quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Frase

"Um vocábulo que eu não gosto é a palavra QUASE. Quase é uma derrota que chegou PERTO DAQUILO que era almejado."

Pesquisadores recuperam o conteúdo de pergaminho do século I calcinado

 

A imagem da esquerda não é um pedaço de carvão, mas um pergaminho do século I escrito em grego, com um texto, possivelmente, do filósofo epicurista Filodemo de Gádara. Esses são alguns dos segredos decifrados por um grupo de pesquisadores. Usando uma avançada técnica de imagem por raios X, puderam localizar letras e palavras escritas sobre um papiro completamente carbonizado.
No dia 24 de agosto do século I da era cristã, uma tremenda erupção do Vesúvio enterrou, sob toneladas de rochas vulcânicas e cinzas, várias cidades romanas como Pompéia e Herculano. A tragédia, entretanto, serviu para conservar algumas das maravilhas do Império Romano, como os afrescos dos palácios de Pompéia. No século XVIII, foi também descoberta a Villa dei Papiri, como foi denominada.
Na encosta do vulcão, em um povoado que havia pertencido ao sogro de Júlio César, quase 1.800 rolos de papiro foram encontrados debaixo de metros de cinzas solidificada. Somente alguns puderam ser desenrolados. A grande maioria dos papiros esperou, carbonizada, que a tecnologia permitisse lê-los sem destruí-los.
É o que, pelo menos em parte, um grupo de pesquisadores italianos e franceses conseguiu. A tarefa não era simples. O papiro, o material vegetal de que os pergaminhos são feitos, teve se suportar o castigo de uma onda de fogo de 320º, ficando enegrecido e compactado. Para complicar, os escribas usavam carvão vegetal para transcrever os textos. Assim, era negro sobre negro.
“A tinta à base de carvão não penetra nas fibras do papiro, mas fica agarrada sobre elas”, explicam os pesquisadores em seu trabalho, publicado pela revista Nature Communications. Esse detalhe foi fundamental para o sucesso de sua pesquisa. O texto escrito em um pergaminho fica em relevo. Somente poucos micrômetros (a milionésima parte de um metro), mas suficientes para, com a tecnologia apropriada, diferenciar entre o carvão da escrita e o carvão do papiro chamuscado.
Os pesquisadores do Istituto per la Microelettronica e Microsistemi del Consiglio Nazionale Delle Ricerche (CNR) contaram com a colaboração de colegas do Laboratório Europeu de Radiação Sincrotron, localizado em Grenoble (França), para analisar o pergaminho denominado PHerc.Paris.4, um dos dois rolos que Napoleão recebeu como presente do Reino de Nápoles em 1802.
Nas instalações do sincrotron, os cientistas puderam escanear o pergaminho usando uma versão da tomografia computadorizada de raios X (XCT). Muito usada na medicina, essa técnica de imagem se aproveita do fato dos materiais mostrarem índices diferentes de absorção dos raios X. Mas, ainda que seu contraste sirva para diferenciar entre material duro (ossos) e mole (tecidos), não basta para diferenciar um carvão de outro.
“A tinta do carvão e o papiro carbonizado têm uma composição muito semelhante e não podem ser diferenciados usando a XCT”, explica o pesquisador do CNR e principal autor da pesquisa, Vito Mocella. Usaram outra técnica (XPCT, na sigla em inglês) que aproveita as variações na capacidade refrativa (ou seja, a mudança de fase dos raios X) entre as estruturas de um material composto que absorvem de forma quase igual. Conseguiram assim realizar um aumento suficiente do contraste da imagem para ler o pergaminho sem desenrolá-lo.
Com essas imagens de raios X, os pesquisadores puderam localizar letras e até palavras em diferentes pontos do pergaminho. Escrito em grego, a língua culta e da filosofia da época, algumas das letras são evidentes, principalmente para especialistas. Outras, entretanto, podem confundir seu traço com as linhas das fibras do papiro.
“Depois de vários ensaios, selecionamos as amostras mais legíveis das imagens escaneadas”, disse em nota o pesquisador do CNRS francês e coautor do trabalho, Daniel Delattre. “Não tínhamos mais dúvidas, as curvas escuras não podiam ser confundidas com a rede de fibras do papiro. Podemos ver letras, deformadas e retorcidas letras gregas!”, acrescenta, exultante.
Mesmo que as sílabas recuperadas do interior do pergaminho ainda não permitam ler seu conteúdo, deram várias pistas sobre ele. Os cientistas aproveitaram a leitura com a mesma técnica de imagem dos fragmentos do papiro PHerc.Paris.1, um dos quais se tentou desenrolar nos anos 80 do século passado e acabou destruído, para fazer comparações entre ambos.
Dessa forma, puderam determinar com certo grau de certeza que foram escritos pelo mesmo escriba. O estilo das letras de um e de outro é idêntico. Sobre o conteúdo, ainda que a aposta seja arriscada, acreditam ser um texto filosófico. Seu autor poderia ser Filodemo De Gádara, um seguidor dos ensinamentos de Epicuro. Mesmo que ainda seja possível melhorar, os pesquisadores acreditam que foi aberta a porta da maior biblioteca da antiguidade que, mesmo carbonizada, chegou até os dias de hoje.
ELPAÍS.com

Cientistas acham cópia mais antiga do Evangelho em múmia

Papiro encontrado em múmia foi considerado o mais antigo trecho do Evangelho até hoje Foto: The Mirror / Reprodução

 
Um grupo de cientistas encontrou a cópia mais antiga do Evangelho em um papel papiro reutilizado para construir a máscara de uma múmia egípcia, revelou Craig Evans, doutor em Estudos Bíblicos e um dos responsáveis pela descoberta.
Trata-se de um fragmento do Evangelho de São Marcos, localizado há três anos e que, agora, especialistas da Universidade Evangelista de Acadia, no Canadá, consideram como o primeiro manuscrito do Novo Testamento da Bíblia de que se tem conhecimento.
Os cientistas acham que a origem do papiro remonta o primeiro século de nossa era, entre o ano 80 e 90 d.C., o que representa uma grande novidade. Até então, as cópias mais antigas datavam do século II depois de Cristo.
Os especialistas acreditam que alguém escreveu o fragmento de texto no papiro e, depois, outras pessoas reciclaram o material, muito caro na época, para elaborar a máscara funerária.
As máscaras de papel eram utilizadas pelas pessoas pobres do Egito, não tendo relação com as feitas em ouro e joias para cobrir os rostos dos grandes faraós, explicou Evans.
Acredita-se que São Marcos escreveu seu evangelho em Roma, acompanhado de São Pedro. Mas como a cópia viajou da atual capital italiana ao Egito? O caminho não é assim tão longo, garante o pesquisador.
"No Império Romano, o correio tinha a mesma velocidade de hoje em dia. Uma carta escrita em Roma pode ser lida no Egito semanas depois. Marcos escreveu seu evangelho no final dos anos 60 d.C, portanto, era possível encontrar uma cópia no Egito 20 anos depois", defende.
Para determinar a data dos papiros, os cientistas usaram uma técnica que permite descolar o papel das máscaras sem danificar a tinta. Dessa forma, os textos podem ser lidos com a mesma clareza.
Esse evangelho é uma das centenas de documentos que estão sendo analisados pela equipe de Evans, composta por mais de 30 especialistas.
"Estamos recuperando antigos documentos do primeiro, do segundo e do terceiro século depois de Cristo. Não só documentos bíblicos, mas também textos gregos clássicos ou cartas pessoais", explicou Evans, que revelou que alguns deles pertencem do poeta grego Homero, autor de grandes obras clássicas como "Ilíada" e "Odisseia".
No caso do fragmento do evangelho de São Marcos, foram analisadas também o design do projeto e as decorações da máscara, assim como o estilo da escrita e a datação do material, através do uso do isótopo carbono-14.
No final do ano, as descobertas serão divulgadas em uma revista especializada. Só então o público conhecerá qual o trecho do evangelho de São Marcos escondido nos papiros da máscara egípcia.

Módulo sobre cometa deve 'despertar' entre maio e junho

 
O módulo Philae, que pousou com sucesso em novembro do ano passado no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, deve despertar entre maio e junho deste ano, de acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA).
Inicialmente, estava previsto que o robô, em hibernação desde novembro, voltasse a funcionar em março, de acordo com os cálculos do Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES). Novas estimativas, entretanto, sugerem que seu possível "despertar” será atrasado em, pelo menos, um mês. "Esperamos que desperte, mas ninguém pode garantir", declarou Thomas Reiter, diretor de Navegação Espacial Tripulada e Missões da ESA, em entrevista coletiva no centro de operações de Darmstadt, na Alemanha, segundo informações da agência EFE.
O mais importante para que o robô enviado pela sonda Rosetta volte a mandar informações para a Terra é que sua temperatura supere zero grau. Isso deve acontecer quando o cometa 67P se aproximar do Sol, o que permitirá que as baterias do módulo sejam recarregadas com energia solar.
Bateria — Em 15 de novembro do ano passado, as baterias do Philae se esgotaram depois de mais de 60 horas de estudos na superfície. O módulo quicou duas vezes após tocar o 67P pela primeira vez, em 12 de novembro, e acabou indo parar em um ponto distante do previsto pelos cientistas. Perto de uma parede rochosa, ele não recebia luz solar suficiente para recarregar suas baterias e, por essa razão, não conseguiu permanecer em funcionamento.
De acordo com Reiter, a sonda Rosetta está a 29 quilômetros do cometa e os cientistas esperam que em fevereiro ela possa estar a 6 quilômetros de proximidade da superfície do 67P para enviar novas imagens.
 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O que vamos comer amanhã???

