quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

CIA libera 13 milhões de documentos secretos que incluem relatos sobre óvnis e experiências científicas

A CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, liberou para o acesso público cerca de 13 milhões de documentos secretos.
 
Símbolo da CIA
 
Os documentos foram liberados na internet nesta quarta-feira depois de muita pressão de defensores das leis de liberdade de informação e de um processo contra a agência.
Entre os documentos estão comunicados internos, pesquisas, relatos de avistamentos de óvnis e até mesmo experiências psíquicas.
Trata-se de quase 800 mil arquivos, que totalizam 13 milhões de páginas - eles podem ser acessados aqui.
Entre os documentos estão registros de Henry Kissinger, secretário de Estado americano durante os mandatos dos presidentes Richard Nixon e Gerald Ford, além de centenas de milhares de páginas de análises de informações secretas e pesquisas científicas.

Stargate

Entre os registros considerados mais "exóticos" estão os documentos do chamado programa Stargate, que analisava poderes psíquicos e percepções extrassensoriais.
Nesses documentos estão incluídos os testes feitos para analisar as habilidades psíquicas de Uri Geller em 1973, quando ele já era famoso por apresentações demonstrando seus "poderes".

Os testes psíquicos de Uri Geller

Os memorandos detalham como Geller conseguiu reproduzir em parte figuras que foram desenhadas por outras pessoas em uma sala separada de onde ele estava.
Ele reproduziu os desenhos com graus variáveis de precisão - em algumas vezes, replicando o que estava sendo criado por outras pessoas.
Isso levou os pesquisadores a escrever que Geller "demonstrou sua habilidade perceptiva paranormal de uma forma convincente e sem ambiguidade".
Os documentos também incluem uma série de relatos de avistamento de discos voadores e os recibos de compra de tinta invisível.

Acesso difícil

Boa parte das informações liberadas já podia ser acessada pelo público desde o meio da década de 1990, mas de uma forma muito difícil.
Os documentos só estavam disponíveis a partir de computadores localizados nos fundos de uma biblioteca nos Arquivos Nacionais, em Maryland. E a consulta só podia entre as 9h e as 16h30.

Representação de discos voadores

O grupo sem fins lucrativos MuckRock, defensor da liberdade de informação, processou a CIA para obrigar o serviço secreto a disponibilizar a coleção de documentos online, um procedimento que demorou mais de dois anos.
Ao mesmo tempo, o jornalista Mike Best usou outra estratégia para pressionar a agência.
Por meio de crowdfunding ("vaquinha virtual"), Best conseguiu US$ 15 mil (mais de R$ 48 mil) para visitar o local, imprimir esses arquivos e então divulgá-los para o público, um por um.
Em sua página de crowdfunding, Best explica que o orçamento para o projeto foi relativamente pequeno porque a "CIA está reembolsando os Arquivos Nacionais pelo custo do papel e da tinta - a impressão dos documentos é de graça".
"Ao escanear e imprimir os arquivos às custas da CIA, consegui começar a torná-los disponíveis para o público e dar à agência um incentivo financeiro para simplesmente colocar o banco de dados online", escreveu o jornalista em um blog.
BBC Brasil

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Captura de carbono não deve ser o único critério para preservar florestas

Resultado de imagem para fotos de florestas
 
As florestas mais ricas em biodiversidade - variedade de espécies e habitats - nem sempre são as que mais retêm carbono, mas sua conservação é fundamental para o equilíbrio e para a sobrevivência do planeta foi o que revelou uma pesquisa publicada nesta terça-feira na revista "Scientific Reports".
O estudo foi dirigido pelo cientista Martin Sullivan, da Universidade de Leeds, e desenvolvido por especialistas de 22 países que estudaram a biodiversidade e a capacidade de armazenamento de carbono em 360 pontos de florestas temperadas da África, Ásia e a Amazônia, analisando um total de 200 mil árvores.
Seus resultados mostraram como as florestas tropicais africanas, que se estendem de leste a oeste pela faixa central do continente, são as que
As florestas mais ricas em biodiversidade - variedade de espécies e habitats - nem sempre são as que mais retêm carbono, mas sua conservação é fundamental para o equilíbrio e para a sobrevivência do planeta foi o que revelou uma pesquisa publicada nesta terça-feira na revista "Scientific Reports".
O estudo foi dirigido pelo cientista Martin Sullivan, da Universidade de Leeds, e desenvolvido por especialistas de 22 países que estudaram a biodiversidade e a capacidade de armazenamento de carbono em 360 pontos de florestas temperadas da África, Ásia e a Amazônia, analisando um total de 200 mil árvores.
Seus resultados mostraram como as florestas tropicais africanas, que se estendem de leste a oeste pela faixa central do continente, são as que espécies do que as de outras partes do planeta. Ao contrário, as florestas da região amazônica e da Ásia, principalmente em Bornéu, contam com mais biodiversidade, mas armazenam menos carbono por hectare.
Até agora, as políticas de luta contra a mudança climática foram centradas na conservação das florestas e na capacidade delas de reter o gás carbônico.
"Se basearmos a conservação apenas nesse tipo de política não necessariamente protegemos as florestas mais ricas em biodiversidade. É preciso preservar também outras, inclusive porque abrigam um maior número de variedade de espécies", explicou Sullivan.
O estudo lembrou, por exemplo, que as florestas tropicais mais primitivas do planeta cobrem metade do total de espécies do mundo e que conservá-los não é vital apenas para armazenar carbono e para que a temperatura do planeta não suba mais do que 2 graus com relação aos níveis pré-industriais, mas também para garantir a sobrevivência de milhões de espécies.
"Apesar de mais biodiversidade nem sempre significar mais armazenamento de  "Apesar de mais biodiversidade nem sempre significar mais armazenamento de carbono, conservar as florestas mais ricas em espécies é fundamental para o equilíbrio do planeta", destacaram os pesquisadores.
O professor Simon Lewis, também da Universidade de Leeds e outro autor do estudo, ressaltou, por sua vez, que é preciso lembrar que as florestas não são somente depósitos de carbono.
"Lá também é o lar de comunidades e de todo tipo de espécies de plantas e animais, por isso é preciso protegê-los com uma visão integral que vá além da captura de carbono", disse.
 

O que dois chineses faziam na Londres romana?


