segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Vale usar o calor do verão para lembrar do aquecimento global?

 
Dados preliminares da Nasa (agência espacial americana) e da Noaa (agência de oceanos e atmosfera) mostram que 2016 vai bater o terceiro recorde seguido de calor na Terra. O ano passará os recordes de 2015 e 2014. As agências divulgarão essas informações no dia 18 de janeiro, dois dias antes da posse de Donald Trump.
 
 
Entrevista realizada pela revista Época:
O aquecimento acelerado do planeta é visto de forma mais eloquente nos polos. O derretimento do Ártico e o de partes da Antártica são dois dramas independentes. E não afetam só a vida dos ursos-polares e pinguins (respectivamente) mas impactam todos nós, inclusive aqui nos trópicos. É o que explica o jornalista Claudio Angelo, autor do livro O espiral da morte, coordenador de comunicação do Observatório do Clima, organização dedicada à divulgação do aquecimento global.
ÉPOCA – Seu livro explica as transformações nos polos e os possíveis impactos para o resto do mundo. Como aproximar o que está acontecendo em lugares tão distantes com consequências para o dia a dia dos brasileiros?
Claudio Angelo – O efeito mais óbvio da mudança climática nos polos sobre o brasileiro é o aumento do nível do mar. Você pode não ter a menor ideia das razões pelas quais a Groenlândia está derretendo ou por que o degelo dos glaciares do Mar de Amundsen é irreversível. Mas todo mundo viu no ano passado na ciclovia da Avenida Niemeyer, no Rio de Janeiro, o que acontece quando uma ressaca forte encontra uma engenharia vagabunda. Todo mundo viu a Avenida Atlântica coberta de areia pela ressaca de primavera no Rio em 2016. Em Santos foram duas ressacas assustadoras em 2016. O degelo polar multiplica o efeito dessas tormentas ao aumentar o nível do oceano. Não precisa subir 1 metro no mundo todo; com menos de metade disso no meio do século já seremos forçados a repensar toda a ocupação da costa. De fato, já precisamos fazer isso hoje, porque as ressacas violentas provavelmente já estão mais frequentes. Mas há efeitos menos óbvios de mudanças ambientais nos polos. Por exemplo, a inflação de alimentos de 2010/2011, na qual o preço do trigo subiu no mundo todo, pode ter tido um dedo do degelo do Ártico, que vem alterando os ventos ao redor do Polo Norte e favorecendo padrões de tempo como os que causaram os trágicos incêndios na Rússia em 2010, que arrebentaram a safra daquele ano. E a seca de 2004 e 2005 no sul do país, que causou perda de 80% da safra de soja do Rio Grande do Sul, tem uma correlação forte com alterações nas massas de ar da Antártica, que regem o tempo no sul do país e que têm se alterado por causa do aquecimento global e do buraco na camada de ozônio. Então, num sentido bem real, o que acontece nos polos afeta o seu bolso e a sua mesa.
Ainda se usa muito a imagem do pobre urso-polar para mostrar os impactos das mudanças climáticas. Essa imagem ainda tem efeito? Não parece muito desconectada das preocupações imediatas dos brasileiros?Angelo – Falo dos ursos no livro porque eles foram involuntariamente promovidos a garotos-propaganda da causa das mudanças climáticas, em torno de percepções extremas: de que estariam irremediavelmente condenados, por um lado, ou, por outro, de que a real ameaça a eles é a caça, que é praticada de forma legal em todo o Ártico [os groenlandeses com quem conversei juram que a carne é uma delícia]. Na verdade, ninguém sabe direito qual é o status da maioria das populações de urso-polar, embora algumas estejam declinando. Mas há consenso entre os especialistas de que o aquecimento global é, de muito longe, a maior ameaça à espécie, já que o hábitat dela, o gelo marinho, está sendo destruído. Tentei trazer algum bom-senso a essa discussão. É verdade que os ursos-polares estão desconectados das preocupações imediatas dos brasileiros, mas se partíssemos dessa premissa conservaríamos apenas as abelhas e os morcegos, que têm zero carisma, mas impactam diretamente a produção de alimentos pelos serviços de polinização que prestam. Acho que existe um imperativo ético muito forte na proteção de espécies-bandeira, como a onça, o panda, a baleia e o urso-polar. A maioria dessas espécies está aqui há mais tempo que nós. O urso-polar, por exemplo, tem pelo menos 4 milhões de anos de evolução [o Homo sapiens tem 200 mil] e sobreviveu a pelo menos um evento de extinção em massa no passado. Que direito nós temos de decretar o fim dessa espécie? A outra questão, ora, é que não são apenas os ursos. O risco de extinção de espécies no mundo salta de 3% para 16% com um aquecimento de 4 graus célsius. Isso significa que uma em cada seis espécies estaria sob ameaça pelo aquecimento da Terra. Por ser tropical e megadiversa, a América do Sul é o continente mais afetado, com quase um quarto das espécies sob ameaça. Inclusive as abelhas, que põem comida em nossa mesa e que já estão sumindo de várias regiões do mundo. Então, eu diria que, mesmo que você esteja se lixando para o urso-polar, ainda deveria estar preocupado com os efeitos da mudança do clima sobre os ecossistemas, porque uma das vítimas no fim é você mesmo.
Como podemos usar o calor do verão para potencializar as preocupações com o aquecimento global?Angelo – Com um tanto de criatividade e outro tanto de coragem para driblar a questão da atribuição, que é sempre espinhosa. Nós sabemos que faz calor todo ano no verão – Nelson Pereira dos Santos lançou Rio, 40 graus em 1955, 20 anos antes de a expressão “aquecimento global” aparecer pela primeira vez na literatura científica. Também sentimos instintivamente que alguns verões estão mais quentes do que costumavam ser. Mas, se você for perguntar a um cientista, ele dificilmente dirá que o aquecimento global é a causa desses verões mais quentes. Provavelmente vai lhe empurrar algum floreado estatístico dizendo que a “tendência” no “futuro” é um “aumento da probabilidade” de verões mais quentes. E terá boas razões para isso, já que cientistas precisam mesmo ser cautelosos e é muito difícil atribuir eventos individuais à mudança do clima [embora isso venha sendo feito com cada vez mais frequência]. Mas talvez seja hora de a comunicação pública arrebentar a porta desse armário. Por uma razão simples: hoje, tudo o que acontece com a meteorologia no planeta tem relação com o aquecimento global, porque o mundo está mais de 1 grau célsius mais quente do que estava em 1750. Não dá mais para tirar o aquecimento da Terra da equação. E nós sabemos que um dos efeitos do aquecimento da Terra é amplificar extremos de calor – mas também de frio, seca e chuva. E não é só o calor: há também os insetos e as doenças. No fim do ano passado, saiu um estudo mostrando como o El Niño foi determinante para a epidemia de zika na América do Sul em 2015. As pessoas precisam entender que o verão agora é assim. O que era exceção virou regra. Precisamos entender essa nova realidade como algo permanente e nos adaptar a ela.
Janeiro é o mês em que os brasileiros lotam as praias. Eles sabem o risco que essas praias correm num cenário de elevação do nível dos mares?Angelo – Duvido que saibam. A menos que você seja um turista que passe anos voltando todo ano à mesma praia, dificilmente perceberá mudanças, por exemplo, na extensão da faixa de areia. O “timing” das férias também é infeliz, porque as ressacas são mais frequentes justamente no inverno. A elevação do nível do mar é um tema complicado, porque é um fenômeno insidioso, de início muito lento, sobre o qual há uma enorme incerteza e que no curto prazo só mostra seus piores efeitos durante marés altas ou tempestades.
Podemos usar a praia para gerar interesse pelo tema das mudanças climáticas?Angelo – Sim. As pessoas se conectam com aquilo que está em sua experiência imediata. Sei que não tenho muita moral para falar sobre experiência imediata, tendo escrito um livro sobre os polos [rsrs]. Mas a praia, e tudo o que a cerca, é um bom exemplo de um ativo que pode se perder se não fizermos nada. Uma amiga minha, especialista em adaptação à mudança climática, escreveu um texto belíssimo no ano passado sobre como ela se sentiu ao chegar para treinar vôlei de praia de manhã no Rio depois da ressaca de outubro e descobrir que não havia campo: a água estava na altura das redes. Esse é o tipo de comunicação que falta.
O ano de 2016 bateu recordes de calor (nenhum outro ano teve tantos meses recordistas) e pode mais uma vez ser o mais quente da história. Essa sucessão de recordes ainda comove as pessoas?Angelo – Acho que uma sucessão de recordes climáticos que aparecem quase como uma lista de lavanderia em páginas da internet não comove ninguém, mesmo. Ninguém sabe onde é Fort McMurray, a cidade no Canadá que precisou ser evacuada por causa de um incêndio florestal fora de época. Ninguém sabe direito onde é Fiji, que teve o pior tufão de sua história no ano passado.  A questão é que, cada vez mais, extremos climáticos estão batendo à porta das pessoas. Em Brasília, onde eu moro, em 2015 vi pela primeira vez em 40 anos termômetros de rua marcar 42 graus, durante uma onda de calor que durou mais de um mês e meio em plena primavera e produziu, na mesma semana, as duas temperaturas mais altas já medidas aqui. Tive de comprar um aparelho de ar-condicionado. As temperaturas à noite frequentemente ficam acima de 20 graus, mesmo no verão, que é estação de chuvas. O número de noites quentes decuplicou na cidade entre 1961 e 2015, segundo medições feitas pelo Inmet, que analisou toda a série histórica do DF. Em 2016, entramos em racionamento de água devido à estiagem prolongada – e Brasília está na caixa-d’água do país, sentada no divisor de águas das bacias do Paraná e do São Francisco. Acho que a ficha está caindo para muita gente nos últimos anos. Mas talvez esteja caindo tarde demais.
Qual é a maior dificuldade para explicar a ciência do aquecimento?Angelo – São duas. A primeira, de fundo, tem a ver com a natureza humana: é explicar a própria existência do risco. Nosso cérebro é muito bom em lidar com riscos e ganhos imediatos – fugir do leão agora, ingerir calorias agora. Mas, quando se trata de avaliar riscos de longo prazo, nossa racionalidade simplesmente colapsa. Não evoluímos para isso. Como você diz a uma espécie que passou 200 mil anos de evolução vivendo em restrição calórica constante que essa gordura maravilhosa da picanha que agora ela consome quando lhe dá na telha, sem precisar disputar com as hienas, vai matá-la de infarto daqui a 20 ou 30 anos? A ciência climática nos traz uma dificuldade adicional, que é confrontar-nos com riscos que frequentemente ocorrem além do nosso tempo de vida, como os piores impactos do degelo da Antártica. E que não são riscos diretos para o indivíduo ou sua família próxima, mas em vez disso afetam essa construção cultural recentíssima na história humana chamada “sociedade”. 
 De quem é a culpa?Angelo – Gostaria de poder dizer que a culpa é do baixo nível de escolaridade e alfabetização científica dos brasileiros ou que nós, comunicadores de ciência brasileiros, não estamos fazendo nosso trabalho tão bem quanto deveríamos. Mas o problema é universal. Em fevereiro passado, o IPCC organizou uma reunião em Oslo [onde, muito a propósito, não havia um milímetro de neve no mês mais frio do ano] para discutir a comunicação do painel, que vem falhando. Uma das conclusões mais chocantes, apresentada lá por um cientista português, foi que os sumários executivos dos relatórios do IPCC, que em tese deveriam orientar os tomadores de decisão, estão cada vez menos compreensíveis ao longo do tempo. O que é, evidentemente, uma desgraça, porque as evidências do papel da humanidade no clima estão cada vez mais sólidas.
Como convencer alguém a agir diante de uma ameaça que se concretiza não amanhã ou no mês que vem mas numa escala de tempo de décadas?Angelo – De duas formas: pelo amor e pela dor. Primeiro, é preciso criar na sociedade uma cultura de ação climática – de adaptação aos efeitos do clima e de combate às emissões. Digo “cultura” no sentido mais amplo, em oposição a “natureza”. Isso deve ser um esforço educacional de toda a sociedade, porque estamos agindo contra a força mais poderosa da humanidade: nosso instinto. Sam Harris, neurocientista americano, disse que, se deixássemos tudo a cargo de nossos instintos, começaríamos todos os dias comendo uma caixa de donuts açucarados e terminaríamos todas as noites com um caso extraconjugal. Domamos a nossa natureza para poder viver em sociedade e temos conseguido vitórias importantes em direitos humanos. Não há razão para pensar que não possamos fazer o mesmo com a ação climática. A imprensa, ou o que sobrou dela, tem um papel importantíssimo nesse esforço. Mas precisa perder o medo de comunicar mudança do clima. Com o perdão do mimimi, existe uma clivagem maluca nas redações, onde jornalistas que denunciam ameaças aos direitos humanos ganham prêmios, enquanto jornalistas que denunciam ameaças à estabilidade climática são tachados de “militantes”. A cobertura de clima precisa ser plural, precisa buscar o equilíbrio e comunicar claramente as incertezas – algo que eu espero ter feito em A espiral da morte. Mas isso não equivale a dar espaço igual ao ponto de vista de negacionistas, que via de regra está simplesmente errado. Muitos chefes de redação ainda não entenderam essa diferença e insistem numa objetividade ingênua de tratar isso como uma questão de “outro lado”. A outra forma é algo que a natureza já está se encarregando de fazer: mostrar que uma parte importante da ameaça já se concretizou.
Mudança climática não é mais um abacaxi para nossos bisnetos descascarem; é algo que afeta grande parte da humanidade hoje. A Sociedade Meteorológica Americana analisou 79 eventos extremos climáticos entre 2011 e 2015 e concluiu que mais de metade deles não ocorreria na ausência de aquecimento global, inclusive a seca na Amazônia de 2014-2015. Estamos em pleno novo normal.

