sexta-feira, 15 de junho de 2018

Copa do Mundo 2018: Como o futebol pode ajudar Putin a melhorar imagem da Rússia

Todos os holofotes estão postos sobre a Rússia. Desta vez, porém, a atenção que o país ganha não tem a ver com acusações de envenenamentos de espiões, interferência em eleições e outros pontos de tensão com a comunidade internacional.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, em discurso na abertura da Copa
O motivo é o futebol, o Mundial, o novo grande aliado de Vladimir Putin.
Embora o presidente russo admita não ser entusiasta desse esporte, ele tem se dedicado à causa na Copa do Mundo que começou na quinta-feira, tendo o seu país como sede.
Não em vão, é a vitrine perfeita para melhorar a imagem global da Rússia em um momento de isolamento, segundo analistas consultados pela BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
A guerra na Síria, o conflito na Ucrânia, o caso do ex-espião russo envenenado junto com a filha, no Reino Unido, ou a suposta interferência em processos eleitorais nos Estados Unidos e em outros países s são algumas das questões que vinham causando duras críticas à Rússia e causando um desgaste considerável a sua imagem no cenário internacional.
É nesse contexto que, para o correspondente da BBC em Moscou, Steve Rosenberg, a Copa do Mundo é uma oportunidade de ouro para Putin.
"É o primeiro dia, mas eu já posso revelar o vencedor desta Copa do Mundo: Vladimir Putin", disse o jornalista após a abertura do torneio na quinta-feira.
O fato de o maior campeonato de futebol do mundo estar ocorrendo no país já é uma vitória para o Kremlin, destaca Rosenberg, e apesar de alguns críticos no Ocidente terem pedido um boicote ao evento, o fato é que "suas equipes e seus seguidores também estão" no país, participando.

'Um país moderno e aberto'

A expectativa é que meio milhão de pessoas visitem a Rússia para a Copa do Mundo e Putin está ciente disso.
Depois da apresentação do cantor britânico Robbie Williams na abertura do torneio em Moscou e antes da Rússia marcar 5 gols contra a Arábia Saudita na partida de abertura, o presidente expressou sua satisfação e aproveitou a oportunidade para se dirigir ao mundo.
"Nós amamos o futebol aqui. A Rússia é um país aberto, hospitaleiro e amigável", disse Putin em seu discursou.
 
"Desde a invasão da Crimeia em 2014" - logo após os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi (Rússia) - "os países do Ocidente têm concentrado parte de suas políticas em isolar a Rússia e esse isolamento tem afetado o prestígio do país", explica o cientista político Andrew Radin, da consultoria independente RAND, dos Estados Unidos.
"A Copa do Mundo é uma oportunidade para reorientar a imagem internacional da Rússia e destacar que o país é uma sociedade moderna e desenvolvida com história e cultura ricas."
"Uma das maneiras de fazer isso é abrir-se ao exterior: não apenas acolhendo os torcedores com o melhor sorriso, mas convidando artistas estrangeiros, como Robbie Williams, ou outras personalidades para fazerem parte da celebração.", diz Alina Polyakova, especialista em Rússia do Instituto Brookings.
"Tudo para mostrar que a Rússia é um país semelhante ao Reino Unido, à França ou aos Estados Unidos, e não o regime autoritário como aparece na imprensa, algo que é claro que é. É possível ser as duas coisas: uma nação moderna e um regime autoritário", acrescentou ela à BBC News Mundo.
O evento também pode servir para manter a popularidade de Putin dentro do país, diante das reformas que vem realizando para enfrentar os problemas econômicos do país.
Na quinta-feira, o governo anunciou que aumentaria o imposto sobre consumo - equivalente ao ICMS no Brasil - e a idade de aposentadoria para homens e mulheres, uma decisão impopular que evitou tomar por anos e que só foi divulgada algumas horas antes do início da Copa do Mundo.

Uma mudança?

