quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Cassini inicia suas cinco órbitas finais ao redor de Saturno

Últimas imagens divulgadas pela nave, que se aproxima do seu ‘Grand Finale’, incluem fotos da superfície de Saturno, seus anéis e Titã, uma de suas luas.
 
Anéis de Saturno
 
Detalhes dos anéis de Saturno, nos quais os pesquisadores conseguiram identificar as pequenas partículas que os compõem.
A nave Cassini – que passou os últimos 13 anos fotografando e coletando informações sobre Saturno, seus anéis e suas luas – acaba de iniciar a primeira de suas cinco últimas órbitas ao redor do gigante gasoso, informou a Nasa nesta segunda-feira. De acordo com a agência espacial americana, a sonda viajou pela parte superior da atmosfera de Saturno, passando a uma distância de 1.630 a 1.710 quilômetros das nuvens do planeta no ponto mais próximo de sua trajetória. A oportunidade permitiu que Cassini fotografasse essas nuvens, evidenciando seu aspecto único, semelhante a ondas, causado pela interação dos líquidos na atmosfera do planeta.
“À medida em que faz essas cinco órbitas em torno de Saturno, seguidas por um mergulho final, Cassini se tornará a primeira sonda atmosférica de Saturno”, disse Linda Spilker, uma das cientistas responsáveis pelo projeto Cassini, coordenado pelo Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL, na sigla em inglês). “Há muito temos o objetivo na exploração planetária de enviar uma sonda dedicada à atmosfera de Saturno, e estamos estabelecendo as bases para uma exploração futura com esta primeira missão.”
Estes últimos mergulhos revelarão novos dados sobre o gigante gasoso, sua atmosfera e nuvens, os materiais que compõem seus anéis e até informações sobre a gravidade e o campo magnético do planeta. Outros instrumentos da nave farão observações detalhadas das auroras de Saturno, a temperatura no planeta e os misteriosos vórtices que se encontram nos polos.
Em seu grand finale, como a Nasa está chamando esta última etapa da trajetória histórica da sonda, Cassini continuará se movimentando entre Saturno e seus anéis, até que fará um último mergulho em direção ao interior do planeta. A sonda seguirá enviando dados sobre a composição do gigante gasoso até parar de funcionar.
 
Veja.com

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

NASA: julho de 2017 nem precisou de um El Niño para ser o mais quente já registrado

 
 
Julho de 2017 está estatisticamente empatado com julho de 2016 no título do "julho mais quente em 137 anos" – ou seja, desde que os registros começaram a ser feitos, de acordo com o Mashable. Isso é bem preocupante porque não houve El Niño desta vez – um complicado ciclo climático no qual as regiões central e oriental do Oceano Pacífico é inundado com água mais quente do que o normal, aumentando a temperatura média em todo o mundo.
De acordo com o comunicado à imprensa da NASA, julho de 2017 foi 0,83 graus Celsius mais quente do que o parâmetro médio entre 1951 e 1980, ultrapassando julho de 2016 em uma margem ínfima. O El Niño estava acontecendo em 2016, o que significa que julho deste ano conseguiu igualar seu antecessor com uma ajuda extra. De forma alarmante, a NASA notou que "todos os meses passados a julho foram mais do que um décimo de um grau mais frio".
 
A NASA adicionou que seus dados são coletados de cerca de "6.300 estações meteorológicas ao redor do mundo, com instrumentos baseados em navios e bóias que medem a temperatura da superfície do mar, além de estações de pesquisa na Antártica".Os dados são preliminares e talvez mudem, de acordo com o Mashable. Mas o cientista climático Gavin Schmidt tweetou que os dados já disponíveis preveem que há chance de 77% de que o ano de 2017 irá duelar com 2016 para ser o mais o ano mais quente já registrado.
Cientistas conseguem mostrar, cada vez mais, que maiores taxas de eventos climáticos extremos – como sistemas de tempestades maciças ou a onda de calor do sul da Europa deste ano, que foi apelidada de “Lúcifer” – estão ligados à mudança climática. Uma das descobertas chave de um rascunho de uma pesquisa científica federal dos Estados Unidos é que a incerteza nesse campo está diminuindo, e que as mudanças no clima causadas por humanos ao jogar grandes quantidades de gases do efeito estufa na atmosfera são os principais responsáveis por esses eventos.

"Milhares de estudos conduzidos por centenas de milhares de cientistas ao redor do mundo documentaram mudanças nas temperaturas da superfície, atmosfera e do oceano; geleiras derretendo; mantos de neve desaparecendo; gelo do mar rachando; níveis dos oceanos aumentando; e um aumento do vapor de água na atmosfera", diz o sumário do relatório.
"[...] Os últimos anos também revelaram marcas recordes, condições meteorológicas extremas relacionadas ao clima, bem como os anos mais quentes ao redor do mundo".Como nota o Mashable, o último mês mais frio do que a média nos 137 anos de registros aconteceu em dezembro de 1984.A boa notícia é que a maior parte das nações concordaram em trabalhar juntas para começar a lidar com esse problema, ratificando os acordos de Paris realizados em 2015.

O que estas moedas revelam revelam sobre a ascensão do Império Romano

O que estas moedas de prata revelam sobre a ascensão do império romano
 
No instante em que o último elefante do exército de Aníbal caiu morto no norte da África , sabia-se que um nova página da história começaria a ser escrita. A queda simbólica do poderoso general de Cartago, principal adversária política e econômica de Roma no século 3 a.C, encerrava um intenso e duradouro conflito. O fim da 2ª Guerra Púnica, em 201 a.C, fez nascer a dominação romana no Mar Mediterrâneo – não à toa chamado anos mais tarde, carinhosamente, de mare nostrum.
Sem escolhas, os cartagineses precisaram assinar um acordo de paz nada agradável: além de perderem boa parte de sua frota marítima e seus tão preciosos elefantes de guerra, teriam de pagar uma pesada indenização aos vencedores. A dívida anual de 10 mil talentos de prata seria um fardo pesado para os próximos 50 anos. Só para você ter uma ideia, um talento romano correspondia a um peso aproximado de 32 kg. Ou seja, a cada ano, o império derrotado teria de se virar para arranjar 320 toneladas de prata só para quitar suas contas com Roma.
Porém, uma nova pesquisa descobriu que o minério já se encontrava em mãos romanas bem antes de a treta terminar por completo – e a prata de Cartago passar a ser embolsada deliberadamente por Roma. A análise de moedas da época comprovou que em 209 a.C o império cartaginês já tinha sido varrido da península Ibérica, atuais territórios de Portugal e Espanha. Roma aproveitou a deixa para começar a utilizar a prata das minas dessa região, já que elas tinham qualidade superior às da Grécia e sul da Itália – de onde o metal prateado era retirado até então.
As 70 moedas estudadas foram produzidas entre 225 e 201 a.C. Por meio de uma técnica chamada espectrometria de massa, os pesquisadores conseguiram estudar com precisão as moléculas que estão no dinheiro. Os isótopos de chumbo, na hora, acusaram a mudança: os trocados deixaram de ser feitos em quintal italiano e passaram a vir do lado de lá dos montes Pireneus.
“A fluxo gigantesco de prata vinda da península Ibérica mudou drasticamente a economia do império romano, possibilitando que ele se tornasse a superpotência que conhecemos hoje”, explicou Katrin Westner em entrevista ao The Guardian . O trabalho de seu grupo  foi apresentado ao mundo pela primeira vez na última segunda-feira, 14, durante a conferência “ Goldschmidt geochemistry” , em Paris.
“Podemos entender tudo isso lendo as histórias de Tito Lívio, Políbio e outros poetas romanos, mas nosso trabalho dá prova científica de que a ascensão de Roma aconteceu dessa forma. Trouxemos evidências de que a derrota de Aníbal e o início da era de ouro estão gravadas nas moedas do império romano”, completa.
 

