terça-feira, 9 de dezembro de 2014

NASA: montanha em Marte pode ter surgido de sedimentos de um lago


Cientistas do projeto Curiosity, da Nasa, dizem ter encontrado uma explicação para uma montanha que existe no centro da cratera de Gale, local de pouso da sonda-robô que está explorando Marte.
Eles acreditam que a montanha é formado por depósitos de sedimentos deixados por sucessivos lagos formados na bacia da cratera ao longo de dezenas de milhões de anos.
Mais tarde, ventos teriam escavado uma planície circular no entorno, formando o pico de 5 km de altura visto hoje, o Monte Sharp.
Se a teoria for comprovada, terá consequências importantes sobre nosso conhecimento do clima que existia no passado no planeta.
Significaria que Marte teria de ter sido muito mais quente e úmido nos seus primeiros dois bilhões de anos do que se supunha.
Segundo a equipe do Curiosity, o planeta também precisaria apresentar um forte ciclo hidrológico global, com chuva ou neve, para manter estas condições úmidas.
O planeta poderia até mesmo ter tido um oceano em algum lugar de sua superfície.
"Para que um lago tivesse existido por milhões de anos, seria necessário haver também um grande corpo permanente de água, como um oceano, para criar umidade atmosférica e impedir que o lago evaporasse", disse Ashwin Vasavada, cientista adjunto do projeto Curiosity.
Pesquisadores têm especulado por décadas que as planícies do norte poderiam ter tido um grande mar no início da história de Marte.

Imagem da Cratera Gale, onde fica o Monte Sharp, coberta por água
 
Os últimos resultados das análises do Curiosity certamente reacenderão o interesse por esta ideia.
 
Sedimentos abundantes
Crateras como Gale muitas vezes apresentam montes centrais que são criados à medida que o solo se recupera do impacto de um asteroide ou cometa.
Mas o Monte Sharp é grande demais para ser explicado desta forma.
As conclusões do projeto Curiosity vieram após observações geológicas feitas ao longo de um ano, quando o robô passou a seguir rumo ao sul, na direção da montanha, desde seu local de pouso em 2012.
Nesse percurso, o robô encontrou sedimentos abundantes que obviamente foram depositados por rios antigos.
E, quanto mais ao sul o robô chegava, mais claro ficava que esta atividade fluvial desaguava em deltas e lagos estáticos no centro da cratera.
Mas o indício mais importante foi a inclinação dos terrenos onde estavam os sedimentos, que desciam em direção à montanha.
Isso sugere que a água ia rumo ao centro da cratera Gale, onde teria se acumulado.
Ao longo de milhões de anos, os sedimentos teriam formado camadas e mais camadas de rocha, levando à criação do Monte Sharp.

Histórico
O veículo explorador partiu em 26 de novembro de 2011 em um foguete Atlas do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e desceu em 6 de agosto de 2012 na cratera Gale. Nos primeiros 12 meses, o robô descobriu um antigo leito de curso de água e recolheu amostras de solo e de atmosfera suficientes para que os cientistas concluíssem que pode ter havido vida ali há bilhões de anos.
Em julho de 2013, o Curiosity concluiu sua pesquisa na área conhecida como Bahia de Yellowknife e viajou rumo ao sudoeste da base do Monte Sharp, aonde chegou em setembro de 2014.
O Curiosity tem o tamanho de um carrinho de golfe e é cinco vezes mais pesado que seus antecessores, os robôs Spirit e Opportunity, lançados em 2003. Trata-se do robô mais bem equipado, com dez instrumentos de tecnologia de ponta, como o instrumento de difração de raios X (CheMin), que analisa quimicamente os minerais recolhidos com o braço robótico, ou a estação ambiental REMS, projetada e construída na Espanha.
 
Dúvidas
John Grotzinger, cientista do projeto Curiosity, disse que o mistério do Monte Sharp nunca teria sido desvendado com imagens de satélites.
"Todo o esforço para levar o robô até o Monte Sharp valeu a pena", disse ele a repórteres.
Mas ainda há muitas outras dúvidas.
O time de pesquisadores ainda precisa entender melhor por quanto tempo a água se manteve neste local.
E a ideia de que Marte era mais quente do que se pensa hoje vai de encontro a modelos climáticos do passado do planeta.
 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Frase

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Conferência sobre clima deposita esperanças sobre a China e os EUA

 
Não é a primeira vez que escutamos que uma mudança climática há tempos deixou de ser um problema do futuro para se transformar em um desafio do presente. Já ouvimos que esse ano corre o risco de ser o mais quente e já lemos manchetes que alertam que o tempo para lutar contra o aquecimento global está se esgotando. Ano após ano chefes de Estado e delegados de mais de 190 países se reúnem em uma reunião sobre o clima que costuma ser qualificada de “decisiva” no começo e acaba terminando com sensação de fracasso. Por que então acreditar que a reunião que será realizada por esses dias em Lima (Peru) pode ser diferente?
Chegou o momento da 20ª Conferência das Partes (COP, na sigla em inglês) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que enfrenta a partir de segunda-feira seu grande desafio. O objetivo é que, na próxima sexta-feira, esteja sobre a mesa um rascunho que sirva de base para o acordo global que será assinado em Paris no ano que vem para reduzir as emissões de dióxido de carbono. Em Lima, misturam-se a pressa para acertar as bases do futuro compromisso e o otimismo que um ano de avanços em matéria ambiental deixou. Os primeiros passos dados pela China e pelos EUA, os dois países mais poluidores do mundo, animam a comunidade internacional e as organizações a acreditar que a luta por fim começa a avançar.
Em maio, a Casa Branca divulgou um comunicado no qual alertava a população sobre os estragos da mudança climática nos Estados Unidos. A informação, longe de ser novidade, implica que o Governo do segundo maior país emissor de gases poluentes constatou o que há anos a comunidade científica vem avisando. Meses depois, às portas da reunião em Lima, Washington e Pequim anunciaram um compromisso conjunto para a redução de emissões pela primeira vez na história. “É algo inaudito que tenham se dado conta e que juntos tenham entrado em acordo para apresentar compromissos”, disse Aida Vila Rovira, do Greenpeace.
A implicação dos gigantes é fundamental para o sucesso de uma negociação que costuma encalhar no tamanho do compromisso que deve ser assumido por cada país para conseguir que o aquecimento global não supere a barreira dos 2 graus (até agora aumentou em 0,8 graus), limite marcado pelos especialistas para não lamentar consequências catastróficas no meio ambiente. A ONU considera que o objetivo a longo prazo é reduzir as emissões a zero no próximo século e entre 40% e 70% para 2050. Os objetivos parecem claros, mas na hora da verdade os países olham uns para os outros para medir seus compromissos.
Com a China e os EUA na direção correta pela primeira vez, pelo menos na aparência, outro dos obstáculos é a brecha que existe entre os países desenvolvidos e os países em vias de desenvolvimento. Entre ricos – e altamente poluidores – e pobres – e altamente vulneráveis aos efeitos ambientais –. A reunião de Copenhague de 2009, que terminou sem acordo, foi cenário das diferenças entre ambos. Os países em vias de desenvolvimento exigiram dos países ricos contrapartidas econômicas para fazer frente aos efeitos da mudança climática. O pedido se traduziu na criação do chamado Fundo Verde, que dias antes do começo da reunião de Lima já somava quase 10 bilhões de dólares (26 bilhões de reais), ainda muito longe do objetivo estabelecido em 100 bilhões de dólares (260 bilhões de dólares) a partir de 2020. A ONU já alertou que a capitalização desse fundo é fundamental para que as negociações voltadas para Paris andem satisfatoriamente.
Nessa semana, em Lima, se conversará sobre financiamento, de combustíveis fósseis, do desenvolvimento das energias renováveis, sobre a redução das emissões em uma corrida contra o relógio para dar forma ao ambicioso acordo global que se espera que chegue em Paris em dezembro de 2015, para substituir o já obsoleto Protocolo de Kyoto. O planeta respira por esses dias através dos 11.500 delegados de 195 países que têm em suas mãos voltar a fracassar ou começar a fazer história.
EL PAÍS.com

Orion aterrissa após primeira viagem de teste ao espaço

 Nave pousou no Oceano Pacífico na tarde desta sexta (Foto: NASA)

