quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Imagem da Nasa mostra suposto alienígena e sua sombra na Lua

No vídeo, o usuário deixa claro onde, supostamente, estaria o ser semelhante ao humano (apontado pela palavra 'Man') e sua sombra.

Uma das milhões de imagens da Lua divulgadas pela Nasa tem sido alvo de comentários de internautas. Há quem acredite que a foto retrate um alienígena e sua sombra, caminhando pelo solo lunar. As informações são do The Huffington Post.
Segundo a publicação, a imagem foi retirada do Google Moon - um arquivo de fotos da Lua, feitas pela agência espacial e disponibilizadas gratuitamente na internet.
O primeiro a investigar a figura foi um usuário do Youtube chamado Wowforreeel. Em um vídeo publicado, o usuário mostra a localização exata do suposto alienígena na Lua.
Os mais incrédulos defendem que a mancha escura na imagem pode ser explicada como um truque de luz ou uma falha na lente da câmera. No entanto, muitos internautas assumem que a imagem possa ser o vulto de um ser semelhante a um humano, caminhando pela Lua. A imagem será analisada por especialistas.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Múmias apareceram no Egito muito antes da era dos faraós, revela estudo

Conservadores egípcios limpam uma múmia feminina datada do período faraônico (712-323 aC), no centro de conservação do Museu do Egito nos arredores de Cairo, (Foto: Amr Nabil/AP)

A mais remota evidência da mumificação no Egito sugere que a prática de embalar corpos para preservá-los depois da morte começou por volta de mil anos antes do que se pensava, revelou um estudo publicado nesta quarta-feira (13).
O estudo, publicado no periódico PLOS ONE, foi o primeiro a descrever resinas e linhos usados como envoltórios funerários de 3.350 a 4.500 a.C.
Há muito tempo, historiadores acreditavam que a prática egípcia de mumificação tinha começado por volta de 2.500 a.C.
Mas, ao aplicar análises científicas modernas a coleções egípcias que já estavam em museus britânicos, eles descobriram que, já nesta época, as pessoas usavam materiais similares de preservação nas mesmas proporções das encontradas em múmias posteriores.
"Este trabalho demonstra o enorme potencial do material em coleções de museus que permite a cientistas analisar novas informações sobre o passado arqueológico", disse o co-autor do estudo, Thomas Higham, da Universidade de Oxford.
"Usando modernas ferramentas científicas, nosso trabalho ajudou a iluminar um aspecto importante da história remota do Egito antigo", prosseguiu.
Especialistas usaram cromatografia a gás, espectrometria de massa e outras técnicas de análise química para identificar materiais naturais usados para preservar cadáveres na época.
"Estas receitas consistem de uma 'base' de óleo vegetal ou de gordura animal, constituindo a parte principal dos 'bálsamos''', destacou o estudo.
Quantidades menores de resina de conífera, um extrato de plantas aromático, cera e goma vegetal ou açúcar também foram usados.
"Além disso, essas receitas continham agentes antibacterianos, usados nas mesmas proporções empregadas pelos embalsamadores egípcios quando sua habilidade estava no auge, entre 2500 e 3 mil anos depois", destacou o estudo.
Cientistas do projeto, que já dura uma década, vieram das Universidades de York, Macquarie e Oxford.
Os fragmentos de linho que eles examinaram foram originários de corpos sepultados nos mais remotos cemitérios antigos egípcios registrados em Mostagedda, na região de Badari, no alto Egito.
G1

terça-feira, 12 de agosto de 2014

8 itens que podem ser reciclados (e você nem imaginava!)

Papel, plástico, metal e vidro. Hoje em dia não sobram muitas desculpas para não separarmos o lixo que geramos em casa. Apesar de ainda faltar muito para que a coleta seletiva e a reciclagem funcionem com máxima eficiência nas cidades brasileiras, está bem mais fácil fazer a nossa parte. O problema é quando nos deparamos com tipos de lixos que não se encaixam em nenhuma das lixeiras coloridas e também não são materiais orgânicos. Acontece que vários desses materiais podem ser reciclados, se forem descartados do jeito certo e passarem pelo tratamento adequado. Dá uma olhada na lista a seguir e repense o jeito como você joga as coisas fora:
1. Óleo de cozinha

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Jogar no ralo não rola, não importa se é só um pouquinho. O óleo pode entupir canos, romper redes de coleta, prejudicar o funcionamento das estações de tratamento de água, comprometer o equilíbrio ambiental e impermeabilizar o solo. Basicamente, todo o óleo que você descartar na pia terá que ser separado quimicamente depois para que o problema não fique pior. Por que não reciclar, então? Óleo de cozinha pode ser usado para fazer tinta, sabão, detergente e biodiesel. Alguns países até têm orientações oficiais para ajudar a população na hora de descartar o óleo que sobrou das frituras.
Dá para armazenar o óleo em garrafas e depois levar a um posto de coleta. O site da Ecóleo (Associação Brasileira para sensibilização, coleta e reciclagem de resíduos de óleo comestível) mostra alguns pontos de coleta por todo o Brasil.
2. Chapas de raio-x

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As chapas são compostas de acetato, plástico que leva mais de 100 anos para se decompor, e prata, um metal pesado que pode contaminar água e solo. Então, jogar no lixo comum aqueles exames antigos guardados na gaveta por anos está fora de cogitação. Melhor reciclar. A separação dos grãos de prata acontece por meio de um processo que utiliza altas temperaturas e dá origem a “escamas” do metal – usados na fabricação de joias e talheres. O plástico que sobra (o suporte das chapas) pode ser reaproveitado em embalagens de presente, capas de caderno e fichários.
Em São Paulo, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP mantém um posto de coleta de chapa de raio X. O laboratório Fleury faz coleta das chapas para quem é cliente. As unidades ficam em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
3. Absorventes e fraldas descartáveis sujas

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Não precisa sentir nojo. Reciclar fraldas descartáveis vai evitar que esses materiais se acumulem nos aterros sanitários pelos próximos 500 anos. Se um bebê usa umas 6 mil fraldas ao longo da infância, imagina quantas já não estão aí na natureza. O problema é que a reciclagem do material absorvente usado ainda não é muito comum mundo afora. Mas que tem jeito, tem. Uma empresa canadense desenvolveu uma solução interessante e inaugurou, no Reino Unido, uma usina de reciclagem de fraldas, absorventes femininos e geriátricos. A sujeira é separada e transformada em gás para a geração de energia. Aí as fraldas passam por um tratamento. O material é comprimido, triturado e pode dar origem a madeira plástica, telhas ou outros materiais absorventes.
4. Sofá


“Como assim? Por que eu ia querer reciclar um sofá?” Porque chega um ponto em que o sofá velho está tão destruído que não adianta vender nem doar para o Exército da Salvação. Mas ele ainda tem serventia. As borrachas, que são tecnicamente conhecidas como percintas, passam por processo de industrialização e se transformam em manta asfáltica, solas de sandálias ou tubos para a canalização de água pluvial. A espuma do sofá pode ser transformada em colchonete de academia, recheio de almofadas ou dar origem a outros sofás. A madeira das vigas do sofá pode ser triturada e usada na fabricação de placas aglomeradas que são utilizadas por indústrias de imóveis e fabricantes de caixas e embalagens. Ou então virar matéria-prima em fábricas de papel e celulose.
5. Vaso sanitário

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Sobrou uma privada velha na obra da sua casa? Avise o pessoal da Ecoassist e eles encaminham a porcelana para o descarte correto. Esse material pode ser usado para fabricação de pias e outros vasos. Também dá para triturá-la e transformá-la em material para cascalho, estradas ou drenagem.
6. Entulho e restos de obras

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Reformou a casa? Provavelmente sobraram entulhos e outros restos de materiais de construção. Também tem jeito de dar um destino sustentável para esses resíduos. 95% dos resíduos provenientes de obras em residências podem passar por processos de usinas de britagem e classificação. Segundo a Ecoassist, o entulho pode se transformar em brita, pedrisco e areia, que são reutilizados como base e sub-base em obras de pavimentação.
7. Caminhões

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Tem um caminhão que não presta pra mais nada encostado aí? As chances parecem pequenas, mas mais de 1000 veículos do tipo são reciclados todos os anos. A primeira empresa a fazer o processo no Brasil foi a JR Diesel, fundada em 1985. Eles são referência no segmento de reciclagem automotiva, com foco em caminhões. Do caminhão desmontado, 85% das peças são encaminhadas para reutilização, 10% para reciclagem (resíduos como óleo, bateria e pneus) e apenas 5% é descartado. A operação possibilita uma redução no volume de CO² que seria emitido na produção de peças novas. A maioria das peças é utilizada em outros caminhões, mas algumas também são reaproveitadas por diferentes setores, como mineração, marinha e agricultura. Há ainda o benefício ambiental com o descarte correto e reaproveitamento das autopeças.
8. Aviões

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Ok, se as chances já eram pequenas com os caminhões, imagina com os aviões! Mas também é possível reciclá-los. A Boeing tem um programa para reaproveitar as ligas de alumínio dos aviões para fabricar outras peças para novos veículos. Uma das vantagens é que o material não perde suas características quando reciclado. Assim, dá para produzir peças que formam a asa e a fuselagem de aviões sem desperdiçar nada. Em julho de 2013, quando o programa começou, a Boeing tinha a expectativa de reciclar 3,5 mil toneladas de alumínio por ano.
Ideias Verdes - Superinteressante.com

 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Frase


Foto

Pode a agricultura destruir nosso planeta?