O que é o recuo do mar que atingiu as praias do Brasil

Recuo do mar em Itajaí – SC: O fenômeno que fez o mar recuar desde a costa uruguaia no fim de semana atingiu também a praia de Itajaí, em Santa Catarina.
 
As praias do litoral Sul do Brasil amanheceram com as águas extremamente recuadas no início desta semana. Em alguns locais de Santa Catarina, o recuo do mar foi de até 50 metros o que fez com que, em pontos do Sul do Estado, embarcações encalhassem. Em Itajaí, estima-se que o prejuízo tenha chegado a 700.000 reais. Em Caraguatatuba, em São Paulo, os barcos também ficaram na areia. O fenômeno, impulsionado por fortes ventos que empurram as ondas em direção a alto mar, é comum – mas raramente é tão intenso.
“Costumamos observar recuos do mar de dez ou, no máximo, vinte metros. Os eventos deste fim de semana foram entre duas e cinco vezes maiores que o normal”, explica Joseph Harari, professor do Departamento de Oceanografia Física, Química e Geológica da Universidade de São Paulo (USP). “Dessa vez, tivemos a persistência por vários dias de ventos fortes que carregaram as águas para longe das praias – foi um evento meteorológico de grande escala que se refletiu em um fenômeno também de grande magnitude no oceano.”
Segundo o especialista, os ventos fortes – que em alguns pontos do litoral chegaram a 80 quilômetros por hora – são resultado de um sistema de alta pressão no Atlântico Sul. Os ventos, vindos do Nordeste e soprando em paralelo à costa brasileira, empurraram as águas para Sudoeste. Junto a isso, a fase cheia da Lua dos últimos dias intensificou a maré baixa.
“Quando temos esses ventos vindos da direção Norte paralelos ao litoral, soprando persistentes e com forte intensidade, a água do mar acaba sendo ‘empilhada’: recuo das águas”, explica Bianca Lobo, meteorologista do Climatempo.

Previsão

Nos próximos dias, o mar deve voltar às condições normais. Segundo o Centro de Previsão de Tempo de Estudos Climáticos (Cptec-Inpe), o risco de recuo do mar ou ressacas vai diminuir no litoral Sul e Sudeste. De acordo com o órgão, os sistemas meteorológicos que favoreceram a ocorrência do recuo do mar não estarão atuantes. O Cptec destaca também que não existe “qualquer ligação e/ou risco de tsunami”.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Poluição sonora nos oceanos tira a paz (e segurança) dos peixes

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Já tentou dormir ou estudar com o som de uma festa ou o bate estaque de uma construção invadindo seu quarto? Altas são as chances de você se sentir estressado e desorientado com o barulho. No fundo do mar, não é diferente. Uma nova pesquisa sugere que os peixes estão se tornando estressados ​​e confusos como resultado da crescente poluição sonora nos oceanos.
Cientistas da Universidade de Newcastle mediram os níveis de estresse do robalo europeu enquanto replicavam os tipos de sons de emitidos por perfurações para exploração de petróleo e construção de outros projetos marinhos, como estações de salva-vidas. Eles descobriram que o peixe ficava extremamente ansioso e perturbado com a poluição sonora.
Não bastasse perder a “paz” no oceano, os peixes também tornaram-se mais vulneráveis ao ataque de predadores. Ao combinarem os sons de perfuração com a simulação de um predador que se aproximava, os cientistas descobriram que os animais tinham dificuldade de fugir diante do perigo.
Os resultados, publicados esta semana na revista Marine Pollution Bulletin, sugerem que os peixes ficam menos atentos ao que se passa ao seu redor quando ruídos altos invadem seu ambiente.
“Ao longo das últimas décadas, o mar tornou-se um lugar muito ruidoso”, disse a pesquisadora Ilaria Spiga em um  comunicado de imprensa. “Os efeitos que vimos foram mudanças sutis, que podem muito bem ter o potencial de interromper a capacidade dos peixes de permanecer em sintonia com seu meio ambiente.”
Além de tornar os peixes mais vulneráveis ​​aos predadores, os pesquisadores também desconfiam que a poluição sonora possa interferir com a capacidade dos peixes de encontrar comida e companheiros para reprodução. “Se os peixes evitam ativamente as áreas onde esses sons estão presentes, isso pode impedir que eles entrem nas áreas de desova, ou afetar a comunicação entre os indivíduos”, disse Spiga.
Os ruídos utilizados em experimentos de laboratório foram registrados a partir de projetos reais de construção marítima. Os cientistas dizem que os projetos de infraestrutura offshore, o transporte marítimo e até mesmo as atividades em terra (onshore) podem contribuir para a poluição sonora nos oceanos.
Estudos anteriores já destacaram como a poluição sonora pode perturbar as habilidades de comunicação e navegação de baleias e golfinhos, mas o último estudo serve como um lembrete de que o ruído marinho gerado por atividades humanas pode ser perturbador para uma variedade de outras espécies marinhas.

Salvar a camada de ozônio da Terra tem mostrado resultados melhores do que o esperado

 
Em 1989, em meio a crescentes evidências científicas, várias nações juntaram forças para assinar um tratado com o objetivo de deter a expansão do grande buraco na camada de ozônio da Terra. Praticamente trinta anos depois, o Protocolo de Montreal acaba de fazer isso. Mas também conseguiu alcançar algo que nenhum dos seus arquitetos imaginou. O acordo se tornou uma das ferramentas mais efetivas na luta contra a mudança climática.
Essa é a conclusão surpreendente de um estudo publicado nesta semana na Geophysical Research Letters, que dá uma olhada nas consequências do tratado de quase 30 anos que suprimiu os clorofluorcarbonos (CFCs) e depois os hidrofluorocarbonetos (HFCs), após cientistas determinarem que esses compostos estavam destruindo o ozônio na estratosfera do planeta.

Uma vez que CFCs e HCFCs também são potentes gases do efeito estufa, retirá-los do mercado teve um grande impacto nas emissões de poluentes dos Estados Unidos: entre 2008 e 2014, o Protocolo de Montreal levou a reduções nas emissões de gases do efeito estufa que representam cerca da metade de todos as outras iniciativas, levando em consideração as regulamentações climáticas promulgadas pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

"Isso é algo que tem sido falado há algum tempo, o benefício duplo do Protocolo de Montreal, limitando o dano à camada de ozônio e também reduzindo a mudança climática", disse Rachel Cleetus, gerente de políticas climáticas e economista líder do programa de Clima e Energia da Union of Concerned Scientists, ao Gizmodo. "É porque todas essas substâncias que destroem a camada de ozônio são também gases do efeito estufa muito potentes", completa.
De fato, os CFCs e HCFCs utilizados como refrigerantes de geladeiras, propulsores de aerossóis, retardadores de chamas, entre outros produtos, têm um potencial de captura de calor centenas a milhares de vezes maior do que o dióxido de carbono em uma escala temporal de séculos. Embora pesquisas anteriores tenham destacado os benefícios climáticos do Protocolo em uma escala global, o novo estudo analisou especificamente o que sua implementação significava para a poluição climática nos EUA.