A cápsula Orion, projetada para levar astronautas ao espaço profundo, aterrissou nesta sexta-feira no Oceano Pacífico, no litoral oeste dos Estados Unidos, após completar sua primeira viagem não tripulada de teste ao espaço.
O veículo voltou à Terra, como estava previsto, 4 horas e 24 minutos depois de decolar de Cabo Canaveral (Flórida) a bordo de um foguete Delta IV.
"Esta é uma grande conquista enquanto caminhamos rumo às futuras missões a Marte", disse o comentarista da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa), que transmitiu ao vivo a chegada do veículo.
Equipes da Nasa e duas embarcações da Marinha americana esperavam a chegada da cápsula em uma região a 275 quilômetros do litoral de Baixa Califórnia, no México, a 965 quilômetros de San Diego.
A cápsula, que viajou a 24.000 km/h, deu duas voltas na Terra, a uma distância de 5.793 quilômetros do planeta, cerca de 15 vezes mais longe que a distância para a Estação Espacial Internacional (ISS).
Lua.
Orion ativou o sistema para reduzir a velocidade de entrada na Terra e abriu os paraquedas laranjas e brancos para manter uma posição estável ao cair no mar.
A cápsula é o novo veículo espacial que permitirá aos Estados Unidos voltar a realizar viagens tripuladas. Essa capacidade havia sido perdida quando o país aposentou em 2011 a frota de naves que ao longo de três décadas transportaram carga e astronautas à ISS.
Orion partiu às 7h05 (horário local, 10h05 de Brasília) a bordo de um foguete Delta IV, da companhia United Launch Alliance (ULA), da plataforma 37 do complexo de lançamento espacial da base de Cabo Canaveral (Flórida).
O principal objetivo desta viagem de teste, com custo estimado de US$ 375 milhões, é analisar o escudo térmico da nave, que ao reingressar na Terra a uma velocidade de 32.000 km/h alcança temperaturas de 2.200 graus.
Especialistas da Nasa e da companhia Lockheed Martin, fabricante da cápsula, farão um reconhecimento visual da nave antes que o veículo seja levado novamente ao Centro Espacial.
Veja.com

Cientistas estudam pílula que substitui exercício físico

Atividades aeróbicas, como corrida e caminhada, ajudam a transformar gordura "ruim" em "boa"
 
A criação de uma pílula contra a obesidade, capaz de imitar o efeito emagrecedor de exercícios aeróbicos, como a corrida, pode estar mais próxima. Em um estudo publicado nesta segunda-feira, pesquisadores da Universidade Harvard revelam ter identificado duas moléculas que, uma vez dentro das células, reduzem o excesso de gordura acumulada e aumentam o gasto calórico. 
A pílula, no entanto, não substitui os outros benefícios das atividades físicas, como aumento da massa muscular ou melhora da saúde cardiovascular. Além disso, trata-se de uma pesquisa em fase inicial, realizada em laboratório. Portanto, uma abordagem desse tipo ainda não está disponível.
No estudo, cientistas do Instituto de Células-Tronco de Harvard analisaram células-tronco humanas e, a partir de um banco de dados de 1 000 compostos, identificaram dois que podem desencadear o processo que transforma gordura branca, ou “ruim”, em gordura marrom, ou “boa”. 
Gordura corporal — O tecido adiposo de uma pessoa é constituído por dois tipos de gordura: a branca e a marrom. A energia excedente do corpo é estocada como lipídio nas células de gordura branca. Quando um indivíduo não gasta tantas calorias quanto consome, o organismo produz mais células de gordura “ruim” para estocar essa energia excedente.  
Já a gordura marrom libera a energia excedente para, por exemplo, manter a temperatura do corpo. Ela também é capaz de reduzir o tamanho das células de gordura branca. Por isso, é considerada como “boa” e uma possível aliada contra a obesidade e doenças relacionadas.
Mecanismo — Em testes feitos no laboratório, os pesquisadores observaram que os dois compostos identificados são capazes de transformar células-tronco de gordura, fazendo com que elas deixem de produzir células de gordura branca e passem a gerar gordura marrom. É o processo desencadeado por atividades físicas aeróbicas, como caminhada, corrida e natação.
A nova pesquisa, publicada na revista Nature Cell Biology, ainda deverá passar por outras etapas para que a descoberta resulte em uma pílula milagrosa. Um dos motivos é o fato de ambos os compostos poderem, a longo prazo, levar a reações inflamatórias do organismo e comprometer o sistema imunológico. Por isso, as substâncias precisam sofrer modificações nos estudos futuros. No entanto, um desses compostos já é aprovado nos Estados Unidos para o tratamento de artrite reumatoide, doença autoimune que provoca inflamação nas articulações.
“A boa, ou má, notícia é que a ciência é lenta: ter provas em relação a um conceito leva uma enorme quantidade de tempo. Nós pensamos que trabalhar com células-tronco levaria à descoberta de novos medicamentos e terapias, e agora isso está realmente começando a acontecer. Uma década de trabalho científico árduo está valendo a pena”, diz Chad Cowan, professor da Universidade Harvard e coordenador do estudo.
Veja.com

Sonda robótica New Horizons desperta de sono profundo para começar missão em Plutão

New Horizons se aproximando de Plutao

Depois de nove anos e uma viagem de quase 5 bilhões de quilômetros, a sonda robótica New Horizons da NASA despertou de sua hibernação, preparando-se para sobrevoar Plutão e outros corpos celestes no Cinturão de Kuiper.
No sábado, um despertador pré-configurado tirou a New Horizons de seu modo de hibernação. Devido à extrema distância, a NASA só recebeu a confirmação seis horas depois que isso aconteceu.
 

A pesquisadora Silvia Giuliatti Winter, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), vem explorando  a possibilidade de detritos se acumularem em certas regiões do espaço nas vizinhanças de Plutão e de suas luas por onde deve passar a sonda espacial New Horizons, em 2015 e o risco que isso implica.
O estudo liderado pela brasileira foi o primeiro a chamar a atenção para o perigo que a nave, lançada em janeiro de 2006 pela agência espacial norte-americana (Nasa), pode correr ao atravessar uma dessas regiões. É que a sonda viaja a 14 km/s e seus instrumentos podem ser danificados por uma colisão com essas pequenas rochas espaciais. “Esse trabalho tem sido extremamente relevante. Temos seguido de perto as publicações deles.”, afirma o astrônomo Harold Weaver, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (EUA), um dos líderes do projeto da New Horizons.
Em janeiro de 2015, a sonda deve acionar seus oito instrumentos científicos, entre eles um detector de poeira interplanetária e um telescópio ultrassensível, próprio para a escuridão que reina nessa região do espaço, 40 vezes mais distante do Sol do que aquela em que se encontra a Terra. Em 14 de julho de 2015, a New Horizons fará sua aproximação máxima de Plutão. Passará entre o planeta-anão e a sua maior lua, Caronte, registrando imagens com resolução de até 100 metros das superfícies desconhecidas de ambos os corpos celestes. Ao menos, esse era o plano inicial.
Tudo parecia sob controle quando a Nasa lançou ao espaço essa sonda rumo a sua jornada de nove anos com destino a Plutão, reclassificado naquele ano como planeta-anão. As coisas começaram a se complicar quando a vice-chefe científica da missão New Horizons, a astrônoma Lesley Young, do Instituto de Pesquisa Southwest, no Colorado, soube do trabalho da equipe da Unesp. O estudo mostrava pela primeira vez que, entre Plutão e Caronte, existe o que os especialistas chamam de regiões com órbitas estáveis. Nessas regiões do espaço, corpos celestes menores podem permanecer orbitando corpos maiores indefinidamente.
Planeta-anão e lua com pequena diferença explica anomalias
Os pesquisadores da Unesp são especialistas em determinar o movimento de corpos celestes interagindo simultaneamente pela força da gravidade. Eles conseguem prever as trajetórias desses corpos por meio de simulações computacionais.
O par Plutão-Caronte representou um desafio único. A diferença de tamanho entre o planeta-anão e sua maior lua é pequena: o diâmetro de Plutão é de 2.300 quilômetros, e o de Caronte, 1.200 quilômetros. Por terem dimensões próximas, eles se comportam diferentemente de outros pares do Sistema Solar, como a Terra e a Lua.
Em novembro de 2011, Silvia e  seu marido, o pesquisador Othon Winter, foram convidados para participar de um evento especial da equipe da New Horizons, em Boulder, no Colorado. Era um workshop dedicado a discutir o risco de a sonda colidir com objetos nas proximidades de Plutão. O cientista-chefe da missão, Alan Stern, pediu então que eles estudassem melhor as regiões estáveis. Eles analisaram também as órbitas fora desse plano e obtiveram uma ideia melhor de sua forma e localização.
As órbitas estáveis se concentram em algumas faixas próximas de Plutão e outras de Caronte e em uma região entre os dois astros batizada de veleiro, por ter o formato de um barco à vela, por onde a New Horizons pode passar. Estimativas iniciais sugerem que o risco de colisão não é desprezível, mas falta quantificá-lo.
Nasa já tem planos B e C
É possível que nos próximos meses seja preciso rever o plano de mitigação de danos para a New Horizons aprovado em junho. Weaver explica que, após avaliarem toda a informação relevante, ele e seus colegas concluíram que a probabilidade de um impacto capaz de terminar a missão em sua trajetória original é menor que 0,3%.
Isso porque a sonda deve passar por uma região instável próxima a Caronte. Se não surgirem novas evidências de perigo, a sonda deverá seguir o caminho estabelecido antes de o risco de colisões ter sido levantado pelo grupo da Unesp. De qualquer forma, a equipe da Nasa tem dois planos de emergência.
Um é reorientar a sonda para usar sua antena de comunicação como um escudo contra os detritos. O outro é aproximar a sonda ainda mais de Plutão, fazendo-a passar a 2.200 quilômetros de sua superfície, de modo a usar a atmosfera do planeta-anão como proteção contra as partículas.
“A trajetória original foi planejada para otimizar os ganhos científicos e qualquer mudança vai resultar em perdas”, explica Weaver. “Mesmo que haja perdas, a missão revolucionará nosso entendimento de Plutão e do cinturão de Kuiper.”

