dependem necessariamente do uso de satélites, que, devido à enorme quantidade de lixo espacial que orbita ao redor da Terra, se encontraram ameaçados.
Especialistas das Nações Unidas (ONU) e da Nasa já fizeram diversos alertas sobre o crescente perigo em torno do lixo espacial, inclusive para a vida dos astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).
'O lixo espacial é um perigo para todos nossos sistemas de funcionamento por satélite', explicou à Agência Efe a diretora do Escritório das Nações Unidas para o Espaço Exterior, a astrofísica Mazlan Othman.
De acordo com Mazlan, 'tudo que sobe ao espaço no final se transforma em lixo, o que gera um grande problema, ainda mais com as colisões de satélites que costumam deixar muito lixo no espaço'.
Carcaça de foguetes, satélites abandonados e, inclusive, lixo procedente de mísseis orbitam ao redor da Terra em grande velocidade, a cerca de sete quilômetros por segundo, o que também ameaça o futuro da exploração espacial.
No total, há 500 mil resíduos espaciais de diversos tamanhos no espaço, embora somente 20 mil sejam considerados os mais perigosos, ou seja, com pelo menos dez centímetros.
'Se a humanidade deixasse de enviar artefatos ao espaço, o problema continuaria aumentando, já que as peças continuam se chocando e se multiplicando', lamentou Mazlan.
Uma só colisão entre dois satélites ou grandes pedaços de carcaças podem gerar milhares de pequenas peças, cada uma delas capaz de destruir outros artefatos espaciais.
Até o momento não existe nenhuma tecnologia capaz de limpar o espaço desta ameaça, enquanto a única coisa que pode ser feita neste aspecto é fazer com que os lançamentos espaciais sejam mais limpos.
'O que podemos fazer é encorajar todos os países a tomarem medidas para minimizar a emissão de lixo espacial, já que, às vezes, não é possível evitá-la, mas sim minimizá-la', disse a especialista.
Segundo a astrofísica, 'a tecnologia citada ainda não foi desenvolvida e poderia ser muito cara. 'Não sabemos ainda como vamos eliminar este lixo e nem onde poderíamos armazená-los caso eles descessem à Terra', completou.
Os satélites que fornecem os sistemas de localização global - como o americano GPS, o europeu Galileu e o russo Glonass - e os de previsões meteorológicas, entre outros, também correm o mesmo perigo.
Neste aspecto, os fragmentos menores são tão perigosos quanto os grandes, tendo em vista que os mesmos se deslocam com mais velocidade e porque são mais difíceis de serem localizados antes do impacto.
'Esse lixo é muito difícil de ser detectado e pode ser muito prejudicial, mesmo sendo fragmentos muito pequenos, porque se movimentam a uma velocidade de aproximadamente sete quilômetros por segundo', explicou à Efe Lindley Johnson, diretor do Programa de Objetos Próximos à Terra da Nasa.
Nos últimos anos, os astronautas da ISS tiveram que buscar várias vezes refúgio nas naves Soyuz, que são acopladas a ela, pelo perigo da proximidade de um fragmento de lixo espacial de grande porte.
O lixo espacial também representa um risco para o trabalho dos astronautas no exterior de suas naves, já que qualquer impacto de lixo espacial, inclusive de fragmentos pequenos, poderia afetar os seus trajes pressurizados, um fato que teria trágicos resultados.
Johnson acredita que, por enquanto, a única coisa que pode ser feita é 'tratar que os lançamentos espaciais sejam mais limpos', com uma tecnologia capaz de reter os componentes físicos que costumam se desprender durante a subida das naves espaciais.
O especialista da Nasa assegura que existem vários projetos privados em andamento que buscam capturar esses resíduos.
'Primeiro é preciso eliminar as peças maiores, como os corpos de projéteis e os satélites que deixaram de funcionar', ressaltou Johnson, embora ainda não exista uma data fixa sobre quando esta tecnologia poderá ser utilizada de forma prática.
Em 2007, a China destruiu com um míssil seu satélite climatológico Fengyun 1C, o que gerou uma nuvem de milhares de fragmentos perigosos, sendo que um deles colidiu com um satélite russo no início deste ano.
Em maio, o nanossatélite Pegaso, o primeiro fabricado no Equador e que foi lançado em abril, se chocou com um fragmento de um foguete soviético de 1985 e, desde então, não teve seu sinal recuperado.
Fontes ligadas à ONU, que pediram para se manterem em anonimato, dizem que uma solução para este crescente problema deve ser alcançada com urgência, dado que potências emergentes, como China e Índia, têm ambiciosos projetos espaciais, um fato que poderia multiplicar a quantidade de lixo em órbita e suas consequências.
Segundo as previsões da Agência Espacial Europeia, o lixo espacial triplicará nos próximos 20 anos.
 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Frase


Híbrido de trem e avião pode agilizar transporte aéreo

Viajar de avião, hoje, é uma experiência trabalhosa: o passageiro precisa se deslocar, na maioria dos casos, a áreas remotas de sua cidade, enfrentar filas, atrasos e, claro, não podemos deixar de citar o preço abusivo do café e do pão de queijo. Tudo isso faz com que uma viagem aérea, que deveria ser ágil e prática, se transforme em uma atividade cara e demorada. E, com a popularização das tarifas das empresas aéreas e com uma quantidade maior de passageiros, estes problemas tende a se agravar.
        Pensando nisso, engenheiros da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça criaram um conceito para um novo tipo de transporte - o Clip-Air, um híbrido de avião com trem. O passageiro embarca em um terminal similar ao de um metrô e entra em um vagão determinado. Este vagão, por sua vez, anda sobre trilhos e, durante o percurso, é acoplado por uma aeronave que levanta vôo. Capaz de levar até três vagões por vez, o veículo pousa sobre trilhos na cidade de destino e libera os vagões. E, assim como no metrô, eles param em diversas estações - basta que o passageiro desembarque na mais próxima. Ou seja, o aeroporto, em si, seria desnecessário.
 
Os vagões, ou ‘cápsulas’, medem 30 metros e possuem capacidade de 450 passageiros por vez, barateando os custos das viagens e tornando as naves mais eficientes. Afinal, pelas cápsulas serem independentes uma das outras, a necessidade da aeronave fazer escalas demoradas em aeroportos seria suprimida. A nave desce, libera a cápsula sem, necessariamente parar, e parte para a próxima estação, podendo até se ligar a uma nova cápsula na mesma parada. Com esse esquema, o combustível também poderia ser economizado e, pelo design modular da estrutura, o espaço de ‘estacionamento’ também seria menor.
        Segundo o gerente do projeto, e engenheiro da EPFL, Claudio Leonardi, a tecnologia atual e os motores existentes já permitem o estudo mais aprofundado do conceito. “Sim, adaptações seriam necessárias, mas é possível pensar no Clip-Air com o mesmo tipo de motor do que os usados em aviões hoje - isso também permitiria que o Clip-Air viajasse com a mesma velocidade”, explica.
        Apesar da tecnologia para tornar o projeto viável já existir, Leonardi conta que, idealmente, os motores do Clip-Air queimariam menos combustível e aceitariam fontes alternativas de energia. “Hoje nossos estudos mostram que o veículo queimaria um pouco menos de combustível para fazer um trajeto de 400km. Mas queremos que ele voe também com outros tipos de combustível - a flexibilidade é a beleza do conceito”, afirma.
        Mas os vagões e as asas em si não seriam a únicas estruturas necessárias para viabilizar o Clip-Air - cidades que adotassem o sistema de transporte aéreo também precisariam de trilhos que suportem os vagões e que passem por áreas amplas o suficiente para permitir o pouso e a captura deles pela aeronave. De acordo com Leonardi, inicialmente o projeto previa trilhos maiores, mas, agora, engenheiros estudam fazer com que os vagões andem sobre o mesmo padrão de trilhos do que trens e metrôs comuns, podendo utilizar estruturas já existentes.
Galileu 

