sexta-feira, 7 de abril de 2017

Por que há uma guerra na Síria: 10 perguntas para entender o conflito

Pelo menos seis pessoas morreram após os EUA lançarem 59 mísseis Tomahawk na Síria na noite de quinta-feira. Autoridades americanas dizem que o alvo foi a base responsável pelo ataque com armas químicas que matou dezenas de civis na terça-feira.
 
 
O bombardeio, feito a partir de dois navios de guerra americanos estacionados no mar Mediterrâneo, dá novos contornos ao conflito, que já dura mais de seis anos. A Rússia, aliada do presidente Bashar al-Assad, condenou a medida - ela nega que o governo sírio esteja usando armas químicas.
O ataque dos Estados Unidos foi ordenado por seu presidente, Donald Trump, que até pouco tempo atrás citava Assad como um aliado na guerra contra o terror. Mas tudo mudou após imagens do ataque da terça chocarem o mundo. "Quando você mata crianças inocentes, bebês inocentes, bebês pequenos (...) isso passa dos limites", reagiu o republicano, que classificou o ocorrido como uma "afronta à humanidade".
Entenda, a seguir, os últimos acontecimentos e a origem de um conflito que já deixou mais de 400 mil mortos e provocado um êxodo de mais de 4,5 milhões de pessoas do país, segundo a ONU - o maior da história recente.
 
Enterro de vítimas da tragédia
 

1. O que foi o 'ataque químico' que motivou a reação dos EUA?

De acordo com o grupo britânico de monitoramento do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, 86 pessoas - 27 delas crianças - foram mortas no incidente químico em Khan Sheikhoun, na província de Idlib.
Tanto a Organização Mundial da Saúde quanto a instituição de caridade médica Médicos Sem Fronteiras disseram que algumas das vítimas apresentavam sintomas consistentes de exposição a agentes que afetam o sistema nervoso.
 
O ministro da Justiça da Turquia, Bekir Bozdag, disse que as necropsias realizadas nos corpos de três vítimas confirmaram que armas químicas foram usadas e que as forças de Assad foram as responsáveis pelo ataque.
Trinta e duas pessoas foram levadas para a Turquia para tratamento.

2. O que dizem os líderes americanos?

"Eu vou te dizer, aconteceu que minha visão em relação à Síria e Assad mudou muito", afirmou Trump após o ataque. Antes, ele citava o presidente do país em guerra como um aliado na luta contra o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico, que controla algumas regiões sírias.
Questionado durante uma reunião com o rei Abdullah da Jordânia na Casa Branca sobre estar formulando uma nova política em relação ao país do Oriente Médio, o americano disse a repórteres: "Vocês verão".
O que se seguiu foi o bombardeio realizado na noite da quinta-feira.
Ao falar da ofensiva, Trump chamou Assad de "ditador" por ter lançado um "ataque com armas químicas terríveis contra civis inocentes".
"É vital para os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos prevenir e dissuadir a propagação e o uso de armas químicas", completou.

Donald Trump durante pronunciamento

3. O que dizem os russos?

A Rússia reconheceu que os aviões sírios atacaram Khan Sheikhoun, mas diz que a aeronave atingiu um depósito que produzia armas químicas para serem usadas por militantes no Iraque.
A "aviação da Síria fez um ataque contra um grande depósito de munição terrorista e uma concentração de equipamento militar nos subúrbios a leste da cidade de Khan Sheikhoun", disse o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konoshenkov.
O governo russo condenou o ataque americano, classificando o bombardeio com uma "agressão contra uma nação soberana".
Dmitry Peskov, porta-voz do governo, disse que a ofensiva dos EUA "causa um dano significativo às relações entre Washington e Moscou". Segundo ele, o presidente Vladimir Putin vê o ataque como "uma intenção de distrair o mundo pela morte de civis provocadas pela intervenção militar no Iraque".

4. Assad já usou armas químicas antes?

O governo sírio foi acusado por potências ocidentais de disparar foguetes de sarin (composto químico que age no sistema nervoso) em Ghouta, Damasco, matando centenas de pessoas em agosto de 2013.
O presidente Assad negou a acusação e culpou os rebeldes, mas concordou em destruir o arsenal químico da Síria. Apesar disso, a Organização pela Proibição de Armas Químicas continuou a reportar o uso de produtos químicos tóxicos em ataques no país.
Nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Muallem, voltou a negar esse tipo de ação.
"Reforço mais uma vez que nosso Exército nunca usou e não usará armas químicas", disse ele. "Não apenas contra nossos civis, nosso povo, mas também não usará armas químicas contra os terroristas que estão atacando e matando nossos civis com seus morteiros."
A Síria classificou o ataque americano na quinta como uma ação "tola e irresponsável".
"O que a América fez não é nada menos que uma atitude tola e irresponsável, que só revela sua visão míope e cegueira política e militar em relação à realidade", informou o gabinete de Bashar al-Assad.

5. Qual era a situação na Síria antes da guerra - e o que levou ao conflito?

Antes do início do conflito, muitos sírios se queixavam de um alto nível de desemprego, corrupção em larga escala, falta de liberdade política e repressão pelo governo Bashar al-Assad - que havia sucedido seu pai, Hafez, em 2000.
Em março de 2011, adolescentes que haviam pintado mensagens revolucionárias no muro de uma escola na cidade de Deraa, no sul do país, foram presos e torturados pelas forças de segurança.
O fato provocou protestos por mais liberdades no país, inspirados na Primavera Árabe - manifestações populares que naquele momento se estendiam pelos países árabes.
Quando as forças de segurança sírias abriram fogo contra os ativistas - matando vários deles -, as tensões se elevaram e mais gente saiu às ruas. Os manifestantes pediam a saída de Assad.
A resposta do governo foi sufocar as divergências, o que reforçou a determinação dos manifestantes. No fim de julho de 2011, centenas de milhares saíram às ruas em todo o país exigindo a saída de Assad.

6. Como começou a guerra civil?

À medida que os levantes da oposição aumentavam, a resposta violenta do regime se intensificava. Simpatizantes do grupo antigoverno começaram a pegar em armas - primeiro para se defender e depois para expulsar as forças de segurança de suas regiões.
Assad prometeu "esmagar" o que chamou de "terrorismo apoiado por estrangeiros" e restaurar o controle do Estado.
A violência rapidamente aumentou no país: grupos rebeldes se reuniram em centenas de brigadas para combater as forças oficiais e retomar o controle das cidades e vilarejos.
Em 2012, os enfrentamentos chegaram à capital, Damasco, e à segunda cidade do país, Aleppo.
O conflito já havia, então, se transformado em mais que uma batalha entre aqueles que apoiavam Assad e os que se opunham a ele - adquiriu contornos de guerra sectária entre a maioria sunita do país e xiitas alauítas, o braço do Islamismo a que pertence o presidente.
 

