terça-feira, 24 de março de 2015

17 eventos astronômicos que você não pode perder nos próximos meses

 (Foto: jacsonquerubin/flickr/creative commons)
 
Na última sexta-feira (20/3), tivemos uma coincidência rara de três eventos astronômicos no mesmo dia: um eclipse total do Sol, uma superlua e o equinócio de outono. Todos os anos, os céus promovem casualidades como esta e verdadeiros espetáculos para os entusiastas de astronomia. O mais bacana é que, para observar muitos destes fenômenos, nem sequer é preciso ter um telescópio ou um bom binóculo – em várias ocasiões, eles são democráticos o suficiente para serem vistos a olho nu.
Confira:
ABRIL
4 – Eclipse lunar total e Lua de Sangue. Próximo fenômeno da lista, infelizmente grande parte do Brasil não poderá vê-lo direito, com exceção do Acre e do oeste do Amazonas, como podemos notar neste mapa da NASA. Mesmo assim, a Lua estará muito próxima do horizonte, quase se pondo. Mas não se preocupe: em setembro teremos um eclipse lunar total simplesmente perfeito para todos os brasileiros. Mais detalhes abaixo.
22 e 23 – Chuva de meteoros Lirídeas. Esta é uma chuva moderada, que produz em média 20 meteoros por hora na ocasião de máxima atividade. Causada por resíduos do cometa C/1861 G1 Thatcher, ela ocorre anualmente entre os dias 16 e 25 de abril, e em 2015 o pico acontecerá entre a noite do dia 22 e a manhã do dia 23. O melhor horário para observação será durante a madrugada, quando a Lua em fase crescente já terá sumido no horizonte, deixando os céus mais escuros. Vale olhar para a constelação de Lira, de onde os meteoros vão parecer surgir (radiante), mas eles podem aparecer em qualquer lugar do céu. Assim como em qualquer evento do gênero, é indicado ir a algum lugar longe de grandes cidades – onde os céus são mais estrelados.
 
MAIO
5 e 6 – Chuva de meteoros Eta Aquarídeas. Esta é uma chuva acima da média, capaz de atingir até 60 meteoros por hora durante o pico, que este ano ocorre entre a noite do dia 5 e a manhã do dia 6 de maio. Seus detritos vêm do famoso cometa Halley, cuja órbita a Terra cruza todos os anos entre 19 de abril e 28 de maio. A boa notícia é que o Hemisfério Sul vai ser privilegiado na observação; a má notícia é que a Lua estará quase cheia, impedindo a visão dos meteoros menos brilhantes. Mas de qualquer forma, depois da meia-noite, as chances são grandes de avistar alguns – basta ter como referencial a constelação de Aquário.
 
Chuva de meteoros poderá ser vista na madrugada de hoje (Foto: Reprodução)
 
7 – Mercúrio atinge elongação oriental máxima. Neste dia, o planeta terá boas condições de visibilidade, pois estará em seu ponto mais alto no céu do crepúsculo. Mercúrio poderá ser encontrado na direção oeste pouco depois do pôr do sol (telescópio ou binóculos auxiliam na visualização do pequeno astro).
23 – Saturno em oposição. Este é o melhor dia do ano para observar e fotografar a “joia” do Sistema Solar: Saturno atingirá seu ponto mais próximo da Terra e poderemos vê-lo inteiramente iluminado pelo Sol. Ele estará em sua fase mais brilhante e poderá ser visto durante toda a noite, e com um telescópio de médio porte já é possível contemplar os anéis e as luas mais brilhantes.
JUNHO


6 – Vênus atinge máxima elongação oriental. Neste dia, o planeta terá boas condições de visibilidade, pois estará em seu ponto mais alto no céu do crepúsculo. Vênus estará muito brilhante na direção oeste, pouco depois do pôr do sol.

 
 
JULHO
1 – Conjunção entre Vênus e Júpiter. Os dois planetas estão entre os objetos mais brilhantes do céu noturno, e neste dia vão estar absurdamente próximos um do outro, a uma distância aparente de meros 0,3º. Para achar o par, é só olhar para o oeste logo após o pôr do sol.
AGOSTO


12 e 13 – Chuva de meteoros Perseidas. Em 2015 esta que é uma das melhores chuvas para se observar promete ainda mais, já que a fina lua crescente não deve atrapalhar sua visibilidade. As partículas deixadas para trás pelo cometa Swift-Tuttle são famosas por produzir, entre 17 de julho e 24 de agosto, uma grande quantidade de meteoros muito brilhantes. O pico de atividades neste ano será entre a noite de 12 e a manhã de 13 de agosto, depois da meia-noite. O radiante das Perseidas fica na constelação de Perseu, mas os meteoros podem aparecer em qualquer lugar do céu.
29 – Superlua. Marcando a primeira das três superluas visíveis de 2015, neste dia nosso satélite natural estará em sua fase cheia, com o disco inteiramente iluminado pelo Sol. A Lua deve parecer um pouco maior e mais brilhante no céu, já que atinge o ponto de sua órbita em que está mais próxima da Terra.

Lua poderá ser vista em tamanho ampliado por volta das 18h, perto da linha do horizonte (Foto: Joe/flickr/creative commons)
SETEMBRO
28 – Superlua e eclipse lunar total. Segunda do ano, esta superlua será a mais próxima de todas da superfície terrestre. E não é só isso: neste dia, nós brasileiros seremos agraciados com uma vista “de camarote” para um eclipse total da Lua, que não deve se repetir antes de 2019. Todo o território de nosso país poderá observar, por volta das 22h, a Lua começar a escurecer e ganhar uma coloração avermelhada, conhecida como “Lua de Sangue”. Cerca de uma hora depois, o astro estará completamente eclipsado, e só voltará ao normal por volta das 1h30 da madrugada.
OUTUBRO
1 – Cometa C/2013 US10 Catalina. Descoberto há pouco tempo, em 2013, o cometa pode se tornar visível a olho nu nos céus do Hemisfério Sul neste dia. Conforme migra para uma observação somente no Hemisfério Norte, ele pode ganhar ainda mais brilho até o fim do ano.
21 e 22 – Chuva de meteoros Orionídeas. Irmã gêmea das Eta Aquarídeas, também produzida por fragmentos do cometa Halley, as Orionídeas (2 de outubro - 7 de novembro) são um pouco mais modestas: cerca de 20 meteoros são produzidos por hora durante o pico de atividade, que este ano ocorre entre a noite de 21 e a manhã de 22 de outubro. Para observá-la, basta ir a um local com pouca iluminação e ficar de olho na constelação de Órion depois da meia-noite.
 
27 – Superlua. Esta será a última superlua do ano.
28 – Conjunção entre três planetas (Vênus, Marte e Júpiter). Típico evento que deixa a comunidade de entusiastas de astronomia em polvorosa, o encontro relativamente raro entre os três planetas deve ocorrer pela manhã, pouco antes do nascer do sol, na direção leste. Vênus, Marte e Júpiter formarão um pequeno triângulo de 1º no céu da alvorada.
 
Conjunção entre Júpiter, Mercúrio e Vênus (Foto: Ray Ellersick/flickr/creative commons)
DEZEMBRO
7 – Conjunção entre Vênus e Lua. A Lua crescente deve se encontrar com o brilhante Vênus na direção leste, pouco antes do amanhecer. Os astros estarão a uma distância aparente de 2º um do outro.
13 e 14 – Chuva de meteoros Geminídeas. Considerada por muitos como a melhor chuva de meteoros de todas, as Geminídeas podem produzir até 120 meteoros multicoloridos por hora. Os resíduos do asteroide 3200 Faetonte cruzam com a Terra todos os anos entre 7 e 17 de dezembro, sendo que em 2015 o pico da chuva será durante a madrugada de 13 para 14 daquele mês. Para observá-la, é preciso estar em uma área com pouca luminosidade e, de preferência, olhar para o radiante, que fica na constelação de Gêmeos. Mas os meteoros podem riscar o céu em qualquer região.
25 – Lua Cheia. Não poderia haver data melhor para a última Lua Cheia do ano: bem no dia de Natal. Aproveite a celebração com uma enorme e brilhante Lua no céu!
 





 

Júpiter pode ter 'varrido' primeira geração de planetas

Imagem de Júpiter feita pela sonda Cassini

Como uma gigantesca bola de demolição, Júpiter pode ter atingido o Sistema Solar na época de sua formação, destruindo a primeira geração de planetas nascentes, antes de recuar para a órbita atual. A conclusão é de estudo publicado na segunda-feira no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Segundo os autores, a descoberta ajuda a explicar por que o Sistema Solar é tão diferente de centenas de outros já descobertos.
"Agora que podemos comparar o Sistema Solar com outros sistemas planetários, uma das características mais interessantes é a ausência de planetas entre o Sol e a órbita de Mercúrio. O padrão típico dos sistemas planetários da nossa galáxia parece ser um conjunto de superterras", disse um dos autores do estudo, o astrofísico Gregory Laughlin, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.
Para os cientistas, Júpiter teria primeiro migrado para dentro do sistema, em direção ao Sol, até que a formação de Saturno causasse a reversão de seu curso, fazendo com que chegasse até sua posição atual. Naquele momento, seria plausível que planetas rochosos com espessas atmosferas tivessem se formado perto do Sol, a partir de um denso disco de gás e poeira. Esses planetas se tornariam "superterras", como as que existem em outros sistemas.
À medida que Júpiter se moveu para dentro do Sistema Solar, no entanto, perturbações gravitacionais do planeta gigante teriam varrido esses planetas - além de planetoides e asteroides -, segundo o estudo, fazendo com que eles "trançassem" suas órbitas, gerando uma série de colisões que os teriam feito em pedaços.
Órbita - "É a mesma coisa que tememos que aconteça com os satélites que estão para ser destruídos na órbita baixa da Terra. Os fragmentos deles iriam começar a se chocar com outros satélites, gerando uma reação em cadeia de colisões. Nosso trabalho indica que Júpiter deve ter criado esse tipo de cascata de colisões no Sistema Solar interno", disse Laughlin. Mercúrio, Vênus, Terra e Marte teriam se formado só depois da destruição dos planetas internos e do recuo de Júpiter.
Veja.com

