quarta-feira, 22 de abril de 2015

Califórnia busca extrair água potável do mar


Toda vez que uma seca atinge a Califórnia, a população do Estado não consegue deixar de notar o reservatório substancial de água não explorada que bate em sua costa –mais ou menos 187 quintilhões de galões cintilando convidativamente ao sol.
 Agora, pela primeira vez, uma grande metrópole da Califórnia está à beira de transformar o oceano Pacífico em uma fonte diária de água potável. Uma usina de dessalinização no valor de US$ 1 bilhão para abastecer o condado de San Diego está em construção e deverá começar a operar em novembro, proporcionando um grande teste sobre se as cidades da Califórnia poderão recorrer ao oceano para resolver seus problemas de água.
 Por todo o Cinturão do Sol, uma tecnologia antes desdenhada como sendo cara demais e prejudicial ao meio ambiente está sendo revista. O Texas, que enfrenta condições secas persistentes e um afluxo de população, poderá construir várias usinas de dessalinização. A Flórida já conta com uma em operação e pode ser forçada a construir outras, à medida que a elevação do mar invade as reservas de água doce do Estado.
Na Califórnia, pequenas usinas de dessalinização estão operando em um punhado de cidades. Os planos estão avançados para uma grande usina em Huntington Beach, que forneceria água para o populoso condado de Orange. Uma usina ociosa em Santa Barbara poderá ser reativada em breve. E mais de uma dúzia de comunidades ao longo da costa da Califórnia estão estudando a questão.
 A instalação sendo construída aqui será a maior usina de dessalinização de água do oceano no hemisfério Ocidental, produzindo cerca de 190 milhões de litros de água potável por dia. Assim, há um estudo sobre se poderá operar sem maiores problemas.
 "Não foi uma decisão fácil construir essa usina", disse Mark Weston, presidente da empresa que abastece as cidades do condado de San Diego. "Mas está revelando ser uma opção espetacular. O que achávamos ser caro há dez anos agora é acessível."

Ainda assim, a usina ilustra muitas das escolhas difíceis que os Estados e comunidades enfrentam à medida que consideram extrair água potável do oceano.
 No condado de San Diego, que traz água potável das reservas do rio Colorado e do norte da Califórnia, as contas de água já custam em média cerca de US$ 75 por mês. A nova usina as aumentará em torno de US$ 5 para assegurar uma nova oferta igual a 7% ou 8% do consumo de água do condado.
 A usina consumirá uma quantidade imensa de eletricidade, aumentando as emissões de dióxido de carbono que causam o aquecimento global, que afeta negativamente as reservas de água. E grupos ambientais locais, que são contrários à usina, temem um impacto substancial sobre a vida marinha.
 A empresa que está desenvolvendo a usina, a Poseidon Water, prometeu compensar os danos ambientais. Por exemplo, ela contribuirá ao programa da Califórnia que financia projetos que compensam as emissões de gases do efeito estufa.
Mesmo assim, alguns cientistas e grupos ambientais argumentam que, se as condições chuvosas voltarem à Califórnia, essa usina e outras como ela poderiam se transformar em elefantes brancos. Santa Barbara, a noroeste de Los Angeles, construiu sua usina de dessalinização há 25 anos e prontamente a fechou quando as chuvas voltaram.
 A Austrália tem um caso mais espetacular: ela construiu seis usinas de dessalinização imensas durante uma seca e manteve quatro delas em grande parte ociosas, apesar dos consumidores terem sido obrigados a arcar com o preço delas de vários bilhões de dólares.
 "Nossa posição é que a dessalinização da água do mar deve ser uma opção de último recurso", disse Sean Bothwell, um advogado da Aliança de Manutenção da Costa da Califórnia, uma coalizão ambiental que combate o uso da tecnologia pelo Estado. "Nós precisamos primeiro usar plenamente todas as reservas sustentáveis de que dispomos."
 O método técnico que está sendo empregado aqui, e na maioria das usinas recentes, se chama osmose reversa. Ela envolve forçar a passagem da água do mar por uma membrana com buracos tão minúsculos que as moléculas de água podem passar, mas as moléculas de sal maiores não.

Uma quantidade imensa de energia é necessária para criar pressão suficiente para fazer a água passar pelas membranas. Mas avanços de engenharia reduziram pela metade o uso de energia pelas usinas em 20 anos, assim como melhoraram sua confiabilidade.
 As futuras usinas de dessalinização também têm o potencial de casarem bem com o crescente potencial de energia renovável do sistema elétrico da Califórnia e do Texas. Como a água tratada pode ser armazenada, as usinas podem ser ligadas quando a eletricidade de fontes eólicas e solares for abundante, e posteriormente desligadas.
 Mas, à medida que cresce o interesse pela dessalinização, a Califórnia e outros Estados lidam com importantes decisões sobre as regras ambientais para as novas usinas.
Tanto a extração de água do mar quanto o descarte do excesso de sal no oceano pode ser prejudicial para a vida marinha. Sugar quantidades imensas de água do mar, por exemplo, pode matar as ovas e larvas de peixes aos bilhões. Existem soluções técnicas, mas elas elevam os custos, e ainda não está claro quão rígidos os reguladores da Califórnia serão com os desenvolvedores das usinas.
 Há muito preocupada com a escassez de água, a região de San Diego foi uma das pioneiras em medidas que acabaram se espalhando por todo o país, como acessórios de banheiro de baixo fluxo, máquinas de lavar mais eficientes e outras inovações.
 Mas essas medidas não foram suficientes para assegurar o futuro da água da região, disse Weston. Assim a autoridade de água decidiu anos atrás, muito antes do início da atual seca, seguir em frente com a ideia da usina de dessalinização.
 Ela está em seus estágios finais de construção, em uma abertura artificial para o mar em Carlsbad. Em um dia recente, um leve cheiro de cola pairava no ar enquanto os operários selavam as juntas dos canos imensos. Quando entrar em operação, a usina bombeará água pelos 16.040 cilindros contendo as membranas para prender o sal.
 Peter MacLaggan, um vice-presidente da Poseidon Waters que está supervisionando o projeto, disse que a usina é de certa forma uma resposta ao antigo interesse da população pela dessalinização.
 "Toda vez que a Califórnia enfrenta uma seca, nós recebemos cartas ao editor apontando que há muita água no oceano Pacífico", ele disse, enquanto as ondas quebravam na costa ao fundo. "Elas dizem: 'E aí, pessoal, o que vocês estão esperando?'."
 Santa Barbara, um destino turístico chique na costa da Califórnia, pode enfrentar escassez severa de água em um ano se a seca persistir. A cidade está prestes a gastar US$ 40 milhões para reativar a usina de dessalinização há muito inativa aqui.
 Essa medida aumentaria muito as contas de água, reconheceu a prefeita, Helene Schneider. Mas ela acrescentou: "Ficar sem água é uma opção pior do que uma água muito cara".
Tradutor: George El Khouri Andolfato


NASA une cientistas na busca por vida extraterrestre


Ilustração da Nasa resume algumas das principais linhas de pesquisa que estão sendo reunidas no projeto: a Terra como um planeta capaz de desenvolver a vida (canto inferior direito); as características do sistema solar e outros sistemas planetários (à esquerda); e a busca por planetas extrassolares na nossa galáxia (canto superior direito)
Foto: Nasa

A Nasa anunciou na noite desta terça-feira a criação de um “instituto virtual” que vai unir cientistas de diversas áreas em mais de dez instituições de pesquisa americana na busca por vida extraterrestre. Batizado Nexo para a Ciência de Sistemas de Exoplanetas (Nexss, na sigla em inglês), o projeto tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre os vários componentes do ambiente dos planetas extrassolares e como a interação com suas estrelas e outros planetas em seus sistemas podem influenciar sua capacidade de abrigar vida.
- Este esforço interdisciplinar conecta equipes de pesquisa de ponta e provê uma abordagem sintética na busca por planetas com maior potencial de apresentar sinais de vida – diz Jim Green, diretor de Ciências Planetárias da Nasa. - A caça por planetas extrassolares não é uma prioridade só para os astrônomos, ela é de profundo interesse para os cientistas planetários e climáticos também.
O estudo de planetas extrassolares, ou exoplanetas, e a astrobiologia são campos de pesquisa relativamente recentes. Afinal, a descoberta do primeiro exoplaneta em órbita de uma estrela como o Sol, em 1995, tem apenas 20 anos. Desde então, porém, astrônomos usando diversos observatórios em terra e no espaço já confirmaram a existência de cerca de 2 mil deles dos mais diversos tamanhos e possíveis “apresentações”, desde pequenos mundos rochosos pouco menores do que a Terra a gigantes gasosos muito mais maciços que Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, com outros milhares de candidatos ainda aguardando confirmação. A grande maioria está em sistemas planetários
múltiplos como o nosso, mas apenas alguns poucos se encontram na chamada zona habitável, a região da órbita de suas estrelas onde teoricamente não estão nem perto nem longe demais dela de forma que sua temperatura possa permitir a presença de água em estado líquido, condição considerada fundamental para o desenvolvimento e suporte à vida como conhecemos.
Mas encontrar um planeta do tamanho “certo” e na distância “certa” de sua estrela é apenas o primeiro passo na busca por possíveis organismos extraterrestres. Os cientistas ainda estão desenvolvendo maneiras de confirmar a habitabilidade dos planetas extrassolares e buscar por “assinaturas” em suas atmosferas que indiquem a ocorrência de processos biológicos neles, ou seja, sinais de vida. Assim, um ponto importante do esforço é a compreensão de como a vida interage com a atmosfera, geologia, oceanos e o interior destes planetas, e como estes processos são influenciados pelas suas estrelas. E, nesta “ciência de sistemas”, os estudos sobre a própria Terra, os outros planetas do Sistema Solar, suas luas e nosso Sol se mostram fundamentais, ainda mais diante da possibilidade de outros ambientes fora da zona habitável “formal” também poderem abrigar vida, destaca explica Hiroshi Imanaka, pesquisador do Instituto Seti (sigla em inglês para “busca por inteligência extraterrestre”) e líder de uma das equipes selecionadas pela Nasa para fazer parte do projeto:
- Um dos principais impulsos da comunidade exoplanetária tem sido encontrar mundos na chamada zona habitável, a gama de distâncias da estrela onde um planeta pode ter temperaturas que permitam a existência de oceanos líquidos. Mas oceanos líquidos não são a única condição sob a qual a vida pode existir. Algumas das luas de Júpiter e Saturno são exemplos de lugares que não estão nas convencionais zonas habitáveis mas, ainda assim, podem ser habitados. Queremos dar mais passos adiante na caracterização dos ambientes habitáveis que estão além do Sistema Solar.
O Globo.com







