Pesquisadores da NASA fizeram novas descobertas sobre atividades vulcânicas na Lua. Ao contrário do que se imaginava, o satélite teve vulcões ativos até um período muito mais recente da história.
Os cientistas encontraram sinais de atividade vulcânica entre 100 milhões e 50 milhões de anos atrás. A teoria anterior afirmava que os vulcões haviam aparecido na Lua há 3,5 bilhões de anos atrás e que haviam morrido há um bilhão de anos.
Esse novo período descoberto é contemporâneo ao apogeu dos dinossauros aqui na Terra.
As descobertas foram feitas graças a depósitos de sedimentos na superfície da Lua. De acordo com a NASA, eles são pequenos demais para serem vistos e analisados da Terra. As imagens para o estudo foram obtidas de duas câmeras de alta resolução que orbitam a Lua.
A existência de um número considerável de vulcões em um período mais recente do que se imaginava muda as teorias sobre o processo de formação da Lua. “Esse é o tipo de descoberta que irá literalmente fazer os geólogos reescreverem os livros sobre a Lua”, disse John Keller, um dos pesquisadores.
Os cientistas acreditavam que os vulcões que existiram entre 3,5 e um bilhão de anos eram apenas uma anomalia no nosso satélite. As novas informações sugerem que eles podem ter tido um papel muito mais importante na sua formação.
As informações mudam completamente o que se imagina sobre o interior da Lua. Para que os vulcões fossem ativos há apenas 50 milhões de anos, era preciso uma temperatura mais alta para manter as rochas derretidas sob a superfície.
Essa informação é muito importante para futuras expedições de exploração na Lua, afirma a NASA.
Exame.com
Imagem divulgada pela NASA, a agência espacial americana, mostra que desde 1970 o gelo na região Antártica não cobria uma extensão tão grande. Este é um novo recorde.
Todavia, antes que os céticos digam que não existe aquecimento global, os cientistas da NASA afirmam que este é um fenômeno que revela justamente o desequilíbrio climático do planeta.
Segundo os pesquisadores, este ganho de gelo no Polo Sul pode ter relação direta com o aumento de temperatura na Terra, que teria provocado o deslocamento de ar mais frio para a região.
“Sem nenhuma barreira geográfica ao norte, o gelo pode se expandir livremente se as condições se mostram favoráveis”, disse Walt Meier, cientista da Nasa.
Outra possível causa para o crescimento da cobertura glacial é o sistema de baixa pressão do Mar Amundsen, no Oceano Antártico, que vem apresentando alterações, levando mais vento para o continente.
Várias hipóteses estão sendo levantadas para explicar este novo recorde.
O que se sabe até agora é que, enquanto o derretimento no Ártico não para de aumentar – são perdidos em média 20 mil metros quadrados de gelo por ano -, a Antártica ganha mais cobertura.
Nas profundezas da selva do Camboja encontram-se os restos de uma vasta cidade medieval que permaneceu escondida até o século 19.
Agora, técnicas modernas de arqueologia estão revelando os segredos dessa cidade misteriosa: uma rede intrincada de templos, largas avenidas e sofisticadas obras de engenharia. E, mais incrível ainda, os arqueólogos encontraram na região uma outra cidade, ainda mais antiga - uma verdadeira "Atlântida" em plena selva do Camboja.
Em abril de 1858, um jovem explorador francês, Henri Mouhot, velejou de Londres para o sudeste da Ásia. Durante três anos de viagens, ele pesquisou e identificou exóticos insetos da floresta que ainda hoje carregam seu nome.
Em abril de 1858, um jovem explorador francês, Henri Mouhot, velejou de Londres para o sudeste da Ásia. Durante três anos de viagens, ele pesquisou e identificou exóticos insetos da floresta que ainda hoje carregam seu nome.
Mouhot morreu em Laos, em 1861, vítima de uma doença contraída na selva. Muito provavelmente, o nome do explorador teria caído no esquecimento. No entanto, um diário de viagem escrito por ele, narrando suas aventuras, foi publicado dois anos mais tarde.
O livro conquistou o público não apenas por conta de suas representações de aranhas e outros insetos. O diário de Mouhot também continha vívidas descrições de templos invadidos pela floresta, apresentando ao mundo, em todo o seu esplendor, a cidade medieval perdida de Angkor, no Camboja.
"Um desses templos, um rival do templo de Salomão, erguido por um Michelangelo da Antiguidade, mereceria lugar de honra ao lado das nossas mais belas construções. É mais grandioso do que qualquer obra deixada para nós pelos gregos ou romanos", ele escreveu.
As descrições de Mouhot ajudaram a firmar, na cultura popular, a poderosa fantasia de exploradores às voltas com templos esquecidos.
Hoje, o Camboja é famoso por essas ruínas. A maior, Angkor Wat, construída por volta de 1150, continua sendo o maior complexo religioso do planeta, cobrindo uma área quatro vezes maior do que a Cidade do Vaticano.
A cidade medieval atrai dois milhões de turistas por ano e ocupa lugar de honra na bandeira do Camboja.
Atlântida da Selva Em 1860, no entanto, Angkor Wat era conhecida apenas por monges e moradores da região. E eles não tinham a menor ideia de que esse grande templo havia sido cercado, um dia, por uma cidade com quase um milhão de habitantes.
Foi necessário quase um século de exaustivos estudos arqueológicos de campo para completar o mapa. Aos poucos, a cidade perdida de Angkor começou a ressurgir, rua após rua. Ainda assim, restavam várias lacunas em branco.
No ano passado, arqueólogos anunciaram uma série de novas descobertas sobre Angkor. E disseram ter encontrado uma cidade mais antiga ainda, escondida mais além, nas profundezas da floresta.
Uma equipe internacional, liderada pelo arqueólogo Damian Evans, da Universidade de Sydney, Austrália, tinha mapeado 370 km quadrados em torno de Angkor com uma precisão de detalhes absolutamente sem precedentes.
A metrópole que um dia existira em torno dos templos tinha sido devorada pela floresta
Foto: BBCBrasil.com
Um feito impressionante, tendo em vista a densidade da floresta e a presença de minas remanescentes da guerra civil no Camboja. Mais notável ainda, o mapeamento foi feito em apenas duas semanas.
O segredo da equipe australiana chama-se Lidar, uma tecnologia que está revolucionando a arqueologia, especialmente nos trópicos.
Embutido em um helicóptero que sobrevoou toda a selva do Camboja, o sistema Lidar emitiu um milhão de raios laser a cada quatro segundos, registrando minúsculas variações na topografia do solo.
Os arqueólogos encontraram traços da cidade entalhados no chão da floresta, com templos, ruas e elaborados aquedutos distribuídos pela região.
"Você tem essa espécie de revelação quando coloca os dados na tela pela primeira vez e lá está, essa cidade antiga, com absoluta clareza, bem na sua frente", disse Evans.
As novas descobertas transformaram profundamente nossa compreensão de Angkor, a maior cidade medieval do mundo. No seu apogeu, no final do século 12, Angkor era uma metrópole que cobria 1.000 km quadrados. (Para se ter uma ideia, Londres só alcançou esse tamanho 700 anos depois.)
Angkor foi a capital do poderoso império Khmer que, sob o comando de reis guerreiros, dominou aquela região durante séculos. Seu território cobria o que hoje entendemos como Camboja, Vietnã, Laos, Tailândia e Mianmar. Mas suas origens ainda eram mistério.
Um mapa mundi interativo e muito dinâmico – lançado durante a Cúpula do Clima, em Nova York – revela a performance (causas e riscos) de cada país no quadro das mudanças climáticas.
Neste Mapa do Carbono, é possível visualizar as nações que mais emitem gases de efeito estufa e as que estão mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas. Além disso, o aplicativo exibe as responsabilidades de cada país frente ao aquecimento global e permite comparar área, população e riqueza das nações.
