terça-feira, 18 de julho de 2017

Corpos desaparecidos por 75 anos são encontrados em geleira

Geleira dos Diablerets, onde os corpos foram encontrados (Foto: Wikimedia/Zacharie Grossen)
 
Os corpos congelados de um casal suíço que desapareceu há 75 anos nos Alpes foi encontrado em uma geleira que está encolhendo, relatou a mídia suíça nesta terça-feira.
Marcelin e Francine Dumoulin, pais de 7 filhos, tinham saído para tirar leite de suas vacas em um campo no vilarejo de Chandolin, no distrito de Valais, no dia 15 de agosto de 1942.
"Nós passamos nossas vidas inteiras procurando por eles, sem parar. Nós pensávamos que poderíamos dar a eles o funeral que mereciam um dia", disse a filha mais nova do casal, Marceline Udry-Dumoulin, de 79 anos, ao jornal Le Matin.
"Eu posso dizer que após 75 anos de espera essa notícia me dá um profundo sentimento de calma", acrescentou.
Em um comunicado durante a noite, a polícia de Valais disse que dois corpos com documentos de identidade foram descobertos na última semana por um trabalhador na geleira Tsanfleuron perto de um teleférico de esqui sobre o resort Les Diablerets a uma altitude de 2,615 metros.
 
Geleira suíça revela corpos de casal desaparecido há 75 anos
 
Testes de DNA serão realizados para confirmar a identidade do casal.
"Os corpos estavam deitados um ao lado do outro. Era um homem e uma mulher usando roupas datadas do período da Segunda Guerra Mundial", disse Bernhard Tschannen, diretor da Glacier 3000, ao jornal.
"Eles estavam perfeitamente preservados na geleira e seus pertences estavam intactos".
"Nós pensamos que eles podem ter caído dentro de uma fenda, onde eles ficaram por décadas. Na medida que a geleira recuou, ela revelou seus corpos", disse ao jornal Tribune de Geneve.
 
 

domingo, 16 de julho de 2017

Como é a luz mais potente do mundo, criada em laboratório nos EUA

Como se fossem milhões de sóis. Assim é o brilho da luz mais potente criada na Terra por uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Luz Extrema no Estado americano de Nebraska, nos Estados Unidos.
A luz, produzida pelo laser Diocles - um dos mais potentes do mundo-, tem a extraordinária capacidade de mudar o aspecto do objeto que ilumina.
Essa característica significa que ela poderia ser utilizada como um novo tipo de raio-X capaz de obter imagens de resolução muito maior do que a alcançada até agora com os aparelhos convencionais. 

Dispersão
Homem olhando pela janela Para entender a dispersão, basta olhar para o lado de fora da janela durante o dia

Os pesquisadores descobriram o efeito desta luz quando incidiram o laser sobre elétrons individuais suspensos em hélio.
Dessa forma, eles notaram que, ao aumentar a intensidade da luz, depois de um certo limiar, a dispersão de fótons (partículas de luz) mudava a aparência daquilo que iluminava.
Para entender esse processo, Donald Umstadter, o principal autor do estudo, disse à BBC como funciona a dispersão, o processo que torna as coisas visíveis.
"Se você olhar pela janela, a única razão pela qual você vê é porque a luz do Sol reflete nos objetos - por exemplo, em uma árvore - e aí se dirige aos seus olhos. Esse reflexo é o que chamamos de dispersão", explica.
"Sem dispersão, mesmo em um dia ensolarado, você veria tudo escuro como a noite", acrescenta.
O que ocorre com esta luz potente é que ela produz uma dispersão em uma escala inimaginável.
Medicina e segurança

Luz poderia ser usada para identificar microfraturas

"Normalmente, se você aumenta a intensidade da luz de uma casa, vai poder ver tudo da mesma forma, mas mais brilhante. Quando nós aumentamos a potência do nosso laser a certo nível, a luz que vinha do objeto já não parecia o objeto original, mas um com mais forma, visto de distintos ângulos e com energia diferente."
"A imagem era mais parecida com as dos raios-X", diz.
Uma das aplicações práticas mais evidentes é no campo da medicina: a luz poderia, por exemplo, ser usada para detectar microfraturas.
Além disso, cientistas apontam que a luz poderia ser empregada para fazer imagens das reações químicas ou de elétrons em movimento, assim como em dispositivos de segurança.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O que é o Relógio do Apocalípse, e por que ele indica que desde 1953 nunca estivemos tão perto

Existe um relógio que, em vez de medir a passagem do tempo, indica o quão perto o planeta está de ser destruído. Atualmente, seus ponteiros marcam dois minutos e meio para meia-noite, horário previsto para o fim do mundo.
 
Relógio do Juízo Final
É o chamado Relógio do Apocalipse, criado em 1947 pelo Boletim dos Cientistas Atômicos (BPA, na sigla em inglês), nos Estados Unidos.
Não se trata de um objeto, mas de uma ilustração simbólica. Os ponteiros do relógio não se movem por meio de uma medida científica, mas de acordo com o parecer dos integrantes do conselho de ciência e segurança do BPA, que se reúne duas vezes por ano para determinar o quanto falta para meia-noite.
"É um símbolo que representa o quão perto ou longe estamos de uma catástrofe global. O que queremos mostrar com isso é o quão próximos estamos de destruir a vida na Terra como a conhecemos", explica Rachel Bronson, diretora-executiva e editora do boletim.
O último ajuste nos ponteiros aconteceu em janeiro deste ano, logo após a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Na ocasião, o relógio foi adiantado em meio minuto.
Apenas em 1953 os ponteiros estiveram mais adiantados do que agora, marcando dois minutos para meia-noite, após os EUA e a antiga União Soviética testarem bombas termonucleares.
Para os responsáveis pelo relógio, eventos recentes - como o lançamento de um míssil balístico intercontinental pela Coreia do Norte e a decisão de Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas - acendem um alerta.
"Não estamos nos movendo na direção certa", diz Bronson à BBC.
Quando o Relógio do Apocalipse foi criado, em 1947, simbolizava a preocupação dos cientistas com o risco de um conflito nuclear diante da corrida armamentista no início da Guerra Fria.
Desenhado pela pintora Martyl Langsdorf, mulher do físico Alexander Langsdorf, do Projeto Manhattan (projeto de pesquisa e desenvolvimento que produziu as primeiras bombas atômicas durante a 2ª Guerra Mundial), o relógio marcava sete minutos para meia-noite em sua primeira aparição na capa do boletim.
Desde então, a posição dos ponteiros foi ajustada 22 vezes para frente ou para trás.