Empresa cria embalagem de ketchup que não deixa o produto grudar no fundo

Demonstração da LiquidGlide com vidro de ketchup

Uma empresa americana criou uma embalagem de ketchup que não deixa o produto ficar preso no fundo, evitando desperdícios - e eventuais ataques de fúria. O feito é obtido com a adição de uma camada de material hidrofóbico (que repele a água e outros tipos de líquido) no interior do recipiente, que pode servir para diversos produtos além do ketchup.
Assim, praticamente qualquer substância desliza no pote, escorregando para fora sem desperdícios. A tecnologia foi desenvolvida no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O doutorando Dave Smith estava trabalhando no laboratório do professor Kripa Varanasi em uma forma de evitar o entupimento de tubulações de gás e óleo e desenvolveu esta técnica, que só depois passou para objetos do cotidiano.
O aluno e o professor fundaram a LiquiGlide em 2012, empresa com sede em Massachusetts responsável pelo produto. Os fracos com essa tecnologia ainda estão em fase de demonstração.
 

segunda-feira, 23 de março de 2015

Egito vai ganhar nova pirâmide futurista

Egito vai ganhar nova pirâmide futurista: <p xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">O Egito é um país incrível. Um dos primeiros locais povoados pelo homem, esta terra foi o lar da mais avançada sociedade do planeta. Aqui foram construíram maravilhas arquitetônicas, como <a href="http://www.pureviagem.com.br/noticia/as-15-ruinas-historicas-mais-visitadas-do-mundo_a4593/1">as Pirâmides de Gizé</a> e sua esfinge guardiã, <a href="http://www.pureviagem.com.br/noticia/turistas-poderao-circular-ao-lado-da-esfinge-de-gize-no-egito-apos-reformas_a3610/1">a mais antiga escultura que se tem ciência</a>. Hoje, a nação procura novas maneiras de se modernizar e atrair o turismo. É o caso do Grand Egyptian Museum, <a href="http://www.pureviagem.com.br/noticia/10-atracoes-que-abrirao-em-2015-ao-redor-do-mundo_a4048/1">uma das 10 atrações globais que serão inauguradas em 2015</a>, e a Zayed Crystal Spark, o mais novo empreendimento do Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano egípcio.</p><p xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">Buscando novas formas de capitalizar em cima do símbolo nacional - a pirâmide -, o governo do Egito anunciou, durante a Economic Summit, evento realizado entre 13 e 15 de março de 2015 no balneário de Sharm El-Sheikh, a construção de uma estrutura piramidal high-tech de dimensões colossais. Esta deverá ser a maior edificação do país, ultrapassando a Torre do Cairo, que se ergue a 187 metros do solo. O arranha-céu terá mais de 200 metros de altura. A Pirâmide de Quéops, por exemplo, possui 146 metros de altura.</p><p xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">De acordo com o jornal "Cairo Post", a Zayed Crystal Spark será um prédio multiuso e ficará localizada no distrito de Sheikh Zayed, fora de Cairo. Moustafa Madbouly, Ministro da Habitação do Egito, definiu o empreendimento como "um projeto administrativo, com áreas comerciais e um parque de diversões".</p><p xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">Sheikh Zayed é uma nova área metropolitana, construída em 1995, com investimento do Fundo de Abu Dhabi para o Desenvolvimento. A cidade é formada por quatro bairros, divididos em 20 distritos e está situada na província de Giza, considerado um subúrbio e uma extensão natural da Grande Cairo.</p><p xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">A pirâmide será construída em um quarteirão de 798 mil metros quadrados, graças à parcerias entre incorporadoras e a New Urban Communities Authority (NUCA), uma agência subordinada ao Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano. O arquiteto responsável e o custo final da obra ainda não foram revelados pelo Ministro egípcio.</p><p xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">A promessa é de que a Zayed Crystal Spark seja entusiasmante visualmente. Sua fachada será toda de vidro e brilhará no escuro, graças à piscinas que refletirão a luz através da estrutura. Por enquanto o mistério que gira em torno do projeto tem sido o principal motivo de fascínio. Mais detalhes devem ser divulgados até o final de março.</p><p>Na Foto: A Zayed Crystal Spark é um projeto de vanguarda, que utilizará um dos mais antigos conceitos arquitetônicos da humanidade</p>
O Egito é um país incrível. Um dos primeiros locais povoados pelo homem, esta terra foi o lar da mais avançada sociedade do planeta. Aqui foram construíram maravilhas arquitetônicas, como as Pirâmides de Gizé e sua esfinge guardiã, a mais antiga escultura que se tem ciência. Hoje, a nação procura novas maneiras de se modernizar e atrair o turismo. É o caso do Grand Egyptian Museum, uma das 10 atrações globais que serão inauguradas em 2015, e a Zayed Crystal Spark, o mais novo empreendimento do Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano egípcio.
Buscando novas formas de capitalizar em cima do símbolo nacional - a pirâmide -, o governo do Egito anunciou, durante a Economic Summit, evento realizado entre 13 e 15 de março de 2015 no balneário de Sharm El-Sheikh, a construção de uma estrutura piramidal high-tech de dimensões colossais. Esta deverá ser a maior edificação do país, ultrapassando a Torre do Cairo, que se ergue a 187 metros do solo. O arranha-céu terá mais de 200 metros de altura. A Pirâmide de Quéops, por exemplo, possui 146 metros de altura.
De acordo com o jornal "Cairo Post", a Zayed Crystal Spark será um prédio multiuso e ficará localizada no distrito de Sheikh Zayed, fora de Cairo. Moustafa Madbouly, Ministro da Habitação do Egito, definiu o empreendimento como "um projeto administrativo, com áreas comerciais e um parque de diversões".
Sheikh Zayed é uma nova área metropolitana, construída em 1995, com investimento do Fundo de Abu Dhabi para o Desenvolvimento. A cidade é formada por quatro bairros, divididos em 20 distritos e está situada na província de Giza, considerado um subúrbio e uma extensão natural da Grande Cairo.
A pirâmide será construída em um quarteirão de 798 mil metros quadrados, graças à parcerias entre incorporadoras e a New Urban Communities Authority (NUCA), uma agência subordinada ao Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano. O arquiteto responsável e o custo final da obra ainda não foram revelados pelo Ministro egípcio.
A promessa é de que a Zayed Crystal Spark seja entusiasmante visualmente. Sua fachada será toda de vidro e brilhará no escuro, graças à piscinas que refletirão a luz através da estrutura. Por enquanto o mistério que gira em torno do projeto tem sido o principal motivo de fascínio. Mais detalhes devem ser divulgados até o final de março.

sábado, 21 de março de 2015

Frase


Módulo Philae não responde aos sinais da sonda Rosetta

Diferença de coloração entre a região do 'pescoço' (mais azulada) e o resto do cometa. Netsa imagem, as cores foram reforçadas para ressaltar a diferença

O módulo Philae, que fez história ao pousar há quatro meses sobre um cometa, não respondeu aos sinais que a sonda Rosetta enviou durante oito dias, na primeira tentativa realizada para retomar a comunicação com o aparelho. A próxima investida será feita em abril, informou nesta sexta-feira o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), responsável pelo módulo. "Talvez ainda esteja muito frio para que o Philae acorde sobre o cometa 67/P Churyumov-Gerasimenko. Talvez ele ainda não tenha recursos energéticos suficientes para enviar um sinal", disse o diretor de projetos do DLR, Stephan Ulamec.
Em 12 de novembro de 2014, o robô foi desprendido da sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA), e pousou sobre o cometa após quicar duas vezes, o que fez com que ele se afastasse do local escolhido pelos cientistas e ficasse em uma zona escura e rochosa. Sem a luz solar necessária para carregar as baterias, o módulo entrou em hibernação 57 horas depois do pouso. No dia 12 de março, Rosetta começou a enviar sinais para verificar se o robô tinha acordado, mas não obteve resposta. "Foi uma tentativa precoce. Repetiremos o processo até que recebamos uma resposta do Philae", informou o diretor, que pediu paciência.
Comunicação com a Terra - Para que o Philae volte a ligar, o interior do módulo deve atingir menos 45 graus Celsius e ser capaz de gerar pelo menos 5,5 watts a partir de seus painéis solares, mas para enviar sinais à Terra é preciso chegar aos 19 watts. Os engenheiros do DLR descartaram a possibilidade de que um aquecimento tenha acontecido entre janeiro e fevereiro, e concordaram que em março havia uma chance, já que o cometa, mais perto do Sol, recebia o dobro de radiação de novembro.
Além disso, para responder aos sinais o módulo deve manter a temperatura e a capacidade de geração de energia mínima por pelo menos 45 minutos, já que seus receptores começam a operação 30 minutos depois do despertar. Segundo os engenheiros do DLR, pode ser que o módulo já tenha acordado, mas tenha a energia suficiente para transmitir sua resposta.
Veja.com