NG - O escoamento superficial de fertilizantes ocasiona a proliferação de algas tóxicas no lago Erie


O escoamento superficial de fertilizantes ocasiona a proliferação de algas tóxicas. Esse florescimento cobriu um terço do lago Erie, na América do Norte, em 2011.

N. Nitrogênio. Número atômico 7. Invisível e sem gosto. Mas está sempre em nosso estômago. Ele é o motor da agricultura, a chave da abundância em nosso mundo repleto de gente esfomeada.
Sem esse elemento insociável, pouco propenso a se juntar a outros gases, não há como viabilizar o mecanismo da fotossíntese – nenhuma proteína pode se formar e nenhuma planta pode crescer. O milho, o trigo e o arroz, as safras de crescimento rápido das quais a humanidade depende para sobreviver, estão entre as plantas que mais absorvem nitrogênio. Na realidade, elas requerem mais nitrogênio do que a natureza consegue fornecer.
É aí que entra a química moderna. Depois de capturado por usinas gigantescas, o gás nitrogênio inerte na atmosfera é forçado a unir-se com o nitrogênio do gás natural – surgem assim os compostos reativos tão almejados pelas plantas. Esse fertilizante nitrogenado (do qual uma centena de milhões de toneladas são usadas a cada ano ao redor do mundo) é o que torna abundante as colheitas. Sem ele, a civilização humana em sua forma atual não existiria. O solo do planeta não poderia fornecer a todas as 7 bilhões de pessoas os alimentos a que estão acostumadas. Na verdade, quase metade do nitrogênio encontrado nos músculos e tecidos de nosso corpo surgiu em alguma fábrica de fertilizantes.
Todavia, esse milagre moderno tem um custo. O escoamento do excesso de nitrogênio sufoca a fauna silvestre em lagos e estuários, contamina os lençóis freáticos e contribui para o aquecimento global. Enquanto um mundo esfomeado se prepara para receber mais bilhões de bocas que precisam ingerir proteínas ricas em nitrogênio, o que restará de ar e água não poluídos em meio à crescente demanda por terras férteis?
O dilema do nitrogênio é explícito na China, um país que adora sua comida e teme a possibilidade de exaurir as fontes de abastecimento. Para um visitante, tal ansiedade soa despropositada. No restaurante San Geng Bi Feng Gang, nos arredores de Nanquim, acompanho, assombrado, o desfile de pratos: peixe no vapor, costeletas de carneiro fritas, sopa de flor de crisântemo e ovo, talharim com batata-doce, brócolis frito, inhame e vasilhas fumegantes de arroz.
“Você sempre se alimenta bem assim?”, pergunto ao cientista Liu Tianlong, um especialista em agricultura que está me apresentando aos cultivadores da vizinhança. O sorriso de menino desaparece e, de repente, uma sombra tolda suas feições. “Quando eu era pequeno, ficava contente ao receber três vasilhas de arroz."
Liu cresceu logo após a grande fome que assolou a China de 1959 a 1961, na qual se estima que tenham morrido 30 milhões de pessoas. A seca desempenhou um papel, mas o responsável pela catástrofe foi o presidente Mao, e seus caprichos. Promovido pelo líder chinês, o Grande Salto Adiante pressupunha a coletivização da produção agrícola e obrigou os camponeses a entregar as colheitas para uma burocracia centralizada.
Mesmo atenuada, a escassez de alimentos prosseguiu até o fim da década de 1970, quando os cultivadores retomaram o controle de suas safras. “No prazo de apenas dois anos, quase que da noite para o dia, havia comida em profusão”, relembra Deli Chen, que, menino, testemunhou essas reformas em um vilarejo produtor de arroz na província de Jiangsu. Hoje, ele é especialista em solo da Universidade de Melbourne, na Austrália.
No entanto, os lavradores chineses logo toparam com outra barreira: os limites das terras cultiváveis. A população da China incorporou 300 milhões de pessoas entre 1970 e 1990. Não foi nada fácil para a agricultura tradicional do país atender a essa demanda.
Song Linyuan, um lavrador idoso porém lépido de um povoado a nordeste de Nanquim, ainda se lembra da época em que mantinha seu meio hectare cultivável tão fértil quanto possível: fazia a compostagem do lixo doméstico e usava o esterco de seus porcos e galinhas. Isso significava o acréscimo de 110 quilos de nitrogênio por hectare ao ano. Ele colhia de 2 950 a 3 750 quilos de arroz por hectare. Essa é uma safra respeitável, uma produtividade melhor que em muitas regiões do globo. Mas hoje ele consegue o dobro disso: 8 170 quilos por hectare – resultado com que muitos produtores só conseguem sonhar.
O que fez a diferença? “Adubos melhores”, diz ele. Estamos sentados em uma loja em meio a outros agricultores. A resposta de Song Linyuan desencadeia uma discussão acalorada. Alguns concordam que o adubo é crucial; outros consideram mais importantes as sementes melhoradas. Na verdade, as duas tecnologias estão associadas. As variedades de arroz e trigo de alta produtividade desenvolvidas nas décadas de 1950 e 1960 apenas poderiam exibir todo o seu potencial caso recebessem outra dose de nitrogênio.
As autoridades chinesas procuraram assegurar que essas safras fossem bem adubadas. Entre 1975 e 1995, construíram centenas de usinas de nitrogênio. A fabricação de fertilizantes foi quadruplicada pelo país, e a China transformouse no maior produtor mundial. Song Linyuan agora usa cinco vezes mais fertilizante que antes. Os campos estão saturados de ureia – uma forma seca de nitrogênio –, lançada em punhados de grânulos alvos como neve entre os brotos verdes. Isso equivale a 600 quilos de nitrogênio por hectare. Os cultivadores de legumes usam ainda mais fertilizante. Alguns chegam a aplicar 1 ou 2 toneladas por hectare.
Poucos agricultores acreditam que isso pode ser danoso, mas os cientistas contam outra história. “O adubo nitrogenado é usado em excesso, em uma proporção de 30% a 60%, em campos de cultivo de manejo intenso”, diz Xiaotang Ju, da Universidade Agrícola da China em Pequim. Aplicados na terra, os compostos nitrogenados se dispersam pelo ambiente, alterando nosso mundo, não raro de maneira indesejável. Parte do nitrogênio é carregada das plantações para os rios ou se dilui na atmosfera. Outra porção é ingerida, sob a forma de grãos, por seres humanos ou animais de criação, mas, em seguida, retorna ao ambiente como dejeto ou excremento.
Deli Chen lembra-se das pescarias que fazia quando pequeno. “O rio tinha água translúcida”, conta. Mas aí, por volta de 1980, “era impossível ver os peixes”. A turvação devia-se em parte à proliferação de fitoplâncton, um sinal de que a água se tornou eutrófica (sobrecarregada de nutrientes). Um levantamento de 40 lagos chineses constatou que metade deles apresentava quantidade excessiva de nitrogênio ou de fósforo – com frequência, o adubo com fósforo é o responsável pela proliferação de algas nos lagos.
National Geographic

