quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Hispanidade? Na América, o 12 de outubro é ensinado como invasão e colonização

 
Oficialmente, em 12 de outubro a Espanha comemora o seu Dia da Festa Nacional, também conhecido como Dia da Hispanidade. Na verdade, o que se comemora é o descobrimento da América por Cristóvão Colombo, em 1492. Um momento... descobrimento? E aqui começa a desavença. A história que se aprende no lado de lá do Atlântico fala de viajantes e descobridores que chegaram ao Novo Mundo capitaneados por um aventureiro que muitos espanhóis acham ser compatriota seu. Essa lição deixa de fora os nativos que já viviam na América antes da chegada dos espanhóis, o saque dos recursos naturais e inclusive a verdadeira nacionalidade de Colombo, que era genovês.

Argentina

Por Federico Rivas
Na Argentina não é mais obrigatório saber de cor os nomes das três caravelas do Colombo. Muito menos que o genovês presenteou vidrinhos coloridos aos indígenas que o receberam numa pequena ilha das Antilhas. Mas esses ficaram na cabeça de todos os que frequentaram a escola durante a ditadura militar (1976-1983) e nos primeiros anos da democracia.
 
 
Já na década de 1990, o discurso escolar substituiu pouco a pouco o termo “descobrimento” por “encontro de culturas”, sobretudo quando o debate motivado pelos quinto centenário do desembarque de Colombo estimulou todo tipo de corrente revisionista. Mas só em 2010 o 12 de outubro deixou de ser oficialmente chamado de Dia da Raça, por ser “ofensivo e discriminatório”. Um decreto assinado pela presidenta Cristina Fernández de Kirchner em 2010 substitui essa denominação por Dia da Diversidade Cultural Americana.
A troca de nome obrigou ao Estado a mudar os conteúdos escolares obrigatórios. A efeméride atualmente serve para recuperar a memória pré-colombiana, enquanto os detalhes históricos da conquista foram deixados de lado. Em vez de desenharem as caravelas de Colombo, as crianças argentinas agora pintam a wiphala, bandeira multicolorida que representa a diversidade cultural.
 

Chile

Por Cristian Galegos
A definição do 12 de outubro no Chile é ambígua. Para alguns é o Dia do Descobrimento da América, outros o chamam de Dia da Resistência Indígena e, embora oficialmente se intitule Dia do Encontro de Dois Mundos, é mais conhecido como Dia da Raça. O que está claro é que ninguém o chama de Dia da Hispanidade nem de Dia de Colombo.
A questão do nome possivelmente fica em segundo plano quando há motivo para um feriado. A forma como as escolas ensinam/comemoram os dias que antecedem a data é pitoresca e folclórica, com eventos e muitos trabalhos escolares sobre o tema. Há, no entanto, dois elementos comuns a todos os estudantes chilenos, ou pelo menos aos estudantes dos anos 1990: o material bibliográfico da Icarito, revista de recortes de história indispensável nas casas chilenas, junto com o célebre livro de História azul da Santillana, e as encenações com fantasias.
A representação da chegada de Colombo é sem dúvida a mais interessante. Lembro como o método das educadoras era simples e não muito engenhoso. Na minha escola, separavam as classes em dois grupos: os indígenas e os espanhóis. Figurino e roteiro não primavam pela sofisticação. Os indígenas eram vestidos com ponchos de lã (complicado nesta época de calor primaveril em Santiago), com uma faixa na cabeça e descalços. Os espanhóis usavam armaduras de cartolina ou papelão, dependendo do orçamento da escola. A espada era essencial.
O menino escolhido para ser Colombo não se parecia em nada com o das fotos da Icarito. As caravelas eram feitas à mão pelas professoras, e tudo isso culminava num espetáculo presenciado pelos pais, no qual as duas partes se enfrentavam numa grande batalha. Até havia a leitura de passagens bíblicas, mas o divertido mesmo era essa luta caricatural pela conquista.
Atualmente, as escolas encaram essa comemoração como um encontro entre as diferentes culturas da região, promovendo encenações com trajes dos diferentes países da América Latina.

Colômbia

Por Sally Palomino
Alguns livros usados antigamente nas escolas primárias da Colômbia precisaram ser retirados de circulação. Embora a história seja a mesma, mudou a maneira de ensinar o descobrimento da América. Parece haver um consenso entre os professores nos últimos anos de que a chegada de Colombo representou um “assalto” não só contra a riqueza do país, mas também contra seus costumes e a cultura. A data é celebrada atualmente com o nome de Dia da Raça e destaca o respeito aos indígenas.
Nas escolas, no 12 de outubro já não se enfatiza a conquista, porque no centro do discurso está a exaltação das raízes culturais. Os alunos fazem representações em que narram a vida dos povos e seus costumes. Além disso, na mesma data se celebra o Dia Nacional da Árvore, estabelecido por decreto, e os colégios usam isso como pretexto para falar da riqueza natural. Em alguns deles, os alunos semeiam árvores nesse dia.
Parecem ter ficado para trás as encenações de anos atrás, quando os alunos precisavam se virar para recriar as caravelas Santa María, Pinta e Niña. Agora, os relatos de indígenas (povos cada vez menos numerosos na Colômbia) são o foco da comemoração. A narrativa do “encontro de dois mundos”, mais que a da conquista, parece ter se cristalizado nas aulas de história dada aos colombianos.



Estados Unidos

Por Nicolás Alonso
O poema 1492, que relata as façanhas de Cristóvão Colombo e suas viagens exploratórias, é utilizado por muitas escolas nos Estados Unidos para ensinar às novas gerações como foi a conquista da América. Os versos detalham os descobrimentos de territórios, a presença de nativos e o comércio de ouro.
Mas cada vez mais se questiona no país o relato das aventuras do Colombo, e existe uma crescente divisão entre os que comemoram o legado do explorador e quem o despreza por ter subjugado comunidades indígenas. Em muitas cidades norte-americanas, incluindo Minneapolis e Seattle, o dia deixou de se chamar Columbus Day (Dia de Colombo) e virou Dia dos Indígenas.
O mesmo dilema se apresenta nas salas de aula. Há Estados, como Carolina do Sul e Texas, onde se apresenta uma imagem valente e admirável de Colombo. Mas em outros, como a Califórnia e o Colorado, os professores optam cada vez mais por traçar um retrato mais completo do colonizador, que inclui o tratamento opressivo às populações nativas dos territórios aonde chegou.

México

Por Mónica Cruz

Os livros escolares do equivalente ao ensino fundamental e médio no México descrevem a chegada de Cristóvão Colombo ao continente como o início das expedições espanholas a um novo território, mas também da exploração das populações indígenas e dos recursos naturais na região. Este é um fragmento do livro de História para o sexto ano do ensino fundamental da Secretaria de Educação Pública:
“Como resultado das viagens de exploração do século XVI, os europeus conseguiram uma grande expansão econômica devido ao saque e à exploração dos recursos da América. Isso beneficiou muitos europeus. No entanto, sua chegada ao território representou uma tragédia para muitos povos e culturas. Basta pensar nos milhões de indígenas da América que morreram depois da Conquista espanhola.”
O livro de História I para o segundo ano do ensino médio da Ediciones Castillo (parte do currículo oficial) diz: “O processo que este evento desencadeou durou séculos e tem vários significados segundo o ponto de vista de que se observe. Do ponto de vista europeu, foi uma conquista; do ponto de vista indígena, tratou-se de uma invasão”.
 

chuva. // Navegou de noite; navegou de dia. / Usou as estrelas para achar o caminho”.