Do rock à ONU

As referências ao relógio vão muito além da ciência e da política. Bandas de rock - como Iron Maiden e Smashing Pumpkins - já dedicaram músicas a ele ("2 minutes to Midnight" e "Doomsday Clock", respectivamente).
O Relógio do Apocalipse também apareceu em um episódio da série Doctor Who, produzida pela BBC.
Atualmente, o relógio reflete, juntamente com o risco nuclear, a preocupação dos cientistas com os efeitos da mudança climática e novas tecnologias, como a inteligência artificial e a biologia sintética.
Em março, Kim Won-soo, representante da ONU para assuntos de desarmamento, alertou que o Relógio do Apocalipse tinha atingido sua pior marca em 64 anos.
"A necessidade de avançar no desarmamento nuclear poucas vezes foi tão urgente como é hoje", disse Kim Won-soo.
O relógio está mais adiantado do que se encontrava durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, quando marcava sete minutos para meia-noite, embora muitos acreditem que o horário deveria ter sido ajustado, na ocasião.
Bronson explica que isso aconteceu porque a Crise dos Mísseis foi tão rápida que os especialistas não chegaram a se reunir para ajustar o relógio. Quando se encontraram, os EUA e a então União Soviética já tinham assinado acordos para controle de armas.
Em 1991, com o fim da Guerra Fria e novos acordos firmados entre Washington e Moscou para redução de armas, o relógio chegou a indicar 17 minutos para meia-noite, sua melhor marca.
Mas o alívio sentido na época contrasta com o risco apontado agora.

"Mais perigoso"

Bronson explica que o último ajuste do relógio Apocalipse, em janeiro, refletiu uma crescente falta de consideração no mundo em relação ao conhecimento especializado, como comentários imprudentes em diferentes países sobre a questão nuclear.
"O presidente Trump e seu governo são grandes motivos de preocupação. Mas não são os únicos", declara.
"E (Trump) continua a fazer declarações que podem ser vistas - não sabemos se ele tem essa intenção - como uma ameaça velada ao uso de armas nucleares, o que é muito assustador", acrescenta Bronson.
A cientista afirma que tem sido questionada se o relógio será acelerado novamente, diante do teste de míssil balístico intercontinental realizado pela Coreia do Norte na semana passada.
Mas, segundo ela, um novo ajuste não está sendo cogitado por enquanto, uma vez que o adiantamento dos ponteiros em janeiro já antecipou "que o mundo se tornaria mais perigoso" e é isso que está acontecendo.
Bronson admite, no entanto, que a situação pode mudar e o boletim se reserva ao direito de mover o relógio se for preciso.
"O importante é a tendência. Isso me preocupa muito. Estamos chegando mais perto ou nos afastando da meia-noite? Acreditamos que não está tão perigoso quanto em 1953, mas estamos caminhando para isso", conclui.
BBC Brasil

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Economia regenerativa: em busca de negócios que ajudem a curar o Planeta

Exemplar de um diamante feito a partir de impurezas do ar de Pequim (Foto: Divulgação - Studio Roosegaarde)
 
Exemplar de um diamante feito a partir de impurezas do ar de Pequim. É um exemplo de economia regenerativa.
 