domingo, 7 de dezembro de 2014

ONGs criticam falta de progressos na Conferência sobre o clima

As organizações não governamentais (ONGs) que estão em Lima como observadores das negociações internacionais sobre o clima criticaram nesse sábado (6) a falta de progressos para alcançar um acordo multilateral, que deve estar concluído dentro de um ano.
A 20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP-20), que começou na segunda-feira (1º) e vai até 12 de dezembro, deverá reunir as bases do futuro acordo em que participará, pela primeira vez, toda a comunidade internacional na luta contra o aquecimento global.
“Têm existido vários falsos começos desde o início da semana”, lamentou Tasneem Essop, porta-voz da ONG WWF, para quem “os negociadores ainda não entenderam que este diálogo é uma urgência planetária”.
Segundo o porta-voz, existem duas concepções em confronto para o futuro acordo, aguardado para o final de 2015 em Paris. Uma delas está “centrada nos esforços de redução dos gases de efeito estufa” e a outra, “mais global, inclui questões de adaptação (às alterações climáticas) e de financiamento”.
 
O Protocolo de Quioto é centrado na redução de gases de efeito estufa (dos países desenvolvidos), mas, para o futuro acordo, os países em desenvolvimento pretendem que a adaptação aos impactos do aquecimento seja incluída”, destacou Meena Raman, da ONG Rede do Terceiro Mundo.
Para Alix Mazounie, do grupo de organizações francesas Ação Contra o Clima, as negociações não começaram verdadeiramente. “É verdade que a primeira semana (das conferências anuais da ONU sobre o clima) costumam ser assim, com muitas posições e os países traçando até onde podem ir”, concluiu.
 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Ricardo lll, desafia a coroa britânica 529 anos depois de morto

 
Ricardo III, retratado por William Shakespeare no imaginário coletivo como um odioso déspota, não parece disposto a dar trégua a seu país nem mesmo 529 anos depois de morto. Um estudo publicado na revista Nature Communications nessa semana confirma em “99,999%” que os ossos encontrados há dois anos, enterrados debaixo de um estacionamento de um edifício municipal em Leicester, são do último rei inglês morto em combate. Encerra-se assim a investigação forense mais antiga do Reino Unido. Mas o encerramento traz também uma pequena bomba de brinde: a descoberta de uma ruptura na linhagem masculina de sucessão que, segundo o professor de História da Universidade de Leicester Kevin Schürer, codiretor da pesquisa, “coloca conjunturas interessantes sobre a legitimidade da sucessão” até a própria Elizabeth II.
Ricardo III ascendeu ao trono em 1483, após a morte de seu irmão Eduardo VI. Em somente dois anos de reinado, colocou seu país de pernas para o ar. Na versão de Shakespeare, chegou a matar seus sobrinhos para poder reinar, ainda que a história só dê conta de que desapareceram. Matou a torto e a direito para conservar o poder, até que uma rebelião o derrubou aos 32 anos na batalha de Bosworth em 1485. Sua morte, lutando sem capacete e a pé – “Meu reino por um cavalo!”, clama o personagem de Shakespeare –, marcou o fim da dinastia Plantageneta e o início dos Tudor, com quem a rainha atual tem ligações de sangue.
Desde que, em 2012, foi encontrado um conjunto de ossos debaixo de um estacionamento no centro de Leicester, no que já foi a igreja de Greyfriars, onde as crônicas contam que o último rei de York foi enterrado sem muita pompa, uma equipe internacional liderada pela Universidade local esteve realizando exames genéticos para tentar confirmar a suposição inicial de que se tratava dos restos do monarca.
Ricardo III morreu sem deixar descendentes, o que fez a investigação genealógica voltar no tempo antes de encontrar seus parentes vivos. Mostras de DNA de seus ossos foram comparadas com as de doadores vivos, familiares do atual duque de Beaufort, descendente dos Plantageneta e dos Tudor.
A pesquisa dos genes mitocondriais, herdados pelo lado materno, demonstrou de forma conclusiva que se tratava de Ricardo III. Mas quando pesquisaram a linhagem paterna (cromossomos Y) descobriram algo inesperado: o DNA não batia com o de seus parentes vivos. O que revela que em algum ponto da história uma relação adúltera quebrou a cadeia de sucessão. Ou seja, alguém foi filho ilegítimo sem sabê-lo.
É quase impossível determinar em qual dos 19 elos da cadeia de sucessão pesquisada o adultério aconteceu. Mas se o filho ilegítimo for de João de Gante (descendente de Eduardo III) ou seu filho Henrique IV, isso poderia afetar os direitos sucessórios dos Windsor, parentes dos Tudor. Além disso, poderia ter causado, se fosse conhecido na época, consequências importantes no destino da Inglaterra: sem sua reivindicação dinástica, Henrique VII teria tido dificuldades em recrutar um exército para derrotar o próprio Ricardo III na batalha de Bosworth.
“Se João de Gante não fosse realmente filho de Eduardo III, Henrique IV não teria direito a reclamar o trono, assim como Henrique V, Henrique VI, nem, indiretamente, os Tudor”, explicou Kevin Schürer, professor da universidade de Leicester. “Mas estatisticamente é mais provável que a ruptura tenha ocorrido na parte mais baixa da cadeia”. Em qualquer caso, tentar comprovar onde a ruptura ocorreu requereria exumar outros cadáveres, o que não parece provável que aconteça.
A pesquisa lançou outras conclusões não menos inesperadas. O rei não era corcunda, como Shakespeare o retratou, mas sofria de escoliose, o que pôde ser visto facilmente ao se reconstruir a coluna em três dimensões com as vértebras encontradas. De fato, não parece ter sido “tão entrevado e desfigurado” que até os cachorros latiam para ele, como dizia o bardo de Avon, mas bem mais feito de corpo. As nove fraturas no crânio indicam, por outro lado, que não convinha perder o capacete em plena batalha medieval, como deve ter acontecido com ele. E as análises genéticas parecem indicar, ao contrário do que se acreditava, que o rei era loiro e de olhos azuis (ou tinha predisposição para isso em seus genes). Dessa forma, talvez Al Pacino, que documentou sua obsessão por entrar no personagem shakespeariano em Looking for Richard (1996), não fosse realmente o ator mais apropriado. Pelo menos, geneticamente.
O que parece claro é que seus restos descansarão para sempre na catedral de Leicester, depois que o Supremo Tribunal britânico indeferir, em maio, as pretensões de supostos descendentes, reunidos na chamada Aliança Plantageneta, que seus restos fossem levados para York, onde viveu por mais tempo. Encerrou-se assim a penúltima batalha de Ricardo III.
EL PAÍS. com

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Frase

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Por que o lançamento da Orion é a melhor notícia para a humanidade em muito tempo


Sempre me disseram que eu não veria o início da jornada final da humanidade e o mais triste é constatar que em 1972 nós abandonamos um caminho que, possivelmente, a essa altura teria nos levado a Marte e outros planetas. Hoje abrimos as portas desse caminho novamente. Devemos comemorar: estamos voltando às estrelas.
Na década de 1960 colocamos a pontinha do dedão no oceano espacial. Era empolgante. Aquilo nos levou a incontáveis descobertas e tecnologias que tornaram possível o mundo em que vivemos hoje. Foi apenas um dedão nas águas do cosmos, mas logo em seguida voltamos correndo às areias seguras da Terra, quase assustados.
O ano de 1972 marcou a última missão da Terra à Lua e, com o fim dela, acabou também todo o otimismo da era espacial. Mas com a iminência da aniquilação nuclear, com a guerra no Vietnã em seu auge, nossa jornada rumo à Lua salvou o consciente coletivo do mundo. Como o repórter David Brinkley relatou na TV durante o especial de TV de véspera de Natal da Apollo 8, transmitido da órbita da Lua:
Mármore Azul
 
A raça humana, sem muitas vitórias recentes, teve uma hoje. Obrigado, Apollo 8. Você salvou 1968.
A Apollo 8 também nos trouxe esta foto. Ela teve uma repercussão enorme na psique humana, deu início ao movimento ambiental e à ideia de que deveríamos trabalhar juntos para estabelecer a paz na Terra. Depois dessa foto (e da Mármore Azul) os seres humanos notaram, enfim, que precisamos nos unir. Devagar, as coisas começaram a mudar.
Elas não mudaram rápido o bastante. Ainda estamos trabalhando nisso. E graças a políticas miseráveis e à nossa incapacidade de lidar com planos a longo prazo, abandonamos o caminho que o programa espacial dos anos 1960 abriu.
Talvez fosse muito cedo, como disse Carl Sagan em seu livro The Pale Blue Dot, de 1994, em palavras magnificamente ilustradas neste curta de Erik Wernquist:
20 anos depois dessas palavras, parece que a hora chegou.
Enviamos um veículo fantástico a Marte em uma missão aparentemente impossível que o mundo inteiro assistiu prendendo a respiração. Algumas semanas atrás, pousamos em um cometa. Nesta, enviamos outra nave para trazer material de um asteroide. Hoje nós lançamos uma nave que levará humanos de volta à Lua, asteroides, Fobos e Marte.
Então sim, eu olho para a Orion rasgando o céu azul, ouço minha celebração junto às de inúmeras outras pessoas, vejo milhões assistindo a esse evento que à primeira vista parece insignificante – apenas uma nave vazia que subirá e depois cairá no Oceano Atlântico – e sinto como se fossem os anos 1960 de novo.
O caminho está reaberto, um raio de Sol ilumina os portões, agora livre das videiras que cresceram em todos esses anos de abandono.
Hoje é um dia histórico, amigos. Hoje nós começamos a voltar às estrelas. E desta vez não haverá volta.
 