As informações são exibidas de forma clara conforme a área dos países aumenta ou diminui, dependendo da métrica escolhida. A imagem abaixo é exemplo disso: ela mostra como cada região ou nação está em termos de emissões históricas – observe que os países ricos aparecem inflados, como o Reino Unido, revelando assim seu papel na Revolução Industrial movida a carvão.
Outra abordagem possível pelo mapa é a correlação de métricas. Isso significa que você pode aplicar mais de um filtro ao mapa para ver a relação entre eles por meio da distorção do tamanho dos países e de diferentes cores. As duas imagens abaixo exemplificam, respectivamente, a correlação entre a pegada de carbono e crescimento populacional (baixa) e entre crescimento populacional e pobreza (muito alta).
No entanto, o Mapa do Carbono não exibe pequenas ilhas insulares – grandes prejudicadas pelo aumento do nível do mar – porque leva em conta o número total de pessoas expostas em cada categoria, e não a proporção. Como as populações das ilhas são pequenas, as nações não aparecem no cartograma.
Produzido originalmente pelo jornalista Duncan Clark e pelo programador e matemático Robin Houston para a competição Apps for Climate 2012*, do Banco Mundial, o mapa foi adaptado recentemente para o The Guardian e lançado durante a Cúpula do Clima, realizada no final de setembro na sede da ONU, em Nova York.
A adolescente paquistanesa que desafiou o Taleban, Malala Yousafzai, e o ativista indiano que luta pela erradicação do trabalho infantil, Kailash Satyarthi, receberam nesta manhã uma das mais louváveis honrarias, o Prêmio Nobel da Paz.
Segundo o comitê responsável pela escolha da dupla, que atua separadamente, mas em prol dos direitos de crianças e jovens, 60% da população em países pobres é formada por pessoas com menos de 25 anos de idade. Portanto, é essencial que este grupo tenha seus direitos respeitados para que exista um desenvolvimento global pacífico.
Conheça o trabalho de cada um dos vencedores abaixo.
Malala Yousafzai
“Ela é o orgulho do Paquistão”, disse o primeiro-ministro paquistanês nessa manhã ao saber que a jovem Malala havia recebido o importante prêmio. “Suas conquistas não encontram paralelos e são inigualáveis. Meninas e meninos em todo o mundo devem se inspirar em sua luta e comprometimento”, continuou Nawaz Sharif.
Malala se tornou nesta manhã a mais jovem pessoa a receber o Nobel da Paz. Nascida em 1997 em uma pequena cidade no interior paquistanês, a adolescente se tornou um ícone na luta pelo direito de meninas à educação.
Em seu blog, “Diário de uma estudante paquistanesa”, a jovem expressava o amor pelos livros e também as dificuldades de permanecer na escola. E um dos motivos era a pressão dos extremistas do Taleban.
O grupo dominava o Vale do Swat, região paquistanesa onde Malala cresceu. Por lá, mandou fechar mais de 150 escolas para meninas e explodiu tantas outras. Mesmo diante do violento cenário, Malala não se calou.
Seu engajamento causou a ira do grupo. Em 2012, a adolescente levou um tiro na cabeça ao voltar da escola na companhia de amigas. Há poucas semanas, foram presos dez homens acusados de terem participado no atentado.
Kailash Satyarthi
Fortemente influenciado pela luta pacífica de outro ídolo indiano, Mahatma Gandhi, Satyarthi deixou para trás uma consolidada carreira como engenheiro nos anos 80 para se engajar na batalha contra a exploração do trabalho infantil.
Em 1998, o ativista liderou uma marcha pacífica que acabou se espalhando por todo o mundo e terminou em Genebra, justamente quando se iniciava um encontro mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O resultado foi a produção da Convenção 182, que explora as piores formas de trabalho infantil e seus impactos no futuro destas vítimas. O documento foi ratificado por 177 dos 182 países membros da OIT.
Pois o sucesso da marcha fez com que Sayarhi a transformasse em uma organização não governamental (ONG), a Global March Against Child Labor (Marcha Global Contra o Trabalho Infantil).
Além do resgate de crianças em situação de risco, a entidade se propõe também a fazer com que voltem para a escola. Desde a fundação da organização, estima-se que quase 80 mil crianças tenham sido retiradas de condições exploratórias.
Difícil de enxergar. Difícil de respirar. Nos últimos dias, os níveis de poluição em várias cidades chinesas, incluindo a capital Pequim, superaram em 20 vezes o limite considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
As cenas do "arpocalipse" se repetem há pelo menos três dias. Na megalópole, pessoas caminham com máscaras de proteção em meio aos prédios, ruas, praças e monumentos engolidos pela espessa mistura de fumaça e poeira, que tampa o sol e faz o dia parecer noite.
O principal vilão do ar são as chamadas PM2,5, partículas finas e inaláveis de poeira com diâmetro inferior a 2,5μm resultantes da combustão incompleta de combustíveis fósseis utilizados pelos veículos automotores e das usinas a carvão (a China é o país mais faminto por carvão para suprir suas necessidades energéticas, seguida pelos EUA).
Devido ao pequeno diâmetro, essas particulas ficam em suspensão no ar e penetram profundamente no aparelho respiratório, instalando-se nos alvéolos pulmonares e bronquíolos, podendo causar sérios danos à saúde.
Ontem, em algumas regiões, a concetração de PM 2,5 no ar chegou a 445 microgramas por metro cúbicos. Segundo da OMS, é nociva a exposiçãoao longo de 24 horas a concentraçõessuperiores a25.
Um estudo publicado em 2013 indicou que a poluição reduzirá em 5,5 anos a expectativa de vida de quem mora no Norte do pais, em comparação aos vizinhos do Sul. Combinados, os 500 milhões de habitantes da região deverão perder mais de de 2,5 bilhões de anos de vida pela exposição à poluição.
Em um artigo publicado na seção de opinião do jornal norte-americano The New York Times, em 19 de setembro, Nadine Unger, professora da Yale University, afirmou serem fracas as evidências científicas sobre os benefícios proporcionados pelo reflorestamento e pela redução do desmatamento na mitigação das mudanças climáticas.
O texto causou forte reação na comunidade científica. No dia 22 de setembro, um grupo formado por 31 pesquisadores – vários deles membros do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) – divulgou uma carta aberta na qual discordam veementemente das declarações feitas por Unger.
Uma versão resumida do texto foi publicada na seção de opinião do The New York Times no dia 23 de setembro, mesma data em que começou em Nova York a Cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Clima.
Na carta resposta, o grupo de cientistas contesta a afirmação de Unger, de que estaria incorreta a “sabedoria convencional” segundo a qual o plantio de árvores auxilia no combate ao aquecimento global. Na avaliação dela, a medida poderia até mesmo agravar o problema climático.
De acordo com os cientistas, as florestas promovem um efeito de resfriamento do clima porque armazenam vastas quantidades de carbono em troncos, galhos, folhas e são capazes de manter esse elemento químico fora da atmosfera enquanto permanecerem intactas e saudáveis.
Segundo o grupo, as florestas também resfriam a atmosfera porque convertem a energia solar em vapor d’água, o que aumenta a refletividade da radiação solar por meio da formação de nuvens, fato negligenciado no trabalho de Unger. Concordam, em parte, com a afirmação da professora de Química Atmosférica em Yale, de que “as cores escuras das árvores absorvem maior quantidade de energia solar e aumentam a temperatura da superfície terrestre".
Unger afirmou que plantar árvores nos trópicos poderia promover o resfriamento, mas em regiões mais frias causaria aquecimento.
“Ela (Unger) aponta corretamente que florestas refletem menos energia solar do que a neve, as pedras, as pastagens ou o solo, mas ignora o efeito das florestas de aumentar a refletividade do céu acima da terra, por meio das nuvens. Esse efeito é maior nos trópicos”, afirmaram os cientistas.
Unger disse não haver consenso científico em relação aos impactos da mudança de uso da terra promovida pela expansão da agricultura e se o desmatamento resultante teria contribuído para esfriar ou aquecer o planeta.