Destruição em Homs, na Síria

Isto arrastou as potências regionais e internacionais para o conflito, conferindo-lhe outra dimensão.
Em junho de 2013, as Nações Unidas informaram que o saldo de mortos já chegava a 90 mil pessoas.

7. Quem está lutando contra quem?

A rebelião armada da oposição evoluiu significativamente desde suas origens.
O número de membros da oposição moderada secular foi superado pelo de radicais e jihadistas - partidários da "guerra santa" islâmica. Entre eles estão o autointitulado Estado Islâmico e a Frente Nusra, afiliada à al-Qaeda.
Os combatentes do EI - cujas táticas brutais chocaram o mundo - criaram uma "guerra dentro da guerra", enfrentando tanto os rebeldes da oposição moderada síria quanto os jihadistas da Frente Nusra.
Também combatem o Exército curdo, um dos grupos que os Estados Unidos estão apoiando no norte da Síria.
Desde 2014, os EUA, junto com o Reino Unido e a França, realizam bombardeios aéreos no país, mas procuram evitar atacar as forças do governo sírio.
Já a Rússia lançou em 2015 uma campanha aérea com o fim de "estabilizar" o governo após uma série de derrotas para a oposição.
A intervenção russa possibilitou vitórias significativas das forças sírias. A maior delas foi a retomada da cidade de Aleppo, um dos principais redutos dos grupos de oposição, em dezembro de 2016.
Os rebeldes moderados têm requisitado armas antiaéreas ao Ocidente para responder ao poderio do governo sírio. Mas Washington e seus aliados têm procurado controlar o fluxo de armas por medo de que acabem indo parar nas mãos de grupos jihadistas.

8. Qual é o envolvimento das potências internacionais?

Na era Obama, os Estados Unidos culpavam Assad pela maior parte das atrocidades cometidas no conflito e exigiam que ele deixasse o poder como pré-condição para a paz.
Trump, por sua vez, dizia que derrubar o presidente sírio não era uma prioridade, mas sim derrotar o Estado Islâmico - e que Assad era um aliado nessa batalha. Após o aparente ataque químico ocorrido na última terça, porém, seu discurso mudou.
Já a Rússia apoia a permanência de Assad no poder, o que é crucial para defender os interesses de Moscou no país.
O Irã, de maioria xiita, é o aliado mais próximo de Bashar al-Assad. A Síria é o principal ponto de trânsito de armamentos que Teerã envia para o movimento Hezbollah no Líbano - a milícia também enviou milhares de combatentes para apoiar as forças sírias.
Estima-se que os iranianos já tenham desembolsado bilhões de dólares para fortalecer as forças sírias, provendo assessores militares, armas, crédito e petróleo.

Raqqa, o norte do país, sob controle do 'EI'

Contrapondo-se à influência do Irã, a Arábia Saudita, principal rival de Teerã na região, tem enviado importante ajuda militar para os rebeldes, inclusive para grupos radicais.
Outro aliado importante dos rebeldes sírios, a Turquia tem buscado limitar o apoio dos EUA às forças curdas, que acusam de apoiar rebeldes do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão).
Os rebeldes da oposição síria têm ainda atraído apoio em várias medidas de outras potências regionais, como Catar e Jordânia.

9. Por que a guerra está durando tanto?

Um fator chave é a intervenção de potências regionais e internacionais.
Seu apoio militar, financeiro e político tanto para o governo quanto para a oposição tem contribuído diretamente para a continuidade e intensificação dos enfrentamentos, e transformado a Síria em campo para uma guerra indireta.
A intervenção externa também é responsabilizada por fomentar o sectarismo no que costumava ser um Estado até então secular (imparcial em relação às questões religiosas).
As divisões entre a maioria sunita e a minoria alauita no poder alimentou atrocidades de ambas as partes, não apenas causando a perda de vidas, mas a destruição de comunidades, afastando a esperança de uma solução pacífica.

Combatente rebelde na Síria

A escalada de terror causada por grupos jihadistas como o EI - que aproveitou a fragilidade do país para tomar o controle de vastas partes de território no norte e leste - acrescentou outra dimensão ao conflito.

10. Qual é o impacto da guerra?

O enviado da ONU para a Síria, Steffan de Mistura, estimou que a guerra já matou 400 mil pessoas.
Para a organização Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediada em Londres, até setembro a cifra de mortos passava de 465 mil.
Já o Centro Sírio para Pesquisa de Políticas, outro grupo de estudos, calcula que o conflito já tenha causado a morte de mais de 470 mil pessoas.
Segundo a ONU, até fevereiro de 2016 mais de 5 milhões de pessoas haviam fugido do país - a maioria mulheres e crianças.
O êxodo de refugiados, um dos maiores da história recente, colocou sob pressão os países vizinhos - Líbano, Jordânia e Turquia.
Cerca de 10% deles buscam asilo na Europa, provocando divisões entre os países do bloco europeu sobre como dividir essas responsabilidades.

E as estatísticas terríveis não param por aí.
A ONU disse que são necessários US$ 3,2 bilhões para prover ajuda humanitária a 13,5 milhões de pessoas - incluindo seis milhões de crianças - no país.
Além disso, 70% da população não tem acesso a água potável, uma em cada três pessoas não consegue suprir as necessidades alimentares básicas, mais de 2 milhões de crianças não vão à escola e uma em cada cinco indivíduos vive na pobreza.
As partes em conflito têm complicado ainda mais a situação ao recusar o acesso das agências humanitárias aos necessitados.

Ataque aéreo na Síria
Fonte: BBC Brasil

Por que a América Latina é a única região do mundo onde o Islã não cresce

O islã é a religião que mais cresce no mundo. Espera-se que, até o final do século, ela ultrapasse o cristianismo para se tornar a religião com o maior número absoluto de fiéis do planeta.