Em 1997, o professor Evandro Moraes da Gama, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), já previa o problema que as barragens de mineração poderiam causar no futuro próximo. De acordo com ele, já existiam provas de que, em determinado momento, seria insustentável manter represas do tipo, principalmente no Quadrilátero Ferrífero, região que abrange nove municípios populosos de Minas Gerais. Naquele ano, o professor Evandro e mais um grupo de pesquisadores começaram a buscar soluções para aproveitar as toneladas de rejeitos de minério acumuladas em monumentais barragens distribuídas pelo país, como a que rompeu em Mariana, em Minas Gerais.
Conhecido como o maior acidente ambiental do Brasil, o rompimento da barragem da mineradora Samarco, em novembro de 2015, causou um tsunami de lama que destruiu casas, matou pessoas e contaminou mais de 660 quilômetros de rios com rejeitos de minério. Dois anos antes, os pesquisadores da UFMG já tinham desenvolvido uma tecnologia para reaproveitar esse tipo de lixo das mineradoras em pisos, asfaltos, tijolos, blocos de estrutura para a construção civil. Dentro de um laboratório da universidade que fica em Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo Horizonte, eles criaram o ecocimento. Segundo Evandro, o uso inteligente do material é feito sem riscos para a saúde ou para o meio ambiente e o produto final é mais econômico e resistente do que o tradicional.
O ecocimento é feito por meio da transformação dos rejeitos de minério em um pó, a lama calcinada. Para isso, o material é colocado dentro de um forno que faz a água do barro evaporar-se completamente. Esse pó tem uma propriedade especial, que os engenheiros chamam de grande superfície específica. Essa propriedade faz com que o pó agarre outros materiais colocados em contato com ele. Funciona da mesma maneira que o cimento popularmente conhecido. Além disso, as rochas estéreis também descartadas no processo de mineração, quando moídas e calcinadas, acrescentadas a cal ou cimento, também se transformam em ligantes poderosos. A partir da junção desses materiais, é possível produzir blocos de tijolos.
Segundo Evandro, grandes mineradoras, Ministério Público, pesquisadores e a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) já discutem estratégias para fomentar a utilização do material. Na opinião do professor, para atingir a população de baixa renda, o produto precisa receber incentivo fiscal em um primeiro momento. “Para se popularizar, o produto não pode ser sobretaxado, ele precisa ser mais barato do que o que já existe no mercado. Há também a necessidade da conscientização de que esse material não é tóxico, como a mídia divulgou na época do derramamento. Nós queremos ver a utilização do ecocimento em grande escala, na construção de estradas, prédios, estruturas de esgoto, barragens hidrelétricas”, disse Evandro.
O projeto do ecocimento é fruto de uma nova maneira de pensar. É uma filosofia que propõe usar as forças econômicas para ajudar a curar os males do planeta. É mais do que pregar que os negócios respeitem os limites naturais. O objetivo é fomentar ideias economicamente viáveis que ajudem a resolver problemas já existentes. O termo cunhado para descrever isso é economia regenerativa.
A economia regenerativa considera, por exemplo, o aproveitamento do lixo de um processo de produção como matéria-prima para outros produtos. Talvez, se tivesse sido colocado em prática com alguns anos de antecipação, a tragédia de Mariana pudesse ter sido evitada. Mas, até o século passado, a economia mundial perseguiu cegamente o crescimento financeiro sem se preocupar com as consequências ambientais. Essa atitude causou o aprofundamento da desigualdade social em diversos países, principalmente nos menos desenvolvidos, e está levando o planeta ao colapso ecológico. Este século clama por uma nova maneira de agir, de forma que as necessidades de todos sejam atendidas, mas respeitando os limites da Terra.
Em 2015, o Instituto Capital Think dos Estados Unidos divulgou um relatório defendendo que os economistas contemporâneos precisam pensar de acordo com a “ciência do holismo”. Isso significa que, para salvar o mundo, capitalismo ou socialismo não serão suficientes para consertar todos os problemas já causados. Segundo o relatório, esses dois sistemas econômicos encaram cada cadeia de produção com individualidade. Por exemplo, os efeitos da produção de automóveis são independentes dos da mineração de ferro, da extração de combustíveis fósseis, da liberação de gases poluentes. O holismo, por outro lado, vê toda a cadeia dos meios de produção como um conjunto, considerando também os impactos sociais de cada uma. Esse termo foi citado pela primeira vez por Jan Smuts, em 1926, no livro Holismo e evolução. Para o autor, concentrar-se em apenas uma parte dos processos de produção pode dificultar o entendimento do organismo social como um todo, que inclui pessoas, economia e meio ambiente.
Em abril deste ano, a economista Kate Raworth lançou o livro Doughnut economics: seven ways to think like a 21st century economist, que em português seria Economia da rosquinha: sete maneiras de pensar como um economista do século XXI. Nele, a autora explica que, nos últimos 200 anos, a atividade industrial se baseou em um sistema degenerativo para o planeta. A matéria-prima é retirada da natureza, transformada nas coisas que os consumidores desejam, utilizadas por um tempo e depois jogadas fora. A resposta atual para isso é o conceito de sustentabilidade. Ele propõe que o desenvolvimento respeite os limites sociais e ambientais, para se perpetuar. Mas como lidar com o que já foi danificado? Como recuperar comunidades degradadas ou ecossistemas degenerados. Aí entra um novo conceito, que para alguns é uma evolução da sustentabilidade. Para eles, não basta preservar, é preciso recuperar. “É necessária a transformação da economia que temos hoje, que é degenerativa por definição, em uma que seja regenerativa”, escreveu Kate. Ela defende que os economistas do século XXI têm o papel crucial de cultivar o potencial dos negócios e das finanças para fazer florescer esse futuro regenerativo.
Há três anos, o arquiteto holandês Daan Roosegaarde visitou Pequim, capital da China, pela primeira vez. Hospedado em um quarto no 32º andar, ficou incomodado ao perceber que não conseguia enxergar a cidade pela janela. Inspirado pela situação inconveniente, naquela viagem ele decidiu construir um monumento que chamasse a atenção do mundo para a questão da poluição do ar. Com a parceria do Ministério de Proteção ao Meio Ambiente da China, o artista criou um enorme aspirador de poluição e passou a fabricar diamantes com as impurezas capturadas no ar.
Pode parecer brincadeira ou ficção científica, mas o projeto Smog Free Tower realmente existe e funciona. A torre foi instalada no ano passado em Pequim, construída com 7 metros de altura por 3,5 metros de largura. De acordo com o holandês, a torre é o maior aspirador de ar do mundo e tem a capacidade para limpar 30.000 metros cúbicos de ar por hora. Além disso, a máquina é movida por energia limpa, a eólica, e precisa de somente 1.400 watts para funcionar, o mesmo que uma chaleira elétrica.
Mas como o projeto transforma a poluição recolhida em diamantes? Simples. O autor do projeto explica em seu site, Studio Roosegaarde, que mais de 40% da poluição recolhida pela máquina é carbono. Expondo as partículas a uma elevada pressão, o material é transformado em diamantes. Ao comprar um anel do projeto Smog Free Ring, a pessoa carrega nas mãos cerca de 1.000 metros cúbicos de ar sujo. E leva na consciência a noção de que deixou na atmosfera de Pequim o mesmo tanto de ar limpo. Um verdadeiro item de colecionador, os anéis são exclusivamente produzidos pela equipe da Roosegaarde na Holanda.
Em 2017, uma nova etapa do projeto Smog Free deve ser apresentada. Trata-se de uma bicicleta que filtra a poluição atmosférica. O conceito de funcionamento é basicamente o mesmo da torre. A bicicleta inovadora deve inalar ar poluído e purificá-lo ao redor do ciclista.
O conceito de economia regenerativa defende basicamente os mesmos ideais dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), criados pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015. Os ODS foram adotados oficialmente por todos os 193 estados-membros da ONU. As metas, que deverão ser cumpridas até 2030, estabelecem ações em diversas áreas, como educação, paz, consumo responsável, igualdade social e proteção do meio ambiente.
Época.com

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Seus olhos podem estar cobertos de bactérias que combatem doenças

 
Se os olhos são janelas para a alma, eles são janelas abertas, potencialmente deixando entrar todos os tipos de doenças. Para garantir que isso não aconteça, nossas lágrimas são carregadas de células imunes e compostos que matam bactérias. Na verdade, nossos olhos são tão inóspitos que há muito tempo imaginávamos que eles eram as únicas partes dos nossos corpos que não tinham uma comunidade bacteriana simbiótica. Mas, agora, cientistas encontraram evidências de um antes inimaginável microbioma ocular, e ele pode ajudar a afastar doenças.
Em um artigo publicado nesta terça-feira (11) no periódico Immunity, um time internacional de cientistas detalhou uma bactéria benéfica descoberta vivendo nos olhos de ratos que ajuda a lutar contra espécies que causam conjuntivite. Embora esse estudo tenha sido feito em animais, espécies relacionadas de bactérias foram encontradas em olhos humanos.

Nós costumávamos considerar a superfície do olho uma terra desolada bacteriana, sendo que todas as outras partes dos nossos corpos que entram em contato com o mundo externo, da nossa pele aos nossos estômagos e às nossas narinas, são lar de uma diversificada flora microbiana. Esses microbiomas são umas das primeiras linhas de defesa contra patógenos em potencial, trabalhando com o sistema imune dos nossos corpos para lutar contra infecções. É um pouco estranho que apenas os olhos não tenham uma comunidade bacteriana.

Então, em anos recentes, houve um crescimento de pesquisas visando descobrir o microbioma ocular escondido. Amostras dos olhos, especialmente da conjuntiva — a membrana que cobre a frente dos nossos globos oculares e o interior das nossas pálpebras —, foram testadas como positivas para DNA de muitas espécies diferentes de bactéria. Mas encontrar DNA não é a mesma que encontrar bactérias residentes.
"As pessoas têm encontrado DNA bacteriano no olho humano, mas ninguém apresentou prova experimental de que essas bactérias realmente vivem lá", disse a coautora principal Rachel Caspi, imunologista do National Eye Institute, em um comunicado. "Até onde sabemos, essas bactérias podem ter ‘aterrissado acidentalmente’ no olho e foram mortas pelos agentes antimicrobianos nas lágrimas ou pelas células imunes."