Agricultura impulsiona propagação de algas mortais


As chuvas da primavera chegam e regam os brotos de mais uma abundante safra de milho em Ohio, Indiana e Michigan, no centro-oeste americano. Elas também escoam o fósforo das lavouras para riachos, córregos e rios. E fluem para o lago Erie, o mais raso dos Grandes Lagos, com uma profundidade média de apenas 18 metrose muito menos que isso em sua margem ocidental.
Todo esse fósforo não estimula apenas o crescimento de plantas de cultivo. Quando o elemento, um componente de fertilizantes, chega ao lago ele alimenta a formação de grandes “camas” de brilhantes algas verdes que deixam suas águas da cor de sopa de ervilha.
As cianobactérias do gênero Microcystis contêm venenos — pelo menos 80 variedades diferentes de uma toxina chamada microcistina — e quando as águas rasas empurram uma grande quantidade de algas até tubulações de captação certas, uma cidade inteira, como Toledo, fica sem água.
“A maioria das estações de tratamento de água está atenta à toxina”, observa Don Scavia, engenheiro ambiental, diretor do Instituto Graham de Sustentabilidade Ambiental da University of Michigan, e perito nessas florações nocivas. “Quando elas ocorrem, as opções são tratar a água, o que é muito caro; ou fechar a instalação para desintoxicação”.
De acordo com a Agência de Proteção Ambiental americana (EPA), essas perigosas florações estão se tornando mais comuns e já afetam todos os 50 estados. No ano passado, um município perto de Toledo teve que fechar sua instalação e suspender temporariamente seu fornecimento de água [matéria em inglês] devido a um problema de algas.
Mas essas florações algáceas não estão confinadas à água doce. No mar, ao largo das costas, proliferações similares de extensos tapetes de algas criam zonas mortas em que microrganismos consumidores de algas mortas gastam todo o oxigênio disponível na água, matando vida marinha imóvel (séssil) ou que se move lentamente. Essas zonas não estão aumentando apenas nas regiões litorâneas e águas interiores dos Estados Unidos, mas em todo o mundo.
Este ano, a zona morta oceânica na foz do rio Mississippi cobriu, até agora, uma área aproximadamente igual à de Connecticut (14.357 km²) depois de atingir proporções iguais às de Massachusetts (27.336 km²) em 2013. Florações algáceas de água doce, como a que suspendeu o fornecimento de água potável em Toledo, custam centenas de milhões de dólares por ano aos Estados Unidos. Elas também ocorrem em países como o Brasil e a China.
Temperaturas mais quentes durante o verão, chuvaradas mais violentas e ciclos de crescimento mais longos — condições que deverão se acentuar à medida que as mudanças climáticas continuarem — só tornarão os ambientes aquáticos ainda mais hospitaleiros para essas cianobactérias, uma das formas de vida mais antigas na Terra.
As algas têm florescido mais cedo e persistido até mais tarde nos últimos anos. Além disso, mudanças ecossistêmicas na lago Erie podem estar contribuindo para o problema. “Mexilhões zebra e quagga no lago também podem ser importantes porque eles não consomem a espécie Microcystis, favorecendo sua expansão porque eles preferem outros tipos”, explica Scavia.
A florescência que levou à suspensão do fornecimento de água potável em Toledo só está começando a se expandir, embora a água de torneira já esteja novamente potável. A grande camada persistirá até o outono boreal, provavelmente atingindo seu picoem setembro. Essasmanchas álgicas não se limitam ao lado Erie: florescências semelhantes ocorreramem Green Bay, às margens do lago Michigan, eem Saginaw Bay, no lago Huron.
A microcistina é uma toxina bastante perigosa; mais potente em doses menores que o poderoso pesticida DDT, mercúrio neurotóxico, e até o venenoso cianeto. Em humanos, ela pode causar danos ao fígado, vômitos, diarréia e dores abdominais. Sua prima, a anatoxina, envenena o sistema nervoso central. O tratamento da água exige a adição de substâncias químicas e carbono para eliminar as toxinas por filtragem. E água potável não pode ser simplesmente fervida para matar as algas, porque isso pode romper as células de cianobactérias, liberando ainda mais toxinas.
Os estados que margeiam o lago Erie acreditavam ter resolvido o problema algáceo ao eliminar fosfatos em detergentes que vinham entrando no lago através das estações de tratamento de esgotos. Essas medidas reduzem o teor de fósforo de quase 30 mil toneladas/ano para pouco mais de 10 mil/ano. Mas “mudanças nas práticas agrícolas contribuíram para um escoamento maior”, explica David Dempsey, um assessor de política na Comissão Conjunta Internacional (IJC, na sigla em inglês).
O órgão independente foi criado em 1909 pelo Canadá e os Estados Unidos para lidar com águas compartilhadas, como as dos Grandes Lagos. Em fevereiro, a comissão divulgou um relatório [em pdf] sobre o assunto “Uma dieta equilibrada para o lago Erie: reduzir as descargas de fósforo e as nocivas florações de algas” [A Balanced Diet for Lake Erie: Reducing Phosphorus Loadings and Harmful Algal Blooms]. “Em certa medida isso está impulsionando as melhorias feitas através da redução de fósforo em detergentes”, acrescenta.
Reduzir o fósforo que vem de fazendas será um desafio muito maior que limpar estações de tratamento de esgoto, uma exigência feita pela Lei da Água Limpa, de 1972. Até agora, só programas voluntários foram colocados em prática para combater enxurradas/escoamentos. “Essas medidas são insuficientes”, adverte Rajesh Bejankiwar, líder da força-tarefa da IJC que combate a poluição de fósforo nos Grandes Lagos.
As lavouras na bacia do lago Erie despejam quase1.581,47 gramasde fósforo por hectare no lago, ou mais de 60% do fósforo que atualmente chega à água. Como resultado, 2011 foi palco da maior floração de algas da história registrada no lago Erie. O problema é agravado por nutrientes que escoam junto com os resíduos de grandes fazendas de pecuária, além do esgoto tratado de cidades como Buffalo, Cleveland e Detroit.
A ideia básica para reduzir o escoamento de fazendas é simples: aplicar apenas a quantidade certa de fertilizante, de forma orientada, no momento apropriado, exatamente onde ele pode fazer o maior bem para as culturas, e ter a menor chance de simplesmente escoar com as enxurradas da chuva. De acordo com a IJC, isso significa, entre outros, o fim das aplicações de outono, inverno ou início da primavera para preparar campos para o período de crescimento.
Zonas tampão de folhagens e terras pantanosas também podem ajudar a filtrar o fósforo, mas essas terras marginais têm sido crescentemente aproveitadas para cultivar ainda mais milho, à medida que os preços dessa cultura têm aumentado nos últimos anos graças a uma determinação federal para produzir etanol de milho como combustível para carros. “A coisa mais importante que pode ser feita é reduzir o escoamento agrícola”, recomenda Bejankiwar. “Prevenir é melhor que remediar (ou, no caso, tratar)”.
Scientific American

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Para lembrar: Lua cheia deste domingo deve ser a mais bonita dos próximos 20 anos

Superlua é vista em Nevada, nos Estados Unidos


Admiradores da lua não podem deixar de contemplá-la no próximo domingo, dia 10 de agosto: nosso satélite natural estará 30% mais brilhante e 14% maior do que o normal. O fenômeno é conhecido popularmente como superlua, e ocorre quando o astro atinge sua fase cheia próximo ao perigeu, o ponto da órbita lunar localizado mais próximo da Terra.
O motivo desse tipo de aproximação é o formato elíptico da órbita, que fica 50 mil quilômetros mais perto do nosso planeta no perigeu em comparação com o apogeu, o ponto mais distante. O evento da superlua não é raro – acontece a cada 14 meses, mas desta vez a diferença entre o perigeu e a lua cheia será mínima, de apenas 27 minutos. Segundo o astrofísico Gustavo Lanfranchi, isso só deve se repetir daqui a 20 anos.

Mesmo assim, em 2034 o evento não será muito próximo do início da noite, vai ser em torno de 22h”, esclarece Lanfranchi. Em junho do ano passado, o fenômeno ocorreu por volta das 11h da manhã. Neste domingo, o perigeu será às 17h43 e a lua cheia às 18h10, o que gera uma situação praticamente perfeita para a observação, se as condições climáticas colaborarem. “O tamanho da lua perto do horizonte parece maior, por isso o efeito vai ser bem mais intenso”, diz.
Ao longo da noite, conforme nosso satélite natural for ficando mais alto no céu, a impressão vai se perdendo, por isso o horário ideal para a contemplação será no fim da tarde. Se no dia você estiver em alguma região rural, procure observar a lua ao fundo de alguma árvore: ter algum ponto de referência parece amplificar a percepção de tamanho. O mesmo vale para cidades, com suas casas e prédios, que dão um charme especial para a cena. “Se você for ver as fotos de superlua, as mais bonitas são aquelas com construções por perto”, aponta o astrofísico.

A recomendação é observar o satélite no início da noite, para aproveitar uma "ilusão de ótica" que a faz parecer maior. "Quando observamos a Lua na linha do horizonte ela costuma parecer maior, porque temos pontos de referência, como árvores e prédios, que criam uma escala de comparação", explica Rundsthen Vasques de Nader, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e astrônomo do Observatório do Valongo, na UFRJ. Para a próxima superlua, em 9 de setembro, o ponto máximo está previsto para as 22h38, no horário de Brasília.
Previsão do tempo — As condições climáticas para a observação do fenômeno estarão favoráveis no domingo para a maior parte do Brasil. De acordo com César Soares, meteorologista da Climatempo, o tempo estará aberto na região Centro-Oeste e na maior parte do Norte. No Sul, no Rio Grande do Sul e na região serrana de Santa Catarina pode haver dificuldade, em virtude de uma frente fria que deve causar a aparição de nuvens no céu. Na região Sudeste, a frente fria prejudica a faixa entre o sul do Espírito Santo e o norte do Rio de Janeiro e, no Nordeste, do litoral de Alagoas até o leste de Pernambuco o vento úmido vindo do mar pode provocar chuvas durante a noite do domingo. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Mercúrio nos oceanos triplicou, aponta estudo

