domingo, 20 de novembro de 2016

Computador de empresa do Google "sonha" para aprender melhor

Tecnologia da informação
 
Londres – Talvez os androides não sonhem com ovelhas elétricas, como o escritor de ficção científica Philip Dick imaginou.
Mas o mais novo sistema de inteligência artificial da DeepMind, uma divisão do Google, de fato sonha, pelo menos metaforicamente, em encontrar maçãs em um labirinto.
Pesquisadores da DeepMind escreveram em um artigo científico publicado na internet na quinta-feira que deram um salto na velocidade e no desempenho de um sistema de aprendizagem de máquina.
Isso foi possível, entre outras coisas, dando à tecnologia atributos que funcionam de maneira similar à forma como se imagina que os animais sonham.
O artigo explica como o novo sistema da DeepMind — chamado agente Unsupervised Reinforcement and Auxiliary Learning, ou Unreal — aprendeu a dominar um jogo de labirinto tridimensional chamado Labyrinth dez vezes mais rapidamente que o melhor software de IA existente.
Ele agora pode jogar esse jogo a 87 por cento do desempenho dos seres humanos especialistas, afirmaram os pesquisadores da DeepMind.
“Nosso agente é muito mais rápido de treinar e requer muito menos experiência do mundo para treinar, por isso utiliza os dados com muito mais eficiência”, escreveram os pesquisadores da DeepMind, Max Jaderberg e Volodymyr Mnih, por e-mail.
Eles disseram que o Unreal possibilitará que os pesquisadores da DeepMind realizem experimentos com novas ideias muito mais rapidamente porque o sistema leva menos tempo para ser treinado.
A DeepMind já viu seus produtos de IA obterem resultados altamente respeitáveis ensinando a si mesmos a jogar videogames, principalmente o antigo jogo Breakout, do Atari.

Labirinto e maçãs

O Labyrinth é um ambiente de jogo desenvolvido pela DeepMind vagamente inspirado no estilo de design usado pela famosa série de videogame Quake.
Trata-se de uma máquina que tem que atravessar caminhos em um labirinto, marcando pontos ao colher maçãs.
Um dos meios utilizados pelos pesquisadores para obter seus resultados foi fazer com que o Unreal assistisse novamente às suas próprias tentativas anteriores no jogo, concentrando-se especialmente nas situações em que havia marcado pontos.
No artigo, os pesquisadores compararam isso à maneira como “os animais sonham com acontecimentos em que obtiveram recompensas positivas ou negativas com mais frequência”.
Os pesquisadores também ajudaram o sistema a aprender mais rapidamente solicitando que ele maximizasse vários critérios diferentes ao mesmo tempo, e não que apresentasse apenas sua pontuação geral no jogo.
Um desses critérios tinha a ver com o quanto ele podia fazer seu ambiente visual mudar realizando diversas ações.
“A ênfase está em aprender como suas ações afetam o que você vai ver”, disseram Jaderberg e Mnih. Eles afirmaram que isso também é semelhante ao modo como os recém-nascidos aprendem a controlar o próprio ambiente para obter recompensas – como uma maior exposição a estímulos visuais, com um objeto brilhante ou colorido, que eles acham agradável ou interessante.
Jaderberg e Mnih, que estão entre os sete cientistas que trabalharam no artigo, disseram que é “cedo demais para falar sobre aplicações do Unreal ou de sistemas similares no mundo real”.
Exame.com

O mundo está à beira de um apocalipse de antibióticos

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Não é à toa que a Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu a resistência aos antibióticos como uma das maiores ameaças globais do século 21.
Mas o que está sendo feito para tentar evitar o que poderia ser chamado de "apocalipse dos antibióticos"?
Primeiramente, há uma tentativa de reduzir o uso deste tipo de medicamento, uma vez que, quanto mais antibióticos tomamos, mais resistentes as bactérias ficam.
O psicólogo Jason Doctor, da Universidade do Sul da Califórnia, vem desenvolvendo experimentos para verificar se é possível fazer com que os médicos receitem menos medicamentos.
Ele convenceu mais de 200 médicos a assinar uma carta dirigida a seus pacientes, assumindo o compromisso de serem mais rigorosos na hora de prescrever antibióticos. As cartas foram transformadas em cartazes e coladas nas paredes de seus consultórios.
Os experimentos também adotaram um sistema de classificação. Os médicos recebiam um e-mail mensal com informações sobre quantos antibióticos estavam prescrevendo inadequadamente em comparação aos seus colegas.
Foram criados ainda alertas nos computadores dos médicos, levando-os a questionar se realmente precisavam prescrever os antibióticos, e mostrando como poderiam lidar com pacientes insistentes que exigiam a medicação.
Quando todas essas abordagens diferentes foram adotadas juntas, o número de prescrições de antibióticos foi reduzido drasticamente.
Algumas dessas mudanças estão sendo implementadas nos Estados Unidos e em outros países. Mas, mesmo que as pessoas façam uso de antibióticos apenas quando estão precisando de fato, isso não resolveria o problema. Os seres humanos são um grande mercado para antibióticos, mas há um ainda maior.
Em 1950, foi descoberto que os antibióticos fazem os animais crescerem mais rápido. Desde então, fazendeiros de todo o mundo têm injetado o medicamento em seus animais, mesmo após estudos científicos comprovarem que a resistência bacteriana poderia passar dos animais para os seres humanos.
Um país, no entanto, mostrou que é possível reverter esse cenário.
A Holanda tem mais animais por metro quadrado do que qualquer outro país do planeta e, durante anos, esses animais foram rotineiramente alimentados com antibióticos. A proibição de dar antibióticos como promotores do crescimento aos animais surtia pouco efeito, uma vez que os agricultores usavam a mesma quantidade e apenas os rotulavam de forma diferente.
Mas, após uma série de danos à saúde, o governo decidiu repreender os fazendeiros. Em 2009, os agricultores foram avisados que teriam que reduzir em 20% a quantidade de antibióticos que davam aos seus animais, num período de dois anos, e em 50%, num prazo de cinco anos.
O veterinário Dik Mevius, especialista em doenças infecciosas, ajudou os agricultores a elaborar um plano para atingir essas metas.
Eles criaram um banco de dados, revelando os agricultores que mais transgrediam a regra, e impediram os fazendeiros de comprarem antibióticos de diferentes veterinários. Se um veterinário ou agricultor prescrevesse ou usasse antibiótico desnecessariamente, era multado ou perdia a licença.
Então, os fazendeiros holandeses entraram no eixo e pararam de usar tantos antibióticos. Para muitos deles, isso significou mudar a maneira como criavam seus animais.
"Foi realmente uma revolução", disse Mevius. "Nós reduzimos em 60% a quantidade de antibióticos usados em apenas alguns anos", completou.
A maioria dos países está, no entanto, caminhando na direção oposta. Estima-se que China, Brasil, Rússia, Índia e África do Sul deverão dobrar seu uso de antibióticos até 2030, o que levará a resistência a se espalhar. É por isso que cientistas de todo o mundo estão vasculhando oceanos, florestas tropicais e desertos em busca de novas fontes de antibióticos.
Recentemente, pesquisadores foram ao Panamá e colheram amostras da pele de uma preguiça de três dedos. Outros cientistas têm procurado novos antibióticos na saliva de dragões de Komodo. Mas ainda é muito cedo para dizer se esses experimentos serão bem sucedidos.
 
