quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Como o código de barras, nascido na praia, mudou a economia global

Há duas maneiras contar a história do surgimento do código de barras.
 
Código de barras
A primeira delas descreve um momentos clássico de brilho criativo.
Em 1948, Joseph Woodland, um estudante de pós-graduação do Instituto Drexal, nos Estados Unidos, estava às voltas com uma questão apresentada por um comerciante local.
Havia alguma maneira de agilizar o pagamento em lojas ao automatizar o tedioso processo de registro manual de cada produto vendido?
Woodland era um jovem inteligente. Durante a 2ª Guerra, havia trabalhado no Projeto Manhattan, que criou a bomba atômica. Também tinha desenvolvido um sistema melhor de tocar música no elevador.
Mas o novo enigma o deixara perplexo. Em sua visita ao pais em Miami Beach, ele sentou na praia para pensar, enquanto mexia na areia deixando os grãos caírem por entre os dedos.
Quando ele percebeu os sulcos e cristas na areia criados por ele, algo lhe ocorreu: assim como o código Morse usa pontos e linhas para transmitir uma mensagem, seria possível usar linhas grossas e finas para codificar uma informação.
Uma série de círculos concêntricos pretos e brancos, como um alvo, poderia descrever um produto e seu preço em um código capaz de ser lido por máquinas.
A tecnologia da época permitia concretizar a ideia, mas era algo caro. No entanto, com o avanço dos computadores e a invenção das máquinas de raios laser, ela se tornou mais factível.
O sistema de círculos foi redesenvolvido e refinado diversas vezes ao longo dos anos. Na década de 1950, o engenheiro David Collins estampou linhas grossas e finas nos vagões de um trem para que pudessem ser identificados automaticamente por meio de um escâner.

Alvo em preto e branco

No início dos anos 1970, o engenheiro da IBM George Laurer pensou que um retângulo seria mais compacto do que o círculo de Woodland e desenvolveu um sistema tão rápido com base em laser e computadores que bastava passar os produtos no leitor para processá-los.
Os rabiscos de Woodland finalmente haviam se tornado realidade.

A outra narrativa

Mas há uma outra forma de contar essa história, tão importante quanto a primeira - mas muito menos elaborada ou charmosa.
Em setembro de 1969, técnicos de sistemas administrativos da Associação de Fabricantes de Produtos Alimentícios (GMA, na sigla em inglês) se reuniram com seus equivalentes da Associação Nacional de Cadeias de Alimentação dos Estados Unidos (NAFC, na sigla em inglês).
 
O objetivo era chegar a um acordo sobre um código único para os produtos. A GMA queria um de 11 dígitos que englobasse vários tipos de etiquetas já em uso. Já a NAFC queria um de 7 dígitos, que pudesse ser lido pelos sistemas mais simples e baratos utilizados no caixa.
A reunião terminou em frustração. Foram necessários anos de uma delicada diplomacia - e incontáveis comitês e subcomitês - até que finalmente a indústria americana chegasse ao Código Universal de Produto.
Ambas as versões da história viraram realidade em julho de 1974 em uma loja da rede de supermercados Marsh em Troy, no Estado de Ohio, quando a caixa Sharon Buchan passou um pacote de chiclete da marca Wringley's pelo leitor, registrando automaticamente seu preço de US$ 0,67.
A venda apresentou do código de barras para o mundo.

Chiclete Wringley's

Tendemos a pensar nesse retângulo com linhas como uma mera ferramenta tecnológica de economizar dinheiro para supermercados, ao tornar seu negócio mais eficiente, e nós mesmos, com a subsequente redução dos preços.
Mas ele fez muito mais, e essa é a razão pela qual a segunda versão da história é tão importante quanto a primeira: o código de barras mudou o equilíbrio de poder na indústria alimentícia.
É por isso que todas aquelas reuniões de comitês foram necessárias e só se chegou a uma decisão quando os técnicos foram substituídos pelos chefes de seus chefes, os diretores-executivos. Havia muito em jogo.
À medida que passava o tempo, foi ficando evidente que o código de barras desequilibraria a balança a favor de um certo tipo de comerciante.
Para os negócios familiares pequenos, adotar o sistema era uma solução cara para um problema que não tinham. Por sua vez, os grandes supermercados podiam compensar o custo dos leitores, porque vendiam muito mais.
Havia muitas vantagens. As filas dos caixas encurtaram. Ficou mais fácil controlar o estoque. Evitou-se roubos antes facilitados pelo caixa manual (o funcionário podia não registrar um produto e embolsar parte do pagamento, mas não conseguia fazer isso se os produtos fossem escaneados).
E, em uma década de inflação alta nos Estados Unidos, o código de barras permitia mudar os preços de produtos sem ter de etiquetá-los um a um.
A marca branca e preta invadiu a indústria de varejo e, com ela, os grandes comerciantes se expandiram nos anos 1970 e 1980.

A chegada de uma gigante

Com a possibilidade de automatizar e controlar o estoque, o custo de oferecer uma ampla gama de produtos caiu. As lojas em geral e os supermercados em especial começaram a vender desde flores a aparelhos eletrônicos.
Gerenciar uma operação em larga escala tão diversificada e complexa logisticamente havia se tornado bem mais simples. Talvez o maior reflexo da mudança tenha ocorrido em 1988, quando a loja de departamentos Wal-Mart decidiu começar a vender comida.
 
Caminhão da Wal-Mart
 
Isso fez da empresa a maior rede de venda de alimentos dos Estados Unidos e a maior varejista do mundo, quase tão grande quanto seus cinco principais rivais juntos.
A Wal-Mart foi um dos primeiros negócios a adotar o código de barras - e segue investindo em logística e administração de estoque computadorizados de ponta.
Assim, tornou-se uma importante ponte entre os fabricantes chineses e consumidores americanos.
Ao adotar a tecnologia, conseguiu atingir uma escala que permitiu mandar compradores à China e encomendar produtos baratos em volumes tão grandes que os fabricantes chineses estabeleceram linhas de produção para um único cliente: a Wal-Mart.

Uma obra genial

Os fãs de tecnologia celebram com razão o momento de inspiração de Woodland enquanto mexia na areia.
Mas o código de barras não é só uma maneira de vender mais eficientemente. Também estabeleceu que tipo de comércio pode ser eficiente.
Por isso, tornou-se um símbolo de forças do capitalismo impessoal global tão forte que acabou sendo usado para protestar contra o que simboliza.
Desde os anos 1980, pessoas registram sua oposição a esse sistema tatuando um código de barras em si mesmas.
Então, sim, essas linhas pretas e brancas são uma pequena e genial obra de engenharia. No entanto, vale a pena se lembrar que essa obra mudou a forma como funciona a economia mundial.
BBC Brasil

O fim de uma era: Noruega é o primeiro país do mundo a parar com transmissões de rádio em FM

Sob os olhares de outras nações, a Noruega se tornou o primeiro país do mundo a tirar do ar o sinal FM na última quarta-feira.
 
O desligamento começou na manhã do dia 11, na cidade mais ao norte do país, Bodø, perto do Círculo Polar Ártico, e teve cobertura ao vivo da televisão norueguesa.
Segundo o governo, hoje, a Noruega tem 22 estações nacionais de rádio digital e ainda há espaço para outras 20.
O serviço público de radiodifusão norueguês, o NRK, desligará seu sinal FM (a sigla de origem inglesa vem de Frequencia Modulada) antes da concorrência.
Mas este processo não será repentino: o sinal sairá do ar região por região, a partir de janeiro deste ano.

Economia

O ministério da Cultura norueguês estima que a digitalização das emissoras nacionais de rádio gerará uma economia anual de cerca de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 80 milhões).
"O custo de transmissão de rádio nacional pela rede FM é oito vezes maior que pela rede de Retransmissão Digital de Áudio", disse o ministério em um comunicado.
Isso se deve em parte pelo menor consumo de energia da transmissão digital.
 
