terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Como a tecnologia mudou as Olimpíadas e o que vem por aí

Desde que a tecnologia foi inserida no meio esportivo muita coisa mudou. Sem ela, grandes resultados esportivos não seriam possíveis, além da avaliação detalhada dos atletas.

Câmera de segurança da Panasonic é uma das novidades tecnológicas para as Olimpíadas de 2016
Câmera de segurança da Panasonic é uma das novidades tecnológicas para as Olimpíadas de 2016

Nas Olimpíadas, a contribuição da tecnologia teve início na avaliação dos atletas e no monitoramento diário deles por meio de aplicativos, que auxiliam na melhora do desempenho. “Uma série de outras tecnologias como equipamentos mobile, trajes tecnológicos para a prática esportiva, calçados esportivos também são disponibilizados e fazem parte do avanço tecnológico nas Olimpíadas”, conta Paulo Sevciuc, professor da graduação em Educação Física do Complexo Educacional FMU.
Outra aplicação que vem se tornando realidade é a utilização de jogos eletrônicos, como Wii e Kinect Xbox. Além de  ajudar a popularizar esportes e modalidades menos conhecidas, eles têm auxiliado atletas na simulação das práticas esportivas. “Temos simuladores que podem ser utilizados para adaptações de altitude e ambientação de atletas aos locais de competição, de forma virtual, por meio de projeções idênticas a estes ambientes”, exemplifica o professor.
O avanço tecnológico nas Olímpiadas está, principalmente, nas arbitragens e na evolução dos métodos e controles de treinamento. Entre os progressos estão a cronometragem na natação ou atletismo, em que o relógio é automaticamente ativado pelo dispositivo de início, e o tempo final é registrado ou cronometrado por uma análise de uma foto finish, facilitando a averiguação do resultado da prova e dos recordes batidos; o “fotocharge”, conhecido como “tira teima” no voleibol, permite que lances duvidosos que acontecem em alta velocidade sejam, por exemplo, revistos; e o hawk-eye, do inglês olho de águia, torna possível acompanhar, por meio de câmeras de vídeo de alta precisão, a trajetória da bola em toda a área. Em caso de lances duvidosos, a imagem final, em 3D, poderá ser exibida ao público.
No caso do judô, por exemplo, já existem casos  em que comissões técnicas utilizam  imagens e estatísticas coletados na competição que, de forma imediata, oferecem subsídios para os atletas sobre características dos próximos adversários no campeonato. “Já no karatê e na esgrima, existem sistemas de identificação imediata de golpes desferidos corretamente”, explica Robson Schiavo, professor da graduação em Educação Física do Complexo Educacional FMU.
 
 O que vem em 2016
Para as Olimpíadas no Rio de Janeiro, a patrocinadora Panasonic anunciou em 2014 soluções em vídeo, áudio e equipamentos de segurança que equiparão a Vila Olímpica e as arenas esportivas durante o evento.
Entre as novidades tecnológicas da empresa está um sistema de câmeras de segurança que possui reconhecimento facial, no qual as câmeras são capazes de fazer buscas a partir de uma fotografia pré-registrada. É possível ainda reconhecer, por meio da captação, o número de pessoas, o sexo e a idade delas, e outros atributos com fins comerciais e de marketing.
Outra novidade é um sistema que permite detectar o usuário e até mesmo o ticket em seu bolso a fim de trazer as mais recentes informações sobre os eventos relacionados ao que o ele irá assistir. Por exemplo, quem comprou uma entrada para uma partida de tênis, ao passar perto destas TVs equipadas com o sistema de sinalização interativa, poderá ver todos os dados relacionados à competição.
No campo esportivo, o professor Robson Schiavo, acredita que uma das inovações do ano que vem será o uso de uma ferramenta chamada “Passaporte Genético”, que fará uma investigação genética do atleta, sendo possível identificar qualquer alteração anormal, por meio de métodos proibidos, na tentativa de melhorar a performance (Doping). “As Olimpíadas sempre foram um grande celeiro de demonstração das inovações devido ao interesse global de demonstrar a sua supremacia por meio do esporte”, comenta o professor.

Satélite a quase 2 milhões de km da Terra captura imagem inédita de eclipse solar

As nuvens produzidas por navios no Pacífico podem ser vistas a um milhão de milhas de distânciaUm satélite americano estacionado a um milhão de milhas (1,6 milhão de km) da Terra conseguiu um registro único de um eclipse lunar.
Lançada em fevereiro, a espaçonave DSCOVR tem uma câmera focada constantemente na face iluminada da Terra.

As imagens são usadas para rastrear elementos móveis, como nuvens e tempestades de areia, e para monitorar o clima.
Mas, em 27 de setembro, o satélite estava na exata posição para ver a Lua passar atrás da Terra e por sua sombra.
Em solo, observadores do céu viram o corpo lunar se transformar em uma sombra vermelha. Isso ocorre porque alguma luz solar ainda atinge a superfície da Lua após ser filtrada pela atmosfera terrestre.
"Nossa câmera é normalmente focada na Terra, mas usamos a Lua para calibragem", disse Jay Herman, o principal investigador da Nasa (agência espacial americana) no sistema de câmeras do DSCOVR, chamado Epic.
"Isso é o que estávamos fazendo naquele momento. Estávamos focando na Lua e a Terra entrou na frente cerca de quatro horas antes de o eclipse ser visto em nosso planeta. Isso é porque estávamos em uma posição angular, bem ao lado da linha Sol-Terra."
"A Terra está em rotação quando passa. É algo único porque você pode observar o movimento das nuvens", disse Herman durante encontro da União Americana de Geofísica, em São Francisco (EUA).
Relatórios mostram que o satélite DSCOVR está em ótimo estado.
Um de seus objetivos é mapear o comportamento das nuvens. Os diferentes filtros de onda do sistema permitem estimar a altura das nuvens. Isso é importante para monitorar sistemas meteorológicos e entender o impacto das nuvens no clima. Algumas ajudam a resfriar o planeta ao refletir a luz solar de volta para o espaço, enquanto outras esquentam a Terra ao conservar calor.
Neste trabalho, o sistema Epic já detectou coisas inesperadas, como o rastro de navios. Não são as ondas produzidas por embarcações, mas as nuvens que seus sistemas de exaustão lançam na atmosfera.
"Foi surpreendente para nós poder observar isso a um milhão de milhas, e as imagens são melhores quando usamos um comprimento de onda maior, porque isso fornece um maior contraste com a escuridão do oceano", disse Alexander Marshak, cientista do projeto.
Um dos instrumentos do satélite, hoje em fase de testes, é um radiômetro que mede o total de energia solar refletida na Terra, bem como o calor emitido pelo planeta.
Principal investigador dos dados fornecidos por esse equipamento, Steven Lorentz, do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA, diz que a quantidade de energia solar refletida depende dos continentes e oceanos em foco. A Terra refletia mais calor, segundo ele, quando a África estava em foco (superfícies terrestres são mais brilhantes do que superfícies marítimas), e a Antártica também ficava visível durante o verão no hemisfério sul.
"Os dois polos do planeta aparecem de forma muito visível nos dados. Quando a Terra está inclinada nesta ou naquela direção, isso faz realmente diferença no albedo planetário (poder de reflexão da luz solar). Isso só reforça a importância do gelo para o clima, porque se os polos não estivessem ali, ou se diminuírem, a quantidade de energia (calor) no sistema irá aumentar."
Segundo outro membro do projeto, o cientista Adam Szabo, as medições do satélite não são novidade, pois também são feitas por equipamentos que orbitam a Terra. A vantagem está, diz, no posicionamento do DSCOVR.
"Posicionado entre o Sol e a Terra, o satélite enxerga toda a face iluminada da Terra todo o tempo, permitindo à Terra rotacionar em torno do equipamento em vez de o satélite girar ao redor do planeta."
BBC Brasil

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Crostas submarinas de minérios, um tesouro escondido a ser explorado pela Ciência


Com apoio da FAPESP e do NERC, pesquisadores investigam depósitos de metais na Elevação do Rio Grande e em planícies abissais ao largo da Ilha da Madeira, no Atlântico Norte (imagem: Elevação do Rio Grande/CPRM)