Sob o Protocolo de Montreal – que foi imposto por meio da "Clean Air Act" (ou "Lei do Ar Limpo", em tradução livre) da EPA – os EUA viram a praticamente completa eliminação dos CFCs no começo de 1996 e um declínio de 95% nos HFCs desde 1998. Pegando dados da rede de monitoramento do oceano da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), Lei Hu da Universidade do Colorado em Boulder e seu time demonstraram que de 2008 a 2014, a eliminação dessas substâncias teve o impacto climático equivalente a reduzir as emissões de CO2 em 170 milhões de toneladas por ano. Projetando para o futuro, os pesquisadores descobriram que a eliminação contínua de CFC/HCFC poderia suprimir cerca de 500 milhões de toneladas da emissão de CO2 anual até 2025, comparado com os níveis de emissão de 2005.
contexto, 500 milhões de toneladas de CO2 são praticamente um quarto do que os EUA precisam para alcançar o objetivo do Acordo Climático de Paris, que previa a redução de emissões entre 26% a 28% até 2025. É algo próximo também das emissões anuais do setor de agropecuária dos Estados Unidos.

Mas, tem um detalhe: hoje, os benefícios de cortar os CFCs e HCFCs estão diminuindo, em parte, pelo uso de hidrofluorocarbonos (HFCs), que não destroem a camada de ozônio como os seus primos, mas ainda é centenas de milhares de vezes mais eficiente em capturar o calor em relação ao CO2. A boa notícia é que, no ano passado, os Estados Unidos e outros países que aderiram ao Protocolo de Montreal –incluindo o Brasil – concordaram em limitar a produção futura e o consumo de HFCs, também, com a adoção da emenda Kigali.

A emenda legalmente vinculativa, exige que países ricos interrompam a produção e uso dos HFCs até 2018, foi aclamada pelo então secretário de Estado John Kerry como o "passo mais importante" na luta contra as mudanças climáticas. Isso acontecem em menos de uma semana depois que 170 nações ratificaram o Acordo Climático de Paris.
É claro, independente do quão positivo isso seja, ainda teremos que reduzir as emissões de carbono se queremos minimizar o aquecimento global. Os Estados Unidos, por sua vez, está indo na contra mão, saindo do Acordo de Paris e desfazendo regulamentos climáticos da era Obama. Talvez, a coisa mais importante que o Protocolo de Montreal tem para oferecer hoje – além dos benefícios climáticos imediatos – é um grande lembrete de que ações significativas são possíveis.

"Como um quadro político, tem sido um sucesso incrível", disse Cleetus, que não estava envolvida com o novo estudo. "É muito impressionante o rápido crescimento dos países. O que também é impressionante é como o protocolo amadureceu e foi atualizado ao longo do tempo".
 cientista atmosférico no Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos Estados Unidos, concorda. ""Esta é uma prova maravilhosa do sucesso da Clean Air Act, justamente numa época em que está começando a ser prejudicada pela administração Trump", disse ele ao Gizmodo. "Se alguém toma as ações apropriadas, existem consequências que podem realmente funcionar".
 

Cientistas criam novo tipo de fogo

NOVAS-375
 
O novo fogo foi descoberto por cientistas da Universidade de Maryland, que conseguiram produzi-lo queimando oxigênio puro.
Ele é 100% azul, o que indica altíssima eficiência (mesmo a chama do fogão doméstico, uma das mais eficientes que existem, tem um pouco de amarelo – um sintoma de combustão incompleta). “Os tornados azuis evoluem de vórtices com o tradicional fogo amarelo. A cor amarela, alias se dá pela irradiação de partículas de fuligem, que se formam quando não há oxigênio o suficiente para queimar o combustível por inteiro”, afirma Elaine Oran, co-autora do estudo.
Os pesquisadores conseguiram manter o fogo por oito minutos, mas pretendem estender esse tempo. A ideia é usá-lo em caldeiras supereficientes, capazes de gerar calor emitindo menos CO2 do que as chamas tradicionais.
 

Blue Whirl – a fire tornado burning soot-free


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Teoria de Einstein passa por um grande teste

 
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As leis físicas mais básicas que você aprendeu - aquelas elaboradas por Isaac Newton no século XVII - não funcionam para tudo. Quando você tenta aplicá-las a coisas muito rápidas que se movem quase à velocidade da luz ou coisas mais pesadas que as estrelas, elas começam a desmoronar. É aí que entra em cena a teoria expandida de Albert Einstein sobre o movimento e a gravidade, a teoria da relatividade geral.
A relatividade geral funciona muito bem, e fez previsões que cientistas comprovaram cem anos depois. A questão então se torna: é possível quebrá-la?

Uma equipe de cientistas usou 20 anos de dados de vários telescópios para ver como três estrelas orbitavam o centro de nossa própria galáxia Via Láctea, Sagittarius A*. Eles criaram um teste de teoria da relatividade geral em um regime de massa que até hoje não foi bem testado. E a teoria foi verificada, mais uma vez... por enquanto.
"Neste momento, isso é basicamente um teste de consistência", disse o autor do estudo Andreas Eckart ao Gizmodo. "Nós avaliamos os dados com o que esperávamos da relatividade", e viram "indicações muito fortes que obtivemos a resposta esperada".

Cientistas como Einstein elaboraram teorias para explicar algo que eles não entendem. Mas uma vez que a teoria existe, ele deve fazer previsões testáveis. Os cientistas devem continuar a testar a teoria de várias maneiras: provando que essas previsões realmente existem, como a descoberta de ondas gravitacionais anunciadas em 2016, ou tentando quebrar a teoria aplicando-a a casos mais extremos, como os pesquisadores estão fazendo aqui.

A equipe reuniu dados de vários artigos, assim como observações do Very Large Telescope do Chile em três estrelas, chamadas S2, S38 e S55/S0-102. Esses corpos orbitam Sgr A*, o presumido buraco negro supermassivo quatro milhões de vezes a massa de nosso próprio Sol no centro da Via Láctea. Os pesquisadores conseguiram comparar as órbitas das estrelas com os valores matemáticos que as leis de Einstein preveem. A equipe publicará seus resultados no Astrophysical Journal.
Mas isso está longe de estar terminado. Apesar de duas décadas de dados, os pesquisadores apenas olharam para três estrelas e viram uma grande incerteza quanto ao valor calculado. Ainda há espaço suficiente para provar que Einstein estava errado. "Para testar se há ou não uma violação, você precisa ter uma relação sinal/ruído muito melhor", disse Eckart. Medições mais precisas podem ser feitas nessas estrelas usando outras experiências para fazer testes de relatividade muito mais precisos. "Se isso vai levar a uma modificação, não posso dizer". O sinal pode ser fraco, mas ele espera que mais dados melhorem o resultado.
Mas outros acham que é um passo importante. "Da minha perspectiva, a coisa empolgante sobre este artigo é que ele melhora os testes de gravidade em um regime que não foi bem testado até o momento", disse Tessa Baker, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Oxford ao Gizmodo. Ela apontou que há uma grande quantidade de fatores de desordem e potenciais no centro da galáxia que podem nublar uma medida lá, mas "parece que eles fizeram um trabalho abrangente e cuidadoso de contabilizar eles". Ela também Gostaria de ver como modificações na relatividade geral apareceriam em suas medidas.
Mas o que a equipe de Eckart fez no final das contas foi criar um sistema fácil de replicar com dados adicionais para cientistas que desejam repetir os testes.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Esponja da cozinha: você troca no momento certo?