Comunicação entre bactérias
Há também aqueles que não estão procurando novos antibióticos, mas estão lutando contra as bactérias. A microbiologista Kim Hardie, da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, estuda a forma como as bactérias se comunicam. Sim, as bactérias se comunicam.
Quando uma única bactéria chega aos seus pulmões, ela se esconde do seu sistema imunológico e dos anticorpos que podem matá-la. Ela não revela suas armas - suas toxinas -, mas fica ali, esperando.
"Uma vez que a bactéria percebe que é um bom lugar para se multiplicar, então ela se comunica", explica a cientista.
As bactérias isoladas se relacionam umas com as outras, até sentirem que estão em número suficiente. Em seguida, se armam e atacam o sistema imunológico.
"Se você tem um único soldado contra um castelo, não vai ameaçar o castelo", afirma Hardie.
"Mas, se esperar que o resto do exército chegue e mostre suas armas ao mesmo tempo, os soldados podem vencer o castelo."
E se você puder impedir que as bactérias se comuniquem, fazendo com que, embora você tenha bactérias nocivas em seus pulmões, elas não consigam se relacionar umas com as outras e assim lançar um ataque?
Hardie afirma que isso pode ser feito e conta alguns experimentos em laboratório tiveram bons resultados. A pesquisadora estima que um antibiótico baseado neste princípio poderia chegar ao mercado em cerca de dez anos.
Há muitos outros experimentos e projetos em andamento. O sucesso vai depender, em grande parte, de aprendermos mais sobre as bactérias.
Como ensina o livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu, é preciso conhecer o inimigo para vencer a batalha. Como podemos evitar o apocalipse de antibióticos? Aprendendo a enganar as bactérias.
 

sábado, 19 de novembro de 2016

Nave russa Soyuz MS-03 chega à ISS com três astronautas a bordo

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A nave russa Soyuz MS-03 se acoplou com sucesso neste sábado à Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês) com três astronautas a bordo, informou a Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos.
O acoplamento aconteceu às 21h58 GMT (19h58 de Brasília) após seu lançamento às 20h20 GMT (18h20 de Brasília) na última quinta-feira, com ajuda do foguete portador Soyuz-FG, a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.
A nave, a terceira da nova série Soyuz, leva à ISS o cosmonauta russo Oleg Novitski, a astronauta americana da Nasa Peggy Whitson e o francês Thomas Pesquet, da Agência Espacial Europeia (ESA, sigla em inglês).
Os tripulantes da Soyuz MS-03 serão recebidos na plataforma orbital por seus atuais ocupantes: os russos Sergei Rizhikov e Andrei Borisenko, e o americano Robert Kimbrough, que estão há mais de três meses no espaço.
A nova tripulação celebrará o Natal e o Ano Novo a bordo da ISS e poderá saborear pratos cozinhados em um restaurante de Paris com duas estrelas da Michelin, explicou em entrevista coletiva o astronauta francês.
A ISS, um projeto de mais de US$ 150 bilhões de dólares no qual participam 16 nações, atualmente é integrada por 14 módulos permanentes e orbita a uma velocidade de mais de 27 mil km/h e a uma distância de 400 quilômetros da Terra.
A órbita da plataforma é elevada periodicamente com a ajuda de propulsores de naves acopladas a ela, já que a ISS perde diariamente entre 100 e 150 metros de altitude devido à gravitação terrestre, à atividade solar e outros fatores.
 
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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Astronautas chineses retornan à terra depois de 30 dias no espaço

Shenzhou 11
 
Dois astronautas chineses retornaram à Terra nesta sexta-feira, às 14h07 (4h07  no horário de Brasília). Após os ‘taikonautas’, como são chamados os astronautas chineses, ficarem 30 dias no espaço, a cápsula espacial posou no Norte da China. A missão espacial tripulada foi considerada a mais longa realizada pelo país.
A conclusão da viagem espacial é fundamental para o projeto ambicioso da China de instalar, no prazo de seis anos, uma estação chinesa espacial tripulada permanente, quando a Estação Espacial Internacional (ISS) não estará mais funcionando.
Os astronautas Jing Haipeng e Chen Dong seguirão para um hospital da região para passar por revisões médicas e depois seguirão para Pequim, onde realizarão um processo de readaptação à gravidade que pode durar algumas semanas, segundo especialistas.
Haipeng e Dong viveram e trabalharam no laboratório espacial Tiangong-2 (em português, Palácio Celeste-2) desde 18 de outubro, data em que ingressaram no local. No ambiente, os dois cultivaram verduras, criaram bichos-da-seda e realizaram reparos na estação, de acordo com a agência estatal Xinhua.
Os exploradores chineses haviam partido em 17 de outubro de uma base situada no deserto de Gobi na nave espacial Shenzhou-11 (em portiguês, Nave divina-11).

COP22 dá os primeiros passos para o início do Acordo de Paris para o clima

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Cúpula do Clima de Marrakech (COP22) terminou nesta sexta-feira com a aprovação de um documento que dá os primeiros passos ao texto do regulamento que regerá o Acordo de Paris e que deverá estar concluído em 2018, dois anos antes de o pacto começar a funcionar.
 Após duas semanas de reuniões, os cerca de 200 países que integram a convenção de mudança climática da ONU definiram avanços em matéria de financiamento climático, dando continuidade além de 2020 ao Fundo de Adaptação do Protocolo de Kyoto que expirava esse ano e que agora será incorporado ao Acordo de Paris.
Os países ricos também se comprometeram a aumentar progressivamente, após 2020, a quantia de 100 US$ bilhões que será mobilizada anualmente para o financiamento climático a partir desse ano de fundos públicos e privados.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Para limitar o aquecimento global, será preciso fazer "mágica"

A península itálica durante a noite vista pela Estação Espacial Internacional (Foto: Nasa)
 
O Acordo de Paris, documento ratificado por mais de 100 países que determina a redução de emissões de gases de efeito estufa, define que a comunidade internacional precisa limitar o aquecimento global a “bem abaixo” de 2 graus célsius. Segundo estudos divulgados na Conferência do Clima em Marrakesh, no Marrocos, só contando com uma tecnologia que ainda não existe conseguiremos atingir essa meta. Ou, como um dos cientistas disse, só contando com uma “mágica”.
O Acordo de Paris foi assinado considerando os cenários traçados pelo IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Esses cenários calculam a possibilidade de manter o aquecimento médio do planeta em 2 graus ou, como um grupo de países defende, em até 1,5 grau célsius. Eles mostram trajetórias em que as emissões mundiais podem aumentar nos próximos anos e começar a cair a partir do meio do século. Só há um problema. A maioria dos cenários positivos – aqueles em que o mundo consegue com sucesso evitar mudanças climáticas extremas – só podem ser atingidos quando consideramos que um número grande de países terá emissões negativas. Não basta parar de emitir, temos de tirar carbono da atmosfera.
Segundo o professor Asher Minns, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, contar com as emissões negativas é a única forma de fazer o Acordo de Paris funcionar sem ter de desligar infraestrutura. O Acordo de Paris prevê o seguinte caminho para o mundo evitar as mudanças climáticas extremas. Primeiro, é preciso impedir que mais CO2 vá para a atmosfera. Isso deve ser feito substituindo os combustíveis fósseis por biomassa e energia fóssil por renováveis. Depois, é preciso capturar o carbono acumulado na atmosfera. Mas como? “Essa tecnologia não existe. Qualquer um que falar que as metas do Acordo de Paris podem ser cumpridas está, na verdade, falando em fazer mágica.”
O complicado dessa mágica é que o CO2, como qualquer gás, está disperso no ar. Até hoje não foi desenvolvida uma técnica para sugar apenas o carbono, separando parte dele e armazenando-o em algum lugar. Mas há algumas tentativas de capturar o CO2 de produção industrial antes de ele sair das chaminés, torná-lo líquido e injetá-lo no solo. Por enquanto, só existe um projeto desse em escala comercial, operando no Canadá.
Fazer engenharia no clima
Um assunto que os cientistas já discutiam nos últimos anos, mas que começa a ganhar relevância devido à dificuldade da tarefa de limitar o aquecimento global, é dar um passo além de capturar carbono em chaminés e fazer uma reengenharia do clima do planeta em escala global – o que ficou conhecido pelo termo geoengenharia. A ideia é controversa. Para muitos, há o temor de que uma tentativa intencional em mudar o clima do planeta possa trazer resultados adversos. Mas projetos de geoengenharia estão, aos poucos, recebendo maior aceitação, já que as metas para limitar o
aquecimento global ainda se mostram distantes.
Na tarde de terça-feira (15), pesquisadores falaram sobre projetos para corrigir as concentrações de gases de efeito estufa no planeta em eventos paralelos à Conferência do Clima de Marrakesh. O professor Hugh Hunt, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, defendeu a necessidade de se estudar intervenções agressivas no planeta para reduzir a concentração de gases de efeito estufa. “Teremos que capturar 10 bilhões de toneladas de CO2 por ano”, diz Hunt. “Não conseguimos lidar com nada no mundo que tenha essa escala. Por isso, precisamos contar com todas as ideias possíveis.”
O projeto de Hunt, batizado de Spice, sigla para Injetor de Partículas na Estratosfera para a Engenharia do Clima, quer simular vulcões. Nós sabemos que, sempre que um grande vulcão entra em erupção, o clima da Terra esfria momentaneamente. Isso acontece porque as emissões vulcânicas, em vez de absorver o calor como o CO2, emitem novamente a radiação do Sol para o espaço. Hunt estuda a possibilidade de lançarmos, artificialmente, na atmosfera, gases que refletem a radiação, diminuindo a quantidade de calor que o planeta absorve e minimizando o aquecimento global.
Fazer isso é possível? É difícil dizer. Mas se queremos ter alguma chance de tirar carbono da atmosfera no meio do século, é preciso começar a pensar nessa possibilidade agora, para ser possível
desenvolver a tecnologia a tempo. Hunt lembra que a humanidade já está fazendo uma espécie de geoengenharia no clima, ao lançar enormes quantidades de CO2 na atmosfera desde o início da era industrial. Talvez apostar na tecnologia contrária seja uma forma de resolver o problema.
Época.com