Como será o prédio de 5 mil quilômetros de altura que combate a poluição

Arranha-céu - Arconic
 
Como serão os prédios do futuro? A empresa americana de engenharia e tecnologia Arconic prevê que, em 45 anos, eles serão feitos de materiais fabricados com impressoras 3D, terão vidros retráteis que se transformam em varandas e serão capazes de retirar poluição da atmosfera. Parece um pouco distante, mas não é: um dos planos da companhia é utilizar essas tecnologias, que já estão em desenvolvimento, para construir um arranha-céu de cinco quilômetros de altura – mais de cinco vezes maior que o prédio mais alto do mundo, o Burj Khalifa, em Dubai, que tem 828 metros de altura e 163 andares O edifício faz parte do projeto The Jetsons, criado pela companhia para tentar adivinhar algumas das tecnologias que estarão disponíveis em 2062. O plano foi inspirado pela série de animação de mesmo nome, lançada em 1962, que mostra como seria a vida da família Jetson cem anos no futuro.
Segundo os desenvolvedores do projeto, dentre as tecnologias que serão usadas para construir o edifício gigante está um material chamado EcoClean. Lançado em 2011, ele corresponde a uma cobertura especial que faz com que as superfícies do prédio se limpem sozinhas e purifiquem o ar ao seu redor, fornecendo uma série de vantagens.
“A cobertura funcional oferece estética, benefícios de manutenção e também benefícios ao ambiente ao redor por reduzir o conteúdo de poluentes em volta dela”, afirma Sherri McCleary, cientista de materiais na Arconic, em entrevista para o Business Insider.
O EcoClean funciona com a ajuda da luz e vapor d’água, que se misturam aos componentes da cobertura e formam moléculas conhecidas como radicais livres – moléculas instáveis que apresentam um elétron e reagem facilmente, podendo oxidar. Esses componentes absorvem poluentes presentes na atmosfera e fazem a cobertura descascar, eliminando-os junto a sujeira e fuligem.

Janelas que viram sacadas

Além disso, o arranha-céu também terá janelas motorizadas, um design chamado de Bloomframe. Segundo os desenvolvedores, essas estruturas conseguem se transformar em sacadas de vidro em menos de um minuto.
Algumas das outras previsões feitas pela empresa incluem carros voadores, automóveis ultraleves e aeronaves inspiradas na aerodinâmica da natureza. Tudo isso construído com materiais fabricados em impressoras 3D.

Arranha-céu - Arconic

sábado, 14 de janeiro de 2017

Descoberto que mensagens do WhatsApp podem ser lidas



Foi sem dúvida uma das medidas mais importantes adotadas pelo WhatsApp: incorporar um sistema de criptografia que tornava completamente inacessível o conteúdo de uma conversa, a não ser para os interlocutores. Mediante este sistema o emissor gera — de modo totalmente automatizado — chaves que chegam ao destinatário, e somente ele pode decifrá-las. Esta criptografia garantia a absoluta privacidade das conversas, mas uma investigação revelada por The Guardian descobriu um buraco neste sistema que permitiria ter acesso ao conteúdo das mensagens.
No Perguntas e Respostas do WhatsApp podemos ler: “A codificação de um extremo ao outro no WhatsApp garante que somente você e o receptor podem ler o que é enviado e que ninguém mais, nem sequer o WhatsApp, pode fazer isso. Uma explicação taxativa e que não dá margem a dúvidas, mas que agora foi derrubada graças a um estudo realizado pela Universidade da Califórnia. O principal responsável, o especialista em segurança Tobias Boelter, descobriu uma porta detrás (backdoor) mediante a qual o sistema poderia mudar essas chaves temporais e designar novas que permitiram ter acesso ao conteúdo.
Isto é possível quando o destinatário não está conectado e a mensagem fica armazenada nos servidores do WhatsApp esperando ser enviada. Neste processo, o sistema poderia gerar novas chaves e ter acesso ao conteúdo da mensagem. É verdade que este processo teria de ser feito com cada uma das mensagens enviadas, mas também é certo que, se se repete, pode ser possível transcrever uma conversa completa. Isto quer dizer que nossas mensagem podem ser acessadas por hackers? Não, a codificação continua garantindo um padrão de segurança elevado, mas o problema reside em que o WhatsApp poderia decifrar a mensagem atendendo a um pedido das autoridades.
O que diz o WhatsApp a respeito? EL PAÍS não conseguiu uma resposta da empresa, mas um porta-voz nem confirmou nem desmentiu esta possibilidade extrema a The Guardian, referindo-se à lista de pedidos de acesso feitas pelas autoridades de cada país.

