segunda-feira, 28 de maio de 2018

Quem foi Roland-Garros, o aviador que deu nome ao famoso torneio de tênis francês?

Roland Garros 2018
 
Pouco antes de começar, o torneio de Roland Garros proporcionou neste domingo uma jornada lúdica e calorosa em que as crianças parisienses puderam curtir seus heróis de perto. Participaram do tradicional Kid’s Day ídolos como Rafael Nadal, Novak Djokovic e Maria Sharapova, que arrancaram sorrisos e ovações com uma divertida exibição na quadra central de um belo complexo que lentamente vai mudando de fisionomia por exigência dos novos tempos. Na corrida para a modernidade, o grande torneio francês está atrás dos outros três Grand Slams, mas há um ano implantou um plano de reestruturação ambicioso para ficar no mesmo nível do Aberto da Austrália, Wimbledon e do Aberto dos Estados Unidos. Mas sem perder a essência ou esquecer as raízes. Paris é Paris, la grandeur est la grandeur (a grandeza é a grandeza) e Roland Garros é Roland Garros. História pura.
Ontem, nas ruas ao redor do complexo, muitos fãs carregavam orgulhosamente uma pequena revista em que não apareciam Nadal, Djokovic e Sharapova; na verdade, não havia tenista algum em suas páginas. Na capa, um retrato antigo de um homem com olhar desafiador, perfilado, com uma boina de trás para a frente e um curioso bigode. Uma imagem que, aparentemente, o faz ter muito pouco a ver com a raquete. Aparentemente
Tratava-se de Roland Garros, l’homme qui flirtait avec les nuages (o homem que flertou com as nuvens), como o descreveu uma manchete da revista Paris Match. O mito, o combatente, o aviador que flertava com as nuvens e que, ao contrário do que muita gente pensa, nunca jogou tênis profissionalmente. Porque foi um símbolo, herói nacional e origem do nome do grande torneio francês em 1928, mas nunca tenista.
Neste ano completam-se exatamente 100 anos de sua morte e Paris prepara eventos de grande pompa que acontecerão ao longo das próximas duas semanas. “Tudo é pouco para homenageá-lo”, diz o diretor do torneio, o ex-jogador Guy Forget, para recordar Eugène Adrien Roland Georges Garros, pioneiro da aviação nascido na Ilha da Reunião, no sudeste da África, que morreu 30 anos depois durante um combate nas Ardenas, perto de Vouziers. Um homem que deixou sua marca no ar e na memória histórica da França, pois se tornou o primeiro piloto que conseguiu cruzar o Mediterrâneo sem paradas, em 1913, em uma travessia que começou em Fréjus e terminou em Bizerta (Tunísia), em menos de seis horas.
Tenista e ciclista amador, naquele mesmo ano conseguiu estabelecer um novo recorde de altitude, atingindo 18.410 pés, e um ano depois, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, alistou-se voluntariamente nas forças aéreas do exército francês. Sua perícia nas nuvens não impediu que realizasse em 1915 um pouso de emergência na Alemanha, onde foi capturado. Permaneceu durante três anos em um campo de prisioneiros, mas conseguiu fugir usando um uniforme do inimigo. Depois de passar pela Holanda e pelo Reino Unido, voltou a Paris e retomou o combate. Pilotava um SPAD S.VII, mas um Fokker D VII das forças inimigas o abateu e ele morreu em 1918, quando não tinha completado 30 anos.

‘Mort pour la France’ e outras honrarias

Pioneiro também no desenvolvimento de um sistema de metralhadoras que permitia disparar através das hélices o avião, após a morte foi ganhando reconhecimento. Mort pour la France – distinção nacional em honra aos caídos em combate e oficial da Legião de Honra, em 1928 foi homenageado para sempre. Um ano antes, seus compatriotas René Lacoste, Henri Cochet, Jacques Brugnon e Jean Borotra – conhecidos como Os Quatro Mosqueteiros do tênis francês – derrotaram os Estados Unidos na Copa Davis, em uma série decidida na Filadélfia. Para sediar a final, a Federação Francesa de Tênis (FFT) decidiu construir um estádio em menos de um ano, muito perto da Porte d’Auteuil, que recebeu o nome de Roland Garros.
O precedente aponta para 1891, quando surgiu o Campeonato da França, mas o nome definitivo (Les Internationaux de France de Roland-Garros) ficou inscrito depois de o aviador ter sido abatido, há 100 anos. Por isso é lembrado por seu país e pelo tênis. “Champion des Champions”, sugere uma definição daquela época. Campeão nas alturas, mas não tenista.

sábado, 26 de maio de 2018

A pioneira da tecnologia que proíbe aparelhos eletrônicos e telas em sua casa

Belinda Parmar costumava se referir a si mesma como uma "evangelizadora da tecnologia".
 
Belinda Parmar
Ela fazia visitas frequentes a escolas para incentivar meninas a explorar essa área de conhecimento e até mesmo recebeu da rainha Elizabeth 2ª a Ordem do Império Britânico, conferida pela Coroa por contribuições a artes e ciências, e, no caso dela, por ajudar a aumentar a participação feminina nessa indústria.
Hoje em dia, ela continua a ser uma entusiasta da tecnologia e da liberdade e benefícios que isso gera, mas também conheceu seu lado negro em primeira mão - e se preocupa em como isso pode afetar seus filhos.
Com base em novas pesquisas e sua experiência pessoal, ela acaba de lançar a campanha #TheTruthAboutTech (#AVerdadeSobreATecnologia, em inglês) para alertar adultos e crianças sobre os possíveis malefícios da tecnologia.
Parmar não tem problema em falar sobre o que a motivou a ter essa iniciativa. "Tenho um filho viciado em videogames. Um sobrinho passou seis semanas em um hospital psiquiátrico, porque se negava a ir à escola, só queria jogar videogame o dia todo", conta ela à BBC.
"Isso me fez enxergar o lado ruim da tecnolgia. A verdade é que não podemos controlá-la, ela é que nos controla."

'Tecnologia lixo'

A neurociência aponta que o desenvolvimento cognitivo de uma pessoa continua até os 25 anos.

Desde que nascemos até atingirmos essa idade, a maturidade emocional, nossa autopercepção e a forma como avaliamos o que ocorre à nossa volta vão se alterando conforme o córtex pré-frontal do cérebro se desenvolve.
Nesse período, as crianças usam a tecnologia, de redes sociais a videogames muitas vezes sem supervisão de um adulto.
Parmar analisou pesquisas sobre o tema e diz que os potenciais danos da "tecnologia lixo", aquela que não enriquece nossas vidas, podem ser:
- Desensibilização e agressão: "Jogar games violentos não transformará seu filho em um assassino, mas, quando jogam, eles são levados a ver a violência como algo trivial", explica Parmar.
- Achar que ações não têm consequências: nos videogames, o mau comportamento não é punido. Se você comete um erro, tem uma outra vida para seguir jogando.
- Desenvolver uma obsessão: Parmar diz que 5% das crianças se viciam em videogames.
"Algumas crianças podem ter uma relação perfeitamente saudável com a tecnologia, enquanto outras ficam patologicamente dependentes dela", diz.

Mulher usa smartphone

Gratificação instantânea

Isso tem alguma relação com o transtorno de déficit de atenção e a hiperatividade? Ou com a dopamina, neutransmissor ligado a sensações de prazer, gerada em nosso corpo quando matamos um monstro virtual ou recebemos uma curtida nas redes sociais?
Foram perguntas feitas por Parmar a si própria: "Como mãe, como compenso esse nível de excitação ou gratificação instantânea?".
Ao fundar sua empresa, a Lady Geek, consultoria para aproximar as mulheres e a indústria de tecnologia, ela costumava pensar que a tecnologia era uma forma de democratizar o mundo. "O maior erro foi crer que a tecnologia é neutra", ela diz hoje.
"A verdade é que, apesar de todas as promessas de democratização, creio que a tecnologia está alimentando um déficit de empatia no mundo."
Parmar diz que a tecnologia "não é como a obesidade: todo mundo sabe que isso é algo ruim para nós, podemos fazer campanha contra ela". "O problema com a tecnologia é que ela tem muitos benefícios e aspectos positivos", afirma.

