segunda-feira, 7 de julho de 2014

Incêndios ocultos na Amazônia desafiam cientistas

Incêndios rente ao solo são de difícil percepção por satélites (Foto: Doug Morton/BBC)

De seu escritório no Centro Espacial Goddard, da Nasa, Douglas Morton analisa um fenômeno oculto e danoso na Amazônia. São incêndios rente ao solo, de baixa intensidade e expansão lenta - meio metro por minuto - mas capazes de manter suas chamas acesas por semanas e destruir áreas consideráveis de selva.
O fogo de sub-bosque (a área mais próxima ao solo) destruiu mais de 85 mil quilômetros quadrados no sul da Amazônia entre 1999 e 2010, segundo a Nasa, o equivalente a quase duas vezes a área do Espírito Santo.
Estes incêndios são um desafio para Morton e seus colegas da agência espacial dos EUA, porque os satélites, usados para detectar chamas muito maiores e mais destrutivas, não identificam facilmente fogo tão próximo do chão. "A razão por que (os incêndios) são considerados ocultos é que o fogo queima o sub-bosque e a folhagem das árvores bloqueia o sinal do satélite", disse Morton.
Da sede da Nasa no Estado de Maryland, ele combina suas análises remotas com dados recolhidos em visitas a áreas afetadas em países como o Brasil, para onde viaja constantemente.
O uso de satélites Embora os satélites tenham dificuldade para detectar incêndios que ocorrem sob as copas das árvores, Morton depende deles, pois existem áreas da Amazônia que só são acessíveis com ajuda remota.
"(Estes dados) são realmente importantes para estudar a dinâmica do ecossistema da floresta amazônica", disse.
Para evitar as dificuldades impostas pelas restrições dos satélites, Morton e sua equipe estão recorrendo ao que a Nasa descreveu como "técnica inovadora": ao invés de se concentrar em encontrar incêndios ocultos ativos, o que eles fazem é analisar os danos que eles deixam para trás e a recuperação posterior da área.
Assim, por exemplo, foi possível determinar que em épocas de grande atividade de incêndios ocultos, como os de 2005, 2007 e 2010, a área de floresta afetada foi consideravelmente maior do que a área de desmatamento para a agricultura, de acordo com um estudo publicado no ano passado.
A análise também permitiu concluir que os riscos para estes incêndios são particularmente ligados às alterações climáticas: condições específicas de seca, por exemplo, são ideais para estes incêndios se espalharem por grandes áreas.
Por outro lado, os incêndios que estão ligados ao desmatamento, um dos principais problemas na Amazônia, são movidos mais por pressões econômicas, tais como o uso da terra para a agricultura.
"Obviamente, é importante saber onde há incêndios hoje, mas é a informação temporal que nos ajuda a fazer a investigação, a entender como as variações climáticas e as forças econômicas estão mudando os padrões de incêndios", disse.
No ano passado, o governo informou que o desmatamento da Amazônia brasileira aumentou 28% em 12 meses.
Morton tem viajado frequentemente ao Brasil para entender o fenômeno. Sua última viagem à região amazônica foi em 2012, ao Estado do Pará, onde realizou medições na floresta.
Ele diz que o objetivo de suas viagens é vincular o conhecimento local com as observações remotas dos satélites. Assim, espera estudar as variações no uso da terra, as mudanças climáticas e como as pressões econômicas - por exemplo, para a agricultra - estão afetando a atividade dos incêndios.
G1

China cria tribunal ambiental para conter poluição no país

  Policial faz sinal para motoristas na cidade de Harbin, na China, em meio à poluição. (Foto: Reuters/China Daily)

A Suprema Corte chinesa anunciou a criação de um tribunal especial para lidar com casos ambientais, uma medida tomada em um momento em que Pequim faz pressão para impulsionar sua agenda verde diante do descontentamento do público com o aumento da poluição.
Três décadas de uma expansão rápida e desenfreada tiveram um alto preço ambiental para o país e os líderes comunistas têm se preocupado com o número crescente de protestos relacionados com o tema.
Estudos recentes revelaram uma estimativa de que cerca de dois terços do solo chinês estariam contaminados e que 60% da água subterrânea também estariam impróprias para o consumo. Enquanto isso, moradores de cidades como Pequim e Xangai, costumam ser confrontados com níveis perigosos de "smog", neblina misturada à poluição atmosférica.
O primeiro-ministro Li Keqiang anunciou, em março, que Pequim estava "declarando guerra" à poluição e uma série de medidas foi anunciada, mas ainda há questões fora do alcance da lei.
Proteção dos direitos O tribunal, que terá equivalentes locais, receberá casos relativos à poluição do ar, da água e do solo, bem como à proteção de recursos minerais e naturais, como florestas e rios, escreveu em um comunicado Sun Jungong, porta-voz da Suprema Corte do Povo.
Seu estabelecimento "terá um impacto positivo e profundo na proteção dos direitos e interesses ambientais do povo, evitando a deterioração futura do ambiente e melhorando a imagem internacional da China relativa à proteção ambiental".
A medida se seguiu a uma emenda, aprovada em abril, à lei de proteção ambiental chinesa - a primeira em 25 anos -, que impõe penalidades mais severas e garante que os violadores serão "nomeados e desonrados".
Mas responsabilizar legalmente os poluidores demonstrou ser difícil em um país onde governos locais costumam se concentrar no crescimento motriz. Entre 2011 e 2013, menos de 30 mil casos ambientais foram acolhidos ao ano nas cortes chinesas de uma média anual de 11 milhões de casos, informou Zheng.
G1

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Um país inteiro se prepara para migrar antes de ser engolido pelo oceano

Kiribati desaparecerá em alguns anos. O governo prepara a evacuação de toda a população (Foto: Divulgação/ Governo da República de Kiribati)

Kiribati é um verdadeiro paraíso natural no meio do Pacífico. O lugar é famoso também por estar sempre à frente do resto da humanidade: muito ao leste, em Kiribati o ano novo chega mais cedo, por causa do fuso-horário. Antes de se render ao impulso de fazer as malas e mudar-se para lá, saiba: Kiribati vai desaparecer. Dentro de 20 ou 85 anos (os cálculos variam) a ilha-nação será engolida pelo mar, à medida que o aquecimento global faz subir o nível do oceano. Para abrigar sua população, o governo do país recorreu a uma solução pouco ortodoxa: nesta semana, efetivou a compra de um pedaço de Fiji. Quando Kiribati desaparecer, sua população inteira vai migrar para o terreno comprado no país vizinho.
A ilha adquiriu 20 quilômetro quadrados de floresta para o caso de ter de evacuar seus 103 mil moradores. O terreno foi comprado da Igreja Anglicana por US$8, 8 milhões.  Por enquanto, o governo de Kiribati pretende usar o território para agricultura. “Esperamos não ter de colocar todo mundo nesse pedaço de terra. Mas, se for absolutamente necessário, podemos fazer isso” disse o presidente Anote Tong à agência de notícias Associated Press em 2012, quando as negociações começaram. O governo da ilha ainda precisa discutir com as autoridades em Fiji o que elas acham do plano de migração em massa.
A situação é urgente para Kiribati. O nível do mar ao redor de seus 32 atóis sobe uma média de  1,2 centímetros por ano – 4 vezes mais rápido do que  a média mundial. De acordo com Tong, moradores de alguns vilarejos já começaram a migrar e a água do mar contaminou parte dos lençóis freáticos das ilhas.  A maré que sobe salga as terras cultiváveis do país, dificultando a produção de alimentos. Destrói casas e lojas. O aquecimento global também matou os corais próximos às ilhas. Ao morrer, eles deixaram o ecossistema mais pobre. Os peixes foram desaparecendo.  A situação é tão ruim que alguns cidadãos de Kiribati já fizeram pedido de asilo na Nova Zelândia.

Os moradores de Kiribati, a procura de um novo lar, fazem parte de uma nova categoria de migrantes: os refugiados climáticos. Eles ainda são poucos, mas devem aumentar nas próximas décadas. Estimativas atuais avaliam que devem chegar a ser 700 milhões até 2050.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Superbanana pode ajudar a combater desnutrição na África

Bananas


Uma banana com DNA modificado pode ajudar a combater a carência de vitamina A na África. Desenvolvida por cientistas australianos, a fruta está em fase de teste nos EUA.
A chamada superbanana contém mais betacaroteno. Presente na laranja e na cenoura, esta subtância ajuda o corpo a produzir vitamina A, nutriente importante para funções como a visão e o desenvolvimento dos ossos.
De acordo com os cientistas, a nova fruta é capaz de aumentar em até 10 vezes o potencial da banana de estimular a produção de betacaroteno pelo corpo. Resultado de nove anos de pesquisa, o potencial desuperbanana vem animando os pesquisadores.
"Cerca de 15 a 30 por cento da população de Uganda formada por crianças com menos de cinco anos e mulheres em idade fértil sofrem de carência de vitamina A", afirma Jack Dale, cientista da Universidade australiana de Queensland.
Uganda e bananas
De acordo com Scientific American, a fruta geneticamente modifica cairia como uma luva nos hábitos alimentares de Uganda, país localizado no leste da África. Lá, cerca de 30% das calorias ingeridas diariamente pelas pessoas vêm das bananas.
Em média, quem vive em Uganda come de 3 a 11 bananas por dia. Em um ano, isso pode representar a ingestão de mais de 360 quilos de fruta. Até o termo usado na língua local para comida (matooke) vem de um prato feito à base de banana.
"A banana representa para quem é de Uganda o que a batata significa para quem é da América ou o arroz representa para quem é do Leste Asiático", afirma Dale. Ou seja, a fruta é um item essencial na dieta daquele país.
Entretanto, a superbanana ainda deve demorar um tempo até chegar às mesas de Uganda e outros lugares do mundo. Isso porque a maioria das legislações ainda não permite a liberação imediata para consumo de alimentos geneticamente modificados.
Exame.com