Para confirmar que certos micróbios realmente chamam os olhos de suas casas, os cientistas precisam demonstrar bactérias vivas. Assim, uma equipe de pesquisadores limpou os olhos dos ratos e esfregou as amostras em placas de Petri para ver o que cresceria. A maioria das placas ficaram brancas, mas uma foi acidentalmente deixada por uma semana em uma incubadora com oxigênio. Quando os pesquisadores perceberam seu erro e foram limpar a placa esquecida, eles encontraram pequenas amostras de uma bactéria de crescimento lento, que eles afirmam ser a primeira espécie confirmada do microbioma ocular das cobaias.

A espécie foi identificada como Corynebacterium mastitidis, uma bactéria conhecida por viver na pele humana. No entanto, a bactéria parecia um pouco estranha, crescendo em fios finos, chamados de filamentos, distintos da sua forma comum de haste. A equipe sugeriu que isso pode ser devido ao estresse, embora eles não tenham executado experiências para determinar isso conclusivamente. É possível que essas bactérias achem o ambiente do olho um pouco hostil, mesmo que possam sobreviver nele.

"Nós sabemos que a C. mastitidis deve ser um ‘residente permanente’, em oposição a um ‘convidado’, porque deve ser instilado no olho, ou adquirido da mãe na infância", disse Anthony St. Leger, autor principal do estudo e pesquisador de pós-doutorado no National Institutes of Health. "Não se transfere de um rato adulto para outro na mesma gaiola, mesmo depois de semanas de co-habitação."
Ao remover e estudar a C. mastitidis residente de alguns camundongos, os cientistas demonstraram que sua presença ajudou a prevenir infecções oculares. Lágrimas de ratos com C. mastitidis foram mais letais para as estirpes patogênicas dos fungos Candida albicans e bactérias Pseudomonas do que as lágrimas de ratos que não possuíam bactérias.

Os cientistas acham que a bactéria desempenha um papel benéfico ao ativar caminhos imunológicos que mantêm o olho inundado com agentes antimicrobianos e células imunes que matam os patógenos. A ideia veio de uma estirpe especial de camundongos que não possuem a molécula imune IL-17. Sem isso, as cobaias são propensas a infecções bacterianas oculares desagradáveis, o que conhecemos como conjuntivite. Os cientistas formularam a hipótese de que a IL-17 é uma peça chave na defesa ocular e se perguntaram se as bactérias que vivem no olho podem desencadear a ativação da molécula. Em experimentos de cultura de tecidos, eles mostraram que a C. mastitidis induz produção de IL-17 em células imunes oculares. E quando os ratos que não tinham as bactérias foram inoculados, começaram a produzir mais IL-17 e tornaram-se resistentes às infecções oculares.

Há muito mais para aprender sobre esse relacionamento simbiótico. Não está claro como a C. mastitidis sobrevive às condições inóspitas da conjuntiva. E como ela persiste frente ao ataque desencadeado por IL-17, que mata as espécies patogênicas, é desconhecido. Nem os cientistas sabem ainda como a bactéria vai parar nos olhos.

Mas, armados com o conhecimento de que essas bactérias existem, eles agora podem reexaminar os olhos humanos em busca de espécies similarmente úteis. Compreender a microbiota do olho não só promove a nossa compreensão de nossos corpos, mas pode levar a novas ideias para tratar a conjuntivite. E a equipe espera que eles encontrem muito mais do que apenas Corynebacterium vivendo em nossos globos oculares. "Nós não pensamos que C. mast seja o único comensal. Esta é uma prova de conceito", disse Caspi. "Não há dúvida em nossas mentes de que outros comensais também serão encontrados na superfície ocular."


Após meses de expectativa, iceberg maior que o Distrito Federal se descola da Antártida

Um dos maiores icebergs já documentados acaba de se descolar da Antártida.
O bloco gigante de gelo tem 6 mil km², uma área maior que a do Distrito Federal. O novo iceberg provavelmente está entre os dez maiores já registrados por um satélite.
Um satélite americano observou o iceberg na quarta-feira enquanto passava por uma região chamada de plataforma de gelo Larsen C, na Antártida.
Os cientistas já esperavam pelo acontecimento, já que eles monitoravam o avanço de uma enorme fenda na plataforma há mais de uma década.
Em maio, os satélites Sentinel-1 da União Europeia haviam registrado uma curva na fenda da Larsen C, indicando uma possível mudança de direção.
Agora que se desprendeu, o enorme bloco deve se afastar gradualmente da plataforma de gelo.
"Isso não deve acontecer rapidamente porque o Mar de Wedell é repleto de gelo, mas tenho certeza de que será mais rápido do que todo o processo de ruptura dos últimos meses. Tudo dependerá das correntes e dos ventos", explica Adrian Luckman, professor da Universidade de Swansea, no Reino Unido.
A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártida. As plataformas de gelo são as porções da Antártida onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.
Segundo cientistas, o descolamento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a uma ruptura futura.
A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta oeste da Antártida.
Os pesquisadores vinham acompanhando a rachadura na Larsen C há muitos anos. Recentemente, porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de rupturas das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.
No ano passado, cientistas afirmaram que a rachadura na Larsen C estava aumentando rapidamente.
Mas, em dezembro, o ritmo aumentou a patamares nunca antes vistos, avançando 18 km em duas semanas.
Fendas
 

Aquecimento global

Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por décadas, mas cresceu durante um período específico.
Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não têm evidências suficientes para embasar essa teoria.
No entanto, os cientistas permanecem preocupados sobre o impacto do descolamento desse iceberg do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B, em 2002, ocorreu de forma muito semelhante.
A expectativa dos cientistas é de que a recém separada plataforma se movimente pouco nos próximos anos.
Mas, novas rupturas na plataforma podem acabar dando origem a geleiras que, em vez de permanecer na região, rumariam ao oceano. Uma vez que esse gelo derrete, afeta o nível dos mares.
Ainda há poucas certezas absolutas, contudo, sobre uma mudança iminente no contorno da Antártida.
BBC Brasil

terça-feira, 11 de julho de 2017

"Despacito": Ciência explica o sucesso das músicas chiclete!

Pode ser que a canção te agrade. Ou não.

Luis Fonsi e Daddy Yankee
Mas a ciência ajuda a explicar por que Despacito, dos porto-riquenhos Luis Fonsi e Daddy Yankee, parece "grudar" na memória de quem a escuta.
Estudos na área de neurociência e psicologia encontraram certos elementos em comum nas chamadas "músicas-chiclete".
"A música ativa as áreas do cérebro relacionadas com sons e movimentos, mas também as associadas às emoções e recompensas", explica Jessica Grahn, cientista da Universidade do Oeste de Ontario, no Canadá, à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Especialista em estudos ligados à música, Grahn conta que as canções que geram maior comunicação entre as áreas do cérebro ligadas ao som e às emoções são as que mais agradam.
Mas como fazer essa conexão?