Microfone e fones de ouvido
 
A ministra da Cultura, Thorhild Widvey, elenca outras vantagens.
"Os ouvintes terão acesso a um conteúdo de rádio mais diverso e plural e desfrutarão de uma maior qualidade de áudio, além de novas funcionalidades", disse ela recentemente.
Segundo Widvey, a digitalização também melhorará o sistema de resposta diante de emergências, já que a rádio digital é menos vulnerável a condições de clima extremas.

Indústria

Vários outros países da Europa e do sul da Ásia também avaliam uma transição para a rádio digital.
Segundo o analista britânico James Cridland, o momento do desligamento do sinal FM na Noruega será um "momento de apreensão" para a indústria de rádio global.
"Espero que os noruegueses tenham feito o suficiente para reter a audiência e para garantir que aqueles que não tenham feito a transição para o digital o façam logo", disse.
"Quem escuta rádio pode decidir, em vez disso, passar a ouvir sua coleção de músicas ou os serviços de streaming. Se a mudança prejudicar a audiência, pode ser que outros países fiquem menos dispostos a também desligar seu sinal FM e AM."
BBC Brasil

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Os melhores motores de busca para mergulhar na "internet oculta"


 

Embora a internet já nos pareça insondável, talvez você não saiba que há uma gaveta oculta, uma área não descoberta, que alguns dizem é até 500 vezes superior à rede das redes. Estamos falando da deep web ou internet profunda, essa zona fora de controle à qual APENAS uma pequena parte dos usuários tem acesso, porque fica fora do uso habitual da rede. Trata-se de uma parte da internet cuja característica principal é que não existe um rastreamento pelos motores de busca (o Google e outras ferramentas de pesquisa mal cobrem uma mínima dela) e, claro, o anonimato é rei: o usuário é um número a mais, a não ser que queira se identificar voluntariamente.
A deep web tem sido vinculada com atividades criminosas e conteúdo proibido, embora, na verdade, não tenha de ser assim: as páginas existentes nesta web simplesmente desviam os bots rastreadores dos principais motores de busca e ficam em uma espécie de limbo que só é acessível usando outros motores de busca. Mas é verdade que este anonimato e falta de controle têm alimentado a internet profunda de todos os tipos de conteúdo ilegal e criminoso, que são os que lhe deram verdadeira fama. É um lugar oculto e imenso, mas como é possível acessá-lo?
A primeira coisa a fazer é instalar um navegador compatível: o principal conteúdo desta rede anônima está sob o domínio “.onion”, que não pode ser acessado pelos navegadores convencionais. Apesar de existirem várias maneiras de acessar a internet profunda, a mais simples é instalar o navegador TOR, sigla em inglês para The Onion Router, que se refere ao tipo de rede nas conhecidas “redes de cebola”, que protegem o anonimato do usuário. Com o TOR instalado no computador, não é preciso fazer mais nada e já se tem acesso a esse mundo paralelo.
Uma vez dentro dessa rede fora de controle, o próximo desafio é saber como encontrar o conteúdo e, por isso, a melhor solução é acessar o The Hidden Wiki, um diretório que mostra uma infinidade de links organizados por categorias. Em questão de minutos, o usuário estará mergulhando em vários sites fora de controle, uma rede paralela, sem filtros, na qual se pode encontrar absolutamente tudo.
O passeio pela deep web, além de ser obscuro em todos os sentidos do termo, é lento, lentíssimo até a exasperação, e é assim por uma razão. A conexão é anônima e, para que isso seja assim, a informação viaja de nó em nó aleatoriamente nos mencionados nós de cebola.
ElPaís.com

Cientistas britânicos criam substância que pode regenerar dentes e aposentar obturação

Uma nova droga pode tornar as obturações obsoletas, afirmam cientistas britânicos.
 
Foto de sorriso 
Uma equipe do King's College de Londres desenvolveu uma substância química que, em testes com ratos, estimulou células da polpa dental a taparem pequenos buracos nos dentes.
Para isso, uma esponja biodegradável embebida no produto foi colocada na cavidade.
Em um estudo publicado pela revista científica Scientifica Reports, a substância teve, segundo os cientistas, efeito reparativo "completo, eficaz e natural".
Dentes têm capacidade limitada de regeneração. Podem produzir uma pequena faixa de dentina - a camada abaixo do esmalte - se a polpa fica exposta, mas não podem consertar cavidades maiores. Isso é feito com obturações, em que dentistas usam um amálgama metálico ou um composto feito de vidro em pó e cerâmica.
Só que esses reparos frequentemente precisam ser substituídos ao longo da vida. Os pesquisadores, então, tentaram ampliar a capacidade regenerativa natural dos dentes - foi assim que descobriram a droga, chamada Tideglusib.
A substância aumentou a atividade de células-tronco na polpa dental dos ratos - elas conseguiram fazer reparos em buracos de 0,13mm nos dentes dos roedores.
 
Dentista atende paciente

Novo tratamento

"A esponja é biodegradável, isso é a chave", disse à BBC Paul Sharpe, um dos cientistas do King's College.
"O espaço ocupado pela esponja fica cheio de minerais enquanto a dentina regenera, então você não tem nada ali que possa falhar no futuro."
A equipe agora quer descobrir como conseguir aumentar o poder de ação da Tideglusib.
"Não acho que vamos esperar muito tempo. Tenho esperanças de que (o tratamento) estará comercialmente disponível em três a cinco anos", completou Sharp.

Mais pesquisas

O campo da medicina regenerativa, que encoraja células a se dividir rapidamente para reparar danos, volta e meia desperta temores sobre o risco de câncer.
A Tideglusib altera uma série de sinais químicos nas células, o Wnt, algo que já foi ligado à ocorrência de alguns tipos de tumor. Mas a droga já foi usada em testes com pacientes humanos em pesquisas sobre demência.
"Os testes de segurança já foram feitos - e em concentrações bem maiores (da droga)", explica Sharpe.
Essa é apenas a mais recente abordagem em termos de reparos dentais. Outro grupo de cientistas do mesmo King's College estuda, por exemplo, o uso de eletricidade para reconstituir o esmalte com minerais.
Cálcio e fosfato produzidos por bactérias na boca contribuem para a perda de minerais pelos dentes - os pesquisadores conseguiram reverter esse efeito usando um coquetel de minerais conduzido por uma corrente elétrica de baixa intensidade.
O método foi batizado de Remineralização Eletricamente Acelerada e pode fortalecer os dentes, reduzindo cáries.
BBCBrasil

Por que produzir uma simples caneta esferográfica ainda é um desafio na China

A China enviou foguetes ao espaço, produziu milhões de smartphones e fabricou trens de alta velocidade mas, até hoje, não tinha conseguido avançar em um setor: a produção de canetas esferográficas.
 
Caneta esferográfica
Há um ano, o primeiro-ministro, Li Keqiang, fez um pronunciamento em rede nacional de televisão lamentando o fracasso do país na produção de uma versão de boa qualidade de uma simples caneta.
De acordo com Li, as canetas produzidas no país eram "ásperas" quando comparadas com as fabricadas na Alemanha, Suíça e Japão.
O problema não está na tinta ou no corpo do objeto, mas na ponta, a bolinha que espalha a tinta enquanto a pessoa escreve.
Parece um dispositivo simples, mas para sua fabricação são necessárias máquinas de alta precisão e sólidas placas de aço que sejam muito finas.
Para resumir: o aço chinês não é suficientemente bom para fabricação destas placas. E é por isso que o país ainda luta para dar uma forma mais adequada às pontas das canetas esferográficas.
Com isso, os cerca de 3 mil fabricantes chineses de canetas tinham que importar esta parte crucial do objeto, algo que custa a esta indústria algo em torno de 120 milhões de yuans, ou US$ 17,3 milhões (mais de R$ 55 milhões) por ano.
O jornal local People's Daily informou que a empresa estatal de ferro e aço Taiyuan Iron and Steel Co acredita ter encontrado um jeito para dar um fim a este problema depois de cinco anos de pesquisa.
O primeiro lote de pontas de canetas esferográficas de 2,3 milímetros da Taiyuan Iron and Steel Co acabou de ser produzido, segundo o jornal.
Se os testes de desempenho do produto derem certo, espera-se que a China consiga acabar com as importações deste componente das canetas nos próximos dois anos.