A solução

O usuário pode pôr limites de alguma maneira a esta possibilidade: para isso é necessário, no aplicativo no celular, acessar Configuração/Conta/Segurança e aí ativar a aba “Mostrar notificações de segurança”.
Ativando esta opção o usuário será alertado sobre uma possível mudança de chaves na conversa (que pode acontecer também quando o destinatário muda de celular). Esta medida não impede que o WhatsApp possa decifrar uma mensagem dada, mas alertará o usuário sobre a alteração de chaves e ele poderá optar por deixar de escrever mensagens que poderiam ser potencialmente lidas.
 El País.com

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Space X fará o lançamento do foguete Falcon 9 neste sábado

Lançamento da cápsula Dragon a bordo do foguete Falcon 9, da empresa americana SpaceX, no dia 8 de dezembro de 2010 
 
O foguete Falcon 9, da empresa SpaceX, deve decolar neste sábado da base da Força Aérea de Vanderberg, na Califórnia, carregado de dez pequenos satélites de comunicação. Será o primeiro lançamento da empresa do bilionário Elon Musk desde a explosão de setembro, que destruiu o foguete Falcon 9 e o satélite de comunicações do Facebook, Amos-6, durante testes na plataforma de lançamentos em Cabo Canaveral, na Flórida.
O lançamento previsto para o fim de semana será feito com equipamentos da empresa Iridium, que pretende substituir seus satélites antigos, colocados no espaço a partir de 1997. Eles fazem parte de um conjunto de 66 novos satélites da empresa, que foram projetados na França e construídos nos Estados Unidos, a um custo de 3 bilhões de dólares. No total, seis lançamentos da SpaceX com os satélites estão previstos ao longo do ano.
O envio do foguete Falcon 9 ao espaço, neste sábado, será um teste para SpaceX, que deve mostrar ao público que os engenheiros da companhia compreenderam as falhas que levaram ao incêndio de setembro e conseguiram corrigi-las. O sucesso do lançamento é crucial para a empresa, que pretende lançar voos tripulados ao espaço a bordo do Falcon 9 até maio deste ano. O desafio da SpaceX é colocar no espaço foguetes reutilizáveis com segurança, sem quaisquer riscos à vida humana, um feito que pretende baratear as viagens espaciais e democratizar o acesso ao espaço.
Segundo as investigações a respeito da acidente, feitas pela empresa em conjunto com a Nasa e a força aérea americana, um problema no tanque de hélio do foguete foi, possivelmente, a razão para o incêndio. O lançamento previsto para este fim de semana havia sido inicialmente marcado para 9 de janeiro,  mas foi adiado devido ao mau tempo.

Explosão do foguete Falcon 9

Em 1º de setembro, a SpaceX estava realizando testes nos motores do foguete Falcon 9 na plataforma de lançamento em Cabo Canaveral, na Flórida. As avaliações pretendiam verificar se o equipamento estava preparado para enviar o satélite de comunicação Amos-6 ao espaço, que seria o primeiro satélite de comunicações do Facebook, parte do programa Internet.org que pretendia levar internet a regiões pobres do planeta. Na ocasião, uma falha ocorreu e uma grande explosão incendiou o foguete, que custa 62 milhões de dólares, e o satélite, de 200 milhões de dólares, além de danificar partes da plataforma de lançamento.
Veja.com

Astronautas concluem trabalhos de melhoria na Estação Espacial Internacional


Dois astronautas da Nasa finalizaram com sucesso nesta sexta-feira 13, uma caminhada espacial de seis horas durante a qual efetuaram obras de melhoria na Estação Espacial Internacional (ISS).
De acordo com a agência espacial americana, o comandante da Expedição 50, Shane Kimbrough, e o engenheiro de voo, Thomas Pesquet concluíram às 17h20 GMT (15h20 de Brasília) a caminhada na qual instalaram três novas placas adaptadoras.
Transmitida ao vivo através de sites da Nasa, durante sua missão os astronautas realizaram também conexões elétricas para três das seis novas baterias de íons de lítio que a estação abriga.
As novas placas adaptadoras e baterias de íons de lítio substituem às baterias de níquel e hidrogênio que atualmente são utilizadas na estação para armazenar a energia elétrica gerada pelos painéis solares da ISS.
O trabalho robótico para atualizar as baterias começou na primeira semana de janeiro e hoje se efetuou a segunda das duas caminhadas espaciais para finalizar a instalação, explicou a agência espacial americana.
As baterias adicionais serão substituídas nos próximos dois anos como parte desta atualização dos sistemas de energia.
Está foi a segunda caminhada espacial em uma semana para Kimbrough, e a quarta de sua carreira, enquanto foi a primeira para Pesquet na remodelação de dois dos oito canais da estação.
No total, os membros da tripulação da Estação Espacial Internacional realizaram 197 caminhadas espaciais para trabalhar na montagem e manutenção do laboratório em órbita, e passaram um total de 51 dias, seis horas e quatro minutos trabalhando fora da estação.
 
 
 Resultado de imagem para fotos dos astronautas da estação espacial internacional precisam realizar missões

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Após quase 2 séculos, cientistas solucionam mistério de criatura estranha que viveu há 500 milhões de anos

Um estranho animal que viveu no fundo do oceano há 500 milhões de anos finalmente achou seu lugar entre as espécies, resolvendo um mistério de longa data.
 
Hyolith
 
A criatura tem escapado à classificação científica desde a descoberta, há 175 anos, do primeiro fóssil.
O hyolitha, como foi chamado, tem uma concha em forma de cone, tentáculos para alimentação e apêndices que agiam como "pés". Várias publicações disseram que ele parece "um sorvete com tentáculos".
Pertence a um grupo de invertebrados que inclui animais como os do filo phoronida, metazoários encontrados no mar, dizem os cientistas.
Joseph Moysiuk, da Universidade de Toronto, fez a descoberta após analisar mais de 1.500 espécimes escavados de rochas no Canadá e nos EUA.
"Os hyolithas são pequenos animais em forma de cone que habitam os mares, conhecidos de todo o mundo, principalmente pelos fósseis de suas conchas", disse.
"Eles aparecem no registro fóssil cerca de 530 milhões de anos atrás e sobreviveram até cerca de 250 milhões de anos atrás.
"Mas a questão sobre onde os hyolithas cabem realmente na árvore da vida foi um mistério nos últimos 175 anos, desde que foram descritos primeiramente."
A pesquisa, publicada na revista Nature, analisou os tecidos moles preservados em "fósseis muito especiais" de um local no Canadá conhecido como Burgess Shale.
No passado, os hyolithas foram ligados ao filo dos moluscos, que são comuns hoje e incluem as lulas e os caracóis.
A nova pesquisa sugere que os animais estão, de fato, mais intimamente relacionados a um grupo diferente de organismos portadores de conchas, conhecidos como lophophorata, que inclui os braquiópodes (conchas em formato de lâmpada), entre outros.
cientistas

Mares antigos

Hyolithas estavam presentes desde o início do período Cambriano, há cerca de 540 milhões de anos, durante uma rápida explosão de evolução que deu origem à maioria dos principais grupos de animais.
"Podendo colocá-los na árvore da vida, se resolve esse longo mistério paleontológico sobre o que são essas criaturas", disse Joseph Moysiuk.
"Nós pudemos descobrir algumas características novas de um grupo muito velho de animais fósseis, e isso permitiu-nos revelar a história evolutiva deste grupo de animais e onde exatamente eles ficam na árvore da vida."
Martin Smith, da Universidade de Durham, no Reino Unido, também trabalhou nos fósseis.
Ele disse que, ao colocar os hyolithas em sua casa legítima, compreendendo como eles viveram, os cientistas agora têm uma melhor imagem da vida nos mares antigos.
Isto dá uma visão sobre o impacto de eventos de extinção em massa, como a extinção em massa do Permiano-Triássico, que aniquilou a maior parte da vida animal, incluindo os hyolithas.
"Compreendendo os efeitos de tais extinções em massa na ecologia e na diversidade é particularmente importante à medida que procuramos avaliar e mitigar as implicações do atual evento de extinção em massa provocado pela atividade humana", disse Smith.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Espécie de morcego começa a se alimentar de sangue humano no Brasil, segundo uma pesquisa

Uma espécie de morcegos encontrada no Brasil, até então conhecida por consumir exclusivamente sangue de aves, está se alimentando agora de sangue humano.
 
Morcego-vampiro-de-perna-peluda
A revelação está em uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros e publicada em novembro na revista científica Acta Chiropterologica, a mais importante publicação do mundo voltada à pesquisa de morcegos.
O estudo analisou 70 amostras de fezes da espécie Diphylla ecaudata, popularmente conhecida como morcego-vampiro-de-pernas-peludas.
Os cientistas conseguiram extrair o DNA de 15 delas - e em três descobriram vestígios de sangue humano, explica Enrico Bernard, professor do Departamento de Zoologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e responsável pela pesquisa.
 
O estudo foi conduzido no Parque Nacional do Catimbau, na região de caatinga de Pernambuco, a cerca de 300 km do Recife.
"Das três espécies de morcegos-vampiros que conhecemos, sabíamos que apenas uma delas se alimentava de sangue humano", conta Bernard, em entrevista à BBC Brasil.
"Mas nosso estudo mostrou agora que outra espécie, o morcego-vampiro-de-pernas-peludas, que só se alimentava do sangue de aves, também passou a consumir sangue humano", acrescenta o especialista.
Bernard explica que, diferentemente do sangue de aves, rico em gordura, o dos mamíferos é mais espesso e rico em proteína.
"Sabíamos que essa espécie (morcego-vampiro-de-pernas-peludas) tinha uma adaptação fisiológica para digerir apenas o sangue de aves. Mas isso parece estar mudando, já que ela passou a se alimentar de sangue humano", afirma.

Causas

Na avaliação de Bernard, considerando que o morcego-vampiro-de-pernas-peludas tem fisiologicamente menos tolerância ao sangue de mamíferos, os novos hábitos alimentares da espécie "reforçam um cenário de escassez de presas".
"Sendo assim, ou o comportamento alimentar desse bicho é muito mais variável do que imaginávamos até hoje, ou há uma restrição significativa de suas presas nativas", diz o especialista.
Bernard afirma que os resultados do estudo parecem validar a segunda hipótese.
"Essa porção da caatinga vem sendo bastante alterada pela presença humana. As presas nativas desse tipo de morcego - aves maiores, em sua maioria - estão desaparecendo e seu habitat sendo ocupado por seres humanos e seus animais domésticos", afirma.
"Nosso estudo mostrou, por exemplo, a presença de sangue de galinha em algumas das amostras que coletamos."