Equilíbrio como solução

Crianças usam computador
 
Parmar defende que tenhamos uma vida mais equilibrada. Por isso, lançou sua campanha. "Trata-se de usar a tecnologia de forma que nos conecte, nos ponha de novo em contato com nossas famílias", explica.
Ela acredita que os "ditadores digitais do Vale do Silício" devem refletir sobre as plataformas que estão criando e os produtos que oferecem. "Há muitas técnicas de apropriação e manipulação extrema", diz, citando "o retrato perfeito no Instagram que nos reafirma com base no número de curtidas. O valor de nossas amizades segundo o Snapchat. As bolhas sociais criadas pelo Facebook".
Parmar diz que os os adultos são responsáveis por controlar não só seus próprios hábitos, mas os de seus filhos. Ela avalia que 70% da tecnologia consumida por crianças pode ser definida como "tecnologia lixo".

Meninos jogam videogame

As dificuldades

Mas ela reconhece não ser fácil impôr limites. "Está em nossas mãos esse controle, mas, para cada pessoa que decide como usar um aparelho ou aplicativo, há milhares de desenvolvedores que trabalham para mantê-la conectada. Como competir?"
Sean Parker, cocriador do Facebook, diz que a rede social deve grande parte de seu êxito à dopamina que produz em nós. Sua frase "Só Deus sabe o que isso está fazendo ao cérebro de nossos filhos" viralizou em novembro do ano passado.
Parmar vai um pouco além: "O inventor do botão 'curtir' do Facebook, Justin Rosenstein, apagou sua conta na rede social por medo de ficar viciado. Steve Jobs não deixava seus filhos brincar com iPads... Sem dúvida, essas empresas deveriam ajudar-nos a controlar esse problema em nossas famílias."
Ela também avalia que não somos bons em lidar com esse problema, porque, em parte, negamos nossa obsessão com a tecnologia.

Crianças usam celular

"Sabe quantas vezes uma pessoa checa seu celular por dia? Em média, 82!", diz.
"Uma estatística que me impactou foi a de que um adulto subestima em 50% a quantidade de tempo que passa no celular. Assim, se nós não temos nem ideia disso, imagine uma criança?"

Como dar o exemplo

Parmar diz que muitas vezes nos esquecemos que devemos dar o exemplo. "Sei disso por experiência própria. Quando estava fundando a Lady Geek, a primeira coisa que fazia ao acordar era checar o Twitter", diz.
"A essa altura, eu tinha dois filhos e deveria dar mais atenção a eles e não às redes sociais. O que tinha de fazer - e reconheço que ainda trabalho nisso - é parar e pensar que, se quero que meus filhos façam o que digo, devo ser um exemplo a ser seguido por eles."
Em outras palavras, afirma ela, "não podemos restringir todo o acesso de nossos filhos a tecnologia se não nos comportamos de forma adequada".
Parmar afirma que "não há uma solução mágica", mas faz algumas sugestões do que ter em mente ao tentar afastar as crianças da "tecnologia lixo".
1. Não é culpa do seu filho: estamos enfrentando uma epidemia, lembre-se disso.
2. Dê o exemplo: ninguém gosta de hipocrisia, então seja um exemplo a ser seguido.
3. Proíba as telas: quando estiverem comendo, quando estiverem conversando, quando saírem. Decida as atividades em família em que as telas são vetadas. Seja firme.
4. Crie espaços livres de telas: algumas áreas deveriam ser livres de tecnologia, e as crianças não deveriam nunca ter telas em seus quartos.
5. Seja consistente: para que seu plano tenha sucesso, todos os membros de sua família devem participar dele. Pais, cuidadores e filhos devem seguir as mesmas regras.
 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Índia registra vários eventos extremos em maio de 2018

Cidade foi atingida por mais de 40 mil raios em 13 horas

A Índia foi atingida por uma série de trovoadas, tempestades de poeira e relâmpagos intensos desde o início de 2018. Os eventos destruíram casas, plantações e tiraram a vida de mais de cem pessoas.
No ultimo mês de abril, o estado de Andhra Pradesh, no sudeste da Índia, recebeu cerca de 40 mil raios em 13 horas - número maior do que o registrado em todo o mês de maio de 2017. Diversas pessoas e casas foram atingidas.
No dia 2 de maio de 2018, fortes tempestades acompanhadas de vento intenso e relâmpagos varreram a região de Rajhastan, no norte indiano, e derrubaram grandes estruturas. As potentes tempestades provocaram uma das tempestades de poeira mais mortais em décadas.
Uma semana depois, a mesma região foi atingida por mais tempestades violentas que provocaram relâmpagos, ventos de 110 km/h e violentas tempestades de areia.
O mapa acima abaixo aerossóis, incluindo poeira, sobre o norte da Índia no dia 14 de maio de 2018, próximo do horário da segunda tempestade de poeira. As medições dos aerossóis foram registradas pelo "Ozone Mapping and Profiler Suite (OMPS)", a bordo do satélite Suomi NPP. A poeira é naturalmente impedida de se mover para o norte pela cordilheira do Himalaia. Além de causar acidentes e baixa qualidade do ar, os aerossóis de poeira podem influenciar a quantidade de calor transmitida à superfície da Terra, espalhando ou absorvendo a entrada de luz solar.



Tempestades de poeira e tempestades são comuns na Índia neste período, mas a intensidade deste ano parece ser anormal. O clima incomum pode ter uma série de causas, incluindo a umidade extra de uma circulação ciclônica sobre a Bengala Ocidental colidindo com ventos empoeirados e destrutivos. Altas temperaturas na área também tornaram a atmosfera instável, o que aumentou as tempestades e ventos fortes. Algumas pesquisas sugerem que altas temperaturas em um mundo em aquecimento podem aumentar a intensidade das futuras tempestades de poeira.
O número excepcionalmente alto de raios foi causado por ventos frios do Mar da Arábia que colidiram com ventos mais quentes do norte da Índia. Isso causou a formação de mais nuvens do que o normal. A Índia tem sido propensa a raios, que acredita-se que seja a causa de mais mortes do que qualquer outro perigo natural no país.
O segundo mapa mostra a média anual de relâmpagos na Índia, entre 1998 a 2013. A visualização foi feita a partir de dados adquiridos pelo Lightning Imaging Sensor (LIS) no satélite da missão de medição de chuva tropical da NASA. O sudeste da Índia geralmente tem atividade relâmpago aumentada antes da estação das monções, à medida que os padrões de aquecimento e clima se tornam instáveis e mutáveis.



Coca-Cola: Embalagens 100% recolhidas

 
A The Coca-Cola Company anunciou em janeiro sua nova política de embalagens, cuja meta mundial é, até 2030, ajudar a recolher o equivalente a 100% desses itens que põe no mercado. No Brasil, a empresa chegará ao fim de cinco anos (2016-2020) com investimento de R$ 1,6 bilhão para garantir a realização desse objetivo, atuando em design, coleta e parceria. Atualmente, a Coca-Cola Brasil garante a destinação correta para 51% das embalagens produzidas (eram 36% em 2016) e busca chegar a 66% até 2020, graças ao aumento de participação de embalagens retornáveis, uso de resina reciclada na confecção de novas garrafas e apoio a mais de 200 cooperativas de reciclagem locais. A empresa está investindo em infraestrutura, entre ampliação de linhas de retornáveis, equipamentos de fábrica, compra de vasilhames e engajamento do consumidor, e em cooperativas de reciclagem. Do R$ 1,6 bilhão previsto entre 2016 e 2020, R$ 1,2 bilhão representa o investimento de hoje até 2020.
 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

6 perguntas para entender a alta nos preços da gasolina e do diesel

Bomba de gasolina
 
A gasolina ultrapassou a barreira dos R$ 4 nos postos de gasolina em dezembro de 2017 e, desde então, sobe de forma contínua e gradativa em todo o país. Influenciada pelo aumento do dólar e do petróleo, a escalada de preços dos combustíveis se intensificou neste mês, irritou consumidores e motivou uma greve de caminhoneiros, que estão parados desde segunda-feira.
A variação é reflexo da política de preços vigente desde 2016 na Petrobras, que passou a acompanhar as oscilações internacionais. Até 2015, os preços da gasolina e do diesel eram influenciados por decisões do governo, que chegou a usá-los como instrumento para controlar a inflação, com prejuízo bilionário para o caixa da estatal.
Na última semana, depois de cinco dias consecutivos de reajustes, o governo chegou a cogitar novos mecanismos de controle e corte de impostos. Na noite de terça-feira, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou que a Cide, o tributo que tem menor peso sobre o preço nas bombas, seria zerada sobre o diesel.
A BBC Brasil explica em seis perguntas por que a medida deve ter impacto limitado, os fatores por trás do aumento dos combustíveis e o cenário para os próximos meses.