Trio de astronautas decola rumo à Estação Espacial Internacional

 Astronautas decolaram no final da tarde desta quinta-feira (Foto: Nasa)
 
O cosmonauta russo e comandante Oleg Novitsky, a astronauta americana Peggy Whitson e o francês Thomas Pesquet decolaram às 18h20 desta quinta-feira (17) da base de Baikonur, no Cazaquistão, com destino à Estação Espacial Internacional (ISS).
A Rússia é conhecida pela capacidade para realizar lançamentos em qualquer condição meteorológica. Nem a neve que cobre o cosmódromo nem as baixas temperaturas foram capazes de impedir a decolagem do foguete Soyuz.
A missão dos três tripulantes será colocar-se à mesma altura que a ISS, que orbita a 28.000 km/h a 400 km da Terra. O acoplamento da cápsula com a estação espacial está previsto para sábado (19) às 22h GMT (20h de Brasília).
 
Astronaustas durante a decolagem da base de Baikonur, no Cazaquistão (Foto: Nasa)
 
A Rússia provê o módulo principal da ISS, onde se encontram seus propulsores, e os foguetes russos Soyuz são a única forma de transportar tripulantes para a ISS desde o fim das operações dos ônibus espaciais americanos, em 2011.
Em seis meses, Pesquet realizará 62 experiências para a Agência Espacial Europeia (ESA) e o Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES) da França. Isso sem contar as 55 experiências que realizará em cooperação com as agências espaciais americana, canadense e japonesa.
O francês estudará o impacto da microgravidade nos músculos e testará tecnologias capazes de revolucionar o sistema de purificação da água.
Seus colegas não ficarão para trás. Whitson fará, por exemplo, experimentos sobre o impacto da luz no ciclo do sono, enquanto Novitsky realizará mais de 50 experiências científicas para a agência espacial russa Roskosmos.
O retorno dos três astronautas à Terra está previsto para 15 de maio de 2017.
 

Estudo sugere que o corpo absorve o BPA, componente do plástico. Há riscos para a saúde?

Plásticos: o BPA, componente presente em embalagens pode ser absorvido pelo organismo (Foto: Thinkstock)
Um estudo da Universidade Politécnica do Estado da Califórnia sugere que o corpo absorve componentes presentes em materiais plásticos usados para armazenar alimentos, bebidas e produtos de higiene. A substância analisada na pesquisa, chamada bisfenol A (BPA), está no centro de uma controvérsia sobre seus efeitos na saúde. Alguns estudos sugerem que o BPA está associado ao desenvolvimento de obesidade, diabetes, infertilidade e algumas formas de câncer. Um levantamento da agência de vigilância epidemiológica dos Estados Unidos indica que 92% da população americana apresenta níveis de BPA na urina.
No novo estudo, os pesquisadores acompanharam 24 estudantes universitárias, divididas em dois grupos. Um deles recebeu apenas informações sobre as possíveis associações do BPA a doenças. O outro foi orientado a evitar o uso de embalagens plásticas e a dar preferência a recipientes plásticos que não contivessem a substância (eles costumam receber um selo de “BPA free”). Os dois grupos foram acompanhados por três semanas. As participantes fizeram exames de urina antes de começar e depois de terminar o estudo. Os pesquisadores concluíram que as voluntárias que haviam recebido orientações sobre como evitar o BPA no dia a dia tiveram uma redução de 50% de BPA na urina. As participantes do primeiro grupo, que só receberam informações sobre os possíveis efeitos do BPA, apresentaram aumento do componente na urina. Os pesquisadores não sabem explicar por que isso teria acontecido.
Não há consenso científico sobre os efeitos do BPA à saúde. Em 2010, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou uma reunião com especialista para discutir os riscos da contaminação em seres humanos. Os resultados foram inconclusivos. Por precaução, alguns países da Europa e das Américas proibiram o uso da substância na fabricação de mamadeiras, a fim de proteger crianças pequenas, consideradas as mais vulneráveis pelos especialistas. No Brasil, a proibição, restrita à fabricação de mamadeiras, está vigente desde janeiro de 2012. “É preciso tomar cuidado não só com as mamadeiras e chupetas, mas também com o pratinho de comida e o brinquedinho que o bebê tem contato e põe na boca”, diz Tania Bachega, presidente da Comissão de Desreguladores Endócrinos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Pesquisas em laboratório mostraram que o BPA atua alterando a distribuição hormonal, bloqueando ou aumentando  a ação de um determinado hormônio. Em mulheres que têm predisposição para desenvolver câncer de mama, por exemplo, o BPA pode provocar a proliferação de células cancerígenas em razão do aumento de um hormônio feminino, o estrogênio. “Os dados em seres humanos são observacionais e não significam causa e efeito”, afirma Tood Hagobian, coautor do estudo recém-publicado.
Estudos realizados pela agência de controle de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a Food and Drugs Administration (FDA), identificaram que baixas doses de BPA não oferecem risco à saúde. Para compor o relatório, a FDA revisou estudos publicados entre 1º de novembro de 2009 e 23 de julho de 2013. De acordo com o relatório da agência, foram observadas discrepâncias consideráveis nos resultados entre estudos em animais e seres humanos. “O que acontece em um animal não necessariamente acontece no homem”, afirma a endocrinologista Tania Bachega. Outros fatores, como predisposição genética e hábitos alimentares e físicos, também podem influenciar o aparecimento de doenças.
Época.com
 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Os impressionantes barcos ancestrais encontrados por acaso nas profundidades do Mar Negro

Embarcação otomana
 
Em uma noite de setembro, enquanto observava imagens de câmeras submarinas nas profundezas do Mar Negro, o pesquisador Rodrigo Pacheco Ruiz teve que esfregar os olhos para acreditar no que aparecia nos monitores.
Era um barco e se encontrava em excelente estado - tão conservado que as cordas ainda estavam enroladas nos mastros.
O mais surpreendente é que Pacheco, do Centro de Arqueologia Marinha da Universidade de Southampton, na Inglaterra, não estava procurando naufrágios. Ele faz parte de uma equipe que tenta determinar a rapidez com que o nível da água subiu nesta região após o fim da última Era Glacial.
 
Embarcação da equipe de pesquisa
 
"Fiquei sem palavras quando vi as cordas, eu não podia acreditar no que estava vendo", contou Pacheco ao jornal americano The New York Times.
Para surpresa dos pesquisadores, esta não foi a única embarcação encontrada. Até o momento, já foram contabilizados 40 navios - sendo a maioria do período bizantino.

Outra noite

Barco medieval
 
Em outra noite, um dos membros da equipe percebeu que o navio que estava diante de seus olhos não era como os outros.
"Eu vi um leme", contou Kroum Batchvarov, professor da Universidade de Connecticut, o que levava a crer que se tratava de um navio mais antigo.
Ele foi acordar imediatamente o pesquisador-chefe, o professor Jon Adams, da Universidade de Southampton.