Rocha espacial recém-descoberta poderia explicar a diversidade de vida na Terra





Pesquisadores na Suécia encontraram uma nova classe de meteoritos. E essa descoberta, publicada na revista especializada Earth and Planetary Science Letters, pode explicar a diversificação de vida na Terra que se iniciou há 500 milhões de anos. Em outras palavras, poderia indicar por que, hoje, temos espécies tão distintas de animais, plantas e outras criaturas.
O meteorito foi encontrado em um terreno próximo à Estocolmo - uma área em que descobertas do tipo são comuns, já que mais de 100 fragmentos foram encontrados lá só nos últimos 20 anos. Mas todos os meteoritos encontrados por lá eram de uma classe comum, o Condrito de tipo L.
Esses condritos caíram na Terra e causaram o tipo de "destruição" suficiente para estimular a evolução de animais e plantas e criar novas espécies. Mas a chuva de meteoros responsável só foi teria sido provocada por uma colisão de um asteroide grande com um pequeno. E, enquanto os condritos são pertencentes a esse grande asteroide, traços do asteroide menor nunca foram encontrados - até agora.
O meteorito recém-descoberto seria justamente um fragmento desse corpo celeste de composição misteriosa. Para isso ser provado definitivamente, cientistas precisarão verificar se ele não se encaixa em nenhuma classe conhecida de asteroides. Se a resposta for negativa, teremos encontrado prova dessa teoria e a explicação para bichos como estes.
Galileu.com

terça-feira, 1 de julho de 2014

Frase


Foto

Estudo com rãs pode ajudar a tornar possíveis viagens espaciais mais longas

Cyclorana alboguttata, rã que hiberna

Uma pequena rã pode ajudar o homem na exploração espacial. Capaz de hibernar por meses sem sofrer nenhum dano muscular, a Cyclorana alboguttata está sendo estudada como um modelo para um grande desafio dos astronautas: preservar os músculos mesmo na gravidade zero. A questão precisa ser superada para que seja possível chegar a pontos mais distantes do Universo, como Marte. A pesquisa, que será apresentada nesta terça-feira, no encontro anual da Sociedade de Biologia Experimental, na Universidade de Manchester, Grã-Bretanha, também pode ajudar a prevenir a deterioração muscular em pacientes acamados.
No espaço, a ausência de gravidade faz com que o nosso organismo precise de menos contração muscular para se sustentar e se mover, devido à redução do peso que ocorre nesses ambientes. Na Terra, ao contrário, alguns músculos são constantemente utilizados para nos sustentar contra a força da gravidade. De acordo com a Nasa, estudos mostram que os astronautas podem perder até 20% de massa muscular em voos espaciais que duram de 5 a 11 dias. Para amenizar os danos durantes missões espaciais e garantir que os astronautas possam recuperar os músculos ao retornar, eles precisam praticar exercícios intensos diariamente, além de ter uma dieta adequada. Na Estação Espacial Internacional, por exemplo, os tripulantes passam duas horas e meia por dia se exercitando.
Na Terra, a maior parte dos mamíferos, inclusive humanos, perde massa muscular quando fica inativo por um longo período. Porém, alguns animais conseguem se manter adormecidos por meses e quase não sofrer danos. Um exemplo disso é a rã Cyclorana, encontrada na Austrália. Quando as fontes de alimento são escassas, esses animais entram debaixo da terra e se envolvem em um casulo de pele morta. Em cativeiro, elas já permaneceram assim por nove meses, mas há relatos de que elas podem ficar ainda mais tempo hibernando na natureza.
“Se nós conseguirmos entender os caminhos de sinalização das células que conferem resistência à perda muscular, eles poderiam ser úteis para estudar atrofia muscular em mamíferos”, afirma Beau Reilly, biólogo e principal autor do estudo, realizado na Universidade de Queensland, na Austrália. Um dos genes identificados, relacionado a essa capacidade da rã, parece ter a função de proteger as células de um mecanismo “suicida” que normalmente remove células danificadas. Já outro regula a divisão celular e reparação do DNA. 
Ação antioxidante — Nos mamíferos, músculos inativos podem ser danificados por moléculas denominadas Espécies Reativas de Oxigênio (ROS, na sigla em inglês), capazes de degradar proteínas, fazendo com que os músculos se desgastem. Já os anfíbios sem cauda parecem sofrer menos com a ação das ROS. Para Reilly, isso pode ocorrer devido aos níveis elevados de antioxidantes protetores que esses animais possuem. Resultados semelhantes foram encontrados em mamíferos que hibernam, como esquilos.
Veja.com

Estudo encontra poluição de plástico em 88% da superfície dos mares

 Foto de 2008 mostra detritos na Baía de Hanauma, no Havaí (Foto: AP Photo/NOAA Pacific Islands Fisheries Science Center)

Até 88% da superfície dos oceanos do mundo está contaminada com lixo plástico, elevando a preocupação com os efeitos sobre a vida marinha e a cadeia alimentar, afirmaram cientistas nesta segunda-feira (30).
Os produtos plásticos produzidos em massa para brinquedos, sacolas, embalagens de alimentos e utensílios chegam aos mares arrastados pela água da chuva, um problema que deve piorar nas próximas décadas.
As descobertas, publicadas no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences" ("PNAS"), se baseiam em mais de 3 mil amostras oceânicas, coletadas ao redor do mundo por uma expedição científica em 2010.
"As correntes oceânicas carregam objetos plásticos, que se partem em fragmentos menores, devido à radiação solar", disse o diretor das pesquisas, Andrés Cozar, da Universidade de Cádiz, na Espanha.
"Estes pequenos pedaços de plástico, conhecidos como microplásticos, podem durar centenas de anos e foram detectados em 88% da superfície oceânica analisada durante a Expedição Malaspina 2010", acrescentou.
Os cientistas avaliaram que a quantidade total de plástico nos oceanos do mundo - entre 10 mil e 40 mil toneladas - atualmente é menor do que as estimativas anteriores. No entanto, levantaram novas preocupações sobre o destino de tanto plástico, particularmente os pedaços menores.
O estudo revelou que os fragmentos de plástico, "entre alguns mícrons e alguns milímetros de tamanho, são sub-representados em amostras da superfície do mar".
Mais pesquisas são necessárias para descobrir aonde estas partículas vão e quais os efeitos que têm na vida marinha.
"Estes microplásticos têm influência no comportamento e na cadeia alimentar de organismos marinhos", disse Cozar. "Mas provavelmente, a maioria dos impactos relacionada à poluição do plástico nos oceanos não é conhecida", concluiu.
G1

No Chile, cientistas confirmam e divulgam imagens de OVNI

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Cientistas do Centro de Estudos de Fenômenos Aéreos Anômalos (CEFAA), vinculado à direção geral de Aeronáutica Civil do Chile, concluíram que uma observação de abril de 2013 é mesmo de um objeto voador não identificado (Ovni), e divulgaram, nesta terça-feira, as imagens do objeto.
Após um ano de análise com cientistas de alto nível, "que geralmente são muito céticos", o órgão concluiu que a observação de abril de 2013 no norte do Chile se tratava de "um Objeto Voador Não Identificado (Ovni), pois não se parece com nada conhecido", explicou hoje à Agência Efe Ricardo Bermúdez, diretor do CEFAA.
O titular do CEFAA, único órgão do tipo no mundo, negou que se trate de uma "desclassificação" da imagem porque, afirmou: "nós não temos segredos".
Nesta matéria "ninguém é dono da verdade, por isso optamos por compartilhar a informação que temos, não ocultá-la", explicou Bermúdez, que ressaltou que o Chile, "é o único país onde existe total transparência" no que se refere aos Óvnis.
Segundo ele astrônomos, químicos, universidades, Forças Armadas e polícia também participam da análise de testemunhos e imagens, que "na maioria das vezes resultam ser aves, globos aerostáticos, sondas ou outro tipo de objetos sem mistério", detalhou.
Neste caso, 35 trabalhadores e profissionais da mina Collahuasi, situada a 4.300 metros acima do nível do mar, na região de Tarapacá, viram e fotografaram um disco prateado que se manteve visível por cerca duas horas, a cerca de 600 metros de altitude, em um dia absolutamente limpo, sem nenhuma nuvem no céu, em meados de abril de 2013.
"Era um disco prateado, de uns dez metros de diâmetro, que fez deslocamentos verticais e horizontais que nenhum avião pode realizar, mas que parecia seguir um plano de voo predeterminado", explicou Bermúdez.
O objeto passou a fazer parte dos 3% de visualizações registradas no Chile desde 1998 que foram reconhecidos oficialmente como OVNIS.

