sexta-feira, 12 de maio de 2017

Cidade antiga de Cesareia, desenterra templo pagão de Herodes

Resultado de imagem para fotos da antiga cidade de cesareia
 
Israel pouco a pouco desenterra Cesareia, a cidade romana construída pelo rei Herodes próxima ao Mediterrâneo, e escava agora no coração da cidade as ruínas do templo e do altar, onde será contruído um centro para turistas.
A imensa cidade fundada por Herodes há 2030 anos em homenagem ao imperador César Augusto, entre as atuais Haifa e Tel Aviv, é um fervedouro de turistas que até agora passeavam alheios à história do templo pagão, núcleo da qual chegou a ser capital regional depois de Jerusalém.
"Até agora não se tinha escavado por motivos econômicos; é um projeto muito caro que precisou de um grande financiamento para recuperar uma das partes mais importantes da cidade", explicou à Agência Efe Shaul Goldstein, diretor da Autoridade de Parques e Reservas Naturais de Israel.
O projeto de US$ 27 milhões, financiado pela Fundação filantrópica de Edmond de Rothschild, começou há dois anos com uma escavação arqueológica à qual continua agora a conservação e restauração do local sagrado no qual as sucessivas civilizações construíram seus santuários.
Ainda não está decidido que parte será reconstruída, um velho debate em Israel que com cada descoberta se divide entre preservar ou reedificar, lembrou à Efe Daniel Abuchatsira, destacando o simbolismo do lugar para as diferentes comunidades.
"O templo era de frente para o mar, aberto ao porto, e nas sucessivas conquistas cada um levantou seu santuário nesta região, como a Igreja da época Bizantina e o minarete durante o Império Otomano", disse Abuchatsira, apontando para o entorno do recinto sagrado em frente ao Mediterrâneo.
Herodes, que reinou de 37 a.C. até sua morte, foi um dos principais arquitetos da região, tendo projetado palácios como o de Massada e o segundo templo de Jerusalém, ampliado e embelezado para ganhar o favor dos moradores locais da Judeia que o viam como um estrangeiro por causa de sua filiação a Roma.
A Cesareia Marítima que ele projetou, com um dos portos mais importantes da região, foi residência de Pôncio Pilatos - responsável pela condenação de Jesus Cristo -, como governante romano entre 26 e 36, e seu anfiteatro foi utilizado como palco de execuções dos cativos judeus que escapavam de Jerusalém após a revolta do ano de 66.
Conquistada pelos árabes no ano de 649 e pelos Cruzados em 1101, cada domínio deixou sua marca e contribuiu para o desenvolvimento desta cidade até sua destruição pelos Mamelucos no século XIII.
Suas ruínas também acolheram refugiados muçulmanos bósnios em 1878 até a guerra árabe israelita de 1948 e precisou de várias décadas para voltar a emergir como um dos sítios arqueológicos mais importantes de Israel.
"Cesareia foi uma cidade multicultural e multiétnica desde o começo. A comunidade judia foi parte dela como os cristãos, os pagãos e os samaritanos, além de muitos outros que chegaram e ainda não conhecemos", declarou à Efe Peter Genolelman, arqueólogo da Autoridade de Antiguidades de Israel.
 Genolelman mostrou a placa de pérola que encontraram recentemente nos trabalhos de escavação com o desenho de uma menorá (candelabro de sete braços e símbolo judaico mais antigo) de mais de 1.500 anos.
"Todos estes objetos que vamos encontrando e estamos datando nos permitem refazer a história da cidade e documentar as comunidades que se estabeleceram por aqui", arg mentou o arqueólogo. Também foi descoberta a fachada e as abóbadas do templo de Herodes, que em poucos meses acolherá um centro para turistas onde serão exibidos todos os achados, acompanhados de explicações que permitam entender o significado de Cesareia.
Através de óculos multimídia, os visitantes poderão visualizar com um salto no tempo as ricas edificações tal e qual eram há mais de dois mil anos, enquanto voltam o olhar para as diferentes partes do compcomplexo arqueológico.
"Estamos desenvolvendo todo o conteúdo multimídia do centro para que os turistas possam vivê-lo como uma experiência real, como se estivessem dentro da antiga Cesareia", explicou à Efe Chen Avrahan, funcionário da empresa Breeze.
 
 
 
Resultado de imagem
"Somente foram descobertos perto do seis por cento dos tesouros de Cesareia até hoje e grandes achados continuam enterrados sob as dunas de areia. Esta iniciativa deve ser um trampolim para um projeto nacional para o desenvolvimento de Cesareia em todo seu esplendor", propôs Israel Hasson, diretor da Autoridade de Antiguidades israelense.
 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Genoma do chá revela a razão de seu sabor e de seu sucesso econômico

chá
 
Existem chás de vários sabores (chá preto, chá verde, chá de Oolong, chá branco, chai...), mas todos eles vêm da mesma planta: a Camellia sinensis, a árvore do chá. Os níveis de cafeína e de flavonoides oscilam muito entre as espécies do gênero Camellia, mas são particularmente elevados na Camellia sinensis, e seu genoma explica o motivo: a árvore do chá passou por inúmeras duplicações dos genes responsáveis por sua síntese. Essa amplificação genética é intermediada pelos transpósons (genes saltitantes) e corresponde em grande parte a uma reação diante da domesticação da planta e sua adaptação a diversos climas.
A principal fonte de cafeína do planeta não é o café, mas sim o chá, a infusão preferida de mais de 3 bilhões de pessoas em 160 pessoas. A planta foi domesticada há cerca de 5.000 anos na Ásia, e propriedades saudáveis lhe são atribuídas pelo menos desde a dinastia Shang, que reinou na China no século III da nossa era. As folhas da árvore do chá não só contêm cafeína, mas também flavonoides, teanina (semelhante ao glutamato), vitaminas, polissacáridos, óleos essenciais e minerais.
O gênero Camellia, ao qual pertence a árvore do chá (Camellia sinensis), é especialmente rico em espécies de interesse econômico, como as belas e famosas camélias (Camellia japónica, Camellia reticulata, Camellia sasanqua) e a árvore Camellia oleífera, de cujas sementes se extrai um óleo comestível de boa qualidade chamado, às vezes, de óleo de camélia. Mas o grande destaque é o chá, com uma produção anual acima de 5 bilhões de toneladas.
Dada essa relevância econômica, é surpreendente que o genoma do chá ainda não fosse conhecido. E o principal motivo para isso é que se trata de um genoma extremamente difícil de solucionar. Ele não só é grande, como está infestado de segmentos de DNA repetitivo devido à grande quantidade de transpósons (genes saltitantes) que contém. Lizhi Gao e seus colegas do Instituto Kunming de Botânica e de outras instituições científicas chinesas solucionaram agora o problema, em uma demonstração de perseverança e engenhosidade. Eles estão revelando o primeiro esboço do genoma do chá.
A cafeína e a catequina não são exclusividade do chá –as outras 115 espécies do gênero Camellia também contêm esses compostos--, mas elas são particularmente abundantes nele. E os cientistas chineses descobriram o motivo: os genes responsáveis pela síntese dessas substâncias se duplicaram em série no genoma do chá. E essa amplificação dessas famílias de genes foi intermediada por transpósons (genes saltitantes), e especificamente por um tipo chamado retrotranspósons, que são antigos retrovírus que perderam sua capacidade de constituir partículas infecciosas.
Nada menos do que 67% do genoma do chá são sequências de retrotranspósons. Esta é a razão pela qual se tornava tão difícil solucioná-lo. Para sequenciar um genoma, os cientistas começam por quebrá-lo em vários pedaços. E de formas muito diversas, para que os fragmentos se soltem. Depois disso, se faz a sequência (se ) cada fragmento, para em seguida reunir tudo graças aos encaixes entre fragmentos. Mas, em havendo 67% de retrotranspósons, que são basicamente iguais uns aos outros, os encaixes são ambíguos. Como disse Gao, é como montar um quebra-cabeças em que a maior parte das peças são pedaços de um céu azul sem nenhuma nuvem.
Durante o ciclo de vida do retrovírus, o genoma viral se integra ao genoma do hóspede, depois gera muitas cópias de si mesmo e, ao final, cada genoma é envolvido por uma partícula infecciosa. Os retrotranspósons perderam essa última habilidade, mas conservam a de se integrar ao genoma, e frequentemente geram cópias de si mesmos que se integram a outros pontos do genoma. Um fenômeno comum durante esses saltos é que eles levam consigo parte do genoma do hóspede que esteja ao lado. Esse é o mecanismo pelo qual o genoma do chá duplicou muitas vezes os genes responsáveis pela síntese da cafeína, catequina e outros flavonoides.
Gao e seus colegas acreditam que essas amplificações de famílias de genes permitiram à arvore do chá que se adaptasse aos inúmeros ambientes onde a planta é semeada atualmente. Vários dos saltos de retrotranspósons são recentes (ocorreram nos últimos 5.000 anos), razão pela qual parece ser provável que se trate de reações à domesticação e ao cultivo do chá. Ou seja, um produto da seleção artificial que inspirou Darwin em sua teoria da evolução. Na genômica, chegou, agora, a vez do chá.
El País.com