A esponja de cozinha concentra mais bactérias do que se imaginava: Esponja de cozinha esconde milhões de bactérias
Ao contrário do que provavelmente muita gente pensa, o banheiro não é necessariamente o lugar da casa que agrega mais bactérias. Alguns estudos sugerem, acredite, que esse posto é da cozinha. Agora, pesquisadores da Universidade Furtwangen, na Alemanha, descobriram que muitos dos micro-organismos que vivem ali estão agrupados em um objeto aparentemente inocente: a esponja que fica em cima da pia.
“Ela possui uma maior diversidade bacteriana do que se imaginava anteriormente”, escreveram os autores. O trabalho, baseado na análise de 14 esponjas e suas condições de uso, foi publicado na revista Scientific Reports.
O mais interessante é que, pelo visto, não adianta muito se preocupar em limpar o acessório. Embora o uso de água fervente e do micro-ondas já tenha demonstrado auxiliar na redução de bactérias da esponja, nessa pesquisa o benefício não se repetiu.
Na verdade, os cientistas alemães viram que essa “higienização especial” até aumentou a quantidade de certos micro-organismos na chamada bucha.
Eles suspeitam que os bichinhos mais resistentes não só sobrevivem ao processo sanitário como rapidamente recolonizam as áreas, digamos, devastadas – assim, a situação volta ao que era antes.
E já que a limpeza não é efetiva… “Então, nós sugerimos uma substituição regular das esponjas de cozinha”, disseram os autores. A troca deveria ocorrer, segundo eles, uma vez por semana. Até porque, entre esses milhões de bactérias, alguns têm, sim, potencial de causar doenças.

Tecnologias ajudam a aprender uma segunda língua mais rápido

 
Aprender uma segunda língua na vida adulta é um desafio que muitos precisam superar com dedicação. As novas tecnologias disponíveis também podem ajudar de forma decisiva nessa missão. Atualmente, o conhecimento das línguas inglesa e espanhola deixaram de ser um diferencial para se tornarem praticamente presença obrigatória na descrição de vagas de emprego.
E isso não só nas grandes, como também nas médias e pequenas empresas, que fazem negócios com o exterior ou com companhias estrangeiras que têm sede no Brasil. Com o mercado de trabalho enxuto nos últimos anos, a falta de fluência nessas línguas acaba por inviabilizar a participação em muitos processos seletivos, pois para muitos uma segunda língua é condição obrigatória. 
Mesmo quem não utiliza outra língua no dia a dia profissional já sentiu falta da fluência mínima em uma viagem, por exemplo. Por não conseguir fazer a leitura de placas de sinalização ou mesmo para uma conversa trivial com outros viajantes ou moradores locais. 
Para quem acha impossível avançar em uma língua estrangeira, uma boa notícia: estudos recentes mostram que a nossa capacidade de aprendizado não fica inviabilizada com o avanço da idade.
Método

No mercado há 54 anos, a Fisk possibilita um aprendizado rápido e seguro tanto do inglês como do espanhol aos seus alunos. Além do estudo em sala de aula, o curso de inglês para adolescentes e adultos da escola conta com o Cyber Fisk, uma ferramenta online que pode ser acessada pelo aluno em qualquer lugar pela Internet, como forma de reforço do aprendizado. 
Para os adultos que acreditam ser “impossível” aprender o inglês, a Fisk desenvolveu o curso Speed, que é formatado para ser concluído em apenas 18 meses. 
A escola apresenta um plano de estudo baseado na conversação desde a primeira aula. Aliado à interatividade proporcionada pelo Cyber Fisk, ajuda a desenvolver o potencial dos alunos e garante que o aprendizado possa ser vivenciado da maneira mais natural possível. 

Espanhol

Quem deseja aprender o Espanhol também tem a possibilidade de um curso com aulas dinâmicas desenvolvidas pela Fisk para alcançar de forma efetiva a compreensão auditiva, além da leitura e da produção oral e escrita em espanhol. 
A escola conta com um curso para pré-adolescentes, entre 10 e 13 anos, e para adolescentes e adultos a partir dos 14 anos de idade. A Fisk oferece materiais didáticos exclusivos, além de professores com alto conhecimento na língua.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Cientistas dizem estar mais perto da cura do resfriado

Vírus
 
De acordo com cientistas da Universidade Edinburgh Napier, na Escócia, o tratamento poderia ser desenvolvido com base em peptídeos antimicrobianos, biomoléculas presentes naturalmente no sistema imunológico de seres humanos e animais.
A equipe observou como essas substâncias aumentam a resposta natural do organismo à infecção por rinovírus - principal vírus responsável pelo resfriado comum.
Durante o estudo, os cientistas sintetizaram peptídeos antimicrobianos encontrados em porcos e ovelhas e avaliaram seu impacto em células pulmonares infectadas por rinovírus.
Os peptídeos atacaram o vírus com sucesso.
Os pesquisadores acreditam que esse resultado pode fornecer pistas para o desenvolvimento de novos tratamentos para o resfriado à base em peptídeos encontrados na natureza.

Mulher com resfriado

Próximos passos

"Essa é uma descoberta animadora. Nossos próximos passos serão modificar o peptídeo para torná-lo ainda mais eficaz para matar esse vírus", afirma Peter Barlow, professor associado de imunologia e infecção da universidade escocesa.
"A pesquisa ainda está nos estágios iniciais, mas nós vamos, em última análise, tentar desenvolver medicamentos para tratamentos que possam curar o resfriado comum", acrescenta.
A descoberta de um tratamento eficaz para o resfriado pode ajudar pacientes portadores de doenças pulmonares mais graves, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), para quem as infecções virais podem representar um alto risco para a saúde.
"Não há cura e não há vacina. Portanto, o desenvolvimento de tratamentos eficazes para o rinovírus humano, principal agente causador do resfriado comum e uma das causas mais comuns de infecções virais do trato respiratório, é algo urgente", completa Barlow.
"Esse estudo representa um passo importante para encontrar um tratamento."
Pesquisas realizadas anteriormente pelo professor Barlow destacaram ainda o potencial dos peptídeos antimicrobianos no combate ao vírus influenza A, causador das gripes.
O último estudo foi financiado pelo Chief Scientist Office e pela instituição de pesquisa médica Tenovus Scotland.
BBC Brasil

