quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Como as mudanças no planeta afetarão a nossa alimentação?

 

Em 2015, cientistas chamaram a atenção para o risco de uma em cada seis espécies de animais ser extinta por causa das mudanças climáticas. Mas será que o mesmo ocorreria com plantas – mais especificamente aquelas que nos servem de alimento?
Apesar de notícias alarmistas afirmando que alguns alimentos serão extintos, ainda não há provas concretas de que itens mais consumidos, como leguminosas, cacau, vinho, milho ou trigo deixarão de existir.
"Um tipo de cultivo sozinho não deve desaparecer", afirma Andrew Jarvis, líder do Programa de Pesquisas em Mudanças Climáticas, Agricultura e Segurança Alimentar do CGIAR, parceria mundial para pesquisa em agricultura. "Em algum lugar do mundo haverá alguém produzindo aquele alimento."
 
Mais difíceis de encontrar

 
Mas isso não significa que as notícias sobre o futuro de nossos pratos são apenas boas. Provavelmente teremos que mudar a maneira como cultivamos certos alimentos, à medida que algumas regiões do mundo ficam quentes demais. E algumas pessoas poderão ter dificuldades para encontrar certos alimentos.
"Mesmo que a produção de alimentos em geral não seja atingida, a segurança alimentar pode sofrer impacto", diz Margaret Walsh, ecologista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Ou seja, mesmo que um certo alimento ainda seja cultivado em algum lugar da Terra, nem todo o mundo terá o mesmo acesso a ele como hoje.
De maneira geral, a produtividade de muitos cultivos, desde os alimentos básicos até aqueles que dão mais sabor à vida, como o café e o chocolate, também será atingida pelas mudanças climáticas.
A forma como sentiremos essa redução vai depender do grau de aquecimento e do cultivo em questão. Mas, no geral, "qualquer temperatura acima dos 30ºC é ruim para a agricultura", afirma Wolfram Schlenker, professor de assuntos públicos e internacionais da Universidade Columbia, em Nova York.
Segundo Schlenker, nos Estados Unidos, grande produtor de milho e soja, os agricultores podem se deslocar mais para o norte. Mas, depois de um certo tempo, a produtividade deve cair porque o solo ao norte do Estado de Iowa começa a perder qualidade – um legado da expansão glacial.
Outros estudos também revelaram um limite acima do qual a produtividade cai acentuadamente: os cultivos podem ser movidos e se adaptar, mas só até um certo ponto.
"O que todos os estudos encontraram foi que o calor extremo é prejudicial aos cultivos, apesar de a temperatura exata depender de cada plantio", diz Schlenker. "Se as previsões para o fim do século 21 estiverem corretas, creio que várias áreas produtoras dos Estados Unidos vão ser atingidas de maneira significativa."
 
Mais caros

 
Nas atuais condições climáticas, cerca de 4% das regiões produtoras do mundo enfrentam secas todos os anos. Mas até o fim do século, acredita-se que essa parcela chegará a 18%.
Outros estudos indicam que cultivos de hortaliças – ou seja, tudo o que não é grão ou cereal – podem sofrer um impacto mais grave, porque tendem a ficar contidos a uma área geográfica menor.
Jarvis e seus colegas descobriram que 80% das zonas produtoras de café da América Central e do Brasil poderão se tornar inadequadas para o plantio até 2050, enquanto as mudanças climáticas trarão "impactos profundos" na produção de cacau no África Ocidental. "O chocolate de alta qualidade será mais difícil de encontrar no futuro, e vai custar muito mais caro", alerta Jarvis.
Para as pessoas mais pobres, o aumento geral dos preços significa que alguns alimentos serão eliminados de suas dietas. "Quanto mais se reduz, menor a oferta e o preço sobe mais", lembra Schlenker.

O perigo das commodities

Outra possível dificuldade gerada pelas mudanças climáticas é a nossa dependência dos cultivos que são vendidos como commodities – trigo, soja, milho e arroz. Atualmente, eles respondem por 75% das calorias consumidas pela humanidade, direta ou indiretamente por intermédio de animais que são alimentados com esses grãos.
Jarvis e seus colegas descobriram que nos últimos 50 anos, o mundo assistiu a uma padronização cada vez maior das dietas: os alimentos consumidos globalmente hoje são 36% mais semelhantes do que em 1961.
Enquanto isso pode ser uma boa notícia para as pessoas mais pobres, que hoje consomem mais calorias, proteínas e gorduras do que no passado, a homogeneidade e a dependência exagerada de um punhado de alimentos básicos nos deixa vulneráveis a ameaças como secas, doenças e pragas – problemas que devem piorar em várias partes do mundo por causa das mudanças climáticas.