A questão agora é: a posição da Rússia mudará em âmbito global graças à Copa do Mundo? Os especialistas acham difícil.
"Eu não acredito que isso será um ponto de virada (para a relação entre a Rússia e o Ocidente)", diz Jeff Mankoff, especialista em Rússia no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês).
"Os chefes de Estado dos principais países do Ocidente não foram a Moscou para a abertura da Copa do Mundo, e eu acho que a evidência é de que a relação segue como antes", analisou ele em entrevista à BBC News Mundo.

Robbie Williams

"As disputas sobre a guerra na Síria, o conflito na Ucrânia, a suposta interferência nas eleições em todo o mundo ou as sanções contra Moscou continuarão a fazer parte da conversa entre as elites políticas durante o campeonato", diz Mankoff, e "voltarão ao primeiro plano quando terminar."
"Muita gente pode ficar impressionada com a gestão russa da Copa do Mundo, mas geralmente essas impressões têm uma recompensa limitada", diz Stephen Sestanovich, ex-embaixador extraordinário dos EUA para os novos países que surgiram com o colapso da União Soviética e membro do grupo de analistas do think tank Conselho de Relações Exteriores.
Em sua opinião, há apenas uma maneira pela qual a Copa do Mundo pode propiciar uma mudança: se Putin realmente quiser que aconteça e utilizar a boa atmosfera do futebol para dar um passo atrás nos grandes conflitos.
"Ele vai fazer isso? Aí está a oportunidade, se quiser aproveitá-la", diz Sestanovich. "Mas não estou tão certo de que Putin seja tão criativo."
BBC Brasil

4 missões do Summit, o super computador mais poderoso do mundo que acaba de entrar em operação

Mal entrou em funcionamento e já está sendo chamado de o supercomputador mais poderoso do mundo. Esse é o Summit, que é duas vezes mais rápido do que o chinês Sunway TaihuLight, tido até então como que a máquina mais veloz do planeta.
 
Summit
Desenvolvido nos Estados Unidos por meio de uma parceria entre a IBM e a Nvidia, o Summit, que fica no Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tenessee, o supercomputador tem capacidade para 200 quatrilhões de cálculos por segundo.
É composto por fileiras de servidores do tamanho de geladeiras que, juntos, pesam 340 toneladas e ocupam uma área de 520 m² - o equivalente a duas quadras de tênis. O Summit está conectado com mais de 300 quilômetros de cabos.
O computador trabalha como um monstro sedento que consome mais de 4 mil galões de água a cada minuto para manter seu sistema de refrigeração funcionando.
Segundo os criadores, a máquina é tão eficiente que já funcionava enquanto ainda estava sendo montada.
"Imagine dirigir um carro de corrida enquanto trocam os pneus", disse Thomas Zacharia, diretor do laboratório onde a supermáquina foi montada.

Um chip do Summit

A princípio, o computador será usado para criar modelos científicos e fazer simulações baseadas em inteligência artificial e automatização de padrões para acelerar descobertas em áreas como saúde, energia, desenvolvimento de materiais e astrofísica.

Superpoderes

  • 200 quatrilhões de cálculos em um segundo. Se uma pessoa consegue fazer um cálculo por segundo, levaria 6,3 bilhões de anos para calcular o que o Summit executa em um piscar de olhos.
  • Se os 7,4 bilhões de habitantes do mundo fizessem um cálculo por segundo, demoraria 305 dias para realizar uma operação que para o Summit é instantânea.
  • O sistema de armazenamento do Summit é capaz de armazenar 250 petabytes de dados, o que equivale a 74 milhões de anos de vídeo de alta definição.
línea
Veja como o poderoso "cérebro" do Summit poderá ajudar a conseguir avanços nessas áreas:

1. Astrofísica

O Summit vai permitir simular cenários de explosões de estrelas mil vezes maiores que as que vinham sido recriadas até agora. Também vai poder rastrear 12 vezes mais elementos que os atuais projetos.
Pesquisadores esperam conseguir coletar pistas sobre como elementos pesados, incluindo ferro e ouro, se formaram na Terra.