Primeira chuva de meteoros do ano será na madrugada desta quinta-feira

Chuva de meteoros Orionídeas de 2011, vista do Observatório Astronômico Municipal de Mercedes, em Buenos Aires, Argentina

Na madrugada desta quinta-feira acontece o apogeu das Lirídeas, a primeira boa chuva de meteoros de 2015. O fenômeno, que no Hemisfério Sul atinge seu ápice a partir das 3h, poderá ser observado com mais clareza nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Para tanto, basta olhar para a direção Norte, a olho nu, para ver entre 15 e 20 meteoros por hora, de acordo com estimativa dos astrônomos.
Este ano, a visualização é favorecida pelo céu escuro. "A Lua está em sua fase crescente e irá se pôr às 21h. Por isso, sua luminosidade não irá atrapalhar a observação do fenômeno", explica Rundsthen Vasques de Nader, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e astrônomo do Observatório do Valongo, na UFRJ.
Pedaços de cometa - Os meteoros das Lirídeas são pedaços de gelo e poeira do cometa C/1861 Thatcher. Seus destroços entram na atmosfera a cerca de 50 quilômetros por segundo e se desintegram, tornando-se brilhantes. É uma das chuvas de meteoros mais antigas do planeta, famosa por, em 687 a. C. e em 1803, ter causado uma tempestade de cerca de 700 meteoros por hora. Atualmente, o fenômeno é visto todos os anos no final de abril, quando a Terra passa pela "cauda" do cometa, proporcionando a visão de menos de 100 meteoros por hora.
Os destroços do cometa parecem despencar da constelação Lira (daí seu nome). Essa constelação nasce às 0h desta quinta-feira para Estados do Sudeste, como o Rio de Janeiro, e fica próxima ao horizonte. Quanto mais ao Sul, mais difícil é enxergá-la. Por isso, quem está em São Paulo, Paraná, Santa Catarina ou Rio Grande do Sul não poderá ver essa chuva. Em 2015, ela começou em 16 de abril e vai até o dia 23.
Para quem quiser ver o fenômeno, o melhor é observá-lo longe de ambientes urbanos. "A poluição atmosférica, tanto a de poeira quanto a luminosa, influencia fortemente na observação do fenômeno", diz Nader.
Para quem não conseguir observar o fenômeno diretamente, uma opção é acessar o site do observatório internacional Slooh, que vai transmitir a chuva de meteoros ao vivo.

'Supervazio' no Universo que 'suga' luz intriga astrônomos

A área onde fica o chamado Ponto Frio fica na constelação de Eridano no hemisfério galático sul, como mostra a imagem feita pela Agência Espacial Europeia em colaboração com o telescópio Planck
A área onde fica o chamado Ponto Frio fica na constelação de Eridano no hemisfério galático sul, como mostra a imagem feita pela Agência Espacial Europeia em colaboração com o telescópio Planck.
 
Astrônomos de uma universidade no Havaí podem ter decifrado um mistério de dez anos e encontrado a maior estrutura conhecida do Universo.
Em 2004, ao examinar um mapa da Radiação Cósmica de Fundo (CMB, na sigla em inglês), resíduo do Big Bang presente em todo o Universo, astrônomos descobriram uma área diferente, surpreendentemente ampla e fria, batizada de Ponto Frio.
A física que estuda a teoria do Big Bang para a origem do Universo prevê pontos quentes e frios de vários tamanhos em um Universo ainda jovem, mas um ponto tão grande e tão frio como o desta descoberta não era esperada pelos cientistas.
Mas uma equipe, liderada por István Szapudi, do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí, em Manoa, pode ter a explicação para a existência deste Ponto Frio que, segundo Szapudi, seria "a maior estrutura individual já identificada pela humanidade".
'Supervazio'
Usando dados do telescópio Pan-STARRS1 (PS1), em Haleakala, Maui, e também do satélite Wide Field Survey (WISE), da Nasa, a equipe de Szapudi descobriu o que chamaram de "supervazio", uma grande região de 1,8 bilhão de anos-luz de largura, na qual a densidade das galáxias é muito menor do que o normal encontrado no Universo conhecido.
Os cientistas dizem que essa região é tão grande que é difícil encaixá-la na nossa compreensão convencional sobre dimensões e espaço.
Ela é mais fria do que outras partes do universo, e apesar de não ser um vácuo ou totalmente vazia, parece ter cerca de 20 por cento a menos de matéria do que outras regiões.
O "supervazio", localizado a 3 bilhões de anos-luz da Terra, "sugaria" energia da luz que viaja através dela, o que explica o intenso frio da região.
Segundo os cientistas, atravessá-la pode levar milhões de anos, mesmo à velocidade da luz.
O estudo foi publicado no Notices of the Royal Astronomical Society.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Cientistas apresentam 'nova teoria' sobre a formação da Terra

Um 'corpo similar' ao do planeta Mercúrio pode ser um dos 'ingredientes-chave' para que o núcleo da Terra incorporasse em suas origens a fonte de energia responsável da criação de seu campo magnético, segundo revelou na semana passada a revista 'Nature'.
Esse é o cenário descrito pelos cientistas Anke Wohlers e Bernard Wood, da universidade britânica de Oxford, em um estudo que apresenta uma 'nova teoria' sobre a formação do nosso planeta.
O novo contexto também pode servir para explicar, segundo os autores no texto, por que 'a abundante presença de certos elementos raros' encontrados no manto da Terra não bate com as teorias vigentes até agora sobre a formação do planeta.
Em 2012, uma equipe de cientistas do Centro Nacional francês de Pesquisas Científicas (CNRS) informou que tinha descoberto que a formação da Terra, ao contrário do que era pensado até então, não ocorreu pela colisão de um só tipo de meteorito.
Três anos depois, Wohlers e Woods afirmam que a crosta e o manto terrestre apresentam uma 'relação de metais raros', como samário e neodímio, mais alta que a da maioria dos meteoritos, a partir dos quais se supõe que 'cresceu a Terra'.
Em experimentos nos quais foram replicadas as condições da formação da Terra, os dois especialistas observaram que a adição de meteoritos não metálicos (rochosos) e ricos em sulfeto, como os presentes em Mercurio, podem ter provocado essa anomalia.
Esses meteoritos não metálicos, conhecidos também como condritos de enstatita, podem ter contribuído para a formação de um núcleo terrestre rico em sulfeto capaz de abrigar urânio e tório o suficiente, com os quais se alimenta o 'geodínamo', responsável pela existência do campo magnético terrestre.
Estudos anteriores tentaram explicar a alta relação de samário e neodímio considerando a possibilidade de que exista um 'depósito oculto' com uma 'relação complementar baixa' desses elementos no manto terrestre ou que esse material tenha sido despejado da Terra por colisões.
Os autores lembram que outros modelos baseados em uma Terra 'menos oxidada' e 'baixa em sulfeto' apresentaram cenários nos quais elementos geradores de calor foram incapazes de dissolver um núcleo terrestre rico em ferro.
As descobertas de Wohlers e Woods parecem resolver o 'problema da desconhecida fonte de energia do dínamo', segundo destaca em outro artigo publicado nesta quarta-feira pela 'Nature' o cientista Richard Carlson.
Em seu texto, intitulado 'Uma nova teoria sobre a formação da Terra', Carlson indica que seus experimentos exploram as consequências derivadas da teoria que sugere que 'blocos de construção' que criaram a Terra mudaram 'sistematicamente' sua composição durante o processo de formação.
'Seus resultado nos levam à intrigante conclusão que se a formação da Terra começou com blocos de construção muito reduzidos quimicamente, o núcleo metálico do planeta poderia conter urânio suficiente para alimentar a convecção que criou, e manteve, o campo magnético da Terra durante mais de três bilhões de anos'.
 

É preciso ser um pouco 'sujo' para ser saudável?


Vistos de longe, os objetivos da pesquisa poderiam parecer absurdos. Cientistas do departamento de alergologia do hospital de Gotemburgo, na Suécia, escolheram mais de 1.000 crianças e mandaram uma série de perguntas a seus pais. Algumas delas buscavam saber se eles sofriam de algumas das alergias mais comuns: asma, eczema, rinite ou conjuntivite. Até aí, nada de estranho, considerando a origem de seu interesse. Mas depois perguntaram algo mais surpreendente aos pais: usavam máquina de lavar louça ou lavavam os pratos à mão? A pergunta parecia não fazer sentido, sem falar que as máquinas são mais eficientes na lavagem da louça.
Mas os pesquisadores tinham partido com uma ideia na cabeça, e os resultados confirmaram o que eles já intuíam: as crianças que viviam em casas sem lava-louças tinham aproximadamente metade do risco de sofrer alergias que as crianças das casas mais modernas. Não apenas isso: o risco diminuía ainda mais se consumiam alimentos fermentados e se seus pais costumavam comprar alimentos diretamente de fazendas. Em outras palavras, as casas extremamente assépticas geravam um efeito paradoxal: aumentavam a probabilidade de anular as defesas das crianças. É o que se conhece como “a hipótese da higiene”. E era justamente essa a premissa inicial dos pesquisadores.

