sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Genética: A evolução levanta voo

 
A massa de informação só é comparável ao site de transparência do Governo, mas ainda falta entendê-la melhor. Depois de quatro anos de trabalhos coordenados, uma equipe de 200 cientistas de 80 instituições em 20 países sequenciou (ou seja, leu) os genomas de 48 espécies de aves, revelando a quem souber ver os mais íntimos segredos da evolução desses animais. Os resultados foram apresentados em 29 artigos técnicos, oito deles na revista Science, e esclarecem quase todos os enigmas que cercavam as 10.000 espécies que descendem dos dinossauros do Cretáceo e hoje sobrevoam nossas cabeças.
Qual é o ancestral comum dos pássaros, crocodilos e dinossauros? Será a exuberância e diversidade das aves a consequência de um interminável período de tentativa e erro ocorrido antes que a fúria da Terra varresse os grandes répteis? Ou de um Big Bang evolutivo que veio justamente preencher o vazio deixado pela extinção daquelas feras? O que tem em comum a aprendizagem vocal das aves e a dos humanos? E, depois de terem dentes, por que as aves os perderam?
O Consórcio Filogenômico Aviário é dirigido por Guojie Zhang, do Banco Genético Nacional da China, Erich Jarvis, da Universidade Duke (EUA), e Thomas Gilbert, do Museu de História Natural da Dinamarca. Contou com contribuições do Consórcio Brasileiro do Genoma Aviário, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade do Pará e do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A relação completa dos 29 artigos nas publicações Science, Genome Biology, GigaScience e outras revistas científicas pode ser consultada aqui.
Pato, avestruz, emu, corvo, íbis, falcão, águia, pica-pau... As 48 espécies de aves estudadas não foram escolhidas por sua disponibilidade nem por seu valor econômico – nisso o frango é campeão, mas seu genoma já foi sequenciado na década passada –, e sim por representarem todos os grandes ramos evolutivos das 10.000 espécies de aves existentes. Trata-se do “maior estudo genômico de uma só classe de vertebrados até agora”, como destaca Zhang. “Só com uma amostragem dessa escala pode-se começar a explorar a verdadeira diversidade genômica de uma classe inteira de vertebrados”, acrescenta Gilbert.
Houve tentativas anteriores de esclarecer a árvore evolutiva das aves comparando 20 genes entre linhagens diferentes, mas os resultados foram difíceis de interpretar ou eram diretamente contraditórios entre si. “Não é que 20 genes seja pouco”, explica Toni Gabaldón, do Centro de Regulação Genômica, de Barcelona, que participou do estudo. “É que os genes não bastavam para resolver o problema.”
 
Um gene é um segmento de DNA (as letras gattacca…) que contém a informação necessária para fabricar uma proteína (ou seja, que “codifica” uma proteína, no jargão científico). E essas “sequências de código” contam uma história errônea sobre a evolução das aves. A razão é que existem convergências extensivas: duas espécies muito diferentes descobrem as mesmas sequências de código quando têm estilos de vida similares. Parecem parentes, quando são apenas vizinhos com necessidades semelhantes. “Só o genoma não codificante nos fornece o verdadeiro relógio evolutivo”, conclui Gabaldón.
Com a lupa genômica de alta resolução, fica claro agora que as chamadas aves aquáticas não formam um grupo homogêneo, e sim três linhagens que evoluíram independentemente: outro caso de convergência evolutiva. Também se vê agora que o ancestral comum de aves canoras, papagaios, pica-paus, corujas, águias e falcões foi um superpredador, a classe de fera que se situa no topo da sua cadeia alimentar, como são, em seus respectivos ambientes, o leão, o crocodilo do Nilo e o tubarão-tigre. O lindo canto dos pássaros é produto da “natureza, de dentes e garras vermelhas”, como escreveu o poeta Alfred Tennyson.
Toda essa diversificação e a todas as neoaves, que na verdade representam 95% da atual variedade aviária, coincidem temporalmente com as sequelas da extinção em massa que pôs fim ao período Cretáceo, 66 milhões de anos atrás, e que não só acabou com os dinossauros – menos os dinossauros aviários e seus descendentes voadores, que são as aves atuais – como também com a maior parte de todas as espécies animais existentes à época.
Os genomas demonstram que a diversificação evolutiva das aves ocorreu num Big Bang biológico, no máximo 10 milhões de anos depois da extinção. E não durante um longo processo em pleno Cretáceo, como sustentavam outras teorias rivais muito recentes.
Finalmente: há algo comum entre a aprendizagem vocal de aves e humanos? Certamente sim. E não porque compartilhem da mesma origem evolutiva, e sim porque – de novo – os cérebros das diferentes espécies encontraram soluções parecidas para problemas similares. Codificar o mundo como uma sequência de sons, processá-los e produzi-los em imitação ao pássaro que está à frente do indivíduo parece ser uma questão muito concreta, que admite apenas um tipo de solução, ao menos neste vale de lágrimas. Qualquer dia veremos um crocodilo cantor – mas é melhor não confiar muito no que ele disser.
EL PAÍS.com

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Secretário de Estado dos EUA cobra ação rápida de países na COP 20

 John Kerry discursa na COP 20, em Lima (Foto: Reprodução/UNFCCC)

O secretário de Estado americano John Kerry ressaltou nesta terça-feira (11), na COP 20, que não há tempo para os negociadores debaterem qual país precisa fazer mais pela redução das emissões de gases-estufa, principal entrave nas discussões diplomáticas em torno de um novo acordo global.
Ele ainda cobrou das nações ricas e em desenvolvimento mais ações para reduzir os impactos da mudança climática.
Kerry discursou em Lima, no Peru, no penúltimo dia da Conferência do Clima das Nações Unidas. uma "quase palestra" sobre os efeitos do clima no mundo, que teve na plateia jornalistas e delegados, incluindo o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, ele tocou em um dos principais problemas das negociações, o princípio das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas".
A discussão em torno do tema impede um avanço significativo para o novo tratado. O acordo, ainda desenhado na capital peruana, terá que ser assinado em 2015 e entrar em vigor em 2020.
"Simplesmente não temos tempo para sentar e discutir de quem é a responsabilidade, ela é de todo mundo", disse ele. "Todas as nações têm a responsabilidade de fazer sua parte se quisermos passar nesse teste. E apenas aqueles que contribuírem terão o direito de exigir resultados... se você é uma grande nação e não faz parte do esforço, então você é parte do problema”, complementou.
Mais de países em desenvolvimento Kerry também cobrou mais ação do bloco em desenvolvimento. "Se uma ou duas grandes economias falharem, já é suficiente para atrapalhar todo o resto.  É claro que nações industrializadas têm grande responsabilidade, mas isso não isenta os outros, os países em desenvolvimento. É difícil, entendemos, mas mais da metade da emissão vem de lá... Se eles optarem por energia do passado, estarão perdendo a chance de criar a economia do futuro", explicou Kerry.

Ele comentou que as fontes de energia como carvão e petróleo, consideradas "do passado", são mais baratas atualmente, mas que é preciso pensar nos custos a longo prazo. "É caro fazer a transição, mas é preciso fazer a verdadeira matemática, considerar os custos envolvidos na reconstrução de lugares devastados, os danos materiais e os gastos com saúde", afirmou o secretário.
Para ele, a mudança climática é uma das maiores oportunidades de crescimento econômico do mundo em todos os tempos. “A ciência nos mostra que existe uma janela. Há tempo de mudar nossa rota e mudar os eventos, Mas a janela está se fechando rapidamente”. O secretário finalizou o discurso dizendo que "um acordo abrangente em Paris não é uma opção, é uma necessidade”.

Empresa japonesa cria projeto de 'cidade sustentável' no fundo do mar

Uma empresa de engenharia japonesa aposta nas profundezas do oceano para garantir um futuro “verdadeiramente sustentável” à vida humana. Por isso, divulgou um projeto ambicioso de uma cidade debaixo d’água. (Foto: Shimizu Corporation)
 
Uma empresa de engenharia japonesa aposta nas profundezas do oceano para garantir um futuro "verdadeiramente sustentável" à vida humana. Por isso, divulgou um projeto ambicioso de uma cidade debaixo d’água.
O plano da Shimizu Corporation é de uma cidade dentro de um globo flutuante de 500 metros de diâmetro onde existiriam hotéis, espaços residenciais e complexos comerciais. Veja galeria de fotos.
Sob o globo, uma estrutura espiral localizada a 3 km ou 4 km abaixo da superfície se estenderia por 15 km até o fundo do mar.
O conceito apresentado pela empresa procura tirar vantagem das possibilidades ilimitadas do fundo do mar, ligando juntos verticalmente o ar, a superfície do mar, o mar profundo, e o fundo do mar.
No fundo do mar, uma "fábrica de terra" iria produzir metano a partir de dióxido de carbono utilizando microorganismos. Também é possível extrair minerais de terras raras e metais.
"Agora é a hora de criar uma nova interface com o mar profundo, fronteira final da Terra: romper com os padrões anteriores de desenvolvimento da terra e optar por um plano que se destina a promover uma verdadeira sustentabilidade, maximizando o uso dos recursos das profundezas do mar", diz a empresa.
A Shimizu está trabalhando no projeto com a Agência Japonesa de Ciência Terrestre e Marítima e com a Universidade de Tecnologia de Tóquio, e acredita que levará cinco anos para construir a primeira unidade da cidade subaquática, a um custo de 3 trilhões de ienes (R$ 66 bilhões).
 