.A formação rochosa submarina conhecida como Elevação do Rio Grande, uma cordilheira de 3 mil km² no fundo do oceano Atlântico, a 1,5 mil quilômetros de distância da costa brasileira, guarda um verdadeiro tesouro em minerais e elementos químicos cada vez mais escassos na superfície terrestre – e que a ciência começa a desbravar. A formação rochosa submarina conhecida como Elevação do Rio Grande, uma cordilheira de 3 mil km² no fundo do oceano Atlântico, a 1,5 mil quilômetros de distância da costa brasileira, guarda um verdadeiro tesouro em minerais e elementos químicos cada vez mais escassos na superfície terrestre – e que a ciência começa a desbravar.
Um grupo de pesquisadores apoiados pela FAPESP e pelo Natural Environment Research Council (NERC), um dos conselhos de Pesquisa britânicos, deu início ao projeto Marine ferromanganese deposits – a major resource of E-tech elements (Marine E-tech), um esforço multidisciplinar de estudo da formação de depósitos de metais em águas profundas do oceano Atlântico. A formação rochosa submarina conhecida como Elevação do Rio Grande, uma cordilheira de 3 mil km² no fundo do oceano Atlântico, a 1,5 mil quilômetros de distância da costa brasileira, guarda um verdadeiro tesouro em minerais e elementos químicos cada vez mais escassos na superfície terrestre – e que a ciência começa a desbravar.
Um grupo de pesquisadores apoiados pela FAPESP e pelo Natural Environment Research Council (NERC), um dos conselhos de Pesquisa britânicos, deu início ao projeto Marine ferromanganese deposits – a major resource of E-tech elements (Marine E-tech), um esforço multidisciplinar de estudo da formação de depósitos de metais em águas profundas do oceano Atlântico.
Também serão estudados o papel de microrganismos na concentração de elementos de interesse tecnológico, seu ciclos de vida e as implicações para atividades de bioprocessamento – que utilizam células vivas ou seus componentes para sintetizar produtos, degradar substâncias e produzir energia, entre outros objetivos. “Esses estudos também poderão criar oportunidades para o desenvolvimento de um processo de biomineração para a recuperação de metais relevantes a partir de nódulos de manganês.”
Segundo os pesquisadores, “A mineração é conhecida como uma atividade de alto impacto ambiental. Em terra é possível algum controle, apesar de todas as dificuldades conhecidas – pode-se reflorestar, por exemplo. O ecossistema marinho é mais frágil e com uma resiliência muito comprometida, que não se recupera rapidamente. São necessários muitos estudos até que se possa utilizá-lo para este fim [de mineração]”.
Estão previstos quatro cruzeiros científicos com os pesquisadores participantes do projeto, sendo três expedições de até 30 dias conduzidas pela equipe brasileira para investigação do ambiente em águas profundas na Elevação do Rio Grande. Os cruzeiros no Atlântico Sul serão feitos por meio do navio oceanográfico Alpha Crucis, adquirido pela FAPESP para o IO-USP em 2012.

China quer prever poluiçaõ usando supercomputadores

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No dia em que foi anunciado o acordo histórico sobre o clima em Paris, Pequim se asfixiava de novo sob uma espessa nuvem de contaminação. Mas no futuro, a China poderá ordenar o fechamento de fábricas de forma preventiva, graças a um sistema de tecnologia de ponta.
No escritório de Meio Ambiente de Pequim, uma equipe de engenheiros monitora cuidadosamente supercomputadores gigantes que calculam a poluição nesta grande metrópole.
Estas máquinas agrupam todos os tipos de informações, desde detectores infravermelhos das fábricas até as mensagens postadas nas redes sociais, para produzir previsões de poluição para três dias e tendências por dez dias.
Este programa informático, desenvolvido pela gigante norte-americana IBM, é uma das inúmeras armas de última tecnologia empregadas pela China para combater a poluição crônica, ao lado de drones, satélites e outros captores.
Seu objetivo: identificar, com muita precisão, a origem da nuvem tóxica para evitar de forma preventiva qualquer emissão futura.
- Efeitos colaterais -As autoridades de Pequim emitiram pela primeira vez há uma semana um alerta vermelho de poluição em antecipação de uma espessa neblina que desceu sobre a cidade.
Às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2008, Pequim decidiu fechar suas fábricas, parar todas as obras de construção e retirar de circulação metade dos veículos particulares. Uma estratégia que teve resultados, mas cujo custo foi estimado em centenas de milhões de euros.
Aplicou-se a mesma estratégia para a cúpula Ásia-Pacífico (2014), o Mundial de Atletismo (agosto 2015) e o desfile militar pelo aniversário da Segunda Guerra Mundial (setembro de 2015), o que trouxe efeitos colaterais para uma economia já fragilizada.
Mas a inação diante desses episódios recorrentes poderia reforçar o descontentamento popular, o que preocupa as autoridades.
"É um problema complicado. Isso tem um impacto sobre a sociedade, a indústria, a economia, a saúde", enumera Hervé Robin, responsável de tecnologia da Airvisual.com que propõe na China ferramentas para vigiar a contaminação.
Uma névoa asfixiante encobriu Pequim duas vezes em duas semanas, um cenário que poderia se repetir de hoje até o final de setembro, segundo a agência meteorológica chinesa.
Mas "se cada vez que houver poluição tudo tiver que ser fechado, terão que fazer isso todas as semanas", alerta Robin.
- 75% de precisão -Em julho, Pequim pediu a criação de uma rede nacional de detecção de poluição, o que necessitou a mobilização de várias ferramentas tecnológicas na terra, no ar e no espaço.
Até agora, o programa desenvolvido pela IBM consegue 75% de precisão de suas previsões até 10 dias, segundo seus desenvolvedores.
Mas para as Olimpíadas de Pequim de 2022, esperam que esta tecnologia seja "capaz de focalizar atividades específicas em momentos concretos", o que implicaria "um impacto muito menor da atividade econômica e a vida cotidiana", explica Zhang Meng, um cientista da IBM.
No entanto, mesmo com esta presença digital, também é necessária uma presença no terreno.
Durante o último alerta vermelho em Pequim, foram enviadas doze equipes de inspetores para examinar centenas de empresas contaminadoras da capital e das regiões vizinhas.
Nas redes sociais, a prefeitura promovia iniciativas em matéria de aplicação da lei, incluindo multas para as empresas que não ativam seus sistemas de redução da contaminação.
Alguns instalam os equipamentos necessários mas não os utilizam "porque custa muito dinheiro" e reduz sua produtividade, explica Hervé Robin.
Pequim conta atualmente com menos de 40 pontos de detecção. Mas para ter uma resolução suficiente para identificar os poluidores numa "cidade grande como Nova Délhi ou Pequim, seriam necessárias várias centenas".
Isto É.com

Grande asteroide vai passar próximo à Terra na véspera de Natal



Depois do asteroide de Halloween, a NASA afirma que, na véspera de Natal, outro asteroide de grandes proporções vai passar perto da Terra. No entanto, diz a agência espacial norte-americana, não há nada com que se preocupar.
O objeto, que foi descoberto em 2003, vai passar a cerca de 11 milhões de quilômetros da Terra. A esta distância, só será visível através de material dedicado.
O que torna este asteroide especial, para além da data a que irá ‘estar’ na Terra, é o tamanho: deverá ter, de comprimento, entre 1.1 a 2.5 quilômetros

Sonda japonesa alcança sua órbita de destino até asteroide

 
A sonda japonesa Hayabusa-2 conseguiu entrar em sua órbita de destino, exatamente um ano depois de seu lançamento para um asteroide primitivo, anunciou, nesta segunda-feira, a agência espacial japonesa. No dia 3 de dezembro, aproximou-se da Terra para obter impulso com os efeitos da gravitação, antes de se direcionar para o pequeno asteroide Ryugu.
O asteroide, que tem uma forma quase esférica de menos de um um quilômetro de diâmetro, é chamado assim devido a um castelo mítico de um conto popular do país. A sonda deveria alcançá-lo em meados de 2018.
O objetivo da missão consiste no recolhimento de pó do subsolo desse corpo terrestre, que contém carbono e água, para tentar compreender quais matérias orgânicas e aquosas existiam inicialmente no sistema solar. O regresso do aparato à Terra está previsto para 2020.
Isto É.com 

domingo, 13 de dezembro de 2015

'Museu do Amanhã' será inaugurado no Rio de Janeiro


O Museu do Amanhã, localizado na zona portuária do Rio de Janeiro, será inaugurado no dia 19 de dezembro, após cinco anos de construção, confirmou a administração do novo centro cultural.


 O espaço, de 30 mil metros quadrados, pretende oferecer ao público uma mostra do poder que o homem tem para mudar o mundo, diante das mudanças climáticas, degradação dos ecossistemas, interferência na natureza.
 "A ideia é que o museu não seja só um prédio que reúne obras de arte, mas um centro que investiga e aprofunda nas ciências que olham para o amanhã e que mostra diferente cenários aos visitantes, para provocar uma reflexão sobre as ações deles", disse a gerente do projeto, Deca Farroco.
O prédio foi projetado em direção ao mar, junto a outras instalações, e está incluído no projeto Porto Maravilha, de revitalização de uma extensa área, que sofria com degradação.
 A nova atração da capital fluminense terá exposição permanente, dividida em Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhã e Nós, com organização de 53 diferentes atrações, entre vídeos, jogos, espaços interativos.

Uma nave espacial aterrissou no centro do Rio. Moderna, de linhas arrojadas, com asas que se mexem em busca da luz do sol. É movida a energia solar, sustentável. “Enquanto obra de engenharia e obra de arquitetura, é um dos exemplos que a gente gostaria que o amanhã representasse nessa obra”, destaca o secretário de Concessões e PPs do Rio, Jorge Arraes.
O pouso foi milimetricamente calculado durante cinco anos, até que cada peça se encaixasse na estrutura que saiu da prancheta do arquiteto espanhol Santiago Calatrava.
Uma nave nos transporta para o futuro. Este é um museu que não dá respostas. Pelo contrário, faz perguntas. “O museu oferece uma narrativa a partir de algumas perguntas que a humanidade sempre se fez: de onde viemos? Quem somos? Onde estamos? Pra onde vamos? E como queremos ir? De preferência, pra construir um mundo melhor”, diz o diretor-geral do projeto Museu do Amanhã, Hugo Barreto.
 