Gelo marítimo do Ártico teve menor nível para um inverno

Rachaduras vistas sobre a cobertura de gelo do Oceano Ártico ao norte do Alasca

O gelo marítimo do Ártico atingiu no mês passado, no ápice do inverno no hemisfério Norte, a extensão de 14,54 milhões de quilômetros quadrados. Este volume é o mais baixo já registrado nesse período, quando o gelo do Ártico atinge sua maior extensão antes de começar a derreter com a chegada da primavera. A quantidade de gelo está 1,1 milhão de quilômetros quadrados abaixo da média de 1981 a 2010 e 130.000 quilômetros quadrados abaixo do menor pico dos últimos anos, registrado em 2011. Os dados foram divulgados na quinta-feira pelo Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos (NSIDC, na sigla em inglês).
Neste ano, a máxima foi registrada no dia 25 de fevereiro. O NSIDC calcula a extensão do gelo diariamente e espera por uma clara tendência de redução por alguns dias para determinar o ápice, que já ocorreu mais cedo, em 24 de fevereiro de 1996, e mais tarde, em 2 de abril de 2010.
No total, o gelo do Ártico aumentou 9,91 milhões de quilômetros quadrados no último inverno, um crescimento substancialmente menor do que comparativo anterior. De acordo com a instituição, parte da explicação para a pequena quantidade de gelo está nos padrões climáticos.
O mês de fevereiro foi caracterizado por uma configuração incomum, com ventos quentes atingindo parte do Ártico.
Veja.com

Relatório da ONU alerta para possível crise mundial de água

APENAS 3% - O Sistema Cantareira, do qual faz parte a Represa do Atibainha (na foto), que abastece a Grande São Paulo, secou e, se não chover, começará novembro em colapso

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgado nesta sexta-feira estima que as reservas hídricas do mundo podem encolher 40% até 2030. Segundo o documento, há no mundo água suficiente para suprir as necessidades de crescimento do consumo, desde que haja uma mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento do recurso.
De acordo com a organização, nas últimas décadas o consumo de água cresceu duas vezes mais do que a população e a estimativa é que a demanda aumente 55% até 2050. Os desafios são muitos: o crescimento da população está estimado em 80 milhões de pessoas por ano, podendo chegar a 9,1 bilhões em 2050.
Os dados estão no relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos 2015 - Água para um Mundo Sustentável. Segundo o documento, a crise global de água é de governança, muito mais do que de disponibilidade de recurso, e um padrão de consumo mundial sustentável ainda está distante.
A ONU estima que atualmente 20% dos aquíferos - grandes reservatórios que concentram água no subterrâneo e abastecem nascentes e rios - estejam explorados acima de sua capacidade. Eles são responsáveis por fornecer água potável à metade da população mundial e é de onde provêm 43% da água usada na irrigação.
Possíveis medidas - De acordo com Angela Ortigara, oficial de Ciências Naturais da Unesco na Itália, a intenção do documento é alertar os governos para que incentivem o consumo sustentável e evitem uma grave crise de abastecimento no futuro. "É importante melhorar a transparência nas decisões e também tomar medidas de maneira integrada com os diferentes setores que utilizam a água. A população deve sentir que faz parte da solução", diz.
"Grande parte dos problemas que os países enfrentam passa também por padrões de consumo, que só a longo prazo conseguiremos mudar, e a educação é a ferramenta para isso", diz Ary Mergulhão, coordenador de Ciências Naturais da Unesco no Brasil.
O relatório atribui o possível cenário de falta de água a vários fatores como a intensa urbanização, as práticas agrícolas inadequadas e a poluição. De maneira geral, para combatê-lo a Unesco recomenda mudanças na administração pública, no investimento em infraestrutura e em educação.
O documento foi escrito pelo Programa Mundial de Avaliação da Água (WWAP, na sigla em inglês) e produzido em colaboração com as 31 agências do sistema das Nações Unidas e 37 parceiros internacionais da ONU-Água. A intenção é que a questão hídrica seja um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que vêm sendo discutidos desde 2013, seguindo orientação da Conferência Rio+20 e que deverão nortear as atividades de cooperação internacional nos próximos 15 anos.
Brasil - Segundo o documento, o Brasil está entre os países que mais registraram stress ambiental. As mudanças nos fluxos naturais dos rios, realizadas entre 1981 e 2014, para a construção de represas ou usinas hidrelétricas causaram maior degradação dos ecossistemas, com aumento do número de espécies invasoras, além do risco de assoreamento.
Apesar do país já enfrentar problemas de abastecimento no Nordeste, a preocupação com a falta de água ganhou destaque com a crise hídrica no Sudeste. A ausência de chuvas no ano passado baixou o nível de reservatórios importantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que tiveram que implantar políticas restritivas de acesso à água.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O inverno do hemisfério norte foi o mais quente da história

 O gráfico da NOAA mostra a média de temperatura no mundo entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015. O azul mais escuro são redorde de frio. Os azuis intermediários são muito mais frio que a média. O azul claro é mais frio que a média. O branco são áreas  (Foto: NOAA/Divulgação)

O inverno do hemisfério norte foi o mais quente da história

A estação de 2014 para 2015 teve a média mais alta de calor desde o início dos registros em 1895, segundo a agência para atmosfera e oceanos dos EUA

 
O gráfico da NOAA mostra a média de temperatura no mundo entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015. O azul mais escuro são redorde de frio. Os azuis intermediários são muito mais frio que a média. O azul claro é mais frio que a média. O branco são áreas (Foto: NOAA/Divulgação)
 
O inverno de 2014 para 2015, que se encerra agora no hemisfério norte, foi o mais quente desde que começaram os registros em 1895. A notícia foi dada pela Agência de Atmosfera e Oceanos dos EUA, a NOAA. O inverno de agora passou o último recordista, de 2007 para 2008. Os meses de janeiro e fevereiro foram os mais quentes também desde o início dos registros, batendo os recordes de 2002 e 2007.

Pesquisa com 111 rios brasileiros mostra que 23% têm água ruim ou péssima

 
Análise do grau de poluição de 111 rios brasileiros, divulgada nesta quarta-feira (18) pela organização não governamental (ONG) SOS Mata Atlântica, revela que 23,3% das águas é ruim ou péssima. De acordo com a legislação brasileira, as águas nessa situação não podem sequer receber tratamento para consumo humano ou ser usadas para irrigação de lavouras.
Os pesquisadores coletaram água em 301 pontos de rios e mananciais do Rio de Janeiro, de São Paulo, Brasília, Santa Catarina, Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e Distrito Federal, entre março de 2014 e fevereiro de 2015.
De acordo com a pesquisa, em 21,6% dos pontos de coleta, a água foi considerada ruim, e em 1,7%, péssima. Em 186 pontos (61,8%), os pesquisadores encontraram água considerada regular e 45 pontos (15%) mostraram boa qualidade. Nenhum dos rios analisados tem água totalmente limpa, segundo o levantamento. A classificação tem como base parâmetros do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Em SÃ PAULO o número de pontos de coleta com qualidade ruim ou péssima caiu de 74,9% para 44,3% na comparação com o levantamento anterior, feito entre março de 2013 e fevereiro de 2014 No mesmo período, o percentual de amostras com qualidade regular ou boa subiu de 25% para 55,4%.
 A coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, explica que a seca no estado diminuiu o escoamento para os rios, o que protegeu os cursos d'água da poluição. “Com a seca,  os pontos monitorados deixaram de receber resíduos sólidos ou lixo, sedimentos com solos contaminados, fuligem de veículos e materiais particulados”, disse.
No Rio de Janeiro, no entanto, a qualidade da água piorou em 2014/2015. O percentual de pontos com água de qualidade ruim subiu de 40% para 66,7% na comparação com o levantamento anterior.
A SOS Mata Atlântica atribui a poluição dos rios à falta de investimento em saneamento e tratamento de água, ao desmatamento e à perda da mata ciliar – vegetação nas margens de rios – desses cursos d'água. Para Malu, a qualidade das águas está diretamente ligada à crise hídrica que atinge diversas regiões do país. “O problema não é falta de chuva, é que as águas que existem estão poluídas”, destacou.
 

Coincidência raríssima de três eventos astronômicos ocorre amanhã

 Superlua sobre Olvera, Espanha
 
A última vez em que pudemos observar um eclipse solar total foi em novembro de 2013. O fenômeno acontece quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol, bloqueando momentaneamente a passagem da luz. Nesta sexta-feira (20/3), alguns poucos lugares do mundo vão poder admirar o evento em sua totalidade. Mas o mais curioso é que outros dois acontecimentos astronômicos estão marcados para a mesma data: o equinócio de outono, momento do ano em que o dia e a noite têm a mesma quantidade de horas, e o perigeu lunar, ponto em que a órbita da Lua está mais próxima da superfície terrestre, causando as chamadas superluas.
Não que um fenômeno influencie os outros consideravelmente, mas coincidências celestes são sempre interessantes. Segundo o The Independent , as próximas vezes que um eclipse solar ocorrerá ao mesmo tempo em que um equinócio serão em 2053 e 2072.
Eclipse solar Na sexta-feira pela manhã, a enorme sombra em formato elíptico da Lua, que terá 463 quilômetros de comprimento por 150 quilômetros de largura, começará a ser projetada no Atlântico Norte, um pouco ao sul da Groenlândia. Ela vai seguir uma trajetória semelhante a um semicírculo, passando entre a Islândia e o Reino Unido e depois seguindo até o Polo Norte. No caminho, ela encobrirá as ilhas dinamarquesas Faroé e, em seguida, o arquipélago de Svalbard, que pertence à Noruega.
São as únicas povoações humanas que poderão ver 100% do eclipse. No entanto, outras localidades próximas também vão estar em condições favoráveis, sobretudo os países britânicos e nórdicos. Na Europa, em geral, será possível ver de 50 a 99% do diâmetro do Sol eclipsado, de acordo com a cidade. Esta tabela mostra dados detalhados, como horário e magnitude, para cada lugar. O norte da África e alguns locais da Ásia e Atlântico também poderão ver um pouco do evento.
Se você estiver em alguma área contemplada, lembre-se: nunca olhe para o Sol sem equipamentos de proteção! Isso pode causar danos permanentes à visão.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Frase

Foto de Frase Seleta.