Desmatamento da Amazônia reduz chuvas em Buenos Aires

 
Se contassem a um portenho que já não chove tanto em Buenos Aires por causa do desmatamento na Amazônia, ele diria que tal afirmação é uma loucura. Mas se surpreenderia ao se inteirar de que 19% das chuvas que caem anualmente na bacia da Prata, se originam da umidade gerada pela floresta amazônica e dispersada rumo ao sul. A situação é tanto incrível como alarmante: a Amazônia é um dos fatores fundamentais que regula o clima da região e está gravemente ameaçada pelas atividades humanas.
Imaginar como era há 50 milhões de anos é quase impossível. É um período 1.000 vezes maior do que o correspondente à história da humanidade no planeta. Esse foi o tempo que a Amazônia demorou para se formar. No entanto, em apenas meio século o homem devastou quase 20% dela (provavelmente muito mais de um milhão de quilômetros quadrados de floresta, afetando também rios e outros ecossistemas).
Este dado é devastador. Para que seja mais simples visualizá-lo, pensem que só no Brasil cortaram 2.000 árvores por minuto durante 40 anos. Como explicaria graficamente o cientista Antonio Donato Nobre, esse terreno desmatado equivale a uma estrada de 2 quilômetros de largura construída da Terra até a lua. Mas isto também pode ser difícil de dimensionar. O problema da imensidade da Amazônia é que achamos que ela é inesgotável. E não é. Infelizmente.
A floresta amazônica, com seus rios e diversidade, é tão grande que se juntássemos os 28 países que fazem parte da União Europeia, o espaço obtido seria equivalente a penas 64% do território amazônico que é de 6,7 milhões de quilômetros quadrados. Esse conjunto de ecossistemas, mega diverso, dominado por florestas, se estende por nove países e nele vivem mais de 33 milhões de pessoas. Existem cerca de 350 comunidades indígenas, das quais em torno de 60 vivem em isolamento voluntário há séculos, para fugir das ameaças.
Amazônia abriga, provavelmente, mais de 10% da biodiversidade conhecida pelo homem e desemboca no mar quase 15% da produção de água doce do planeta. É a fonte principal de segurança hídrica, alimentícia e energética da América Latina, além de ser fundamental para garantir a saúde da região.
Apesar de tanta riqueza, a Amazônia enfrenta grandes pressões: estradas, pecuária, especulação imobiliária e ocupação ilegal, represas de hidrelétricas, plantações de soja, de palma, mineração, exploração petrolífera, tráfico de madeira e contaminação, só para nomear algumas. E para rematar, a mudança climática, o maior desafio ambiental de nossa história, intensifica as consequências das demais pressões.
Para o bem do mundo, conservar a Amazônia pode ser um ás na manga para reduzir o aquecimento da Terra e, mais ainda, para amenizar os impactos desse aumento de temperatura na América do Sul. É a região natural ideal para evitar ou reduzir as emissões de carbono mais rapidamente e de forma mais benéfica em termos globais. Graças a seu tamanho, sua estrutura ecológica e sua localização geográfica entre a Linha do Equador, a cordilheira dos Andes e o oceano Atlântico, cumpre uma função de reguladora do clima. É uma fábrica de produção hídrica: bombeia cerca de 20 bilhões de toneladas de água por dia, a melhor receita para enfrentar as secas.
Mas se floresta continuar a ser destruída, aumentarão as emissões de carbono (quando uma árvore é cortada o carbono que ela capturou durante toda a sua vida é liberado) e não haverá como fazer contrapeso às secas e a outros eventos climáticos mais intensos previstos pelo aquecimento global.
A combinação será devastadora e os países amazônicos, e toda a região, terão que enfrentar as consequências. Não se deve levar em conta apenas o quanto se devasta anualmente, mas o desmatamento agregado ao longo dos anos e os lugares onde a floresta está tão degradada que já não cumpre suas funções naturais. Já que a Amazônia funciona como uma região ecologicamente integrada, entre florestas, rios e atmosfera, sua degradação degenera os processos ecológicos e ela pode, não só deixar de ser benéfica para o clima continental e global, como também se tornar um problema. Não choverá como antes na bacia da Prata.
Mas há tempo para puxar o freio de mão e mudar de rumo. Podemos construir um modelo de desenvolvimento que entenda a conservação como uma oportunidade e não como um obstáculo. Precisamos fazer com que os países compreendam que as florestas e os rios amazônicos têm uma relação direta com a segurança climática.
Durante estas duas semanas o vento soprar a favor do complexo de florestas e rios mais importante do mundo. Ou, melhor, a favor da humanidade, que depende dela, de seus serviços, dos benefícios que rende. Este ano, se realiza, pela primeira vez, a Cúpula de Mudança Climática das Nações Unidas em um país amazônico. E embora as negociações sobre o clima sigam seu rumo independentemente de onde o evento ocorra, esse é o momento ideal para incluir a agenda amazônica nas negociações do clima. É o momento de os nove países que compartilham este ecossistema demonstrarem liderança e integração.
O Peru, país anfitrião da cúpula, se comprometeu a chegar à taxa zero de desmatamento em 2021. A Colômbia estabeleceu a meta de desmatamento líquido zero na Amazônia até 2020. O Brasil assumiu o compromisso de reduzir sua taxa de devastação em 80% e segue um bom caminho. A Guiana tem como objetivo manter o desmatamento em um nível muito baixo. Há grandes projetos também na Bolívia e no Equador, entre outros.
São compromissos importantes de conservação e proteção das comunidades locais que vivem na Amazônia e também de sua diversidade cultural e de seus mananciais de conhecimentos. Mas também são medidas com implicações climáticas importantes já que, segundo o IPCC, o painel de cientistas que assessora a ONU, 24% das emissões globais vêm do setor florestal, agrícola e de outros usMas ainda há muitos parafusos que necessitam de ajustes. Começando pelas 25 frentes de desmatamento que existem atualmente na Amazônia, distribuídas entre vários países. Apesar de o mundo ter visto o enorme esforço dos países latino-americanos para reduzir o desmatamento da Amazônia, e consequentemente as emissões do setor florestal, a devastação da floresta continua a ser gigantesca.os do solo. A metade desta porcentagem se deve ao desmatamento e à degradação das florestas.
Para superar essa situação é preciso fortalecer a governança pan-amazônica, respeitar os direitos de seus povos e comunidades, e articular para fortalecer as políticas dos nove países que abrigam em seus territórios essas selvas e rios. É vital contar com compromissos mais ambiciosos (como a taxa líquida zero de desmatamento para toda a Amazônia em 2020) e mais fortes (com decisões centrais e integradas de cada um dos Governos) dos países amazônicos. Finalmente, é preciso reconhecimento e apoio financeiro de outros países e também do setor privado.
Não se trata apenas de salvar o planeta ou as 427 espécies de mamíferos, 1.300 de aves, 378 de répteis, 400 de anfíbios e 3.000 de peixes que vivem na Amazônia. Também se trata de garantir a segurança hídrica, energética, alimentícia, de saúde e, sobretudo, climática. É um tema econômico e de qualidade de vida de nossas sociedades.
Dependemos das florestas: você e eu. Mas também o petroleiro, a estudante, a mãe, o minerador, o empresário, o carpinteiro, a médica e o padeiro. Todos. Então, por que continuamos a conduzir o planeta com os olhos vendados?
Hoje, milhares de funcionários de quase 200 países negociam um novo acordo para frear a mudança climática e para conseguir fazer isso é preciso haver vontade política. Para conservar a Amazônia, é necessário o mesmo. A chuva em Buenos Aires está nas suas mãos, assim como o bem-estar do continente e do mundo.
EL PAÍS - Brasil

Cientistas revelam 'aquecimento oculto' que acelera degelo da Antárica


Plataformas de gelo: na Antártica, a água mais quente do oceano está derretendo os blocos por baixo
Foto: Science

A água nas profundezas do oceano em torno da Antártica ficou mais quente nas últimas décadas, aos poucos “comendo” por baixo as gigantescas plataformas de gelo que avançam do continente sobre o mar e ameaçando até a própria integridade do imenso manto gelado que o recobre. Embora há tempos os cientistas desconfiassem que este processo estava acontecendo, um grupo internacional de pesquisadores pela primeira vez verificou o aumento na temperatura da água próxima ao leito oceânico da plataforma continental antártica, em especial na sua porção Oeste, que estaria por trás do rápido derretimento das plataformas de gelo observado nesta região. Apesar de ainda não se saber se o processo é irreversível, caso apenas as plataformas de gelo sobre os mares de Amundsen e Bellingshausen, na Antártica Ocidental, venham de fato a sumir ao longo dos próximos séculos, o nível médio global dos oceanos vai subir quase cinco metros, inundando cidades e regiões costeiras que hoje são lar da maior parte da população da Terra.
 