Na América Latina, contudo, o aumento do número de seguidores do Corão não acompanha o ritmo registrado em outras partes do mundo.
Estudo feito pelo Centro de Pesquisas Pew, dos Estados Unidos, aponta a América Latina como a única região onde a taxa de crescimento da população estimada para 2050 supera com folga o aumento de muçulmanos.
O levantamento prevê que, entre 2010 e 2050, a região tenha uma população 27% maior e um incremento de 13% no número de seguidores do islã. Nesse mesmo período, o número de muçulmanos deve crescer 73% em todo o mundo, enquanto o crescimento populacional deve ser de 35%. .
Intitulado O Futuro das Religiões do Mundo, o estudo prevê que, em 2050, o número de muçulmanos no mundo será "quase igual" ao de cristãos, e que, "mantidas as tendências demográficas atuais, o número de muçulmanos deverá ultrapassar o de cristãos até o final do século".
No que concerne América Latina e Caribe, o estudo usa dados de 19 países. Ele estima em 940 mil a população de muçulmanos na região para 2050, número inferior à quantidade de seguidores do islã registrada em 2010 em países como Espanha ou Itália.
O que explica o fato de o islamismo ser menos popular entre os latino-americanos? Veja abaixo, três aspectos que explicam tendência:

1. Poucos fiéis e pouco apelo a imigrantes

A América Latina é considerada uma região única porque abriga uma fração mínima dos cerca de 1,6 bilhões de muçulmanos no mundo e não registra um intenso fluxo migratório de pessoas procedentes de países onde o islã é a principal religião.
"Estimamos que em 2010 eram 840 mil vivendo em todos os países da região, incluindo o Caribe", disse à BBC Conrad Hackett, demógrafo e diretor associado do Centro de Pesquisas Pew.
Segundo Hackett, não há nenhuma evidência de que o mesmo fenômeno observado nos EUA e no Canadá, onde a imigração impulsiona o crescimento do islã, esteja se repetindo em países latino-americanos.
Aumento da população muçulmana para 2050
  • Estados Unidos e Canadá 179%
  • África subsaariana 170%
  • Oriente Médio e Norte da África 74%
  • Europa 63%
  • Ásia-Pacífico 48%
  • América Latina 13%

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Quem inventou o Acre?



Aqui não tem pós-verdade: apesar de Bruno Borges ter colocado o estado mais misterioso do Brasil no radar mundial, ele nada tem a ver com o surgimento do Acre.
E muito menos o Giordano Bruno, que embora tenha sido pioneiro em teorizar sobre um Universo infinito, jamais imaginou que tal infinitude alcançasse território tão remoto – e muito menos que uma estátua sua fosse parar lá mais de 400 anos depois de sua existência material.
O território acreano (ou acriano, segundo o Novo Acordo Ortográfico) foi demarcado e declarado como parte da Bolívia em 1750, com o Tratado de Madri, assinado entre portugueses e espanhóis. O Brasil, oficialmente, nem tinha interesse no território por causa do difícil acesso, no meio da Amazônia. Pelo mesmo motivo, os bolivianos não colonizaram a região.
Até que pintou o interesse dos gringos pela borracha produzida a partir das seringueiras da região. A Bolívia passou a lucrar alto, mas a maioria dos produtores e habitantes locais eram brasileiros. E aí rolou a treta e a “invenção” do Acre brasileiro, capitaneada pelo gaúcho Plácido de Castro, tchê.
Em 1902, o militar comandou um grupo de 33 seringueiros armados e improvisou uma revolução para tomar a terra dos bolivianos, invadindo Xapuri – terra-natal de outro célebre acreano, o ativista ambiental e sindicalista Chico Mendes.
Passados pouco mais de cinco meses, estava fundado o Estado Independente do Acre, em janeiro de 1903 – foi só entre o fim deste ano e o início de 1904 que ele virou território nacional, com o Brasil pagando o equivalente a mais de R$ 800 milhões, em valores atuais, ao governo boliviano pela posse.
Depois disso, só promoção no status do “Extremo do Brasil”, oficializado como Estado da União em 1962 e reconhecido hoje em dia como terra-natal de Chico Mendes e de Bruno Alves – que se não fosse por Plácido, seriam célebres bolivianos.
Superinteressante.com

Museu Cidade Proibida acha 55 mil novas relíquias escondidas em seu interior

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Responsáveis do Museu da Cidade Proibida em Pequim anunciaram que foram encontradas 55.132 novas peças de alto valor histórico enquanto era feito um inventário das milhares de salas desse antigo Palácio Imperial, informou nesta quinta-feira o jornal local "Global Times".
Muitos objetos foram encontrados em cantos do palácio, cobertos de pó, no árduo trabalho de inventário que foi realizado entre 2014 e 2016, explicou o diretor do museu, Shan Jixiang.
Os novos achados incluem manuscritos imperiais, tábuas de pedra e ossos com gravuras, além de mais de 7 mil fotografias da vida cotidiana no interior do antigo Palácio Imperial  no século XIX e princípios do XX, pouco antes da queda da dinastia Qing.
A coleção do museu, uma das maiores de arte chinesa do mundo, ainda conta com grande parte que foi levada a Taiwan em meados de século passado durante a guerra civil, e continuam na ilha.
Entre as peças mais valiosas achadas estão vários textos escritos pelo imperador Qianlong durante seu longo reinado (1735-1796).
Algumas das novas incorporações ao tesouro do museu estão sendo expostas em uma mostra na própria Cidade Proibida, em cartaz até 15 de abril.
A Cidade Proibida de Pequim, ao norte da Praça da Paz Celestial, foi a residência dos imperadores das dinastias Ming e Qing, entre os séculos XVIII e XX, e após a queda da monarquia se transformou no Museu de Palácio, atualmente uma das maiores atrações turísticas da China, com 14 milhões de visitantes anuais.

Canibalismo no paleolítico não era só por razões nutricionais, diz estudo

 

Os episódios de canibalismo no período paleolítico poderiam ter motivações distintas à utilidade "nutricional" do consumo de carne humana, revelou um estudo publicado nesta quinta-feira na revista "Scientific Reports".
O pesquisador da Universidade de Brighton (Reino Unido) James Cole calculou o valor energético do corpo humano, para determinar o aproveitamento nutricional do canibalismo em comparação ao consumo de outros animais.
O trabalho sugere que os músculos esqueléticos humanos apresentam calorias similares às de outros animais de peso e tamanho parecidos. As partes humanas, no entanto, fornecem menos calorias do que os músculos de outros animais maiores que podiam ser encontrados naquele período, como o mamute, o rinoceronte lanudo e algumas espécies de cervos.
"Isto pode indicar que as razões que levavam à antropofagia entre hominídeos talvez não fossem puramente nutricionais", afirma o estudo.
O autor afirma que uma grande quantidade de espécies de hominídeos praticava o canibalismo, pelo menos, desde o início do pleistoceno, apesar de ressaltar que "nem todas as populações de hominídeos" o praticaram.
O número de partes de fósseis do paleolítico que apontam a práticas canibais é "relativamente pequeno", embora dada a natureza dispersa do registro fóssil, "o fato de que exista alguma evidência de canibalismo leva a inferir que esse comportamento talvez fosse mais comum do que se acredita entre as populações pré-históricas", diz Cole.
O estudo publicado na "Scientific Reports" se baseia no cálculo de calorias que o corpo humano apresenta a partir da composição de gordura e de proteínas de quatro homens adultos modernos. O autor adverte que os dados não são diretamente extrapoláveis a espécies diferentes ao Homo sapiens da pré-história e ressalta que o número de calorias poderia variar em outros supostos.
No caso dos neandertais, o valor nutricional do músculo esquelético poderia ser maior do que o calculado, já que contavam com maior massa muscular.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Laboratório russo de alta tecnologia é inaugurado em Minas Gerais

Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis (MG), inaugurou na tarde de hoje (5) o telescópio russo que vinha sendo montado desde o ano passado. O equipamento, de alta tecnologia, será o mais avançado em funcionamento no Brasil. Com 75 centímetros (cm) de abertura, ele terá campo de visão mais abrangente e será capaz de mapear área maior que qualquer outro instalado em solo nacional.

Telescópio russo é inaugurado no Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis (MG), e é o mais avançado em funcionamento no Brasil  

O telescópio será voltado para o monitoramento de lixo espacial e para diagnosticar possíveis colisões com a Terra, com outros detritos espaciais e com satélites. A instalação é resultado de um acordo assinado em abril do ano passado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI) e a Roscosmos, agência espacial russa que se comprometeu com um investimento estimado em R$ 10 milhões. Em contrapartida, o Brasil ofereceria estrutura para operação do equipamento, além de arcar com os custos de energia e internet, entre outros.
A parceria é o desdobramento de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pela Rússia. Um telescópio similar já opera há alguns anos em território russo. Havia no entanto a necessidade de parceiros do Hemisfério Sul. Outros países, como a África do Sul, também estão em negociação com a Roscosmos. No Brasil, foram encontradas condições favoráveis no Observatório do Pico dos Dias.
 
A posição geográfica é um dos fatores que contribuiu para a escolha do local. Os telescópios no Brasil e na Rússia estarão em uma posição que possibilitará a captura de imagens complementares. Além disso, a região tem um céu que favorece a observação. O Observatório do Pico dos Dias está situado a cerca de 1,8 mil metros de altitude e é gerenciado pelo Laboratório Nacional de Astrofísica, vinculado ao MCTI. Ele já tem mais quatro telescópios. Nos próximos dias, os técnicos brasileiros que vão operar o novo equipamento passarão por um treinamento com engenheiros russos.

Vantagens

Com o telescópio instalado, o Brasil poderá se preparar melhor para o lançamento de satélites, uma vez que terá dados mais detalhados dos percursos do lixo espacial. Há inúmeras peças grandes viajando na órbita da Terra e suas trajetórias precisam ser observadas para prevenir um impacto que pode ser destruidor. Atualmente, para colocar em órbita um novo satélite, o Brasil precisa seguir recomendações da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. No entanto, os norte-americanos não fornecem informações detalhadas. Com o novo equipamento, haverá mais elementos para escolher a melhor órbita.
 
Ainda na fase de testes, o telescópio foi capaz de detectar cerca de 200 detritos espaciais numa única imagem. "Existe uma preocupação em proteger os satélites e, com isso, garantir que serviços não sejam comprometidos. Tudo que utilizamos no dia a dia corre risco de interrupção caso um satélite em órbita seja danificado", Bruno Castilho, diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica.
As imagens geradas pelo equipamento também vão contribuir com a pesquisa brasileira, favorecendo estudos sobre asteroides, cometas e estrelas. Todos os dados e fotos ficarão disponíveis para a comunidade científica. Os interessados em ter acesso a eles para fins científicos precisarão fazer uma requisição ao Laboratório Nacional de Astrofísica. "Vamos ter acesso a uma grande quantidade de dados sem custos para o país", acrescenta Castilho.
Terra.com

Brasil tem maior diversidade de árvores do planeta, diz estudo inédito


Digitalização de dados permitiu fazer levantamento inédito de espécies
Há 8.715 espécies de árvores no território brasileiro, 14% das 60.065 que existem no planeta. Em segundo na lista vem a Colômbia, com 5.776 espécies, e a Indonésia, com 5.142.
Publicado no periódico Journal of SustainableForestry , o estudo foi realizado pela Botanical Gardens Conservation International (BGCI na sigla em inglês), uma organização sem fins lucrativos, com base nos dados de sua rede de 500 jardins botânicos ao redor do mundo.
A expectativa é que a lista, elaborada a partir de 375,5 mil registros e ao longo de dois anos, seja usada para identificar espécies raras e ameaçadas e prevenir sua extinção.

Ameaça

A pesquisa mostrou que mais da metade das espécies (58%) são encontradas em apenas um país, ou seja, há países que abrigam com exclusividade, certas espécies - podem ser centenas ou milhares -, o que indica que estão vulneráveis ao desmatamento gerado por atividade humana e pelo impacto de eventos climáticos extremos.Trezentas espécies foram consideradas seriamente ameaçadas, por terem menos de 50 exemplares na natureza.Também foi identificado que, com exceção dos polos, onde não há árvores, a região próxima do Ártico na América do Norte tem o menor número de espécies, com menos de 1,4 mil.
Trezentas espécies estão seriamente ameaçadas, por terem menos de 50 exemplares na natureza

terça-feira, 4 de abril de 2017

Irã, 70 graus C: os mistérios do deserto de Lut, o lugar mais quente da Terra

Cientistas encontraram água na região
 
Uma expedição de cientistas foi ao lugar mais quente do planeta, o deserto de Lut, no Irã, investigar como é possível existir vida animal ali, mas não vegetação. Na área, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, as temperaturas chegam a até 70°C.
Em persa, a região é chamada Dasht-e-Loot, o que significa algo como "deserto do vazio". Mas apesar desse nome, foram descobertos ali água, insetos, répteis e raposas do deserto.
"Há espécies de animais que não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta", explica à BBC Amir AghaKouchak, professor de Hidrologia da Universidade da Califórnia em Irvine e um dos cientistas a participar da expedição.
No entanto, curiosamente não há registro de vegetação em nenhum ponto dos 52 mil quilômetros quadrados de deserto, localizado no sudeste do país, próximo às fronteiras do Paquistão e Afeganistão.
E o que cientistas querem entender é exatamente como existe uma cadeia alimentar numa região tão árida e sem plantas.
"Nossa maior pergunta é como um ambiente tão inóspito pode manter vida, especialmente se não há vida vegetal. Como as raposas do deserto podem sobreviver nesse ambiente tão hostil? E de onde vem a água", explica o professor sobre  a expedição.