Imagem do espaço

2. Materiais

Entender como as partículas subatômicas se comportam é um conhecimento tido como chave no desenvolvimento de novos materiais para produzir, armazenar e transformar energia.
O Summit promete multiplicar por 10 a capacidade de simulação desses comportamentos, o que deve acelerar a descoberta de materiais que podem conduzir energia de forma mais eficiente.

cidade à noite iluminada

3. Acompanhamento do câncer

Médicos e cientistas usam ferramentas automatizadas para extrair, analisar e classificar informações na tentativa de identificar fatores relacionados ao câncer, como genes, características biológicas e meio ambiente.
O Summit ajudará a cruzar essas informações com relatórios e imagens de diagnósticos. Assim, ajudará a obter um panorama mais completo da população que sofre de câncer, com um nível de detalhe que normalmente só se obtém de pacientes que fazem parte de pesquisas clínicas.

Cientistas num laboratório

4. Biologia

O Summit usará inteligência artificial para analisar dados com informação genética e biomédica.
A ideia é que, por meio dos cálculos feitos pelo supercomputador, pesquisadores consigam identificar padrões de comportamento das células humanas.
Essa análise de informações em grande escala pode ajudar a entender melhor algumas doenças, como o Alzheimer, e também a compreender fatores que levam à toxicodependência.
BBC

O vulcão Kilaue transformou parte da costa do Havaí em uma cena de filme apocalíptico

 
 
Já faz seis semanas que as fissuras de lava começaram a irromper no Havaí, e aparentemente não há previsão de término para o fenômeno. Novos vídeos capturados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos revelam a extensão da reformulação da paisagem e de como a lava tem transformado as praias em uma pilha de lixo vulcânico.
 
 
A devastação parece não ter fim, mas o trecho afetado tem cerca de um quilômetro de extensão. E a coisa é bem feia: pequenas explosões costeiras quando a lava atinge o oceano podem ser vistas.
 
Um segundo vídeo liberado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos mostra o que está rolando na cratera Halemaumau, que faz parte do Parque Nacional de Vulcões do Havaí. As imagens foram capturadas por drones no dia 13 de junho e oferecem uma vista única do vulcão, que começou a entrar em erupção no meio de maio.

A parte mais profunda da cratera está a cerca de 300 metros abaixo da borda. A parte plana no fundo da cratera é a antiga superfície interior de Halemaumau, que afundou pelo menos 100 metros nas últimas semanas.
Rachaduras no solo perto da borda da cratera podem ser vistas cortando a região em que funcionava um estacionamento (que foi fechado em 2008).
As cenas parecem horríveis, mas a boa notícia é que essa região acabará se recuperando assim que o Kilauea se estabilizar. As belas ilhas do Havaí não existiriam se não fossem esses processos vulcânicos.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Por que o tempo parece passar mais rápido a cada ano?

O que acontece quando você entra em um quarto escuro onde há uma vela acesa? Você logo nota a chama, certo?
 
Desenho de uma balança com três pesos de um lado e uma lâmpada do outro
E se o local estiver completamente iluminado? Provavelmente, você levará mais tempo para se dar conta de que a vela está acesa.
O mesmo ocorre com peso. Uma pessoa pode distinguir perfeitamente a diferença entre um peso de 100 gramas e outro de 120 gramas, mas não é tão fácil diferenciar um de 200 gramas de outro de 220 gramas.
São os mesmos 20 gramas de diferença no dois casos, mas nossa percepção é alterada - e a ciência explica isso, por meio da Lei de Weber.