Por que o preço subiu tanto?

Desde julho do ano passado, quando os preços da Petrobras passaram a acompanhar as oscilações internacionais, a variação do dólar e da cotação do petróleo são as principais influências sobre o valor praticado nas refinarias.
Hoje, a trajetória desses dois preços é desfavorável para os consumidores de combustível brasileiros, explica o economista da MacroSector Consultores Fabio Silveira.
O petróleo, depois de dois anos em mínimas recordes, vem ficando mais caro desde junho de 2017. Na semana passada, o barril do tipo Brent, negociado na bolsa de Londres, atingiu o maior valor desde 2014, US$ 80, pressionado pelas incertezas em dois grandes produtores, o Irã, que voltou a ser alvo de sanções pelos EUA, e a Venezuela, mergulhada em uma crise política e econômica.
No início de 2016, o preço do barril chegou a US$ 30.
Gráfico
O dólar, por sua vez, tem ficado mais caro diante do aumento dos juros nos Estados Unidos - à medida que ele eleva a rentabilidade dos ativos americanos, considerados mais seguros, estimula a saída de dólares de mercados como o Brasil.
Esses dois movimentos explicam porque, entre fevereiro e maio, o preço da gasolina que saiu das refinarias para as distribuidoras saltou de R$ 1,57 para R$ 2,08 e o do diesel, de R$ 1,81 para R$ 2,37.
Nas bombas, a alta foi de R$ 4,12 para R$ 4,28 para a gasolina e de R$ 3,38 a R$ 3,59 para o diesel, de acordo com os números da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que acompanha os preços em todo o país.
Entre julho de 2017, quando a política de preços da Petrobras permitiu que os reajustes nos preços fossem diários, e abril deste ano, a gasolina ficou quase 30% mais cara, calcula o economista Walter de Vitto, da Tendências Consultoria.
Colocando os números preliminares do mês de maio na conta, o aumento salta para 46%.

Como era antes?

Entre 2011 e 2015, a variação dos preços internacionais era repassada de forma defasada aos preços dos combustíveis no país, um mecanismo usado pelo governo para tentar segurar o aumento da inflação.
Quando a conjuntura internacional era desfavorável, a Petrobras chegou a importar combustível mais caro e vendê-lo mais barato no mercado interno.
Essa diferença gerou uma série de prejuízos para o caixa a estatal - uma conta que passou de R$ 75 bilhões no fim de 2014. A política orientada para o controle da inflação é apontada como uma das principais responsáveis pelo alto nível de endividamento da Petrobras no período, que chegou a US$ 124 bilhões.

Como é formado o preço da gasolina?

Os valores praticados pela Petrobras são aproximadamente um terço do preço pago pelo consumidor nos postos. Do total, 11% é o custo do etanol, que, por lei, deve compor 27% da gasolina comum, e 12% corresponde aos custos e lucro dos distribuidores, conforme os cálculos da Petrobras, que levam em conta a coleta de preços entre os dias 6 e 12 de maio em 13 regiões metropolitanas do país.
Cerca de 45% são tributos, sendo 29% ICMS, recolhido pelos Estados, e 16% Cide e Pis/Cofins, de competência da União.
Os tributos federais são cobrados como um valor fixo por litro - o de Pis/Cofins, por exemplo, é de R$ 0,7925 por litro de gasolina; a Cide, de R$ 0,10 por litro.
Na última semana, depois de cinco dias de reajustes consecutivos nos preços, o governo chegou a cogitar ambas as saídas, gerando reações negativas da equipe econômica e da Petrobras, e acabou decidindo zerar a Cide.
 
Mais tarde, contudo, o ministro da Fazenda anunciou que a Cide seria zerada para o diesel e que a perda de arrecadação do governo com a medida seria compensada pela reoneração da folha de pagamentos das empresas, medida que tramita na Câmara e que os deputados teriam se comprometido a aprovar como contrapartida ao corte.
"Acabaram mexendo no imposto que tem menos impacto para o consumidor", diz De Vitto, da Tendências. A Cide é cobrada como um valor fixo, de R$ 0,05 por litro de diesel, com impacto de cerca de 2% sobre o preço.
Apesar de a carga tributária sobre os combustíveis ser alta, economistas avaliam que este não seria o momento ideal para cortar impostos por causa da situação frágil das contas do governo, que não permitiria que ele abrisse mão de fontes de receita.
Uma eventual influência na política de preços da Petrobras para baixar "à força" os preços, por sua vez, seria ainda pior, com impacto negativo sobre o processo de recuperação da empresa.
Na terça-feira, pouco depois de a Petrobras anunciar redução nos preços dos combustíveis nas refinarias, motivada pela queda do dólar, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco - que havia declarado que o governo poderia discutir mudança na política de preços da estatal - se reuniram para discutir a questão.
Na saída do encontro, Guardia declarou que não havia espaço para cortar impostos, diante da dificuldade de equilibrar as contas públicas, e Parente destacou que o mecanismo de reajuste não seria alterado.
 
Pedro Parente
O ICMS, por sua vez, é um percentual sobre o preço de venda - ou seja, cada vez que ele sobe, os Estados recolhem mais impostos.
 
 
Mais tarde, contudo, o ministro da Fazenda anunciou que a Cide seria zerada para o diesel e que a perda de arrecadação do governo com a medida seria compensada pela reoneração da folha de pagamentos das empresas, medida que tramita na Câmara e que os deputados teriam se comprometido a aprovar como contrapartida ao corte.
"Acabaram mexendo no imposto que tem menos impacto para o consumidor", diz De Vitto, da Tendências. A Cide é cobrada como um valor fixo, de R$ 0,05 por litro de diesel, com impacto de cerca de 2% sobre o preço.
Apesar de a carga tributária sobre os combustíveis ser alta, economistas avaliam que este não seria o momento ideal para cortar impostos por causa da situação frágil das contas do governo, que não permitiria que ele abrisse mão de fontes de receita.
Uma eventual influência na política de preços da Petrobras para baixar "à força" os preços, por sua vez, seria ainda pior, com impacto negativo sobre o processo de recuperação da empresa.
"A ideia de intervir foi objeto de muita crítica no governo Dilma e deveria ter sido superada faz tempo", pondera o economista da Tendências.
"Esse tipo de coisa acabou com o caixa da Petrobras e provocou um 'tarifaço' em 2015, quando os preços voltaram a flutuar", concorda a professora da Coppead/UFRJ Margarida Gutierrez.
Para ela, contudo, fariam sentido mudanças que tornassem mais transparentes as regras de reajuste de preços e que fixassem uma periodicidade para as mudanças - por exemplo, a cada 15 dias. "Os preços de fato estão flutuando demais".
 

Os preços podem aumentar mais?

O cenário para a cotação do petróleo e o comportamento do câmbio, diz De Vitto, indicam que os preços de combustível devem continuar pressionados até o fim do ano.
 
Barris
 
De um lado, o barril de petróleo parmaneceria no patamar entre US$ 75 e US$ 80 nos próximos meses, enquanto o real manteria a tendência de desvalorização pelo menos até as eleições, uma das fontes de incerteza que têm tido impacto sobre o câmbio.
"A gente caminha para um período de preços altos de combustíveis", concorda Silveira, da MacroSector.

O etanol pode ser alternativa?

O alívio que o etanol pode dar em momentos como o atual é limitado, acrescenta o economista.
Em algumas regiões, a alta nos preços de derivados do petróleo pode até fazer o combustível valer a pena financeiramente.
"Mas as usinas de álcool estão fundamentalmente concentradas no Sudeste e Centro-Oeste. No Nordeste, o preço acaba sendo bem mais elevado", pondera. Em geral, o uso do álcool é vantajoso quando seu valor for menor que 0,7 vezes o da gasolina.
A "janela" para transformar o álcool em combustível relevante no país, ele afirma, se fechou alguns anos atrás.
BBC

Como funcionam as latas de bebidas, que se esfriam sozinhas, recém-lançadas nos EUA

Latas de refrigerantes
 
Tomar uma cerveja quente pode ser uma experiência ruim. Os ácidos do lúpulo se desfazem com a luz, afetando seu sabor e fazendo com que ele fique desagradável. Da mesma forma, um refrigerante quente pode ter gosto excessivamente doce e pode perder o sentido se não for tomado na temperatura adequada.
 