A importância de ter irmãos

A hipótese da higiene nasceu em 1989. Nesse ano, o epidemiologista inglês David P. Strachan, depois de estudar mais de 17.000 crianças, concluiu que o fator que mais protege as crianças contra sofrer de rinite alérgica é simplesmente ter irmãos maiores. Uma das melhores definições da suspeita aparece no final desse estudo: “O aparente aumento das doenças alérgicas poderia ser explicado se elas foram prevenidas por infecções na primeira infância, transmitidas por um contato pouco higiênico com irmãos maiores ou adquiridas antes de nascer. Ao longo do século passado, a redução do tamanho das famílias, o aumento das conveniências no lar e a elevação dos padrões de higiene pessoal reduziram as possibilidades de as infecções serem transmitidas na família. Isso pode ter propiciado o aumento das manifestações clínicas das alergias.”
Na época, a hipótese ainda era muito frágil. Afinal, era baseada apenas em números que tendiam a se encaixar, mas isso não significava que uma coisa fosse a causa da outra. Nos anos seguintes, porém, a teoria foi ganhando força e sendo estudada de maneira muito mais precisa. É o que afirma Francisco Guarner, presidente da Sociedade Espanhola de Probióticos e Prebióticos e responsável na Espanha pelo projeto europeu MetaHIT, que estuda o microbioma humano (o conjunto de microorganismos que nos povoam): “A hipótese da higiene continua a ser apenas uma hipótese, mas cada vez mais as peças estão se encaixando. Não apenas foram confirmados os estudos sobre irmãos, como se verificou a ocorrência de mais alergias entre crianças que tomam antibióticos, nos países desenvolvidos em relação aos mais pobres, nas cidades em relação ao vilarejos pequenos, e, especialmente, ocorrem menos alergias nas crianças que vivem perto de fazendas.” Nos adultos, a evidência do fenômeno é muito menor.
Um grande estudo publicado numa das mais importantes revistas clínicas, New England Journal of Medicine, representou mais um passo adiante. O estudo comprovou não apenas que as crianças que vivem perto de fazendas sofrem de menos alergias, mas também que essa relação depende da quantidade de endotoxina bacteriana (um componente da parede de muitas bactérias) presente nos lençóis em que dormem. De alguma maneira, a presença dos micróbios protege as crianças. Mas como isso é possível?

Um conjunto de defesas

O mecanismo parece residir na proporção de nossas defesas. Entre o exército de células que nos protege estão os linfócitos, as células que produzem anticorpos. Mas nem todos os linfócitos têm essa função. Como os escalões no exército, também aqui os papéis são divididos. Alguns, os chamados “colaboradores”, participam regulando a batalha; eles atuam de certo modo coordenando as respostas. Entre eles, também há dois grupos diferentes. O primeiro reage sobretudo contra vírus e bactérias. O segundo tende a se dirigir principalmente contra outros parasitas, como os vermes, de modo que essa resposta se parece muito com a das reações alérgicas. O que se viu é que as crianças que viviam em ambientes mais “limpos” tinham mais linfócitos que o normal do segundo grupo e, por isso, tendiam a ter mais alergias. De alguma maneira, o contato precoce com os microorganismos “treinava” o exército imunitário para ter as proporções corretas em cada divisão.
Mas alguma coisa não encaixava. Porque essas crianças não apenas tinham mais alergias, como também pareciam desenvolver mais doenças autoimunes, como diabetes tipo 1, doença de Crohn ou colite ulcerosa. Nessas doenças, as defesas atacam as próprias células, e o fazem principalmente coordenadas pelo primeiro grupo de linfócitos. Isso não estava previsto na hipótese. As crianças deviam estar mais protegidas, porque tinham menos células desse grupo. Onde estava a misteriosa razão? Segundo Guarner, em um terceiro grupo de linfócitos descoberto pouco tempo depois, os chamados reguladores, “que são os que produzem tolerância”. O treinamento oferecido pelos microorganismos não apenas permite ter as proporções corretas, como também cria um ambiente em que o sistema de defesa tolera aquilo que não lhe é prejudicial.
“O sistema imune não evoluiu para distinguir o que é próprio do que é estranho, como se costuma afirmar, e sim o que é um patógeno [que origina doenças] do que não o é”, sustenta Guarner. “Por exemplo, para uma grande porcentagem da população o glúten não é prejudicial em absoluto. Mas é prejudicial aos celíacos.”
Para esse especialista, o artigo sobre o uso de lava-louças é um estudo simples, não um trabalho chave, “mas representa mais uma peça que se encaixa no quebra-cabeças”. Alguns cientistas, porém, questionam se a hipótese da higiene é realmente tão ampla e importante quanto se sugere que seja. Eles se agarram a fatos como a diminuição da proporção de asmáticos em países desenvolvidos, sem que isso seja acompanhado de uma redução nas medidas de higiene. Guarner discorda. “O que vemos é que, de modo geral, os índices de asma continuam a subir. E já se confirmou que inclusive migrantes de países pobres para países mais desenvolvidos passam a ter maior risco de alergias e doenças autoimunes.”

Em busca do meio termo

O microbioma é o conjunto de microorganismos que nos povoam constantemente sem nos causar nenhum tipo de dano. E esses microorganismos não são poucos. Para cada célula humana temos até dez bactérias, cumprindo funções das mais diversas, e muitas vezes fundamentais. Entre elas está precisamente o treinamento do sistema imunológico. Mas estamos pouco a pouco perdendo a diversidade. “A introdução dos antibióticos e de novos métodos de esterilização fez com que hoje estejamos colonizados principalmente pelos microorganismos mais resistentes”, explica Guarner. “O sistema de defesa evoluiu para identificar e reconhecer aquelas que eram velhas amigas, mas agora ele se equivoca muito mais e se tornou mais intolerante.”
Isso não quer dizer que seja preciso renunciar a todos os avanços de higiene conquistados. “Por isso não gostamos do nome de ‘hipótese da higiene’”, observa Guarner, “porque evitar as patologias obviamente não é algo negativo. Não devemos retroceder.” Então como combinar as vantagens de ambos os mundos? Uma possibilidade que vem sendo estudada é tomar probióticos, organismos que melhoram a diversidade perdida. Mas ainda estamos muito distantes de uma solução. Enquanto isso, Guarner aconselha “não abusar da esterilização quando não houver um foco patógeno na família” (isso significa que, enquanto não houver um doente em casa, não é necessário lavar os têxteis com alvejante –com sabão e por motivos estéticos é o bastante- nem ferver as chupetas dos bebês). Guarner acrescenta algo que quase todo o mundo reconhece intuitivamente: “Convém aumentar o contato com a natureza”. Sujar-se no campo fortalece a saúde.
El País Brasil

Desmatamento da Amazônia Legal aumenta 195% em março, aponta Imazon

Agentes do Ibama inspecionam madeira ilegal apreendida na reserva indígena do Alto Guama, em Nova Esperança do Piriá (PA). Os fotógrafos Nacho Doce e Ricardo Moraes, da Reuters, viajaram pela Amazônia registrando formas de desmatamento. Foto de 25/9/2013. (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
 
O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), ONG de Belém, divulgou levantamento não-oficial que indica o aumento de 195% no desmatamento da Amazônia Legal em março deste ano, comparado com o mesmo mês do ano anterior.

O SAD, sistema usado pela ONG, detectou 58 km² de desmatamento na Amazônia Legal em março de 2015. Em março de 2014 o índice era de 20 km².

O Imazon ressalta que neste ano foi possível monitorar 47% da área florestal. Os outros 53% estavam cobertos por nuvens, sendo que no ano anterior a cobertura foi de 58%. Por isso, os dados podem estar subestimados, afirma a ONG.
Segundo o relatório do Imazon, em março deste ano, o desmatamento se concentrou no Mato Grosso (76%) e no Amazonas (13%). A menor ocorrência foi em Rondônia (8%), Tocantins (2%) e Pará (1%).

Além disso, as florestas degradadas (parcialmente destruídas) na Amazônia Legal somaram 15 km² em março de 2015, enquanto no mesmo mê do ano anterior a degradação florestal somou foi de 5 km². O aumento foi de 200%, indica o Imazon.

Quanto ao acumulado de agosto de 2014 a março de 2015, o desmatamento foi de 1.761km². Isso representa aumento de 214% em relação ao período entre agosto de 2013 e março de 2014, quando 560 km² foram desmatados. Os meses citados correspondem aos oito primeiros meses do calendário oficial de medição do desmatamento.
Os dados são divulgados de maneira paralela aos dados oficiais do Ministério do Meio Ambiente, que usa o sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe. Os métodos de levantamento são distintos, por isso os números não podem ser comparados entre si.

O último levantamento do "calendário do desmatamento" do Inpe mostrou queda de 18% do desmate na Amazônia entre agosto de 2013 e julho de 2014 em relação ao período anterior.