“Agora é a hora de criar uma nova interface com o mar profundo, fronteira final da Terra: romper com os padrões anteriores de desenvolvimento da terra e optar por um plano que se destina a promover uma verdadeira sustentabilidade, maximizando o uso dos recursos das profundezas do mar”, diz a empresa. (Foto: Shimizu Corporation)
 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Quase 270 mil toneladas de plástico poluem os oceanos, diz estudo

Plástico nos oceanos: pesquisa gera nova estimativa
 
Quase 270.000 toneladas de plástico estão flutuando nos oceanos, estimou um estudo do Instituto Five Gyres, que combate esse tipo de poluição, publicado nesta quarta-feira no periódico Plos One.
Poluição por microplásticos (fibras e fragmentos de plástico) é encontrada em concentrações variadas nos oceanos, mas dados da quantidade global desse material são escassos.
Para estimar o total de plástico flutuando nas águas e seu peso, cientistas de seis países contribuíram com dados de 24 expedições que ocorreram de 2007 a 2013, abrangendo os cinco giros subtropicais (grandes sistemas de correntes marinhas rotativas no oceano), a costa da Austrália, o Mar Mediterrâneo e o Golfo de Bengala.
Os dados incluem informações de microplásticos coletados com uso de redes e pedaços maiores contabilizados visualmente, que foram utilizados para calibrar os modelos de distribuição de plástico nos oceanos.
Resultados — Com base nos dados e no modelo, os autores do estudo calculam que existem pelo menos 5,25 trilhões de partículas de plástico, pesando cerca de 269.000 toneladas, nos oceanos. Plásticos maiores são abundantes das regiões costeiras, enquanto os pedaços menores estão presentes nas regiões mais remotas, como os giros subpolares. Isso sugere que os giros atuam transformando os pedaços de plástico em partículas menores e ejetando-as pelas águas, fazendo com que atinjam as regiões mais distantes.
“Nossa descoberta mostra que o lixo presente nos giros substropicais não é o destino final do plástico. O microplástico interage com ecossistemas de todo o oceano”, afirma Marcus Eriksen, diretor de pesquisa do Instituto Five Gyres.
Terra.com

Missão Rosetta: asteroides, não cometas, teriam trazido água para Terra

 
Quando a sonda Rosetta se aproximou do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, um de seus principais objetivos era analisar a água desse corpo celeste e determinar se sua composição era a mesma da Terra. Um resultado positivo ajudaria a reforçar a teoria de que a água teria sido trazida até aqui pelos cometas.
A teoria não se comprovou. Um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Science mostra que a água presente no 67P é muito diferente da que existe no nosso planeta.
As medições que levaram a essa conclusão foram feitas pelo instrumento Rosina, a bordo da sonda Rosetta, composto por dois espectrômetros de massa e um sensor de pressão, durante os meses de agosto e setembro. Diante do resultado negativo, os pesquisadores, liderados por Kathrin Altwegg, da Universidade de Berna, na Suíça, apontam a possibilidade de a água ter vindo dos asteroides.
Estudo — Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram a composição da água do 67P. Na Terra, a água é mais comumente formada por átomos de oxigênio com oito prótons e oito nêutrons em seu núcleo (o oxigênio 16) e de hidrogênio com um próton e nenhum nêutron. Mas essa não é a única fórmula encontrada por aqui. A água também pode ser composta por isótopos (átomos de um mesmo elemento químico que diferem em massa) mais pesados, oxigênio 18 (oito prótons e dez nêutrons) e deutério, também conhecido como hidrogênio pesado, com um próton e um nêutron em seu núcleo.
Os instrumentos mediram a quantidade de deutério em comparação com hidrogênio na água do cometa, e o resultado encontrado foi cerca de três vezes o valor da Terra. “Agora sabemos que a água do 67P não é igual à da Terra”, afirma Enos Picazzio, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo. “Mas a água não é igual em todos os cometas. Esses corpos celestes podem ter se formado em várias partes do Sistema Solar”, explica.
Expectativa — Duas “famílias” de cometas já tiveram a composição da água analisada: as da Nuvem de Oort, mais distantes do Sol, e as da família de Júpiter, mais próximas do astro. Só o 67P e o Halley, porém, foram medidos in loco, com a ajuda de sondas espaciais. Nos demais casos, as medições foram feitas por telescópios.
O Hartley 2 e 45/P, cometas da família de Júpiter, têm água relativamente parecida com a da Terra. Já a água do 67P revelou-se mais parecida com a dos cometas da Nuvem de Oort.
“Por hora, a probabilidade mais forte é a água ter vindo dos meteoritos”, afirma Picazzio. Os condritos, meteoritos rochosos, têm a água mais semelhante à da Terra já observada no Sistema Solar. Acredita-se que eles sejam fragmentos de asteroides, os corpos celestes apontados pelos autores do estudo como nova possibilidade de origem da água do planeta azul. “Asteroides são rochosos, mas contêm água congelada, hidrogênio e oxigênio”, diz o professor.
Missões futuras — Há uma semana, a agência espacial japonesa, Jaxa, lançou a sonda Hayabusa 2, que percorrerá 300 milhões de quilômetros para chegar, em 2018, ao asteroide 1999 JU3, com objetivo de recolher amostras dele. Paralelamente, a Nasa planeja para o ano que vem o lançamento da OSIRIS-REX, com destino ao asteroide Bennu, para recolher amostras em 2019.
Terra.com
 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

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Cientistas tiram múmia de caixão pela primeira vez na história

Múmia estava com danos nos membros inferiores (Foto: Reprodução/AP)


Para que não houvesse problemas, pesquisadores do Chicago Field Museum e outros três cientistas retiraram uma múmia do caixão pela primeira vez na história. A medida se mostrou necessária, pois a relíquia de Minirdis viajará em uma exibição pelo mundo.
Utilizando aparelhos ideais para o processo, o líder J.P. Brown confessou que a primeira sensação depois do procedimento ocorrer corretamente foi soltar um aliviado “Aí sim! Eu estava nervoso!”. A jovem múmia guarda a história de um filho de sacerdote – e será exibida em Los Angeles pela mostra “Mummies: Images of the Afterlife”.

O museu de Chicago guardava a múmia desde 1920, quando recebeu uma coleção histórica de 30 múmias do Egito. “Nesses processos, elas sempre correm riscos de danos, então temos que lidar com o máximo de atenção possível”, conta Brown.
Dentro do caixão, os pesquisadores conseguiram notar alguns problemas (já esperados). Por exemplo, por meio de raios-x anteriores, os cientistas já sabiam que os pés da múmia estavam soltos, mas mesmo assim, Brown disse: “É fascinante que tenha sobrevivido por todo esse tempo. Elas são muito mais frágeis do que as pessoas realmente pensam”.

“Esses são indivíduos únicos. Não há nada como eles. Se algum dano acontecesse, não poderíamos simplesmente pegar e recolocar as partes de onde tiramos”, finaliza Molly Gleeson, cientista envolvida no projeto.
Galileu.com

2014 é o ano mais quente da história?