Cerca de 750 milhões de pessoas não têm acesso à água potável

Cerca de 750 milhões de pessoas no mundo vivem sem acesso à água potável, o que resulta na morte de mais de 500 mil crianças por ano, informa comunicado divulgado hoje (18) pela organização Plan Internacional.
Por ocasião do Dia Mundial da Água, que será comemorado domingo (22), a organização não governamental (ONG) de proteção aos direitos da infância lembrou que o recolhimento de água é um trabalho de mulheres e, sobretudo, de crianças, na maioria dos países em desenvolvimento da África, Ásia e América.
A falta de água de qualidade e potável "agrava a pobreza dos países em desenvolvimento" e causa "subnutrição e morte", comenta.
"Uma criança morre por minuto devido à falta de acesso à água limpa", destaca o comunicado.
No ano passado, a Plan Internacional investiu mais de 42 milhões de euros em projetos de água e saneamento e na melhoria de instalações sanitárias de mais de 800 mil famílias.
"Embora a meta fixada pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), de 89% de cobertura de água potável em nível mundial, tenha sido alcançada em 2012, ainda há 45 países que não conseguiram chegar a esse objetivo e não deverão atingí-lo até 2026", de acordo com os cálculos da ONG.
A diretora-geral da Plan Internacional na Espanha, Concha Lopez, garantiu que "o acesso à água potável em uma comunidade melhora de forma decisiva aspectos como a educação e a igualdade de gênero".
Lopez acrescentou que ter um ponto de água próximo de casa "melhora os índices de presença na escola e contribui para o cumprimento de outro ODM: garantir a educação primária universal".
Os programas dessa organização estendem-se a projetos contra doenças como a malária ou a cólera em vários países, como a região de Kayes, no Mali, onde uma de suas iniciativas, financiada pela União Europeia, contribui atualmente para a distribuição de água de qualidade a cerca de 20 mil pessoas.
Jornal do Brasil.com

Nuvem de poeira e aurora são detectadas em Marte

Marte

Uma aeronave da NASA que circula por Marte detectou uma poeira misteriosa e uma aurora vibrante, ambos fenômenos inesperados no planeta vizinho à Terra - disseram pesquisadores nesta quarta-feira.
 
A sonda da NASA MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution, em inglês) detectou a presença de uma aurora - conhecida na Terra como aurora boreal - em dezembro, e ganharam o apelido de "luzes de Natal", segundo comunicado divulgado pela agência espacial, que apresentou as descobertas numa conferência de astronomia no Texas.
"Durante cinco dias, pouco antes de 25 de dezembro, a MAVEN viu um brilho de aurora ultravioleta abrangendo o hemisfério norte", disse o comunicado.
O fenômeno da aurora ocorre quando tempestades geomagnéticas desencadeadas por erupções no Sol O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,via-lactea-pode-ter-bilhoes-de-planetas-na-zona-habitavel,1652922
ambos fenômenos inesperados no planeta vizinho à Terra - disseram pesquisadores nesta quarta-feira.
A sonda da NASA MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution, em inglês) detectou a presença de uma aurora - conhecida na Terra como aurora boreal - em dezembro, e ganharam o apelido de "luzes de Natal", segundo comunicado divulgado pela agência espacial, que apresentou as descobertas numa conferência de astronomia no Texas.
"Durante cinco dias, pouco antes de 25 de dezembro, a MAVEN viu um brilho de aurora ultravioleta abrangendo o hemisfério norte", disse o comunicado.
O fenômeno da aurora ocorre quando tempestades geomagnéticas desencadeadas por erupções no Sol provocam choques entre partículas energéticas - como os elétrons - com a atmosfera, fazendo com que o gás brilhe.
"O que é especialmente surpreendente sobre a aurora observada é como ela ocorre numa área profunda da atmosfera - muito mais profunda do que na Terra ou em outros lugares de Marte", disse Arnaud Stiepen, membro da equipe de Espectrografia e Imagem Ultravioleta da Universidade do Colorado.
"Os elétrons que produzem esta aurora devem ser muito energéticos".
Especialistas acreditam que a fonte das partículas energéticas da aurora de Marte é o Sol, porque o instrumento utilizado pela sonda MAVEN "detectou um grande aumento de elétrons energéticos no início da aurora", afirmou a NASA.
Como Marte perdeu o campo magnético protetor há bilhões de anos atrás, as partículas solares podem atingir diretamente a atmosfera e penetrar profundamente.
Com a ajuda da sonda MAVEN, os cientistas também observaram uma nuvem de poeira incomum cerca de 150 quilômetros acima da superfície do planeta vermelho.
A origem da poeira é desconhecida, assim como seu conteúdo e permanência.
"Possíveis fontes para a poeira observada incluem poeira que subiu da atmosfera; poeira proveniente de Phobos e Deimos, as duas luas de Marte; pó se movendo no vento solar para longe do Sol; ou detritos de cometas que orbitam o Sol", afirmou a NASA.
"Nenhum processo conhecido em Marte pode explicar o aparecimento de poeira nos locais observados a partir de qualquer uma destas fontes".
As descobertas foram apresentadas na 46ª Conferencia de Ciência Lunar e Planetária em Woodlands, no estado norte-americano do Texas.
A sonda MAVEN foi lançada em direção a Marte em novembro de 2013, em missão para estudar como o planeta perdeu a maior parte de sua água e atmosfera.
A sonda não tripulada está no quarto mês de sua missão de um ano.
Exame.com

Capacidade da Amazônia de absorver carbono da atmosfera cai pela metade

 
Caiu pela metade, em pouco mais de 20 anos, a capacidade de a Amazônia absorver carbono da atmosfera, mostra o mais amplo estudo já feito sobre o tema. De um pico de dois bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano na década de 1990, a captação da floresta se reduziu a um bilhão de toneladas e, pela primeira vez, é menor que as emissões de combustíveis fósseis na América Latina. O trabalho, publicado nesta quarta-feira pela revista “Nature”, foi desenvolvido ao longo de 30 anos, envolveu uma equipe internacional de quase cem pesquisadores, liderados pela Universidade de Leeds.
A pesquisa traz ainda um alerta. Embora a Amazônia venha atuando como uma espécie de freio das mudanças climáticas, ao absorver mais carbono da atmosfera do que libera, a dinâmica florestal analisada mostra que há um aumento na taxa de árvores morrendo em toda a floresta.
Os pesquisadores explicam que, inicialmente, a alta de dióxido de carbono - ingrediente-chave para a fotossíntese - levou a uma espécie de surto de crescimento de árvores. No entanto, o excesso de carbono parece ter tido consequências inesperadas.
- As taxas de mortalidade de árvores têm aumentado em mais de um terço desde meados da década de 1980, e isso está afetando a capacidade da Amazônia de armazenar carbono - afirma Roel Brienen, professor da Faculdade de Geografia da Universidade de Leeds e principal autor do estudo.
Oliver Phillips, coautor e professor na mesma instituição acrescenta que, ao longo dos anos, o ciclo de vida das árvores diminuiu:
- Com o tempo, o estímulo ao crescimento se alimenta através do sistema, fazendo com que as árvores vivam mais rápido, e, assim, morram mais cedo.
Episódios recentes de escassez de chuvas e altas temperaturas na Amazônia também podem ter
desempenhado um papel no processo. Embora o estudo constate que o aumento da mortalidade das árvores tenha começado bem antes da seca intensa que afetou a floresta em 2005, os cientistas também afirmam que o fenômeno matou milhões de árvores adicionais.
PREVISÕES 'OTIMISTAS'
 
Brienen diz que estudos sobre mudanças climáticas costumam considerar as repostas da vegetação ao aumento de dióxido de carbono na atmosfera, levando em conta que a Amazônia continuará a acumular tal elemento químico. O presente trabalho, contudo, mostra que esse pode não ser o caso:

- Independentemente das causas do aumento da mortalidade de árvores, este estudo mostra que as previsões de um aumento contínuo do estoque de carbono em florestas tropicais pode ser demasiado otimista.
Os cientistas, que trabalham há décadas em oito países da América do Sul, examinaram 321 lotes da floresta em seis milhões de quilômetros quadrados da Amazônia. Eles identificaram e mensuraram 200 mil árvores, registrando as mortes, o crescimento, e o surgimento de novos exemplares. O trabalho foi coordenado pela Rainfor, uma rede de pesquisa dedicada ao acompanhamento das florestas amazônicas.
- Em todo o mundo, mesmo as florestas intactas estão mudando - constata Phillips. - As florestas estão nos fazendo um favor enorme, mas não podemos contar com elas para resolver o problema de carbono. Em vez disso, cortes mais profundos nas emissões serão necessários para estabilizar nosso clima.


 
 
 





terça-feira, 17 de março de 2015

Agência Espacial Européia prepara sonda que deve se aproximar do Sol

Elipse do Sol pela Terra. Imagens da sonda Solar Dynamics Observatory (SDO), feitas em abril de 2011.