O lado escuro de Ceres

Imagens foram tiradas no dia 10 de abril a 33 mil quilômetros de Ceres (Foto: NASA)

Na última sexta-feira (10), a sonda espacial Dawn tirou uma série de fotos do planeta anão Ceres com a melhor resolução até agora. Depois de um mês orbitando o lado escuro do astro, ela fez estes registros a uma distância de 33 mil quilômetros de sua superfície que mostram o pólo norte iluminado pelo Sol - um ângulo nunca visto antes. A NASA resolveu divulgar as imagens em forma de animação e disponibilizou este GIF incrível, que mostra uma sequência de visões do planeta anão.
Com diâmetro de 950 quilômetros, Ceres é o maior objeto do cinturão de asteroides, região que fica entre as órbitas de Marte e de Júpiter. Atualmente ele integra a mesma categoria que Plutão - são corpos que têm todas as características de um planeta, mas são pequenos demais.
Antes de chegar ao destino, no dia 6 de março, a Dawn explorou por 14 meses o asteroide gigante Vesta entre 2011 e 2012. Isso deu a ela dois recordes: além de ser a primeira sonda espacial a orbitar um planeta anão, também foi a primeira a entrar na órbita de dois alvos diferentes.
De agora em diante, a sonda vai ficar cada vez mais próxima de Ceres. Até 9 de maio, ela deve chegar a uma distância de 13,5 mil quilômetros da superfície - ou seja, podemos contar com outras fotos e descobertas incríveis envolvendo este mundo peculiar.
 

sábado, 11 de abril de 2015

Fotos de satélites da NASA registram mudanças ambientais no mundo

A represa de Mirani, no sul do Paquistão, foi finalizada em 2006, para prover água potável, irrigação e energia elétrica. A imagem à esquerda mostra a região antes da construção da represa; à direita, a represa em 2011, com o avanço agrícola propiciado pela água (Foto: Nasa)
A represa de Mirani, no sul do Paquistão, foi finalizada em 2006, para prover água potável, irrigação e energia elétrica. A imagem à esquerda mostra a região antes da construção da represa; à direita, a represa em 2011, com o avanço agrícola propiciado pela água (Foto: Nasa)
 
Derretimento de geleiras, lagos em extinção e cidades em expansão são algumas das mudanças no ambiente terrestre documentadas pela Nasa. Imagens antigas e atuais mostram as diferenças: acima, a geleira de Qoris Kalis, nos Andes peruanos, vista em 1978 e em 2011, quando já havia se retraído completamente, deixando vazio um lago de cerca de 60 metros de profundidade.
Vistas de cima, áreas enormes do planeta sofreram profundas transformações nas últimas décadas.
O Mar de Aral, localizado na Ásia Central, visto em 2000, com o Mar do Norte já separado do sul e em 2014, quando o lado leste do mar já estava completamente seco (Foto: Nasa)

 Imagens da Nasa mostram como o derretimento de geleiras, lagos em extinção e cidades em expansão alteraram o seu redor, da China à América do Sul.
A geleira de Qoris Kalis, nos Andres peruanos (Foto: Nasa)

 Quarenta anos atrás, o Mar de Aral ficava repleto de barcos e pescadores - mas agora ele praticamente desapareceu. Ele começou a secar com a construção de represas e canais, a partir dos anos 1960, que impediram dois rios de abastecê-lo de água. Em 2000, o Mar de Aral do Norte já estava separado do Sul. Em 2014, o lado leste do mar já estava completamente seco.
Derretimento de geleiras, lagos em extinção e cidades em expansão são algumas das mudanças no ambiente terrestre documentadas pela Nasa. Imagens antigas e atuais mostram as diferenças: acima, a geleira de Qoris Kalis, nos Andes peruanos, vista em 1978 e em 2011, quando já havia se retraído completamente, deixando vazio um lago de cerca de 60 metros de profundidade.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

As duas Américas se uniram milhões de anos antes do que se acreditavam

 
As duas Américas se transformaram em uma muito antes do que se acreditava. A união pelo que hoje é o Panamá aconteceu há cerca de 13 milhões de anos e não 3,5 milhões, como acreditava a comunidade científica. Uma pesquisa de geólogos colombianos datou as rochas encontradas nos Andes nessa data e eles afirmam que só podem proceder do istmo que, portanto, já teria emergido. Se esse atraso for confirmado, os livros de ciência terão de reescrever o que se sabe sobre a primeira glaciação da era atual ou a grande migração de espécies que ocorreu entre as duas Américas.
A teoria mais aceita sobre a data na qual os continentes americanos se uniram sustenta que um processo iniciado há cerca de 20 milhões de anos se completou há 3,5 milhões. O jogo entre a placa do Caribe, a Sul-americana e a Norte-americana foi salpicando o mar que separava as duas Américas de um mosaico de ilhas. A partida culminou com a emersão de uma faixa de terra que separou para sempre as águas do Pacífico das do Atlântico.
A união americana explica muitas coisas que ocorreram desde então. Como testemunha o registro fóssil, é desde essa data que aconteceu o chamado Grande Intercâmbio Americano: muitas espécies de vertebrados migraram de um continente para outro. Várias pesquisas mostram, além disso, que a partir de então as espécies e sedimentos marinhos dos atuais Pacífico e Caribe começam a se diferenciar. Há quem, inclusive, afirme que a atual era de glaciações se inicia com a separação dos mares. A emersão do istmo teria intensificado a circulação oceânica no Atlântico e o Pacífico que, em um complexo processo, fez com que os gelos se expandissem ou retraíssem do hemisfério norte de forma periódica. A última dessas retrações permitiu a expansão do homem moderno.
“É uma hipótese muito elegante, mas, se o fechamento ocorreu muito antes, deveria ser revisada”, disse o professor da Universidade dos Andes (Colômbia), Camilo Montes. O paleogeógrafo, ao lado de pesquisadores de outras universidades colombianas, encontrou provas que lhes permitem antecipar o fechamento para 10 milhões de anos antes, na era geológica conhecida como Mioceno Médio. “Sabemos que haverá muita discussão e que vão bater de todos os lados”, reconhece Montes que, no entanto, acredita na força de sua descoberta.
Esses geólogos colombianos aproveitaram as obras de ampliação do Canal do Panamá para procurar nos estratos mais antigos uma pedra, o zircônio. Este mineral metálico tem duas particularidades. De um lado, é muito resistente à meteorização, portanto sua erosão é muito lenta. Além disso, se apresenta com pequenas quantidades de urânio. O processo de decaimento do urânio (de um isótopo radiativo para outro) até se transformar em um estável de chumbo é conhecido e é uma das bases da geocronologia.
Como é mostrado na revista Science, a partir do canal foram indo cada vez mais para o sul, realizando perfurações e amostragens até chegar ao flanco ocidental da Cordilheira Central colombiana, onde acabam os Andes. Foram encontradas amostras de zircônio que não poderiam ser originárias dessa região e “em camadas de cerca de 15 milhões de anos e não nas de 3,5 milhões de anos”, comenta Montes. “O mais provável, quase certo, é que venham do Panamá”, acrescenta.
Na verdade, depois de submeter as diferentes amostras à desintegração por laser e sua análise por um espectrômetro de massas, a relação de isótopos de urânio e chumbo entre as obtidas no Panamá e as colombianas conclui que o zircônio de ambas tem a mesma origem. Para os pesquisadores, esse mineral chegou até a Colômbia arrastado por antigos rios em um longo processo de erosão. E, claro, para que haja um rio antes deve haver uma terra sobre a qual ele corra e essa terra não pode ser outra que não o istmo do Panamá.

A grande migração animal

Se essa antecipação de pelo menos 10 milhões de anos na união das duas Américas for confirmada, a nova data questiona muito do que a ciência dava por certo até agora. A hipótese elegante dos 3,5 milhões de anos e sua conexão com a grande migração de espécies entre os dois continentes se enfraquece. É o que acontece também com sua relação com a mudança climática que trouxe as glaciações com o fechamento do istmo. Se aconteceu muito antes, por que os animais esperaram milhões de anos para atravessar o Panamá?
“A resposta é muito simples, o fechamento do canal marítimo não desempenhou nenhum papel na mudança climática”, afirma o professor de geologia da Universidade do Colorado em Boulder (EUA), Peter Molnar. Ainda que tenha havido espécies de vertebrados como camelídeos, parentes dos caititus ou grandes felinos que foram do norte ao sul e antecessores do bicho-preguiça e até plantas que imigraram para o norte antes dos 3,5 milhões de anos, a grande migração aconteceu depois dessa data.
Américas foi um requisito necessário, mas não suficiente. Na realidade, pode ter sido o frio da glaciação que teve início naquele tempo o que produziu a dispersão. “O Grande Intercâmbio Americano é totalmente consequência da mudança climática. Durante as idades do gelo, os trópicos esfriam e secam. Os animais que atravessavam viviam em savanas. Eles deviam cruzar o que é hoje o Panamá. Cruzaram porque o clima tinha mudado a vegetação e a barreira climática mudaram por completo”, explica. E o ciclo de glaciações do Quaternário (período atual) coincide com a explosão de registros fósseis, não com o fechamento do canal marítimo.
De uma tacada, Montes e seus colegas desmontam três das bases da história geológica. No entanto, os defensores da teoria original se mostram bastante céticos com essas conclusões. Um dos guardiões da data dos 3,5 milhões de anos é o norte-americano Anthony Coates, pesquisador do Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical. Coates dedicou boa parte de sua vida a pesquisar a união entre os continentes americanos e não se convenceu dos argumentos de Montes.
“Inclusive mesmo que o zircônio tenha se transferido como eles dizem, e há sérias dúvidas sobre a história de que proceda de um proto-Panamá, trata-se de uma região relativamente pequena da Colômbia e isso não descarta que as demais centenas de quilômetros do istmo tiveram vias marinhas como acontece no arco indonésio atual, que nós acreditamos ser uma boa comparação com a América Central de cerca de 10 ou 15 milhões de anos”, diz Coates por e-mail. Ou seja, sem negar que pudesse haver desde então alguma conexão, seria mais na forma de arquipélago do que de uma grande faixa de terra.
Montes replica que as amostras do ocidente colombiano que foram analisadas procedem de várias regiões do arco panamenho: “A única forma de explicar isso é ter um rio principal que conectasse boa parte do istmo”.
 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Cientistas encontram glaciares sob superfície de Marte

Cientistas têm tentado descobrir como Marte se transformou de um planeta úmido e supostamente semelhante à Terra nos seus primeiros estágios para um deserto frio e seco
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Marte tem milhares de glaciares enterrados sob sua superfície, água congelada suficiente para cobrir o planeta com uma capa de gelo de 1,1 metro, disseram cientistas nesta quarta-feira (8).
 