Um algoritmo

Ernst Heinrich Weber (1795-1878) foi um renomado médico alemão que, no século 19, desenvolveu um importante trabalho nos campos da fisiologia e da psicologia.
Ele foi o primeiro a se dar conta desse fenômeno e a traduzí-lo em uma equação. A fórmula foi melhorada por um psicólogo da mesma época, o também alemão Gustav Theodor Fechner (1801-1887).
A lei diz que, quando são comparados dois estímulos pequenos, basta uma diferença mínima para distinguí-los perfeitamente. Agora, se sua dimensão é maior, os dois elementos devem ser muito diferentes entre si para nos darmos conta.
Por isso, com os pesos, ainda que sejam 20 gramas de diferença em ambos os casos, é mais fácil distinguir a diferença de peso das peças menores. O mesmo se dá com a vela em um quarto escuro.
 
Pesos de balança
 
Essa lei também se aplica à passagem do tempo e explica por que isso parece se acelerar à medida que ficamos mais velhos.
"Ainda que um ano tenha a mesma duração, a relação entre a duração de um ano e o tempo total que você já viveu fica cada vez menor", explica a matemática Hannah Fry em um vídeo do Numberphile, um canal do YouTube especializado na ciência dos números.
Isso significa que não se trata de uma evolução linear e cada ano que passa acrescenta perceptivelmente menos ao total da nossa vida do que a passagem de um ano quando somos pequenos, e é por isso que, quando ficamos mais velhos, temos a sensação de que o tempo passa mais rápido.
Fry usa como exemplo as penas de prisão. "Você sente menos um período de três meses atrás das grades do que um de seis meses. Mas o mesmo não se aplica a uma pena de 20 anos e uma de 20 anos e três meses", explica.

Dibujo de un cerebro con un reloj

A conclusão é que, ao aumentar a quantidade e o tamanho, cada vez menos percebemos as diferenças de tempo ou peso.

A Lei de Weber no comércio

De acordo com Fry, essa técnica é aplicada pelas empresas em seus negócios.
Por exemplo, argumenta a especialista, é mais difícil notar um aumento substancial do preço de produtos muito caros como eletrodomésticos ou imóveis do que de produtos bem baratos, como um litro de leite ou um pacote de pão.
Da mesma forma, a Lei de Weber seria usada, garante Fry para reduzir gradualmente o tamanho de produtos, como uma barra de chocolate, e manter o mesmo preço.
O consumidor não perceberia, assim, a alteração, nem que está pagando o mesmo valor por algo menor.
BBC

A Carta que Colombo escreveu após chegar às Américas e que os EUA acabam de devolver à Espanha

A história dessa carta pode muito bem ser o roteiro de um filme. E não só pelo seu conteúdo, mas também pela viagem que fez desde que foi entregue ao seu primeiro proprietário.
Esta é uma das cópias impressas feitas no século 15 da missiva original que Cristóvão Colombo escreveu depois de chegar à América, o "Novo Mundo" que o navegador acreditava serem as Índias Orientais.
Recentemente, a carta foi devolvida a mãos espanholas por autoridades dos EUA, após uma viagem bizarra e uma investigação internacional que durou sete anos.
É "um patrimônio cultural de enorme valor histórico e documental, já que apenas 16 exemplares dessas cartas impressas estão armazenadas em várias bibliotecas ao redor do mundo", disse o embaixador da Espanha em Washington, Pedro Morenés, na cerimônia oficial realizada na cidade para devolver a carta para a Espanha.