domingo, 29 de junho de 2014

Alerta mundial para o misterioso desaparecimento das abelhas



Já se passaram 20 anos desde que um grupo de agricultores franceses chamou a atenção pela primeira vez sobre um fenômeno insólito: o despovoamento das colmeias por causa do desaparecimento das abelhas, de cuja polinização depende grande parte da produção mundial de alimentos. Logo se comprovou que o fenômeno era global, ao menos nos países com uma agricultura muito desenvolvida, e uma série de investigações tentou determinar as causas, com resultados frequentemente díspares ou contraditórios. A morte das abelhas se deve às monoculturas ou ao aquecimento global? A vírus, bactérias, fungos, parasitas como o Nosema ceranae? Ou a pesticidas como os neonicotinoides, que começaram a ser usados exatamente há duas décadas? Embora pareçam existir tantas opiniões quanto peritos nesse campo, é possível que todos tenham uma parte de razão.
Enquanto isso, o fenômeno só tem piorado – os apicultores denunciam perdas mais graves ano após ano – e a única boa notícia nesse terreno só surgiu muito recentemente. Com característica lentidão, mas louvável preocupação, as Administrações, incluindo as da União Europeia (que no ano passado proibiu vários pesticidas) e dos EUA (que aprovou um orçamento extraordinário para investigar o fenômeno) tomaram consciência do problema e puseram mãos à obra.
A gravidade da situação e a demora e ineficácia das medidas paliativas provocam uma pergunta que já não pode ser considerada absurda: como seria um mundo sem abelhas? “Se tivéssemos de depender de uma agricultura sem polinizadores, estaríamos preparados”, afirma o subdiretor-geral de Saúde e Higiene Animal do Ministério de Agricultura da Espanha,Lucio Carbajo. Nem todos os cultivos desapareceriam, porque há aqueles que se podem administrar de outras formas (como autopolinização e polinização por pássaros), mas todas as fontes coincidem que a perda de diversidade e de qualidade alimentar seria enorme. Além disso, os mesmos fatores que atacam as colmeias afetam também os polinizadores silvestres, como o zangão, o besouro e as vespas, de modo que as perdas afetariam não só a produção agrícola, mas também – e possivelmente de forma ainda mais crucial – os ecossistemas naturais e o meio ambiente em geral. As abelhas, as flores e os frutos evoluíram juntos há dezenas de milhões de anos, e não se pode destruir um sem destroçar os outros.
O Laboratório de Referência da UE para a Saúde das Abelhas, com sede em Anses, na França, publicou em abril os resultados do primeiro programa de vigilância do despovoamento das colmeias em 17 países europeus. Os dados, baseados no estudo de mais de 30.000 colmeias durante 2012 e 2013 e das práticas agrícolas e agentes patogênicos mais daninhos, mostram índices de mortalidade invernal muito variáveis entre países (entre 3,5% e 33,6%). Em geral, a situação é menos grave na Espanha e em outros países mediterrâneos (menos de 10%) do que no norte do continente (mais de 20%). As cifras contradizem as do setorapícola espanhol, que denuncia taxas de mortalidade entre 20% e 40%, em mais um exemplo de como é difícil padronizar os critérios e as metodologias nessa área.
O peso dos possíveis fatores de risco, como o manejo das colônias, o uso de pesticidas e os agentes patogênicos, é variável e complexo. Tanto o relatório europeu como as demais fontes coincidem em que as causas da mortalidade das abelhas são múltiplas. Também assinalam, entretanto, que certos fatores podem ser mais fáceis de abordar que outros. Os pesticidas mais daninhos, por exemplo, podem ser proibidos ou restringidos, como a UE já fez com quatro deles. Por outro lado, e como é natural, os principais produtores de pesticidas – Bayer, Syngenta e Basf – não aceitam que haja evidências sólidas de que seus produtos sejam a causa do problema. E, de forma mais significativa, algumas fontes científicas coincidem com eles.
“Os pesticidas neonicotinoides, como os proibidos pela UE, não são os mais detectados nas colmeias, pelo menos não de forma crônica”, assegura Mariano Higes, do Centro Regional Apícola de Marchamalo, em Guadalajara. “Podem ser um problema em monoculturas muito grandes, mas afetam principalmente os polinizadores silvestres, como os besouros, não as colmeias de abelhas.” Higes aceita, entretanto, que restringir esses produtos pode ser útil para os ecossistemas, embora não para a agricultura.
E o cúmulo, segundo uma pesquisa dirigida por Tom Breeze, do Centro de Investigação Agroambiental da Universidade de Reading, publicadaeste ano na PLoS ONE, é que são as próprias políticas agrícolas europeias que estão agravando o problema: ao promover as grandes monoculturas, elas estão produzindo um crescente desajuste entre as necessidades de polinização e a disponibilidade de colmeias em todas as regiões do continente. Todos esses cultivos precisam de abelhas, mas os apicultores não conseguem reproduzir tanto as colmeias, e por isso o cultivo acaba rendendo menos. O resultado dessa investigação chama ainda mais a atenção pelo fato de que o trabalho foi financiado pela mesma UE que é objeto de suas críticas.
“As políticas agrícolas e de biocombustíveis europeias estimularam um grande crescimento das áreas cultivadas que precisam de polinização por insetos”, explicam Breeze e seus colegas, que estenderam seu estudo a todo o continente. Entre 2005 e 2010, por exemplo, o número requerido de abelhas melíferas cresceu cinco vezes mais rápido que a existência desses insetos. Em consequência, mais de 90% da demanda não pôde ser satisfeita em 22 países da UE. “Nossos dados alertam sobre a capacidade de muitos países para suportar perdas importantes de insetos polinizadores silvestres”, conclui Breeze.
Esses polinizadores silvestres – principalmente as 250 espécies de besouros existentes – são a outra metade da história. Seria possível pensar que, em um mundo sem abelhas, a tarefa de polinizar os cultivos pudesse ser assumida por esses outros insetos, que, de fato, são hoje os que polinizam a maior parte dos cultivos básicos para a alimentação mundial: a ação dos besouros (do gênero Bombus) produz o dobro de frutos que a devida à apicultura convencional com abelhas (do gêneroApis).
No entanto, uma recente investigação do Matthias Fürst e seus colegas da Royal Holloway University de Londres, publicado na Nature, desinflou essa expectativa ao mostrar que dois dos grandes agentes patogênicos das colmeias, o vírus das asas disformes (DWV) e o fungo Nosema ceranae, já se estenderam para os polinizadores naturais. Esses agentes infecciosos não só se mostraram capazes de transmitir-se do gênero Apis para oBombus em experimentos controlados de laboratório, como já contagiaram besouros na natureza, segundo os estudos de campo desses cientistas na Grã-Bretanha e na Ilha de Man. Cabe temer, portanto, que os polinizadores silvestres logo estejam tão ameaçados como suas colegas domésticas.
A identificação do Nosema como uma das grandes causas do Despovoamento das colmeias se deve a Higes, o principal investigador espanhol nessa área. “O papel dos agentes patogênicos e, sobretudo, doNosema ceranae segue sem ser compreendido”, reconhece Higes, cujo laboratório leva dez anos investigando esse microsporídio. “Muitos de meus colegas projetam experiências errôneas e extraem conclusões que não são inteiramente corretas; é uma pena, mas dez anos depois continua existindo uma nebulosa no conhecimento.” Como se vê, a investigação sobre a morte das abelhas está recheada de conflitos.
Essa é uma das razões pelas quais grupos ecologistas como o Greenpeace não só elogiam as restrições europeias a quatro pesticidas neonicotinoides, como também proponham estender a proibição a outros 319 compostos que consideram daninhos. “Não há dúvida de que a mortalidade nas colmeias tem múltiplas causas”, diz Luis Ferreirim, do Greenpeace. “Mas, se eu tivesse de estabelecer uma hierarquia, o primeiro fator seriam os inseticidas, que são feitos precisamente para matar insetos, como as abelhas.” O ecologista lembra ainda que os herbicidas também são daninhos, pois acabam com as flores que fornecem o principal alimento para as abelhas. “Além disso, contra os pesticidas se pode atuar com mais eficácia e rapidez, enquanto atacar vírus, bactérias, fungos e outros parasitas é muito difícil”, assinala Ferreirim. “E não podemos esquecer que os parasitas estão mais restritos às abelhas, enquanto os pesticidas afetam também os besouros e outros polinizadores naturais que também é preciso proteger.”
Um mundo sem abelhas seria também um mundo sem besouros, e talvez sem flores, pois as abelhas e as flores evoluíram juntas e são as duas caras da mesma moeda de um ponto de vista ecossistêmico. Um mundo triste e monótono como uma cidade fantasma, um pesadelo estéril a apenas um passo do nada. A ciência está mobilizada. A inteligência política deve seguir em sua esteira.