Os Emirados Árabes revelaram alguns detalhes do misterioso plano para colonizar Marte

 
No começo deste ano, os Emirados Árabes Unidos chamaram a atenção do mundo quando o Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum anunciou um plano para estabelecer uma colônia em Marte até 2117. As autoridades não revelaram muito sobre o "Projeto Marte 2117" – mas nesta terça-feira (9), uma pessoa que está ajudando a liderar o esforço discutiu como jovens árabes vão protagonizar a missão.
 
"Nos Emirados Árabes Unidos, acreditamos que estamos à beira de uma nova era de exploração", disse Saeed Al Gergawi, diretor do programa Marte 2117 no Mohammed bin Rashid Space Centre (MBRSC), a uma plateia de entusiastas do espaço e repórteres na conferência Humans to Mars em Washington. "
uma nova corrida espacial que afeta literalmente todos os humanos no planeta."
Aspiramos, no próximo século, desenvolver a ciência, a tecnologia e a paixão dos jovens pelo conhecimento. Este projeto é impulsionado por essa visão.Em um painel com representantes da Agência Espacial Europeia, NASA e outras agências, Al Gergawi explicou as ambições dos Emirados Árabes, incluindo seus planos de colaborar com outras entidades comerciais e nacionais para construir a colônia. Embora ainda não esteja claro como serão esses esforços colaborativos, é provável que a NASA se envolva em algum grau. Em junho de 2016, a agência anunciou que iria colaborar com os Emirados Árabes em esforços espaciais, destacando especificamente os interesses mútuos em Marte.

"Os Emirados Árabes Unidos e os Estados Unidos da América são aliados há muito tempo e possuem fortes laços econômicos, culturais e diplomáticos", disse na época o Dr. Khalifa Al Romaithi, presidente da Agência Espacial dos Emirados Árabes. "Nós, da Agência Espacial dos Emirados Árabes, agradecemos genuinamente a oportunidade de colaborar e trabalhar com os EUA e a NASA nos campos da aeronáutica, ciência espacial e exploração pacífica do espaço em direção ao objetivo comum de estimular o bem estar da humanidade."
De acordo com os primeiros esboços, a colônia dos Emirados Árabes envolverá uma infraestrutura bem avançada, embora modelos mais formais ainda não tenham sido revelados publicamente. Como Al Gergawi enfatizou na conferência, um grande foco do programa Marte 2117 neste momento é animar os jovens do Oriente Médio com a ciência e a exploração interplanetária, como uma forma de "estimular a região".

"Nos Emirados Árabes, vivemos em uma vizinhança difícil", disse Al Gergawi. "Nossa vizinhança possui mais de 100 milhões de jovens, com mais de 35% deles desempregados", se referindo à ampla região geográfica do Oriente Médio. "Queremos possibilitar que os jovens tenham um papel ativo no avanço dos esforços globais sobre o Planeta Vermelho e outros corpos celestes", disse ele à plateia. Al Gergawi mencionou que existirão iniciativas educacionais para motivar os jovens a se envolverem com o espaço.

O projeto "Marte 2117" desenvolverá um time de cientistas Emirados e internacionais para impulsionar a exploração humana em Marte nos próximos anos.Antes que os Emirados Árabes levem pessoas para Marte, existe um plano para realizar a primeira missão árabe para Marte. Em 2020, eles lançarão uma sonda, chamada "Hope", para o Planeta Vermelho. Ela terá o objetivo de analisar a atmosfera marciana. Essas informações serão, sem dúvidas, úteis para Al Gergawi e sua equipe tornarem sua visão grandiosa uma realidade.

 

As mudanças climáticas trarão problemas com os quais a humanidade ainda não sabe que terá

As mudanças climáticas trarão problemas com os quais a humanidade ainda mal sabe que terá que enfrentar. Um exemplo disso é a possibilidade da volta de doenças preservadas sob camadas permanentes de gelo.

Aquecimento global pode “ressuscitar” doenças antigas
 
A cobertura do manto de gelo do Ártico tem batido recordes—negativos, é claro. No dia 7 de março deste ano, foi registrada a menor cobertura em quatro décadas para o inverno. Eram 14,42 milhões de quilômetros quadrados—não se deixe enganar pelo número aparentemente alto.
Mas por que esse degelo é tão crucial para o retorno de doenças?
“Gelo permanente é muito bom em preservar micróbios e vírus porque é frio, não tem oxigênios e é escuro”, disse à BBC o biólogo evolucionista Universidade Aix-Marseille Jean-Michel Claverie.
Um caso emblemático deste novo desafio foi um surto recente de antraz na Rússia. Na região da Sibéria, a infecção se espalhou e afetou dezenas de moradores.
A teoria mais aceita é que uma rena infectada morreu há décadas (cerca de 75 anos) e foi congelada com a bactéria Bacillus anthracis, causadora da doença, na região.
Uma onda de calor no verão russo do ano passado teria revivido essa bactéria, que resultou na morte de um garoto de 12 anos por antraz. A região chegou a registrar temperaturas de até 35°C, o que explicaria o retorno da bactéria congelada.
A preocupação com o retorno de doenças há muito desaparecidas não é descabida. Um estudo realizado por pesquisadores russos aborda o impacto do derretimento da camada permanente de gelo no surto de doenças antigas.
“Como consequência do derretimento da camada de gelo, vetores de infecções fatais dos séculos XVIII e XIX podem voltar, especialmente perto de cemitérios onde as vítimas eram enterradas”, diz o estudo. O problema é que alguns locais como esses podem ser desconhecidos. “Muitos locais não existem mais ou foram apagados de bases sanitárias locais.”

Por ar

Outro impacto negativo com o aumento da temperatura média da Terra seria o crescimento consequente de áreas propícias para a reprodução de mosquitos vetores de doenças.
Talvez você tenha logo pensado no Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, zika e febre amarela. Um estudo de 2014 aponta que áreas que hohoje não são apropriadas para o mosquito devem passar a ser habitat dele.
O uso de modelos mostrou que áreas tropicais e subtropicais devem continuar sendo um bom lar para o A. aegypti. “Áreas desfavoráveis hoje, como Austrália continental, Península Arábica, sul do Irã e algumas partes da América do Norte podem ficar climaticamente favoráveis para essa espécie de mosquito”, diz o estudo.
Com isso, as áreas de risco de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti devem aumentar.

6.000 ou 10.000 passos, quanto é preciso caminhar diariamente?

Medir os passos que damos pode ser uma boa maneira de controlar nosso exercício.
 