Impacto

Além da defaunação (diminuição acelerada e drástica de espécies animais), a mudança dos hábitos alimentares do morcego-vampiro-de-pernas-peludas também pode evidenciar um impacto na saúde pública humana.
"Morcegos transmitem uma série de doenças. Se essa espécie está agora se alimentando de sangue humano, precisaremos lidar com um problema de saúde pública potencial", destaca.
Relatos de morcegos atacando pessoas, especialmente como resultado de transformações ecológicas provocadas pela presença humana, não são inéditos no Brasil.
Em 2005, o Maranhão registrou o maior surto de raiva humana transmitida por morcegos da história do país.
Na ocasião, mais de 20 pessoas morreram vítimas da doença, transmitida por morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue).
Causada por vírus, a raiva humana tem sintomas como febre, fotofobia e dificuldades para se alimentar.
BBC Brasil

Como o código de barras, nascido na praia, mudou a economia global

Há duas maneiras contar a história do surgimento do código de barras.
 
Código de barras
A primeira delas descreve um momentos clássico de brilho criativo.
Em 1948, Joseph Woodland, um estudante de pós-graduação do Instituto Drexal, nos Estados Unidos, estava às voltas com uma questão apresentada por um comerciante local.
Havia alguma maneira de agilizar o pagamento em lojas ao automatizar o tedioso processo de registro manual de cada produto vendido?
Woodland era um jovem inteligente. Durante a 2ª Guerra, havia trabalhado no Projeto Manhattan, que criou a bomba atômica. Também tinha desenvolvido um sistema melhor de tocar música no elevador.
Mas o novo enigma o deixara perplexo. Em sua visita ao pais em Miami Beach, ele sentou na praia para pensar, enquanto mexia na areia deixando os grãos caírem por entre os dedos.
Quando ele percebeu os sulcos e cristas na areia criados por ele, algo lhe ocorreu: assim como o código Morse usa pontos e linhas para transmitir uma mensagem, seria possível usar linhas grossas e finas para codificar uma informação.
Uma série de círculos concêntricos pretos e brancos, como um alvo, poderia descrever um produto e seu preço em um código capaz de ser lido por máquinas.
A tecnologia da época permitia concretizar a ideia, mas era algo caro. No entanto, com o avanço dos computadores e a invenção das máquinas de raios laser, ela se tornou mais factível.
O sistema de círculos foi redesenvolvido e refinado diversas vezes ao longo dos anos. Na década de 1950, o engenheiro David Collins estampou linhas grossas e finas nos vagões de um trem para que pudessem ser identificados automaticamente por meio de um escâner.

Alvo em preto e branco

No início dos anos 1970, o engenheiro da IBM George Laurer pensou que um retângulo seria mais compacto do que o círculo de Woodland e desenvolveu um sistema tão rápido com base em laser e computadores que bastava passar os produtos no leitor para processá-los.
Os rabiscos de Woodland finalmente haviam se tornado realidade.

A outra narrativa

Mas há uma outra forma de contar essa história, tão importante quanto a primeira - mas muito menos elaborada ou charmosa.
Em setembro de 1969, técnicos de sistemas administrativos da Associação de Fabricantes de Produtos Alimentícios (GMA, na sigla em inglês) se reuniram com seus equivalentes da Associação Nacional de Cadeias de Alimentação dos Estados Unidos (NAFC, na sigla em inglês).
 
O objetivo era chegar a um acordo sobre um código único para os produtos. A GMA queria um de 11 dígitos que englobasse vários tipos de etiquetas já em uso. Já a NAFC queria um de 7 dígitos, que pudesse ser lido pelos sistemas mais simples e baratos utilizados no caixa.
A reunião terminou em frustração. Foram necessários anos de uma delicada diplomacia - e incontáveis comitês e subcomitês - até que finalmente a indústria americana chegasse ao Código Universal de Produto.
Ambas as versões da história viraram realidade em julho de 1974 em uma loja da rede de supermercados Marsh em Troy, no Estado de Ohio, quando a caixa Sharon Buchan passou um pacote de chiclete da marca Wringley's pelo leitor, registrando automaticamente seu preço de US$ 0,67.
A venda apresentou do código de barras para o mundo.

Chiclete Wringley's

Tendemos a pensar nesse retângulo com linhas como uma mera ferramenta tecnológica de economizar dinheiro para supermercados, ao tornar seu negócio mais eficiente, e nós mesmos, com a subsequente redução dos preços.
Mas ele fez muito mais, e essa é a razão pela qual a segunda versão da história é tão importante quanto a primeira: o código de barras mudou o equilíbrio de poder na indústria alimentícia.
É por isso que todas aquelas reuniões de comitês foram necessárias e só se chegou a uma decisão quando os técnicos foram substituídos pelos chefes de seus chefes, os diretores-executivos. Havia muito em jogo.
À medida que passava o tempo, foi ficando evidente que o código de barras desequilibraria a balança a favor de um certo tipo de comerciante.
Para os negócios familiares pequenos, adotar o sistema era uma solução cara para um problema que não tinham. Por sua vez, os grandes supermercados podiam compensar o custo dos leitores, porque vendiam muito mais.
Havia muitas vantagens. As filas dos caixas encurtaram. Ficou mais fácil controlar o estoque. Evitou-se roubos antes facilitados pelo caixa manual (o funcionário podia não registrar um produto e embolsar parte do pagamento, mas não conseguia fazer isso se os produtos fossem escaneados).
E, em uma década de inflação alta nos Estados Unidos, o código de barras permitia mudar os preços de produtos sem ter de etiquetá-los um a um.
A marca branca e preta invadiu a indústria de varejo e, com ela, os grandes comerciantes se expandiram nos anos 1970 e 1980.

A chegada de uma gigante

Com a possibilidade de automatizar e controlar o estoque, o custo de oferecer uma ampla gama de produtos caiu. As lojas em geral e os supermercados em especial começaram a vender desde flores a aparelhos eletrônicos.
Gerenciar uma operação em larga escala tão diversificada e complexa logisticamente havia se tornado bem mais simples. Talvez o maior reflexo da mudança tenha ocorrido em 1988, quando a loja de departamentos Wal-Mart decidiu começar a vender comida.
 
Caminhão da Wal-Mart
 
Isso fez da empresa a maior rede de venda de alimentos dos Estados Unidos e a maior varejista do mundo, quase tão grande quanto seus cinco principais rivais juntos.
A Wal-Mart foi um dos primeiros negócios a adotar o código de barras - e segue investindo em logística e administração de estoque computadorizados de ponta.
Assim, tornou-se uma importante ponte entre os fabricantes chineses e consumidores americanos.
Ao adotar a tecnologia, conseguiu atingir uma escala que permitiu mandar compradores à China e encomendar produtos baratos em volumes tão grandes que os fabricantes chineses estabeleceram linhas de produção para um único cliente: a Wal-Mart.

Uma obra genial

Os fãs de tecnologia celebram com razão o momento de inspiração de Woodland enquanto mexia na areia.
Mas o código de barras não é só uma maneira de vender mais eficientemente. Também estabeleceu que tipo de comércio pode ser eficiente.
Por isso, tornou-se um símbolo de forças do capitalismo impessoal global tão forte que acabou sendo usado para protestar contra o que simboliza.
Desde os anos 1980, pessoas registram sua oposição a esse sistema tatuando um código de barras em si mesmas.
Então, sim, essas linhas pretas e brancas são uma pequena e genial obra de engenharia. No entanto, vale a pena se lembrar que essa obra mudou a forma como funciona a economia mundial.
BBC Brasil

O fim de uma era: Noruega é o primeiro país do mundo a parar com transmissões de rádio em FM

Sob os olhares de outras nações, a Noruega se tornou o primeiro país do mundo a tirar do ar o sinal FM na última quarta-feira.
 
O desligamento começou na manhã do dia 11, na cidade mais ao norte do país, Bodø, perto do Círculo Polar Ártico, e teve cobertura ao vivo da televisão norueguesa.
Segundo o governo, hoje, a Noruega tem 22 estações nacionais de rádio digital e ainda há espaço para outras 20.
O serviço público de radiodifusão norueguês, o NRK, desligará seu sinal FM (a sigla de origem inglesa vem de Frequencia Modulada) antes da concorrência.
Mas este processo não será repentino: o sinal sairá do ar região por região, a partir de janeiro deste ano.

Economia

O ministério da Cultura norueguês estima que a digitalização das emissoras nacionais de rádio gerará uma economia anual de cerca de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 80 milhões).
"O custo de transmissão de rádio nacional pela rede FM é oito vezes maior que pela rede de Retransmissão Digital de Áudio", disse o ministério em um comunicado.
Isso se deve em parte pelo menor consumo de energia da transmissão digital.
 
Microfone e fones de ouvido
 
A ministra da Cultura, Thorhild Widvey, elenca outras vantagens.
"Os ouvintes terão acesso a um conteúdo de rádio mais diverso e plural e desfrutarão de uma maior qualidade de áudio, além de novas funcionalidades", disse ela recentemente.
Segundo Widvey, a digitalização também melhorará o sistema de resposta diante de emergências, já que a rádio digital é menos vulnerável a condições de clima extremas.