Para dar conta do nosso consumo, a terra teria de ser 70% maior



Depois de tanto esgotar as reservas do planeta, o mínimo que a humanidade poderia fazer era criar uma data especial para refletir um pouco sobre o estrago. O Earth Overshoot Day determina a dia exato em que já consumimos todos os recursos que a Terra será capaz de repor no ano atual – e passamos a viver das reservas para o seguinte. 
Isso acontece todo ano, desde 1969.  O problema é que nunca tínhamos entrado no cheque especial tão cedo: a marca deste ano veio hoje, dia 2 de agosto, cinco meses antes de 2017 acabar de vez. Para dar conta desse ritmo e acompanhar a demanda, estima-se que nosso planeta precisaria ser 70% maior do que é atualmente.
“Isso significa que, em sete meses, emitimos mais CO2 que os oceanos e as florestas dão conta de absorver em um ano. Pescamos mais peixes, desmatamos mais árvores e consumimos mais água que a Terra foi capaz de produzir no mesmo período”, explicam a Global Footprint Network e a WWF (World Wildlife Foundation), responsáveis pelos dados.
É fato que esse cenário de sobrar ano e faltar recursos já acontece há algum tempo. A última vez em que o consumo foi exatamente igual à capacidade de renovação da Terra foi há quase 50 anos. A duras penas, conseguimos chegar ao longínquo 31 de dezembro de 1970 com as contas quitadas, sem dever nada para a mãe natureza. Mas, desde então, a data que indica o fim do estoque acontece cada vez mais cedo. Na década de 1980, tal dia chegava em novembro – em 1993, isso mudou para outubro. Com a virada do milênio, o prazo começou a ser setembro, e virou agosto já em 2005.
Para determinar com precisão o dia D, os pesquisadores se guiam pela seguinte relação: Capacidade Biológica do Planeta / Pegada Ecológica da Humanidade x 365. Não é errado dizer, dessa forma, que a conta é afetada diretamente por nossos hábitos consumistas. Gases de efeito estufa que vêm da queima de combustíveis fósseis representam cerca de 60% da pegada ecológica humana. Se essas emissões fossem cortadas pela metade, a data já recuaria 89 dias – quase três meses.
 O impacto que causamos nas reservas pode ser também visto espacialmente. Para isso, a Global Footprint Network preparou  uma lista que relaciona o modo de vida em cada país e a quantidade de Terras necessárias para comportá-lo. Quem lidera, claro, são as nações mais industrializadas. Se o mundo inteiro vivesse da mesma maneira que os australianos, por exemplo, precisaríamos de 5,2 Terras. Caso o parâmetro fosse o do segundo colocado do ranking, os Estados Unidos, 5 globos iguais a este seriam o ideal.
Apesar de menor, o número ainda é alto para outros países desenvolvidos (3 Terras para Reino Unido e França, 2,9 para o Japão). Mas o dado que surpreende é a média do Brasil, maior que a do restante do mundo. Se a humanidade toda tivesse uma postura igual a nossa, precisaríamos de um planeta não 70%, mas 80% maior que o atual.
Você, brasileirinho que sentiu que tem culpa no cartório, pode descobrir quantos planetas seriam necessários para o seu estilo de vida nesta calculadora aqui . Mas saiba que os outros países, no geral, não estão muito melhor que a gente. A única nação que de fato acompanha a dinâmica terrestre, segundo os dados levantados, é Honduras. Se representasse toda a humanidade, o país caribenho encerraria seu consumo em 31 de dezembro – bem depois do Brasil, que já esgotaria tudo em 26 de julho.
O pior é que a previsão brasileira nem é ruim, se comparada com o líder geral do consumo desenfreado. Sorte a nossa que Luxemburgo é um país bem pequeno da Europa, porque seu ritmo esgotaria as reservas naturais ainda no primeiro bimestre  – em 17 de fevereiro.
Há, no entanto, uma pequena luz no fim do túnel. Segundo os pesquisadores, apesar da data vir mais cedo a cada ano, esse avanço tem diminuído. Antecipamos apenas um dia em relação ao Earth Overshoot Day de 2016, que foi 3 de agosto.
Para frear ainda mais esses avanços, as iniciativas ambientais defendem medidas como a redução do desperdício de alimentos e um menor consumo de carne – além de outras mais óbvias, como desmatar menos árvores e deixar de lado as fontes de energia não-renováveis. Com essa postura, é possível manter a meta de reduzir 4,5 dias a cada ano – e em 2050, ter 100% das demandas satisfeitas por um planeta exatamente do tamanho do nosso.

Nasa testará seu sistema de defesa contra asteroides em outubro

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Às vezes, a NASA consegue se divertir um pouco, com asteroides. Este ano, a agência terá um grande momento com um desses objetos, desta vez o chamado 2012 TC4, que passará por nós a uma distância confortável de cerca de 6.800 quilômetros. Já que o asteroide é bem pequeno – com apenas cerca de nove a 30 metros –, essa é a oportunidade perfeita para o Planetary Defense Coordination Office, da NASA, testar suas técnicas.
De modo algum isso significa que a NASA está se preparando para o fim do mundo, como algumas pessoas sugerem erroneamente. Por mais que alguns nós gostaríamos que um asteroide nos atingisse diretamente na cara, esse tipo de teste é realmente bastante padrão, e é apenas para por em prática os procedimentos mesmo. Caso um objeto próximo da Terra fique perto de mais, saberemos o que fazer para nos defender.

"Nós executamos esses pequenos exercícios de vez em quando", disse o Dr. Michael Kelley, um astrônomo da Divisão de Ciência Planetária da NASA, ao Gizmodo. "Nós soubemos que este asteroide tem se aproximado, mesmo que a órbita não esteja tão bem definida como gostaríamos. Não há perigo de que ele atinja a Terra, mas queremos saber se a rede e as conexões que fizemos com outros países e observatórios vão funcionar para quando precisarmos delas".

Mais para frente, o asteroide se tornará mais facilmente visível para os cientistas da NASA. Kelley disse que os astrônomos serão capazes de enxergá-lo a partir da InfraRed Telescope Facility da NASA, no Havaí.

"Em outubro, aguardamos o próximo voo para utilizar alguns dos telescópios que são instrumentados da maneira adequada para caracterizar o objeto", explicou Kelley. "
estivéssemos preocupados com ele atingir a Terra, seria isso o que faríamos: tentaríamos recuperá-lo – com o melhor chute sobre onde
estará e quando – e conforme ele ficasse mais claro e próximo, poderíamos usar telescópios cada vez menores. Então, estamos basicamente seguindo o procedimento que faríamos em um cenário do mundo real."

 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A Nasa vai perseguir eclipse solar com telescópios em jatos

 
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Visto do chão, o eclipse solar total vai acontecer em 21 de agosto, quando a Lua bloqueia completamente sua visão do Sol, será visível por até 160 segundos de qualquer localidade na América do Norte (o eclipse parcial poderá ser visto em locais da África, Europa e ao norte da América do Sul, incluindo trechos do Brasil, segundo a BBC). Será um vislumbre passageiro de um fenômeno raro, e é por isso que a NASA planeja perseguir a sombra da Lua usando um par de jatos.
Os aviões que a NASA vai utilizar são versões modificadas do WB-57F, que subiu aos céus pela primeira vez em 1953, como um bombardeiro e aeronave de reconhecimento. Entretanto, ambos os aviões foram altamente melhorados com aviônica moderna, assim como com um par de telescópios na ogiva de cada um, capazes de capturar fotos, vídeos e imagens térmicas do eclipse e do planeta Mercúrio, que estará mais visível enquanto o céu acima dos aviões estiver consideravelmente mais escuro.
O eclipse solar total oferece uma rara oportunidade para a NASA estudar a atmosfera do Sol, particularmente sua coroa fraca, que, de alguma forma, aqueceu até milhões de graus, enquanto a superfície de fato da estrela está em apenas alguns milhares. O eclipse pode não revelar instantaneamente o que causa essa estranha diferença de temperaturas, mas as imagens e as fotos capturadas darão à NASA uma chance de entender melhor o que está acontecendo lá.
Mesmo com uma velocidade máxima de 965 quilômetros por hora, os jatos WB-57F não vão passar horas se banhando na sombra da Lua. Dependendo de onde a pessoa estiver (e graças à curvatura da Terra), a sombra da Lua vai passar pela superfície do nosso planeta em velocidades de mais de 3.862 quilômetros por hora. Portanto, a NASA calculou que cada um de seus jatos, que vai decolar do Centro Espacial Johnson, em Houston, vai passar aproximadamente três minutos e meio capturando fotos e filmagens antes que a sombra as deixe comendo poeira.