Lata que se autorresfria
Mas o que fazer se a pessoa não está perto de uma geladeira e não tem gelo para esfriar o produto?
A empresa californiana The Joseph Company, especializada em tecnologia e alimentação, acaba de lançar um sistema com o qual pretende solucionar o problema. A companhia anunciou o produto como "a primeira lata do mundo que esfria sozinha".
A Joseph Company afirma que passou duas décadas desenvolvendo e aperfeiçoando a tecnologia por trás das latas - chamada de "MicroCool" -, que o setor de bebidas, por sua vez, já tentava criar havia 70 anos.
"Consumidores em zonas com refrigeração limitada, participantes de atividades como camping, pesca ou navegação e pequenos comerciantes entenderão o impacto que a autorrefrigeração representa hoje em dia para a sociedade", diz a empresa.
As latas, que supostamente se resfriam em um minuto sem usar eletricidade, energia ou gelo, ainda são vendidas apenas em algumas lojas de Los Angeles, na Califórnia.

Frio 'sob demanda'

O primeiro produto a adotar as novas latas foi uma linha de café gelado espumante. O líquido vem em embalagens de 250 ml que se resfriam quando se gira uma pequena peça na base do recipiente.
Esse gesto libera o dióxido de carbono (CO2) de um depósito interno na lata. É ele que resfria a bebida dentro de 75 a 90 segundos, fazendo com que sua temperatura caia cerca em de 16ºC.
O sistema adiciona um peso de 150 gramas à lata, que custa aproximadamente US$ 4 - mais que o dobro de uma lata de Coca-Cola, por exemplo.
Mas ainda que a tecnologia seja nova, esta não é a primeira tentativa de desenvolvê-la.
 
Latas de café gelrado
 
Em 2012, a mesma empresa tentou criar essas latas para a multinacional americana PepsiCo. Naquela ocasião, no entanto, usaram um gás chamado HFC-134a, que causou polêmica.
É um gás refrigerante do tipo hidrofluorocarboneto (que contém hidrogênio, flúor e carbono) criado como alternativa aos clorofluorcabonetos (CFC), considerados mais nocivos à camada de ozônio da atmosfera.
No entanto, os hidrofluorocarbonetos persistem por mais tempo no ambiente e são mais ativos que o CO2, sendo considerados gases de efeito estufa muito potentes. Principalmente o HFC-134a, que é usado em aparelhos de ar-condicionado de automóveis.
Segundo a ONG ambientalista Greenpeace, o HFC-134a é um gás "promovido pela indústria química que, se não fere diretamente a camada de ozônio, tem uma alta influência no aquecimento global".
Por isso, o gás foi substituído pelo CO2 no novo sistema, que os fabricantes definem como "seguro para o meio ambiente".
BBC Brasil

quarta-feira, 23 de maio de 2018

O devastador negócio do tráfico de areia

Um imenso guindaste para dragagem extrai areia do leito marinho para um novo terminal do porto de Tuas, na costa oeste de Singapura.
 
Mergulhar por um dos maiores recifes de coral nas primitivas águas das Ilhas Gili. Percorrer as infinitas praias de areia branca de Lombok. Sucumbir à cativante espiritualidade de Bali.
Ficar maravilhado com os templos e vulcões de Java. Descobrir os orangotangos da selva de Bornéu. Ficar surpreso com os dragões de Komodo. São algumas das maravilhas da Indonésia, país de sonho composto por 17.500 ilhas. Um paraíso que corremos o risco de perder, porque está afundando lentamente.
O motivo? A atividade clandestina dos ladrões de areia, que de noite se aproximam da costa para roubá-la e vendê-la no mercado negro. No começo da década de 2000, o comércio ilegal de areia na Indonésia chegou a uma situação tão extrema que o país começou a perder território. Atualmente 25 ilhas já desapareceram e, com elas, suas praias.

depois da água e à frente dos combustíveis fósseis. Ela se transformou em um bem muito valioso, imprescindível às civilizações modernas. “Nossa sociedade está literalmente construída sob areia”, diz Pascal Peduzzi, chefe da unidade de Mudança Global e Vulnerabilidade do Programa das Nações Unidades para o Meio Ambiente e autor do relatório Areia, mais escassa do que pensamos (2014).
Tudo o que nos cerca contém areia: o cimento, o vidro, o asfalto, os aparelhos eletrônicos. Até os plásticos, os cosméticos e a pasta de dentes contêm esse elemento. Mas seu principal uso é a construção, que consome um quarto da areia do planeta. Pelos grãos angulares e desiguais da areia de praia, esta adere melhor ao se fabricar cimento; de modo que o boom imobiliário devora quantidades enormes desse recurso. A regulamentação escassa em muitos países encoraja a presença de redes mafiosas.
De acordo com um relatório das Nações Unidas, 54% da população mundial vive em áreas urbanas e se prevê que o número aumente até 66% em 2050, sendo a Índia e a China os dois países em que o aumento será maior. Esse desenvolvimento urbano exige enormes quantidades de areia para o cimento. Uma casa de tamanho médio precisa de 200 toneladas; um hospital, 3.000; um quilômetro de estrada, 30.000. Por ano são extraídos 59 bilhões de toneladas de materiais ao redor do mundo; até 85% é areia para construção, diz Pascal Peduzzi.
O problema é que a formação de areia é um processo natural lento, que precisa de anos, e a demanda é superior à capacidade de regeneração e fornecimento da própria natureza. “A nível mundial, consumimos o dobro de areia que os rios podem transportar, de modo que precisamos escavar em outras parte”, explica Nick Meynen, do Escritório Europeu do Meio Ambiente. “Agora ela é obtida dragando rios e, em escala bem menor, fundos marinhos. A estimativa é que entre 75% e 90% das praias do mundo estão diminuindo”.
As consequências ao meio ambiente são irreversíveis: destruição dos habitats, degradação dos leitos marinhos, aumento de materiais em suspensão, aumento da erosão... Se o ritmo vertiginoso da extração de areia continuar, as gerações futuras verão entornos de paisagens lunares, praias de rocha e ondas agitadas, rios e pântanos secos, territórios áridos e extinção da flora e da fauna. “Todas essas mudanças ambientais colocam em risco os ecossistemas nos rios, deltas e áreas costeiras, de modo que existem inúmeras espécies ameaçadas, de pequenos crustáceos a golfinhos de rio e crocodilos”, diz Aurora Torres, pesquisadora do Centro Alemão à Pesquisa Integral da Biodiversidade. E isso não é tudo. “Não somos conscientes do efeito cascata que essa degradação causa em nosso bem-estar”, alerta, já que a exploração excessiva de areia é ligada a um aumento de secas, inundações, vulnerabilidade contra tempestades e tsunamis e a proliferação de doenças infeciosas, como a malária. Também pode expulsar a população dos locais mais afetados e transformar as pessoas em refugiados climáticos.
 
Montanhas de material para construção, provavelmente com areia misturada com granito, entram no porto ocidental de Singapura de barco.
 
Não é preciso viajar à Indonésia para comprovar os efeitos do tráfico de areia. O negócio está em alta no Marrocos. Armados com simples pás, os trabalhadores ilegais carregam a areia em lombos de burro a caminhões de transporte. Entre Safim e Essaouira, no oeste do país, o contrabando transformou a costa dourada em uma paisagem rochosa. A areia é obtida até do Saara. Apesar de não ter a qualidade da areia das praias, as cidades de hoje precisam tão desesperadamente desse recurso finito e limitado que o obtêm de qualquer lugar.
As Ilhas Canárias são um dos principais destinos espanhóis da areia desse deserto, de acordo com denúncia da ONG Western Sahara Resource Watch (WSRW), que há anos investiga o material que sai do porto de El Aiune (Saara) em direção à Espanha para a regeneração de praias e construção de edifícios. “As Canárias importam areia do Saara; a praia de Las Teresitas é um exemplo conhecido”, diz Cristina Martínez, porta-voz da WSRW.
O Ministério da Agricultura e Pesca, Alimentação e Meio Ambiente da Espanha admite que a areia das praias do país é um recurso muito escasso. “A Lei de Costas de 1988 estabeleceu uma série de medidas para limitar a extração de materiais rochosos naturais nos trechos finais dos leitos dos rios e proibiu taxativamente a extração de areia para construção”, diz um porta-voz. O ponto 2 do artigo 63 dessa lei proíbe as extrações de areia para a construção, com exceção à criação e regeneração de praias. O Ministério de Fomento acrescenta que a tendência atual espanhola é “usar areia de trituração, que é a gerada pelos seres humanos através da trituração de material de construção”.
 