Pássaros como alimento

AghaKouchak viajou ao coração do deserto de Lut com um grupo de pesquisadores de diferentes áreas que trabalham nos Estados Unidos, Irã e países europeus.
Uma das hipóteses dos cientistas é que pássaros que morrem na área são parte importante da cadeia alimentar.
"Frequentemente avistamos pássaros mortos no deserto. A maioria são aves migratórias que provavelmente se perderam durante seu trajeto e terminaram chegando a Lut."
Para comprovar ou descartar a teoria, os pesquisadores coletaram amostras das aves mortas durante a expedição.

70°C

Imagens de satélite mostraram o recorde de 70,7ºC em 2005. Temperatura que, segundo o pesquisador, não foi um caso isolado - outras observações registraram números semelhantes.
AghaKouchak explica ainda que a geografia da região é o que provoca temperaturas tão altas - algumas áreas são compostas de rochas vulcânicas, que absorvem calor, e outras, de dunas e vento forte.
"A combinação dessas circunstâncias, de superfície muito quente e muito vento, é o que provoca o calor extremo. É como ter um secador de cabelo funcionando o tempo todo", compara o cientista.
Apesar de a região parecer pouco atraente, o pesquisador a descreve como um deserto de "dunas elegantes" que ganham "padrões incríveis" criados pelo vento. E que é repleto de "kaluts", formações de rocha criadas pela erosão do vento.

'Mar escondido'

Imagens de satélite também mostraram padrões de umidade no terreno.
Inicialmente, os pesquisadores não acreditaram nas informações transmitidas - pensaram que as rochas da região estavam enviando sinais distorcidos.
"Mas quando chegamos ao lugar onde as imagens mostravam umidade, nossos veículos ficaram presos em vários centímetros de lodo", contou o pesquisador.
"Essa foi a confirmação de que existia de fato água ali. E não se trata de um lugar pequeno. Acreditamos que se trata de uma área grande, a qual decidimos chamar de 'o mar escondido de Lut'. Porque a água é salgada", acrescenta.
O pesquisador sugere que a umidade surge das distantes montanhas que rodeiam a zona plana - as águas das ocasionais chuvas da primavera e do início do outono seriam drenadas até ali.

Ciência comprova: sonecas realmente te deixam mais feliz

Homem acordando feliz e desligando o despertador
 
Você se sente feliz depois de um cochilo? Um breve período de sono pode realmente ter esse efeito, segundo uma nova pesquisa da Universidade de Hertfordshire, do Reino Unido. Porém, sem exageros: os resultados limitam-se a sestas de até 30 minutos durante o dia. Mais que isso, pode ser prejudicial.
“Pesquisas anteriores mostraram que cochilos de menos de 30 minutos nos tornam mais focados, produtivos e criativos. As novas descobertas sugerem, também, a possibilidade de sermos mais felizes apenas por tirar uma curta soneca”, disse Richard Wiseman, autor do estudo, ao site Medical Xpress.

Resultados

A pesquisa online contou com a participação de mais de 1.000 pessoas, cujos níveis de felicidade em relação ao período de sono durante o dia foram avaliados. Os participantes foram divididos em três grupos: aqueles que não cochilavam, aqueles que tiravam sonecas de 30 minutos ou menos e os que dormiam por períodos mais longos.
Os resultados mostraram que 66% dos que cochilavam por até 30 minutos relataram sentirem-se mais felizes, em comparação ao mesmo grau de felicidade em 60% dos que não dormiam e 56% dos que dormiam mais. Em uma escala de 0 a 5 de felicidade, os cochilos mais curtos atingiram 3,67, contra 3,53 dos inexistentes e 3,44 das sonecas de maior duração.
Houve uma notável diferença de idade nos resultados apresentados. Os jovens – participantes entre 18 e 30 anos – tendiam a dormir menos durante a noite, compensando as horas de sono perdidas com cochilos maiores à tarde, em comparação com aqueles com mais de 50 anos.

Riscos

“Muitas pesquisas mostram que cochilos curtos impulsionam o desempenho”, explicou o psicólogo. Algumas empresas como o Google e o Facebook têm espaços para descanso em suas sedes. No entanto, é preciso ter cuidado com o tempo de duração desses descansos diurnos. “Uma sesta mais longa está associada a vários riscos para a saúde.”
De acordo com outro estudo da Universidade de Tokyo, no Japão, apresentado no seminário American College of Cardiology, sonecas de uma hora estão associadas a um aumento de até 82% de doença cardiovascular.
Veja.com

Nasa: vídeo de satélite levanta teoria sobre vida extraterrestre

Ufólogos defendem que vídeo de satélite lançado pela Nasa revelam vida extraterrestre

O satélite SpaceX foi lançado em Cape Canaveral, na Flórida, nos Estados Unidos, na última quinta-feira (30), pelo Centro Espacial Kennedy, da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). O foguete de 23 andares saiu às 6h27 (horário local) e poderia ser apenas mais um lançamento ao Espaço – mas está dando o que falar nas redes sociais, porque alguns ufólogos defendem se tratar de mais uma prova da existência de vida extraterrestre, com o aparecimento de óvnis.
Alguns canais de ufologia compartilharam o vídeo, que foi originalmente divulgado pela Nasa, e defendem que ele possui cortes de edição a fim de esconder ou disfarçar o aparecimento de alguns pontos de luz misteriosos, que aparecem ao fundo das imagens, ou seja, óvnis. Quando esses supostos objetos aparecem, a câmera sai do satélite e traz imagens de infográficos, que explicam o ponto de partida do satélite, por exemplo.
Pelo menos 20 ufólogos compartilharam ideias e teorias acerca do vídeo em um canal do Youtube, após a transmissão ao vivo feita pela agência durante o lançamento do satélite SpaceX. Alguns deles citam que os cientistas estariam “escondendo informações” sobre “vidas extraterrestres”.  
“Nós podemos ver pelo menos seis óvnis passando ao fundo, e pela distância [do satélite], eu poderia chutar que o tamanho destes objetos é consideravelmente grande”, disse um deles. “Muito maior do que a típica desculpa da agência espacial de partículas de gelo, podemos estar olhando icebergs”, complementa outro.                 
As teorias referentes a este vídeo foram primeiramente compartilhadas pelo canal “Streetcap1”, que divulgou o vídeo com o “SecureTeam10”, um grupo de pessoas que estudam o fenômeno dos óvnis, e investigam fotos e imagens de vídeo – publicando-as online.