 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mistério das águas escuras nas Cataratas do Niágara é desvendado

A mancha escura nas águas das cataratas no último sábado

Quando as águas das famosas Cataratas do Niágara, na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, apareceram escuras e fedidas, no último sábado, visitantes ficaram em alerta. O temor era de que se tratasse de um vazamento de óleo.
Nesta segunda-feira, porém, o mistério foi desvendado.
A mancha escura malcheirosa foi causada por resíduos produzidos pelos filtros de carvão que são usados para limpar a água.
Esses resíduos foram despejados na água durante trabalhos de manutenção no sábado, segundo autoridades americanas.
A Niagara Falls Water Board (NFWB), administradora do local, pediu desculpas pelo alarme causado entre moradores e turistas.
Em comunicado, a administradora disse que a "água tingida" era resultado de "mudanças rotineiras, necessárias e de curto prazo feitas no processo de tratamento dos resíduos" na planta da NFWB perto da cidade americana de Buffalo.
"A água escurecida continha alguns sólidos acumulados e resíduos de carbono, dentro dos limites permitidos. Não havia ali nenhum tipo de óleo ou solvente orgânico", agregou o comunicado. "O odor infeliz limitou-se ao cheiro normal de descarga de água de esgoto."
Autoridades dizem que a planta de tratamento tinha autorização para liberar os resíduos na água.
Um dos primeiros a notar o escurecimento das águas foi Pat Proctor, vice-presidente da Rainbow Air, que realiza tours de helicóptero sobre as cataratas.
Ele afirmou que os resíduos escuros continuaram nas águas por diversas horas no sábado, até se dissiparem.
"Eu só rezava para que não fosse um vazamento de óleo", disse Proctor à BBC. "(A mancha) se espalhou por meia milha (800 metros), parecia muito ameaçadora e tinha um cheiro horrível."
Em geral, descargas desse tipo não ocorrem durante as temporadas altas no turismo (caso do fim de semana passado), queixou-se.

A ilha que pertence seis meses à Espanha, outros seis à França

Entre Irún e Hendaya, sobre o rio Bidasoa, que separa estas duas populações fronteiriças da Espanha e da França, respectivamente, se encontra um território com um status muito peculiar e pouco habitual no mundo. É a ilha dos Faisões, o menor condomínio plurinacional de que se tem notícia. Há mais de um século, seus 5.000 metros quadrados pertencem seis meses por ano à Espanha, e outros seis meses à França. Nesta terça-feira, justamente, passará novamente às mãos francesas, mediante um simples trâmite administrativo, e assim permanecerá até o final de janeiro.

A Ilha dos Faisões vista da França.

A ilhota não é habitada nem visitável. A rotina, a normalidade e até o tédio predominam neste lugar pouco normal. Os curiosos a contemplam a partir de ambas as margens, a apenas 50 metros; as embarcações e os canoístas passam ao largo; e em seu solo só costumam pisar os membros dos Comandos Navais de Donostia (Espanha) e Baiona (França), responsáveis por sua jurisdição em semestres alternados. “Ela exige poucos cuidados”, afirma o comandante espanhol Rafael Prieto, encarregado da sua administração até o final de julho. “As pessoas são muito respeitosas, ninguém penetra, apesar de às vezes a maré estar tão baixa que se pode passar quase andando. Nós entramos a cada cinco dias para fazer reconhecimentos visuais”, acrescenta o militar, que desmente o boato de que durante o período espanhol exista o título de Vice-Rei da Ilha dos Faisões.
Em seus 215 metros de comprimento e 38 de largura, com forma ovalada, há apenas uns 30 choupos de folha perene, um pouco de mato, grama curta, pedras e um monólito que recorda seu momento culminante na história: aqui se assinou, em 7 de novembro de 1659, o Tratado de Paz dos Pirineus, que pôs fim a um conflito iniciado durante a Guerra dos Trinta Anos. Em virtude de uma das cláusulas, nesta ilhota fluvial a corte espanhola entregou à francesa a infanta María Teresa de Áustria, filha de Filipe IV, para contrair núpcias com Luis XIV, o Rei Sol. Ao longo dos séculos, são várias as infantas casadoiras e os prisioneiros que os dois países se entregaram mutuamente neste lugar.
Para a assinatura foi erguida uma construção temporária, que deu lugar a uma batalha de imagem e poder para ver qual delegação introduzia mais luxo e ostentação no seu lado – o que acabou atrasando a cerimônia. Entre os presentes estava o conde de D’Artagnan, origem do legendário personagem literário de Alexandre Dumas, e o pintor Diego Velázquez, encarregado da logística do rei e cuja morte, apenas um mês e meio depois da volta a Madri, é associada à extenuante expedição. “Foram dois meses e meio de um trabalho muito intenso, e ele já tinha 61 anos, uma idade avançada para a época”, explica Javier Portús, chefe de conservação de Pintura Espanhola pré-1700 do Museu do Prado. “Ele precisava se adiantar ao monarca em cada etapa para preparar seu aposento. Fazia o caminho de noite e trabalhava de dia. Não há certeza absoluta, mas os historiadores associam, sim, a morte dele ao desgaste desta viagem.”
A fórmula do condomínio, em meados do século XIX, representou, na verdade, uma cessão à França, já que até então o rio Bidasoa e a ilhota pertenciam inteiros à Espanha. “No Tratado dos Pirineus, Luis XIV reclamou parte do rio, mas Filipe IV se negou taxativamente”, conta Joan Capdevila, doutor em Geografia pela Universidade de Barcelona e autor de La Delimitación de la Frontera Hispanofrancesa. “Entretanto, 200 anos depois, no Tratado de Baiona, de 1856, [a França] conseguiu seu objetivo e ficou com metade do Bidasoa. Na ocasião também foi decidido o condomínio sobre a ilha dos Faisões, embora a partilha de seis meses para cada lado só tenha sido estabelecida meio século depois, numa tentativa de acabar com as disputas entre os pescadores de ambos os países e com o contrabando na zona”.
Faz já muito tempo que o lugar (Isla de los Faisanes, em espanhol, ou Île des Faisans, em francês) é um remanso de paz. Uma das últimas perturbações do sossego ali registradas foi em 1974, quando vários membros do grupo separatista basco ETA foram surpreendidos perto da ilha pela Guarda Civil espanhola, quando tentavam cruzar a fronteira. A operação terminou com um agente e um terrorista mortos, e com a detenção da futuramente famosa Yoyes, então muito jovem, 12 anos antes de ser assassinada por seus ex-companheiros de militância.
Talvez o maior perigo que ela já enfrentou tenha sido o seu possível desaparecimento. Quando o condomínio foi estabelecido, a ilha tinha sua dimensão reduzida a menos da metade em comparação a dois séculos antes, por causa da erosão fluvial. Media apenas 80 metros de comprimento e cinco de largura. Por isso a Espanha e a França pactuaram fazer obras de reforço que deram certo. Hoje, ela mede 215 x 38 metros. Os funcionários das prefeituras de Irún e Hendaya se revezam semestralmente para cuidar da jardinagem e limpeza, garantindo que tudo permaneça apresentável.il
O que não há na ilha dos Faisões são faisões, como lamentou o escritor francês Victor Hugo em sua visita de 1843. "No máximo uma vaca e três patos, sem dúvida figurantes alugados para fazerem o papel de faisões para os visitantes”, escreveu. Segundo algumas versões, o nome original era “Île des Paussans”; segundo outras, “Île des Faisants”. Seja como for, a denominação atual é uma adaptação linguística que nada tem a ver com a realidade. Aqui não existem faisões.
BBC Brasil

segunda-feira, 31 de julho de 2017

O mecanismo de Anticítera que, o misterioso tesouro da Grécia antiga

Mecanismo de Antikythera

Se perguntarmos a um aluno do ensino médio onde e por quem a calculadora foi inventada, haveria milhares de respostas, mas dificilmente alguma delas chegaria perto da realidade, fazendo referência a uma calculadora astronômica com mais de 2.100 anos de idade.
O mecanismo de Antikythera foi encontrado por coletores de esponjas marinhas entre os abundantes restos de joias, moedas e estátuas de bronze e mármore de uma galera romana que naufragou em frente à costa da ilha grega que lhe dá seu nome, Antikythera, nos arredores de Creta. E é esse mecanismo o tema do doodle do Google desta quarta-feira.