Simbólico

Na verdade, a capacidade de fazer uma boa esferográfica não é tão importante assim para a China.
O governo está muito mais preocupado é com a fabricação de produtos inovadores e de alta tecnologia, um dos pontos principais do programa "Made in China 2025", criado para acelerar o crescimento interno.
E objetos de valor relativamente baixo, como as canetas esferográficas, não são prioridade.
Mas o mistério da fabricação destas canetas tinha um caráter simbólico.

Li Keqiang, primeiro-ministro da China

Apesar de produzir mais da metade do ferro-gusa e do aço do mundo, a China continuava dependendo, em grande medida, das importações de aço de alta qualidade.
O premiê Li dizia que essa falha mostrava a necessidade de o país melhorar sua capacidade de manufatura.

Engenharia de precisão

"Historicamente, a China nunca conseguiu produzir engenharia de precisão e a ponta das canetas é um exemplo disso", explicou George Huang, professor e chefe do departamento de engenharia mecânica e industrial da Universidade de Hong Kong.
"Suas partes são muito pequenas e precisas e não é simples resolver este problema."
Huang conta que a engenharia de precisão está evoluindo apenas em alguns setores da China como o aeroespacial e o de defesa, que são prioridades para o governo.

Canetas esferográficas

Até nos casos dos smartphones e computadores, os chips mais sofisticados geralmente são importados do Japão e Taiwan.
Huang disse que a China não tem uma cultura de excelência em engenharia de precisão e o professor usou até uma palavra em mandarim, fuzao, que se refere a algo que não é 100% confiável ou estável.
"A cultura é diferente da japonesa ou da alemã", acrescentou o professor sobre os países conhecidos por inovação em engenharia.
"Nós os chineses supostamente deveríamos ser os artesãos, mas de alguma forma nossa engenhosidade não é tão boa", afirmou o professor.
BBCBrasil

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Astrônomos preveem que explosão estelar poderá ser vista a olho nu em 2022

 
Não é sempre que um novo corpo aparece no céu noturno – sem contar os meteoros e ocasionais cometas, as coisas geralmente são sempre iguais. Agora, astrônomos estão prevendo que um par de estrelas muito próximas irão se tocar e criar uma chamada "nova vermelha", resultando em uma explosão brilhante visível a olho nu.
A equipe da Faculdade Calvin em Michigan, liderada pelo professor Larry Molnar, tem observado o sistema binário KIC 9832227 desde que ficaram sabendo sobre ele em uma conferência em 2013. Depois de determinar que o sistema era realmente binário, os astrônomos analisaram os dados do telescópio espacial Kepler da NASA e perceberam que o período orbital, ou a quantidade de tempo que leva para as estrelas orbitarem em torno uma da outra, diminuiu.

Observações contínuas revelaram que as estrelas estão ficando cada vez mais velozes, o que permitiu que os cientistas estimassem que elas irão colidir em 2022 (com uma margem de erro de um ano para mais ou para menos).
Se a previsão estiver correta, esse interpretar os dados", disse Konstantin Batygin, professor assistente de ciências planetárias na Caltech, ao Gizmodo por email. "Entre os momentos mais emocionantes na ciência estão aqueles que a previsão tem uma resolução clara, em um período de tempo relativamente curto".sistema binário irá aparecer na constelação Cygnus, de acordo com o comunicado para a imprensa. Mas é importante notar que essas previsões nem sempre estão corretas.

"Acho que eles fizeram o melhor trabalho de acordo com os dados que tinham em mãos e é uma situação muito plausível", disse Michael Shara, curador do Departamento de Astrofísica no Museu Americano de História Natural em Nova York, ao Gizmodo. "A natureza tem milhares de pequenos segredos na manga", continuou. "Talvez exista algo que esteja encurtando o período para que o evento aconteça, ou que pareça estar encurtando esse período e depois acabe o alongando novamente. Não acho que seja um caso totalmente resolvido".

Outros astrônomos estão mais confiantes. "Essa previsão tem uma boa chance de se tornar real. Mesmo que a previsão de tempo esteja um pouquinho errada, a fusão por contato de um binário é uma maneira muito plausível de interpretar os dados", disse Konstantin Batygin, professor assistente de ciências planetárias na Caltech, ao Gizmodo por email. "Entre os momentos mais emocionantes na ciência estão aqueles que a previsão tem uma resolução clara, em um período de tempo relativamente curto".

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Estudo contradiz principal teoria de formação da Lua

 A Lua, resultado de múltiplas colisões  - AFP
Lua, companheira do nosso planeta há cerca de 4,5 bilhões de anos, pode ter sido formada pelo impacto de uma série de pequenos corpos com uma Terra embrionária, afirmaram pesquisadores nesta segunda-feira.
Isso explicaria uma grande inconsistência na teoria dominante, segundo a qual a Lua é de uma única e gigantesca colisão entre a Terra e um corpo celeste do tamanho de Marte.
Segundo esta hipótese, cerca de um quinto do material da Lua teria vindo da Terra, e o resto do segundo corpo.
No entanto, a composição da Terra e da Lua são quase idênticas – uma improbabilidade que há muito tempo intriga os defensores da hipótese do impacto único.
“O cenário de múltiplos impactos é uma forma mais ‘natural’ de explicar e o resto do segundo corpo.
No entanto, a composição da Terra e da Lua são quase idênticas – uma improbabilidade que há muito tempo intriga os defensores da hipótese do impacto único.
“O cenário de múltiplos impactos é uma forma mais ‘natural’ de explicar a formação da Lua”, disse Raluca Rufu, do Instituto Weizmann de Ciências, em Rehovot, Israel, coautor do novo estudo, publicado na revista científica Nature Geoscience.
Tais impactos múltiplos teriam escavado mais material da Terra do que um único impacto, o que significa que os satélites resultantes se assemelhariam mais à composição do nosso planeta, disseram os autores do estudo.
Rufu e uma equipe criaram quase mil simulações de computador de colisões entre uma proto-Terra e planetas embrionários chamados planetesimais, menores do que Marte.
Teriam sido necessárias cerca de 20 dessas colisões para formar a Lua, concluíram os pesquisadores.
Cada colisão teria formado um disco de detritos ao redor da proto-Terra, que se aglomerariam para formar um pequeno satélite natural, segundo os autores.
Estes pequenos satélites eventualmente se fundiriam, formando a Lua, acrescentaram.
“Nas primeiras etapas do Sistema Solar, os impactos eram muito abundantes, por isso é mais natural que vários deles tenham formado a Lua, em vez de um em especial”, disse Rufu à AFP.
Acredita-se que nosso Sistema Solar se formou há 4,567 bilhões de anos, seguido pela Lua, cerca de 100 milhões de anos mais tarde.
A teoria principal da formação da Lua foi proposta em meados da década de 1970. Nos anos 1980, foram feitas as primeiras sugestões de que o satélite teria sido resultado de várias colisões. Lua
O novo estudo “reavivou o cenário até agora em grande parte descartado de que uma série de impactos menores e mais comuns, em vez de um único golpe gigante, formaram a Lua”, escreveu Gareth Collins, do Imperial College London, em um comentário publicado pela revista.
“Construir a Lua desta maneira leva muitos milhões de anos, o que implica que a formação da Lua se sobrepôs a uma parcela considerável do crescimento da Terra”, acrescentou.

domingo, 8 de janeiro de 2017

A vida em meio à poluição de Pequim, vivenciada por uma brasileira

Vista da janela da jornalista em um dia de céu claro e em outro com nuvem de poluição
 
A nuvem de poluição que se instalou sobre Pequim e outras cidades do norte da China desde o dia 31 de dezembro só deve se dissipar a partir deste sábado, segundo as autoridades. Até lá, estamos sob alerta máximo.
Ou seja, ainda não consegui ver o céu, ou o sol, sem esse filtro nefasto, sabidamente tóxico. Eu e os outros 22 milhões de habitantes daqui da capital e outras centenas de milhões de pessoas destas outras cidades que estão sendo afetadas.
É a minha primeira experiência com poluição desta intensidade. Muitas pessoas que já moraram, ou vivem até hoje na China, me dizem que é o que há de pior. Até dezembro, usei máscaras várias vezes – sempre ando com uma na bolsa.
Os índices estavam altos, mas nada que se compare com o que vi nos últimos dias. Depois desta onda séria, que levou o Centro Meteorológico Nacional a acionar duas vezes em menos de um mês o sinal de alerta vermelho, descobri sobre o que estavam falando.
Os índices têm estado acima de 300 AQI, quase trinta vezes o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera razoável. A nuvem vem, de repente, como uma massa compacta. Vi o céu mudar em 15 minutos no sábado passado. É muito impressionante. Chega com o vento, assim como as tempestades de areia, que vêm do deserto vez ou outra.