Uma trilha e vários roubos

Tudo começa em 2004 ou 2005, quando o manuscrito foi roubado da Biblioteca Nacional da Catalunha, em Barcelona, sem que ninguém percebesse.
Os ladrões colocaram uma cópia em seu lugar e conseguiram pegar o original, no qual Colombo relata aos Reis Católicos, Fernando e Isabel, sua experiência nas Américas.
O "escambo" foi descoberto anos mais tarde, em 2012, quando as autoridades dos EUA obtiveram uma pista inesperada: várias cópias do manuscrito tinham sido roubadas em várias partes da Europa e substituídas por falsificações extremamente profissionais.
Foi aí que as autoridades americanas começaram a atuar, como explicaram durante a cerimônia oficial de entrega à Espanha, realizada em Washington.
O agente Especial Mark Olexa descobriu que duas cartas semelhantes haviam sido roubadas e substituídas por falsificações em bibliotecas em Florença e no Vaticano.
Em seguida, ele viajou para Barcelona com um professor da Universidade de Princeton (EUA) para confirmar suas suspeitas de que a carta que estava sob sua custódia tampouco era original, informa a agência de notícias EFE.
Quando chegaram, verificaram que um roubo também ocorrera em Barcelona, em uma data não especificada de 2004 ou 2005.
Descobriram, então, que a carta mudara de mãos várias vezes.
Os pesquisadores verificaram que a cópia de Barcelona fora vendida por dois interceptadores italianos por 600 mil euros (R$ 2,6 milhões em valores atuais) em 2005 e depois revendida em 2011 por 900 mil euros.
A busca chegou ao Brasil, onde Olexa encontrou o detentor da carta, um colecionador de São Paulo cujo nome não foi identificado.
Após longas negociações, o proprietário devolveu o manuscrito em 2014 às autoridades americanas.
E, na semana passada, finalmente voltou ao destinatário original.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Se o cérebro precisa de açúcar para funcionar, por que devemos parar de consumi-lo?

azucar alimentos
 
Como disse o escritor e químico italiano Primo Levi em seu livro O Sistema Periódico, de 1975, “o destino do vinho é ser bebido, e o da glicose é ser oxidada”. Assim, não é à toa que esse composto orgânico é o principal combustível que fornece energia às células do organismo. Também aos neurônios do nosso cérebro, que, assim como o de todos os mamíferos, precisa de uma dose constante de glicose para funcionar.
No entanto, a OMS recomenda reduzir o consumo de açúcar livre (o que se acrescenta, não o que se encontra de forma natural em alguns alimentos como a frutose, nas frutas, ou a lactose no leite) a menos de 10% da ingestão calórica total do dia, e inclusive estimula que esse consumo seja inferior a 5%, pois isso “produziria benefícios adicionais para a saúde”. Neste ano, também a indústria alimentícia entrou num processo de reformulação de seus produtos para reduzir esses açúcares, além do sal e das gorduras saturadas. Mas por que, se a glicose é fundamental para o funcionamento do cérebro, não é bom que comamos açúcar?

Como o cérebro ‘come’ açúcar

A glicose – o termo vem do grego e significa algo como “açúcar de mosto” – é um composto orgânico muito comum na natureza, uma forma de açúcar formado por grandes moléculas que, através da chamada oxidação catabólica, se transforma em moléculas menores e mais simples, um processo que libera uma importante quantidade de energia utilizada para realizar o conjunto de reações químicas e fisicoquímicas que ocorrem em todas as células vivas do organismo, o que se conhece como metabolismo.
O cérebro especificamente consome 5,6 miligramas de glicose por cada 100 gramas de tecido cerebral por minuto, segundo Ramón de Cangas, da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética. No cérebro de um indivíduo adulto, acrescenta ele, a maior demanda por energia procede dos neurônios, que têm gostos exigentes: para elas a glicose é primordial, porque, diferentemente das células comuns, que também obtêm energia de outras fontes, os neurônios dependem quase que exclusivamente dessa substância. Por isso, embora o cérebro represente menos de 2% do peso corporal, gasta até 20% da energia total que o organismo fabrica a partir da glicose; é o seu principal consumidor.