No Museu do Amanhã, a Terra, vista de cima, é azul e quadrada, representada por cubos gigantes. São as três dimensões da existência: matéria, vida e pensamento. Lá dentro, somos surpreendidos pelo que parece mágica. O balé dos tecidos lembra que tudo na Terra está em movimento: os oceanos, os ventos, a luz. Até os continentes. “Que se movem a uma taxa de aproximadamente 30,5 centímetros por ano, o mesmo ritmo de crescimento das nossas unhas”, explica Barreto.
Mas o ritmo das mudanças hoje no planeta é frenético. Sons e imagens por todos os lados. A gente se dá conta do impacto da ação do homem no planeta. De 1950 pra cá, o mundo mudou mais do que nos últimos 10 mil anos. E a ideia é que o visitante perceba o tamanho dessa transformação.
“É necessário que nós tenhamos a compreensão de que essa nossa atividade se torna transformadora da nossa própria casa, da nossa própria vida. Ou seja, não vamos mais viver no planeta que os nossos ancestrais viveram”, conta o físico e curador do museu, Luiz Alberto Oliveira.
Não há tempo a perder. Está na hora de tomar decisões para garantir o amanhã. Que tal começar jogando? E uma escolha errada pode pôr o planeta em risco.
Depois de percorrer todo o museu, o visitante para pra refletir. É o fim da viagem. Já desembarcamos no futuro. “O futuro começa nesse exato momento em que você faz as escolhas, agora, e empreende as ações pra esse ou aquele amanhã possível. Hoje. O amanhã é hoje”, afirma Oliveira.

O conteúdo do Museu do Amanhã foi desenvolvido por uma equipe com mais de 30 consultores brasileiros e internacionais de diversas áreas, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Massachusetts Institute of Techonology (MIT), entre outros. A expectativa é de que 450 mil pessoas visitem o local por ano.

O ato de cruzar as pernas faz mal ou não, afinal?

Getty
O ato de cruzar as pernas já foi associado a condições como pressão alta, varizes e danos aos nervos
 
Como se sentar em uma cadeira? Muitas pessoas cruzam uma perna sobre a outra. Nos anos 80, o comediante britânico Kenny Everett até fez do hábito a marca registrada de sua rotina – ele cruzava e descruzava de forma extravagante as pernas enquanto vestido em uma saia e saltos altos.
Outras pessoas não cruzam as pernas e preferem deixá-las espaçadas, o que não é muito confortável para quem está ao lado no transporte público. Eles fazem parte dos que acreditam que cruzar as pernas pode fazer mal – o que, aliás, foi até tema de uma grande campanha publicitária nos Estados Unidos em 1999.
Mas é verdade? A lista de possíveis consequências para longos períodos de pernas cruzadas inclui a possibilidade de aumento da pressão sanguínea, varizes e mesmo danos ao nervos. Mas todos esses itens merecem uma avaliação mais detalhada.

Articulações

É verdade que passar muito tempo na mesma posição fará com que sua perna ou pé fique dormente. Isso porque cruzar as pernas coloca pressão sobe o nervo peroneal, que fica atrás dos joelhos e “anima” a parte inferior das pernas e os pés. Mas mesmo que ocorra o formigamento, ele é apenas temporário.
Manter uma mesma postura por muitas horas, porém, pode levar a uma condição chamada paralisia nervosa peroneal e no chamado “pé caído” - a impossibilidade de levantar a parte frontal do pé e os dedões. Mas um estudo na Coreia do Sul que examinou pacientes não identificou entre as causas do problema o ato de sentar-se em uma cadeira com um joelho sobre outro.
 
Getty
Sentar com "pernas de japonês" está ligado a uma paralisia nervosa
 
Mas sentar-se no chão com as pernas cruzadas, sim. Na verdade, a dormência prolongada é uma consequência improvável de cruzar as pernas porque tendemos a nos mexer assim que nos sentimos desconfortáveis.
E a pressão sanguínea? Quando vamos ao médico, somos orientados a repousar nosso braço em uma cadeira ou mesa e a descruzar nossas pernas, colocando os dois pés no chão. Isso para evitar que a perna cruzada influencie uma leitura falsa, já que o cruzamento pode elevar a pressão. Uma série de estudos comprovam que cruzar as pernas realmente eleva a pressão, mas um outro mostrou que não há diferença.
Muito desses estudos, porém, foram pequenos e se fiaram apenas em uma medição da pressão. Já pesquisadores na Turquia fizeram um programa de testes em que várias tomadas de pressão foram feitas em pacientes com pernas cruzadas e descruzadas.
Uma vez mais, os maiores valores foram vistos com as pernas cruzadas, mas os resultados de checagens feitas minutos após descruzar as pernas mostraram que a pressão arterial havia voltado ao normal. E que o maior aumento de pressão tinha se registrado entre pessoas que já tinham pressão alta.

'Malhação'

Há duas teorias para explicar o aumento: uma é que cruzar as pernas envia de volta sangue para o peito, resultando em uma maior quantidade de sangue bombeada pelo coração.
A outra é que o aumento ocorre porque o cruzamento resulta em um tipo de exercício isométrico, em que as juntas não se movem, e que aumenta a resistência à passagem do sangue. Isso pode explicar por que cruzar as pernas na altura dos tornozelos não tem o mesmo efeito.
 
SPL
Nervo que passa por trás da perna poderia, em tese, ser afetado por longo períodos de cruzamento

Para tentar encontrar uma explicação, uma outra pesquisa, dessa vez na Holanda, tomou uma série de medidas fisiológicas dos pacientes. Os cientistas descobriram que a resistência nos vasos sanguíneos não aumentou quando batimentos cardíacos eram baixos e as pernas estavam cruzadas, mas que o mesmo não ocorreu com a quantidade de sangue deixando o coração. Isso sugeriu que o aumento na pressão sanguínea se devia ao fato de que o cruzamento de pernas enviava sangue de volta para o coração.
Então, cruzar as pernas parece resultar em um aumento temporário de pressão sanguínea, mas não há evidencias de consequências a longo prazo, com uma única exceção: pessoas com risco de desenvolver coágulos sanguíneos são aconselhadas a não cruzar as pernas por longos períodos porque, para elas, as alterações no fluxo sanguíneo aumentam o risco de trombose.
E o caso das varizes? O problema aqui é que ainda é um mistério a razão pela qual algumas pessoas sofrem de varizes e outras, não.
Pequenas válvulas nos vasos sanguíneos previnem que o sangue flua na direção contrária, mas se essas válvulas são esticadas e enfraquecidas o sangue pode formar “poças”, resultando em veias alargadas.
Ainda não está claro se cruzar as pernas é um fator determinante nesse processo. A formação de varizes ainda parece mais determinada pela genética.
 
iStock
Cruzar as pernas na altura dos tornozelos evita desconfortos
 
Bem, se veias, pressão sanguínea e nervos não são afetados a longo prazo pelo cruzamento de pernas, qual é o impacto nas juntas?
Um estudo descobriu que pessoas que sentam com as pernas cruzadas mais de três horas por dia tendem mais a se curvar para a frente e forçar os ombros. Mas as pesquisas foram feitas de acordo com as estimativas próprias de quanto tempo as pessoas passavam sentadas.
Estudos mais recentes descobriram que, se pessoas são instruídas a sentar com as costas eretas enquanto cruzam as pernas, os problemas estruturais eram compensados.
Se isso funciona quando não há alguém supervisionando é outra história. A propósito: quase o dobro das pessoas cruzam a perna direita sobre a esquerda em vez da esquerda sobre a direita.
E há quem defenda que cruzar as pernas é uma espécie de malhação. Pesquisadores do University Medical Centre, em Roterdã, descobriram que cruzar as pernas sobre os joelhos aumentou o alongamento do músculo piriforme, o que contribuiu para a estabilidade da região pélvica.
Ou seja: quem cruzar as pernas como Kenny Everett não vai sofrer danos, desde que não permaneça na mesma posição até que as pernas fiquem dormentes. E quem estiver sentado a seu lado no ônibus ou no trem ficará agradecido.
BBC Brasil
 

Conheça cinco focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti

AP
 
Com a chegada do verão, aumenta a temperatura e também o risco de transmissão de doenças como a dengue, zika e chikungunya, vírus que têm o mosquito Aedes aegypti como vetor.
O calor faz o ciclo de vida do mosquito se acelerar e também potencializa a multiplicação da virose dentro do mosquito, o que aumenta as chances de contágio por enfermidades.
A BBC Brasil entrevistou Sebastião Amaral Campos, agente da secretaria de Saúde de Piracicaba, no interior de São Paulo, que atua e coordena a linha de frente de combate ao mosquito.
Com ele, procuramos entender onde estão os focos de reprodução frequentemente ignorados e que se tornam um risco ainda maior durante o período das férias.
Campos destacou que o inseto é adaptável e persistente e gosta de água limpa e parada. Ele coloca os ovos nas paredes desses criadouros, bem próximo à superfície da água, porém não diretamente sobre ela. Daí a importância de lavar, com escova ou palha de aço, os objetos onde pode haver focos.
Um ovo pode sobreviver em média por um ano no seco. Mesmo que o local onde ele foi depositado fique sem água, não significa que a ameaça acabou. Assim que encontrar humidade novamente o ovo volta a ficar ativo e pode se transformar em pupa, larva e, então, chegar à fase adulta em até sete dias.
À seguir, cinco locais que merecem atenção especial no combate ao mosquito.