Indústria

Vários outros países da Europa e do sul da Ásia também avaliam uma transição para a rádio digital.
Segundo o analista britânico James Cridland, o momento do desligamento do sinal FM na Noruega será um "momento de apreensão" para a indústria de rádio global.
"Espero que os noruegueses tenham feito o suficiente para reter a audiência e para garantir que aqueles que não tenham feito a transição para o digital o façam logo", disse.
"Quem escuta rádio pode decidir, em vez disso, passar a ouvir sua coleção de músicas ou os serviços de streaming. Se a mudança prejudicar a audiência, pode ser que outros países fiquem menos dispostos a também desligar seu sinal FM e AM."
BBC Brasil

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Os melhores motores de busca para mergulhar na "internet oculta"


 

Embora a internet já nos pareça insondável, talvez você não saiba que há uma gaveta oculta, uma área não descoberta, que alguns dizem é até 500 vezes superior à rede das redes. Estamos falando da deep web ou internet profunda, essa zona fora de controle à qual APENAS uma pequena parte dos usuários tem acesso, porque fica fora do uso habitual da rede. Trata-se de uma parte da internet cuja característica principal é que não existe um rastreamento pelos motores de busca (o Google e outras ferramentas de pesquisa mal cobrem uma mínima dela) e, claro, o anonimato é rei: o usuário é um número a mais, a não ser que queira se identificar voluntariamente.
A deep web tem sido vinculada com atividades criminosas e conteúdo proibido, embora, na verdade, não tenha de ser assim: as páginas existentes nesta web simplesmente desviam os bots rastreadores dos principais motores de busca e ficam em uma espécie de limbo que só é acessível usando outros motores de busca. Mas é verdade que este anonimato e falta de controle têm alimentado a internet profunda de todos os tipos de conteúdo ilegal e criminoso, que são os que lhe deram verdadeira fama. É um lugar oculto e imenso, mas como é possível acessá-lo?
A primeira coisa a fazer é instalar um navegador compatível: o principal conteúdo desta rede anônima está sob o domínio “.onion”, que não pode ser acessado pelos navegadores convencionais. Apesar de existirem várias maneiras de acessar a internet profunda, a mais simples é instalar o navegador TOR, sigla em inglês para The Onion Router, que se refere ao tipo de rede nas conhecidas “redes de cebola”, que protegem o anonimato do usuário. Com o TOR instalado no computador, não é preciso fazer mais nada e já se tem acesso a esse mundo paralelo.
Uma vez dentro dessa rede fora de controle, o próximo desafio é saber como encontrar o conteúdo e, por isso, a melhor solução é acessar o The Hidden Wiki, um diretório que mostra uma infinidade de links organizados por categorias. Em questão de minutos, o usuário estará mergulhando em vários sites fora de controle, uma rede paralela, sem filtros, na qual se pode encontrar absolutamente tudo.
O passeio pela deep web, além de ser obscuro em todos os sentidos do termo, é lento, lentíssimo até a exasperação, e é assim por uma razão. A conexão é anônima e, para que isso seja assim, a informação viaja de nó em nó aleatoriamente nos mencionados nós de cebola.
ElPaís.com

Cientistas britânicos criam substância que pode regenerar dentes e aposentar obturação

Uma nova droga pode tornar as obturações obsoletas, afirmam cientistas britânicos.
 
Foto de sorriso 
Uma equipe do King's College de Londres desenvolveu uma substância química que, em testes com ratos, estimulou células da polpa dental a taparem pequenos buracos nos dentes.
Para isso, uma esponja biodegradável embebida no produto foi colocada na cavidade.
Em um estudo publicado pela revista científica Scientifica Reports, a substância teve, segundo os cientistas, efeito reparativo "completo, eficaz e natural".
Dentes têm capacidade limitada de regeneração. Podem produzir uma pequena faixa de dentina - a camada abaixo do esmalte - se a polpa fica exposta, mas não podem consertar cavidades maiores. Isso é feito com obturações, em que dentistas usam um amálgama metálico ou um composto feito de vidro em pó e cerâmica.
Só que esses reparos frequentemente precisam ser substituídos ao longo da vida. Os pesquisadores, então, tentaram ampliar a capacidade regenerativa natural dos dentes - foi assim que descobriram a droga, chamada Tideglusib.
A substância aumentou a atividade de células-tronco na polpa dental dos ratos - elas conseguiram fazer reparos em buracos de 0,13mm nos dentes dos roedores.
 
Dentista atende paciente

Novo tratamento

"A esponja é biodegradável, isso é a chave", disse à BBC Paul Sharpe, um dos cientistas do King's College.
"O espaço ocupado pela esponja fica cheio de minerais enquanto a dentina regenera, então você não tem nada ali que possa falhar no futuro."
A equipe agora quer descobrir como conseguir aumentar o poder de ação da Tideglusib.
"Não acho que vamos esperar muito tempo. Tenho esperanças de que (o tratamento) estará comercialmente disponível em três a cinco anos", completou Sharp.

Mais pesquisas

O campo da medicina regenerativa, que encoraja células a se dividir rapidamente para reparar danos, volta e meia desperta temores sobre o risco de câncer.
A Tideglusib altera uma série de sinais químicos nas células, o Wnt, algo que já foi ligado à ocorrência de alguns tipos de tumor. Mas a droga já foi usada em testes com pacientes humanos em pesquisas sobre demência.
"Os testes de segurança já foram feitos - e em concentrações bem maiores (da droga)", explica Sharpe.
Essa é apenas a mais recente abordagem em termos de reparos dentais. Outro grupo de cientistas do mesmo King's College estuda, por exemplo, o uso de eletricidade para reconstituir o esmalte com minerais.
Cálcio e fosfato produzidos por bactérias na boca contribuem para a perda de minerais pelos dentes - os pesquisadores conseguiram reverter esse efeito usando um coquetel de minerais conduzido por uma corrente elétrica de baixa intensidade.
O método foi batizado de Remineralização Eletricamente Acelerada e pode fortalecer os dentes, reduzindo cáries.
BBCBrasil

Por que produzir uma simples caneta esferográfica ainda é um desafio na China

A China enviou foguetes ao espaço, produziu milhões de smartphones e fabricou trens de alta velocidade mas, até hoje, não tinha conseguido avançar em um setor: a produção de canetas esferográficas.
 
Caneta esferográfica
Há um ano, o primeiro-ministro, Li Keqiang, fez um pronunciamento em rede nacional de televisão lamentando o fracasso do país na produção de uma versão de boa qualidade de uma simples caneta.
De acordo com Li, as canetas produzidas no país eram "ásperas" quando comparadas com as fabricadas na Alemanha, Suíça e Japão.
O problema não está na tinta ou no corpo do objeto, mas na ponta, a bolinha que espalha a tinta enquanto a pessoa escreve.
Parece um dispositivo simples, mas para sua fabricação são necessárias máquinas de alta precisão e sólidas placas de aço que sejam muito finas.
Para resumir: o aço chinês não é suficientemente bom para fabricação destas placas. E é por isso que o país ainda luta para dar uma forma mais adequada às pontas das canetas esferográficas.
Com isso, os cerca de 3 mil fabricantes chineses de canetas tinham que importar esta parte crucial do objeto, algo que custa a esta indústria algo em torno de 120 milhões de yuans, ou US$ 17,3 milhões (mais de R$ 55 milhões) por ano.
O jornal local People's Daily informou que a empresa estatal de ferro e aço Taiyuan Iron and Steel Co acredita ter encontrado um jeito para dar um fim a este problema depois de cinco anos de pesquisa.
O primeiro lote de pontas de canetas esferográficas de 2,3 milímetros da Taiyuan Iron and Steel Co acabou de ser produzido, segundo o jornal.
Se os testes de desempenho do produto derem certo, espera-se que a China consiga acabar com as importações deste componente das canetas nos próximos dois anos.

Simbólico

Na verdade, a capacidade de fazer uma boa esferográfica não é tão importante assim para a China.
O governo está muito mais preocupado é com a fabricação de produtos inovadores e de alta tecnologia, um dos pontos principais do programa "Made in China 2025", criado para acelerar o crescimento interno.
E objetos de valor relativamente baixo, como as canetas esferográficas, não são prioridade.
Mas o mistério da fabricação destas canetas tinha um caráter simbólico.

Li Keqiang, primeiro-ministro da China

Apesar de produzir mais da metade do ferro-gusa e do aço do mundo, a China continuava dependendo, em grande medida, das importações de aço de alta qualidade.
O premiê Li dizia que essa falha mostrava a necessidade de o país melhorar sua capacidade de manufatura.

Engenharia de precisão

"Historicamente, a China nunca conseguiu produzir engenharia de precisão e a ponta das canetas é um exemplo disso", explicou George Huang, professor e chefe do departamento de engenharia mecânica e industrial da Universidade de Hong Kong.
"Suas partes são muito pequenas e precisas e não é simples resolver este problema."
Huang conta que a engenharia de precisão está evoluindo apenas em alguns setores da China como o aeroespacial e o de defesa, que são prioridades para o governo.

Canetas esferográficas

Até nos casos dos smartphones e computadores, os chips mais sofisticados geralmente são importados do Japão e Taiwan.
Huang disse que a China não tem uma cultura de excelência em engenharia de precisão e o professor usou até uma palavra em mandarim, fuzao, que se refere a algo que não é 100% confiável ou estável.
"A cultura é diferente da japonesa ou da alemã", acrescentou o professor sobre os países conhecidos por inovação em engenharia.
"Nós os chineses supostamente deveríamos ser os artesãos, mas de alguma forma nossa engenhosidade não é tão boa", afirmou o professor.
BBCBrasil

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Astrônomos preveem que explosão estelar poderá ser vista a olho nu em 2022

 
Não é sempre que um novo corpo aparece no céu noturno – sem contar os meteoros e ocasionais cometas, as coisas geralmente são sempre iguais. Agora, astrônomos estão prevendo que um par de estrelas muito próximas irão se tocar e criar uma chamada "nova vermelha", resultando em uma explosão brilhante visível a olho nu.
A equipe da Faculdade Calvin em Michigan, liderada pelo professor Larry Molnar, tem observado o sistema binário KIC 9832227 desde que ficaram sabendo sobre ele em uma conferência em 2013. Depois de determinar que o sistema era realmente binário, os astrônomos analisaram os dados do telescópio espacial Kepler da NASA e perceberam que o período orbital, ou a quantidade de tempo que leva para as estrelas orbitarem em torno uma da outra, diminuiu.