Vista aérea das obras para aumentar a área terrestre em Tuas, em Singapura, para a construção de um dos maiores portos do mundo a partir da escavação do leito marinho e da abertura de túneis na terra.
 
O negócio da areia é tão lucrativo que se tornou um fenômeno mundial, expandindo-se na mesma velocidade que a urbanização. O que há um quarto de século era uma matéria-prima comum, abundante e barata, é hoje um recurso escasso. Sua exploração é difícil de se controlar, porque está ao alcance de todos. Apesar de existirem cada vez mais leis que regulamentam sua extração, ainda não é o suficiente. “Em muitos casos o problema não é a ausência de leis e sim sua falta de aplicação”, diz a pesquisador Aurora Torres.
Essa aplicação frouxa das leis cria o cenário perfeito para que apareçam grupos organizados que controlam o negócio. Na Índia essas máfias são particularmente poderosas, porque têm ligações com a Administração e podem ter acesso aos processo de contratação. A extração e venda de areia nesse país são regulamentadas a nível provincial, mas o Governo central não é firme no cumprimento da lei. A corrupção é palpável.
“Normalmente, os políticos estão envolvidos e controlam diretamente o negócio ilícito de areia” afirma Sumaira Abdulali, ecologista, fundadora da Fundação Awaaz e uma das principais vozes de denúncia em seu país. “Os dirigentes consideram que colocar restrições a esse negócio deteria os ambiciosos planos de crescimento da Índia”. O país extrai por ano 500 milhões de toneladas de areia, alimentando uma indústria que movimenta 42 bilhões de euros (185 bilhões de reais). As redes de extração de areia utilizam frequentemente pessoas em condições deploráveis, sem equipamento e ferramentas, mergulhando no fundo dos rios com um balde metálico.
Como a Índia, nenhum dos países que vivem um período de expansão e prosperidade urbana sem precedentes estão dispostos a deter esse lucrativo negócio. Uma vez que a areia está cada vez mais em alta, esses cenários são caldo de cultura para seu contrabando, que está crescendo em outras partes do mundo. E quanto mais esse recurso é explorado em excesso, mais rápido aumentam os impactos no meio ambientes e na economia a nível global.
A China usa 57% do cimento do mundo e é também o principal produtor mundial. Com tudo o que usa, poderia construir por ano um muro de 27 metros de largura por 27 de altura ao redor da Terra, de acordo com Pascal Peduzzi. A maioria da areia usada sai do lago Poyang, uma das maiores reservas de água doce e hoje a maior mina de areia do mundo, segundo pesquisadores de Harvard. Por ano são extraídos desse lago 236 milhões de metros cúbicos de areia, e os efeitos ao meio ambientes são devastadores.
 
O devastador negócio do tráfico de areia
 
E não se trata somente de cobrir as necessidades imobiliárias de sua população: desde 2014, a China construiu sete ilhas artificiais no arquipélago de Spratly, no Pacífico Sul, que disputa com Taiwan e o Vietnã. O dano ao ecossistema marinho é irreparável. Uma das principais consequências que mais preocupam os ecologistas é que está destroçando as barreiras de coral que existem nessa área, que usam como base para construir o novo território. Seu vizinhos Vietnã, Malásia, Filipinas e Taiwan também expandiram seu território nesse arquipélago, mas nenhum o fez com a magnitude e velocidade da China.
Mas liderando os países que estão aumentando seu território de maneira artificial encontra-se Singapura, que além disso é o maior importador per capita de areia do mundo. Nos últimos 40 anos cresceu 130 quilômetros quadrados em terra (20%)utilizando 637 milhões de toneladas de areia. E ainda pretende aumentar mais 100 quilômetros quadrados antes de 2030. Os principais fornecedores são países vizinhos: Indonésia, Filipinas, Vietnã, Myanmar (antiga Birmânia) e Camboja. Mas todos eles começam a ver como suas reservas escasseiam e estão parando as exportações, o que disparou o preço da matéria-prima em 200%.
 
Fotos tiradas durante a construção do novo megaporto em Tuas, na costa ocidental de Singapura.
 
O primeiro a fazê-lo foi a Indonésia, após ver como muitas de suas ilhas afundavam e desapareciam. Em 2007 decidiu acabar com todos os negócios de areia, especialmente com Singapura, seu principal exportador. Uma decisão que lhe custou uma disputa política com seu vizinho sobre os limites exatos de suas fronteiras e o direito de uso desse recurso.
Em 2017, o Governo do Vietnã anunciou que se o ritmo da demanda continuasse como estava, em 2020 ficaria sem areia. Ao mesmo tempo, o Ministério de Minas e Energia do Camboja anunciou que impediria todas as exportações de areia a Singapura, que na última década comprou desse país, de acordo com dados das Nações Unidas, mais de 72 milhões de toneladas, equivalente a 624 milhões de euros (2,75 bilhões de reais). Mas muitos especialistas duvidam que a situação tenha mudado. “No Camboja governa uma cleptocracia que saqueia os recursos naturais em detrimento do meio ambiente”, afirma George Boden, diretor da ONG Global Witness.
Os Emirados Árabes Unidos são outros dos maiores importadores de areia, apesar de estarem cercados de deserto. Como consequência da erosão do vento, essa areia não é a mais adequada ao cimento porque é de baixa qualidade. Nas últimas décadas, Dubai importou da Austrália enormes quantidades de areia para a construção de diversos complexos e edifícios. Só para a torre Burj Khalifa, a mais alta do mundo, com 828 metros, foram necessários 110.000 toneladas de cimento. E as ilhas Palm, um projeto ainda não terminado formado por três conjuntos de ilhas que aumentará em aproximadamente 520 quilômetros a superfície das praias de Dubai, devoraram 385 milhões de toneladas de areia, com um custo de 10 bilhões de euros (44 bilhões de reais).
O mercado manda. E a demanda de areia está em alta. Nada irá deter a exploração excessiva e o comércio ilegal desse recurso se a sociedade internacional não unir forças. “Os Governos e líderes políticos devem aumentar sua consciência sobre o tema e procurar alternativas ao uso de areia”, diz Peduzzi. E é necessário fazê-lo rápido, porque o tempo joga contra.
Em um país como a Espanha, que vive do turismo, a erosão das praias pode causar estragos na economia. Não é preciso somente uma regulamentação legal nacional – que já existe – e sim padrões internacionais que regulem a extração e obriguem países como a Índia, Marrocos e Camboja a cumprir as regras do jogo para preservar o meio ambiente e a economia tanto de seus países como de terceiros.
“Nossa dependência da areia é enorme e em um futuro próximo não vamos deixar de usá-la”, diz Peduzzi. Mas sua utilização pode ser racionalizada com medidas como evitar a construção de infraestrutura desnecessária, planejá-la para que dure mais e modernizar as existentes. Várias equipes de pesquisa em todo o mundo estudam materiais alternativos na construção, a partir da reutilização de entulho e vidro, mas hoje não existe nada que possa responder à enorme demanda desse recurso. “Em áreas que não têm um ritmo de desenvolvimento elevado, a reciclagem de materiais de construção pode cobrir parte da demanda, mas os países que estão experimentando um rápido desenvolvimento urbano não podem satisfazer a necessidade de areia com a reciclagem”, afirma Torres. Além disso, o preço do material alternativo costuma ser mais alto e causa mais emissões de gases de efeito estufa em sua produção.
“É absolutamente necessário criar uma regulamentação internacional para evitar o descumprimento que certos países cometem”, diz Sumaira Abdulali. E isso significa saber a quantidade de areia usada a nível local e global, assim como a quantidade que pode ser reposta através de processos naturais. “É preciso conhecer quais são as reservas e supervisioná-las para que a lei seja cumprida”.
Caso contrário, nesse ritmo, o dragão de Komodo, os recifes de coral e amplas áreas do deserto do Saara estão a caminho de se transformarem em recordações que as futuras gerações só poderão ver em fotografias e documentários.
El País

terça-feira, 22 de maio de 2018

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018


Cidades-sede da Copa do Mundo 2018

Doze estádios de 11 cidades — Moscou, Samara, Kaliningrado, Kazan, Nijni Novgorod, Rostov-na-Donu, São Petersburgo, Saransk, Sochi, Volgogrado e Ekaterimburgo — espalhadas entre o Cáucaso e o Mar Báltico sediarão, entre 14 de junho e 15 de julho, a Copa do Mundo 2018.