“Não podemos prever com certeza que o reflorestamento em larga escala ajudaria a controlar as temperaturas em elevação”, disse ela. Argumentos semelhantes já haviam sido apresentados pela cientista em artigo publicado em agosto na Nature Climate Change.
Ainda segundo Unger, os compostos orgânicos voláteis (VOCs, na sigla em inglês) emitidos pelas árvores em resposta a estressores ambientais interagem com poluentes oriundos da queima de combustíveis fósseis aumentando a produção de gases-estufa como metano e ozônio.
Por último, a cientista de Yale afirmou que o carbono sequestrado pelas árvores durante seu crescimento retorna à atmosfera quando elas morrem e que o oxigênio produzido durante a fotossíntese é consumido pela vegetação durante a respiração noturna. “A Amazônia é um sistema fechado que consome seu próprio carbono e oxigênio”, argumentou.
Benefícios indiscutíveis
A carta resposta divulgada pelos cientistas ressalta que os próprios estudos de Unger mostraram que qualquer potencial efeito de resfriamento promovido pela redução das emissões de compostos orgânicos voláteis resultante do corte de árvores seria superado pelo efeito de aquecimento promovido pelas emissões de carbono causadas pelo desmatamento.
“Esta semana, as negociações das Nações Unidas sobre o clima abordam a importância de dar continuidade aos esforços para frear a degradação das florestas tropicais, que são uma contribuição essencial e barata para a mitigação das mudanças climáticas. A base científica para essa importante peça da solução do problema climático é sólida. Nós discordamos fortemente da mensagem central da professora Unger. Concordamos, no entanto, com a afirmação feita por ela de que as florestas oferecem benefícios indiscutíveis para a biodiversidade”, concluem os cientistas.
O grupo de autores é liderado por Daniel Nepstad, diretor executivo do Earth Innovation Institute, dos Estados Unidos, um dos fundadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e um dos autores do quinto relatório divulgado pelo IPCC.
Também fazem parte do grupo Reynaldo Victoria, professor da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, e Paulo Artaxo, professor da USP e um dos autores do quinto relatório do IPCC.
“O artigo divulgado por Unger na revista Nature Climate Change tem erros elementares e não leva em conta aspectos fundamentais, como a importância das florestas tropicais na formação de nuvens, que altera a refletividade da superfície e também atua no controle do ciclo hidrológico”, disse Artaxo à Agência FAPESP.
“Esse episódio mostra como a ciência, quando negligencia aspectos importantes, pode ser muito prejudicial do ponto de vista de políticas públicas. Reflorestamento e redução do desmatamento são umas das melhores estratégias de redução dos efeitos do aquecimento global”, afirmou.
O pH dos oceanos aumentou 26% em média nos últimos 200 anos, ao absorver mais de um quarto das emissões de CO2 geradas pela atividade humana, adverte um relatório publicado nesta quarta-feira, em Seul.
Pesquisadores ligados à Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) analisaram centenas de estudos existentes sobre este fenômeno para redigir o documento que apresentaram em Pyeongchang (Coreia) por ocasião da 12ª reunião da convenção das Nações Unidas sobre a proteção da biodiversidade.
O relatório destaca a gravidade do fenômeno, que apresenta uma rapidez sem precedentes e um impacto muito variado, que seguirá aumentando nas próximas décadas.
"É inevitável que entre 50 e 100 anos as emissões antropogênicas de dióxido de carbono elevem a acidez dos oceanos a níveis que terão um impacto enorme, quase sempre negativo, sobre os organismos marinhos e os ecossistemas, assim como sobre os bens e serviços que proporcionam", destacam os cientistas.
A acidez dos oceanos varia naturalmente ao longo do dia, das estações, do local e da região, mas também em função da profundidade da água. "Os ecossistemas das costas sofrem uma maior variabilidade do que os que estão em alto mar", destacam os pesquisadores.
Alguns trabalhos revelam que a fertilização de certas espécies é muito sensível à acidificação dos oceanos, enquanto outras são mais tolerantes.
Os corais, moluscos e equinodermos (estrelas do mar, oriços, pepinos do mar e etc) estão particularmente afetados por esta mudança, que reduz seu ritmo de crescimento e sua taxa de sobrevivência, mas algumas algas e microalgas podem se beneficiar, do mesmo modo que alguns tipos de fitoplânctons.
O relatório destaca o impacto sócio-econômico já visível em algumas regiões do mundo: na aquicultura do noroeste dos Estados Unidos e na criação de ostras.
Os riscos para as barreiras de coral nas zonas tropicais também são uma "enorme preocupação, já que envolvem a subsistência de 100 milhões de pessoas, que dependem destes habitats".
Segundo os pesquisadores, "apenas a redução das emissões de CO2 permitirá deter o problema".
A arte das cavernas asiáticas tem 40.000 anos e é tão antiga quanto a europeia, revela um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature. A descoberta contesta a tese aceita até o momento de que essa arte teria surgido na Europa.
A nova datação das pinturas da ilha Sulawesi, na Indonésia, feita por uma equipe de cientistas australianos e indonésios, mostra que elas têm até 39.900 anos, sendo apenas 900 anos mais recentes que a primeira representação conhecida, um disco vermelho desenhado na gruta El Castillo, no norte da Espanha.
"Nosso estudo demonstra que, quase ao mesmo tempo, havia homens do outro lado do mundo que faziam pinturas de animais tão notáveis como as das grutas da França ou da Espanha durante a Era Glacial", diz o arqueólogo Maxime Aubert, da Universidade de Griffith, na Austrália, um dos autores da pesquisa.
Pinturas antigas — As cavernas decoradas de Maros, situadas no sul de Sulawesi, foram descobertas nos anos 1950. No entanto, durante muito tempo, acreditou-se que elas tivessem menos de 10.000 anos por causa da erosão rápida típica desta região tropical, que destruiria os desenhos.
Para descobrir a idade das catorze pinturas — doze desenhos de marcas de mãos humanas e duas representações figurativas de animais — a equipe de arqueólogos mediu os isótopos radioativos nas formações rochosas onde os desenhos foram feitos, com uma técnica chamada urano-tório, e descobriu que têm entre 39.900 anos e 17.400 anos. Os pesquisadores ressaltam que os testes efetuados revelam apenas a idade mínima das amostras e, por isso, elas podem ser ainda mais antigas.
A pintura de maior idade corresponde à marca de uma mão humana, pintada em negativo com o uso de uma técnica similar ao estêncil. Outro desenho que chamou a atenção dos arqueólogos foi a representação de um babirusa (Babyrousa babyrussa), um porco selvagem asiático parecido com o javali, que data de pelo menos 35.400 anos. A pintura figurativa mais antiga encontrada na Europa é de um rinoceronte da gruta Chauvet (França), que teria 35.000 anos.
"A arte das cavernas é um dos primeiros indícios da capacidade de abstração, o princípio do ser humano tal como conhecemos", afirmou Thomas Sutikna, arqueólogo da Universidade de Wollongong, na Austrália, um dos autores do estudo.
Arte em todo mundo — O estudo levanta a hipótese de que a arte das cavernas tenha aparecido de forma independente, aproximadamente no mesmo momento em dois extremos da distribuição geográfica dos primeiros homens modernos.
Outra ideia é que esse tipo de arte estivesse amplamente difundido entre os primeiros Homo sapiens que deixaram a África dezenas de milhares de anos antes da data das pinturas. Assim, os animais pintados, encontrados nas cavernas de Maros e na gruta Chauvet teriam suas raízes fora de Europa e Indonésia e, neste caso, seria possível encontrar outras pinturas assim em outras partes do mundo.
Os cientistas japoneses Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e o japonês naturalizado americano Shuji Nakamura são os vencedores do prêmio Nobel de Física de 2014. A Academia Real de Ciências da Suécia premiou os pesquisadores pela invenção do LED azul, “que permitiu a criação de fontes de luz branca brilhantes e eficientes”, de acordo com o anúncio, feito na manhã desta terça-feira.