Diversificar é preciso

No entanto, há maneiras de amenizar os problemas que estão por vir. Várias empresas e organizações de pesquisa, inclusive a Monsanto e a Fundação Bill Gates, estão tentando criar sementes resistentes à seca e ao calor, pela engenharia genética e do cruzamento convencional.
Por enquanto, muitos duvidam do sucesso dessas empreitadas. "A engenharia genética é uma solução que precisamos continuar desenvolvendo, mas não será o remédio para todos os nossos problemas", afirma Jarvis. "As provas recolhidas nos último dez anos demonstram que essa ciência ainda não revolucionou totalmente a agricultura."
Outras estratégias também podem ajudar, em algumas regiões do mundo, como melhor irrigação, o uso de maquinário que acelerem a colheita ou melhorar o armazenamento para impedir que os alimentos estraguem.
Finalmente, também é uma boa diversificar nossa dieta, evitando depender demais de grãos sensíveis ao calor (como trigo, milho e arroz). "Assistimos a mudanças profundas em nossa alimentação nas últimas décadas muito por causa do comércio internacional, mas acredito que a tendência à diversificação vai continuar", diz Jarvis.
"Depender de uma gama mais ampla de espécies de plantas cria um sistema alimentar mais resiliente e menos vulnerável, ao mesmo tempo em que oferece uma maior variedade de nutrientes", conclui.
BBC Brasil

Nasa divulga imagens inéditas de dunas em Marte

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A Nasa divulgou imagens inéditas das dunas de areia preta de Marte, mais especificamente da gigantesca formação batizada de Namib.
Com altura de quatro metros, a duna fica na região norte do monte Sharp, uma singular formação que fica ao centro de uma grande cratera marciana, onde o robô fez seu pouso em 2012. Apesar de ser a mais alta, a Namib não é a única duna do local, fazendo parte do complexo chamado de Bagnold.
Com a presença do robô da Nasa foi possível constatar que o sistema de dunas funciona exatamente como ocorre com a Terra.
 
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"Ativos", os pequenos grãos de areia voam para outras formações, e no caso da Namib, o acúmulo dessa mudança foi de um metro em um período de um ano terrestre.
Também foi possível perceber que as mudanças ocorrem mais durante o período do "verão" do que do "outono" no planeta vermelho. Essa é a primeira vez que uma duna é fotografada de maneira tão próxima, já que a Curiosity estava a apenas sete metros da formação natural.
A foto, tirada no dia 18 dezembro, foi tirada justamente para entender como o vento atua no planeta, em um ambiente com menos força da gravidade e com menos atmosfera do que a Terra.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