1. Moscou
Metrópole de mais de 12 milhões de habitantes com um dos metrôs mais suntuosos do mundo. Essencial: a boêmia Rua Arbat, o Parque Gorky, a extraordinária Galeria Tretyakov e o Museu Pushkin. E a imensa Praça Vermelha, emoldurada pelos muros do Kremlin, a Catedral de São Basílio, o edifício do Museu de História e o centro de compras GUM.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018

2. São Petersburgo
Além de sua beleza arquitetônica, a antiga capital imperial dos czares permite acompanhar os principais eventos da história do século XX, em lugares como o Palácio de Inverno, onde há pouco mais de um século eclodiu a revolução bolchevique e abriga desde então o museu Ermitage, um dos mais importantes do mundo.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018

3. Kaliningrado
A antiga e alemã Königsberg onde nasceu o filósofo Immanuel Kant. Visitas: Museu do Mundo do Oceano e Museu do Âmbar.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018

4. Nijny Novgorod
Conhecida como Gorky na era soviética, fica a menos de quatro horas de trem de Moscou. Essencial: seu Kremlin, uma imponente fortaleza do século XVI com quatro portões e 13 torres, e a escadaria Chkalovskaya, em forma de oito e com 560 degraus à beira do Volga.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018

5. Volgogrado
A antiga Stalingrado se estende por 65 quilômetros na margem direita do rio mais longo da Europa. Reduzida a escombros na Segunda Guerra Mundial, foi reconstruída no mais puro estilo stalinista, uma espécie de neoclassicismo monumental.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018

6. Ekaterimburgo
Cidade mineradora e industrial onde os revolucionários bolcheviques executaram o czar Nicolau II e sua família. Essencial: Igreja da Catedral do Sangue Derramado, construída no local onde a família Romanov foi assassinada; o museu Geomineral, com uma coleção única de rochas e minerais; a Casa Sevastyanov (foto), um luxuoso palacete kitsch e o cemitério dos mafiosos.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018

7. Sochi
Sochi é uma popular estância de férias na costa nordeste do Mar Negro, a única cidade da Rússia com clima subtropical.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018

8. Rostov-na-Donu
Capital dos cossacos do Rio Don, a casta guerreira que defendeu as fronteiras da Rússia durante séculos. Para visitar: a fortaleza Liventsovskaya, passeio fluvial e o monumento ao Prêmio Nobel de Literatura Mikhail Sholokhov, autor de O Plácido Don, que nasceu perto dali.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018

9. Saransk
A capital da república russa de Mordóvia é a menor sede, e tem como epicentro a Praça Sovetskaya, onde serão instalados os telões da FanFest para acompanhar os jogos ao vivo.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018

10. Samara

Com pouco mais de um milhão de habitantes, Samara é o principal centro da indústria aeroespacial russa. O que ver: o bunker subterrâneo de Stalin, o monumento à nave espacial Soyuz 1 (a do primeiro voo espacial tripulado) e o parque natural de Jigulevskie.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018

11. Kazan
A capital do Tartaristão (1,2 milhão de habitantes), localizada na confluência dos rios Volga e Kazanka. Essencial: o seu Kremlin, reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco.

As 11 cidades da Rússia sedes da Copa do Mundo 2018
El País.com

Os smartphones podem substituir as agências bancárias??

Os bancos britânicos hoje enviam, a cada segundo, mais de 16 alertas por mensagens de texto, uma indicação do quanto dependemos cada vez mais atualmente dos smartphones do que de computadores para cuidar de nosso dinheiro.

Pessoa com celular e cartão nas mãos
Cerca de 512 milhões de alertas foram emitidos no ano passado para avisar às pessoas que seu salário havia sido depositado ou que suas contas estavam entrando no vermelho, de acordo com um relatório do UK Finance, órgão que representa as empresas do setor financeiro do Reino Unido.
O documento The Way We Bank Now (Como Usamos o Banco Hoje, em tradução livre do inglês) aponta para o papel crescente de novas tecnologias em nossas finanças pessoais: em 2017, foram mais de 5,5 bilhões de acessos a aplicativos bancários, um aumento de 13% em relação ao ano anterior.
Esses serviços bancários móveis são mais populares entre os mais jovens, com 59% daqueles com idades entre 16 e 24 anos e 69% daqueles entre 25 e 34 anos afirmando usar seus celulares para esse fim. Em comparação, quase metade (49%) do público acima de 65 anos ainda prefere o computador.

Celular x computador

Esses números foram divulgados um dia após a consultoria CACI prever que mais consumidores britânicos farão operações bancárias pelo celular do que pelo computador já no início de 2019.
Serão 47% dos usuários, em comparação com 41% atualmente, enquanto 36% ainda preferirão fazer transações por um site tradicional, abaixo dos 42% de hoje.
Em 2017, 22 milhões de pessoas gerenciaram suas contas pelos telefones conectados. A CACI prevê que esse número chegará a 35 milhões - 72% da população adulta britânica - em 2023.
A consultoria diz que, a essa altura, os clientes só visitarão uma agência bancária duas vezes por ano, em comparação com cinco visitas anuais hoje.
A CACI também afirma que o aumento do uso de aplicativos bancários será ainda mais intenso em áreas rurais e cidades menores, devido à frustração dos consumidores com problemas no acesso à banda larga disponível para os computadores.

Mais funções, menos agências

Inicialmente, aplicativos só permitiam que as pessoas checassem seu saldo e as transações mais recentes, mas, agora, podem ser usados para operações mais complexas, como agendar pagamentos e fazer transferências.
A tecnologia também está mudando a forma como os extratos são apresentados. Alguns já informam quando pagamentos regulares e pendentes serão feitos e como afetarão o saldo da conta.
"Com tantas novas funcionalidades, os aplicativos estão se tornando a opção preferencial do cliente. Prevemos que, em 2019, mais usuários acessarão suas contas pelo celular do que pelo site", disse a CACI.
Isso significa que os bancos irão rever a localização e o número de agências, seguindo uma tendência já em curso, com as principais redes do Reino Unido fechando agências nos últimos anos e novos planos nesse sentido anunciados recentemente.
BBC Brasil

Por que cientistas acreditam que você pode estar fazendo suas refeições nas horas erradas??

A ciência alerta frequentemente para os riscos de saúde presentes em ignorar o ritmo natural do corpo. Mas será que os horários das nossas refeições estão de acordo com o nosso "relógio" natural? Uma mudança nos horários das refeições pode melhorar a nossa saúde e ajudar a perder peso?
 
Homem comendo em frente ao computadorv
O que você comeu hoje cedo, no café da manhã?
Provavelmente não foi um bife acebolado com batata frita, um frango assado ou qualquer outra coisa que você consumiria no almoço ou no jantar.
Mesmo assim, alguns cientistas acreditam que quanto mais concentramos nossas calorias diárias na parte da manhã, ou antecipamos nossas refeições, tanto melhor para a nossa saúde.
Um estudo recente descobriu que mulheres que estavam tentando perder peso tinham mais sucesso quanto mais cedo almoçavam. Outra investigação científica descobriu uma correlação entre tomar café da manhã mais tarde e ter massa corporal maior.
"Há aquele ditado muito antigo: 'tome café da manhã como um rei, almoce como um nobre e jante como um pobre'. E há alguma verdade nisso", diz a Dra. Gerda Pot, professora visitante de ciências nutricionais do King's College de Londres.
Agora, cientistas estão tentando entender melhor os resultados desses estudos e explicar a relação entre a alimentação e o nosso "relógio" interno, conhecido como "ciclos circadianos". Este tipo de pesquisa está sendo chamada de "crono-nutrição" por alguns acadêmicos.