Nas cidades da Roma antiga conviviam culturas e povos. Em suas ruas, era possível escutar dezenas de idiomas que se misturavam com aromas de comidas de todo o mundo. Nos tempos do politeísmo, os diferentes deuses se confundiam e se multiplicavam. As viagens eram frequentes e, muitas vezes, longas. No entanto, uma recente descoberta pode ampliar ainda mais essas fronteiras. Uma equipe do Museu de Londres investigou as origens de 22 indivíduos que foram enterrados em um antigo cemitério situado ao sul da cidade, utilizado entre os séculos II e IV de nossa era, e tiveram uma enorme surpresa: dois deles com quase toda a certeza provinham da Ásia – provavelmente da China. O que faziam dois chineses vivendo e morrendo na Londres romana? É um mistério que, por enquanto, a arqueologia não pode responder. Apenas notar que estiveram ali.
“Estudamos a morfologia dos esqueletos”, explica, por e-mail, a arqueóloga Rebecca Redfern, conservadora do Museu de Londres e responsável pela pesquisa no cemitério de Lant Street. O estudo será publicado no Journal of Archaeological Science. “Utilizamos técnicas macromofoscópicas [uma análise forense que permite determinar os ancestrais analisando a forma do rosto e outros aspectos morfológicos] e os comparamos com populações atuais. Nossos resultados nos mostram que eles têm ancestrais asiáticos, e que essas duas pessoas não passaram sua infância na Inglaterra. Quando recebermos os resultados genéticos, saberemos com certeza se eles são asiáticos. Mas, segundo as informações que obtivemos até agora, esses indivíduos estão mais próximos de populações japonesas ou chinesas que de qualquer outro lugar”.
Esta não é a primeira vez que surgem asiáticos no antigo Império Romano. Em 2010, foi realizada uma descoberta muito semelhante em Vagnari, no sul da Itália, confirmada por testes de DNA. Mas até agora, esses indivíduos nunca tinham sido encontrados na Grã-Bretanha, que na época ficava na fronteira ocidental de Roma. Havia, sem dúvidas, relações entre a Ásia e Roma, já que as duas potências comercializavam bens e sabiam da existência uma da outra. Mas as evidências arqueológicas são mínimas e, muitas vezes, contestadas. Aliás, alguns especialistas, como a bioarqueóloga Kristina Killgrove, da Universidade de West Florida, pediram cautela até que os resultados genéticos definitivos sejam conhecidos. Apesar disso, em um artigo publicado na revista Forbes, ela afirma “não ter dúvidas de que pessoas de ascendência asiática viveram em diferentes áreas do Império”.
“Realizamos vários estudos de esqueletos da era romana encontrados em Londres para determinar sua origem, e eles revelaram que os residentes de Londinium tinham ancestrais que vinham de uma grande variedade de regiões de todo o Império, e que incluem o Mediterrâneo, o norte da África e agora a Ásia”, afirma Redfern para explicar que se trata de uma descoberta rara, mas não necessariamente extraordinária em uma civilização que era realmente global.
As evidências mais sólidas das relações entre o Império Romano e a China – à época nas mãos da dinastia Han – vêm da Ásia. A principal prova é um relato chinês do ano 166 d.C. que descreve a chegada de um embaixador de Marco Aurélio, imperador de 161 a 180 d.C.. Já a lenda da legião perdida nunca conseguiu ser corroborada com a arqueologia: essa teoria, defendida nos anos cinquenta pelo sinólogo de Oxford Homer Dubs, entre outros, e sobre a qual Santiago Posteguillo escreveu em um romance que leva exatamente esse título, é tão apaixonante como etérea. Segundo a lenda, uma das legiões comandadas por Crasso contra os partas, derrotada na batalha de Carras (53 a.C., ainda na República), acabou nas estepes asiáticas. Há dez anos foi apresentada uma pesquisa do DNA da população chinesa de Liqian, uma localidade situada à margem do deserto de Gobi, cujos habitantes possuem 56% de genes caucasianos e apresentam traços estranhamente ocidentais. Seriam os descendentes daqueles legionários? Há ainda os habitantes de um vale do Paquistão que dizem ser originários dos soldados de Alexandre, o Grande (de cuja presença realmente surgiram provas sólidas, como a cidade de Aï Khanun, no Afeganistão).
Os romanos chamavam os chineses de Seres, o povo da seda, porque o produto estava na base de seu comércio – imensamente cobiçada e valiosa no Império, o segredo de sua produção só chegou ao Ocidente no século VI, através do Império Bizantino. Talvez aqueles chineses de Londres eram comerciantes, talvez embaixadores, talvez escravos, talvez nem fossem chineses. De qualquer forma, a descoberta do cemitério de Lant Street aumenta ainda mais o mistério.
El País.com

O estranho objeto em forma de esponja dez vezes mais forte que o aço

Um estranho objeto em forma de esponja lembra um coral do fundo do mar, mas é um dos mais resistentes já construídos.
 
Ainda sem nome, o material foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores do Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT, na sigla em inglês) é dez vezes mais forte que o aço, mas tem apenas 5% de sua densidade.
Para criá-lo, os cientistas comprimiram flocos de grafeno - uma forma bidimensional de atómos de carbono - para criar uma estrutura tridimensional.
Descoberto em 2002 por Andre Geim, físico holandês nascido na Rússia e professor de física da Universidade de Manchester, na Inglaterra, o grafeno é considerado o material mais forte, fino e flexível do mundo.
O grafeno é mais duro, por exemplo, do que o diamante, supera o cobre em condutividade elétrica e possui maior flexibilidade do que a borracha.
Mas seu uso como material de construção tem se provado complicado, por causa de sua estrutura bidimensional.
"Mas conseguimos tornar realidade a vontade de transformar esses materiais de duas dimensões em estruturas tridimensionais", diz Markus Buehler, diretor do departamento de engenharia civil e ambiental do MIT e coautor do estudo, publicado na revista científica Science Advances.
 
Testes de compressão com grafeno impresso em 3D

Experimento

Para colocar as propriedades do novo material à prova, os pesquisadores usaram modelagem no computador. Eles imprimiram amostras e as submeteram a vários testes de compressão para analisar quanto tempo demorava para a estrutura se desfazer.
A forte resistência do elemento "tem muito mais a ver com sua configuração geométrica do que com o material em si", dizem seus criadores.
Segundo eles, no futuro, novos materiais mais resistentes poderiam ser desenvolvidos.
"É possível substituir esse material por qualquer coisa. A geometria é o fator dominante. Trata-se de um elemento que tem o potencial de ser modelado", disse Buehler.
 
Cientistas do MIT (EUA)

Uso em grande escala

Os pesquisadores dizem que o novo material poderia ser usado na aviação, fabricação de automóveis, construção e outras "aplicações em grande escala".
Além disso, também pode ser usado em sistemas de filtragem - de água ou de processos químicos - e armazenamento de energia.

Grafeno

"Esse é um trabalho inspirador sobre a mecânica da montagem de grafeno em três dimensões", disse Huajian Gao, professor de engenharia da Brown University, nos Estados Unidos.
Gao explicou que esses experimentos "fornecem um novo e poderoso foco de pesquisa" e indicam "uma direção promissora no uso da força de materiais bidimensionais e no poder do design de novos materiais arquitetônicos".

O pingente idêntico ao de Anne Franck descoberto em antigo campo de extermínio nazista

Pesquisadores descobriram um pingente praticamente idêntico ao usado por Anne Frank em meio a escavações no campo de extermínio nazista de Sobibor, na Polônia.
 
Anne Frank foi uma adolescente de origem judia morta pelos nazistas durante o Holocausto - como ficou conhecido o genocídio de judeus durante a 2ª Guerra Mundial. Sua figura tornou-se icônica após a publicação de seu diário, revelando os horrores pelos quais passou no período.
Especialistas da equipe do Memorial do Holocausto Yad Vashem, de Israel, acreditam que o pingente pertencia a Karoline Cohn, que pode ter conhecido Anne Frank.
Como Anne, Karoline nasceu em Frankfurt em 1929. A equipe do Yad Vashem a rastreou por meio de uma data de nascimento gravada no pingente.
Historiadores afirmam ter encontrado provas de apenas dois pingentes desse tipo O pequeno pingente triangular tem em uma das faces a expressão "Mazal Tov" (boa sorte) escrita em hebraico, junto da data de nascimento de Karoline e o nome de sua cidade natal, Frankfurt.
Na outra face, está gravada a letra hebraica "Hay", frequentemente usada para representar o nome de Deus, cercada de três estrelas de David, o símbolo associado ao judaísmo.
Pesquisadores estão agora tentando descobrir por meio de algum parente vivo se as adolescentes teriam se conhecido.
O Yad Vashem está trabalhando junto à Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA, na sigla em inglês) para escavar partes do campo nazista de Sobibor.
O pingente foi encontrado no que se acredita ser o lugar onde as vítimas se despiam e tinham as cabeças raspadas antes de serem enviadas às câmeras de gás.
O Yad Vashem disse que os itens recuperados, que também incluem um cordão da estrela de David e um relógio feminino, provavelmente caíram através das tábuas e permaneceram enterrados desde então.
Karoline nasceu em Frankfurt em 3 de julho de 1929. Ela foi deportada da cidade em 11 de novembro de 1941 para o gueto de Minsk, em Belarus.
O gueto foi fechado em setembro de 1943 e a adolescente teria feito parte dos 2 mil moradores enviados a Sobibor, na Polônia, onde o pingente permaneceu enterrado por mais de 70 anos.
Registros mostram que Anne Frank possuía um pingente praticamente idêntico ─ a única diferença seria a data de nascimento gravada em uma das faces.
Pingente

Yoram Haimi, arqueólogo da IAA responsável pela escavação em Sobibor, disse: "Esse pingente demonstra mais uma vez a importância da pesquisa arqueológica em antigos campos de extermínio nazistas".
"A história emocionante de Karoline Cohn é simbólica do destino dos judeus assassinados em campos de extermínio. É importante contar essa história, para que nunca nos esqueçamos dela", acrescentou ele.
Mais de 250 mil judeus teriam sido mortos em Sobibor, no leste da Polônia, região controlada pelos nazistas.
Mas, diferentemente de locais que também funcionavam como campos de trabalho forçados, Sobibor era um dos campos nazistas construídos unicamente para exterminar judeus.
Pingente
Os nazistas destruíram o campo depois de um levante em 1943. Ali eles plantaram árvores para tentar descaracterizar o local e encobrir seus crimes.
Desde então, arqueólogos já descobriram as fundações de câmaras de gás e uma plataforma de trem.
Anne Frank morreu no campo de Bergen-Belsen, no norte da Alemanha, em 1945.