As missões espaciais que marcarão 2016

Vista da formação 'Kimberley' em Marte obtida pelo robô Curiosity
 
Em 2016, os estudos sobre Marte devem continuar em destaque na agenda da exploração espacial. Em 14 março, a missão ExoMars será lançada para verificar se existem resquícios de vida no segundo menor planeta do Sistema Solar. Resultado de uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Roscosmos, a agência espacial russa, o programa vai procurar a "assinatura" do planeta - tipo de atividade biológica que existiu ou existe por lá -, e investigará o ambiente geoquímico e os gases existentes na atmosfera marciana. Os dados recolhidos devem ajudar em futuras missões de exploração de Marte.
"Uma das prioridades para a astronomia é entender a origem da vida no Universo. Existe a teoria de que a Terra é um sistema biológico fechado, ou seja, tudo nasceu aqui. Há outra que questiona essa hipótese: será que a vida que existe no nosso planeta veio de fora? Missões como a ExoMars vão testando teorias que podem ajudar a entender de onde veio a vida em nosso planeta", disse Vanderlei Parro, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG) e diretor do Núcleo de Sistemas Eletrônicos Embarcados (NSEE) do Instituto Mauá de Tecnologia.
Marte pode ter sido semelhante à Terra - ou seja, quente, úmido, com água e, talvez, vida - há bilhões de anos. Por isso, compreender sua evolução e a hipótese da existência de vida ali pode trazer pistas de como seria a evolução da Terra. Em dezembro, outra missão para estudar o planeta, a InSight, foi suspensa pela Nasa por problemas em um dos seus principais equipamentos científicos. A missão pretendia estudar a estrutura interior de Marte para esclarecer como o planeta evoluiu geologicamente ao longo dos anos.
O ano de 2015 já foi repleto de grandes novidades sobre Marte. Em setembro, a Nasa revelou uma pesquisa científica que mostra que, atualmente, fios d'água salgada - de origem desconhecida - fluem periodicamente por Marte. Em outubro, a agência espacial anunciou grandes descobertas feitas pela sonda Curiosity: a presença de lagos e correntes d'água no passado do segundo menor planeta do Sistema Solar. Os estudos são relevantes porque, segundo Charles Bolden, administrador da Nasa, estamos "mais perto do que nunca de enviar astronautas para Marte". A estimativa é de que as missões de exploração comecem em 2030.
O fim da Rosetta - O ano de 2016 também será marcado pelo término de uma das missões mais importantes da história da astronomia, a Rosetta. Em 12 de novembro de 2014, ela realizou um pouso histórico: o módulo Philae, liberado pela sonda Rosetta, se tornou o primeiro objeto a pousar em um cometa, o 67P/Churyumov-Gerasimenko. O objetivo da missão é o estudo da origem dos cometas e a relação deles com o princípio da formação do Sistema Solar, já que, segundo teorias, esses corpos celestes podem ter sido os responsáveis por trazer água, ou até mesmo vida, para os planetas.
Alguns estudos com a conclusão das análises sobre os dados recolhidos por Philae foram publicados em 2015, mas, com o término da missão, os cientistas esperam novas revelações sobre a constituição e evolução dos cometas, bem como sua relação com a existência de água - ou vida - nas galáxias.
O perfil dos ventos - A Aelous, missão que também será lançada em 2016, deve ser outro destaque para o próximo ano. Essa é a primeira missão espacial que perfilará os ventos em escala global. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), ela fará cerca de 100 perfis de vento por hora - inclusive em áreas remotas que carecem de estações meteorológicas terrestres. A missão é composta por um satélite de estrutura simples e comum com vários sensores que medirão a velocidade e as características dos ventos com precisão.
"Esse mapeamento dos ventos será de grande importância. Além de ajudar a melhorar os modelos matemáticos, ele também contribui uma melhora nas previsões meteorológicas. Em uma época de grande preocupação com as alterações climáticas, essa missão ajudará a prever possíveis catástrofes causadas por essas transformações climatológicas", declarou Parro.
Confira uma lista com as principais missões espaciais de 2016:

ExoMars

ExoMars
A ExoMars é uma missão não-tripulada destinada a verificar a existência ou não de vida em Marte. O projeto é uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e Roscosmos, a agência espacial russa. Essa missão também ajudará a descobrir quais tecnologias são necessárias para as futuras missões de exploração. E, além de procurar a “assinatura” do planeta – tipo de atividade biológica que existiu ou existe lá -, também será investigada a variação do ambiente geoquímico e os gases existentes na atmosfera do planeta, em busca de evidências de gases de possível importância biológica, como o metano. O lançamento da missão está marcado para 14 de março e a entrada na atmosfera de Marte será em 19 de outubro.

Juno

Juno
A sonda Juno entrará na órbita de Júpiter em 5 de julho de 2016. A missão foi lançada em 5 de agosto de 2011 com o objetivo de estudar a atmosfera de Júpiter e de entender os principais gases existentes no planeta. “Como Júpiter é um planeta gasoso, a Juno tem o compromisso de fazer o mapeamento da atmosfera, ou seja, investigar a formação do corpo celeste, a composição e variação da meteorologia local e as estruturas do campo magnético e gravitacional do planeta”, diz Vanderlei Parro, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG) e diretor do Núcleo de Sistemas Eletrônicos Embarcados (NSEE) do Instituto Mauá de Tecnologia. Juno foi a segunda missão escolhida pela Nasa para o programa New Frontiers - tem finalidade de explorar o Sistema Solar, utilizando sondas espaciais de médio porte.

Fim da missão Rosetta

Fim da missão Rosetta
A missão Rosetta, que realizou um feito histórico em 12 de novembro de 2014 ao pousar em um cometa, o 67P/Churyumov-Gerasimenko, deve terminar em setembro de 2016. O objetivo da missão lançada pela Agência Espacial Europeia (ESA) é estudar a origem dos cometas e a relação deles com o princípio da formação do Sistema Solar, já que, segundo teorias, esses corpos celestes podem ter sido os responsáveis por trazer água, ou até mesmo vida, para os planetas. “Atingir um planeta é algo muito difícil, pois é um corpo em movimento. Além disso, ele possui muito material, pois passa por diversos lugares que podem até ser desconhecidos pelos cientistas”, conta Parro. Inicialmente, o programa deveria ter terminado em dezembro de 2015 com o desligamento dos equipamentos da sonda, que ficaria orbitando o cometa indefinidamente. No entanto, em julho, a ESA anunciou a prorrogação da missão até 2016, com a proposta de que a sonda Rosetta, que liberou o robô Philae na superfície do cometa, faça também um pouso no 67P/Churyumov-Gerasimenko.