Piscina de criança
Thinkstock

Casas de praia, que são apenas utilizadas durante os fins de semana, apresentam um grande risco de serem criadouros do mosquito, pois a água ficaria parada por exatamente uma semana.
Ao fechar o imóvel, os proprietários têm de tomar o cuidado de esvaziar todos os recipientes contendo água limpa e parada e não deixar ao relento objetos com superfícies que podem acumular chuva.
Sebastião chama atenção especial para as piscinas infláveis de criança. É necessário esvaziar e guardar, para não juntar água entre as dobras do plástico.
"Se quiser deixar cheia, é muito importante colocar cloro. Só assim a larva do mosquito não sobrevive", ressalta Campos.
Brinquedos abandonados no jardim são outro fator de risco. "O baldinho de areia e o potinho do cachorro têm de ser esvaziados, escovados e guardados na garagem".
 
Vaso sanitário
Thinkstock
 
Derramar água sanitária nos ralos de varanda e cobrir a tampa do vaso são ações importantíssimas.
Lugares da casa que não são muito frequentados e podem acabar esquecidos, como um banheiro de serviço ou uma varanda de fundos, merecem atenção redobrada.
Nessas áreas, Campos recomenda usar muito cloro. "Às vezes, as pessoas não pensam que o mosquito poderá utilizar o banheiro dentro da casa, mas, sim, ele vem, pois é um bicho doméstico. Tem de tampar o vaso sanitário para não deixar entrar".
 
Bromélias
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As plantas de folhas largas e cálice profundo podem acumular água nas suas reentrâncias, gerando um criadouro ideal. Em muitos jardins, a flor fica presa às paredes em placas de fibra de coco.
A sensação visual vertical passa a falsa idéia de que não há água acumulada ali, pois, em teoria, ela escorreria. "Esse é um problema principalmente nos bairros mais abastados", diz Campos.
"O pessoal rico pensa que dengue é coisa de pobre. Quando vamos visitar a residência, já de cara não nos deixam entrar. Pensam que é assalto. Aí depois entramos e está lá a bromélia cheia de água parada."
Segundo a Fiocruz, estudos analisaram 30 mil larvas e pupas de mosquitos encontradas em bromélias e apenas um pequeno percentual dessas larvas era de Aedes aegypti, concluindo que, ainda que seja possível encontrar o mosquito nessas plantas, a chance é pequena.
"Mas todo cuidado é pouco: a recomendação é trocar a água que fica empoçada dentro das bromélias no mínimo uma vez por semana. Assim, se houver larvas ali, elas serão eliminadas antes de se transformar em mosquitos adultos", sugere o site da Fiocruz.
 
Tampinha de garrafa
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Tampa de garrafa, canudos de plástico, lata de alumínio. Esses são alguns lugares inusitados onde as equipes de Campos já encontraram ovas de Aedes aegypti. O agente de saúde também ressalta que o lixo reciclado guardado em casa pode ser um risco em potencial.
"O mosquito gosta de água limpa e o chamado 'lixo seco', que pode acumular ao relento até o dia da coleta seletiva e também virar foco de reprodução do inseto. Tem de guardar dentro de casa. Não pode deixar nada descoberto, na rua".
 
Casquinha de caramujo
Thinkstock
 
A casquinha vazia de um caramujo pode parecer pequena, mas guarda nela o potencial para uma colônia de ovos do Aedes aegypti. Limpar com persistência os cantos mais isolados do jardim é uma medida de sucesso do controle do mosquito.
"Já encontramos mosquitos em casquinha de caramujo, de ovo, cada coisinha pequeninha… Dá em tudo. Se bobear, o mosquito abusa", comenta Campos.
"Pare e pense: esse é o bicho que mais mata no mundo hoje. Não tem como não levar a sério. É preciso acabar com ele", conclui.
BBC Brasil
 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Os rios que carregam esperanças para o Doce

 
Num bosque que sobrevive em meio às encostas desmatadas corre um riacho. Coisa pequena, nem nome oficial tem. Mas se tornou joia na terra devastada pelo maior desastre ambiental do Brasil. Com águas transparentes, ele é um instante de natureza a menos de cinco quilômetros do arruinado distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. Voluntários que ajudam pessoas afetadas gostariam que se chamasse Esperança. Pois é nos rios limpos como ele que especialistas depositam as esperanças de recuperar a Bacia do Doce.
Ela não está morta. Mas precisa de sangue novo, da água dos afluentes não afetados. Não basta deixar jorrar. É preciso proteger, desassorear e monitorar rios como o Piranga, o Gualaxo do Sul e o Santo Antônio, afluentes estratégicos para a salvação do Rio Doce devido à qualidade das águas e da biodiversidade. O trabalho já era necessário antes de 5 de novembro. Agora é vital.
O córrego da esperança, no distrito de Santa Rita Durão, deságua perto do lugar onde foi encontrado o corpo de uma das vítimas da tragédia. Como elas, também desaparece sob a lama de rejeitos. Despeja a água limpa no morto Gualaxo do Norte, o rio mais atingido pela tsunami da Samarco.

 
 
O Gualaxo do Norte consegue fácil a classificação de rio mais destruído do Brasil. Seu leito é lama de rejeitos. Não há vida. A cor é o ocre da oxidação do minério de ferro. As pedras ejetadas pela barragem se misturam a metais pesados e agrotóxicos.
— Ele já tinha todo tipo de poluição por mineração e agricultura antes do desastre. E não tem mais vida — explica o consultor ambiental Fábio Vieira, autor de numerosos trabalhos sobre a Bacia do Rio Doce, inclusive do guia de peixes da região.
Vieira diz que no Gualaxo do Norte a destruição é de 100%. A tsunami revirou um rio que já acumulava metais pesados como chumbo, arsênio, manganês e mercúrio, de muitos anos de mineração de ouro.
 
— Ele foi o primeiro a ser atingido e será o último a ser recuperado — destaca.
 

O Gualaxo do Norte despeja seu fardo no Carmo, que ao se juntar ao Piranga forma o Doce. Segundo Vieira, o Rio Doce precisa de remédios diferentes ao longo dos cerca de 800 quilômetros até o mar. A zona crítica vai do local do rompimento da Barragem de Fundão, na região acima de Bento Rodrigues, até a represa de Candonga, que reteve boa parte dos rejeitos. Ao longo de cerca de 100 quilômetros, a lama serpenteia os fundos de vales. Lá, córregos como o riacho sem nome de Santa Rita Durão continuarão a despejar suas águas limpas em vão por muito tempo.
Do Gualaxo do Norte a Candonga está o horror. Essa área é crítica para intervenção direta — frisa Vieira.
DEZ ÁREAS CRÍTICAS
Eduardo Figueiredo, do Comitê da Bacia do Rio Doce, concorda.
— Candonga é um marco divisor. Nessa região é preciso intervenção intensa, retirar a lama, recuperar leito e margens de rios — afirma Figueiredo.

 
Espécies de peixes que vivem na Bacia do Rio Doce - Editoria de Arte
Uma análise do comitê da Bacia do Rio Doce antes do desastre já havia mapeado dez áreas críticas para a recuperação do Doce, diz Figueiredo:
— Nos últimos três anos, o Doce teve recordes seguidos de escassez hídrica. Já havia gravíssimo assoreamento. A situação era péssima. Some a isso o desastre e veja o tamanho do desafio para a recuperação.
receita para isso não mudou. Mudaram a urgência e o tamanho do problema.
 