'Guloseimas' para o cérebro

Não há uma fórmula mágica, mas certos elementos funcionam como "guloseimas" para o cérebro.
O primeiro ingrediente é o ritmo. Quando uma canção tem uma batida fácil de seguir, como é o caso de Despacito, ela aumenta a atividade cerebral na zona associada ao movimento, segundo experimentos. Mesmo se a pessoa está totalmente quieta.
Em geral, as canções pop a que estamos expostos têm ritmos familiares, o que até certo ponto é previsível. Essa característica, diz Grahn, funciona como uma espécie de recompensa para o cérebro, pois é agradável que a canção se desenvolva como pensamos que vai ocorrer.
A "mágica", porém, ocorre quando a canção inclui algum elemento que fuja do previsível.
"Trata-se usar a batida, mas fazê-la mais interessante com alguma novidade. Fazer a canção interessante, mas sem tirar muito do que esperamos ouvir", afirma a cientista.
Nahúm García, um produtor de música espanhol, acredita ter encontrado o pequeno detalhe que tornou Despacito algo especial.
"Vocêm riem de 'Despacito', mas a maneira como o ritmo quebra antes do refrão é uma genialidade", escreveu ele em sua conta no Twitter.

Gráfico geito por Nahúm García

Ruptura

García se refere ao que acontece após 1m23s de canção, momento em que a melodia para e Fonsi diz pela primeira vez a palavra despacito (algo como "devagarzinho" em espanhol).
É quase imperceptível, mas o fraseado "atravessa" o ritmo durante uma parada da batida.
"A ruptura é radical e faz alusão a intenção sexual da letra (que contém um pedido de ritmo mais lento para o ato), criando uma unidade entre intenção e efeito", disse García em sua página no Facebook.
"O cérebro se dá conta de que houve uma parada incomum, e isso chama a atenção."
Segundo García, esse truque não é muito comum na música pop. Mas... por que esse efeito ocorre apenas na entrada do primeiro refrão?
"Se usado de novo, pode cansar", acredita o espanhol. "Não se pode quebrar o ritmo de uma canção muitas vezes, porque isso resulta em um esforço para o cérebro."

Canção-chiclete

Psicólogos e cientistas chamam canções-chiclete de "vermes de ouvido". O termo foi criado por James Kellaris, compositor e professor de marketing da Universidade de Cincinnati, nos EUA, e cujos estudos têm como tema a influência da música sobre consumidores.
Kellaris argumenta que os "vermes" são normalmente canções repetitivas e pouco complexas seja em ritmo, letra ou ambos.
Mas outra característica é justamente que a canção conte com elementos inesperados, como um compasso irregular ou um padrão de melodia pouco usual.
"Despacito tem elementos de um 'verme'. É animada, simples, repetitiva e tem um ritmo pegajoso", diz Kellaris.
Mas o especialista americano menciona outros elementos que ajudam a explicar o sucesso, como o atraente vídeo ou o nível de exposição que as pessoas tiveram à canção.
O êxito é inegável: Despacito já encabeçou as paradas de sucesso em 45 países e se tornou a primeira canção em espanhol a chegar ao posto de número da revista americana de música Billboard desde 1996, quando Macarena tomou o mundo de assalto.
O vídeo da música já ultrapassou a impressionante marca de 1 bilhão de visualizações no YouTube.
BBC Brasil

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Com cais do Valongo, no Rio, Brasil ganha seu 21º patrimônio histórico reconhecido pela Unesco

Porto de chegada de quase um milhão de escravos africanos, o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, foi declarado Patrimônio Mundial da Unesco, a agência cultural da ONU.
 
Cais do Valongo, Rio de Janeiro
Esse é o 21º patrimônio histórico reconhecido pela ONU no país, em uma lista que inclui centros históricos, parques nacionais e áreas preservadas em várias regiões.
O Brasil foi o principal destino de escravos africanos nas Américas, e o Cais do Valongo se tornou o maior porto de entrada deles no país até meados do século 19. Ele ficou por décadas aterrado e sua riqueza começou a ser redescoberta durante o trabalho de revitalização da zona portuária do Rio para as Olimpíadas de 2016.
"É o mais importante vestígio físico da chegada dos escravos africanos ao continente americano", disse, em nota, a Unesco.
A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogea, disse que, "o Valongo merece estar junto de lugares como Hiroshima e Auschwitz para nos fazer lembrar das partes da história da humanidade que não podemos esquecer".
Segundo o Iphan, o desembarque de escravos no Rio foi integralmente concentrado na região da Praia do Valongo a partir de 1774, e ali "se instalou o mercado de escravos que, além das casas de comércio, incluía um cemitério e um lazareto".
 
Objetos
 
O calçamento de pedra que constitui o Sítio Arqueológico do Cais do Valongo foi parte das obras de infraestrutura realizadas em 1811, "com o incremento do tráfico e o fluxo de outras mercadorias".
Após a declaração da República no Brasil, em 1889, o cais do Valongo foi aterrado. Com as obras do Porto Maravilha, foram encontrados milhares de objetos pessoais na região, como partes de calçados, botões feitos com ossos, colares, amuletos, anéis e pulseiras em piaçava.

Sepultura coletiva

Após uma longa jornada pelo Atlântico, africanos esquálidos eram mantidos na região portuária em chamadas casas de engorda para se recuperarem. Depois, eram vendidos e levados a trabalhar em plantações de várias regiões, além de serem empregados em atividades domésticas e construções do Rio.
Muitos, no entanto, não sobreviviam. A poucos quarteirões do cais está um cemitério onde, entre 1770 e 1830, milhares de escravos foram enterrados. Restos desse local foram encontrados por acaso em 2011, quando um casal reformava sua casa na área e se deparou com ossos e crânios.
 
Vista da Pedra do Sal
 
O tráfico de escravos estrangeiros foi banido em 1831, mas continuou ilegalmente até a escravidão ser abolida no país, em 1888.
Cerca de quatro milhões de escravos chegaram ao Brasil entre os séculos 17 ao 19, o que representa quase 40% dos escravos que desembarcaram nas Américas.
A partir de 2012, o Cais do Valongo passou a fazer parte de um circuito histórico de celebração da herança africana no Rio.
Esse não é o único patrimônio da Humanidade brasileiro a figurar na lista da Unesco. Conheça abaixo outras 20 atrações que ganharam o mesmo status:
  1. Cidade de Ouro Preto (MG)
  2. Centro histórico de Olinda (PE)
  3. Ruínas de São Miguel das Missões (RS)
  4. Centro histórico de Salvador (BA)
  5. Santuário de Bom Jesus do Congonhas (MG)
  6. Parque Nacional do Iguaçu (PR)
  7. Brasília (DF)
  8. Parque Nacional da Serra da Capivara (PI)
  9. Centro histórico de São Luís (MA)
  10. Áreas protegidas de Mata Atlântica do Sudeste (PR e SP)
  11. Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento (BA e ES)
  12. Centro histórico de Diamantina (MG)
  13. Complexo de Conservação da Amazônia Central (AM)
  14. Área de conservação do Pantanal (MT)
  15. Ilhas do Atlântico: Reservas de Fernando de Noronha (PE) e Atol das Rocas (RN)
  16. Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas (GO)
  17. Centro histórico da Cidade de Goiás (GO)
  18. Praça de São Francisco na cidade de São Cristóvão (SE)
  19. Cidade do Rio de Janeiro (RJ)
  20. Conjunto moderno da Pampulha (MG)

Quem é a poderosa mulher inteiramente tatuada que viveu há 1700 anos no Peru e teve rosto recriado

Seus restos mortais foram encontrados há 12 anos em meio às ruínas de uma pirâmide de ladrilhos de barro no norte do Peru.