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) planeja enviar ao espaço uma sonda que se aproximará do Sol mais do que qualquer objeto criado pelo homem. A missão acaba de passar por um estágio crucial de pré-lançamento: a finalização do modelo estrutural e térmico da nave. Essa etapa foi realizada pela Airbus Defense and Spce, uma divisão da empresa Airbus voltada para o desenvolvimento aeroespacial. A nave será enviada para um laboratório da ESA em 23 de março, para passar por testes mecânicos. Seu lançamento está previsto para 2017.
O plano é que a nave cruze a órbita de Mercúrio, ficando a 42 milhões de quilômetros da estrela. O recorde atual de aproximação é da nave Helios 2, da Nasa: 43,5 milhões de quilômetros de distância, em 17 de abril de 1976. A Terra está a aproximadamente 150 milhões de quilômetros do astro.
A nave Solar Orbiter terá de lidar com treze vezes mais energia solar do que recebem os satélites que orbitam a Terra. Com isso, a temperatura da face voltada para a estrela chegará a 600 graus Celsius. Para que a nave não seja destruída, o calor terá de ser irradiado para o espaço. Um para-sol feito de camadas de titânio e material isolante foi desenvolvido para essa função. Com apenas 40 centímetros de espessura, ele vai direcionar a maior parte do calor para longe.
Observação do Sol - A sonda estudará a heliosfera, região periférica do Sol, preenchida pelo vento solar. Seu escudo terá pequenas aberturas para que instrumentos façam observações e medições do Sol. Essas aberturas poderão ser fechadas novamente caso algo dê errado com as ferramentas.
O recorde da ESA, porém, pode estar ameaçado antes mesmo de acontecer. A Nasa também planeja uma visita ao Sol, com a missão Solar Probe Plus, com previsão de lançamento em 2018 e expectativa de chegar a 6,2 milhões de quilômetros da estrela.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Tim Horbury, principal investigador da equipe que desenvolve um magnetômetro (instrumento que mede a intensidade de um campo magnético) para a missão da ESA, afirmou que as duas missões são complementares e só mostram a importância do assunto estudado.
Veja.com

Cientistas descobrem por que obras de Van Gogh estão 'embranquecendo'

Um grupo de cientistas da Universidade de Antuérpia, na Bélgica, descobriu que reações químicas provocadas pela iluminação dos museus estão "embranquecendo" a cor vermelha dos quadros do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-1890). O estudo, liderado pelo professor belga de química Koen Janssen, foi publicado neste mês no jornal acadêmico Angewandte Chemie.
Usando técnicas de tomografia e de difração de raios X, os pesquisadores analisaram amostras do quadro Wheat Stack Under a Cloudy Sky, de 1889, exposto no Museu Kröller-Müller, na Holanda. Eles notaram que, quando o óxido de chumbo, responsável pelos pigmentos vermelhos do quadro, entra em contato com a luz azulada e com o gás carbônico, transforma-se em outros compostos de chumbo de cor esbranquiçada.
"Chumbo vermelho, usado por Van Gogh e muitos outros pintores ao longo da história, é muito sensível à luz azul. Trata-se de um composto que absorve preferencialmente esse tipo de comprimento de onda azulado", Koen Janssen. Segundo o estudioso, os museus precisam eliminar a iluminação azulada - de LED, diz, é a mais comum - sobre as obras para diminuir a deterioração.
O químico afirma que o processo de esbranquiçamento do vermelho ocorre em quatro fases. Na primeira, quando a luz infringe sobre o óxido de chumbo, os elétrons são lançados nesse semicondutor, que gera um óxido de chumbo altamente reativo. Na segunda fase, esse óxido de chumbo reativo captura gás carbônico e água do ar para formar um mineral raro, o plumbonacrita. O mineral exótico reage, em uma terceira fase, para um hidróxido de carbonato de chumbo, o hidrocerusita. Na quarta e última etapa, a hidrocerusita pode ser convertida em cerusita, também conhecida como "chumbo branco", bastante usada por pintores para atingir tons esbranquiçados.
Em 2013, pesquisadores europeus iniciaram uma pesquisa similar para investigar a razão da cor amarela de algumas obras de Van Gogh ganhar tons amarronzados. Os primeiros resultados também apontaram para reações causadas pela iluminação de LED. Desde então, cientistas estão alertando os curadores de museus que a iluminação LED, embora seja mais econômica e amigável ao ambiente, pode prejudicar as pinturas do artista holandês e de outros pintores contemporâneos a ele, como o francês Paul Cézanne (1839-1906).
Veja.com
 

Lembrar-se de um episódio leva ao esquecimento de outro, diz estudo

Memória: a ação constante e adequada dos neurônios no cérebro é fundamental para que o funcionamento da memória seja preservado

A recordação intencional e frequente de um episódio faz mais do que simplesmente despertar nossa memória. Na verdade, isso nos leva a apagar outras lembranças concomitantes às que insistimos em lembrar. A revelação é de um estudo publicado na segunda-feira no periódico Nature Neuroscience.
Cientistas das universidades de Birmingham e de Cambridge, na Inglaterra, chegaram a esta conclusão depois de fazer uma série de testes de memória com 24 voluntários. Em todas as etapas, o cérebro dos participantes foi monitorado por ressonância magnética.
No início da pesquisa, os cientistas mostraram aos voluntários imagens de pessoas famosas, objetos comuns e cenas variadas. Em seguida, os participantes foram treinados a associar a palavra "areia" a duas fotografias mostradas anteriormente: uma de Marylin Monroe e outra de um chapéu.
Os cientistas pediram que os voluntários se recordassem, particularmente, da primeira fotografia exibida em associação à palavra "areia" - a de Marylin. Em um experimento realizado quatro vezes, os participantes tinham de apertar um botão quando estivessem se lembrando da imagem da atriz ao olhar para a palavra "areia". Isso se confirmou na maioria das vezes, e os pesquisadores concluíram que essa imagem se tornou a dominante do experimento.
Esquecimento - Os cientistas quiseram, então, entender o que havia acontecido com a memória da imagem do chapéu. Será que ela permaneceu intacta como a de Marylin? Em um novo teste, mostraram aos participantes duas fotos diferentes de Marylin e duas de chapéus e perguntaram qual delas eles haviam sido treinados para reconhecer. Se a memoria do chapéu não tivesse se degradado, as pessoas apontariam o objeto e a Marylin certos na mesma frequência.
Como padrão de comparação, os voluntários também tinham de identificar outras duas exibidas no começo do experimento, mas que não haviam sido treinados para se lembrar: uma de Albert Einstein e outra de um par de óculos. Nos casos de Marylin e de Einstein, os participantes apontaram as imagens corretas. No entanto, eles tiveram mais dificuldade para identificar o chapéu do que os óculos certos. Os resultados mostraram que a memória do chapéu havia de fato enfraquecido.
Cérebro - A análise das imagens obtidas por ressonância magnética confirmou que, ao longo do experimento, a parte do cérebro responsável pela memória da imagem do chapéu foi cada vez menos ativada pela associação com a palavra "areia", até que, na última vez em que eles viram a palavra, somente a memória da foto da Marylin foi ativada. Ou seja, à medida que a memória de Marylin se tornava mais viva e predominante, a do chapéu - concorrente a ela - foi sendo suprimida, até cair no esquecimento.
"As pessoas estão acostumadas a pensar que o esquecimento é algo passivo. Nossa pesquisa revela que as pessoas estão mais engajadas em moldar suas memórias do que pensam", afirma Michael Anderson, da Universidade de Cambridge e coautor do estudo. "Essa descoberta pode nos dizer muito sobre memória seletiva e autoengano."
Veja.com

segunda-feira, 16 de março de 2015

EUA devolvem ao Iraque tesouros roubados durante ocupação

Escultura da cabeça do rei assírio Sargon II é exibida durante cerimônia de repatriação de itens culturais ao Iraque, em Washington, na segunda-feira (16) (Foto: Mark Wilson/Getty Images/AFP)
 
Os Estados Unidos devolveram ao Iraque, nesta segunda-feira (16), cerca de 60 objetos antigos, em sua maioria roubados durante a ocupação americana do país entre 2003 e 2011.
Os objetos serão expostos no Museu Nacional de Bagdá, reaberto no final de fevereiro, após permanecer fechado por 12 anos.
Louças de vidro, pontas de lança de bronze e machados apreendidos nos Estados Unidos foram expostos no consulado do Iraque em Washington antes de serem enviados para Bagdá. Entre as peças, está a extraordinária cabeça de um lamassu assírio, um touro com asas e cabeça de homem, que data de cerca do ano 700 a.C. O objeto está avaliado em pelo menos US$ 2 milhões.
A cabeça foi roubada de um palácio do rei Sargon II em Nínive, no norte do Iraque, onde os jihadistas do Estado Islâmico (EI) destruíram várias peças recentemente. Segundo a ONU, o Estado Islâmico está fazendo uma "limpeza cultural", destruindo restos da antiga Mesopotâmia, ou vendendo peças no mercado negro.
A urgência da situação acelerou o processo de restituição, explicou o embaixador iraquiano, Lukman Faily, celebrando que "o mundo inteiro está unido para proteger essa cultura".
O Museu Nacional iraquiano reabriu suas portas, após 12 anos de intensos esforços, graças à recuperação de mais de um terço das 15 mil peças roubadas.
 
Peças de artesanato em argila e facas são exibidas durante cerimônia de repatriação de itens culturais ao Iraque, em Washington, na segunda-feira (16) (Foto: Mark Wilson/Getty Images/AFP)

Agência Espacial Europeia prepara sonda que deve se aproximar do Sol

Elipse do Sol pela Terra. Imagens da sonda Solar Dynamics Observatory (SDO), feitas em abril de 2011.