Observações contínuas revelaram que as estrelas estão ficando cada vez mais velozes, o que permitiu que os cientistas estimassem que elas irão colidir em 2022 (com uma margem de erro de um ano para mais ou para menos).
Se a previsão estiver correta, esse interpretar os dados", disse Konstantin Batygin, professor assistente de ciências planetárias na Caltech, ao Gizmodo por email. "Entre os momentos mais emocionantes na ciência estão aqueles que a previsão tem uma resolução clara, em um período de tempo relativamente curto".sistema binário irá aparecer na constelação Cygnus, de acordo com o comunicado para a imprensa. Mas é importante notar que essas previsões nem sempre estão corretas.

"Acho que eles fizeram o melhor trabalho de acordo com os dados que tinham em mãos e é uma situação muito plausível", disse Michael Shara, curador do Departamento de Astrofísica no Museu Americano de História Natural em Nova York, ao Gizmodo. "A natureza tem milhares de pequenos segredos na manga", continuou. "Talvez exista algo que esteja encurtando o período para que o evento aconteça, ou que pareça estar encurtando esse período e depois acabe o alongando novamente. Não acho que seja um caso totalmente resolvido".

Outros astrônomos estão mais confiantes. "Essa previsão tem uma boa chance de se tornar real. Mesmo que a previsão de tempo esteja um pouquinho errada, a fusão por contato de um binário é uma maneira muito plausível de interpretar os dados", disse Konstantin Batygin, professor assistente de ciências planetárias na Caltech, ao Gizmodo por email. "Entre os momentos mais emocionantes na ciência estão aqueles que a previsão tem uma resolução clara, em um período de tempo relativamente curto".

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Estudo contradiz principal teoria de formação da Lua

 A Lua, resultado de múltiplas colisões  - AFP
Lua, companheira do nosso planeta há cerca de 4,5 bilhões de anos, pode ter sido formada pelo impacto de uma série de pequenos corpos com uma Terra embrionária, afirmaram pesquisadores nesta segunda-feira.
Isso explicaria uma grande inconsistência na teoria dominante, segundo a qual a Lua é de uma única e gigantesca colisão entre a Terra e um corpo celeste do tamanho de Marte.
Segundo esta hipótese, cerca de um quinto do material da Lua teria vindo da Terra, e o resto do segundo corpo.
No entanto, a composição da Terra e da Lua são quase idênticas – uma improbabilidade que há muito tempo intriga os defensores da hipótese do impacto único.
“O cenário de múltiplos impactos é uma forma mais ‘natural’ de explicar e o resto do segundo corpo.
No entanto, a composição da Terra e da Lua são quase idênticas – uma improbabilidade que há muito tempo intriga os defensores da hipótese do impacto único.
“O cenário de múltiplos impactos é uma forma mais ‘natural’ de explicar a formação da Lua”, disse Raluca Rufu, do Instituto Weizmann de Ciências, em Rehovot, Israel, coautor do novo estudo, publicado na revista científica Nature Geoscience.
Tais impactos múltiplos teriam escavado mais material da Terra do que um único impacto, o que significa que os satélites resultantes se assemelhariam mais à composição do nosso planeta, disseram os autores do estudo.
Rufu e uma equipe criaram quase mil simulações de computador de colisões entre uma proto-Terra e planetas embrionários chamados planetesimais, menores do que Marte.
Teriam sido necessárias cerca de 20 dessas colisões para formar a Lua, concluíram os pesquisadores.
Cada colisão teria formado um disco de detritos ao redor da proto-Terra, que se aglomerariam para formar um pequeno satélite natural, segundo os autores.
Estes pequenos satélites eventualmente se fundiriam, formando a Lua, acrescentaram.
“Nas primeiras etapas do Sistema Solar, os impactos eram muito abundantes, por isso é mais natural que vários deles tenham formado a Lua, em vez de um em especial”, disse Rufu à AFP.
Acredita-se que nosso Sistema Solar se formou há 4,567 bilhões de anos, seguido pela Lua, cerca de 100 milhões de anos mais tarde.
A teoria principal da formação da Lua foi proposta em meados da década de 1970. Nos anos 1980, foram feitas as primeiras sugestões de que o satélite teria sido resultado de várias colisões. Lua
O novo estudo “reavivou o cenário até agora em grande parte descartado de que uma série de impactos menores e mais comuns, em vez de um único golpe gigante, formaram a Lua”, escreveu Gareth Collins, do Imperial College London, em um comentário publicado pela revista.
“Construir a Lua desta maneira leva muitos milhões de anos, o que implica que a formação da Lua se sobrepôs a uma parcela considerável do crescimento da Terra”, acrescentou.

domingo, 8 de janeiro de 2017

A vida em meio à poluição de Pequim, vivenciada por uma brasileira

Vista da janela da jornalista em um dia de céu claro e em outro com nuvem de poluição
 
A nuvem de poluição que se instalou sobre Pequim e outras cidades do norte da China desde o dia 31 de dezembro só deve se dissipar a partir deste sábado, segundo as autoridades. Até lá, estamos sob alerta máximo.
Ou seja, ainda não consegui ver o céu, ou o sol, sem esse filtro nefasto, sabidamente tóxico. Eu e os outros 22 milhões de habitantes daqui da capital e outras centenas de milhões de pessoas destas outras cidades que estão sendo afetadas.
É a minha primeira experiência com poluição desta intensidade. Muitas pessoas que já moraram, ou vivem até hoje na China, me dizem que é o que há de pior. Até dezembro, usei máscaras várias vezes – sempre ando com uma na bolsa.
Os índices estavam altos, mas nada que se compare com o que vi nos últimos dias. Depois desta onda séria, que levou o Centro Meteorológico Nacional a acionar duas vezes em menos de um mês o sinal de alerta vermelho, descobri sobre o que estavam falando.
Os índices têm estado acima de 300 AQI, quase trinta vezes o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera razoável. A nuvem vem, de repente, como uma massa compacta. Vi o céu mudar em 15 minutos no sábado passado. É muito impressionante. Chega com o vento, assim como as tempestades de areia, que vêm do deserto vez ou outra.

Efeitos no corpo

Algumas das máscaras que Vivian compra constantemente e usa para sair de casa


Anteontem, acordei no meio da noite com a boca seca. Olhei rapidamente o celular, e o indicador havia saltado para 612 AQI.
Percebi que nem mesmo os três purificadores de ar que havia posto no quarto naqueles últimos dias (tenho oito em casa) estavam dando conta do recado. Estava meio gripada na virada do ano. Mas a poluição não me deixa ficar boa: atacou a garganta e fez ensaiar uma bronquite.
Eu, e tantas outras pessoas tivemos de mudar a rotina. Comprei outra máscara. Nova no mercado. Supostamente mais incrementada. Vai saber. Tem três filtros e um dispositivo eletrônico (que eu recarrego na tomada, como outros apetrechos) que sopra um ar fresco e, tomara, limpo, enquanto você usa.
Outras máscaras podem ser desconfortáveis. Impedem a respiração e esquentam o rosto. Ontem, eu vi na rua pessoas com algumas que eu nem sabia que existiam. Uma delas tinha um tubo largo, como aqueles de aspirador de pó, ligando uma pequena caixa pendente no braço à estrutura sobre a boca e nariz.
Os jornais têm publicado muitas reportagens sobre o assunto e conselhos de como se proteger. Os chineses dizem que, nesta época do ano, é bom só tomar líquidos quentes. Eles têm o hábito de tomar água quente. Sabe que não é má ideia? Já incorporei.
O próprio governo tem falado mais no assunto e anunciado medidas. Aliás, tem tomado muitas medidas. Os indicadores das micropartículas mais danosas para o ser humano, o PM2.5, parecem que já foram mais altos há três ou quatro anos. Parece até que caíram 9,9% em relação ao ano anterior. Mas não quer dizer que tenham se tornado suportáveis.
Você sai na rua, vê aquela névoa e sente um cheiro de queimado no ar. É desagradável, arde os olhos. O curioso é que morar na China nos faz pensar em coisas sobre as quais não damos valor no dia a dia.
A gente se pega conversando sobre o ar que respira o tempo todo. Consulto três apps sobre a poluição antes de sair de casa. Muitas vezes até me esqueço de olhar a previsão do tempo, um hábito antigo. Como sair, a que horas vai melhor e como você pretende se proteger.
Troco dicas de máscaras. Olho o "ovo", um gadget que se tornou fundamental na minha vida, pois mede a poluição dentro de casa. Já levei para a academia de ginástica para ver como estava. A verdade é que só tenho saído para o essencial. Fico trancada em casa, com os filtros ligados no turbo.