 Os 82 fragmentos de bronze localizados, hoje preservados no Museu Arqueológico Nacional de Atenas, estavam dentro de uma caixa de madeira em cujas tampas havia inscrições com informações valiosíssimas (os nomes dos meses em idioma coríntio, os planetas..)
Nem todos os especialistas concordam com a interpretação corrente a respeito do mecanismo. Foi o arqueólogo Stais, em 1902, o primeiro a acreditar que tratava de um relógio astronômico. Edmunds e T. Freeth achavam que o artefato servia para prever eclipses solares e lunares, usando como referência os conhecimentos em progressão aritmética dos babilônios. Edmunds dizia também que ele era capaz de mostrar planetas como Vênus e Mercúrio.
Price, porém, tinha uma teoria mais celestial: o mecanismo serviria para estabelecer as datas de festivais agrícolas e religiosos. E Wright, com a reconstrução do instrumento (72 engrenagens), acrescentava que poderia mostrar os movimentos dos cinco planetas conhecidos naquela época.
Por último, outros estudiosos revelaram que o aparelho poderia servir para determinar a época exata da realização dos Jogos Olímpicos, dadas as inscrições encontradas (começavam com a lua cheia mais próxima do solstício de verão, e era necessário o cálculo o mais exato possível e um grande conhecimento de astronomia para estabelecer a data concreta).
O que parece claro é que o mecanismo de Antikythera consta de pelo menos 37 rodas dentadas de precisão, feitas de bronze, com as quais era possível calcular com exatidão as posições e movimentos astronômicos, recriar a órbita irregular da Lua e, talvez, estabelecer a posição dos planetas.
Depois dessa calculadora, foi encontrado um calendário lunar e solar persa, mecânico, do ano 1000, também com uma grande precisão tecnológica. Só na Idade Média apareceriam aparelhos complexos nos relógios das catedrais medievais.
Hoje em dia, somos capazes de chegar aos lugares mais inesperados, calcular distâncias surpreendentes e alcançar tudo aquilo com o que os gregos algum dia sonharam. Mas pensar que um artefato com as características do mecanismo de Antikythera fora criado há mais de 2.000 anos é uma prova de que estávamos diante de uma civilização muito mais próxima da nossa do que podemos imaginar.
BBC Brasil

Bíblia: os cadáveres que contradizem

 
Resultado de imagem para Bíblia: os cadáveres que contradizem Deus, fotos
 
Os cananeus viveram no atual Líbano há 4.000 anos. Inventaram um dos primeiros alfabetos conhecidos, mas quase não há referências diretas a eles, provavelmente porque os papiros nos quais escreviam não sobreviveram à passagem do tempo. “Realmente não sabemos nada sobre eles de fontes diretas, porque todas foram destruídas, e o pouco que conhecemos é através de outras fontes, como a Bíblia”, explica Chris Tyler-Smith, geneticista do Instituto Sanger do Wellcome Trust, no Reino Unido.
Segundo o Antigo Testamento, Deus mandou seus fiéis matarem todos os cananeus, e o texto afirma que suas cidades foram arrasadas. Mas as escavações arqueológicas em alguns desses assentamentos mostram que eles estiveram presentes de forma contínua durante a Idade de Bronze e a do Ferro, o que parece descartar que tenham sido eliminados.
 
Escavações em Sidón (Líbano).
 
A equipe de Tyler-Smith analisou cinco cadáveres de cananeus enterrados há 3.600 anos em Sidon (Líbano), uma das principais cidades cananeias. Encontrar DNA em restos tão antigos e numa zona tão quente e úmida teria sido uma tarefa quase impossível até poucos anos atrás. A equipe recorreu a uma técnica que já permitiu sequenciar o primeiro genoma antigo de um africano: ela consiste em perfurar o osso temporal, o mais denso do corpo. Graças a essa técnica, foi possível extrair DNA suficiente do osso moído para sequenciar o genoma completo dos cinco cananeus e compará-lo com o de 99 libaneses atuais.
Os resultados do estudo – publicado na revista da Sociedade de Genética Humana dos EUA – indicam que os cananeus não foram aniquilados. Seu DNA continuou sendo transmitido de geração em geração, e hoje é predominante em todos os libaneses.
“Mais de 90% do DNA dos libaneses atuais vem daquela população”, ressalta Tyler-Smith, o que é surpreendente, pois a contínua passagem de povos e civilizações por esta região do Mediterrâneo ao longo dos séculos deveria ter diluído o parentesco direto com os cananeus. O estudo indica que os cananeus descendiam de grupos de agricultores que se estabeleceram no Oriente Médio durante o Neolítico, e que há 5.000 anos se cruzaram com imigrantes chegados do leste da Eurásia.
O espanhol Javier Prado, coautor do trabalho, analisou a funcionalidade das variantes genéticas que os libaneses herdaram dos cananeus. “Ao dispor da totalidade do genoma em todos os indivíduos sequenciados, pudemos comparar diferentes níveis de adaptação à digestão da lactose, as variantes envolvidas na seleção em pigmentação em populações não africanas e várias doenças com uma prevalência relevante na região em populações modernas”, explica o geneticista, que antes participou de pesquisas sobre a diversidade genética dos grandes símios e da análise do genoma do gorila albino Copito de Nieve, no Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona. “Graças a estas variantes, observamos que há uma forte continuidade genética entre a população antiga e as modernas. Ambas as populações têm pigmentação da pele, olhos e cabelo similares, embora seja provável que os cananeus tivessem a pele mais escura, já que não possuem uma variante em um gene, o SLC45A2, que é curiosamente o mesmo que está relacionado com o albinismo do Copito”, ressalta o pesquisador, que atualmente trabalha no instituto Sanger.
O trabalho mostra como a análise de DNA antigo pode ajudar a revelar a história de outros povos que não deixaram textos escritos. Neste estudo, foi analisado apenas o DNA de habitantes atuais do Líbano, mas a equipe quer ampliar o escopo do trabalho. “Esta linhagem deve ser comum entre toda a população do Oriente Médio, e podemos estar bastante seguros de que seu peso será similar nos habitantes dos países vizinhos”, comenta Tyler-Smith.
El País
 

domingo, 30 de julho de 2017

O local da primeira colônia européia nas Américas, estabelecida 500 anos antes da chegada de Colombo

Foto panorâmica do assentamento viking

Enquanto guiava pela autoestrada TransCanada Highway, fui parado por um alce.
Estava na região norte de Newfoundland, no Canadá, em um trecho conhecido como Trilha Viking e que leva a L'Anse Aux Meadows, o único assentamento nórdico da América do Norte.
É lá que um momento significativo na história da migração humana aconteceu.
No ano 1000, quase meio milênio antes de Cristóvão Colombo iniciar sua famosa viagem, um barco viking, capitaneado por Leif Erikson, levou 90 homens e mulheres da Islândia em busca de um novo lar. Foi o primeiro assentamento europeu no que chamamos de Novo Mundo.
Erikson e seus acompanhantes chegaram na vazante da maré e ficaram presos nas águas rasas da baía de Epaves. Quando a maré subiu, seguiram viagem até L'Anse Aux Meadows.
Em tempos modernos, pode parecer um local inóspito, alvo de fortes ventos vindos do mar. Mas, para quem tinha cruzado o Atlântico Norte em um barco aberto, era o paraíso: florestas cheias de caça, rios com salmões maiores do que os nórdicos já tinham visto, pradarias propícias para a pecuária. Em alguns trechos, uvas selvagens cresciam - o que originou o nome que os vikings deram à região, Vinland (terra das vinhas).