Primeiro museu de arte submarino da Europa é de tirar o fôlego

Slide 1 de 9: Museu Atlântico de Lanzarote
 
Nesta semana, a Europa inaugurou o seu primeiro museu de esculturas submarino e o primeiro do Oceano Atlântico.
O Museu Atlântico de Lanzarote apresenta o trabalho do escultor britânico Jason deCaires Taylor que, por meio de suas obras, busca promover maior cuidado com os oceanose compreensão das ecologias marinhas.
Localizado ao largo da costa de Lanzarote, na Espanha, o projeto levou dois anos para ser concluído. Ele consiste em 12 instalações de arte e mais de 300 figuras humanas em tamanho natural.
Embora o museu tenha aberto oficialmente há poucos dias, as fotos sobre o projeto extraordinário já fazem sucesso pelas redes sociais há cerca de um ano. A primeira fase deste museu foi implementada por Taylor em fevereiro de 2016.
O Museu Atlântico foi concebido como um lugar para promover a educação, preservar e proteger o ambiente marinho e natural como parte integrante do sistema de valores humanos.
A intenção é que a instalação se torne um grande recife artificial no futuro, ajudando a conservar o habitat das ilhas Canárias. Desde suas primeiras instalações, a área tem visto um aumento significativo na vida marinha, incluindo tubarões anjo, sardinhas, polvo e esponjas marinhas.
As novas instalações recentemente concluídas incluem uma imensa parede, uma escultura de um jardim botânico que representa a flora e fauna locais e um conjunto de 200 figuras humanas.
Espalhados em uma área de 2.500 metros quadrados, o museu é acessível para mergulhadores. Os visitantes que não desejam entrar na água podem observar as instalações através de embarcações especiais com fundo de vidro.
Em seu site, o artista britânico explica que o pouco contato da maioria das pessoas com os oceanos faz com que as preocupações sobre eles caiam no esquecimento. Ao longo das últimas décadas, perdemos mais de 40% dos nossos recifes de corais naturais.
Segundo ele, a “exposição de um público mais vasto às ecologias marinhas combinada com a função educativa das galerias encoraja o pensamento prolongado sobre a condição do meio ambiente e o papel que os seres humanos podem desempenhar para assegurar sua saúde ou mesmo sua destruição.”
 
Slide 2 de 9: Museu Atlântico de Lanzarote J
 
Slide 3 de 9: Museu Atlântico de Lanzarote, feito por Jason deCaires Taylor
 
Slide 4 de 9: Museu Atlântico de Lanzarote , de Jason deCaires Taylor
 
 
 
Slide 6 de 9: Museu Atlântico de Lanzarote , de Jason deCaires Taylor
 
Slide 9 de 9: Museu Atlântico de Lanzarote , de Jason deCaires Taylor
 
Slide 8 de 9: Museu Atlântico de Lanzarote , de Jason deCaires Taylor
 
Slide 7 de 9: Museu Atlântico de Lanzarote , de Jason deCaires Taylor

Cientistas japoneses detectam anomalia atmosférica

Utilizando a espaçonave Akatsuki, cientistas japoneses detectaram uma grande anomalia, em forma de arco, na atmosfera superior de Vênus. Estranhamente, a estrutura de 9,97 quilômetros de comprimento não se mexe, apesar dos ventos de 362 quilômetros por hora que a cercam.
Pesquisadores da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial acreditam que o fenômeno é a maior “onda de gravidade” estacionária já registrada no sistema solar. Emanando das montanhas abaixo, o fenômeno climático é forte o bastante para suportar ventos ferozes de fundo, fazendo com que uma estrutura enorme em formato de arco fique pendurada na atmosfera superior do planeta como uma gigante cicatriz.

Vênus, esse inferno de planeta coberto de nuvens, está repleto de comportamentos atmosféricos excepcionalmente estranhos. Os ventos em sua atmosfera superior uivam a 359 quilômetros por hora, velocidade consideravelmente maior do que o planeta que a rotação do planeta (um dia em Vênus dura mais do que um ano inteiro por lá). Nuvens grossas de ácido sulfúrico se movem a oeste, pelo fato de toda a atmosfera superior estar girando significativamente mais rápido do que o próprio planeta.
 
A estrutura foi observada ao longo de vários dias, de 8 a 11 de dezembro de 2015. Apesar dos fortes ventos, a anomalia permaneceu estacionária.

 
No fim de 2015, o orbitador da JAXA Akatsuki — espaçonave criada para investigar as dinâmicas atmosféricas e a física das nuvens de Vênus — fez observações estranhas ao longo de vários dias. Como foi descrito em estudo recente publicado no periódico Nature, a sonda detectou uma estrutura estacionária, em formato de arco, na atmosfera superior do planeta. Um time de pesquisadores liderado pelo astrônomo Makoto Taguchi, da Universidade de Rikkyo, avistou a anomalia ao analisar imagens tiradas pela Akatsuki no infravermelho médio e no espectro ultravioleta-visível.
Estacionada 64,3 quilômetros acima da superfície chamuscada, a brilhante e incomumente quente região se estendia por 10.000 quilômetros no topo das nuvens de Vênus (quase o mesmo diâmetro de todo o planeta). A estrutura não se mexia, apesar dos ventos atmosféricos em volta, permanecendo inerte acima da região montanhosa da superfície do planeta. Antes dessa observação, os cientistas constataram vários aspectos atmosféricos de pequena escala que se moviam mais rápido ou mais devagar que esses ventos.
Essa raia gigante e seu desprezo pelos ventos à sua volta pegaram os cientistas da JAXA completamente desprevenidos. Várias semanas após suas observações iniciais, o arco havia desaparecido, então não se trata de uma característica permanente. Os pesquisadores agora esperam ansiosamente por um possível retorno.
Onda de gravidade
Após descartar possibilidades como uma maré térmica (similares às do oceano, mas muito improváveis, considerando que Vênus não tem lua) ou um erro instrumental (a Akatsuki está em ótimo estado), os pesquisadores da Jaxa concluíram que a anomalia provavelmente é causada por uma onda de gravidade. Não confundir com as ondas gravitacionais.

Ondas de gravidade acontecem quando transmissores, como um fluído ou um gás, lutam por um estado de equilíbrio sobre a força da gravidade. Ou, como Taguchi explicou:  “é uma oscilação de densidade, pressão, velocidade ou temperatura que propaga em uma atmosfera, a partir do equilíbrio entre flutuabilidade e forças de gravidade como uma força restauradora”. Na Terra, as ondas de gravidade produzem ondas no oceano e fluxo de ar sobre as montanhas.

Cientistas já observaram ondas de gravidade pequenas e passageiras na atmosfera de Vênus anteriormente, um sinal de que cadeias de montanhas estão presentes abaixo, mas eles nunca viram algo como isso. Neste planeta queimado, as ondas de gravidade são geradas perto de áreas com superfície acidentada e montanhosa e então derivam para cima, subindo ao céu e crescendo mais e mais em amplitude até que se dissipam pouco abaixo das nuvens. Conforme as ondas se quebram na atmosfera superior, elas forçam a retornada contra a força tremenda dos ventos atmosféricos, abrandando-os.

Essa, pelo menos, é a teoria de como as ondas de gravidade normalmente funcionam. Mas essa nova anomalia sugere que também funcionem em escala quase planetária, afetando as nuvens de topo por milhares de quilômetros.