Poeira espacial, uma ameaça a ser levada a sério

Paris - As próximas missões espaciais à Lua, como as planejadas por China e Índia, poderão ser prejudicadas pela poeira espacial, uma ameaça pouco conhecida e subestimada que pode afetar máquinas e seres humanos, advertem os cientistas.
Simulações conduzidas por pesquisadores franceses e britânicos mostram que, em certas zonas da Lua, a poeira torna-se uma força eletrostática que supera a da gravidade lunar, de acordo com uma apresentação durante a conferência anual da Royal Astronomical Society britânica realizada em Edimburgo.
Resultado: A poeira lunar permanece suspensa acima da superfície do solo, formando uma nuvem cinzas de partículas minúsculas pegajosas e abrasivas que dificultam a visibilidade, cobrem os painéis solares e infiltram-se nas menores brechas dos mecanismos, alertam os pesquisadores.
Além disso, como alguns tipos de poeira lunar são ricos em ferro, podem também ser tóxicos para os seres humanos se entrarem por entre suas vestimentas.
Para Farideh Honary, da Universidade britânica de Lancaster, a poeira lunar já havia sido identificada como um potencial risco para os astronautas americanos das missões Apollo, mas só agora é que os cientistas estão começando a pesquisá-la mais profundamente, com o interesse renovado de alguns países em realizar missões à lua.
"Precisamos estudar a poeira com mais detalhes e fazer mais medições antes de enviar missões tripuladas", declarou Honary.
Em uma simulação de computador apresentada esta semana em Edimburgo, a pesquisadora demonstrou que a poeira não se comporta da mesma forma em toda a superfície da lua.
A força eletrostática que a faz levitar e aderir a superfícies está relacionada à exposição aos raios ultravioletas do sol, que repele os elétrons - com carga negativa - e, assim, dão à poeira uma carga elétrica positiva.
Mas, por outro lado, à noite ou na sombra, o vento solar (fluxo de partículas emitidas pelo Sol) atrai os elétrons de poeira, dando-lhes uma carga negativa.
Em outras palavras, é principalmente nas zonas da Lua onde o Sol está se levantando ou se pondo que a poeira mais se movimenta, quando as partículas de poeira com cargas elétricas opostas se atraem, em vez de cair no chão discretamente sob a influência da gravidade.
"Os engenheiros realmente devem levar isso em conta", ressalta Farideh Honary.
Segundo ela, uma boa opção seria a construção de veículos para andar na superfície da lua ("rovers") em forma de cúpula, permitindo que a poeira caia mais facilmente. Já um veículo em forma de caixa, muito angular ou com superfícies ásperas ou muito planas, tenderia a acumular poeira, o que seria prejudicial ao funcionamento deste.
A China anunciou recentemente que pretende enviar um robô de exploração à Lua no segundo semestre deste ano, para realizar um levantamento da área.
As autoridades indianas também sugeriram o envio de um rover em 2015.
exame.com

Recorde de algas cobre praias da China

As praias da China foram tomadas por uma gigantesco “manto verde” de algas, que leva desconforto à população e deixa um odor desagradável no ar. Segundo a mídia local, a área afetada pelo fenômeno, que vem se repetindo nos últimos seis anos, é a maior já verificada.
As algas afetam principalmente uma praia popular em Qingdao, no leste do país. Alguns banhistas, entretanto, parecem não se incomodar, como mostram as imagens acima. Funcionários da província usam escavadeiras para tentar remover os vegetais. O boom de algas pode ter sido causado pela poluição da indústria.
Sua ocorrência é associada à temperaturas oceânicas quentes e águas ricas em fósforo e nitrogênio, elementos que são encontrados em fertilizantes usados na agricultura e podem ser carregados às costas pelo escoamento da água. O uso execessivo de fertilizantes nitrogenados, inclusive, é uma das maiores crises ambientais que o país enfrenta China.
Embora não sejam tóxicas para os seres humanos, as algas podem sufocar a vida marinha por sucção do oxigênio da água, gerando “zonas mortas”. Quem mais tem sofrido com o fenômeno são os pescadores.
Exame.com

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Frase


Espaço será destino turístico em 5 anos e dará origem a novo mercado

 
Tomar um refrigerante em um hotel lunar com vista para a Terra será possível em menos de 20 anos, segundo especialistas em turismo espacial, um novo ramo comercial que levanta questões típicas de histórias de ficção científica que ainda precisam de respostas baseadas em fatos reais.
O fundador da Space Tourism Society, John Spencer, disse à Agência Efe que a exploração econômica da órbita terrestre e dos corpos celestes próximos é inevitável. O que ainda não foi estabelecido é como a expansão humana pelo sistema solar será administrada.
Em meia década já será uma moda entre mais ricos experimentar a gravidade zero e tirar fotos da Terra à bordo de um voo da Virgin Galactic ou da SpaceX. Além disso, haverá uma estação orbital de uso turístico que será construída pela Bigelow Aerospace.
"Daqui a seis ou sete anos teremos o primeiro hotel no espaço com capacidade para 40 pessoas. Na próxima década, retornaremos à Lua e cinco anos mais tarde um hotel será construído lá", explicou Spencer.
Nessa época, a Planetary Resources estará perfurando algum dos 1.500 asteroides que orbitam regularmente próximos à Terra em busca de água e minerais, e saltos estratosféricos como o de Felix Baumgartner serão um novo tipo de esporte radical.
Os cruzeiros espaciais, as corridas de carros pela Lua, e a colonização de Marte parecem tecnicamente possíveis, mas fazer é mais fácil do que conseguir manter.
Para que estes avanços deem origem a um lucrativo mercado será necessária uma rede de serviços atualmente inexistente que facilite, entre outras coisas, que um hóspede lunar possa pagar uma bebida ou um passeio a uma cratera, responder e-mails e atualizar o perfil do Facebook.
"Qual é o endereço IP do espaço?", questiona em voz alta o diretor de comunicações do PayPal, Anuj Najjar, em entrevista à Efe sobre a iniciativa PayPal Galactic, apresentada oficialmente pela empresa, pertencente a eBay, em um evento na sede do Instituto SETI, na Califórnia.
O PayPal Galactic surge, segundo seus idealizadores, para fomentar um debate público que permita solucionar os desafios de fazer negócios fora do planeta.
"As perguntas são muitas e complexas para uma companhia possa respondê-las sozinha", disse Najjar. Ele acrescentou que o modelo de pagamentos do PayPal poderia ser utilizado no espaço se houvesse a infraestrutura adequada.
A Space Tourism Society e o SETI também apoiam o projeto do PayPal que ainda precisa do envolvimento de organismos internacionais e de países dispostos a fixar um marco regulador das atividades espaciais.
"Os governos se organizam, normalmente, no âmbito de fronteiras nacionais, mas discutimos desafios aos quais esses limites não se aplicam. Talvez os governos não sejam um modelo adequado, e devamos pensar em algum tipo de ONG", sugeriu Jill Tarter, diretor do SETI.
Tarter esclareceu que, no SETI, apenas um pequeno grupo de cientistas se dedica à busca de sinais alienígenas. A maioria deles são astrobiólogos que pesquisam a existência de vida no universo de maneira multidisciplinar, característica com a qual a iniciativa do PayPal Galactic se identifica.
"Acho que teremos que começar a pensar em algo equivalente à Teoria Especial da Relatividade de Einstein para as finanças e em como definimos o tempo quando nem todos estiverem na Terra, atual marco de referência", comentou a astrônoma cuja carreira inspirou a personagem de Jodi Foster no filme "Contato" (1997).
"Uma coisa é certa: não haverá dinheiro no espaço", afirmou Najjar que também não dúvida de que "o sistema bancário terá que ser adaptado" ao novo contexto. Isso poderia levar à criação de uma divisa específica, como os créditos imperiais de "Guerra nas Estrelas", os federais de "Jornada nas Estrelas" ou os cubits de "Galactica: Astronave de Combate".

Satélite que monitorava oceanos falha e é desativado, diz Nasa

O satélite Jason-1, que acompanhou o aumento do nível do mar por mais de uma década e ajudou meteorologistas de todo mundo a realizarem melhores previsões meteorológicas, entrou em colapso nesta quarta-feira (3) e já não consegue mais realizar transmissões de dados.