Agora, pesquisadores revelaram, pela primeira vez, como era o rosto da mulher que obrigou historiadores a reformular o conhecimento sobre as estruturas de poder de uma antiga civilização local.
Até ela ser descoberta, os especialistas acreditavam que só homens haviam desfrutado de posições de poder na cultura moche, na era pré-colombiana, entre 100 e 700 d.C., que floresceu no vale de Chicama, no noroeste do Peru, séculos antes do incas.
Mas, a julgar pela tumba da Senhora do Cao, como a múmia é conhecida, ela foi uma mulher de grande poder e status social.
Seu corpo mumificado foi encontrado envolto em panos, ao lado de uma coroa e rodeado por objetos de ouro e cobre - e por armas, inclusive de guerra - na pirâmide de Huaca Cao Viejo, próximo à cidade de Trujillo.
Seus pés, pernas e rosto estavam cobertos com tatuagens de serpentes, aranhas, formas geométricas e desenhos abstratos.
É possível que ela tenha sido a mulher de um governante, mas a riqueza e os itens presentes em seu jazigo levaram os arqueólogos a crer que ela tenha sido uma líder religiosa ou política.

Múmia da Senhora do Cao

Uma autópsia revelou que a Senhora do Cao tinha entre 20 e 30 anos de idade quando morreu, há 1.700 anos, provavelmente por causa de complicações no parto.
Seus traços faciais agora podem ser apreciados graças à uma análise com lasers de sua estrutura cranial e dos seus restos mortais.
Os dados da análise foram colocados em um computador forense para revelar as características da cabeça e do rosto. Para "preencher as lacunas" e determinar as cores da pele, dos olhos e dos cabelos, os especialistas usaram fotos de mulheres que hoje vivem na mesma região.
Por fim, uma reprodução foi confeccionada em fibra de vidro com o auxílio da tecnologia de impressão 3D.
O ministro da Cultura do Peru, Salvador de Solar, disse que a equipe de pesquisa identificou na mulher um rosto oval e maçãs faciais elevadas, características presentes ainda hoje em muitos cidadãos do país.
"Agora, uma combinação rara de passado e futuro nos permite ver como era o rosto dessa líder política, religiosa ou cultural de nossa história", disse Solar.
BBC Brasil

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Um túnel em Teotihuacán, a cidade pré-asteca que reproduz o inferno

Pirâmides
 
Intuíam que existia, só faltava que o encontrassem. Em maio do ano passado, a chefe dos arqueólogos de Teotihuacán, Verónica Ortega, explicou: “Estamos vendo que debaixo dos grandes monumentos do sítio arqueológico existem edificações anteriores. Vimos isso sob as pirâmides do Sol e da Serpente Emplumada, por que não sob a Pirâmide da Lua?”. Ortega estava certa. Nesta manhã, o Instituto Nacional de Antropologia, INAH, anunciou a descoberta de um túnel sob o icônico edifício, uma “emulação do inframundo”.
Anterior à grande Tenochtitlán, Teotihuacán é, acima de tudo, um mistério. Lar de mais de 100.000 pessoas, teve seu esplendor entre o os séculos I e VI. Não há certeza sobre sua queda –um grande incêndio?, lutas internas?, as duas coisas?–, pouco se sabe sobre seus hábitos e praticamente nada sobre seus governantes.
A arqueóloga húngara Esther Pasztory, que estudou a cidade durante décadas, escreveu anos atrás que é única por várias razões: “Quase toda a população do vale –localizado a cerca de 70 quilômetros ao norte da atual Cidade do México– vivia ali, na cidade grande. Era organizada como uma grade. A maioria da população vivia em casas construídas bem o suficiente para chamá-las de palácios”.
O espetacular de Teotihuacán são, naturalmente, as pirâmides, a do Sol, a da Lua e as de Quetzatcoatl, a Serpente Emplumada. Em Teotihuacan: An Experiment in Living, Pásztory as compara com os arranha-céus nova-iorquinos, impressionantes, deslumbrantes. Também com as pirâmides do antigo Egito.
Os túneis são, no entanto, a vanguarda da pesquisa. O inframundo em primeiro lugar. Aqueles que encontravam sob as outras duas pirâmides indicavam que conexão vida-morte era vital para teotihuacanos. O túnel da Pirâmide da Lua o confirma. A arqueóloga Ortega explicou que “o fato de que o túnel tenha sido selado pelos próprios teotihuacanos daria a oportunidade de encontrar novas evidências da organização ritual, mas também sociopolítica, razão pela qual será necessário fazer comparações entre esse possível conduto e os que correm sob a Pirâmide do Sol e o Templo da Serpente Emplumada, em busca de uma melhor compreensão do significado da cidade”.
Durante anos, as descobertas de ofertas e enterros na Pirâmide da Lua foram surpreendentes. “Em comparação com os dados da Pirâmide do Sol e da Serpente Emplumada”, escrevem os arqueólogos Saburo Sugiyama e Leonardo López Luján, “os da Pirâmide da Lua têm uma enorme vantagem para o nosso estudo do simbolismo e da função dos espaços rituais: pela primeira vez na história da arqueologia totihuacana foram encontrados complexos de enterros e oferendas na parte mais alta de uma construção de grandes proporções”. Ou seja, apenas lá, no topo, encontraram enterros de velhos teotihuacanos. Somente na Pirâmide da Lua. É, como logo fizeram os astecas, o enterro de um dignitário? Que relação tinham esses enterros com o túnel recém-descoberto? São, como sempre, incógnitas, mistérios que os arqueólogos, os detetives do espaço-tempo, vão desvelando aos poucos.
El País.com

O que as pessoas comem nas regiões com as expectativas mais altas do mundo?

Qual é o segredo para uma vida longa? Essa pergunta desperta a curiosidade de cientistas e leigos.
 