OSIRIS-Rex

OSIRIS-Rex
Em 3 de setembro, a Nasa lançará a missão OSIRIS-Rex, que vai estudar o asteroide Bennu. Segundo a agência espacial americana, a missão procura respostas para questões centrais da experiência humana na Terra: de onde viemos e para onde vamos. O estudo dos asteroides, que podem conter os precursores moleculares para a origem da vida e oceanos da Terra, pode nos ensinar muito sobre a história do Sol e dos planetas. A missão coletará amostras de Bennu, escolhido devido ao tamanho, composição e órbita potencialmente perigosa, já que, no século XXII, ele poderá chocar-se com a Terra. Além de determinar com exatidão as propriedades físicas e químicas do asteroide, a OSIRIS também ajudará os cientistas a desenvolverem uma missão para evitar o impacto do asteroide com o nosso planeta no futuro. “Similarmente ao cometa, o asteroide traz informações de lugares que, eventualmente, não seriam mapeados apenas com uma missão. Essa material pode beneficiar várias pesquisas”, afirma Parro.

Aelous

Aelous
Aelous, que também será lançada em 2016, é a primeira missão espacial que perfilará os ventos em escala global. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), ela fará cerca de 100 perfis de vento por hora – inclusive em áreas remotas que carecem de estações meteorológicas terrestres. “Além de ajudar a melhorar os modelos matemáticos, a missão também contribui para a melhora das previsões meteorológicas. Em uma época de grande preocupação com as alterações climáticas, essa missão ajudará a prever possíveis catástrofes causadas por transformações climatológicas”, diz Vanderlei Parro, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG) e diretor do Núcleo de Sistemas Eletrônicos Embarcados (NSEE) do Instituto Mauá de Tecnologia. A missão é composta por um satélite de estrutura simples equipado com vários sensores que medirão a velocidade e as características dos ventos com precisão.

Gaia

Gaia
Desenvolvida sob responsabilidade da Agência Espacial Europeia (ESA), a missão Gaia vai apresentar seus primeiros resultados ao longo de 2016. Lançada em dezembro de 2013, seu objetivo é fazer um grande mapeamento do céu, recolhendo dados – em alta qualidade e com muita precisão – sobre as posições, movimentos, brilho e cores de mais de um bilhão de objetos de nossa galáxia e de outras também. “Os dados recolhidos pela Gaia estabelecerão um referencial de tamanha qualidade que terá implicações profundas em muitas outras áreas do conhecimento astronômico. Esperamos ter uma compreensão detalhada da estrutura, origem, movimentos e dinâmica de nossa galáxia, dos processos de formação e evolução das estrelas, da origem e evolução do Sistema Solar”, contou Ramachrisna Teixeira, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG) e um dos participantes da missão.

LISA Pathfinder

LISA Pathfinder
A missão, também realizada sob responsabilidade da Agência Espacial Europeia (ESA), foi lançada em 3 de dezembro com o objetivo de testar um equipamento que, no futuro, poderá ajudar a captar as ondas gravitacionais, previstas pela Teoria da Relatividade de Einstein. Em 2016, ela começará a realizar testes e transmitir os dados para a Terra. “O objetivo dessa missão é testar e desenvolver a tecnologia que possibilitará a construção de um satélite eLISA (Evolved Laser Interferometer Space Antenna), previsto para ser lançado em 2034. Este será o primeiro observatório espacial de ondas gravitacionais, jamais detectadas, pois são extremamente tênues”, diz Teixeira.
Veja ciências

A passagem do asteroide perto da Terra é nesta quarta-feira

 
Será que poderemos vê-lo???
O asteroide 85.990 1999JV6, que segundo a Veja é o maior asteroide conhecido a passar perto da Terra, medindo 498 metros de diâmetro, vai se aproximar de nosso planeta nesta quarta-feira, 6 de janeiro de 2016.
No dia ocorrerá a maior aproximação do corpo celeste, que ficará a uma distância equivalente a 12,5 vezes a distância da Terra à Lua. Segundo os especialistas, não há qualquer chance de colisão com nosso planeta.

Ainda dá para manter o aquecimento global abaixo de 1,5%C?