Não é 'o quê', é 'quando'

Os ciclos circadianos não influenciam apenas seu período de sono. Na verdade, esse "relógio" está presente em cada célula dos nossos corpos.
Ele nos ajuda a cumprir tarefas diárias, como acordar de manhã; regula a nossa pressão sanguínea, temperatura corporal e níveis de hormônios, entre outras coisas.
Especialistas estudam como os alguns maus hábitos - inclusive o de comer em horários irregulares ou tarde demais - são prejudiciais para o nosso ritmo interno.
"Nosso relógio interno estabelece que a cada período de 24 horas há um momento para cada processo metabólico funcionar de forma ótima", diz Gerda Pot, que é estudiosa da crono-nutrição.
"Isso indica que fazer uma grande refeição à noite não é realmente a melhor coisa, do ponto de vista do metabolismo, pois neste momento o seu corpo está se acalmando para ir dormir", diz ela.
Jonathan Johnston é especialista em cronobiologia e fisiologia da Universidade de Surrey, no Reino Unido. Segundo ele, os estudos disponíveis apontam que o nosso corpo é menos hábil para processar a comida à noite, mas a razão disso ainda não é totalmente conhecida.
Uma teoria indica que isso estaria ligado à capacidade do corpo de controlar o gasto de energia.
"A informação preliminar existente hoje mostra que há uma certa energia gasta para processar uma refeição - e gasta-se mais energia para isto de manhã do que à noite", diz ele.
Compreender a ligação entre a alimentação e a saúde é importante, diz Johnston, porque esse tipo de estudo pode ter grande repercussão na epidemia de obesidade enfrentada hoje.
"O ideal seria que pudéssemos chegar para um paciente e dizer: 'Bom, você não precisa mudar 'o quê' você come, só precisa mudar 'quando' você come". Esta pequena mudança poderia ter um impacto muito grande na saúde das pessoas em toda a sociedade", diz Johnston.
Além disso, o horário das refeições também pode ter implicações para pessoas que têm seus "relógios" internos alterados. É o caso de quem trabalha em turnos com horários alternativos - no Reino Unido, estima-se que até 20% das pessoas estejam neste grupo, diz Johnston.
Estudos com animais indicam que comer em certos momentos do dia pode ajudar a "redefinir" os ciclos circadianos. Pesquisadores investigam, agora, se esse tipo de mecanismo funciona com humanos também.
Em um estudo piloto com dez homens, Johnston descobriu que, ao atrasar os horários das refeições em cinco horas, houve uma alterações claras dos ciclos circadianos.

Outras questões

Então, todos devemos começar a comer mais cedo?
Especialistas dizem que há ainda muitas questões que precisam ser respondidas antes que uma recomendação geral possa ser feita.
Por exemplo, há períodos ótimos no dia em que devemos comer e outros nos quais o melhor é esperar?
Como isto afeta os nossos ciclos individuais? Os efeitos são os mesmos para quem é mais "noturno" ou mais "diurno"?
Existem comidas piores ou melhores para serem ingeridas em certos horários do dia?
Tanto Johnston quanto Gerda Pot dizem que a evidência existente hoje mostra que sim, é melhor consumir uma parte maior das nossas calorias mais cedo - por exemplo, tornando o almoço uma refeição maior que a janta.
A nutricionista Alexandra Johnstone, porém prefere ser cautelosa. Ela diz que, embora existam estudos ligando a ingestão de alimentos mais cedo a benefícios para a saúde, seria melhor esperar até termos certeza sobre as causas disto.
Johnstone espera que a pesquisa a ser desenvolvida no futuro mostre as razões deste fenômeno - e forneça indicações melhores sobre quando comer.
BBC Brasil

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Dia Mundial da Internet: confira as cidades com as melhores conexões WiFi públicas no Brasil

 
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Por ocasião do “Dia Mundial da Internet”, comemorado no dia 17 deste mês, o aplicativo Instabridge, considerado a maior comunidade de compartilhamento de WiFi público no mundo, fez um levantamento entre as 1 milhão de pontos de internet móvel públicos no Brasil compartilhados por seus usuários para identificar as áreas metropolitanas com as melhores conexões de internet móvel disponíveis para acesso e utilização dos seus 11,5 milhões de usuários somente no Brasil – no mundo, o Instabridge soma mais de 19,5 milhões de downloads.
Entre as áreas metropolitanas mapeadas, Recife ocupa o primeiro lugar do ranking com 41,31% do total de redes disponíveis na região (20 mil) com maior probabilidade de conexão pelo usuário. A classificação do ranking Instabridge leva em consideração a estabilidade da internet, a quantidade de vezes em que o ponto WiFi foi utilizado desde seu compartilhamento por um usuário no aplicativo, atualizações recentes da conexão pela comunidade, entre outros fatores.
Em seguida, ainda estre as cinco primeiras posições estão Campinas (38.40%), Fortaleza (38.22%), Curitiba(38.08%) e Salvador (36.54%). Já as três maiores capitais brasileiras por população, São Paulo, Rio de Janeiro, eBrasília estão nas últimas colocações no top 10 de redes WiFi públicas do Instabridge com probabilidade de conexão e navegação pelo usuário: apenas 33.27%; 33.71%; e 34.03%; respectivamente, do total de pontos WiFi no aplicativo oferecem, de fato, uma boa conexão para o usuário. Em relação ao número de redes WiFi cadastradas no Instabridge, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte têm as áreas metropolitanas com a maior soma de pontos WiFi: 115 mil, 74 mil, 25 mil, respectivamente.
O Brasil é o quarto país com maior número absoluto de usuários de Internet, ficando atrás de Estados Unidos, Índia e China, segundo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) do ano passado. Entre os usuários da Internet com 10 anos ou mais de idade, 94,6% se conectaram via celular, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua 2016, especificamente para acesso a TV, celular e internet, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somado a isso, 94% usaram a internet para trocar mensagem (de texto, voz ou imagens). 
“Os brasileiros estão usando a internet como uma forma de comunicação alternativa, por isso, a demanda por boas conexões também aumenta. Nossa missão não é apenas trazer internet para todos, mas também oferecer o acesso à internet de qualidade. A rede encurta distâncias, fortalece laços, facilita burocracias”, comenta Niklas Agevik, CEO na Instabridge.

Pesquisa mostra que 50% dos brasileiros passam mais de 6h por dia na internet

Internet

Uma pesquisa realizada pela ESET mostra os atuais hábitos de usuários brasileiros na internet. O documento revela que mais de 53% dos usuários passam mais de 6 horas por dia conectados.
 A empresa atua no mercado de detecção de ameaças e fez o levantamento com base em dados compartilhados por usuários de seus produtos. Segundo o documento, 26,6% das pessoas utilizam a internet por meio da banda larga fixa, enquanto 57% acessam por meio de wi-fi privado e 9,4% por pacote de dados móveis.
Outro hábito levantado pela pesquisa mostra que 68% usam computadores do escritório onde trabalha, enquanto que o celular é o favorito de 3 em cada 10 pessoas para se conectar.
Em relação ao dispositivo no qual preferem se conectar, a pesquisa mostra que 68% escolheu o PC como o favorito, seguido pelo celular (26,6%), o videogame (3,87%) e a TV (3,23%).
Como a empresa trabalha com segurança na internet, este também é um tema do estudo. Ao todo, 34,6% das pessoas pesquisadas foi vítima de alguma ameaça cibernética, sendo que a maioria delas (23%) sofreu especificamente com phishing e 14% não sabe se já foi afetado por ameaças. Os dados também revelam que usuários não se mostram confiantes em segurança, já que 82,8% utilizam soluções do setor, mas 85% acham que o ambiente digital continuará a ser inseguro com possibilidade de a situação se agravar nos próximos anos. Em contrapartida, 97% dos entrevistados acreditam que este assunto deveria fazer parte da formação educacional nas escolas.