Efeitos no corpo

Algumas das máscaras que Vivian compra constantemente e usa para sair de casa


Anteontem, acordei no meio da noite com a boca seca. Olhei rapidamente o celular, e o indicador havia saltado para 612 AQI.
Percebi que nem mesmo os três purificadores de ar que havia posto no quarto naqueles últimos dias (tenho oito em casa) estavam dando conta do recado. Estava meio gripada na virada do ano. Mas a poluição não me deixa ficar boa: atacou a garganta e fez ensaiar uma bronquite.
Eu, e tantas outras pessoas tivemos de mudar a rotina. Comprei outra máscara. Nova no mercado. Supostamente mais incrementada. Vai saber. Tem três filtros e um dispositivo eletrônico (que eu recarrego na tomada, como outros apetrechos) que sopra um ar fresco e, tomara, limpo, enquanto você usa.
Outras máscaras podem ser desconfortáveis. Impedem a respiração e esquentam o rosto. Ontem, eu vi na rua pessoas com algumas que eu nem sabia que existiam. Uma delas tinha um tubo largo, como aqueles de aspirador de pó, ligando uma pequena caixa pendente no braço à estrutura sobre a boca e nariz.
Os jornais têm publicado muitas reportagens sobre o assunto e conselhos de como se proteger. Os chineses dizem que, nesta época do ano, é bom só tomar líquidos quentes. Eles têm o hábito de tomar água quente. Sabe que não é má ideia? Já incorporei.
O próprio governo tem falado mais no assunto e anunciado medidas. Aliás, tem tomado muitas medidas. Os indicadores das micropartículas mais danosas para o ser humano, o PM2.5, parecem que já foram mais altos há três ou quatro anos. Parece até que caíram 9,9% em relação ao ano anterior. Mas não quer dizer que tenham se tornado suportáveis.
Você sai na rua, vê aquela névoa e sente um cheiro de queimado no ar. É desagradável, arde os olhos. O curioso é que morar na China nos faz pensar em coisas sobre as quais não damos valor no dia a dia.
A gente se pega conversando sobre o ar que respira o tempo todo. Consulto três apps sobre a poluição antes de sair de casa. Muitas vezes até me esqueço de olhar a previsão do tempo, um hábito antigo. Como sair, a que horas vai melhor e como você pretende se proteger.
Troco dicas de máscaras. Olho o "ovo", um gadget que se tornou fundamental na minha vida, pois mede a poluição dentro de casa. Já levei para a academia de ginástica para ver como estava. A verdade é que só tenho saído para o essencial. Fico trancada em casa, com os filtros ligados no turbo.

Desânimo

Nuvem de poluição se instalou sobre Pequim em 31 de dezembro e só deve se dissipar a partir de sábado


A vida na cidade é confortável e extremamente interessante. Pequim tem tudo. Mas a poluição desanima. Não estou falando dos recém-chegados, como eu, que desembarquei em Pequim no final de março de 2016.
Quem vive aqui há anos, ou uma vida inteira, fala em sair. Tenho um conhecido, chinês, que se mudou para o sul. Vive mandando fotos do céu azul da sua cidade. 
A poluição virou o assunto nas redes sociais. Ontem, a gerente de um hotel que conheço, chinesa também, avisava aos amigos para se protegessem, e que usar máscara não era vergonha alguma. Aconselhou, a quem pudesse, deixar a cidade. Talvez para sempre.
É uma realidade de grande ou menor impacto em diversos países, que precisam de medidas urgentes!!!
 

sábado, 7 de janeiro de 2017

Casa Branca define estratégia contra colisão de asteroide na Terra

Imagem ilustrativa
 
A preocupação de que um asteroide caia na Terra e extermine a raça humana saiu das telas dos cinemas e virou assunto sério. A Casa Branca divulgou esta semana um documento detalhado com uma estratégia para se preparar caso um objeto esteja em rota de colisão contra nosso planeta. 
Muita gente ficou preocupada com a provável queda de um asteroide depois que uma auditoria da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) afirmou no fim do ano passado que, se um grande corpo fosse detectado em direção à Terra, não haveria nada que pudesse ser feito (só entrar em desespero).
Cientistas e políticos programaram um plano de ação, executando exercícios de preparação e lançando espaçonaves para coletar informações de asteroides e até mesmo elaborando planos de como destruir os objetos no espaço caso a situação fique crítica. Estimativas afirmam que existam cerca de 10 milhões de objetos com órbita próxima à Terra com diâmetro semelhante que não foram rastreados.
Outros gatilhos para a criação do plano foram casos como o de um asteroide que caiu na Rússia. Em 2013, o objeto de 20 metros de diâmetro caiu perto da cidade de Chelyabinsk, liberando energia de quase 500 quilotons de TNT – mais de 20 vezes que as primeiras bombas atômicas. 
O documento "National Near-Earth Object Preparedness Strategy", criado por um grupo de trabalho do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, tem sete metas:
  1. Melhorar o rastreamento de objetos próximos da Terra e classificar suas habilidades;
  2. Descobrir como mover ou explodir objetos ameaçadores;
  3. Tornar os atuais modelos e previsões melhores;
  4. Ter um plano de emergência caso o objeto não possa ser desviado;
  5. Criar um sistema de alerta e estratégias de recuperação;
  6. Incluir outros países nos planejamentos;
  7. Criar um conjunto de protocolos e limiares para definirem decisões rápidas em momentos de crise;
Ainda está indefinido quando e como os Estados Unidos vão traduzir os planos em ações e o detalhamento de cada item. As providências provavelmente dependerão do financiamento que o presidente eleito, Donald Trump, destinará ao projeto.
Atualmente, as chances de um asteroide gigante atingir a Terra e acabar com as nossas vidas não são grandes. Mas podemos começar a torcer para que o novo presidente norte-americano esteja preocupado com a nossa possível extinção.
 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Marte teve água morna, boa para abrigar vida

 
Aparentemente, Marte foi um planeta com todas as qualidades para abrigar vida, mas depois se deteriorou. O trabalho de robôs como o Curiosity, da NASA, permitiu saber que o planeta já esteve coberto por oceanos. Entretanto, aconteceu alguma coisa que eliminou a atmosfera daquele mundo vermelho, transformando-o em um deserto. Algumas das explicações mais recentes sugerem que Marte, como agora a Terra, tinha um núcleo de ferro que criava um campo magnético capaz de desviar a radiação espacial. Meio bilhão de anos depois do seu nascimento, o planeta perdeu esta magnetosfera, e sua atmosfera ficou a mercê do vento solar.
Na semana passada, a NASA publicou mais informações solicitadas pelo Curiosity. Pela primeira vez, na encosta da cratera Gale explorada pelo aparelho, foram detectados sinais de boro, um elemento que pode ser indício de que houve em Marte água com as condições necessárias para abrigar vida. Patrick Gasda, pesquisador do Laboratório Nacional de Los Álamos, no Novo México (EUA), disse em uma nota divulgada pela agência espacial norte-americana que, se o boro encontrado for similar ao da Terra, “seria sinal de que as águas subterrâneas teriam tido [uma temperatura] de 0 a 60 graus, com um Ph entre neutro e alcalino”.
A análise do terreno também mostrou um sistema dinâmico, no qual diversos elementos se misturavam graças à água. “A água influencia a química das argilas, mas a composição da água também muda. Estamos vendo a complexidade química que aponta para uma longa história interativa com a água. Quanto mais complicada for a química, melhor é para a habitabilidade. O boro, a hematita e os minerais argilosos salientam a mobilidade de elementos e elétrons, e isso é bom para a vida”, afirmou John Grotzinger, um dos chefes da missão.
Os cientistas se interessam pela cratera Gale porque nos estratos da sua encosta está escrita a história das condições ambientais de Marte e suas mudanças. O Curiosity conseguiu descobrir, durante seu primeiro ano de trabalho, que no passado marciano existiu um lago que contava com todos os ingredientes químicos necessários para a vida, além da energia necessária para sustentá-la. Agora, o robô está escalando o monte Sharp, um pico de 5.500 metros no centro da cratera Gale. Em sua encosta, buscará mais informações sobre como as condições climáticas mudaram com o passar do tempo.
BBC Brasil