Termômetro marca 40ºC na Freguesia do Ó, em São Paulo (SP), na tarde desta sexta-feira (17)

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou na quarta-feira passada um relatório contendo uma informação apavorante: 2014 está a caminho de ser o ano mais quente que se tem registro. A temperatura média, segundo a OMM, foi de 14,57 graus, 0,57 grau acima da média de 1961 a 1990.
Como sempre acontece diante de notícias desse tipo, ainda mais vindas de órgãos ligados à ONU, não houve jornal ou portal de notícias que não repercutisse o relatório. Poucos atentaram a um detalhe: é um tremendo exagero, e provavelmente um erro, dizer que 2014 é o ano mais quente da história. Por pelo menos quatro motivos:
1) De acordo com os dados de temperatura da superfície da Terra, nos quais o relatório se baseou, 2014 está 0,01 grau mais quente que 2010 e 0,02 grau acima de 2005. Mas a margem de erro da coleta de dados é de 0,10 grau Celsius. Como nos acostumamos a ouvir durante as eleições, os candidatos estão empatados tecnicamente no centro da margem de erro. “Cientistas de verdade teriam dito que este ano não deve ser significativamente mais quente que 2010 ou 2005”, disse, no Times de ontem, Matt Ridley, ex-editor de ciência da Economist e célebre divulgador científico da Inglaterra.
2) O próprio relatório, depois do alarme da primeira página, ameniza o tom. O “a caminho de ser o mais quente” muda para “há uma possibilidade”. “É mais provável que 2014 seja atualmente um dos quatro anos mais quentes desde o começo da medição, mas há uma possibilidade que a classificação final ultrapasse a margem”. A imagem abaixo, do Centro Nacional de Dados Climáticos dos Estados Unidos, mostra essa chance. A linha preta, referente a 2014, está entre as mais altas, mas, na média do ano, dificilmente será a mais alta de todas:
 
2014 year-to-date anomalies through September compared to five warmest years on record
 
3) Os dados de temperatura da superfície da Terra são vulneráveis ao fator humano. Erros e manipulações na tabulação das estatísticas rendem controvérsias frequentes. O hábito se comprovou em 2009, com o “climategate”, o escândalo das mensagens de cientistas reveladas por hackers. Num dos e-mails, Phil Jones, diretor do Centro de Pesquisas Climáticas da Universidade de East Anglia, disse usar um “truque” para “esconder o declínio” da temperatura.
4) Um índice mais confiável para avaliar a temperatura da Terra é a extensão de gelo da Antártida e da calota polar do Ártico, medida diariamente por imagens de satélite. Por esse critério, o cenário muda. A Antártida está maior que nunca – em setembro, atingiu o recorde de 20 milhões de quilômetros quadrados. E mesmo o Ártico já teve dias piores. A calota tem sua menor área em setembro, verão no Hemisfério Norte. No último setembro, a área ficou acima da registrada nos últimos quatro anos. E 1,61 milhão de quilômetros quadrados (mais que a área do estado do Amazonas) maior que em 2012, quando atingiu a menor extensão já registrada (veja abaixo). Não é exatamente o que se espera do ano mais quente da história, certo?
 
A calota polar em setembro de 2012...
A calota polar em setembro de 2012…
 
icesep14
… e em 2014: um estado do Amazonas a mais de gelo
 
Isso prova que o aquecimento global é um desvario dos cientistas? Não. Há provas do aquecimento do planeta bem mais difíceis de derrubar. Mesmo a área da calota polar, apesar da recente recuperação, ainda está abaixo da média (a linha rosa nas imagens acima). O mito do “ano mais quente da história” mostra apenas que, no meio de uma preocupação justificada com o clima, há exageros propagados pelos próprios cientistas.
Há, no entanto, uma vantagem nos cientistas que se deixam levar pelo alarmismo. Para caçadores de mitos, eles fornecem presas fáceis e saborosas.
Veja.com

NASA: montanha em Marte pode ter surgido de sedimentos de um lago


Cientistas do projeto Curiosity, da Nasa, dizem ter encontrado uma explicação para uma montanha que existe no centro da cratera de Gale, local de pouso da sonda-robô que está explorando Marte.
Eles acreditam que a montanha é formado por depósitos de sedimentos deixados por sucessivos lagos formados na bacia da cratera ao longo de dezenas de milhões de anos.
Mais tarde, ventos teriam escavado uma planície circular no entorno, formando o pico de 5 km de altura visto hoje, o Monte Sharp.
Se a teoria for comprovada, terá consequências importantes sobre nosso conhecimento do clima que existia no passado no planeta.
Significaria que Marte teria de ter sido muito mais quente e úmido nos seus primeiros dois bilhões de anos do que se supunha.
Segundo a equipe do Curiosity, o planeta também precisaria apresentar um forte ciclo hidrológico global, com chuva ou neve, para manter estas condições úmidas.
O planeta poderia até mesmo ter tido um oceano em algum lugar de sua superfície.
"Para que um lago tivesse existido por milhões de anos, seria necessário haver também um grande corpo permanente de água, como um oceano, para criar umidade atmosférica e impedir que o lago evaporasse", disse Ashwin Vasavada, cientista adjunto do projeto Curiosity.
Pesquisadores têm especulado por décadas que as planícies do norte poderiam ter tido um grande mar no início da história de Marte.

Imagem da Cratera Gale, onde fica o Monte Sharp, coberta por água
 
Os últimos resultados das análises do Curiosity certamente reacenderão o interesse por esta ideia.
 
Sedimentos abundantes
Crateras como Gale muitas vezes apresentam montes centrais que são criados à medida que o solo se recupera do impacto de um asteroide ou cometa.
Mas o Monte Sharp é grande demais para ser explicado desta forma.
As conclusões do projeto Curiosity vieram após observações geológicas feitas ao longo de um ano, quando o robô passou a seguir rumo ao sul, na direção da montanha, desde seu local de pouso em 2012.
Nesse percurso, o robô encontrou sedimentos abundantes que obviamente foram depositados por rios antigos.
E, quanto mais ao sul o robô chegava, mais claro ficava que esta atividade fluvial desaguava em deltas e lagos estáticos no centro da cratera.
Mas o indício mais importante foi a inclinação dos terrenos onde estavam os sedimentos, que desciam em direção à montanha.
Isso sugere que a água ia rumo ao centro da cratera Gale, onde teria se acumulado.
Ao longo de milhões de anos, os sedimentos teriam formado camadas e mais camadas de rocha, levando à criação do Monte Sharp.

Histórico
O veículo explorador partiu em 26 de novembro de 2011 em um foguete Atlas do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e desceu em 6 de agosto de 2012 na cratera Gale. Nos primeiros 12 meses, o robô descobriu um antigo leito de curso de água e recolheu amostras de solo e de atmosfera suficientes para que os cientistas concluíssem que pode ter havido vida ali há bilhões de anos.
Em julho de 2013, o Curiosity concluiu sua pesquisa na área conhecida como Bahia de Yellowknife e viajou rumo ao sudoeste da base do Monte Sharp, aonde chegou em setembro de 2014.
O Curiosity tem o tamanho de um carrinho de golfe e é cinco vezes mais pesado que seus antecessores, os robôs Spirit e Opportunity, lançados em 2003. Trata-se do robô mais bem equipado, com dez instrumentos de tecnologia de ponta, como o instrumento de difração de raios X (CheMin), que analisa quimicamente os minerais recolhidos com o braço robótico, ou a estação ambiental REMS, projetada e construída na Espanha.
 
Dúvidas
John Grotzinger, cientista do projeto Curiosity, disse que o mistério do Monte Sharp nunca teria sido desvendado com imagens de satélites.
"Todo o esforço para levar o robô até o Monte Sharp valeu a pena", disse ele a repórteres.
Mas ainda há muitas outras dúvidas.
O time de pesquisadores ainda precisa entender melhor por quanto tempo a água se manteve neste local.
E a ideia de que Marte era mais quente do que se pensa hoje vai de encontro a modelos climáticos do passado do planeta.
 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

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Conferência sobre clima deposita esperanças sobre a China e os EUA

 
Não é a primeira vez que escutamos que uma mudança climática há tempos deixou de ser um problema do futuro para se transformar em um desafio do presente. Já ouvimos que esse ano corre o risco de ser o mais quente e já lemos manchetes que alertam que o tempo para lutar contra o aquecimento global está se esgotando. Ano após ano chefes de Estado e delegados de mais de 190 países se reúnem em uma reunião sobre o clima que costuma ser qualificada de “decisiva” no começo e acaba terminando com sensação de fracasso. Por que então acreditar que a reunião que será realizada por esses dias em Lima (Peru) pode ser diferente?
Chegou o momento da 20ª Conferência das Partes (COP, na sigla em inglês) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que enfrenta a partir de segunda-feira seu grande desafio. O objetivo é que, na próxima sexta-feira, esteja sobre a mesa um rascunho que sirva de base para o acordo global que será assinado em Paris no ano que vem para reduzir as emissões de dióxido de carbono. Em Lima, misturam-se a pressa para acertar as bases do futuro compromisso e o otimismo que um ano de avanços em matéria ambiental deixou. Os primeiros passos dados pela China e pelos EUA, os dois países mais poluidores do mundo, animam a comunidade internacional e as organizações a acreditar que a luta por fim começa a avançar.
Em maio, a Casa Branca divulgou um comunicado no qual alertava a população sobre os estragos da mudança climática nos Estados Unidos. A informação, longe de ser novidade, implica que o Governo do segundo maior país emissor de gases poluentes constatou o que há anos a comunidade científica vem avisando. Meses depois, às portas da reunião em Lima, Washington e Pequim anunciaram um compromisso conjunto para a redução de emissões pela primeira vez na história. “É algo inaudito que tenham se dado conta e que juntos tenham entrado em acordo para apresentar compromissos”, disse Aida Vila Rovira, do Greenpeace.
A implicação dos gigantes é fundamental para o sucesso de uma negociação que costuma encalhar no tamanho do compromisso que deve ser assumido por cada país para conseguir que o aquecimento global não supere a barreira dos 2 graus (até agora aumentou em 0,8 graus), limite marcado pelos especialistas para não lamentar consequências catastróficas no meio ambiente. A ONU considera que o objetivo a longo prazo é reduzir as emissões a zero no próximo século e entre 40% e 70% para 2050. Os objetivos parecem claros, mas na hora da verdade os países olham uns para os outros para medir seus compromissos.
Com a China e os EUA na direção correta pela primeira vez, pelo menos na aparência, outro dos obstáculos é a brecha que existe entre os países desenvolvidos e os países em vias de desenvolvimento. Entre ricos – e altamente poluidores – e pobres – e altamente vulneráveis aos efeitos ambientais –. A reunião de Copenhague de 2009, que terminou sem acordo, foi cenário das diferenças entre ambos. Os países em vias de desenvolvimento exigiram dos países ricos contrapartidas econômicas para fazer frente aos efeitos da mudança climática. O pedido se traduziu na criação do chamado Fundo Verde, que dias antes do começo da reunião de Lima já somava quase 10 bilhões de dólares (26 bilhões de reais), ainda muito longe do objetivo estabelecido em 100 bilhões de dólares (260 bilhões de dólares) a partir de 2020. A ONU já alertou que a capitalização desse fundo é fundamental para que as negociações voltadas para Paris andem satisfatoriamente.
Nessa semana, em Lima, se conversará sobre financiamento, de combustíveis fósseis, do desenvolvimento das energias renováveis, sobre a redução das emissões em uma corrida contra o relógio para dar forma ao ambicioso acordo global que se espera que chegue em Paris em dezembro de 2015, para substituir o já obsoleto Protocolo de Kyoto. O planeta respira por esses dias através dos 11.500 delegados de 195 países que têm em suas mãos voltar a fracassar ou começar a fazer história.
EL PAÍS.com