Peixes vermelhos

Um novo estudo publicado nesta semana na revista científica Nature indica que a concentração de mercúrio nos oceanos triplicou em comparação com os níveis pré-industriais.
Por trás desse aumento, segundo a pesquisa, está a poluição causada por atividades humanas, como mineração e queima de combustíveis fósseis.
Além disso, o lançamento de esgoto sem tratamento na água também pode criar condições que potencializam os efeitos da substância ao torná-la mais solúvel.
A contaminação ambiental pelo metal altamente tóxico é uma realidade mundial. Mas só agora começou a ser dimensionada. E os resultados preocupam.
O estudo destaca que a concentração do mercúrio triplicou nas camadas de águas superficiais, onde a presença de vida marinha é grande.
Uma das características do mercúrio que mais preocupam os cientistas é sua capacidade de biomagnificação.
Ele se acumula ao longo da cadeia alimentar, fazendo com que as espécies mais altas na cadeia sejam expostas a uma maior concentração tóxica, o que aumenta, eventualmente, a exposição humana ao metal.
No entanto, falta quantificar essa acumulação nos animais aquáticos e seus possíveis efeitos, incluindo os riscos para os seres humanos.
Em entrevista ao jornal birtânico The Guardian, Simon Boxall, professor de Universidade de Southampton, disse que é difícil dizer, a partir da pesquisa, o tamanho do dano que já foi feito para a vida marinha.
"Eu não iria parar de comer peixes por conta disso", ponderou. "Mas esse aumento de mercúrio é um bom indicador do nosso impacto no meio ambiente marinho. É um alerta para o futuro", disse.
Ameaça tóxica
Em um relatório de 2010, a organização ambiental Blacksmith Institute listou os principais poluentes tóxicos que ameaçam o mundo. O mercúrio é um deles.
Usado em centenas de aplicações, da produção de gás cloro e soda cáustica à composição de amálgamas dentárias e baterias, o mercúrio assume sua forma mais ameaçadora à saúde humana durante o garimpo de ouro.
Na mineração, ele auxilia o processo de purificação do metal valioso conhecido como "amalgamação", sendo liberado na forma de vapor no meio ambiente.
Na literatura médica, o mercúrio é caracterizado como uma neurotoxina potente, capaz de causar danos irreversíveis ao cérebro.
Entre os sintomas da contaminação estão dormência em braços e pernas, visão nebulosa, letargia e irritabilidade, problemas renais e intoxicações pulmonares, além de prejudicar o desenvolvimento fetal.
Exame.com

Crateras misteriosas são só uma das surpresas árticas


Não são apenas crateras supostamente escavadas por alienígenas na Rússia, são também megadeslizamentos, gelo que queima e árvores “embriagadas”. O contínuo degelo do solo permanentemente congelado (perfrost ou pergelissolo) que cobre quase 25% das terras no hemisfério norte tem gerado uma série de fenômenos surpreendentes.
As temperaturas em todo o Ártico estão subindo cerca de duas vezes mais rápido que no resto do mundo, em grande parte devido à redução da quantidade de luz solar refletida pelo solo branco, coberto de neve. “Em algum momento poderemos entrar em um estado de permafrost que não é comparável com o que conhecemos há uns 100 anos mais ou menos; estão ocorrendo alguns processos novos que nunca aconteceram antes”, adverte Guido Grosse, geólogo do Instituto Alfred Wegener para Pesquisa Polar e Marinha na Alemanha.
As misteriosas crateras no extremo norte da Rússia são apenas um exemplo. “Não há nada descrito na literatura científica que possa realmente explicar plena e satisfatoriamente essas crateras”, admite Grosse, que nesse verão boreal estará viajando para o delta do rio Lena, na Sibéria, onde se encontra uma estação de pesquisa conjunta teuto-russa.
A explicação mais provável para as crateras recém-descobertas é um acúmulo de metano ao longo de séculos ou mais, que ejetou da terra em descongelamento em algum momento nos últimos anos. “Uma pressão elevada se acumulou e o solo literalmente se escancarou”, explica o biogeoquímico Kevin Schaefer do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos Estados Unidos. “Se elas realmente são causadas pelo derretimento de gelo de metano, devemos esperar ver mais”.
Essas crateras se transformarão em lagos que descongelarão ainda mais o permafrost ao redor e abaixo delas uma vez que a água retem mais calor do sol. Novos lagos similares estão se formando em depressões na paisagem irregular, conhecida como termocarste, e que também está em processo de degelo em todo o Ártico.
Esses lagos termocársticos e os pântanos vizinhos criam condições lamacentas que favorecem microrganismos que decompõem material orgânico de plantas mortasem metano. Emseguida, esse metano borbulha para fora dos lagos e do solo e, onde estiver concentrado, pode até pegar fogo, resultando em casos de chamas que dançam sobre o gelo.
Mais difundidas que crateras explosivas ou gelo que queima são as árvores “embriagadas”. Quando o permafrost derrete, o solo que antes era tão sólido como concreto se transforma em lama, uma vez que em algumas partes do Ártico até 80% do terreno é constituído de gelo.
E como gelo ocupa mais espaço que água, o chão afunda (um fenômeno geológico chamado subsidência), fazendo com que árvores que cresciam retas, em posição vertical, se inclinem para os lados à medida que o solo se liquefaz embaixo delas.
Em consequência disso, florestas inteiras estão pensas, como se fossem um exército de ébrios. Isso também é uma má notícia para a moderna infraestrutura no Ártico: estradas, oleodutos e alicerces de construções afundam em lama e racham, ou paisagens inteiras sofrem o efeito de subsidência. “Em longo prazo haverá enormes impactos econômicos e sociais decorrentes da degradação do permafrost”, prevê Schaefer.
Nos lugares onde o terreno é inclinado podem ocorrer coisas piores: deslizamentos, parecidos com rios de lama que se movem lentamente, podem minar áreas de40 hectaresou mais e atingir larguras de mais de um quilômetro.
Os maiores megadeslizamentos (megaslumps, em inglês) podem avançar pela paisagem à razão de um quilômetro por década e não parecem dar sinais de que vão parar. Um deslizamento na Rússia, que deixou cientistas perplexos, penetrou mais de70 metrosde profundidade no permafrost e continua crescendo depois de ter se originado na década de 70, revela Grosse.
A maior preocupação do degelo do permafrost, no entanto, talvez seja uma liberação súbita e massiva de metano no oceano Ártico e/ou no permafrost. O metano prende pelo menos oito vezes mais calor que o dióxido de carbono (CO2) ao longo de décadas, acelerando ainda mais o aquecimento global.
A má notícia no quesito metano são os aumentos visíveis da quantidade desse gás produzido no Ártico — um crescimento de cerca de 8% em 30 anos, de acordo com registros da estação meteorológica canadense de Alert, nos Territórios do Noroeste. Além disso, expedições oceânicas têm observado metano borbulhando de gelo de metano no fundo do oceano Ártico. A boa notícia é que dados de satélites que cobrem largas faixas do Ártico e remontam a décadas passadas agora mostram poucas alterações nas concentrações atmosféricas do potente gás de efeito estufa. “Por que isso ocorre ainda não sabemos”, admite Grosse.
A maior parte dos gases de efeito estufa liberada por esse degelo ártico será CO2. E o degelo do permafrost prosseguirá à medida que níveis crescentes de gases de efeito estufa na atmosfera retiverem cada vez mais calor, dando início a um ciclo de feedback que derreterá ainda mais o Ártico. Simulações computadorizadas preveem que até meados do século até um terço (30%) da área de permafrost no Alasca poderia descongelar, pelo menos na superfície, com proporções semelhantes no Canadá e na Sibéria.
Uma vez que o degelo começa e as plantas mortas congeladas que compõem os três primeiros metros mais ou menos do permafrost se transformarem em alimentos para microrganismos que liberam CO2, o processo é irreversível. “Você não pode congelá-lo novamente” alerta Schaefer. “Uma vez que a decomposição tem início é impossível pará-la; e ela persiste por séculos”.
O permafrost já contém vastas quantidades de carbono armazenado. De acordo com as estimativas, algo em torno de 1,7 trilhão de toneladas, ou mais que o dobro do que se encontra na atmosfera atualmente. Nem todo o permafrost descongelará no futuro próximo; mesmo por que, algumas áreas se estendem a 700 metros de profundidade, mas até 2100 poderiam ser liberadas até 120 bilhões de toneladas de carbono.
Isso é suficiente para elevar as temperaturas médias globais em quase um terço de um grau Celsius. “Esses são números grandes”, observa Schaefer. Mas “na realidade eles são pequenos quando comparados aos projetados para os resultantes da queima de carvão, petróleo e gás natural. Essas emissões simplesmente são imensas”.
Os modelos computadorizados que fornecem essas estimativas de quanto desse carbono pode ser liberado presumem um degelo gradual do permafrost. Essa previsão poderia provar estar errada com base em observações feitas até agora. Processos de degelo como deslizamentos e formação de lagos já estão acontecendo a um ritmo mais acelerado e afetando regiões maiores que o esperado. Segundo Grosse: “podemos estar sendo muito conservadores em nossa estimativa”.
O degelo aciona um conjunto de complexas forças naturais e algumas delas poderiam contrariar a tendência aparentemente inexorável de aquecimento. Árvores e arbustos continuarão se propagando rumo ao norte graças a temperaturas mais amenas e uma estação de crescimento mais longa. Essas árvores, por sua vez, absorvem CO2 do ar. O novo Observatório Orbital de Carbono da Nasa deve ajudar a esclarecer quanto CO2 desse Ártico verdejante será extraído do ar. E mesmo os lagos termocársticos poderiam estar enterrando algum carbono, pelo menos ao longo de milhares de anos à medida que sedimentos lacustres enterram plantas e algas mortas.
Até a quantidade de degelo garantida pelas emissões de gases de efeito estufa até hoje não está clara. “Estamos tentando descobrir isso”, justifica Schaefer. Além disso, as próprias regras que regeram os processos árticos durante os últimos 100 anos mais ou menos de exploração moderna talvez não se apliquem mais.
A velocidade do descongelamento em curso poderia acelerar e acontecer em décadas ou o degelo poderia ser lento e se estender por séculos e milênios. “Quais são os limites de degelo do permafrost?”, pergunta Grosse. “Realmente não sabemos”.
Existem tentativas para expandir o monitoramento do Ártico, mas enormes lacunas persistem devido à sua vasta extensão e condições adversas. Como na maioria das ciências, observações feitas até hoje estão limitadas aos lugares de mais fácil acesso para cientistas, e não a pontos vantajosos onde se instalaria equipamentos de monitoramento para garantir a maior cobertura possível.
Entre questões de pesquisa emergentes em torno do Ártico no Antropoceno, uma suposta nova era geológica vinculada a impactos humanos relativamente recentes no planeta, mas de escopo planetário, o destino do permafrost paira como um grande conhecido desconhecido, um grande ponto de interrogação, como a Academia Nacional de Ciências americana reconheceu em um relatório em abril passado.
Uma coisa, no entanto, está clara: até agora, o Antropoceno provou ser hostil ao gelo e isso vai piorar à medida que surgir um novo Ártico. “Essa situação não tem precedentes”, ressalta Schaefer. “Quanto mais rápido você queimar combustíveis fósseis, mais rápido o Ártico esquentará”.
Scientific American



quarta-feira, 6 de agosto de 2014

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Sonda europeia Rosetta chega ao encontro de cometa