Em plena efervescência da corrida, os médicos de família continuam apostando em deixar para lá as extravagâncias olímpicas e começar a andar para manter uma saúde de ferro. Diante da pergunta de quanto é preciso caminhar, lançam uma cifra mágica: 10.000 passos. "Não se trata de vestir o uniforme e sair correndo como loucos, mas de passear a um ritmo que nos permita notar um aumento de frequência cardíaca mas com o qual possamos conversar com alguém. E durante o tempo suficiente para produzir efeitos notáveis no organismo", aponta Francisco Camarelles, do Grupo de Educação para a Saúde e Promoção da Sociedade Espanhola de Medicina de Família e Comunitária.
O divertido do número mítico é que sua origem não vem de um estudo sisudo de laboratório, mas de uma campanha de marketing da marca japonesa Yamasa para vender podômetros. Aproveitaram a deixa dos Jogos Olímpicos de Tóquio de 1964 para incentivar as pessoas a se movimentarem e medir quanto caminhavam por dia. Falar de quilômetros sempre assusta, então optaram por traduzir em passos, que sempre parece um desafio mais aceitávell. E 10.000 é um número bonito, muito marqueteiro, mais redondo do que 8.500 ou 11.236, para dar um exemplo, que são números próprios de sorteio da loteria e não de campanha publicitária. Batizaram o apetrecho de manpo-kei, que significa exatamente 10.000 passos. Abocanharam o mercado e o resto é história. A ideia pegou tanto que todas as grandes autoridades médicas do mundo se dão por satisfeitas com os dez mil passos. Tanto que muitos aplicativos para incentivar o movimento, como as famosas pulseiras Fitbit, assumem esse valor como padrão.
Antes de sair dando voltas, porém, surgem dúvidas razoáveis. Equivale a quantos quilômetros? É a mesma coisa para homens e mulheres? Quanto tempo demora? A resposta é vaga. Tudo depende do comprimento do passo, mais rápido à medida que se aumenta a velocidade. O que, por sua vez, está diretamente relacionada com o comprimento da perna. Se você for baixinho está condenado a dar mais passos para cobrir a mesma distância, assim é a natureza. Em outras palavras: se as mulheres têm uma estatura média menor do que a dos homens, terão de dar mais passos. Muitas variáveis no ar que levam a que os especialistas não se ponham de acordo com a distância percorrida nos famosos 10.000 passos. Nem quanto tempo cada ser humano deve investir para percorrê-la. Para alguns, equivaleria a cerca de 8,5 km, algo que em passo rápido pode dar mais de uma hora de caminhada, muito acima dos 30 minutos sugeridos pela OMS. "Recentemente comentava com outros colegas da área de saúde, porque efetivamente não fica claro, e a distância com maior consenso é cerca de 5 quilômetros (vamos lembrar que se trata de uma marcha forte, não de caminhada de domingo). Para uma pessoa normal trata-se de uma hora caminhando. É um objetivo ambicioso, muito acima da meia hora de atividade física recomendada pela OMS, mas alcançável. Também não precisa fazer em seguida. Tudo conta: a saída de casa para pegar o ônibus, quando vamos almoçar, quanto andamos à tarde. No fim, não é tão descabido", afirma Camarelles.
A linha seguida por Camarelles reconhece que os espanhóis caminham em média 4.000 passos por dia, muito abaixo dessa meta. Talvez por isso outras autoridades de saúde se satisfaçam com objetivos mais realistas. Por exemplo, o Ministério da Saúde do Japão sugere entre 8.000 e 10.000 passos. O Fórum Nacional contra a Obesidade do Reino Unido estabelece uma média entre 7.000 e 10.000. "O importante é propor o desafio de que as pessoas se movimentem. Se várias pessoas saírem para andar ao mesmo tempo, cada uma percorrerá uma quantidade diferente de passos. Mas todas ganharão em saúde."
El País.com

domingo, 7 de maio de 2017

O nazismo era um movimento de esquerda ou de direita?

Adolf Hitler, o ditador que foi o principal ícone do nazismo

A discussão sobre se o movimento nazista alemão cujo governo matou milhões de pessoas e levou à Segunda Guerra Mundial teria as mesmas origens do marxismo ferve nas redes sociais há alguns meses, com a crescente polarização do nazismo. diz outra do final de abril. Outro participante da rede social pergunta: "Quantas pessoas será que estão em grupos de libertários no Facebook discutindo se nazismo é esquerda ou direita neste exato momento?".
 A discussão sobre se o movimento nazista alemão cujo governo matou milhões de pessoas e levou à Segunda Guerra Mundial teria as mesmas origens do marxismo ferve nas redes sociais há alguns meses, com a crescente polarização do  debate político no Brasil.
Mas historiadores entrevistados pela BBC Brasil esclarecem o que dizem ser uma "confusão de conceitos" que alimenta a discussão e explicam que, na verdade, o movimento se apresentava como uma "terceira via".
"Tanto o nazismo alemão quanto o fascismo italiano surgem após a Primeira Guerra Mundial, contra o socialismo marxista que tinha sido vitorioso na Rússia na revolução de outubro de 1917, mas também contra o capitalismo liberal  que existia na época. É por isso que existe essa confusão", afirma Denise Rollemberg, professora de História Contemporânea da UFF (Universidade Federal Fluminense).
"Não era que o nazismo fosse à esquerda, mas tinha um ponto de vista crítico em relação ao capitalismo que era comum à crítica que o socialismo marxista fazia também. O que o nazismo falava é que eles queriam fazer um tipo de socialismo mas que fosse nacionalista, para a Alemanha. Sem a perspectiva de unir revoluções no mundo inteiro, que o marxismo tinha."
O projeto do movimento nazista, segundo Rollemberg, previa uma "revolução social para os alemães", diferentemente do projeto dos partidos de direita da época, "que vinham de uma cultura política do século 19, de exclusão completa e falta de diálogo com as massas".
Mesmo assim, ela diz, seria complicado classificá-lo no espectro político atual. "Eles rejeitavam o que era a direita tradicional da época e também a esquerda nascente. Eles procuravam um terceiro caminho", afirma.
Nacionalismo
 A ideia de uma "revolução social para a Alemanha" deu origem ao Partido Nacional-Socialista alemão, em 1919. O "socialista" no nome é um dos principais argumentos usados nos debates de internet que falam no nazismo como um movimento de esquerda.
"Me parece que isso é uma grande ignorância da História e de como as coisas aconteceram", disse à "BBC Brasil" Izidoro Blikstein, professor de Linguística e Semiótica da USP e especialista em análise do discurso nazista e totalitário.
"O que é fundamental aí é o termo 'nacional', não o termo 'socialista'. Essa é a linha de força fundamental do nazismo a defesa daquilo que é nacional e 'próprio dos alemães'. Aí entra a chamada teoria do arianismo", explica.
De acordo com Blikstein, os teóricos do nazismo procuraram uma fundamentação teórica e filosófica para defender a ideia de que eles eram descendentes diretos dos "árias", que seriam uma espécie de tribo europeia original. "Estudiosos reclamam".
  Estudiosos na Europa tinham o 'sonho da raça pura' nessa época. Quanto mais próximos da tribo ariana, mais pura seria a raça. E esses teóricos acreditavam que o grupo germânico era o mais próximo. Daí surgiu a tese de que,  para serem felizes, tinham que defender a raça ariana, para ficar longe de subversões e decadência. [Alegavam que] a raça pura poderia salvar a humanidade".
A ideia de uma defesa do povo germânico ganhou popularidade em um momento de perda de territórios, profunda recessão e forte inflação após a Primeira Guerra Mundial e tornou-se o centro do movimento nazista. "Era preciso recuperar a moral do pobre coitado, que não tinha dinheiro e era 'massacrado pelos capitalistas'", explica Blikstein. Nesse contexto, afirma, o nazismo vendia a ideia de "reeguer o orgulho da nação ariana. O pressuposto disso seria eliminar os não arianos. E essa teoria foi aplicada até as últimas consequências".
 
  'Marxistas e capitalistas'
Mesmo propagando a ideia de que o nazismo planejava uma revolução que garantiria justiça social na Alemanha o que incluía, por exemplo, maior intervenção do Estado na economia, o partido fazia questão de deixar clara sua oposição ao marxismo. "Os comícios hitleristas eram profundamente antimarxistas", disse à "BBC Brasil" a antropóloga Adriana Dias, da Unicamp, que é estudiosa de movimentos neonazistas.
"O nazismo e o fascismo diziam que não existia a luta de classes - como defendia o socialismo - e, sim, uma luta a favor dos limites linguísticos e raciais. As escolas nacional-socialistas que se espalharam pela Alemanha ensinavam aos jovens que os judeus eram os criadores do marxismo e que, além de antimarxistas, deveriam ser antissemitas."
  Os judeus, aliás, tornaram-se o ponto focal da perseguição nazista porque representavam tanto o socialismo como o capitalismo liberal, mesmo que isso possa parecer antagônico nos dias de hoje. "Havia uma simbologia do judeu como representante, por um lado, do socialismo revolucionário - porque Marx vinha de uma família judia convertida o ao protestantismo,  assim como muitos bolcheviques", diz a historiadora Denise Rollemberg.
"Por outro lado, os judeus eram associados ao capitalismo financeiro porque os judeus assimilados (que assumiram as culturais de outros países, para além da nação religiosa) que viviam na Europa tinham uma tradição de empréstimos  de dinheiro e de negócios."
 