O equipamento foi construído em uma parceria entre os Estados Unidos e a França, sendo lançado ao espaço em 2001. De acordo com a agência espacial americana, Nasa, o satélite deve ficar sem bateria nos próximos 90 dias, mas vai permanecer em órbita por pelo menos mil anos antes de cair em qualquer parte do planeta.
O Jason-1 foi responsável por realizar uma vasta varredura da superfície dos oceanos, realizando medições precisas sobre a altura das ondas e as mudanças de temperatura nos mares.
Além disso, segundo os cientistas, o equipamento foi fundamental para controlar dados sobre o El Niño e outras condições climáticas. O El Niño é caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico perto dos trópicos, afetando o regime de chuvas nessas regiões.

Astrônomos perdem dois telescópios espaciais

Em 15 de maio passado os pesquisadores que trabalham com a detecção de exoplanetas (mundos em torno de outras estrelas, além do Sol), em especial do porte da Terra e localizados no interior da chamada “zona de vida” (onde a água se manifesta em estado líquido) ficaram órfãos do Telescópio espacial Kepler.
            Um pouco antes disso o Telescópio Espacial Herschel também foi perdido.
            Desde que fora lançado, em 7 de março de 2009, o instrumento que homenageava o astrônomo alemão Johannes Kepler (1572-1630) havia confirmado a existência de 132 planetas e apontado para a possibilidade de pelo menos outros 2.740 candidatos orbitando um grande número de estrelas da Via Láctea.
            O Kepler teve uma falha no sistema de estabilização, e isso impediu que continuasse apontando para seus alvos com a precisão necessária.
Algumas tentativas ainda estão sendo feitas na esperança de aumentar um pouco mais a vida útil desse instrumento, mas os engenheiros dedicados a esse trabalho não estão muito otimistas quanto aos resultados.
 
Menos de duas semanas antes do Kepler, o Telescópio Espacial Herschel também chegou ao fim de sua vida útil com o esgotamento do estoque de hidrogênio liquido que o mantinha resfriado próximo ao zero absoluto (-273° C) temperatura em que operava para observações no infravermelho distante e submilimétrico do espectro eletromagnético.
            O Herschel, que custou € 1 bilhão e havia sido lançado em 2009 para investigar o nascimento de estrelas e a evolução de galáxias, operou até o limite do resfriamento permitido pelo estoque inicial de 2.300 litros de hélio líquido com que fora lançado no interior de um foguete francês Ariane.
            Como ocorreu com o Kepler, a equipe do Herschel também lamentou o fim desse equipamento, mas isso já era esperado e, na verdade, o telescópio foi até um pouco além das expectativas em termos operacionais. Quanto à sua produtividade, as estimativas são de que nos próximos cinco anos não será superado por qualquer outro instrumento, no espaço ou na superfície.
 
Na verdade, o que pode ser considerado o substituto do Herschel, resultado de uma associação entre Europa e Japão, no projeto Spica, só deve ser lançado por volta de 2020. Assim, o Herschel não terá, em curto prazo, páreo no espaço.
            Na superfície da Terra, no entanto,  teria a companhia do radiotelescópio Alma, que se sobrepõe parcialmente à sua freqüência de investigação e está operacional desde março deste ano nos Andes chilenos.
            Por enquanto a única alternativa ao Herschel, além do Alma,  é o telescópio Sofia, um projeto germano-americano,  que opera a bordo de um Boeing 747 a elevadas altitudes na atmosfera, para evitar o vapor d’água que bloqueia parte da radiação tanto infravermelha quanto submilimétrica.
            O legado do Herschel, no entanto, que homenageia um astrônomo também alemão, mas que adotou cidadania britânica  (William Herschel, 1738-1822) de certa forma compensa sua perda.
O volume de dados que coletou, segundo dados do controle de vôo, está em fase apenas inicial de análise. Isso significa que descobertas interessantes ainda podem ser feitas com o equipamento que, agora inoperante, orbita o Sol a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

A essa distância o Herschel não tem como ser alcançado por astronautas, como ocorreu no passado com o Telescópio Espacial Hubble, que recebeu, entre outras inovações, lentes corretivas para resolver a miopia produzida por um defeito na curvatura de seu espelho principal.
O Hubble, que deverá ser substituído pelo Telescópio Espacial James Webb, está a apenas 600 km da superfície da Terra, praticamente no limite de operação dos também já aposentados ônibus espaciais americanos.
O Herschel  foi um dos maiores telescópios espaciais lá colocados no espaço, equipado com um espelho com diâmetro de 3,5 m dedicado a operar no infravermelho e, em 1.440 dias de operação, somou mais de 22 mil horas de coleta de dados.
A radiação infravermelha  bloqueada em grande parte pela atmosfera da Terra é emitida por corpos “frios” como estrelas em formação ou estrelas do tipo anã-marron. Nuvens de gás e poeira cósmica que bloqueiam, por exemplo, a luz visível, podem ser detectadas pelo infravermelho.
A propósito, William Herschel foi quem descobriu, em 1800, a radiação infravermelha quando colocou um termômetro além do vermelho no espectro do Sol e observou um aumento de temperatura.
Essa variação fez com que ele concluísse pela existência de uma luz invisível aos olhos, o que, à época, era algo inconcebível.
Logo em seguida à detecção do infravermelho, e com os progresso que ocorriam com rapidez na fotografia, foi identificado também o ultravioleta, iniciando um processo do conhecimento do espectro eletromagnético, um “desvelamento da luz”.
O espectro eletromagnético, que se estende a radiação gama, a mais energética (produzida, por exemplo, pelo choque de estrelas de nêutrons), até as longas ondas de rádio, resultam da energia liberada pelos corpos no Universo.
Até Herschel fazer a descoberta do infravermelho em 1800, no entanto, os sábios consideravam coisas como “luz invisível” algo mais próximo da fantasia que da pura realidade.
Scientific American
 
 

 
 

Você pode usar seu cérebro para manipular o tempo

Você já deve ter percebido a essa altura, mas nossa percepção de tempo não é um sentido tão exato quanto o olfato, a visão ou a audição. A prova são aqueles dias que parecem durar uma eternidade, ou aquele período da sua vida em que um ano ou dois parecem ter sido condensados em umas duas semanas, no máximo, e tudo pareceu passar tão rápido.
É claro que você esteve fazendo um milhão de coisas durante esse ano do qual você se lembra muito pouco. Mas porque será que sua memória parece guardar tão pouco daquilo que você fez e te convence que aquele tempo passou tão rápido?
De acordo com o neurocientista David Eagleman, do Baylor College of Medicine, em Houston, no Texas, o "tempo do cérebro" é subjetivo. Em um de seus ensaios, ele sugere um exercício pra te provar que seu cérebro às vezes "apaga" coisas que ele desconsidera importante: vá em frente a um espelho e mova os olhos de um lado para o outro, de modo que você olhe alternadamente pro seu olho esquerdo, depois pro direito, e assim por diante.
É claro que seus olhos levam um tempo para mover-se da esquerda à direita. Mas você não os vê fazendo isso. Seu cérebro edita esses momentos intermediários e só te mostra o resultado final - você olhando pro espelho.
Se uma árvore desabar no meio da floresta, e ninguém estiver lá para ouvi-la caindo, essa queda provoca algum barulho?
Tá, você pensa. Mas e como isso se relaciona com nossa percepção de tempo? É simples. Nosso cérebro recebe todas a informação transmitida por nossos sentidos e as organiza da maneira que ele acha mais conveniente, um jeito que faz sentido pra nós, antes mesmo que a gente repare nas informações recebidas por esses sentidos. O mundo que percebemos é fruto de como nossos sentidos interpretam esse mundo (e a resposta à pergunta do subtítulo, portanto, é não), explica Dave Eagleman. Quando a informação recebida e processada é familiar ao cérebro, ela é feita muito rapidamente. Informações e estímulos novos, no entanto, demoram mais, e geram a sensação de tempo alongado.
No cérebro, existem áreas responsáveis pela percepção de cada sentido tradicional. Mas para processar e perceber o tempo, não há uma área específica, e acontece em várias partes diferentes do cérebro.
A conclusão é a seguinte: quando recebemos um fluxo muito grande de informações novas, o cérebro demora um tempo para processá-las. Quando mais tempo ele demorar, mais longo o tempo nos parecerá. E é por isso que meses preenchidos com rotina parecem passar voando, enquanto momentos de stress ou de emoção intensa, na sua memória, tem ares de terem durado minutos, quando não passaram de milésimos de segundos.
Isso explica, inclusive, aquela sensação de que a vida passa mais rápido depois que envelhecemos. É porque, ao crescer, percebemos um mundo novo quase o tempo todo, e isso garante a sensação de que o tempo passou mais devagar.
Quem precisa de Stephen Hawking?
Agora que o mecanismo de manipulação do tempo pelo nosso cérebro está compreendido, fica fácil apontar o que a gente precisa fazer pra fazer nosso tempo durar mais: basta dar ao nosso cérebro um fluxo constante de informações novas. A pesquisa do neurologista David Eagleman concluiu a mesma coisa. E daí é preciso sair da rotina: conheça lugares novos (nem precisa viajar - pode começar pela sua cidade), conheça gente nova, nunca pare de aprender, seja espontâneo, faça coisas novas.
Galileu.com 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Frase