Nasa testa lançamento de disco voador

Veículo em forma de disco voador foi carregado por balão de hélio

Depois de vários atrasos por conta do clima, a Nasa lançou neste sábado na atmosfera da Terra um veículo em formado de disco voador carregado por um balão de hélio. O procedimento faz parte de um teste da tecnologia que pode ser usada para pousar em Marte. Desde que um par de sondas espaciais do programa Viking pousou no planeta vermelho em 1976, a Nasa vinha trabalhando com o mesmo design.
O voo experimental de 150 milhões de dólares testa um novo veículo e uma espécie de "paraquedas gigante" desenhado para permitir o pouso de veículos espaciais mais pesados e, eventualmente, transportar astronautas. Espectadores pelo mundo puderam acompanhar partes da missão por meio de uma transmissão por internet em tempo real. Câmeras a bordo do veículo fazem imagens em baixa resolução.
A decolagem ocorreu às 11h40, na ilha havaiana de Kauai, de onde o balão impulsionou o veículo para a região do Pacífico. O motor de foguete deve ser acionado, carregando o veículo para 55 quilômetros de altura em velocidade supersônica. O ambiente a esta altura é similar ao da fina atmosfera marciana. Na volta para a Terra, um tubo ao redor do equipamento deve expandir para desacelerá-lo e permitir o pouso no oceano.
O teste havia sido adiado seis vezes por conta de ventos fortes. Ventos precisam estar calmos para que o balão não seja carregado para zonas em que voos não são permitidos. Engenheiros planejam analisar as informações e conduzir vários outros voos antes de levar a tecnologia para uma missão a Marte. "Queremos testá-los onde é mais barato para termos certeza de que eles funcionarão lá", disse o gerente do projeto, Mark Adler.
Veja.com

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Astrônomos encontram "diamante espacial" do tamanho da Terra

A anã-branca orbita um pulsar (Foto: reprodução)

A 900 anos-luz de distância da Terra, uma anã branca de 11 bilhões de anos esfriou o suficiente para cristalizar. Como é feita, principalmente, de carbono, ela se transformou em um diamante enorme. E quando dizemos enorme, queremos dizer enorme mesmo: ela é do tamanho da Terra.
A estrela-diamante é descrita em um estudo publicado no The Astrophysical Journal e está entre uma das mais frias anãs brancas já encontradas. Ela é tão fria que emite pouquíssima luz e não pode ser vista. Para provar sua presença, os pesquisadores analisaram a forma com que a gravidade do corpo cristalizado perturba ondas de rádio vindas de uma estrela de nêutrons próxima.
Sim, há esse detalhe que torna o sistema ainda mais bacana. O diamante gigante orbita um pulsar (uma estrela de nêutrons que gira rapidamente), chamado PSR J2222-0137. Ou seja, o sistema é um par de estrelas mortas - o pulsar é o resto de uma estrela gigante que acabou virando uma supernova. E a anã branca é o que sobrou de uma estrela que seria parecida com o Sol, até que se contraiu em uma rocha do tamanho da Terra. Se deixadas sozinhas, as anãs brancas esfriam e ficam escuras em um período de bilhões de anos.
O sistema é parecido com outro descrito em 2011, que também continha uma anã branca cristalizada orbitando um pulsar. Mas esse novo diamante é maior.

Desacelerar a percepção do tempo é possível

Desacelerar a percepção do tempo é possível (Foto: Nicole Jordan/flickr/Creative Commons)


Está impressionado sobre como metade do ano já passou? Não entende porquê seu aniversário parece chegar cada vez mais rápido com o tempo? E o Natal então, que bruxaria é essa que passa a impressão de que, quando estamos no dia 25, a última ceia em família aconteceu apenas um mês atrás? Tudo isso tem a ver com a nossa percepção do tempo: segundo teorias psicológicas recentes, a grande responsável pela aceleração de nossas vidas tem um nome – rotina.
O armazenamento da memória humana não funciona como um disco rígido de computador, que salva cada informação, bit por bit. No nosso caso, a memória é socialmente construída, nem tudo é guardado e, mesmo as coisas que mantemos, frequentemente não são fáceis de serem acessadas. Na maioria das vezes, o que fica gravado de um jeito mais forte nas nossas lembranças são as primeiras experiências que temos de alguma situação, aqueles momentos marcantes, intensos, inusitados e novos que parecem fazer com que a hora passe mais devagar.
E é justamente por isso que a rotina faz o tempo voar: quando a vida se resume  a uma interminável repetição das mesmas experiências, não temos porquê guardar estas memórias de uma forma especial, e tudo parece passar por nós como um borrão. A mesma lógica explica o motivo pelo qual a infância segue o caminho oposto – o mundo era inteiro feito de novidades, por isso o ritmo das coisas era bem mais vagaroso.
Confira estas dicas simples para ajudar a desacelerar sua percepção do tempo e aproveitar melhor seu dia a dia:
1. Experimente coisas novas
Não há como negar que a rotina tenha um apelo forte e transmita uma sensação de conforto. No entanto, pequenas mudanças já podem fazer uma grande diferença na forma como apreendemos nosso cotidiano: por que não tentar um trajeto diferente para casa ou para o trabalho? Que tal jantar em um restaurante diferente, ou viajar para um lugar novo? Começar pelos detalhes pode ser um bom caminho.
2. Tente inovar no trabalho
Por ocupar tantas horas do dia, o trabalho merece uma atenção especial. É fácil deixar que a torrente de obrigações te deixe levar, e fazer tudo da mesma forma pode parecer uma boa opção para garantir os resultados esperados. Mesmo que seja difícil, correr riscos é importante: uma postura mais inovadora pode criar situações gratificantes e estimular o envolvimento com seu emprego, além de aumentar o sentimento de auto-satisfação.
3. Conheça pessoas novas
Sabe aquela pessoa que você vê todos os dias, mas com quem nunca trocou sequer uma palavra? Ela poderia se tornar uma grande amiga ou, quem sabe, até mesmo um grande amor. Conhecer histórias de vida e estabelecer novos vínculos possui um grande potencial de gerar momentos estimulantes.
4. Aproveite melhor cada momento
Aqui cabe citar o velho Carpe Diem: focar no momento presente e aproveitá-lo da melhor maneira possível é a chave para extrair o máximo de suas experiências e aprender com elas. Mesmo para as coisas que compõem claramente uma rotina, há uma saída – tente vê-las de um outro ângulo. Prestar mais atenção ao seu redor, tanto no novo quanto no velho, é uma ótima forma de incentivar insights e intensificar seus momentos.
5. Foque no lado bom das coisas
Vale tanto para o passado, quanto para o presente, como para o futuro: valorize mais as boas lembranças vividas, atenha-se ao que te faz sentir mais estimulado, e espere o melhor do seu futuro. Aposte sempre na espontaneidade – nada como atitudes inesperadas para quebrar a rotina.

Contaminação por pesticidas pode causar impacto ambiental "sem precedentes"

Abelhas estão entre os principais afetados pelo uso de pesticidas

Um grande estudo realizado por uma equipe internacional de pesquisadores concluiu que alguns dos tipos de pesticidas mais utilizados atualmente representam uma grande ameaça para os ecossistemas e a biodiversidade. A primeira parte da pesquisa, que será publicada em série, foi divulgada nesta terça-feira no periódico Environmental Science and Pollution Research, com alguns dos principais resultados. Trinta cientistas fizeram parte da iniciativa, que analisou mais 800 artigos publicados nas últimas duas décadas sobre o assunto.
O estudo tem como alvo os neonicotinoides e o fipronil, pesticidas sistêmicos (são absorvidos por todas as partes da planta) que juntos representam cerca de um terço do mercado mundial desse tipo de produto. Seu principal uso é no controle de insetos em plantações, mas eles também são utilizados para afastar pragas em animais e pestes em residências. 
Apesar de os pesticidas serem empregados na agricultura há décadas, os pesquisadores descreveram a situação atual como "sem precedentes", e recomendam que as autoridades intensifiquem a legislação para restringir o uso desses produtos.
Os neonicotinoides ficaram conhecidos pela suspeita de que estariam afetando as abelhas. Ele é apontado como uma das principais causas da síndrome do colapso da colônia (CCD), fenômeno que faz as abelhas literalmente desaparecerem de suas colmeias, o que intriga os pesquisadores. As suspeitas levaram a União Europeia a banir, a partir de julho de 2013, o uso dos neonicotinoides de algumas culturas por um período de dois anos, apesar dos protestos de produtores agrícolas e de multinacionais químicas e agroalimentícias. No Brasil, tanto os neonicotinoides quanto o fipronil são permitidos.
Para Dave Goulson, pesquisador da Universidade de Sussex, na Grã-Bretanha, e um dos autores do estudo, a suspeita se confirma. "Existem outros fatores envolvidos no desaparecimento das abelhas, mas eu diria que é evidente que os neonicotinoides estão afetando as populações, e são importantes contribuintes de seu declínio", disse o pesquisador ao site de VEJA.
Os cientistas constataram que as abelhas constituem o grupo mais estudado em relação aos efeitos nocivos desses pesticidas. Segundo os autores, as consequências da aplicação dessas substâncias são mais amplas — e pouco abordadas.
Contaminação — O fato de esses pesticidas permanecerem no ambiente por meses ou até anos após a sua aplicação e sua grande solubilidade na água possibilitaram que eles se espalhassem pelo solo, pela água e, consequentemente, até mesmo pelas plantas que não são diretamente tratadas com esses produtos. Assim, muitas espécies animais que não são o alvo dos agrotóxicos acabam se contaminando de forma indireta.
Segundo os pesquisadores, os testes feitos em laboratório ou no campo demonstram que mesmo o uso dentro dos limites da legislação resultam em níveis elevados de contaminação ambiental. Também é alvo de críticas a forma como os testes de laboratório feitos para a regulação desses produtos são conduzidos. Eles geralmente avaliam apenas a letalidade da substância, e em curto período de exposição, enquanto outros tipos de efeitos relevantes ecologicamente, como dificuldade em voar, se localizar, procurar comida e crescer, praticamente não são descritos. "Ficou claro que muitos destes testes não são longos o bastante para representar uma exposição crônica, e por isso lhes falta relevância ambiental", escrevem os autores.
Nas concentrações encontradas no meio ambiente, diz o estudo, os neonicotinoides e o fipronil podem exercer efeitos negativos sobre uma grande diversidade de invertebrados, bem como outros animais, em habitats terrestres e aquáticos, afetando sua fisiologia e até mesmo ameaçando sua sobrevivência. 
Os autores enfatizam também que muitos aspectos importantes relacionados aos pesticidas não estão sendo abordados pelos estudos. "Quase tão preocupante quanto o que sabemos sobre os neonicotinoides é o que não sabemos", escrevem os autores. Existem poucos dados sobre os resíduos dessas substâncias presentes no ambiente, e dados de toxicidade a longo termo também são muito limitados.
No caso das abelhas, por exemplo, apenas quatro espécies das 25.000 conhecidas pelo mundo foram estudadas, e há pouca pesquisa com  outros polinizadores, como borboletas e vespas. Os organismos que vivem no solo, como as minhocas, também recebem pouca atenção, principalmente levando-se em consideração sua importância para a manutenção da fertilidade. Além disso, a interação dos neonicotinoides e do fipronil com outros pesticidas e fatores ambientais, como doenças e stress, aparecem em poucas pesquisas — mas, quando o fazem, apresentam efeitos de grande relevância. Em abelhas, por exemplo, baixas doses de neonicoticoides podem torná-las mais suscetíveis a doenças virais.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Fórum da ONU busca endurecer leis ambientais nesta semana