 'Precisão científica'
  A "precisão científica" do extermínio de judeus na Alemanha nazista também dificulta as comparações com a perseguição política no regime socialista soviético, na opinião de Izidoro Blikstein. "Há muitos genocídios pelo mundo, mas nenhum igual ao nazismo, porque este era plenamente apoiado por falsa teoria científica e linguística e levada até as últimas consequências. A União Soviética também tinha  campos de trabalhos forçados, mas não existia uma doutrina para justificar isso", afirma. "Mas há traços comuns entre o nazismo o regime (soviético) de Stálin. A propaganda, por exemplo, e o fato de que ambos eram regimes totalitários  que controlavam e legislavam sobre a vida pública e também privada do cidadão", admite.
 Além dos judeus, o regime nazista também perseguiu democratas liberais, socialistas, ciganos, testemunhas de Jeová e homossexuais algo que, nos dias de hoje, associa o movimento a partidos de extrema-direita que pregam contra a comunidade LGBT, contra imigrantes e contra muçulmanos, por exemplo. "Todo esse projeto de repressão, censura, campos de concentração e extermínio nazista era direcionado a quem estava fora do que eles chamavam de 'comunidade popular', o povo alemão. Mas alemães que eram democratas liberais e socialistas também eram excluídos por serem contrários ao projeto nazista e colocarem em risco a comunidade popular", explica Denise Rollemberg.
  No entanto, para Blikstein, a ideia de raça é tão central ao nazismo que, assim como não se pode usar o projeto de revolução social para classificá-lo como " esquerda", também é difícil defini-lo como "direita".
 
 "Dizer que Hitler era um político de direita é apequenar o nazismo".
Foi mais do que direita ou esquerda. Foi uma doutrina arquitetada para defender uma raça, embora esse conceito  seja discutível e pouco científico", diz.
 
 'Crise de referências'
Uma recapitulação do projeto e do regime nazista, de acordo com os especialistas no assunto, aumenta a confusão: deveria haver igualdade social e distribuição de renda, mas imigrantes, judeus, opositores políticos e até filhos "não  talentosos" de alemães seriam excluídos dela por serem "menos puros"; o Estado prometia interferir mais na economia para benefício dos cidadãos, mas empresas privadas tiveram os maiores lucros com a máquina de extermínio e propaganda nazista; o socialismo era considerado ruim, mas o liberalismo também. Como seria possível defender todas estas ideias ao mesmo tempo? "Quando o partido foi constituído, ele tinha uma vertente mais à esquerda e uma mais à direita.
No início, tinha um discurso bastante antiburguês. Mas ao assumir o poder na Alemanha, o grupo à direita foi fazendo mais alianças com a burguesia e expulsando o grupo à esquerda", diz a historiadora da UFF. "Além disso, o nazismo  nasce no meio de uma crise de referências muito grande após a Primeira Guerra.
 Muitos passaram de um lado para outro. Os valores muitas vezes vão se embaralhar e esses conceitos de direita e esquerda atuais não resolvem bem o problema. Os valores muitas vezes vão se embaralhar e esses conceitos de direita e esquerda atuais não resolvem bem o problema." Entre historiadores, a tentativa de traçar paralelos entre o nazismo e o fascismo europeus e o regime stalinista na União Soviética também não é nova, segundo Rollemberg.
 "Todos eles eram regimes totalitários, mas o totalitarismo pode estar de qualquer lado. Hoje entendemos que há o totalitarismo mais à direita, como o nazismo e o fascismo , e o de esquerda, como o da União Soviética."
BBC Brasil

sábado, 6 de maio de 2017

A mulher que lançará uma sonda da Nasa contra Saturno

Mar Vaquero, no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.
 
Mar Vaquero ganha a vida pilotando naves espaciais nos confins do Sistema Solar. Nascida em Maspalomas (Ilhas Canárias) há 32 anos, é engenheira de controle de trajetória da sonda Cassini da NASA. “Meu trabalho é pilotar a nave, fazer as manobras necessárias para devolvê-la a sua trajetória de referência, que é a necessária aos cientistas para estudar o planeta e me assegurar de que esteja sempre no local certo na hora certa”, explica por telefone do Laboratório de Propulsão a Jato, em Pasadena, onde está o centro de controle da missão.
Na quarta-feira, Cassini se transformou na nave que mais perto chegou de Saturno. Passou entre o anel interno e as nuvens nas camadas externas da atmosfera, uma região de 3.000 quilômetros de largura totalmente inexplorada até agora. A nave cruzou e fotografou sem sofrer danos por partículas de gelos e outros imprevistos que poderiam acabar com o Gran Finale da missão planejado pela NASA, quando completar outras 21 órbitas como essa.
“Em cada manobra sempre existe uma margem de incerteza”, explica Vaquero. “Não sabemos exatamente qual é a massa do planeta e de suas luas, de modo que sempre existe uma margem de erro sobre qual é sua localização exata. A navegação melhorou muito desde que chegamos a Saturno [em 2004]. No começo a margem de erro era de vários quilômetros, mas agora se reduziu a poucas centenas de metros”, explica. O combustível da Cassini está acabando e a cada vez que são ligados os propulsores pela equipe da qual Vaquero faz parte, composta por seis engenheiros de voo que se revezam no posto de controle, mais um pouco é consumido.
A engenheira espanhola é a primeira de sua família com carreira universitária e doutorado. “Meu pai é guarda civil e minha mãe é assistente de saúde, ninguém na família se dedicava à pesquisa”, explica. “A primeira vez que pensei em me dedicar a isso foi aos 12 ou 13 anos. Em Maspalomas ia à noite com o clube de astrônomos observar pelo telescópio. Talvez ter visto a Lua e os Anéis de Saturno tenha despertado minha curiosidade por saber o que existe lá”, lembra. Menos de duas décadas depois, Vaquero será uma das responsáveis por pilotar a sonda a um suicídio controlado no sexto planeta do Sistema solar, programado para 15 de setembro. Será a primeira vez que uma sonda irá explorar a atmosfera de Saturno e é possível que revele alguns de seus maiores enigmas, por exemplo se há um núcleo sólido debaixo de seu impenetrável envoltório gasoso.
Vaquero começou a estudar engenharia aeronáutica na sede madrilenha da Universidade Saint Louis. Depois passou ao campus central, no Missouri, e mais tarde realizou o mestrado e o doutorado na Universidade Purdue, sempre graças a bolsas dessas instituições, afirma. Sua tese versava sobre “como transportar uma nave pelo Sistema Solar usando a menor quantidade de combustível e até mesmo nenhum”. Uma vez que a sonda escapa da atração gravitacional da Terra, é possível que sua impulsão inicial permita ao aparelho realizar a viagem usando a gravidade dos planetas e suas luas para acelerar e frear, o que os especialistas conhecem como ajuda gravitacional.
“Cassini foi criada com objetivos específicos, mas sua trajetória foi planejada de maneira tão eficiente que ao final da missão original [2008] ainda tinha muito combustível”, explica Katherine Howell, professora de aeronáutica e astronáutica em Purdue e orientadora da tese de Vaquero. Os engenheiros e cientistas voltaram a analisar as possibilidades e traçaram uma segunda missão. E depois dessa ainda restou combustível suficiente para uma terceira, a atual. Graças a isso Cassini se transformou na nave que mais e melhor explorou Saturno, seus anéis e suas luas. Também é a que realizou a trajetória com ajuda gravitacional mais complexa da História da exploração espacial, de acordo com um estudo publicado pelo Instituto de Aeronáutica e Astronáutica dos EUA. “Cassini está fazendo algo que nunca se imaginou que pudesse fazer, algo para o qual não foi projetada. Mar é o tipo de pessoa que pode fazer algo assim, nesse tipo de situação em que é preciso adaptar-se aos recursos disponíveis, ela é muito boa, contribuindo com ideias originais que vão além do que havia sido pensado originalmente”, diz Howell.
Quatro meses antes de se doutorar, a NASA ofereceu a Vaquero seu atual posto na missão, no qual está há três anos e meio. Desde estão fez contribuições essenciais. “Eu programei a trajetória que levou a Cassini de Titã a Encélado e depois de volta a Titã”, explica ela. Graças àquele voo rasante a Cassini confirmou que essa lua gelada pode abrigar vida. “A manobra precisava ser muito precisa para a coleta de dados. Os resultados científicos são incríveis”, explica a engenheira.
Em 11 de setembro a Cassini realizará sua última aproximação a Titã. Passará a 118.745 quilômetros da lua, uma distância suficiente para que sua gravidade desvie seu rumo em direção à atmosfera de Saturno, aonde chegará quatro dias depois, e tudo sem usar os motores, explica Vaquero. É esperado que a sonda possa transmitir dados à Terra durante um ou dois minutos antes de se espatifar. No dia seguinte, Vaquero começará a trabalhar em seu próximo projeto, traçar a rota mais eficiente para levar um robô de exploração à superfície de Europa, a lua de Júpiter onde também é possível que exista vida extraterrestre.
El País.com