“Dados o formato e a velocidade (dos ventos) em relação à super-rotação, a única interpretação razoável para o formato em arco do estacionário é que tenha sido induzido por um pacote de ondas de gravidade atmosféricas”, escreveram os pesquisadores. “O estudo presente mostra evidência direta da existência de ondas de gravidade estacionárias, além de apontar que tais ondas podem ter uma escala muito grande — talvez a maior já observada no sistema solar.”

Usando modelos de computador, os pesquisadores verificaram que as grandes ondas de gravidade estacionárias são, de fato, possíveis. “Nossas simulações de propagação de ondas de gravidade mostraram um padrão semelhante de distribuição de temperatura nas altitudes das nuvens de tempo como a observada”, contou Taguchi.
Dito isso, a equipe de Taguchi não tem certeza absoluta de que as ondas de gravidade produzidas pelas cadeias de montanhas de Vênus sejam capazes de espalhar-se tão para o alto sem um pouco de ajuda. Os pesquisadores especulam que os ventos na atmosfera profunda podem ser mais variáveis em espaço e tempo do que se presumia anteriormente, aumentando a habilidade de propagação das ondas de gravidade até a porção superior da atmosfera de Vênus.

Olhando para o futuro, Taguchi gostaria de estudar as variações na atmosfera, para que possa comparar as condições de quando o arco está presente com as de quando está ausente. “Também precisamos coletar mais dados para estudos estatísticos”, disse. “As simulações em computador em andamento serão importantes para justificar a hipótese levantada a partir dos resultados observacionais.”

Vênus, como estamos descobrindo,  é um lugar surpreendentemente complicado — e incomum.

 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Vale usar o calor do verão para lembrar do aquecimento global?

 
Dados preliminares da Nasa (agência espacial americana) e da Noaa (agência de oceanos e atmosfera) mostram que 2016 vai bater o terceiro recorde seguido de calor na Terra. O ano passará os recordes de 2015 e 2014. As agências divulgarão essas informações no dia 18 de janeiro, dois dias antes da posse de Donald Trump.
 
