quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Humanos serão proibidos de dirigir em alguns anos

Carro autônomo do Google
 
Carro autônomo do Google: “A longo prazo, esses veículos trafegarão melhor do que qualquer ser humano”.
Michigan - As novas regras de trânsito para carros robô que estão sendo emitidas por Washington nesta semana podem levar à eventual extinção de um dos arquétipos que definiram o século passado: o motorista humano.
Proibir as pessoas de dirigir é a etapa final lógica de uma tecnologia que pode reduzir drasticamente -- ou até mesmo eliminar -- o total de 1,25 milhão de mortes no trânsito por ano em todo o mundo.
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O erro humano é a causa de 94 por cento das mortes no trânsito, afirmam os órgãos reguladores de segurança dos EUA, e os motoristas robô nunca ficam bêbados, sonolentos ou distraídos.
Os carros autônomos já possuem uma “inteligência super humana” que lhes permite enxergar o que vem na esquina para evitar acidentes, disse Danny Shapiro, diretor sênior do segmento automotivo da Nvidia, uma fabricante de processadores de alta velocidade para carros autônomos.
“A longo prazo, esses veículos trafegarão melhor do que qualquer ser humano”, disse Shapiro. “Ainda não chegamos lá, mas chegaremos antes do que se imagina”.
Os órgãos reguladores estão acelerando essa transição com novas regras que oferecerão um caminho para os carros totalmente autônomos por meio da remoção da exigência de que um ser humano sirva de apoio.
No início deste ano, a Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos EUA reconheceu o software de direção autônoma do Google como o “motorista” de seus veículos de teste totalmente autônomos, eliminando a necessidade de que haja uma pessoa presente.
Nesta semana, veteranos do setor tecnológico propuseram a proibição a motoristas humanos em um trecho de 241 quilômetros da Rodovia Interestadual 5, de Seattle a Vancouver.
Dentro de cinco anos, a condução por humanos pode ser proibida em centros urbanos congestionados, como Londres, em campi universitários e em aeroportos, disse Kristin Schondorf, diretora-executiva de transporte automotivo da consultoria EY.
As primeiras zonas sem motoristas serão bem definidas e mapeadas digitalmente, dando aos carros autônomos uma visão de longo alcance e uma vista de 360 graus de seu entorno, disse Schondorf.
A proposta para a Interestadual 5 começaria com o uso de faixas exclusivas para veículos autônomos e se expandiria ao longo de uma década com os carros robô dominando a pista durante os horários de pico.
“Nos centros urbanos, ninguém vai querer veículos que não sejam autônomos; eles simplesmente arruinariam o objetivo de ter uma cidade inteligente”, disse Schondorf, ex-engenheira da Ford e da Fiat Chrysler. “Ela viraria uma cidade burra”.
Mas convencer as pessoas a abandonarem as ruas não será fácil.
Cerca de dois terços dos consumidores americanos dizem que não comprarão um carro robô por acreditarem que eles são perigosos, segundo uma pesquisa de julho com 2.500 consumidores feita pela consultoria Altman Vilandrie & Co., com sede em Boston Mais da metade dos entrevistados se recusaria a ser transportado em um carro autônomo.
“Os veículos autônomos precisam mostrar seu valor”, disse Raj Rajkumar, codiretor do Laboratório de Pesquisa Colaborativa sobre Direção Autônoma General Motors-Carnegie Mellon, em Pittsburgh. “E isso levará tempo”.
Exame.com

Sua casa vai poder te consolar quando você chegar triste

Black Mirror

Imagine a cena: você está triste depois de um dia super difícil de trabalho. Você chega em casa, abre a porta e, na cozinha, um café fresquinho está passando - o cheiro te leva direto para as lembranças confortáveis da sua infância.
Lar doce lar. Agora o oposto: você foi promovido, entra dançando de alegria em casa - e de cara começa a tocar Eye of The Tiger.
Essa parece até uma cena da série Black Mirror (a da imagem aí em cima), mas, em breve, pode se tornar realidade: um grupo de cientistas do Laboratório de Inteligência Artificial de Computação e Ciência (CSAIL) do MIT acaba de criar uma
inteligência artificial capaz de ler emoções - e de interagir com elas.
Batizado de EQ-Radio, o dispositivo capta as suas frequências cardíaca e respiratória e, a partir delas, determina que emoção está dominando seu coraçãozinho.
E não precisa de fios e eletrodos, não: todas as informações são colhidas via wireless - então, basta você chegar em casa para a magia acontecer.
Na prática, o que o EQ-Radio faz é emitir um sinal sem fio, que é refletido pelo corpo das pessoas de volta para o aparelho. Aí, a máquina lê as informações contidas no sinal, e compara com um banco de dados gigante, cheio de informações sobre centenas de pessoas - todos reunidos em um estudo anterior.
Nesse estudo, os participantes assistiam filmes de comédia, drama, terror e romance enquanto tinham suas emoções, seus batimentos cardíacos e suas frequências respiratórias cuidadosamente catalogadas pelo EQ-Radio.
Uma vez compreendida a sua emoção naquele momento, o EQ consegue criar uma atmosfera mais apropriada para o seu humor: se você está tristonho, ele pode colcoar uma música alegre para te  animar; se você está apaixonado, ele pode diminuiras luzes para ~pintar aquele clima~, e por aí vai.
E não é só isso: a ideia dos cientistas é que o dispositivo seja útil também para colher informações de pessoas que sofrem de depressão, transtorno bipolar e ansiedade, o que ajudaria a regular remédios e a checar se determinado tratamento está funcionando ou não. Outra ideia dos caras é monitorar a saúde cardíaca e respiratória de quem tiver o EQ.
Por enquanto, o leitor de emoções consegue prever quatro emoções - felicidade, tristeza, raiva e excitação - com 87% de certeza. É baixo: o EQ ainda se confunde quando as emoções estão misturadas, como quando ficamos tristes e com raiva ao mesmo tempo, ou quando estamos melancólicos ou com saudade.
Ou seja: ainda falta um bocado de calibragem para que o dispositivo entre no mercado e transforme o cotidiano em um episódio de Black  Mirror.
Exame.com 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Jardim que andará sozinho pelas ruas é desenvolvido com ajuda de um brasileiro

Hortum Machina, o primeiro jardim ambulante autônomo do mund, circula nas ruas de Londres
 
O Hortum Machina tem 3 metros de altura, pesa 400 quilos e, sem piloto ou controle remoto, anda devagar pelas ruas de Londres. Essa megaestrutura, o primeiro jardim ambulante completamente autônomo de que se tem notícia, é uma invenção do arquiteto brasileiro Danilo Sampaio e do engenheiro maltês William Victor Camilleri, com o apoio da escola londrina de arquitetura Bartlett.
 
Hortum Machina, ou jardim máquina em tradução livre, é um exoesqueleto gigante redondo feito de alumínio reciclável "recheado" de plantas nativas britânicas. "Nada mais é do que a nossa terra", explica Sampaio, que se inspirou nos domos popularizados pelo arquiteto futurista americano Buckminster Fuller.
 
"Nossa intenção é criar uma extensão de um parque. As plantas saem de uma zona limitada e vão para a rua, para a calçada - locais onde não há área verde".
As reações químicas das folhas com o meio exterior, a eletro-fisiologia, funcionam um pouco como o nosso sistema nervoso, explicam os dois inventores. Sampaio e Camilleri usam eletrodos para recolher e analisar essas reações químicas.
"Colocamos as plantas em situações diferentes. Um dos experimentos foi colocar as mesmas plantas em um ambiente com muito sol e depois num outro com pouco sol. Adquirimos dados sobre as reações químicas das folhas e fizemos um cruzamento para entender as variações", relata Sampaio.
Em seguida, os pesquisadores conectam as plantas a um sistema de informações: um minicomputador chamado Raspberry Pie que, ao captar esses dados, pode transformá-los em movimento.
 