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Mar do Caribe invadiu Amazônia duas vezes há milhões de anos

Durante dois momentos no passado partes da Floresta Amazônica na Colômbia e no Brasil foram inundadas pela água do Mar do Caribe no período Mioceno, cerca de 23 milhões de anos atrás, segundo revelou um estudo publicado pela revista "Science Advances".
De acordo com a pesquisa divulgada na última quarta-feira (3), a descoberta foi possível graças à localização de 933 tipos de evidências que incluem um minúsculo dente de tubarão, partes de camarões, pólen e diversos organismos marinhos.
 
Imagem espetacular da Amazônia
 
O estudo foi realizado por cientistas do Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian, com sede no Panamá, e liderado pelo geólogo colombiano Carlos Jaramillo. O grupo examinou sedimentos da bacia Llanos, no leste da Colômbia, e a bacia do Amazonas e Solimões, no noroeste do Brasil.
Segundo o pesquisador, as inundações foram "rápidas", com duração de menos de um milhão de anos cada uma. Além disso, essa questão é um tema de debate entre os cientistas por se tratar de um terreno que continua sendo difícil de estudar, e os dados consistentes são poucos.
 
Imagem aérea da Amazônica brasileira
 
Atualmente, cerca de 80% da Amazônia é ocupada por florestas em terra firme e 20% por regiões inundáveis. De acordo com o estudo, para entender a biodiversidade da região, é importante levar em consideração as inundações.
As descobertas confirmam que a paisagem teve grandes mudanças no decorrer do últimos 20 milhões de anos, e ainda podem ajudar a entender o desenvolvimento da flora e fauna da região, considerada a maior do planeta.
A área de abrangência da Amazônia brasileira corresponde à totalidade dos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de parte dos Estados do Mato Grosso, Maranhão e Goiás.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

QUAL É A DOSE CERTA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS?

 
Pele manchada, rugas no rosto, bochechas murchas e flacidez no pescoço. O aspecto envelhecido é típico de quem pratica exercícios rigorosos, como longas maratonas e esportes intensos. E já ganhou até um apelido em inglês: runner’s face syndrome, “a síndrome da cara de corredor”. O mal, que afeta tanto homens quanto mulheres, tem gerado um paradoxo. Fazer exercícios faz parte da receita para ficar com o corpo em forma e retardar o envelhecimento. Mas, do pescoço para cima, pode ter o efeito contrário, fazendo as pessoas aparentarem mais idade do que realmente têm. Aos poucos, a medicina está identificando o que leva à piora na aparência e qual é a quantidade ideal de exercícios para se manter jovem por fora e por dentro.
 
 
Muitos corredores, ciclistas e ratos de academia começam a praticar exercícios para perder peso na barriga, braços e pernas. Mas, sem perceber, acabam queimando a gordura no rosto também. O que resulta em bochechas caídas. As bolsas de gordura localizadas embaixo da pele dão estrutura e volume para o rosto; e, sem elas, a cara fica magra, cansada e com os ossos marcados. Depois dos 40 anos, já se perde parte dessa gordura naturalmente. Se, além disso, somar-se a prática excessiva de exercício, o resultado pode ser desolador. A reclamação, comum em consultórios de cirurgia plástica, costuma ser tratada com injeções regulares de substâncias que preenchem as maçãs do rosto.
Para piorar, recentemente cientistas encontraram uma relação entre malhar demais e o aumento de radicais livres do corpo. Essas moléculas de oxigênio super-reativas que se acumulam com o tempo podem gerar stress oxidativo nos órgãos e nos tecidos. Na pele, diminuem a produção de colágeno, proteína que garante sua estrutura e elasticidade. Como consequência, surgem vincos, marcas e manchas. Mas não é só isso. O stress oxidativo ainda pode acelerar o envelhecimento ao provocar doenças crônicas, como câncer, artrite reumatoide e problemas cardiovasculares.
Em uma revisão sobre o tema publicada em 2009 pelo periódico Dynamic Medicine, pesquisadores do Departamento de Saúde e Ciência do Esporte da Universidade de Memphis, nos Estados Unidos, concluíram que os radicais livres também se formam com exercícios de baixa intensidade. Mas, nesse caso, o corpo consegue compensar com a produção de antioxidantes naturais. Quando se pratica exercícios intensos e de longa duração, nem sempre o organismo consegue acompanhar o ritmo. Principalmente quando as atividades são feitas de forma esporádica – os famosos atletas de final de semana.
Exercícios muito intensos, esporádicos e praticados na rua podem fazer o atleta ficar com a síndrome da cara de corredor: rosto magro, enrugado e com manchas.
E ainda mais sujeitos ao stress oxidativo por causa da exposição ao sol. Raios UVB e UVA, especialmente, são absorvidos pelas moléculas da pele, gerando uma cadeia reativa que libera as que causam um estrago. Com o tempo e a exposição continuada, começam a aparecer manchas escuras, chamadas de melanose solar e popularmente conhecidas como manchas senis. Além do rosto, elas são visíveis em áreas do corpo que ficam expostas ao sol durante o exercício, como pescoço, peito, mãos e braços. Ou seja, exercícios muito intensos, esporádicos e feitos sob o sol favorecem a síndrome da cara de corredor.
Não é apenas no rosto que o esporte intenso pode fazer mal. Quem pratica atividades físicas de alto impacto em demasia também está muito mais sujeito às lesões musculares. Foi a conclusão de um estudo realizado em 2012 pelas universidades mineiras Newton Paiva e Pitágoras. Até 40% dos corredores de rua entrevistados sofreram algum tipo de machucado no decorrer de seis meses. E as complicações foram além da dor física e da imobilidade. Segundo Bruno Gualano, professor de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP) e autor do blog Ciência in Forma, grande parte do problema vem do fato que as pessoas não se preparam adequadamente para os exercícios intensos. “Vejo indivíduos que se autodenominam atletas, mas não treinam com frequência, não se preparam para essa carga de exercício e não se alimentam como deveriam”, afirma.
Levando em conta todos os riscos, exercitar-se demais pode ser quase tão ruim quanto não praticar exercícios. O alerta foi publicado em fevereiro de 2015 no periódico Journal of the American College of Cardiology. Como parte de um estudo maior, chamado Estudo do Coração da Cidade de Copenhagen, pesquisadores dinamarqueses observaram 1.098 corredores com idades entre 20 e 86 anos. Os atletas foram divididos em grupos de acordo com a intensidade e a frequência dos exercícios que praticavam e submetidos a exames médicos regulares. Após 14 anos, aqueles que corriam de forma mais intensa apresentaram o mesmo índice de risco de morte que pessoas sedentárias. Entre as doenças em potencial estavam respiratórias, cardiovasculares e câncer. Enquanto isso, os sujeitos que corriam, no máximo, três vezes por semana em um ritmo leve a moderado apresentaram o menor risco de morte.