 
Entrevista realizada pela revista Época:
O aquecimento acelerado do planeta é visto de forma mais eloquente nos polos. O derretimento do Ártico e o de partes da Antártica são dois dramas independentes. E não afetam só a vida dos ursos-polares e pinguins (respectivamente) mas impactam todos nós, inclusive aqui nos trópicos. É o que explica o jornalista Claudio Angelo, autor do livro O espiral da morte, coordenador de comunicação do Observatório do Clima, organização dedicada à divulgação do aquecimento global.
ÉPOCA – Seu livro explica as transformações nos polos e os possíveis impactos para o resto do mundo. Como aproximar o que está acontecendo em lugares tão distantes com consequências para o dia a dia dos brasileiros?
Claudio Angelo – O efeito mais óbvio da mudança climática nos polos sobre o brasileiro é o aumento do nível do mar. Você pode não ter a menor ideia das razões pelas quais a Groenlândia está derretendo ou por que o degelo dos glaciares do Mar de Amundsen é irreversível. Mas todo mundo viu no ano passado na ciclovia da Avenida Niemeyer, no Rio de Janeiro, o que acontece quando uma ressaca forte encontra uma engenharia vagabunda. Todo mundo viu a Avenida Atlântica coberta de areia pela ressaca de primavera no Rio em 2016. Em Santos foram duas ressacas assustadoras em 2016. O degelo polar multiplica o efeito dessas tormentas ao aumentar o nível do oceano. Não precisa subir 1 metro no mundo todo; com menos de metade disso no meio do século já seremos forçados a repensar toda a ocupação da costa. De fato, já precisamos fazer isso hoje, porque as ressacas violentas provavelmente já estão mais frequentes. Mas há efeitos menos óbvios de mudanças ambientais nos polos. Por exemplo, a inflação de alimentos de 2010/2011, na qual o preço do trigo subiu no mundo todo, pode ter tido um dedo do degelo do Ártico, que vem alterando os ventos ao redor do Polo Norte e favorecendo padrões de tempo como os que causaram os trágicos incêndios na Rússia em 2010, que arrebentaram a safra daquele ano. E a seca de 2004 e 2005 no sul do país, que causou perda de 80% da safra de soja do Rio Grande do Sul, tem uma correlação forte com alterações nas massas de ar da Antártica, que regem o tempo no sul do país e que têm se alterado por causa do aquecimento global e do buraco na camada de ozônio. Então, num sentido bem real, o que acontece nos polos afeta o seu bolso e a sua mesa.
Ainda se usa muito a imagem do pobre urso-polar para mostrar os impactos das mudanças climáticas. Essa imagem ainda tem efeito? Não parece muito desconectada das preocupações imediatas dos brasileiros?Angelo – Falo dos ursos no livro porque eles foram involuntariamente promovidos a garotos-propaganda da causa das mudanças climáticas, em torno de percepções extremas: de que estariam irremediavelmente condenados, por um lado, ou, por outro, de que a real ameaça a eles é a caça, que é praticada de forma legal em todo o Ártico [os groenlandeses com quem conversei juram que a carne é uma delícia]. Na verdade, ninguém sabe direito qual é o status da maioria das populações de urso-polar, embora algumas estejam declinando. Mas há consenso entre os especialistas de que o aquecimento global é, de muito longe, a maior ameaça à espécie, já que o hábitat dela, o gelo marinho, está sendo destruído. Tentei trazer algum bom-senso a essa discussão. É verdade que os ursos-polares estão desconectados das preocupações imediatas dos brasileiros, mas se partíssemos dessa premissa conservaríamos apenas as abelhas e os morcegos, que têm zero carisma, mas impactam diretamente a produção de alimentos pelos serviços de polinização que prestam. Acho que existe um imperativo ético muito forte na proteção de espécies-bandeira, como a onça, o panda, a baleia e o urso-polar. A maioria dessas espécies está aqui há mais tempo que nós. O urso-polar, por exemplo, tem pelo menos 4 milhões de anos de evolução [o Homo sapiens tem 200 mil] e sobreviveu a pelo menos um evento de extinção em massa no passado. Que direito nós temos de decretar o fim dessa espécie? A outra questão, ora, é que não são apenas os ursos. O risco de extinção de espécies no mundo salta de 3% para 16% com um aquecimento de 4 graus célsius. Isso significa que uma em cada seis espécies estaria sob ameaça pelo aquecimento da Terra. Por ser tropical e megadiversa, a América do Sul é o continente mais afetado, com quase um quarto das espécies sob ameaça. Inclusive as abelhas, que põem comida em nossa mesa e que já estão sumindo de várias regiões do mundo. Então, eu diria que, mesmo que você esteja se lixando para o urso-polar, ainda deveria estar preocupado com os efeitos da mudança do clima sobre os ecossistemas, porque uma das vítimas no fim é você mesmo.
Como podemos usar o calor do verão para potencializar as preocupações com o aquecimento global?Angelo – Com um tanto de criatividade e outro tanto de coragem para driblar a questão da atribuição, que é sempre espinhosa. Nós sabemos que faz calor todo ano no verão – Nelson Pereira dos Santos lançou Rio, 40 graus em 1955, 20 anos antes de a expressão “aquecimento global” aparecer pela primeira vez na literatura científica. Também sentimos instintivamente que alguns verões estão mais quentes do que costumavam ser. Mas, se você for perguntar a um cientista, ele dificilmente dirá que o aquecimento global é a causa desses verões mais quentes. Provavelmente vai lhe empurrar algum floreado estatístico dizendo que a “tendência” no “futuro” é um “aumento da probabilidade” de verões mais quentes. E terá boas razões para isso, já que cientistas precisam mesmo ser cautelosos e é muito difícil atribuir eventos individuais à mudança do clima [embora isso venha sendo feito com cada vez mais frequência]. Mas talvez seja hora de a comunicação pública arrebentar a porta desse armário. Por uma razão simples: hoje, tudo o que acontece com a meteorologia no planeta tem relação com o aquecimento global, porque o mundo está mais de 1 grau célsius mais quente do que estava em 1750. Não dá mais para tirar o aquecimento da Terra da equação. E nós sabemos que um dos efeitos do aquecimento da Terra é amplificar extremos de calor – mas também de frio, seca e chuva. E não é só o calor: há também os insetos e as doenças. No fim do ano passado, saiu um estudo mostrando como o El Niño foi determinante para a epidemia de zika na América do Sul em 2015. As pessoas precisam entender que o verão agora é assim. O que era exceção virou regra. Precisamos entender essa nova realidade como algo permanente e nos adaptar a ela.
Janeiro é o mês em que os brasileiros lotam as praias. Eles sabem o risco que essas praias correm num cenário de elevação do nível dos mares?Angelo – Duvido que saibam. A menos que você seja um turista que passe anos voltando todo ano à mesma praia, dificilmente perceberá mudanças, por exemplo, na extensão da faixa de areia. O “timing” das férias também é infeliz, porque as ressacas são mais frequentes justamente no inverno. A elevação do nível do mar é um tema complicado, porque é um fenômeno insidioso, de início muito lento, sobre o qual há uma enorme incerteza e que no curto prazo só mostra seus piores efeitos durante marés altas ou tempestades.
Podemos usar a praia para gerar interesse pelo tema das mudanças climáticas?Angelo – Sim. As pessoas se conectam com aquilo que está em sua experiência imediata. Sei que não tenho muita moral para falar sobre experiência imediata, tendo escrito um livro sobre os polos [rsrs]. Mas a praia, e tudo o que a cerca, é um bom exemplo de um ativo que pode se perder se não fizermos nada. Uma amiga minha, especialista em adaptação à mudança climática, escreveu um texto belíssimo no ano passado sobre como ela se sentiu ao chegar para treinar vôlei de praia de manhã no Rio depois da ressaca de outubro e descobrir que não havia campo: a água estava na altura das redes. Esse é o tipo de comunicação que falta.
O ano de 2016 bateu recordes de calor (nenhum outro ano teve tantos meses recordistas) e pode mais uma vez ser o mais quente da história. Essa sucessão de recordes ainda comove as pessoas?Angelo – Acho que uma sucessão de recordes climáticos que aparecem quase como uma lista de lavanderia em páginas da internet não comove ninguém, mesmo. Ninguém sabe onde é Fort McMurray, a cidade no Canadá que precisou ser evacuada por causa de um incêndio florestal fora de época. Ninguém sabe direito onde é Fiji, que teve o pior tufão de sua história no ano passado.  A questão é que, cada vez mais, extremos climáticos estão batendo à porta das pessoas. Em Brasília, onde eu moro, em 2015 vi pela primeira vez em 40 anos termômetros de rua marcar 42 graus, durante uma onda de calor que durou mais de um mês e meio em plena primavera e produziu, na mesma semana, as duas temperaturas mais altas já medidas aqui. Tive de comprar um aparelho de ar-condicionado. As temperaturas à noite frequentemente ficam acima de 20 graus, mesmo no verão, que é estação de chuvas. O número de noites quentes decuplicou na cidade entre 1961 e 2015, segundo medições feitas pelo Inmet, que analisou toda a série histórica do DF. Em 2016, entramos em racionamento de água devido à estiagem prolongada – e Brasília está na caixa-d’água do país, sentada no divisor de águas das bacias do Paraná e do São Francisco. Acho que a ficha está caindo para muita gente nos últimos anos. Mas talvez esteja caindo tarde demais.
Qual é a maior dificuldade para explicar a ciência do aquecimento?Angelo – São duas. A primeira, de fundo, tem a ver com a natureza humana: é explicar a própria existência do risco. Nosso cérebro é muito bom em lidar com riscos e ganhos imediatos – fugir do leão agora, ingerir calorias agora. Mas, quando se trata de avaliar riscos de longo prazo, nossa racionalidade simplesmente colapsa. Não evoluímos para isso. Como você diz a uma espécie que passou 200 mil anos de evolução vivendo em restrição calórica constante que essa gordura maravilhosa da picanha que agora ela consome quando lhe dá na telha, sem precisar disputar com as hienas, vai matá-la de infarto daqui a 20 ou 30 anos? A ciência climática nos traz uma dificuldade adicional, que é confrontar-nos com riscos que frequentemente ocorrem além do nosso tempo de vida, como os piores impactos do degelo da Antártica. E que não são riscos diretos para o indivíduo ou sua família próxima, mas em vez disso afetam essa construção cultural recentíssima na história humana chamada “sociedade”. 
 De quem é a culpa?Angelo – Gostaria de poder dizer que a culpa é do baixo nível de escolaridade e alfabetização científica dos brasileiros ou que nós, comunicadores de ciência brasileiros, não estamos fazendo nosso trabalho tão bem quanto deveríamos. Mas o problema é universal. Em fevereiro passado, o IPCC organizou uma reunião em Oslo [onde, muito a propósito, não havia um milímetro de neve no mês mais frio do ano] para discutir a comunicação do painel, que vem falhando. Uma das conclusões mais chocantes, apresentada lá por um cientista português, foi que os sumários executivos dos relatórios do IPCC, que em tese deveriam orientar os tomadores de decisão, estão cada vez menos compreensíveis ao longo do tempo. O que é, evidentemente, uma desgraça, porque as evidências do papel da humanidade no clima estão cada vez mais sólidas.
Como convencer alguém a agir diante de uma ameaça que se concretiza não amanhã ou no mês que vem mas numa escala de tempo de décadas?Angelo – De duas formas: pelo amor e pela dor. Primeiro, é preciso criar na sociedade uma cultura de ação climática – de adaptação aos efeitos do clima e de combate às emissões. Digo “cultura” no sentido mais amplo, em oposição a “natureza”. Isso deve ser um esforço educacional de toda a sociedade, porque estamos agindo contra a força mais poderosa da humanidade: nosso instinto. Sam Harris, neurocientista americano, disse que, se deixássemos tudo a cargo de nossos instintos, começaríamos todos os dias comendo uma caixa de donuts açucarados e terminaríamos todas as noites com um caso extraconjugal. Domamos a nossa natureza para poder viver em sociedade e temos conseguido vitórias importantes em direitos humanos. Não há razão para pensar que não possamos fazer o mesmo com a ação climática. A imprensa, ou o que sobrou dela, tem um papel importantíssimo nesse esforço. Mas precisa perder o medo de comunicar mudança do clima. Com o perdão do mimimi, existe uma clivagem maluca nas redações, onde jornalistas que denunciam ameaças aos direitos humanos ganham prêmios, enquanto jornalistas que denunciam ameaças à estabilidade climática são tachados de “militantes”. A cobertura de clima precisa ser plural, precisa buscar o equilíbrio e comunicar claramente as incertezas – algo que eu espero ter feito em A espiral da morte. Mas isso não equivale a dar espaço igual ao ponto de vista de negacionistas, que via de regra está simplesmente errado. Muitos chefes de redação ainda não entenderam essa diferença e insistem numa objetividade ingênua de tratar isso como uma questão de “outro lado”. A outra forma é algo que a natureza já está se encarregando de fazer: mostrar que uma parte importante da ameaça já se concretizou.
Mudança climática não é mais um abacaxi para nossos bisnetos descascarem; é algo que afeta grande parte da humanidade hoje. A Sociedade Meteorológica Americana analisou 79 eventos extremos climáticos entre 2011 e 2015 e concluiu que mais de metade deles não ocorreria na ausência de aquecimento global, inclusive a seca na Amazônia de 2014-2015. Estamos em pleno novo normal.