Derretimento das geleiras, possivelmente causado pelas mudanças climáticas, atrai turistas para a Groenlândia (Foto: Uriel Sinai/Getty Images)
 
Uma das (poucas) boas notícias de 2015 foi a inclusão, no Acordo de Paris, de uma meta de manutenção até 2100 do aquecimento global abaixo de 1,5°C em relação aos níveis pré industriais. Mesmo não se tratando de uma obrigação jurídica, mas de um objetivo a ser perseguido, a referência a 1,5°C é uma vitória não só das nações mais vulneráveis às mudanças climáticas, mas de todos, pois, junto com os mecanismos de revisão da contribuição de cada país a cada 5 anos, ela favorecerá a escalada na ação e na ambição nas metas individuais dos países.
Em junho de 2015, um relatório da ONU feito com base nas opiniões de 70 cientistas concluiu que a meta de 2°C é "inadequada" como limite seguro e que menos aquecimento seria "preferível", porque os impactos são tão graves - incluindo riscos à produção agrícola, o aumento do nível do mar no longo prazo, o alto risco de aquecimento e acidificação dos oceanos. Recifes de corais, por exemplo, não conseguirão sobreviver a um aumento de temperatura 2°C, ao passo que 50% poderão se manter diante de um aumento de 1,5°C.
Reduzir o teto do aquecimento global é fundamental também porque as promessas individuais dos países feitas como parte do Acordo de Paris implicam na emissão de 52 a 54 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa até 2025 – ou chegarmos a uma temperatura 2,7°C acima dos níveis pré-industriais até 2100. Buscar novos compromissos, portanto, é vital. Para sanar essa diferença entre o que podemos emitir e o que os países até agora prometeram emitir (vamos chamar esta diferença pela palavra inglesa gap), o Acordo de Paris estabelece um processo de revisão dos compromissos ao longo do tempo. A primeira revisão deve acontecer em 2018 (prepare-se!): com base no resultado da avaliação, cada país irá apresentar um novo compromisso ou atualizar o que existente. Depois disso, a revisão acontece a cada cinco anos. Desta forma, promove-se um processo contínuo e regular para aumentar a ação de todos os países. O mecanismo também define uma expectativa ambição crescente para o futuro. Dentro desse contexto, a meta de 1,5°C faz muito sentido. 
Mas embora a validade política desse novo teto de aquecimento global seja de relativo consenso, ainda persistem dúvidas sobre sua viabilidade técnica. A (outra) boa notícia é que, apesar de pouco pesquisado, o limite de 1,5°C é considerado viável por alguns estudos A começar pelo Banco Mundial, que classificou o limite de 1,5°C como "técnica e economicamente viável". O relatório de 2014 do IPCC, por sua vez, identifica um "número limitado de estudos" propensos a limitar o aquecimento a 1,5°C. O relatório de 2014 da UNEP sobre o gap nas emissões também encontrou um pequeno número de cenários nos quais a probabilidade de conseguirmos ficar abaixo de 1,5°C de aquecimento é de 50%. Um estudo publicado na Nature Climate Change em junho 2015 descreve alguns cenários em que isso pode ser alcançado, embora classifique como "tarefa muito desafiadora".
O desafio para manter o aquecimento global abaixo 1,5ºC parece estar dentro do que é física, tecnológica e economicamente viável – sem comprometer o desenvolvimento sustentável – desde que comecemos a agir sem mais delongas. Não podemos nos permitir mais atrasos na redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa, que devem diminuir rapidamente e de forma constante a partir de 2020, de acordo com pesquisa realizada pela Climate Analytics.
Ficar abaixo 1,5°C quase certamente significa lançar mão tecnologias de “emissões negativas” – como biomassa com a captura e armazenamento de carbono – para sugar o dióxido de carbono do ar na última parte do século. Isto permitiria que o mundo alcançasse 1,5°C no meio do século e se mantivesse abaixo desse teto até 2100.
Os cenários nos quais o mundo se mantém abaixo de 1,5°C são caracterizados por uma rápida descarbonização do sistema energético pela alavancagem das tecnologias de baixo carbono, incluindo veículos elétricos e eficiência energética. No estudo da Nature Climate Change, a demanda de energia é apenas um pouco maior em 2100 do que agora, apesar do aumento da população e do crescimento econômico.
As pesquisas sugerem que limitar o aquecimento a 1,5°C é um processo semelhante ao de limitar o aquecimento a 2°C –a opção que estava na mesa de negociações antes do Acordo de Paris. O mundo terá que investir significativamente em novas infraestruturas de energia, não importa se com base em energias renováveis ou de combustíveis fósseis. Porém apenas as energias limpas proporcionarão a oportunidade de manter ou construir a prosperidade.
Continuar apostando nos combustíveis fósseis terá impactos econômicos significativos (além do risco das mudanças climáticas ficarem fora de controle). O que muda drasticamente é o prazo no qual precisamos agir e, portanto, a intensidade dos investimentos no curto prazo e o uso das tecnologias de emissões negativas.  Estes custos, porém, também precisam ser contrabalançados com os gastos que serão evitados.
Os esforços para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C levantarão questões importantes sobre o uso do solo e a segurança alimentar. Seríamos obrigados a confrontar tais questões também na maioria dos cenários de 2°C – mas o limite 1,5ºC cria uma oportunidade inestimável de antecipação dessa conversa e de avanço da economia sustentável.