Naufrágio otomano descoberto a 300 metros de profundidade

Estima-se que este naufrágio tenha ocorrido no século 9. Se confirmado o período, tratam-se de embarcações que estão documentadas em livros de história e que até agora não tinham sido vistas tão completas.
Segundo o The New York Times, uma grande descoberta foi ver como era o convés de um deles, onde o capitão podia se dirigir a uma tripulação de 20 marinheiros.
Já os navios mais "novos" que foram encontrados datam do século 19. Uma variedade de modelos que revela a importância do Mar Negro como rota de comércio ao longo dos séculos.
"Esses naufrágios são um bônus, uma descoberta fascinante que fizemos durante a nossa extensa pesquisa geofísica", disse Adams.

Detalhe da popa de navio otomano

"Com técnica de filmagem 3D subaquática conseguimos obter estas imagens impressionantes sem alterar o fundo do mar", afirmou o professor Adams, em comunicado.

Camadas de água

A razão pela qual os barcos estavam tão bem conservados se deve à falta de oxigênio na água a partir dos 159 metros de profundidade. As embarcações foram encontradas a 1.800 metros da superfície.
Como não há oxigênio nas profundezas, as estruturas não degradam tão rápido como em outros lugares. E, sem oxigênio, as criaturas que normalmente se alimentam da madeira também não conseguem sobreviver.

Veículo de operação remota

Esta não é a primeira vez que são descobertos naufrágios em perfeito estado de conservação.
O Mar Negro, que é rodeado por Bulgária, Romênia, Ucrânia, Rússia, Geórgia e Turquia, foi uma parte importante das rotas de comércio entre o oriente e o ocidente ao longo dos séculos, o que também fez dele palco de batalhas.
Por este mar, passaram embarcações levando todos os tipos de "produtos" - de grãos a sedas, passando por óleos e animais . Para os especialistas, não seria estranho que, uma vez que comecem a investigar o que está dentro dos caixotes, encontrem até alguns itens comercializados na época.
BBC Brasil

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Concluído pela Nasa projeto de construção do Telescópio espacial James Webb

 
 
A agência espacial norte-americana - a NASA - confirmou que foi concluído o projeto de construção do Telescópio Espacial James Webb.  O James Webb demorou quase 20 anos   O James Webb demorou quase 20 anos para ser construído e vai substituir o telescópio o bom e velho Hubble, que já está há 26 anos em órbita da Terra. 
'Cientistas avaliam que com o James Webb, o mundo tem agora uma outra forma de conhecer o Universo, maior, melhor e mais eficiente. "Foram duas décadas de inovação e trabalho duro e este é o resultado. Abrimos possibilidades de conhecer um território totalmente novo da Astronomia. Vamos ver coisas que não temos sido capazes de ver antes, porque este telescópio é muito mais poderoso do que até mesmo o grande telescópio Hubble”, ressaltou à imprensa, John C. Mather, astrofísico da NASA.
História do espaço há 13 milhões de anos
O telescópio está equipado com um espelho cinco vezes maior que o gigante Hubble, é alimentado pelo Sol, capaz de detectar luz fraca desde os primeiros objetos que iluminaram o Universo e estudar cada fase da história do espaço após o Big Bang, há mais de 13 bilhões de anos.
"O lançamento do telescópio espacial James Webb está previsto para 2018, numa viagem no tempo que promete ensinar a todos muito mais do que já sabem sobre o Universo", finaliza o astrofísico John C. Mather.
BBC

Como uma análise do seu telefone (desligado) pode revelar o que você come e até que remédios toma

Mulher colhendo amostras na tela de um celular
 
Moléculas encontradas nos telefones celulares revelam muito sobre a saúde e o estilo de vida das pessoas - incluindo suas comidas favoritas e a medicação que eventualmente tomam.
Cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego examinaram 40 telefones e descobriram vestígios de todos os tipos: de cafeína e temperos a cremes de beleza e antidepressivos.
Isso ocorre porque deixamos um rastro de moléculas, produtos químicos e bactérias em tudo o que tocamos.
Mesmo depois de lavar bem as mãos não deixamos de transferir coisas "nossas" para os objetos do dia a dia, afirmam os pesquisadores.
Usando a técnica de espectrometria de massa, que detecta e identifica moléculas por meio da medição da sua massa e da sua estrutura química, foram testadas 500 amostras obtidas de 40 celulares e das mãos dos seus donos (todos adultos).

Perfil detalhado

As amostras foram então comparadas com moléculas catalogadas em uma base de dados e produziram um "perfil do estilo de vida" de cada dono de celular.
De acordo com a doutora Amina Bouslimani, uma das responsáveis pela pesquisa, os resultados foram reveladores.
"Analisando as moléculas deixadas no telefone, podemos dizer se o dono do aparelho é uma mulher, se usa cosméticos de marca, pinta o cabelo, bebe café, prefere cerveja a vinho, gosta de comida apimentada, está fazendo tratamento de depressão, usa protetor solar e repelente - o que também indica que gosta da vida ao ar livre -, enfim todo o tipo de coisas", disse.
A maior parte das moléculas é passada para os telefones pela pele, pelas mãos e pelo suor.
O estudo descobriu que repelentes de mosquitos e protetor solar continuam por longo tempo na pele das pessoas e nos seus celulares, mesmo quando deixam de ser usados por meses.
Uma pesquisa anterior feita pela mesma equipe descobriu que depois de três dias ainda havia traços de produtos de higiene e beleza na pele das pessoas estudadas.

Vantagens da descoberta

Os cientistas destacam as seguintes vantagens do estudo:
  • identificar o dono de um objeto quando não há impressões digitais disponíveis
  • verificar se pacientes estão tomando medicação
  • fornecer informação sobre exposição à poluição
  • Agora os pesquisadores querem saber mais sobre o universo de bactérias que cobre a nossa pele - e o que ele revela sobre nós.
    De acordo com o professor Pieter Dorrestein, um dos autores do estudo, existem em média pelo menos mil micróbios diferentes na pele de uma pessoa, espalhadas por centenas de partes do nosso corpo.
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Como funciona a universidade sem professores inaugurada nos EUA

Uma universidade revolucionária, sem professores, onde não há livros e nada é pago, acaba de ser aberta no Vale do Silício, na Califórnia. A ideia é receber por ano 1 mil estudantes interessados em programação de computadores e desenvolvimento de software. Durante o curso, os alunos trabalham sempre em grupo e avaliam os trabalhos uns dos outros.
 
O nome da nova universidade, 42, é uma referência à resposta sobre qual seria o sentido da vida segundo o clássico de ficção científica O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, no original em inglês)de Douglas Adams - criado nos anos 1970 como série de rádio da BBC e transformado em livro, peça de teatro, minissérie de TV, filme longa-metragem, revista em quadrinhos, livro ilustrado e jogo de computador.
O Guia do Mochileiro das Galáxias é o nome de um dicionário fictício, que tem definições e opiniões sobre todo o universo.
O primeiro campus da 42 foi criado em Paris, em 2013, por Xavier Niel, um empresário e milionário do setor de tecnologia.
Muitos do que se formaram lá trabalham hoje em grandes empresas como IBM, Amazon e Tesla. Alguns criaram suas próprias companhias.

Facebook e Airbnb como modelos

Xavier Niel e seus sócios - vindos de start-ups do setor de tecnologia - querem revolucionar a educação como o Facebook fez com a comunicação na internet e o Airbnb com a hotelaria convencional.
Para atingir essa meta, a universidade combina uma forma radical de ensino colaborativo e aprendizagem por projetos.
Os dois métodos são bastante populares entre educadores, mas normalmente envolvem a supervisão de professores.
Assim, os alunos da 42 podem escolher projetos - como criar um website ou um jogo de computador - que seriam executados se eles estivessem trabalhando em uma empresa como desenvolvedores de software.
Para colocar seu projeto de pé, eles usam as fontes gratuitas disponíveis na internet e recebem ajuda dos colegas. Todos trabalham lado a lado, em uma ampla sala, com várias fileiras de computadores. Depois, a avaliação será feita por um outro colega, escolhido aleatoriamente.
Como nos jogos de computador, os estudantes vão avançando no curso em níveis ou fases e competem com um mesmo projeto. Eles se formam ao atingir o nível 21 e isso geralmente leva de três a cinco anos. Ao concluir o curso, recebem um certificado, nada de diploma tradicional.