Os glaciares estão em duas faixas nas latitudes centrais dos hemiférios norte e sul.
A informação de radar, recolhida pelos satélites que orbitam o planeta, combinada com modelos de computadores de fluxos de gelo, mostra que Marte tem 150 bilhões de metros cúbicos de água congelada, segundo um estudo publicado na edição desta semana da revista Geophysical Research Letter.O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,cientistas-encontram-glaciares-sob-superficie-de-marte,1666199
"O gelo nas latitudes médias é, portanto, uma parte importante das reservas de água de Marte", disse a pesquisadora do Instituto Neils Bohr, Nanna Bjornholt Karlsson, da Universidade de Copenhague, em comunicado.
Os cientistas têm tentado descobrir como Marte se transformou de um planeta úmido e supostamente semelhante à Terra nos seus primeiros estágios num deserto frio e seco atualmente.
Bilhões de anos atrás, Marte, que não tem um campo magnético protetor global, perdeu grande parte de sua atmosfera. Há várias iniciativas para determinar a quantidade de água do planeta que desapareceu e quanto continua na forma de gelo nas reservas subterrâneas.
Cientistas suspeitam que os glaciares permaneceram intactos porque estão protegidos sob uma grossa capa de poeira.
Além da evidência de leitos de rios, córregos e minerais, os cientistas que estudavam reveladoras moléculas na atmosfera de Marte no mês passado concluíram que o planeta provavelmente teve um oceano de mais de 1,5 quilômetro de profundidade que cobria quase a metade do seu hemisfério norte.
Marte perdeu 87% dessa água, disseram os cientistas. Atualmente, a maior reserva conhecida de água do planeta está nas suas capas polares.
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Buracos negros não destroem informação, afirmam cientistas

Concepção artística de um buraco negro supermassivo no centro da galáxia NGC 3783 (Foto: ESO/M. Kornmesser)

Em 1974, Stephen Hawking propôs que a energia perdida pelos buracos negros através da liberação de partículas poderia, eventualmente, fazer com que eles evaporassem e desaparecessem por completo. Os trabalhos do físico na época lhe renderam a nomeação de seu objeto de pesquisa, que passou a ser conhecido como radiação Hawking; mas um paradoxo também surgiu destes estudos, daqueles que se arrastam por décadas e geram debates intermináveis, causando polêmica entre os especialistas. Quando o buraco negro desaparece, o que acontece com a informação contida dentro dele? É perdida para sempre?
Se for assim, a ideia viola a mecânica quântica, que trabalha com a noção de que a informação deve ser conservada em qualquer circunstância. Mesmo que Hawking futuramente tenha relativizado sua posição, alegando que a informação poderia chegar a escapar, nunca ficou claro se seria possível recuperá-la e, se sim, como isso poderia ser feito. Um artigo recente escrito por físicos da Universidade de Buffalo, em Nova York, lança uma nova luz sobre a questão. “De acordo com nosso trabalho, a informação não é perdida uma vez que entra em um buraco negro”, disse em um comunicado Dejan Stojkovic, autor principal do estudo e professor associado na instituição.
“Ela não simplesmente desaparece”, afirma o pesquisador, que avaliou não apenas as partículas emitidas por um buraco negro, mas também aspectos relacionados com as interações sutis entre elas – como a atração gravitacional e o intercâmbio de fótons. Stojkovic acredita que a descoberta é importante pois até mesmo os físicos que defendem a versão de que a informação não é perdida têm dificuldades em demonstrar isso matematicamente. Ele afirma que o artigo apresenta cálculos detalhados sobre como a informação é preservada, além de mostrar o caminho para que seja recuperada através do estudo das interações entre as partículas.
Elas são capazes de revelar dados sobre o que tem lá dentro, desde características do objeto que deu origem ao buraco negro, até informações sobre a matéria e energia contidas nele. No entanto, as interações normalmente são desconsideradas pelos cientistas. “Essas correlações eram frequentemente ignoradas em cálculos relacionados, já que se pensava que elas eram pequenas e incapazes de fazer uma diferença significativa”, diz Stojkovic. “Nossos cálculos explícitos mostram que, mesmo que as correlações comecem muito pequenas, elas crescem com o tempo e se tornam grandes o bastante para alterar o resultado”.
Galileu.com

Como a Lua surgiu? Novo estudo pode acabar com o mistério

O choque entre dois planetas de composição muito parecida por explicar a formação do satélite

Três estudos publicados nesta quinta-feira na revista Nature podem ter resolvido o mistério da formação da Lua. Para cientistas franceses e israelenses, o satélite se formou a partir da colisão de dois objetos: a Terra e um corpo celeste de composição muito parecida.
Ate hoje, a explicação mais aceita para a formação da Lua, formulada na década de 1970, é a da "hipótese do grande impacto", segundo a qual o choque da Terra com um corpo celeste planetário com tamanho semelhante ao de Marte, chamado Theia, teria desprendido rochas e poeira que se uniram para formar o satélite.
O ponto nebuloso dessa teoria é o fato de que a composição química da Terra e de nosso satélite parecem ser idênticas. Para que a teoria se comprovasse, seria preciso que o objeto que colidiu com a Terra fosse um "planeta irmão", muito mais parecido com o nosso planeta do que com qualquer outro do Sistema Solar. A probabilidade de algo assim acontecer, acreditavam os cientistas, era de apenas 1%.
Com novos cálculos e simulações, os autores das pesquisas publicadas na Nature investigaram a semelhança entre os planetas do Sistema Solar e os últimos objetos contra os quais se chocaram. Resultado: em 20% a 30% das colisões analisadas, o planeta e o objeto de colisão tinham composição química semelhante. Dessa forma, o estudo conclui que a probabilidade da "hipótese do grande impacto" ter ocorrido é bem mais elevada.
Para os cientistas, a Terra e a Lua são parecidas por terem se formado a uma distância parecida em relação ao Sol. "A Terra e a Lua não são gêmeas nascidas do mesmo planeta, mas irmãs, porque cresceram no mesmo ambiente", afirma Hagai Perets, astrofísico do Instituto de Tecnologia de Israel e um dos autores do estudo.
Veja.com

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Cientista-chefe da NASA prevê que iremos encontrar evidência de vida alienígena até 2025

Cientista da Nasa afirma que vida alienígena será encontrada em 20 ou 30 anos (Foto: Reprodução/NASA)
 
A humanidade está prestes a descobrir vida alienígena, afirmou a cientista chefe da Nasa, Ellen Stofan.
“Iremos obter fortes indícios da existência de vida fora da Terra dentro da próxima década, e acredito que teremos a evidência definitiva nos próximos 20 a 30 anos”, afirmou Stofan nesta terça-feira (7), durante uma conferência sobre as missões da agência para encontrar mundos habitáveis e vida alienígena.
“Sabemos onde procurar. Sabemos como procurar”, afirmou Stofan durante a palestra. “Na maioria dos casos nos temos a tecnologia, e estamos no caminho para implantá-la. Acho que estamos no caminho certo.”
O astronauta John Grusnfeld, que administra o programa de ciências da agência americana, prevê que esses sinais de vida serão encontrados logo e no próprio sistema solar.
Acho que estamos a apenas uma geração de encontrar um indício em nosso sistema solar, seja em uma lua congelada ou em Marte”, afirmou Grunsfeld.
De acordo com o executivo da Nasa, descobertas recentes sugerem que o sistema solar e alguns planetas na fronteira da Via Láctea possuem ambientes que podem suportar a vida como conhecemos na Terra.
Duas luas de Júpiter, Ganimedes e Europa, possuem oceanos de água líquida, além do satélite Enceladus, de Saturno. Os cientistas também sabem que boa parte de marte era coberta por um oceano, provavelmente de água salgada.
A sonda Curiosity também descobriu na superfície de Marte moléculas orgânicas de carbono e nitrogênio fixado, ingredientes básicos para a vida.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Pesquisa prevê que glaciares perderão 70% do gelo até 2100

Glaciar Athabasca, no Canadá, uma das atrações turísticas e fontes de água ameaçadas com o aquecimento (Foto: Bruno Menetrier/Wikimedia)
 
As grandes geleiras das montanhas estão derretendo com o agravamento das mudanças climáticas. Segundo os modelos de computador, a água despejada por esse derretimento pode gerar de um a dois metros de elevação no nível do mar até 2100. Mas os modelos para antever o que acontece com cada geleira são precários. Agora, grupos de cientistas tentam entender o futuro de cada grupo específico de geleiras. Isso é fundamental não apenas para projetar futuras temporadas de ski mas para saber de rios importantes que dependem do degelo, para abastecer agricultura, cidades e alimentar hidrelétricas.
Além de fornecer água e energia, as geleiras e glaciares das montanhas também são um dos principais atrativos turísticos de países como Canadá ou Estados Unidos.
A equipe de pesquisadores desenvolveu um novo modelo para projetar o derretimento local das geleiras. Eles combinam dados locais de variação de temperatura com a topografia. Os autores rodaram o programa para as geleiras do Canadá. Os grandes blocos de gelo da Colúmbia Britânica, inclusive o Columbia Icefield, maior geleira montanhosa do mundo, estavam no mapa do grupo. Segundo eles, 70% essas geleiras devem perder 70% do volume até 2100 na taxa atual de emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa. Há poucos indícios que a taxa atual vá mudar, mesmo com as promessas recentes dos EUA e da China.
O fluxo de água nos rios que nascem nas geleiras não vai diminuir de imediato. Ao contrário, com o derretimento maior, os rios ganharão volume. Esse aumento vai chegar ao pico entre 2020 e 2040. A partir de então, os ricos começam a encolher, já que há menos neve e gelo para derreter.
O efeito das mudanças climáticas será mais dramático para as geleiras longe da costa. Elas perderão 90% do seu volume. Já as geleiras em montanhas que recebem ventos úmidos do mar terão alguma reposição de nevascas. Encolherão em média 30% até 2100. Abaixo uma simulação do encolhimento de duas geleiras no Canada. As imagens foram feitas pelo coordenador do estudo,  Garry Clarke, da Universidade de Colúmbia Britânica, no Canadá.
A sequência é uma simulação de como duas geleiras no Canadá podem evoluir até o fim do século (Foto: Divulgação)
A previsão mais famosa de derretimento de gelo nas montanhas foi o infeliz erro no IPCC de 2007. A estimativa de que as geleiras do Himalaia derreteriam em um ritmo mais acelerado do que o correto era o único dado errado entre as milhares de informações reunidas no relatório científico. Mas bastou para instigar várias ações de desmoralização. Agora, os cientistas estão mais cuidadosos.
Época.com

segunda-feira, 6 de abril de 2015

A ciêcia recomenda: para uma vida longa, faça exercícios físicos intensos

Exercício na idade avançada ajuda a retardar o envelhecimento, desde que tenha explosão