De onde tiramos a glicose

A glicose, portanto, é um componente essencial para a vida, e especificamente para o correto desenvolvimento das funções cerebrais. Entretanto, embora seja um açúcar simples, ou monossacarídeo, não é preciso comer açúcar nem alimentos doces para que o organismo conte com a quantidade necessária, um argumento ao qual frequentemente a indústria alimentícia recorre para justificar a inclusão de açúcares nos seus produtos.
“De fato, se uma pessoa adotasse uma dieta livre de açúcar isso não representaria nenhum problema: o organismo tem vários mecanismos para obter glicose”, aponta De Cangas. “Além de obtê-la através da alimentação, nosso corpo pode sintetizá-la a partir do glicogênio, um polissacarídeo armazenado no fígado e, em menor quantidade, nos músculos. Também se gera glicose a partir de subprodutos das gorduras chamados corpos cetônicos, os quais, em situações de hipoglicemia (baixo conteúdo de açúcar no sangue), podem suprir essa carência.” Outras fontes de energia são os ácidos graxos. “A gordura se armazena em forma de triacilglicerídeos (uma molécula de glicerol e três de ácidos graxos). Nos humanos, os ácidos graxos não podem originar glicose, mas o glicerol pode, embora em quantidades mínimas.”

A quantidade certa: nem muito nem muito pouco

Definitivamente, todos os alimentos que ingerimos acabam, em maior ou menor medida, sendo transformados em glicose, ou seja, em energia para o organismo. O tipo de alimento de mais fácil transformação é o grupo dos carboidratos. Eles incluem os açúcares livres, acrescidos a uma infinidade de produtos, mas também muitos outros, como os cereais, tubérculos, leguminosas, laticínios, frutas e hortaliças. Se mantivermos uma dieta saudável e nosso organismo funcionar bem, não há por que se preocupar: o suprimento de glicose está assegurado, mesmo que nunca mais comamos cup cakes. A evolução já se ocupou de criar recursos para obter o principal suprimento de energia celular.
Mas, como é sabido, o organismo pode falhar por múltiplas razões, também no que diz respeito à obtenção de glicose. Quando o fornecimento não é adequado, ou seja, quando a quantidade de glicose no sangue é excessiva ou insuficiente, ocorrem, respectivamente, hiperglicemia e hipoglicemia.
O diabetes é uma das causas mais disseminadas dessa disfunção, e se deve à resistência à insulina entre os afetados por essa doença. A insulina é o hormônio que se encarrega de regular a quantidade de glicose no sangue. Se ela não funciona, pode ocorrer tanto a hiperglicemia (de forma mais frequente) como a hipoglicemia, e as consequências disso são sempre negativas. “Os níveis permanentemente elevados de glicose no sangue podem causar danos em vários órgãos do corpo, como a retina, o rim, as artérias e o sistema nervoso”, diz De Cangas. “Por outro lado, os níveis baixos de glicose (por exemplo, causados pelo diabetes tipo 1 descontrolado) podem conduzir inclusive a um coma diabético e à morte do paciente.”

Quando o cérebro pede comida, está nos mandando um SOS

Se a glicose escasseia surgem várias disfunções e doenças, conforme evidenciou um estudo realizado por pesquisadores da Alemanha e Estados Unidos. “O metabolismo da glicose proporciona o combustível para a função fisiológica do cérebro através da geração de ATP – adenosina trifosfato, a molécula-estrela no processo de obtenção de energia celular nas reações químicas –, a base para a manutenção celular neuronal e não neuronal, assim como para a geração de neurotransmissores”, explica o estudo.
“Se o metabolismo da glicose for alterado”, diz De Cangas, “podem ocorrer várias alterações neurológicas, bem como obesidade, diabetes tipo 2, demência e Alzheimer: um dos sinais mais precoces dessa doença, aliás, é a redução do metabolismo da glicose cerebral”.
Cabe destacar, acrescenta De Cangas, que “se os neurônios não podem obter a glicose que necessitam, pode-se desencadear inclusive um processo de morte celular por autofagia; ao não contar com o alimento necessário para funcionar, estas células cerebrais obtêm a energia de si mesmas até morrerem”.
Por isso, quando os níveis de glicose estão abaixo do necessário, os neurônios enviam uma série de sinais de alarme ao conjunto do organismo: problemas de visão, irritabilidade, ansiedade, suores, enjoo, sonolência, confusão, fraqueza, fome… Um acervo de mensagens que levam a pessoa a corrigir essa falta de glicose ingerindo alimentos. Se a glicose não aumentar, podem ocorrer convulsões, desmaios e inclusive um coma, que poderia terminar com uma morte neuronal. Por outro lado, os sintomas da hiperglicemia (uma concentração de açúcar no sangue superior a 180 miligramas por decilitro) são sede desmesurada, dor de cabeça, problemas de concentração, visão imprecisa, micção frequente e perda de peso.
“Em seu caminho ascendente, que leva ao equilíbrio e por fim à morte, a vida cria uma alça e se agarra a ela”, diz Primo Levi sobre o processo pelo qual a glicose se oxida e vira energia. Sem dúvida, essa biomolécula é um bom exemplo da maravilhosa capacidade do organismo de adotar as mais intrincadas maneiras de se aferrar à existência.