Fim do aprendizado passivo

Os criadores da 42 afirmam que esse método de aprendizagem é melhor que o sistema tradicional que, segundo eles, incentiva os estudantes a serem receptores passivos de conhecimento.
"O retorno que temos recebido dos empregadores é que os jovens que formamos são mais preparados para buscar informações por si mesmos, por exemplo, sem precisar perguntar ao supervisor o que devem fazer," diz Brittany Bir, chefe de operações da 42 na Califórnia e ex-aluna no campus de Paris.
 
Brittany Bir

Aprendendo com quem aprende

"O aprendizado colaborativo faz os estudantes desenvolverem a confiança necessária para buscar soluções de forma autônoma, com métodos criativos e engenhosos"", explica.
Ela afirma ainda que quem passou pela 42 é mais capaz de trabalhar em grupo, discutir e defender ideias - qualidades procuradas no mundo real do mercado de trabalho em tecnologia.
"Isso é especialmente importante na área de programação, onde há uma falta de determinadas habilidades humanas," acrescenta.
O aprendizado colaborativo não é novidade e já é adotado em várias escolas e universidades, especialmente em áreas como engenharia.
Aliás, historiadores concluíram que, na Grécia antiga, o filósofo Aristóteles tinha na sua escola alunos que eram monitores e ajudavam os colegas. Pesquisas recentes mostram que o aprendizado colaborativo pode fazer o aluno desenvolver um conhecimento mais profundo sobre determinado assunto.
Especialista em educação, o professor Phil Race explica que assuntos difíceis são mais fáceis de entender quando explicados por alguém que os aprendeu sozinho, sem nenhuma ajuda.
Dan Butin, reitor da escola de educação e política social do Merrimack College de Massachusetts, nos EUA, defende que o aprendizado colaborativo e por projetos seja popularizado em colégios e universidades.
O professor Butin diz que esses métodos são "ferramentas de ensino" muito melhores do que palestras, por exemplo, que normalmente não propõem desafios ao raciocínio dos ouvintes.

'O momento do arrá!'

No entanto, Butin considera que a universidade 42 foi longe demais ao abolir os professores. Pesquisas feitas por ele indicam que a maneira mais eficaz de ensino colaborativo inclui a supervisão de um professor especializado.

Xavier Niel

"A razão decisiva para a existência de um professor é orientar os estudantes no enfrentamento de assuntos complexos, ambíguos e que geralmente escapam à sua capacidade de entendimento", acredita.
"Bons professores são capazes de levar os estudantes ao que chamo de 'momento do arrá!'"
O pesquisador diz que "a função da universidade" é desafiar conhecimentos e opiniões preconcebidas. Uma universidade sem professores, continua Butin, pode permitir que os estudantes simplesmente "reforcem e regurgitem" ideias que já têm sobre o mundo.
O modelo da 42 poderia ser uma alternativa aos Massive Open Online Courses, os Moocs (cursos online abertos e massivos, em tradução livre), que permitem que um grande número de pessoas estude online gratuitamente ou pagando pouco.
Como os Moocs, a 42 oferece uma educação mais acessível que a universidade tradicional. Mas também oferece os chamados benefícios sociais como acesso a um prédio e interação diária com outras pessoas.
A abertura da 42 coincide com a popularização nos EUA de cursinhos rápidos e intensivos que atraem milhares por causa da grande procura por programadores e desenvolvedores de software.

Método exige aluno disciplinado

Mas será que o modelo sem professores da 42 daria certo em grandes universidades?
Britanny Bir admite que os novos métodos não servem para todos os alunos. Durante o mês de seleção, por exemplo, alguns candidatos ficam irritados pelo estresse de trabalhar tão próximos. E não é difícil imaginar uma reação assim se você recebeu nota baixa de alguém que está no computador ao seu lado
"O método é indicado para pessoas muito disciplinadas e confiantes, que não se intimidam com a liberdade de trabalhar no seu próprio ritmo", diz Britanny.
Nicolas Sadirac, diretor da 42 de Paris, destaca que esse modelo funciona particularmente bem para estudantes que sofreram fracassos ou foram deixados de lado pelo sistema tradicional de educação.
"Na França, o sistema de educação decepciona muitos jovens apaixonados, que se sentem frustrados com o que são obrigados a fazer e com a maneira como isso é exigido", acrescenta.
O processo de seleção da universidade 42 ignora qualificações acadêmicas anteriores. No campus de Paris, 40% dos estudantes não completaram o equivalente ao segundo grau.
"A 42 lembrou a eles que aprender pode ser divertido se você seguir o seu interesse, em vez de ser ensinado por professores a focar em uma coisa só," conclui Sadirac.
BBC Brasil

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Nem muita nem pouca beba água conforme a sede indicar




  
Você está bebendo água na quantidade certa? Se for pouca, o corpo reclama, por exemplo, com o intestino preso. Se for muita, pode até evitar problemas de pedras nos rins, mas esse caminho não é o ideal.
Um paraíso de águas medicinais. Em Águas de São Pedro, no interior paulista, tem água boa para o estômago, água para o fígado e até água da juventude! Será?
Para falar sobre os poderes da água, o Bem Estar desta segunda-feira (14) convidou o nefrologista Décio Mion e a consultora do Bem Estar, a pediatra Ana Escobar.
Quanto de água por dia?
Doutor Décio explica que estudos observacionais acompanharam um grupo de pessoas que tomava de 3 a 4 litros de água por dia e quando idosas, elas tinham um funcionamento melhor do rim.
Cerca de 80% do nosso corpo é formado por água, por isso ela é tão fundamental em todas as atividades do organismo e daí a importância de tomar bastante líquido todos os dias, o dia inteiro.
Só que água em excesso também não faz bem. A água dilui o sal do organismo e equilibra a quantidade de íons nas células. Se tem água demais, as funções elétricas são prejudicadas, pode dar alteração no coração e no cérebro, por exemplo. A pessoa pode ficar sonolenta, com mal-estar e enjoada. Esse problema é tão grave quanto a desidratação, porém, muito mais raro.
 

Um paraíso de águas medicinais. Em Águas de São Pedro, no interior paulista, tem água boa para o estômago, água para o fígado e até água da juventude! Será?

Para falar sobre os poderes da água, o Bem Estar desta segunda-feira (14) convidou o nefrologista Décio Mion e a consultora do Bem Estar, a pediatra Ana Escobar.

Quem é a dona do maior avião do mundo que pousou hoje em Guarulhos?

Avião Antonov An-225
 
O maior avião do mundo, o Antonov An-225, está atualmente em solo brasileiro. Ele pousou hoje no aeroporto de Viracopos, Campinas, de onde voará para o aeroporto de Guarulhos.
O seu destino final é Santiago do Chile, para onde o avião está transportando um gerador de 150 toneladas de uma empresa de automação empresarial.
É a segunda vez que a aeronave pousa no Brasil: a primeira foi em 2010. A operação de carregamento deve ocupar o espaço de sete aeronaves, disse o comandante Miguel Dau, diretor de Operações da GRU Airport, à Veja São Paulo.
 
 
A fabricante e dona desse colosso é a Antonov Airlines, companhia aérea ucraniana de transporte de cargas. E não são cargas comuns: foguetes, cargas militares, refeições para um exército inteiro e geradores já voaram com seus aviões por todo o mundo.
Baseada no aeroporto de Gostomel, perto da capital ucraniana Kiev, é uma das poucas especializadas no transporte de grandes cargas, que não cabem em um avião tradicional.
Ela começou a operar em 1988, para fabricar e comercializar aviões gigantes de carga para a União Soviética.
A companhia aérea é uma subsidiária da Antonov StC, companhia estatal. Em 2015, foi transferida do Ministério de Desenvolvimento Econômico e Comércio para a Ukroboronprom, Indústria de Defesa da Ucrânia, também estatal.
Gigante nos ares
O avião Antonov 225, com 84 metros de comprimento, 18,1 de altura e 88,4 de envergadura, é único no mundo. Ele levou quatro anos para ser construído, de 1984 a 1988, para transportar o ônibus espacial soviético Buran.
Tem capacidade para carregar até 250 toneladas, muito mais que os concorrentes Boeing 747-800, que aguenta 140 toneladas e o Airbus 330, que leva até 65 toneladas.
Um segundo avião do tipo começou a ser construído. No entanto, com o colapso da União Soviética, em 1991 e o fim do programa do ônibus espacial, a fabricação foi cancelada.
A aeronave parou de voar em 1994, mas voltou a ser usada, depois de ser inteiramente reformada, em uma nova parceria. Em 2006, a Antonov se uniu à russa Volga-Dnepr Airlines em uma joint venture. Hoje, as duas empresas operam a frota de An-124 e o An 125.
Contratar os serviços do Mriya começam em cerca de US$ 300 mil, informa o site Airway. Além de grandes cargas comerciais, o An-225 também já foi direcionado para para operações humanitárias como, por exemplo, o terremoto no Haiti, em 2010, e o tsunami que atingiu o Japão, em 2011.
O pouso do avião em Viracopos foi transmitido pelo Facebook do aeroporto.
 