Homem cuidando do jardim
Alimentar-se bem pode ser uma das respostas - se não para viver eternamente, ao menos para passar dos cem anos de idade.
E é justamente a alimentação que chama a atenção em cinco regiões do planeta onde a população atinge uma idade média superior a cem anos.
"O que descobrimos é que as pessoas nessas regiões não só vivem mais tempo - cerca de dez anos acima da média - mas vivem melhor a sua velhice", disse à BBC o cientista americano Dan Buettner, que batizou essas cinco regiões de "zonas azuis".
Em seu livro As Zonas Azuis, Buettner estudou os hábitos alimentares na ilha de Okinawa, no Japão, na cidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA), na ilha de Ikaria, na Grécia, na Sardenha (Itália) e na península de Nicoya, na Costa Rica.
Mas de que se alimentam essas pessoas para ajudar em sua longevidade?
"A maioria dos alimentos que consomem vêm de plantas. Mas, acima de tudo, são alimentos não processados ​ou muito pouco processados", disse Buettner, que contou ter partido da "bastante estabelecida" noção de que apenas 20% da nossa longevidade média pode ser atribuída à genética. "Os 80% restantes (se devem) ao estilo de vida e ao ambiente."

Sem leite ou refrigerante

De acordo com Buettner e uma pesquisa que contou com o apoio da National Geographic, os três alimentos básicos são as folhas verdes (vegetais), oleaginosas e grãos.
Mas existem muitas variações e complementos que dependem exclusivamente de cada região.
"Eles comem carboidratos, mas não processados como bolos ou donuts, mas sim grão de trigo ou batatas", disse o pesquisador.
Uma das coincidências nas dietas é a ausência total de refrigerantes e produtos derivados do leite de vaca.
"Muitas dessas pessoas que conseguiram ter uma vida tão longa só conheceram os refrigerantes há cerca de dez anos. E comem queijo, mas os que vêm de cabra ou pecorino, de ovelhas", disse ele.
Quando se trata de proteína, o peixe é rei.
"Eles consomem cerca de três porções de peixe por semana, a mesma frequência dos ovos. Mas comem pouca carne vermelha, cerca de cinco porções por mês", disse Buettner.
"É o que eles têm ao seu alcance. Seu consumo se limita muito ao que eles são capazes de produzir localmente."

E o que bebem?

Em 2013, perguntaram a Stamatis Moratis, um morador da ilha de Ikaria de 98 anos de idade, qual era o segredo para viver tanto.
E sua resposta não era peixe nem grãos ou vegetais. "É o vinho."
"O vinho que eu tomo é puro, nada é adicionado. O vinho produzido comercialmente têm conservantes, que não são bons", disse ele na época à BBC.
De acordo com Buettner, as bebidas preferidas das pessoas dessas áreas são água e vinho.
"Tomam, em média, seis copos de água e muitos deles têm, dentro de suas culturas, o hábito de tomar umas três porções de vinho por semana", detalhou.
Mas há uma outra surpresa: o café também tem lugar cativo.
"Vimos que em algumas destas zonas azuis o consumo de café é bastante comum, especialmente porque o consideram um potente antioxidante", acrescentou o pesquisador.

Influência dos processados

Uma das conclusões da pesquisa de Buettner é a péssima influência de alimentos processados ​​em dietas ao redor do mundo - algo que se expandiu pela influência dos EUA. A ponto de algumas das zonas azuis estarem perto de perderem tal "status" por força da incorporação de comidas processadas em suas dietas.
Ao mesmo tempo, é curioso que uma dessas zonas azuis esteja localizada precisamente nos Estados Unidos: Loma Linda, na Califórnia.
E talvez a resposta para a longevidade dali seja a religião.
Cerca de metade dos 24 mil habitantes desta cidade são membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia. E vivem dez anos a mais do que a maioria dos americanos.
"Acho que cheguei a esta idade (101 anos em 2015) porque não bebo ou fumo, vou para a cama cedo e agradeço a Deus por sua bondade", disse Betty Streifling à BBC.
Nesse sentido, Buettner diz que ninguém pode mudar seus hábitos alimentares da noite para o dia, mas sim o ambiente.
"É muito difícil tentar mudar a atitude das pessoas frente à comida, mas se em vez de se depararem com uma hamburgueria ou sorveteria a cada duas quadras elas tivessem a seu alcance lojas de alimentos saudáveis, certamente as taxas de longevidade aumentariam", opinou.
"Além disso, nessas áreas azuis, a ideia de 'alimentação saudável', que para muitos é uma imposição, para eles é simplesmente 'comer normalmente', como têm feito há anos", concluiu.
"O segredo é dedicar o tempo a preparar esses alimentos básicos que os humanos consomem há milhares de anos, torná-los saborosos - considerando que nosso paladar foi destruído pelo açúcar, pelo sal e pela gordura (dos alimentos processados)."
BBC Brasil

A tecnologia desenvolvida na F-1 que pode ajudar a salvar vidas de bebês doentes

A tecnologia da Fórmula 1 impactou muitos outros setores, da aeronáutica ao ciclismo, do transporte público à análise de dados - e agora ajuda no desenvolvimento de um carrinho especial para bebês gravemente doentes.
 
Babypod
Se você ignorar o apelo das disputas palmo a palmo entre os carros de corrida mais velozes do mundo, tudo pode parecer meio sem graça. Mas a tecnologia desenvolvida no calor da competição pode terminar em lugares inesperados.
A equipe Williams, do piloto brasileiro Felipe Massa, por exemplo, que gasta mais de £ 100 milhões (R$ 426 milhões) a cada ano nos seus carros, usou seus conhecimentos técnicos e materiais para criar um tipo diferente de transporte - para bebês recém-nascidos.
O Babypod 20, como é conhecido, é uma caixa leve e macia com uma tampa transparente e um interior altamente acolchoado. Foi feito para transportar bebês que estão gravemente doentes seja por carro, ambulância ou helicóptero.
Ele parece básico, mas é resultado de um processo de desenvolvimento intenso. O material usado no design, fibra de carbono, é o mesmo - extremamente resistente - utilizado também nos carros da F1.
O porta-bebê está sendo construído pela Williams Advanced Engineering, a "irmã dos negócios" do time da Fórmula 1, em Grove, no Reino Unido.
A empresa tem trabalhado no novo design ao lado da Advanced Healthcare Technology (AHT), uma companhia que desenvolve sistemas de transporte para bebês há vários anos.
Carregar recém-nascidos de um lugar para outro não é fácil.
Eles precisam ser mantidos em uma temperatura constante e protegidos de vibração e barulhos enquanto são monitorados de perto por uma equipe médica.
No passado, eram usadas incubadoras. Mas elas são equipamentos pesados e desajeitados que demandam um fornecimento elétrico externo e muitas vezes veículos feitos para carregá-las também.
 