Peru

Por Jacqueline Fowks
As escolas no Peru adotaram o enfoque por competências (aprender a fazer), abandonando os eixos temáticos de ensino, e nessa mudança Cristóvão Colombo parece ter perdido peso na história. Há 35 anos, uma tarefa típica no ensino primário seria desenhá-lo e colori-lo no caderno, acompanhado das três caravelas. “O 12 de outubro é uma data cívica no calendário escolar – como o Dia da Bandeira, a Batalha de Angamos e as festividades pátrias –, mas algumas datas são mais importantes que outras”, diz ao EL PAÍS a diretora de uma escola pública no Cercado de Lima. Não é feriado.
“Quanto a Colombo tudo bem, porque provou que a Terra não era plana e foi uma oportunidade para que conhecessem um novo mundo: esse é o ângulo que se ensina no terceiro ano do primário, quando as crianças têm oito anos. Mas assim como descobrimento é equivalente a Colombo, conquista é igual a espanhóis. Um dos professores diz que os espanhóis vieram para levar tudo embora e nos subjugar”, acrescenta a diretora.
Sob outro ponto de vista, uma aluna do sexto ano (12 anos de idade) numa uma escola bilíngue e particular de Lima recorda que viu o tema quando era pequena, na segunda ou terceira série. “Mas no meu colégio não se comemora o dia nem vemos nada. Foi o início da colonização da América pelos espanhóis, trouxeram cavalos, levaram lhamas, e os espanhóis transformaram o chiclete em um produto que antes não conheciam”, explica.




terça-feira, 11 de outubro de 2016

A maior colisão continental na história da Terra

Resultado de imagem para a maior colisão continental na história da terra - fotos

Cerca de 60 milhões de anos atrás, ocorreu aquela que se acredita que tenha sido a maior colisão continental na história da Terra – quando a placa da Índia se chocou com a placa tectônica da Eurásia. Esse choque, que ainda está ocorrendo, de certa forma, milhões de anos depois, deu origem à paisagem montanhosa dos Himalaias. Mas de acordo com um novo estudo, a colisão não apenas jogou as massas terrestres para cima – ela também “enterrou” uma grande quantidade dos dois continentes.
Um time de geofísicos da Universidade de Chicago usou novas técnicas de modelagem para estimar a quantidade de massa terrestre existente antes da colisão continental. Com base na crosta continental que possuímos hoje, eles dizem que uma quantidade gigantesca das duas placas está “desaparecida”. De acordo com Miquela Ingalls, coautora do estudo, metade da massa terrestre que estava ali há 60 milhões de anos não está mais lá.
Um time de geofísicos da Universidade de Chicago usou novas técnicas de modelagem para estimar a quantidade de massa terrestre existente antes da colisão continental. Com base na crosta continental que possuímos hoje, eles dizem que uma quantidade gigantesca das duas placas está “desaparecida”. De acordo com Miquela Ingalls, coautora do estudo, metade da massa terrestre que estava ali há 60 milhões de anos não está mais lá.
Os pesquisadores se surpreenderam com a quantidade de crosta continental que aparentemente desaparece – mas ainda mais inesperado é o lugar para onde a equipe acredita que ela foi.
De forma geral, quando duas placas tectônicas se chocam, a crosta continental se eleva, principalmente por conta da sua baixa densidade e flutuabilidade. Por outro lado, a crosta oceânica geralmente é empurrada para baixo, deslizando para dentro do manto da Terra – que separa a crosta do núcleo.
No entanto, de acordo com os cálculos dos pesquisadores, o único jeito de explicar a massa reduzida após a colisão é considerando que toda a crosta tenha ido para baixo. Segundo David Rowley, um dos pesquisadores do estudo, o único lugar para onde pode ter ido essa “crosta desaparecida” é o manto da Terra.
No entanto, de acordo com os cálculos dos pesquisadores, o único jeito de explicar a massa reduzida após a colisão é considerando que toda a crosta tenha ido para baixo. Segundo David Rowley, um dos pesquisadores do estudo, o único lugar para onde pode ter ido essa “crosta desaparecida” é o manto da Terra.
De acordo com os pesquisadores, tentativas anteriores de calcular a quantidade massa continental existente antes da colisão não consideravam a possibilidade dessas quantidades significativas de massa continental terem sido forçadas para baixo. No entanto, analisando 20 anos de dados geológicos em placas tectônicas, e usando novas estimativas sobre como essas placas podem ser mover, a equipe acredita que a “subducção em grande escala da crosta continental” é a única explicação possível.

No entanto, de acordo com os cálculos dos pesquisadores, o único jeito de explicar a massa reduzida após a colisão é considerando que toda a crosta tenha ido para baixo. Segundo David Rowley, um dos pesquisadores do estudo, o único lugar para onde pode ter ido essa “crosta desaparecida” é o manto da Terra.

Isso porque os outros únicos locais para onde essa massa continental poderia ter ido, não dariam conta da quantidade de massa. Uma parte dessa crosta, por exemplo, acabou formando os Himalaias. O resto foi espremido para o lado durante a colisão, formando o Sudeste Asiático, além de sedimentos que acabaram indo para o mar. Mas nenhuma dessas

 BBC Brasil



Sonda européia se prepara para pousar em Marte em meio a tempestade de areia

A sonda europeia Schiaparelli poderá enfrentar condições climáticas adversas, incluindo tempestades de areia severas, quando chegar a Marte no próximo dia 19.
 
Parte do programa ExoMars, da Agência Espacial Europeia (Esa, na sigla em inglês), o módulo foi lançado no dia 14 de março e vai realizar estudos ambientais no planeta vermelho.
Segundo pesquisadores americanos, partículas de areia podem começarão a ser lançadas na atmosfera em breve, algo que ocorre regularmente em determinadas épocas do ano.
A Esa, entretanto, acredita que isso não deve atrapalhar a descida do aparelho na região conhecida como Meridiani Planum na semana que vem. Alguns cientistas estão inclusive animados com essa previsão.
"Sempre soubemos da possibilidade de aterrissagem durante uma tempestade de areia e a Schiaparelli foi projetada pensando nisso", disse Jorge Vago, cientista de projetos da agência europeia.
"Pode ser uma oportunidade interessante para coletar dados sobre a eletrificação de atmosferas com a presença de areia", explicou ele - a Schiaparelli está transportando para Marte o primeiro instrumento dedicado a esse propósito.
A Nasa, a agência espacial americana, divulgou na semana passada um comunicado alertando para a formação da tempestade de areia. O relatório ressaltou que o fenômeno pode chegar à proporção de criar um invólucro total do planeta, embora a possibilidade pareça remota no momento.

Preparação

De qualquer forma, os cientistas europeus garantem que estão preparados. Uma quantidade excessiva de areia no ar de Marte pode aumentar a abrasividade no escudo de calor da Schiaparelli e no paraquedas que será usado para reduzir a velocidade até a aterrissagem completa.
Ainda assim, a área escolhida para o pouso é plana e larga o suficiente para evitar acidentes, mesmo que o procedimento ocorra fora do local exato previsto por causa dos ventos fortes causados pela possível tempestade.
"A única coisa que pode ser afetada é a captação de imagens durante a descida", explica o diretor de voo Michel Denis. "Talvez a visibilidade da superfície seja afetada se a quantidade de vento e poeira for muito grande."
 
Tempestade de areia global
 
A Schiaparelli pesa 600 kg e, na prática, servirá como teste de procedimentos e tecnologias necessárias para a realização de pousos no planeta vermelho.
A única tentativa anterior de pouso em Marte realizada por cientistas europeus acabou fracassada. Em 2003, a nave Beagle-2 não foi ativada corretamente após o pouso, embora imagens captadas pelo equipamento tenham sido recuperadas no ano passado.
A expectativa é que a missão, do projeto ExoMars, agora tenha um final bem sucedido, embora a operação da Schiaparelli na superfície de Marte tenha duração prevista de apenas alguns dias.
Um dos objetivos é buscar vestígios de formas de vida no planeta. O projeto também inclui a "nave-mãe" batizada de Trace Gas Orbiter.

Apostas

O satélite deve investigar a atmosfera e a geologia de Marte assim que for lançado pelo módulo de entrada, que foi construído na Itália. A parte final do ExoMars ainda conta com um veículo de exploração espacial britânico, que deve chegar à superfície marciana em 2021.
Alguns dos elementos principais da Schiaparelli serão replicados na estrutura de seis rodas. Entre eles estão os algoritmos de localização, navegação e controle (GNC, na sigla em inglês), assim como o radar doppler, que determina a distância até o chão.
"Com o GNC e o radar, podemos dizer que vamos carregar o 'cérebro' da Schiaparelli", explica Vincenzo Georgio, da Thales Alenia Space, uma das empresas envolvidas no projeto.
 
Meridiano Planum
 
O Trace Gas Orbiter vai ejetar a Schiaparelli neste domingo em direção a Marte, onde a sonda deve chegar na quarta-feira. Se o escudo de calor, o paraquedas e os foguetes funcionarem como previsto, a ela deve pousar às 14:48 GMT (11:48 no horário de Brasília).
A distância entre a Terra e Marte (167 milhões de quilômetros) significa que qualquer sinal de rádio viajando na velocidade da luz levará mais de nove minutos para ser recebido. Dessa forma, a Esa saberá se a aterrissagem ocorreu com sucesso se a transmissão UHF da sonda seguir ininterrupta.
Essa transmissão UHF - tons simples, não telemétricos - será recebida por um telescópio gigante em Pune, na Índia, e retransmitida para o controle da missão em Darmstadt, na Alemanha.
Um relatório completo de telemetria enviado pela Schiaparelli só será recebido quando o contato for estabelecido com a Sonda Orbital de Reconhecimento de Marte, da Nasa, horas mais tarde.
 