Sem celular até os 15 anos: França quer lei para proibir telefones nas escolas

 
Garota francesa consulta seu celular na sala de aula.
A mudança na redação da lei é sutil e a discussão, bizantina, mas o simbolismo é forte: a França quer proteger a escola da onipresença das telas.
A Assembleia Nacional adotou nesta quinta-feira uma emenda para proibir nas salas de aula, no pátio e nas atividades extracurriculares o uso de telefones celulares a partir do próximo ano letivo. A proibição se aplica às escolas do nível fundamental (primário e intermediário), até os 15 anos, e não inclui o ensino médio. Deixa margem a cada estabelecimento para regular a aplicação da norma: onde guardar os telefones (em um armário ou na carteira escolar) ou como punir os que desobedecerem. E permite exceções para o uso pedagógico dos aparelhos.
A lei responde a uma promessa eleitoral do presidente Emmanuel Macron. Traduz na prática a filosofia educativa do ministro da área, Jean-Michel Blanquer, partidário do regresso aos fundamentos tradicionais e convencido de que a sala de aula é “uma pequena república, onde se aprende a escutar, a entender um ao outro, a cooperar e saber o que está em jogo na vida coletiva”, como escreve em seu último livro, Construisons Ensemble L’École de la Confiance (Construamos juntos a escola da confiança, sem tradução no Brasil).
A lei, que ainda depende de votação no Senado, foi aprovada com os votos da maioria presidencial. A proposta consiste em modificar o artigo 515 do Código da Educação, adotado em 2010. O texto original dizia: “Nas escolas maternais, nas escolas elementares e nos colégios, a utilização durante a atividade de ensino e nos lugares previstos pelo regulamento interno, por parte de um aluno, de um telefone celular está proibida”. O novo texto corrige: “Com exceção dos locais onde, nas condições em que for preciso, o regulamento interno o autorize expressamente, o uso de um telefone celular por parte de um aluno está proibido nas escolas maternais, nas escolas elementares e nos colégios”.
Captar a diferença entre as duas leis exige um desses exercícios de análise de texto que constituem um código de identidade do sistema educacional francês.
Segundo a oposição, a lei é uma “operação de comunicação”, pura gestualidade política sem efeitos tangíveis. A metade das unidades já aplicava a proibição. A maioria presidencial argumenta que o novo texto fornece uma base jurídica mais sólida para enfrentar um problema que a legislação atual deixou sem resolver. Um total de 93% dos menores entre 12 e 17 anos na França tem telefone celular. Os legisladores alegam que os celulares favorecem o assédio na Internet e expõem os alunos a imagens de violência e pornografia, além de reduzirem a concentração. O problema, acrescentam, não é apenas sua presença nas classes, mas no pátio, onde “pode se tornar nefasto ao reduzir a atividade física e limitar as interações sociais entre os alunos”.
Blanquer explica em seu livro o objetivo da lei, mais ambiciosa do que o texto deixa entrever. Trata-se, escreve, de “recuperar o uso razoável do aparelho [...] e propor a nossos filhos uma experiência de vida na qual a tela não seja o centro”. A lição vale para os alunos e para os adultos.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Robô na Nasa encontra novos blocos de construção da vida em Marte