 
A aceleração do derretimento do gelo nesta área tem sido observada há algum tempo, causando uma grande contribuição para a elevação do nível do mar no mundo inteiro — lembra Karen Heywood, pesquisadora da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e uma das autoras do estudo, publicado na edição desta semana da revista “Science”. — O que demonstramos é como as mudanças oceanográficas no último meio século provavelmente causaram este derretimento. Se a água continuar a se aquecer, a crescente penetração de massas de água mais quente nas plataformas de gelo vai acelerar ainda mais este processo, com grande impacto no ritmo de elevação do nível do mar.
De acordo com os resultados do estudo, a água sob as plataformas de gelo de ambos mares no Oeste da Antártica tem se aquecido a uma taxa de 0,1 a 0,3 grau Celsius por década desde os anos 1960 e sua temperatura hoje varia entre 0,5 e 1,5 grau Celsius. Embora essas temperaturas ainda pareçam muito baixas, os cientistas alertam que elas representam um significativo e crescente aumento da transferência de calor de outras áreas do planeta para o oceano austral.
Pode não parecer muito, mas é uma enorme quantidade de calor extra disponível para derreter o gelo — destaca Sunke Schmidtko, do Centro Helmholtz de Pesquisas Oceânicas de Kiel, na Alemanha, e principal autor do estudo.
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O glaciologista Jefferson Cardia Simões, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que as plataformas de gelo também funcionam como “tampões” que bloqueiam o fluxo dos glaciares do manto sobre o continente em direção ao oceano. Sem elas, conta, não só o caminho ficará livre como seu derretimento acabará por “lubrificar” o processo, fazendo com que este fluxo fique ainda mais rápido. Além disso, ele lembra que por estarem “pousadas” diretamente sobre o oceano, as plataformas de gelo dos mares de Amundsen e Bellingshausen são mais sensíveis às variações na temperatura da água em volta da Antártica.
— As mudanças estão acontecendo muito rápido e não será um cenário muito bonito para o futuro se este processo continuar — diz. — Não é algo que vai acontecer da noite para o dia, e sim em 400 a 500 anos.
 
Ainda temos que esperar e ver se a região vai atingir um novo estado de equilíbrio e este processo vai parar em algum ponto, mas provavelmente estamos deixando de herança um grande problema para as futuras gerações.
Continente perde um Everest a cada dois anos
E, por enquanto, as perspectivas quanto a isso não são nada boas. Com uma cobertura de gelo de 2,1 quilômetros de espessura em média, a Antártica concentra cerca 70% de toda água doce da Terra que, se fosse totalmente derretida, elevaria o nível dos oceanos em 60 metros. Segundo outro estudo publicado hoje no periódico científico “Geophysical Research Letters”, feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Irvine, nos EUA, e do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa com base em dados de satélites da agência espacial americana e da Agência Espacial Europeia (ESA), a taxa média de perda de gelo em todo continente antártico desde 1992 chega a 83 gigatoneladas (bilhões de toneladas) ao ano, ou o equivalente a um monte Everest, a montanha mais alta do mundo, com uma massa estimada de 161 gigatoneladas, a cada dois anos. Mas o levantamento indica que os glaciares do Mar de Amundsen estão perdendo gelo quase três vezes mais rápido do que apenas pouco mais de 20 anos atrás. Lá, o ritmo do derretimento subiu de 6,1 gigatoneladas em 1992 para uma média de 16,3 gigatoneladas anuais entre 2003 e 2009.








quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Frase

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OMM diz que "El NIÑO" deve se formar e afetar Norte, Sul e nordeste do Brasil

Painel sobre El Niño aconteceu nesta quinta-feira (4) na COP 20, em Lima, no Peru (Foto: Eduardo Carvalho/G1)
 
A Organização Meteorológica Mundial, a OMM, divulgou nesta quinta-feira (4) que há 75% de chance de se formar um El Niño até março de 2015, que provocaria alterações no clima do Norte, Nordeste e Sul do Brasil, como estiagem e excesso de chuvas. O informe da OMM foi anunciado durante a Conferência Climática das Nações Unidas, a COP 20, que acontece em Lima, no Peru.
Batizado em homenagem ao Menino Jesus (em espanhol, "El Niño"), o fenômeno aquece a água do Oceano Pacífico e provoca alterações na atmosfera, como variações na distribuição de chuvas em regiões tropicais e de latitudes médias e altas, além de inconstância nas temperaturas.
De acordo com o texto, ao longo deste ano os meteorologistas detectaram anomalias que tinham características do El Niño em várias regiões do planeta, mas o fenômeno em si não tinha se formado.
Medições feitas nos últimos dois meses no Pacífico indicaram uma elevação da temperatura entre 0,5ºC e 1ºC acima do normal, o que indica que um El Niño de nível fraco deverá se formar. “Ele está se formando e não é uma boa notícia para o Nordeste, Norte e nem para o Sul do país”, explica ao G1 Maxx Dilley, diretor de previsões climáticas da OMM.
Anna Barbara Coutinho de Melo, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, explica. “O principal efeito é o excesso de chuva na Região Sul do país e parte da Argentina, e seca no Norte e Nordeste. No Rio Grande do Sul há grande chance de chuvas acima da média. A seca deve afetar Maranhão, Piauí, Ceará, Amazonas, Roraima e o restante do Norte. Não há como saber o volume da precipitação, nem quanto a temperatura deverá aumentar”, explica.
No entanto, Anna afirma que a chance de os termômetros baterem recordes como ocorreu no verão deste ano são remotas, já que isso aconteceu devido a um bloqueio atmosférico existente sobre o Brasil, que impediu a chegada de massas de ar frio sobre o país.
 

Nasa adia lançamento de cápsula para missões tripuladas

Ilustração da cápsula Orion durante o voo de teste
 
A nova cápsula espacial da Nasa, Orion, teve seu lançamento adiado devido à presença de um barco no litoral da Flórida, fortes rajadas de vento e, por fim, um problema técnico com o foguete.
O lançamento estava previsto para as 10h05 (horário de Brasília), e poderia ser atrasado até por volta das 12h45, no máximo. Nesse intervalo, a manobra foi iniciada e interrompida cinco vezes.
A primeira interrupção ocorreu devido à presença de um barco próximo do Cabo Canaveral, na Flórida, onde ocorria o lançamento. Resolvido o problema, os ventos fortes passaram a impedir o lançamento do foguete e, quando diminuíram, foi detectado que uma das válvulas de combustível e drenagem do Delta IV não fechou corretamente. O mau funcionamento não foi corrigido a tempo e o lançamento foi remarcado para esta sexta-feira, às 10h05 (horário de Brasília).
A cápsula Orion representa um investimento de bilhões de dólares e tem o objetivo de preparar o retorno dos Estados Unidos às viagens espaciais tripuladas, superando a conquista da Lua há mais de 40 anos.
Primeiro teste — No voo de teste, a sonda vai dar duas voltas ao redor da Terra, percorrendo mais de 96.000 quilômetros e atingindo altitude de 5.800 quilômetros, cerca de catorze vezes a distância da Estação Espacial Internacional (ISS) em relação à Terra. O pouso ocorrerá cerca de quatro horas e meia depois, no oceano Pacífico.
Durante a descida, a nave vai ultrapassar os 32.000 quilômetros por hora, alcançando temperaturas de até 2.200 graus Celsius — 80% da temperatura que seria atingida por uma missão lunar.
Veja.com

Asteroides ignorados podem causar grandes estragos, diz petição


Um grupo de mais de 100 cientistas e astronautas assinaram uma petição, no Reino Unido, solicitando maior atenção das autoridades para asteroides que podem se chocar com a Terra e acabar com a vida no planeta. As informações são do Daily Mail.
Segundo a publicação, os cientistas planejam criar, no próximo dia 30 de junho, um evento chamado "Dia da Consciência do Asteroide", para que exista um maior controle de pesquisa e de ação a respeito das - supostas - iminentes colisões.
A data foi escolhida em homenagem ao asteroide que atingiu a Terra em 1908, na região da Sibéria. Este foi o mais recente impacto que aconteceu no planeta e a devastação causada por ele foi de cerca de 2 mil quilômetros quadrados.
Estima-se que, dos mais de um milhão de asteroides que podem causar grandes danos à Terra, apenas 10 mil são conhecidos, ou seja, cerca de 1%. 
Isso significa que, a qualquer momento, um asteroide desconhecido pode entrar na atmosfera da Terra e causar uma destruição generalizada, sem nenhum aviso prévio. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