Simulação do pouso da sonda
 
Um pouso bem-sucedido será um grande alívio para o programa ExoMars, que tem sofrido com atrasos e problemas de orçamento nos últimos anos.
A Esa terá um encontro entre seus países-membros em novembro, onde os responsáveis pela missão pretendem apresentar resultados positivos da viagem a Marte, além das últimas revisões nos planos para o veículo de exploração espacial.
"Será a última grande reunião de conselho antes do encontro ministerial em dezembro, e queremos deixar o evento com resultados impressionantes", disse o Jorge Vago.
 
Simulação do lançamento da Schiaparelli
 
BBC Brasil

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Belo Horizonte tem menos área verde entre as dez maiores capitais do Brasil

Imagem de satélite mostra o que sobrou de florestas em Belo Horizonte, em verde (Foto: MapBiomas)
 
Belo Horizonte é a cidade com menos áreas verdes entre as dez maiores capitais do Brasil. A capital de Minas Gerais tem apenas 3,9% de sua área coberta por florestas. São 1.316 hectares de cobertura vegetal florestal. O bioma original do município é Mata Atlântica e uma vegetação de transição com o Cerrado e trechos de Campos de Altitude e Campos Rupestres.
Em percentual de área verde, Belo Horizonte perde para as outras nove cidades na lista das maiores do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Recife e Porto Alegre. Todas essas capitais têm mais vegetação do que a capital mineira. A capital com mais área verde da lista é Manaus – mas isso não seria grande surpresa... Algumas capitais totalmente inseridas no Cerrado, como Brasília, Palmas e Goiânia, têm maior percentual de florestas do que Belo Horizonte.
Na imagem acima estão os usos de terra do município de Belo Horizonte. As pequenas manchas verdes representam área com floresta. Os pedaços em azul são trechos com água. A imagem e os dados são do MapBiomas, um sistema de monitoramento dos usos de terra no Brasil.
Um dos fatores que contribui para a carência de floresta em Belo Horizonte pode ser a própria diversidade da vegetaçao nativa que restou. A maior área verde da capital é a Serra do Curral, com 400 mil metros quadrados. Ela tem uma mistura de Campo de Altitude, Cerrado, Campo Rupestre - que não contam como floresta pela análise do satélite – e um maciço vegetal com vestígios de Mata Atlântica. 
Não é à toa que a cidade vive dias de calor e abafamento começando agora na privamera e indo até o fim do outono. O desmatamento intenso da cidade agrava o fenômeno conhecido como ilhas de calor. Ele ocorre quando a urbanização transforma floresta em deserto de cimento e asfalto, com pouca arborização. Também não é por acaso que as chuvas estão mais destrutivas no município. Com a retirada da vegetação, a chuva bate direto no cimento ou asfalto e corre mais rápido para os bueiros, canais de águas pluviais ou rios canalizados.
O levantamento é feito a partir de imagens do satélite Landsat, que consegue enxergar o uso do solo com resolução de 15 metros.
O último pedaço de alguma coisa que lembra a Mata Atlântica original do município é a Mata do Planalto, um pedaço de 200.00 metros quadrados que abriga nascentes. A vegetação está ameaçada pela construção de um condomínio.
Época.com

domingo, 9 de outubro de 2016

Em sete anos, o Brasil começou a poluir 5,3 mais para ascender a mesma lâmpada

A linha preta mostra a média de emissão de CO2 por GWh gerado entre 2009 e 2015. A linha preta mostra as emissões totais (Foto: Seeg)
Estamos poluindo cinco vezes mais para acender a mesma lâmpada no Brasil. Isso não tem nada a ver com a qualidade da lâmpada. Mas com a forma como geramos a eletricidade. No espaço de sete anos entre 2009 e 2015, para acender a mesma lâmpada com a mesma potência passamos a lançar 5,3 vezes mais gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.
É o que mostra o gráfico acima, gerado pelo Seeg,  Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa, uma iniciativa de pesquisadores brasileiros para vigiar o que jogamos na atmosfera.
A linha preta do gráfico mostra a média anual de gás carbônico (e outros equivalentes) por GigaWatt/hora. Em 2009, cada GWh gerava uma emissão de 23 toneladas de gás carbônico. Em 2014, chegamos a 131 toneladas por GWh. Isso caiu para 123 GWh em 2015.
O resultado dessa intensidade de emissões é que a poluição total (a linha azul no gráfico) subiu também. Foi de 10 milhões de toneladas em 2009 para 66 milhões de toneladas em 2015. Aumentamos nossa contribuição para as mudanças climáticas e não elevamos tanto nossa produção de eletricidade total. Só sujamos nossas fontes de energia.
Essa mudança para uma eletricidade mais suja é um reflexo da entrada em operação de mais usinas termelétricas para compensar em parte a queda na produção das hidrelétricas por causa dos anos de estiagem. Resta ver se voltaremos a usar a energia limpa das hidrelétricas na mesma proporção de antes da crise hídrica.
Época.com

Quais são os lugares mais inacessíveis da Terra (um deles fica no Brasil)

 
Este é o lugar mais indicado para não topar com ninguém. O local perfeito para situar os monstros marinhos que balizavam os mapas antigos. O centro de uma circunferência de 16.900 quilômetros sem um só metro de terra emersa. Um lugar completamente alheio aos guias de viagem, à presença humana, a quase tudo. O pesadelo de qualquer náufrago. O antidestino.
Na metade sul do oceano Pacífico se localiza o polo de inacessibilidade marítima, o lugar mais afastado de qualquer costa do planeta. É conhecido como Ponto Nemo, em homenagem ao personagem misantropo de Julio Verne. Um bom lugar para submergir com o Nautilus se, como ele, você não quer ver ninguém nem nada além de água, muita água.
 
 
Para desenhar esse ponto imaginário, os geógrafos tentaram encaixar no Pacífico o maior círculo possível sem tocar qualquer terra. O que rodeia Nemo cabe perfeitamente no buraco deixado por três ilhas a 2.690 quilômetros de distância. Terra firme, mas mortalmente chata. A noroeste, o atol Ducie, desabitado, não passa de uma unha de terra, com apenas dois quilômetros, sob bandeira britânica.
Muito mais ao sul, Maher serve como antessala da Antártida. Até 1868 ninguém havia colocado os pés nesta ilha, que nem sequer merece imagem própria no Google Earth. Sua posição está apenas anotada em meio a pixels azuis. O terceiro ponto, mais para a nordeste, é a ilhota – também despovoada – de Motu Nui, junto à ilha de Páscoa.
 
 
A busca pelos polos de inacessibilidade não se limitou aos mares. O conceito é aplicável à terra firme: o ponto mais afastado da costa de um continente ou uma península. No caso da Ibérica, esse ponto estaria localizado entre Otero e Domingo Pérez, na província do Toledo, um pouco ao sul de Madri. Por áreas continentais, o ponto de inacessibilidade da América do Norte se encontra perto de Allen, na Dakota do Sul; o da América do Sul no Estado de Mato Grosso, cerca de 1.000 quilômetros a noroeste de Brasília. O da África se localiza junto ao povoado de Obo, na República Centro-Africana, perto da fronteira com o Sudão do Sul e a República Democrática do Congo.

O ponto mais interior da Antártida

Menção à parte merece o polo de inacessibilidade da Antártida, que protagoniza uma das últimas epopeias dos grandes aventureiros. Em 1958, os soviéticos quiseram alcançar o capricho geográfico mais meridional do mundo. Celebraram o feito construindo um barracão no lugar e instalando sobre ele um busto de Lênin, que (acredita-se) ainda hoje aponta para Moscou.
 
 
Mas suas ferramentas de medição, anos antes de os satélites esquadrinharem a superfície terrestre palmo a palmo, haviam localizado aquele ponto a mais de cem quilômetros de distância do lugar verdadeiro. Ou dos verdadeiros, porque não é a mesma coisa calcular esse ponto levando em conta a calota polar (a superfície coberta de gelo, incluindo o mar congelado) ou apenas o continente que há por baixo.
o continente que há por baixo.
Ambos os pontos, separados por 180 quilômetros, foram alcançados pela primeira vez há apenas 11 anos, graças a uma expedição espanhola. Em 2005, navegando com um trenó impulsionado só pelo vento, três exploradores chegaram a um local sem qualquer outra particularidade (ao menos dentro de um imenso deserto de gelo) além de um aviso do GPS. Haviam alcançado o lugar mais interior da Antártida. Era 11 de dezembro, e fazia 31 dias que haviam deixado para trás a base russa de Novolazarevskaya, o último local habitado.