Modelo de barco viking próximo a assentamento

O assentamento, porém, não durou muito. Menos de uma década depois, os imigrantes abandonaram o local, após seguidos enfrentamentos com as tribos nativas. Vinland caiu no esquecimento.
Por mais de cem anos, arquéologos de vários países procuraram o local do assentamento perdido de Erikson, mas foi apenas em 1960 que o assentamento enfim foi descoberto: um casal de arqueólogos noruegueses, Helge e Anne Stine Ingstad, ouviu de habitantes de L'Anse Aux Meadows histórias sobre um sítio arqueológico indígena.
As primeiras escavações revelaram vestígios de construções similares às de assentamentos vikings na Islândia e na Groenlândia. E a descoberta de um prego datado de quase mil anos atrás indicou que barcos tinham sido construídos no local.
"Quando éramos crianças, brincávamos ali", conta Clayton Colbourne, um ex-guia da região. "Não sabíamos coisa alguma sobre os vikings terem estado por aqui."
Na entrada do sítio arqueológico, um caminho estreito corta uma paisagem que mudou muito pouco desde o tempo de Erikson. O caminho leva aos vestígios das três cabanas originais e cinco ateliês do assentamento. A agência turística governamental Parks Canada recriou num local próximo modelos de alojamento e de ateliês. Neles, guias e animadores vestidos como vikings explicam como viviam os habitantes.
 
L'Anse Aux Meadows

Foi em uma dessas cabanas que nasceu Snorri, o primeiro bebê europeu dado à luz no Novo Mundo, e que se tornaria um dos principais evangelizadores do que hoje é a Islândia.
Em 1978, L'Anse Aux Meadows foi um dos primeiros pontos de interesse cultural do mundo a receber o título de Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco (braço da ONU para educação e cultura).
 

Possível elemento constitutivo para vida alienígena é encontrado na atmosfera da lua Titã

 Ilutração de exolua
 
A lua Titã, de Saturno, é um mundo de contrastes; tanto extremamente familiar quanto surpreendentemente estranha. Seus mares calmos e as enormes dunas de areia podem lembrar a Terra, até que você perceba que o que flui na superfície de Titã não é água, mas hidrocarbonetos líquidos. A atmosfera rica em nitrogênio de Titã parece ter alguns dos ingredientes para a biologia, mas qualquer forma de vida evoluída, para prosperar a temperaturas de -170 graus Celsius, seria praticamente irreconhecível.
Um novo artigo científico apoia a ideia de que pode existir vida em Titã, mas que não seria nada como a vida tal como a conhecemos. Depois de estudar dados espectroscópicos coletados pelo telescópio Atacama Large Millimeter/Sub millimeter Array (ALMA), no norte do Chile, pesquisadores estão dizendo agora que a atmosfera de Titã é abundante em cianeto de vinila, uma molécula que, em teoria, pode formar membranas "celulares" nas condições ambientais únicas da lua.
Na verdade, com base nos níveis de cianeto de vinilo presentes na atmosfera de Titã, seus mares poderiam — em teoria, não estamos dizendo que existem alienígenas — estar cheios de pequenas membranas celulares, com concentrações semelhantes às das bactérias nos oceanos da Terra.

Na verdade, com base nos níveis de cianeto de vinilo presentes na atmosfera de Titã, seus mares poderiam — em teoria, não estamos dizendo que existem alienígenas — estar cheios de pequenas membranas celulares, com concentrações semelhantes às das bactérias nos oceanos da Terra.

Isso é bom para os organismos que evoluíram nos mares de água temperada e líquida aqui na Terra, mas as membranas que nossa biologia usa simplesmente não funcionariam nos mares de metano criogênico de Titã (elas seriam muito rígidas, e as partes que atraem e repelem água teriam que ser invertidas). Então, como poderiam ser as células em Titã? Dois anos atrás, pesquisadores da Universidade de Cornell usaram modelos químicos para tentar responder a essa pergunta. Através desses modelos, produziram uma membrana celular funcional que permaneceu estável e flexível a temperaturas incrivelmente baixas, usando nada além de C2H3CN, ou cianeto de vinila.

Eles chamaram o alienígena hipotético de “azotosoma”.
 
O ‘azotosoma’ imaginado pelos pesquisadores de Cornell em 2015 (Imagem: James Stevenson)
 
"O que faz com que o cianeto de vinila seja uma molécula potencialmente útil é que ele é anfifílico - tem um final polar e não polar", assim como os fosfolípidos das nossas membranas, disse Maureen Palmer, recentemente formada na St. Olaf College e principal autora do novo estudo. "Seria o mesmo tipo, mas o contrário de como os lipídios das membranas celulares funcionam na Terra", com as partes polares no interior e as partes não-polares do lado de fora.

Era uma hipótese fascinante, mas havia um problema: ninguém jamais havia confirmado que o cianeto de vinila está realmente presente em Titã (a nave Cassini, da NASA, encontrou provas da possibilidade da molécula há vários anos). Palmer e seus colegas decidiram preencher essa lacuna, examinando dados de calibração que o ALMA recolheu em Titã antes de girar seus telescópios para outros alvos. Claramente, eles encontraram evidências convincentes de que grandes quantidades de cianeto de vinila estão presentes na atmosfera de Titã - principalmente em altitudes superiores a 200 quilômetros. A pesquisa foi publicada nesta sexta-feira (28), na Scientific Reports.

Quando enviei o artigo para Jonathan Lunine, astrônomo da Cornell e coautor no estudo de 2015 que postula a existência de azotosomas, ele disse que era "bastante gratificante ver que esse acrilonitrilo", ou cianeto de vinila, “parece realmente estar presente na atmosfera de Titã".

Claro, a vida como a conhecemos seria mais provável de surgir nos vastos mares na superfície de Titã do que no céu. Mas, como Palmer e seus colegas apontam, a chuva está constantemente transportando compostos orgânicos para a superfície de Titã — o que pode incluir cianeto de vinila. "Deve estar chegando à superfície", disse ela. "Titã tem muita chuva.”
 
 
Ilustração gráfica de como vários compostos orgânicos podem ir para a superfície e mares de Titã (Imagem: ESA)

Na verdade, em Ligeia Mare, um mar de metano maior que o Lago Superior de Michigan localizado perto do polo norte de Titã, Palmer e seus colegas estimam que poderia haver até 30 milhões de azotosomas por centímetro cúbico de "água do mar". Para comparação, as águas costeiras oceânicas na Terra têm cerca de um milhão de bactérias por centímetro cúbico, de acordo com a estimativa de um artigo.
"Este é um ponto crucial, e experiências de laboratório devem ser feitas", acrescentou Lunine. Palmer concordou.

"Espero que alguém faça um estudo para tentar formar as membranas no laboratório, para ver se elas realmente podem se formar", disse Palmer. Seus coautores estão atualmente tentando definir melhor a abundância e a distribuição de cianeto de vinila na atmosfera de Titã — este primeiro artigo foi apenas uma estimativa. Eles também estão procurando evidências de outras moléculas biologicamente relevantes em Titã. Também esta semana outra equipe de cientistas relatou a detecção de "ânions da cadeia de carbono" — potenciais materiais de construção de biomoléculas complexas — na atmosfera superior de Titã, usando dados da Cassini.

Em última análise, resolver a questão de saber se Titã é lar de alguma forma de vida bem estranha exigirá uma missão futura que possa pousar em sua superfície — talvez um submarino criogênico à prova de metano. Palmer definitivamente está torcendo para isso.

"Eu amo o Titã", disse ela. "É super interessante como um alvo de astrobiologia, porque todas as formas de vida que conhecemos na Terra têm água como solvente, mas lá é metano líquido. Seria uma forma bioquímica totalmente diferente, se houvesse vida em Titã. E eu acho essa possibilidade fascinante.”