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) planeja enviar ao espaço uma sonda que se aproximará do Sol mais do que qualquer objeto criado pelo homem. A missão acaba de passar por um estágio crucial de pré-lançamento: a finalização do modelo estrutural e térmico da nave. Essa etapa foi realizada pela Airbus Defense and Spce, uma divisão da empresa Airbus voltada para o desenvolvimento aeroespacial. A nave será enviada para um laboratório da ESA em 23 de março, para passar por testes mecânicos. Seu lançamento está previsto para 2017.
O plano é que a nave cruze a órbita de Mercúrio, ficando a 42 milhões de quilômetros da estrela. O recorde atual de aproximação é da nave Helios 2, da Nasa: 43,5 milhões de quilômetros de distância, em 17 de abril de 1976. A Terra está a aproximadamente 150 milhões de quilômetros do astro.
A nave Solar Orbiter terá de lidar com treze vezes mais energia solar do que recebem os satélites que orbitam a Terra. Com isso, a temperatura da face voltada para a estrela chegará a 600 graus Celsius. Para que a nave não seja destruída, o calor terá de ser irradiado para o espaço. Um para-sol feito de camadas de titânio e material isolante foi desenvolvido para essa função. Com apenas 40 centímetros de espessura, ele vai direcionar a maior parte do calor para longe.
Observação do Sol - A sonda estudará a heliosfera, região periférica do Sol, preenchida pelo vento solar. Seu escudo terá pequenas aberturas para que instrumentos façam observações e medições do Sol. Essas aberturas poderão ser fechadas novamente caso algo dê errado com as ferramentas.
O recorde da ESA, porém, pode estar ameaçado antes mesmo de acontecer. A Nasa também planeja uma visita ao Sol, com a missão Solar Probe Plus, com previsão de lançamento em 2018 e expectativa de chegar a 6,2 milhões de quilômetros da estrela.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Tim Horbury, principal investigador da equipe que desenvolve um magnetômetro (instrumento que mede a intensidade de um campo magnético) para a missão da ESA, afirmou que as duas missões são complementares e só mostram a importância do assunto estudado.

Documento-base para negociações sobre o clima é adotado em Genebra

 Uma foto sem data definida, divulgada em janeiro de 2015 mostra a maior geleira da Antártida Oriental, que pela primeira vez se encontrou com águas quentes e começou a se derreter
 
Os países-membros das Nações Unidas sobre o clima adotaram na sexta-feira (13), em Genebra, um documento-base de negociação visando a um acordo multilateral contra o aquecimento global, que será discutido em dezembro na conferência de Paris.

"Podemos considerar que o texto de negociação apresentado hoje em Genebra é o texto sobre o qual iniciaremos as negociações fundamentais?", indagou em sessão plenária o copresidente dos debates, Daniel Reifsnyder.

"Como não houve objeções, assim fica decidido", declarou por fim.

"O texto de negociação (...) reflete as propostas realizadas por todas as partes", explicou Reifsnyder.

"A tarefa desta sessão foi cumprida", disse à imprensa a responsável pelo clima da ONU, Cristiana Figueres.

"Temos hoje um texto (...) que será a base das negociações dos próximos meses até que cheguemos a Paris", onde os 195 países membros da convenção devem adotar o acordo final sobre o clima.
Este documento será transmitido aos Estados, e não poderá ser modificado até antes da próxima sessão de negociação, fixada para junho, em Bonn, seis meses antes da conferência de Paris.

De agora até junho, as negociações informais para tentar conciliar posições muitas vezes distantes ou contrárias vão ser difíceis.

O objetivo é conhecido e foi fixado em 2009: é necessário limitar o aumento da temperatura mundial a +2º C com base na era pré-industrial.

Caso contrário, se prevê um desequilíbrio climático que terá graves consequências para os ecossistemas, as sociedade e as economias, particularmente nas regiões mais pobres.

No ritmo atual, o mundo se aproxima de uma elevação de 4 a 5 graus Celsius no final do século, se não forem tomadas medidas drásticas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, provocadas em grande parte pelo uso maciço de energias fósseis.
'Espírito de Genebra'
A menos de 300 dias da conferência de Paris, o caminho até um acordo parece longo, a julgar pelo conteúdo do texto da negociação: o documento passou de 37 para 86 páginas, divididas em capítulos cheios de longas listas de opções.

"Nós fizemos um acordo sobre um texto de negociação, é positivo porque é uma base para avançar", disse à AFP Elina Bardram, representante da UE. Mas "as negociações difíceis são as que estão por vir, e nos falta tempo", completou.

É "uma base de trabalho, reconhecida pelo mundo todo", avaliou Laurence Tubiana, enviada do governo francês. "Mas não devemos ser inocentes. Ainda não entramos nas negociações mais difíceis", completou.

De fato, os Estados estão divididos sobre os meios que devem utilizar.

Como dividir a carga das reduções das emissões entre os países do Norte e os do Sul, mais vulneráveis, menos preparados e muito necessitados de energia? Que papel desempenham os grandes países emergentes, como China, Brasil ou Índia?
Paris vai assumir o Protocolo de Kyoto, pedindo pela primeira vez ao conjunto dos países para reduzir os gases de efeito estufa.

Mas os países em desenvolvimento acreditam que não devem ser tratados como os países industrializados. Assim, invocam seu direito ao desenvolvimento e à "responsabilidade histórica" dos países ricos no aquecimento.

Os países ricos alegam, por sua vez, que os grandes países emergentes como China ou Índia são cada vez mais responsáveis das emissões mundiais.

O resultado é que no capítulo "Finanças" do projeto de texto, as opções vão desde os compromissos concretos dos países desenvolvidos a um acordo "sem compromissos individuais e quantificados".

"Todos os desafios seguem sobre a mesa", constata Alix Mazounie, da ONG Réseau Action Climat.
Contudo, Genebra permitirá restabelecer a confiança entre as partes. "É importante que o espírito de Genebra se mantenha até Bonn", completa Mazounie.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Nasa lança missão que estudará o campo magnético da Terra

O foguete decola de Cabo Canaveral, na Flórida, com 4 sondas de observação. (Foto: Florida Today / Craig Bailey / Via AP Photo)
 
A agência espacial americana (Nasa) lançou nesta quinta-feira (12) uma missão pioneira para estudar a interação do campo magnético da Terra com o de outros corpos celestes, como o Sol, e que permitirá conhecer com maior precisão como atuam estas trocas de energia no universo.
O lançamento aconteceu às 22h44 (horário local, 23h44 de Brasília) das instalações da Nasa na base de Cabo Canaveral, na Flórida.
Os quatro observatórios espaciais idênticos que compõem o Sistema Multiescala Magnetosférico (MMS) partiram a bordo de um foguete Atlas V.
A missão começará a enviar dados à terra em setembro e a previsão é que esteja em funcionamento durante dois anos, embora a Nasa não descarte ampliar sua vida útil.
A missão proporcionará a primeira vista tridimensional da reconexão magnética da Terra com o Sol, um processo que ajudará a entender como se conectam e desligam os campos magnéticos no universo.
Os cientistas esperam obter dados sobre a estrutura e dinâmica da energia que intercambiam os campos magnéticos quando se encontram, momento no qual se produz uma liberação explosiva de energia.
Os quatro artefatos espaciais, equipado com sensores de alta precisão, voarão simultaneamente em formação, a uma distância de uns 10 km umas das outras, para que a combinação de seus dados permita ter essa visão tridimensional.
A missão MMS utilizará a magnetosfera da Terra como um laboratório para estudar, além da reconexão magnética, outros dois processo fundamentais como a aceleração de partículas energéticas e a turbulência.
Esta missão também será importante para entender como esta troca energética afeta os fenômenos meteorológicos espaciais e seu efeito sobre os sistemas tecnológicos modernos como as redes de comunicações, de navegação GPS e as redes de energia elétrica.
A reconexão magnética produz fenômenos como as auroras que se veem nos pólos quando o vento solar penetra em nosso 'escudo protetor' e as partículas de energia liberadas entram no campo magnético da Terra.

Emissões de CO2 pararam de crescer no mundo


Refinaria na Filadélfia. Emissões colaboram para aquecimento global
Foto: SPENCER PLATT / AFP

O crescimento das emissões de CO2 ficou estagnado ano passado, segundo informações da Agência de Energia Internacional (IEA, na sigla em inglês). Esta é a primeira vez em 40 anos em que houve uma redução ou desaceleração das emissões de gases do efeito estufa sem que este fator não tivesse relacionado a uma recessão econômica.

As emissões globais se mantiveram em 32 gigatoneladas em 2014, mesma quantidade registrada no ano anterior. Dados da IEA sugere que os esforços para mitigar as mudanças climáticas podem ter representado um efeito mais forte do que se pensava sobre as emissões.
Entre as medidas que podem ter contribuído, a agência cita a mudança de padrão de consumo de energia na China em 2014. Embora sua matriz energética seja uma das mais poluidoras do mundo, ano passado o país investiu na geração de eletricidade através de fontes renováveis, tais como hídrica, solar e eólica, ao mesmo tempo que reduziu o consumo de carvão.
 
Nos países que integram a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), em sua maioria europeus, a agência citou os esforços recentes para promover o crescimento sustentável, o que também incluiu o investimento em eficiência energética e energia renovável.
Os resultados foram considerados “encorajadores” pela agência, mas isto não representa, segundo ela, um motivo para “complacência”. E, no comunicado do órgão, o diretor Fatih Birol acrescentou:
“Isto me dá mais esperança de que a Humanidade será capaz de trabalhar em conjunto para combater as mudanças climáticas, a ameaça mais importante que enfrentamos hoje”.
O Gobo.com

Cientistas confirmam: há um oceano gigante na maior lua do Sistema Solar

  (Foto: wikimedia commons)

Pesquisadores acabam de publicar um estudo no Journal of Geophysical Research: Space Physics em que provariam a existência de um oceano gigante sob a crosta de Ganímedes, uma das luas de Júpiter.
O maior satélite do Sistema Solar teria mais água do que todos os oceanos da Terra.
Os cientistas baseiam suas conclusões pela superfície lisa e gelada da lua, obtidas através da sonda Galileo e pelo telescópio Hubble. Dados sobre a interação com o campo magnético de Júpiter também indicariam a presença de um oceano salgado cerca de 330 km abaixo da superfície.
Agora Ganímedes se junta à Europa, Titã e Encélado (as duas últimas luas sendo de Saturno), como os satélites em que sabemos que existem oceanos.
Ceres, um planeta-anão atualmente analisado pela sonda Dawn, também pode ter um oceano subterrâneo.
 