Chegar lá foi duríssimo. “Pouco depois de iniciarmos a expedição, sofremos uma avaria no nosso trenó, o primeiro veículo impulsionado por energia renovável com o qual se pretendia cruzar o continente”. Além disso, a superfície da Antártida está cheia de astrubis, uma espécie de depressão ou de ondas congeladas, de até um metro, sobre as quais é muito difícil caminhar ou deslizar. Larramendi recorda que comemoraram a chegada àquele marco, a mais de 3.000 metros de altitude e a 40 graus abaixo de zero, estourando uma garrafa de champanhe e fumando um charuto.
 
 

Disputas sobre o centro da Ásia

Da mesma forma que com a Antártida, também não foi fácil determinar o polo de inacessibilidade do grande continente euro-asiático. Um dos últimos a fixá-lo não usa agasalhos, esquis e máscaras contra o vento em seu trabalho. Daniel García Castellanos, geofísico do Instituto de Ciências da Terra Jaume Almera (ICTJA-CSIC), em Barcelona, corrigiu medições anteriores em 2007 utilizando algoritmos.
“A ambiguidade dessas medições se deve à questão de em qual lugar você situa a linha da costa. Normalmente, os pontos da costa mais próximos ao polo de inacessibilidade terrestre costumam coincidir com deltas, estuários e baías, mas onde começa o mar e onde acaba o rio?”, se pergunta o especialista. No caso do da Eurásia, os cálculos da desembocadura do rio Obi situavam a linha da costa muito mais mar adentro. “Isso levou a margens de erro de vários quilômetros”. Pouca coisa, quando se fala de milhares de quilômetros (e de pontos bem mais triviais), mas uma pedra no sapato para os geógrafos.
 
 
“Determinar a continentalidade (o interior que é uma área terrestre) influencia no estudo do clima, mas, nesse aspecto, não se tem realmente a localização precisa, alguns quilômetros de distância para mais ou para menos, do polo”, diz o especialista, para acrescentar: “Ainda estamos longe de conhecer todos os recônditos do planeta, incluindo seu formato preciso, que não é uma esfera e um elipsoide (uma esfera achatada), mas um formato irregular”.
Pesquisadores como García Castellanos partem desse método para avançar no conhecimento: imaginam qual forma teria o planeta se estivesse completamente coberto de água – se o nível do mar estivesse em seu máximo – para desenhar uma figura na qual o planeta real deve se encaixar, como se fosse um estojo. “Um batatoide”, como o chama o pesquisador.
O conhecimento da superfície também progride. Nos últimos dias foi publicado o último modelo topográfico global, chamado TanDEm-X, uma enorme base de dados de todo o planeta com medidas de resolução inusitada: quadrados de somente 12 metros. E a resolução é ainda maior em altura: as elevações de todo o planeta são medidas com margens de somente um metro de erro. Restam cada vez menos lugares no mapa do mundo para se desenhar os monstros marinhos.
 

Energia para um mundo menos contaminado

A pouco mais de um mês da próxima cúpula do clima, em Marrakech, inúmeros fóruns, estudos, projeções e mensagens públicas continuam discutindo as conclusões da cúpula anterior sobre as mudanças climáticas – a COP21 de Paris –, que foi encerrada com o compromisso de que o mundo manterá o aumento médio da temperatura muito abaixo dos dois graus centígrados. “Gostamos de pensar que faremos isso de uma maneira agradável e controlada, e não vivendo em um planeta hostil, onde desaparecerão grandes populações humanas. Mas, de uma forma ou de outra, teremos que fazer”, sorri Dimitri Zenghelis.
Para o pesquisador, é uma questão de escolher entre o susto e a morte. Ao fim de setembro, participou de uma conferência em Madri, na qual lançou um punhado de frases provocativas: “Embora haja uma enorme quantidade de combustíveis fósseis, grande parte das reservas de gás e carbono terão que ficar debaixo da terra”, foi uma delas. “Agora a temperatura da terra está um grau acima do que era na época pré-industrial. O que aconteceria se a temperatura subisse quatro ou quatro ou cinco graus? Provavelmente, pensamos que não faria diferença, mas, na última vez que isso ocorreu, havia jacarés nos polos”.
Zenghelis lembrou naquele fórum, organizado pela Câmara de Comércio dos EUA na Espanha e pelo Instituto Elcano, que milhares de empresas, e não apenas os cidadãos, motivam os governos a estabelecerem limites mais exigentes em políticas de meio-ambiente. “E não o fazem porque se dedicam a criar ursos polares, mas porque querem ser mais eficientes”. A eficiência, de fato, é a palavra mágica que deveria mudar as coisas em um setor que precisa bastante de uma correção de rumo.
Um relatório publicado neste verão pela BP aponta que, em 2015, o consumo de petróleo cresceu 1,9%, e o de gás, 5,4%, enquanto a demanda de carbono no planeta caiu 1,8%. O mix de consumo global continua preferindo um modelo que use fontes energéticas convencionais: o pegajoso combustível lidera o consumo de energia primária (por volta de 32%), seguido do carbono, com 29,2%, e em terceiro lugar aparece o gás natural, com 23,8%. As energias renováveis têm apenas 9,6% do bolo, e o resto do mercado, 4,4%, fica com a energia nuclear.
 
 
Enquanto a energia renovável cresce a um ritmo superior a 200%, a queda do carbono pode ser vista nos números dos líderes do mercado. A anglo-suíça Xtrata-Glencore, a maior exportadora mundial de carbono térmico, faturou 170,497 bilhões de dólares (equivalente a R$ 550 bilhões), por volta de 20% a menos que em 2012. A anglo-australiana BHP Billition passou dos 72,260 bilhões em vendas (2012) para 44,636 bilhões em 2015. Quanto aos gigantes do petróleo, os preços baixos do barril causaram enormes feridas a suas receitas: a chinesa Sinopec reduziu seu faturamento em 146 bilhões de dólares nos últimos dois anos. A BP perdeu 156 bilhões (até os 222,894 bilhões), e a americana Exxon Mobile passou de vendas de 390,247 bilhões em 2013 para 236,810 bilhões (153 bilhões a menos), segundo dados da Bloomberg.
As grandes empresas elétricas, por outro lado, mantêm-se firmes diante das quedas dos preços: a State Grid, maior companhia de distribuição e transmissão do mundo (China), que ocupa a segunda posição entre as maiores empresas do planeta, atrás do Wallmart, teve uma queda de apenas 1% em suas receitas nos últimos dois anos. A EDF ou a E.ON tiveram quedas maiores, mas também não viveram grandes oscilações.

El futuro


Pedro Linares, professor da escola de engenharia ICAI da Universidade de Comillas, em Madri, e coordenador da cátedra BP de Energia e Sustentabilidade, afirma que, com todas as cautelas – “há muitos futuros”, afirma -, existem dois elementos perturbadores que afetam o mercado como o conhecemos. A crescente competitividade da energia fotovoltaica e a maciça expansão do carro elétrico. “Todos consideram que, cedo ou tarde, as duas coisas vão acontecer, a questão é em que momento. Em 2050, parece estar claro que, na Europa, o transporte com petróleo será anedótico, independente de melhoras em motores de combustão interna”, acredita. Repsol, uma das principais empresas do país, faz contas sobre esses presságios. Antonio Merino, diretor de estudos da petroleira, analisa que, nos cenários que consideraram, projetam-se um aumento do consumo de gás para substituir o carbono e um crescimento da demanda de petróleo, da qual a China será responsável por 60%, segundo números do estudo A Energia na Espanha, do Ministério da Indústria. “Nós estudamos como reduzir as emissões na exploração, com processos mais eficientes”. Como? “Podemos armazenar e reutilizar o CO2 para reinjetá-lo. Embora a captura e sequestro do carbono sejam caras”.
Em sua projeção, o petróleo continuará sendo um combustível imprescindível e se avançará muito na eficiência dos motores, tanto a diesel quanto a gasolina. “Na China, estão sendo introduzidas medidas de eficiência. O que acontece é que temos uma demanda de transporte, de consumo de carburantes, que continua aumentando. Não sabemos quando será estabilizada, mas, no cenário central que foi concordado em Paris, há um crescimento de demanda até 2030 ou 2035”. Fernando Temprano, diretor de tecnologia da petroleira, admite que, uns anos atrás, discutiram internamente na Repsol sobre quem queriam ser: uma empresa de fornecimento de gasolina e diesel ou uma empresa que fornece energia para o transporte, seja qual for. Escolheram o segundo. “Temos que explicar socialmente a complexidade do tema energético. Não podemos ter mudanças bruscas. Os motores elétricos não substituirão os de combustão em um toque de mágica. A transição acontecerá por meio de veículos híbridos e de um aumento na eficiência dos motores”. No seu centro de I+D, trabalham em várias direções, tanto investigando tecnologias relacionadas com recargas e armazenamento de eletricidade, quanto com produtos que tornem sua atividade mais eficiente. O problema está nos destinatários dos seus produtos.
 