Iceberg gigante ameaça se desprender da Antártida e gera preocupação

Um gigantesco iceberg - que seria um dos dez maiores do mundo - pode se desprender a qualquer momento da Antártida, dizem cientistas.
 
Uma imensa rachadura na plataforma de gelo Larsen C cresceu de tal forma em dezembro que agora apenas 20 km de gelo impedem o imenso bloco de 5 mil km² (o equivalente a 500 mil campos de futebol ou à área do Distrito Federal) de se soltar.
A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártida. As plataformas de gelo são as porções da Antártida onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.
Cientistas do País de Gales afirmam que o desprendimento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a uma ruptura futura.
A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta do oeste da Antártida, impedindo a dissipação do gelo.
Os pesquisadores vêm acompanhando a rachadura na Larsen C por muitos anos. Recentemente, porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de colapsos das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.
No ano passado, cientistas britânicos afirmaram que a rachadura na Larsen C estava aumentando rapidamente.
Mas, em dezembro, o ritmo avançou a patamares nunca antes vistos, avançando 18 km em duas semanas.
Dessa forma, segundo os pesquisadores, o que se tornará um gigantesco iceberg está por um triz de se soltar - apenas 20 km o prendem à plataforma.
"Se o iceberg não se desprender nos próximos meses, ficarei espantado", diz à BBC Adrian Luckman, da Universidade de Swansea, no País de Gales, responsável pela pesquisa.
"As imagens não são completamente visíveis, mas conseguimos usar um sistema para verificar a extensão do problema. O iceberg está a tal ponto de se soltar que considero que isso seja inevitável", acrescenta ele.
Luckman afirma que a área que deve se romper possui 5 mil km², o que resultaria num dos dez maiores icebergs já registrados no mundo.

Aquecimento global

Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por décadas, mas cresceu durante um período específico.
Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não têm evidências suficientes para embasar essa teoria.
No entanto, permanecem preocupados sobre o impacto do desprendimento desse iceberg do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B em 2002 aconteceu de forma muito semelhante.
"Estamos convencidos, ao contrário de outros, de que o restante da plataforma de gelo ficará menos estável do que a atual", diz Luckman.
"Esperamos que nos próximos meses e anos aconteçam novas rupturas, e talvez um eventual colapso, mas isso é uma coisa muito difícil de prever".
"Nossos modelos indicam que a plataforma ficará menos estável, mas não que desmoronará imediatamente ou qualquer coisa do tipo", acrescenta.
Como vai flutuar no mar, o iceberg não vai aumentar o nível dos mares.
Mas novas rupturas na plataforma podem acabar dando origem a geleiras que se desprenderiam em direção ao oceano. Uma vez que esse gelo não seria flutuante, o nível dos mares seria afetado.
Segundo estimativas, se todo o gelo da Larsen C derreter, o nível dos mares aumentaria cerca de 10 cm.
Há poucas certezas absolutas, contudo, sobre uma mudança iminente no contorno da Antártida.
"As prováveis consequências podem ser o colapso da plataforma nos próximos anos ou décadas", prevê Luckman.
"Ainda que o impacto imediato não atinja os mares, trata-se de um grande evento geográfico que mudará a paisagem do continente gelado", acrescenta.
BBC Brasil

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Paradoxos do progresso: dados para ser otimista

 
Os dados indicam que a humanidade vive o melhor momento da sua história, e, no entanto, a maioria acredita que o mundo está piorando. Os políticos populistas, para aproveitar essa percepção, fingem ignorar que estamos melhorando em todos os parâmetros. Segundo uma pesquisa, 81% dos eleitores de Donald Trump acreditam que há 50 anos vivia-se melhor, que o mundo era um lugar melhor. Uma opinião que poderia ser definida como reacionária, pois considera que as mudanças estão piorando as coisas.
Há uma ampla percepção de que o mundo retrocede, de que nos dirigimos para uma espécie de caos. Segundo um levantamento do Instituto Motivaction, 87% da população mundial acredita que nos últimos 20 anos a pobreza global permaneceu igual ou se agravou. O paradoxo é que os dados deixam claro que essa é uma ideia falsa. O mundo melhorou ao invés de piorar.
Não significa, que fique bem claro, que o mundo seja um lugar perfeito. Nem sequer um bom lugar. Padecemos de injustiças, guerras, fome e violência. Uma minoria da população detém a maior parte da riqueza, enquanto 760 milhões – os 11% mais pobres – sobrevivem com menos de dois dólares (6,50 reais) por dia. A pobreza é cotidiana. Mas, de todos os cenários globais que já conhecemos (não que imaginamos ou desejamos, mas que conhecemos), este é o melhor.
O cientista cognitivo Steven Pinker, professor da universidade de Harvard, é um dos autores que mais forneceram dados em defesa dessa tese. Seu livro Os Anjos Bons da Nossa Natureza (Companhia das Letras) busca demonstrar que vivemos na época mais pacífica e próspera da história. “As pessoas, em todos os cantos do mundo, estão mais ricas, gozam de mais saúde, são mais livres, têm mais educação, estão mais pacíficas e desfrutam de uma maior igualdade do que nunca antes”, diz Pinker ao EL PAÍS. “Todas as estatísticas indicam que melhoramos. Em geral, a humanidade se encontra melhor que nunca.”
O escritor e historiador sueco Johan Norberg é outra das vozes destacadas dessa corrente de pensamento. Defende em seu livro Progress: Ten Reasons to Look Forward to the Future (“progresso: dez motivos para olhar para frente”) que o capitalismo é o sistema que mais fez o ser humano progredir, e que vivemos no melhor momento da nossa história. “O mundo está melhorando rapidamente. Na verdade, nunca antes o mundo melhorou tão rápido. A cada minuto desta conversa, cem pessoas saem da pobreza”, argumenta.
Os dados respaldam essas afirmações.
Mostram-nos, por exemplo, que os adultos desfrutam de vidas mais longas, e que a mortalidade infantil caiu a um quarto do que era há algumas décadas. Em 1960, segundo a Organização Mundial da Saúde e o Banco Mundial, de cada cinco crianças nascidas vivas uma morria antes de completar cinco anos; agora, 19 de cada 20 sobrevivem.
A riqueza também se multiplicou. Desde 1980, o percentual de pessoas que vivem na pobreza extrema foi reduzido em 75%. No sul da Ásia, ela atingia 50% da população, e agora só castiga 15%. No leste da Ásia e no Pacífico, a incidência da pobreza extrema passou de 80% (quatro de cada cinco pessoas) para apenas 3,5%.
A alfabetização está a caminho de se universalizar: em 1980, 44% das pessoas sobre o planeta não sabiam ler nem escrever; agora, são só 15%, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da UNESCO (órgão da ONU para a educação). Além disso, está diminuindo a disparidade educacional entre homens e mulheres no mundo todo. Muitos desses dados provêm do site Our World in Data, um projeto que reúne indicadores para mostrar como estão mudando as condições de vida das pessoas do mundo todo.
Desde os anos 1980, as guerras também vêm se tornando menos frequentes e agressivas. A violência retrocede: nas sociedades agrícolas, ela causava cerca de 15% de todas as mortes, segundo o pensador israelense Yuval Harari, autor do livro Sapiens – de Animais a Deuses. Durante o século XX, ela provocou 5% das mortes, e hoje só é responsável por 1% da mortalidade global.
Por que não vemos este progresso
Se os dados mostram melhoras, por que existe a percepção de que pioramos? Há muitas respostas. Todas corretas, e nenhuma completa. A primeira é que nos tornamos mais críticos, muito menos tolerantes com os erros e injustiças do sistema. Nunca antes a humanidade havia sido tão exigente consigo mesma. Coisas que hoje nos parecem intoleráveis eram a norma: em 1980, 54% dos espanhóis consideravam que ser homossexual era injustificável (essa cifra caiu para 8%). Essa exigência nos faz sentir que não melhoramos (ou que, pelo menos, não melhoramos o suficiente).
Johan Norberg acrescenta outra resposta: “Temos melhor acesso do que nunca às notícias e à comunicação. E, na imprensa, as más notícias são as que vendem. Ficamos sabendo de alguma má notícia ou algum novo incidente a cada minuto. Os desastres e as tragédias não são algo novo, mas os celulares e as câmeras são. E isso causa a impressão de que esses horrores são mais frequentes do que eram”.
Steven Pinker concorda: “Enquanto o número de incidentes ou desastres não cair a zero, sempre haverá algum para publicar. Cada coisa que acontece é tremendamente visível hoje em dia”. Assim, as crises econômicas e de migração, assim como os horrores do Estado Islâmico e do jihadismo (Paris, Bruxelas, Istambul…), entram quase diariamente nos nossos lares através de inúmeros e diversificados canais. Atualmente, seguimos minuto a minuto um golpe de Estado na Turquia enquanto acabamos de jantar. A percepção, o retrogosto deixado por essas tragédias, é que alcançamos cotas inéditas de horror. Os dados – que dizem o contrário – ficam sepultados sob a onda de más notícias.
É bom juntar outro fator a tudo isso: a nostalgia. “Quando as pessoas pensam nos ‘bons tempos’, voltam à época em que cresceram, uma época na qual não tinham que pagar contas, não tinham filhos e responsabilidades”, explica Norberg. Talvez a saudade que sentimos não seja do mundo de nossa juventude, mas de nossa própria juventude.