“No espírito de Alfred Nobel, o prêmio reconhece uma invenção de grande proveito para a humanidade; com o uso do LED azul, a luz branca pôde ser criada de uma nova forma. Com o advento de lâmpadas de LED hoje temos alternativas mais duradouras e eficientes a antigas fonte de luz”, diz o comunicado do comitê do Nobel no Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia. “Sua invenção foi revolucionária. Lâmpadas incandescentes iluminaram o século XX. O século XXI será iluminado por lâmpadas LED.”
Desde os anos 1960, a indústria contava com LEDs vermelhos e verdes — no entanto, sem o componente azul, eles não podiam ser transformados em luz branca e, por isso, esse tipo de energia não podia ser usado na iluminação comum. Foi apenas na década de 1990, com a criação e produção do LED azul pelos três cientistas, que teve início uma grande transformação na área da iluminação. As lâmpadas de LED que surgiram a partir de então são mais eficientes, econômicas e sustentáveis que os bulbos incandescentes ou fluorescentes.
Akasaki trabalha com Amano na Universidade de Nagoya, no Japão, enquanto Nakamura é pesquisador na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos. Desde os anos 1990, os três desenvolvem pesquisas juntos e também de maneira independente na área de compostos semicondutores, que levaram à descoberta do LED azul. Cada um deles vai receber um terço do prêmio de 8 milhões de coroas suecas (cerca de 2,7 milhões de reais).
Luz econômica — O LED (Light-Emitting Diode ou Diodo Emissor de Luz) é um dispositivo eletrônico que transforma eletricidade em luz usando o movimento dos elétrons. São várias camadas de material semicondutor que recebem uma corrente elétrica. A tecnologia é antiga: foi criada na Rússia na década de 1920 e popularizou-se nos Estados Unidos nos anos 1960. No entanto, no início, era usada apenas em pequenos dispositivos, como calculadoras e placas de circuitos. Foi a descoberta da luz azul de LED por Akasaki, Amano e Nakamura que tornou possível transformar o LED em luz branca e, assim, ser usado como iluminação.
Hoje, a tecnologia é usada em televisores, monitores de computador, lanternas, telas de celulares e é muito econômica: tem eficiência energética quatro vezes maior que as lâmpadas fluorescentes e dezoito vezes maior que as incandescentes.
De acordo com a Academia, como cerca de um quarto da energia mundial é usada para a iluminação, o uso das lâmpadas de LED é uma grande contribuição para a economia de recursos do planeta. Além disso, a tecnologia é uma grande promessa para a cerca de 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo que não têm acesso a redes elétricas — devido a seu pequeno consumo, esse tipo de luz pode usar a energia solar.
Nobel — No ano passado, o Nobel de Física foi dado aos cientistas Peter Higgs e François Englert que previram, nos anos 1960, o bóson de Higgs, descoberta comprovada pelo Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), o maior acelerador de partículas do mundo. Em 2012, o prêmio agraciou um cientista americano e um francês por seus experimentos que permitiram medir e manipular partículas quânticas sem destruí-las.
Nesta segunda, o Instituto Karolinska anunciou os vencedores da categoria de Medicina, os neurocientistas John O’Keefe, americano, May-Britt Moser e Edvard Moser, ambos noruegueses, por suas descobertas sobre células que constituem um sistema de “GPS” do cérebro. Nesta semana, serão anunciados ainda os vencedores das categorias de Química (na quarta-feira), Literatura (na quinta-feira) e o da Paz (na sexta-feira). O Nobel de Economia será anunciado na semana que vem.
Arqueólogos podem ter encontrado, na Europa, o ponto exato de onde Cristóvão Colombo saiu em direção ao continente americano. Um grupo que realiza escavações há dois meses nas proximidades de La Fontanilla, na cidade espanhola de Palos de la Frontera, descobriu diferentes tipos de materiais artesanais e de pesca no local que, ao que tudo indica, foi o ponto de partida das três caravelas do navegador, em 1492.
A descoberta é relevante porque dá pistas sobre um dos episódios mais importantes da história mundial. Em 1908, o então cônsul da Argentina, Enrique Martínez Ituño, que morava em Palos de la Frontera, já falava da importância de encontrar e recuperar esse porto.
As primeiras evidências de que esse local foi o ponto de partida de Colombo à América surgiram em 1992, mas somente agora pesquisadores conseguiram reunir provas consistentes para verificar a possibilidade.
Evidências — Os trabalhos de escavações estão sendo coordenados pelo professor de arqueologia Juan Miguel Campos. Segundo ele, o porto, diferente do que muitos acreditavam, já tinha espaço suficiente para comportar as caravelas desde a época de Colombo. “Era um porto natural, protegido dos ventos e afastado das correntes, além de ser econômico porque permitia, sem muita dificuldade, a carga e descarga de mercadorias”, diz.
Campos e sua equipe descobriram, no local, sete fornos nos quais eram produzidos objetos de cerâmica, tijolos, alimentos e cal – o que fez do porto “um complexo único na Espanha” naquela época. O grupo ainda encontrou lugares onde eram abandonadas produções defeituosas, revelando que lá eram feitas peças de cozinha, mesas e réplicas de peças de cerâmica.
O trabalho da equipe será concluído no próximo mês. Após esse período, segundo Campos, será necessário realizar um trabalho intenso para “verificar os milhares de dados encontrados e juntar cada vez mais informações sobre o histórico do porto”. O professor considera que, independentemente dos vestígios arqueológicos, esse porto deve ser considerado como um local histórico – o que, de acordo com ele, já está sendo considerado pela prefeitura de Palos de la Frontera.
Um Cristo sem barba, de cabelos curtos e vestindo uma túnica. Gravada em um prato de vidro do século IV, esta atípica representação - uma das mais antigas do cristianismo - foi descoberta por uma equipe de arqueólogos na Espanha.
Durante três anos, os cientistas foram encontrando pequenos fragmentos de vidro sob as ruínas de um prédio dedicado ao culto religioso na jazida arqueológica da antiga cidade ibero-romana de Cástulo, no sul da Espanha.
Mas foi em julho, quando foram encontrados alguns fragmentos que, "por seu tamanho e pelos desenhos que continham", permitiram reconhecer que se tratava de "um documento arqueológico excepcional", explicou à AFP o chefe do projeto, Marcelo Castro.
Depois de colados, os fragmentos revelaram o que os especialistas consideram uma pátena, disco destinado a receber o pão consagrado para a Eucaristia, feita de vidro verde com 22 cm de diâmetro por 4 cm de profundidade, que pôde ser reconstituída em mais de 80%.
Pintada nele, distingue-se a imagem de três personagens com auréolas: no centro, um Cristo imberbe, de cabelo curto e encaracolado, segurando uma grande cruz em uma mão e uma Bíblia aberta na outra. Ao seu lado, dois apóstolos que poderiam ser Pedro e Paulo.
Mais que um retrato fiel, trata-se, segundo Castro, de um modelo artístico arcaico, denominado "alexandrino", próprio de uma etapa remota do cristianismo que, recém-egresso da clandestinidade, ainda contava com poucas imagens.
"Este tipo seria abandonado mais adiante na tradição cristã e daria-se preferência a outras formas de representar Cristo. Mas ele está presente nos primeiros momentos do cristianismo", depois de que, graças ao imperador romano Constantino I (306-337), ele foi legalizado e deixou de ser "uma religião literalmente subterrânea", acrescentou.
As pátenas eram feitas em vidro e não em metais preciosos, como posteriormente.
Para estes arqueólogos, que consultaram grandes especialistas em vidro antigo de Espanha, Itália e Grécia, a peça foi fabricada "em Roma, sem dúvida, possivelmente em Ostia, onde os especialistas consideram que ficavam os ateliês de trabalhos em vidro", disse Castro.
Há no mundo algumas peças similares, como um cálice exibido no Museu do Louvre e um vidro dourado do Toledo Museum of Art de Ohio, nos Estados Unidos, explicou.
Um eclipse da Lua, fenômeno também conhecido como 'Lua de sangue' deve acontecer no início da manhã desta quarta-feira (8). Este é o segundo eclipse lunar total dos quatro que devem ocorrer entre este ano e o ano que vem.