Desânimo

Nuvem de poluição se instalou sobre Pequim em 31 de dezembro e só deve se dissipar a partir de sábado


A vida na cidade é confortável e extremamente interessante. Pequim tem tudo. Mas a poluição desanima. Não estou falando dos recém-chegados, como eu, que desembarquei em Pequim no final de março de 2016.
Quem vive aqui há anos, ou uma vida inteira, fala em sair. Tenho um conhecido, chinês, que se mudou para o sul. Vive mandando fotos do céu azul da sua cidade. 
A poluição virou o assunto nas redes sociais. Ontem, a gerente de um hotel que conheço, chinesa também, avisava aos amigos para se protegessem, e que usar máscara não era vergonha alguma. Aconselhou, a quem pudesse, deixar a cidade. Talvez para sempre.
É uma realidade de grande ou menor impacto em diversos países, que precisam de medidas urgentes!!!
 

sábado, 7 de janeiro de 2017

Casa Branca define estratégia contra colisão de asteroide na Terra

Imagem ilustrativa
 
A preocupação de que um asteroide caia na Terra e extermine a raça humana saiu das telas dos cinemas e virou assunto sério. A Casa Branca divulgou esta semana um documento detalhado com uma estratégia para se preparar caso um objeto esteja em rota de colisão contra nosso planeta. 
Muita gente ficou preocupada com a provável queda de um asteroide depois que uma auditoria da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) afirmou no fim do ano passado que, se um grande corpo fosse detectado em direção à Terra, não haveria nada que pudesse ser feito (só entrar em desespero).
Cientistas e políticos programaram um plano de ação, executando exercícios de preparação e lançando espaçonaves para coletar informações de asteroides e até mesmo elaborando planos de como destruir os objetos no espaço caso a situação fique crítica. Estimativas afirmam que existam cerca de 10 milhões de objetos com órbita próxima à Terra com diâmetro semelhante que não foram rastreados.
Outros gatilhos para a criação do plano foram casos como o de um asteroide que caiu na Rússia. Em 2013, o objeto de 20 metros de diâmetro caiu perto da cidade de Chelyabinsk, liberando energia de quase 500 quilotons de TNT – mais de 20 vezes que as primeiras bombas atômicas. 
O documento "National Near-Earth Object Preparedness Strategy", criado por um grupo de trabalho do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, tem sete metas:
  1. Melhorar o rastreamento de objetos próximos da Terra e classificar suas habilidades;
  2. Descobrir como mover ou explodir objetos ameaçadores;
  3. Tornar os atuais modelos e previsões melhores;
  4. Ter um plano de emergência caso o objeto não possa ser desviado;
  5. Criar um sistema de alerta e estratégias de recuperação;
  6. Incluir outros países nos planejamentos;
  7. Criar um conjunto de protocolos e limiares para definirem decisões rápidas em momentos de crise;
Ainda está indefinido quando e como os Estados Unidos vão traduzir os planos em ações e o detalhamento de cada item. As providências provavelmente dependerão do financiamento que o presidente eleito, Donald Trump, destinará ao projeto.
Atualmente, as chances de um asteroide gigante atingir a Terra e acabar com as nossas vidas não são grandes. Mas podemos começar a torcer para que o novo presidente norte-americano esteja preocupado com a nossa possível extinção.
 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Marte teve água morna, boa para abrigar vida

 
Aparentemente, Marte foi um planeta com todas as qualidades para abrigar vida, mas depois se deteriorou. O trabalho de robôs como o Curiosity, da NASA, permitiu saber que o planeta já esteve coberto por oceanos. Entretanto, aconteceu alguma coisa que eliminou a atmosfera daquele mundo vermelho, transformando-o em um deserto. Algumas das explicações mais recentes sugerem que Marte, como agora a Terra, tinha um núcleo de ferro que criava um campo magnético capaz de desviar a radiação espacial. Meio bilhão de anos depois do seu nascimento, o planeta perdeu esta magnetosfera, e sua atmosfera ficou a mercê do vento solar.
Na semana passada, a NASA publicou mais informações solicitadas pelo Curiosity. Pela primeira vez, na encosta da cratera Gale explorada pelo aparelho, foram detectados sinais de boro, um elemento que pode ser indício de que houve em Marte água com as condições necessárias para abrigar vida. Patrick Gasda, pesquisador do Laboratório Nacional de Los Álamos, no Novo México (EUA), disse em uma nota divulgada pela agência espacial norte-americana que, se o boro encontrado for similar ao da Terra, “seria sinal de que as águas subterrâneas teriam tido [uma temperatura] de 0 a 60 graus, com um Ph entre neutro e alcalino”.
A análise do terreno também mostrou um sistema dinâmico, no qual diversos elementos se misturavam graças à água. “A água influencia a química das argilas, mas a composição da água também muda. Estamos vendo a complexidade química que aponta para uma longa história interativa com a água. Quanto mais complicada for a química, melhor é para a habitabilidade. O boro, a hematita e os minerais argilosos salientam a mobilidade de elementos e elétrons, e isso é bom para a vida”, afirmou John Grotzinger, um dos chefes da missão.
Os cientistas se interessam pela cratera Gale porque nos estratos da sua encosta está escrita a história das condições ambientais de Marte e suas mudanças. O Curiosity conseguiu descobrir, durante seu primeiro ano de trabalho, que no passado marciano existiu um lago que contava com todos os ingredientes químicos necessários para a vida, além da energia necessária para sustentá-la. Agora, o robô está escalando o monte Sharp, um pico de 5.500 metros no centro da cratera Gale. Em sua encosta, buscará mais informações sobre como as condições climáticas mudaram com o passar do tempo.
BBC Brasil

Iceberg gigante ameaça se desprender da Antártida e gera preocupação

Um gigantesco iceberg - que seria um dos dez maiores do mundo - pode se desprender a qualquer momento da Antártida, dizem cientistas.
 
Uma imensa rachadura na plataforma de gelo Larsen C cresceu de tal forma em dezembro que agora apenas 20 km de gelo impedem o imenso bloco de 5 mil km² (o equivalente a 500 mil campos de futebol ou à área do Distrito Federal) de se soltar.
A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártida. As plataformas de gelo são as porções da Antártida onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.
Cientistas do País de Gales afirmam que o desprendimento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a uma ruptura futura.
A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta do oeste da Antártida, impedindo a dissipação do gelo.
Os pesquisadores vêm acompanhando a rachadura na Larsen C por muitos anos. Recentemente, porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de colapsos das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.
No ano passado, cientistas britânicos afirmaram que a rachadura na Larsen C estava aumentando rapidamente.
Mas, em dezembro, o ritmo avançou a patamares nunca antes vistos, avançando 18 km em duas semanas.
Dessa forma, segundo os pesquisadores, o que se tornará um gigantesco iceberg está por um triz de se soltar - apenas 20 km o prendem à plataforma.
"Se o iceberg não se desprender nos próximos meses, ficarei espantado", diz à BBC Adrian Luckman, da Universidade de Swansea, no País de Gales, responsável pela pesquisa.
"As imagens não são completamente visíveis, mas conseguimos usar um sistema para verificar a extensão do problema. O iceberg está a tal ponto de se soltar que considero que isso seja inevitável", acrescenta ele.
Luckman afirma que a área que deve se romper possui 5 mil km², o que resultaria num dos dez maiores icebergs já registrados no mundo.

Aquecimento global

Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por décadas, mas cresceu durante um período específico.
Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não têm evidências suficientes para embasar essa teoria.
No entanto, permanecem preocupados sobre o impacto do desprendimento desse iceberg do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B em 2002 aconteceu de forma muito semelhante.
"Estamos convencidos, ao contrário de outros, de que o restante da plataforma de gelo ficará menos estável do que a atual", diz Luckman.
"Esperamos que nos próximos meses e anos aconteçam novas rupturas, e talvez um eventual colapso, mas isso é uma coisa muito difícil de prever".
"Nossos modelos indicam que a plataforma ficará menos estável, mas não que desmoronará imediatamente ou qualquer coisa do tipo", acrescenta.
Como vai flutuar no mar, o iceberg não vai aumentar o nível dos mares.
Mas novas rupturas na plataforma podem acabar dando origem a geleiras que se desprenderiam em direção ao oceano. Uma vez que esse gelo não seria flutuante, o nível dos mares seria afetado.
Segundo estimativas, se todo o gelo da Larsen C derreter, o nível dos mares aumentaria cerca de 10 cm.
Há poucas certezas absolutas, contudo, sobre uma mudança iminente no contorno da Antártida.
"As prováveis consequências podem ser o colapso da plataforma nos próximos anos ou décadas", prevê Luckman.
"Ainda que o impacto imediato não atinja os mares, trata-se de um grande evento geográfico que mudará a paisagem do continente gelado", acrescenta.
BBC Brasil

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Paradoxos do progresso: dados para ser otimista