Estudo aponta quem é o dono do carbono no Brasil



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Do total de 52 gigatoneladas (Gt) que compõem o estoque de carbono armazenado em vegetação nativa no Brasil, 67% estão em terras públicas, sendo que metade (26 Gt) está protegida em unidades de conservação e em terras indígenas.
Apesar de o Estado ser o principal “dono” desse carbono, isso não significa que essas reservas estejam protegidas, sem o risco de se converterem em gases de efeito estufa (GEE). Aproximadamente 20% dessas reservas (10 Gt) estão desprotegidas em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara, onde a disputa pela propriedade e o desmatamento ilegal desafiam a preservação da vegetação nativa e podem levar ao aumento das emissões brasileiras de GEE.
As constatações são de um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em colaboração com colegas do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), da KTH Royal Institute of Technology e da Chalmers University of Technology – ambas instituições da Suécia.
O estudo integra o projeto “Atlas da Agropecuária Brasileira”, realizado pelo Imaflora em parceria com o Geolab da Esalq-USP, com apoio da FAPESP. Os resultados do estudo foram publicados na revista Global Change Biology.
“Conseguimos identificar, pela primeira vez, onde está e a quem pertence o carbono no Brasil que está acima do solo, tanto em vegetação nativa, como em culturas e pastagens, de todos os biomas brasileiros”, disse Luís Fernando Guedes Pinto, pesquisador do Imaflora e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.
Para quantificar o estoque de carbono acima do solo no país e identificar seu “tutor”, os pesquisadores desenvolveram uma base georreferenciada da malha fundiária brasileira. A malha abrange todo o território nacional e integra bases de dados oficiais, como as das áreas protegidas nacionais e estaduais – como áreas de conservação, terras indígenas e militares –, além das bases de imóveis e de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e os polígonos de imóveis do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Juntas, essas bases de dados recobrem 80% do país. Para as áreas sem cobertura foi realizada uma modelagem complementar que considera essa porção do território como sendo terra privada, estima os limites dos imóveis rurais a partir dos dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2006 e reproduz a distribuição de tamanho dos imóveis rurais censitados em cada município ou setor censitário.
“A malha fundiária representa a aproximação mais realista do tamanho, da localização e da distribuição dos imóveis privados, além dos assentamentos e das terras públicas brasileiras”, disse Guedes Pinto.
As análises dos dados revelaram que, além de 20% do carbono (10 Gt) encontrado em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara estar desprotegido, há outros 3,4 Gt de carbono também sem proteção em propriedades privadas, que ocupam 65% do território brasileiro, mas englobam somente 30% do carbono (15,8 Gt).
Embora o Código Florestal proteja 75% (12,4 Gt) do estoque de carbono encontrado nessas propriedades privadas por meio de reservas legais e áreas de preservação permanente,  os outros 25% (3,4 Gt) estão desprotegidos em 101 milhões de hectares, aponta o estudo.
“Nossos resultados indicam que, embora haja uma grande área de vegetação nativa e um grande estoque de carbono protegido no Brasil, aproximadamente 25% (13,4 Gt) – que representa a soma do carbono desprotegido em terras públicas e privadas – ainda estão desprotegidos, expostos ao risco de desmatamento e podendo contribuir para o consequente aumento das emissões brasileiras de gases de efeito estufa”, avaliou Guedes Pinto.
Desproteção por biomas
De acordo com o estudo, o Cerrado é o bioma com o maior volume de carbono desprotegido: 1,4 Gt, correspondente a 40% do carbono com risco de emissão no país. Em segundo lugar está a Amazônia, que responde por um terço do carbono desprotegido no Brasil (1Gt), seguida pela Caatinga, que também tem um grande volume de carbono e área de vegetação nativa desprotegidos.
A análise também permitiu identificar que a distribuição do carbono por tamanho de imóvel rural é desigual e varia para cada bioma do Brasil.
Somente 2% de grandes imóveis ocupam metade da área privada e acumulam também metade do carbono em terras privadas. Um terço das terras privadas são ocupadas por 93% pequenos e médios imóveis.
No caso da Amazônia, por exemplo, os pesquisadores estimam que 7 mil grandes imóveis acumulam 15% (0,5 Gt) do carbono desprotegido do Brasil, enquanto outros 110 mil pequenos imóveis retenham outros 10% (0,34%). Já o Cerrado é dominado por grandes imóveis: cerca de 30 mil acumulam 25% do carbono nacional desprotegido, enquanto outros 600 mil pequenos e médios imóveis representam apenas 17%.
“O estudo indica que a conservação do carbono desprotegido no Brasil vai depender de uma combinação de políticas que incluem a regularização fundiária, a destinação de terras, a implementação do Código Florestal e outros instrumentos que priorizem a proteção da vegetação nativa e estoques de carbono que excedem a proteção dos mecanismos legais”, avalia Gerd Sparovek, professor da Esalq-USP e um dos autores do estudo.
“Além disso, este conjunto de políticas deve ser desenhado e implementado de maneira adaptada para as diferentes realidades produtivas, ecológicas e de governança de cada região do país”, afirmou.
J.do Brasil

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sonda InSight da Nasa estudará terremotos do Planeta

Resultado de imagem para foto da sonda InSight da Nasa
 
A Nasa se prepara para implementar sua primeira missão a Marte desde 2012 com o lançamento, no sábado, da sonda InSight, que estudará sua atividade tectônica para desvendar o mistério da formação dos planetas rochosos.
O lançamento do veículo, batizado Interior Exploration Using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport (InSight), está previsto para 11H05 GMT (08H05 em Brasília) de sábado na base Vandenberg da Força Aérea americana, na Califórnia.
Originalmente estava programado para 2016, mas a descoberta de vazamentos em um dos instrumentos meses antes da data forçou o adiamento. As janelas de lançamento favoráveis para Marte ocorrem apenas a cada dois anos.
Se tudo correr de acordo com o plano esta vez, a sonda deveria chegar ao seu destino em 26 de novembro, quando se tornaria o primeiro aparelho da Nasa a pousar em Marte desde o veículo explorador Curiosity, em 2012.
Como a Terra e Marte provavelmente se formaram de forma similar há 4,5 bilhões de anos, a agência espacial americana espera que a missão ajude a compreender porque ambos os planetas são tão diferentes.
"Como fomos de uma bola de rochas com poucos relevos a um planeta que pode ou não sustentar a vida é uma questão crucial na ciência planetária", disse Bruce Banerdt, o pesquisador principal do InSight no Jet Propulsion Laboratory da Nasa em Pasadena, Califórnia.
"Gostaríamos de poder entender o que aconteceu", afirmou.
- Pistas -
Na Terra, esta evolução ficou oculta por bilhões de anos de terremotos e de movimento de rochas fundidas no manto, explicou o cientista.
Mas Marte, o quarto planeta a partir do Sol, que é menor e menos ativo geologicamente que nosso planeta, poderia abrigar algumas pistas sobre o assunto.
InSight recolherá dados através de três instrumentos: um sismômetro, um dispositivo para localizar com precisão a sonda enquanto Marte oscila sobre seu eixo de rotação e um sensor de fluxo de calor inserido a cinco metros no subsolo marciano.
Os Estados Unidos investirão 813,8 milhões de dólares no lançamento do foguete com a sonda, enquanto a França e a Alemanha forneceram 180 milhões de dólares para os instrumentos que serão usados para os estudos em Marte, segundo a Nasa.
Além disso, a Nasa gastou 18,5 milhões de dólares em um par de mininaves espaciais que viajarão também no foguete.
Chamados Mars Cube One, ou MarCO, estes satélites "voarão pelo seu próprio caminho a Marte atrás do InSight" e testarão novos equipamentos de comunicação no espaço profundo, disse a agência americana.
- Martemotos -
A missão do InSight será, em primeiro lugar, detectar os "martemotos" que, de acordo com a descrição da Nasa, são "como um flash que ilumina a estrutura interna do planeta".
Os cientistas esperam registrar até uma centena de terremotos no decorrer da missão. A maioria deveria ser inferior a seis na escala aberta de Richter.
Estudar a forma como as ondas sísmicas se deslocam através da crosta, o manto e o núcleo do Planeta Vermelho poderia ajudá-los a saber mais sobre como estão constituídas as diferentes camadas e que espessura têm.
O Seismic Experiment for Interior Structure (SEIS) foi desenhado pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES) da França, enquanto o detector de calor Heat Flow and Physical Properties Package (HP3) é uma colaboração entre as agências espaciais alemã, DLR, e polonesa, CBK.
As sondas Viking da Nasa lançadas no final da década de 1970 dispunham de sismômetros, dos quais apenas um havia funcionado, mas era muito menos sensível porque estava fixado na parte superior da sonda.
Desta vez, o sismômetro do InSight será colocado diretamente no solo, graças a um braço robótico.