— É necessário proteger e recuperar nascentes, conter a erosão — acrescenta.
A dinâmica do desastre ainda está em curso, observa Marcos Freitas, coordenador geral do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais:
Teremos que ver como os rejeitos se distribuirão pelos rios. O problema precisa de intervenção agora e de planos de médio e longo prazo.
Jornal O Globo.com




O mundo da economia sem carbono

planeta (Foto: Thinkstock)
Um aquecimento limitado a +2ºC, investimentos para acelerar a transição para um mundo sem carbono: o acordo universal alcançado neste sábado em Paris pode mudar por completo a face da economia global.
Em 2050, "teremos uma economia mais limpa e com uma dependência menos forte das energias fósseis, que criará novos empregos em novos setores", avalia Edward Cameron, da coalizão We Mean Business.
E segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a transição ecológica poderia criar até 60 milhões de empregos de hoje a 2030.
A energia, sem distinção de como é utilizada, é responsável por dois terços das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Para respeitar a meta dos 2 ºC, este setor deverá apostar nas energias renováveis.
A Agência Internacional da Energia (AIE) calculou que para isso será necessário alcançar 50% de energias renováveis e pelo menos 36 bilhões de dólares de investimentos adicionais de hoje a 2050.
Seu desenvolvimento permitirá além disso acelerar o acesso a eletricidade nos países em desenvolvimento.
O potencial de empregos é importante: 24 milhões em 2030, segundo a Agência Internacional de Energias Renováveis.
Sem dúvidas, dentro de 20 ou 30 anos, as energias fósseis - carbono, gás e petróleo - não terão desaparecido. Segundo a AIE, representarão 75% da matriz energética mundial até 2040.
Os países petroleiros deverão acelerar a diversificação de suas economias, que hoje dependem quase exclusivamente dos hidrocarbonetos.
Para Nicolas Hulot, enviado especial do presidente francês François Hollande para a proteção do planeta, "o esforço é mais estrutural que técnico, já que não estamos acostumados a dar de ombros a um recurso que está ali ao alcance das mãos".
De acordo com os profissionais, até 2030 o tráfego de passageiros vai dobrar, o frete aéreo vai triplicar e o marítimo de contenedores será multiplicada por quatro.
O acordo de Paris protege o transporte aéreo e marítimo, uma aberração na visão das ONGs. Para descarbonizar o setor, é preciso substituir, segundo a AIE, pelo menos 10% (em comparação com 3% atualmente) da gasolina obtida a partir de combustíveis fósseis por biocombustíveis (bioetanol, biogás, etc.) produzidos a partir de biomassa, na medida do possível não proveniente de culturas alimentares.
Ele também deve implantar um enorme parque automotor elétrico.
As projeções antecipam um enorme desenvolvimento do transporte público para limitar a expansão dos carros particulares.
É necessário tomar medidas "desde já", insiste Franck Lecocq, engenheiro do Cired, porque trata-se de um setor "em que a vida útil dos equipamentos é muito longa".
Cerca de 3 bilhões de dólares seriam necessário de hoje a 2035, segundo a Climate Policy Initiative.

Para reduzir o impacto sobre o clima, os especialistas defendem a introdução de tarifas para penalizar a poluição de carbono, mas o acordo de Paris não faz menção a isso.
"Parte das mudanças resultarão na melhoria da eficiência, ser capaz de fazer o mesmo com menos", aponta Franck Lecocq.
Muitas empresas já estão tentando reduzir seu consumo de energia e de matérias-primas, reciclam seus resíduos, se voltam para o eco-design de seus produtos. Mas será preciso fazer mais.
Algumas atividades, especialmente aquelas que consomem mais energia (aço, alumínio, petroquímica) deverão ser transformadas completamente.
"A médio prazo, é possível imaginar que atividades que existem hoje se reduzam consideravelmente", alertou Lecocq.
"Há setores econômicos, regiões, que vão ser afetadas embora haja compensações", agregou, insistindo na necessidade de "dar perspectivas a estes setores e as pessoas que empregam".

As emissões de gases de efeito estufa, especialmente o gado, são suscetíveis de aumentar, pois o consumo de carne e produtos lácteos vai explodir.
Para reduzir o aquecimento global, é necessário proteger as florestas e restaurar as terras degradadas pela agricultura intensiva e pelo desmatamento maciço.
Embora limitado, o aquecimento atual já teve um impacto sobre a produtividade e os rendimentos agrícolas e os preços. O que está em jogo é o acesso de todos aos alimentos.
"A tecnologia desempenha um papel", explica Edward Cameron, especialmente "sobre a maneira de administrar de maneira eficaz os recursos de água".
No ritmo atual, as emissões de CO2 do setor poderiam aumentar em 70% até 2050. De acordo com especialistas que falaram na COP21, reduzir o consumo de energia no setor da construção permitirá reduções substanciais nas emissões.
São necessários 220 bilhões de dólares em investimentos de hoje a 2020 - ou seja, 50% a mais que em 2014.
Haverá então edifícios de nova geração, melhor isolados, construídos com novos materiais, que produzirão sua própria energia com painéis solares e terão calefação graças à fermentação de nossos resíduos. A adaptação dos edifícios atuais será complicada, contudo.
Galileu.com

COP 21 divulga acordo histórico pelo clima

 
O acordo do clima da COP 21, intitulado  "Transformando nosso mundo: a agenda de Desenvolvimento Sustentável para 2030", foi divulgado na manhã deste sábado aos delegados de 190 países ao redor do mundo, e, se for ratificado, poderá ser um dos tratados mais importantes a nível internacional de mudança climática já assinados.
O projeto de texto reconhece que "as alterações climáticas representam uma ameaça urgente e potencialmente irreversível para as sociedades humanas e para o planeta e, portanto, requer a mais ampla cooperação possível de todos os países e sua participação numa resposta internacional eficaz e apropriada, com vista a acelerar a redução da as emissões globais de gases de efeito estufa ".
O documento também reconhece que "serão necessárias reduções profundas nas emissões globais", a fim de enfrentar as mudanças climáticas que são  "preocupação comum da humanidade".
O que o acordo de Paris inclui:
-  O projeto de acordo para frear as mudanças climáticas traça planos para garantir  "um aumento da temperatura média global inferior a 2 °C em relação aos níveis pré-industriais e também reconhece a urgência de prosseguir com os esforços em limitar o aumento da temperatura a 1,5 ° C".
- O acordo também prevê o compromisso de acompanhamento e revisão a cada cinco anos de como os países estão aplicando seus planos climáticos, com o primeiro encontro marcado para 2023.
- Um mecanismo de perdas e danos, para lidar com os prejuízos financeiros que os países vulneráveis sofrem com os fenômenos extremos, como cheias, tempestades e temperaturas recordes.
- Um pedido para que os países revejam seus planos climáticos nacionais em 2018, antes de entrarem em efeito pós-2020.
- Pede ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas que apresente um relatório especial em 2018, sobre os impactos do aquecimento global de 1,5 ° C acima dos níveis pré-industriais.
É notável a  ausência no texto de uma escala temporal clara de quando os combustíveis fósseis deverão ser eliminados. O projeto anterior, divulgado na sexta-feira, dizia que as partes iriam trabalhar "no sentido de atingir a neutralidade nas emissões de gases de efeito estufa na segunda metade do século". Não há resquício dessa intenção no novo acordo.
Responsabilidade histórica
Ao abrir a sessão plenária da cúpula do clima de Paris, na manhã deste sábado,  Laurent Fabious presidente da COP 21, disse que o texto contém os elementos principais antes considerados impossíveis de se alcançar. "É diferenciado, justo, duradouro, dinâmico, equilibrado e juridicamente vinculativo".
Dirigindo-se aos ministros e negociadores, e todos aqueles que assistiam a apresentação do documento final da COP 21, Fabius instou os representantes dos países a ter em mente o imenso desafio que têm em suas mãos: "A nossa responsabilidade na história é imensa."
Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU,  destacou o peso histórico do acordo: "Chegamos a um momento decisivo em uma viagem longa, que remonta décadas de negociações. O documento apresentado é histórico. Ele promete colocar o mundo em um novo caminho, para um futuro resiliente ao clima e de baixas emissões."
O Presidente da França, François Hollande, reforçou a ideia de cooperação global. Há apenas uma pergunta, ele disse: "Nós queremos um acordo?"
A conferência tem que dar o último passo, segundo ele, que elogiou o texto como ambicioso, mas realista. "Neste 12 de Dezembro de 2015, podemos ter um dia histórico".
A data pode trazer uma mensagem de vida, disse ele, lembrando que Paris foi atacada por terroristas quase um mês atrás. "Então, senhoras e senhores, a França pede que vocês adotem o primeiro acordo universal sobre o clima".
Reações pelo mundo
As reações ao acordo foram as mais diversas entre ONGs e entidades ambientalistas ao redor do mundo:
Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace, disse que, embora a "roda da ação climática" gire lentamente, ela se transformou em Paris, colocando as empresas de combustível fóssil no "lado errado da história":
"Há muito no texto que foi diluído e poluído pelas pessoas que exploram o nosso planeta, mas [ele] contém o imperativo de uma nova temperatura para limitar até 1,5 graus o aquecimento. Esse número vai causar consternação nas diretorias de empresas de carvão e nos palácios dos estados exportadores de petróleo.", declarou Naidoo.
O chefe da delegação da ONG WWF, Tasneem Essop, também disse que os países precisam intensificar seus esforços, mas considera  que a redação do objetivo geral foi um "sinal forte".
"Ao incluir uma meta bem abaixo de 2°C de aquecimento com uma referência a um objetivo de 1.5°C no longo prazo, o mais recente projeto envia um forte sinal de que os governos estão empenhados em se alinhar com a ciência. O que precisamos agora é que suas ações, incluindo a redução de emissões e financiamento, somem-se para  cumprir essa meta", afirmou.
Já o presidente-executivo da ActionAid, Adriano Campolina, disse que o texto não foi longe o suficiente para proteger as pessoas mais pobres do mundo.
"O status elevado e todo o 'hype' em torno da ideia de um limite de aquecimento de 1.5°C não resultou em quaisquer compromissos reais e concretos. Este teto  não poderá ser alcançado com os cortes de emissões propostos pelos países ricos e que de fato levam ao aumento da temperatura de 3°C. "
O presidente do Instituto Grantham de Mudanças Climáticas e Meio Ambiente - e autor do Relatório Stern sobre a Economia das Mudanças Climáticas - Nicholas Stern elogiou o acordo proposto como um "momento histórico" para as gerações futuras.
Ele disse em um comunicado:
"O acordo de Paris é um ponto de virada na luta mundial contra as mudanças climáticas que ameaçam a prosperidade  e o bem-estar entre os países ricos e pobres. O acordo cria enormes oportunidades para que os países comecem a acelerar o caminho para um desenvolvimento econômico de baixo carbono e o crescimento.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Derretimento de geleiras desacelera rotação da Terra, alertam cientistas