A era dos extremos no clima

Mais quente, úmido e propenso a eventos extremos. O clima no planeta está mudando em ritmo cada vez mais acelerado, com a primeira década do século XXI quebrando vários recordes relativos à temperatura tanto na superfície da terra quanto dos oceanos, chuvas, perda de gelo nos polos e glaciares, alta no nível do mar e concentração de gases do efeito estufa na atmosfera, afirma a Organização Mundial de Meteorologia (WMO, na sigla em inglês) em relatório divulgado ontem. Segundo a instituição ligada à ONU, também subiu o total de vítimas do clima, com alguns fenômenos, como ondas de calor, causando um número muito maior de mortes no período do que em qualquer outra época.
De acordo com a WMO, a temperatura média da Terra no período 2001-2010 foi de 14,47 graus Celsius, a maior desde o início dos registros modernos, em 1850. Nada menos que nove dos dez anos da década figuram entre os mais quentes da História (a exceção foi 2008) e 2010 é o recordista absoluto, com 14,54º C. A temperatura média da década foi 0,21º C acima da anterior e teve uma elevação de 0,47º C frente à média histórica entre 1961 e 1990, usada como referência nos estudos sobre o aquecimento global. Além disso, o aumento na temperatura se acelerou nos últimos 40 anos, chegando a 0,17º C por década de 1971 a 2010, contra média de 0,062°C a cada dez anos no período entre 1880 e 2010.
Segundo a WMO, o aquecimento recorde foi acompanhado por uma perda acelerada de gelo nas calotas polares e nos glaciares. Como resultado deste derretimento e da expansão da água devido ao calor, o nível médio dos oceanos subiu 3 milímetros por ano, cerca do dobro do 1,6 milímetro observado ao longo de todo o século XX, e ficando aproximadamente 20 centímetros mais alto do que em 1880.
Já com relação às chuvas, a WMO informa que a última década foi a segunda mais úmida desde 1901, com 2010 aparecendo mais uma vez como recordista absoluto. Isso fez com que as inundações fossem os eventos extremos mais registrados no período, atingindo a Europa Oriental em 2001 e 2005, a Índia também em 2005, a África em 2008, e a Austrália e a Ásia em 2010, com destaque para o Paquistão, onde 2 mil pessoas morreram e 20 milhões foram afetadas naquele ano. A tempestade mais mortal, porém, foi o ciclone tropical Nargis, que deixou um saldo de mais de 138 mil vítimas fatais em Myanmar no início de maio de 2008.
Ao todo, diz a WMO, mais de 370 mil pessoas morreram como consequência do clima de 2001 a 2010, uma alta de 20% frente à década anterior. Grande parte deste aumento, no entanto, veio das ondas de calor que atingiram a Europa em 2003 e a Rússia em 2010 e fizeram 136 mil vítimas, 2300% a mais do que as 6 mil mortes por ondas de calor entre 1991 e 2000. Por outro lado, houve uma queda de 16% nas mortes por tempestades e 43% por inundações, que a instituição credita ao estabelecimento de melhores sistemas de alerta e preparação e apesar de um incremento no número de pessoas vivendo em áreas de risco.
E embora o relatório não faça uma relação direta de causa e efeito entre a concentração de gases-estufa e o aumento na temperatura global, a primeira também foi recorde na década. De acordo com a WMO, a concentração média de dióxido de carbono (CO2, o principal gás-estufa lançado pelo homem no ar) chegou a 389 partes por milhão (ppm) em 2010, uma alta de 39% desde o início da era industrial, em 1750. Já a quantidade de metano, dezenas de vezes mais potente que o CO2 na sua capacidade de reter calor, subiu 158% para 1808 partes por bilhão (ppb).
- Uma década é o período de tempo mínimo para uma avaliação significativa das mudanças climáticas – comentou Michel Jarraud, secretário-geral da WMO. - Esta perspectiva torna possível observar tendências nos sistemas climáticos e prever o futuro e também basear os esforços no desenvolvimento de serviços climáticos que forneçam informações e previsões para a tomada de decisões na agricultura, saúde, risco de desastres, fontes de água e outros setores.




Luas de plutão são batizadas

Paris - A quarta e a quinta luas de Plutão, descobertas, respectivamente, em 2011 e 2012, foram oficialmente batizadas de Kerberos e Styx, anunciou a União Astronômica Internacional (UAI).
Até agora os dois satélites de Plutão eram simplesmente chamados de "P4" e "P5".
Kerberos (Cérbero) faz referência ao cão de três cabeças que custodiava o inferno na mitologia grega, enquanto que Styx (Estígia) é o rio mitológico que separa o mundo dos vivos do reino dos mortos.
Estas duas luas se unem aos satélites de Plutão já conhecidos: Caronte, Nix e Hydra

Ausência de monitoramento do degelo nos Andes preocupa a UNESCO

A falta de controle do derretimento das geleiras na Cordilheira dos Andes gera alarme entre os cientistas e especialistas da Unesco reunidos a fim de recomendar aos países andinos que tomem medidas urgentes ante a ameaça de mudança climática.
"É preocupação da Unesco a falta de monitoramento por parte dos países andinos vulneráveis ao derretimento das geleiras e suas consequências para as comunidades vizinhas", afirmou às Siegfried Demuth, chefe de Hidrologia e das Ciências da Água.
O "Fórum Internacional de Geleiras: desafios da pesquisa a serviço da sociedade em função da mudança climática", que conclui nesta quinta-feira (4) na cidade peruana de Huaraz (norte), visa a colocar à disposição dos países andinos (Peru, Chile, Bolívia e Argentina), cujas geleiras estão afetadas pela mudança climática, experiências, práticas e pesquisas sobre a questão do derretimento e suas consequências.
Segundo a Autoridade Nacional da Água (ANA) do Peru, nos últimos 30 anos a superfície das geleiras retrocedeu 40% e calcula-se que na década 2020-2030 as geleiras abaixo dos 5.000 metros acima do nível do mar terão desaparecido.
G1