Orion aterrissa após primeira viagem de teste ao espaço

 Nave pousou no Oceano Pacífico na tarde desta sexta (Foto: NASA)

A cápsula Orion, projetada para levar astronautas ao espaço profundo, aterrissou nesta sexta-feira no Oceano Pacífico, no litoral oeste dos Estados Unidos, após completar sua primeira viagem não tripulada de teste ao espaço.
O veículo voltou à Terra, como estava previsto, 4 horas e 24 minutos depois de decolar de Cabo Canaveral (Flórida) a bordo de um foguete Delta IV.
"Esta é uma grande conquista enquanto caminhamos rumo às futuras missões a Marte", disse o comentarista da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa), que transmitiu ao vivo a chegada do veículo.
Equipes da Nasa e duas embarcações da Marinha americana esperavam a chegada da cápsula em uma região a 275 quilômetros do litoral de Baixa Califórnia, no México, a 965 quilômetros de San Diego.
A cápsula, que viajou a 24.000 km/h, deu duas voltas na Terra, a uma distância de 5.793 quilômetros do planeta, cerca de 15 vezes mais longe que a distância para a Estação Espacial Internacional (ISS).
Lua.
Orion ativou o sistema para reduzir a velocidade de entrada na Terra e abriu os paraquedas laranjas e brancos para manter uma posição estável ao cair no mar.
A cápsula é o novo veículo espacial que permitirá aos Estados Unidos voltar a realizar viagens tripuladas. Essa capacidade havia sido perdida quando o país aposentou em 2011 a frota de naves que ao longo de três décadas transportaram carga e astronautas à ISS.
Orion partiu às 7h05 (horário local, 10h05 de Brasília) a bordo de um foguete Delta IV, da companhia United Launch Alliance (ULA), da plataforma 37 do complexo de lançamento espacial da base de Cabo Canaveral (Flórida).
O principal objetivo desta viagem de teste, com custo estimado de US$ 375 milhões, é analisar o escudo térmico da nave, que ao reingressar na Terra a uma velocidade de 32.000 km/h alcança temperaturas de 2.200 graus.
Especialistas da Nasa e da companhia Lockheed Martin, fabricante da cápsula, farão um reconhecimento visual da nave antes que o veículo seja levado novamente ao Centro Espacial.
Veja.com

Cientistas estudam pílula que substitui exercício físico

Atividades aeróbicas, como corrida e caminhada, ajudam a transformar gordura "ruim" em "boa"
 
A criação de uma pílula contra a obesidade, capaz de imitar o efeito emagrecedor de exercícios aeróbicos, como a corrida, pode estar mais próxima. Em um estudo publicado nesta segunda-feira, pesquisadores da Universidade Harvard revelam ter identificado duas moléculas que, uma vez dentro das células, reduzem o excesso de gordura acumulada e aumentam o gasto calórico. 
A pílula, no entanto, não substitui os outros benefícios das atividades físicas, como aumento da massa muscular ou melhora da saúde cardiovascular. Além disso, trata-se de uma pesquisa em fase inicial, realizada em laboratório. Portanto, uma abordagem desse tipo ainda não está disponível.
No estudo, cientistas do Instituto de Células-Tronco de Harvard analisaram células-tronco humanas e, a partir de um banco de dados de 1 000 compostos, identificaram dois que podem desencadear o processo que transforma gordura branca, ou “ruim”, em gordura marrom, ou “boa”. 
Gordura corporal — O tecido adiposo de uma pessoa é constituído por dois tipos de gordura: a branca e a marrom. A energia excedente do corpo é estocada como lipídio nas células de gordura branca. Quando um indivíduo não gasta tantas calorias quanto consome, o organismo produz mais células de gordura “ruim” para estocar essa energia excedente.  
Já a gordura marrom libera a energia excedente para, por exemplo, manter a temperatura do corpo. Ela também é capaz de reduzir o tamanho das células de gordura branca. Por isso, é considerada como “boa” e uma possível aliada contra a obesidade e doenças relacionadas.
Mecanismo — Em testes feitos no laboratório, os pesquisadores observaram que os dois compostos identificados são capazes de transformar células-tronco de gordura, fazendo com que elas deixem de produzir células de gordura branca e passem a gerar gordura marrom. É o processo desencadeado por atividades físicas aeróbicas, como caminhada, corrida e natação.
A nova pesquisa, publicada na revista Nature Cell Biology, ainda deverá passar por outras etapas para que a descoberta resulte em uma pílula milagrosa. Um dos motivos é o fato de ambos os compostos poderem, a longo prazo, levar a reações inflamatórias do organismo e comprometer o sistema imunológico. Por isso, as substâncias precisam sofrer modificações nos estudos futuros. No entanto, um desses compostos já é aprovado nos Estados Unidos para o tratamento de artrite reumatoide, doença autoimune que provoca inflamação nas articulações.
“A boa, ou má, notícia é que a ciência é lenta: ter provas em relação a um conceito leva uma enorme quantidade de tempo. Nós pensamos que trabalhar com células-tronco levaria à descoberta de novos medicamentos e terapias, e agora isso está realmente começando a acontecer. Uma década de trabalho científico árduo está valendo a pena”, diz Chad Cowan, professor da Universidade Harvard e coordenador do estudo.
Veja.com

Sonda robótica New Horizons desperta de sono profundo para começar missão em Plutão

New Horizons se aproximando de Plutao

Depois de nove anos e uma viagem de quase 5 bilhões de quilômetros, a sonda robótica New Horizons da NASA despertou de sua hibernação, preparando-se para sobrevoar Plutão e outros corpos celestes no Cinturão de Kuiper.
No sábado, um despertador pré-configurado tirou a New Horizons de seu modo de hibernação. Devido à extrema distância, a NASA só recebeu a confirmação seis horas depois que isso aconteceu.
 