Caso as condições ambientais permitam, o eclipse deve ser visível a observadores na América do Norte, Austrália, oeste da América do Sul e partes do leste da Ásia.
No Brasil, de acordo com o astrônomo Cássio Barbosa, professor da Universidade do Vale do Paraíba e autor do blog Observatório, do G1, o fenômeno será mais visível no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazônia, Rondônia, Acre e oeste do Pará. Porém, a visibilidade não deve ser muito boa e durará pouco tempo, atingindo o pico entre 6h e 6h30. A melhor visibilidade, segundo o astrônomo, será no Pacífico.
Para quem quiser ver o fenômeno online, a agência espacial americana (Nasa) vai transmitir ao vivo o eclipse e também uma conversa com especialistas sobre o tema a partir das 2h da manhã (horário de Brasília).
Um eclipse lunar ocorre quando a Terra faz uma sombra que bloqueia a luz solar que normalmente é refletida na Lua. O fenômeno ocorre quando Sol, Terra e Lua estão alinhados.
A cor avermelhada, que rendeu o apelido de "Lua de sangue" ao eclipse lunar, tem origem na passagem dos raios solares pela atmosfera da Terra, dispersando a luz vermelha e laranja.
Os esforços internacionais voltados para conservação e uso sustentável da biodiversidade estão muito abaixo do necessário para cumprir as metas estabelecidas para 2020, segundo um levantamento divulgado nesta segunda-feira, 6, pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas.
De um total de 56 objetivos previstos nas Metas de Biodiversidade de Aichi, apenas 5 (menos de 10%) estão a caminho de serem cumpridos dentro do prazo. Na maioria dos casos, a tendência é que as metas não sejam alcançadas.
O diagnóstico faz parte da quarta edição do Panorama Global da Biodiversidade (GBO4, em inglês), um relatório sobre o "estado de saúde" da vida no planeta, publicado pela CDB.
A edição anterior (GBO3) trouxe a má notícia de que a meta estipulada em 2002, de "reduzir significativamente o ritmo global de extinção de espécies até 2010", não fora cumprida. E o GBO4, agora, faz o alerta de que, se as coisas continuarem como estão, as Metas de Aichi também não serão cumpridas.
"A boa notícia é que (os países) têm progredido e assumido compromissos concretos para implementação das metas. Entretanto, o GBO4 nos mostra que esse esforço precisa ser redobrado", diz o secretário executivo da CDB, o brasileiro Braulio Dias, na introdução do relatório. O documento foi divulgado hoje para coincidir com a abertura da 12.ª Conferência das Partes (COP12), em Pyongyang, na Coreia do Sul.
As Metas de Aichi foram criadas no Japão, em 2010, durante a COP10. São ao todo 20, subdivididas em um total de 56 objetivos, relacionados a temas como a proteção de espécies ameaçadas, a recuperação de ecossistemas degradados, a criação de áreas protegidas, o fim do desmatamento, a redução da poluição e a educação sobre a importância da biodiversidade.
Preocupação maior. Os objetivos que estão mais longe de serem alcançados são os que dizem respeito à conservação de espécies e ecossistemas essenciais.
"A perda de hábitats florestais foi significativamente freada em alguns lugares, como no Brasil. No entanto, o desmatamento continua a crescer em várias regiões tropicais e hábitats de todos os tipos continuam a ser fragmentados e degradados", diz o relatório.
As cinco metas bem encaminhadas para 2020 referem-se à proteção de ambientes terrestres (meta de 17%), ao aumento do conhecimento científico sobre a biodiversidade, à formulação de planos estratégicos nacionais e à implementação do Protocolo de Nagoya, sobre recursos genéticos e repartição de benefícios, que entrará em vigor nesta conferência.
Agrupamento recorde com mais de 35 mil morsas foi avistado, esta semana, em praia próxima à aldeia esquimó Point Lay, no noroeste do Alasca, nos Estados Unidos. O registro aéreo foi feito no dia 27 de setembro, pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), durante levantamento sobre mamíferos marinhos no Ártico.
De acordo com o órgão, os animais procuravam por mares congelados para descansar, mas se instalaram em terra firme quando não encontraram, graças ao derretimento progressivo de gelo, provocado pelas mudanças climáticas.
Além disso, cerca de 50 carcaças de morsas – animais ameaçados de extinção por conta do derretimento das geleiras – foram encontradas na praia na semana passada. Segundo cientistas, é possível que tenham sido mortas durante uma debandada.
Recente relatório da NASA aponta que setembro deste ano registrou a sexta menor área de gelo desde 1978, quando começaram as medições.
A primeira vez em que um grupo grande de morsas foi avistado na praia em foi 2007, no lado norte-americano do Mar Chukchi. Em 2009 e 2011, também foram vistas aglomerações próximas a Point Lay com cerca de 30 mil indivíduos da espécie.
A temperatura média das águas frias dos oceanos parou de aumentar desde 2005, o que traz novos questionamentos aos cientistas sobre por que o aquecimento global parece ter diminuído nos últimos anos, apesar do aumento das emissões de gases causadores de efeito estufa.
Uma das principais hipóteses apresentadas até agora para explicar este paradoxo é que o calor acumulado pelos oceanos desceu a grandes profundidades.
Os cientistas da Nasa, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) em Pasadena (Califórnia, oeste), analisaram a temperatura dos oceanos entre 2005 e 2013, com base em medições realizadas com satélites e diretamente em águas oceânicas, com 3.000 boias distribuídas por todo o mundo.
"Descobriram que sob os 1.995 metros praticamente não houve mudanças de temperatura durante este período", destacaram no trabalho publicado na revista britânica Nature.
Apesar disso, "o nível dos oceanos continuou subindo", principalmente devido ao degelo no Polo Norte e na Groenlândia, destacou Josh Willis, da missão JPL e co-autor da pesquisa.
No entanto, o especialista considera o fenômeno inexplicável não põe em dúvida a realidade do aquecimento global. "Estamos apenas tentando entender este mecanismo", acrescentou.
No século XXI, os gases de efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono (CO2) produzido pela queima de combustíveis fósseis, continuaram se acumulando na atmosfera, como aconteceu no século anterior.
A temperatura das águas superficiais nos oceanos (até 700 metros de profundidade) continua aumentando, mas não muito rapidamente.
Um estudo publicado em 21 de agosto na revista Science já tinha mencionado essa tese, destacando que uma corrente cíclica que se desloca lentamente no Atlântico e transporta o calor entre os polos, ganhou intensidade no começo do século XXI, fazendo com que o calor seja absorvido pelas águas a 1.500 metros de profundidade.
Cientistas identificaram uma grande forma retangular enterrada logo abaixo da superfície da lua. A estrutura tem 2.500 quilômetros e seria um vestígio de vales antigos cercados por penhascos que posteriormente foram inundados por lava.
Centrada na região lunar conhecida como Oceanus Procellarum, a estrutura só fica evidente em mapas gravitacionais adquiridos pela missão Grail da Nasa em 2012.
Mas agora que sua existência é conhecida é possível identificar seu contorno sutil até em fotos comuns.
Mare Frigoris, por exemplo, uma listra negra conhecida há muito tempo na superfície lunar é evidentemente uma parte do antigo sistema de vales lunar.
"É impressionante como essa estrutura é grande", afirma o professor Jeffrey Andrews-Hanna, da Escola de Minas do Colorado.
Ela cobre cerca de 17% da superfície da Lua. E se você pensar nisso em termos relativos ao tamanho da Terra, ele cobriria uma área equivalente à da América do Norte, Europa e Ásia juntas", disse à BBC.
"Quando vimos pela primeira vez nos dados da Grail, ficamos impressionado com o tamanho, a clareza da imagem e com o quanto ela era inesperada".
"Ninguém nunca pensou em ver um quadrado ou um retângulo dessa escala em qualquer planeta".
Mas como essa estrutura extraordinária se formou?