 
Os dados indicam que a humanidade vive o melhor momento da sua história, e, no entanto, a maioria acredita que o mundo está piorando. Os políticos populistas, para aproveitar essa percepção, fingem ignorar que estamos melhorando em todos os parâmetros. Segundo uma pesquisa, 81% dos eleitores de Donald Trump acreditam que há 50 anos vivia-se melhor, que o mundo era um lugar melhor. Uma opinião que poderia ser definida como reacionária, pois considera que as mudanças estão piorando as coisas.
Há uma ampla percepção de que o mundo retrocede, de que nos dirigimos para uma espécie de caos. Segundo um levantamento do Instituto Motivaction, 87% da população mundial acredita que nos últimos 20 anos a pobreza global permaneceu igual ou se agravou. O paradoxo é que os dados deixam claro que essa é uma ideia falsa. O mundo melhorou ao invés de piorar.
Não significa, que fique bem claro, que o mundo seja um lugar perfeito. Nem sequer um bom lugar. Padecemos de injustiças, guerras, fome e violência. Uma minoria da população detém a maior parte da riqueza, enquanto 760 milhões – os 11% mais pobres – sobrevivem com menos de dois dólares (6,50 reais) por dia. A pobreza é cotidiana. Mas, de todos os cenários globais que já conhecemos (não que imaginamos ou desejamos, mas que conhecemos), este é o melhor.
O cientista cognitivo Steven Pinker, professor da universidade de Harvard, é um dos autores que mais forneceram dados em defesa dessa tese. Seu livro Os Anjos Bons da Nossa Natureza (Companhia das Letras) busca demonstrar que vivemos na época mais pacífica e próspera da história. “As pessoas, em todos os cantos do mundo, estão mais ricas, gozam de mais saúde, são mais livres, têm mais educação, estão mais pacíficas e desfrutam de uma maior igualdade do que nunca antes”, diz Pinker ao EL PAÍS. “Todas as estatísticas indicam que melhoramos. Em geral, a humanidade se encontra melhor que nunca.”
O escritor e historiador sueco Johan Norberg é outra das vozes destacadas dessa corrente de pensamento. Defende em seu livro Progress: Ten Reasons to Look Forward to the Future (“progresso: dez motivos para olhar para frente”) que o capitalismo é o sistema que mais fez o ser humano progredir, e que vivemos no melhor momento da nossa história. “O mundo está melhorando rapidamente. Na verdade, nunca antes o mundo melhorou tão rápido. A cada minuto desta conversa, cem pessoas saem da pobreza”, argumenta.
Os dados respaldam essas afirmações.
Mostram-nos, por exemplo, que os adultos desfrutam de vidas mais longas, e que a mortalidade infantil caiu a um quarto do que era há algumas décadas. Em 1960, segundo a Organização Mundial da Saúde e o Banco Mundial, de cada cinco crianças nascidas vivas uma morria antes de completar cinco anos; agora, 19 de cada 20 sobrevivem.
A riqueza também se multiplicou. Desde 1980, o percentual de pessoas que vivem na pobreza extrema foi reduzido em 75%. No sul da Ásia, ela atingia 50% da população, e agora só castiga 15%. No leste da Ásia e no Pacífico, a incidência da pobreza extrema passou de 80% (quatro de cada cinco pessoas) para apenas 3,5%.
A alfabetização está a caminho de se universalizar: em 1980, 44% das pessoas sobre o planeta não sabiam ler nem escrever; agora, são só 15%, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da UNESCO (órgão da ONU para a educação). Além disso, está diminuindo a disparidade educacional entre homens e mulheres no mundo todo. Muitos desses dados provêm do site Our World in Data, um projeto que reúne indicadores para mostrar como estão mudando as condições de vida das pessoas do mundo todo.
Desde os anos 1980, as guerras também vêm se tornando menos frequentes e agressivas. A violência retrocede: nas sociedades agrícolas, ela causava cerca de 15% de todas as mortes, segundo o pensador israelense Yuval Harari, autor do livro Sapiens – de Animais a Deuses. Durante o século XX, ela provocou 5% das mortes, e hoje só é responsável por 1% da mortalidade global.
Por que não vemos este progresso
Se os dados mostram melhoras, por que existe a percepção de que pioramos? Há muitas respostas. Todas corretas, e nenhuma completa. A primeira é que nos tornamos mais críticos, muito menos tolerantes com os erros e injustiças do sistema. Nunca antes a humanidade havia sido tão exigente consigo mesma. Coisas que hoje nos parecem intoleráveis eram a norma: em 1980, 54% dos espanhóis consideravam que ser homossexual era injustificável (essa cifra caiu para 8%). Essa exigência nos faz sentir que não melhoramos (ou que, pelo menos, não melhoramos o suficiente).
Johan Norberg acrescenta outra resposta: “Temos melhor acesso do que nunca às notícias e à comunicação. E, na imprensa, as más notícias são as que vendem. Ficamos sabendo de alguma má notícia ou algum novo incidente a cada minuto. Os desastres e as tragédias não são algo novo, mas os celulares e as câmeras são. E isso causa a impressão de que esses horrores são mais frequentes do que eram”.
Steven Pinker concorda: “Enquanto o número de incidentes ou desastres não cair a zero, sempre haverá algum para publicar. Cada coisa que acontece é tremendamente visível hoje em dia”. Assim, as crises econômicas e de migração, assim como os horrores do Estado Islâmico e do jihadismo (Paris, Bruxelas, Istambul…), entram quase diariamente nos nossos lares através de inúmeros e diversificados canais. Atualmente, seguimos minuto a minuto um golpe de Estado na Turquia enquanto acabamos de jantar. A percepção, o retrogosto deixado por essas tragédias, é que alcançamos cotas inéditas de horror. Os dados – que dizem o contrário – ficam sepultados sob a onda de más notícias.
É bom juntar outro fator a tudo isso: a nostalgia. “Quando as pessoas pensam nos ‘bons tempos’, voltam à época em que cresceram, uma época na qual não tinham que pagar contas, não tinham filhos e responsabilidades”, explica Norberg. Talvez a saudade que sentimos não seja do mundo de nossa juventude, mas de nossa própria juventude.



Existe uma terceira teoria elaborada por alguns cientistas e que, a grosso modo, defende que não somos feitos para sermos felizes. A evolução nos dotou de uma biologia que nos impede de estarmos absolutamente satisfeitos, porque dessa forma nos mantêm ativos, curiosos, despertos e ambiciosos.
Arma para os políticos
O debate entre percepção e dados não passaria disso, de um debate, se não fosse pelo fato da crença de que o mundo piora ser usada com finalidades políticas. Se o mundo piora, melhorá-lo exige mudar o sistema (ainda que o sistema, ou partes do mesmo, sempre de acordo com os dados, nos fazem viver melhor). Quem se opuser a mudá-lo por completo será alguém que se opõe a impedir a piora do mundo. Ou seja, um egoísta, um imoral, um irresponsável. Ou tudo isso ao mesmo tempo. “Os políticos populistas nos querem assustados e divulgam mitos sobre ameaças imediatas para nossa sobrevivência e modo de vida. Porque sabem que as pessoas assustadas querem construir muros e votar em homens fortes que prometem nos manter a salvo”, diz Norberg.
O que acontece com a crise? Muitos políticos exibem a crise como evidência de que estamos pior. E, de certo modo, têm razão. Pinker explica: “Existem períodos de altos e baixos que, em geral, não chegam a alterar uma progressão continuada. Por exemplo, a taxa de crimes nos Estados Unidos cresceu um pouco no ano passado em relação ao anterior, mas em geral a tendência global é de queda. Outro exemplo: o número de mortos em guerras aumentou após 2011, por conta da guerra da Síria, mas continuou sendo muito menor do que nos anos 50, 60, 70, 80 e 90.
Ao pensar na crise, além disso, costumamos esquecer que o mundo não é só o Ocidente. Enquanto a Europa e os Estados Unidos sofriam a recessão, em outras partes o progresso não só não parou, como acelerou. Entre 2005 e 2013, no conjunto do planeta, a pobreza extrema caiu pela metade. A expectativa de vida aumentou em 3 anos e a mortalidade infantil diminuiu em todos os continentes.
O paradoxo da desigualdade
É claro que existem exceções, asteriscos a se colocar no progresso contínuo da humanidade. Um é a desigualdade. As diferenças aumentaram em muitos países ricos, como os Estados Unidos, Alemanha e Suécia. No caso da Espanha, esse aumento fez com que ele se tornasse um dos países com uma das rendas mais desiguais da União Europeia.
Mas de novo é preciso olhar para além de nossas fronteiras. Se o fizermos veremos que a desigualdade global não cresce, e sim diminui. O motivo é que milhões de pessoas na China, Índia e outros países escaparam da pobreza. “Os pobres estão enriquecendo mais rápido do que os ricos”, explica Pinker. Segundo cálculos de Tomas Hellebrandt e Paolo Mauro, em um trabalho para o Peterson Institute for International Economics, a desigualdade de renda baixou de 69 a 65 pontos entre 2003 e 2013. As diferenças entre ricos e pobres globais são muito grandes, mas estão diminuindo.
 
"Além disso a relação entre desigualdade e pobreza mudou. “A desigualdade aumenta porque os ricos têm mais sem que isso – e pela primeira vez na história da humanidade – signifique que os pobres tenham menos”, explica o economista Branko Milanovic, autor de Os que Têm e os que Não Têm e Global Inequality: A new approach for the age of globalization. “A riqueza pode crescer sem que isso afete a subsistência de grande parte da população”. Durante séculos não existiu crescimento e, portanto, a riqueza de uns era a pobreza de outros. Isso já não é mais assim.
“Existe outro ponto”, acrescenta Johan Norberg. “A desigualdade costuma ser medida somente em dinheiro, mas existem outros ângulos. Bill Gates é dez milhões de vezes mais rico do que você, mas sua vida é dez milhões de vezes melhor do que a sua? Acho que não. Sim, tem um avião particular, mas provavelmente usa o mesmo celular que você e o mesmo computador que você. E certamente não viverá 30 anos a mais do que você e não tem 99% menos de probabilidades do que você que seus filhos morram antes dos 5 anos. Em quesitos não econômicos é possível que exista mais igualdade. Por exemplo em educação e acesso à saúde”.
Pinker vai ainda mais longe: “A desigualdade econômica não é um problema fundamental; a pobreza é. Se as pessoas estão mais saudáveis, bem alimentadas, e aproveitam suas vidas, não importa o tamanho da casa de J.K. Rowling. E os números da pobreza global estão caindo”.
Mas o que é melhorar?
Vamos utilizar o exemplo de uma tribo do Amazonas que há 100 anos vivia no meio da floresta sem que ninguém perturbasse sua existência. No ano passado uma empresa madeireira acabou com seu habitat. O mundo, tal e como o conheciam, acabou de forma traumática para eles. Como afirmar que para essa tribo o mundo progrediu? Não existe uma concepção irrefutável sobre o que se considera progredir. É indubitável que vivemos mais, existe menos pobreza, mais conforto e menos violência. Mas somos mais felizes?
Alguns pensadores como Yuval Harari colocam esse debate. Um mineiro da Sibéria é mais feliz hoje do que um caçador-coletor de vinte mil anos atrás? É impossível saber. Um acordo para medir se a humanidade progrediu é saber se melhoramos nos parâmetros que exigimos para sermos felizes. Ou seja, se nossos governos nos concedem o que lhes pedimos há séculos: boa saúde, educação, conforto, tempo de lazer, liberdade. Sucessivos estudos observaram que, em geral, nos países em que essas coisas existem as pessoas se dizem mais felizes, consideram que progrediram.
Como espécie, como civilização, como mundo, avançamos em direção ao que consideramos progresso, ao que perseguimos e entendemos como um mundo melhor. Continuamos distantes de um mundo perfeito e ideal, se é que existe. Mas os dados nos dizem que, apesar de percepções – interessadas ou não –, seguimos por um bom caminho. Ainda que nos custe acreditar, ainda que falte muito a percorrer.
El País.com