Contaminação por minérios torna mar vermelho na Malásia

 
Ao longo de cerca de 15 km na costa da Malásia, o mar começou a ficar vermelho no fim do ano passado, intrigando a população e autoridades locais.
Isso ocorreu por causa das fortes chuvas de dezembro na região, que trouxeram restos de minérios para o oceano, fazendo ele mudar de cor.
Esse fenômeno dá uma ideia da crescente preocupação no país com impacto ambiental da exploração de bauxita na Malásia.
A grande demanda da China motivou a intensa atividade de extração desse minério – que é uma das principais matérias-primas para a produção de alumínio industrializado.
E não foi apenas o mar que ficou vermelho. Na quarta-feira da semana passada, a mídia local mostrou imagens de rios que também estavam mudando de cor por causa da presença de minério na água.
 
A mudança acontece principalmente na região de Kuantan, o centro industrial do país, onde há um porto – e é de lá que sai boa parte da bauxita nos navios para ser levada a outros países.
"É claro que o governo federal e o estadual estão preocupados", disse o Ministro de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Malásia, Wan Junaidi Tuanku Jaafar à Reuters.
"Houve uma discussão em andamento, mas, infelizmente, durante a estação das monções, a situação piorou. O estoque vaza para o mar", afirmou.
O ministro ressalta que o país busca uma regulamentação mais rigorosa da exploração do minério.
Em 2015, a Malásia exportou mais de 20 milhões de toneladas de bauxita para a China – mais de 700 % do que no ano anterior.
BBC Brasil

Empresa apresenta protótipo de tela de TV dobrável

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A multinacional coreana LG vem trabalhando em uma tela de TV flexível por algum tempo, mas só agora, na CES (Consumer Electronic Show), a maior feira de eletrônicos dos EUA, apresentou o primeiro protótipo.
A tela pode ser dobrada e amassada, e a visualização é em full HD.
O protótipo ao qual a BBC teve acesso tinha 45,7 cm de ponta a ponta, mas a LG diz planejar telas acima de 55 cm. Nessa dimensão, a empresa diz que conseguirá produzir uma qualidade de 4K, ou seja quatro vezes maior do que o HD.
Hoje, a resolução é de 1.200 por 810 pixels.
E como a empresa desenvolveu o modelo? Naturalmente ela não revela detalhes, mas o salto tecnológico fundamental foi a mudança de TVs de LED para TVs de OLED.
A letra "O" significa "orgânico", e acaba com a necessidade de um painel traseiro para iluminar a tela. Daí a flexibilidade.
Mas por que você precisaria de uma TV dobrável? A LG diz que é algo ideal para exposição como painel em uma loja, mas também para pessoas que não querem sacrificar todo um canto de um quarto para uma televisão.
Com uma tela como essa, você pode dobrar a televisão e guardá-la no armário até a próxima utilização.

Pixels 'mortos'

A LG não informa quanto custará uma TV dobrável nem a perspectiva de lançamento. No momento as equipes estão totalmente envolvidas com o protótipo.
"Esperamos ter um protótipo maior no futuro próximo. Mas ainda estamos planejando o cronograma para um produto comercial", disse KJ Kim, vice-presidente de marketing da LG Display.
Isso pode ser traduzido da seguinte maneira: ainda irá levar um tempo.
Embora a tela seja notável, ela apresenta algumas falhas.
As cenas exibidas no protótipo, com luzes brilhando à noite, foram planejadas para esconder os vários pixels "mortos" na tela.
Pixels "mortos" são aqueles danificados, que passam a aparecer apenas como pequenos quadrados vazios em vez de mostrar a cor certa.
Havia vários pixels "mortos" na tela, e outros surgiram após algum tempo manuseando o modelo.
No protótipo apresentado agora, a tela só pode ser enrolada em uma direção, o que não é um grande problema, mas é algo que terá que ser resolvido antes da produção comercial.
Outro ponto importante é que a tela pode ser enrolada, mas não pode ser dobrada de forma plana.
Isso significaria danificar o produto de forma permanente - deste modo, a tela ainda não representa algo que muitos esperavam, um videojornal interativo que poderia ser manuseado como o produto de papel.
Mas estamos chegando lá.
BBC Brasil

'Cápsula do tempo' de 220 anos é aberta nos EUA e conteúdo surpreende pesquisadores

Uma cápsula do tempo - caixa cheias de objetos deixada para ser descoberta no futuro - de 220 anos foi aberta nesta terça-feira nos Estados Unidos.
 