A equipe de Andrews-Hanna perceberam que a região do Procellarum contém muitos elementos radioativos, como urânio, tório e potássio.
Eles teriam aquecido a crosta nas eras mais antigas da Lua e se contraíram ao se resfriar.
Esse processo, segundo eles, teria rasgado a superfície, abrindo grandes vales – o que teria resultado nas formas geométricas.
Na Terra, o resfriamento e contração produz preferencialmente hexágonos que contém ângulos de 120 graus.
O famoso Giant’s Causeway (Caminho dos Gigantes) na Irlanda é um exempli clássico, em pequena escala. Mas mesmo em estruturas maiores, como os vales do leste da África, linhas geológicas tendem a se dividir dessa forma.
Ocorre o mesmo com o retângulo gigante de Procellarum – porque toda a forma fica sobre uma área esférica. Isso significa que os ângulos são mais agudos que 90º.
"O que estamos vendo é um truque inteligente da geometria esférica. Para estruturas dessa escala, um polígono com ângulos de mais de 120 º nos cantos têm quatro lados ou invés de seis", disse Andrews-Hanna.
Lava vulcânica
A equipe não sabe dizer quando as fissuras aconteceram, mas a verificação da idade das rochas coletadas na Lua pela Apollo sugerem que os vales se encheram de lava vulcânica há 3,5 bilhões de anos.
O novo estudo tenta resolver dúvidas sobre as origens do Procellarum, que é diferente de outras regiões da Lua. A origem dela estaria mais relacionada a colisões de asteroides.
O estudo é prova do valor da missão Grail, liderada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A missão consistia de dois satélites que ficaram na órbita da Lua por cerca de um ano. Eles mapearam mudanças na intensidade da gravidade enquanto sobrevoavam áreas de massas diferentes.
Altas montanhas apresentam sinais diferentes daqueles encontrados em grandes depressões. Mas a análise também revela as localizações de áreas com diferentes tipos e densidades de rochas.
No caso do Procellarum, a Grail detectou um excesso de massa decorrente de presença de lava basáltica que encheu os vales.
Oito anos depois de ser destronado da condição de planeta, Plutão, o mundo mais distante do Sol ˗˗ ainda que sua órbita acentuadamente elíptica faça com que periodicamente ele invada o interior da órbita de Netuno ˗˗ pode retomar seu antigo status.
Ao menos é o que pretende o Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (CfA), entidade que nasceu em 1973 de uma parceria entre a Smithsonian Institution e a Harvard University com sede em Cambridge, no estado de Massachusetts, no nordeste dos Estados Unidos.
Quem anunciou a disposição de trazer Plutão de volta ao colar planetário, em lugar de relegá-lo à condição de planeta-anão, o que significa colocá-lo no grupo de objetos transnetunianos, foi a responsável pelas relações públicas do CfA, Christine Pulliam.
Desde a mudança, ocorrida em 2006, durante uma reunião da União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) em Praga, na Eslováquia, essa iniciativa não foi completamente digerida pela comunidade astronômica. Em especial pela comunidade astronômica americana.
As razões por trás dessa resistência são basicamente duas, ainda que não se restrinjam a esse número.
Uma delas está relacionada a certo prestígio nacional. Foi um astrônomo amador americano, Clyde Tombaugh (1906-1997), quem identificou num processo manual, a posição de Plutão, em 1930, ao final de uma longa peregrinação pelo céu.
A segunda resistência vem da equipe americana ligada à missão New Horizons que chega a Plutão em 2015 e é a primeira a visitar esse mundo gelado e distante, até agora apenas investigado com a ajuda de telescópios de superfície ou orbitais.
Mas há outros argumentos, entre eles o apresentado pelo astrônomo planetário e historiador da ciência, Owen Gingerich, que presidiu o comitê de definições de planetas da IAU.
Conceito cultural
Gingerich argumenta que “planeta é uma palavra culturalmente definida que muda com o tempo”, para defender a condição planetária de Plutão que precisa de 248 anos para completar uma volta em torno do Sol.
Isso significa que um ano de Plutão equivale a 248 anos terrestres.
Com Caronte, sua lua principal e pelo menos mais quatro satélites naturais descobertos mais recentemente ˗˗ Nix e Hidra, identificadas pelo Telescópio Espacial Hubble, em maio de 2005 e Cérbero e Estige, identificados em 2011 e 2012 ˗˗ gira em torno de seu eixo com inclinação de 120 graus, contra os aproximadamente 23,5 graus da Terra.
“Como a IAU considerou Plutão na condição de planeta durante tanto tempo e então decidiu rebaixá-lo à categoria de planeta-anão em 2006?” questiona Gingerich, para quem o que ocorreu foi uma manobra caracterizada por “abuso de linguagem” na tentativa de definir o que é um planeta.
Gareth Williams, diretor associado do Minor Planet Center, discorda de Gingerich e apóia o destronamento de Plutão com base em argumentos de que planetas são “corpos esféricos que orbitam o Sol e limparam seu caminho”.
Já Dimitar Sasselov, astrônomo de origem búlgara e diretor da Harvard Origins of Life Initiative, argumenta que “um planeta é a menor massa de matéria esférica que se forma ao redor de estrelas ou restos estelares” definição que, no entender dele, devolve o status retirado há oito anos de Plutão.
A forma esférica de corpos celestes resulta de sua massa, que produz um campo gravitacional capaz de fazer com que cada ponto em sua superfície esteja à mesma distância do centro.
Ainda que a rotação desses corpos deforme ligeiramente essa esfera e possa fazer dela um oblóide, como ocorre com a Terra, ou seja, uma esfera ligeiramente achatada no equador, devido às forças centrífugas de um corpo em rotação.
A história do Lowell Observatory
Devolver a Plutão sua condição de planeta talvez conforte os mais saudosistas sem, com isso, comprometer a terminologia científica. Até porque a limpeza orbital a que muitos deles se referem não ocorreu de forma completa em relação à Terra, por exemplo.
Além disso, Plutão foi identificado a partir do Lowell Observatory, em Flagstaff, no Arizona, criado por Percival Lowell (1855-1916), um dos entusiastas da vida inteligente em Marte.
Lowell foi um determinado defensor da ideia deturpada de uma consideração feita originalmente pelo astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli (1835-1910) sobre canais artificiais na superfície marciana.
No Lowell Observatory esteve, na condição de diretor, outro astrônomo injustiçado pela história da ciência: Vesto Merlin Slipher (1875-1969) o verdadeiro autor da ideia da expansão do Universo, comumente atribuída a Edwin Powell Hubble (1989-1953).
Na verdade, Hubble se deu conta dessa possibilidade numa palestra feita por Slipher em que esteve presente e, em fins dos anos 20, fotografou o que foi chamado de “fuga das galáxias”, na companhia de Milton Humason (1891-1972).
Humason foi um antigo tropeiro que transportou cargas para a construção do Observatório de Mount Palomar, convertido por talento e prática em um “fotógrafo das estrelas”.
Um estudo publicado na revista Nature Communications revelou que a bactéria Salmonella enterica é capaz de produzir uma proteína muito semelhante à alfa-2-macroglobulina humana, que desempenha um papel-chave em nosso sistema imunológico.
A hipótese levantada pelos pesquisadores do Instituto de Biologia Estrutural (IBS) de Grenoble, na França, é de que também nas bactérias as macroglobulinas poderiam fazer parte de um sistema de defesa rudimentar. Se a teoria for confirmada por estudos futuros, essas proteínas podem se tornar alvos para o desenvolvimento de novos antibióticos.
“O mais fascinante é que as macroglobulinas são proteínas imensas, formadas por quase 1.700 resíduos de aminoácidos. Para a bactéria sintetizar uma molécula tão grande é porque ela deve ter um papel muito importante”, afirmou a brasileira Andréa Dessen, pesquisadora do IBS e coordenadora, no Laboratório Nacional de Biociência (LNBio), em Campinas, de um projeto apoiado pela FAPESP por meio do programa São Paulo Excellence Chairs (SPEC).