A pesquisadora Silvia Giuliatti Winter, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), vem explorando  a possibilidade de detritos se acumularem em certas regiões do espaço nas vizinhanças de Plutão e de suas luas por onde deve passar a sonda espacial New Horizons, em 2015 e o risco que isso implica.
O estudo liderado pela brasileira foi o primeiro a chamar a atenção para o perigo que a nave, lançada em janeiro de 2006 pela agência espacial norte-americana (Nasa), pode correr ao atravessar uma dessas regiões. É que a sonda viaja a 14 km/s e seus instrumentos podem ser danificados por uma colisão com essas pequenas rochas espaciais. “Esse trabalho tem sido extremamente relevante. Temos seguido de perto as publicações deles.”, afirma o astrônomo Harold Weaver, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (EUA), um dos líderes do projeto da New Horizons.
Em janeiro de 2015, a sonda deve acionar seus oito instrumentos científicos, entre eles um detector de poeira interplanetária e um telescópio ultrassensível, próprio para a escuridão que reina nessa região do espaço, 40 vezes mais distante do Sol do que aquela em que se encontra a Terra. Em 14 de julho de 2015, a New Horizons fará sua aproximação máxima de Plutão. Passará entre o planeta-anão e a sua maior lua, Caronte, registrando imagens com resolução de até 100 metros das superfícies desconhecidas de ambos os corpos celestes. Ao menos, esse era o plano inicial.
Tudo parecia sob controle quando a Nasa lançou ao espaço essa sonda rumo a sua jornada de nove anos com destino a Plutão, reclassificado naquele ano como planeta-anão. As coisas começaram a se complicar quando a vice-chefe científica da missão New Horizons, a astrônoma Lesley Young, do Instituto de Pesquisa Southwest, no Colorado, soube do trabalho da equipe da Unesp. O estudo mostrava pela primeira vez que, entre Plutão e Caronte, existe o que os especialistas chamam de regiões com órbitas estáveis. Nessas regiões do espaço, corpos celestes menores podem permanecer orbitando corpos maiores indefinidamente.
Planeta-anão e lua com pequena diferença explica anomalias
Os pesquisadores da Unesp são especialistas em determinar o movimento de corpos celestes interagindo simultaneamente pela força da gravidade. Eles conseguem prever as trajetórias desses corpos por meio de simulações computacionais.
O par Plutão-Caronte representou um desafio único. A diferença de tamanho entre o planeta-anão e sua maior lua é pequena: o diâmetro de Plutão é de 2.300 quilômetros, e o de Caronte, 1.200 quilômetros. Por terem dimensões próximas, eles se comportam diferentemente de outros pares do Sistema Solar, como a Terra e a Lua.
Em novembro de 2011, Silvia e  seu marido, o pesquisador Othon Winter, foram convidados para participar de um evento especial da equipe da New Horizons, em Boulder, no Colorado. Era um workshop dedicado a discutir o risco de a sonda colidir com objetos nas proximidades de Plutão. O cientista-chefe da missão, Alan Stern, pediu então que eles estudassem melhor as regiões estáveis. Eles analisaram também as órbitas fora desse plano e obtiveram uma ideia melhor de sua forma e localização.
As órbitas estáveis se concentram em algumas faixas próximas de Plutão e outras de Caronte e em uma região entre os dois astros batizada de veleiro, por ter o formato de um barco à vela, por onde a New Horizons pode passar. Estimativas iniciais sugerem que o risco de colisão não é desprezível, mas falta quantificá-lo.
Nasa já tem planos B e C
É possível que nos próximos meses seja preciso rever o plano de mitigação de danos para a New Horizons aprovado em junho. Weaver explica que, após avaliarem toda a informação relevante, ele e seus colegas concluíram que a probabilidade de um impacto capaz de terminar a missão em sua trajetória original é menor que 0,3%.
Isso porque a sonda deve passar por uma região instável próxima a Caronte. Se não surgirem novas evidências de perigo, a sonda deverá seguir o caminho estabelecido antes de o risco de colisões ter sido levantado pelo grupo da Unesp. De qualquer forma, a equipe da Nasa tem dois planos de emergência.
Um é reorientar a sonda para usar sua antena de comunicação como um escudo contra os detritos. O outro é aproximar a sonda ainda mais de Plutão, fazendo-a passar a 2.200 quilômetros de sua superfície, de modo a usar a atmosfera do planeta-anão como proteção contra as partículas.
“A trajetória original foi planejada para otimizar os ganhos científicos e qualquer mudança vai resultar em perdas”, explica Weaver. “Mesmo que haja perdas, a missão revolucionará nosso entendimento de Plutão e do cinturão de Kuiper.”

domingo, 7 de dezembro de 2014

ONGs criticam falta de progressos na Conferência sobre o clima

As organizações não governamentais (ONGs) que estão em Lima como observadores das negociações internacionais sobre o clima criticaram nesse sábado (6) a falta de progressos para alcançar um acordo multilateral, que deve estar concluído dentro de um ano.
A 20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP-20), que começou na segunda-feira (1º) e vai até 12 de dezembro, deverá reunir as bases do futuro acordo em que participará, pela primeira vez, toda a comunidade internacional na luta contra o aquecimento global.
“Têm existido vários falsos começos desde o início da semana”, lamentou Tasneem Essop, porta-voz da ONG WWF, para quem “os negociadores ainda não entenderam que este diálogo é uma urgência planetária”.
Segundo o porta-voz, existem duas concepções em confronto para o futuro acordo, aguardado para o final de 2015 em Paris. Uma delas está “centrada nos esforços de redução dos gases de efeito estufa” e a outra, “mais global, inclui questões de adaptação (às alterações climáticas) e de financiamento”.
 
O Protocolo de Quioto é centrado na redução de gases de efeito estufa (dos países desenvolvidos), mas, para o futuro acordo, os países em desenvolvimento pretendem que a adaptação aos impactos do aquecimento seja incluída”, destacou Meena Raman, da ONG Rede do Terceiro Mundo.
Para Alix Mazounie, do grupo de organizações francesas Ação Contra o Clima, as negociações não começaram verdadeiramente. “É verdade que a primeira semana (das conferências anuais da ONU sobre o clima) costumam ser assim, com muitas posições e os países traçando até onde podem ir”, concluiu.
 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Ricardo lll, desafia a coroa britânica 529 anos depois de morto

 
Ricardo III, retratado por William Shakespeare no imaginário coletivo como um odioso déspota, não parece disposto a dar trégua a seu país nem mesmo 529 anos depois de morto. Um estudo publicado na revista Nature Communications nessa semana confirma em “99,999%” que os ossos encontrados há dois anos, enterrados debaixo de um estacionamento de um edifício municipal em Leicester, são do último rei inglês morto em combate. Encerra-se assim a investigação forense mais antiga do Reino Unido. Mas o encerramento traz também uma pequena bomba de brinde: a descoberta de uma ruptura na linhagem masculina de sucessão que, segundo o professor de História da Universidade de Leicester Kevin Schürer, codiretor da pesquisa, “coloca conjunturas interessantes sobre a legitimidade da sucessão” até a própria Elizabeth II.
Ricardo III ascendeu ao trono em 1483, após a morte de seu irmão Eduardo VI. Em somente dois anos de reinado, colocou seu país de pernas para o ar. Na versão de Shakespeare, chegou a matar seus sobrinhos para poder reinar, ainda que a história só dê conta de que desapareceram. Matou a torto e a direito para conservar o poder, até que uma rebelião o derrubou aos 32 anos na batalha de Bosworth em 1485. Sua morte, lutando sem capacete e a pé – “Meu reino por um cavalo!”, clama o personagem de Shakespeare –, marcou o fim da dinastia Plantageneta e o início dos Tudor, com quem a rainha atual tem ligações de sangue.
Desde que, em 2012, foi encontrado um conjunto de ossos debaixo de um estacionamento no centro de Leicester, no que já foi a igreja de Greyfriars, onde as crônicas contam que o último rei de York foi enterrado sem muita pompa, uma equipe internacional liderada pela Universidade local esteve realizando exames genéticos para tentar confirmar a suposição inicial de que se tratava dos restos do monarca.
Ricardo III morreu sem deixar descendentes, o que fez a investigação genealógica voltar no tempo antes de encontrar seus parentes vivos. Mostras de DNA de seus ossos foram comparadas com as de doadores vivos, familiares do atual duque de Beaufort, descendente dos Plantageneta e dos Tudor.
A pesquisa dos genes mitocondriais, herdados pelo lado materno, demonstrou de forma conclusiva que se tratava de Ricardo III. Mas quando pesquisaram a linhagem paterna (cromossomos Y) descobriram algo inesperado: o DNA não batia com o de seus parentes vivos. O que revela que em algum ponto da história uma relação adúltera quebrou a cadeia de sucessão. Ou seja, alguém foi filho ilegítimo sem sabê-lo.
É quase impossível determinar em qual dos 19 elos da cadeia de sucessão pesquisada o adultério aconteceu. Mas se o filho ilegítimo for de João de Gante (descendente de Eduardo III) ou seu filho Henrique IV, isso poderia afetar os direitos sucessórios dos Windsor, parentes dos Tudor. Além disso, poderia ter causado, se fosse conhecido na época, consequências importantes no destino da Inglaterra: sem sua reivindicação dinástica, Henrique VII teria tido dificuldades em recrutar um exército para derrotar o próprio Ricardo III na batalha de Bosworth.
“Se João de Gante não fosse realmente filho de Eduardo III, Henrique IV não teria direito a reclamar o trono, assim como Henrique V, Henrique VI, nem, indiretamente, os Tudor”, explicou Kevin Schürer, professor da universidade de Leicester. “Mas estatisticamente é mais provável que a ruptura tenha ocorrido na parte mais baixa da cadeia”. Em qualquer caso, tentar comprovar onde a ruptura ocorreu requereria exumar outros cadáveres, o que não parece provável que aconteça.
A pesquisa lançou outras conclusões não menos inesperadas. O rei não era corcunda, como Shakespeare o retratou, mas sofria de escoliose, o que pôde ser visto facilmente ao se reconstruir a coluna em três dimensões com as vértebras encontradas. De fato, não parece ter sido “tão entrevado e desfigurado” que até os cachorros latiam para ele, como dizia o bardo de Avon, mas bem mais feito de corpo. As nove fraturas no crânio indicam, por outro lado, que não convinha perder o capacete em plena batalha medieval, como deve ter acontecido com ele. E as análises genéticas parecem indicar, ao contrário do que se acreditava, que o rei era loiro e de olhos azuis (ou tinha predisposição para isso em seus genes). Dessa forma, talvez Al Pacino, que documentou sua obsessão por entrar no personagem shakespeariano em Looking for Richard (1996), não fosse realmente o ator mais apropriado. Pelo menos, geneticamente.
O que parece claro é que seus restos descansarão para sempre na catedral de Leicester, depois que o Supremo Tribunal britânico indeferir, em maio, as pretensões de supostos descendentes, reunidos na chamada Aliança Plantageneta, que seus restos fossem levados para York, onde viveu por mais tempo. Encerrou-se assim a penúltima batalha de Ricardo III.
EL PAÍS. com