Como será o prédio de 5 mil quilômetros de altura que combate a poluição

Arranha-céu - Arconic
 
Como serão os prédios do futuro? A empresa americana de engenharia e tecnologia Arconic prevê que, em 45 anos, eles serão feitos de materiais fabricados com impressoras 3D, terão vidros retráteis que se transformam em varandas e serão capazes de retirar poluição da atmosfera. Parece um pouco distante, mas não é: um dos planos da companhia é utilizar essas tecnologias, que já estão em desenvolvimento, para construir um arranha-céu de cinco quilômetros de altura – mais de cinco vezes maior que o prédio mais alto do mundo, o Burj Khalifa, em Dubai, que tem 828 metros de altura e 163 andares O edifício faz parte do projeto The Jetsons, criado pela companhia para tentar adivinhar algumas das tecnologias que estarão disponíveis em 2062. O plano foi inspirado pela série de animação de mesmo nome, lançada em 1962, que mostra como seria a vida da família Jetson cem anos no futuro.
Segundo os desenvolvedores do projeto, dentre as tecnologias que serão usadas para construir o edifício gigante está um material chamado EcoClean. Lançado em 2011, ele corresponde a uma cobertura especial que faz com que as superfícies do prédio se limpem sozinhas e purifiquem o ar ao seu redor, fornecendo uma série de vantagens.
“A cobertura funcional oferece estética, benefícios de manutenção e também benefícios ao ambiente ao redor por reduzir o conteúdo de poluentes em volta dela”, afirma Sherri McCleary, cientista de materiais na Arconic, em entrevista para o Business Insider.
O EcoClean funciona com a ajuda da luz e vapor d’água, que se misturam aos componentes da cobertura e formam moléculas conhecidas como radicais livres – moléculas instáveis que apresentam um elétron e reagem facilmente, podendo oxidar. Esses componentes absorvem poluentes presentes na atmosfera e fazem a cobertura descascar, eliminando-os junto a sujeira e fuligem.

Janelas que viram sacadas

Além disso, o arranha-céu também terá janelas motorizadas, um design chamado de Bloomframe. Segundo os desenvolvedores, essas estruturas conseguem se transformar em sacadas de vidro em menos de um minuto.
Algumas das outras previsões feitas pela empresa incluem carros voadores, automóveis ultraleves e aeronaves inspiradas na aerodinâmica da natureza. Tudo isso construído com materiais fabricados em impressoras 3D.

Arranha-céu - Arconic

sábado, 14 de janeiro de 2017

Descoberto que mensagens do WhatsApp podem ser lidas



Foi sem dúvida uma das medidas mais importantes adotadas pelo WhatsApp: incorporar um sistema de criptografia que tornava completamente inacessível o conteúdo de uma conversa, a não ser para os interlocutores. Mediante este sistema o emissor gera — de modo totalmente automatizado — chaves que chegam ao destinatário, e somente ele pode decifrá-las. Esta criptografia garantia a absoluta privacidade das conversas, mas uma investigação revelada por The Guardian descobriu um buraco neste sistema que permitiria ter acesso ao conteúdo das mensagens.
No Perguntas e Respostas do WhatsApp podemos ler: “A codificação de um extremo ao outro no WhatsApp garante que somente você e o receptor podem ler o que é enviado e que ninguém mais, nem sequer o WhatsApp, pode fazer isso. Uma explicação taxativa e que não dá margem a dúvidas, mas que agora foi derrubada graças a um estudo realizado pela Universidade da Califórnia. O principal responsável, o especialista em segurança Tobias Boelter, descobriu uma porta detrás (backdoor) mediante a qual o sistema poderia mudar essas chaves temporais e designar novas que permitiram ter acesso ao conteúdo.
Isto é possível quando o destinatário não está conectado e a mensagem fica armazenada nos servidores do WhatsApp esperando ser enviada. Neste processo, o sistema poderia gerar novas chaves e ter acesso ao conteúdo da mensagem. É verdade que este processo teria de ser feito com cada uma das mensagens enviadas, mas também é certo que, se se repete, pode ser possível transcrever uma conversa completa. Isto quer dizer que nossas mensagem podem ser acessadas por hackers? Não, a codificação continua garantindo um padrão de segurança elevado, mas o problema reside em que o WhatsApp poderia decifrar a mensagem atendendo a um pedido das autoridades.
O que diz o WhatsApp a respeito? EL PAÍS não conseguiu uma resposta da empresa, mas um porta-voz nem confirmou nem desmentiu esta possibilidade extrema a The Guardian, referindo-se à lista de pedidos de acesso feitas pelas autoridades de cada país.

A solução

O usuário pode pôr limites de alguma maneira a esta possibilidade: para isso é necessário, no aplicativo no celular, acessar Configuração/Conta/Segurança e aí ativar a aba “Mostrar notificações de segurança”.
Ativando esta opção o usuário será alertado sobre uma possível mudança de chaves na conversa (que pode acontecer também quando o destinatário muda de celular). Esta medida não impede que o WhatsApp possa decifrar uma mensagem dada, mas alertará o usuário sobre a alteração de chaves e ele poderá optar por deixar de escrever mensagens que poderiam ser potencialmente lidas.
 El País.com

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Space X fará o lançamento do foguete Falcon 9 neste sábado

Lançamento da cápsula Dragon a bordo do foguete Falcon 9, da empresa americana SpaceX, no dia 8 de dezembro de 2010 
 
O foguete Falcon 9, da empresa SpaceX, deve decolar neste sábado da base da Força Aérea de Vanderberg, na Califórnia, carregado de dez pequenos satélites de comunicação. Será o primeiro lançamento da empresa do bilionário Elon Musk desde a explosão de setembro, que destruiu o foguete Falcon 9 e o satélite de comunicações do Facebook, Amos-6, durante testes na plataforma de lançamentos em Cabo Canaveral, na Flórida.
O lançamento previsto para o fim de semana será feito com equipamentos da empresa Iridium, que pretende substituir seus satélites antigos, colocados no espaço a partir de 1997. Eles fazem parte de um conjunto de 66 novos satélites da empresa, que foram projetados na França e construídos nos Estados Unidos, a um custo de 3 bilhões de dólares. No total, seis lançamentos da SpaceX com os satélites estão previstos ao longo do ano.
O envio do foguete Falcon 9 ao espaço, neste sábado, será um teste para SpaceX, que deve mostrar ao público que os engenheiros da companhia compreenderam as falhas que levaram ao incêndio de setembro e conseguiram corrigi-las. O sucesso do lançamento é crucial para a empresa, que pretende lançar voos tripulados ao espaço a bordo do Falcon 9 até maio deste ano. O desafio da SpaceX é colocar no espaço foguetes reutilizáveis com segurança, sem quaisquer riscos à vida humana, um feito que pretende baratear as viagens espaciais e democratizar o acesso ao espaço.
Segundo as investigações a respeito da acidente, feitas pela empresa em conjunto com a Nasa e a força aérea americana, um problema no tanque de hélio do foguete foi, possivelmente, a razão para o incêndio. O lançamento previsto para este fim de semana havia sido inicialmente marcado para 9 de janeiro,  mas foi adiado devido ao mau tempo.

Explosão do foguete Falcon 9

Em 1º de setembro, a SpaceX estava realizando testes nos motores do foguete Falcon 9 na plataforma de lançamento em Cabo Canaveral, na Flórida. As avaliações pretendiam verificar se o equipamento estava preparado para enviar o satélite de comunicação Amos-6 ao espaço, que seria o primeiro satélite de comunicações do Facebook, parte do programa Internet.org que pretendia levar internet a regiões pobres do planeta. Na ocasião, uma falha ocorreu e uma grande explosão incendiou o foguete, que custa 62 milhões de dólares, e o satélite, de 200 milhões de dólares, além de danificar partes da plataforma de lançamento.
Veja.com

Astronautas concluem trabalhos de melhoria na Estação Espacial Internacional


Dois astronautas da Nasa finalizaram com sucesso nesta sexta-feira 13, uma caminhada espacial de seis horas durante a qual efetuaram obras de melhoria na Estação Espacial Internacional (ISS).
De acordo com a agência espacial americana, o comandante da Expedição 50, Shane Kimbrough, e o engenheiro de voo, Thomas Pesquet concluíram às 17h20 GMT (15h20 de Brasília) a caminhada na qual instalaram três novas placas adaptadoras.
Transmitida ao vivo através de sites da Nasa, durante sua missão os astronautas realizaram também conexões elétricas para três das seis novas baterias de íons de lítio que a estação abriga.
As novas placas adaptadoras e baterias de íons de lítio substituem às baterias de níquel e hidrogênio que atualmente são utilizadas na estação para armazenar a energia elétrica gerada pelos painéis solares da ISS.
O trabalho robótico para atualizar as baterias começou na primeira semana de janeiro e hoje se efetuou a segunda das duas caminhadas espaciais para finalizar a instalação, explicou a agência espacial americana.
As baterias adicionais serão substituídas nos próximos dois anos como parte desta atualização dos sistemas de energia.
Está foi a segunda caminhada espacial em uma semana para Kimbrough, e a quarta de sua carreira, enquanto foi a primeira para Pesquet na remodelação de dois dos oito canais da estação.
No total, os membros da tripulação da Estação Espacial Internacional realizaram 197 caminhadas espaciais para trabalhar na montagem e manutenção do laboratório em órbita, e passaram um total de 51 dias, seis horas e quatro minutos trabalhando fora da estação.
 