NASA testa cápsula que poderá levar humanos para Marte

O foguete Delta IV com a cápsula espacial Orion em local de lançamento em Cape Canaveral, Flórida

Na quinta-feira (4), a NASA irá iniciar um programa que planeja levar astronautas para além dos limites da órbita terrestre pela primeira vez desde 1972.
Nenhum astronauta estará a bordo do voo teste da cápsula Orion, mas a agência espacial americana espera que este seja o primeiro passo da nova fase da exploração humana no sistema solar.
A primeira missão tripulada da Orion está prevista para o começo da próxima década, e tem como objetivo final pousar um veículo com astronautas em Marte.
"Quinta-feira será o começo dessa jornada", afirmou o chefe do programa Orion Mark Geyer na terça-feira (2), em uma entrevista coletiva na sede da agência.
A cápsula Orion será lançada a partir da base da NASA em Cabo Canaveral, na Flórida. A decolagem está prevista para 10h05, horário de Brasília, pouco após o amanhecer no horário local.
O foguete que irá levar a Orion para o espaço irá impulsionar a cápsula de 3,35 metros até uma distância de 5 793 da superfície da Terra.
Por comparação, a Estação Espacial Internacional está 402 quilômetros distante do planeta.
A Orion, então, irá retornar à atmosfera da Terra, com velocidade de 32 000 km/h, caindo no Oceano Pacífico. A cápsula será levada de volta à Florida para análise detalhada dos resultados da viagem.
O voo de 375 milhões de dólares (valor equivalente a 961 milhões de reais) irá testar o desempenho do paraquedas, proteção do calor, além de outros sistemas vitais para a sobrevivência dos futuros tripulantes.
Mais de 1 200 sensores irão registrar informações para a missão.
Depois do voo teste, a próxima decolagem da Orion deve acontecer em 2018. O primeiro voo tripulado, por sua vez, não deve acontecer antes de 2021.
O próximo destino também é incerto. A NASA planeja capturar um asteroide e colocá-lo na órbita lunar, para que astronautas embarquem na Orion e analisem sua superfície.
Mas a agência americana esbarra em questões orçamentárias.
A missão Orion fazia parte de um programa que levaria astronautas americanos de volta à Lua, aprovado ainda no governo de George W. Bush e cancelado por Barack Obama, por ser caro demais.
Congressistas americanos conseguiram aprovar uma versão reduzida do programa - a cápsula que irá decolar na quinta-feira é parte do projeto.
Exame.com

Meteorito de Marte pode ter evidência de vida extraterrestre

Um pequeno pedaço do meteorito Tissint, que pousou na Terra em julho de 2011

O meteorito Tissint, que pousou no deserto de Guelmim-Es Semara, no Marrocos, em 18 de julho de 2011, possuía evidências de vida extraterrestre. As informações são do CNET.
O Tissint foi lançado da superfície de Marte por conta de uma colisão de asteroides cerca de 700 mil anos atrás.
A pedra de cerca de 11 kg mostrava evidências de água: estava cheia de pequenas fissuras nas quais havia material depositado na água.
Este material, na análise, acabou por ser um composto de carbono orgânico de origem biológica.
Ele não é o único meteorito em que foi encontrado o carbono orgânico, mas o debate sempre foi centrado no fato de o carbono ter sido depositado antes ou depois de o meteorito em questão cair na Terra – se é terrestre ou de origem extraterrestre.
De acordo com um estudo feito por pesquisadores que estudaram as fissuras de Tissint, o carbono orgânico não é do planeta Terra.
Segundo eles, existem vários pontos de elementos que provam isso. Primeiramente, houve um tempo relativamente curto entre o momento em que observaram o meteorito cair na Terra e quando ele foi recolhido.
O outro ponto é que as fissuras microscópicas na rocha teriam de ter sido produzida por um calor repentino elevado – tais como, por exemplo, o calor da entrada na atmosfera.
Este choque e as temperaturas necessárias para abrir as fissuras não poderiam ter vindo do deserto marroquino Outra evidência é que alguns dos grãos de carbono dentro do Tissint tinham endurecido e virado diamantes.
Não há condições conhecidas sob as quais isso poderia ter ocorrido na superfície do deserto marroquino – e certamente não no tempo que levou entre a queda e a descoberta do meteorito.
Por fim, o carbono contém uma elevada quantidade de deutério, hidrogênio pesado que contém um próton e um nêutron em seu núcleo – coerente com a composição geológica de Marte.
"Essa enorme concentração de deutério é a típica 'impressão digital' de rochas marcianas, como já descobrimos em medições anteriores" disse o Professor Ahmed El Goresy, da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, e coautor do estudo.
No entanto, de acordo com Yangting Lin, autor sênior do estudo e professor do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, seria um erro já considerar as evidências conclusivas.
"Nós não podemos e não queremos excluir totalmente a possibilidade de que o carbono orgânico dentro do Tissint pode ser de origem abiótica", escreveu Lin, que quis dizer que o carbono poderia ser físico na origem – desprovido de vida – e não orgânico.
"É possível que o carbono orgânico tenha sido originado a partir dos impactos de meteoritos condritos carbonáceos. No entanto, não é fácil conceber por qual processo o carbono poderia ter sido seletivamente extraído do impacto dos condritos carbonáceos, seletivamente removido do solo e depois impregnado nas veias extremamente finas da rocha”, afirmou Lin.
Exame.com

2014 pode ser o ano mais quente da história


Estiagem na represa do Rio Atibainha, na cidade de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo
Foto: Luis Moura/27-10-2014

O ano de 2014 pode se tornar o mais quente da história. Pelo menos desde 1850, quando começaram as medições. A estimativa é da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, que divulgou, nesta quarta-feira, um relatório durante a Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP 20), evento que começou segunda-feira e segue até o dia 12, em Lima, no Peru. Com isso, a organização quer, mais uma vez, reforçar o alerta para a tendência de aquecimento global, que vem causando chuvas torrenciais, secas e outros desastres ambientais no Brasil e ao redor do mundo, em consequência do aumento de emissões de gases do efeito estufa.
Para esse panorama se confirmar, novembro e dezembro devem manter a tendência atual de calor que vínhamos sentindo nos últimos dez meses, período usado nas estatísticas. Dessa forma, este ano ficará à frente dos últimos recordes, registrados em 2010, 2005 e 1998, respectivamente. Não se trata, no entanto,
apenas de mais um ano quente. Na verdade, os dados mostram que a tendência de aquecimento global já faz aumentar nas últimas décadas.
— A informação provisória para 2014 mostra que 14 dos 15 anos mais quentes já registrados ocorreram no século XXI — afirmou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, que ainda ressaltou. — Não está havendo um controle do aquecimento global. O que estamos vendo este ano é consistente com que o esperamos de um clima em constante mudança. Recordes de calor combinados com chuvas e inundações destruíram muitas vidas.
O relatório cita como extremos climáticos no Brasil a onda de calor no Sul em outubro, as chuvas torrenciais no Sudeste em maio e junho, assim como as secas nas áreas centrais do país. No texto, o Estado de São Paulo é citado como exemplo de falta d’água.
Para chegar ao resultado, a OMM usa como referência a média de temperatura da Terra e dos oceanos no século XX (num cálculo feito com base entre os anos de 1961 e 1990), que é de 14 °C. Nos primeiros dez meses de 2014, a média ficou em 14,57 °C, valor 0,57 °C acima da estabelecida no longo prazo. A diferença seria bem pequena em relação ao recorde anterior, de 14,56 °C, em 2010. A análise é feita a partir de resultados obtidos pela Agência Americana Oceânica e Atmosférica (NOAA), o Met Office, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e a agência espacial americana (Nasa).


 


 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Frase

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Stephen Hawking: Inteligência artificial pode destruir a humanidade

Stephen Hawking (PA)

Stephen Hawking, um dos mais proeminentes cientistas do mundo, disse à BBC que os esforços para criar máquinas pensantes é uma ameaça à existência humana.
"O desenvolvimento da inteligência artificial total poderia significar o fim da raça humana", afirmou.
Hawking fez a advertência ao responder uma pergunta sobre os avanços na tecnologia que ele próprio usa para se comunicar, a qual envolve uma forma básica de inteligência artificial.
O físico britânico, que sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, está usando um novo sistema desenvolvido pela empresa Intel para se comunicar.
Especialistas da empresa britânica Swiftkey também participaram da criação do sistema. Sua tecnologia, já empregada como um aplicativo para teclados de smartphones, "aprende" a forma como Hawking pensa e sugere palavras que ele pode querer usar em seguida.
Hawking diz que as formas primitivas de inteligência artificial desenvolvidas até agora têm se mostrado muito úteis, mas ele teme eventuais consequências de se criar máquinas que sejam equivalentes ou superiores aos humanos.
"(Essas máquinas) avançariam por conta própria e se reprojetariam em ritmo sempre crescente", afirmou. "Os humanos, limitados pela evolução biológica lenta, não conseguiriam competir e seriam desbancados."