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

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Por que o lançamento da Orion é a melhor notícia para a humanidade em muito tempo


Sempre me disseram que eu não veria o início da jornada final da humanidade e o mais triste é constatar que em 1972 nós abandonamos um caminho que, possivelmente, a essa altura teria nos levado a Marte e outros planetas. Hoje abrimos as portas desse caminho novamente. Devemos comemorar: estamos voltando às estrelas.
Na década de 1960 colocamos a pontinha do dedão no oceano espacial. Era empolgante. Aquilo nos levou a incontáveis descobertas e tecnologias que tornaram possível o mundo em que vivemos hoje. Foi apenas um dedão nas águas do cosmos, mas logo em seguida voltamos correndo às areias seguras da Terra, quase assustados.
O ano de 1972 marcou a última missão da Terra à Lua e, com o fim dela, acabou também todo o otimismo da era espacial. Mas com a iminência da aniquilação nuclear, com a guerra no Vietnã em seu auge, nossa jornada rumo à Lua salvou o consciente coletivo do mundo. Como o repórter David Brinkley relatou na TV durante o especial de TV de véspera de Natal da Apollo 8, transmitido da órbita da Lua:
Mármore Azul
 
A raça humana, sem muitas vitórias recentes, teve uma hoje. Obrigado, Apollo 8. Você salvou 1968.
A Apollo 8 também nos trouxe esta foto. Ela teve uma repercussão enorme na psique humana, deu início ao movimento ambiental e à ideia de que deveríamos trabalhar juntos para estabelecer a paz na Terra. Depois dessa foto (e da Mármore Azul) os seres humanos notaram, enfim, que precisamos nos unir. Devagar, as coisas começaram a mudar.
Elas não mudaram rápido o bastante. Ainda estamos trabalhando nisso. E graças a políticas miseráveis e à nossa incapacidade de lidar com planos a longo prazo, abandonamos o caminho que o programa espacial dos anos 1960 abriu.
Talvez fosse muito cedo, como disse Carl Sagan em seu livro The Pale Blue Dot, de 1994, em palavras magnificamente ilustradas neste curta de Erik Wernquist:
20 anos depois dessas palavras, parece que a hora chegou.
Enviamos um veículo fantástico a Marte em uma missão aparentemente impossível que o mundo inteiro assistiu prendendo a respiração. Algumas semanas atrás, pousamos em um cometa. Nesta, enviamos outra nave para trazer material de um asteroide. Hoje nós lançamos uma nave que levará humanos de volta à Lua, asteroides, Fobos e Marte.
Então sim, eu olho para a Orion rasgando o céu azul, ouço minha celebração junto às de inúmeras outras pessoas, vejo milhões assistindo a esse evento que à primeira vista parece insignificante – apenas uma nave vazia que subirá e depois cairá no Oceano Atlântico – e sinto como se fossem os anos 1960 de novo.
O caminho está reaberto, um raio de Sol ilumina os portões, agora livre das videiras que cresceram em todos esses anos de abandono.
Hoje é um dia histórico, amigos. Hoje nós começamos a voltar às estrelas. E desta vez não haverá volta.
 

Desmatamento da Amazônia reduz chuvas em Buenos Aires

 
Se contassem a um portenho que já não chove tanto em Buenos Aires por causa do desmatamento na Amazônia, ele diria que tal afirmação é uma loucura. Mas se surpreenderia ao se inteirar de que 19% das chuvas que caem anualmente na bacia da Prata, se originam da umidade gerada pela floresta amazônica e dispersada rumo ao sul. A situação é tanto incrível como alarmante: a Amazônia é um dos fatores fundamentais que regula o clima da região e está gravemente ameaçada pelas atividades humanas.
Imaginar como era há 50 milhões de anos é quase impossível. É um período 1.000 vezes maior do que o correspondente à história da humanidade no planeta. Esse foi o tempo que a Amazônia demorou para se formar. No entanto, em apenas meio século o homem devastou quase 20% dela (provavelmente muito mais de um milhão de quilômetros quadrados de floresta, afetando também rios e outros ecossistemas).
Este dado é devastador. Para que seja mais simples visualizá-lo, pensem que só no Brasil cortaram 2.000 árvores por minuto durante 40 anos. Como explicaria graficamente o cientista Antonio Donato Nobre, esse terreno desmatado equivale a uma estrada de 2 quilômetros de largura construída da Terra até a lua. Mas isto também pode ser difícil de dimensionar. O problema da imensidade da Amazônia é que achamos que ela é inesgotável. E não é. Infelizmente.
A floresta amazônica, com seus rios e diversidade, é tão grande que se juntássemos os 28 países que fazem parte da União Europeia, o espaço obtido seria equivalente a penas 64% do território amazônico que é de 6,7 milhões de quilômetros quadrados. Esse conjunto de ecossistemas, mega diverso, dominado por florestas, se estende por nove países e nele vivem mais de 33 milhões de pessoas. Existem cerca de 350 comunidades indígenas, das quais em torno de 60 vivem em isolamento voluntário há séculos, para fugir das ameaças.
Amazônia abriga, provavelmente, mais de 10% da biodiversidade conhecida pelo homem e desemboca no mar quase 15% da produção de água doce do planeta. É a fonte principal de segurança hídrica, alimentícia e energética da América Latina, além de ser fundamental para garantir a saúde da região.
Apesar de tanta riqueza, a Amazônia enfrenta grandes pressões: estradas, pecuária, especulação imobiliária e ocupação ilegal, represas de hidrelétricas, plantações de soja, de palma, mineração, exploração petrolífera, tráfico de madeira e contaminação, só para nomear algumas. E para rematar, a mudança climática, o maior desafio ambiental de nossa história, intensifica as consequências das demais pressões.
Para o bem do mundo, conservar a Amazônia pode ser um ás na manga para reduzir o aquecimento da Terra e, mais ainda, para amenizar os impactos desse aumento de temperatura na América do Sul. É a região natural ideal para evitar ou reduzir as emissões de carbono mais rapidamente e de forma mais benéfica em termos globais. Graças a seu tamanho, sua estrutura ecológica e sua localização geográfica entre a Linha do Equador, a cordilheira dos Andes e o oceano Atlântico, cumpre uma função de reguladora do clima. É uma fábrica de produção hídrica: bombeia cerca de 20 bilhões de toneladas de água por dia, a melhor receita para enfrentar as secas.
Mas se floresta continuar a ser destruída, aumentarão as emissões de carbono (quando uma árvore é cortada o carbono que ela capturou durante toda a sua vida é liberado) e não haverá como fazer contrapeso às secas e a outros eventos climáticos mais intensos previstos pelo aquecimento global.
A combinação será devastadora e os países amazônicos, e toda a região, terão que enfrentar as consequências. Não se deve levar em conta apenas o quanto se devasta anualmente, mas o desmatamento agregado ao longo dos anos e os lugares onde a floresta está tão degradada que já não cumpre suas funções naturais. Já que a Amazônia funciona como uma região ecologicamente integrada, entre florestas, rios e atmosfera, sua degradação degenera os processos ecológicos e ela pode, não só deixar de ser benéfica para o clima continental e global, como também se tornar um problema. Não choverá como antes na bacia da Prata.
Mas há tempo para puxar o freio de mão e mudar de rumo. Podemos construir um modelo de desenvolvimento que entenda a conservação como uma oportunidade e não como um obstáculo. Precisamos fazer com que os países compreendam que as florestas e os rios amazônicos têm uma relação direta com a segurança climática.
Durante estas duas semanas o vento soprar a favor do complexo de florestas e rios mais importante do mundo. Ou, melhor, a favor da humanidade, que depende dela, de seus serviços, dos benefícios que rende. Este ano, se realiza, pela primeira vez, a Cúpula de Mudança Climática das Nações Unidas em um país amazônico. E embora as negociações sobre o clima sigam seu rumo independentemente de onde o evento ocorra, esse é o momento ideal para incluir a agenda amazônica nas negociações do clima. É o momento de os nove países que compartilham este ecossistema demonstrarem liderança e integração.
O Peru, país anfitrião da cúpula, se comprometeu a chegar à taxa zero de desmatamento em 2021. A Colômbia estabeleceu a meta de desmatamento líquido zero na Amazônia até 2020. O Brasil assumiu o compromisso de reduzir sua taxa de devastação em 80% e segue um bom caminho. A Guiana tem como objetivo manter o desmatamento em um nível muito baixo. Há grandes projetos também na Bolívia e no Equador, entre outros.
São compromissos importantes de conservação e proteção das comunidades locais que vivem na Amazônia e também de sua diversidade cultural e de seus mananciais de conhecimentos. Mas também são medidas com implicações climáticas importantes já que, segundo o IPCC, o painel de cientistas que assessora a ONU, 24% das emissões globais vêm do setor florestal, agrícola e de outros usMas ainda há muitos parafusos que necessitam de ajustes. Começando pelas 25 frentes de desmatamento que existem atualmente na Amazônia, distribuídas entre vários países. Apesar de o mundo ter visto o enorme esforço dos países latino-americanos para reduzir o desmatamento da Amazônia, e consequentemente as emissões do setor florestal, a devastação da floresta continua a ser gigantesca.os do solo. A metade desta porcentagem se deve ao desmatamento e à degradação das florestas.
Para superar essa situação é preciso fortalecer a governança pan-amazônica, respeitar os direitos de seus povos e comunidades, e articular para fortalecer as políticas dos nove países que abrigam em seus territórios essas selvas e rios. É vital contar com compromissos mais ambiciosos (como a taxa líquida zero de desmatamento para toda a Amazônia em 2020) e mais fortes (com decisões centrais e integradas de cada um dos Governos) dos países amazônicos. Finalmente, é preciso reconhecimento e apoio financeiro de outros países e também do setor privado.
Não se trata apenas de salvar o planeta ou as 427 espécies de mamíferos, 1.300 de aves, 378 de répteis, 400 de anfíbios e 3.000 de peixes que vivem na Amazônia. Também se trata de garantir a segurança hídrica, energética, alimentícia, de saúde e, sobretudo, climática. É um tema econômico e de qualidade de vida de nossas sociedades.
Dependemos das florestas: você e eu. Mas também o petroleiro, a estudante, a mãe, o minerador, o empresário, o carpinteiro, a médica e o padeiro. Todos. Então, por que continuamos a conduzir o planeta com os olhos vendados?
Hoje, milhares de funcionários de quase 200 países negociam um novo acordo para frear a mudança climática e para conseguir fazer isso é preciso haver vontade política. Para conservar a Amazônia, é necessário o mesmo. A chuva em Buenos Aires está nas suas mãos, assim como o bem-estar do continente e do mundo.
EL PAÍS - Brasil