Desenho apresenta detalhes da Hortum Machina
 

Desejo das plantas

Hortum Maquina é um robô esférico que obedece ao desejo das plantas. Se a maioria delas achar que o sol está muito forte, a esfera inteira vai descansar na sombra. Quando chove, ela gira para que todas as folhas sejam molhadas. Mas a invenção também possui benefícios para os humanos.
"O sistema tem uma tecnologia para detectar a poluição. Ele consegue deixar a esfera parada em um lugar por um tempo prolongado até que o ar daquela região melhore", afirma Sampaio.
"Esse projeto permite também espalhar sementes pela cidade, em locais onde as árvores nativas foram retiradas", acrescenta o arquiteto. O desaparecimento progressivo das plantas nativas tem um impacto muito grande sobre a biodiversidade e, consequentemente, sobre a saúde humana.
 
Hortum Machina
 

Protetora da biodiversidade

Algumas plantas são essenciais para certos tipos de abelhas, que possuem um papel crucial na cadeia alimentar mundial. Elas são responsáveis por polinizar as flores e permitir o desenvolvimento de 75% das espécies de frutas e legumes que comemos.
Phil Stevenson, diretor do projeto The Hive (a colmeia), nos jardins botânicos reais de Londres, Kew Gardens, é especialista em polinização. Ele aponta que "nos últimos 40 anos metade das colmeias desapareceram do Reino Unido".
No Brasil, uma portaria do Ministério do Meio Ambiente de dezembro de 2014 lista quatro espécies nativas de abelhas como ameaçadas de extinção, medida que visa proteger essas espécies da captura. Em fevereiro, relatório da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos da ONU alertou para a ameaça de extinção de diversos animais polinizadores em todo o mundo, colocando em risco a produção de alimentos e a qualidade do ar global.
Para Sampaio, esses desafios ecológicos foram um elemento crucial na elaboração de Hortum Machina. "A ideia desse projeto é dar autonomia e liberdade às plantas para que elas tomem o espaço das pessoas e sejam um corpo presente no nosso dia a dia", diz ele.
"As pessoas nos ônibus tiravam fotos, os carros paravam para ver o que estava acontecendo, as crianças ficavam maravilhadas e tentavam subir na esfera. Foi uma reação muito bacana", conta Sampaio, que levou seu projeto ao Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
 
Hortum Machina em rua de Londres
 
No entanto, o arquiteto agrega que o Hortum Maquina precisará de investimentos tecnológicos para que possa ser implementado mais amplamente nas cidades do futuro - por exemplo, usando tecnologias semelhantes às que estão sendo testadas em carros autônomos.
As plantas também precisam ser nativas da região para sobreviverem sem intervenção humana.
"Quem sabe, com a verba necessária, a gente possa criar uma comunidade de 2 mil a 3 mil miniesferas e soltá-las pela cidade para fazer com que a qualidade do ar melhore onde for necessário", opina.
BBC Brasil

sábado, 17 de setembro de 2016

Animais em perigo: Oceanos estão enfrentando uma extinção em massa sem precedentes


Resultado de imagem para fotos animais em extinção no mundo

“Agora mesmo estamos decidindo, quase sem querer, quais caminhos evolutivos permanecerão abertos e quais serão fechados para sempre. Nenhuma outra criatura jamais havia feito isso, e será, infelizmente, nosso legado mais duradouro”. Elizabeth Kolbert definiu assim o papel que estão desempenhando os seres humanos em A Sexta Extinção, o livro que ganhou o Prêmio Pulitzer no ano passado. O título é bastante expressivo: nos quase 4 bilhões de anos de história da vida na Terra, ocorreram cinco megaextinções, momentos em que muitos dos seres vivos foram arrastados de repente para a desaparição por vários cataclismos. E agora, segundo todos os dados recolhidos pela ciência, a civilização humana está causando uma nova extinção em massa: somos como o meteorito que dizimou os dinossauros do planeta.
E as criaturas dos oceanos não vão conseguir se livrar. Estamos provocando a agonia de numerosas espécies marinhas e, como dizia Kolbert, escolhendo os seres aquáticos que ao desaparecerem deixarão de evoluir no futuro. A este ritmo, os grandes animais que vão povoar os mares dentro de milhões de anos não serão descendentes de nossas baleias, tubarões e atuns porque estamos matando todos eles para sempre. E do mesmo modo que o desaparecimento dos dinossauros deixou um vazio que demorou eras para ser preenchida pelos mamíferos, não sabemos o que vai ser da vida nos oceanos depois de serem arrasados.
“A eliminação seletiva dos maiores animais nos oceanos modernos, algo sem precedentes na história da vida animal, pode alterar os ecossistemas durante milhões de anos”, conclui um estudo apresentado nesta semana pela revista Science. Liderado por pesquisadores de Stanford, o trabalho mostra como esta sexta extinção está acontecendo com os seres aquáticos de maior tamanho. Um padrão “sem precedentes” no registro das grandes extinções e que com muita segurança acontece por causa da pesca: hoje em dia, quanto maior o animal marinho, maior a probabilidade de se tornar extinto.
Como explicou para Materia o principal autor do estudo, Jonathan Payne, o nível de perturbação ecológica causada por uma grande extinção depende da percentagem de espécies extintas e da seleção de grupos de espécies que são eliminados. “No caso dos oceanos modernos, a ameaça preferente pelos de maior tamanho poderia resultar em um evento de extinção com um grande impacto ecológico porque os grandes animais tendem a desempenhar um papel importante no ciclo de nutrientes e nas interações da rede alimentar”, disse Payne, referindo-se a que os danos afetariam em cascata todos os ecossistemas marinhos.
Os cenários pessimistas preveem a extinção de 24% a 40% dos gêneros de vertebrados e moluscos marinhos; o cálculo mais trágico é comparável à extinção em massa do fim do Cretáceo, quando os dinossauros desapareceram, como explicado na revista Science.
O trabalho deste investigador da Universidade de Stanford e seu grupo foi analisar o padrão de desaparecimento de 2.500 espécies nos últimos milhões de anos. Até agora, o tamanho dos animais marinhos não tinha sido um fator determinante nos cataclismos anteriores, mas nos nossos dias existe uma notável correlação. Para os pesquisadores, é evidente que isso acontece por causa da forma de consumir ecossistemas própria dos seres humanos. Foi o que aconteceu com a extinção dos mamutes e agora acontece com a pesca: cada vez que entramos em um ecossistema primeiro acabamos com os pedaços maiores e à medida que os recursos ficam mais escassos vamos esgotando o resto dos recursos menores.
Os pesquisadores alertam que a eliminação desses animais no topo da cadeia alimentar poderia perturbar o resto da ecologia dos oceanos de forma significativa por, potencialmente, os próximos milhões de anos. “Sem uma mudança dramática na direção atual da gestão dos mares, nossa análise sugere que os oceanos vão sofrer uma extinção em massa de intensidade suficiente e seletividade ecológica para ser incluída entre as grandes extinções”, diz o estudo.
Este paleobiólogo defende que a visão positiva de sua descoberta é que as espécies ameaçadas ainda podem ser salvas da extinção com políticas de gestão eficientes e, a longo prazo, abordando os impactos do aquecimento global e da acidificação dos oceanos. “Podemos evitar esse caminho; com uma gestão adequada, seria possível salvar muitas dessas espécies da extinção”, afirma Payne.

Não, você não tem "personalidade adictiva"



“A vida é uma série de vícios, e sem eles morremos.”
Está é minha citação favorita da bibliografia especializada em adicção, e este comentário foi feito em 1990 por Isaac Marks na publicação British Journal of Addiction. Fez esta declaração deliberadamente provocativa e controversa para estimular o debate sobre se as atividades excessivas e possivelmente problemáticas como os jogos de azar, o sexo e o trabalho podem realmente ser considerados vícios.
É possível que muitos de nós nos consideremos “viciados”a chá, café, trabalho ou chocolate, ou que conheçamos outros que poderíamos descrever como “fissurados” por televisão ou pornografia. Mas essas suposições têm uma base real?
O assunto se reduz, em primeiro lugar, a como o vício é qualificado, porque muitos dos que trabalham nessa área discordam em relação a quais são seus principais componentes. Muitos diriam que as palavras “vício” ou “viciante” são tão usadas em circunstâncias cotidianas que perderam todo o sentido. Por exemplo, dizer que um livro é “viciante” ou que uma série de televisão específica é “viciante” priva a palavra de utilidade no âmbito clínico. Nessas expressões, a palavra “viciante” é usada supostamente de modo positivo, algo que desvaloriza seu verdadeiro significado.