Teorias da conspiração

Esta não é a primeira vez que ufólogos defendem que houve cortes em imagens ao vivo após o aparecimento de óvnis. No começo deste ano, uma transmissão ao vivo feita pela Nasa, a partir da Estação Espacial Internacional, causou rebuliço entre o grupo, levantando diferentes tipos de teorias da conspiração. Muitos acreditam que tais cortes nos vídeos são feitos de maneira deliberada e que, naquele caso, era possível perceber seis óvnis. 
 
 

Os hormônios da felicidade: como desencadear efeitos da endorfina, oxitocina, dopamina e seroto

Ao longo dos séculos, artistas e pensadores se dedicaram a definir e representar a felicidade. Nas últimas décadas, porém, grupos menos românticos se juntaram a essa difícil tarefa: endocrinologistas e neurocientistas.
O objetivo é estudar a felicidade como um processo biológico para encontrar o que desencadeia esse sentimento sob o ponto de vista físico.
Ou seja, eles não se importam se as pessoas são mais felizes por amor ou dinheiro, mas o que acontece no corpo quando a alegria efetivamente dispara, e como "forçar" esse sentimento.
Neste sentido, há quatro substâncias químicas naturais em nossos corpos geralmente definidas como o "quarteto da felicidade": endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina.
A pesquisadora Loretta Breuning, autora do livro Habits of a happy brain ("Hábitos de um cérebro feliz", em tradução livre), explica que "quando o seu cérebro emite uma dessas químicas, você se sente bem".
"Seria bom que surgissem o tempo todo, mas não funcionam assim", diz a professora da Universidade Estadual da Califórnia (EUA).
"Cada substância da felicidade tem um trabalho especial para fazer e se apaga assim que o trabalho é feito."
Conheça a seguir maneiras simples para ativar essas quatro substâncias químicas da felicidade, sem drogas ou substâncias nocivas.

1. Endorfinas

As endorfinas são consideradas a morfina do corpo, uma espécie de analgésico natural.
Descoberta há 40 anos, as endorfinas são uma "breve euforia que mascara a dor física", classifica Breuning.

Pimentas

Por isso, comer alimentos picantes é uma das maneiras de liberar esses opiáceos naturais, o que induz uma sensação de felicidade. Mas essa não é a única maneira de obter uma "injeção" de endorfina.
  • De acordo com estudo publicado no ano passado por pesquisadores da Universidade de Oxford (Inglaterra), assistir a filmes tristes também eleva os níveis da substância.
"Aqueles que tiveram maior resposta emocional também registraram maior aumento na resistência a dores e sentimento de unidade em grupo", disse à BBC Robin Dunbar, professor de Psicologia Evolutiva e autor do estudo.
Dançar, cantar e trabalhar em equipe também são atividades que melhoram, por meio de um aumento nas endorfinas, a união social e tolerância à dor, afirma Dunbar.

2. Serotonina

Como a serotonina flui quando você se sente importante, o sentimento de solidão e até mesmo a depressão são respostas químicas à sua ausência.
"Nas últimas quatro décadas, a questão de como manipular o sistema serotoninérgico com drogas tem sido uma importante área de pesquisa em biologia psiquiátrica e esses estudos têm levado a avanços no tratamento da depressão", escreveu em 2007 Simon Young, editor-chefe na revista Psiquiatria e Neurociência.

Mulher corre no parque

Dez anos mais tarde, a depressão se situa como a principal causa principal de invalidez em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se de transtorno mental que afeta mais de 300 milhões de pessoas.
A estratégia mais simples para elevar o nível de serotonina é recordar momentos felizes, diz Alex Korb, neurocientista do site Psicologia Hoje.
Um sintoma da depressão é esquecer situações felizes. Por isso, acrescenta Korb, olhar fotos antigas ou conversar com um amigo pode ajudar a refrescar a memória.
O neurocientista descreve três outras maneiras: tomar sol, receber massagens e praticar exercícios aeróbicos, como corrida e ciclismo.

3. Dopamina

A dopamina é costuma ser descrita como responsável por sentimentos como amor e luxúria, mas também já foi tachada de ser viciante. Daí sua descrição como "mediadora do prazer".
"Baixos níveis de dopamina fazem que pessoas e outros animais sejam menos propensos a trabalhar para um propósito", afirmou John Salamone, professor de Psicologia na Universidade de Connecticut (EUA), em estudo sobre efeitos da dopamina no cérebro publicado em 2012 na revista Neuron.
Por isso, acrescentou o pesquisador, a dopamina "tem mais a ver com motivação e relação custo-benefício do que com o próprio prazer."

Jovem executivo

O certo é que essa substância química é acionada quando se dá o primeiro passo rumo a um objetivo e também quando a meta é cumprida.
Além disso, pode ser gerada por um fato da vida cotidiana (por exemplo, encontrar uma vaga livre para estacionar o carro) ou algo mais excepcional (como receber uma promoção no trabalho).
A melhor maneira de elevar a dopamina, portanto, é definir metas de curto prazo ou dividir objetivos de longo prazo em metas mais rápidas. E celebrar quando atingi-las.

4. Oxitocina

Por ser relacionada com o desenvolvimento de comportamentos e vícios maternos, a oxitocina é muitas vezes apelidada de "hormônio dos vínculos emocionais" e "hormônio do abraço".
Segundo estudo publicado em 2011 pelo ginecologista e obstetra indiano Navneet Magon, "a ligação social é essencial para a sobrevivência da espécie (humanos e alguns animais), uma vez que favorece a reprodução, proteção contra predadores e mudanças ambientais, além de promover o desenvolvimento do cérebro."
"A exclusão do grupo produz transtornos físicos e mentais no indivíduo, e, eventualmente, leva à morte", acrescenta.

Amigas se abraçam

Por isso, o obstetra considera que a oxitocina tem uma "posição de liderança" nesse "quarteto da felicidade": "É um composto cerebral importante na construção da confiança, que é necessária para desenvolver relacionamentos emocionais."
Abraçar é uma forma simples de se conseguir um aumento da oxitocina. Dar ou receber um presente é um outro exemplo.
Breuning, da Universidade da Califórnia, também aconselha construir relações de confiança, dando "pequenos passos" e "negociando expectativas" para que ambas as partes possam concretizar o vínculo emocional.
BBC Brasil

Cientistas desenvolvem "peneira" de grafeno que transforma água do mar em potável.

Membrana de óxido de grafeno
 
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, criou uma "peneira" de grafeno que consegue remover o sal da água do mar. A invenção tem o potencial de ajudar milhões de pessoas sem acesso direto a água potável.
O grafeno é uma das formas cristalinas do carbono, como o diamante e o grafite.
A peneira criada pelos cientistas é feita usando um derivado químico, o óxido de grafeno, e pode ser altamente eficiente na filtragem do sal. Ela agora será testada em comparação a membranas de dessalinização já existentes.