O objeto, deixado pelos heróis da independência americana Samuel Adams e Paul Revere, foi descoberto em dezembro, durante uma obra contra infiltrações realizada no Massachusetts State House, prédio que abriga escritórios do governo.
A cápsula, que pesava 4,5 quilos e estava corroída e esverdeada pelo tempo, foi aberta meticulosamente por dois pesquisadores no Museum of Fine Arts de Boston, em uma galeria com retratos dos dois "founding fathers".
 
Credito: Reuters
 
A primeira mensagem do passado encontrada foi uma placa de prata com inscrições.
 
Credito: Reuters
 
Em seguida, os pesquisadores descobriram cinco jornais da época dobrados.
 
Credito: Reuters
 
"Meu Deus, olha isso", disse Pam Hatchfield, chefe de conservação de objetos do museu, quando viu a quantidade de moedas deixadas na caixa.
 
Credito: Reuters
 
Eram 24, e incluíam uma moeda cunhada em 1652 pelos colonos para desafiar a Inglaterra; uma medalha de bronze retratando George Washington e uma de prata mostrando Paul Revere.
Esta não foi a primeira vez que a cápsula foi aberta. Segundo o museu, ela já havia sido encontrada em 1855. Neste ano, os documentos da cápsula foram documentados e ela foi limpa. Além disso, outros objetos foram acrescentados. Depois disso, ela foi escondida novamente.
 Mas esta foi a primeira possibilidade de observar os objetos deixados com técnicas modernos. Segundo o museu, após a análise, a caixa será exposta ao público e, depois, voltará a ser colocada no mesmo local.
Agora, os pesquisadores e autoridades estão decidindo se também devem acrescentar objetos contemporâneos à cápsula antes de devolvê-la.
BBC Brasil
 

Por que a Nasa quer levar batatas para Marte

Pouco sabemos sobre os detalhes da viagem que, em algum momento do futuro, levará o primeiro explorador humano a Marte.
 
Porém, é bem possível que a batata peruana figure na dieta desse astronauta pioneiro.
A Nasa (agência especial americana), em conjunto com o Centro Internacional da Batata (CIP, na sigla em espanhol), com sede no Peru, está fazendo experimentos para descobrir como se desenvolveriam os tubérculos peruanos em solo marciano.
Para isso, deram início a um cultivo experimental de batata em condições que simulam as do planeta vermelho.
Segundo as instituições, na Terra há poucos lugares para o teste melhores que o deserto de Pampas de la Joya, no Peru, na fronteira com o Chile.
"São solos vulcânicos que não contêm nenhuma forma de vida, assim como em Marte", afirmou à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, Joel Ranck, chefe de comunicações do CIP.

Dieta para todos

Além das paisagens "marcianas", há outro motivo que torna o Peru o local ideal para fazer experimentos com batatas.
"Aqui temos 4,5 mil variedades de batata. Por isso, o Peru é um lugar muito bom para descobrir qual delas melhor se ajustaria às condições de Marte", afirma o porta-voz da CIP, instituição que faz parte de uma rede internacional de centros de investigação agrícola.
 
(Foto: CIP)
 
Na primeira fase do experimento, Julio Valdivia, um cientista peruano afiliado à Nasa, colherá amostras do solo desértico e entregará aos laboratórios da CIP, onde até nove tipos de batata serão testados nessas condições severas.
A partir daí, será usada uma tecnologia desenvolvida pela Nasa para replicar também as condições atmosféricas de Marte, e ver que efeitos elas teriam sobre as plantas.
A ideia é deixar os astronautas com uma boa ideia do quão viável seria a colonização agrícola do planeta com esse tipo de cultivo.

Hollywood

Trata-se de uma ideia que, de alguma maneira, está na moda graças a Hollywood.
É exatamente isso que faz o personagem de Matt Damon, um astronauta abandonado no planeta vermelho, no recente filme Perdido em Marte.
Para sobreviver nos meses que antecedem a chegada de uma missão de resgate, ele semeia o tubérculo em solo marciano, e assim consegue se alimentar.
"As batatas são uma excelente fonte de vitamina C, ferro e zinco", lembra Ranck.
"Não acreditamos que ninguém deva depender exclusivamente de um só alimento, mas a batata é muito nutritiva. Uma só, fervida, entrega a vitamina C que um adulto precisa para um dia", explica.
Segundo ele, não há dúvidas de que a batata seria uma parte importante da dieta variada e balanceada da qual necessitariam os astronautas para levar adiante suas tarefas a 225 milhões de quilômetros da Terra.
(Foto: CIP)