Imagem do cometa Churyumov Gerasimenko obtida pela câmera da sonda europeia Rosetta

A sonda europeia Rosetta chegou nesta quarta-feira ao histórico "encontro" com o cometa 67P/Churyumov Guerasimenko a 400 milhões de quilômetros da Terra, após uma viagem espacial de 10 anos, que tem como objetivo estudar o Sistema Solar.

"Estamos no cometa", anunciou o diretor de operações de voo da Agência Espacial Europeia (ESA), Sylvain Lodiot, o que provocou muitos aplausos no centro espacial de Darmstadt (Alemanha).
Rosetta se posicionou a 100 quilômetros do cometa e a partir de agora o acompanha na trajetória ao redor do Sol.
A sonda efetuará primeiro movimentos irregulares de "órbita hiperbólica" ao redor do corpo celeste, antes de colocar-se em órbita regular ao seu redor, informaram os cientistas da ESA.
Em novembro, a sonda enviará o robô de pesquisa Philae à superfície do cometa, um fato sem precedentes na história da conquista espacial.
O encontro na imensidão do espaço aconteceu após uma viagem de mais de uma década e de seis bilhões de quilômetros.
A viagem começou em março de 2004. A sonda sobrevoou diversas vezes Marte e a Terra para tomar impulso utilizando a força gravitacional dos planetas e assim ganhar velocidade. Depois passou por um período de hibernação que permitiu economizar energia.
Como todos os cometas, o Churyumov-Gerasimenko é composto de poeira e gelo primordial, ou seja, material restante do processo de formação do Sistema Solar ocorrido há 4,6 bilhões de anos.
A sonda Rosetta tentará decifrar nesta "bola de neve suja", como descreveram os astrônomos, as chaves para compreender como os planetas se formaram ao redor do Sol.
"Rosetta está lá para abrir um cofre com um tesouro que contém as chaves sobre o nascimento e a evolução do Sistema Solar e, potencialmente, da vida", explicou em uma entrevista coletiva Mark McCaughrean, conselheiro científico da ESA.
De fato, uma das teorias cogitadas pelos astrônomos, conhecida como a hipótese de panspermia, é que os cometas, ao interagir com a Terra, ajudaram a espalhar a vida no planeta, ao transportar água e moléculas orgânicas.
Robô Philae em novembro
Até agora, as missões de exploração dos cometas foram muito reduzidas e se limitaram a observá-los de longe. Este foi o caso da sonda americana Stardust, que transportou em seu retorno poeira deixada por um comenta, enquanto a sonda europeia Giotto se aproximou a 200 km da superfície de outro.
Mas no dia 11 de novembro, Rosetta se aproximará a poucos quilômetros do cometa, antes de liberar a descida para a superfície do robô Philae, que tem o tamanho de uma geladeira e está repleto de instrumentos científicos.
Uma vez na superfície, o Philae realizará durante seis meses experimentos sobre a química e a textura do astro e a Rosetta enviará os resultados à Terra por sinal de rádio, que demora meia hora para chegar ao destino.
Após a conclusão do trabalho do robô, Rosetta acompanhará o cometa "C-G" na viagem ao redor do Sol, enquanto se afasta em direção à órbita de Júpiter, antes do fim da missão.
Antes do "pouso" do robô, Rosetta orbitará ao redor do cometa e fará imagens de sua superfície. Nesta quarta-feira, a sonda começou a enviar à Terra imagens - pela primeira vez em alta definição - do cometa.
No mês passado, com a aproximação do cometa, as câmeras da sonda revelaram que, ao contrário do que alguns previam, o corpo celeste não tem a forma de uma batata e sim a de um pato, com dois lóbulos, um grande e outro pequeno, conectados por um "pescoço".
A aventura de Rosetta pode reservar surpresas desagradáveis, alertaram os cientistas. A sonda e o robô devem resistir à projeção de gás e poeira do cometa, à medida que se aproxima do Sol.
Exame.com



"Cratera do fim do mundo" alerta para mudança climática

Cratera gigante na Sibéria

A conhecida "cratera do fim do mundo", que se formou no norte da Sibéria e cuja imagem atraiu mais de nove milhões de visitas no YouTube, não é única e é um fenômeno natural que corrobora a mudança climática, segundo os cientistas.
"A cratera confirma que a mudança climática é real. O extraordinário é que este fenômeno, à vista natural, tenha ocorrido em um espaço de tempo tão curto, perante nossos olhos", comentou à Agência Efe Leonid Rijvanov, doutor em Geologia pela Universidade de Tomsk.
Normalmente, os fenômenos geológicos são resultado de processos de centenas ou milhares de anos, mas os "buracos negros", como também são conhecidas as crateras aparecidas na península de Jamal (que significa "Fim da Terra" em língua aborígine) são relativamente recentes.
"São consequência direta do aquecimento de nosso planeta, que provoca o derretimento dos gelo perpétuos que cobrem a tundra siberiana. Porém não é algo catastrófico, já que a Sibéria é um lugar muito sensível às mudanças", afirmou.
Rijvanov lembrou que o gelo contém gás e, quando se reduz a espessura da superfície gelada, esse gás sai disparado como se tratasse de fumarolas nas zonas vulcânicas e cria esses buracos com formas tão perfeitas, que parecem feitas pelo homem, por extraterrestres ou um meteorito, como se comenta nas redes sociais.
Rijvanov lembrou que o gelo contém gás e, quando se reduz a espessura da superfície gelada, esse gás sai disparado como se tratasse de fumarolas nas zonas vulcânicas e cria esses buracos com formas tão perfeitas, que parecem feitas pelo homem, por extraterrestres ou um meteorito, como se comenta nas redes sociais.
A famosa cratera, que se encontra a cerca de 30 quilômetros da cidade de Bovanenkovo, cativou especialistas e neófitos por seu tamanho - mais de 60 metros de diâmetro e 20 de grossura em sua boca.
O fato de que perto do buraco se encontre uma das maiores jazidas de petróleo e gás da Rússia, e que seu operador seja a gigante Gazprom inquietou os ecologistas, mas a passagem dos dias parece ter acalmado os ânimos dos mais exaltados.
Uma das primeiras a chegar à região em helicóptero no dia 17 de julho foi a geóloga Marina Leibman, da Academia de Ciências da Rússia, que ficou "impressionada" com a perfeição da cratera.
"Não há rastro de que algo possa ter caído do céu ou de uma explosão. O que vimos ao redor é uma tundra absolutamente virgem. Não vimos sinais de presença humana, nem lixo e nem sequer rastros de pastores de renas", disse.
"Se aproximar é perigoso, já que o gelo que forma as bordas da cratera derrete continuamente e a superfície contígua é extremamente escorregadia", relatou a geóloga.
Um operador que a acompanhava conseguiu fazer um vídeo com a ajuda de uma corda, mas após 50 metros de descida nem sequer tinha alcançado o fundo do buraco, que supostamente está coberto de água.
"De maneira preliminar, se pode dizer que na cratera há uma concentração mais alta que o normal de metano, mas em um máximo de 9,8%, por isso que é muito inflamável. E os níveis de radiação também eram normais", detalhou Leibman.
Quanto às hipóteses, Leibman descarta terminantemente que o buraco tenha sido provocado por um rio subterrâneo e vincula o fenômeno com o aquecimento dos últimos anos, em particular em 2012.
"O aquecimento pode ter provocado a libertação de maiores volumes de gás. As mudanças de temperatura na superfície terrestre não estão sincronizadas com as do ar", explicou.
A cientista acredita que quando essa camada de 80% de gelo perpétuo esteve mais perto da superfície do que o habitual, devido ao aquecimento, surgiu esse intrigante buraco.
"Como a superfície é quase impermeável, a pressão do gás aumentou e nessa situação pôde ter ocorrido um vazamento", declarou.
Os especialistas lembraram que a temperatura do gelo perpétuo siberiano é de cerca de 10 graus abaixo de zero, enquanto o gás está a cerca de 30 graus centígrados, motivo pelo qual essa parece a versão mais factível do fenômeno aparentemente de ficção científica.
Na mesma região de Yamalo-Nenets foi encontrado outro desses buracos, embora seu diâmetro seja menor que o do anterior, 15 metros, e no fundo do mar de Barents existem centenas deles, segundo os especialistas.
A coordenadora do programa ártico do Greenpeace Rússia, Yevguenia Belakova, afirmou à Agência Efe que o metano tem um efeito estufa maior do que outros gases e que sua presença é outro fator que contribui em grande medida à mudança climática no Ártico.
No que todos estão de acordo é na necessidade de enviar uma expedição científica permanente para estudar a região - já que poderia haver "bolsas de gás", que seriam muito perigosas se forem detectadas em zonas habitadas ou jazidas de hidrocarbonetos -, a fim de prever a formação destes buracos negros.
Exame.com