Facilidade

O grafeno foi descoberto em 1962, mas foi pouco estudado até ser redescoberto, isolado e caracterizado por pesquisadores da Universidade de Manchester em 2004. Ele consiste em uma camada fina de átomos de carbono organizada em uma espécie de treliça hexagonal.
Suas propriedades incomuns, como sua força elástica e condutividade elétrica, o tornaram um dos metais mais promissores para futuras aplicações.
Mas até o momento, era difícil e caro produzir barreiras de grafeno em escala industrial com os métodos existentes.
Rahul Nair, que liderou a pesquisa, revela, no entanto, que o óxido de grafeno pode ser feito facilmente em laboratório.
"Em forma de solução ou tinta, podemos aplicá-lo em um material poroso e usá-lo como membrana. Em termos de custo do material e produção em escala, ele tem mais vantagens em potencial do que o grafeno em uma camada."
"Para tornar a camada normal de grafeno permeável, é preciso fazer pequenos buracos nela, mas se esses buracos forem maiores que um nanômetro, os sais escapam por eles. Seria preciso fazer uma membrana com um buraco muito uniforme com menos de um nanômetro para que ela possa ser usada na dessalinização. É muito difícil."
As membranas feitas de óxido de grafeno provaram ser capazes de filtrar nanopartículas, moléculas orgânicas e até sais de cristais maiores. Mas até agora, elas não conseguiam ser usadas para filtrar sais comuns, que requerem peneiras ainda maiores.
Trabalhos anteriores mostravam que as membranas de óxido de grafeno ficavam levemente inchadas quando imersas em água, o que permitia que sais menores passassem por seus poros juntamente com moléculas de água.
 
Água limpa
 
Agora, Nair e seus colegas demonstraram que colocar paredes feitas de resina epóxi em cada lado da membrana de grafeno é suficiente para frear este inchaço.
Isso também permitiu aos cientistas ajustar as propriedades da membrana, deixando passar mais ou menos sal, por exemplo.

Promessa

Até 2025, a ONU estima que 14% da população mundial enfrentará escassez de água.
Enquanto os efeitos da mudança climática continuam a reduzir os reservatórios que abastecem as cidades, países mais ricos investem também em tecnologias de dessalinização como alternativa.
Atualmente, usinas de dessalinização ao redor do mundo usam membranas feitas com polímeros.
"Nosso próximo passo é comparar as membranas de óxido de grafeno com o material mais sofisticado disponível no mercado", diz Rahul Nair.
Mas em um artigo que acompanhava a pesquisa na revista Nature Nanotechnology, o cientista Ram Devanathan, do Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico, nos EUA, disse que seria preciso mais estudo para conseguir, de fato, produzir membranas de óxido de grafeno a baixo custo e em escala industrial.
Segundo ele, a equipe britânica ainda precisa demonstrar a durabilidade da membrana durante o contato prolongado com a água do mar e garantir que ela é resistente ao acúmulo de sais e de material biológico - o fenômeno requer que as barreiras de dessalinização existentes hoje sejam limpas ou substituídas periodicamente.
BBC Brasil

domingo, 2 de abril de 2017

O Santo Graal na arca perdida de Israel

Uma estudante examina vasilhas no Depósito dos Tesouros Nacionais.

O Santo Graal, o cálice do qual bebeu Jesus na última ceia, provavelmente não era de cristal nem de metal, mas sim de pedra calcária, o material purificador preferido entre os judeus da primeira metade do século I para servir suas refeições. É o que explica em tom professoral Gideon Avni, chefe da divisão arqueológica da Autoridade de Antiguidades de Israel, durante uma incomum visita da imprensa ao lugar mais sagrado de sua pesquisa, que reúne mais de um milhão de restos da antiguidade localizados dentro do país desde seu nascimento, em 1948.
Não se trata de um bunker secreto inexpugnável nem de um recinto fortificado sob a proteção do Tzahal, o poderoso Exército israelense, mas sim de um armazém na cidade de Beit Semesh, no Distrito de Jerusalém. O edifício de aparência anódina esconde um depósito misterioso, cortado por fileiras intermináveis de estantes com sarcófagos e ânforas, além de caixas de madeira das quais emergem capitéis. Uma decoração apropriada para a cena final do primeiro filme da saga cinematográfica de Indiana Jones: o misterioso depósito governamental onde fica oculta, precisamente, a Arca da Aliança.
Junto à taça das primeiras décadas da era cristã se alinham pratos e vasilhas de pedra calcária à vista das câmeras dos jornalistas. Também se vê um pequeno ossário, em que se vê inscrito o nome de Jesus. Em uma tumba judaica similar foi encontrado o calcâneo (osso do calcanhar) de um homem atravessado por um grosso prego de 15 centímetros de comprimento. "Jesus, Maria e José eram nomes hebraicos comuns naquela época", assinala Avni. "Em relação à crucificação, trata-se de um método de execução habitual sob o Império Romano", acrescenta o professor ao lado de uma réplica do tarso perfurado, "embora nestes restos o prego atravesse de forma lateral o osso, e não frontal, como na iconografia clássica".
“Pudemos reconstituir como se desenvolvia a vida cotidiana durante o primeiro terço do século I, que coincide com a vida do Jesus segundo a tradição cristã, mas não provar sua existência”, afirma o chefe do serviço de arqueologia israelense. “Havia mais de um milhão de habitantes na região, e é muito difícil identificar os restos de alguém que pode ter vivido há mais de 2.000 anos.”
No Depósito dos Tesouros Nacionais de Beit Semesh − que em um futuro próximo deverá ser transferido para as imediações do Museu de Israel, no centro de Jerusalém −, conservadores e técnicos mostram aos fotógrafos moedas do século VII e cruzes e relicários também da era bizantina. Mostram também um capitel com uma menorá (candelabro de sete braços) gravada nele com credenciais históricas judaicas.
Um sarcófago do Depósito dos Tesouros Nacionais, em Israel.
Pudemos reconstituir como se desenvolvia a vida cotidiana durante o primeiro terço do século I, que coincide com a vida do Jesus segundo a tradição cristã, mas não provar sua existência”, afirma o chefe do serviço de arqueologia israelense. “Havia mais de um milhão de habitantes na região, e é muito difícil identificar os restos de alguém que pode ter vivido há mais de 2.000 anos.”
No Depósito dos Tesouros Nacionais de Beit Semesh − que em um futuro próximo deverá ser transferido para as imediações do Museu de Israel, no centro de Jerusalém −, conservadores e técnicos mostram aos fotógrafos moedas do século VII e cruzes e relicários também da era bizantina. Mostram também um capitel com uma menorá (candelabro de sete braços) gravada nele com credenciais históricas judaicas.
A arqueóloga Annette Landes-Nagar mostra algumas moedas da época do Império Bizantino.
Este gigantesco armazém arqueológico não pode ser visitado pelo público e só abre suas portas aos pesquisadores. Como em quase todos os aspectos da vida no Oriente Médio, a geopolítica também pesa sobre os restos antigos que estão armazenados. Em suas instalações só se custodiam objetos localizados em território israelense desde sua fundação como Estado, há 69 anos, e em Jerusalém Oriental (ocupada desde 1967 e anexada em 1980).
Os achados procedentes de escavações anteriores se encontram principalmente no Museu Rockefeller, construído sob o Mandato Britânico na zona oriental da Cidade Santa, diante do antigo recinto amuralhado. A conservadora Débora Ben Ami, de origem argentina, assinala que os restos arqueológicos procedentes da Cisjordânia, sob ocupação israelense há quase meio século, são levados por enquanto para um armazém perto do assentamento de Maale Adumin, situado apenas cinco quilômetros a leste de Jerusalém.
O percurso recente de correspondentes estrangeiros em Israel pelas instalações do Depósito dos Tesouros Nacionais foi patrocinado pelo Ministério do Turismo, em uma iniciativa destinada a promover as visitas de peregrinos cristãos à Terra Santa. Um negócio que representou um quinto do total de 2,8 milhões de entradas de viajantes no país em 2015. Nas mesmas datas ocorreu também a apresentação oficial da restauração do templo do Santo Sepulcro, em Jerusalém, uma obra custeada pelas congregações religiosas do local com ajuda das autoridades jordanianas e palestinas, que atraiu a atenção da imprensa internacional.
Um terço dos 40.000 objetos arqueológicos localizados a cada ano em 300 escavações em Israel está relacionado com o cristianismo. No momento, quase todos continuam empacotados em um armazém com ares de filme de Steven Spielberg. Como o cálice de pedra calcária que pode muito bem ter estado nas mãos de Cristo. É a boa nova que pregam os arqueólogos.(El País.com)