Calcula-se que o custo da contaminação esteja entre 2% e 5% do PIB mundial por ano. Três horas no trânsito são três horas de produtividade perdidas por um trabalhador, às quais são acrescentadas as emissões do seu carro. Além da conscientização do consumidor, os consultados concordam que o ponto chave está e estará no transporte. O professor da IESE, Juan Luis López Cardenete, afirma que o problema é que 70% das emissões não estão vinculadas ao sistema elétrico. Fundamentalmente, partem do transporte terrestre, marítimo e aéreo. “O avanço dos motores de combustão tem sido extraordinário, mas não é suficiente. O potencial de redução de emissões com as tecnologias comerciais já existentes é enorme”. Dá um exemplo: com um galão (3,7 litros) de gasolina, os carros nos EUA percorrem, de acordo com o parque automobilístico atual, metade dos quilômetros dos europeus. “Para que o mundo possa continuar desenvolvendo-se, basta converter um parque automobilístico no europeu de hoje em dia”.
Mas tudo passa por outra variável, talvez a mais negligenciada de todas: os consumidores. “Os humanos gostam de colocar a culpa nos que oferecem e infantilizar os que demandam, que em última instância são os causadores do problema”, sorri López Cardenete. Trabalhar para que a sociedade perceba a importância da redução da sua demanda energética é uma tarefa que precisa ser executada, em conjunto, por governos e indústrias. Os primeiros, além disso, precisam tomar decisões drásticas, como fechar fábricas contaminantes antes que termine sua vida econômica.
Há muito a ser feito, dizem os especialistas, mas, em resumo, “basta ter uma visão diferente e não tradicional”, para enfrentar os novos desafios energéticos. A má notícia, acrescentam, é que um mundo muito fragmentado politicamente, onde o protecionismo ganha terreno, a governança global, essa a que aspiraram os signatários do acordo de Paris para evitar um mundo mais desigual, ameaça desaparecer.

Quero ler em papel

 
A elegia fúnebre para o papel terá que esperar. Os maus presságios sobre a morte iminente do livro impresso, esse veículo de ideias que mudou a história da humanidade, o mais poderoso objeto do nosso tempo, conforme clamam alguns, não se cumpriram. O e-book não o enterra, pelo menos por enquanto. Persiste o cheiro de papel, de tinta, de cauda; o totem continua vivo, meio abalado, mas ainda se agita.
Por mais que a imprensa tradicional e os sites falemos do que é novidade, do que está por chegar, do último gadget tecnológico, as estatísticas estão aí, com toda a sua teimosia. E são bem claras, tanto na Espanha quanto nos Estados Unidos. Duas de cada três pessoas continuam lendo seus livros principalmente em papel.
O deslumbramento que os novos aparelhos eletrônicos de leitura produziram se estabilizou. Deixaram de ser moda e se tornaram, é verdade, um fato, um fenômeno que veio para ficar. A ameaça que muitos editores viam no e-book no começo deste século mudou de aspecto. Esconde-se dentro do celular. É a mudança de hábitos. Mas recordemos, antes de mais nada, como tudo começou O enterro antecipado do livro impresso ganhou forma na virada do século. “O livro está morto, longa vida ao livro”, proclamava em maio de 2006, ufanista, o guru Jeff Jarvis, apóstolo da revolução digital que atacava os livros por serem unidirecionais, por não abrirem portas, por não incluírem links, por serem longos demais. Palavras idênticas utilizava Jeff Gómez, divulgador da revolução do e-book, na capa de um livro que publicou em 2007: Print Is Dead: Books in Our Digital Age (“o impresso morreu: livros na nossa era digital”).
O entusiasmo digital já dominava àquela altura os altos executivos do setor, como Alberto Vitale, à frente da Random House no começo do século. No ano 2000, Vitale apregoava o fim do papel no 26º Congresso da União Internacional de Editores, conforme recorda um ilustre editor espanhol. O fantasma do livro eletrônico já pairava sobre aquele evento. A inquietação na entidade setorial era palpável.
 
O biênio 2007-2008 foi do Kindle e do Lehman Brothers, uma dobradinha letal para o setor editorial tradicional, que precipitou as visões apocalípticas, o clima de velório. As vendas começaram a cair sucessivamente, a ponto de reduzirem os lucros do produto em papel em 30% com relação a antes da crise. O livro eletrônico adquiria ares de verdugo.
Mas a narrativa do alardeado e supostamente inapelável desaparecimento do livro impresso apresenta fissuras. E, embora não se possa falar de uma grande mudança de tendência, é hora de arquear as sobrancelhas. Por mais ultrapassado, old school e voluntarista que esta colocação pareça.
As cifras da Nielsen BookScan sobre os Estados Unidos antecipam possíveis cenários futuros no resto do mundo. Em 2015 foram vendidos 571 milhões de livros impressos, 17 milhões a mais do que no ano anterior. E, segundo a consultoria Forrester Research, no ano passado foram vendidos nos EUA 12 milhões de e-books, contra 20 milhões em 2011.
O prognóstico de que o livro digital engoliria metade do mercado não se cumpriu. Domina 25% das vendas – isso nos Estados Unidos. Na Espanha, o livro digital, segundo os dados da Federação de Grêmios de Editores, representa apenas 5,1% do faturamento total do setor.
A cifra de negócio das editorias espanholas cresceu 2,8% em 2015, chegando a 2,26 bilhões de euros (8,15 bilhões de reais) e confirmando o tímido crescimento apontado em 2014. A venda de volumes em livrarias tradicionais cresceu 5,6%.

Ler é sexy, proclama uma revista na
independentes, muitas delas do tipo boutique, e bares abrem suas portas. Editam-se livros que são um canto ao papel, como Paper. Paging Through History (“papel – folheando a história”, Norton, 2016), onde Mark Kurlansky afirma que o papel nos guiará no decorrer de todo o século XXI (e recorda que ele chegou à Europa cristã em meados do século XII, pela Espanha). Ou um canto ao próprio papel, como Paper. Paging Through History (“papel – folheando a história”, Norton, 2016), onde Mark Kurlansky afirma que o papel nos guiará no decorrer de todo o século XXI (e recorda que ele chegou à Europa cristã em meados do século XII, pela Espanha). Ou um canto ao próprio livro, como The Book: A Cover-to-Cover Exploration of the Most Powerful Object of Our Time (“o livro: uma exploração capa a capa do objeto mais poderoso do nosso tempo”), lançado em agosto deste ano, no qual Keith Houston homenageia este totem estrutural da cultura.
Deixando de lado todo o hype e o impulso (ou o respiro na queda), parece que o papel resiste ao vendaval digital. Como isso é possível em meio a tudo o que está acontecendo?
Os editores de livros, que neste mês têm dois grandes eventos (a feira Liber, de 12 a 14 de outubro em Barcelona, e a Feira de Frankfurt, a mais importante do mundo, de 19 a 23), afirmam que a recuperação das cifras se deve ao fato de a crise econômica ser menos aguda agora do eu que 2008. E, claro, há a questão do papel.
A retenção do conteúdo é muito melhor quando se lê um livro impresso, apontam alguns cientistas (outros não são tão taxativos). O artigo Why the Brain Prefers Paper (“por que o cérebro prefere o papel”), publicado pela Scientific American em outubro de 2013, relata que as telas (tablets, computadores, celulares) podem inibir a total compreensão do texto, pois distraem o leitor. A pesquisadora Maryanne Wolf, da Universidade Tufts, em Massachusetts, sustenta que o papel apresenta grandes vantagens e propicia uma maior memória visual.
 