Entusiasmo saudável... ou problema de verdade?

A pergunta que mais me fazem —especialmente os meios de comunicação— é qual é a diferença entre um entusiasmo excessivo saudável e um vício. Minha resposta é simples: um entusiasmo excessivo saudável te dá vida, enquanto que um vício a tira. Também acredito que, para ser classificada como vício, qualquer conduta deveria compreender uma série de componentes-chave, como a preocupação geral com a conduta, o conflito com outras atividades e relações, os sintomas de abstinência quando não se pode efetuar a atividade, um aumento da conduta com o tempo (tolerância) e o uso da conduta para alterar o estado de ânimo.
Com frequência estão presentes outras consequências, como sentir-se incapaz de controlar a conduta e sentir falta dela. Se todos esses sinais e sintomas estão presentes, eu chamaria essa conduta de um verdadeiro vício. Mas isso não impede que outros me acusem de diluir o conceito de vício.

A ciência da adição

Há alguns anos, Steve Sussman, Nadra Lisha e eu publicamos um estudo que examinava a relação entre 11 possíveis condutas viciantes estudadas na bibliografia especializada: consumir tabaco, bebidas alcoólicas ou drogas proibidas, comer, apostar, usar a Internet, amar, fazer sexo, exercícios físicos, trabalho e compras. Examinamos os dados de 83 estudos em grande escala e estabelecemos que a incidência da adicção em um período de 12 meses entre os adultos norte-americanos variava de um mínimo de 15% até um máximo de 61%.
Também consideramos verossímil que, em um período de um ano, até 47% da população adulta norte-americana experimente os sinais de inadaptação próprios de um transtorno de adicção, e que talvez seja útil pensar que os vícios se devem a problemas relacionados ao estilo de vida e a fatores pessoais. Em resumo —e com muitas ressalvas— nosso artigo sustentava que, em um dado momento, quase a metade da população norte-americana é viciada a uma ou mais condutas.
Muitos artigos científicos mostram que sofrer de uma adicção aumenta a propensão de sofrer outras. Por exemplo, em minha própria pesquisa, deparei com jogadores compulsivos alcoólatras e provavelmente todos conseguimos citar pessoas viciadas ao trabalho e à cafeína. Também é comum que quem abandona um vício o substitua por outro (o que os psicólogos chamam de “reciprocidade”). Isso é facilmente compreensível porque o abandono do vício deixa um vazio na vida da pessoa, e com frequência as únicas atividades capazes de preencher esse vazio e proporcionar experiências similares são outras condutas possivelmente viciantes. Isso levou muitos a estabelecer que tais pessoas têm uma “personalidade adictiva”.

Personalidades adictivas?

Por mais que haja muitos fatores que predispõem à conduta de adicção, entre eles a genética e os traços de personalidade, como uma alta instabilidade emocional (ansiosos, infelizes, com tendência a emoções negativas) e baixa conscientização (impulsivos, descuidados, desorganizados), a personalidade adictiva é um mito.
Ainda que haja muitas provas científicas de que as pessoas com adicções são em sua maioria muito neuróticas, a instabilidade emocional em si não é um fator preditivo da adicção. Por exemplo, há pessoas muito neuróticas que não são adictas a nada, de modo que a instabilidade emocional não serve para predizer a adicção. Em resumo, não há provas aceitáveis de que haja um traço de personalidade específico – ou um conjunto deles – que sirva para predizer a adicção e só ela.
O fazer algo de maneira habitual ou em excesso não tem por que ser problemático. Por mais que haja muitas condutas, como consumir um excesso de cafeína ou ver televisão demais, que em teoria poderiam ser qualificadas de viciantes, é mais provável que se trate de condutas habituais que são importantes na vida de uma pessoa, mas que na realidade causam poucos ou nenhum problema. Como tal, não deveriam qualificar-se de adicção a menos que tenham consequências psicológicas ou fisiológicas significativas na vida cotidiana dessas pessoas.
Mark Griffiths é diretor da Unidade de Jogo e professor de Comportamento Adictivo na Universidade Nottingham Trent. Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site The Conversation/.
El País.com

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Astrônomos testemunham um raro renascimento estelar pela primeira vez


 
No coração da nebulosa Stingray, a 2.700 anos-luz da Terra, fica uma pequena e antiga estrela conhecida como SAO 244567. Os astrônomos têm observado ela por décadas, e agora eles podem confirmar que testemunharam um fato incrível: o renascimento de uma estrela, algo que nunca foi visto antes.

Entre 1971 e 2002, a temperatura da superfície da SAO 244566 aumentou muito: de 20.000°C para 60.000°C. Ao mesmo tempo, a estrela contraiu. Ela tinha quatro vezes o tamanho de nosso Sol e ficou com apenas um terço do diâmetro de nosso astro-rei. Agora, observações feitas no telescópio espacial Hubble revelaram que a estrela começou a esfriar e a expandir novamente — nos últimos anos, a sua superfície estava com uma temperatura de 50.000°C.

Mas o que está acontecendo, de fato? Nicole Reindl, um astrônomo da Universidade de Leicester que tem estudado a SAO 244567 por anos, acredita que nós vimos o antes e depois de um “helium flash”, um fenômeno astronômico que acredita-se que ocorre com gigantes vermelhas de pouca massa. Essencialmente, como o hidrogênio no núcleo das estrelas é esgotado, o hélio desperdiçado é deixado de lado, aumentando a temperatura e a densidade do núcleo até que ele se torne quente o suficiente para o hélio queimar.

Então, com tudo isso você terá o flash — um período intenso e curto de fusão de hélio que faz com que a estrela se expanda e brilhe consideravelmente. “A liberação da energia nuclear pela força do flash que já estava numa estrela compacta começa a expandir novamente em dimensões gigantes — é o cenário de renascimento”, explicou Reindl em um comunicado.

Esta não é a primeira vez que astrônomos estudaram estrelas deste tipo. No entanto, é a primeira oportunidade que nós testemunhamos as fases de aquecimento e refrigeração da transformação. O processo de evolução estelar tipicamente leva de milhões a bilhões de anos. Ver uma estrela se desenvolver em questão de décadas nos lembra do dinamismo de nossos vizinhos cósmicos — e o quão pouco entendemos as forças que os moldam.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lei contra desperdício de comida entra em vigor na Itália

Restaurantes serão obrigados a fornecer embalagens para que clientes possam levar os restos das refeições. O hábito, comum no Brasil, é mau visto na Europa.
 
Macarrão
 
Itália, país mundialmente famoso por sua gastronomia de pratos generosos, daqueles que servem uma família inteira, sofre com o alto índice de desperdício de comida. Com o intuito de combater o problema, entrou em vigor nesta quarta-feira, em todo o país uma lei contra o desperdício de alimentos.
O plano Spreco Zero (desperdício zero, em italiano) tem como objetivo promover a doação de alimentos que seriam desperdiçados para setores mais vulneráveis da população. A norma pretende poupar cerca de 1 milhão de toneladas de comida por ano. Desta forma, a Itália deve conseguir economizar aproximadamente 12 bilhões de euros (mais de 40 bilhões de reais) anualmente. Segundo dados oficiais, os italianos jogam, em média, cerca de 76 quilos de alimentos no lixo por ano.
O foco do plano são os alimentos que mantiveram os requisitos de higiene e segurança, mas que por algum motivo não foram vendidos, estejam perto do prazo de validade ou não foram colocados no comércio por erros no rótulo. Além disso, os restaurantes agora serão obrigados a fornecer embalagens para que seus clientes possam levar os restos de suas refeições para casa. O hábito, bastante comum no Brasil, muitas vezes é visto com maus olhos na Europa.
Veja.com