Batata congelada

Uma das variáveis que preocupam os pesquisadores é que as batatas comecem a germinar antes do tempo.
"Estimamos que a viagem a Marte leve nove meses", conta o porta-voz da CIP.
E como já sabe qualquer um que tenha armazenado batatas em casa, depois de um tempo os tubérculos começam a germinar. Por isso, a ideia seria congelá-las durante a travessia espacial.
Os experimentos que buscam responder a essas questões serão realizados na sede da CIP, em Lima, e em outras localidades, incluindo o deserto.
Eventualmente também se integrarão ao time de pesquisadores especialistas e estudantes de universidades de vários países, que ajudariam a reunir os dados necessários para o estudo.
O conhecimento a ser obtido, aliás, não se limitará à aplicação em viagens interplanetárias.
"A batata é o terceiro cultivo mais importante do mundo, e é parte da dieta de quase todas as culturas humanas", explica Ranck.
Com o aquecimento global e a desertificação, fica cada vez mais importante encontrar variedades mais resistentes a condições de seca, lembra.
BBC Brasil

"Queimadas cresceram 27,5 % no país em 2015, mostra INPE"

 
As queimadas aumentaram 27,5% em todo o país, passando de 184 mil focos em 2014 para aproximadamente 235 mil no ano passado, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Segundo a série histórica, iniciada em 1999, o resultado perde apenas para o número de queimadas registradas em 2010 (249 mil focos).
Os incêndios florestais em 2015, detectados por meio de satélite, predominaram no período menos chuvoso, entre agosto e dezembro. Em agosto, ocorreram 39 mil queimadas; em setembro, foram 72 mil; em outubro, foram registrados 50 mil focos; em novembro, ocorreram 27 mil queimadas; e em dezembro, foram 18 mil focos.
Entre os meses menos críticos, estão janeiro (4 mil focos), junho (5 mil incêndios) e julho (8 mil queimadas). Os meses de fevereiro, março, abril e maio registraram cerca de 2 mil queimadas cada.
Isto É.com

Novo método promete facilitar busca por vida extraterrestre

Com maior probabilidade de vida, as "superterras" são planetas maiores do que a Terra, porém menores do que planetas gigantes gasosos
 
Astrônomos dizem ter encontrado uma maneira de estudar estrelas distantes que pode ajudar a localizar planetas que poderiam abrigar formas de vida.
O método, descrito em artigo na revista especializada , permite analisar até as estrelas mais remotas.
Por meio do estudo de variações no brilho das estrelas, dizem os autores, é possível fazer medições mais precisas da gravidade na superfície desses corpos celestes. Isso irá auxiliar na determinação da massa e do tamanho das estrelas - e de qualquer planeta que esteja ao redor delas.
"Nossa técnica pode revelar o tamanho e o brilho de uma estrela, e se um planeta próximo possui a dimensão e a temperatura para ter oceanos líquidos, e provavelmente vida", afirmou Jaymie Matthews, da Universidade de British Columbia, no Canadá.
Gravidade de superfície é a intensidade da força que puxa tudo na superfície de uma estrela ou de um corpo celeste para o centro.
Essa medida é normalmente calculada medindo a luz ou o brilho de uma estrela - mas essa técnica funciona bem apenas para as estrelas mais próximas e brilhantes.
 
Pesquisadores usaram dados do telescópio Kepler, que integra missão de busca por vida fora da Terra
 
Usando dados do telescópio Kepler, da Nasa (agência especial americana), uma equipe liderada por Thomas Kallinger, da Universidade de Viena, mostrou que variações no brilho de estrelas distantes podem revelar informações sobre sua gravidade.
A duração de eventos como turbulências e vibrações na superfície de uma estrela, baseada em suas variações de brilho, fornecem dados sobre sua gravidade, concluíram os pesquisadores.
Missões espaciais no futuro deverão buscar planetas no entorno de estrelas distantes que possam abrigar água líquida e, talvez, vida.
Segundo Kallinger, o novo método poderá ser usado para analisar informações colhidas por essas missões, para ajudar a entender a natureza de estrelas como o Sol e localizar planetas semelhantes à Terra.

Alarme falso

Como a gravidade depende da massa e da dimensão da estrela, a técnica também deverá ajudar astrônomos a estimar esses valores para estrelas remotas - e qualquer planeta nas imediações.
"Se você não conhece a estrela, você não conhece o planeta", disse Matthews.
"O tamanho de um exoplaneta (planeta que orbita outra estrela além do Sol) é medido a partir do tamanho de sua estrela-mãe. Se você encontrar um planeta em torno de uma estrela que você imagina ser do tamanho do Sol mas é, na verdade, uma gigante, você pode ter se iludido ao pensar ter localizado um planeta com condições de vida."