What is climate change
 
O derretimento de geleiras causado pelo aumento das temperaturas parece estar resultando uma leve desaceleração na rotação da Terra, em mais um sinal da abrangência do impacto das mudanças climáticas globais, disseram cientistas nesta sexta-feira (11).
A força por trás das pequenas, mas discerníveis, mudanças na rotação da Terra medida por satélites e métodos astronômicos é o aumento do nível do mar no mundo, alimentado pelo fluxo de água derretida das geleiras para os oceanos, afirmaram pesquisadores.
"Uma vez que os glaciares estão em altas latitudes, quando eles derretem, eles redistribuem a água dessas altas latitudes para latitudes mais baixas, e, como um patinador que move os seus braços para longe do seu corpo, isso age para reduzir o índice de rotação da Terra", declarou o geofísico da Universidade de Harvard, Jerry Mitrovica.
O movimento do gelo e da água derretida também causa uma leve migração do eixo da Terra, ou polo norte, num fenômeno conhecido como "deslocamento polar", disseram os pesquisadores.
"Imagine um patinador que não estica os seus braços direto, e sim estica um num ângulo, e outro em outro ângulo. O patinador vai começar a balançar para frente e para trás. Isso é a mesma coisa que o movimento polar", afirmou Mitrovica.
A pesquisa investigou as mudanças na rotação e no eixo do planeta com o aumento do nível do mar no século 20 como resultado do aumento das temperaturas globais.
AUMENTOS HISTÓRICOS - Cientistas de todo o mundo se reuniram em julho na França e alertaram que tanto a temperatura da superfície terrestre e dos oceanos como o nível do mar, a concentração de gases do efeito estufa e as emissões de CO2 aumentaram a níveis históricos desde meados do século 19. Stocker destacou a necessidade de reduzir as emissões de dióxido de carbono entre 40% e 70%, antes de 2050, para diminuir os efeitos do aumento da temperatura global e limitar o aquecimento a 2ºC acima dos níveis pré-industriais.
EXTINÇÃO DAS ABELHAS - O aquecimento tem levado ao declínio mundial dos polinizadores, principalmente abelhas e outros insetos, o que pode causar até 1,4 milhões de mortes adicionais por ano, um aumento de mortalidade mundial de quase 3%, segundo pesquisa publicada na revista médica The Lancet. Isso porque nossa alimentação seria prejudicada.
ADEUS ÀS SUAS FRUTAS E LEGUMES PREDILETOS - Uma redução de 100% dos "serviços de polinização" poderia reduzir os estoques globais de frutas em 22,9%, legumes em 16,3% e 22,9% em nozes e sementes. Ainda em um cenário de completa eliminação de polinizadores, 71 milhões de pessoas em países de baixa renda poderiam encontrar-se deficientes em vitamina A, e 2,2 bilhões que já têm consumo inadequado teriam suas contribuições reduzidas novamente.
 MENOS COMIDA - A multiplicação das catástrofes ligadas ao clima ameaça cada vez mais a segurança alimentar, ressaltou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em estudo. "Globalmente, de 2003 a 2013 - o período abrangido pelo estudo - o número médio anual de desastres causados por todos os tipos de desastres naturais, incluindo os fenômenos relacionados ao clima, quase dobrou desde os anos 1980. Os prejuízos econômicos são estimados em 1,5 trilhões de dólares", disse a FAO. Na imagem, vítimas do tufão Hagupit que passou em Dolores, nas Filipinas, em 2014, exibem cartaz com os dizeres: "Por favor, nos ajude. Nós precisamos de comida.
30 MIL MORTES POR ANO EM CATÁSTROFES CLIMÁTICAS - Mais de 600 mil mortes são relacionadas às catástrofes climáticas nos últimos 20 anos, segundo um novo relatório do Escritório das Nações Unidas para a redução do risco de catástrofes (UNISDR). Desde 1995, data da primeira conferência das partes sobre mudanças climáticas da ONU (COP1), os desastres causados por eventos meteorológicos, como inundações, tempestades, ondas de calor, secas, "provocaram 606 mil mortes". Isto representa "uma média de 30 mil vidas por ano, além de 4,1 bilhões de pessoas feridas, sem-teto ou que necessitaram de ajuda de emergência", afirma a ONU. A grande maioria das vítimas (89%) viviam em países pobres.
O CALOR VAI AUMENTAR - Os próximos dois anos podem bater o recorde mundial como os mais quentes já registrados no mundo, segundo pesquisa da agência meteorológica do Reino Unido. O Met Office alerta que grandes mudanças no sistema climático podem estar a caminho por causa dos gases do efeito estufa, que aumentam o impacto de tendências naturais. O estudo revela também que o verão na Europa pode ficar temporariamente mais frio, enquanto o resto do mundo viveria os reflexos do aquecimento.
 TERMÔMETROS SUBINDO - Outubro e os primeiros dez meses de 2015 foram os mais quentes da história moderna, de acordo com relatório mensal a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica americana. Estes dados implicam que o ano de 2015 se encaminha para ser o mais quente desde 1880. Segundo a administração, outubro foi o sexto mês consecutivo que rompeu os recordes mundiais, pelo qual a média de temperaturas na superfície terrestre e os oceanos foi de 0,86 graus Celsius, superior que a média no século 20.
 HIDRELÉTRICAS SERÃO OBSOLETAS? - Mudança climática deve reduzir capacidade hidrelétrica em até 20%, de acordo com o mais importante estudo sobre como diversos setores vão reagir diante do clima modificado, o projeto Brasil 2040 - Alternativas de Adaptação às Mudanças Climáticas. No pior cenário, até 2040 a capacidade das hidrelétricas pode ficar de 8% a 20% menor. Já no melhor cenário a capacidade diminui entre 4% e 15%. Ou seja, mesmo se o mundo fizer tudo o que está prometendo para combater o aquecimento global, ainda haverá impacto na produção de energia. Usinas como a de Belo Monte e o novo projeto pensado para o Rio Tapajós seriam inviabilizados.
 SECA ONDE ERA MAR - A seca no Brasil em 2015 pode não ser uma causa direta das mudanças climáticas, mas como diz o nome, ela favorece mudanças no clima: os fenômenos se tornam mais intensos. Então, uma seca gerada por vários fatores se tornou ainda mais forte por causa do aquecimento global. E a tendência é só piorar.
 CALOR SEM AMOR - Por essa você não esperava, o aquecimento global pode afetar até a vida sexual no planeta. O clima quente leva à redução da "frequência de coito", de acordo com um novo documento de trabalho publicado pelo Departamento Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos. Três economistas estudaram dados sobre fertilidade e temperatura nos EUA relativos a um período de 80 anos e concluíram que quando faz mais calor que 26,67 ºC, segue-se um grande declínio na quantidade de nascimentos dentro de dez meses. Os futuros pais não tendem a compensar o tempo perdido nos meses mais frios seguintes.
 NEVE AUMENTA, MAS GELO DERRETE - As nevascas anuais aumentaram 30% na Antártida Ocidental durante o século passado, mas essa neve extra não significa uma boa notícia para a camada de gelo que está derretendo, disseram pesquisadores. Pelo contrário, a neve é provavelmente resultado da maior atividade ciclônica sobre as águas mais mornas do oceano, que por sua vez resultam na perda de gelo, segundo o estudo publicado na revista Geophysical Research Letters.
 O MAR ESTÁ SUBINDO - O aumento do nível do mar ameaça as grandes cidades, mesmo se temperatura subir o mínimo esperado, dois graus centígrados. Rio de Janeiro, Xangai, Mumbai, Hong Kong e Buenos Aires estão na lista de cidades ameaçadas, segundo relatório do instituto de pesquisa Climate Central, publicado em setembro. Com 2º graus de aumento, a água cobriria territórios povoados atualmente por cerca de 200 milhões de pessoas. Para tentar conter o fenômeno é preciso reduzir drasticamente a emissão de gases de efeito estufa.
 É O FIM DOS URSOS POLARES? - A população de ursos polares, ameaçados pelo aquecimento global por causa do derretimento da calota de gelo do Ártico, vai diminuir em mais de 30% ao longo dos próximos 35 ou 40 anos - alertou em novembro a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Especialistas estimam que existam entre 22 mil e 31 mil ursos polares do mundo (Estados Unidos, Canadá, Noruega, Groenlândia e Rússia), de acordo com a IUCN, que atualiza regularmente seus relatórios sobre a flora e fauna ameaçadas do mundo. De acordo com a organização, estudos mostram que "há uma forte probabilidade de que uma redução de mais de 30% da população de ursos polares nos próximos 35-40 anos", pela perda de habitat devido ao aquecimento climático.
 PERDA DESCONTROLADA DE GELO NA ANTÁRTIDA - De acordo com estudos da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia, a Antártida corre o risco de perder de forma descontrolada suas camadas de gelo diante de qualquer variação climática, o que provocaria uma elevação significativa do nível dos oceanos. Segundo a pesquisa, imagens feitas pelos satélites mostram que algumas partes das camadas de gelo antártico estão afinando por causa do aquecimento dos oceanos.
JÁ É TARDE PARA IMPEDIR O AQUECIMENTO - Mesmo se eliminarmos os combustíveis fósseis nas próximas poucas décadas, nossos descendentes ainda enfrentarão temperaturas significativamente mais altas do que as atuais por milênios. Já é tarde demais para impedir o aquecimento causado pela humanidade por completo. Se eliminarmos rapidamente os combustíveis fósseis, os climas poderiam vir a se parecer com aqueles dos períodos quentes interglaciais que pontuaram as eras de gelo dos últimos dois milhões de anos. Durante o último interglacial, que teve início há 130 mil anos e durou aproximadamente entre 13 mil a 15 mil anos, as temperaturas globais médias eram 1 a 3 graus Celsius mais altas que hoje.
TEMPERATURA MUNDIAL SUBIRÁ - Pela primeira vez, a temperatura média mundial na superfície da terra aumentará um grau centígrado em 2015, superando os níveis pré-industriais, segundo a agência meteorológica britânica Met Office. O limite para que não ocorram catástrofes maiores é um aumento de 2ºC.
 TRISTE RECORDE DE EMISSÃO DE GASES - A Organização Meteorológica Mundial revelou em novembro deste ano que a emissão dos gases do efeito estufa bateu recorde em 2014. As concentrações atmosféricas de CO2 - o principal gás do efeito estufa - atingiu 397,7 partes por milhão (ppm) em 2014 --na Primavera de 2014, quando o dióxido de carbono é mais abundante, as emissões dessa concentração no hemisfério norte passaram da marca simbólica de 400ppm. O nível é o maior já medido pela organização meteorológica, que analisa os dados há pouco mais de 30 anos, e o mais alto dos últimos 800 mil anos.
 PINGUIM PODE DESAPARECER - As mudanças climáticas e a pesca predatória ameaçam a existência do pinguim-africano. De 2004 a 2014, o número de casais do animal capazes de se reproduzir caiu 90% em colônias sul-africanas, passando de cerca de 32.000 a cerca de 3.000, segundo números oficiais. Estas aves, incapazes de voar, são vítimas de uma mudança de comportamento de suas principais presas, sardinhas e anchovas. Os bancos destes peixes estão diminuindo pela pesca, além de estarem se deslocando, possivelmente devido a mudanças climáticas, afastando-se das colônias de pinguins.
 