Existe uma terceira teoria elaborada por alguns cientistas e que, a grosso modo, defende que não somos feitos para sermos felizes. A evolução nos dotou de uma biologia que nos impede de estarmos absolutamente satisfeitos, porque dessa forma nos mantêm ativos, curiosos, despertos e ambiciosos.
Arma para os políticos
O debate entre percepção e dados não passaria disso, de um debate, se não fosse pelo fato da crença de que o mundo piora ser usada com finalidades políticas. Se o mundo piora, melhorá-lo exige mudar o sistema (ainda que o sistema, ou partes do mesmo, sempre de acordo com os dados, nos fazem viver melhor). Quem se opuser a mudá-lo por completo será alguém que se opõe a impedir a piora do mundo. Ou seja, um egoísta, um imoral, um irresponsável. Ou tudo isso ao mesmo tempo. “Os políticos populistas nos querem assustados e divulgam mitos sobre ameaças imediatas para nossa sobrevivência e modo de vida. Porque sabem que as pessoas assustadas querem construir muros e votar em homens fortes que prometem nos manter a salvo”, diz Norberg.
O que acontece com a crise? Muitos políticos exibem a crise como evidência de que estamos pior. E, de certo modo, têm razão. Pinker explica: “Existem períodos de altos e baixos que, em geral, não chegam a alterar uma progressão continuada. Por exemplo, a taxa de crimes nos Estados Unidos cresceu um pouco no ano passado em relação ao anterior, mas em geral a tendência global é de queda. Outro exemplo: o número de mortos em guerras aumentou após 2011, por conta da guerra da Síria, mas continuou sendo muito menor do que nos anos 50, 60, 70, 80 e 90.
Ao pensar na crise, além disso, costumamos esquecer que o mundo não é só o Ocidente. Enquanto a Europa e os Estados Unidos sofriam a recessão, em outras partes o progresso não só não parou, como acelerou. Entre 2005 e 2013, no conjunto do planeta, a pobreza extrema caiu pela metade. A expectativa de vida aumentou em 3 anos e a mortalidade infantil diminuiu em todos os continentes.
O paradoxo da desigualdade
É claro que existem exceções, asteriscos a se colocar no progresso contínuo da humanidade. Um é a desigualdade. As diferenças aumentaram em muitos países ricos, como os Estados Unidos, Alemanha e Suécia. No caso da Espanha, esse aumento fez com que ele se tornasse um dos países com uma das rendas mais desiguais da União Europeia.
Mas de novo é preciso olhar para além de nossas fronteiras. Se o fizermos veremos que a desigualdade global não cresce, e sim diminui. O motivo é que milhões de pessoas na China, Índia e outros países escaparam da pobreza. “Os pobres estão enriquecendo mais rápido do que os ricos”, explica Pinker. Segundo cálculos de Tomas Hellebrandt e Paolo Mauro, em um trabalho para o Peterson Institute for International Economics, a desigualdade de renda baixou de 69 a 65 pontos entre 2003 e 2013. As diferenças entre ricos e pobres globais são muito grandes, mas estão diminuindo.
 
"Além disso a relação entre desigualdade e pobreza mudou. “A desigualdade aumenta porque os ricos têm mais sem que isso – e pela primeira vez na história da humanidade – signifique que os pobres tenham menos”, explica o economista Branko Milanovic, autor de Os que Têm e os que Não Têm e Global Inequality: A new approach for the age of globalization. “A riqueza pode crescer sem que isso afete a subsistência de grande parte da população”. Durante séculos não existiu crescimento e, portanto, a riqueza de uns era a pobreza de outros. Isso já não é mais assim.
“Existe outro ponto”, acrescenta Johan Norberg. “A desigualdade costuma ser medida somente em dinheiro, mas existem outros ângulos. Bill Gates é dez milhões de vezes mais rico do que você, mas sua vida é dez milhões de vezes melhor do que a sua? Acho que não. Sim, tem um avião particular, mas provavelmente usa o mesmo celular que você e o mesmo computador que você. E certamente não viverá 30 anos a mais do que você e não tem 99% menos de probabilidades do que você que seus filhos morram antes dos 5 anos. Em quesitos não econômicos é possível que exista mais igualdade. Por exemplo em educação e acesso à saúde”.
Pinker vai ainda mais longe: “A desigualdade econômica não é um problema fundamental; a pobreza é. Se as pessoas estão mais saudáveis, bem alimentadas, e aproveitam suas vidas, não importa o tamanho da casa de J.K. Rowling. E os números da pobreza global estão caindo”.
Mas o que é melhorar?
Vamos utilizar o exemplo de uma tribo do Amazonas que há 100 anos vivia no meio da floresta sem que ninguém perturbasse sua existência. No ano passado uma empresa madeireira acabou com seu habitat. O mundo, tal e como o conheciam, acabou de forma traumática para eles. Como afirmar que para essa tribo o mundo progrediu? Não existe uma concepção irrefutável sobre o que se considera progredir. É indubitável que vivemos mais, existe menos pobreza, mais conforto e menos violência. Mas somos mais felizes?
Alguns pensadores como Yuval Harari colocam esse debate. Um mineiro da Sibéria é mais feliz hoje do que um caçador-coletor de vinte mil anos atrás? É impossível saber. Um acordo para medir se a humanidade progrediu é saber se melhoramos nos parâmetros que exigimos para sermos felizes. Ou seja, se nossos governos nos concedem o que lhes pedimos há séculos: boa saúde, educação, conforto, tempo de lazer, liberdade. Sucessivos estudos observaram que, em geral, nos países em que essas coisas existem as pessoas se dizem mais felizes, consideram que progrediram.
Como espécie, como civilização, como mundo, avançamos em direção ao que consideramos progresso, ao que perseguimos e entendemos como um mundo melhor. Continuamos distantes de um mundo perfeito e ideal, se é que existe. Mas os dados nos dizem que, apesar de percepções – interessadas ou não –, seguimos por um bom caminho. Ainda que nos custe acreditar, ainda que falte muito a percorrer.
El País.com