Os "últimos sobreviventes" do planeta

Os últimos sobreviventes no planeta Terra serão minúsculos micro-organismos que viverão nas profundezas do solo, dizem cientistas britânicos.
Usando simulação por computador, pesquisadores da University of Saint Andrews, na Escócia, criaram um modelo de como será o planeta dentro de bilhões de anos.
Eles descobriram que, à medida que o Sol fica mais quente e mais brilhante, somente micróbios poderão tolerar as condições extremas que as mudanças provocarão.
O trabalho está sendo apresentado durante a National Astronomy Meeting da Royal Astronomical Society, que acontece esta semana na cidade de Saint Andrews.
"Não haverá muito oxigênio, então (os micróbios) terão que sobreviver em ambientes com pouco ou zero oxigênio, alta pressão e alta salinidade - por causa da evaporação dos oceanos", disse um dos integrantes da equipe escocesa, o pesquisador Jack O'Malley James.
Extinção em massa
O futuro da vida na Terra está vinculado ao do Sol, que, com o passar do tempo, vai ficar cada vez mais quente e luminoso.
Com base nesse fato, cientistas das universidades escocesas de St Andrews, Dundee e Edimburgo fizeram uma previsão de como será o ambiente futuro do planeta.
Dentro de um bilhão de anos, o calor será tão intenso que os oceanos vão começar a evaporar.
"Quando você chega a esse ponto, existe muito mais água na atmosfera, e como o vapor de água é um gás (que provoca) efeito estufa, você tem um efeito estufa em cadeia", disse O'Malley James. "A Terra vai se aquecer até 100ºC ou mais".
Isso, aliado a uma queda nos índices de oxigênio, levaria a uma rápida perda de plantas e animais maiores.
Logo depois, um grupo de micróbios chamados extremófilos será a única forma de vida que restará.
Esses minúsculos organismos podem ser encontrados hoje na Terra em ambientes hostis, como a Bacia dos Gêiseres no Parque Nacional Yellowstone, em Wyoming, Estados Unidos.
Segundo a equipe escocesa, esses micro-organismos serão as únicas criaturas capazes de suportar o calor, a aridez e a atmosfera tóxica dessa Terra do futuro. Os pesquisadores suspeitam de que os micróbios estarão, provavelmente, agrupados perto dos últimos vestígios de água, nas profundezas do solo.
No final, as condições no planeta serão tão ruins que até os extremófilos desaparecerão - e dentro de 2,8 bilhões de anos, não restará qualquer vida na Terra.
Sinalizadores de vida
A equipe disse que estudar o surgimento e o desaparecimento da vida no nosso planeta pode nos ajudar a compreender como diferentes formas de vida poderiam sobreviver em outros pontos do Universo.
"Se você se deparasse com um planeta parecido com a Terra, é mais provável que encontrasse vida microbiana do que formas mais complexas como vemos na Terra hoje", disse O'Malley James.
Ele explicou que micróbios provocam mudanças sutis nas proporções de gases na atmosfera e que esses gases poderiam, um dia, auxiliar astrônomos a detectar vida em planetas parecidos com a Terra.
"Um dos melhores candidatos é o metano. Ele poderia ser usado para indicar a presença de vida, embora isso dependa das quantidades produzidas e se há um acúmulo detectável na atmosfera. Se pudermos detectar todos esses índices sutis de gases em planetas remotos, talvez possamos detectar vida", disse O'Malley James.
BBC

terça-feira, 2 de julho de 2013

Frase


Navio alemão está no Brasil para pesquisas sobre aquecimento global

Entender a interação entre os oceanos e os diferentes climas em cada região do globo terrestre. Em resumo, é isso que faz a pesquisa do Centro de Controle de Navios de Pesquisa Alemães da Universidade de Hamburgo. Falando assim, parece até simples, mas não é por aí. Em linguagem mais técnica, os trabalhos coordenados pelo professor Peter Brandt buscam colher dados para determinar o papel do Atlântico Tropical na capacidade de variação do clima e os seus impactos bioquímicos entre o oceano e a atmosfera.
        Para tal, a equipe conta com a estrutura do navio oceanográfico Meteour, que ficou atracado no último fim de semana em Fortaleza. A pesquisa tentará entender as alterações no equilíbrio de correntes marítimas, causadas supostamente pelo aquecimento global. “A Alemanha tem uma longa linha de pesquisa nesse assunto, desde a década de 1980. Mas essa última começou em 2000. Fizemos uma expedição com o Meteour até 2004 e agora iniciamos outra, que servirá para comparar com os resultados anteriores e entender o que aconteceu no período”, conta Brandt. “A passagem por aqui foi programada junto com a Universidade Federal do Ceará e a Universidade de São Paulo, que são nossas parceiras de pesquisa”.
O gigante tem 96 metros de comprimento e 400 metros quadrados de área de laboratório - com espaço para 28 cientistas mais tripulação -, assim como os mais diferentes instrumentos para o estudo do oceano. Ele possui ainda uma usina elétrica própria, processamento ecológico de lixo, estação de tratamento de água, processamento de água potável e ar condicionado, todos com instalações de alta tecnologia que prejudicam o mínimo possível do ambiente marinho. “Esse sistema é o que chamamos de Blue Angel. É caro mantê-lo em funcionamento, mas acreditamos que devemos investir no que seria o futuro da navegação no mundo”, disse o professor.
        A visita é parte da programação da Temporada da Alemanha no Brasil 2013/2014, que acontece entre os meses de junho e maio. Aproveitando a parada, haverá também troca dos cientistas, da tripulação e embarque de equipamentos científicos. “Estaremos por cerca de 10 dias fazendo estudos na costa brasileira. Depois disso, partimos para Namíbia e Angola, onde ficaremos quase um mês”, conta Brandt.
Galileu.com

Satélite europeu encontra cratera onde existiu lago sob superfície de gelo da Antártida

O satélite CryoSat, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), encontrou uma vasta cratera sob a superfície de gelo da Antártica. Cientistas acreditam que ela se formou depois da drenagem de um lago, a uma distância de três quilômetros da crosta de gelo.
Embaixo desta grossa camada que cobre Antártica, existem lagos de água fresca sem conexão direta com o oceano. Estes lagos são de grande interesse para cientistas que estão tentando entender o transporte de água e a dinâmica do gelo sob a superfície congelada da Antártica, mas esta informação não é fácil de obter, afirma a ESA.
O método consiste em perfurar quilômetros de gelo até a água, um esforço bastante difícil nas duras condições das regiões polares. Mas em vez de olhar para baixo em direção ao gelo, a equipe de cientistas olha para o céu para melhorar sua compreensão sobre a água subglacial e sua forma de transporte.
Combinando novas medidas obtidas pelo CryoSat com informações anteriores do satélite ICESat, da Agência Espacial norte-americana (Nasa, na sigla em inglês), a equipe mapeou a grande cratera deixada pelo lago e também determinou a quantidade de água contida.
De 2007 a 2008, seis quilômetros cúbicos de água - algo parecido com o Lago Ness, da Escócia, que tem cerca de 37 quilômetros de comprimento, área de 56,4 km² e profundidade máxima de 226 metros - foram drenados do lago, tornando-se o maior evento do tipo já registrado.
A quantidade de água é igual a um décimo do derretimento que ocorre sob a Antártica anualmente. Desde o fim de 2008, o lago parece estar sendo reabastecido, mas numa velocidade seis vezes menor do que a da drenagem. Com isso, ele poderia levar década para o reabastecimento total.
O estudo, publicado no periódico “Geophysical Research Letters”, ressalta a capacidade do CryoSat de mapear as mudanças dos lagos subglaciais da Antártica em 3D.
“Graças ao CryoSat podemos ver bem os detalhes que não eram aparentes em satélites mais antigos”, afirmou em nota Malcolm McMillan, da Universidade de Leeds e autor da pesquisa.
Com o estudo de lagos subglaciais, a esperança é encontrar vida marinha pré-histórica. Embora o recente esvaziamento e posterior reabastecimento do lago sugere que não é a primeira vez que isto tenha ocorrido. Cerca de 400 lagos foram descobertos na Antártica.