Rosetta: pode haver gelo no 'pescoço' do cometa

Diferença de coloração entre a região do 'pescoço' (mais azulada) e o resto do cometa. Netsa imagem, as cores foram reforçadas para ressaltar a diferença

Novas fotos do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko feitas pela sonda Rosetta mostram a presença de gelo em seu "pescoço". Lembrando um pato de borracha, o cometa parece formado por dois corpos interligados por uma região menor, conhecida como região Hapi, informalmente chamada de "pescoço". A revelação foi divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Max Planck, organização alemã que participa da missão.
Três imagens capturadas pela câmera Osiris, a bordo da sonda, permitiram a descoberta. Cada uma correspondia às cores vermelho, verde e azul. Juntando as três, os pesquisadores obtiveram uma imagem colorida do cometa e com isso perceberam que a região Hapi reflete menos luz vermelha do que as demais, ficando mais azulada. Essa coloração indica a presença de gelo no local, seja na superfície ou logo abaixo de uma camada de poeira.
Além disso, nos últimos meses, com a aproximação com o Sol, essa parte do cometa tem se mostrado mais ativa, expelindo jatos de gás e poeira. A diferença de coloração, porém, é pequena, de modo que a quantidade de gelo presente também deve ser limitada. As imagens do Osiris foram feitas no dia 21 de agosto de 2014, quando Rosetta se encontrava a aproximadamente 70 quilômetros do cometa.
A nave Rosetta é equipada com instrumentos adicionais para identificar de forma direta a presença de gelo na superfície. O espectrômetro Virtis, por exemplo, pode determinar claramente as marcas espectrais de moléculas de água. "Temos muita curiosidade de ver se os indícios se confirmam a partir dessas medições", afirma o chefe da equipe Osiris, Holger Sierks.
"Em agosto, quando o 67P alcançar a máxima aproximação do Sol, ele se aquecerá muito, mas a região Hapi será a exceção: vai permanecer na escuridão e experimentar uma espécie de noite polar", afirma Sonia Fornasier, do Observatório de Paris e também integrante da equipe Osiris. O "pescoço" do cometa só receberá de novo luz solar a partir de março de 2016.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Nasa confirma oceano em lua de Júpiter

 
Cientistas que utilizam o Telescópio Espacial Hubble confirmaram que a lua Ganímedes, na órbita de Júpiter, possui um oceano por baixo de uma crosta superficial de gelo, elevando a probabilidade da presença de vida, afirmou a Nasa nesta quinta-feira (12).
A descoberta resolve um mistério relacionado à maior Lua do sistema solar após a nave Galileo, já aposentada, ter fornecido pistas sobre a existência de um oceano abaixo da superfície de Ganímedes enquanto cumpria uma missão exploratória ao redor de Júpiter e de suas luas, entre 1995 e 2003.
Assim como a Terra, Ganímedes possui um núcleo de ferro fundido que gera um campo magnético, embora o campo magnético de Ganímedes seja amalgamado ao campo magnético de Júpiter. Isso dá origem a uma interessante dinâmica visual, com a formação de duas faixas de auroras brilhantes nos pólos norte e sul de Ganímedes.
O campo magnético de Júpiter se altera com sua rotação, agitando as auroras de Ganímedes. Cientistas mediram tais movimentos e descobriram que os efeitos visuais se mostravam mais restritos do que deveriam.
Usando modelos gerados por computador, eles chegaram à conclusão de que um oceano salgado, capaz, portanto, de conduzir eletricidade, abaixo da superfície da Lua se contrapunha à atração magnética de Júpiter.
"Júpiter é como um farol cujo campo magnético muda conforme a rotação do farol. Isso influencia a aurora", explicou o geofísico Joachim Saur, da Universidade de Colônia, na Alemanha. "Com o oceano, a agitação fica significativamente reduzida."
Os cientistas testaram mais de 100 modelos computadorizados para observar se qualquer outro elemento poderia ter impacto sobre a aurora de Ganímedes. Eles também reprocessaram sete horas de observações ultravioletas do Hubble e analisaram dados sobre ambos os cinturões de aurora da Lua.
O diretor da Divisão de Ciência Planetária da Nasa, Jim Green, classificou a descoberta como "uma demonstração surpreendente".
"Eles desenvolveram uma nova abordagem para se observar a parte interna de um corpo planetário com um telescópio", disse Green.
Ganímedes se junta agora a uma crescente lista de luas localizadas nas partes mais afastadas do sistema solar que possuem uma camada de água abaixo da superfície.
Na quarta-feira (11), cientistas disseram que outra Lua de Júpiter, a Encélado, possui correntes quentes de água abaixo de sua superfície gélida. Entre outros corpos ricos em água estão Europa e Callisto, também luas de Júpiter.
 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Avião solar chega à segunda etapa de sua volta ao mundo

Avião solar chega à Índia

O avião Solar Impulse II chegou na terça-feira à cidade indiana de Ahmedabad, na segunda etapa de sua volta ao mundo. Após cerca de 16 horas de voo, os pilotos suíços Borscheberg e Bertrand Piccard foram recebidos no aeroporto pelo embaixador da Suíça em Nova Délhi, Linus von Castelmur.
"Voei de Mascate, no sultanato de Omã, até Ahmedabad, na Índia. Aterrissei às 23h25 (horário local, 14h55 de Brasília) e podemos anunciar um recorde provisório de distância percorrida em um avião solar", declarou o piloto, o suíço André Borscheberg, nesta quarta-feira em seu site oficial.
Antes de seguir viagem, os pilotos participarão de vários eventos para fomentar a energia renovável e o desenvolvimento sustentável. Esta segunda etapa, de um total de doze, terminará no domingo, quando o Solar Impulse II partirá rumo ao Mianmar. Antes, a aeronave fará uma breve escala na cidade indiana de Benarés.
O projeto inclui duas viagens com duração de cinco ou seis dias cada, sem pausa, nos quais Borscheberg e Piccard, fundadores da iniciativa, tentarão atravessar os oceanos Atlântico e Pacífico.
O projeto - No total, o avião percorrerá 35.000 quilômetros a uma velocidade entre 90 e 140 km/h. Dos cinco meses de viagem, apenas 25 dias serão de voo efetivo e a aeronave voará a 8.500 metros de altitude no máximo.
O Solar Impulse II é o resultado de treze anos de investigação e trabalho dos pilotos suíços André Borschberg e Bertrand Piccard, que tiveram a ideia de voar com recurso da energia solar. A aeronave é alimentada por mais de 17 000 células solares embutidas nas suas asas, que medem 72 metros. A capacidade de realizar longos voos noturnos é graças às baterias altamente energéticas carregadas durante o dia e que sustentam o avião durante a ausência do sol.
Veja.com