 
Entre estudantes universitários, 92% se concentram melhor lendo em papel. É o que concluiu, depois de entrevistar 300 alunos de universidades dos Estados Unidos, Japão, Alemanha e Eslováquia, Naomi S. Baron, professora de linguagem da Universidade Americana, que apresentou seu trabalho no livro Words on Screen: The Fate of Reading in a Digital World (“palavras na tela: o destino da leitura no mundo digital”), publicado pela Oxford University Press em 2015. Álvaro Bilbao, neuropsicólogo, autor de Cuidar el Cerebro (“cuidar do cérebro”), argumenta que a possibilidade de tocar, cheirar e sentir o peso do livro e a sensação de avançar à medida que se viram as páginas podem ser mais prazerosas. “Essas coisas que despertam nossos sentidos ativam o hemisfério direito do cérebro, que está mais relacionado com o mundo das emoções”.
O fetichismo, a beleza do objeto, esse prazer tão datado de percorrer a livraria, as livrarias. A lista de motivos que levam o papel a continuar vigente cresce à medida que se conversa mais com leitores, editores, escritores. O prazer de colecionar, as notas à margem, as flores secas ou os cartões de embarque servindo como marcadores de páginas, sua utilidade estética na sala de casa, a dedicatória
que trazem quando são um presente...
A resistência do papel também se explica, talvez, por estarmos apenas no começo da revolução digital. “O ritmo das mudanças tecnológicas sempre é mais lento do que as pessoas tendem a acreditar”, afirma Michael Bashkar, editor da área digital da Profile Books e autor de The Content Machine (“a máquina do conteúdo”), livro no qual descreve um futuro em que os intermediários desaparecem e as tecnologias conectam os autores diretamente aos leitores. “Não acredito que vejamos o fim dos livros impressos”, acrescenta. “São objetos materiais, desejáveis, estarão sempre aí. Sou viciado em livros, tanto impressos como eletrônicos.”
 
A televisão não matou o rádio. O papiro e o pergaminho coexistiram durante séculos no antigo mundo mediterrâneo. Ao final, tudo aponta para uma coexistência de formatos, para um ecossistema no qual o audiolivro agora irrompe com força. O papel aloja melhor o universo fechado prometido por um grande romance; o tablet (que pouco a pouco vai acuando o livro de bolso) é porta de entrada cada vez mais habitual para a literatura de gênero, romântica, erótica, para os autoeditados.
A ameaça para o livro impresso não é, portanto, como se pensava há dez anos, o livro eletrônico. Os concorrentes viajam no celular, e o problema é a mudança na nossa forma de vida.
Nos ônibus e no metrô, vemos pouca gente lendo um livro. O humano viaja com a cabeça baixa, olhando sua tela, visualizando as fotos pela enésima vez, compartilhando-as, comentando-as, trocando mensagens, interagindo. Assim se sente acompanhado, acolhido a cada instante, assim se vacina a golpes de teclado contra a (cedo ou tarde inescapável?) solidão.
Instagram, Twitter, Facebook. Essas plataformas é que vieram a ocupar o tempo livre (e o de trabalho). Uma das vítimas colaterais é o livro, o velho amigo. “As redes sociais são, de fato, um inimigo claro da leitura”, diz sem rodeios o editor Luis Solano, da Libros del Asteroide.
Vamos a toda pressa, de um lado para o outro. A leitura repousada e atenta casa cada vez menos com os novos ritmos. A complexidade de certo tipo de vida contemporânea, a do urbanita hiperconectado, a velocidade a que vivemos como consequência da agilização das comunicações, que multiplicam a vida social, a troca de ideias (e de bobagens?), entre muitas outras coisas, deixaram um espaço menor para o recolhimento que um livro exige. Mas esse velho objeto, coisas da vida, continua vivo.
Afinal de contas, como dizem que dizia Groucho Marx (e embora haja sérias dúvidas sobre a autoria da frase, ela sem dúvida exala o odor do seu charuto): “Fora o cachorro, o livro é o melhor amigo do homem. E dentro do cachorro é escuro demais para ler”.
El País.com

China importa milhões de burros para usar na medicina tradicional

 
Bom para a circulação sanguínea, para a menstruação irregular, para a anemia, insônia ou vertigens. Para muitas doenças, a medicina tradicional chinesa recomenda o ejiao, um alimento considerado tão virtuoso quanto o ginseng. Mas há um problema: o apreciado ejiao é feito com gelatina da pele do burro, e a demanda chinesa por esses animais está se tornando insustentável. Vários países africanos proibiram a exportação de seus asnos, por causa do aumento das vendas para a Ásia que ameaçava dizimar seus rebanhos.
No mês passado foi o Níger, depois que suas exportações de burros se multiplicaram por três em um ano; Burkina Faso decidiu o mesmo em agosto. Como explicou o diretor de Saúde Pública à agência AFP, sua população de 1,4 milhão de burros estava sendo “superexplorada” pela demanda de peles na Ásia.
O apetite não está direcionado somente para a África. Os números da agência de Alfândega do porto de Qingdao, um dos maiores da China, indicam que a entrada de peles de burro cresceu quase 150% entre 2013 e 2015, de 9,32 toneladas para 22,44 toneladas. México, Peru e Egito estão entre os principais países de origem. Na Espanha, onde existem poucos exemplares de burro, “não há nenhuma evidência de que estão sendo vendidos”, de acordo com Dilfenio Romero, presidente da Associação de Amigos do Burro.
A cada ano, a China produz cerca de 5.000 toneladas de ejiao, o que exige, segundo cálculos da principal fabricante desta gelatina, Shandong Donge Ejiao, cerca de 4 milhões de peles. De cada pele é possível obter entre 1,5 e 2,5 quilos de gelatina. Mas a produção chinesa local só chega a 1,8 milhão de peles.

Déficit de burros no país

A própria população chinesa de burros caiu 3,5% ao ano desde o início dos anos 90. Hoje, a segunda maior economia do mundo, habitada por 1,37 bilhão de pessoas, só tem uma população de 4 a 5 milhões de burros, em comparação com os 11 milhões que chegou a ter a um quarto de século, de acordo com o Anuário Estatístico da Pecuária chinesa. A grande maioria deles, 97% é criada em algumas áreas do norte da China.
“É difícil criar o burro, seu período de crescimento é longo e não é fácil criá-los em larga escala”, afirmou para a mídia oficial chinesa Bu Xun, diretor do Centro de Biotecnologia da Academia de Ciências Agrícolas de Shandong, uma província no nordeste na China, onde está concentrada a maior parte destes animais no país e, não é coincidência, a maior produção de ejiao.
Sun Yujiang, professor da Universidade de Agricultura de Qingdao e secretário geral da União de Estratégia e Inovação Tecnológica da Indústria do Burro, também aponta entre as razões para o declínio a mecanização da agricultura e a falta de subsídios oficiais para a criação destes animais, que existem para outras espécies, como o porco ou a vaca.
Essa falta de incentivos pode mudar, no entanto. O desequilíbrio entre a oferta e a demanda faz com que o preço tenha disparado e crescido cerca de 23% ao ano, diz Bu. Um aumento que repercutiu no preço do “ejiao”. De acordo com a Associação de Produtores de Ejiao em Shandong, em 2010 uma pele de burro custava menos de 500 yuans (240 reais), enquanto que hoje ultrapassa os 2.600 yuans (1.250 reais).

Também um alimento habitual

“Tanto os preços do ejiao como da própria carne do burro — um alimento comum, especialmente nas regiões do norte da China, onde alguns bolinhos feitos com essa carne são considerados uma especialidade — estão subindo. A indústria está estudando novos produtos como o leite de burra ou o sangue de burro. Está se tornando um setor promissor, e por isso o Governo começou a prestar mais atenção nele, com subsídios para as grandes fazendas que criem mais de mil burros, então é possível que vejamos um aumento neste setor e na população de burros até 2020”, acredita o professor Sun.
Enquanto isso, os altos preços dispararam as falsificações. No início deste ano, a agência de notícias oficial Xinhua informou que “pessoas começaram a usar as peles de mulas, cavalos, porcos ou bois para a produção de medicamentos falsos”. Todo um anátema para os fabricantes, de acordo com Sun: “É impossível substituir a gelatina de burro pela de qualquer outro animal: alguns dos nutrientes contidos só existem na pele do burro”.
El País.com

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Bélgica estuda construir ilha artificial por aumento do nível do mar

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O governo de Flandres, na Bélgica, estuda a possibilidade de construir uma ilha artificial diante do litoral do país com o objetivo de limitar os efeitos da mudança climática, incluídos potenciais aumentos do nível do mar e fortes tempestades, confirmaram nesta terça-feira à Agência Efe fontes do Executivo regional.
A princípio, a construção da ilha começaria em 2020 e esta ficaria diante do município de Knokke-Heist para proteger a margem oriental dos 67 quilômetros de costa belga, segundo o recente anúncio do ministro de Mobilidade, Ben Weyts, e do secretário de Estado para o Mar do Norte do governo federal, Philippe De Backer.
Antes de iniciar as obras, o governo investiu 8 milhões de euros em estudos sobre a ilha, que poderia cobrir uma superfície de 40 hectares e se situaria a 1,2 quilômetros do litoral .
Uma das pesquisas se centrará em analisar se a ilha poderia proteger os Flandres a longo prazo diante do aumento dos níveis do mar e das tempestades excepcionalmente fortes, precisou a publicação digital "Flanders News".
Em uma segunda fase, é esperada a ampliação da área do terreno até 450 hectare, além da criação de um porto entre as localidades de Zeebrugge e Knokke-Heist e ajudar as embarcações de pequenas dimensões a alcançar o rio Scheldt desde o porto de Zeebrugge.
Até o momento, as autoridades pensavam em fortalecer o litoral, mas dita solução só seria útil até 2050, segundo estimativas recolhidas pelo "Flanders News".
"Com este projeto, olhamos além de 2.100 e nos preparamos para aumentos do nível do mar de 80 centímetros ou mais", precisaram ao mesmo meio os membros do projeto privado conhecido como "Vlaamse Baaien" (Baías Flamengas).
Tanto de Backer como Weyts sublinharam a importância de conseguir para o projeto o apoio dos prefeitos dos municípios litorâneos, dos próprios residentes, assim como do setor hoteleiro e industrial.
No entanto, de acordo com a emissora "Focus TV", o conselho municipal de Knokke-Heist já manifestou oposição à iniciativa e lamentou não ter sido consultado.