Foguete russo carregado de satélites explode após decolagem

Um foguete russo Protón que colocaria três satélites em órbita caiu nesta terça-feira (2) a 2,5 quilômetros da base de Baikonur, no Cazaquistão, 16 segundos após seu lançamento, segundo informações da agência russa "Interfax".
Nos primeiros segundos de voo, o foguete desviou sua trajetória e caiu no território da base sem que houvesse vítimas. Segundo especialistas, um dos motores do foguete parou de funcionar, provocando o acidente.
O foguete levava três satélites Glonass-M que seriam colocados em órbita para formar o sistema de posicionamento russo GLONASS, análogo ao GPS que pertence aos Estados Unidos. Assista ao momento da queda aqui.
Segundo estimativas de especialistas espaciais, os prejuízos com a queda podem ser avaliados em cerca de US$ 200 milhões.
O foguete transportava 600 toneladas de heptilo, de amilo e de querosene, segundo Talgat Mussabaiev. Para peritos, a nuvem tóxica pode causar danos à saúde de moradores da região, que foram instruídos a manter suas casas fechadas.
A direção do Centro Khrunitchev, que projeta os foguetes Proton, minimizou os riscos de contaminação. "Chovia no momento da explosão. Isso reduziu consideravelmente a área de poluição. A nuvem de poluição está praticamente dispersa", disse o diretor do centro, Alexandre Seliverstov.
Não é a primeira vez que a Rússia perde três satélites Glonass-M em um lançamento. No dia 5 de dezembro 2010, três equipamentos dessa série caíram no oceano Pacífico.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Anúncio de que "deixamos" o Sistema Solar pode ocorrer no Rio de Janeiro

Pela primeira vez na história, um objeto feito pelo homem vai romper a fronteira do Sistema Solar: a nave Voyager, lançada em 1977, já pode ter ultrapassado a zona de influência do campo magnético do Sol. E a expectativa é que esse anúncio, um novo marco para a ciência, seja feito nesta semana no Rio de Janeiro.
A cidade está recebendo cerca de mil pesquisadores da área de física de partículas, um campo muito específico da ciência, para um dos mais importantes encontros da área, a Conferência Internacional de Raios Cósmicos (ICRC), que pela primeira vez ocorre na América do Sul. Além desse anúncio, também são esperados os mais recentes resultados na pesquisa com neutrinos, partículas de energia que transitam milhões de quilômetros pelo universo.
A presença desses neutrinos, partículas que atravessam praticamente qualquer coisa, só foi confirmada com a montagem de um equipamento gigantesco enterrado no solo antártico. O chamado IceCube, cubo de gelo, em português, é um projeto internacional colaborativo que custou US$ 270 milhões.
São mais de 5 mil sensores esféricos de luz, ligados por cabo, formando 86 colares verticais sob o gelo do polo sul, a cerca de 1,5 quilômetro de profundidade. Essa espécie de cubo filamentoso consegue medir a energia dos neutrinos que a atravessam, descartar as incontáveis partículas que chegam a partir do Sol, e medir a energia daquelas que podem ter origem em estrelas de outros sistemas.
Aliás, se outras estrelas enviam partículas que chegam à Terra, chegou a hora de serem estudadas mais de perto. A Voyager vai ser o primeiro equipamento terrestre a medir o valor do campo magnético das estrelas mais próximas ao Sistema Solar ao entrar no espaço profundo. Isso porque, o campo magnético solar – a heliosfera – funciona como um escudo que protege os planetas do sistema do bombardeio de partículas cósmicas ultraenergéticas. Sem essa influência, a nave poderá captar dados completamente novos.
Um dos coordenadores da conferência, o pesquisador Ronald Cintra Shellard, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, lembra que a nave está em operação há 36 anos, com sistemas de computador da década de 70. Ela voa movida a baterias de plutônio, em uma região em que o Sol não passa de um ponto de luz no céu e onde os painéis fotovoltaicos não têm qualquer serventia.
Após percorrer cerca de 19 bilhões de quilômetros – quase 125 vezes a distância da Terra ao Sol – é difícil precisar se a nave já atravessou essa fronteira ou se navega pela zona limítrofe. A certeza quanto à posição e aos resultados mais recentes dessa viagem sem volta serão apresentados no Rio pelo pesquisador Ed Stone, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), que dedicou sua vida a acompanhar a jornada da Voayager.
Física no dia a dia
Se as aplicações imediatas desse tipo de pesquisa podem parecer distantes, Shellard explica que a história da física quase sempre foi assim. "Quando você está buscando coisas para as quais você não tem instrumentos, precisa desenvolver novos equipamentos para medir, para observar, para verificar. Precisa desenvolver tecnologias e elas sempre têm impactos que são completamente inesperados", explica. Ele cita a descoberta do laser como exemplo. "No começo, ninguém sabia para que serviria", compara.
Outra descoberta que garantiu efeitos muito práticos envolveu o trabalho de brasileiros no Observatório Pierre Auger, na Argentina. No centro de pesquisa, um dos berços da física brasileira de partículas desde a década de 50, uma espécie de plástico era usada para refletir a radiação de partículas cósmicas em um tanque de 12 toneladas de água. O material era importado dos Estados Unidos, e os pesquisadores buscavam um fornecedor no Brasil.
Em parceria com químicos, identificaram que o material absorvia luz e tinha sua refletividade melhorada com a adição de sulfato de bário. Na prática, o resultado não atingiu os níveis desejados para a substituição das peças importadas, mas a empresa que fez a pesquisa acabou adotando a nova mistura para colocar no mercado lonas para caminhões e toldos mais resistentes ao Sol.
O maior enigma do universo
"Trabalhar com ciência mexe sempre com essa coisa da curiosidade humana", avalia Shellard. Por isso mesmo, outros assuntos da agenda da conferência devem despertar a curiosidade até mesmo de quem não faz parte dessa comunidade tão específica.
Outro desses momentos deve ser a apresentação do físico Samuel Ting, prêmio Nobel de física em 1976. Ele lidera as pesquisas com o Espectrômetro Magnético Alfa (MAS, na sigal em inglês), um equipamento de US$ 2 bilhões instalado a bordo da Estação Espacial Internacional e que promete dar pistas na solução de um dos maiores enigmas do universo: a matéria escura.
O AMS já mediu bilhões de núcleos atômicos e partículas e pode ajudar a ampliar as fronteiras, uma vez que apenas 5% do universo têm sua constituição conhecida. Os físicos dividem os outros 95% em matéria escura (25%) e energia escura (70%). "Mesmo que os resultados não sejam conclusivos, a concepção do equipamento em si já é de um engenho tecnológico fantástico", enfatiza Shellard. Esta vai ser a primeira vez que o tema será tratado dentro da programação da ICRC.
Para englobar essas novas especificidades, um novo subtítulo foi adotado este ano: A Conferência da Física e de Astropartículas. A programação começa nesta terça-feira e segue até o dia 9 de junho com cerca de 300 palestras, apresentações de trabalhos, além da entrega de prêmios para pesquisas de destaque no campo das partículas. As atividades serão no Centro de Convenções Sul América, no Rio de Janeiro.

Frase


Veja como algumas cidades do mundo estão se preparando para o aquecimento global

De Bangkok a Miami, cidades e zonas costeiras em todo o mundo já estão construindo ou planejando defesas para proteger milhões de pessoas e serviços de infraestrutura importantes de grandes tempestades poderosas e dos outros efeitos do aquecimento global. Algumas estão planejando cidades que simplesmente se adaptam a um eventual maior nível do ar.             
Os lugares mais vulneráveis ​​são aqueles com menos recursos para construir tais defesas, garantir os próprios suprimentos de água ou mover as pessoas para lugares mais altos. Como pagar por tais medidas é uma questão urgente, que não sai da pauta das reuniões climáticas anuais convocadas pela ONU.
Rotterdam, Holanda. Em um país onde dois terços da população vive abaixo do nível do mar, a batalha contra o mar tem sido, por séculos, um assunto de vida ou morte.
O governo holandês dedica cerca de 1% do orçamento anual para o complexo sistema de diques, dunas e paredões. Melhorias para lidar apenas com os efeitos das mudanças climáticas têm sido realizadas desde 2003 - embora o planejamento tenha começado bem antes disso.
O foco no século 20 era uma série de espetaculares defesas marítimas, incluindo aço maciço e barreiras de concreto que podem ser rapidamente transferidas para proteger contra tempestades.
             