Novo gosto é identificado, o que distingue o sabor do carboidrato

Batata frita
 
Você sabe quantos gostos conseguimos identificar quando comemos? A maioria das pessoas conhece apenas quatro: salgado, doce, azedo e amargo. Mas, comprovadamente, já existem cinco. O quinto é o umami, nome de origem japonesa relacionado ao sabor do glutamato monossódico, presente em alimentos como leite materno, peixes, crustáceos, legumes, cogumelos e outros. Pois agora, estudo publicado na revista científica Chemical Senses, sugere a existência do sexto gosto capaz de distinguir o sabor de carboidratos. O sexto gosto foi chamado de starchy, palavra de origem inglesa, que significa algo como “gosto de amido.”
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O estudo, conduzido por Juyun Lim, pesquisadora da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, sugere que nosso paladar consegue detectar o gosto de carboidratos encontrados em alimentos como massa, batata e pão. “Acredito que seja por isso que as pessoas gostam mais de carboidratos complexos. Toda cultura é repleta de fontes destes carboidratos”, disse Juyun ao site especializado New Science.
Diante disso, a autora decidiu conduzir um experimento para verificar se as pessoas conseguem ou não sentir o sabor dos carboidratos. Até então, os cientistas afirmavam que identificávamos o gosto desses alimentos apenas como “doce”, já que nossa saliva quebra o amido em pequenas cadeias de moléculas de açúcar.
Na pesquisa, os autores deram diferentes soluções de carboidratos longos e curtos a 22 voluntários que deviam dizer qual gosto sentiam. Os resultados mostraram que os participantes identificaram nas amostras o gosto de amido e não o doce. Os asiáticos, por exemplo, disseram que a solução era parecida com arroz, enquanto caucasianos afirmaram ser similar a pão ou macarrão. A descrição permaneceu a mesma inclusive após eles receberem um composto que bloqueava os receptores da boca que detectam substâncias adocicadas.
Apesar dos resultados, para um novo gosto ser oficializado tem de passar por rigorosos critérios da comunidade científica. Além de ser reconhecível, é necessário identificar receptores gustativos específicos relacionados à esse sabor – o que os cientistas ainda estão tentando provar no caso do “starchy” – e ativar algum tipo de resposta psicológica.
Em relação a resposta psicológica, Juyun acredita que o fato de conseguirmos identificar esse sabor seja útil aos humanos na medida em que os carboidratos complexos são uma importante fonte de liberação lenta de energia. 
Veja.com

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A Terra bateu mais um recorde de calor . E aí? Por que devemos nos importar?

O gráfico da Nasa mostra as temperaturas dos últimos anos mês a mês desde 1880. O ano de 2016 se destaca (Foto: Nasa)
 
O mês de agosto fechou como o mais quente já registrado no planeta, segundo a Nasa, agência espacial americana. Mais que isso. Empatou com julho como o ano mais quente desde que as medições começaram há 136 anos. Com isso, 2016 continua no caminho para bater um novo recorde e virar o ano mais quente já medido. Só lembrando que 2015 bateu o recorde. E 2014 também.
A imagem foi divulgada pela Nasa. Deveria ser apavorante. Mostra o aquecimento inexorável desde 1880. E há mais. Mostra também que, por cima desse aquecimento ano após ano, o ciclo de 2016 é uma curva à parte. Isso é coerente com o salto impulsionado pela Oscilação Decadal do Pacífico.
A questão agora é por que essa sequência de recordes não gera mais grandes reações. Estamos caminhando a passos firmes para o inferno como se fosse uma rota preestabelecida no Waze.
Esse é o aspecto mais traiçoeiro de uma tragédia global, mas que ocorre numa escala de décadas. Os humanos se acostumam e não conseguem enxergar o que está acontecendo na escala adequada. É como se um meteoro invisível estivesse caindo na Terra bem devagar.
As emissões de gases responsáveis pelo aquecimento continuam crescendo. O único tratado internacional para reduzir essas emissões, o Acordo de Paris, é insuficiente. O Brasil poderia fazer mais. Continuamos viciados em energias que comprometem o clima como aquelas provenientes de derivados de petróleo, carvão mineral e gás de xisto. Ao invés de recuperar as florestas, para capturar de volta um pouco do carbono na atmosfera, continuamos a desmatar, inclusive sem enxergar a devastação no Cerrado brasileiro.
Alguns analistas de comunicação sobre mudanças climáticas avaliam que a fórmula usada até agora para alertar sobre o tamanho do desastre se esgotou. Dizem que precisamos de novas formas mais eficazes para acordar o público e provocar mudanças necessárias enquanto ainda há tempo.
Existe uma analogia usada e abusada por alguns climatologistas para o risco da nossa inércia. Eles contam que se você jogar um sapo numa panela de água fervente, ele pula (ou ao menos tenta desesperadamente pular) para fora. Por outro lado, se você colocar o sapo numa panela com água na temperatura ambiente e for esquentando devagar, ele não percebe que corre perigo e fica lá calmamente até morrer. É uma analogia cruel. Não recomendo tentar reproduzir essa experiência. Nenhum sapo merece isso. E, claro, nem nós humanos.
Época.com
 

Incrível estrada de mais de 20 quilômetros no Canadá será a maior rota do mundo livre

Esta incrível estrada de mais de 20 mil quilômetros no Canadá será a maior rota do mundo livre de carros
 
Quando se pensa em estradas, logo vem à mente a ideia de um lugar dedicado aos carros. Mas, no Canadá, as coisas não são bem assim. Desde 1992, o país trabalha na construção de uma rota livre de automóveis, dedicada a ciclistas, pedestres e outras atividades ao ar livre.

canada4© Fornecido por Jaqueme Publicidade Ltda. canada4 
 
A estrada deverá ser concluída no próximo ano, mas já conta com mais de 20 mil quilômetros de extensão, dos quais 26% estão na água. Segundo o site da iniciativa, 80% da população canadense vive em até 30 minutos de distância da rota.
Conhecida como The Great Trail, estima-se que esta seja a maior estrada do mundo livre de carros. Até o momento, ela já passa por um total de 13 províncias ou territórios dentro do país.  Entre as atividades sugeridas para realizar na trilha estão caminhada, corrida, ciclismo, remo, equitação, esqui e passeio em moto de neve.

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Praias de areia branca são excrementos de um peixe essencial para a humanidade

Peixes Papagaio
 
Os peixes-papagaio são exóticos e bonitos à vista, mas são também essenciais para a Humanidade. É que esta espécie ameaçada limpa as algas dos recifes de corais, ajudando a mantê-los vivos, e ainda cria as areias brancas de praias paradisíacas.
Muitas das pessoas que se deitam nas areias brancas de praias tropicais não sabem que estão, na verdade, em cima de excrementos de peixe-papagaio, uma espécie ameaçada que tem um papel vital para a Humanidade.
Este tipo de peixe limpa as algas dos recifes de corais e é, assim, essencial para a sua manutenção.
O seu papel ajuda a amenizar a catástrofe da “morte” dos corais, fruto do aquecimento global e do consequente aumento da temperatura do nível da água, que contribui para a proliferação de algas.
Ainda recentemente, foi notícia o facto de um terço dos corais da Grande Barreira na Austrália estarem mortos ou prestes a morrer devido ao branqueamento ou descoloração dos recifes.
A par desse problema, os próprios peixes-pagagaio estão ameaçados por causa do excesso de pesca, já que são muito populares na gastronomia de países como a Jamaica e o Hawai.
Estes animais de cores vivas têm uma boca que se assemelha a um bico de papagaio, com dentes especialmente desenhados para rasparem as algas e pequenos invertebrados dos corais que, posteriormente, excretam como areia branca.