 
 Resultado de imagem para fotos dos astronautas da estação espacial internacional precisam realizar missões

Resultado de imagem para fotos dos astronautas da estação espacial internacional precisam realizar missões

Após quase 2 séculos, cientistas solucionam mistério de criatura estranha que viveu há 500 milhões de anos

Um estranho animal que viveu no fundo do oceano há 500 milhões de anos finalmente achou seu lugar entre as espécies, resolvendo um mistério de longa data.
 
Hyolith
 
A criatura tem escapado à classificação científica desde a descoberta, há 175 anos, do primeiro fóssil.
O hyolitha, como foi chamado, tem uma concha em forma de cone, tentáculos para alimentação e apêndices que agiam como "pés". Várias publicações disseram que ele parece "um sorvete com tentáculos".
Pertence a um grupo de invertebrados que inclui animais como os do filo phoronida, metazoários encontrados no mar, dizem os cientistas.
Joseph Moysiuk, da Universidade de Toronto, fez a descoberta após analisar mais de 1.500 espécimes escavados de rochas no Canadá e nos EUA.
"Os hyolithas são pequenos animais em forma de cone que habitam os mares, conhecidos de todo o mundo, principalmente pelos fósseis de suas conchas", disse.
"Eles aparecem no registro fóssil cerca de 530 milhões de anos atrás e sobreviveram até cerca de 250 milhões de anos atrás.
"Mas a questão sobre onde os hyolithas cabem realmente na árvore da vida foi um mistério nos últimos 175 anos, desde que foram descritos primeiramente."
A pesquisa, publicada na revista Nature, analisou os tecidos moles preservados em "fósseis muito especiais" de um local no Canadá conhecido como Burgess Shale.
No passado, os hyolithas foram ligados ao filo dos moluscos, que são comuns hoje e incluem as lulas e os caracóis.
A nova pesquisa sugere que os animais estão, de fato, mais intimamente relacionados a um grupo diferente de organismos portadores de conchas, conhecidos como lophophorata, que inclui os braquiópodes (conchas em formato de lâmpada), entre outros.
cientistas

Mares antigos

Hyolithas estavam presentes desde o início do período Cambriano, há cerca de 540 milhões de anos, durante uma rápida explosão de evolução que deu origem à maioria dos principais grupos de animais.
"Podendo colocá-los na árvore da vida, se resolve esse longo mistério paleontológico sobre o que são essas criaturas", disse Joseph Moysiuk.
"Nós pudemos descobrir algumas características novas de um grupo muito velho de animais fósseis, e isso permitiu-nos revelar a história evolutiva deste grupo de animais e onde exatamente eles ficam na árvore da vida."
Martin Smith, da Universidade de Durham, no Reino Unido, também trabalhou nos fósseis.
Ele disse que, ao colocar os hyolithas em sua casa legítima, compreendendo como eles viveram, os cientistas agora têm uma melhor imagem da vida nos mares antigos.
Isto dá uma visão sobre o impacto de eventos de extinção em massa, como a extinção em massa do Permiano-Triássico, que aniquilou a maior parte da vida animal, incluindo os hyolithas.
"Compreendendo os efeitos de tais extinções em massa na ecologia e na diversidade é particularmente importante à medida que procuramos avaliar e mitigar as implicações do atual evento de extinção em massa provocado pela atividade humana", disse Smith.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Espécie de morcego começa a se alimentar de sangue humano no Brasil, segundo uma pesquisa

Uma espécie de morcegos encontrada no Brasil, até então conhecida por consumir exclusivamente sangue de aves, está se alimentando agora de sangue humano.
 
Morcego-vampiro-de-perna-peluda
A revelação está em uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros e publicada em novembro na revista científica Acta Chiropterologica, a mais importante publicação do mundo voltada à pesquisa de morcegos.
O estudo analisou 70 amostras de fezes da espécie Diphylla ecaudata, popularmente conhecida como morcego-vampiro-de-pernas-peludas.
Os cientistas conseguiram extrair o DNA de 15 delas - e em três descobriram vestígios de sangue humano, explica Enrico Bernard, professor do Departamento de Zoologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e responsável pela pesquisa.
 
O estudo foi conduzido no Parque Nacional do Catimbau, na região de caatinga de Pernambuco, a cerca de 300 km do Recife.
"Das três espécies de morcegos-vampiros que conhecemos, sabíamos que apenas uma delas se alimentava de sangue humano", conta Bernard, em entrevista à BBC Brasil.
"Mas nosso estudo mostrou agora que outra espécie, o morcego-vampiro-de-pernas-peludas, que só se alimentava do sangue de aves, também passou a consumir sangue humano", acrescenta o especialista.
Bernard explica que, diferentemente do sangue de aves, rico em gordura, o dos mamíferos é mais espesso e rico em proteína.
"Sabíamos que essa espécie (morcego-vampiro-de-pernas-peludas) tinha uma adaptação fisiológica para digerir apenas o sangue de aves. Mas isso parece estar mudando, já que ela passou a se alimentar de sangue humano", afirma.

Causas

Na avaliação de Bernard, considerando que o morcego-vampiro-de-pernas-peludas tem fisiologicamente menos tolerância ao sangue de mamíferos, os novos hábitos alimentares da espécie "reforçam um cenário de escassez de presas".
"Sendo assim, ou o comportamento alimentar desse bicho é muito mais variável do que imaginávamos até hoje, ou há uma restrição significativa de suas presas nativas", diz o especialista.
Bernard afirma que os resultados do estudo parecem validar a segunda hipótese.
"Essa porção da caatinga vem sendo bastante alterada pela presença humana. As presas nativas desse tipo de morcego - aves maiores, em sua maioria - estão desaparecendo e seu habitat sendo ocupado por seres humanos e seus animais domésticos", afirma.
"Nosso estudo mostrou, por exemplo, a presença de sangue de galinha em algumas das amostras que coletamos."

Impacto

Além da defaunação (diminuição acelerada e drástica de espécies animais), a mudança dos hábitos alimentares do morcego-vampiro-de-pernas-peludas também pode evidenciar um impacto na saúde pública humana.
"Morcegos transmitem uma série de doenças. Se essa espécie está agora se alimentando de sangue humano, precisaremos lidar com um problema de saúde pública potencial", destaca.
Relatos de morcegos atacando pessoas, especialmente como resultado de transformações ecológicas provocadas pela presença humana, não são inéditos no Brasil.
Em 2005, o Maranhão registrou o maior surto de raiva humana transmitida por morcegos da história do país.
Na ocasião, mais de 20 pessoas morreram vítimas da doença, transmitida por morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue).
Causada por vírus, a raiva humana tem sintomas como febre, fotofobia e dificuldades para se alimentar.
BBC Brasil

Como o código de barras, nascido na praia, mudou a economia global

Há duas maneiras contar a história do surgimento do código de barras.
 