A ONU vai buscar nesta semana meios para endurecer as leis ambientais e se tornar linha dura em tudo, desde o comércio ilegal de animais e plantas selvagens até a poluição por mercúrio e resíduos perigosos.
A Assembleia Ambiental das Nações Unidas (Anea), um novo fórum de todas as nações que inclui ministros do meio ambiente, líderes empresariais e a sociedade civil, vai se reunir em Nairóbi, no Quênia, de 23 a 27 de junho, para buscar meios de promover um crescimento econômico mais verde.
Esse movimento inclui endurecer as leis ambientais.
"Frequentemente temos legislação ambiental que é bem intencionada, mas não é eficaz", disse à Reuters, em entrevista por telefone, Achim Steiner, chefe do Programa Ambiental da ONU (PNUMA), que vai sediar as conversações.
Muitos países aderem aos tratados ambientais, mas muitas vezes são lentos para ratificá-los e aplicá-los às leis nacionais, em questões que vão desde a proteção de plantas e animais contra a extinção até a proibição de produtos químicos perigosos ou criação de leis contra resíduos perigosos.
"Apenas a assinatura de um compromisso já é um passo, colocar as finanças, a tecnologia e as leis em vigor, são ingredientes críticos", disse.
As conversas em Nairóbi vão incluir uma reunião de presidentes de Supremos Tribunais, advogados, promotores públicos e outros especialistas legais.
Eles vão buscar formas de melhorar a cooperação, acelerar a ratificação dos tratados e tentar encontrar modelos para uma legislação nacional.
“As atividades ilegais que prejudicam o meio ambiente estão se desenvolvendo rapidamente e aumentando sua sofisticação", disse o PNUMA em uma declaração. A coordenação internacional foi insuficiente para prender gangues de criminosos, desde a pesca ilegal até madeireiros.
G1

Crimes ambientais financiam grupos terroristas, dizem ONU e Interpol

O crime ligado ao meio ambiente, que movimenta US$ 213 bilhões anuais, contribui para o financiamento de grupos armados e terroristas e ameaça a segurança e desenvolvimento de vários países, declararam a ONU e a Interpol em um relatório publicado nesta terça-feira (24).
O tráfico de carvão gera entre US$ 38 milhões e US$ 56 milhões ao ano aos islamitas shebab somalis, ligados à Al-Qaeda, segundo o relatório. O documento é publicado no segundo dia da sessão inaugural da nova Assembleia da ONU para o meio ambiente (UNEA), que reúne cerca de 1.200 delegados e especialistas em Nairóbi e que deve, entre outros temas, discutir a questão dos crimes contra o meio ambiente.
Já o comércio de marfim é a principal fonte de renda do Exército de Resistência do Senhor (LRA), a rebelião de Uganda que se espalha o terror no Sudão, República Centro Africana e República Democrática do Congo (RDC). Também praticado por outros grupos armados e milícias que operam na República Centro Africana, RDC e Sudão.
Ameaça ao desenvolvimento sustentável
O crime organizado transnacional ligado ao meio ambiente inclui o corte ilegal de madeira, a caça furtiva e o tráfico de numerosas espécies, a pesca ilegal, as minas selvagens e resíduos tóxicos, explicam a ONU e Interpol.
"Além do dano ambiental imediato, o tráfico de recursos naturais priva as economias em desenvolvimento bilhões de dólares em receita para encher os bolsos dos criminosos", ressalta Achim Steiner, diretor-executivo do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP).
De acordo com a ONU, este tráfico ameaça em muitos países "o desenvolvimento sustentável, os meios de subsistência, a boa governação e o Estado de direito, enquanto grandes somas chegam às milícias e grupos terroristas."
"Apesar do aumento da consciência, as respostas atuais em termos de impacto estão longe de ser proporcionais à escala e crescimento da ameaça à vida selvagem e meio ambiente", alertam a ONU e a Interpol.
G1

Estudo pede ação para salvar mares em cinco anos

Marégrafo utilizado pelo Inpe para medir a oscilação do nível dos oceanos repleto de aves atobás (Foto: Eduardo Carvalho / Globo Natureza)

Os oceanos do mundo estão ameaçados pela contaminação e a sobrepesca. Para salvar os mares, uma comissão independente, formada por ex-altos funcionários de governo e executivos advertiu ser necessário agir em menos de cinco anos para salvar os mares.
A Comissão Oceano Mundial, criada em fevereiro de 2013, informou que a redução do uso de objetos de plástico e da pesca em alto-mar e a implantação de regulamentações estritas para a exploração de petróleo e gás são a chave para este plano de resgate.
"O oceano fornece 50% do nosso oxigênio e fixa 25% das emissões globais de carbono. Nossa cadeia alimentar começa nestes 70% do planeta", afirmou José Maria Figueres, ex-presidente de Costa Rica, que codirige a comissão.
A equipe apresenta oito propostas para recuperar e preservar a saúde dos oceanos em um relatório, intitulado "Do declínio à recuperação: um plano de salvação para os oceanos do mundo".
Entre elas, defende limitar as subvenções governamentais à pesca em alto-mar para acabar com a prática em cinco anos. A recomendação afeta principalmente os Estados Unidos, a União Europeia, a China e o Japão.
"Cerca de 60% destas subvenções fomentam práticas insustentáveis e sem elas a indústria pesqueira em alto-mar não seria financeiramente viável", destacou o informe.
Falta de jurisdição atrapalha proteção As águas de alto-mar são as que vão além das fronteiras nacionais e constituem cerca de 64% da superfície total dos oceanos e a metade de toda a produtividade biológica destes anos, acrescentou.
A comissão expressou que a falta de jurisdição sobre estas águas é um grande problema e pediu a negociação de um novo acordo sob os termos da Convenção das Leis do Mar das Nações Unidas (UNCLOS).
"O alto-mar pertence a todos. Sabemos o que é preciso fazer, mas não podemos fazer isto sozinho. Uma missão conjunta deve ser nossa prioridade", disse David Miliband, ex-ministro britânico das Relações Exteriores e copresidente da comissão.
G1

terça-feira, 24 de junho de 2014

Frase


Foto

Com aquecimento global, pesquisa estima impacto bilionário para a economia dos EUA

 Campo de trigo em Illinois: colheita em queda Foto: Daniel Acker / Bloomberg

Perdas anuais de US$ 35 bilhões de patrimônio privado com furacões e outras tormentas; queda da produtividade das colheitas de 14%, custando aos produtores de trigo e milho dezenas de bilhões de dólares; demanda de energia provocada por ondas de calor, custando aos usuários até US$ 12 bilhões por ano. Estes são alguns dos custos econômicos da mudança climática previstos nos Estados Unidos nos próximos 25 anos, revelou um relatório bipartidário, divulgado nesta terça-feira.
E isto é apenas o início: o custo poderá alcançar as centenas de bilhões de dólares até 2100.


Encomendado por um grupo liderado pelo ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, ex-secretário do Tesouro Henry Paulson, e o ambientalista e financista Tom Steyer, o estudo é a “análise mais detalhada já feita sobre o efeito potencial econômico da mudança climática nos Estados Unidos”, afirma o climatologista Michael Oppenheimer, da Universidade de Princeton.
A divulgação do relatório ocorre três semanas depois de o presidente Barack Obama ter determinado às autoridades americanas que adotem as medidas mais agressivas já tomadas para reduzir as emissões de gás estufa. Isso inclui exigir que as usinas de energia cortem as emissões de dióxido de carbono para 30% abaixo dos níveis de 2005 até 2030.