O limite

A receita para usar o exercício como um aliado contra o envelhecimento é desacelerar o passo. Para Sandra Matsudo, especialista em medicina do esporte e autora do livro Envelhecimento e Atividade Física, o ideal é praticar exercícios moderados, 150 minutos por semana. “É a melhor forma de não machucar o corpo e ao mesmo tempo reforçar os músculos e a capacidade cardiorrespiratória, o que pode postergar a idade biológica em até 15 anos”, diz. Mas, para ter efeitos benéficos, a atividade física precisa ser regular. “É como se fosse uma poupança de dinheiro. A gente tem que investir de forma constante para ter os benefícios”, explica.
Além da parte física, há evidências de que esse regime de exercícios pode prolongar a vida celular. A descoberta foi publicada na revista científica Experimental Gerontology, em 2012, resultado de um longo estudo conduzido por pesquisadores finlandeses. Em 1974, eles entrevistaram 782 homens sobre a sua rotina de atividade física. Em 2003, aqueles que mantiveram o mesmo regime de exercícios ao longo da vida foram examinados. Os que haviam priorizado as atividades moderadas apresentaram telômeros mais longos do que os que praticavam exercícios fracos e intensos. Essa estrutura celular fica no fim dos cromossomos e seu tamanho está diretamente relacionado à juventude do organismo.
Mas não vale desacelerar demais e virar sedentário, lógico. Ao ficar estacionado por muito tempo, o corpo não queima as calorias ingeridas pela alimentação, o que leva ao acúmulo de gordura – e a obesidade está diretamente relacionada ao aumento da inflamação das células e ao envelhecimento de órgãos e tecidos. O excesso de tecido adiposo também já foi vinculado ao aumento de problemas cognitivos em pessoas de meia-idade. “O nosso organismo foi criado para ser ativo. Para sobreviver, a espécie humana tinha de caçar, fugir, viver ativa o tempo inteiro. Mexer o corpo é essencial para a nossa sobrevivência”, diz Cláudia Forjaz, professora de biodinâmica da USP.
Pratique exercícios moderados, por volta de 150 minutos por semana.
A incidência do sedentarismo, porém, aumenta cada vez mais. Em 2013, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos divulgou um dado estarrecedor: 80% dos americanos não chegavam a se movimentar sequer 20 minutos por dia. No Brasil, não é muito diferente. “A maior parte da população brasileira é insuficientemente ativa e não cumpre as recomendações”, lamenta a especialista Sandra Matsudo. Para motivar uma mudança de hábitos no País, há 10 anos ela ajudou a implementar o programa Agita São Paulo, que realiza intervenções nas comunidades para motivar a prática de atividade física.
O segredo é procurar atividades que dão prazer e espalhar as sessões de exercícios em pequenas doses ao longo da semana. A boa notícia é que apenas 11 minutos de atividade física moderada diária, como lavar o carro, caminhar até o mercado e limpar a casa, já evitam a degeneração do corpo, principalmente a perda de massa muscular, um dos fatores mais marcantes do envelhecimento. “A pessoa parada perde os músculos muito rapidamente, isso provoca flacidez e falta de força, o que dificulta atividades como subir escadas, carregar compras e encarar longas caminhadas”, explica Sandra. E claro: quanto mais cansaço, maior o pavor de começar qualquer atividade física. E, com menos atividade física, mais cansaço – um ciclo vicioso que leva ao sedentarismo absoluto, daquele de pegar o carro até para ir à padaria. Nosso corpo é preguiçoso. Quanto mais sossego a gente dá para ele, mais ele vai pedir. Então, cuidado para não mimá-lo demais. Pode custar caro lá na frente.

Tipo

O ideal é adotar uma combinação de exercícios aeróbicos e de musculação. A corrida leve ou caminhada brusca melhora a capacidade cardiorrespiratória, o que gera mais energia e facilita as atividades diárias. Enquanto isso, o reforço muscular das pernas, braços e costas ajuda a eliminar sinais da idade, como a má postura e a famosa “pelanca do tchau”, abaixo do antebraço.
 

Quantidade

Em torno de 150 minutos espalhados ao longo da semana. Para Sandra Matsudo, idealizadora do programa Agita São Paulo, uma boa dica é fazer 30 minutos por dia, cinco vezes por semana. Assim os treinos não ficam longos, e o corpo não passa muito tempo parado entre as sessões. Se você não está fazendo exercícios regulares, passeie com o cachorro, lave o carro, limpe a casa. Onze minutinhos por dia e você já evita a degeneração do corpo.
 
 

Carga

Ao contrário do que muitos pensam, o esforço extenuante, como o de um maratonista, não rejuvenesce e pode até envelhecer. Atividades vigorosas demais levam a um aspecto facial magro, enrugado e com manchas, além de aumentar as chances de lesões musculares. O regime ideal de exercícios, pelo menos para quem tem pretensões estéticas, é o moderado: faça o coração bater mais forte, sue, mas intercale com período de baixa intensidade para recuperar a respiração.
 

Regularidade

Sabe aquela partida de futebol no final de semana? Sozinha, ela é muito eventual e não contribui para o reforço muscular. O resultado são lesões nas coxas, joelhos e tornozelos. O organismo também não é estimulado com a frequência necessária para produzir antioxidantes naturais. Inclua pelo menos mais duas atividades como essa na semana.
Vai correr?
Use boné, protetor solar e passe hidratante após o banho. A exposição ao sol e o consequente ressecamento da pele são alguns dos principais responsáveis por uma aparência mais envelhecida.

 

A PALMEIRA QUE DESPONTA COMO FONTE PROMISSORA DE BIOCOMBUSTÍVEL

Uma planta de uso múltiplo, no ponto para explodir comercialmente. Cotada no início dos anos 2000 como fonte promissora de biocombustível, a macaúba ultrapassou expectativas dos pesquisadores, que agora apostam no seu potencial além da produção de energia.
 
Macaúba
"O óleo de macaúba, por exemplo, é nobre demais", diz Sergio Motoike, biólogo e professor da Universidade Federal de Viçosa. "Ele tem vocação para uso na alimentação humana, na oleoquímica e na cosmética, que pagam bem mais que o mercado de biocombustíveis."
Dessa forma, diz Motoike, não haveria a frustração ocorrida, por exemplo, com a mamona. A cultura, encampada  para produção de biodiesel, naufragou por falta de capital e investimentos em tecnologias de produção.
No caso da macaúba, o leque de opções de uso garantiria a sustentabilidade econômica. E o amadurecimento, sem atropelos, das diferentes etapas do processamento parece mostrar que sua hora é agora.
A macaúba (Acronomia aculeata) é um palmeira rústica nativa do Brasil. Atinge de 5 a 15 metros de altura e possui espinhos no tronco e nas folhas - daí também ser chamada de coco-espinho. Costuma ser descrita como a palmeira de maior presença no país, praticamente ausente apenas na região Sul, e aguenta bem quando a chuva é pouca.

Aplicações

O fruto tem quatro partes: casca, polpa, endocarpo (parte dura em volta da semente) e amêndoa. As mais nobres são a polpa e a amêndoa. A polpa produz um óleo recomendado para biodiesel e bioquerosene, e com as mesmas propriedades do óleo de dendê - ou seja, já há um mercado de consumo. E quase não deixa resíduos sem aproveitamento.
O óleo da amêndoa tem características ideais para fabricação de cosméticos, por facilitar a penetração do produto na pele. Do resultado do processamento dos frutos e da casca, os produtores obtêm uma torta rica em proteínas, boa para alimentar o gado. O endocarpo pode virar carvão ativado, usado para purificar gases e líquidos.
 
Fruto da macaúba
 
"As tecnologias agrícola e industrial estão consolidadas, o mercado possui demanda para os produtos e os resultados econômicos são impressionantes", afirma Felipe Morbi, diretor da Acrotech, empresa que implantou até o momento 520 hectares da palmeira em João Pinheiro (MG).
De imediato, a empresa tem usado a macaúba para recuperar áreas degradadas. A planta é perene, tem raízes fortes que impedem a formação de buracos nos pastos e cria um microclima mais ameno e apropriado à diversificação da vida no solo.
Enquanto cuida do terreno, a palmeira produz. No sexto para o sétimo ano de vida, já concebe de três a quatro toneladas de óleo de polpa por hectare. "Com o melhoramento, podemos dobrar tranquilamente essa produtividade", diz Luiz Henrique Berton, bolsista da Fapesp (fundação de amparo à pesquisa de SP) em melhoramento genético de macaúba no Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
A soja, por exemplo, principal matéria-prima para biocombustível no Brasil, produz 600 kg de óleo por hectare. E o dendê, mesmo após 50 anos de melhoramento genético e, ainda assim, dependente de 60 litros diários de água em todos os meses do ano, não passa das cinco toneladas.
Outra vantagem da Acronomia aculeata é sua folhagem, bem mais rala do que a do dendezeiro, o que lhe permite ser cultivada com pastagens, por exemplo, em sistemas focados na pecuária e voltados à inclusão social de agricultores familiares.
Esse é um dos objetivos de um projeto em Minas Gerais que venceu uma seleção global do Banco Mundial e já conseguiu US$ 6 milhões em investimentos para alavancar a cadeia produtiva da macaúba no país.
 