 
Assim, o possível desaparecimento destes peixes também ameaça a indústria do turismo, o grande sustento de muitas populações de zonas tropicais.
No Hawai, o governo local já anunciou que vai tomar medidas para proteger os peixes-papagaio, nomeadamente definindo limites de captura quanto à pesca e estabelecendo zonas marinhas protegidas onde não seja permitido pescar, reporta a Associated Press, citada pelo Business Insider.
O zoólogo Eric Conklin, da organização ecológica The Nature Conservancy, considera nesta publicação que se trata de um plano “ambicioso” e prevê que até à aprovação pública será preciso percorrer “um longo caminho”. Mas Conklin salienta que já é uma boa notícia que as autoridades estejam a abordar o problema.
El País.com

Nós estávamos errados sobre a origem da Lua

 
A lua é uma companheira ambígua no espaço, pois ao mesmo tempo que ilumina nossas noites, ela estraga nossa visão das estrelas. Mas agora, novas medidas feitas de rochas captadas durante o programa Apollo sugerem que a relação entre a lua e a Terra é muito mais selvagem do que imaginávamos.Um novo estudo publicado na Nature diz que a lua foi formada como resultado de um colisão espacial violenta muito antes do que acreditávamos que isso tinha ocorrido. Desde a década de 70, muitos pesquisadores endossavam uma teoria na qual a lua foi criada de destroços resultantes de um colisão de baixo impacto de um corpo do tamanho de Marte que “raspou” na Terra. Em vez disso, os pesquisadores disseram que novas evidências mostram que o impacto foi mais “como uma marreta atingindo uma melancia.”
A antiga teoria sobre a origem da lua — que dizia que ela foi formada de restos de uma leve colisão — simplesmente explica o tamanho da lua e sua posição de órbita. No entanto, um teste em algumas das pedras lunares da missão Apollo revelaram algo estranho que esta teoria não dá conta de explicar.

“Nós ainda estamos medindo novamente as amostras coletadas pelo programa Apollo na década de 70, pois a tecnologia se desenvolveu bastante nos últimos anos. Nós podemos avaliar diferenças muito pequenas entre a Terra e a lua, então nós encontramos uma série de coisas que não vimos na década de 70”, disse Kun Wang, que é professor assistente da Washington University e um dos autores do estudo, ao Gizmodo. “Os modelos antigos simplesmente não conseguem explicar as novas observações.”
Se a teoria de quatro décadas atrás estivesse correta, então os pesquisadores constatariam que mais da metade do material lunar encontrado veio do corpo do tamanho de Marte que raspou pela Terra para formar a lua. Os pesquisadores, no entanto, não acharam esse tipo de material. Em vez disso, análises químicas nas amostras mostraram compostos isotópicos que eram praticamente idênticos.
Eles começaram a fazer uma série de testes avançados para tentar observar quaisquer diferenças nas assinaturas de isótopo. Eles finalmente acharam uma — mas que sugerem que as origens das amostras são ainda mais fortemente conectadas do que esperávamos.

As assinaturas de isótopo eram as mesmas, exceto por um com alta concentração de potássio das amostras lunares que requereriam altíssimas temperaturas para serem separadas. Uma colisão violenta entre a Terra e esse corpo do tamanho de Marte poderia ter causado esta temperatura incrivelmente alta. Neste modelo, as temperaturas foram tão altas e a força tão poderosa que o corpo e uma grande parte da Terra acabou sendo vaporizada com o contato. O vapor então se expandiu em uma área 500 vezes maior que a Terra antes de finalmente esfriar e se condensar na lua.

Nós precisaríamos de um impacto muito maior para formar a lua, segundo nosso estudo”, explicou Wang. “O impacto gigante por si deveria ser chamado de impacto extremamente gigante. A quantidade de energia necessária não nem próxima".

Estes novos dados não mudam nosso concepção de como a lua foi formada. Eles apenas sugerem que um sistema solar inicial era muito mais volátil do que nós conhecíamos — e isso pode ser o início do que essas novas análises de amostras lunares podem nos ensinar.

“Tudo o que sabemos sobre o início do sistema solar vem de nosso estudo de amostras lunares e de meteoritos”, afirmou Wang. “Isso mudou nosso entendimento de como era o sistema solar, e parece que ele era muito mais violento do que pensávamos.”

Os pesquisadores continuarão a estudar as amostras coletadas pelo programa Apollo e vão tentar achar mais pistas escondidas nelas. Até agora, eles suspeitam que estas amostras que estão guardadas há décadas poderiam ter mais segredos para revelar.
MSN Brasil

Eclipse solar em 2017 será o mais MASSA em 99 anos

Eclipse solar em 2008
 
No dia 21 de agosto de 2017, a Lua vai passar em frente do Sol e sua sombra vai percorrer os Estados Unidos, atravessando 14 estados, do Oregon à Carolina do Sul. Será um eclipse solar total.
Os eclipses solares totais não são especialmente raros, apesar do que muitas pessoas pensam. De acordo com a Sky & Telescope, um eclipse desse tipo ocorre em algum lugar da Terra em média a cada 18 meses.
Mas este será o primeiro desde fevereiro de 1979 (quando Jimmy Carter ocupava a Casa Branca e Do Ya Think I’m Sexy, de Rod Stewart, liderava as paradas musicais) a ser visível nos 48 estados mais do sul do país. Será o primeiro eclipse solar total em 99 anos a percorrer os EUA de costa a costa.
Portanto, esta poderá ser sua melhor oportunidade de acompanhar em primeira mão um evento celestial tão sublime que já foi descrito como “um dos espetáculos mais impressionantes da natureza”. Como é sabido, já houve casos em que um eclipse solar total produziu efeitos psicológicos profundos sobre as pessoas que o observaram.
“Vai ser a coisa mais espetacular que qualquer pessoa já viu”, disse ao Huffington Post o astrônomo Jay Pasachoff, do Williams College, que já testemunhou 33 eclipses solares totais.
“Procuramos informar as pessoas com antecedência, mas, mesmo assim, quando elas veem um eclipse desse tipo, ficam completamente pasmas. Há gente que aplaude, há gente que chora. É simplesmente espetacular.”
O eclipse será visível em toda a América do Norte e partes da América do Sul. Mas a maioria das pessoas nessa área verá apenas um eclipse parcial. Apenas as pessoas que estiverem numa faixa com largura média de 110km vão poder ver o eclipse total.
Doze milhões de pessoas vivem diretamente nessa faixa, segundo a Space.com. Para verem a chamada “totalidade” – o período breve de tempo durante o qual a Lua obscurece o Sol completamente --, elas só precisarão olhar para o alto.
Mais ou menos 200 milhões de pessoas vivem a uma distância dessa faixa que pode ser coberta de carro em até um dia. Como é exatamente assistir a um eclipse solar total?
Quando a Lua começa a encobrir o Sol, a luz do Sol diminui. Quando a totalidade se aproxima, o céu passa de um azul escuro, como no cair da noite, para azul quase negro. De repente, planetas e estrelas brilhantes ficam visíveis. A temperatura pode cair até 20 graus.
Confusos com a escuridão repentina, os animais podem preparar-se para dormir.
E então chega o momento especial. Veja como um texto de astronomia de 1878 (citado no site do Observatório Naval dos EUA) descreveu a chegada da totalidade:

“Quando o derradeiro raio do sol desaparece, abre-se diante de nossos olhos um cenário de beleza e grandeza ímpares, que causa enorme impressão. O globo da Lua, negro como tinta, é visto como se estivesse dependurado no ar, cercado por uma coroa de luz prateada suave, como a que os pintores do passado mostrava em volta das cabeças dos santos. Além desta ‘coroa’, línguas de chamas rosadas são as formas mais fantásticas que se projetam de vários pontos nas bordas do disco lunar.”