NEGÓCIO ARRISCADO
Intitulado “Um negócio arriscado”, o relatório prevê impactos climáticos em escalas pequenas, no nível de distritos e povoados. Suas conclusões sobre perdas de colheitas e outras consequências não são baseadas em projeções de computador, em geral criticadas por céticos da mudança climática, mas sim em estudos sobre as recentes ondas de calor. O estudo pinta um quadro sombrio em termos de prejuízos econômicos.
“Nossa economia está vulnerável a um esmagador número de riscos devido à mudança climática”, afirmou Paulson em uma declaração. Isso inclui desde o aumento do nível do mar a ondas de calor que vão provocar mortes, reduzir a produtividade do trabalho e prejudicar redes de energia.
Até meados do século, entre US$ 66 bilhões e US$ 106 bilhões em termos de valor de propriedade estarão abaixo do nível do mar. Há uma chance de 5% de que, até 2100, as perdas alcancem US$ 700 bilhões, com uma perda média anual devido ao aumento do nível dos oceanos de US$ 42 bilhões a US$ 108 bilhões ao longo da Costa Leste americana e do Golfo do México.
ONDA DE CALOR


O calor extremo, especialmente no Sudoeste, Sudeste e o norte do Centro-Oeste, vai afetar a produtividade, à medida que as pessoas não conseguirão trabalhar por um longo período sob o sol em construções e outros trabalhos externos. A análise vai além de pesquisas anteriores, disse Oppenheimer, ao identificar locais que serão “impróprios para trabalho externo”.
A demanda por eletricidade vai crescer à medida que as pessoas precisarem de ar-condicionado apenas para sobreviver, esgotando a capacidade de geração e transmissão de energia. Esse quadro vai provavelmente exigir a construção de usinas capazes de garantir uma capacidade de geração de até 95 gigawatts nos próximos
cinco a 25 anos. A construção dessas usinas vão impactar as tarifas cobradas dos usuários — pessoas físicas e empresas — entre US$ 8,5 bilhões a US$ 30 bilhões a mais a cada ano até meados do século.
O relatório não apresenta propostas de políticas, concluindo apenas que é “hora de todos os líderes empresariais americanos e investidores tomarem uma atitude e responderem ao desafio de enfrentar a mudança climática”.
O Globo.com



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Micróbios devoram plástico e ajudam a reduzir lixo marinho, diz estudo

Micróbios ajudam na despoluição dos oceanos (Foto: HO/University of Western Australia/AFP)

Micróbios podem estar contribuindo para reduzir a quantidade de lixo no mar "comendo" o plástico que contamina as águas do planeta, de acordo com uma pesquisa conduzida por oceanógrafos da University of Western Australia, publicada na "PLOS One".
Essas criaturas microscópicas parecem estar biodegradando toneladas de rejeitos que flutuam no mar. Os investigadores analisaram mais de mil imagens de dejetos em frente ao litoral australiano e documentaram pela primeira vez as comunidades biológicas que vivem nestas pequenas partículas de lixo, conhecidas como microplásticos.
"Parece que a degradação do plástico está acontecendo no mar, explicou Julia Reisser, uma das encarregadas do estudo. "Estou entusiasmada porque os micróbios comedores de plástico poderiam ser uma solução para melhorar os sistemas de tratamento de lixo no continente", assegurou.
Embora já tenha sido observada a existência de micróbios que comem plástico em depósitos de lixo, o estudo destaca que seus equivalentes no mar poderiam ser igualmente eficazes. "Os micróbios terrestres precisam de água para crescer e o processo é muito caro. Mas os micróbios marinhos crescem na água salgada e poderiam ser uma foma mais barata de reduzir o volume de lixo", afirmou Reisser.
A ação desses micróbios também poderia explicar porque o aumento de rejeitos plásticos nos oceanos não é tão importante quanto previam os cientistas, segundo a pesquisadora.
Os cientistas têm advertido reiteradamente para a ameaça dos microplásticos - partículas de plástico com menos de cinco milímetros - para os oceanos e em 2012 o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estimou em cerca de 13.000 os pedaços de microplásticos por quilômetro quadrado de mar, um fenômeno que se intensifica no Pacífico Norte.
G1

Cientistas desvendam "ilha mágica" em lua de Saturno

A "ilha mágica" que apareceu em uma imagem da lua Titã, de Saturno

Cientistas identificaram quatro possíveis causas para o surgimento de uma misteriosa “ilha mágica” na superfície de Titã, maior lua de Saturno. Ela recebeu esse apelido de astrônomos aparecer e desaparecer em imagens do satélite feitas pela sonda Cassini. A pesquisa foi publicada no domingo, no periódico Nature Geoscience.
A “ilha” apareceu como uma mancha brilhante em uma imagem feita no dia 10 de julho de 2013 pela sonda Cassini. Com 19 quilômetros de comprimento e cerca de 9,5 de largura, o misterioso objeto não estava presente em fotografias anteriores e voltou a desaparecer em uma imagem capturada no dia 26 do mesmo mês.
Titã é relativamente parecida com a Terra. Ela também apresenta atmosfera e estações bem marcadas. Ventos e chuvas criam mares e dunas em sua superfície, mas com a significativa diferença de que as dunas são feitas de gelo, em vez de pedras e areia, e os mares contêm metano e etano. Esses hidrocarbonetos são gases na Terra, mas em Titã, por causa da temperatura de – 180ºC, existem no estado líquido. A “ilha mágica” foi descoberta no Ligeia Mare, segundo maior lago de Titã, localizado no seu hemisfério Norte.
Explicações — No novo estudo, os cientistas limitaram as possíveis causas da mancha vista na foto a quatro: um ou mais icebergs; material em suspensão logo abaixo da superfície do lago; gases vindos das profundezas do oceano que teriam formado bolhas ao atingir a superfície; ou a primeira evidência de ondas no lago.
Estudos anteriores haviam levado à conclusão de que o Ligeia Mare seria tão estável quanto uma superfície de vidro, sem nenhuma perturbação acima de 1 milímetro. Mas os ventos fracos podem estar mudando: cada uma das estações em Titã dura o equivalente a sete anos terrestres, e o Hemisfério Norte está se aquecendo com a aproximação do verão, previsto para 2017. Temperaturas elevadas trazem ventos mais fortes, que provocam ondas.
Os pesquisadores ainda não sabem dizer, no entanto, se os ventos serão fortes o suficiente para dar origem a grandes ondas, ou apenas breves perturbações. Um acompanhamento por imagens nos próximos meses deve ajudar a resolver definitivamente o mistério. "Diversos processos, como vento e chuvas, podem afetar os lagos de metano e etano em Titã. Nós queremos observar as similaridades e diferenças com os processos geológicos que ocorrem na Terra", afirma Jason Hofgartner, estudante da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo. Para ele, esse conhecimento pode ajudar a aumentar a compreensão sobre os ambientes aquáticos da Terra.
Veja.com

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Aquecimento global provoca mudanças drásticas em atlas da National Geografhic

Derretimento do gelo no Ártico provoca alterações drásticas em atlas da National Geographic Foto: AFP


O aquecimento global chegou ao ponto de alterar mapas e cartografias consagradas. Nesta semana, a National Geographic anunciou que vai lançar em setembro a 10ª edição do seu tradicional Atlas Mundial com “mudanças drásticas” na camada de gelo do círculo ártico.
Geógrafos da instituição disseram que as alterações climáticas foram um dos eventos mais marcantes de todas as edições da publicação. Um deles, Juan José Valdés, afirmou que o fenômeno é “a mudança mais visível depois da queda da União Soviética”.
Para compor o material, a National Geographic utilizou dados compilados da Nasa dos últimos 30 anos sobre as camadas de gelo do Ártico para enfatizar a velocidade e o poder do aquecimento global. De acordo com a agência espacial, desde o final dos anos 1970, o gelo recuou em 12% por década, piorando a partir de 2007. O mês de maio deste
ano teve a terceira menor extensão de gelo no mar durante para essa época do ano.
A publicação explica que, à medida que a camada de gelo fica mais fina com o derretimento, a luz solar é capaz de penetrar com mais facilidade o gelo restante e aquecer as águas mais profundas do oceano, acelerando ainda mais o processo.
National Geographic afirmou que espera que o próximo altas possa conscientizar seus leitores para a real dimensão do aquecimento global.
O Globo.com