'No comando'

Nem todos os cientistas, porém, compartilham da visão negativa de Hawking sobre a inteligência artificial.
"Acredito que continuaremos no comando da tecnologia por um período razoável de tempo, e o potencial dela de resolver muitos dos problemas globais será concretizado", opinou o especialista em inteligência artificial Rollo Carpenter, criador do Cleverbot, cujo software aprende a imitar conversas humanas com crescente eficácia.
Carpenter disse que ainda estamos longe de ter o conhecimento de computação ou de algoritmos necessário para alcançar a inteligência artificial plena, mas acredita que isso acontecerá nas próximas décadas.
"Não podemos saber exatamente o que acontecerá se uma máquina superar nossa inteligência, então não sabemos se ela nos ajudará para sempre ou se nos jogará para escanteio e nos destruirá", disse Carpenter, que apesar disso vê o cenário como otimismo por acreditar que a inteligência artificial será uma força positiva.
 

Por que blocos misteriosos estão aparecendo em praias da Europa

Placa encontrada por Tracey Williams na costa da Inglaterra (Foto: Tom Quinn Williams)
 
Em meados de 2012, a britânica Tracey Williams estava passeando com seu cachorro em uma praia da Cornualha (Inglaterra) quando avistou uma placa negra na areia. Feita de algo que parecia borracha, a placa tinha inscrita a palavra "Tjipetir".
Williams ficou ainda mais intrigada ao encontrar, semanas depois, uma placa semelhante em outra praia e decidiu pesquisar a origem dos misteriosos objetos. E suas descobertas envolvem relatos sobre naufrágios, uma tragédia que remete à 1ª Guerra Mundial e o Titanic.
E ela soube também que as mesmas placas estavam surgindo em praias do norte da Europa, surpreendendo moradores e gerando especulações na imprensa.
Agora, Williams acredita ter entendido a origem do mistério - e as autoridades britânicas também.
A palavra Tjipetir, na verdade, se refere a uma plantação de borracha em Java Ocidental, Indonésia, que esteve ativa no final do século 19 e início do 20.
Seus blocos não eram feitos exatamente de borracha - provavelmente são feitos de gutta-percha, que é a goma de uma árvore encontrada na Malásia e que, no passado, era usada para isolar cabos telegráficos no leito marítimo.
Tracey Williams começou a compartilhar suas descobertas em uma página no Facebook (www.facebook.com/TjipetirMystery) e, com isso, passou a receber mensagens de outras pessoas que haviam feito suas próprias investigações sobre a gutta-percha ao encontrar placas em suas praias, em lugares como Espanha, França, Holanda, Alemanha, Noruega, Suécia, Dinamarca e outras partes do Reino Unido.
Levantou-se a ideia de que as placas teriam saído dos destroços do Titanic.
"Um jornal francês cobriu a história e afirmou que o Titanic levava gutta-percha", diz Williams. "Verifiquei o manifesto do navio e descobri que de fato ele levava gutta-percha e borracha. Houve muita especulação quanto a isso."
 
Tracey Williams (Foto: Tom Quinn Williams)
 
Mas, em meados de 2013, Williams deu um passo importante na apuração: foi contactada em duas ocasiões diferentes por duas pessoas (que quiseram permanecer anônimas), que afirmaram que a gutta-percha vinha de um navio japonês, o Miyazaki Maru, que naufragou durante a 1ª Guerra, carregando blocos Tjipetir.
Acredita-se que as placas tenham vindo à superfície depois que uma empresa escavou o fundo do mar em um esforço para recuperar a carga do navio naufragado.
Autoridades britânicas também acham que a hipótese mais provável é de que as placas vieram do Miyazaki Maru.
"Quando somos informados sobre destroços (marítimos), conduzimos pesquisas para identificar o dono", diz Alison Kentuck, responsável pela administração de destroços descobertos em águas britânicas. "E esses itens em particular (a gutta-percha) sinalizam para esse naufrágio. Então, ainda que isso não esteja confirmado, o Miyazaki Maru é nossa hipótese mais forte como origem das placas."
O Miyazaki Maru foi afundado pelo submarino alemão U-88, comandado pelo capitão Walther Schwieger.
E Schwieger também foi responsável pelo submarino que provocou o naufrágio, em maio de 1915, do RMS Lusitania, navio que rumava a Liverpool com 1.924 passageiros e tripulantes vindos de Nova York. Esse naufrágio deixou mais de 1,1 mil mortos, entre eles mais de cem americanos, e acredita-se que o episódio tenha precipitado a entrada dos Estados Unidos na guerra.
O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, especializado no rastreamento de destroços, afirma que os blocos Tjipetir podem estar flutuando nas praias europeias há anos e anos. "São necessários 25 anos para que destroços deem a volta ao mundo, e esses provavelmente estão por aí há tempo o suficiente para dar a volta ao mundo três vezes", diz.
"(As placas) ainda estão em bom estado após tantos anos, o que é incomum. Provavelmente (ainda) serão encontrados daqui a cem anos."

Rumo às Américas?

Ebbesmeyer acredita também que as correntes oceânicas podem estar levando as placas da Espanha rumo ao continente americano, fazendo a "mesma rota de Cristóvão Colombo" e tendo a Flórida como provável destino final.
As placas encontradas no Mar do Norte devem, segundo ele, passar pela Noruega, pela Sibéria e atravessar o Estreito de Bering até o Pacífico Norte.
Diversas pessoas alegam ter encontrado placas Tjipetir em 2008, antes que começassem os trabalhos de recuperação da carga do Miyazaki Maru.
Uma delas veio a público dizer que encontrou uma placa mais de 30 anos atrás e a usou como tábua para cortar peixes.
"Muitos navios carregaram gutta-percha, então é possível que a carga tenha mais de uma origem", diz Williams, que está escrevendo um livro sobre o mistério de Tjipetir. "(As placas) estão sendo vistas como poluição - e eu limpo sujeira o tempo todo nas praias que frequento -, mas a gutta-percha é um produto natural, então ele se desintegra. Já vi alguns blocos desintegrados na praia."
Ela especula se outras empresas estarão fazendo resgates de cargas da 1ª Guerra. "Será possível que algumas placas seriam do Titanic? Não sei."

Filipinas é país mais atingido por clima extremo em 2013

Sobrevivente da passagem do tufão Haiyan, nas Filipinas

Lima - Filipinas, Camboja e Índia foram os países mais afetados pelos eventos climáticos extremos em 2013, de acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira durante as negociações da Organização das Nações Unidas (ONU) no Peru sobre um acordo global para limitar as mudanças do clima.
O estudo do Germanwatch, um instituto parcialmente financiado pelo governo alemão, revelou que as Filipinas sofreram mais porque 6.300 pessoas morreram na passagem do tufão Haiyan há um ano, causando 13 bilhões de dólares em danos.
Uma nova tempestade ameaça o país agora.
No geral, o estudo constatou que mais de 530.000 pessoas morreram em todo o mundo em 15.000 eventos climáticos extremos nas duas últimas décadas, incluindo inundações, deslizamentos de terra e secas, com perdas econômicas de 2,17 trilhões de dólares.
Condições meteorológicas extremas "não são apenas um problema para o futuro distante", disse Sonke Kreft, um dos autores, em uma entrevista coletiva. O Camboja foi atingido por chuvas de monções graves e a Índia foi afetada pelo tufão Phailin que destruiu 4 bilhões de dólares em lavouras.
O painel de cientistas climáticos da ONU afirmou que os impactos do aquecimento global podem ser identificados em todos os continentes com o aumento das temperaturas, que causam ondas de calor, chuvas e elevação do nível do mar.
Cientistas dizem que a frequência de alguns eventos climáticos extremos está aumentando, mas que é difícil vincular a mudança do clima a fenômenos climáticos individuais. Este ano pode ser um dos mais quentes já registrados.
"As vítimas continuam sendo as vítimas", disse o representante das Filipinas, Heherson Alvarez, sobre o ranking, em que os primeiros lugares são dominados por nações em desenvolvimento.
O estudo do Germanwatch é baseado em número de mortes por condições meteorológicas extremas, mortes por 100.000 habitantes, perdas econômicas absolutas e perdas em porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB).
Representantes de quase 200 países estão reunidos na capital peruana para trabalhar em um acordo, previsto para ser aprovado em Paris no fim de 2015, para combater as mudanças climáticas.
Exame.com

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Missão Espacial: "Sonda Hayabusa II" está pronta para coletar amostras de asteroide