 
Todos os dias, o mundo joga no lixo entre 1/4 e 1/3 da comida que produz. Enquanto isso, 870 milhões de pessoas – mais de quatro vezes a população brasileira – acorda e vai dormir sem saber o que e quando vai comer.
Levando-se em conta que a população global chegará a 9 bilhões em 2050, como garantir comida a tanta gente, e ainda por cima a preços acessíveis? “É impossível vencer o problema da insegurança alimentar se não investirmos na América Latina para promover exportações e ajudar a alimentar o mundo”, comenta o gerente regional de agricultura do Banco Mundial, Laurent Msellati.
Quando fala em investimentos, ele não se refere só às técnicas para aumentar a produtividade, mas também ao conhecimento para enfrentar os principais riscos como secas, cheias e outros fenômenos climáticos extremos (e cada vez mais frequentes), pragas e até os altos e baixos da economia global.
Tudo isso é importante sobretudo para o maior produtor de alimentos da região, o Brasil, que em breve vai concluir seu primeiro diagnóstico das políticas e programas de gestão de risco do setor agropecuário.

Prevenir para economizar

O documento, a ser entregue ao Governo em março de 2015, apresenta recomendações e prioridades para uma melhor gestão dos riscos de um setor cuja safra foi de 194,5 milhões de toneladas em 2014, 3,3% maior do que a de 2013, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Técnicos do Banco Mundial, do Ministério da Agricultura (MAPA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) analisaram 7.000 questionários respondidos em todo o Brasil. Os riscos relacionados com a infraestrutura e logística do setor agropecuário, além das secas cada vez mais graves em todo o país, são as maiores preocupações dos atores do setor.
E, para o diagnóstico não se limitar as percepções do setor, foram feitas consultas com especialistas de Universidades e do setor público e privado em gestão dos diferentes riscos, comparando os resultados do questionário com os resultados de estudos científicos e avaliações de impacto.
“Conhecer os riscos à agricultura é importante para garantir o acesso à alimentação da população mais vulnerável e evitar que a economia seja impactada. Só no estado de São Paulo (que tem a maior participação na produção agrícola do país), uma queda de 10% na produção custaria mais de 4 bilhões de reais (cerca de 1,5 bilhões de dólares) em receitas fiscais”, explica Msellati.
Em compensação, se começar a agir rapidamente para prevenir riscos, o país tem muito a ganhar: um dólar investido em mitigação de riscos como desastres naturais economiza sete em ações de resposta.

Anos de prejuízo

Diagnósticos como o que o Brasil está concluindo vêm sendo feitos em menor escala em alguns dos estados – como Bahia e Paraíba, no nordeste – e em outros países latino-americanos, como o Paraguai.
Embora tenha produção bem mais modesta que a do Brasil, o país vizinho obtém 30,4% do PIB da agricultura. O setor ainda responde por 40% das exportações e gera 2 em cada 5 empregos.
Por tudo isso, não é difícil imaginar o impacto provocado por recentes secas, inundações e chuvas de granizo: só em 2011, as perdas na produção de soja custaram 920 milhões de dólares ao setor, além de 300 milhões em perdas na pecuária.
Segundo o relatório Análise de Risco do Setor Agropecuário no Paraguai, no mesmo ano, os pequenos produtores perderam entre 25% e 50% da produção. E, segundo cálculos relativos a 2014, as enchentes causaram perdas semelhantes.
Além disso, uma epidemia de febre aftosa entre 2011 e 2012 fez os mercados de exportação se fecharem ao Paraguai, o que custou ao país centenas de milhões de dólares desde então.
O documento recomenda desenvolver o sistema de pesquisa e transferência de tecnologias como sementes mais resistentes aos eventos climáticos e sistemas de irrigação inteligente para a agricultura familiar.
E, também, consolidar os serviços de sanidade animal, desenvolver uma bolsa agropecuária e seguros agropecuários – como os já existentes no Brasil compensando agricultores familiares que perderam a produção devido a adversidades do clima.
América Latina e Ásia serão responsáveis por mais de 75% da produção agrícola mundial na próxima década, segundo a FAO e a OCDE. Por esse e outros motivos, tais medidas são um passo adiante para garantir que a pergunta “O que vamos comer amanhã?” sempre terá resposta.
EL PAÍS.com

Astrônomos detectam ondas de rádio misteriosas vindas do espaço


 
Durando apenas milésimos de um segundo, astrônomos detectaram uma grande explosão de ondas de rádio, que teriam sido originadas de algum lugar além da Via Láctea. Os chamados 'estouros rápidos de rádio' são descritos na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society como pulsos fortes de energia que duram por apenas frações de segundos.
Eventos assim são registrados desde 2007 por cientistas - e até agora não se sabe o que são e de onde vêm. As hipóteses, na época de seu descobrimento, eram ondas de rádio que viajaram mais de 3 bilhões de anos-luz até serem detectadas por aqui - mas essa é uma distância bem grande, até mesmo para a astronomia. Houve quem sugeriu que o sinal vinha da atmosfera terrestre, do centro da galáxia e, até mesmo, que era o barulho do telescópio responsável pela primeira detecção (localizado no Observatório Parkes, na Austrália). Essa última hipótese parecia fazer sentido pois o telescópio de Parkes foi o único capaz de detectar esses sinais por muitos anos - até 2012, quando o Observatório Arecibo detectou sua primeira explosão de ondas de rádio.
E em maio de 2014, a professora Emily Petroff, da Universidade Swinburne detectou mais uma explosão. Ela determinou que o sinal veio de 5,5 bilhões de anos-luz de distância e era polarizado, sugerindo que um campo magnético próximo de sua origem havia alinhado as ondas em certas direções.
Petroff criou um software para espiar essas explosões - assim que uma onda dessas era detectada, 12 telescópios eram ativados para analisar o evento. E foi isso o que aconteceu agora, com todos eles registrando as ondas de forma simultânea. Como, mesmo com mais equipamentos, não foi possível identificar suas fontes astronômicas, os cientistas descartam possiblidades mundanas como uma supernova distante ou raios-gama.
Então o que são essas ondas? Ainda não se sabe. As novas hipóteses apontam para colisões entre buracos negros ou estrelas de neutrons, buracos negros evaporando ou erupções emitidas por estrelas de neutrons magnéticas, chamadas de magnetares.
Qualquer que seja a fonte das explosões, uma coisa é certa: ela é capaz de mandar ondas de rádio regulares através de um enorme trecho do cosmos.
Galileu.com
 

Policiais descobrem cemitério da época greco-romana em Alexandria

alexandria (Foto: wikimedia commons)

As autoridades do Egito descobriram um novo cemitério histórico que remete à época greco-romana e inclui várias tumbas e objetos em Alexandria, informou nesta terça-feira o Ministério de Antiguidades.
O achado aconteceu por acaso durante uma operação policial para interromper uma escavação ilegal debaixo de uma casa no monte de Mahran, situado na zona de Mina al Basal, a oeste da cidade de Alexandria.
Segundo um comunicado do Ministério, foram descobertas no cemitério 20 lâmpadas e 18 garrafas de vidro, além de várias vasilhas de diferentes tipos e tamanhos.
O ministro de Antiguidades, Mamduh al Damati, disse na nota que a vasilha descoberta dá uma ideia da produção de cerâmica na época greco-romana (332 a.C.-395 d.C.). As tumbas têm formato de nichos verticais escavados em rocha.
O presidente do departamento de Antiguidades Egípcias no ministério, Yousef Khalifa, acrescentou que entre as vasilhas também foram encontradas algumas utilizadas para preservar as cinzas dos mortos, de acordo com as tradições funerárias da época.
Galileu.com

Cidades na Terra evoluem da mesma forma que galáxias no espaço

 (Foto: NASA)

Existem certas leis familiares aos sociólogos que explicam de um jeito inacreditavelmente preciso a forma como vivemos em nossas cidades. Uma delas é a lei de Zipf: ela determina que, por exemplo, se a maior cidade de um país possui 10 milhões de habitantes, a segunda da lista tem 10 milhões dividido por dois, a terceira 10 milhões dividido por três, e assim por diante. Outros exemplos das chamadas leis de escala ou de potência são aquelas que calculam com precisão o alastramento de doenças ou então a probabilidade de duas pessoas serem amigas em uma cidade grande. Apesar de funcionarem muito bem, até então ninguém sabia explicar o porquê e nem de onde elas vinham. Uma dupla de astrofísicos acredita que acabou de descobrir nas estrelas a resposta para o enigma.
Henry Lin e Abraham Loeb, do Harvard-Smithsonian Centre for Astrophysics, descreveram uma teoria unificada para as leis de escala de populações humanas – algo que até então ninguém havia feito. Para isso eles utilizaram modelos cosmológicos que mostram a evolução das galáxias com base na densidade de matéria que elas abrigaram ao longo do tempo. “Nós tratamos a densidade populacional como a quantidade fundamental, pensando nas cidades como objetos que se formam quando a densidade populacional excede um limiar crítico”, escreveram no artigo. “A situação é, portanto, conceitualmente e matematicamente análoga à formação de galáxias no universo”, afirmaram.
Depois de chegarem a esta conclusão, os pesquisadores simplificaram a abordagem para verificar até onde ela podia chegar. Eles descobriram que o sistema era extremamente abrangente. “Nós derivamos um modelo estatístico simples que explica todas estas leis de escala em apenas um princípio unificado envolvendo o crescimento espacial aleatório de aglomerados de pessoas em todas as escalas”, escreveram. Em outras palavras, além de terem sintetizado uma teoria geral da evolução urbana, os astrofísicos ainda conseguiram determinar que as mesmas leis ocultas que regem comportamentos humanos consideravelmente complexos comandaram também a formação da própria galáxia em que vivemos – e de todas as outras no universo.
Galileu.com

Planeta anima cientistas em busca de vida extraterrestre

Concepção artística de exoplaneta
 
Três novos planetas situados fora do Sistema Solar foram descobertos por cientistas americanos, a partir de dados obtidos pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa. Um deles está na chamada "zona habitável" de sua estrela, isto é, a uma distância que permitiria a existência de água líquida em suas superfícies. Essa condição é indispensável para a potencial existência de vida, de acordo com os astrônomos.​
Liderado por pesquisadores das universidades do Arizona, da Califórnia e do Havaí, o novo estudo foi financiado pela Nasa e pela Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês). O artigo foi submetido à revista Astrophysical Journal, mas ainda não tem data para ser publicado.
Na primeira semana de janeiro, outro grupo dos Estados Unidos anunciou a descoberta de oito planetas na zona habitável de suas estrelas, com distâncias da Terra variando entre 475 e 1100 anos-luz. Além deles, os dados do Kepler já levaram à descoberta de mais de mil planetas.
Perto da Terra — A nova descoberta, no entanto, é considerada a mais promissora até agora na busca de planetas semelhantes à Terra. Os três novos objetos estão na órbita da estrela EPIC 201367065, que fica a cerca de 150 anos-luz da Terra. De acordo com os autores do estudo, essa distância, considerada pequena em escala astronômica, permitirá pela primeira vez o estudo de um planeta da zona habitável com os instrumentos e tecnologias atuais.
As dimensões dos novos planetas são 110%, 70% e 50% maiores que as da Terra. O menor deles, que tem a órbita mais distante de sua estrela, recebe níveis de radiação luminosa semelhante à que nosso planeta recebe do Sol, de acordo com Erik Petigura, um estudante de pós-graduação da Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele descobriu os planetas no dia 6 de janeiro, quando realizava uma análise computacional dos dados do Kepler. Segundo Petigura, há uma possibilidade real do planeta mais externo ser rochoso, como a Terra, o que significa que ele poderia ter a temperatura certa para a formação de oceanos de água líquida.
A estrela EPIC 201367065, segundo os autores, é uma anã-vermelha que tem aproximadamente a metade do tamanho e da massa do Sol e, portanto, emite menos calor e luz. A maior parte dos planetas descobertos pela missão Kepler, até agora, são envolvidos por uma espessa atmosfera rica em hidrogênio, que são provavelmente incompatíveis com a vida.
Exoplanetas, isto é, os planetas fora do Sistema Solar, são descobertos às centenas atualmente, embora os astrônomos fiquem na dúvida sobre a possibilidade de algum deles realmente ter condições semelhantes às da Terra. Segundo Andrew Howard, da Universidade do Havaí, a nova descoberta ajudará a resolver essa questão. O próximo passo será estudar as atmosferas do novo planeta com o telescópio Hubble e outros observatórios, para descobrir quais elementos existem em sua atmosfera. "Aprendemos no ano passado que planetas com o tamanho e a temperatura da Terra são comuns na Via Láctea. Também descobrimos alguns planetas do tamanho da Terra que parecem ser feitos dos mesmos materiais que predominam no nosso planeta, como pedra e ferro", disse.
Veja.com

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Pesquisadores criam vacina universal contra gripe

 Mulher com gripe

Pesquisadores americanos devem começar a testar em humanos uma vacina universal contra a gripe, que combateria todas as mutações do vírus com uma única injeção.
Os cientistas da Icahn School of Medicine, em Nova York, começaram a desenvolver a vacina há três anos, após a descoberta de uma nova subclasse de antivírus.
Quando o corpo entra em contato com o vírus influenza, ele produz naturalmente anticorpos, que são capazes de reconhecer todos os tipos da doença e mutações do vírus.
Nas vacinas convencionais, esses anticorpos são fabricados pelo organismo, mas em pequenas quantidades, que não conseguem protegê-lo contra todas as cepas do vírus.
"Se nós pudéssemos fabricar uma vacina que produzisse esses anticorpos em larga escala, então nós poderíamos criar um tipo de imunidade que forneceria proteção universal da gripe", afirma o professor de bioquímica Matthew Miller, um dos autores do estudo.
Ao contrário das vacinas atuais, que buscam atacar apenas algumas mutações da gripe, a vacina universal cobriria todas as cepas, eliminando a necessidade de vacinações periódicas, além de extinguir pandemias como a H1N1.
Os pesquisadores já testaram a vacina em animais, de forma bem sucedida.
A pesquisa, publicada na Journal of Virology, eliminou o último obstáculo para a realização de testes clínicos em pacientes humanos.
As primeiras aplicações em pessoas devem acontecer durante 2015.
Se tudo der certo, a vacina universal contra a gripe deve chegar ao mercado entre cinco e sete anos.
Todos os anos, cerca de 20 mil pessoas morrem em decorrência de complicações geradas pelo vírus da gripe.
Exame.com

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Nasa descobre planeta que pode ter sinais efetivos de vida

Concepção artística de um planeta habitável em torno de uma estrela anã vermelha, como o recém-descoberto (Crédito: PHL/UPR)
Uma descoberta épica acaba de ser feita pela missão K2, a segunda fase de operações do satélite Kepler, da Nasa. Seria apenas mais um planeta potencialmente similar à Terra, como tantos que já foram anunciados nos últimos anos, não fosse por um detalhe: ele é o primeiro a ser encontrado que permitirá a busca efetiva por sinais de vida em sua atmosfera.
Você pode se perguntar: mas por que os outros não permitiam isso? Qual o problema com os oito mundos recentemente anunciados, ou o Kepler-186f, que fez manchetes em 2014? Em essência, esses planetas estavam distantes demais para permitir o posterior estudo de suas atmosferas.
Esse não é o caso do planeta que recebeu a designação EPIC 201367065 d. Ele tem um diâmetro cerca de 50% maior que o da Terra e completa uma volta em torno de sua estrela-mãe a cada 44,6 dias terrestres. Os dados da missão K2 revelaram a presença de outros dois planetas, um com cerca de 2,1 vezes o diâmetro terrestre, completando uma volta em torno da estrela a cada 10 dias, e o outro com 1,7 vez o diâmetro da Terra e período orbital de 24,6 dias.
A grande vantagem, contudo, é a distância que a estrela EPIC 201367065 guarda de nós — cerca de 150 anos-luz. Não é que esteja “logo ali”, como diria o outro, mas é perto o suficiente para que possamos aplicar a tecnologia atual para estudar diretamente a atmosfera desse mundo. E isso, por sua vez, pode carregar pistas da existência de vida.
A BENESSE DO TRÂNSITO
Hoje em dia, é muito difícil observar diretamente a luz que emana de um planeta fora do Sistema Solar. Algumas câmeras especiais já conseguem fotografar planetas gigantes em órbitas longas em torno de seus sóis, mas isso ainda não é possível para planetas pequenos e rochosos em órbitas suficientemente próximas a ponto de permitir que a água se mantenha em estado líquido na superfície — condição aparentemente essencial para o surgimento e a manutenção da vida.
Então, o único meio de estudar a atmosfera desses mundos é nos casos em que eles “transitam” à frente de suas estrelas, com relação ao nosso campo de visão. Assim, parte da luz da estrela atravessa de raspão a atmosfera do planeta e segue até nós, carregando consigo uma “assinatura” da composição do ar.
Pois bem. O satélite Kepler detecta planetas justamente medindo as sutis reduções de brilho das estrelas conforme eles passam à frente delas. Por um lado, isso limita brutalmente a quantidade de planetas que podemos detectar, pois exige que o sistema esteja alinhado de tal forma que esses mini-eclipses sejam visíveis daqui. (Estima-se que apenas 5% dos sistemas planetários estejam num alinhamento favorável.) Por outro lado, os planetas que descobrimos já são alvos naturais para estudos de espectroscopia, a análise da tal “assinatura” na luz que passou de raspão pela atmosfera.
O satélite Kepler detecta planetas observando trânsitos deles à frente de suas estrelas-mães. (Crédito: Nasa)
Acontece que a missão original do Kepler não era buscar mundos que pudessem ser estudados assim. Quando ele foi projetado e lançado, a quantidade de planetas conhecidos ainda não era tão expressiva, de forma que o objetivo principal do satélite era obter descobertas suficientes para formular um censo da distribuição dos planetas pelo Universo. Para isso, a Nasa o apontou para uma única região do céu, um pequeno cantinho que representa apenas 0,25% do total da abóbada celeste, mas que tinha grande concentração de estrelas. Ele passou quatro anos monitorando cerca de 150 mil estrelas ininterruptamente. O sucesso foi notável. O Kepler já descobriu sozinho mais planetas que todos os outros esforços e projetos que vieram antes dele. Mas um efeito colateral indesejável é que a maioria desses planetas está a uma distância grande demais para permitir esses estudos atmosféricos.
Na missão K2, contudo, a história é outra. Em tese, ela nem deveria existir. Sua formulação foi motivada por um defeito no satélite Kepler, que impediu que ele permanecesse mantendo seu apontamento preciso exigido pela missão original. A Nasa acabou resolvendo a questão usando a própria luz solar como um “apoio” extra para manter o telescópio espacial firmemente apontado, mas com isso é preciso manter a espaçonave sempre alinhada com o Sol, o que significa que o Kepler, conforme avança em sua órbita, agora troca periodicamente a área celeste em foco. São apenas 80 dias para cada região do céu escolhida. Além disso, a precisão das observações diminuiu, de forma que agora a prioridade são estrelas mais próximas — qualidade, em vez de quantidade. Na prática, agora começamos a buscar de fato planetas que iremos estudar a fundo nos próximos anos.
O que nos leva à estrela EPIC 201367065. Ela é uma anã vermelha, um astro com cerca de metade do diâmetro do nosso Sol. Menos quente e luminosa, portanto, o que significa que a chamada zona habitável fica bem mais perto dela do que acontece no Sistema Solar. Segundo os cálculos dos astrônomos, o terceiro planeta do sistema recebe aproximadamente 50% mais radiação de sua estrela que a Terra ganha do Sol. Se isso se traduz num planeta com temperatura amena, como o nosso, ou num inferno escaldante, como Vênus, depende basicamente da composição e da densidade da atmosfera desse mundo misterioso.
O JOGO JÁ COMEÇOU
E aí é que entra a parte interessante. Em vez de simplesmente especular sobre isso, os astrônomos já podem colocar a mão na massa. E não só com o planeta possivelmente habitável, mas com os outros dois, ligeiramente maiores, nas órbitas mais internas. Seriam eles mais parecidos com versões miniaturizadas de Netuno, o menor dos gigantes gasosos do nosso Sistema Solar, ou estão mais para superterras, mundos essencialmente rochosos? Os cientistas apontam em seu artigo, submetido para publicação no “Astrophysical Journal”, que o Telescópio Espacial Hubble seria capaz de analisar o espectro e verificar a presença de grandes invólucros gasosos de hidrogênio nesses planetas, caso eles não tenham grandes coberturas de nuvens na alta atmosfera.
E a coisa vai ficar melhor ainda a partir de 2018, quando a Nasa lançar ao espaço o Telescópio Espacial James Webb. Ele será capaz de detectar dados espectrais correspondentes a uma atmosfera similar à terrestre. Por exemplo, se um desses mundos tiver uma atmosfera como a nossa, onde predomina o nitrogênio, nós saberemos. Se ela contiver grandes quantidades de dióxido de carbono, como é o caso de Vênus, também.
Isso sem falar na medida mais natural a ser tomada desse sistema planetário — a observação dos efeitos gravitacionais que os planetas exercem sobre a estrela-mãe. Com as tecnologias atuais, já seríamos capazes de detectar o bamboleio gravitacional realizado pela estrela conforme ela é atraída para lá e para cá pelos planetas girando em torno dela. E, com isso, saberíamos suas massas. Juntando essa nova informação aos diâmetros, já medidos pelo Kepler, conheceríamos a densidade. E, a partir dela, poderíamos inferir se estão mais para planetas como a Terra ou mundos gasosos, muito menos densos.
“Ao nos permitir medir as massas e as condições atmosféricas de três planetas pequenos num único sistema, a EPIC 201367065 representa uma oportunidade empolgante para o teste de teorias de formação e evolução planetária num único laboratório extra-solar”, escrevem os cientistas encabeçados por Ian Crossfield, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.
Os astrônomos já têm o caminho todo mapeado. A ideia é que o K2, assim como seu sucessor, o satélite TESS, que deve ser lançado em 2017, descubra mais alvos promissores, como os do sistema EPIC 201367065. Quando o James Webb for ao espaço, em 2018, terá uma lista considerável de planetas para estudar — potencialmente centenas deles. Todos interessantes, mas obviamente nem todos tão bons para a vida quanto a Terra. Contudo, se, de toda essa amostra de mundos, apenas um tiver uma atmosfera rica em oxigênio sem que esse gás possa ter sido produzido em quantidade apreciável por processos não-biológicos (como é o caso do nosso planeta), já teremos a certeza de que não estamos sós no Universo.
Difícil imaginar uma época mais empolgante que esta em toda a história da espécie humana. Quem viver verá.
Folha de S.Paulo.com

sábado, 17 de janeiro de 2015

Sonda New Horizons entra nos primeiros estágios do encontro com Plutão

  (Foto: nasa)

Em 179 dias a sonda New Horizons, da Nasa, terá a sua maior aproximação de Plutão. No entanto, hoje a história já começa a ser escrita: sua aparelhagem já está analisando dados sobre o misterioso planeta-anão e seus arredores.
A Nasa ainda não divulgou fotos, mas já começou a analisar a poeira e o plasma nas proximidades de Plutão. As primeiras imagens, segundo a agência, devem ser divulgadas no início de fevereiro - e foram prometidas imagens incríveis (melhores do que as do Hubble) em maio!
Vale a pena lembrar que a New Horizons tirou um retrato de Plutão quando estava próxima a Netuno, em agosto de 2014 - e essa foto ilustra o início da nota.

Erupção vulcânica em Tonga cria nova ilha

Vulcão localizado 65 km a noroeste de Nuku'alofa, capital de Tonga, entra em erupção e cria nova ilha - 17/01/2015
 
Um vulcão em erupção no arquipélago polinésio de Tonga criou uma nova ilha devido ao acúmulo de enormes rochas e cinzas expelidas há um mês, anunciaram nesta sexta-feira as autoridades locais.
O vulcão, localizado 65 km a noroeste da capital do reino, Nuku'alofa, despertou no dia 20 de dezembro pela primeira vez nos últimos cinco anos, explicou o ministério de Terras e Recursos Naturais.
A erupção ocorreu em de duas crateras, uma situada na ilha desabitada de Hunga Ha'apai e a outra submarina, a 100 metros da costa.
Especialistas inspecionaram a região na quinta-feira e constataram que a erupção havia mudado a paisagem. "A nova ilha tem mais de um quilômetro de comprimento, dois de largura e uma centena de metros de altura", declarou o ministério em um comunicado.
"Observamos que o vulcão lançava a cada cinco minutos, mais ou menos, cinzas e rochas a 400 metros de altura", acrescentou a fonte.
A erupção provocou grandes danos à vegetação das ilhas de Hunga Tonga e de Hunga Ha'apai.
Tonga, um reino de 170 ilhas que conta com 120 000 habitantes, está localizado sobre o cinturão de fogo do Pacífico, onde as placas continentais se encontram, provocando uma atividade sísmica e vulcânica muito intensa.
Veja.com

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Mudança climática: Elevação do nível do mar se acelerou mais do que se pensava



Em seu documentário Uma Verdade Inconveniente, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore alertava que o aquecimento global provocaria uma elevação do nível do mar de mais de 6 metros num futuro próximo, sepultando cidades à beira-mar. Foi um dos exageros mais criticados do filme do Prêmio Nobel da Paz de 2007.
Na realidade, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), das Nações Unidas, que compartilhou o Nobel com Gore, calcula que o nível do mar se elevou a um ritmo de 1,7 milímetro por ano durante o século XX. Durante o século XXI, estimam, o oceano subirá, em média, entre 0,22 e 0,44 metro em relação aos níveis de 1990.
Um novo estudo argumenta agora que as cifras do IPCC para o século XX também estão “superestimadas” e é necessário “revisar” as projeções para o futuro. Seus autores, da Universidade Harvard (EUA), reajustaram os modelos matemáticos com as últimas técnicas disponíveis e calculam que o nível do mar subiu apenas 1,2 milímetro ao ano entre 1901 e 1990.
O trabalho, publicado nesta quarta-feira na revista Nature, está longe de minimizar o problema. Os pesquisadores, liderados pela física Carling Hay, alertam que a aceleração da subida do nível do mar nas últimas duas décadas é maior do que se pensava, alcançando 3 milímetros ao ano entre 1993 e 2010.
O nível do mar sobe porque a água se expande à medida que se aquece e pelo derretimento do gelo terrestre. No entanto, a elevação não é uniforme, mas depende de uma multiplicidade de padrões geográficos analisados agora em detalhe pela equipe de Harvard, que também leva em conta os registros históricos das marés e os dados de satélite. Para o climatologista Jonathan Gregory, coautor dos informes do IPCC, a nova pesquisa é “um passo útil adiante”.
Carling Hay lembra que algumas projeções para o futuro “se embasam nas reconstituições do nível do mar no passado, por isso será importante ajustar esses modelos com os novos dados”.
O IPCC calcula que o nível do mar subiu 120 metros depois do último período glaciar vivido pela Terra, há uns 21.000 anos, até estabilizar-se há uns dois milênios. Depois disso, o mar ficou calmo, até que a Revolução Industrial fez dispararem as emissões de CO2, e o nível do mar voltou a subir. Um estudo recente financiado pelo Governo espanhol concluiu que o nível do oceano no litoral espanhol aumentará entre 0,6 e 0,8 metro ao longo do século XXI se nada for feito para reduzir as emissões.

O ano de 2014 foi o mais quente já registrado desde 1880

Mapa colorido da NASA exibe anomalias de temperatura no ano de 2014, o mais quente já registrado
 
O ano de 2014 foi o mais quente já registrado desde 1880, de acordo com uma análise feita por cientistas da NASA e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.
Em média, a temperatura do planeta como um todo aumentou 0,8 graus Celsius desde que começaram os registros oficiais, há 134 anos.
Para quem procura um resumo visual dos números, a agência espacial americana fez um vídeo que mostra a elevação das temperaturas da Terra com base em séries de cinco anos mapeadas entre 1880 e 2014.
A maior parte desse aquecimento ocorreu nas últimas três décadas. Não por acaso, os 10 anos mais quentes já registrados, com exceção de 1998, ocorreram desde 2000.
Como indicam as sólidas pesquisas na área, esta tendência de aquecimento está em grande parte relacionada ao aumento crescente das emissões de dióxido de carbono na atmosfera e de outros gases de efeito estufa liberados, preponderantemente, por atividades humanas.
A análise incorpora medições de temperatura de mais de 6.300 estações meteorológicas em todo o mundo, além de dados de temperaturas coletados a partir de medições nos oceanos e de estações de pesquisas da Antártida.
Os cinco anos mais quentes já registrados*
2014: +0,27°C
1998: +0,22°C
2013: +0,20°C
2010: +0,20°C
2005: +0,17°C

Nasa localiza sonda perdida há 11 anos em Marte

Imagem revela a sonda Beagle-2 pousada suavemente sobre a superfície de Marte. (Crédito: Nasa)
A imagem, obtida pela espaçonave americana Mars Reconnaissance Orbiter, revela após mais de uma década que fim teve a missão. Sem telemetria da descida, os engenheiros ingleses imaginavam que a sonda tivesse se chocado violentamente com o solo, depois de usar para-quedas supostamente insuficientes para freá-la na tênue atmosfera marciana.
Pelo visto, eles acertaram da primeira vez, e o pouso aconteceu exatamente conforme mandava o figurino. O que falhou foi a abertura dos paineis solares. O Beagle-2 era composto por quatro pétalas circulares que precisavam se abrir para revelar os equipamentos em seu interior.
Isso explica também por que nunca mais se ouviu falar dela. Sem a abertura correta dos paineis, a antena da sonda não fica exposta para transmitir dados.
Caso tivesse aberto inteiramente, a Beagle-2 teria ficado assim. (Crédito: ESA)
Embora não haja meio de reativar a velha sonda, a descoberta tardia renova a confiança dos europeus, que pretendem voltar a levar um módulo de pouso a Marte na temporada 2016-2017, com o programa ExoMars. Curiosamente, alguns dos equipamentos da Beagle-2 foram incluídos no programa, mas somente chegarão ao planeta vermelho, em 2019, quando um jipe robótico europeu será levado à superfície.
Batizada de Beagle em homenagem à embarcação que levou Charles Darwin em sua célebre viagem de pesquisa, a sonda perdida em 2003 tinha por objetivo buscar sinais de vida em Marte. As espaçonaves do programa ExoMars — um orbitador, um módulo de pouso estático e um jipe — têm a mesmíssima meta, com o benefício de já contarem com todo o conhecimento construído ao longo da última década sobre o planeta vermelho.
O fato de que o Beagle-2, apesar de ter fracassado cientificamente, conseguiu pousar em segurança melhora ainda mais as estatísticas de pousos robóticos conduzidos pelos europeus no Sistema Solar. Em 2005, a sonda Huygens desceu com sucesso na lua Titã, de Saturno, e no ano passado o módulo Philae transmitiu dados direto da superfície do cometa Churyumov-Gerasimenko. Com o sucesso parcial da Beagle-2 em Marte, são três tentativas e três pousos suaves. Aproveitamento de 100%. Nada mal. Que sirva de bom agouro para as esperadíssimas missões ExoMars.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Asteroide passará perto da Terra no dia 26 de janeiro

Asteroide 2004 BL86 tirando uma fina da Terra (Foto: NASA)
Antes de tudo, queremos informar que não corremos perigo. A NASA confirmou que o asteroide que passará perto da terra no dia 26 de janeiro não tem nenhuma chance de nos atingir. Que bom - porque o impacto seria gigante. Pelo brilho do 2004 BL86, astrônomos acreditam que ele tenha cerca de 500 metros de diâmetro, altura equivalente a um prédio de 160 andares.
O asteroide passará a 1,2 milhão de quilômetros da Terra - cerca de três vezes a distância da Lua. Será o mais próximo que um corpo celeste desse tamanho chegará de nosso planeta até 2027, quando o 1999 AN10, de 800 metros, nos visitará. O 2004 BL86 só deve voltar a se aproximar da Terra daqui a 200 anos.
Astrônomos da NASA vêem a aproximação de um asteroide desse porte como uma oportunidade ímpar de “observar e aprender mais”. Para isso, eles usarão um sistema de radares de ondas que coletará fotos e informações do corpo celeste. Don Yeomans, um dos diretores da agência espacial, disse que os asteróides são algo especial e que “futuramente eles trarão recursos valiosos para humanidade, como água e minérios”.
Já nós, civis, não poderemos ver o asteróide a olho nu, mas será possível observar a passagem dele com telescópios amadores.
O 2004 BL86 foi descoberto em janeiro de 2004 pelo telescópio LINEAR (Lincoln Near-Earth Asteroid Research) na cidade do Novo México.

Países responsáveis pelo aquecimento global devem escapar 'ilesos' dele, mostra mapa

Países em verde estão melhor preparados para lidar com catástrofes (Foto: Reprodução)
Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos no mundo todo, e naturalmente levantam uma questão importante: quais são os países mais vulneráveis às ameaças naturais que devem se intensificar ao longo deste século? Para chegar a um panorama científico deste cenário preocupante, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Notre Dame criou o ND-Gain Index, um medidor que classifica 177 países de acordo com dados obtidos desde 1995.
O índice avalia indicadores em duas variáveis: prontidão e vulnerabilidade. A primeira indica se a nação está bem preparada econômica, política e socialmente para lidar com as crises, portanto, quanto maior, melhor; já a segunda mede o quanto cada território está exposto às mudanças climáticas através das condições de seis setores básicos – comida, água, saúde, serviços de ecossistema, habitat humano e infraestrutura. Logo, quanto menor, melhor.
Os dados da última atualização da pesquisa em 2013 apontam para uma realidade não tão surpreendente: segundo o ranking, os países industrializados que historicamente “criaram” o aquecimento global são os que menos devem sofrer com ele. Confira abaixo os dez primeiros colocados e os dez últimos (quase todos na África):
1. Noruega
2. Nova Zelândia
3. Suécia
4. Finlândia
5. Dinamarca
6. Austrália
7. Reino Unido
8. Estados Unidos
9. Alemanha
10. Islândia
169. Guiné-Bissau
170. Afeganistão
171. Haiti
172. Nigéria
173. Sudão
174. República Centro-Africana
175. República Democrática do Congo
176. Burundi
177. Eritreia
178. Chade

“O mapa mostra que os países ocidentais, que são indiscutivelmente os maiores responsáveis por causar as mudanças climáticas, são os menos vulneráveis e melhor preparados, o que os torna os mais prováveis candidatos para sobreviver aos impactos severos das mudanças climáticas”, escreveu Jonathan Whiting no blog do grupo britânico Eco Experts. Os “culpados” podem até escapar do olho do furacão, mas certamente sentirão alguns de seus efeitos. “Em última instância, não vão existir ganhadores nos efeitos das mudanças climáticas, todos os países serão impactados de alguma forma. O tamanho do impacto depende das decisões tomadas agora pelos líderes mundiais”, destacou.
Whiting usou a base de dados do ND-Gain Index para criar o mapa que você vê acima, que mostra perfeitamente a situação revelada no ranking. Veja abaixo o caso da América do Sul - onde Uruguai e Chile são os campeões.
 
 (Foto: Reprodução)

Nível do mar sobe mais do que o previsto por cientistas

o grande canal, em veneza (Foto: wikimedia commons)

Um estudo publicado pela revista "Nature" revela que o aumento do nível do mar foi "significativamente maior" do que o esperado pelos especialistas para a última década do século XX e a primeira do atual.
A pesquisa, realizada por Carling Hay e Eric Morrow no Departamento de Ciências Planetárias e Terrestres da Universidade de Harvard, constatou que o aumento global do nível do mar entre 1900 e 1990 foi superestimado em 30%. No entanto, o estudo mostra que, apesar das controvérsias sobre o assunto na comunidade científica, os últimos dados divulgados sugerem que os cálculos sobre a elevação dos níveis dos oceanos a partir de 1990 estão corretos, o que confirma uma aceleração do aumento do nível do mar.
"Esta pesquisa mostra que o aumento do nível do mar ocorrido durante o século passado foi maior do que o esperado. É um problema maior do que pensávamos inicialmente", alertou Morrow.
Segundo Hay, atualmente sabe-se que a maioria das camadas de gelo do mundo, assim como as geleiras, está derretendo em função do aumento das temperaturas, o que provoca uma "elevação global do nível do mar".
"Outra preocupação a este respeito é que muitos dos esforços realizados para obter projeções sobre a mudança do nível do mar no futuro utilizam os dados superestimados do período 1900-1990", afirmou Morrow.
As estimativas que utilizam esses números como base estão comprometidas, e é necessário, portanto, adotar uma "perspectiva completamente nova", segundo os pesquisadores.
Normalmente, explicou Carling Hay, as estimativas sobre o aumento do nível do mar são feitas a partir de dados dos marégrafos e do registro nas variações sofridas nas "sub-regiões" nas quais os oceanos são divididos. Esses registros, acrescidos de dados complementares mais específicos, servem para estimar a elevação do nível do mar em cada "sub-região", que, somadas, dão origem a uma média global.
"No entanto, estas médias simples não representam o real valor do aumento global. Os marégrafos estão situados ao longo das costas, portanto extensas áreas de oceano não estão incluídas nas medições", explicou Hay.
Segundo o estudo, o nível do mar muda "por diversos motivos", entre os quais estão os "efeitos duráveis da última glaciação", "o aquecimento e a expansão do oceano em função do aquecimento global", as "variações na circulação de água" e o "degelo".
Hay e Morrow elaboraram suas novas previsões a partir da observação de "um conjunto de evidências globais", até chegar a determinar "como as camadas de gelo individuais" contribuem para a elevação do nível do mar.
"Devemos levar os sinais de glaciação em consideração, entender como os modelos de circulação de água nos oceanos se alteram e também como a expansão termal afeta os modelos regionais e a média global", destacaram.
Galileu.com

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Astronautas precisam evacuar parte americana da ISS

Astronautas comemoram Natal na estação espacial

Os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) tiveram que evacuar a seção americana da estação na manhã desta quarta-feira. Alarmes soaram por volta das 4h do horário local (7h de Brasília) indicando um aparente vazamento de amônia. Em comunicado, enquanto o dados ainda eram analisados, a Nasa ressaltou  que a possibilidade de um vazamento parecia improvável.
Posteriormente, a agência espacial americana concluiu que um problema nos computadores disparou o alarme e não houve vazamento de amônia, gás usado em sistemas de refrigeração. Em poucos minutos, o controle da missão liberou os astronautas para voltarem ao lado norte-americano, mas os mandou de volta ao lado russo novamente quando surgiram mais evidências de um possível vazamento.
O gás amônia, altamente tóxico e que flui do lado de fora da estação espacial, é usado para o resfriamento de equipamentos eletrônicos. Os controladores de voo temiam, originalmente, que o gás tivesse entrado no sistema de água corrente na estação. Agora, acredita-se que uma falha dos computadores tenha provocado o alerta.
Os tripulantes, três russos, dois norte-americanos e a astronauta italiana, permanecerão em três compartimentos relativamente pequenos no lado russo por enquanto. O gerente do programa da Estação Espacial, Mike Suffredini, disse que, embora seja inconveniente para os seis ficarem isolados no lado russo, não há problemas de salubridade ou outro tipo de preocupação. Os controladores esperam permitir a volta do grupo para o lado norte-americano até a noite de quarta-feira.
Autoridades espaciais russas primeiramente informaram a existência de um vazamento, mas depois voltaram atrás em comunicado.
 
A estação — A ISS é um dos raros domínios da cooperação russo-americana que não sofreu com a degradação das relações entre os dois países com a crise na Ucrânia, que fez com que os ocidentais adotassem sanções econômicas sem precedentes contra a Rússia.
No entanto, Moscou anunciou na terça-feira que decidirá na primavera se manterá as atividades da ISS além de 2020, como desejam os americanos.
A Rússia fornece à estação seu principal módulo, onde se situam os motores-foguetes. Além disso, os foguetes russos Soyouz são, desde o fim das atividades das naves espaciais americanas, o único meio de se chegar e de repatriar a tripulação da ISS.
Dezesseis países participam da ISS, posto avançado e laboratório espacial colocado em órbita em 1998 que custou 100 bilhões de dólares, financiados principalmente pela Rússia e pelos Estados Unidos.
(Com Agência France-Presse e Estadão Conteúdo)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Frase

Foto de Frase Seleta.

O que esperar de cientistas em 2015

Acelerador de partículas
A longa espera finalmente acabou: o Grande Colisor de Hádrons (LHC) será reiniciado em março, após um desligamento de dois anos.
O enorme acelerador de partículas do CERN, o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear que abriga o laboratório de física de partículas, nos arredores de Genebra, na Suíça, começará a funcionar com colisões a 13 trilhões de elétronvolts, quase o dobro do recorde atual. Cientistas esperam que essa energia adicional ajude o colisor a revelar fenômenos que preencham lacunas no modelo padrão da física de partículas.
A popular teoria de supersimetria, já questionada, poderia se tornar ainda mais desfavorável se o LHC aprimorado não conseguir encontrar evidências das muitas partículas pesadas previstas pela teoria.

Acordo climático

Estados Unidos e China, os maiores emitentes de carbono do mundo, fizeram promessas históricas em 2014 para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas.
Isso poderia desimpedir o caminho para um novo acordo climático global sob os auspícios da ONU em um encontro marcado para dezembro deste anoem Paris. Naocasião, os países participantes esperam finalizar um documento juridicamente vinculativo, estabelecendo metas de emissões pós-2020.
Enquanto isso, o nível anual médio de dióxido de carbono (CO2) que retém o calor na atmosfera, poderia superar 400 partes por milhão (ppm) pela primeira vez em milhões de anos.

Fim da pandemia de Ebola

Profissionais de saúde esperam acabar com a propagação do vírus na Guiné, Libéria eem Serra Leoa. Issoexigirá uma aplicação mais ampla de medidas comprovadas de saúde pública, como detecção rápida e isolamento de pessoas infectadas.
Ensaios clínicos de vacinas estão previstos para início do ano e os resultados devem ser anunciados em junho.
Já estão em andamento testes de vários medicamentos, além de tratamentos que envolvem transfusões de sangue ou plasma rico em anticorpos de pessoas que sobreviveram ao Ebola. Se sua eficácia for comprovada, as terapias sanguíneas poderiam ser aplicadas em breve e de forma bastante abrangente.

Viagens a planetas-anões

Cometas já eram; agora é a vez de planetas-anões.
Em março, a sonda Dawn da Nasa chegará ao protoplaneta Ceres, o corpo mais massivo no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Acredita-se que haja água congelada sob sua crosta.
Além disso, após viajar cinco bilhões de quilômetros, a sonda robótica New Horizons, também da agência espacial americana, finalmente chegará a Plutão, devendo fazer sua maior aproximação em 14 de julho.
O encontro promete fornecer a primeira olhada de perto daquele mundo rochoso e suas luas; além de obter novos dados sobre a atmosfera plutoniana.

Reluzentes laboratórios novos

Em novembro, o Instituto Francis Crick, de US$ 1 bilhão, será inaugurado no centro de Londres, devendo abrigar 1.250 pesquisadores em seu edifício em forma de cromossomo.
Mais ao norte, o Instituto Nacional Grafeno (National Graphene Institute), de £61 milhões (equivalente a cerca de US$ 92,9 milhões), abrirá suas portas nesta primavera boreal na University of Manchester, no Reino Unido. O centro, financiado em parte pelo governo britânico, é um elemento-chave da campanha da cidade universidade para criar o que chama “Graphene City”, ou seja, “Cidade do Grafeno”, em sua disputa para ganhar a corrida global para comercializar o cobiçado “material prodígio”.
Além disso, em Seattle, no estado de Washington, o Instituto Allen para Ciência Celular, de US$ 100 milhões, financiado pelo bilionário Paul Allen, da Microsoft, começará a se aprofundar no estudo da unidade mais básica do corpo — a célula.

Drogas para detonar o colesterol
Companhias farmacêuticas estão competindo para lançar uma nova classe de medicamentos para o controle de colesterol no mercado e algumas delas podem atingir essa meta ainda este ano.
As terapias, que reduzem os níveis de lipoproteínas de baixa densidade (LDL, na sigla em inglês), [o chamado “colesterol ruim”] ao visarem a proteína PCSK9, mostraram-se promissoras em ensaios clínicos.
No ano passado, duas drogas assumiram a dianteira do grupo competidor: uma da Amgen de Thousand Oaks, na Califórnia, que entrou com pedido de aprovação nos Estados Unidos em outubro, e outra da parisiense Sanofi, na França, que já recebeu garantias de uma revisão acelerada por reguladores americanos.
Decisões sobre os dois medicamentos são esperadas até o verão boreal deste ano.

Ondas no espaço-tempo

A busca por ondulações no tecido do espaço-tempo ganhará ferramentas melhores.
Mais para o final do ano, os detectores do Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria Laser (Ligo, na sigla em inglês), instalados em Richland, Washington, e em Livingston, na Louisiana, emergirão de um grande upgrade para aumentar sua sensibilidade.
Após duas décadas de tentativas, a equipe do Ligo espera vislumbrar as ondas previstas por Albert Einstein há quase um século.
E, no outono boreal, a Antena Espacial de Interferômetro a Laser (Lisa, na sigla em inglês), da Agência Espacial Europeia (Esa) começará a testar tecnologias similares para “caçar ondas” para uma missão cujo lançamento está programado para 2034.

Respostas a enigmas antigos

Palaeogeneticistas esperam sequenciar o genoma completo do humano, de 400 mil anos, encontrado na profunda caverna de Sima de Los Huesos, no norte da Espanha.
O milenar genoma mitocondrial humano foi publicado em 2013, produto de um esforço hercúleo em vista da deterioração dos ossos do espécime. Descodificar o restante do genoma deverá ser ainda mais difícil devido à relativa escassez de DNA nuclear.
Os resultados poderiam ajudar a esclarecer a ligação evolutiva entre humanos, neandertais e outro grupo antigo chamado denisonavos, além de identificar episódios de miscigenação entre hominíneos distantemente aparentados.

Manobras políticas

Grandes mudanças estão em andamento ao redor do mundo.
O governo russo vai reavaliar 450 institutos de pesquisa vinculados à Academia de Ciências da Rússia, depois de ter revogado a independência da instituição em 2013.
No Reino Unido, os cidadãos irão às urnas em maio para a primeira eleição geral desde 2010, e o Parlamento decidirá se permitirá ou não a chamada “fertilização in vitro com três pais” [que combina o DNA de três pessoas para criar um embrião sem falhas genéticas]. A aprovação da técnica seria um inédito global.
A União Europeia quer discutir como substituir a posição de conselheiro científico, eliminada em 2014, e os Estados Unidos verão seu Congresso operar sob controle republicano.

Previsão oceânica

Dois novos navios de pesquisa americanos estão avançando a todo vapor: a National Science Foundation comissionará formalmente seu Sikuliaq, destinado ao Ártico, e o Neil Armstrong do Instituto Oceanográfico de Woods Hole (WHOI, na sigla em inglês) iniciará suas operações científicas.
A Alemanha também ganhará um novo navio de pesquisa, que compartilha seu nome com seu antecessor: Sonne [Sol, em alemão].
Em outros projetos marítimos, a Iniciativa Observatórios Oceânicos (Ocean Observatories Initiative), um esforço dos Estados Unidos para monitorar os mares em tempo real, será concluída no final de maio.
E o Japão provavelmente reiniciará sua caça “científica” a baleias em águas antárticas, após um hiato imposto pelo Tribunal Internacional de Justiça.
Scientific American Brasil

O cometa Lovejoy somente poderá ser visto na Terra, até o dia 31

Cometa Lovejoy (Foto: Wayne Jaeschke/ Creative Commons)

Com um brilho esverdeado, o cometa Lovejoy (C/2014 Q2) está visível na Terra desde o fim de dezembro. No Brasil, porém, ele se tornou aparente somente desde o dia 9, e permanecerá exibindo seu núcleo, que mede entre 3 e 5 quilômetros, até o próximo dia 31. Apesar do tamanho relativamente pequeno da cabeça, ou coma, atinge cerca de 600 quilômetros, ao expelir gases, vapor e poeira conforme se aproxima do Sol. O cometa se move a uma velocidade de cerca de 132 mil km/h e está a 74 mil quilômetros de distância da Terra.
É possível observá-lo com a ajuda de um binóculo em lugares em que o céu esteja limpo e o mais longe possível da poluição luminosa, como as luzes de cidade grande (foi mal, São Paulo). Hoje, o cometa passa próximo da constelação de Touro, subindo à direita da constelação de Orion, identificável através de seu cinturão, formado pelas popularmente conhecidas Três Marias, como mostra a imagem abaixo do site Universe Today. É possível ainda acompanhar a trajetória do cometa no site Live Comet Data.
 
O cometa Lovejoy foi descoberto em agosto de 2014, pelo astrônomo amador australiano Terry Lovejoy, que trabalha com tecnologia da informação. “Não tem nenhum segredo, meu trabalho na área de TI me ajudou muito com o uso do telescópio e, consequentemente, com essa descoberta”, afirmou o entusiasta da astronomia a CNN. A última vez que o satélite esteve tão próximo da Terra foi há 11 mil anos. Quem não conseguir visualizá-lo agora poderá tentar de novo daqui a 8 mil anos.

Como desvendar os "segredos" de uma caixa-preta

Caixa-preta
 
Um laboratório localizado em Farnborough, no sul da Grã-Bretanha, é apenas um de três em toda a Europa e é similar às instalações em que serão analisadas as caixas-pretas do voo QZ8501 da AirAsia, que caiu nas águas territoriais da Indonésia.
O laboratório tem isolamento acústico e é magneticamente blindado para bloquear aparelhos de escuta.
 De acordo com a legislação internacional, as únicas pessoas que podem escutar as gravações são os investigadores e membros da tripulação.

Corrosão

Alto-falantes pelas quatro paredes ajudam a recriar a atmosfera de um cockpit.
A gravação de conversas e sons do cockpit é carregada em computadores e analisada pelos peritos.
Mas antes disso há passos importantes a serem tomados.
 
Caixa na água doce
 
No caso da AirAsia, por exemplo, os peritos mergulharam as caixas-pretas em água doce para evitar a corrosão pela água salgada depois de duas semanas submersas.
Depois, os peritos precisam checar se os circuitos - ou fitas magnéticas no caso de aviões mais velhos - estão completamente secos, para evitar perda de dados. 
 
Isso é feito colocando os circuitos - um para as gravações de cockpit e outro para os dados técnicos do comportamento da aeronave - dentro de armários desumidificadores.
"As gravações de voz no cockpit podem fornecer informações quase instantâneas para responder perguntas que os investigadores têm em mente", disse à BBC Mark Ford, da AAIB, a agência britânica que investiga desastres aéreos.
 
Circutio de uma caixa-preta
 
Os peritos se interessam tanto pelas vozes de pilotos e da tripulação como por ruídos de fundo.
"Procuramos também pelo som atrás dos sons. Informações, por exemplo, que podem dar pista sobre o funcionamento dos motores", completou Ford.
A parte mais complicada é a análise de dados técnicos (sons e dados são gravados por caixas-pretas diferentes).
Depois, o conteúdo das duas caixas é analisado em conjunto para que se tenha uma maior ideia do que possa ter ocorrido.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Fenômeno no Oceano Pacífico leva a verões pouco chuvosos no país

O que a crise hídrica em São Paulo e a seca na Califórnia, que enfrenta a pior estiagem em 1,2 mil anos, têm em comum? O resfriamento da porção norte do Oceano Pacífico. A cada 50 ou 60 anos, a queda da temperatura do Pacífico - que afeta o padrão climático em praticamente todo o mundo, com consequências diferentes em cada região, - tem tornado a distribuição de chuva no Brasil irregular.
Chamado de Oscilação Decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês), o fenômeno caracteriza-se pela alternância entre fases quentes e frias na área tropical e subtropical do Oceano Pacífico, principalmente no hemisfério norte. Cada ciclo dura de 25 a 30 anos e afeta cada parte do planeta de forma distinta.
Atualmente, o oceano está no auge da fase fria. Na última fase fria, entre o fim dos anos 50 e início dos anos 60, o Brasil enfrentou quatro anos seguidos de verões secos. Caso o padrão se repita, as chuvas só voltarão ao normal em 2016.
“No ano passado, a PDO originou um bloqueio no Oceano Pacífico que reforçou a Alta Subtropical do Atlântico Sul, tornando o verão seco. Neste ano, as condições no Pacífico estão neutras, mas ainda com um pouco de resfriamento. Ainda são necessários estudos, mas é bem provável que o Oceano Pacífico esteja mais uma vez influenciando o verão brasileiro em 2015”, diz a meteorologista da Climatempo Bianca Lobo.
Desde 2012, quando começou o auge da fase fria do Pacífico, o Brasil enfrenta verões com chuvas abaixo da média. No Centro-Oeste, a PDO leva a verões com chuvas mal distribuídas. No entanto, o que deixa de chover em um mês é compensado nos meses seguintes. No Sudeste, principalmente em Minas Gerais, o fenômeno origina verões secos. Atualmente, Tocantins, Piauí e Maranhão também atravessam um período de seca, mas a estiagem deve-se ao resfriamento do Oceano Atlântico na costa do Nordeste, sem relação direta com a PDO.
As fases frias da Oscilação Decadal do Pacífico estão associadas a manifestações fracas do El Niño, aquecimento do Oceano Pacífico na porção equatorial (próxima à linha do Equador). Para este ano, estava previsto um El Niño que levaria a chuvas um pouco acima do normal nas Regiões Sul e Sudeste no início de 2015. No entanto, a temperatura do oceano na região equatorial ainda está em condições neutras. Até agora, o El Niño não se formou.
“O aquecimento provocado pelo El Niño, que começaria em julho do ano passado, só ocorreu na primavera. Mesmo assim em intensidade baixa demais para que seja decretado o El Niño. Por enquanto, o Pacífico está em condições de neutralidade”, explica o diretor-geral da Metsul Meteorologia Eugenio Hackbart.
Jornal do Brasil
 

A árvore mais velha do Brasil

São necessários cerca de 10 homens para abraçar o Patriarca (Foto: Divulgação)

Quando sua semente germinou no solo de onde hoje fica a cidade de Santa Rita do Passa Quatro, interior de São Paulo, o mundo estava a um milênio do início da era cristã; as civilizações grega e romana, pilares da cultura ocidental, ainda não haviam se consolidado, e levaria 2500 anos até que as naus portuguesas aportassem no Brasil. Da tal semente brotou por volta do ano 1000 antes de Cristo o jequitibá-rosa que hoje é carinhosamente chamado de Patriarca, devido à sua imponência e por ser a árvore brasileira mais antiga de que se tem registro.
As proporções do vegetal ancião impressionam: depois de três mil anos de vida, ele atingiu uma altura de 40 metros, o equivalente a um prédio de 13 andares. Com um diâmetro de 3,6 metros e circunferência medindo 11,3 metros, são necessários cerca de dez homens para conseguir abraçar o tronco inteiro. De acordo com um site de turismo do município paulista, as raízes da árvore chegam a uma profundidade de 18 metros e seu peso bruto foi calculado em 264 toneladas, o equivalente a 53 elefantes com peso médio de cinco toneladas. Especialistas estimaram que, sozinho, o Patriarca tenha sequestrado mais de 132 toneladas de CO2 ao longo de sua existência. Segundo a prefeitura local, o jequitibá-rosa reúne aproximadamente 190 metros cúbicos de madeira, montante que possibilitaria construir em torno de 15000 cadeiras.
Para assegurar que este último dado permaneça sendo apenas uma curiosidade e que ninguém danifique este valioso patrimônio natural brasileiro, o governo de São Paulo mantém no local uma reserva chamada Parque Estadual de Vassununga, que abriga uma das maiores quantidades de jequitibás-rosa do mundo. A área protegida foi criada em 1970 e atualmente é gerida pela Fundação Florestal, vinculada à secretaria estadual do meio ambiente.
 