sexta-feira, 31 de março de 2017

Vento solar comeu a atmosfera de Marte

A imagem da direita mostra o planeta coberto por uma enorme tempestade de areia.
Houve um dia em que a água em estado líquido cobria a superfície de Marte. Isso é o que sugere a informação coletada pelas sondas que visitaram aquele planeta. Foram encontrados ali leitos de rios secos e minerais que só são formados na presença de água. Alguns estudos chegaram a afirmar que houve um vasto oceano pouco profundo que ocupava grande parte do globo e até mesmo que aconteciam tsunamis gigantes. Mas reconstruir o que aconteceu há bilhões de anos em um planeta que está a milhões de quilômetros de distância não é fácil e existem contradições. Se em dezembro de 2016, os dados da NASA serviam para afirmar que a água marciana era temperada e poderia ter abrigado vida, outro mais recente que também usou informações coletadas pelo robô Curiositycoincidia na abundância de água, mas acreditava que estaria, na maior parte, congelada.
Nesse processo de reconstrução da história do clima do planeta do sistema solar mais parecido com a Terra, esta semana, um artigo na revista Science tenta explicar o que aconteceu entre aquele passado banhado em água e o deserto avermelhado que conhecemos hoje. De acordo com uma equipe liderada por Bruce Jakosky, pesquisador da Universidade do Colorado em Boulder (EUA), em seu passado remoto, Marte tinha uma atmosfera densa similar à da Terra, mas composta principalmente por dióxido de carbono. Aquele manto permitiu a existência de um ambiente quente e úmido, com os oceanos que outros pesquisadores acreditam prováveis, e seu desaparecimento foi fundamental para a transição ao ambiente seco e frio atual. O culpado foi o vento solar, uma corrente de partículas carregadas que flui da superfície do sol e foi erodindo a atmosfera.
sonda que forneceu os novos dados é a MAVEN, uma missão orbital concebida precisamente para conhecer a história dessa atmosfera volátil. Graças a ela sabemos há dois anos que a cada segundo o vento solar raspa 100 gramas da atmosfera de Marte. Uma parte importante do interesse nesse observatório está em sua capacidade de fornecer informações sobre como evoluíram as condições de habitabilidade do planeta vermelho. O estudo mais recente pinta um cenário no qual algum tipo de vida bacteriana pode ter surgido naquele ambientebanhado em água e coberto por dióxido de carbono. Depois, quando o planeta se tornou mais frio e seco, é possível que esses seres se retirassem gradualmente para o subsolo, mas não está descartado que hoje possam até aparecer ocasionalmente na superfície.
Jakosky e seus colegas chegaram a essas conclusões depois de medir a quantidade de duas versões de argônio com diferente massa em diferentes altitudes na atmosfera. O interesse no argônio para os cientistas vem de sua natureza como gás nobre. Ao contrário de outros gases, não reage quimicamente com outros elementos e não fica sequestrado nas rochas. Desaparece apenas com os sopros do vento solar.

Esta foi a primeira foto tirada de Marte há 40 anos

Vento solar comeu a atmosfera de Marte
O isótopo mais leve (AR36) é mais abundante a altitudes elevadas que o mais pesado (AR38). Por isso, está mais exposto a que o vento solar o expulse para o espaço exterior. Sabendo as diferentes quantidades dos dois isótopos em diferentes altitudes, e contando os diferentes ritmos de desaparecimento de cada um, calcularam que 66% do argônio de Marte desapareceu desde sua formação. A partir desses dados, estimaram qual parte do resto da atmosfera também acabou sendo varrida pelo vento solar.
Uma das explicações oferecida para a perda precoce da atmosfera marciana e sua mudança climática extrema é o desaparecimento de seu campo magnético. Nos primeiros milhões de anos de existência, Marte tinha um núcleo de ferro como o que a Terra ainda conserva e gera a magnetosfera, um escudo magnético que repele as partículas carregadas do vento solar. Esse escudo também dificulta que o vento solar afete nossa atmosfera e pode ter cumprido esse papel durante os primeiros 500 milhões de anos marcianos. No entanto, de acordo com essa hipótese, o núcleo de ferro desapareceu e com ele o escudo magnético. Sem essa proteção, a então espessa atmosfera de dióxido de carbono de Marte ficou à mercê do vento solar. (El País.com)