 
Uma nova e ousada missão espacial está pronta para partir ao encontro de um corpo celeste do Sistema Solar, o asteroide 1999JU3, uma rocha de 920 metros. O objetivo da sonda japonesa Hayabusa II é estudar de perto esse pequeno objeto celeste com um sistema de minirrobôs que percorrerão a superfície e coletarão alguns gramas de amostras para análise na Terra. A Hayabusa II está acoplada a um foguete H IIA no centro espacial de Tanegashima, na ilha de mesmo nome a sudoeste do Japão. O lançamento estava programado para o domingo, mas as condições meteorológicas adversas previstas para o fim de semana obrigaram a adiar a partida para a segunda-feira, 1º de dezembro, às 13:22, hora de Tóquio (2:22 em Brasília). A Hayabusa II, uma missão da agência espacial nipônica JAXA em parceria com Alemanha e França, deve culminar com a chegada das amostras do asteroide no final de 2020.
Poucos dias após o pouso da sonda europeia Philae na superfície do cometa 67P/Churyamov-Gerasimenko, e com a missão científica Rosetta já plenamente dedicada a estudar a evolução desse objeto de gelo e pó em seu caminho para o Sol, esta outra missão, a Hayabusa  II, se dispõe e iniciar o estudo de outro tipo de corpo celeste, um asteroide.
O destino da Hayabusa II é um asteroide tipo C, considerado pouco afetado pelo ambiente espacial e pelo calor e que deve conter minerais hidratados e orgânicos. “Para aprofundar o conhecimento sobre a origem e evolução do Sistema Solar é importante pesquisar os tipos básicos de asteroides, S, C e D”, assinala a agência espacial japonesa. A missão Hayabusa I ocupou-se de um asteroide de tipo S, o Itokawa.
“Acredita-se que os minerais e a água que formam a Terra, assim como os materiais básicos para a vida, estão diretamente conectados com a nebulosa na origem do Sistema Solar e, com esta missão, esperamos ajudar a esclarecer a origem da vida analisando amostras de um corpo celeste primitivo como um asteroide tipo C, estudando matéria orgânica e água no Sistema Solar, como coexistem e como se afetam mutuamente", explicam os cientistas da JAXA.
A Hayabusa II, uma missão desenvolvida e construída em quatro anos com um custo estimado de 275 milhões de dólares (660 milhões de reais), é uma versão modernizada da Hayabusa I, com novidades importantes, como suas antenas avançadas planas, que melhoram a comunicação com a Terra, ou os mecanismos de amostragem e as câmeras. A sonda pesa na Terra quase 600 quilos e mede 1x1,6x1,4 metros. Para chegar ao asteroide 1999JU3, impulsionada por motores iônicos, ficará em uma órbita adequada ao redor do Sol, cumprirá uma manobra gravitacional ao redor da Terra no final de 2015 para ganhar velocidade e deve alcançar o asteroide em meados de 2018. Ficará ali um ano e meio antes de empreender a volta no final de 2019 para aproximar-se da Terra um ano depois. Soltará a pequena cápsula com as amostras tomadas no asteroide, que deve cair na Austrália. Terá percorrido ao todo 5,24 bilhões de quilômetros, devido a sua rota orbital, assinala a JAXA, apontando que, ao mesmo tempo, a Terra terá coberto uma distância um pouco maior, 5,64 bilhões de quilômetros, girando em torno do Sol.
Também o robô Hayabusa I, lançado em 2003, trouxe amostras, em seu caso do Itokawa, uma rocha celeste em forma de amendoim com 540 metros de tamanho máximo. Foi em 2010. A nova missão tem com avanços importantes. Quando chegar junto ao asteroide dedicará um tempo a estudá-lo de perto e enviará ao chão pequenos robôs para coletar dados: o Minerva II japonês e o Mascot, um artefato de dez quilos (na Terra) desenvolvido pelas agências espaciais alemã (DLR, a mesma que fez o Philae da missão Rosetta) e francesa (CNES). Esses robôs devem deslocar-se aos saltos pelo asteroide para coletar dados em pontos distintos (espera-se que sejam ao menos três pontos).
A Hayabusa II vai se encarregar diretamente da coleta de amostras do solo com uma estratégia de contato e decolagem imediata, ou seja, como se beliscasse a superfície da rocha 1999JU3. Mas além disso, a sonda leva um pequeno impactador, um bloco de cobre que a Hayabusa II lançará ao chão para produzir uma cratera artificial de poucos metros de diâmetro e extrair o material do subsolo, inalterado. Em seguida, a sonda realizará outra manobra de beliscar a superfície precisamente na cratera aberta para colher amostras. No total, serão poucos os gramas de material que devem chegar à Terra, mas serão gramas muito valiosos para os cientistas.
ElPaís.com

Conferência do clima da ONU começa com expectativa de acordo

A secretária-executiva da ONU para Mudanças Climáticas, Christiana Figueres, fala durante a abertura da COP20, em Lima, no Perú
 
A Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP 20) da Organização das Nações Unidas (ONU) teve início nesta segunda-feira em Lima, no Peru. Até 12 de dezembro, cientistas e diplomatas estarão reunidos para negociar um acordo de redução de emissões de gases do efeito estufa. O texto final será assinado na COP 21, marcada para dezembro de 2015, em Paris.
 A meta é limitar a elevação da temperatura média da Terra em 2º C até 2100. A temperatura já subiu 0,8º C em comparação à era pré-industrial. No cenário atual, o planeta está caminhando para um aumento de 3,6 a 4,8 º C até o fim do século, o que pode levar a eventos climáticos extremos, extinção de espécies e riscos para a segurança alimentar e o fornecimento de água potável em várias regiões do mundo.

Novo método — O documento vai definir quanto cada país deixará de emitir para brecar o aquecimento global, as defesas que serão criadas para fenômenos climáticos extremos e os meios de implementação do acordo. O pacto vigorará a partir de 2020, quando acaba a vigência do acordo selado na COP de Copenhague, em 2009. Na conferência na Dinamarca, não houve consenso entre os países e a cúpula foi considerada um fracasso. Por isso se adotou um método diferente para esse novo ciclo de negociações, iniciado em 2010 em Durban e que continuou em Cancún, Doha, Varsóvia e agora em Lima.
A China, campeã em emissões de gás carbônico (CO2) em 2013, e os Estados Unidos, líder em emissões acumuladas desde 1751, foram responsáveis pelo impasse em 2009. Agora, as duas nações acenam com um entendimento. O governo americano prometeu emitir 26% a 28% menos até 2025, e 80% até 2050. A China anunciou que não elevará as emissões depois de 2030, quando as fontes renováveis responderão por 20% de sua matriz energética. Além disso, a União Europeia assumiu a meta de reduzir suas emissões, em 2030, para 40% do volume registrado em 1990.
Atuação brasileira — Os países em desenvolvimento se preocupam com a possibilidade de não receber ajuda financeira do mundo desenvolvido para a luta contra o aquecimento global. A diplomacia brasileira sustenta, como forma de acabar com as quedas de braço entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, que os últimos devem ter metas e contribuições mais brandas, porque começaram a lançar os gases na atmosfera nas duas últimas décadas, enquanto os mais ricos muitas vezes o fazem desde a Revolução Industrial.
O texto propõe que os países desenvolvidos apresentem os compromissos mais ambiciosos de redução. Em tese, cada país oferecerá o que puder, conforme seu grau de desenvolvimento. "Em vez de uma pilha de compromissos, teremos um documento-base. Vai acabar o ciclo das negociações. A COP passará para o modo de adoção do acordo", afirmou Carlos Nobre, secretário de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Depois do fracasso de Copenhague, o governo brasileiro assumiu o compromisso voluntário de reduzir as emissões de 36,1% a 38,9% até 2020.
Veja.com 

Maior mancha solar dos últimos 24 anos pode afetar a Terra


A maior mancha solar a aparecer na estrela mais próxima da Terra em mais de duas décadas está apontada para o planeta mais uma vez e vai provavelmente iniciar tempestades solares, de acordo com informações do site americano Mashable.
A mancha solar enorme, anteriormente conhecida como Região Ativa 12192, se virou em direção à Terra em outubro, mas logo mudou de posição. Agora, a região ativa tem girado de volta a encarar a Terra mais uma vez, e, embora a mancha tenha diminuído de tamanho, provavelmente vai ser perturbadora, dizem cientistas da NASA.
A mancha é grande o suficiente para encobrir dez corpos celestes do tamanho da Terra. As tempestades podem afetar o funcionamento de satélites e interferir nas fontes de energia. Cientistas ainda não conseguem prever quando as manchas solares vão produzir labaredas e se essas lançarão ejeções de massa coronal.
“Desta vez, é mais provável que tenha algumas ejeções de massa coronal associados a ela, mesmo que as erupções solares possam ser menores”, disse a cientista da NASA Holly Gilbert. “Temos uma boa ideia, com base na estrutura de campo magnético e da mancha solar, de que possivelmente vão ocorrer erupções solares de nível médio”.
Manchas solares são regiões no Sol em que há mudanças repentinas em seu campo magnético. Essa situação bloqueia a luz e o calor de passaram pela região da mancha, fazendo com que aparece uma área escura no Sol em relação às áreas ao redor.
A NASA informou que essa é a maior mancha solar registrada desde 1990.