Para viver mais e com saúde não basta fazer caminhadas ou dar algumas braçadas na piscina. São as atividades físicas que fazem suar e tiram o fôlego o segredo da vida longa, de acordo com estudo publicado nesta segunda-feira na revista Jama Internal Medicine, da Associação Médica Americana. Os resultados mostram quem a taxa de mortalidade daqueles que incluem exercícios vigorosos na rotina é 9% a 13% menor do que a de quem faz exercícios leves ou moderados.
"Homens e mulheres de todas as idades se beneficiam de atividades intensas, independentemente do total de tempo de atividade", afirma Klaus Gebel, pesquisador da Universidade James Cook, na Austrália e líder do estudo. "Nossas conclusões indicam que sendo ou não obeso, tendo ou não diabetes ou doenças cardíacas, se alguém pode praticar alguma atividade vigorosa ela irá oferecer benefícios significativos para a longevidade."
Atividades intensas - Para chegar a essas conclusões, a equipe de pesquisadores analisou os dados de 204 542 adultos de 45 a 75 anos entre fevereiro de 2006 a junho de 2014. Foram comparados aqueles que incluíram alguma atividade intensa em sua rotina, como corrida, aeróbica ou tênis; quem praticava atividades intensas em mais de 30% da rotina e aqueles que não praticavam atividades físicas intensas. Em seguida, os cientistas analisaram as taxas de mortalidades dos grupos.
Os resultados indicaram que aqueles que faziam alguma atividade física intensa tinham um índice de mortalidade 9% menor que aqueles que não praticavam exercícios vigorosos. Já no grupo em que a rotina de exercícios era 30% ou mais composta de atividades intensas a taxa era 13% menor.
"Mesmo pequenos episódios de atividades físicas vigorosas pode ajudar a reduzir o risco de morte precoce", explica Gebel. "Para aqueles com restrições e mesmo para quem nunca praticou esse tipo de exercícios é importante conversar com seu médico. Mas estudos anteriores mostram que alguns momentos de exercícios intensos podem ser incluídos mesmo na rotina de idosos ou daqueles que estão acima do peso."
Os pesquisadores afirmam no estudo que a descoberta pode fazer com que as atividades físicas intensas possam ser encorajadas por médicos e mesmo em diretrizes de políticas públicas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere que adultos pratiquem por semana 150 minutos de atividades físicas moderadas ou 75 minutos de atividades físicas intensas. No entanto, dizem os pesquisadores, essas atividades não são equivalentes para a saúde do organismo.
Exercícios que fazem suar - Os resultados da pesquisa australiana estão de acordo com outros estudos internacionais publicados nos últimos anos que demonstram que exercícios que fazem o corpo suar bastante podem contribuir para a diminuição de doenças e o aumento da longevidade. Um deles, publicado também este ano no Jama Internal Medicine e feito por pesquisadores finlandeses sugere que tomar banhos de sauna regularmente diminuiria em 50% o risco de morrer de doenças cardiovasculares e aumentaria a longevidade. Banhos de mais de 20 minutos são aqueles que oferecem a maior proteção. De acordo com os pesquisadores, mais estudos são necessários para descobrir os mecanismos por que a sauna tem efeito na longevidade.
 
Estabeleça metas realistas

Avalie o seu físico

Passar por uma avaliação de flexibilidade, fôlego, força muscular e composição corporal é importante para medir o progresso que virá com a prática de exercícios. Esse teste pode ser feito por um profissional de educação física. Já pessoas sedentárias com mais de 40 anos ou que tenham algum fator de risco, como sobrepeso e hipertensão, devem agendar uma consulta com um médico antes de iniciar uma atividade física. "Há recursos que traçam o perfil do indivíduo e permitem dizer se ele pode fazer exercícios mais intensos ou se deve optar pelos moderados", diz o fisiologista Turíbio Leite de Barros. Trata-se de testes como o cardiopulmonar, que mede a aptidão cardiorrespiratória, e o ergométrico, que avalia o coração em situação de stress, geralmente com o paciente se movimentando em uma esteira ou bicicleta estacionária.
 

Estabeleça metas realistas


Ter objetivos ao iniciar uma atividade física é motivador – desde que eles sejam realistas. "Uma pessoa que decidir perder 10 quilos em dois meses dificilmente vai conseguir alcançar a meta e, de certo, vai desistir do compromisso", diz Renato Dutra. O ideal, segundo o educador físico, é estabelecer objetivos de curto (um a três meses), médio (quatro a seis meses) e longo prazo (um a dois anos). "Metas possíveis para um sedentário são, por exemplo, emagrecer 1 quilo em dois meses ou, em um mês, correr 10 minutos ou subir um lance de escada sem se sentir tão cansado." Um dos melhores estímulos é enxergar os resultados.
 

Escolha um exercício prazeroso


É comum que corrida e musculação, pela difusão e pela praticidade, sejam as primeiras opções na hora de escolher um exercício. Mas isso não quer dizer que elas sejam prazerosas para todo mundo. A regra é experimentar diferentes modalidades até encontrar a mais agradável. "Para sair do sedentarismo, a pessoa deverá buscar um exercício com o qual se identifique", diz Renato Dutra. "Só assim ela descobrirá que, em vez de musculação, prefere pilates, ou que se sai melhor na dança do que na corrida."
 

Comece devagar


Pessoas que não estão acostumadas a se exercitar devem começar uma atividade física aos poucos, com uma intensidade leve e respeitando os limites do corpo. Isso vai ajudar a evitar lesões e diminuirá as chances de o indivíduo se sentir desestimulado com o exercício. Variar as modalidades também é uma medida que ajuda a espantar o desânimo. "Faça, por exemplo, musculação em um dia, um exercício aeróbico no outro e uma aula de alongamento no dia seguinte”, diz o educador físico Renato Dutra.

Persista nos novos hábitos


É normal que uma pessoa decida se exercitar duas vezes por semana, mas, logo no início, um imprevisto a impeça de cumprir esse objetivo. "Ela não pode desanimar por causa disso. Se não deu, deve tentar de novo na outra semana. Para criar um hábito, é preciso investir nele, reforçando determinados comportamentos. Uma pessoa que sempre foi sedentária não pode ser tão exigente consigo mesma”, afirma Dutra.
 
 

domingo, 5 de abril de 2015

Acelerador de partículas LHC é religado após 2 anos

O LHC, maior acelerador de partículas do planeta, voltou a funcionar neste domingo (5), após ficar dois anos parado para manutenção. O anúncio foi feito pelo diretor geral do laboratório Cern (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), Rolf-Dieter Heuer.    
"O feixe atravessou sem problemas toda a estrutura. Estou muito feliz, assim como todos aqui no centro de controle do Cern", escreveu o alemão em um blog da instituição. O LHC fica na fronteira entre Suíça e França, nos arredores de Genebra. Nas suas galerias de 27 km de extensão, partículas viajam quase à velocidade da luz.  
 
O maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo foi reiniciado neste domingo, depois de dois anos desligado, anunciou o CERN, a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear.
O reinício do Grande Colisor de Hádrons (Large Hadron Collider, LHC), na fronteira franco-suíça, que inclui um túnel em forma de anel de 27 km, permitirá a realização de uma segunda onda de exploração de novas áreas da física.
Domingo, às 10h41, um feixe de prótons percorreu o anel de 27 km de diâmetro do LHC, em um sentido, e então, às 12h27, um segundo fez o mesmo circuito na direção oposta, indicou o CERN em um comunicado.
"Hoje, o coração do CERN bate mais uma vez no ritmo do LHC", comemorou Rolf Heuer.  Nos próximos dias, os operadores vão verificar todos os sistemas antes de aumentar a energia do feixe, enquanto o LHC entra em sua segunda campanha de exploração.
Durante os dois anos de pausa técnica, centenas de engenheiros e técnicos repararam e consolidaram o acelerador de partículas para que este pudesse operar com maior energia, permitindo assim que os físicos expandissem seu campo de investigação, para validar ou refutar teorias.
"O LHC está em grande forma", declarou por sua vez Frédérick Bordry, o diretor de aceleradores e tecnologia. "Mas o passo mais importante está diante de nós, quando empregaremos energia em níveis recordes", acrescentou.
Este reinício causa grande entusiasmo na comunidade científica. O LHC havia permitido em sua primeira fase de operações confirmar a existência do bóson de Higgs.
O bóson de Higgs é considerado pelos físicos como a pedra angular da estrutura fundamental da matéria, a partícula elementar que lhes dá o número de massa dos outros, de acordo com a teoria do "Modelo Padrão".
No programa desta segunda campanha está o mecanismo de Brout-Englert-Higgs, a matéria escura, antimatéria e o plasma de quarks-glúons.
 