No organismo humano, a missão da alfa-2-macroglobulina é detectar e neutralizar proteases secretadas por microrganismos invasores, disse a pesquisadora. As proteases são enzimas que quebram as ligações entre os aminoácidos das proteínas.
“A macroglobulina impede, dessa forma, que as proteases dos invasores destruam os tecidos do organismo, o que permitiria a infecção de tecidos mais profundos”, explicou.
Além disso, a alfa-2-macroglobulina também se liga a proteases que participam do processo de coagulação sanguínea, evitando que proteínas importantes sejam destruídas indevidamente.
Em estudos anteriores, nos quais o genoma de diversas espécies de bactérias foi sequenciado, pesquisadores alemães já haviam observado a presença do gene da macroglobulina. No IBS, o grupo liderado por Dessen já havia feito a caracterização bioquímica da proteína produzida pelas espécies Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa.
“Agora, de maneira inédita, estudamos a estrutura tridimensional da macroglobulina secretada pela Salmonella enterica por uma técnica conhecida como cristalografia de raios X, que permite visualizar detalhes em nível atômico. E pudemos confirmar que, de fato, ela é muito parecida com a macroglobulina humana”, contou Dessen.
De acordo com a pesquisadora, a descoberta reforça a hipótese de que a alfa-2-macroglobulina tem o papel de proteger a bactéria das proteases secretadas por outras bactérias ou pelo organismo do hospedeiro que ela tenta infectar.
“Em um modelo de camundongo, pesquisadores canadenses mostraram que cepas da bactéria Pseudomonas aeruginosa que não produzem macroglobulina têm menor capacidade de causar doença, ou seja, são menos virulentas. A proteína parece dar uma vantagem à bactéria na hora de colonizar o hospedeiro, mas ainda não sabemos exatamente por quê”, disse.
Desdobramentos
Em um braço da pesquisa que está sendo conduzido no LNBio, com apoio da FAPESP e orientação de Dessen, a pós-doutoranda francesa Samira Zouhir investiga a estrutura da macroglobulina sintetizada por bactérias da espécie Pseudomonas aeruginosa – causadora de diversos casos de infecção hospitalar.
“Se conseguirmos desvendar a estrutura tridimensional da proteína, isso nos dará pistas sobre sua função no processo infeccioso”, disse Dessen.
Quando o papel das macroglobulinas estiver bem compreendido em diferentes espécies de bactérias, acrescentou, essas proteínas poderão se tornar alvo para o desenvolvimento de novos antibióticos.
“Também há pesquisas interessantes em modelo de camundongo mostrando que a aplicação de alfa-globulina humana pode oferecer proteção contra a sepse. Há várias possibilidades de tratamento a serem exploradas”, avaliou a pesquisadora.
A NASA divulgou nesta semana novas fotos de uma mancha que vem intrigando cientistas. A mancha (que vem sendo chamada de "ilha") fica no Ligeia Mare, lago de metano localizado em Titã, a maior lua de Saturno.
Nas imagens feitas em 21 de agosto pela sonda Cassini, a mancha aparece maior e mais apagada do que nas fotos de julho do ano passado - quando a "ilha" foi descoberta pelos cientistas.
"A mancha cobre uma área de 260 quilômetros quadrados", afirma a NASA em seu site. Agora, a agência espacial americana quer descobrir o que pode ter causado essa mudança.
Entre as razões possíveis, estão a evaporação de substâncias do lago e a movimentação dos líquidos geradas por ventos ou gases. Mas ainda não existe um consenso sobre o que pode ter feito a "ilha" mudar de forma e tamanho.
Imagens feitas pela Cassini em abril de 2007 mostram que, naquela época, a ilha não existia. Espera-se que novas fotos enviadas do espaçoajudem os pesquisadores a solucionar o mistério.
Nos últimos anos, os cientistas passaram a se dedicar mais a estudar se a mudança climática causada pelas emissões de gases do efeito estufa está ampliando os climas extremos e seus impactos no mundo, mas a tarefa geralmente leva meses. Nos últimos anos, os cientistas passaram a se dedicar mais a estudar se a mudança climática causada pelas emissões de gases do efeito estufa está ampliando os climas extremos e seus impactos no mundo, mas a tarefa geralmente leva meses.
“Vemos na mídia a ideia de que não se pode atribuir quaisquer eventos isolados à mudança climática, mas na verdade a ciência evoluiu muito na última década”, disse Heidi Cullen, cientista-chefe da Climate Central. A organização de jornalismo científico norte-americana sem fins lucrativos está liderando a iniciativa para acelerar esta análise juntamente com o Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, cientistas da Universidade de Oxford, o Instituto Meteorológico Real da Holanda e outras instituições. Uma análise de 16 grandes eventos climáticos em 2013, divulgada na segunda-feira, revelou que a mudança climática causada pela humanidade intensificou claramente a severidade e a probabilidade de cinco ondas de calor estudadas, inclusive na Austrália, no Japão e na China. Em outros eventos, como secas, chuvas fortes e tempestades, especificar a influência da atividade humana foi mais desafiador, disseram os pesquisadores. “Vemos na mídia a ideia de que não se pode atribuir quaisquer eventos isolados à mudança climática, mas na verdade a ciência evoluiu muito na última década”, disse Heidi Cullen, cientista-chefe da Climate Central. A organização de jornalismo científico norte-americana sem fins lucrativos está liderando a iniciativa para acelerar esta análise juntamente com o Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, cientistas da Universidade de Oxford, o Instituto Meteorológico Real da Holanda e outras instituições. Uma análise de 16 grandes eventos climáticos em 2013, divulgada na segunda-feira, revelou que a mudança climática causada pela humanidade intensificou claramente a severidade e a probabilidade de cinco ondas de calor estudadas, inclusive na Austrália, no Japão e na China. Em outros eventos, como secas, chuvas fortes e tempestades, especificar a influência da atividade humana foi mais desafiador, disseram os pesquisadores.
Um novo estudo relata que astronautas podem conseguir caminhar na lua mais rápido do que se pensava anteriormente. As descobertas podem ajudar cientistas a projetar trajes espaciais melhores, que poderiam ajudar astronautas a explorar a Lua, Marte ou asteroides, adicionam os pesquisadores. Filmes da missão Apollo frequentemente mostram astronautas saltitando em vez de caminhar. Ao contrário da crença popular, porém, os astronautas empregavam essa forma de movimento porque os trajes espaciais da época não eram projetados para caminhar, não devido à baixa gravidade lunar. “Os trajes espaciais usados pelos astronautas da Apollo não foram projetados para otimizar a mobilidade – eles foram projetados para otimizar o suporte à vida”, explica o principal autor do estudo, John De Witt, biomecânico sênior do Centro Espacial Johnson da Nasa, em Houston. “Os criadores do traje não estavam preocupados com o movimento das pernas, mas com oxigênio, água e resfriamento”, contou De Witt à Space.com. “Como resultado, os astronautas da Apollo não conseguiam movimentar muito suas pernas nos trajes espaciais, e achavam mais fácil saltitar em vez de caminhar”. Para projetar trajes espaciais modernos com mais liberdade de movimento, De Witt e seus colegas investigaram como pessoas se movem em gravidade baixa, incluindo a velocidade a que humanos vão do caminhar à corrida. Para sua surpresa, eles descobriram que astronautas devem continuar caminhando na Lua a velocidades mais altas que se acreditava anteriormente. Para explorar os efeitos da gravidade lunar, que é aproximadamente um sexto da gravidade da Terra, os pesquisadores conduziram experimentos em aviões apelidados de “Cometas de enjoo”. Esses aviões voam para cima e para baixo em arcos parabólicos para induzir níveis temporariamente reduzidos de gravidade que astronautas sentiriam longe da Terra. Durante cada arco, que dura cerca de 65 segundos, os cientistas só tinham 20 segundos para testar os estilos de caminhada e corrida de cada voluntário em uma esteira a um-sexto da gravidade terrestre. Os pesquisadores recrutaram três astronautas e cinco outros voluntários que poderiam tolerar esses voos parecidos com uma montanha russa.