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Encontro marcado com um cometa


Ilustração mostra a sonda europeia Rosetta junto ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
Foto: Terceiro / Divulgação/ESA
Depois de uma viagem de mais de dez anos e 6 bilhões de quilômetros, a sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA), deve finalmente chegar ao seu destino, o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, no fim da madrugada desta quarta-feira no Brasil. Em uma manobra delicada, os cientistas da ESA acionarão os motores da sonda para diminuir a velocidade relativa entre os dois para cerca de 1 metro por segundo (3,6 km/h), o equivalente ao ritmo de uma caminhada, enquanto continuam a cruzar o espaço a aproximadamente 55 mil km/h.
A manobra desta quarta-feira marca o início da fase final de uma jornada iniciada em março de 2004, quando a Rosetta partiu de base de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo de um foguete Ariane 5. No caminho para o encontro com o cometa, a sonda passou por três vezes pela
própria Terra e uma vez por Marte, usando a gravidade dos planetas para ganhar velocidade e ajustar sua trajetória com a do Churyumov-Gerasimenko, cuja órbita de 6,5 anos pelo Sistema Solar o leva de pouco além de Júpiter a entre Marte e a Terra.
Se tudo der certo na operação desta quarta, os cientistas da ESA continuarão com as manobras a sonda entre em uma órbita em torno do núcleo do Churyumov-Gerasimenko, a uma distância de cerca de 25 quilômetros. Nela, a sonda passará a estudar o cometa com uma série de 11 instrumentos, além de buscar locais de pouso para um segundo equipamento, batizado Philae, que deverá liberar em direção da superfície do cometa em novembro de 2014. Com outros dez instrumentos agrupados em um pequeno caixote com massa de cerca de 100 quilos, Philae
lançará uma espécie de arpão para se ancorar na superfície do cometa e assim evitar que escape de sua fraca gravidade.
Juntas, Rosetta e Philae fornecerão aos cientistas a chave para decifrar os mistérios da formação do Sistema Solar, há mais de 4,6 bilhões de anos, e talvez até da origem da vida na Terra. Isso porque cometas como o Churyumov-Gerasimenko são verdadeiros fósseis deste processo. Aglomerados de gelo, poeira, gases e rochas, eles preservam informações sobre a composição e características da imensa nuvem de material que deu origem ao Sol e aos planetas e também pode ter sido a fonte de boa parte de água e moléculas orgânicas que aqui se acumularam bilhões de anos atrás, criando as condições para o surgimento dos primeiros organismos vivos.

Prevista para durar até dezembro de 2015, a missão Rosetta-Philae tem um custo total estimado em 1 bilhão de euros (cerca de R$ 3 bilhões). Os nomes das duas sondas são referências diretas a como ficou conhecida a famosa pedra que permitiu aos historiadores decifrar os hieroglifos do Egito Antigo e à ilha do Rio Nilo onde ela foi encontrada, em 1799.


domingo, 3 de agosto de 2014

Lago misterioso surge no deserto e intriga cientistas

Lago de Gafsa, na Tunísia

Um lago misterioso a 25 km da cidade de Gafsa, na Tunísia, tem intrigado cientistas e moradores. O lago surgiu de repente no meio do deserto de Saara, num vale onde antes só havia areia, rochas e cascalho, conta o jornal britânico The Guardian. 

O lago cobre uma área de 1 hectare e tem profundidade máxima estimada em 18 metros. Desde que foi descoberto por homens que atravessavam o deserto, virou área de lazer.
Todos os dias, centenas de moradores de Gafsa vão até lá para escapar do calor de 40 graus. Aproveitam para nadar e mergulhar das rochas.
 
Para os geólogos, a explicação mais provável para a formação do lago é que um abalo sísmico tenha aberto uma brecha no leito rochoso. A água sob pressão, teria, então, subido de algum lençol subterrâneo.
Quando o lago foi descoberto, a água era transparente. Com o tempo, houve proliferação de algas e ela foi ficando esverdeada. Para os cientistas, isso indica que não há renovação da água. Se havia uma brecha que permitiu a passagem, ela se fechou.
A água parada pode servir para a incubação de micro-organismos patogênicos, o que torna arriscado banhar-se no lago. Além disso, se abalos sísmicos abriram e fecharam a brecha, isso pode acontecer novamente. Haveria, então, o risco de a água voltar ao subsolo, possivelmente arrastando banhistas junto.  
Outra preocupação é que Gafsa é um centro de mineração de fosfato. Esse mineral normalmente ocorre em depósitos radiativos. Assim, a água do lago também pode estar contaminada pela radiatividade.
Há dez dias, autoridades de Gafsa avisaram que nadar no lago pode ser perigoso. Segundo o Guardian, secretário de segurança pública local aguarda o resultado de análises que estão sendo feitas para tomar outras providências.
Veja.com


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Frase

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Superlua aparece em 10 de agosto

Superlua

A Lua cheia de 10 de agosto será uma superlua. O evento acontece quando o satélite está no ponto de sua órbita mais próximo da Terra e aparenta ser maior e mais brilhante do que as outras luas cheias do ano. O termo científico para o fenômeno é perigeu lunar.
Segundo o site da Nasa, a Agência Espacial Americana, a Lua segue uma trajetória elíptica em volta da Terra. O ponto mais próximo é chamado de perigeu e se localiza cerca de 50 mil quilômetros mais perto do nosso planeta do que o apogeu (ponto mais distante). Por isso, as luas cheias que acontecem no perigeu parecem ser maiores e mais brilhantes. No entanto, sem instrumentos para medir o diâmetro lunar, a superlua se parece como qualquer outra.
A melhor hora para se observar e registrar o fenômeno é quando a Lua está próxima do horizonte. Nessa situação é possível compará-la com edifícios, árvores ou qualquer outro objeto que sirva como referência.
National Geographic

Satélite Gaia, 'cartógrafo da galáxia', vai começar a operar

Satélite Gaia vai mapear 1 bilhão de estrelas nos próximos cinco anos

O satélite Gaia, equipado com a mais poderosa câmera já lançada ao espaço, atingiu seu destino, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, onde vai começar a produzir o mais preciso mapa tridimensional da nossa galáxia. De acordo com um comunicado divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), o Gaia está pronto para começar a operar. Lançada em 19 de dezembro do ano passado, a bordo de um foguete russo Soyuz, a missão deve durar cinco anos.
Gaia é dotado de dois poderosos telescópios e vai girar lentamente, concluindo uma rotação a cada seis horas. Ele vai coletar informações de 1 bilhão de estrelas, passando por cada uma em média 70 vezes até o fim da missão. Cerca de 2 milhões de estrelas serão fotografadas por hora e 50 gigabites de informações serão armazenadas todos os dias — o equivalente a mais de 10 dvds. Tudo isso vai corresponder a 1% da Via Láctea, cujo total de estrelas é estimado em 100 bilhões.
O mapa vai mostrar aos cientistas a posição e movimentação das estrelas, além do brilho, temperatura e composição química. Para isso, Gaia vai medir porções do espaço equivalentes à espessura de um fio de cabelo humano visto a 2.000 quilômetros de distância. As descobertas feitas pelo satélite podem ajudar os astrônomos a estudar origem e a evolução de nossa galáxia.
Veja.com

Nasa planeja produzir oxigênio em Marte

Panorama de dunas de areia em Marte

A Nasa pretende enviar a Marte uma sonda capaz de produzir oxigênio. A agência espacial americana anunciou nesta quinta-feira sete instrumentos que devem ser colocados em um robô que será enviado ao planeta vermelho em 2020.
Com custo estimado em 1,9 bilhões de dólares, a sonda será capaz de transformar o dióxido de carbono presente na atmosfera do planeta em oxigênio, para servir tanto à respiração humana como à produção de combustível de foguetes.
De acordo com a Nasa, a missão de 2020 vai ajudar a descobrir meios de exploração dos recursos naturais disponíveis na superfície do planeta. Os sete instrumentos da nova sonda foram escolhidos dentre 58 propostas recebidas do mundo todo pela Nasa. A previsão é de que o robô pouse no planeta vermelho em fevereiro de 2021.
Veja.com

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Defaunação reduz a vida na Terra