Cientistas revelam 'aquecimento oculto' que acelera degelo da Antárica


Plataformas de gelo: na Antártica, a água mais quente do oceano está derretendo os blocos por baixo
Foto: Science

A água nas profundezas do oceano em torno da Antártica ficou mais quente nas últimas décadas, aos poucos “comendo” por baixo as gigantescas plataformas de gelo que avançam do continente sobre o mar e ameaçando até a própria integridade do imenso manto gelado que o recobre. Embora há tempos os cientistas desconfiassem que este processo estava acontecendo, um grupo internacional de pesquisadores pela primeira vez verificou o aumento na temperatura da água próxima ao leito oceânico da plataforma continental antártica, em especial na sua porção Oeste, que estaria por trás do rápido derretimento das plataformas de gelo observado nesta região. Apesar de ainda não se saber se o processo é irreversível, caso apenas as plataformas de gelo sobre os mares de Amundsen e Bellingshausen, na Antártica Ocidental, venham de fato a sumir ao longo dos próximos séculos, o nível médio global dos oceanos vai subir quase cinco metros, inundando cidades e regiões costeiras que hoje são lar da maior parte da população da Terra.
 

 
A aceleração do derretimento do gelo nesta área tem sido observada há algum tempo, causando uma grande contribuição para a elevação do nível do mar no mundo inteiro — lembra Karen Heywood, pesquisadora da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e uma das autoras do estudo, publicado na edição desta semana da revista “Science”. — O que demonstramos é como as mudanças oceanográficas no último meio século provavelmente causaram este derretimento. Se a água continuar a se aquecer, a crescente penetração de massas de água mais quente nas plataformas de gelo vai acelerar ainda mais este processo, com grande impacto no ritmo de elevação do nível do mar.
De acordo com os resultados do estudo, a água sob as plataformas de gelo de ambos mares no Oeste da Antártica tem se aquecido a uma taxa de 0,1 a 0,3 grau Celsius por década desde os anos 1960 e sua temperatura hoje varia entre 0,5 e 1,5 grau Celsius. Embora essas temperaturas ainda pareçam muito baixas, os cientistas alertam que elas representam um significativo e crescente aumento da transferência de calor de outras áreas do planeta para o oceano austral.
Pode não parecer muito, mas é uma enorme quantidade de calor extra disponível para derreter o gelo — destaca Sunke Schmidtko, do Centro Helmholtz de Pesquisas Oceânicas de Kiel, na Alemanha, e principal autor do estudo.
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O glaciologista Jefferson Cardia Simões, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que as plataformas de gelo também funcionam como “tampões” que bloqueiam o fluxo dos glaciares do manto sobre o continente em direção ao oceano. Sem elas, conta, não só o caminho ficará livre como seu derretimento acabará por “lubrificar” o processo, fazendo com que este fluxo fique ainda mais rápido. Além disso, ele lembra que por estarem “pousadas” diretamente sobre o oceano, as plataformas de gelo dos mares de Amundsen e Bellingshausen são mais sensíveis às variações na temperatura da água em volta da Antártica.
— As mudanças estão acontecendo muito rápido e não será um cenário muito bonito para o futuro se este processo continuar — diz. — Não é algo que vai acontecer da noite para o dia, e sim em 400 a 500 anos.
 
Ainda temos que esperar e ver se a região vai atingir um novo estado de equilíbrio e este processo vai parar em algum ponto, mas provavelmente estamos deixando de herança um grande problema para as futuras gerações.
Continente perde um Everest a cada dois anos
E, por enquanto, as perspectivas quanto a isso não são nada boas. Com uma cobertura de gelo de 2,1 quilômetros de espessura em média, a Antártica concentra cerca 70% de toda água doce da Terra que, se fosse totalmente derretida, elevaria o nível dos oceanos em 60 metros. Segundo outro estudo publicado hoje no periódico científico “Geophysical Research Letters”, feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Irvine, nos EUA, e do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa com base em dados de satélites da agência espacial americana e da Agência Espacial Europeia (ESA), a taxa média de perda de gelo em todo continente antártico desde 1992 chega a 83 gigatoneladas (bilhões de toneladas) ao ano, ou o equivalente a um monte Everest, a montanha mais alta do mundo, com uma massa estimada de 161 gigatoneladas, a cada dois anos. Mas o levantamento indica que os glaciares do Mar de Amundsen estão perdendo gelo quase três vezes mais rápido do que apenas pouco mais de 20 anos atrás. Lá, o ritmo do derretimento subiu de 6,1 gigatoneladas em 1992 para uma média de 16,3 gigatoneladas anuais entre 2003 e 2009.








quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Frase

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OMM diz que "El NIÑO" deve se formar e afetar Norte, Sul e nordeste do Brasil

Painel sobre El Niño aconteceu nesta quinta-feira (4) na COP 20, em Lima, no Peru (Foto: Eduardo Carvalho/G1)
 
A Organização Meteorológica Mundial, a OMM, divulgou nesta quinta-feira (4) que há 75% de chance de se formar um El Niño até março de 2015, que provocaria alterações no clima do Norte, Nordeste e Sul do Brasil, como estiagem e excesso de chuvas. O informe da OMM foi anunciado durante a Conferência Climática das Nações Unidas, a COP 20, que acontece em Lima, no Peru.
Batizado em homenagem ao Menino Jesus (em espanhol, "El Niño"), o fenômeno aquece a água do Oceano Pacífico e provoca alterações na atmosfera, como variações na distribuição de chuvas em regiões tropicais e de latitudes médias e altas, além de inconstância nas temperaturas.
De acordo com o texto, ao longo deste ano os meteorologistas detectaram anomalias que tinham características do El Niño em várias regiões do planeta, mas o fenômeno em si não tinha se formado.
Medições feitas nos últimos dois meses no Pacífico indicaram uma elevação da temperatura entre 0,5ºC e 1ºC acima do normal, o que indica que um El Niño de nível fraco deverá se formar. “Ele está se formando e não é uma boa notícia para o Nordeste, Norte e nem para o Sul do país”, explica ao G1 Maxx Dilley, diretor de previsões climáticas da OMM.
Anna Barbara Coutinho de Melo, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, explica. “O principal efeito é o excesso de chuva na Região Sul do país e parte da Argentina, e seca no Norte e Nordeste. No Rio Grande do Sul há grande chance de chuvas acima da média. A seca deve afetar Maranhão, Piauí, Ceará, Amazonas, Roraima e o restante do Norte. Não há como saber o volume da precipitação, nem quanto a temperatura deverá aumentar”, explica.
No entanto, Anna afirma que a chance de os termômetros baterem recordes como ocorreu no verão deste ano são remotas, já que isso aconteceu devido a um bloqueio atmosférico existente sobre o Brasil, que impediu a chegada de massas de ar frio sobre o país.
 