Carga preciosa
O An-225 irá carregar, para o Chile, um transformador trifásico de energia. O montante de energia transmitido por este transformador a plena carga é o suficiente para alimentar 65 mil domicílios.
É o equipamento do tipo mais pesado transformador a ser transportado pelo ar e foi especialmente desenvolvido levando em consideração as proporções da aeronave.
Ele tem 155 toneladas, que equivale a 135 carros médios. Com todos os seus acessórios, chega a pesar 250 toneladas.
O aparelho foi construído pela multinacional suíça ABB na sua fábrica em Guarulhos. A companhia, que tem mais de 130 anos, opera em mais de 100 países com cerca de 135.000 funcionários.
 
Transformador ABB, que será transportado pelo avião An-225 para Santiago, no Chile
Transformador ABB, que será transportado pelo avião An-225 para Santiago, no Chile.

domingo, 13 de novembro de 2016

Como tirar boas fotos de celular da superlua

Superlua é registrada neste domingo (27) na Bielorrússia (Foto: (AP Photo/Sergei Grits)
 
Maior Superlua em quase 70 anos acontece nesta segunda-feira (14).
Fotografar este fenômeno, no entanto, pode ser uma tarefa complicada. Por emitir bastante luz e ser fotografada normalmente quando já está totalmente escuro, a Lua acaba se tornando uma mancha branca no meio do céu. Para resolver esse e outros problemas o G1 preparou algumas dicas, confira:
1. Luz
O mais importante é fazer a medição correta da luz. A Lua é um corpo celeste muito brilhante, e como na maioria das vezes ela é fotografada durante a noite, é comum que o celular faça uma medição geral do quadro (onde 90% do espaço está escuro) e a Lua vire um borrão de luz branca. Para resolver isso é preciso colocar a medição do celular exatamente em cima da Lua. Se for um iPhone, basta colocar o quadradinho sobre o satélite. No Android, é um círculo. Se o seu celular oferecer a opção de posicionar o foco em um ponto infinito, habilite-a. Aplicativos com controles manuais também podem ser utilizados para atingir a medição correta. 
2. Horário
Para que a foto não seja apenas um fundo preto com uma bolinha branca o ideal é fotografá-la antes que o céu esteja totalmente escuro. Um bom horário é o momento do crepúsculo, por volta das 19h, quando o céu ainda está relativamente claro e a Lua já está alta e grande o suficiente para uma boa foto.
Superlua é vista perto da estátua da Liberdade, em Nova York. (Foto: Julio Cortez/AP)
 
3. Enquadramento
As fotos ficam mais interessantes quando vão além da Lua sozinha com o céu de fundo. Tente incluir pessoas, árvores, pássaros ou outros elementos na composição da foto. Se você tiver acesso a algum local alto, como o topo de um prédio, fotografe de lá para ter a cidade na composição com a lua.
4. Configuração
Utilize a maior resolução disponível no aparelho. Se puder escolher também a quantidade da imagem deixe sempre a opção com menor compressão. Apesar dos arquivos ocuparem mais espaço na memória, vale a troca por imagens com mais detalhes e menos ruídos causados pela compressão. Se o seu celular possuir a opção de fazer imagens com HDR, acione-a. A tecnologia aumenta a capacidade do aparelho de capturar luzes com diferentes intensidades.
5. Acessórios
Por cerca de 80 reais é possível comprar um adaptador de lente teleobjetiva para o celular. Essa lente aumenta o poder do ‘zoom’ do aparelho. Como a maioria dos celulares tem uma lente bem aberta, é bastante recomendável utilizar uma dessas para fotografar a Lua.
6. Luminosidade
Reduza a luminosidade para ressaltar os traços da Lua e suas cores. Tanto em iPhone quanto em Android, é só deslizar a bolinha
7. ISO
Se o celular selecionar opções manuais de fotografar, opte por diminuir ao máximo o ISO, que determina a sensibilidade da câmera. A Lua já fornecerá luz intensa o suficiente.
8. Modo contínuo
Diversos celulares permitem que se tirem várias fotos em sequência enquanto se segura o botão de disparo. Esse recurso pode ser utilizado para evitar fotos tremidas.

9. Selfies/Retratos
Selfies não são uma boa ideia pela baixa qualidade da câmera frontal da maioria dos telefones. Já o problema de tirar retratos de pessoas com a Lua ao fundo é a grande diferença de luz entre a pessoa e o satélite da Terra. Para que a pessoa saia bem iluminada, o celular utilizará uma configuração que provavelmente tratará a Lua como uma fonte emissora de luz muito grande. O resultado será desagradável: a Lua vai virar um borrão branco. Uma alternativa é utilizar o flash ou tirar a foto no início da noite, antes de escurecer totalmente.
 

Maior avião do mundo, Antonov vai pousar em Guarulhos nesta segunda-feira

Conheça o Antonov 225, o maior avião do mundo Divulgação/ Antonov Company/
 
Oitenta e quatro metros de comprimento, 88 metros de envergadura (distância entre a ponta das asas) e 175 toneladas (sem carga ou combustível). Inclui 32 rodas, seis motores e a capacidade de carregar o peso equivalente a mais de sete Boeings 737, o mais comum da aviação comercial. Essas são as características do Antonov An-225 Mriya, o maior avião do mundo. Para se ter noção de seu tamanho, ele comportaria, facilmente, mais de 1,5 mil pessoas.
Único exemplar em atividade, o avião vai pousar em São Paulo nesta segunda-feira. Chamado de "colosso dos céus", o gigante pousa em Viracopos, em Campinas, pela manhã e só à noite chega a Guarulhos, na capital paulista, onde será carregado com um transformador de 155 toneladas que vai tirar uma cidade chilena inteira da escuridão. Segundo o aeroporto, esta será a maior carga já transportada na história da aviação brasileira e a segunda no mundo.
Na última vez que esteve pelo país, em 2010, o Antonov trouxe dos Estados Unidos equipamentos para a Petrobras. 
Mas para que é usado um avião tão grande?
O Antonov foi originalmente construído para transportar o Buran, o ônibus espacial soviético que fez apenas um voo (não-tripulado), em 1988. Com seu tamanho, muitos projetistas duvidaram que o avião conseguiria sair do chão. Por isso, foi apelidado de Mirya, que significa "sonho" em russo. 
Voou pela primeira vez no dia 21 de dezembro de 1988, mas começou a operar comercialmente no ano seguinte. Os planos de construir mais unidades foram cancelados pelo fim da União Soviética e o colapso do programa Buran.
A aeronave foi aposentada em 1994, mas voltou a ser usada sete anos mais tarde, passando a atender um mercado restrito de cargas pesadas.
Atualmente, não tem sido usada apenas para fins comerciais e já foi comissionada para operações humanitárias como, por exemplo, o terremoto no Haiti, em 2010, e a tsunami em Fukuoka, no Japão, em 2011.
Capacidade
Com seis turbinas, o An-225 pode carregar até 250 toneladas, uma capacidade de carga muito maior que a de concorrentes como o Boeing 747-800 (140 toneladas) e o Airbus 330 (65).
O único avião a ter maior envergadura de asa que o An-225 é o Hughes H-4 Hercules "Spruce Goose". Entretanto, o Spruce Goose é mais curto, mais leve, nunca voou acima dos vinte e um metros (70 pés) e voou somente uma vez, ao passo que o An-225 já executou centenas de voos.
A grande vantagem da aeronave em relação a navios de carga é que o custo é menor e o tempo de operação, que poderia demorar meses, é bastante encurtado.