Como 'truculência' de Oswaldo Cruz varreu o Aedes aegypti das cidades brasileiras

(Thinkstock)

Rio de Janeiro, início do século 20. Na calada da noite, eles entravam nas casas à procura de um invasor sorrateiro e muitas vezes imperceptível. Reviravam tudo e, se o encontrassem, matavam-no sem dó nem piedade.
Essa era a rotina do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, criada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, para combater a epidemia da doença, também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que assolava o país.
Agindo por vezes de forma truculenta, as chamadas brigadas de mata-mosquitos ─ grupos de agentes sanitários munidos de inseticidas capazes de eliminar focos de insetos ─ empregavam um modelo de ação totalmente militar.
Apesar das críticas, as medidas surtiram efeito em pouco tempo. Em março de 1907, a febre amarela foi considerada erradicada no Rio de Janeiro. E até hoje não existem casos notificados da variação da doença em áreas urbanas no Brasil.
A iniciativa das brigadas para combater o Aedes aegypti nasceu em meio à escassez de métodos alternativos. Como na época não havia vacina contra a febre amarela, caçar o mosquito era a única opção viável para resolver o problema.
Os agentes percorriam as ruas da capital e entravam nas casas, lavavam caixas de água, jogavam remédio em ralos e bueiros, limpavam telhados e calhas, instalavam redes de proteção, removiam qualquer possível local de desova dos mosquitos, num trabalho exaustivo de combate à doença.
 
 
Muitas vezes, as brigadas simplesmente invadiam as casas quando não eram bem-vindas. E quando a população começou a conseguir habeas corpus para impedir a invasão sanitária, Oswaldo Cruz colocou suas brigadas para trabalhar de madrugada, surpreendendo os moradores.
Ao encontrar doentes nas casas visitadas, os agentes não apenas desinfetavam o local, como providenciavam o isolamento domiciliar do paciente ou o transferiam para um hospital de isolamento.

Solução?

Mas o Aedes aegypti voltou no fim dos anos 80 e desde 1990 o Brasil convive com epidemias sazonais de dengue no verão. Neste ano, duas novas epidemias, ambas transmitidas pelo mosquito, ganharam terreno: a chikungunya e a zika. Com a última se revelando um problema de bem maior do que o imaginado originalmente e com um impacto social devastador, caçar o mosquito não poderia ser, mais uma vez, a solução?
"De fato, até o fim dos anos 80, a questão era dada por resolvida", constata o epidemiologista Denizar Vianna, do Departamento de Clínica Médica da UERJ.
"Mas as coisas mudaram muito. Naquela época não havia a mobilidade de hoje, com o fluxo constante de pessoas para todo lado", acrescenta.
Especialistas acham praticamente impossível repetir, mais de 100 anos depois, a façanha de Oswaldo Cruz. Primeiro pela dimensão do problema.
O primeiro caso de zika no país foi registrado em maio deste ano e, atualmente, já há notificações em praticamente todas as unidades da federação. Além disso, foi confirmada uma relação entre o vírus e a microcefalia ─ uma má formação do cérebro durante a gestação. Segundo o Ministério da Saúde, já são 1.761 casos notificados em 422 municípios de 13 Estados e no Distrito Federal.
E a doença, hoje, se espalha assim tão rapidamente, por um motivo simples: mobilidade. Em poucas horas, um sujeito infectado sai do Nordeste e já está no Rio de Janeiro, pronto para ser picado por um mosquito que disseminará o vírus.
No início do século passado era muito diferente. Poucas pessoas se locomoviam por grandes distâncias e, mesmo quando isso, eventualmente, acontecia, elas levavam semanas no deslocamento ─ o que dava tempo até de curar a doença antes de chegar ao destino. Há 100 anos, os focos de doenças eram muito mais concentrados, enquanto que hoje são muito mais espalhados.
Estima-se, inclusive, que o próprio zika ─ que nunca havia dado as caras por aqui ─ tenha chegado durante a última Copa do Mundo, quando milhares de pessoas, dos mais diferentes continentes, vieram ao país.
Outro problema é o tamanho da população e das próprias cidades. Se era factível que as brigadas de Oswaldo Cruz visitassem cada casa da cidade, hoje isso seria uma tarefa impossível pela própria dimensão dos conglomerados urbanos do país.
Um desafio a mais na luta de hoje é a quantidade de plástico que existe e se acumula ─ oferecendo um potencial local de acúmulo de água e desova para os mosquitos.
"Do ponto de vista operacional, é muito mais difícil caçar mosquito hoje", atesta Vianna
.
E há ainda a questão das mudanças climáticas, como lembra o especialista.
"A temperatura mais elevada e o aumento das chuvas cria um cenário ideal para a proliferação do mosquito."

Conscientização

Para minimizar os efeitos da grande tragédia que se configura com a chegada do verão, especialistas apostam nas campanhas de educação da população, nas vacinas ─ um imunizante contra a dengue acaba de ser aprovado no México e já está em análise no Brasil ─ e em métodos biotecnológicos para a contenção da reprodução dos terríveis mosquitos.
"A educação da população é muito importante, claro", diz Vianna. "Mas, sozinha, não creio que ela poderá dar conta do problema. Precisamos de outras ações."
"A melhor forma de combater as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti é por meio da prevenção, evitando o acúmulo de água parada em recipientes que podem se transformar em criadouros", recomenda a pesquisadora do Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Ana Bispo, responsável pela detecção do genoma do vírus Zika no líquido amniótico de duas gestantes.
"Como o mosquito leva de 7 a 10 dias para chegar de ovo à fase adulta, basta que a população elimine os criadouros de sua casa uma vez por semana", acrescenta.