Júpiter tornou possível a existência da Terra


Na mitologia greco-romana, Júpiter é o rei dos deuses, divindade que destruiu a ancestral raça dos titãs para se tornar o vingativo e ciumento senhor dos céus e da Terra.
Por mais estranho que possa parecer, a teoria científica dá crédito a essa ficção histórica. Na posição de maior e mais pesado objeto orbitando nosso sol, Júpiter é o senhor dos planetas, uma força dominante no sistema solar.
Eras atrás, enquanto atirava destroços remanescentes da formação planetária para fora de nosso sistema solar, Júpiter provavelmente também lançou alguns deles na direção de nosso globo primordial, o que trouxe parte da água que atualmente preenche nossos oceanos.
Júpiter ainda pastoreia conjuntos de asteroides, impulsionando ocasionalmente alguns deles para o espaço interestelar ou colocando-os em cursos de colisão com a Terra e outros planetas. Júpiter pode até ter desempenhado um papel na extinção dos dinossauros, associada a um asteroide que ocorreu há 66 milhões de anos, e provocou eventos que conduziram ao reinado de nossos ancestrais mamíferos. Sem Júpiter, a humanidade poderia não existir.
Mas um novo estudo sugere que, sem Júpiter, a própria Terra poderia não existir. Na órbita dominada por ele e pelos outros planetas rochosos pode ter existido uma geração anterior de mundos destinada a ser maior, coberta de gás e completamente inabitável. Mas Júpiter chegou furioso, abrindo o caminho para pequenos mundos como a Terra ao destruir esses planetas mais velhos. O estudo, desenvolvido pelo cientista planetário Konstatin Batygin do Instituto de Tecnologia da Califórnia, e pelo astrofísico Greg Laughlin, da University of California, Santa Cruz, foi publicado no volume de 23 de março do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.
 
Um vazio no sistema solar
Existem centenas de razões para suspeitar que nosso sistema solar costumava ter um número maior de grandes planetas interiores: as centenas de sistemas multiplanetários descobertos por caçadores de planetas, como a missão Kepler, da Nasa. Ainda que nosso sistema solar seja praticamente vazio depois de Mercúrio, regiões equivalentes ao redor da maioria das outras estrelas parecem estar cheias de planetas próximos, de massa intermediária – aqueles entre o tamanho da Terra e Netuno.
Astrônomos esperançosos batizaram esses mundos de “super Terras”, mas a maioria deles se parece mais como mini-Netunos, ricos em hidrogênio e cobertos em gás – nem um pouco parecidos com a Terra. “Agora que podemos observar nosso sistema solar no contexto de todos esses outros sistemas planetários”, comenta Laughlin, “o sistema planetário padrão de nossa galáxia parece ser um conjunto de super Terras com períodos orbitais muito curtos. Nosso sistema solar parece cada vez mais exótico”.
Se esse for o caso, a pergunta óbvia é como ele ficou assim. De acordo com Batygin, não há razão para suspeitar que o atual processo de formação planetária tenha ocorrido de maneira muito diferente ao redor de nosso sol em comparação com outras estrelas. Em vez disso, a explicação para o estado isolado de nosso sistema pode ser encontrada nos detalhes de sua subsequente evolução – controlada por Júpiter de uma maneira impressionante.
Mundos em migração
Astrônomos costumavam considerar sistemas planetários como sendo razoavelmente estáticos e estáveis. Planetas coalesceriam a partir de discos giratórios de gás e poeira ao redor de estrelas jovens, mais ou menos como acontece com árvores saindo da terra, criando raízes e pouco se afastando de onde nasceram.
Pequenos planetas rochosos se formariam sob luz e calor intensos de estrelas, enquanto planetas gigantes gasosos se formariam mais longe, onde temperaturas mais baixas preservariam matérias-primas mais gasosas. Grandes ou pequenos, gasosos ou rochosos, a maioria dos planetas se moveria ao redor de suas estrelas em órbitas puras, quase circulares. Tudo isso concordava com a compreensão que tínhamos de nosso próprio sistema solar. Mas podemos estar completamente errados a respeito do que é mais comum na natureza.
Há vinte anos, quando astrônomos encontraram os primeiros planetas orbitando outras estrelas, eles começaram a perceber que sistemas planetários eram locais caóticos. Alguns planetas não orbitavam em quase-círculos, mas em rotas oblongas “excêntricas” que os levava para muito perto e depois para muito longe de suas estrelas – quase como se eles tivessem sido desalinhados pela influência gravitacional de outros mundos. E a maioria dos planetas gigantes recém-descobertos é muito diferente de Júpiter – em órbitas escaldantes, que praticamente abraçavam suas estrelas, muito mais internas que as regiões mais frias onde devem ter se formado. Planetas também poderiam migrar, propelidos por suaves interações com seus discos formadores ou por encontros com seus irmãos planetários. 
Desde que essas descobertas foram feitas, pesquisadores estudam a ideia de migração planetária para melhor compreender não apenas as características de outros sistemas planetários, mas as de nosso próprio sistema. Um exemplo é o cenário de "grand tack" que postula que nos primeiros milhões de anos da existência de nosso sistema solar, Júpiter migrava para dentro e para fora do sistema solar interior, seguindo um curso semelhante ao de um veleiro que navega ao redor de uma boia.
Naquela época, Júpiter ainda estaria inserido em um disco rico em gás. A maior parte desse gás espiralava na direção do sol – tanto que a ação também teria alterado parte do momento angular de Júpiter, fazendo com que o próprio planeta gigante saísse espiralando para a região que Marte ocupa atualmente. Júpiter teria continuado caindo em direção ao sol se não fosse pela subsequente formação de Saturno, que também ficou à deriva. Conforme esses dois planetas gigantes se aproximaram, eles foram capturados em uma ressonância orbital. Essa ressonância expulsou todo o gás que havia entre eles, gradualmente revertendo suas espirais de morte e fazendo com que eles “navegassem” de volta para o sistema solar externo.
Por mais fantástico que isso possa parecer, os mecanismos físicos subjacentes à hipótese do "grand tack" são consistentes, existem boas razões para suspeitar que ela realmente aconteceu. Esse cenário quase explica o tamanho inesperadamente reduzido de Marte, que deveria ser maior de acordo com alguns teóricos, dada a quantidade de material de formação planetária que deve ter existido em sua órbita há tanto tempo. Na "grand tack", Júpiter teria ejetado a maior parte desse material, deixando apenas o suficiente para que Marte se formasse. A hipótese também ajuda a explicar a distribuição de corpos gelados e rochosos no Cinturão de Asteroides e várias outras características do sistema solar.

O grande ataque

Em seu estudo, Batygin e Laughlin investigaram se a grande navegação de Júpiter também poderia explicar o grande vazio no centro de nosso sistema solar. Usando simulações numéricas, a dupla examinou o que a grande navegação faria a uma hipotética população embriônica de super Terras pegas no meio de sua formação. As simulações sugeriram que a espiral interna de Júpiter enviaria conjuntos de blocos de construção planetária com 100 quilômetros de diâmetro para dentro do sistema solar interior.
A gravidade do planeta gigante também lançaria esses blocos e os próprios planetas internos em órbitas elípticas, sobrepostas, criando uma corrida de demolição de mundos girando, colidindo e se fragmentando. “É por isso que ficamos preocupados com satélites destruídos na baixa órbita terrestre”, explica Laughlin. “Seus fragmentos começariam a atingir outros satélites e poderíamos ter uma reação em cadeia de colisões. Nosso trabalho indica que Júpiter teria criado uma dessas sequências de colisão no sistema solar interior”.
Ainda que essas colisões possam ter sido espetacularmente violentas, elas não poderiam ter destruído completamente as super Terras em formação. Em vez disso, a avalanche de destroços das colisões teria produzido poderosos ventos aerodinâmicos no disco do sistema solar, formando turbilhões espiralantes de gás que então lançaram a primeira geração de planetas rochosos interiores na direção do Sol. “Esse é um processo físico bem eficaz”, comenta Batygin. “Você só precisa de material equivalente a algumas vezes a massa da Terra para lançar planetas com dezenas de massas da Terra na direção do Sol”.
Além de observações de outros sistemas planetários sugerindo que o nosso é exótico, existem poucas evidências de que nosso sol criou e perdeu uma geração anterior de mundos interiores. Para Laughlin, a coerência técnica e a elegância da ideia são atraentes. “Esse tipo de teoria, em que primeiro aconteceu isso e depois aconteceu aquilo, quase sempre está errada, então eu estava cético a princípio”, admite ele. “Mas na verdade ela envolve processos genéricos que já foram extensivamente estudados por outros pesquisadores... a ‘grand tack’ de Júpiter pode muito bem ter sido um ‘grande ataque’ [grand attack, em inglês] contra o sistema solar original”. 
Um planeta mais solitário
Após o grande ataque de Júpiter, restariam apenas resquícios de gás e rocha destruída, mas Batygin aponta que apenas 10% de todo o material que Júpiter pode ter injetado no sistema solar interior teria sido necessário para formar Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Conforme Júpiter revertia seu curso e espiralava de volta para o sistema solar externo, sua passagem poderia ter posicionado uma fração dos destroços em órbitas mais circulares.
Após 100 ou 200 milhões de anos esses pequenos resquícios, depletados de volatilidade, se reuniriam para produzir os relativamente pequenos e áridos planetas interiores que conhecemos atualmente. Tudo isso é consistente com muitas outras evidências que sugerem que os planetas rochosos interiores se formaram bem depois depois dos gigantes exteriores, e explica porquê os mundos interiores do sol são menores e têm atmosferas mais finas que aqueles observados ao redor de outras estrelas.
A conclusão é que podemos estar ainda mais sozinhos no Cosmo do que pensávamos anteriormente. “Uma das previsões de nossa teoria é que planetas realmente semelhantes à Terra, com superfícies sólidas e pressões atmosféricas modestas, são raros”, observa Laughlin.
Se isso for verdade, o estudo de Batygin e Laughlin significaria que a grande maioria de planetas próximos, potencialmente rochosos e habitáveis que observamos atualmente ao redor de tantas outras estrelas, pode não ser nem rochoso nem habitável. Em vez disso, se pudesse visitá-los, você seria esmagado, cozinhado e sufocado sob suas espessas atmosferas ricas em hidrogênio. O estudo também sugere que planetas distantes semelhantes a Júpiter são muito incomuns ao redor de outras estrelas; em vez de apenas visitar  brevemente sistemas internos, a maioria dos planetas gigantes migraria até lá para ficar, potencialmente impedindo a formação de mundos semelhantes à Terra.
A partir desse ponto de vista, podemos ter que agradecer a Saturno por estarmos aqui, porque a existência do planeta dos aneis pode ter impedido que Júpiter se estabelecesse mais perto do sol. O que, com licença poética, nos leva de volta à mitologia – onde Saturno era o pai de Júpiter, além de ser o deus responsável pela riqueza, prazer e abundância da Terra. Da próxima vez que você olhar para os céus, sem estar esmagado e cozido, sob um céu limpo e livre de hidrogênio, não agradeça às suas estrelas da sorte – agradeça a Júpiter e Saturno.
Scientific American Brasil