O ano dos cometas

O cometa Siding Spring

Por ordem dos acontecimentos.
No começo de agosto, a sonda Rosetta deve, finalmente, se encontrar com o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko após dez anos de manobras e espera em hibernação. Eu já escrevi outras vezes sobre a missão, mas só para relembrar rapidamente, a sonda ficou 10 anos no espaço, executando manobras orbitais para se aproximar do cometa 67/P. Ela passou a maior parte desse tempo em hibernação, mas no início desse ano foi acordada, pois já estava chegando a hora de trabalhar.
No começo deste mês, seus instrumentos já estavam todos operacionais e testados, registrando o aumento da atividade do núcleo, já que ele está se aproximando do Sol. Nos últimos dias, começaram os estudos científicos, propriamente ditos. Entre os meses de junho e agosto, a Rosetta fará as manobras de inserção em uma órbita em torno do núcleo. No dia 6 de agosto, a distância chegará a 100 km e, a partir daí, o mapeamento do cometa é que vai decidir a melhor estratégia para uma última aproximação.
Chegando mais próximo, a Rosetta deve disparar a sonda Filas, que vai pousar suavemente no núcleo. Sua missão deve durar pelo menos uma semana, podendo chegar a 6. Esse é o feito mais aguardado desde que o projeto todo foi concebido há mais de duas décadas. Ancorada por dois arpões, a sonda deve executar medidas diretas do material do núcleo, bem como registrar como ele reage ao aumento da temperatura, conforme a cometa se aproxima do Sol.
Só que vai chegando o momento do pouso e o 67/P começa a mostrar surpresas à la ISON. O aumento da atividade nuclear observada nas últimas semanas parece ter parado. Na verdade, o núcleo do cometa perdeu a coma, o envoltório de gases produzido pela evaporação dos gelos cometários. Não que isso seja surpreendente, mas o mais comum é o contrário.
Por um lado, isso pode ser bom. Se o núcleo estiver muito ativo no momento da aproximação final, a quantidade de pedaços de rocha e gelo ejetados no espaço vai pôr a missão em perigo. Enquanto isso não acontece, vamos aguardar as imagens em alta resolução do núcleo que, sem a coma, devem ser fantásticas em detalhes.
Já mais para o final do ano, teremos outro cometa no noticiário. Trata-se do Siding Spring.
Esse cometa, o primeiro a ser descoberto em 2013, vai dar um “rasante” em Marte. Ele vai passar tão perto de Marte que os engenheiros da NASA tiveram que fazer cálculos e simulações para saber como as sondas em órbita seriam afetadas. Os resultados, anunciados essas semana, mostram que elas devem sobreviver sem maiores danos.
Além desse interesse técnico, o Siding Spring chama a atenção pelo lado científico. É a primeira vez que esse cometa passa pelo Sistema Solar. Além de estar cheio de gelos, ele traz material ainda “intocado” do Sistema Solar exterior. Ou seja, material que ainda não foi exposto à radiação solar. Este é, literalmente, uma amostra intocada do material que formou o Sistema Solar.
A rede de satélites em órbita de Marte está sendo reprogramada para observar o Siding Spring de um ponto de vista privilegiado. As câmeras de alta resolução, projetadas para observar a superfície marciana em detalhes, devem dar show com o cometa, já que ele deve passar a meros 123 mil km no dia 19 de outubro. Isso é quase um terço da distância entre a Terra e a Lua.
As pesquisas já até começaram. Esta semana, imagens obtidas pelo satélite Swift da NASA, que além de observar as explosões de raios gama, tem um telescópio para observar no ultravioleta e no óptico, mostraram como está seu núcleo. Apesar de não poder detectar as moléculas de água diretamente, o Swift pode observar os subprodutos da sua destruição pela radiação solar.
Os resultados apontam que o núcleo do cometa tem 700 metros de tamanho, o que o coloca na parte de baixo da categoria média para cometas. Mais ainda, de acordo com a taxa de produção dos subprodutos da destruição das moléculas de água, o Siding Spring deve estar produzindo algo como 49 litros de água por segundo. Isso não é lá grande coisa, mas daria para encher uma piscina olímpica em 14 horas.
No dia da máxima aproximação, quatro satélites estarão operacionais em Marte e todos eles devem não só estudar o cometa, mas também a interação dos gases dele com a atmosfera do planeta.
G1

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Turismo crescente prejudica biodiversidade da Antártica

Port Lockroy, Antártida. De 1990 até hoje, o número de turistas no continente passou de 5.000 para 40.000 por ano

Os cientistas que estudam a Antártida advertem que o número crescente de turistas no continente representa uma ameaça ao seu frágil ecossistema. Em um estudo publicado nesta terça-feira no periódico Plos Biology, eles pedem mais proteção para a fauna e flora do local.
De 1990 até hoje, o número de turistas passou de 5 000 para 40 000 por ano, segundo dados da indústria do setor. A maioria visita áreas sem gelo, que constituem menos de 1% da Antártida. Também estão em construção instalações de pesquisa, estradas e depósitos de combustíveis nestas áreas minúsculas, onde o gelo desapareceu. Tais regiões abrigam a maior parte da fauna e da flora do continente e são as menos protegidas do planeta, segundo um estudo do National Environmental Research Programme, financiado pelo governo e a divisão australiana da Antártida.
"Muita gente pensa que o continente está bem protegido das ameaças à biodiversidade porque é isolado e (quase) ninguém mora lá, mas nós demonstramos que as ameaças existem", escrevem os autores no estudo. "Apenas 1,5% da zona sem gelo é especialmente protegida.
Invasão externa — Steven Chown, da escola de Ciências Biológicas da Universidade de Monash, na Austrália, que colaborou na pesquisa, disse que as áreas sem gelo têm ecossistemas muito básicos, devido à escassa diversidade do continente. Isto torna a fauna e a flora nativas vulneráveis à invasão de espécies de fora, que podem ser introduzidas pela atividade humana. "A Antártida foi invadida por plantas e animais, sobretudo vegetais e insetos de outros continentes", acrescentou.
O estudo destacou que o nível atual de proteção é "muito inadequado" e é necessário fazer mais para proteger a região do crescimento registrado na indústria turística. "(Precisamos) proteger os insetos, as plantas e os pássaros marinhos endêmicos, que não existem em nenhum outro lugar do mundo, e garantir que as zonas protegidas da Antártida não vão sofrer os efeitos da atividade humana, como a contaminação, a presença humana ou espécies invasoras", afirmam os autores.
A Antártida é considerada uma das últimas fronteiras para os aventureiros. A maioria viaja em navios e chega a pagar até 20.000 dólares por um camarote de luxo na alta temporada, que se estende de novembro a março. Também há um mercado ascendente de voos panorâmicos que têm o continente gelado como destino.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Garoto cria sistema que limpa metade do Pacífico em 10 anos

O holandês Boyan Slat, que criou a Ocean Cleanup


O rapaz da foto acima tem apenas 19 anos, mas é responsável por um plano ambicioso apoiado por mais de 100 pesquisadores, cientistas e ambientalistas.
O holandês Boyan Slat criou a Ocean Cleanup, uma tecnologia capaz de limpar o lixo do Oceano Pacífico em uma década.
O sistema funciona como uma barreira flutuante que aproveita as correntes oceânicas para bloquear os resíduos encontrados no mar.
Nos testes com um protótipo, a barreira foi capaz de coletar plásticos em até três metros de profundidade.
O sistema também recolheu pouca quantidade de zooplâncton, o que facilita o reaproveitamento e a reciclagem do plástico.
A estimativa é de que o sistema remova 65 metros cúbicos de lixo por dia.
Slat teve a ideia anos atrás, quando mergulhava na Grécia e viu mais garrafas de plástico do que peixes.
Desde então, desenvolveu a tecnologia, montou um site com todas as especificações, fez um estudo de viabilidade e uma campanha para financiar sua ideia.
A primeira apresentação da tecnologia aconteceu em um TEDx na Holanda há dois anos. Sua ideia não foi bem recebida por todos.
Como resposta, Slat e uma equipe de pesquisadores fizeram um relatório com 530 páginas, em que justificavam a viabilidade do projeto.
O próximo passo é testar o sistema em larga escala e aumentar a produção do sistema. Para isso, ele busca financiamento coletivo. A meta é conseguir 2 milhões de dólares em 100 dias.
Ela já conseguiu 30% da meta em 14 dias.
Abaixo, o vídeo ilustrativo
Exame.com 

THE OCEAN CLEANUP - Feasibility Study


Chance de ocorrência de "El Niño" se mantém em 70%

O escritório de meteorologia da Austrália disse que a chance de formação de El Niño permanece em 70 por cento, embora a agência tenha afirmado que alguns sinais indicativos associados ao padrão climático tenham perdido força nas últimas semanas.
"Ainda acreditamos na probabilidade do El Niño", disse Andrew Watkins, supervisor de previsão climática do Escritório de Meteorologia da Austrália.
"Mas observações recentes podem sugerir um El Niño mais tardio e talvez uma chance reduzida de um forte El Niño como o que vimos em 1997/98." O escritório disse que o aquecimento do oceano diminuiu, ante observações anteriores a eventos prévios de El Niño, quando as temperaturas continuaram subindo.
A agência também disse ter observado um valor positivo recente do Southern Oscillation Index --um indicador de flutuações em larga escala na pressão atmosférica entre a parte oeste e leste do Pacífico tropical.
Valores positivos estão relacionados a um frio atípico nas águas oceânicas na parte leste tropical do Pacífico, o que geralmente está associado ao evento climático oposto, o La Niña.
Entretanto, apesar do enfraquecimento de alguns indicadores, o escritório australiano disse que ainda espera um El Niño na primavera do hemisfério sul em 2014. O El Niño --um aquecimento das temperaturas no Pacífico--afeta os padrões de ventos e pode ser o gatilho tanto para enchentes como para a seca em diferentes partes do globo, afetando a agricultura e a oferta de alimentos.
Os departamentos climáticos dos Estados Unidos e do Japão também esperam o desenvolvimento do El Niño.
Exame.com