No eclipse de agosto de 2017, a sombra da Lua vai beijar a superfície da Terra primeiramente no oceano Pacífico, mais ou menos 2.400 km a noroeste das ilhas havaianas, e então vai correr rapidamente em direção à América do Norte, segundo a Space.com.
A sombra vai aterrissar no Oregon e depois passar sobre o Idaho, Montana, Wyoming, Nebraska, Iowa, Kansas, Missouri, Illinois, Kentucky, Tennessee, Carolina do Norte, Geórgia e Carolina do Sul, antes de encaminhar-se para o oceano Atlântico, segundo a Sky & Telescope.
A sombra da Lua vai passar sobre a terra a uma velocidade superior a 1.600 km/h. ou seja, a totalidade não vai durar muito tempo em qualquer lugar dado. No ponto de sua duração maior, um ponto no sul do Illinois, o Sol ficará completamente escurecido por dois minutos e 40 segundos.
Mas como explicou Pasachoff, isso é tempo de sobra para curtir o espetáculo. Será possível ter uma boa vista do eclipse em qualquer ponto de sua trajetória.
Como o céu de agosto tende a ser mais limpo no oeste dos Estados Unidos, entretanto, é provável que muitas pessoas se dirijam para o oeste para ver o eclipse (Pasachoff pretende vê-lo em Salem, no Oregon).
De qualquer maneira, os especialistas recomendem que se dê uma olhada nas previsões do tempo um ou dois dias antes do eclipse e então se escolha um lugar onde haverá boas chances de céu limpo, sem nuvens. Você pode usar o seguinte formulário para checar se e a que horas a totalidade será visível em qualquer cidade específica.
Antes e depois da totalidade, é preciso usar um filtro especial para ver o eclipse, para proteger seus olhos. Durante a totalidade, quando o Sol tiver desaparecido, você poderá olhar o eclipse sem o filtro. Mas é importante saber exatamente quando o momento começa a termina.

domingo, 11 de setembro de 2016

China termina construção da ponte mais alta do mundo

China termina construção da ponte mais alta do mundo
 
A China completou neste sábado a construção da ponte mais alta do mundo, situada a 565 metros de altura sobre o do rio Nizhu (no sul do país), informou a rede de televisão oficial "CCTV".
Está previsto que esta ponte, chamada Beipanjiang e situada entre as províncias chinesas de Yunnan e Guizhou, esteja em operação no final de ano.
As obras para levantar esta infraestrutura se prolongaram durante três anos e, nelas, participaram cerca de mil engenheiros e técnicos, segundo a "CCTV".
Quando estiver aberta ao público, a ponte de Beipanjiang superará outra ponte chinesa, a do rio Sidu na província central de Hubei, inaugurada em 2009, como a mais alta do planeta.
O término destas obras ocorre menos de um mês depois da abertura, em 20 de agosto, de outra grande infraestrutura do gigante asiático, a ponte de vidro mais alta e longa do mundo (com 430 metros de comprimento e a 300 de altura), que fechou duas semanas após ser inaugurada por uma avalanche de visitantes.
Veja.com

Cientistas transformam poluição em tintas para artistas

 Tinta feita a partir da poluição Air-Ink
 
Cientistas indianos encontraram um bom uso para a poluição. Após o tratamento da fuligem de carbono (partículas expelidas por motores, por exemplo), o resultado é a criação de uma tinta negra e não-tóxica.
A ideia foi colocada em prática com uma parceria entre a cerveja Tiger e um laboratório indiano de inovação, o Graviky Lab. A tinta criada a partir da poluição foi batizada de Air-Ink.
No projeto, a coleta dos poluentes foi feita com um dispositivo desenvolvido para ser instalado em escapamentos de veículos e chaminés, o Kaalink. O site da Air-Ink frisa que usar o coletor de partículas no carro não afeta de forma alguma o desempenho do motor.
Depois de armazenada, a fuligem passa por diversos processos de remoção de cancerígenos e metais pesados. Em seguida, os pigmentos purificados são misturados com outros materiais para a fabricação de uma tinta durável e não-tóxica.
“A fuligem é misturada a óleos para criar a tinta à base de óleo. A tinta spray é empacotada com gás comprimido e enlatada. Os resultados finais são materiais que funcionam como qualquer outra tinta”, explica Anirudh Sharma, ex-pesquisador do MIT Media Lab e criador do Kaalink, em entrevista à CNN.
Até agora, foram recolhidas mais de 2.500 horas de emissão de carbono na Índia e em Hong Kong. Com isso, foi possível gerar 150 litros de Air-Ink. Sharma disse à CNN que a cada 45 minutos de emissão de poluentes capturados pelo aparelho são produzidos 30 mililitros de tinta – o suficiente para encher uma caneta.
O pesquisador conta que os cientistas estão aprimorando a inovação para que seja vendida no mercado. Recentemente, o produto foi utilizado em uma campanha de sustentabilidade da cerveja Tiger. Nove artistas foram convidados para criarem obras de arte com a tinta em murais no distrito de Sheung Wan, em Hong Kong – uma das cidades mais poluídas do mundo.
Segundo o pesquisador, a Air-Ink não deve salvar o mundo, porém ele espera que ajude a reduzir a poluição. "O que estamos fazendo neste momento é redefinir um poluente que deixa pessoas doentes, que está destruindo o nosso ambiente e que existe em nosso entorno."
Um relatório do Banco Mundial publicado nessa semana revelou que a poluição atmosférica é o quarto fator de morte prematura no mundo. O estudo afirma que cerca de 87% da população do planeta está mais ou menos exposta a esta poluição.
Exame.com

sábado, 10 de setembro de 2016

A árvore genética de toda a cerveja que bebemos tem quatro séculos

 
“Antes da descoberta da cerveja, as pessoas costumavam vagar de um lugar para outro seguindo as cabras. Depois perceberam que o grão podia ser cultivado e transformado em pão, e que podia ser esmagado e transformado num líquido que produzia uma sensação agradável, quente e acolhedora. Os dias de seguir as cabras acabaram. Os seres humanos se assentaram para esperar que o grão crescesse e a cerveja fermentasse. Trocaram suas barracas por aldeias, estas se tornaram vilas, depois cidades” e assim até hoje. O cientista Charles Bamforth, veterano especialista em processos de fermentação da Universidade da Califórnia, Davis (EUA), resume dessa maneira a origem das sociedades atuais. “A cerveja é o pilar da civilização contemporânea”, enfatizou em uma de suas conferências reunidas pela revista Scientific American.
O que está claro é que o mundo de hoje seria impensável sem a domesticação das leveduras, fungos microscópicos que transformam o açúcar em álcool e em outros produtos. Apesar de sua importância, esse processo de seleção artificial foi muito menos estudado do que o dos animais domésticos ou o das plantas.
Agora, quase vinte pesquisadores de Bélgica, Alemanha e EUA sequenciaram o genoma de 157 leveduras da espécie Saccharomyces cerevisiae, usadas para fazer cerveja, vinho, licores, saquê, pão e bioetanol, representativas de todas as variantes comerciais atuais.
Os resultados revelaram que a imensa maioria descende de um pequeno número de ancestrais selecionados pelos seres humanos. Sua árvore genética, descrita no estudo, tem cinco grandes ramos: leveduras asiáticas, que incluem aquelas que produzem o famoso fermentado de arroz japonês; as que fazem vinho; as que fazem pão e duas famílias diferentes de cervejas. De todas elas, a mais domesticada é a da cerveja.
O trabalho detecta uma clara diferença genética entre as leveduras com as quais se produz cerveja na Europa continental, as do Reino Unido e um terceiro grupo que engloba as dos EUA, cuja origem está em leveduras que vieram da Inglaterra.
O ancestral de todas elas remonta a uma data entre 1573 e 1604. Exatamente nessa época, destaca o estudo, publicado na revista Cell, uma transição-chave aconteceu. Se até então a cerveja era feita em casa e cada família tinha a sua, nessa época surgiram os primeiros lugares de produção em grande escala: os pubs e os mosteiros. Os primeiros casos de produção da bebida são muito mais antigos, há não menos de 3.000 anos, mas, de acordo com o trabalho, as cervejas atuais são feitas com leveduras que descendem desses ancestrais selecionados no fim do século XVI.
“Os cervejeiros daquela época foram suficientemente inteligentes para reciclar o sedimento remanescente depois de cada fermentação e adicioná-lo à seguinte, fazendo com que o processo fosse cada vez mais consistente e rápido”, diz Kevin Verstrepen, pesquisador da Universidade Católica de Louvain e do Instituto de Biotecnologia de Flandres e principal autor do estudo. A cerveja era produzida durante o ano todo, levava apenas uma semana para fermentar e, como os micróbios se multiplicam muito mais rapidamente do que cães e vacas, isso permitiu um processo de domesticação em tempo recorde.
“A levedura de cerveja é um dos organismos mais domesticados do planeta”, observa Verstrepen. “Quase não sobreviveriam num ambiente natural e estão totalmente adaptadas para viver nas cervejarias, são um pouco como os cães”, explica. Por outro lado, as leveduras do vinho “são mais parecidas com os gatos, porque mantiveram muito mais genes selvagens, em parte porque o vinho é produzido apenas uma vez por ano, não como a cerveja”.
A levedura de cerveja foi domesticada por pura intuição, muito antes que a humanidade descobrisse a existência dos micróbios. “Na Idade Média, provavelmente, a levedura de pão era muito semelhante à da cerveja e existem referências de que padeiros e cervejeiros as trocavam, sem saber, é claro, o que eram exatamente”, diz Verstrepen. “Parece que as variantes atuais são de panificação são híbridos obtidos de leveduras de cerveja”, destaca.
O estudo genético mostra também que essas variantes são usadas para fazer cervejas muito diferentes, como as de fermentação alta (ales) e as cervejas pretas, embora existam alguns tipos de cerveja que exigem levedura especial, como a espessa cerveja branca da Alemanha (hefeweizen). Mais tarde, em 1883, Emil Hansen, um micologista da cervejaria dinamarquesa Carlsberg, obteve as primeiras culturas de levedura de cerveja puras que permitiram a industrialização da bebida.
Depois de mais de 400 anos evoluindo ao lado dos humanos, as leveduras domésticas se tornaram estéreis. Uma variante selvagem recorre à reprodução sexual quando o alimento escasseia. Como as domésticas estão sempre bem alimentadas, elas perderam completamente essa capacidade.
Elas também têm genes especiais para metabolizar os açúcares característicos da cevada e perderam a capacidade de produzir compostos químicos que dão um sabor ruim. “Do mesmo modo, as leveduras do vinho têm uma resistência genética ao cobre, que é utilizado para combater infecções fúngicas nas vinhas”, conclui Verstrepen.
El País.com