sexta-feira, 3 de abril de 2015

Eclipse lunar neste sábado é o mais curto do século







Os habitantes da Ásia, Oceania e do oeste dos Estados Unidos terão a possibilidade de ver a luz da Lua ser ocultada pela sombra da Terra neste final de semana, 4 de abril. Porém precisarão ser rápidos, pois será o eclipse lunar total mais curto do século.
Fenômeno conhecido como “Lua de sangue”, devido à forma como a refração da luz confere uma cor avermelhada ao astro, o eclipse lunar total vai durar cerca de cinco minutos e o parcial poderá ser visto por mais de três horas, segundo dados da NASA.
O eclipse parcial terá início às 06:45 e o total começará às 09:34, no horário oficial de Brasília. Contudo, apenas em uma parte do Acre será possível observar o evento astronômico em sua parcialidade.
Sequência de quatro eclipses que ocorrem este ano, o acontecimento deste sábado é uma Tetrade relativamente rara, pois deve acontecer apenas oito vezes neste século.
O professor do Mestrado em Astrofísica da Universidade Cruzeiro do Sul, Gustavo Lanfranchi, conta que o evento se repetirá apenas daqui 20 anos. “A última vez que o mundo viu quatro eclipses lunares em um ano foi cerca de 10 anos atrás”, relata o especialista.
 
Os brasileiros terão a oportunidade de ver o fenômeno total no dia 28 de setembro deste ano. Ao contrário de um eclipse solar, que requer a utilização de óculos especiais para proteger os olhos, um eclipse lunar pode ser observado sem proteção. 
Para algumas religiões e antigas sociedades, o fato da “Lua de sangue” ocorrer na Páscoa significa que algo importante irá acontecer com o planeta Terra e a humanidade.
O vídeo abaixo da Academia de Ciências da Califórnia explica de uma maneira mais simples como acontece um eclipse lunar, quais são as lendas relacionadas ao fenômeno e de que maneira as pessoas podem vê-lo. 
 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A corrente do golfo está parando, com frio recorde no Atlântico Norte

O mapa mostra o aumento de temperatura média da Terra de 1900 a 2013. O trecho em azul no Atlântico Norte é praticamente o único que esfriou (Foto: Rahmstorf )
O planeta está esquentando. As mudanças climáticas vem elevando as temperaturas da Terra ao longo dos últimos 100 anos ou mais. Porém, há um pedaço do globo que se comporta de forma diferente.
O mapa acima mostra o aumento de temperatura desde 1900 até 2013. As áreas em vermelho são onde as médias anuais estão até 2,4 graus centígrados mais altas. As áreas em azul são onde as médias estão até 0,8 graus mais baixas.
A primeira coisa que salta aos olhos é que o aquecimento é maior no Hemisfério Norte. Em especial perto do Polo Norte. Isso tem a ver com a dinâmica do gelo Ártico e da Antártica (que funciona como um lastro de gelo).
A segunda coisa que chama atenção é uma mancha azul no Atlântico Norte. Ali a temperatura média caiu no último século. É praticamente a única região do planeta que esfriou. Por quê?
O pesquisador alemão Stephan Rahmstorf, da Universidade de Potsdam, tem uma tese. Ele estuda clima e oceanos e é co-fundador do blog Real Climate. Segundo um novo estudo feito por Rahmstorf, o Atlântico Norte está esfriando por causa da desaceleração da Corrente do Golfo.
Esse fenômeno já havia sido previsto pelos modelos de mudança climática. A Corrente do Golfo trás as águas quentes dos trópicos para o norte do Atlântico. Graças a ela, a Europa Ocidental é mais amena do que deveria por sua latitude. As ilhas do Reino Unido são especialmente beneficiadas pelo calor da corrente.
Os autores do estudo recente conseguiram evidências de que a Corrente do Golfo está mais fraca do que nos últimos 1100 anos pelo menos. Para isso, o grupo reconstruiu estimativas de temperatura do passado da região desde o ano 900 antes de Cristo. Segundo o estudo, a redução no fluxo da Corrente do Golfo a partir do ano 1975 é única em todo o período observado, com 99% de probabilidade. "Isso sugere fortemente que o enfraquecimento não é derivado de variação natural mas do aquecimento global", escreve Rahmstorf.
Diferença de temperatura entre o Atlântico Norte e o total do Hemisfério Norte nos últimos 1100 anos. A região esfriou sensivelmente desde os anos 1970 (Foto: Rahmstorf)
A imagem acima mostra a diferença de temperatura média entre a região do Atlântico Norte banhada pela Corrente do Golfo e a totalidade do Hemisfério Norte. É possível ver como a região ficou sensivelmente mais fria do que o resto do hemisfério nas últimas décadas.
O ano de 2014 foi o mais quente já registrado. Ficou um grau centígrado mais quente do que a média de 1880 a 1920. Mas a região da Corrente do Golfo ficou de um a dois graus mais fria do que a média histórica.
No último inverno de 2014 para 2015, o Hemisfério Norte teve a média mais quente desde o início das medições em 1880. Mas o Atlântico Norte teve a média mais fria desde o início dos registros.
A desaceleração da Corrente do Golfo pode estar ligada ao degelo da Groenlândia e do norte da América do Norte. A mudança no grau de salinidade do mar na região afeta a dinâmica das correntes oceânicas.
Uma extrapolação irrealista - e irresponsável - do fenômeno inspirou o filme "O Dia Depois de Amanhã". No filme, a Corrente do Golfo para literalmente de um dia para o outro, resfriando não só o Atlântico Norte mas precipitando o planeta numa nova Era Glacial. Diante da repercussão do filme, climatologistas se apressaram a explicar que o arrefecimento da Corrente do Golfo poderia sim reduzir o aquecimento naquela região específica. Mas de maneira alguma compensaria o aquecimento geral do planeta provocado pelos gases de efeito estufa que estamos despejando na atmosfera.
Época.com

Árvores que brilham? Cientistas querem testar proteína bioluminescente para substituir postes

  (Foto: divulgação - universidade de osaka)

Pesquisadores japoneses da Universidade de Osakadesenvolveram proteínas que produzem luz visível a olho nu. Descritas na Proceedings of the National Academy of Sciences as 'nano-lanternas' podem liberar luzes verdes, amarelas (ou laranja) e azuis. A ideia é usar a descoberta na medicina e também como alternativa à eletricidade.
Atualmente, cientistas já usam substâncias similares para visualizar melhor processos microscópicos, como o funcionamento de células. No entanto essas proteínas fluorescentes 'acendem' somente quando expostas à luz - o que pode matar o organismo observado. Como as novas proteínas acendem por conta própria, esse problema estaria resolvido.
Outra ideia da equipe de cientistas responsável pela descoberta, essa bem mais ambiciosa, é substituir postes de luz por árvores luminosas - economizando energia elétrica. 
As novas proteínas foram desenvolvidas quando os pesquisadores combinaram proteínas do Renilla reniformis, um cnidário, com outras proteínas vindas de águas vivas e corais. Quando expostas a um tratamento químico, essas proteínas emitem luzes 20 vezes mais poderosas do que as proteínas brilhantes encontradas na natureza.
Exame.com

Cientistas criaram cebola que não provoca lágrimas ao ser cortada

  (Foto: (matt) / flickr / creative commons)

Pesquisadores japoneses da empresa House Foods Group anunciaram a criação de uma cebola menos ácida. Além de não deixar a pessoa que a come com bafo, ela não causa lágrimas quando cortada e também não deixa as mãos com aquele odor típico.
Os cientistas conseguiram isso ao neutralizar uma enzima da cebola, que normalmente é liberada quando ela é cortada, usando íons. Sem essa enzima, não há as reações químicas que provocam o choro ou a produção de tiossulfato, responsável pelo cheiro forte A empresa tenta desenvolver essa cebola há mais de uma década, mas seu maior desafio era descobrir qual é o elemento culpado pelas lágrimas. Durante muitos anos achou-se que o sulfóxido de tiopropanal era o responsável, ao ser exposto a uma enzima chamada alinase, que quebra o sulfóxido em ácido pirúvico. Mas o alho também possui essa enzima e, quando é cortado, não causa lágrimas. Sendo assim, havia outra enzima que, provavelmente, era responsável pelo processo.
Então eles descobriram uma poderosa enzima encontrada apenas na cebola, a sintase LF (de lachrymatory factor) - a equipe até ganhou um IgNobel pela descoberta em 2013. E, agora, eles podem controlar o funcionamento da sintase LF.
Galileu.com