Fruto da macaúba
 
Localizada em Patos de Minas, região do Alto Paranaíba (MG), a iniciativa da empresa alemã Inocas prevê o plantio adicional da palmeira em 2 mil hectares de pastagem. Os investidores também estão de olho no óleo da amêndoa, valioso na indústria de cosméticos, e na torta advinda da exploração do fruto e da casca.
Estudos em andamento avaliam que esse co-produto - a torta da amêndoa -, que contém mais de 30% de proteína, poderia complementar a nutrição animal, diminuindo inclusive o tempo final de engorda do gado.
"Com isso podemos falar em segundo andar produtivo nas pastagens", conceitua Johannes Zimpel, diretor executivo da Inocas no Brasil.

Construindo a cadeia

Pragas e doenças também não parecem problema para a palmeira. Seu adensamento é secular, quase 500 plantas por hectare, o que facilita o controle de enfermidades. "Ela naturalmente evoluiu como se fosse um plantio comercial, vivendo em maciços", diz Berton.
O biólogo lembra que a seringueira, por exemplo, se desenvolveu solitariamente: "Na floresta amazônica, há uma seringueira aqui, outra a 500 metros. Quando se deu início ao plantio comercial, uma do lado da outra, não havia barreira; foi um prato cheio para as pragas."
O que estaria faltando, então, para a macaúba deslanchar de vez? Um aspecto é o consumo. "Mesmo existindo em grandes maciços, a macaúba é pouco coletada por não existir um mercado comprador", avalia Haroldo César de Oliveira, consultor do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) na Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário.
 
Frutos da macaúba
 
Os trabalhos estariam mais avançados em Minas Gerais, com a produção de sabão em Mirabela, no norte do Estado, que também possui contrato com a Petrobras Biocombustíveis, a quem fornecem óleo da polpa para biodiesel.
Em Dores do Indaiá e Luz, na região central mineira, a extração está voltada para o coco inteiro, vendido para a Cooper-Riachão. No Recife, agricultores também comercializam o coco inteiro, mas no mercado São José, para consumo direto, além de preparar xarope de macaúba, rico em vitamina C. Em Corumbá (MT), associações de mulheres produzem farinha da polpa e a vendem no mercado local como ingrediente de bolos, biscoitos, tortas, sorvetes.
Industrialmente, um entrave é a ausência de cultivares comerciais, sementes padronizadas para venda. "Os plantios realizados até o momento são de mudas de sementes de plantas nativas", diz Carlos Colombo, engenheiro agrônomo e pesquisador da área de genética do IAC.
A legislação nacional não permite a comercialização de sementes e mudas que não estejam registradas no Ministério da Agricultura. a não ser que sejam usadas para a recomposição da flora nativa, como a das matas ciliares. Em Minas Gerais, no entanto, um projeto de lei regulamentado em 2012, permite o cultivo, a extração, a comercialização, o consumo e a transformação da macaúba no Estado. Tanto que Minas Gerais é o único Estado do país em que mudas da palmeira são negociadas e seu plantio é feito em escala comercial.
"Existe muita gente competente envolvida com a macaúba, mas infelizmente não há, até o momento, uma unidade entre pesquisadores, iniciativa privada e órgãos governamentais no intuito de criar uma agenda para a consolidação da palmeira", analisa Morbi. Um workshop, a ser realizado em junho, em Campinas, buscará "dar liga" a toda a cadeia de produção.
"As comunidades indígenas já a usavam para acender tochas, as lamparinas em Ouro Preto (MG) a tinham como combustível, tem os cosméticos, os produtos farmacêuticos, até um fermentado é feito do tronco da planta, o vinho de coyol", entusiasma-se Berton, cuja foto no WhatsApp mostra o biólogo carregando um cacho de macaúba de 40 kg com mais de mil frutos - a média é de 600 por cacho.
"Não tem outra palavra: ela é espetacular; só falta o mercado descobrir isso."
BBC Brasil

O raro fenômeno atmosférico que teria inspirado "O Grito", um dos quadros mais famosos do mundo

O céu de cores intensas no quadro O Grito não é apenas um símbolo da angústia que atormenta o protagonista da famosa obra criada pelo norueguês Edvard Munch em 1892.
 
'O Grito'
Segundo uma nova teoria proposta nesta semana por uma equipe de pesquisadores noruegueses, as linhas amarelas, laranjas e vermelhas são provavelmente a reprodução de um raro tipo de nuvem que aparece de tempos em tempos no norte da Europa.
As nuvens estratosféricas polares teriam gerado um grande impacto em que as tivesse visto pela primeira vez, garantem estes cientistas.
 
'O Grito'
 
"Hoje em dia, o público tem à disposição muito mais informações científica do que naquela época, e Munch com certeza nunca tinha visto estas nuvens", explica Helene Muri, pesquisadora da Universidade de Oslo, na Noruega, que apresentou o estudo na última edição do congresso anual do Sindicato de Geociência Europeia, em Viena, na Áustria.
Muri vive em Oslo há 25 anos, mas só viu essas nuvens uma única vez. "Como artista, não há dúvidas de que elas poderiam ter deixado Munch impressionado."

Erupção

A incomum imagem do céu no quadro do artista havia sido atribuída anteriormente aos efeitos de uma forte erupção do vulcão Krakatoa, na Indonésia, ocorrida nove anos antes de Munch criar a obra.
Foi uma das maiores erupções registradas da história, e os gases e cinzas que emitiu rodaram o mundo e, na combinação com luz solar, geraram efeitos ópticos ao redor do mundo - e criando fins de tarde de beleza excepcional.
 
Céu com nuvens estratosféricas polares
 
No entanto, os pesquisadores argumentam que as formas de ondas pintadas por Munch se parecem muito mais com as nuvens estratosféricas polares do tipo 2.
Elas são produzidas em regiões de alto grau de umidade a altitudes de 15 km a 20 km, quando as temperaturas giram em torno de -80ºC e - 85ºC.
A corrente atmosférica sobre as montanhas também contribui para a formação dessas nuvens, porque leva umidade da troposfera para a estratosfera. E essas gotas de umidade se transformam em cristais minúsculos com o frio.
"Essas nuvens são muito finas e melhor observadas antes do amanhecer ou depois do entardecer, quando o Sol está abaixo do horizonte", destaca Muri.
"Essas cores únicas são criadas pela combinação da dispersão, a difração e refração da luz solar através dos pequenos cristais de gelo."
BBC Brasil

ANAC aprova uso comercial de drones no Brasil e espera impulsionar o mercado

 
Antes liberados apenas para fins recreativos e competições, os drones agora também contam com regras de uso comercial no Brasil. A Anac aprovou, nesta terça-feira (2), em Brasília, a regulamentação da utilização comercial de drones em todo o território brasileiro. Dividido em três categorias por peso, o equipamento terá diferentes exigências de acordo com o peso dos objetos e a altura dos voos.

Os drones serão divididos em três categorias: aqueles entre 250 gramas e 25 kg; os veículos entre 25 kg e 150 kg; e os equipamentos acima de 150 kg. O uso de drones com menos de 25 kg para voos de até 120 metros de altitude vai exigir apenas um cadastro simples no site da Anac e a idade mínima de 18 anos, o que é uma determinação bem flexível. Até porque, segundo conta Emerson Granemann, idealizador da feira DroneShow Latin America, ao UOL, "quase 100% das aplicações comerciais dos drones no Brasil" são de equipamentos dentro dessa faixa de peso.

Para voos acima de 121 metros, será necessária documentação,independentemente do tamanho ou do peso do aparelho. "Se fosse aprovada uma norma sem qualquer tipo de exigência, no futuro a ANAC poderia ser vista como negligente e irresponsável", comentou Felipe Veneziano, advogado especialista em Direito Aeronáutico, em entrevista ao Estadão.

O Brasil tem um potencial não explorado de utilização comercial de drones, e a esperança da Anac é de que a nova regulamentação impulsione esse uso, até mesmo em termos de serviços de entrega e de uso rural. Visão compartilhada por Luís Neto Guimarães, CEO da Drone Store. "O mercado está descobrindo aos poucos novas aplicações comerciais. Contar com uma legislação que regulamente as atividades, sem dúvidas, é um passo importante rumo à consolidação do setor", avaliou, em entrevista ao UOL.