Sonda inicia viagem de sete anos para estudar asteróide 'perigoso'

A Agência Espacial Americana (Nasa) enviou ao espaço na madrugada desta sexta-feira uma missão que tentará obter amostras de um asteroide de 500m de comprimento, chamado Bennu. O corpo celeste faz parte de uma lista de 1730 asteroides que astrônomos acreditam ter a possibilidade de um dia se chocarem com a Terra.
Cientistas esperam que a sonda Osiris-Rex, que decolou da base de Cabo Canaveral, na Flórida, colete material suficiente para melhorar nosso conhecimento sobre objetos espaciais potencialmente perigosos no Sistema Solar. De acordo com cáculos da Nasa, há uma chance em 2,5 mil que Bennu se choque com a Terra no século 22, por volta do ano 2135.
Se bem-sucedida, a missão terá duração de sete anos e a Osíris-Rex cairá de paraquedas no deserto do Estado de Utah em 24 de setembro de 2023.

Osíris-Rex
 
Esta não é a primeira missão do tipo - em 2010, uma sonda japonesa trouxe de volta à Terra amostras de poeira do asteroide Itokawa. Mas a Nasa espera trazer uma quantidade consideravelmente maior de material - algumas centenas de gramas.
Para isso, a agência desenvolveu um sistema de coleta que, a bordo de um braço eletrônico, dará uma espécie de "high five" na superfície de Bennu.
Esse contato fará com que o mecanismo emita um "sopro" de gás para levantar fragmentos e armazená-los em uma câmara de contenção.
 
Osíris-Rex
 
Asteroides são "sobras" da formação do Sistema Solar, e cientistas acreditam que eles contenham pistas sobre os eventos que resultaram na formação do Sol e dos planetas. Observações telescópicas sugerem que Bennu é rico em compostos de carbono.
"Asteroides como Bennu têm materiais datando de mais de 4,5 bilhões de anos atrás. Estamos falando da época da própria formação de nosso Sistema Solar", explica Christina Richey, uma das principais cientistas da missão Osíris-Rex.
"E esses materiais podem conter moléculas orgânicas que seriam as precursoras da vida na Terra ou no Sistema Solar".
 
A sonda passará pelo menos dois anos e meio ao redor do asteroide. E uma de suas missões será medir com precisão o "efeito Yarkovsky", teoria que explica como um asteroide altera sua trajetória quando sua superfície é aquecida pelo Sol.
O asteroide é aquecido pela luz solar, aumenta a sua temperatura e emite radiação térmica em diferentes sentidos durante seu movimento de rotação.
"O asteroide tem que irradiar essa energia de volta para o espaço. Quando isso acontece, há uma mudança em sua trajetória", explica Dante Lauretta, pesquisador da missão.
"Se você quiser prever a órbita de um objeto como Bennu, essa informação precisa ser levada em conta".
O efeito é pequeno, mas ao longo de séculos pode fazer a diferença entre um asteroide de risco atingindo a Terra ou não.

A história secreta dos "óculos de raio X" - e por que podem se tornar realidade

raios-X
 
"Eu vi minha morte!", teria exclamado Anna Bertha Rontgen após ver a primeira fotografia de raio-X já feita - uma imagem dos ossos de sua mão. O marido de Anna, o medico alemão Wilhelm Rontgen, descobriu os raios-X em 1895.
 
A notícia de que alguém havia encontrado um jeito de ver através da pele e da carne humanas para observar o esqueleto por baixo, sem tocar a pessoa, foi uma sensação internacional.
Logo imagens de raio-X revelando ossos e até a sombra de órgãos internos estampavam jornais pelo mundo.
Não demorou para essa tecnologia se incorporar à cultura popular. Os raios-X eram vistos como algo sexy e como uma espécie de superpoder - uma ideia que se tornaria imortal nos quadrinhos do Super-Homem nos anos 1940.
 
raios-X
 
Mas as pessoas sempre esperaram que esse recurso pudesse um dia estar disponível para o público em geral. A tecnologia era imaginada como um tipo de óculos de raio-X que pudesse ver através das paredes. Presente na ficção científica, essa possibilidade pode agora estar próxima de virar realidade.
Nos meses e anos que se seguiram à descoberta de Rontgen, não faltaram ideias sobre o que as pessoas poderiam fazer com os raios-X. Para citar um exemplo, uma revista na cidade escocesa de Dundee informou em 1896 como o chefe local de polícia estava refletindo sobre adaptar a tecnologia de raio-X para "propósitos de investigação".
Um aparelho de raios-X portátil como um binóculo poderia ser usado, segundo a revista, para espionar locais onde traficantes de bebidas alcoolicas, proibidas à época, poderiam estar efetuando suas vendas.
"Havia muita ficção sobre raios-X naquela época", diz Keith Williams, professor de Língua Inglesa na Universidade de Dundee. "Um artigo sobre ondas elétricas acabava com o jornalista de ciência especulando sobre a possibilidade de ver por entre paredes até os espaços mais privados das pessoas."
Também havia demonstrações de raio-X mais espalhafatosas. Uma exposição prometia aos visitantes a habilidade de "ver através de uma placa de metal" ou "contar as moedas em sua bolsa".
Na verdade, contudo, experimentos iniciais com raios-X estavam limitados a aplicações médicas e científicas. Pesquisadores se divertiam produzindo imagens de esqueletos de animais ou aprimorando a técnica para criar imagens mais nítidas.
O próprio Rontgen já havia feito experimentos com um tubo de Crookes - instrumento científico que acelera elétrons em um feixe conhecido como raio catódico. Uma pequena porção da energia desse processo é liberada na forma de fótons, partículas elementares da luz.
No espectro eletromagnético, o comprimento das ondas de fótons define se elas são, por exemplo, ondas de rádio ou, no caso do experimento de Rontgen, raios-X. Uma tela fluorescente já tinha revelado que os raios de Rontgen estavam atravessando alguns materiais, como músculos, mas não outros - como ossos.
 
raios-X

Embora os efeitos nocivos da exposição frequente a raios-X tenham sido logo descobertos, a promessa de uma visão de raio-X nunca caiu em desuso.
Óculos de raio-X, um item comumente vendido com revistas e HQs, foram patenteados em 1906. Os óculos não usam raios-X, claro, mas criam uma espécie de visão dupla na qual a sobreposição de objetos sugere - de maneira pouco convincente - que tais itens tenham tido a estrutura interna revelada.
Mas em 1998 a promessa dos óculos de raio-X teve uma virada tecnológica inesperada. A Sony estva divulgando uma nova linha de câmeras com recursos de visão noturna - uma função batizada como "NightShot".
Alguns entusiastas disseram que, sob certas circunstâncias, era possível ver por entre as roupas das pessoas. Houve até um boato sobre um recall que a Sony teria feito para recolher alguns modelos diante da repercussão ruim - na verdade a empresa fez apenas algumas mudanças no design dos equipamentos.
Mas os equipamentos de visão noturna continuaram sendo usados em experimentos. Um YouTuber publicou uma suposta demonstração de como uma camera da Sony de 2002 poderia ser modificada com fita adesiva e um filtro infravermelho para alcançar o desejado "efeito raio-X".