Chegou a era dos transumanos

Inseminação artificial

No dia 24 de fevereiro, o legislativo britânico aprovou uma lei permitindo a geração de embriões com DNAs de três pessoas diferentes. O objetivo é deixar que mães com mutações maléficas em seu DNA mitocondrial não as transmitam para o filho. Segundo a lei, durante a reprodução assistida, essa parte de seu genoma poderá ser substituída pelo de uma doadora, gerando uma criança saudável. Assim, a Grã-Bretanha se tornou o primeiro país a permitir a manipulação genética em células germinais humanas.
Apesar do objetivo puramente médico, a decisão está sendo saudada por alguns pesquisadores como um estágio importante de um longo percurso que pode trazer consequências radicais para a ciência e a humanidade. São os defensores do transumanismo, que propõem a aplicação dos avanços obtidos em áreas chaves da ciência, como a genética, a nanotecnologia e a neurociência, para romper os limites impostos ao homem por seu próprio corpo biológico. "A Grã-Bretanha também foi o primeiro país a introduzir a fertilização in vitro em 1979. Essa decisão é apenas outro passo desse processo", diz o filósofo Steve Fuller, professor da Universidade de Warwick, na Inglaterra. Ele é autor dos livros Humanidade 2.0 e O Imperativo Proativo (inéditos em português), nos quais se propõe a estabelecer as bases teóricas e filosóficas para o transumanismo.
O objetivo desse movimento é utilizar a ciência para aumentar as capacidades físicas, intelectuais e até emocionais dos seres humanos. Ele busca, no limite, estender a vida humana indefinidamente, extirpando dela todo tipo de sofrimento. Os transumanistas defendem, por exemplo, a manipulação genética de embriões para eliminar doenças e escolher características vantajosas para os filhos, a criação de implantes neurais que permitam a interação com computadores pelo pensamento, e o uso de drogas capazes de manipular o cérebro humano, melhorando sua cognição, memória, concentração e humor.
"Mesmo que esses projetos pareçam vindos da ficção científica, eles podem ser encarados como soluções a longo prazo para problemas atuais. Temos visto, por exemplo, investimentos cada vez maiores em projetos que pretendem estender o nosso tempo de vida", diz Fuller.
evolução no laço - Segundo seus defensores, as raízes do movimento estão fincadas no passado ancestral do homem, quando ele começou transformar a si mesmo e ao ambiente que o cerca para vencer os limites impostos pela natureza. "A história da tecnologia e da medicina constituem a pré-história do transumanismo", diz Fuller. Para o filósofo, a humanidade vive uma nova etapa de sua história, em que não está mais submetida aos princípios da seleção natural: "Enquanto todas as outras espécies obedecem cegamente a evolução, nós somos os únicos a saber o que obedecemos. Isso nos dá capacidade - e talvez a obrigação - de dirigi-la".
Essa visão que diferencia o homem de todos os outros animais afasta os transumanistas do Darwinismo, e os aproxima das religiões abraâmicas, como judaísmo, cristianismo e islamismo. "Darwin acreditava que a seleção natural colocava os seres humanos junto com as várias outras espécies, todas destinadas a se extinguir cedo ou tarde. Já a excepcionalidade humana foi primeiramente identificada por essas religiões, para as quais o homem é feito à imagem e semelhança de Deus", diz.
Por isso mesmo, uma crítica frequentemente feita a essa ideologia é que, em sua tentativa de tomar a evolução nas mãos, o homem estaria brincando de Deus. Os transumanistas, longe de discordar da crítica, acham isso desejável. "Nós queremos usar toda a natureza em prol da humanidade. Isso pode, sim, ser encarado como 'brincar de Deus', pois Ele é normalmente visto como o único ser separado da natureza e capaz de manipulá-la para seus propósitos. O transumanismo apela para essa tendência presente na natureza humana", diz o filósofo.
Bendito risco - Em O Princípio Proativo, Steve Fuller defende mudanças na lógica dos Comitês de Ética e da legislação que favoreçam o desenvolvimento de pesquisas mais radicais. Ele afirma que hoje em dia as principais regras controlando os estudos científicos levam em conta o Princípio da Precaução, que busca promover apenas as pesquisas de baixo risco, e com pequena capacidade de causar danos. Desse modo, dizem garantir a segurança dos indivíduos envolvidos. Fuller, ao contrário, defende o Princípio Proativo, em que pesquisas mais arriscadas seriam incentivadas.
Ele diz que a tomada de risco sempre foi e será essencial para o progresso científico, e faz parte daquilo que define o homem como espécie. Os indivíduos teriam o direito de assumir os riscos que quisessem em busca de novos tratamentos que podem melhorar sua vida. "O Princípio Proativo é um chamado para a necessidade de nos acostumarmos a grandes riscos se quisermos levar a sério nossas aspirações transumanas. Aprender com o erro é mais importante do que evitar o erro", diz.
Cautela - Desde seu aparecimento, o transumanismo carrega atrás de si uma série de críticas. Ele tem sido apontado por pensadores dos mais diferentes matizes ideológicos como uma ideologia perigosa, baseada em princípios antiéticos e que parece negar o próprio corpo humano. Filósofos tão diferentes como o americano Francis Fukuyama e o alemão Jurgen Habermas apontam para suas ideias como uma ameaça à democracia. Numa sociedade desigual como a atual, a manipulação genética de embriões, por exemplo, seria acessível a só uma parcela da população, e a diferença social passaria a estar contida no próprio DNA.
Os críticos dizem, basicamente, que existem limites éticos que a ciência não deve cruzar. O Centro para a Genética e Sociedade (CGS), por exemplo, foi criado nos Estados Unidos em 2001 para defender pesquisas de engenharia genética responsáveis, que não objetifiquem ou comercializem o ser humano. Por isso, bate de frente com algumas das principais bandeiras dos transumanistas, como a engenharia genética de células germinativas e a clonagem. "Existem tecnologias genéticas que atingem apenas os indivíduos vivos, capazes de dar seu consentimento. Mas as alterações genéticas em embriões e zigotos criam mudanças permanentes em crianças que nem nasceram, que serão passadas adiante para as futuras gerações", diz Marcy Darnovsky, diretora do CGS. Por esse motivo, o grupo foi contrário à decisão do governo britânico de aprovar a geração de embriões com o DNA de três pessoas.
Segundo Marcy Darnovsky, esse tipo de pesquisa favorece que se encare a vida humana a partir de uma mentalidade consumista grotesca, na qual apenas bebês perfeitos merecem nascer. "Se essas modificações forem aprovadas, é possível - e até provável - que a dinâmica social e comercial leve a esforços para produzir seres humanos 'melhorados'. Isso está bem próximo da definição clássica de eugenia. Nós podemos nos ver em um mundo onde tipos inteiramente novos de desigualdade serão trazidos à existência", diz Marcy.
A palavra proibida - Boa parte dos críticos do transumanismo aponta justamente para essa semelhança entre o movimento e eugenia exercida no início do século 20. Ela foi uma prática científica e política que buscava o melhoramento genético da espécie humana. Para isso, seus defensores incentivavam a reprodução daqueles que consideravam ter os "melhores" genes, enquanto combatiam o daqueles com características indesejáveis. A prática acabou misturada com o racismo da época, e foi adotada pelo regime nazista, que, em sua busca pela raça perfeita, levou ao Holocausto. Desde então foi relegada pelos cientistas.
Steve Fuller diz, no entanto, que não se deve temer a comparação com eugenia. A prática deve, na verdade, ser analisada a fundo, em busca dos erros e falhas que permitiram com que fosse empregada de maneira tão monstruosa. "Ao mesmo tempo em que a eugenia promovia esterilizações da população, ela também defendia melhoras em sua assistência médica. Infelizmente, sua adoção pelo nazismo tornou difícil para as pessoas conversarem de forma sensível sobre ela", diz. "De modo geral, ela pode ser definida como a aplicação da ciência para melhorar o estoque de capital humano nas sociedades modernas. Desse modo, a eugenia pode ser vista como um primeiro rascunho do transumanismo."
O filósofo diz que o grande erro acontecido na Alemanha foi que a comunidade científica não foi capaz de se mobilizar contra Hitler, mas acabou se apropriando de suas ideias. No resto do mundo, o erro foi tanto metodológico quanto científico. Os pesquisadores não usaram as pesquisas científicas para avalizar as políticas públicas. Ao contrário, eles usaram as políticas públicas como um modo de fazer pesquisa científica. "Eu não tenho nada contra usar a sociedade como um laboratório, mas é preciso que haja salvaguardas para a população, como a necessidade de consentimento e formas de compensação para os indivíduos afetados", diz.
Assim, o filósofo defende que se reabilite a ideia de usar a genética e outras áreas de ponta da ciência para promover a saúde e o bem-estar da humanidade. Ele diz que, infelizmente, os códigos de ética e a legislação restritivos que existem hoje e impedem esse tipo de pesquisa são uma resposta direta às práticas eugênicas. "Infelizmente, o pêndulo balançou demais na direção oposta. Hoje é muito difícil fazer pesquisas mais arriscadas em seres humanos, mesmo quando os voluntários dão o seu consentimento e existem compensações adequadas estipuladas em caso de falha", diz Fuller.
É nesse sentido que o filósofo saúda a decisão do governo inglês de permitir a geração de embriões com o DNAs de três pais diferentes. "Ainda que não conheçamos todas as consequências genéticas e sociológicas que vão acontecer com as crianças nascidas desse modo, o governo aprovou o procedimento como seguro. Sem dúvida, essa é uma lei proativa", diz. Se sua previsão estiver certa, e a disputa entre o Princípio Proativo e o da Precaução for realmente central para o século 21, um dos lados já saiu na frente.
Veja.com

terça-feira, 10 de março de 2015

O motor que levou uma nave até a fronteira do Sistema Solar

A espaçonave Dawn

A espaçonave Dawn passou os últimos sete anos viajando pelo Sistema Solar até interceptar o asteroide Vesta e o planeta-anão Ceres.
Quase no limite do sistema de planetas, a sonda enviou para a Terra, na semana passada, as primeiras imagens e informações desses objetos (muito) distantes.
Mas talvez o que faz a espaçonave Dawn se mover seja tão incrível quanto a jornada: a sonda é a primeira missão de exploração do espaço a usar um motor íonicos ao invés de propulsores convencionais, movidos por meio de reações químicas.
O propulsor usa energia elétrica para criar partículas magneticamente carregadas de combustível, geralmente na forma do gás xênon, acelerando essas partículas, em altíssimas velocidades.
Nos foguetes convencionais, a velocidade de exaustão é limitada pela energia química armazenada nas ligações moleculares do combustível, limitando a impulsão do propulsor a 5 km/s. Já os motores a íon são, em princípio, limitados apenas pela energia elétrica disponível na espaçonave. Por isso, a velocidade de exaustão das partículas carregadas nesse tipo de motor fica entre 15 km/s e 35 km/s.
Na prática, isso significa que os propulsores eletricamente carregados são muito mais econômicos foguetes movidos por reações químicas.
Assim, uma quantidade enorme de massa pode ser retirada do foguete, considerando que a nave precisa de menos combustível a bordo. Considerando que o custo de lançar um quilograma para o espaço custa cerca de 20 mil dólares, os custos das missões futuras da agência americana irão ficar muito menores.
A propulsão elétrica é praticamente a única forma de carregar material cientifico, de forma “rápida” pelas enormes distancias das viagens interplanetárias.
Até por isso, a NASA já decidiu que os motores a íon serão usados na próxima geração de espaçonaves que irá viajar pela galáxia nas próximas décadas.
Mas a tecnologia também será útil para fabricantes de satélites geoestacionários comerciais. A propulsão elétrica irá permitir que eles sejam manobrados, acrescentando novas capacidades para o satélite durante suas missões, além de aumentar a vida útil do aparelho.
Exame.com