Estação espacial mostra do alto furacão que deve atingir Haiti

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A Estação Espacial Internacional mostrou do alto a impressionante força do furacão Matthew.
A tempestade, uma das mais fortes a atingir o Atlântico nos últimos anos, deverá chegar ao Haiti nas próximas horas - os meteorologistas preveem ventos que podem chegar a 220 km/h.
A chegada do furacão preocupa as autoridades do país, onde milhares de pessoas ainda vivem em tendas por causa do terremoto que devastou a ilha em 2010.
Segundo o governo haitiano, 1,3 mil abrigos de emergência foram construídos, com capacidade total para 340 mil pessoas.
O prefeito de Porto Príncipe, Frederic Hislain, pediu a evacuação de 150 mil pessoas consideradas em situação de risco na capital haitiana.
Matthew passará também por Cuba e até o final da semana poderá chegar aos EUA.
Para se preparar, os Estados americanos da Flórida e da Carolina do Norte declararam situação de emergência.
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BBC Brasil

Como a lâmpada elétrica provocou uma revolução científica e se tornou um pesadelo para Albert Einstein

Apesar das complexidades da vida diária, as regras do nosso universo parecem reconfortantemente simples: a água de um rio sempre flui montanha abaixo, a pedra que você joga das margens sempre cai seguindo a mesma curva previsível.
 
Mas quando os cientistas se debruçaram para pesquisar sobre os minúsculos blocos elementares da matéria, toda a certeza se dissipou: eles encontraram o estranho mundo da mecânica quântica.
Se olharmos profundamente tudo que nos cerca, encontramos um universo completamente diferente do nosso.
Parafraseando um dos fundadores da mecânica quântica, "o que chamamos de real é formado por coisas que não podemos considerar reais".
Há cerca de cem anos, vários dos maiores cientistas da história entraram nesse mundo estranho e descobriram que nesse reino diminuto os objetos podem estar em dois lugares ao mesmo tempo e que o destino é ditado pelo acaso - trata-se de uma dimensão na qual a realidade desafia o senso comum.
E eles então se depararam com uma possibilidade aterrorizante: a de que tudo que pensávamos e sabíamos sobre o mundo poderia estar completamente errado.
E a história de nossa caminhada ao delírio científico começou com um objeto muito improvável.
 
Berlim, 1890
 
Berlim, 1890
 
A Alemanha era um novo país, recentemente unificado e ansioso pela industrialização.
Várias empresas de engenharia foram fundadas e foram gastos milhões na compra da patente europeia da nova invenção de Thomas Edison: a lâmpada elétrica, a epítome da tecnologia moderna e um grande símbolo otimista de progresso.
As companhias de engenharia sabiam que poderiam ganhar fortunas se encarregando de iluminar as ruas do novo império alemão.
O que não se conseguiu prever então foi que isso iniciaria uma revolução científica. Ainda que pareça estranho, esse simples objeto foi responsável pelo nascimento de uma das teorias mais importantes de toda a ciência: a mecânica quântica.

Como?

O foco de luz apresentava um problema estranho. Os engenheiros sabiam que se os filamentos esquentavam com a eletricidade, eles brilhavam. Mas não sabiam por quê.
Algo tão básico como a relação entre a temperatura do filamento e a cor da luz que produzia era um mistério total, que eles obviamente desejavam resolver.
Com a ajuda do Estado alemão, os pesquisadores teriam como viabilizar isso. Em 1887, o governo investiu milhões em um novo instituto de pesquisa técnica em Berlim, o Physikalisch-Technische Reichsanstalt, ou PTR.
Em 1900, contrataram um cientista brilhante, ainda que um pouco purista, para desenvolver pesquisas no local: Max Planck.
 
Busto de Max Planck
 
Ele se propôs a resolver o problema aparentemente simples da mudança de cor do filamento com a temperatura.
Para fazer isso, Planck e sua equipe fizeram um tubo especial que podiam esquentar a temperaturas muito precisas junto com um dispositivo que media a cor ou a frequência da luz que produzia.
Na medida em que a temperatura aumentava, as cores mudavam: a 841°C, a luz era vermelha alaranjada. A 2000°C, mais brilhante e branca.
Foi então que comprovaram que, para chegar a essa tonalidade, precisavam de 40 quilowatts.
Mas algo chamou a atenção: aquela luz era mais que branca, era branca avermelhada, quase não tinha azul.

Luzes

Por que era tão difícil chegar ao azul? E mais adiante do azul no espectro, a chamada luz ultravioleta quase não se produz.
Nem sequer uma estrela como o Sol, que arde a 5000°C, produz tanta luz ultravioleta como se pode imaginar diante de sua temperatura.

A catástrofe e o efeito

Essa extraordinária falta de sentido deixou os cientistas do final do século 19 tão perplexos que eles a batizaram com um nome um tanto dramático: a catástrofe ultravioleta.
Planck então deu o primeiro passo para resolvê-la: encontrou um vínculo matemático preciso entre a cor e a luz, sua frequência e sua energia, ainda que não tenha compreendido a relação entre elas. Mas foi outra estranha anomalia que se tornou o pulo do gato para a descoberta.
No final do século 19, os cientistas estavam estudando as então recém-descobertas ondas de rádio e a maneira como faziam as transmissões.
Para tanto, construíram aparelhos com discos giratórios que podiam gerar alta voltagem, o que produzia faíscas entre as duas esferas de metal.
 
Esferas de metal
 
Ao fazer isso, eles descobriram algo inesperado relacionado à luz.
Se dirigiam uma luz poderosa para iluminar as esferas, as faíscas saíam com mais facilidade. Isso indicava que havia uma conexão misteriosa e inexplicável entre a luz e a eletricidade.
Mais que isso, a conexão era com a luz azul e ultravioleta, não com a vermelha.
Esse novo quebra-cabeça foi batizado de efeito fotoelétrico, que, com a catástrofe ultravioleta, se converteu em um sério problema para os físicos, pois ninguém podia resolver as questões mesmo com as técnicas mais avançadas da ciência da época.

Quantum

Por que a luz vermelha intensa não conseguia produzir o que a frágil ultravioleta alcançava em segundos?
Para resolver o problema, alguém teria que pensar o impensável - e em 1905, alguém fez exatamente isso.
E esse alguém foi Albert Einstein. O que ele sugeriu foi revolucionário.
 
Caricatura de Einstein
 
Ele argumentou que era preciso esquecer que a luz era uma onda e pensá-la como um fluxo de partículas. O termo que usou para denominar essas partículas de luz foi "quanto" - do latim quantum, que significa quantidade.
Apesar de a palavra ser nova, a ideia de que a luz poderia ser um quantum era mais que excêntrica. E foi justamente seguindo essa linha de raciocínio que Einstein chegou à sua conclusão lógica que acabou solucionando todos os problemas com a luz.

Grandes traços

De acordo com a proposta de Einstein, cada partícula de luz vermelha tem pouca energia porque sua frequência é baixa - o contrário do que ocorre com a luz ultravioleta.
Era por isso que, no efeito fotoelétrico, a ultravioleta era a que tinha forças para mudar o que ocorria com a eletricidade.
E era por isso que na catástrofe ultravioleta a lâmpada não brilhava com luz azul nem ultravioleta, pois isso requeria muito mais energia.
 
Foco de luz ultravioleta
 
"Esse momento, no começo do século 20, marcou uma revolução genuína, pois demonstrou que a Física tinha que ser abordada de maneira completamente nova", diz o historiador da ciência e físico Graham Farmelo.
"Foi aí que a Física moderna realmente começou."