A deterioração ambiental da Terra está perigosamente mais dramática que abordagens tradicionais tem sugerido, o que deve estimular uma mudança radical de postura por parte de toda a sociedade humana, sob pena de efeitos imprevisíveis mesmo em curto prazo.
Um trabalho publicado na revista científica americana Science, com participação do pesquisador brasileiro Mauro Galetti, do câmpus Rio Claro da Unesp, revela que o processo de “defaunação” do planeta está levando a uma extinção em massa de animais de pequeno e médio porte.
A defaunação, segundo mostra a pesquisa, compilando dados da literatura especializada, leva ao desaparecimento de animais mesmo em áreas não desmatadas e aparentemente estabilizadas de um ponto de vista ambiental.
De acordo com a interpretação dos autores de diversos países (Estados Unidos, México e Reino Unido, além do Brasil) envolvidos com a pesquisa, estamos em meio a uma onda global de perda de biodiversidade inédita provocada por ação humana.
Os dados apontam que nada menos que 322 espécies animais foram extintas desde 1500, a infância do período das viagens de descobrimentos que se iniciaram em Portugal e, em seguida, se espalharam por Espanha, Holanda, França e Inglaterra.
À primeira vista pode parecer um período longo demais para trazer preocupações a uma única geração humana. A realidade, no entanto, é mais complexa e ameaçadora que sugere uma interpretação simplista, como a que a maioria das pessoas tende a fazer ao se referir a questões climático-ambientais.
Essas perdas se mostram também entre invertebrados − além de animais de grande e pequeno porte: 35% no curtíssimo intervalo de 40 anos.
Ameaça à sobrevivência
As conseqüências dessa perda de biodiversidade estão longe de serem apenas emocionais. Elas ameaçam a qualidade e mesmo continuidade da vida humana.
Ainda que o especismo esteja longe de uma discussão mais profunda, como já ocorreu com o racismo e sexismo, continuamos − por uma série de razões, inclusive de fundo religioso − a pensar que as outras formas de vida com que partilhamos o mundo estão aqui para atender nossos desejos e necessidades e teríamos um pretenso direito de explorá-las à exaustão.
O trabalho mostra que a defaunação afeta pontos estratégicos à sobrevivência humana por afetar processos ambientais críticos em pontos como:
Polinização: Insetos, entre eles abelhas que enfrentam ameaças em escala global, polinizaram 75% da produção agrícola mundial. Evidentemente que, com o comprometimento, ainda que parcial desse processo, a tendência é queda de produção nos campos.
Controle de pestes: morcegos e aves controlam pragas agrícolas que, de outra forma, seriam devastadoras. Nos Estados Unidos, onde as estatísticas são mais frequentes que em outras regiões do planeta, o serviço natural prestado por essas espécies é avaliado em algo como US$ 45 bilhões ao ano.
Ciclagem de nutrientes e decomposição: aqui, invertebrados e vertebrados (urubus, entre outros) desempenham papel estratégico na decomposição orgânica e ciclagem de nutrientes no ambiente.
Qualidade da água: a defaunação, mostra o trabalho, compromete a qualidade da água que também mostra oferta irregular em função de mudanças climáticas produzidas por aquecimento global, resultado de ações humanas.
Desaparecimento de sapos e pererecas
O declínio de anfíbios como sapos e pererecas aumenta a concentração de algas e outros detritos, o que compromete a qualidade dos recursos hídricos.
Saúde pública: a defaunação afeta a saúde humana de diferentes maneiras num processo complexo que se estende da desnutrição ao controle de doenças.
O clássico Primavera Silenciosa, da oceanógrafa e jornalista americana Rachel Carson (1907-1964), publicado em 1962 e que fundou o moderno ambientalismo em escala mundial, denunciou o silêncio nos campos provocado pelo uso intensivo do pesticida DDT.
A obra de Carson fez com que o DDT − empregado ao longo da Segunda Guerra Mundial no combate de mosquitos vetores de doenças como malária e outras enfermidades – fosse banido.
As preocupações que ela levantou, no entanto, apenas anunciam uma época de enormes preocupações ambientais, consequência, em grande parte, de um processo que alguns pensadores se referem como de “dessacralização” da Natureza e adoção de um consumismo desenfreado e inconsistentes com a potencialidade de um planeta com uma população em crescimento acelerado.

Evidências de pressões ambientais se manifestam de todas as direções e a escassez de água, ainda que anunciada há décadas, agora toma forma definitiva e chega literalmente às torneiras das moradias.
Formuladores de políticas imediatistas, no entanto, lamentam, entre outros acontecimentos, a retração do mercado de automóveis, como se esses objetos de desejo pudessem expandir para sempre e cobrir, inconsequentemente, a face de toda a Terra.
A verdade é que, em países como o Brasil, automóveis inundam as ruas e as estradas como a releitura de uma praga bíblica.
Para abastecê-los, além do combustível fóssil, é preciso ocupar os campos como recursos renováveis, como a cana-de-açúcar, que expulsa animais, destrói ambientais e literalmente calcina os que não conseguem escapar das línguas de fogo em locais onde o corte da produção ainda é artesanal, como nos primeiros tempos da escravidão.
A pressão sobre os recursos naturais cresce a cada dia e as perspectivas de alternativas mais promissoras para uma tomada de posição mais consistente enfrenta o cinismo e realismo apenas aparente de formuladores de políticas em que apenas interesses restritos e imediatos são levados em conta.

Falta financiamento para finalizar a vacina contra vírus Ebola


29 de julho de 2014 | Por Annie Sneed

O mais recente surto do vírus Ebola na África Ocidental é o pior de todos. Até dia 28 de julho 2014 ele havia infectado mais de 1.200 pessoas e fez pelo menos 672 vítimas fatais desde o início da primavera. Guiné, Libéria e Serra Leoa têm casos confirmados. Um funcionário da organização não governamental Médicos Sem Fronteiras qualificou o surto como "totalmente fora de controle", segundo a NBC News.
Infelizmente, os médicos não têm vacinas ou terapias eficazes. Os profissionais de saúde só podem tentar fortalecer o sistema imune dos pacientes (controlando fluidos, níveis de oxigênio, pressão arterial e tratando outras infecções) para ajudar os pacientes a resistir ao vírus.
Uma vacina para ajudar a combater futuros surtos de Ebola pode estar disponível em breve. Durante a última década os pesquisadores fizeram progressos significativos, e as vacinas têm funcionado em primatas não humanos. Mas tem sido difícil obter financiamento para testes de segurança em humanos.
Para saber mais sobre os avanços recentes e os obstáculos, Scientific American falou com Thomas Geisbert, virologista no Departamento de Microbiologia e Imunologia da Universidade do Texas Medical Branch em Galveston. Ele estuda o vírus Ebola desde 1988 e atualmente está envolvido em pesquisa e desenvolvimento de vacinas.
Existem vacinas promissoras em desenvolvimento para o vírus Ebola? Existem algumas vacinas preventivas em desenvolvimento e ficou demonstrado que três a cinco delas protegem primatas não-humanos contra Ebola. Algumas dessas vacinas requerem três ou mais injecções e outras precisam de uma única aplicação. A maioria delas está sendo financiada pelo governo dos EUA. Estão em vários estágios de desenvolvimento, mas nenhuma delas está pronta para ser licenciada.
O ponto crítico destas vacinas é o teste em humanos. É aí que cientistas se frustram porque sabemos que estas vacinas protegem os animais e não entendemos muito bem o processo de regulamentação, o por que as coisas não podem ser mais rápidas. Eu não sei dizer porque está demorando tanto.

 Por que o sistema imune humano não combate o vírus?

O vírus Ebola é geralmente transmitido por contato próximo e as primeiras células que afeta são importantes para a resposta imune imediata do organismo - os monócitos, macrófagos e células dendríticas. Essas células são importantes porque eles são as primeiras a reconhecer que algo estranho entrou no corpo e a acionar o sistema imune inato para combater a infecção. A infecção prejudica a mobilização do sistema imune de modo eficaz e o corpo tem dificuldade para combater o vírus, que se multiplica a ponto de afetar os principais órgãos.

 Uma vacina é capaz de neutralizar esses efeitos?

Vou dar um exemplo de como uma vacina pode funcionar. A vacina VSV é provavelmente uma das mais promissoras, e é baseada em um vetor viral semelhante ao vírus da raiva, uma partícula viral em forma de cartucho. Em sua superfície há uma proteína estrutural do tipo glicoproteína que permite a um vírus reconhecer, se ligar depois assumir o controle da célula hospedeira. Na vacina, removemos o gene que codifica a glicoproteína do vírus VSV e substituímos pelo gene que codifica a glicoproteína do vírus Ebola. O resultado é uma vacina que tem uma glicoproteína Ebola na superfície.
O vírus vacinal não se comporta como Ebola porque o resto do seu genoma não é Ebola mas, ao carregar a glicoproteína do Ebola, gera resposta imune. Mais tarde, os anticorpos gerados pela vacinação permitem que o corpo reconheça a glicoproteína do Ebola verdadeiro como um corpo estranho e crie uma resposta imune contra o vírus.
De quanto tempo em desenvolvimento é a vacina VSV? Estamos agora tentando obter os fundos para fazer os estudos com humanos.

 Quais são os desafios biológicos do desenvolvimento de uma vacina para o Ebola?