Mas as técnicas atuais abraçam uma filosofia de "viver com a água": as inundações são inevitáveis, e é melhor se preparar para elas do que construir diques cada vez mais elevados que podem, catastroficamente, falhar.
Milhares de hidrovias estão sendo conectadas, assim o país pode efetivamente funcionar como uma grande esponja e absorver fluxos repentinos de água. Algumas áreas foram designadas como zonas de inundação. Casas que podem flutuar têm sido uma sensação no ramo da construção.
Ao longo da costa, o país vem depositando enormes quantidades de areia em locais estratégicos em alto mar e permitindo o movimento natural das ondas para fortalecer dunas de defesa.
Veneza, Itália. A elevação do nível do mar é uma preocupação especial nesta cidade inundável. Um sistema caro – e muitas vezes adiado – está em processo de construção. Ele é composto de barreiras submarinas, que serão levantadas em caso de enchentes de mais de 1,10 metros, superior aos 80 centímetros que muitas vezes inunda a famosa Praça de São Marcos.
Veneza é um conjunto de ilhas construídas em uma lagoa rasa, e é extremamente vulnerável à elevação dos mares, porque o fundo do mar também está afundando.   
A inundação constante coloca ​​tesouros arquitetônicos consideráveis da cidade em risco. Veneza passou por 10 eventos com mais de 1,40 metros de água desde 1950, incluindo uma inundação devastadora em 1966. Os planos para as novas barreiras vai custar mais de quatro bilhões de euros. A primeira delas foi instalada recentemente, mas muitos habitantes da cidade permanecem céticos em relação ao projeto, devido ao alto custo e às preocupações sobre os riscos ambientais.
Londres, Reino Unido. Capital de baixa altitude de um país eternamente encharcado, a cidade tem sido vulnerável a inundações - especialmente quando tempestades poderosas enviam água do mar em correnteza até o Rio Tâmisa.    
Mas os londrinos já tem uma poderosa defesa contra o dilúvio: A Thames Barrier, com 570 metros de comprimento (mais de meio quilômetro), composta por 10 portões de aço maciço, com cinco andares de altura quando se levanta contra a elevação da água.
Alguns dizem que a Thames Barrier - em funcionamento desde 1982 – deveria ser substituída ou complementada por um sistema de defesa de inundações ainda mais ambicioso, rio abaixo. Mas a Agência Ambiental da Grã-Bretanha disse que essas defesas devem se manter até 2070.
Enquanto isso, os londrinos ambientalmente conscientes fizeram planos para combater alguns dos outros efeitos previstos do aquecimento global, através da promoção de uma melhor gestão da água, ampliando a rede de esgoto vitoriano da cidade e "arborização urbana" - o plantio de árvores e jardins na cobertura que ajudam a controlar o efeito urbano de ilhas de calor.
Miami, Estados Unidos. O sul da Flórida é um daqueles lugares que se mostraram parcialmente sob a água em muitas das projeções sobre os níveis dos mares para este século. Então não é nenhuma surpresa que os líderes locais estão buscando maneiras para se adaptar. Quatro municípios do sul da Flórida, incluindo Miami-Dade, têm colaborado em um plano regional para responder à mudança climática. O objetivo primordial: manter água doce no interior e a água salgada longe.
O primeiro plano de ação prevê mais transporte público, contenção do fluxo de água do mar para que ele não atinja a água doce e a gestão dos ecossistemas únicos da região, para que eles possam se adaptar.
Antes de escrever o plano, os municípios revisaram os dados regionais de nível do mar e projetaram um aumento de 23 a 61 centímetros nos próximos 50 anos, ao longo de um litoral que já tem documentado um aumento de 9 centímetros nos últimos 100 anos.
"A taxa dobrou. Seria hipocrisia, desleixo e irresponsabilidade não reagir a isso", disse o administrador do município de Monroe, Roman Gastesi, que supervisiona o Florida Keys.
Nova York, Estados Unidos. O prefeito Michael Bloomberg anunciou um dos mais ambiciosos planos de defesa da maior cidade dos Estados Unidos, contra as mudanças climáticas. As recomendações vão desde a instalação de muros removíveis contra enchentes no sul de Manhattan até a restauração de pântanos em Jamaica Bay, em Queens, e também desde transformar casas em residências à prova d’água até a definição de normas padrão para provedores de telefonia e internet.
Em Manhattan um sistema removível de colunas e ripas pode ser implantado para formar paredes temporárias contra as cheias. A altura dependerá da elevação do solo e do potencial aumento. Esse sistema é usado ao longo de alguns rios do Centro-Oeste dos Estados Unidos e também na Holanda, disseram as autoridades da cidade.
    
Os projetos também incluem um dique de 15 a 20 pés para proteger parte de Staten Island, a construção de dunas nas praias da cidade, construção de sistemas de barreiras de diques e comportas para impedir que um riacho leve enchentes para o interior, e, possivelmente, a criação de um dique e uma considerável nova "Cidade Portuária" desenvolvida em Manhattan.
Dhaka, Bangladesh. Uma nação de baixa altitude, com 153 milhões de pessoas, Bangladesh é um dos países mais pobres da Ásia, e um dos que enfrenta riscos extremos de elevação do nível do mar. Sua capital, Dhaka, está no topo de uma lista de cidades do mundo consideradas mais vulneráveis ​​às alterações climáticas, de acordo com uma pesquisa recente da empresa de análise de riscos Maplecroft. O Banco Mundial diz que um aumento de 14 centímetros do nível do mar afetará 20 milhões de pessoas que vivem ao longo de 710 quilômetros da costa. Muitas dessas pessoas ficariam desabrigadas.    
Bangladesh está implementando dois grandes projetos no valor de 470 milhões de dólares, que envolvem crescimento das florestas na faixa costeira e construção de mais abrigos de vários andares, para abrigar pessoas depois de ciclones e marés altas. Os países desenvolvidos têm destinado, até agora, 170 mil dólares para o fundo.
"Bangladesh está optando por adaptar-se aos impactos das mudanças climáticas, porque as nações desenvolvidas do mundo não estão fazendo o suficiente necessário para reduzir as emissões de carbono", disse o ministro das Florestas e Meio Ambiente, Hasan Mahmud, em um discurso recente em Dhaka. "Queremos que os doadores contribuam mais com os nossos esforços." 
   Male, Ilhas Maldivas. As Maldivas, uma sofisticada praia-paraíso para os turistas, também se tornou um símbolo dos perigos da mudança climática.
Composta por centenas de ilhas no Oceano Índico, ela é uma das nações mais baixas do mundo, e bastante vulnerável ​​à elevação dos mares.
Alguns cientistas disseram que as Maldivas podem desaparecer dentro de algumas décadas, e o ex-presidente Mohamed Nasheed ainda propôs realocar todos os 350.000 habitantes de outros países.        
Enquanto outros pesquisadores afirmam que esses medos podem ter sido exagerados, o país está tomando medidas para se proteger.
Um paredão foi construído em torno da capital, Male, depois da inundação na década de 1980. Essa parede protegeu a cidade dos piores efeitos do devastador tsunami de 2004, que pôs temporariamente grandes áreas do país debaixo d'água.
Os planos das Maldivas, de adaptação ao clima, visa realocar os moradores de pequenas e vulneráveis ilhas para outras maiores, mais protegidas.
Está também criando novas terras por meio de recuperação de terras, ampliando as ilhas existentes ou construindo novas, para aliviar a superlotação. As terras estão sendo elevadas para melhor suportar a elevação dos mares.
Bangkok, Tailândia. Mesmo antes das consequências das alterações climáticas tornarem-se evidentes, os cientistas estavam alertas de que Bangkok - cujos subúrbios do sul fazem fronteira com o Golfo da Tailândia - estava sob séria ameaça de erosão.
As projeções sobre a elevação do nível do mar mostram que Bangkok pode estar em risco de inundação em 100 anos, a menos que sejam tomadas medidas preventivas. Mas quando a capital e seus arredores foram afetados em 2011 pelas piores inundações em meio século, o estopim foi o escoamento da água do norte, quando as barragens não conseguiram segurar chuvas muito pesadas.
Áreas industriais nos subúrbios da capital e locais de empresas importantes foram devastados. Assim, o foco foi em encontrar uma solução de curto prazo para essa área.
O governo anunciou recentemente as propostas vencedoras, totalizando 290,9 bilhões de baht (9,38 milhões de dólares) por empresas chinesas, sul-coreanas e tailandesas, para executar os sistemas de gestão de enchentes e água, incluindo a construção de reservatórios, caminhos de vazão de água e barreiras.
As soluções para o problema de elevação do nível dos mares ainda estão sendo estudados.
"A construção em si não é sustentável", diz Seree Supratid, diretor de um centro de clima e desastres da Universidade Rangsit. "As pessoas têm de se adaptar à natureza. Por exemplo, você sabe Bangkok será inundada pela elevação dos mares nos próximos 100 anos, então você tem que aprender a construir casas de forma que a enchente não alcance, colocando-a em cima, ou algo do gênero."
Varadero, Cuba. Os oficiais terminaram recentemente um estudo sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre os 5.630 quilômetros da costa da ilha, e as descobertas foram tão alarmantes que ele não compartilharam imediatamente os resultados com o público para não causar pânico.
De acordo com o relatório, que a Associated Press obteve exclusivamente, o aumento dos níveis do mar prejudicaria seriamente 122 cidades cubanas ou mesmo as eliminaria para fora do mapa até 2100. Os cientistas descobriram que quilômetros de praias seriam submersos enquanto as fontes de água doce seriam contaminadas e as lavouras se tornariam inférteis. Ao todo, a água do mar que atingiria até dois quilômetros do interior em áreas de baixa altitude, com oceanos que subiriam quase 85 centímetros.
Esses cálculos assustadores têm estimulado a ação sistêmica em Cuba, a maior ilha do Caribe e um que é fortemente dependente das praias por conta dos turistas europeus e canadenses. Nos últimos meses, os inspetores e equipes de demolição começaram a circular através da ilha, com planos para demolir milhares de casas, restaurantes, hotéis e portos improvisados, ​​em uma corrida para restaurar grande parte da costa em algo próximo de seu estado natural.
Na estância turística de Varadero, o país enfrenta um dilema: derrubar restaurantes e hotéis à beira-mar ameaça milhões de dólares em receitas de turismo anual, enquanto permitir que eles permaneçam ali põe em risco as próprias praias que são a principal atração.
Mbeere, Quênia. Enquanto o aumento do nível do mar ameaça algumas comunidades costeiras na África, o continente enfrenta problemas relacionados com o clima ainda maiores no interior. Os cientistas especializados em estudos do clima projetaram alterações nos padrões de precipitação, que levam a secas prolongadas em algumas áreas e aumento das inundações em outras. Para as comunidades agrícolas de pequena escala, essas mudanças podem ser desastrosas, aumentando ainda mais o estresse para o abastecimento escasso de água.
A adaptação, portanto, está focada em aprender a lidar com as mudanças climáticas, adequando as práticas agrícolas e melhorando os esforços de conservação de água.
No distrito de Mbeere, no Quênia, onde as pessoas dizem que estão percebendo longos períodos de seca, o grupo britânico de caridade Christian Aid está ensinando agricultores para ajudá-los a prever as estações do ano e conhecer melhor o que e quando plantar.
Um sistema de mensagens de texto ajuda os agricultores a obter boletins meteorológicos atualizados e específicos para os locais.
"Nós estamos apoiando-os para acessar e interpretar informações sobre o clima, e ajudá-los a tomar decisões sobre o futuro, de modo que a produção deles seja mais adequada às novas condições previstas", disse Mohamed Adow, da Christian Aid. "Os agricultores vivem da terra e do clima, e pequenas mudanças nos padrões climáticos podem ser um grande desastre para os pequenos agricultores na África, em que os únicos meios de sobrevivência e bem-estar dependem da agricultura.