Um legado difícil de resolver

Foi assim que uma simples pergunta - "como funcionam as lâmpadas de luz?" - levou cientistas até as profundidades do funcionamento escondido da matéria, a explorar os componentes subatômicos do nosso mundo e a descobrir fenômenos até então inéditos.
Foi assim que se abriram as portas da física quântica.
Cientistas chegaram a propor teorias tão estranhas que um deles, o brilhante Neils Bohr, chegou a dizer que se alguém não se sentia confuso com a mecânica quântica era porque não a havia entendido.
E foi assim que ele e seus colegas que criaram a mecânica quântica - uma teoria maluca da luz que acolhe a contradição, não importando se é quase impossível de entender.
Uma ciência que argumentava coisas tão inusitadas como que não é possível saber onde está um elétron até que se consiga tirar suas medidas - e não apenas que não se sabe onde o elétron está, mas que ele está em todas as partes ao mesmo tempo.
 
Niels Bohr e Albert Einstein
 
Mas Albert Einstein, que abriu as portas deste mundo, pouco depois se sentiu incomodado com o caminho que ele havia tomado.
Einstein odiava a ideia de que a natureza, no seu nível mais fundamental, estava governada pelo acaso. Tampouco gostava da ideia de que o saber tinha um limite.
Estava convencido de que tinha que haver uma teoria subjacente menor e até chegou a propô-la.
Durante anos Einstein e Bohr discutiram apaixonadamente sobre a mecânica quântica implicar na renúncia da realidade ou não. E morreram deixando essa interrogação.
 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Essa máquina pode salvar nossas vidas no futuro

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Quando as crianças aprendem sobre o ciclo da água do planeta, a elas são ensinadas um conceito simples: nossa atmosfera está cheia de vapor de água que evapora dos corpos de água em estado líquido que vemos ao nosso redor. E quando a temperatura do vapor abaixa, ele é transformado novamente em água.
Uma empresa israelense chamada Water-Gen, usou um sistema que utiliza um conjunto de “folhas” de plástico para canalizar o ar em várias direções, e a partir disso a equipe desenvolveu uma máquina que parece “criar” água potável praticamente do nada.

Uma empresa israelense chamada Water-Gen, usou um sistema que utiliza um conjunto de “folhas” de plástico para canalizar o ar em várias direções, e a partir disso a equipe desenvolveu uma máquina que parece “criar” água potável praticamente do nada.
“A meta é extrair a água do ar com o mínimo de energia”, disse Arye Kohavi, fundador da Water-Gen. “Nós pensamos que a nossa solução pode resolver o problema de escassez de água em diversos países. E ainda por cima, é uma solução imediata, que os governos não precisam gastar décadas para fazer um grande projeto”, concluiu ele.
Atualmente, a empresa faz três tamanhos de máquinas geradoras de água, cada uma dos quais deve ser conectadas a uma fonte de energia. Estando a 80 graus e com 60% de umidade, a maior pode render cerca de 825 galões (3.122 litros) de água por dia. Já a de médio porte produz 446 litros por dia, nas mesmas condições, e a menor produz pouco menos de 15 litros por dia.
Water-Gen estima que a preços atuais de energia, a água gerada vai custar menos de 10 centavos por galão (3,7 litros). A equipe Water-Gen está olhando para trazer a tecnologia para dois tipos de locais: áreas que não têm água da torneira potável e locais que são quentes e úmidos.
Water-Gen estima que a preços atuais de energia, a água gerada vai custar menos de 10 centavos por galão (3,7 litros). A equipe Water-Gen está olhando para trazer a tecnologia para dois tipos de locais: áreas que não têm água da torneira potável e locais que são quentes e úmidos.
“Se é mais quente ou mais úmido, o sistema produz mais do que a média, e se é mais fria e seca ela produz menos”, explica Kohavi. E quem sabe, se em algum dia no futuro, não precisemos dela para gerar água potável, não é?!

 
 
 

Populações menos desnvolvidas são as mais afetadas pela mudança climática

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Um relatório divulgado nesta segunda-feira pela ONU indica que os efeitos da mudança climática impactam de forma mais profunda nas populações vulneráveis e de poucos recursos econômicos.
O documento, "Estudo Socioeconômico Mundial 2016 - Resistência à Mudança Climática: uma oportunidade para reduzir as inequidades", procura evidenciar o estreito vínculo que existe entre o processo de desenvolvimento mundial e os impactos da mudança climática.
Uma das grandes descobertas aponta que os países menos desenvolvidos são com frequência aqueles que sofrem os embates da natureza com maior força.
Os efeitos derivam de uma falta de políticas de desenvolvimento por parte de seus governantes e que, portanto, põem em risco um maior número de habitantes.
"Infelizmente, as pessoas que correm maior risco perante os perigos climáticos são os pobres, os vulneráveis e os marginalizados, que na maioria de casos foram excluídos do progresso socioeconômico", afirma no documento o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.
Por este motivo, Ban fez um apelo para que se busque um processo de desenvolvimento equitativo em nível mundial que evite pôr em maior risco os moradores e nações com menos recursos econômicos.
De acordo com os dados compilados pelo relatório, as famílias vivendo em situação de pobreza têm maior probabilidade de serem afetadas pelos efeitos da mudança climática.
Os dados colhidos confirmaram que cerca de 29% da população mundial vive em zonas de alto risco, como áreas de desníveis, terrenos instáveis e perto de vertentes de água contaminada.
Algumas recomendações do relatório incluem um melhor acesso a projeções climáticas, modernos sistemas de comunicação e informação geográfica que permitam prever os impactos da natureza.
 
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sábado, 1 de outubro de 2016

Como briga de casal quase impediu o sucesso do Dia D na Segunda Guerra

Documentos recém-liberados dos arquivos do serviço secreto britânico MI5 indicaram que uma das mais importantes operações militares da Segunda Guerra Mundial quase fracassou devido a uma tensão conjugal.
 
O desentendimento entre o espião Juan Pujol García, codinome agente Garbo, e sua esposa pôs em risco o desembarque das tropas Aliadas na Normandia francesa, na data conhecida como Dia D (6 de junho de 1944), indicam os arquivos.
Pujol era o agente duplo no centro da estratégia dos Aliados para enganar os inimigos nazistas e convencê-los de que o desembarque ocorreria não na Normandia, mas em Pas-de-Calais.
Só que a esposa, inconformada com as ausências do marido e a vida confinada em Londres imposta por razões de segurança, ameaçou ir à Embaixada espanhola e expor os segredos da operação em junho de 1943.
Como condição para manter o segredo, a esposa, Araceli, disse que queria visitar sua mãe.

Saudades de casa

A família vivia em Harrow, no noroeste de Londres, onde o agente Garbo comandava uma rede de 27 subagentes enviando relatórios falsos de inteligência para seus chefes na Alemanha.
Garbo passou aos nazistas informações falsas sobre uma operação chamada Fortitude, que previa o desembarque das tropas aliadas na França em junho de 1944, e foi ela que confundiu os nazistas em relação à geografia da ofensiva, garantindo a surpresa da estratégia.
Mas toda a operação, que historiadores consideram o início da expulsão do nazismo da Europa ocidental, esteve sob risco porque Araceli tinha dificuldades de lidar com as pressões da dupla vida do casal.
Por temores de que a família fosse reconhecida nas ruas de Londres, o serviço secreto havia imposto restrições à movimentação dela e de suas duas crianças.
Isolada, ela tinha saudades de casa e da comida espanhola, detestava o clima britânico e a dieta racionada dos tempos da guerra, e ficava aborrecida com os períodos longos e frequentes de ausência do marido.
Os arquivos secretos, agora liberados pelo Arquivo Nacional britânico, narram o momento em que Araceli confronta o chefe do marido no serviço secreto.

Operação abafa

"Não quero viver nem cinco minutos mais com meu marido", disse ela, exasperada, segundo narrou o oficial do MI5 Tomás Harris. "Mesmo que me matem, vou para a Embaixada espanhola."
A solução do serviço secreto foi bolar um plano para convencer a esposa a ficar quieta. Foi o próprio Garbo quem sugeriu que os seus chefes contassem a Araceli a versão de que o escândalo levara à prisão dele.
Araceli chegou a ser levada, vendada, para visitá-lo em um campo de detenção.
Foi então que o conselheiro jurídico do MI5, Edward Cussen, disse a Araceli que tinha decidido que seu marido poderia ser solto se continuasse a missão.
Depois do encontro, a esposa saiu convencida da necessidade de apoiar o trabalho secreto do marido.
"Ele (Cussen) recordou-lhe que não tinha tempo para pessoas que lhe criassem problemas", contou Harris, "e disse que, se ouvisse o nome dela novamente, simplesmente ordenaria a sua prisão."