Serviço de Profilaxia da Febre Amarela foi criado por Oswaldo Cruz no início do século 20
BBC Brasil

A Lua com gêiseres de vapor que pode ter a melhor condição para vida depois da Terra

 
A sonda Cassini, um projeto conjunto da Agência Espacial Europeia (ESA na sigla inglesa) e da Agência Espacial americana (Nasa), fez descobertas incríveis em Saturno, mas nenhuma supera as revelações extraordinárias sobre Enceladus.
O que esse satélite movido a plutônio já viu nessa lua congelada de 500 km de diâmetro é surpreendente.
A Cassini detectou grandes jatos de vapor d'água e outros materiais jorrando de rachaduras no polo sul da lua de Saturno.
É um espetáculo único no Sistema Solar, afirma Carolyn Porco, que coordena o sistema de câmeras da espaçonave.
"Brincamos entre a nossa equipe que encontramos o 'parque interplanetário de gêiseres de Enceladus', e que gerações futuras poderão ir para lá em férias", afirmou.
Mas pesquisadores não estão brincando ao afirmar que esse pequeno mundo está entre os melhores locais para se buscar vida fora da Terra.
O "encanamento" dos jatos de vapor leva a um amplo reservatório de água que pode atingir até 40 km de profundidade.
Os instrumentos da Cassini puderam mostrar, sobrevoando e analisando as emissões de materiais, que as condições e a química desse oceano subterrâneo podem dar suporte à vida microbial.
Há fortes indícios de que a água esteja interagindo com rochas no leito do oceano, para produzir o tipo de coquetel de nutrientes que poderia alimentar pequenos organismos.
 
As rachaduras no polo sul de Enceladus são o foco dos jatos de vapor d'água
 
"Eu me interesso há décadas pela busca por vida no Sistema Solar e ainda estou espantado com o que estamos vendo em Enceladus. É um pequeno mundo tão distante da Terra, expelindo uma riqueza de material orgânico, água e indícios de habitabilidade. É surpreendente, e as amostras estão bem ali, livres para coleta", disse Chris McKay, astrobiólogo da Nasa.
Mas mesmo com toda sua capacidade, a Cassini, com sua tecnologia dos anos 1980 e 1990, não pode comprovar em definitivo a presença de micróbios sob a superfície gelada de Enceladus. A sonda foi lançada em outubro de 1997 e chegou a Saturno em julho de 2004.
Para isso, seria preciso um outro tipo de satélite, com sensores especiais.
A Cassini irá fazer uma última manobra de aproximação da lua na próxima semana para coletar uma leva final de imagens detalhadas da superfície.
Depois irá se deslocar pelo sistema de Saturno em preparação para observações finais do planeta dos anéis.
Então estamos quase dando adeus a Enceladus, e - claro - isso já motiva conversas sobre como podermos voltar um dia com equipamentos mais potentes.
 
O "encanamento" dos jatos de vapor de Enceladus leva a um oceano subterrâneo que pode atingir 40 km de profundidade
 
Jonathan Lunine é um cientista interdisciplinar na missão Cassini na Universidade Cornell, nos EUA. Ele desenvolveu um conceito para uma espaçonave que chamou de ELF (Enceladus Life Finder, ou localizador de vida de Enceladus, em tradução livre).
Seria uma sonda menor do que o satélite gigante que hoje orbita Saturno, mas a perda em tamanho (e custo) seria compensada pela sofisticação.
Seus instrumentos seriam voltados à análise do conteúdo dos jatos de vapor para verificar qualquer componente químico associado a processos biológicos.
"Com espectrômetros de massa potentes, poderíamos detectar e identificar aminoácidos (matéria prima das proteínas)", afirma.
"Teríamos capacidade de detectar ácidos graxos presentes em membranas de células de bactérias; e seus 'primos', os chamados isoprenóides, que estão na membrana das arqueobactérias, esses micróbios que habitam ambientes extremos da Terra.
"Também poderíamos contar o número de carbono dos jatos para verificar se seguem o padrão de vida. E finalmente mediríamos os isótopos (espécies do mesmo elemento químico, de mesmo número atômico e diferentes números de massa) de todo o carbono, nitrogênio e oxigênio, para ver se a química é parecida com a que ocorre na Terra, onde organismos preferem os isótopos mais leves ao processar esse material em seus sistemas."

Desafios futuros

O ELF foi submetido a uma competição recente da Nasa para selecionar missões planetárias futuras, mas não foi escolhido. Um dos problemas em empreitadas desse tipo é a disponibilidade de energia em um ponto tão longe do Sol (1,4 bilhão de km).
A sonda Cassini utiliza uma "bateria nuclear", movida a plutônio-238, para todas as suas demandas de energia. Essa fonte é cara e hoje praticamente não existe mais - o isótopo não existe naturalmente e parou de ser fabricado após o fim da corrida nuclear no mundo.
Painéis solares são uma opção, porém o desafio é grande: a intensidade da luz do Sol em Enceladus é um centésimo da que atinge a Terra.
Apesar disso, a possibilidade de voltar a essa lua branca e brilhante de Saturno é tão instigante que um caminho certamente será descoberto. Não só porque Enceladus é um dos melhores lugares para a busca de vida extraterrestre - é também o mais fácil.
 
A sonda Cassini, com tecnologia dos anos 1980 e 1990, não pode comprovar em definitivo a presença de vida em Enceladus
 
Diferentemente de Marte ou de Europa (lua de Júpiter), em Enceladus não há necessidade de pouso e perfuração do solo para coleta e análise de amostras. As amostras são permanentemente lançadas no espaço pelos jatos do polo sul.
Peter Tsou, do laboratório de propulsão de foguetes do Instituto de Tecnologia da Califórnia, tem um projeto para trazer essas amostras de volta à Terra para avaliação mais detalhada em laboratórios de ponta.
Sua missão se baseia no modelo da sonda Stardust da Nasa, que em 2006 coletou amostras de poeira de estrelas e cometas.
Naquela ocasião, Tsou usou um arranjo de espuma de dióxido de silício, chamado aerogel, para coletar as amostras enquanto a sonda Stardust voava por nuvens de gás e poeira dos objetos.
Na Stardust, eu lancei aerogel em cubos de 2x4x3 cm. Tinha 132 deles. E descobri que um ou dois cubos já davam conta do recado", recorda.
"Então não precisamos de muitos (cubos de aerogel). Contudo, o desafio é a dimensão reduzida das amostras, e que estamos tratando de vida. Qualquer contaminação da Terra pode arruiná-las, porque poderíamos descobrir (após a análise) 'É a minha saliva!'", afirma.
Tsou calcula que uma missão de coleta de amostras de Enceladus poderia levar 14 anos, do lançamento à presença de material lunar em um laboratório na Terra.

Origem da vida

"Se descobrirmos vida em um lugar como Enceladus obviamente será algo simples, como vida microbiana", afirma Carolyn Porco.
"Claro que seria fascinante se descobríssemos lagostas; quem sabe? Talvez", afirma a pesquisadora. "Mas estamos mirando em algo simples, apenas provas de vida microbiana."
 
Missão de coleta de amostras de Enceladus poderia levar 14 anos, do lançamento ao retorno à Terra
 
"Seria uma mudança de paradigma. Qual o tipo de vida que existe ali? É como a vida na Terra ou não? É baseada no DNA ou não? Seria uma descoberta enorme, provavelmente a maior descoberta científica que possamos fazer. Temos que voltar."
Para Jonathan Lunine, se Enceladus revelar sinais de vida, isso trará a certeza de que "a vida teve uma segunda origem".
"Mas isso também nos permitirá, acredito, mover nossa atenção para a galáxia, e perceber que se a vida pode começar duas, três ou quatro vezes em nosso próprio Sistema Solar, quantos planetas habitáveis na galáxia devem ter vida hoje?"
BBC Brasil

Nave espacial russa Soyuz retorna à Terra com três cosmonautas a bordo


A nave espacial russa Soyuz TMA-17M retornou nesta sexta-feira à Terra com três astronautas a bordo, o russo Oleg Kononenko, o americano Kjell Lindgren e o japonês Kimiya Yui, que permaneceram meio ano na Estação Espacial Internacional (ISS).
A Soyuz aterrissou no Cazaquistão três horas e meia após se separar da plataforma orbital, segundo informou o Centro de Controle de Voos russo.


O russo Kononenko aproveitou o breve voo de retorno para comprovar o funcionamento de um tablet a fim de incluí-lo em um futuro no painel de controle do aparelho.
Em prevenção de possíveis imprevistos, um amplo dispositivo de salvamento em Terra com 200 militares, 14 helicópteros, 15 veículos e quatro aviões esperava os astronautas em Terra.
A bordo da ISS permanecerão até o próximo revezamento, dentro de três meses, o americano Scott Kelly, e os russos Sergei Volkov e Mikhail Kornienko.
Em apenas quatro dias, na próxima terça-feira, decolará a partir da base de Baikonur (Cazaquistão) a 127ª missão da nave pilotada Soyuz, que levará à plataforma o russo Yuri Malanchenko, o americano Timothy Kopra e o britânico Timothy Peake.