O carrinho Babypod da Williams
 
O Babypod inicialmente foi desenvolvido pela AHT como uma alternativa leve e mais prática. A Williams então foi chamada para desenvolver um design novo e mais avançado.
O resultado é um equipamento que pesa 9,1 kgs - o mesmo de cerca de três tijolos grandes - e ocupa relativamente pouco espaço, além de poder suportar o impacto de até 20 vezes a força da gravidade (para o caso de a ambulância que o estiver carregando se envolver em um acidente, por exemplo).
O porta-bebê já está sendo usado pelo Serviço de Transporte de Crianças (CATS, na sigla em inglês) do Hospital Infantil Great Ormond Street em Londres.
O gerente operacional do CATS Eithne Polke diz que o serviço está encantado com o novo carrinho, que custa £ 5,000 (R$ 21,3 mil) cada unidade.
O transporte rápido e eficiente pode salvar vidas em situações de emergência, diz ela, e o carrinho "permite uma flexibilidade e uma manobra maiores quando transportamos crianças gravemente doentes".
A Williams Advanced Engineering foi criada em 2010 para fazer um uso maior da tecnologia e do conhecimento desenvolvidos com os altos custos da Fórmula 1.
Boa parte de seu trabalho ainda está ligado ao setor automotivo. Ela ajudou a desenvolver um carro híbrido para a Jaguar, por exemplo, e uma versão elétrica para o carro esportivo Aston Martin rapide, conhecido como RapidE.
Mas ele também é utilizado em outras áreas, desenvolvendo sistemas de armazenamento de energia para projetos de energia solar e geladeiras mais eficientes, por exemplo.
 
Carro da Williams da F1
 
De acordo com Clare Williams, vice-diretora da equipe de F1, há muito mais oportunidades para esse tipo de exploração do conhecimento da F1.
"Materiais leves, compostos, aerodinâmicos... Todas essas tecnologias podem ser facilmente aplicadas a outras indústrias, outros setores, outros projetos e produtos", disse ela, "para invariavelmente melhorá-los, mas, mais importante que isso, torná-los mais seguros".
"Esse é o caso do Babypod".
Um dos rivais da Williams, a McLaren, também tem seu braço de engenharia e design - a McLaren Applied Technologies - que oferece sua perícia a várias empresas, da fabricante de bicicletas Specialized até a empresa de perfuração Ecofisk.
Essas aplicações de engenharia têm um objetivo em comum: gerar dinheiro para a equipe da F1.
Até agora, a Williams Advanced Engineering tem sido bem-sucedida.
A empresa contribuiu com £ 37 milhões (R$ 157 milhões) para as receitas do grupo no ano passado, de £ 167 milhões (R$ 712 milhões). E seu lucro foi de £ 4,2 milhões (R$ 18 milhões).
Em um esporte que consome dinheiro com a mesma rapidez em que seus carros consomem combustível, essa quantia pode parecer pequena. Mas enquanto a Williams batalha para competir com equipes muito mais ricas como Ferrari, Mercedes e Red Bull, cada centavo é necessário.
"A equipe da F1 ainda está no cerne do que fazemos", diz Williams.
"A corrida está no nosso DNA, mas nos espalhamos e diversificamos, e ter essa receita da Advanced Engineering será imensamente importante para nós no futuro.
E se o Babypod for um sucesso, no futuro podemos ter algumas pessoas que devem suas vidas à tecnologia desenvolvida por engenheiros da Fórmula 1.
BBC Brasil

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Empresa dos EUA promete lançar carne artificial em 2018

Laboratório da Hampton Creeke
 
A empresa norte-americana Hampton Creek, especializada em criar maionese vegana, anunciou que lançará até o fim do próximo ano uma carne sintética para comercializar em supermercados. "Até o final do próximo ano, nós vamos ter algo no mercado. Será de muita ajuda o fato de colocarmos os nossos produtos nas lojas em vez de ter de começar as relações do zero", explicou o CEO da companhia, Josh Tetrick.
 Mundialmente, já existem várias empresas que estão trabalhando para produzirem carne sintética. No entanto, apenas a "Memphis Meats" havia anunciado que iniciaria a produção e faria a comercialização do alimento apenas em 2021. A produção de frango e pato sintéticos teria um custo de US$ 6 mil.
"As empresas tradicionais de carne poderiam se tornar investidores significativos. Estamos em contato com muitas delas no mundo inteiro. Espero que uma ou duas parcerias se materializem em breve", acrescentou Tetrick.
O desafio para todas as empresas não é conseguir produzir a carne a partir de células-tronco individuais, mas fazer o produto ter um preço competitivo no mercado. Em 2013, o pesquisador holandês Mark Post apresentou pela primeira vez um hambúrguer sintético. O alimento tinha meio quilo de carne produzida em laboratório e teve custo de U$ 1,3 milhão.
A produção da carne é feita a partir de células retiradas do músculo animal e cultivadas in vitro até formarem filamentos de tecido. No entanto, os cientistas da Hampton Creek tentam trabalhar alternativas mais econômicas de origem vegetal.
 

Italianos reconstroem origem geológica das 7 colinas de Roma

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O mar, os vulcões, o rio Tibre e seu afluentes foram os responsáveis por terem moldado as famosas sete colinas de Roma. Essa conclusão, assim como a reconstrução geológica de outras áreas da capital italiana, faz parte de uma pesquisa publicada na revista “Quaternary International” e conduzida pelo Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (Ingv) e pelo Instituto Superior para a Proteção e a Pesquisa Ambiental (Ispra). Da pesquisa, conduzida pelos estudiosos Gian Marco Luberti, Fabrizio Marra e Fabio Florindo, emerge que o que desenhou a paisagem romana foram as oscilações do nível do mar ligadas às diversas épocas glaciais, a  a atividade dos vulcões dos Monti Sabatini, a noroeste, e dos Colli Albani, a sudeste, e ao curso de rios, que exercitaram uma ação de depósito de sedimentos e de erosão. “A presença de um grande curso d’água e a proximidade da costa fizeram com que os fenômenos de deposição, no último milhão de anos, fossem regulados pelas oscilações do mar, induzidas pelo alternar dos períodos glaciares e interglaciares”, afirmou Marra. Segundo o italiano, a reconstrução conseguiu ser mais detalhada graças aos depósitos vulcânicos ricos de argão que permitiram aos pesquisadores fazerem “datações mais precisas”. Essas técnicas de datação também permitiram reconstruir a relação entre a deposição de sedimentos do rio Tibre e o aumento do nível do mar no final das eras glaciais. Deste modo foi redeterminada, por exemplo, a idade do depósito sedimentário nos quais foram descobertos os crânios de Homo Neanderthalensis de Saccopastore e também conseguiu se demonstrar que os restos mortais encontrados na região do Valle dell’Aniene são a evidência mais antiga da presença deste hominídeo na Itália. (ANSA)
Isto é.com