Existem algumas vacinas com vírus inativo, o que significa que não se replicam, e  tendem a ser mais segura. Há outras vacinas que são mais eficazes, mas eles são aptos a se replicar replicação [vírus atenuados] ." Um exemplo deste último tipo seria a vacina contra o sarampo ou a vacina contra a febre amarela. Elas são geralmente de vírus atenuados, não tão perigosos como um vírus de tipo selvagem, mas algumas pessoas podem ter um efeito adverso quando recebem uma vacina com vírus atenuados (replication competente).
Vacinas de vírus atenuados podem exigir uma única injeção, enquanto que as vacinas de vírus inativados podem permitir surtos periódicos porque não são tão eficientes. Então vamos fazer para uma vacina que proteja os humanos em uma única injeção? Na África essa é praticamente uma imposição porque é uma área em que você tem sorte se encontrar alguém em uma clínica para ser vacinado uma vez. É uma espécie de compensação da eficácia em relação a segurança. Esse é um dos maiores desafios.

Você pode dar uma estimativa de tempo para se ter uma vacina eficaz contra o vírus Ebola?

Meu palpite é de dois a seis anos. Infelizmente, realmente depende de apoio financeiro para as pequenas empresas que desenvolvem estas vacinas. Estudos em humanos são caros e requerem uma grande quantidade de dólares do governo. Ebola representa um pequeno mercado global - sem grande apelo para uma grande empresa farmacêutica produzir uma vacina, por isso vai exigir financiamento de governo.
Gostaria que as tentativas de avançar rapidamente no desenvolvimento de nossas vacinas levassem imediatamente a estudos  de fase I. Acho que devemos começar com a vacinação dos profissionais de saúde em áreas de alto risco. Este surto é singular pois está ocorrendo em uma área onde a doença não havia sido registrada antes e também porque aparentemente há uma maior percentagem de pessoal médico infectado agora.
Todas estas vacinas funcionam em inúmeros animais, não observei qualquer efeito adverso provocado por elas. Respeito as preocupações com segurança, mas seria ótimo se houvesse alguma forma de apressar isso. As pessoas estão sendo expostas a Ebola com 60% a 90% de chance de morrer. Temos que avaliar a necessidade de vacina nesse contexto.
Scientific American 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Ninguém sabe o que está causando estas explosões de radiação no espaço

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Em 2007, astrônomos detectaram uma rajada de ondas de rádio incrivelmente forte e breve na Austrália. E agora, no lado oposto do mundo, astrônomos identificaram uma segunda explosão de proporções semelhantes. Isto quer dizer que A) a primeira não foi um acaso, e B) nós não temos absolutamente nenhuma ideia do que está causando isto.
Este segundo flash ultra-rápido de ondas de rádio foi descoberto pelo radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, cujas antenas estavam posicionadas na esperança de descobrir estrelas de nêutrons. Em vez disso, ele capturou uma segunda ocorrência das chamadas explosões rápidas de radiação (ou, em inglês, fast radio bursts, FRBs), o que finalmente permitiu aos astrônomos excluir o ruído cósmico e reportá-las formalmente. Ao contrário dos sinais de rádio que nós detectamos normalmente, estas ondas “dão todos os sinais de terem vindo de fora de nossa galáxia, de algum ponto muito distante.”
De acordo com Laura Spitler, pós-doutoranda no Instituto Max Planck de Radioastronomia, na Alemanha, a descoberta é um grande passo adiante:
Nós realmente não sabemos do que se trata. Os cientistas são altamente céticos em relação a tais descobertas … [tanto que] todas as rajadas descobertas até agora pelo telescópio Parkes não eram motivo de preocupação. Agora, com a descoberta de uma explosão pelo telescópio de Arecibo, estamos mais confiantes de que FRBs são fenômenos astrofísicos, e que entendê-las e classificá-las deve ser uma prioridade dos observatórios radioastronômicos no futuro.
Até conseguirmos descobrir mais um desses FRBs e estudá-los de maneira adequada, entretanto, os cientistas estão perdidos em relação ao que pode estar causando estes fenômenos. Algumas explicações propostas incluem evaporação de buracos negros, fusões das estrelas de nêutrons, e erupções de estrelas de nêutrons extremamente poderosos chamadas magnetares. E, como Duncan Lorimer, um dos astrônomos que descobriram a primeira série de FRBs, disse a NPR:
Existem até mesmo discussões na literatura sobre assinaturas de civilizações extraterrestres.
Pode levar um bom tempo antes de se obter quaisquer respostas definitivas, no entanto. Os dois radiotelescópios que detectaram as ondas sofrem de visão de túnel, o que significa que nossa visão é tão limitada que qualquer FRB que encontrarmos no futuro será graças à nossa sorte. Mas, como James Cordes, astrônomo de Cornell, também disse a NPR, “O bom sobre esta fase inicial é que realmente não sabemos o que causa essas explosões, de modo que o céu é o limite”.


terça-feira, 29 de julho de 2014

Frase

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Brasil inaugura primeira fábrica de mosquitos da dengue trangênicos

Fábrica em Campinas tem capacidade de produzir 500 mil mosquitos da dengue transgênicos por semana (Foto: Eduardo Carvalho/G1)
Fábrica em Campinas tem capacidade de produzir 500 mil mosquitos da dengue transgênicos por semana (Foto: Eduardo Carvalho/G1)
Mosquito Aedes aegypti macho fabricado pela Oxitec, unidade criada em Campinas, interior de São Paulo (Foto: Eduardo Carvalho/G1)

A empresa britânica Oxitec inaugurou, nesta terça-feira (29), a primeira fábrica de mosquitos Aedes aegypti transgênicos do Brasil, uma tecnologia que, se aprovada, pode ajudar no combate da dengue no país. A unidade, instalada em Campinas, tem capacidade de produzir 500 mil insetos por semana. No ápice de produção, esse número pode saltar para 2 milhões de machos a cada sete dias.
A tecnologia foi desenvolvida em 2002, no Reino Unido. No laboratório, ovos dos Aedes aegypti receberam uma microinjeção de DNA com dois genes, um para produzir uma proteína que impede seus descendentes de chegarem à fase adulta na natureza, chamado de tTA, e outro para identificá-los sob uma luz específica.
 
Os machos, quando liberados na natureza, procriam com as fêmeas –responsáveis pela incubação e transmissão do vírus da dengue. Elas vão gerar descendentes que morrem antes de chegarem à vida adulta, reduzindo a população total.
 Testes iniciados em 2011 na cidade de Juazeiro, na Bahia, mostraram redução acima de 80% na população selvagem. Alguns experimentos apontaram resultados de 93% de redução do Aedes aegypti que vive na natureza. O uso dos insetos da Oxitec no Brasil foi feito em parceria com a organização Moscamed.
Como funciona A ideia da Oxitec é ser contratada pelo poder público para fornecer um pacote de serviços, que vai desde o treinamento de agentes públicos ao combate de possíveis epidemias de dengue.
 A contratação depende da aprovação da Agência de Vigilância Sanitária, a Anvisa, que ainda estuda autorizar a comercialização deste tipo de serviço. Caso isto ocorra, o Brasil poderá ser o primeiro país a aprovar o uso de  Aedes aegypti transgênico, em caráter comercial, para combater a dengue.
Segundo Glenn Slade, diretor global de desenvolvimento de negócios da empresa, uma cidade de 50 mil habitantes terá de desembolsar de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões por ano para aplicar os serviços, e R$ 1 milhão pelos anos seguintes, para manutenção dos insetos. Ele afirma ainda que novas unidades devem ser construídas no Brasil.
O processo de liberação é dividido em três fases. Em um plano simulado para um município de 10 mil habitantes, na primeira fase, chamada de supressão, são liberados 2,5 milhões de insetos por semana (250 para cada habitante). Na consolidação, o total de lançamentos cai para um milhão por semana. As duas primeiras etapas duram de quatro a seis meses, cada uma delas. Na terceira e última fase, a de manutenção, são liberados 500 mil mosquitos machos por semana.
De acordo com o Ministério da Saúde, entre 1º de janeiro e 5 de julho deste ano, o país registrou 659.051 casos de dengue, total que é 52,5% menor que o do ano passado (1.388.776 notificações). A quantidade de mortes também diminuiu. Foram 249 óbitos entre 1º janeiro e 5 de julho deste ano contra 541 no mesmo período do ano passado.
Segundo Glenn Slade, diretor global de desenvolvimento de negócios da empresa, uma cidade de 50 mil habitantes terá de desembolsar de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões por ano para aplicar os serviços, e R$ 1 milhão pelos anos seguintes, para manutenção dos insetos. Ele afirma ainda que novas unidades devem ser construídas no Brasil.
O processo de liberação é dividido em três fases. Em um plano simulado para um município de 10 mil habitantes, na primeira fase, chamada de supressão, são liberados 2,5 milhões de insetos por semana (250 para cada habitante). Na consolidação, o total de lançamentos cai para um milhão por semana. As duas primeiras etapas duram de quatro a seis meses, cada uma delas. Na terceira e última fase, a de manutenção, são liberados 500 mil mosquitos machos por semana.





No entanto, testes podem ser realizados em algumas cidades, como Piracicaba e Campinas, ambas no interior paulista.