Só o tempo vai dizer se aquelas suas encomendas que ficavam paradas em meio ao processo de entrega serão agilizadas pelos drones. Mas esse definitivamente é um primeiro passo a se comemorar — e que já tardava a acontecer.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Por que o gás lacrimogêneo é usado para dispersar protestos mas é proibido nas guerras?

Comum em protestos ao redor do mundo para dispersar multidões, o gás lacrimogênio é proibido em guerras.
 
Policiais no Rio
Ele foi testado pela primeira vez durante a Primeira Guerra Mundial, com o objetivo de forçar soldados inimigos a deixar suas trincheiras para serem atacados com artilharia ou  outras armas.
Com o passar do tempo, foi perdendo seu uso em conflitos armados até ser proibido, em 1997, pela Convenção Sobre Proibição de Armas Químicas, firmado por 178 países.
A Convenção proíbe seu uso como arma de guerra, tendo em vista o poder letal do gás quando em alta concentração.
"Ele está proibido na guerra porque supostamente não se deve usá-lo como arma ofensiva", explicou à BBC Mundo Anna Feigenbaum, professora da Universidade de Bournemouth, na Inglaterra, que publicou um ensaio sobre a história do gás na revista The Atlantic.
"A exceção para o uso pela polícia ocorre porque o gás não está sendo usado como uma arma, e sim como um agente de controle", acrescentou.
O uso do gás em protestos tem sido criticado porque seu uso indiscriminado pode provocar problemas de saúde nos manifestantes.
Uma revisão de estudos sobre os efeitos do gás lacrimogênio publicada em 2016 no Annals of the New York Academy of Sciences diz que ele pode causar sérios danos nos pulmões, pele e olhos; crianças, mulheres e aqueles que já têm complicações nessas áreas do corpo têm riscos maiores de serem afetados.

'A guerra dos químicos'

Há divergências entre os historiadores consultados pela BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, sobre quando exatamente o gás lacrimogênio foi usado pela primeira vez na Primeira Guerra, mas a maioria tende a apontar o mês de agosto de 1914, pouco depois do começo do conflito mundial.
 
Pessoas com máscara no Reino Unido
 
Doran Cart, curador do Museu Nacional da Primeira Guerra Mundial, em Kansas City, no Missouri, nos Estados Unidos, diz que embora não existam documentos oficiais sobre isso, os franceses podem ter usado granadas lacrimogêneas contra os alemães nesse mês. Isso porque a França vinha fazendo experimentos com os gases em anos anteriores.
O "ponto de virada", segundo o historiador, foi em 1915, quando gases começaram a ser testados com mais frequência, ainda que nem sempre de maneira efetiva.
Seu desenvolvimento fez parte de um esforço muito maior das potências para criar armas químicas, o que levou a Primeira Guerra Mundial a ser considerada "a guerra dos químicos".
Além dos lacrimogêneos, também foram usados agentes como o gás mostarda, o gás cloro, gás fosgênio, alguns dos quais causaram um "sofrimento agonizante" e quase cem mil mortes, segundo dados das Nações Unidas.
"Esses gases se converteram na personificação de todo o mal da Primeira Guerra Mundial", afirmou à BBC Mundo o historiador Michael Neiberg, professor da Universidade da Guerra do Exército dos Estados Unidos, na Pensilvânia.

Controle de distúrbios

Poucos anos depois, em 1925, foi firmado o Protocolo de Genebra que, com limitações, proibiu o uso de armas químicas nas guerras.
Na época, no entanto, já estavam sendo testados novos compostos químicos de gases lacrimogêneos e se buscava formas de convertê-los em ferramenta para uso rotineiro. Pela sua condição não letal, seu uso não provocava tanta resistência como o de outros gases.
Segundo Feigenbaum, poucos anos depois do armistício de 1918, várias cidades americanas e territórios ao redor do mundo começaram a comprar o gás, que foi usado em prisões, atos de greves e até em caixas-fortes de bancos para se evitar roubos.
A guerra do Vietnã também ajudou a mudar a percepção sobre o gás lacrimogêneo; tanto o seu uso no Vietnã como nos Estados Unidos - para dispersar protestos - passaram a ser criticados.
Para se distanciar das acusações de uso de armas químicas, Washington passou a se referir ao gás como um "agente para o controle de distúrbios", um termo que passou a ser usado com frequeência cada vez maior, segundo um estudo publicado em 2013 na Yale Historical Review.
No resto do mundo, o gás se tornou mais habitual e nos últimos anos foi usado com frequência em protestos diversos - como no Brasil, na Primavera Árabe, no Parque Gezi, em Istambul, na Venezuela e no Estado do Missouri (protestos contra a morte de negros pela polícia), nos EUA, só para citar alguns dos casos mais notórios.
"Tornou-se algo de uso comum porque é uma maneira de dispersar uma multidão de maneira relativamente barata e fácil", explica Feigenbaum.

Protesto no Egito em 2011

A especialista diz que, se usado de maneira adequada, o gás não causa ferimentos com sangue e seus efeitos são normalmente superficiais, o que é benéfico do ponto de vista da polícia.
Mas, para Feigenbaum, "a rua é o único lugar para onde podemos ir quando nos tiram o poder; se o ar é envenenado, estão tirando das pessoas a capacidade de protestar".
BBC Brasil

O celular está mudando a nossa postura. Os perigos dessa prática?

NOTA HOME_pescoço
Quem nunca tropeçou na rua por estar checando o WhatsApp ou respondendo e-mails que atire o primeiro celular. E a febre do Pokémon Go? Mesmo quem não é adepto do “esporte” já deve ter se deparado com uma aglomeração de pessoas de cabeça baixa, teclando furiosamente. Sinal dos tempos e também um risco para a saúde. A médio e longo prazo, essa postura, que altera a curvatura natural do pescoço, provoca dores na nuca, na cabeça, nos ombros e nos braços. Em casos extremos, ou seja, permanecer várias horas por dia na mesma posição e manter esse hábito durante anos, pode provocar alterações estruturais na coluna. Esse vício postural tem até nome: text neck ou pescoço de texto, em tradução livre, termos usados em referência à posição da coluna cervical de alguém que se curva para conseguir enxergar algo na tela do celular, por exemplo.
Um jeito simples de entender como essa posição, que nada tem de fisiológica, pode ser prejudicial para a saúde é imaginar uma bola de 5 quilos (o peso médio da cabeça) espetada na ponta de um bastão flexível – ou seja, seu pescoço. Ao inclinar a cabeça para frente, você sai do eixo, sobrecarregando os músculos do pescoço. “Para se ter uma ideia, 60 graus de inclinação, que é mais ou menos o ângulo de quando estamos teclando ou olhando alguma coisa no celular, significa uma carga equivalente a 27 quilos para a musculatura do pescoço”, explica a fisioterapeuta Amélia Guiotoku, de São Paulo, citando um estudo publicado, em 2014, no Surgical Technology International Journal, periódico especializado em técnicas cirúrgicas.
NA ALTURA DOS OLHOS
A era dos smartphones e tablets também está levando cada vez mais crianças e adolescentes ao consultório dos médicos. “Aumentou muito a incidência de dor na região cervical em faixas etárias mais jovens”, diz o ortopedista Alexandre Podgaeti, membro titular da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC). Algumas pessoas precisam recorrer a um ortopedista, que, muitas vezes, indica o uso de medicamentos como analgésicos e/ou anti-inflamatórios, além de sessões de fisioterapia como é o caso da reeducação postural global (RPG), por exemplo. Segundo o médico, atividades físicas baseadas principalmente em exercícios de alongamento também ajudam a combater a dor e a prevenir recidivas.
Para não ter problemas, toda vez que precisar checar o WhatsApp ou os e-mails, mantenha o smartphone na altura dos olhos e faça pausas. Praticar exercícios físicos regularmente contribui para manter uma boa postura e relaxar os músculos. Movimentar a cabeça para os lados (como se estivesse dizendo “não”), para cima e para baixo (movimento do “sim”) e fazer movimentos de rotação dos ombros (nos dois sentidos) também contribui para alongar os músculos da região cervical e a evitar dores. Para os mais distraídos, vale apelar para aplicativos que fazem o celular vibrar ou emitir um bipe toda vez que o pescoço ficar em uma posição perigosa.