Cientistas encontram fonte de misteriosas ondas de rádio no espaço

FRB 121102

Elas são um dos grandes quebra-cabeças da astronomia moderna. Mas uma descoberta recente pode ajudar a desvendar o mistério de ondas de rádio captadas no espaço.
Como o nome sugere, as Rajadas Rápidas de Rádio (ou Fast Radio Bursts - FRBs, em inglês) são um fenômeno astrofísico que consiste em pulsos de ondas de rádio de curta duração - milésimos de segundos - mas bastante potentes.
O fato de serem muito breves, combinado com a dificuldade de determinar sua localização, criaram mistério em torno da origem dessas ondas.
Mas uma equipe de astrônomos anunciou agora ter descoberto que a fonte de uma dessas rajadas seria uma outra galáxia.
A revelação é um passo importante para solucionar o mistério, que já gerou dezenas de explicações possíveis - desde buracos negros até inteligência extraterrestre.
As primeiras FRBs foram descobertas em 2007, em um arquivo de um telescópio australiano. Astrônomos realizavam outra pesquisa quando se depararam com um novo fenômeno: uma rajada de ondas de rádio, captada em 2001.
Desde então, outras 18 rajadas foram descobertas.
identificado por cientistas

Teorias diversas

  • FRB
"Não seria exagero dizer que há mais teorias sobre o que elas realmente seriam do que o número descoberto até agora de FRBs", afirmou à BBC o autor do estudo, Shami Chatterjee, da Universidade de Cornell, em Nova York (EUA).
Ele e sua equipe usaram radiotelescópios sofisticados do observatório Very Large Array (VLA), no Estado americano do Novo México.
Com a ajuda de equipamentos de alta resolução, os cientistas conseguiram determinar de maneira precisa a localização de um desses flashes de onda, conhecido como FRB 121102.
O FRB 121102 tem uma característica peculiar: já ocorreu diversas vezes.
"Quando registramos, no ano passado, que um desses flashes estava se repetindo, derrubamos muitas das hipóteses levantadas até agora. Isso porque sabíamos que ao menos essa fonte não podia ser gerada de uma explosão. Tinha de ser algo em que o mecanismo que a estava produzindo sobrevivesse até o próximo flash", explicou o cientista.

VLA

"Então, determinamos que essa rajada vinha de uma galáxia anã, mais de três bilhões de anos-luz da Terra." Tamanha distância reforça a ideia do quanto são poderosas essas ondas de rádio.
A pesquisa foi divulgada na revista científica Nature e apresentada em um congresso de astronomia no Estado americano do Texas.
NRAO VLA Observatório VLA no Estado americano do Novo México permitiu identificar as ondas de rádio em alta resolução 1 .

Magnetar


O professor Heino Falcke, que também pesquisa FRBs mas não está envolvido no estudo, destacou a importância das novas descobertas. No entanto, ressaltou que ainda há diversos fatores ligados a essa onda que seguem sendo um enigma.
  • Para ele, uma das dúvidas que ainda precisam ser mais estudadas é o motivo pelo qual esse FRB "tão espetacular" está em uma galáxia tão pequena.
O professor Chatterjee e sua equipe informaram que as pesquisas vão continuar para determinar mais detalhes sobre o fenômeno, inclusive se todos os FRBs são produzidos da mesma maneira ou possuem origens diferentes.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Nasa anuncia novas missões para visitar asteróides de jùpiter e astro metálico na próxima década

Médicos na sala de cirurgia

A primeira menção ao mesentério publicamente conhecida foi feita por Leonardo da Vinci em um de seus escritos sobre a anatomia humana no início do século 16.
Mas esta parte do corpo, que até bem pouco tempo era considerada apenas um ligamento do aparelho digestivo, acaba de ser reclassificada.
Ao fim de um estudo que durou mais de seis anos, cientistas acreditam agora que a estrutura é, na verdade, um órgão único e contínuo.
Trata-se, portanto, da mais nova descoberta no corpo humano.
"A descrição anatômica de cem anos atrás era incorreta. Este órgão está longe de ser fragmentado; é uma estrutura simples, contínua e única", assinalou J. Calvin Coffey, pesquisador do University Hospital Limerick, na Irlanda, responsável pela equipe que realizou a descoberta.
A reclassificação foi publicada em um artigo assinado por Coffey e por seu colega Peter O'Leary na prestigiada revista científica The Lancet Gastroenterology & Hepatology.
"No estudo, que foi revisado e aprovado por colegas, dizemos que agora temos um órgão no corpo que até esta data não era reconhecido como tal", assinalou Coffey.

Novo órgão, nova ciência

O mesentério é uma dobra dupla do peritônio - como se chama o revestimento da cavidade abdominal - que une o intestino com a parede do abdômen e permite que ele se mantenha no lugar.
Dessa forma, o estudo das funções deste novo órgão pode abrir caminho para novos métodos cirúrgicos do aparelho digestivo.
De acordo com o Redbook, há pelo menos um alimento que você tem de eliminar, segundo vários especialistas de nutrição da UCLA, Mount Sinai, NYU Langone e o do hospital de Massachusetts.
Você pode encontrar nesta galeria os sete principais alimentos que deve deixar de fora da sua dieta.
Com a chegada de 2017, um dos desejos e promessas mais comuns é conseguir fazer uma pequena dieta para perder peso. Mas antes de começar a cortar vários alimentos do cardápio, que tal abdicar apenas de alguns?
De acordo com o Redbook, há pelo menos um alimento que você tem de eliminar, segundo vários especialistas de nutrição da UCLA, Mount Sinai, NYU Langone e o do hospital de Massachusetts.
Você pode encontrar nesta galeria os sete principais alimentos que deve deixar de fora da sua dieta.
Em 2012, Coffey e seus colegas mostraram os resultados de sua pesquisa com microscópio nos quais sugeriam que o mesentério tinha uma estrutura contínua, característica necessária para que fosse considerado um órgão.
Desde então, os pesquisadores se dedicaram a coletar provas para embasar a reclassificação dessa parte do corpo humano, que culminaram na publicação do artigo.
E embora o funcionamento do aparelho digestivo não mude com a descoberta, a confirmação de que esta estrutura é efetivamente um órgão "novo" abre caminho para novos estudos.
"Podemos categorizar doenças digestivas relacionadas a este órgão", exemplifica Coffey.
 
Aparelho digestivo humano
 

Função

No entanto, depois de detalhar estrutura e características anatômicas, cientistas pretendem agora entender melhor a função do novo órgão, além de proporcionar sustentação e permitir a irrigação sanguínea às vísceras.
"Esse é o próximo passo. Se entendemos sua função, podemos identificar as anomalias, e estabelecer quando há uma doença, ou seja, quando o órgão passe a funcionar de modo anormal", afirma Coffey, em nota enviada à imprensa.

J. Calvin Coffey na sala de cirurgia segura modelo plástico do mesentério

O estudo, afirmam os especialistas, pode ser a chave para entender melhor algumas doenças abdominais e digestivas, bem como aprimorar os tratamentos atuais.
Ou seja, pode permitir, por exemplo, o desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas menos invasivas, com menos complicações ou com uma melhor taxa de recuperação do paciente.
Enquanto a pesquisa não é concluída, uma das mudanças mais imediatas, contudo, será no ensino da medicina, que passará a incluir o mesentério na lista dos quase 80 órgãos do corpo humano que conhecemos.