Os pesquisadores pediram que os voluntários se movimentassem a velocidades que iam de 2,4 a 7,2 km/h. Eles analisaram a velocidade a que os voluntários passavam do caminhar para a corrida, e definiram “corrida” como movimentos envolvendo tempo gasto com os dois pés no chão. Na Terra, essa transição acontece a velocidades de aproximadamente 7,2km/h. Cálculos teóricos previram que a transição entre o caminhar e o correr ocorreria a aproximadamente 2,9km/h na gravidade lunar. Os pesquisadores, no entanto, descobriram em seus experimentos que a velocidade média para essa mudança era de aproximadamente 5km/h. Essas novas descobertas apoiam dados de estudos anteriores que simulavam a baixa gravidade lunar com um arreio elevado que segurava um-sexto do peso das pessoas enquanto elas caminhavam e corriam. De Witt sugere que as forças geradas pelo movimento de braços e pernas poderiam ser responsáveis por essa mudança na transição entre o caminhar e o correr. “As forças geradas pelo movimento de membros corporais acabam empurrando corpos para baixo, impedindo que as pessoas saiam do chão e comecem a correr”, observou ele. Os novos dados ajudarão a melhorar o projeto de trajes espaciais, afirmou De Witt. “Nós queremos produzir trajes melhores que auxiliem na exploração de outros corpos celestes no futuro: a Lua, Marte ou um asteroide”, conclui ele.
Uma bacia lunar escura que, vista da Terra, produz a imagem de uma figura humana, também conhecida como "homem na Lua", foi criada por um jato de lava e não pela colisão de um asteroide, afirmaram astrônomos nesta quarta-feira.
Chamada de Oceanus Procellarum - o "oceano das tormentas", como é conhecida pelos observadores dos céus -, a vasta bacia tem quase 3.000 quilômetros de diâmetro.
Até agora, a principal teoria para explicar este traço extraordinário é que ele teria surgido quando uma rocha espacial maciça colidiu com a Lua nas origens do satélite natural da Terra.
Mas um estudo publicado na revista científica Nature oferece evidências de que uma erupção vulcânica teria criado a mancha que cobre um quinto da face visível da Lua.
Segundo o artigo, ao analisar dados de uma missão da NASA, astrônomos descobriram remanescências de antigas fendas na crosta lunar, que no passado formaram um "sistema de bombeamento de magma".
Este sistema inundou a região com lava há entre 3 e 4 bilhões de anos. Com o tempo, a lava se solidificou para criar a rocha basáltica escura atualmente visível da Terra.
As fendas ficaram evidentes depois de uma missão de 2012, denominada GRAIL, que enviou duas sondas, uma seguindo a outra ao redor da Lua.
À medida que a nave principal sobrevoava uma região com crosta mais fina ou mais espessa, o empuxo gravitacional sobre ela mudava e esta alterava por um curto período sua distância em relação à sonda que a seguia.
Ao medir o movimento sanfona entre as duas sondas, os cientistas conseguiram mapear diferenças na crosta lunar.
Esse mapa mostrou que a margem da região Procellarum tem a forma de um polígono, com extremidades que se unem em um ângulo de 120 graus.
Esta é a assinatura da contração por material fundido e que se resfriou e cristalizou, enquanto o impacto de um asteroide teria criado uma cratera circular ou elíptica, acreditam os cientistas.
Ainda não está claro, no entanto, porque a erupção de lava aconteceu, afirmou Maria Zuber, professora de Geofísica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Já imaginou como era Nova York mais de 60 anos atrás? E há mais de um século? Um jeito de descobrir é visitando o Museum of the City of New York (1220 5th Ave, Manhattan), que conta a história da cidade em detalhes. Outro é esperar a abertura de uma das várias cápsulas do tempo enterradas na cidade.
Hoje será aberta uma cápsula localizada desde 1950 no endereço 370 Jay Street, no Brooklyn, onde funcionava a sede do MTA, o departamento de transporte de Nova York. Os objetos contidos na cápsula, entre eles fotos e documentos sobre a construção de algumas estações de metrô da cidade, vão ser expostos em 2015, no New York Transit Museum (na esquina da Boerum Place com a Schermerhorn Street, Brooklyn). Ninguém sabe ao certo o que está guardado, mas a matéria publicada pelo jornal The Brooklyn Eagle na época dá algumas pistas (na imagem abaixo).
Esconder na terra documentos e objetos para trazê-los à tona décadas mais tarde pode parecer brincadeira de criança, mas é um hábito comum das autoridades da cidade. Uma outra, que contém desde 1939 objetos da Feira Mundial, também é aguardada com ansiedade. Mas nenhum de nós verá esses objetos. A programação é desenterrá-la daqui a 4920 anos.
As populações mundiais de peixes, pássaros, mamíferos, anfíbios e répteis diminuíram 52% entre 1970 e 2010, muito mais rápido do que se pensava anteriormente, afirmou o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) na segunda-feira. O Relatório Planeta Vivo, publicado pela entidade conservacionista a cada dois anos, informou que as exigências da humanidade são atualmente 50% maiores do que a natureza suporta, e a derrubada de árvores, o bombeamento de água do subsolo e a emissão de dióxido de carbono ocorrem mais rápido que a capacidade de recuperação da Terra.
"Este dano não é inevitável, mas uma consequência da maneira que escolhemos para viver", disse Ken Norris, diretor de ciência da Sociedade Zoológica de Londres, em comunicado. Mas ainda há esperança, se políticos e empresários adotarem a ação certa para proteger a natureza, pontuou o relatório. "É essencial aproveitarmos a oportunidade – enquanto podemos – para desenvolver a sustentabilidade e criar um futuro no qual as pessoas possam viver e prosperar em harmonia com a natureza", afirmou o diretor-geral internacional da WWF, Marco Lambertini.
América Latina — A investigação sobre as populações de vertebrados revelou que os maiores declínios aconteceram nas regiões tropicais, especialmente na América Latina. O Índice Planeta Vivo da WWF se baseia em tendências nas 10 380 populações de 3 038 espécies de peixes, pássaros, mamíferos, anfíbios e répteis. A pior queda foi entre populações de espécies de água doce, que diminuíram em 76% ao longo de quatro décadas até 2010, enquanto as cifras de animais marinhos e terrestres sofreram uma queda de 39%.
Aparentemente, um antigo mistério parece ter sido resolvido após séculos de teorias e conclusões antecipadas. Uma equipe da Universidade de Amsterdã acredita ter solucionado a pergunta que não queria calar: como, numa época de poucos recursos e nenhum acesso à tecnologia, os egípcios conseguiram erguer pedras de 2,5 toneladas para formar as pirâmides?
A resposta deles se resume à física, mais especificamente ao atrito causado entre as enormes placas rochosas e a areia. Tudo indica que a areia foi molhada para empurrar as tais plataformas com o material até o local da construção. Por conta da umidade, microgotas d’água se formam, fazendo com que os grãos de areia de juntem, dobrando a rigidez relativa do material, o que acaba por excluir as chances de acúmulo de areia na frente da plataforma e ainda reduz pela metade a força aplicada pelos trabalhadores.
A Universidade não perdeu tempo e tratou de enviar a grande descoberta à imprensa, por meio da Physical Review Letters. “Os físicos colocaram, em uma bandeja de areia, uma versão de laboratório do trenó egípcio. Eles determinaram tanto a força de tração necessária e a rigidez da areia como uma função da quantidade de água na areia. Para determinar a rigidez, eles usaram um reômetro, que mostra quanta força é necessária para deformar um certo volume de areia”, apontou o documento.
Além disso, os egípcios, que de bobos não tinham nada, deixaram de presente para nós pinturas bem ilustrativas de como tudo acontecia na época. Dentro do túmulo de Djehutihotep, descoberto na Era Vitoriana, foi encontrada uma imagem, de cerca de 1900 a.C, que mostra um homem à frente do trenó, derramando água sobre a areia – que também era escaldante. Olha só: