quarta-feira, 18 de março de 2015

Cerca de 750 milhões de pessoas não têm acesso à água potável

Cerca de 750 milhões de pessoas no mundo vivem sem acesso à água potável, o que resulta na morte de mais de 500 mil crianças por ano, informa comunicado divulgado hoje (18) pela organização Plan Internacional.
Por ocasião do Dia Mundial da Água, que será comemorado domingo (22), a organização não governamental (ONG) de proteção aos direitos da infância lembrou que o recolhimento de água é um trabalho de mulheres e, sobretudo, de crianças, na maioria dos países em desenvolvimento da África, Ásia e América.
A falta de água de qualidade e potável "agrava a pobreza dos países em desenvolvimento" e causa "subnutrição e morte", comenta.
"Uma criança morre por minuto devido à falta de acesso à água limpa", destaca o comunicado.
No ano passado, a Plan Internacional investiu mais de 42 milhões de euros em projetos de água e saneamento e na melhoria de instalações sanitárias de mais de 800 mil famílias.
"Embora a meta fixada pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), de 89% de cobertura de água potável em nível mundial, tenha sido alcançada em 2012, ainda há 45 países que não conseguiram chegar a esse objetivo e não deverão atingí-lo até 2026", de acordo com os cálculos da ONG.
A diretora-geral da Plan Internacional na Espanha, Concha Lopez, garantiu que "o acesso à água potável em uma comunidade melhora de forma decisiva aspectos como a educação e a igualdade de gênero".
Lopez acrescentou que ter um ponto de água próximo de casa "melhora os índices de presença na escola e contribui para o cumprimento de outro ODM: garantir a educação primária universal".
Os programas dessa organização estendem-se a projetos contra doenças como a malária ou a cólera em vários países, como a região de Kayes, no Mali, onde uma de suas iniciativas, financiada pela União Europeia, contribui atualmente para a distribuição de água de qualidade a cerca de 20 mil pessoas.
Jornal do Brasil.com

Nuvem de poeira e aurora são detectadas em Marte

Marte

Uma aeronave da NASA que circula por Marte detectou uma poeira misteriosa e uma aurora vibrante, ambos fenômenos inesperados no planeta vizinho à Terra - disseram pesquisadores nesta quarta-feira.
 
A sonda da NASA MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution, em inglês) detectou a presença de uma aurora - conhecida na Terra como aurora boreal - em dezembro, e ganharam o apelido de "luzes de Natal", segundo comunicado divulgado pela agência espacial, que apresentou as descobertas numa conferência de astronomia no Texas.
"Durante cinco dias, pouco antes de 25 de dezembro, a MAVEN viu um brilho de aurora ultravioleta abrangendo o hemisfério norte", disse o comunicado.
O fenômeno da aurora ocorre quando tempestades geomagnéticas desencadeadas por erupções no Sol O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,via-lactea-pode-ter-bilhoes-de-planetas-na-zona-habitavel,1652922
ambos fenômenos inesperados no planeta vizinho à Terra - disseram pesquisadores nesta quarta-feira.
A sonda da NASA MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution, em inglês) detectou a presença de uma aurora - conhecida na Terra como aurora boreal - em dezembro, e ganharam o apelido de "luzes de Natal", segundo comunicado divulgado pela agência espacial, que apresentou as descobertas numa conferência de astronomia no Texas.
"Durante cinco dias, pouco antes de 25 de dezembro, a MAVEN viu um brilho de aurora ultravioleta abrangendo o hemisfério norte", disse o comunicado.
O fenômeno da aurora ocorre quando tempestades geomagnéticas desencadeadas por erupções no Sol provocam choques entre partículas energéticas - como os elétrons - com a atmosfera, fazendo com que o gás brilhe.
"O que é especialmente surpreendente sobre a aurora observada é como ela ocorre numa área profunda da atmosfera - muito mais profunda do que na Terra ou em outros lugares de Marte", disse Arnaud Stiepen, membro da equipe de Espectrografia e Imagem Ultravioleta da Universidade do Colorado.
"Os elétrons que produzem esta aurora devem ser muito energéticos".
Especialistas acreditam que a fonte das partículas energéticas da aurora de Marte é o Sol, porque o instrumento utilizado pela sonda MAVEN "detectou um grande aumento de elétrons energéticos no início da aurora", afirmou a NASA.
Como Marte perdeu o campo magnético protetor há bilhões de anos atrás, as partículas solares podem atingir diretamente a atmosfera e penetrar profundamente.
Com a ajuda da sonda MAVEN, os cientistas também observaram uma nuvem de poeira incomum cerca de 150 quilômetros acima da superfície do planeta vermelho.
A origem da poeira é desconhecida, assim como seu conteúdo e permanência.
"Possíveis fontes para a poeira observada incluem poeira que subiu da atmosfera; poeira proveniente de Phobos e Deimos, as duas luas de Marte; pó se movendo no vento solar para longe do Sol; ou detritos de cometas que orbitam o Sol", afirmou a NASA.
"Nenhum processo conhecido em Marte pode explicar o aparecimento de poeira nos locais observados a partir de qualquer uma destas fontes".
As descobertas foram apresentadas na 46ª Conferencia de Ciência Lunar e Planetária em Woodlands, no estado norte-americano do Texas.
A sonda MAVEN foi lançada em direção a Marte em novembro de 2013, em missão para estudar como o planeta perdeu a maior parte de sua água e atmosfera.
A sonda não tripulada está no quarto mês de sua missão de um ano.
Exame.com

Capacidade da Amazônia de absorver carbono da atmosfera cai pela metade

 
Caiu pela metade, em pouco mais de 20 anos, a capacidade de a Amazônia absorver carbono da atmosfera, mostra o mais amplo estudo já feito sobre o tema. De um pico de dois bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano na década de 1990, a captação da floresta se reduziu a um bilhão de toneladas e, pela primeira vez, é menor que as emissões de combustíveis fósseis na América Latina. O trabalho, publicado nesta quarta-feira pela revista “Nature”, foi desenvolvido ao longo de 30 anos, envolveu uma equipe internacional de quase cem pesquisadores, liderados pela Universidade de Leeds.
A pesquisa traz ainda um alerta. Embora a Amazônia venha atuando como uma espécie de freio das mudanças climáticas, ao absorver mais carbono da atmosfera do que libera, a dinâmica florestal analisada mostra que há um aumento na taxa de árvores morrendo em toda a floresta.
Os pesquisadores explicam que, inicialmente, a alta de dióxido de carbono - ingrediente-chave para a fotossíntese - levou a uma espécie de surto de crescimento de árvores. No entanto, o excesso de carbono parece ter tido consequências inesperadas.
- As taxas de mortalidade de árvores têm aumentado em mais de um terço desde meados da década de 1980, e isso está afetando a capacidade da Amazônia de armazenar carbono - afirma Roel Brienen, professor da Faculdade de Geografia da Universidade de Leeds e principal autor do estudo.
Oliver Phillips, coautor e professor na mesma instituição acrescenta que, ao longo dos anos, o ciclo de vida das árvores diminuiu:
- Com o tempo, o estímulo ao crescimento se alimenta através do sistema, fazendo com que as árvores vivam mais rápido, e, assim, morram mais cedo.
Episódios recentes de escassez de chuvas e altas temperaturas na Amazônia também podem ter
desempenhado um papel no processo. Embora o estudo constate que o aumento da mortalidade das árvores tenha começado bem antes da seca intensa que afetou a floresta em 2005, os cientistas também afirmam que o fenômeno matou milhões de árvores adicionais.
PREVISÕES 'OTIMISTAS'
 
Brienen diz que estudos sobre mudanças climáticas costumam considerar as repostas da vegetação ao aumento de dióxido de carbono na atmosfera, levando em conta que a Amazônia continuará a acumular tal elemento químico. O presente trabalho, contudo, mostra que esse pode não ser o caso:

- Independentemente das causas do aumento da mortalidade de árvores, este estudo mostra que as previsões de um aumento contínuo do estoque de carbono em florestas tropicais pode ser demasiado otimista.
Os cientistas, que trabalham há décadas em oito países da América do Sul, examinaram 321 lotes da floresta em seis milhões de quilômetros quadrados da Amazônia. Eles identificaram e mensuraram 200 mil árvores, registrando as mortes, o crescimento, e o surgimento de novos exemplares. O trabalho foi coordenado pela Rainfor, uma rede de pesquisa dedicada ao acompanhamento das florestas amazônicas.
- Em todo o mundo, mesmo as florestas intactas estão mudando - constata Phillips. - As florestas estão nos fazendo um favor enorme, mas não podemos contar com elas para resolver o problema de carbono. Em vez disso, cortes mais profundos nas emissões serão necessários para estabilizar nosso clima.


 
 
 





terça-feira, 17 de março de 2015

Agência Espacial Européia prepara sonda que deve se aproximar do Sol

Elipse do Sol pela Terra. Imagens da sonda Solar Dynamics Observatory (SDO), feitas em abril de 2011.

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) planeja enviar ao espaço uma sonda que se aproximará do Sol mais do que qualquer objeto criado pelo homem. A missão acaba de passar por um estágio crucial de pré-lançamento: a finalização do modelo estrutural e térmico da nave. Essa etapa foi realizada pela Airbus Defense and Spce, uma divisão da empresa Airbus voltada para o desenvolvimento aeroespacial. A nave será enviada para um laboratório da ESA em 23 de março, para passar por testes mecânicos. Seu lançamento está previsto para 2017.
O plano é que a nave cruze a órbita de Mercúrio, ficando a 42 milhões de quilômetros da estrela. O recorde atual de aproximação é da nave Helios 2, da Nasa: 43,5 milhões de quilômetros de distância, em 17 de abril de 1976. A Terra está a aproximadamente 150 milhões de quilômetros do astro.
A nave Solar Orbiter terá de lidar com treze vezes mais energia solar do que recebem os satélites que orbitam a Terra. Com isso, a temperatura da face voltada para a estrela chegará a 600 graus Celsius. Para que a nave não seja destruída, o calor terá de ser irradiado para o espaço. Um para-sol feito de camadas de titânio e material isolante foi desenvolvido para essa função. Com apenas 40 centímetros de espessura, ele vai direcionar a maior parte do calor para longe.
Observação do Sol - A sonda estudará a heliosfera, região periférica do Sol, preenchida pelo vento solar. Seu escudo terá pequenas aberturas para que instrumentos façam observações e medições do Sol. Essas aberturas poderão ser fechadas novamente caso algo dê errado com as ferramentas.
O recorde da ESA, porém, pode estar ameaçado antes mesmo de acontecer. A Nasa também planeja uma visita ao Sol, com a missão Solar Probe Plus, com previsão de lançamento em 2018 e expectativa de chegar a 6,2 milhões de quilômetros da estrela.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Tim Horbury, principal investigador da equipe que desenvolve um magnetômetro (instrumento que mede a intensidade de um campo magnético) para a missão da ESA, afirmou que as duas missões são complementares e só mostram a importância do assunto estudado.
Veja.com

Cientistas descobrem por que obras de Van Gogh estão 'embranquecendo'

Um grupo de cientistas da Universidade de Antuérpia, na Bélgica, descobriu que reações químicas provocadas pela iluminação dos museus estão "embranquecendo" a cor vermelha dos quadros do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-1890). O estudo, liderado pelo professor belga de química Koen Janssen, foi publicado neste mês no jornal acadêmico Angewandte Chemie.
Usando técnicas de tomografia e de difração de raios X, os pesquisadores analisaram amostras do quadro Wheat Stack Under a Cloudy Sky, de 1889, exposto no Museu Kröller-Müller, na Holanda. Eles notaram que, quando o óxido de chumbo, responsável pelos pigmentos vermelhos do quadro, entra em contato com a luz azulada e com o gás carbônico, transforma-se em outros compostos de chumbo de cor esbranquiçada.
"Chumbo vermelho, usado por Van Gogh e muitos outros pintores ao longo da história, é muito sensível à luz azul. Trata-se de um composto que absorve preferencialmente esse tipo de comprimento de onda azulado", Koen Janssen. Segundo o estudioso, os museus precisam eliminar a iluminação azulada - de LED, diz, é a mais comum - sobre as obras para diminuir a deterioração.
O químico afirma que o processo de esbranquiçamento do vermelho ocorre em quatro fases. Na primeira, quando a luz infringe sobre o óxido de chumbo, os elétrons são lançados nesse semicondutor, que gera um óxido de chumbo altamente reativo. Na segunda fase, esse óxido de chumbo reativo captura gás carbônico e água do ar para formar um mineral raro, o plumbonacrita. O mineral exótico reage, em uma terceira fase, para um hidróxido de carbonato de chumbo, o hidrocerusita. Na quarta e última etapa, a hidrocerusita pode ser convertida em cerusita, também conhecida como "chumbo branco", bastante usada por pintores para atingir tons esbranquiçados.
Em 2013, pesquisadores europeus iniciaram uma pesquisa similar para investigar a razão da cor amarela de algumas obras de Van Gogh ganhar tons amarronzados. Os primeiros resultados também apontaram para reações causadas pela iluminação de LED. Desde então, cientistas estão alertando os curadores de museus que a iluminação LED, embora seja mais econômica e amigável ao ambiente, pode prejudicar as pinturas do artista holandês e de outros pintores contemporâneos a ele, como o francês Paul Cézanne (1839-1906).
Veja.com
 

Lembrar-se de um episódio leva ao esquecimento de outro, diz estudo

Memória: a ação constante e adequada dos neurônios no cérebro é fundamental para que o funcionamento da memória seja preservado

A recordação intencional e frequente de um episódio faz mais do que simplesmente despertar nossa memória. Na verdade, isso nos leva a apagar outras lembranças concomitantes às que insistimos em lembrar. A revelação é de um estudo publicado na segunda-feira no periódico Nature Neuroscience.
Cientistas das universidades de Birmingham e de Cambridge, na Inglaterra, chegaram a esta conclusão depois de fazer uma série de testes de memória com 24 voluntários. Em todas as etapas, o cérebro dos participantes foi monitorado por ressonância magnética.
No início da pesquisa, os cientistas mostraram aos voluntários imagens de pessoas famosas, objetos comuns e cenas variadas. Em seguida, os participantes foram treinados a associar a palavra "areia" a duas fotografias mostradas anteriormente: uma de Marylin Monroe e outra de um chapéu.
Os cientistas pediram que os voluntários se recordassem, particularmente, da primeira fotografia exibida em associação à palavra "areia" - a de Marylin. Em um experimento realizado quatro vezes, os participantes tinham de apertar um botão quando estivessem se lembrando da imagem da atriz ao olhar para a palavra "areia". Isso se confirmou na maioria das vezes, e os pesquisadores concluíram que essa imagem se tornou a dominante do experimento.
Esquecimento - Os cientistas quiseram, então, entender o que havia acontecido com a memória da imagem do chapéu. Será que ela permaneceu intacta como a de Marylin? Em um novo teste, mostraram aos participantes duas fotos diferentes de Marylin e duas de chapéus e perguntaram qual delas eles haviam sido treinados para reconhecer. Se a memoria do chapéu não tivesse se degradado, as pessoas apontariam o objeto e a Marylin certos na mesma frequência.
Como padrão de comparação, os voluntários também tinham de identificar outras duas exibidas no começo do experimento, mas que não haviam sido treinados para se lembrar: uma de Albert Einstein e outra de um par de óculos. Nos casos de Marylin e de Einstein, os participantes apontaram as imagens corretas. No entanto, eles tiveram mais dificuldade para identificar o chapéu do que os óculos certos. Os resultados mostraram que a memória do chapéu havia de fato enfraquecido.
Cérebro - A análise das imagens obtidas por ressonância magnética confirmou que, ao longo do experimento, a parte do cérebro responsável pela memória da imagem do chapéu foi cada vez menos ativada pela associação com a palavra "areia", até que, na última vez em que eles viram a palavra, somente a memória da foto da Marylin foi ativada. Ou seja, à medida que a memória de Marylin se tornava mais viva e predominante, a do chapéu - concorrente a ela - foi sendo suprimida, até cair no esquecimento.
"As pessoas estão acostumadas a pensar que o esquecimento é algo passivo. Nossa pesquisa revela que as pessoas estão mais engajadas em moldar suas memórias do que pensam", afirma Michael Anderson, da Universidade de Cambridge e coautor do estudo. "Essa descoberta pode nos dizer muito sobre memória seletiva e autoengano."
Veja.com

segunda-feira, 16 de março de 2015

EUA devolvem ao Iraque tesouros roubados durante ocupação

Escultura da cabeça do rei assírio Sargon II é exibida durante cerimônia de repatriação de itens culturais ao Iraque, em Washington, na segunda-feira (16) (Foto: Mark Wilson/Getty Images/AFP)
 
Os Estados Unidos devolveram ao Iraque, nesta segunda-feira (16), cerca de 60 objetos antigos, em sua maioria roubados durante a ocupação americana do país entre 2003 e 2011.
Os objetos serão expostos no Museu Nacional de Bagdá, reaberto no final de fevereiro, após permanecer fechado por 12 anos.
Louças de vidro, pontas de lança de bronze e machados apreendidos nos Estados Unidos foram expostos no consulado do Iraque em Washington antes de serem enviados para Bagdá. Entre as peças, está a extraordinária cabeça de um lamassu assírio, um touro com asas e cabeça de homem, que data de cerca do ano 700 a.C. O objeto está avaliado em pelo menos US$ 2 milhões.
A cabeça foi roubada de um palácio do rei Sargon II em Nínive, no norte do Iraque, onde os jihadistas do Estado Islâmico (EI) destruíram várias peças recentemente. Segundo a ONU, o Estado Islâmico está fazendo uma "limpeza cultural", destruindo restos da antiga Mesopotâmia, ou vendendo peças no mercado negro.
A urgência da situação acelerou o processo de restituição, explicou o embaixador iraquiano, Lukman Faily, celebrando que "o mundo inteiro está unido para proteger essa cultura".
O Museu Nacional iraquiano reabriu suas portas, após 12 anos de intensos esforços, graças à recuperação de mais de um terço das 15 mil peças roubadas.
 
Peças de artesanato em argila e facas são exibidas durante cerimônia de repatriação de itens culturais ao Iraque, em Washington, na segunda-feira (16) (Foto: Mark Wilson/Getty Images/AFP)

Agência Espacial Europeia prepara sonda que deve se aproximar do Sol

Elipse do Sol pela Terra. Imagens da sonda Solar Dynamics Observatory (SDO), feitas em abril de 2011.

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) planeja enviar ao espaço uma sonda que se aproximará do Sol mais do que qualquer objeto criado pelo homem. A missão acaba de passar por um estágio crucial de pré-lançamento: a finalização do modelo estrutural e térmico da nave. Essa etapa foi realizada pela Airbus Defense and Spce, uma divisão da empresa Airbus voltada para o desenvolvimento aeroespacial. A nave será enviada para um laboratório da ESA em 23 de março, para passar por testes mecânicos. Seu lançamento está previsto para 2017.
O plano é que a nave cruze a órbita de Mercúrio, ficando a 42 milhões de quilômetros da estrela. O recorde atual de aproximação é da nave Helios 2, da Nasa: 43,5 milhões de quilômetros de distância, em 17 de abril de 1976. A Terra está a aproximadamente 150 milhões de quilômetros do astro.
A nave Solar Orbiter terá de lidar com treze vezes mais energia solar do que recebem os satélites que orbitam a Terra. Com isso, a temperatura da face voltada para a estrela chegará a 600 graus Celsius. Para que a nave não seja destruída, o calor terá de ser irradiado para o espaço. Um para-sol feito de camadas de titânio e material isolante foi desenvolvido para essa função. Com apenas 40 centímetros de espessura, ele vai direcionar a maior parte do calor para longe.
Observação do Sol - A sonda estudará a heliosfera, região periférica do Sol, preenchida pelo vento solar. Seu escudo terá pequenas aberturas para que instrumentos façam observações e medições do Sol. Essas aberturas poderão ser fechadas novamente caso algo dê errado com as ferramentas.
O recorde da ESA, porém, pode estar ameaçado antes mesmo de acontecer. A Nasa também planeja uma visita ao Sol, com a missão Solar Probe Plus, com previsão de lançamento em 2018 e expectativa de chegar a 6,2 milhões de quilômetros da estrela.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Tim Horbury, principal investigador da equipe que desenvolve um magnetômetro (instrumento que mede a intensidade de um campo magnético) para a missão da ESA, afirmou que as duas missões são complementares e só mostram a importância do assunto estudado.

Documento-base para negociações sobre o clima é adotado em Genebra

 Uma foto sem data definida, divulgada em janeiro de 2015 mostra a maior geleira da Antártida Oriental, que pela primeira vez se encontrou com águas quentes e começou a se derreter
 
Os países-membros das Nações Unidas sobre o clima adotaram na sexta-feira (13), em Genebra, um documento-base de negociação visando a um acordo multilateral contra o aquecimento global, que será discutido em dezembro na conferência de Paris.

"Podemos considerar que o texto de negociação apresentado hoje em Genebra é o texto sobre o qual iniciaremos as negociações fundamentais?", indagou em sessão plenária o copresidente dos debates, Daniel Reifsnyder.

"Como não houve objeções, assim fica decidido", declarou por fim.

"O texto de negociação (...) reflete as propostas realizadas por todas as partes", explicou Reifsnyder.

"A tarefa desta sessão foi cumprida", disse à imprensa a responsável pelo clima da ONU, Cristiana Figueres.

"Temos hoje um texto (...) que será a base das negociações dos próximos meses até que cheguemos a Paris", onde os 195 países membros da convenção devem adotar o acordo final sobre o clima.
Este documento será transmitido aos Estados, e não poderá ser modificado até antes da próxima sessão de negociação, fixada para junho, em Bonn, seis meses antes da conferência de Paris.

De agora até junho, as negociações informais para tentar conciliar posições muitas vezes distantes ou contrárias vão ser difíceis.

O objetivo é conhecido e foi fixado em 2009: é necessário limitar o aumento da temperatura mundial a +2º C com base na era pré-industrial.

Caso contrário, se prevê um desequilíbrio climático que terá graves consequências para os ecossistemas, as sociedade e as economias, particularmente nas regiões mais pobres.

No ritmo atual, o mundo se aproxima de uma elevação de 4 a 5 graus Celsius no final do século, se não forem tomadas medidas drásticas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, provocadas em grande parte pelo uso maciço de energias fósseis.
'Espírito de Genebra'
A menos de 300 dias da conferência de Paris, o caminho até um acordo parece longo, a julgar pelo conteúdo do texto da negociação: o documento passou de 37 para 86 páginas, divididas em capítulos cheios de longas listas de opções.

"Nós fizemos um acordo sobre um texto de negociação, é positivo porque é uma base para avançar", disse à AFP Elina Bardram, representante da UE. Mas "as negociações difíceis são as que estão por vir, e nos falta tempo", completou.

É "uma base de trabalho, reconhecida pelo mundo todo", avaliou Laurence Tubiana, enviada do governo francês. "Mas não devemos ser inocentes. Ainda não entramos nas negociações mais difíceis", completou.

De fato, os Estados estão divididos sobre os meios que devem utilizar.

Como dividir a carga das reduções das emissões entre os países do Norte e os do Sul, mais vulneráveis, menos preparados e muito necessitados de energia? Que papel desempenham os grandes países emergentes, como China, Brasil ou Índia?
Paris vai assumir o Protocolo de Kyoto, pedindo pela primeira vez ao conjunto dos países para reduzir os gases de efeito estufa.

Mas os países em desenvolvimento acreditam que não devem ser tratados como os países industrializados. Assim, invocam seu direito ao desenvolvimento e à "responsabilidade histórica" dos países ricos no aquecimento.

Os países ricos alegam, por sua vez, que os grandes países emergentes como China ou Índia são cada vez mais responsáveis das emissões mundiais.

O resultado é que no capítulo "Finanças" do projeto de texto, as opções vão desde os compromissos concretos dos países desenvolvidos a um acordo "sem compromissos individuais e quantificados".

"Todos os desafios seguem sobre a mesa", constata Alix Mazounie, da ONG Réseau Action Climat.
Contudo, Genebra permitirá restabelecer a confiança entre as partes. "É importante que o espírito de Genebra se mantenha até Bonn", completa Mazounie.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Nasa lança missão que estudará o campo magnético da Terra

O foguete decola de Cabo Canaveral, na Flórida, com 4 sondas de observação. (Foto: Florida Today / Craig Bailey / Via AP Photo)
 
A agência espacial americana (Nasa) lançou nesta quinta-feira (12) uma missão pioneira para estudar a interação do campo magnético da Terra com o de outros corpos celestes, como o Sol, e que permitirá conhecer com maior precisão como atuam estas trocas de energia no universo.
O lançamento aconteceu às 22h44 (horário local, 23h44 de Brasília) das instalações da Nasa na base de Cabo Canaveral, na Flórida.
Os quatro observatórios espaciais idênticos que compõem o Sistema Multiescala Magnetosférico (MMS) partiram a bordo de um foguete Atlas V.
A missão começará a enviar dados à terra em setembro e a previsão é que esteja em funcionamento durante dois anos, embora a Nasa não descarte ampliar sua vida útil.
A missão proporcionará a primeira vista tridimensional da reconexão magnética da Terra com o Sol, um processo que ajudará a entender como se conectam e desligam os campos magnéticos no universo.
Os cientistas esperam obter dados sobre a estrutura e dinâmica da energia que intercambiam os campos magnéticos quando se encontram, momento no qual se produz uma liberação explosiva de energia.
Os quatro artefatos espaciais, equipado com sensores de alta precisão, voarão simultaneamente em formação, a uma distância de uns 10 km umas das outras, para que a combinação de seus dados permita ter essa visão tridimensional.
A missão MMS utilizará a magnetosfera da Terra como um laboratório para estudar, além da reconexão magnética, outros dois processo fundamentais como a aceleração de partículas energéticas e a turbulência.
Esta missão também será importante para entender como esta troca energética afeta os fenômenos meteorológicos espaciais e seu efeito sobre os sistemas tecnológicos modernos como as redes de comunicações, de navegação GPS e as redes de energia elétrica.
A reconexão magnética produz fenômenos como as auroras que se veem nos pólos quando o vento solar penetra em nosso 'escudo protetor' e as partículas de energia liberadas entram no campo magnético da Terra.

Emissões de CO2 pararam de crescer no mundo


Refinaria na Filadélfia. Emissões colaboram para aquecimento global
Foto: SPENCER PLATT / AFP

O crescimento das emissões de CO2 ficou estagnado ano passado, segundo informações da Agência de Energia Internacional (IEA, na sigla em inglês). Esta é a primeira vez em 40 anos em que houve uma redução ou desaceleração das emissões de gases do efeito estufa sem que este fator não tivesse relacionado a uma recessão econômica.

As emissões globais se mantiveram em 32 gigatoneladas em 2014, mesma quantidade registrada no ano anterior. Dados da IEA sugere que os esforços para mitigar as mudanças climáticas podem ter representado um efeito mais forte do que se pensava sobre as emissões.
Entre as medidas que podem ter contribuído, a agência cita a mudança de padrão de consumo de energia na China em 2014. Embora sua matriz energética seja uma das mais poluidoras do mundo, ano passado o país investiu na geração de eletricidade através de fontes renováveis, tais como hídrica, solar e eólica, ao mesmo tempo que reduziu o consumo de carvão.
 
Nos países que integram a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), em sua maioria europeus, a agência citou os esforços recentes para promover o crescimento sustentável, o que também incluiu o investimento em eficiência energética e energia renovável.
Os resultados foram considerados “encorajadores” pela agência, mas isto não representa, segundo ela, um motivo para “complacência”. E, no comunicado do órgão, o diretor Fatih Birol acrescentou:
“Isto me dá mais esperança de que a Humanidade será capaz de trabalhar em conjunto para combater as mudanças climáticas, a ameaça mais importante que enfrentamos hoje”.
O Gobo.com

Cientistas confirmam: há um oceano gigante na maior lua do Sistema Solar

  (Foto: wikimedia commons)

Pesquisadores acabam de publicar um estudo no Journal of Geophysical Research: Space Physics em que provariam a existência de um oceano gigante sob a crosta de Ganímedes, uma das luas de Júpiter.
O maior satélite do Sistema Solar teria mais água do que todos os oceanos da Terra.
Os cientistas baseiam suas conclusões pela superfície lisa e gelada da lua, obtidas através da sonda Galileo e pelo telescópio Hubble. Dados sobre a interação com o campo magnético de Júpiter também indicariam a presença de um oceano salgado cerca de 330 km abaixo da superfície.
Agora Ganímedes se junta à Europa, Titã e Encélado (as duas últimas luas sendo de Saturno), como os satélites em que sabemos que existem oceanos.
Ceres, um planeta-anão atualmente analisado pela sonda Dawn, também pode ter um oceano subterrâneo.
 

Rosetta: pode haver gelo no 'pescoço' do cometa

Diferença de coloração entre a região do 'pescoço' (mais azulada) e o resto do cometa. Netsa imagem, as cores foram reforçadas para ressaltar a diferença

Novas fotos do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko feitas pela sonda Rosetta mostram a presença de gelo em seu "pescoço". Lembrando um pato de borracha, o cometa parece formado por dois corpos interligados por uma região menor, conhecida como região Hapi, informalmente chamada de "pescoço". A revelação foi divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Max Planck, organização alemã que participa da missão.
Três imagens capturadas pela câmera Osiris, a bordo da sonda, permitiram a descoberta. Cada uma correspondia às cores vermelho, verde e azul. Juntando as três, os pesquisadores obtiveram uma imagem colorida do cometa e com isso perceberam que a região Hapi reflete menos luz vermelha do que as demais, ficando mais azulada. Essa coloração indica a presença de gelo no local, seja na superfície ou logo abaixo de uma camada de poeira.
Além disso, nos últimos meses, com a aproximação com o Sol, essa parte do cometa tem se mostrado mais ativa, expelindo jatos de gás e poeira. A diferença de coloração, porém, é pequena, de modo que a quantidade de gelo presente também deve ser limitada. As imagens do Osiris foram feitas no dia 21 de agosto de 2014, quando Rosetta se encontrava a aproximadamente 70 quilômetros do cometa.
A nave Rosetta é equipada com instrumentos adicionais para identificar de forma direta a presença de gelo na superfície. O espectrômetro Virtis, por exemplo, pode determinar claramente as marcas espectrais de moléculas de água. "Temos muita curiosidade de ver se os indícios se confirmam a partir dessas medições", afirma o chefe da equipe Osiris, Holger Sierks.
"Em agosto, quando o 67P alcançar a máxima aproximação do Sol, ele se aquecerá muito, mas a região Hapi será a exceção: vai permanecer na escuridão e experimentar uma espécie de noite polar", afirma Sonia Fornasier, do Observatório de Paris e também integrante da equipe Osiris. O "pescoço" do cometa só receberá de novo luz solar a partir de março de 2016.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Nasa confirma oceano em lua de Júpiter

 
Cientistas que utilizam o Telescópio Espacial Hubble confirmaram que a lua Ganímedes, na órbita de Júpiter, possui um oceano por baixo de uma crosta superficial de gelo, elevando a probabilidade da presença de vida, afirmou a Nasa nesta quinta-feira (12).
A descoberta resolve um mistério relacionado à maior Lua do sistema solar após a nave Galileo, já aposentada, ter fornecido pistas sobre a existência de um oceano abaixo da superfície de Ganímedes enquanto cumpria uma missão exploratória ao redor de Júpiter e de suas luas, entre 1995 e 2003.
Assim como a Terra, Ganímedes possui um núcleo de ferro fundido que gera um campo magnético, embora o campo magnético de Ganímedes seja amalgamado ao campo magnético de Júpiter. Isso dá origem a uma interessante dinâmica visual, com a formação de duas faixas de auroras brilhantes nos pólos norte e sul de Ganímedes.
O campo magnético de Júpiter se altera com sua rotação, agitando as auroras de Ganímedes. Cientistas mediram tais movimentos e descobriram que os efeitos visuais se mostravam mais restritos do que deveriam.
Usando modelos gerados por computador, eles chegaram à conclusão de que um oceano salgado, capaz, portanto, de conduzir eletricidade, abaixo da superfície da Lua se contrapunha à atração magnética de Júpiter.
"Júpiter é como um farol cujo campo magnético muda conforme a rotação do farol. Isso influencia a aurora", explicou o geofísico Joachim Saur, da Universidade de Colônia, na Alemanha. "Com o oceano, a agitação fica significativamente reduzida."
Os cientistas testaram mais de 100 modelos computadorizados para observar se qualquer outro elemento poderia ter impacto sobre a aurora de Ganímedes. Eles também reprocessaram sete horas de observações ultravioletas do Hubble e analisaram dados sobre ambos os cinturões de aurora da Lua.
O diretor da Divisão de Ciência Planetária da Nasa, Jim Green, classificou a descoberta como "uma demonstração surpreendente".
"Eles desenvolveram uma nova abordagem para se observar a parte interna de um corpo planetário com um telescópio", disse Green.
Ganímedes se junta agora a uma crescente lista de luas localizadas nas partes mais afastadas do sistema solar que possuem uma camada de água abaixo da superfície.
Na quarta-feira (11), cientistas disseram que outra Lua de Júpiter, a Encélado, possui correntes quentes de água abaixo de sua superfície gélida. Entre outros corpos ricos em água estão Europa e Callisto, também luas de Júpiter.
 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Avião solar chega à segunda etapa de sua volta ao mundo

Avião solar chega à Índia

O avião Solar Impulse II chegou na terça-feira à cidade indiana de Ahmedabad, na segunda etapa de sua volta ao mundo. Após cerca de 16 horas de voo, os pilotos suíços Borscheberg e Bertrand Piccard foram recebidos no aeroporto pelo embaixador da Suíça em Nova Délhi, Linus von Castelmur.
"Voei de Mascate, no sultanato de Omã, até Ahmedabad, na Índia. Aterrissei às 23h25 (horário local, 14h55 de Brasília) e podemos anunciar um recorde provisório de distância percorrida em um avião solar", declarou o piloto, o suíço André Borscheberg, nesta quarta-feira em seu site oficial.
Antes de seguir viagem, os pilotos participarão de vários eventos para fomentar a energia renovável e o desenvolvimento sustentável. Esta segunda etapa, de um total de doze, terminará no domingo, quando o Solar Impulse II partirá rumo ao Mianmar. Antes, a aeronave fará uma breve escala na cidade indiana de Benarés.
O projeto inclui duas viagens com duração de cinco ou seis dias cada, sem pausa, nos quais Borscheberg e Piccard, fundadores da iniciativa, tentarão atravessar os oceanos Atlântico e Pacífico.
O projeto - No total, o avião percorrerá 35.000 quilômetros a uma velocidade entre 90 e 140 km/h. Dos cinco meses de viagem, apenas 25 dias serão de voo efetivo e a aeronave voará a 8.500 metros de altitude no máximo.
O Solar Impulse II é o resultado de treze anos de investigação e trabalho dos pilotos suíços André Borschberg e Bertrand Piccard, que tiveram a ideia de voar com recurso da energia solar. A aeronave é alimentada por mais de 17 000 células solares embutidas nas suas asas, que medem 72 metros. A capacidade de realizar longos voos noturnos é graças às baterias altamente energéticas carregadas durante o dia e que sustentam o avião durante a ausência do sol.
Veja.com

Chegou a era dos transumanos

Inseminação artificial

No dia 24 de fevereiro, o legislativo britânico aprovou uma lei permitindo a geração de embriões com DNAs de três pessoas diferentes. O objetivo é deixar que mães com mutações maléficas em seu DNA mitocondrial não as transmitam para o filho. Segundo a lei, durante a reprodução assistida, essa parte de seu genoma poderá ser substituída pelo de uma doadora, gerando uma criança saudável. Assim, a Grã-Bretanha se tornou o primeiro país a permitir a manipulação genética em células germinais humanas.
Apesar do objetivo puramente médico, a decisão está sendo saudada por alguns pesquisadores como um estágio importante de um longo percurso que pode trazer consequências radicais para a ciência e a humanidade. São os defensores do transumanismo, que propõem a aplicação dos avanços obtidos em áreas chaves da ciência, como a genética, a nanotecnologia e a neurociência, para romper os limites impostos ao homem por seu próprio corpo biológico. "A Grã-Bretanha também foi o primeiro país a introduzir a fertilização in vitro em 1979. Essa decisão é apenas outro passo desse processo", diz o filósofo Steve Fuller, professor da Universidade de Warwick, na Inglaterra. Ele é autor dos livros Humanidade 2.0 e O Imperativo Proativo (inéditos em português), nos quais se propõe a estabelecer as bases teóricas e filosóficas para o transumanismo.
O objetivo desse movimento é utilizar a ciência para aumentar as capacidades físicas, intelectuais e até emocionais dos seres humanos. Ele busca, no limite, estender a vida humana indefinidamente, extirpando dela todo tipo de sofrimento. Os transumanistas defendem, por exemplo, a manipulação genética de embriões para eliminar doenças e escolher características vantajosas para os filhos, a criação de implantes neurais que permitam a interação com computadores pelo pensamento, e o uso de drogas capazes de manipular o cérebro humano, melhorando sua cognição, memória, concentração e humor.
"Mesmo que esses projetos pareçam vindos da ficção científica, eles podem ser encarados como soluções a longo prazo para problemas atuais. Temos visto, por exemplo, investimentos cada vez maiores em projetos que pretendem estender o nosso tempo de vida", diz Fuller.
evolução no laço - Segundo seus defensores, as raízes do movimento estão fincadas no passado ancestral do homem, quando ele começou transformar a si mesmo e ao ambiente que o cerca para vencer os limites impostos pela natureza. "A história da tecnologia e da medicina constituem a pré-história do transumanismo", diz Fuller. Para o filósofo, a humanidade vive uma nova etapa de sua história, em que não está mais submetida aos princípios da seleção natural: "Enquanto todas as outras espécies obedecem cegamente a evolução, nós somos os únicos a saber o que obedecemos. Isso nos dá capacidade - e talvez a obrigação - de dirigi-la".
Essa visão que diferencia o homem de todos os outros animais afasta os transumanistas do Darwinismo, e os aproxima das religiões abraâmicas, como judaísmo, cristianismo e islamismo. "Darwin acreditava que a seleção natural colocava os seres humanos junto com as várias outras espécies, todas destinadas a se extinguir cedo ou tarde. Já a excepcionalidade humana foi primeiramente identificada por essas religiões, para as quais o homem é feito à imagem e semelhança de Deus", diz.
Por isso mesmo, uma crítica frequentemente feita a essa ideologia é que, em sua tentativa de tomar a evolução nas mãos, o homem estaria brincando de Deus. Os transumanistas, longe de discordar da crítica, acham isso desejável. "Nós queremos usar toda a natureza em prol da humanidade. Isso pode, sim, ser encarado como 'brincar de Deus', pois Ele é normalmente visto como o único ser separado da natureza e capaz de manipulá-la para seus propósitos. O transumanismo apela para essa tendência presente na natureza humana", diz o filósofo.
Bendito risco - Em O Princípio Proativo, Steve Fuller defende mudanças na lógica dos Comitês de Ética e da legislação que favoreçam o desenvolvimento de pesquisas mais radicais. Ele afirma que hoje em dia as principais regras controlando os estudos científicos levam em conta o Princípio da Precaução, que busca promover apenas as pesquisas de baixo risco, e com pequena capacidade de causar danos. Desse modo, dizem garantir a segurança dos indivíduos envolvidos. Fuller, ao contrário, defende o Princípio Proativo, em que pesquisas mais arriscadas seriam incentivadas.
Ele diz que a tomada de risco sempre foi e será essencial para o progresso científico, e faz parte daquilo que define o homem como espécie. Os indivíduos teriam o direito de assumir os riscos que quisessem em busca de novos tratamentos que podem melhorar sua vida. "O Princípio Proativo é um chamado para a necessidade de nos acostumarmos a grandes riscos se quisermos levar a sério nossas aspirações transumanas. Aprender com o erro é mais importante do que evitar o erro", diz.
Cautela - Desde seu aparecimento, o transumanismo carrega atrás de si uma série de críticas. Ele tem sido apontado por pensadores dos mais diferentes matizes ideológicos como uma ideologia perigosa, baseada em princípios antiéticos e que parece negar o próprio corpo humano. Filósofos tão diferentes como o americano Francis Fukuyama e o alemão Jurgen Habermas apontam para suas ideias como uma ameaça à democracia. Numa sociedade desigual como a atual, a manipulação genética de embriões, por exemplo, seria acessível a só uma parcela da população, e a diferença social passaria a estar contida no próprio DNA.
Os críticos dizem, basicamente, que existem limites éticos que a ciência não deve cruzar. O Centro para a Genética e Sociedade (CGS), por exemplo, foi criado nos Estados Unidos em 2001 para defender pesquisas de engenharia genética responsáveis, que não objetifiquem ou comercializem o ser humano. Por isso, bate de frente com algumas das principais bandeiras dos transumanistas, como a engenharia genética de células germinativas e a clonagem. "Existem tecnologias genéticas que atingem apenas os indivíduos vivos, capazes de dar seu consentimento. Mas as alterações genéticas em embriões e zigotos criam mudanças permanentes em crianças que nem nasceram, que serão passadas adiante para as futuras gerações", diz Marcy Darnovsky, diretora do CGS. Por esse motivo, o grupo foi contrário à decisão do governo britânico de aprovar a geração de embriões com o DNA de três pessoas.
Segundo Marcy Darnovsky, esse tipo de pesquisa favorece que se encare a vida humana a partir de uma mentalidade consumista grotesca, na qual apenas bebês perfeitos merecem nascer. "Se essas modificações forem aprovadas, é possível - e até provável - que a dinâmica social e comercial leve a esforços para produzir seres humanos 'melhorados'. Isso está bem próximo da definição clássica de eugenia. Nós podemos nos ver em um mundo onde tipos inteiramente novos de desigualdade serão trazidos à existência", diz Marcy.
A palavra proibida - Boa parte dos críticos do transumanismo aponta justamente para essa semelhança entre o movimento e eugenia exercida no início do século 20. Ela foi uma prática científica e política que buscava o melhoramento genético da espécie humana. Para isso, seus defensores incentivavam a reprodução daqueles que consideravam ter os "melhores" genes, enquanto combatiam o daqueles com características indesejáveis. A prática acabou misturada com o racismo da época, e foi adotada pelo regime nazista, que, em sua busca pela raça perfeita, levou ao Holocausto. Desde então foi relegada pelos cientistas.
Steve Fuller diz, no entanto, que não se deve temer a comparação com eugenia. A prática deve, na verdade, ser analisada a fundo, em busca dos erros e falhas que permitiram com que fosse empregada de maneira tão monstruosa. "Ao mesmo tempo em que a eugenia promovia esterilizações da população, ela também defendia melhoras em sua assistência médica. Infelizmente, sua adoção pelo nazismo tornou difícil para as pessoas conversarem de forma sensível sobre ela", diz. "De modo geral, ela pode ser definida como a aplicação da ciência para melhorar o estoque de capital humano nas sociedades modernas. Desse modo, a eugenia pode ser vista como um primeiro rascunho do transumanismo."
O filósofo diz que o grande erro acontecido na Alemanha foi que a comunidade científica não foi capaz de se mobilizar contra Hitler, mas acabou se apropriando de suas ideias. No resto do mundo, o erro foi tanto metodológico quanto científico. Os pesquisadores não usaram as pesquisas científicas para avalizar as políticas públicas. Ao contrário, eles usaram as políticas públicas como um modo de fazer pesquisa científica. "Eu não tenho nada contra usar a sociedade como um laboratório, mas é preciso que haja salvaguardas para a população, como a necessidade de consentimento e formas de compensação para os indivíduos afetados", diz.
Assim, o filósofo defende que se reabilite a ideia de usar a genética e outras áreas de ponta da ciência para promover a saúde e o bem-estar da humanidade. Ele diz que, infelizmente, os códigos de ética e a legislação restritivos que existem hoje e impedem esse tipo de pesquisa são uma resposta direta às práticas eugênicas. "Infelizmente, o pêndulo balançou demais na direção oposta. Hoje é muito difícil fazer pesquisas mais arriscadas em seres humanos, mesmo quando os voluntários dão o seu consentimento e existem compensações adequadas estipuladas em caso de falha", diz Fuller.
É nesse sentido que o filósofo saúda a decisão do governo inglês de permitir a geração de embriões com o DNAs de três pais diferentes. "Ainda que não conheçamos todas as consequências genéticas e sociológicas que vão acontecer com as crianças nascidas desse modo, o governo aprovou o procedimento como seguro. Sem dúvida, essa é uma lei proativa", diz. Se sua previsão estiver certa, e a disputa entre o Princípio Proativo e o da Precaução for realmente central para o século 21, um dos lados já saiu na frente.
Veja.com