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Aquecimento global está causando mau humor nas pessoas

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Não é preciso um doutorado para perceber que o clima afeta nossas vidas. Qualquer pessoa que more longe o suficiente da linha do equador sabe disso simplesmente ao abrir o guarda-roupa.
Não entanto, são necessários muitos cientistas para revelar como o clima nos afeta -- em particular à medida que o clima muda. Claro que há calor e secas prolongadas em alguns lugares, outros sofrem enchentes e tempestades persistentes -- em todas as formas que aprendemos a ver o aquecimento global (embora ainda  há quem rejeite a explicação científica).
Mas uma análise exaustiva de quase 200 estudos diferentes revela não apenas a magnitude dessas mudanças previsíveis, mas também como os seres humanos estão reagindo aos golpes climáticos. Os resultados são perturbadores.
Richard Moss, cientista sênior do Joint Global Change Research Institute, do Pacific Northwest National Laboratory, diz que o estudo é essencial para deixar claro o preço cotidiano da mudança climática.
Moss, que dirigiu a divisão climática do U.S. Global Change Research Program e contribui para a National Climate Assessment, disse que “isso sempre foi um desafio em alguns de nossos debates nacionais”.
Pelo menos desde Aristóteles, pensadores se perguntam como o clima molda as sociedades, observam os autores da nova análise. O problema para responder a essa pergunta de forma completa é que os cientistas teriam que medir praticamente tudo o tempo todo.
O novo superestudo, publicado na quinta-feira na revista acadêmica Science, mostra que os cientistas foram muito espertos na hora de tirar conclusões, combinando os dados que eles têm com abordagens estatísticas inovadoras. Alguns impactos menos previsíveis: 1. O calor afeta a reprodução humana
Temperaturas mais altas afetam o comportamento sexual humano, concluíram os pesquisadores. A taxa de natalidade cai nove meses depois de ondas de calor e se recupera nove meses depois do fim do calor. Neste caso, a adaptação é um adiamento, em vez de um declínio, de padrões regulares.
2. Secretamente, as pessoas odeiam o calor
É fácil imaginar que o clima mais quente poderia tornar as pessoas mais felizes. Afinal, o verão vem com praias, bicicletas, caminhadas e churrascos.
Talvez isso não seja verdade, segundo um artigo publicado em 2014 que analisou um bilhão de tuítes e os classificou segundo um índice de felicidade.
Acima de uns 21 graus Celsius, o humor dos usuários do Twitter mudava, fato evidenciado em parte pelo aumento dos insultos.
A diferença nas pontuações de felicidade dos usuários entre climas de 15,5ºC a 21ºC e de 26ºC a 32ºC era semelhante à diferença no ânimo das pessoas no domingo em comparação com segunda-feira.
3. Calor e violência podem estar ligados
Um estudo publicado no Journal of Environmental Economics & Management em 2014 chamou atenção por comparar o aumento do número de crimes violentos nos EUA com a taxa de aquecimento global e concluir que “a temperatura tem forte efeito positivo na conduta criminosa”.
A análise se baseou em 30 anos de estatísticas mensais sobre crime e clima para quase 3.000 municípios americanos. O pesquisador afirma que, caso esse padrão se mantenha, no fim do século serão registrados 22.000 homicídios, 18.000 estupros, 1,2 milhão de assaltos à mão armada, 2,3 milhões de agressões, 260.000 roubos, 1,3 milhão de arrombamentos, 2,2 milhões de casos de furto e 580.000 casos de roubo de veículo adicionais.
4. Uma desculpa para nota baixa em matemática
O desempenho de crianças em testes de matemática cai à medida que as temperaturas sobem, o que estimula perguntar se o ar condicionado em salas de aula não seria apenas uma questão de conforto, mas também de desempenho acadêmico.
Tamma Carleton e Solomon Hsiang, autores do novo artigo, se concentraram em uma tarefa enorme, mas limitada: Como o clima afeta a sociedade?
Outro artigo publicado na Science na quinta-feira questiona como o mundo não-humano pode se sair. Uma equipe liderada por Mark Urban, da Universidade de Connecticut, informa que é preciso muito trabalho para avaliar como a mudança climática afeta a biodiversidade.
Mas está bastante claro que garantir que plantas, animais e micróbios estejam felizes em um ecossistema alterado pelos seres humanos não se resume a cuidar da saúde deles: também é fundamental para nossa sobrevivência.

Coreia do Norte faz novo teste nuclear e provoca terremoto

 Coreia do Norte confirmou nesta sexta-feira (9) que fez seu quinto teste nuclear no dia em que o país celebra o seu 68º aniversário. "A detonação atômica foi bem-sucedida", afirmou a locutora Ri Chun-hee, da televisão estatal KCTV, encarregada de divulgar os principais anúncios do regime. A explosão causou um terremoto de magnitude 5.3 no nordeste do país.
 
Local da detonação nuclear realizada pela Coreia do Norte, que fica no nordeste do país
 
A detonação de "alto nível" de uma ogiva nuclear permitirá ao país construir uma série de armas nucleares mais potentes, menores e mais leves, afirmou o regime comunista.

O teste foi realizado na base de Punggye-ri, no nordeste do país, a mesma que foi usada nas detonações nucleares de 2006, 2009, 2013 e de janeiro deste ano. Os testes anteriores geraram sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU.
O novo teste é uma "resposta aos Estados Unidos e aos inimigos que nos sancionaram, negando nosso status de orgulhosa potência nuclear e criticando nossas ações baseadas no direito à autodefesa", disse a locutora. "Vamos continuar reforçando nossas capacidades para impulsionar nossa força nuclear."
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que o teste nuclear é um ato preocupante e lamentável que representa uma clara violação de resoluções do Conselho de Segurança. "Peço categoricamente à Coreia do Norte que aplique totalmente todas as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança da ONU e da AIEA", afirmou em comunicado o secretário-geral Yukiya Amano.
Além das Nações Unidas, vários países, como Estados Unidos, França, Rússia, China, Japão e Coreia do Sul, também condenaram o novo teste nuclear. A China, um dos principais aliados da Coreia do Norte, afirmou se opor com veemência ao teste.
 
Diretor da divisão de monitoramento de terremotos e vulcões da Administração Meteorológica da Coreia do Sul, Ryoo Yong-Gyu, mostra o movimento sismico causado pela detonação nuclear da Coreia do Norte
 
A Casa Branca advertiu para graves consequência. "O presidente vai consultar os nossos aliados e parceiros nos próximos dias para garantir que as ações provocadoras da Coreia do Norte sejam respondidas com consequências graves", disse o porta-voz Josh Earnest.
De acordo com a Coreia do Sul, o teste nuclear desta sexta liberou 10 quilotons de energia e é o mais potente entre os realizados pela Coreia do Norte. A bomba lançada pelos Estados Unidos sobre Hiroshima, no Japão, tinha uma potência de 15 quilotons.