Arqueólogos espanhóis descobrem múmia intacta no Egito

Sarcófago contendo a múmia encontrada perto de Luxor
 
Arqueólogos espanhóis descobriram uma múmia faraônica milenar, "em muito bom estado", em uma tumba perto de Luxor, sul do Egito, anunciou neste domingo o Ministério de Antiguidades.
A descoberta aconteceu perto de um templo construído pelo faraó da XVIII dinastia Tutmés III (1479-1425 a.C.) no leste de Luxor, um museu a céu aberto a 700 km do Cairo.
"A múmia, muito bela, coberta por camadas de linho engessadas, está em muito bom estado", segundo o comunicado do ministério.
Ela foi encontrada em um sarcófago de madeira de cores vivas, em uma tumba que poderia ser do Terceiro Período Intermediário (1075 a 664 a.C.) e cujo proprietário seria um homem da nobreza, Amenrenef, que leva o título de "servidor da casa real", segundo o texto.
Luxor, cidade de 500 mil habitantes no sul do Egito, é famosa por seus templos faraônicos às margens do Nilo.
 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A "indústria do açúcar fez campanha dizendo que a gordura é ruim quando na verdade ,o açúcar, é pior



Durante milhões de anos, os humanos e seus ancestrais evoluíram em um ambiente no qual a escassez era a norma. No Pleistoceno, qualquer homínideo que não codo açúcar messe quando tivesse a oportunidade seria visto como doente. No entanto, o desenvolvimento do cérebro e o surgimento da tecnologia acabaram criando um novo ambiente em que muitos dos impecílios que nos ajudaram a sobreviver se transformaram em uma ameaça.
(1971, Columbia Britânica, Canadá), subdiretora de pesquisa do Laboratório John B. Pierce da Universidade de Yale, procura entender como o ambiente moderno, da alimentação à poluição, favorece a obesidade. Na semana passada, participou do  BrainyTcampanhaongue, um encontro entre cientistas e chefs para falar de diversos aspectos da alimentação realizado no Basque Culinary Center em San Sebastián, Espanha. Na reunião, organizada pelo restaurante Mugaritz e pelo Centro de Regulamentação Genômica de Barcelona, falou de como será difícil sair da armadilha em que nosso sucesso como espécie nos colocou.
Pergunta. Somos educados a preferir determinados tipos de comida ou é algo que faz parte de nossa biologia?
Resposta. Ambas as coisas. O sentido do paladar nos permite perceber o doce, o salgado, o amargo, o ácido e o umami. Essas percepções estão ligadas muito estreitamente a um propósito biológico particular que é adaptativo. O doce indica que há uma fonte de energia em um alimento. Precisamos de energia para sobreviver e não queremos que seja necessário aprender a relação entre o doce e a energia porque, se você tiver que aprender isso, é provável que acabe não ingerindo energia suficiente.
Nascemos, e isto acontece com muitas espécies, com uma preferência inata pelo doce. Isso faz sentido porque um animal na natureza precisa comer o máximo de energia que puder. O amargo, pelo contrário, precisa parecer desagradável desde que você é um bebê. E é melhor que não precise aprender pela experiência, porque o amargo pode indicar a presença de um veneno. Se tiver de aprender assim, pode morrer. O paladar está especificamente ligado a um propósito biológico e tem um sentido adaptativo.
O sabor é completamente diferente. Acredito que é fruto de uma evolução mais recente. O sabor aparece a partir de várias sensações, paladar, olfato, tato... que são percebidas em lugares diferentes e unidas pela primeira vez no cérebro. Nesse ponto, quando você identifica o sabor, já está no córtex cerebral, que é uma parte mais evoluída do cérebro. Por exemplo, uma mosca não tem córtex, assim é provável que não tenha uma experiência integrada do sabor.O sabor evoluiu porque oferece uma enorme vantagem, porque te dá flexibilidade. Permite que você aprenda a gostar de fontes de energia disponíveis, para promover seu consumo. Quando você come um morango, que te dá energia e tem um efeito positivo, o intestino manda sinais ao cérebro que te fazem preferir um morango e consumi-lo de novo da próxima vez. No caso oposto, quando um sabor te deixa doente, você passará a evitar aquele alimento específico. Por exemplo, se você passar mal com algo doce, evitará somente esse alimento específico que te fez adoecer em vez de todas as coisas doces. O sabor permite interagir com um objeto que tem um significado particular para você e seu ambiente, enquanto o paladar continua sendo um sinal de energia ou de perigo. Os dois sistemas funcionam juntos, um está integrado, e o outro te permite aprender.
P. Mas nem sempre gostamos de coisas que são boas para nosso corpoR. Esses circuitos evoluíram quando a energia a nossa disposição era escassa. Mais energia era bom. Isso já não é tão positivo quando se está em um ambiente onde existe energia por todos lados.
P. Podemos evoluir para nos adaptar à nova situação ou seremos sempre determinados pelo ambiente em que nossa espécie surgiu?
R. Espero que possamos mudar nosso ambiente em vez de nossa fisiologia. Se o fizermos na outra direção, haverá muita doença e muito sofrimento. A obesidade está relacionada a diabetes, doenças cardiovasculares e também a alzheimer e demência. Acredito que temos de mudar o ambiente.
O antropólogo Richard Wrangham tem uma teoria que diz que cozinhar nos tornou humanos. A chegada do fogo permitiu aos hominídeos antigos metabolizar parcialmente a comida para facilitar a digestão. Tínhamos intestinos grandes para fazer todo esse trabalho metabólico e, quando apareceu o fogo, já não precisávamos mais disso. O desaparecimento de grande parte desse tecido permitiu que o cérebro crescesse mais. Ao modificar o ambiente alimentar de forma dramática desde que passamos a usar o fogo para cozinhar evoluímos, em milhares ou milhões de anos, para uma espécie completamente diferente.
O ambiente alimentar moderno não é exatamente como na época do surgimento do fogo, mas é uma mudança dramática em nossas fontes de energia e nossa fisiologia se adaptou a um algo completamente diferente. Acredito que precisamos nos tornar mais inteligentes quanto à forma de manipular os alimentos para que estejam mais em sintonia com nosso corpo.
P. É possível que nos adaptemos a esse ambiente por meio da engenharia alimentar, criando alimentos que tenham sabor de açúcar ou gordura sem os efeitos prejudiciais para a saúde, por exemplo?
R. Acredito que podemos utilizar a ciência como guia no preparo da comida. Em um mundo ideal voltaríamos a comer alimentos de ingredientes simples, bons e nutritivos. Deixaríamos para trás as comidas processadas. Mas isso não vai acontecer porque há muito dinheiro na indústria alimentícia. Podemos fazer produtos muito mais inteligentes com ajuda da ciência. Por exemplo, há muitas questões em torno da introdução de adoçantes artificiais. Originalmente fizemos isso porque queríamos evitar a obesidade e o diabetes criando uma molécula que não tem energia e nos dá o sabor. Mas há muitas provas de que isso está tendo efeitos indesejados. O doce significa energia, mas de repente o doce não significa energia. O que isso acarreta? Quando você sente o doce, há uma série de respostas como a salivação. E é aí que começa o metabolismo, que libera insulina, que ajuda a assimilar a energia. Essa é a resposta condicionada. No condicionamento, se você receber continuamente um sinal sem a recompensa, o sinal deixa de ser um bom indicador e sua capacidade de gerar uma resposta condicionada se reduz. Isso, como vimos em cobaias, produz problemas metabólicos.
P. Como se pode enfrentar esse problema então?
R. É muito difícil e acredito que exigirá o trabalho conjunto dos governos, da indústria e da comunidade científica. Infelizmente, a única forma de fazê-lo é com pressão econômica. Temos de inventar alguma maneira de fazer comida processada mais saudável que permita continuar dando lucros à indústria. É a única forma de conseguir o apoio da indústria e a indústria alimentícia nos Estados Unidos, por exemplo, tem um imenso poder de lobby para fixar as políticas alimentares. Um exemplo clássico é a indústria do açúcar, quando fez campanha dizendo que a gordura é ruim. Mas na realidade o açúcar tem efeitos mais perniciosos que a gordura. Eles mudaram toda a dieta norte-americana para reduzir a gordura, aumentar os carboidratos e colocar seu açúcar no mercado.
P. Já existe esse tipo de colaboração?
R. Tentei, mas é muito difícil. Tentei com a Pepsi. Eles me financiaram e foi uma boa relação. A diretora geral da Pepsi, Indra Nooyi, é uma visionária, teve uma grande ideia, queria fazer alimentos saudáveis justamente por esse motivo. Sabia que esse era o caminho e queria estar à frente dessa transformação. Sua motivação era o lucro, mas podia ser aceitável para os cientistas. Ela contratou como diretor científico um endocrino da Clínica Mayo e como assessor outra pessoa que tinha estado na OMS e no departamento de saúde pública de Yale.
Eram duas pessoas estavam muito motivadas pela saúde, eu fiz parte dessa iniciativa, me deram dinheiro, fiz pesquisas e funcionou muito bem, até que tivemos resultados que indicavam que seus produtos podiam estar fazendo mal. Nesse ponto, eles queriam poder negar conhecimento, porque poderiam ser processados, mas ao mesmo tempo queriam desenvolver alimentos mais saudáveis. Era um ponto complicado para a empresa. Deixaram de me financiar na semana seguinte e confiscaram os computadores dos cientistas que trabalhavam no projeto.
Não que Nooyi quisesse deter a investigação, mas estava perdendo fatia de mercado e seus acionistas queriam mais dinheiro e não estava funcionando rápido o bastante. Agora continuam trabalhando na pesquisa, mas em menor medida. Isto mostra por que esse tipo de trabalho é tão difícil e a razão pela qual também é preciso o envolvimento do governo. É necessário proteger esse tipo de colaboração para que as pessoas possam cooperar honestamente, sem precisar se preocupar com segredos comerciais ou processos.
P. Há muito esforço por parte da indústria para tentar influenciar as provas científicas?
R. Acredito que é necessário criar um novo modelo de colaboração entre cientistas e empresas. O modelo atual deixa os cientistas dependentes dessa fonte de renda. Não porque sejam más pessoas, mas porque precisam financiar seu pesquisador de pós-doutorado, que acaba de ter um filho. Então são tendenciosos, é claro.
 