Nasa anuncia duas novas missões para pesquisar asteróides do Sistema Solar

Concepção artística da nave espacial Lucy à esquerda; Psique à direita (Foto: SwRI e SSL/Peter Rubin/Nasa)

A Nasa anunciou duas novas missões nesta quarta-feira (4). Selecionadas entre cinco finalistas, Lucy e Psique têm o objetivo de seram lançadas em 2021 e 2023, respectivamente.
De acordo com a agência espacial, as duas missões têm o potencial de trazer novas descobertas sobre uma das épocas mais antigas do Sistema Solar - um tempo de cerca de 10 milhões de anos após o nascimento do Sol, estimam.
"Lucy vai visitar um ambiente rico nos misteriosos asteroides Trojan de Júpiter, enquanto Psique estudará um asteroide único de metal que nunca foi visitado antes", disse Thomas Zurbichen, um dos administradores associados da Nasa.
Lucy vai usar da experiência de sucesso da missão que levou a sonda New Horizons até Plutão, com versões mais recentes dos instrumentos Ralph e Lorri usados durante a viagem espacial. Instrumentos da Osirix-Rex, missão que chegou até o asteroide Bennu, também serão aproveitados. Membros da missão até Plutão farão parte desse novo projeto, inclusive.
 
Técnicos instalam o instrumento Lorri para a missão New Horizons até Plutão em 2006 (Foto: Nasa)
 
Já a missão Psique irá explorar o cinturão de asteroides que está três vezes mais distante do Sol do que a Terra. Esse asteroide mede cerca de 210 quilômetros de diâmetro e, ao contrário de outros corpos que são rochosos ou de gelo, é composto principalmente de ferro e níquel, similar ao centro da Terra. Tal missão pretende entender como planetas e outros corpos se separaram em camadas no nascimento - incluindo núcleos, mantos e crostas.
"Esta é uma oportunidade de explorar um novo mundo - não de rocha ou gelo, mas de metal", disse o pesquisador Psyche Lindy Elkins-Tanton, principal da missão.
Psique deverá iniciar em 2023, chegando ao asteroide em 2030. Já Lucy será lançada em 2021 e alcançará o objetivo em 2025, explorando seis asteroides Trojan de Júpiter de 2027 até 2033.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O surpreendente material que a Nasa quer usar para fazer casas para suas missões em Marte

Uma viagem tripulada a Marte não será como aquela feita à Lua pela Apollo 11 em 1969, quando Neil Armstrong e Edwin Aldrin Jr. ficaram apenas algumas horas no satélite antes de voltar para a Terra.

Os astronautas precisarão de refúgios para se proteger das condições extremas de Marte

Ir a esse planeta pode exigir passar meses na sua superfície, em meio a temperaturas extremas e a uma atmosfera que não oferece nenhuma proteção adequada contra a radiação cósmica.
Mas o que poderia proteger os astronautas do ambiente de Marte, ser econômico e leve, além de não transformar os refúgios em cavernas escuras?
Para a Nasa, só há um material que reúne todas essas características: o gelo.
Junto com designers, arquitetos e acadêmicos, especialistas da agência especial americana se reuniram na semana passada em um centro de pesquisas em Langley, no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, para criar um projeto de casa sustentável para astronautas no "Planeta Vermelho".
"Após um dia dedicado a identificar necessidades, objetivos e dificuldades da missão, avaliamos muitas ideias até chegar à casa de gelo como a melhor solução", disse o chefe de engenharia de Langley, Kevin Vipavetz.

Translúcido

A "casa de gelo marciana" é um domo inflável coberto por uma camada desse material, o que permite que a estrutura seja leve e fácil de ser armada por robôs antes da chegada da equipe.
Pouco a pouco, os robôs preencherão câmaras com água para formar uma capa capaz de proteger os astronautas.
A água seria extraída de algumas regiões do planeta, que tem reservas hídricas abundantes sob a superfície.
Além disso, ela pode ser convertida em combustível para veículos marcianos e armazenada nesses compartimentos para ser usada pelas equipes seguintes.
Para controlar as temperaturas no interior da base, uma camada de gás de dióxido de carbono será usada para isolar os espaços de convívio da grossa capa congelada - e, assim como a água, esse gás pode ser obtido em Marte.
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  • 2016: O ano em que o calor na Terra bateu recordes

    Destruição do furacão Matthew, no Haiti. (Foto: Meridith Kohut/The New York Times)
     
    O ano de 2016 deverá ser o mais quente desde que começaram os registros de temperatura em 1850, segundo o Met Office, instituto de meteorologia do Reino Unido, e a Organização Mundial de Meteorologia. Dos 11 primeiros meses do ano, dez bateram o recorde histórico de calor. O encolhimento do gelo nos polos também bateu recordes. O aquecimento se associa a eventos extremos e destrutivos. Em outubro, o Furacão Matthew deixou devastação e 1.600 mortos no Caribe. O furacão bateu o recorde de duração na categoria 4, com 84 horas seguidas. 
    O que isso significa
    Após 2014, 2015 e 2016, o ano de 2017 baterá o quarto recorde seguido? Improvável. As temperaturas reagiram a uma junção entre o fenômeno El Niño, no Oceano Pacífico, e o aquecimento global causado pela ação humana. E o El Niño já se dissipou. Céticos das mudanças climáticas tentarão usar isso como argumento em 2017, mas a tendência gerada pelo aquecimento global continua. O calor resulta da emissão de gases derivados de atividades como desmatamento e queima de combustíveis fósseis (o gás carbônico passou em setembro definitivamente a barreira das 400 partes por milhão na atmosfera. Isso ocorreu pela última vez há 4,5 milhões de anos). O planeta entra num novo estágio climático – 2016 marca uma aceleração no aquecimento.
    O que isso significa
    Após 2014, 2015 e 2016, o ano de 2017 baterá o quarto recorde seguido? Improvável. As temperaturas reagiram a uma junção entre o fenômeno El Niño, no Oceano Pacífico, e o aquecimento global causado pela ação humana. E o El Niño já se dissipou. Céticos das mudanças climáticas tentarão usar isso como argumento em 2017, mas a tendência gerada pelo aquecimento global continua. O calor resulta da emissão de gases derivados de atividades como desmatamento e queima de combustíveis fósseis (o gás carbônico passou em setembro definitivamente a barreira das 400 partes por milhão na atmosfera. Isso ocorreu pela última vez há 4,5 milhões de anos). O planeta entra num novo estágio climático – 2016 marca uma aceleração no aquecimento.
    Época.com

    Bem-vindo 2017!!!

    2017 terá dois eclipses solares e corrida para chegar à Lua

     
     
    De acordo com o blog Mensageiro Sideral, da Folha de S. Paulo, 2017 terá dois eclipses solares visíveis do Brasil. Um deve acontecer em 26 de fevereiro e outro em 21 de agosto. O primeiro eclipse será visível somente nas regiões mais ao sul do país, e o segundo apenas aos moradores do extremo norte.
    Além disso, uma das principais protagonistas de 2017 será a Lua. A China pretende lançar a sonda robótica Chang’e 5, que viajará até a Lua para colher uma amostra de sua superfície e trazê-la de volta à Terra. Os chineses tentarão pela primeira vez trazer um pedacinho da Lua de volta para a Terra.
    A previsão é de que até o final do ano diversas equipes privadas internacionais tentarão chegar ao solo lunar para ganhar cerca de US$ 20 milhões, oferecidos pelo Prêmio X Lunar Google.
    Outro acontecimento previsto para acontecer entre abril e setembro desde ano é o fim da missão a Saturno. Após quase 20 anos, a missão da sonda Cassini a Saturno chegará ao fim. A espaçonave deve fazer voos rasantes sobre o planeta, passando mais perto dele que os anéis, e enfim mergulhará em sua atmosfera, terminando como uma estrela cadente no céu saturnino.
    No entanto, uma nova missão também ser lançada no final deste ano. O satélite Tess, um novo caçador de exoplanetas da Nasa, terá como principal objetivo descobrir uma nova baciada de mundos potencialmente similares à Terra em nossa vizinhança interestelar e identificar alvos que possam ter sua composição química estudada.