terça-feira, 10 de março de 2015

O motor que levou uma nave até a fronteira do Sistema Solar

A espaçonave Dawn

A espaçonave Dawn passou os últimos sete anos viajando pelo Sistema Solar até interceptar o asteroide Vesta e o planeta-anão Ceres.
Quase no limite do sistema de planetas, a sonda enviou para a Terra, na semana passada, as primeiras imagens e informações desses objetos (muito) distantes.
Mas talvez o que faz a espaçonave Dawn se mover seja tão incrível quanto a jornada: a sonda é a primeira missão de exploração do espaço a usar um motor íonicos ao invés de propulsores convencionais, movidos por meio de reações químicas.
O propulsor usa energia elétrica para criar partículas magneticamente carregadas de combustível, geralmente na forma do gás xênon, acelerando essas partículas, em altíssimas velocidades.
Nos foguetes convencionais, a velocidade de exaustão é limitada pela energia química armazenada nas ligações moleculares do combustível, limitando a impulsão do propulsor a 5 km/s. Já os motores a íon são, em princípio, limitados apenas pela energia elétrica disponível na espaçonave. Por isso, a velocidade de exaustão das partículas carregadas nesse tipo de motor fica entre 15 km/s e 35 km/s.
Na prática, isso significa que os propulsores eletricamente carregados são muito mais econômicos foguetes movidos por reações químicas.
Assim, uma quantidade enorme de massa pode ser retirada do foguete, considerando que a nave precisa de menos combustível a bordo. Considerando que o custo de lançar um quilograma para o espaço custa cerca de 20 mil dólares, os custos das missões futuras da agência americana irão ficar muito menores.
A propulsão elétrica é praticamente a única forma de carregar material cientifico, de forma “rápida” pelas enormes distancias das viagens interplanetárias.
Até por isso, a NASA já decidiu que os motores a íon serão usados na próxima geração de espaçonaves que irá viajar pela galáxia nas próximas décadas.
Mas a tecnologia também será útil para fabricantes de satélites geoestacionários comerciais. A propulsão elétrica irá permitir que eles sejam manobrados, acrescentando novas capacidades para o satélite durante suas missões, além de aumentar a vida útil do aparelho.
Exame.com

DNA identifica origem de escravos trazidos à América

Maxilar e mandíbula de um esqueleto do século 17 encontrado na ilha caribenha de St. Martin, mostrando um tipo comum de modificação dental Africana

Maxilar e mandíbula de esqueleto do século XVII encontrado na ilha caribenha de St. Martin
Cientistas utilizaram um método de análise de DNA para revelar a origem de escravos africanos enterrados há mais de 300 anos em uma colônia holandesa no Caribe. O estudo foi feito a partir dos esqueletos de dois homens e uma mulher encontrados em 2010 na ilha de St. Martin. Conhecidos como os "três de Zoutsteeg", eles possivelmente vieram de uma região onde hoje se localizam Camarões, Gana e Nigéria.
É difícil determinar a procedência dos mais de 10 milhões de africanos trazidos como escravos ao continente americano, entre 1500 e 1850. Os poucos dados disponíveis sobre a época revelam em qual porto essas pessoas embarcaram, mas seus países de origem permanecem um mistério. A descoberta, publicada online na segunda-feira no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), pode ajudar a investigar de onde vieram os escravos.
Por meio de um estudo anterior nos "três de Zoutsteeg", o arqueólogo Hannes Schroeder, da Universidade de Copenhague, tinha evidências de que o trio nasceu na África e foi enterrado entre 1660 e 1688. Para aprofundar o estudo sobre sua origem, precisaria sequenciar seu DNA. O problema é que o clima quente e úmido do Caribe degradou o material genético nos ossos dos escravos.
"As descobertas revelam as primeiras provas da origem étnica dos africanos explorados durante a escravidão", diz o estudo. A pesquisa também "demonstra que os elementos do genoma permitem responder a perguntas que careciam de provas há muito tempo".
O método permitirá avançar nos estudos sobre esqueletos encontrados em regiões tropicais, que contêm poucos vestígios de material genético em função do clima quente.