Aves marinhas engolem plásticos atraídas por seu odor

 
Uma das maiores perguntas sobre a poluição por plásticos dos oceanos é por que os animais comem esses resíduos. Até agora, a resposta mais aceita era que confundem visualmente com comida. Mas é difícil explicar como espécies adaptadas a seus ambientes durante milhares de anos de evolução podem se enganar com algo tão básico como o alimento.
Um novo estudo publicado hoje oferece uma resposta um pouco mais complexa, pois demonstra que os plásticos cheiram exatamente como a comida de que se alimentam as aves marinhas. O trabalho se concentrou no grupo das procelariformes, que inclui albatrozes, petréis e pardelas. Essas espécies têm um olfato afiado para que o dimetilsulfureto (DMS), um composto bioquímico que segrega o fitoplâncton em decomposição e que lhes indica o ponto em que há alimento. O composto é um dos principais responsáveis pelo cheiro de mar e tem um papel chave no clima.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis (EUA) demonstrou que, depois de menos de um mês flutuando em águas marinhas, os plásticos mais comuns começam a emitir dimetilsulfureto. Também demonstrou que esse composto está diretamente relacionado à ingestão de plástico por parte das aves marinhas. Seu estudo, publicado na revista Science Advances mostra que as espécies analisadas são cinco vezes mais propensas a engolir plástico do que outras que não conseguem cheirar o DMS.
El País.com

Dois grandes objetos metálicos "com inscrições em chinês" caem do céu em Mianmar

 
Um grande objeto de metal caiu do céu em uma área de mineração no norte de Mianmar, informou a imprensa local na sexta-feira. Os restos, de forma cilíndrica, foram encontrados na quinta-feira no Estado de Kachin. Medem 4,5 metros de comprimento por 1,2 metros de largura e caíram num terreno de propriedade da companhia de mineração de jade na aldeia de Hpakant, segundo o jornal Global New Light of Myanmar. Outra peça menor de metal e com uma inscrição em chinês caiu ao mesmo tempo sobre o telhado de uma casa num vilarejo próximo.
Não há menção a feridos. “Supõe-se que os objetos metálicos façam parte de um satélite, de um avião ou de um míssil”, disse o jornal, que informa que as autoridades ainda estão tentando confirmar sua origem. As imagens que circulam nas redes sociais mostram o que parece ser parte do equipamento tecnológico e do cabeamento que existe no interior do grande cilindro.
Moradores da área dizem ter ouvido uma forte explosão antes da queda dos pedaços de metal, que depois quicaram cerca de 50 metros adiante, em uma área de mineração, até acabarem em uma área lamacenta.
Não há menção a feridos. “Supõe-se que os objetos metálicos façam parte de um satélite, de um avião ou de um míssil”, disse o jornal, que informa que as autoridades ainda estão tentando confirmar sua origem. As imagens que circulam nas redes sociais mostram o que parece ser parte do equipamento tecnológico e do cabeamento que existe no interior do grande cilindro.
Moradores da área dizem ter ouvido uma forte explosão antes da queda dos pedaços de metal, que depois quicaram cerca de 50 metros adiante, em uma área de mineração, até acabarem em uma área lamacenta.
El País.com

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Poluiçaõ do ar e sonora podem elevar risco de hipertensão

Nova Delhi, na Índia, amanheceu nesta segunda-feira (31) com espessa camada de poluição (Foto: Money Sharma / AFP)
 
A exposição de longo prazo à poluição do ar urbano aumenta de forma crescente o risco de hipertensão arterial, de acordo com um estudo divulgado na terça-feira feito com mais de 41 mil moradores de cidades europeias.
A poluição sonora constante - especialmente do trânsito - também aumenta a probabilidade de hipertensão, disseram pesquisadores na revista médica European Heart Journal.
A hipertensão arterial é o principal fator de risco para doenças e mortes prematuras.
O estudo revelou que um adulto a mais por grupo de 100 pessoas desenvolveu hipertensão arterial nas partes mais poluídas das cidades em comparação com os bairros de ar mais puro.
O risco é semelhante ao de estar clinicamente acima do peso com um índice de massa corporal (IMC) de 25-30, disseram os pesquisadores.
Para realizar o estudo, 33 especialistas liderados por Barbara Hoffmann, professora na Universidade Heinrich Heine de Dusseldorf, na Alemanha, monitorou 41.071 pessoas na Noruega, Suécia, Dinamarca, Alemanha e Espanha por cinco a nove anos.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores examinaram anualmente a qualidade do ar em cada localidade durante três períodos de duas semanas entre 2008 e 2011, medindo as diferentes quantidades de material particulado.
Cada incremento de cinco microgramas - ou milionésimos de um grama - da menor dessas partículas aumentou em 20% o risco de hipertensão para as pessoas que vivem nas áreas mais poluídas, em comparação com os que moram nos locais menos poluídos.
Nenhum dos participantes tinha hipertensão quando ingressou no estudo, mas durante o período de acompanhamento, 6.207 pessoas (15%) relataram ter desenvolvido a doença ou que começaram a tomar medicamentos para baixar a pressão arterial.
Poluição sonora
Em relação à poluição sonora, os pesquisadores descobriram que as pessoas que vivem em ruas movimentadas com tráfego noturno barulhento tinham, em média, um risco 6% maior de desenvolver hipertensão em comparação moradores de áreas onde os níveis de ruído eram pelo menos 20% mais baixos.
"Nossos resultados mostram que a exposição a longo prazo à poluição ambiental particulada está associada a uma maior incidência de hipertensão auto-declarada", disse Hoffmann em um comunicado.
Mesmo quando o barulho foi excluído, o impacto da poluição do ar sobre a pressão arterial permaneceu, acrescentou.
 
"A legislação atual não protege a população europeia adequadamente contra os efeitos nocivos da poluição do ar", concluíram os pesquisadores.
Os níveis de poluição eram maiores na Espanha e na Alemanha do que nos países nórdicos, observou Hoffmann.
Acredita-se que a poluição do ar afete o coração e os vasos sanguíneos ao causar inflamação, um acúmulo de radicais livres - conhecido como estresse oxidativo -, e um desequilíbrio no sistema nervoso.
Já a poluição sonora afetaria o funcionamento dos sistemas nervoso e hormonal, segundo os cientistas.