Código de barras
A primeira delas descreve um momentos clássico de brilho criativo.
Em 1948, Joseph Woodland, um estudante de pós-graduação do Instituto Drexal, nos Estados Unidos, estava às voltas com uma questão apresentada por um comerciante local.
Havia alguma maneira de agilizar o pagamento em lojas ao automatizar o tedioso processo de registro manual de cada produto vendido?
Woodland era um jovem inteligente. Durante a 2ª Guerra, havia trabalhado no Projeto Manhattan, que criou a bomba atômica. Também tinha desenvolvido um sistema melhor de tocar música no elevador.
Mas o novo enigma o deixara perplexo. Em sua visita ao pais em Miami Beach, ele sentou na praia para pensar, enquanto mexia na areia deixando os grãos caírem por entre os dedos.
Quando ele percebeu os sulcos e cristas na areia criados por ele, algo lhe ocorreu: assim como o código Morse usa pontos e linhas para transmitir uma mensagem, seria possível usar linhas grossas e finas para codificar uma informação.
Uma série de círculos concêntricos pretos e brancos, como um alvo, poderia descrever um produto e seu preço em um código capaz de ser lido por máquinas.
A tecnologia da época permitia concretizar a ideia, mas era algo caro. No entanto, com o avanço dos computadores e a invenção das máquinas de raios laser, ela se tornou mais factível.
O sistema de círculos foi redesenvolvido e refinado diversas vezes ao longo dos anos. Na década de 1950, o engenheiro David Collins estampou linhas grossas e finas nos vagões de um trem para que pudessem ser identificados automaticamente por meio de um escâner.

Alvo em preto e branco

No início dos anos 1970, o engenheiro da IBM George Laurer pensou que um retângulo seria mais compacto do que o círculo de Woodland e desenvolveu um sistema tão rápido com base em laser e computadores que bastava passar os produtos no leitor para processá-los.
Os rabiscos de Woodland finalmente haviam se tornado realidade.

A outra narrativa

Mas há uma outra forma de contar essa história, tão importante quanto a primeira - mas muito menos elaborada ou charmosa.
Em setembro de 1969, técnicos de sistemas administrativos da Associação de Fabricantes de Produtos Alimentícios (GMA, na sigla em inglês) se reuniram com seus equivalentes da Associação Nacional de Cadeias de Alimentação dos Estados Unidos (NAFC, na sigla em inglês).
 
O objetivo era chegar a um acordo sobre um código único para os produtos. A GMA queria um de 11 dígitos que englobasse vários tipos de etiquetas já em uso. Já a NAFC queria um de 7 dígitos, que pudesse ser lido pelos sistemas mais simples e baratos utilizados no caixa.
A reunião terminou em frustração. Foram necessários anos de uma delicada diplomacia - e incontáveis comitês e subcomitês - até que finalmente a indústria americana chegasse ao Código Universal de Produto.
Ambas as versões da história viraram realidade em julho de 1974 em uma loja da rede de supermercados Marsh em Troy, no Estado de Ohio, quando a caixa Sharon Buchan passou um pacote de chiclete da marca Wringley's pelo leitor, registrando automaticamente seu preço de US$ 0,67.
A venda apresentou do código de barras para o mundo.

Chiclete Wringley's

Tendemos a pensar nesse retângulo com linhas como uma mera ferramenta tecnológica de economizar dinheiro para supermercados, ao tornar seu negócio mais eficiente, e nós mesmos, com a subsequente redução dos preços.
Mas ele fez muito mais, e essa é a razão pela qual a segunda versão da história é tão importante quanto a primeira: o código de barras mudou o equilíbrio de poder na indústria alimentícia.
É por isso que todas aquelas reuniões de comitês foram necessárias e só se chegou a uma decisão quando os técnicos foram substituídos pelos chefes de seus chefes, os diretores-executivos. Havia muito em jogo.
À medida que passava o tempo, foi ficando evidente que o código de barras desequilibraria a balança a favor de um certo tipo de comerciante.
Para os negócios familiares pequenos, adotar o sistema era uma solução cara para um problema que não tinham. Por sua vez, os grandes supermercados podiam compensar o custo dos leitores, porque vendiam muito mais.
Havia muitas vantagens. As filas dos caixas encurtaram. Ficou mais fácil controlar o estoque. Evitou-se roubos antes facilitados pelo caixa manual (o funcionário podia não registrar um produto e embolsar parte do pagamento, mas não conseguia fazer isso se os produtos fossem escaneados).
E, em uma década de inflação alta nos Estados Unidos, o código de barras permitia mudar os preços de produtos sem ter de etiquetá-los um a um.
A marca branca e preta invadiu a indústria de varejo e, com ela, os grandes comerciantes se expandiram nos anos 1970 e 1980.

A chegada de uma gigante

Com a possibilidade de automatizar e controlar o estoque, o custo de oferecer uma ampla gama de produtos caiu. As lojas em geral e os supermercados em especial começaram a vender desde flores a aparelhos eletrônicos.
Gerenciar uma operação em larga escala tão diversificada e complexa logisticamente havia se tornado bem mais simples. Talvez o maior reflexo da mudança tenha ocorrido em 1988, quando a loja de departamentos Wal-Mart decidiu começar a vender comida.
 
Caminhão da Wal-Mart
 
Isso fez da empresa a maior rede de venda de alimentos dos Estados Unidos e a maior varejista do mundo, quase tão grande quanto seus cinco principais rivais juntos.
A Wal-Mart foi um dos primeiros negócios a adotar o código de barras - e segue investindo em logística e administração de estoque computadorizados de ponta.
Assim, tornou-se uma importante ponte entre os fabricantes chineses e consumidores americanos.
Ao adotar a tecnologia, conseguiu atingir uma escala que permitiu mandar compradores à China e encomendar produtos baratos em volumes tão grandes que os fabricantes chineses estabeleceram linhas de produção para um único cliente: a Wal-Mart.

Uma obra genial

Os fãs de tecnologia celebram com razão o momento de inspiração de Woodland enquanto mexia na areia.
Mas o código de barras não é só uma maneira de vender mais eficientemente. Também estabeleceu que tipo de comércio pode ser eficiente.
Por isso, tornou-se um símbolo de forças do capitalismo impessoal global tão forte que acabou sendo usado para protestar contra o que simboliza.
Desde os anos 1980, pessoas registram sua oposição a esse sistema tatuando um código de barras em si mesmas.
Então, sim, essas linhas pretas e brancas são uma pequena e genial obra de engenharia. No entanto, vale a pena se lembrar que essa obra mudou a forma como funciona a economia mundial.
BBC Brasil

O fim de uma era: Noruega é o primeiro país do mundo a parar com transmissões de rádio em FM

Sob os olhares de outras nações, a Noruega se tornou o primeiro país do mundo a tirar do ar o sinal FM na última quarta-feira.
 
O desligamento começou na manhã do dia 11, na cidade mais ao norte do país, Bodø, perto do Círculo Polar Ártico, e teve cobertura ao vivo da televisão norueguesa.
Segundo o governo, hoje, a Noruega tem 22 estações nacionais de rádio digital e ainda há espaço para outras 20.
O serviço público de radiodifusão norueguês, o NRK, desligará seu sinal FM (a sigla de origem inglesa vem de Frequencia Modulada) antes da concorrência.
Mas este processo não será repentino: o sinal sairá do ar região por região, a partir de janeiro deste ano.

Economia

O ministério da Cultura norueguês estima que a digitalização das emissoras nacionais de rádio gerará uma economia anual de cerca de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 80 milhões).
"O custo de transmissão de rádio nacional pela rede FM é oito vezes maior que pela rede de Retransmissão Digital de Áudio", disse o ministério em um comunicado.
Isso se deve em parte pelo menor consumo de energia da transmissão digital.
 
Microfone e fones de ouvido
 
A ministra da Cultura, Thorhild Widvey, elenca outras vantagens.
"Os ouvintes terão acesso a um conteúdo de rádio mais diverso e plural e desfrutarão de uma maior qualidade de áudio, além de novas funcionalidades", disse ela recentemente.
Segundo Widvey, a digitalização também melhorará o sistema de resposta diante de emergências, já que a rádio digital é menos vulnerável a condições de clima extremas.

Indústria

Vários outros países da Europa e do sul da Ásia também avaliam uma transição para a rádio digital.
Segundo o analista britânico James Cridland, o momento do desligamento do sinal FM na Noruega será um "momento de apreensão" para a indústria de rádio global.
"Espero que os noruegueses tenham feito o suficiente para reter a audiência e para garantir que aqueles que não tenham feito a transição para o digital o façam logo", disse.
"Quem escuta rádio pode decidir, em vez disso, passar a ouvir sua coleção de músicas ou os serviços de streaming. Se a mudança prejudicar a audiência, pode ser que outros países fiquem menos dispostos a também desligar seu sinal FM e AM."
BBC Brasil