terça-feira, 17 de junho de 2014

Obama propõe a criação da maior zona marinha protegida do mundo




Sob o princípio de que a proteção dos oceanos é uma questão de "segurança internacional”, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu esta terça que "os esforços sejam redobrados" sobre a questão e anunciou sua intenção de usar seus poderes executivos para ampliar substancialmente um santuário marítimo no Oceano Pacífico.
Trata-se da segunda vez em menos de um mês que Obama recorre a sua capacidade de emitir decretos – o que permite evitar passar pelo Congresso, que tem parado muitas de suas políticas, ambientais e de outro tipo – para lutar contra a mudança climática, uma das prioridades de seu segundo mandato. No começo do mês, disse que faria uso de seus poderes executivos para aprovar medidas que permitam reduzir em 30% as emissões de CO2 e outros contaminantes das centrais energéticas em 2030 em relação aos níveis de 2005.
O novo objetivo de Obama é a zona denominada Monumento Nacional Marinho das Ilhas Remotas do Pacífico, uma área protegida que criou seu predecessor na Casa Branca, George W. Bush, em 2009.
Em uma mensagem difundida esta terça durante a conferência dos Oceanos, celebrada pelo Departamento de Estado desde segunda-feira com a participação de 400 políticos e especialistas de 80 países, Obama adiantou que seu governo "considerará de imediato como se pode expandir" esta zona protegida, embora não tenha dado detalhes nem um prazo de tempo para emitir o decreto com o qual pretende dar forma a seus planos.
No entanto, o jornal The Washington Post, que afirma ter obtido detalhes da proposta, afirma que o objetivo é ampliar significativamente a área protegida das águas adjacentes a sete ilhas e atóis controlados pelos EUA e situados no Pacífico entre o Havaí e as Ilhas Marianas.
Assim, se atualmente  225.300 quilômetros quadrados de águas ao redor dessas ilhas estão protegidos, a proposta de Obama ampliaria essa área a mais de dois milhões de quilômetros quadrados ao redor de cada território, segundo o jornal.
Entre os assistentes da conferência estava o ator Leonardo DiCaprio, um ecologista convencido que elogiou a iniciativa de Obama como um primeiro passo que exige “muito mais” em nível global para afrontar uma crise que, advertiu, não é só ecológica, mas que também afeta milhões de pessoas que dependem da pesca. “Estamos saqueando o oceano e seus recursos vitais”, criticou Di Caprio, que lamentou a falta de esforços para que se cumpram as leis que protegem os oceanos. “É o velho oeste selvagem em alto mar”, disse descrevendo a situação.
As ilhas que serão beneficiadas pela iniciativa de Obama são Wake Island, Jarvis Island, Howland Island, Baker Island, Kingman Reef e os atóis de Palmyra e Johnston. “Essa zona é o mais parecido que já vi a um oceano impoluto", disse ao jornal o investigador espanhol Enric Sala, que trabalha a National Geographic e estuda os corais e atóis dessa área desde 2005.
Além do mais, Obama emitiu um "memorando" ordenando que as agências federais competentes, desde o Departamento de Justiça ao de Agricultura ou o Escritório de Representação Comercial, que desenvolvam um "programa integral" que permita frear a pesca ilegal, a fraude no comércio de mariscos e peixes, além de sua venda no mercado global.
O mercado negro de peixes compreende até 20% da pesca selvagem anual e custa à indústria pesqueira legal até 23 bilhões de dólares (51 bilhões de reais), apontou a Casa Branca, que também se comprometeu a estudar a forma de criar novos santuários marinhos e adotar medidas para restaurar as barreiras naturais que protegem as comunidades costeiras.
"Já demonstramos que quando trabalhamos juntos, podemos proteger nossos oceanos para as gerações futuras. Por isso, devemos redobrar nossos esforços", falou Obama em sua mensagem à conferência liderada por seu secretário de Estado, John Kerry. Este, por sua vez, sublinhou que a chave para combater a mudança climática reside em "mudar a vontade política" e começar a tomar decisões concretas como as anunciadas durante a conferência.
El País.com

As estrelas-do-mar estão derretendo - cientistas não sabem porquê

Cientistas estão intrigados com a morte de milhões de estrelas marinhas na costa oeste da América do Norte, do México até o Canadá, passando pelos EUA. Os animais, aparentemente, estão sendo acometidos por uma doença misteriosa que os faz dissolver em uma gosma esquisita. Chris Harley, um ecologista marinho da Universidade da British Columbia, no Canadá, disse ao site Maclean's que chegou a encontrar de 500 a mil estrelas marinhas dissolvidas em um passeio de 50 metros pela praia.
A epidemia desconhecida está afetando várias espécies de estrelas marinhas, e a Oregon State University, nos EUA, está falando em uma "epidemia de magnitude histórica" que ameaça causar a morte de toda a população de estrelas-do-mar ocres da costa do estado, já que 30% a 50% dos animais na região estariam infectados com a doença. Biólogos de Universidades norte-americanas dizem não ter ideia sobre o que estaria causando a morte dos animais, e que eles parecem estar "apodrecendo".
A epidemia parece ter começado no ano passado, e há outros episódios na história que relatam mortes massivas de populações inteiras de estrelas marinhas, mas esse parece ser o maior. Entre 1983 e 1984 e 1997 e 1998 ocorreram dois grandes incidentes parecidos, mas eles foram causados pelo aquecimento das águas, o que não parece ser o caso dessa vez.
Cientistas estão considerando hipóteses diversas, que vão desde a radiação emitida pela usina nuclear de Fukushima até poluição química, infecções bacterianas, virais ou os dois. O aquecimento global também foi considerado, mas não se sabe nada sobre o agente patogênico que está causando a epidemia.
Estrelas-marinhas se alimentam de diferentes tipos de ostras, e as populações desses moluscos sairiam de controle sem seus predadores naturais. E o pior: a coisa parece estar se espalhando tão rápido pela costa oeste do continente norte-americano que o relógio corre ainda mais rápido para os biólogos que estão tentando entender o que já se considera uma das maiores tragédias ambientais da história.
Galileu.com

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Negociação climática da ONU para acordo sobre emissões tem avanço


As negociações da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima tiveram um pequeno progresso neste sábado (14) em direção a um texto para um acordo em 2015 que una todos os países para reduzir as emissões dos gases do efeito estufa.
O debate, que estava se encaminhando para um desfecho neste sábado, atraiu cerca de 1.900 diplomatas de 182 países até Bonn, na Alemanha. O objetivo era alinhar o que seus líderes estarão dispostos a assinar no próximo ano para combater as emissões, que cientistas, apoiados pela ONU, dizem que causarão inundações mais graves, secas e elevações do nível do mar.
Negociadores e observadores disseram que sinais de ações da China e dos Estados Unidos, os dois maiores emissores do mundo, tinham aumentado as esperanças, mas alertaram que as negociações poderiam não dar certo a não ser que os países ricos invistam bilhões de dólares em ajuda para os países mais pobres até o fim do ano.
“Estamos chegando ao ponto em que todas as partes têm uma sensação de confiança de que podemos agir em conjunto para combater a mudança climática, mas minha maior preocupação é o dinheiro”, disse Seyni Nafo, um enviado do Mali, representando um bloco negociador de mais de 50 países africanos.
Os países desenvolvidos concordaram em 2009 em aumentar a ajuda aos países em desenvolvimento para 100 bilhões de dólares por ano até 2020, mas o “Fundo Climático Verde” da ONU criado para canalizar as linhas de fundos está vazio depois do seu lançamento, no mês passado.
Nafo disse que entre 7 e 8 bilhões de dólares prometidos eram necessários até o fim do ano para iniciar projetos como a instalação de sistemas de energia solar ou esquemas de segurança para ajudar produtores a lidar com a perda nas safras.
G1

sexta-feira, 13 de junho de 2014

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Terra pode ter reserva subterrânea de água três vezes maior que os oceanos

A água estaria presa em um mineral chamado ringwoodite
Cientistas descobriram que uma vasta reserva de água, suficiente para encher os oceanos da Terra três vezes, pode estar confinada centenas de quilômetros abaixo da crosta terrestre. A novidade, publicada nesta sexta-feira na revista Science, pode transformar o que se sabe atualmente sobre a formação do planeta.
A água estaria presa em um mineral chamado ringwoodita, cerca de 660 quilômetros abaixo da superfície. Devido à estrutura de cristal, esse mineral atrai hidrogênio e retém a água. Steve Jacobsen, pesquisador da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, e coautor do estudo, disse ao jornal britânico The Guardian que se 1% do peso das rochas localizadas na zona de transição (parte do manto terrestre, que fica abaixo da crosta, a superfície) for de água, essa quantidade seria equivalente a quase três vezes a dos oceanos.
A descoberta indica que a água da Terra pode ter vindo de seu interior, levada à superfície pela atividade tectônica, em vez de depositada por cometas que atingiram o planeta durante sua formação, como afirmam as teorias atuais. "Eu acredito que estamos finalmente vendo evidências de um ciclo da água completo na Terra, que pode ajudar a explicar a vasta quantidade de água líquida na superfície do nosso planeta. Os cientistas têm procurado essas águas profundas há décadas", disse o pesquisador.
A pesquisa foi feita com base em dados do USArray, uma rede de sismógrafos americana, que mede as vibrações de terremotos. Para Jacobsen, essa água oculta pode servir como apoio para os oceanos na superfície, o que explicaria por que eles se mantiveram do mesmo tamanho por milhões de anos.
Veja.com