Nasa adia lançamento de cápsula para missões tripuladas

Ilustração da cápsula Orion durante o voo de teste
 
A nova cápsula espacial da Nasa, Orion, teve seu lançamento adiado devido à presença de um barco no litoral da Flórida, fortes rajadas de vento e, por fim, um problema técnico com o foguete.
O lançamento estava previsto para as 10h05 (horário de Brasília), e poderia ser atrasado até por volta das 12h45, no máximo. Nesse intervalo, a manobra foi iniciada e interrompida cinco vezes.
A primeira interrupção ocorreu devido à presença de um barco próximo do Cabo Canaveral, na Flórida, onde ocorria o lançamento. Resolvido o problema, os ventos fortes passaram a impedir o lançamento do foguete e, quando diminuíram, foi detectado que uma das válvulas de combustível e drenagem do Delta IV não fechou corretamente. O mau funcionamento não foi corrigido a tempo e o lançamento foi remarcado para esta sexta-feira, às 10h05 (horário de Brasília).
A cápsula Orion representa um investimento de bilhões de dólares e tem o objetivo de preparar o retorno dos Estados Unidos às viagens espaciais tripuladas, superando a conquista da Lua há mais de 40 anos.
Primeiro teste — No voo de teste, a sonda vai dar duas voltas ao redor da Terra, percorrendo mais de 96.000 quilômetros e atingindo altitude de 5.800 quilômetros, cerca de catorze vezes a distância da Estação Espacial Internacional (ISS) em relação à Terra. O pouso ocorrerá cerca de quatro horas e meia depois, no oceano Pacífico.
Durante a descida, a nave vai ultrapassar os 32.000 quilômetros por hora, alcançando temperaturas de até 2.200 graus Celsius — 80% da temperatura que seria atingida por uma missão lunar.
Veja.com

Asteroides ignorados podem causar grandes estragos, diz petição


Um grupo de mais de 100 cientistas e astronautas assinaram uma petição, no Reino Unido, solicitando maior atenção das autoridades para asteroides que podem se chocar com a Terra e acabar com a vida no planeta. As informações são do Daily Mail.
Segundo a publicação, os cientistas planejam criar, no próximo dia 30 de junho, um evento chamado "Dia da Consciência do Asteroide", para que exista um maior controle de pesquisa e de ação a respeito das - supostas - iminentes colisões.
A data foi escolhida em homenagem ao asteroide que atingiu a Terra em 1908, na região da Sibéria. Este foi o mais recente impacto que aconteceu no planeta e a devastação causada por ele foi de cerca de 2 mil quilômetros quadrados.
Estima-se que, dos mais de um milhão de asteroides que podem causar grandes danos à Terra, apenas 10 mil são conhecidos, ou seja, cerca de 1%. 
Isso significa que, a qualquer momento, um asteroide desconhecido pode entrar na atmosfera da Terra e causar uma destruição generalizada, sem nenhum aviso prévio. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

NASA testa cápsula que poderá levar humanos para Marte

O foguete Delta IV com a cápsula espacial Orion em local de lançamento em Cape Canaveral, Flórida

Na quinta-feira (4), a NASA irá iniciar um programa que planeja levar astronautas para além dos limites da órbita terrestre pela primeira vez desde 1972.
Nenhum astronauta estará a bordo do voo teste da cápsula Orion, mas a agência espacial americana espera que este seja o primeiro passo da nova fase da exploração humana no sistema solar.
A primeira missão tripulada da Orion está prevista para o começo da próxima década, e tem como objetivo final pousar um veículo com astronautas em Marte.
"Quinta-feira será o começo dessa jornada", afirmou o chefe do programa Orion Mark Geyer na terça-feira (2), em uma entrevista coletiva na sede da agência.
A cápsula Orion será lançada a partir da base da NASA em Cabo Canaveral, na Flórida. A decolagem está prevista para 10h05, horário de Brasília, pouco após o amanhecer no horário local.
O foguete que irá levar a Orion para o espaço irá impulsionar a cápsula de 3,35 metros até uma distância de 5 793 da superfície da Terra.
Por comparação, a Estação Espacial Internacional está 402 quilômetros distante do planeta.
A Orion, então, irá retornar à atmosfera da Terra, com velocidade de 32 000 km/h, caindo no Oceano Pacífico. A cápsula será levada de volta à Florida para análise detalhada dos resultados da viagem.
O voo de 375 milhões de dólares (valor equivalente a 961 milhões de reais) irá testar o desempenho do paraquedas, proteção do calor, além de outros sistemas vitais para a sobrevivência dos futuros tripulantes.
Mais de 1 200 sensores irão registrar informações para a missão.
Depois do voo teste, a próxima decolagem da Orion deve acontecer em 2018. O primeiro voo tripulado, por sua vez, não deve acontecer antes de 2021.
O próximo destino também é incerto. A NASA planeja capturar um asteroide e colocá-lo na órbita lunar, para que astronautas embarquem na Orion e analisem sua superfície.
Mas a agência americana esbarra em questões orçamentárias.
A missão Orion fazia parte de um programa que levaria astronautas americanos de volta à Lua, aprovado ainda no governo de George W. Bush e cancelado por Barack Obama, por ser caro demais.
Congressistas americanos conseguiram aprovar uma versão reduzida do programa - a cápsula que irá decolar na quinta-feira é parte do projeto.
Exame.com

Meteorito de Marte pode ter evidência de vida extraterrestre

Um pequeno pedaço do meteorito Tissint, que pousou na Terra em julho de 2011

O meteorito Tissint, que pousou no deserto de Guelmim-Es Semara, no Marrocos, em 18 de julho de 2011, possuía evidências de vida extraterrestre. As informações são do CNET.
O Tissint foi lançado da superfície de Marte por conta de uma colisão de asteroides cerca de 700 mil anos atrás.
A pedra de cerca de 11 kg mostrava evidências de água: estava cheia de pequenas fissuras nas quais havia material depositado na água.
Este material, na análise, acabou por ser um composto de carbono orgânico de origem biológica.
Ele não é o único meteorito em que foi encontrado o carbono orgânico, mas o debate sempre foi centrado no fato de o carbono ter sido depositado antes ou depois de o meteorito em questão cair na Terra – se é terrestre ou de origem extraterrestre.
De acordo com um estudo feito por pesquisadores que estudaram as fissuras de Tissint, o carbono orgânico não é do planeta Terra.
Segundo eles, existem vários pontos de elementos que provam isso. Primeiramente, houve um tempo relativamente curto entre o momento em que observaram o meteorito cair na Terra e quando ele foi recolhido.
O outro ponto é que as fissuras microscópicas na rocha teriam de ter sido produzida por um calor repentino elevado – tais como, por exemplo, o calor da entrada na atmosfera.
Este choque e as temperaturas necessárias para abrir as fissuras não poderiam ter vindo do deserto marroquino Outra evidência é que alguns dos grãos de carbono dentro do Tissint tinham endurecido e virado diamantes.
Não há condições conhecidas sob as quais isso poderia ter ocorrido na superfície do deserto marroquino – e certamente não no tempo que levou entre a queda e a descoberta do meteorito.
Por fim, o carbono contém uma elevada quantidade de deutério, hidrogênio pesado que contém um próton e um nêutron em seu núcleo – coerente com a composição geológica de Marte.
"Essa enorme concentração de deutério é a típica 'impressão digital' de rochas marcianas, como já descobrimos em medições anteriores" disse o Professor Ahmed El Goresy, da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, e coautor do estudo.
No entanto, de acordo com Yangting Lin, autor sênior do estudo e professor do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, seria um erro já considerar as evidências conclusivas.
"Nós não podemos e não queremos excluir totalmente a possibilidade de que o carbono orgânico dentro do Tissint pode ser de origem abiótica", escreveu Lin, que quis dizer que o carbono poderia ser físico na origem – desprovido de vida – e não orgânico.
"É possível que o carbono orgânico tenha sido originado a partir dos impactos de meteoritos condritos carbonáceos. No entanto, não é fácil conceber por qual processo o carbono poderia ter sido seletivamente extraído do impacto dos condritos carbonáceos, seletivamente removido do solo e depois impregnado nas veias extremamente finas da rocha”, afirmou Lin.
Exame.com