 
A majestosa árvore só está de pé até hoje graças à consciência dos antigos donos do terreno, relata o órgão. “A presença dos jequitibás no parque deve-se às ações de preservação ambiental que ocorreram no passado, decorrentes da postura conservacionista dos proprietários particulares”, informou a instituição. Mas será que depois de viver por tanto tempo, o Patriarca pode ser considerado um vegetal “velho” biologicamente falando? Ele apresenta diferenças metabólicas se comparado com um espécime mais jovem de jequitibá-rosa?
De acordo com os especialistas da Fundação Florestal, sim. Parece que nossa árvore anciã, assim como outros ents da vida real, adquirem uma existência mais pacata conforme envelhecem. “As diferenças entre uma planta jovem e outros adultos mais velhos estão ligadas às fases de crescimento, produção de flores e frutos”, explicam os especialistas do órgão. “Um indivíduo jovem normalmente apresenta um crescimento mais rápido que indivíduos adultos mais velhos”, afirmam.
Para conseguir chegar à impressionante idade de três milênios, o Patriarca teve de resistir à implacável e sempre presente ameaça humana, seja com os antigos machados ou com as atuais motosserras. Mas também precisou superar alguns fatores biológicos: a ação de pragas como insetos ou outros agentes como vírus e bactérias podem decretar a morte de uma planta por causas naturais, sem contar o risco de possíveis raios ou incêndios.
A seleção natural, porém, influencia de forma decisiva no período de vida de uma árvore – e é por isso que não vemos tantos “ents” espalhados por aí. “Algumas espécies têm um período de vida curto, no entanto estabelecem como estratégia produzir muitos descendentes; já outras demoram vários anos até chegar à fase reprodutiva, e normalmente produzem apenas um filhote, no entanto dedicam a este descendente um esforço de cuidado maternal que pode durar por vários anos”, explicam os biólogos da fundação.
Galileu.com

domingo, 11 de janeiro de 2015

O ano de Plutão - e outras missões espaciais que marcarão 2015

A sonda New Horizons vai se aproximar de Plutão em julho, e fazer as primeira fotos 'in loco' do planeta
 
O ano de 2015 será aquele em que a exploração espacial chegará, pela primeira vez, bem perto de Plutão. Em julho, a sonda New Horizons, da Nasa, se aproximará do planeta anão, que está a 5,8 bilhões de quilômetros do Sol, equivalente a 40 vezes a distância entre a Terra e a estrela. Nunca o vimos de perto. Corpos celestes assim podem indicar como se deu a formação de planetas como o nosso.
“Podemos esperar uma revolução em nosso conhecimento sobre os pequenos planetas. Hoje, não sabemos quase nada sobre eles, mas, em pouquíssimo tempo, teremos revelações surpreendentes”, diz Alan Stern, líder da missão New Horizons e cientista do Southest Research Institute, nos Estados Unidos (SwRI, na sigla em inglês).
A missão New Horizons dará continuidade a um ano em que a exploração espacial fez história. Em 2014, em uma missão cinematográfica, a sonda Rosetta chegou ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko depois de passar mais de dez anos viajando no espaço. Ela liberou o módulo Philae para pousar na superfície do cometa e coletar dados diretamente da sua superfície.
Suas primeiras análises foram divulgadas em dezembro, revelando que a água de nosso planeta não deve ter origem extraterrestre. Em 2015, informações vindas da Rosetta devem continuar chegando até nós e, em conjunto com os dados de outras ousadas missões espaciais, como a New Horizons, vão fornecer pistas que ajudarão os cientistas a construir a complexa história da origem do cosmo. 
Lançada em 2006, quando Plutão ainda não havia sido reclassificado como planeta anão, a missão pretende trazer detalhes dessa região desconhecida do espaço e de onde as melhores imagens foram feitas por telescópios espaciais, como o Hubble. "Colocar a palavra 'anão' na frente de Plutão não diminui a importância desses corpos celestes. Sempre é bom lembrar que o Sol que nos ilumina é uma estrela anã. Com essa missão, teremos a chance de investigar Plutão e alguns planetas ainda menores. Queremos tirar toda a ciência possível desse sobrevoo, que nos dará uma compreensão melhor do lugar de Plutão em nosso Sistema Solar", diz o astrônomo Hal Weaver, cientista da missão New Horizons e pesquisador do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. 
Depois que passar por Plutão, a New Horizons se aproximará de outros planetas anões do Cinturão de Kuiper. Astros como os que compõem essa parte do universo se chocaram com os planetas rochosos na época de sua formação, sendo incorporados a eles. Por isso, os cientistas imaginam que eles podem indicar a origem planetária.
“Esse cinturão é equivalente a uma escavação arqueológica na história da formação dos planetas”, explica Alan Stern. “Essa é uma missão de prioridade máxima para a Academia Nacional de Ciências americana por causa de seu imenso valor científico.”
Grandes feitos — Para os astrofísicos, missões dessa amplitude são comparáveis ao pouso do primeiro robô em Marte, o Viking 1, que chegou ao planeta vermelho em junho de 1976 e revelou seus detalhes, ou ao momento em que as sondas Voyager 1 e 2 enviaram as primeiras imagens feitas de perto de Júpiter, Urano e Netuno, e descobriram que esses planetas gigantes tinham anéis e uma grande quantidade de satélites, na década de 1980.
"Muita coisa está mudando na astronomia por causa dessas sondas que fazem medições in loco", afirma Rundsthen Vasques de Nader, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e astrônomo do Observatório do Valongo, na UFRJ. "O primeiro pouso em um cometa foi como a viagem de Colombo à América, mais ou menos como atravessar o Oceano Atlântico sem saber o que vamos encontrar com outro lado. Plutão é um corpo que estudamos há algum tempo, mas ainda precisamos saber mais sobre sua superfície e composição."
Ondas gravitacionais — Além de buscar elementos que possam revelar a origem dos planetas, as missões espaciais de 2015 vão investir também na compreensão da formação do Universo. A sonda LISA Pathfinder, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), deve ser lançada durante este ano e testará os futuros instrumentos para a detecção de ondas gravitacionais, minúsculas distorções no campo gravitacional do Universo previstas pela Teoria da Relatividade de Einstein. Esse fenômeno, que seriam um “eco” de grandes eventos espaciais como o Big Bang, ainda não foi comprovado pelos cientistas.
“Se essa missão for bem sucedida e se as ondas gravitacionais forem comprovadas, isso mudará o que sabemos sobre a ciência. Esse fenômeno, se for percebido, vai revolucionar a astronomia”, diz Enos Picazzio, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo.
Gêmeos — Outro evento original será um estudo feito com os gêmeos americanos Scott e Mark Kelly, que analisará os efeitos de uma longa permanência no espaço. Enquanto o primeiro passará um ano na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), o outro ficará na Terra, para que comparações sejam feitas. 
Em novos eventos científicos, os astrônomos também enviarão instrumentos que ajudarão na compreensão dos ventos e dos campos magnéticos que orbitam ao redor de nosso planeta. Reunindo missões que buscam decifrar a formação planetária, os primeiros passos do Universo e eventos ao redor da Terra ainda não claramente compreendidos pelos pesquisadores, a ciência busca compreender os delicados mecanismos que tornam nossa vida no planeta – e no cosmo – possível. 
“Sabemos que a compreensão de fenômenos terrestres como o clima depende do entendimento da mecânica do universo, pois tudo está interligado. Só iremos decifrar a história da vida na Terra, se é que um dia chegaremos a desvendá-la, por meio desses pequenos ‘tijolinhos’ de conhecimento trazidos por essas missões. Aos poucos, eles se unem para montar o quebra-cabeça da evolução da vida no universo”, diz Picazzio. 
 
CHEGADA A PLUTÃO
Plutão ainda não havia sido reclassificado como planeta anão quando a sonda New Horizons (Novos Horizontes, em tradução livre) foi lançada pela Nasa, em 19 de janeiro de 2006, para estudá-lo. A New Horizons chegará ao seu destino em julho e fará as primeiras fotos in loco de Plutão e de Charon, a maior lua desse planeta anão. Esse objeto é tão grande em comparação com Plutão (tem cerca de metade de seu tamanho), que alguns pesquisadores preferem considerá-los como um sistema planetário duplo.
 
"A resolução das imagens da New Horizons serão melhores que as melhores fotos tiradas pelo telescópio Hubble. No momento da maior aproximação, as imagens da New Horizons terão a resolução de uma aproximação de cerca de 100 metros. Assim, objetos do tamanho de uma bola de futebol serão vistos. Pela primeira vez, Plutão e seus satélites serão mostrados em toda a sua complexidade e diversidade e deixarão de ser apenas pontos de luz, que é a forma como os telescópios os veem", diz  o astrônomo Hal Weaver, cientista responsável pela missão New Horizons e pesquisador do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.  
 
Em seguida, a New Horizons viajará para uma região do Sistema Solar conhecida como Cinturão de Kuiper, que se estende de Netuno até depois de Plutão. Nesse Cinturão existem diversos planetas anões, mas a área foi até hoje pouco explorada por missões espaciais. Esses pequenos planetas são importantes por tratar-se de relíquias de mais de 4 bilhões de anos. A viagem ao Cinturão de Kuiper, no entanto, está prevista para o período entre 2016 e 2020.
Veja.com