 

6 razões que tornam um calor de 50°C infernal

Dezenas de internações hospitalares, uma equipe de bombeiros mortos em combate a um incêndio florestal, aeronaves impedidas de voar...A lista de efeitos nocivos da onda de calor que varre o sudoeste dos Estados Unidos assusta. No Vale da Morte, um dos parques país mais extensos, na Califórnia, os termômetros chegaram a marcar 54 graus neste fim de semana, apenas três graus abaixo daquela que foi a temperatura mais alta já registrada no mundo, o que aconteceu também na região há 100 anos.
Temperaturas recordes, que se aproximavam dos 50 graus Celsius, foram registradas em outros dois estados, Nevada e Arizona. A onda de calor, dizem os meteorologistas, é causada por um sistema de alta pressão provocado por uma mudança nas correntes de ar.
Mas, como lembrou Barack Obama durante anúncio da primeira grande estratégia do país contra as mudanças climáticas, “as altas temperaturas são fenômeno cada vez mais frequente nos EUA, com direito a quebra de recordes”. No período entre julho de 2011 e junho de 2012, o país teve os meses mais quentes de sua história, desde que a medição oficial de temperaturas começou, em 1895.
É de matar (de verdade)
Pelo menos um homem morreu e muitas outras pessoas foram hospitalizados por causa da onda de calor. O homem idoso foi encontrado em uma casa sem ar condicionado, segundo o The New York Times. Outras 200 pessoas que assistiam a um concerto ao ar livre precisaram de cuidados médicos, relata o Washington Post.
O calor é um dos principais assassinos relacionadas com o clima nos Estados Unidos, resultando em centenas de mortes a cada ano. A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) dedica atá uma seção especial para o assunto em sua página na internet, com o título autoexplicativo “Calor: um grande assassino”. Para se ter uma ideia, a onda de calor de 1980 matou mais de 1250 pessoas.
Incêndios florestais
Com o calor histórico, os incêndios florestais castigam o sudoeste americano e colocam vidas em perigo. Neste domingo, 19 bombeiros de uma equipe de elite morreram durante combate às labaredas violentas que consumiam uma floresta no estado do Arizona, em uma região conhecida como Yarnell Hill. O fogo, que segue incontrolável, danificou ao menos 200 das 500 residências da área até agora.
Muito quente até para voar
As temperaturas recordes não poupam nem quem pode ficar longe, bem longe do solo. No aeroporto de Bermuda Dunes, em Palm Spring, na Califórnia, todos os voos com aeronaves de pequeno porte foram cancelados no fim de semana, acredite, por causa do calor. “Quando o termômetro marca mais de 40 graus, o ar fica mais fino", explicou o instrutor David Shapiro ao canal The Weather Network. “E quanto mais fino for o ar, menos sustentação para o avião".

O principal risco é relacionado às manobras de decolagem e pouso. Em geral, quanto maior a pista, maiores as chances da aeronave conseguir a sustentação necessária. Projetado para lidar com ondas de calor expcepcionais, o aeroporto internacional de Palm Spring tem o dobro da pista do aeroporto de Bermuda e ainda conta com medidas de alongamento temporário. De toda a forma, por precaução, vários aeroportos do sudoeste americano estão operando com um maior intervalo entre poucos e decolagens.
Mortes nas fronteiras
Se nas cidades, o calor beira o insuportável, no deserto ele pode ser inclemente. Só na última semana, três pessoas que tentavam atravessar clandestinamente a fronteira do México para os Estados Unidos foram encontradas mortas no deserto do Arizona, vítimas das altas temperaturas. Atentas à questão, as autoridades americanas aumentaram a vigilância na região.
Efeitos na saúde

Durante o clima extremamente quente e úmido, a capacidade do corpo refriar-se é afetada. Quando o corpo aquece muito rapidamente ou quando muito líquido ou sal é perdido por desidratação ou sudorese, a temperatura corporal aumenta e as doenças relacionadas com o calor podem se desenvolver. Elas podem variar de simples cãibras e exaustão até insolações mais graves e mesmo causar mortes. A população mais vulnerável é constituída por idosos e doentes sem assistência em ambientes insalubres.
É bom preparar o coração para as mudanças. Segundo um estudo da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), o suor em excesso promove a concentração de colesterol, queda da pressão e deixa o sangue mais denso, condições ideais para o infarto e derrame. Nos estados afetados pelo car nos EUA, as autoridades têm alertado a população para que fique em casa, especialmente os mais velhos, nas horas mais quentes do dia.
Que tal erguer um prédio sob sol a pino?

Se sair de casa nos meses mais quentes e abafados já é difícil, para quem trabalha longe do ar condicionado a realização das tarefas pode ser ainda mais estressante. Quem mais sofre são os trabalhadores de indústrias pesadas, construção civil, exército e agricultura.
Isso porque, à longa lista de fatores que prejudicam a capacidade de trabalho de uma pessoa, o verão adiciona mais um - o “estresse térmico”. Além de afetar a saúde do trabalhador, gerando desânimo e desconforto físico, o estresse térmico também afeta o rendimento. Um estudo publicado na revista científica “Nature Climate Change” sugere que o aumento da temperatura global nos últimos 60 anos reduziu a capacidade de trabalho em 10%.
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