O rover Curiosity da Nasa, retratado em Marte em 4 de fevereiro de 2018
 
Um robô da Nasa detectou mais blocos de construção da vida em Marte - a matéria orgânica mais complexa até hoje - a partir de rochas de 3,5 bilhões de anos na superfície do Planeta Vermelho, disseram cientistas nesta quinta-feira (7).
O rover Curiosity não tripulado também encontrou evidências crescentes de variações sazonais de metano em Marte, indicando que a fonte do gás é provavelmente o próprio planeta, ou possivelmente sua água subterrânea.
Embora não sejam evidências diretas de vida, os componentes da cratera Gale de Marte são o conjunto mais diversificado já retirado da superfície do planeta desde que o veículo robótico aterrissou em 2012, dizem especialistas.
"Este é um avanço importante porque significa que há materiais orgânicos preservados em alguns dos ambientes mais severos de Marte", disse a autora principal de um dos dois estudos publicados na revista Science, Jennifer Eigenbrode, astrobióloga do Goddard Spaceflight Center da Nasa.
"E talvez possamos encontrar algo mais bem preservado do que isso, que tenha assinaturas de vida", disse à AFP.
O rover Curiosity da Nasa já havia encontrado matéria orgânica em Marte. Uma descoberta menor foi anunciada em 2014.
"Esta é a primeira detecção realmente confiável", disse à AFP o coautor Sanjeev Gupta, professor de ciências da Terra no Imperial College London.
"O que este novo estudo está mostrando com alguns detalhes é a descoberta de compostos orgânicos complexos e diversos nos sedimentos. Isso não significa vida, mas compostos orgânicos são os blocos de construção da vida", acrescentou.
"Esta é a primeira vez que detectamos um conjunto tão diversificado desse tipo de coisa".
- Pista para "algo maior" -
Os compostos podem ter vindo de um meteorito, ou de formações geológicas parecidas com o carvão e o xisto negro na Terra, ou alguma forma de vida, disse Eigenbrode.
Sua fonte precisa ainda é um mistério.
"Detectamos os fragmentos de algo maior", disse Eigenbrode.
As amostras foram perfuradas a partir da base do Monte Sharp, dentro de uma bacia chamada Gale Crater, que acredita-se ter abrigado um antigo lago marciano.
"Esse é um bom lugar para a vida ter vivido, se alguma vez existiu em Marte", disse.
A rocha de argilito foi perfurada a partir dos cinco centímetros superiores da superfície marciana e aquecida num laboratório de análise em miniatura localizado a bordo do rover.
Um instrumento construído na França revelou "várias moléculas orgânicas e voláteis que lembram rochas sedimentares ricas em elementos orgânicos encontradas na Terra, incluindo: tiofeno, 2- e 3-metiltiofenos, metanotiol e dimetilsulfureto", disse o estudo da Science.
- Estudo do metano -
O outro artigo na Science relatou novos detalhes na busca pela fonte de metano em Marte, que tem picos e quedas de acordo com as estações do ano.
O metano, a molécula orgânica mais simples, varia entre "0,24 a 0,65 partes por bilhão, com um pico próximo ao final do verão no hemisfério norte", disse o estudo, com base em três anos de dados.
A fonte ainda não está clara, mas pode estar armazenada no subsolo frio marciano em cristais à base de água chamados clatratos, disseram os pesquisadores.
"Ambas as descobertas são avanços em astrobiologia", escreveu Inge Loes ten Kate, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, em um comentário na revista Science.
"A detecção de moléculas orgânicas e metano em Marte tem implicações de longo alcance em vista da potencial vida passada em Marte", disse.
"O Curiosity mostrou que a cratera Gale era habitável há cerca de 3,5 bilhões de anos, com condições comparáveis ​​às da Terra primitiva, onde a vida evoluiu naquela época", acrescentou.
"A questão de se a vida pode ter se originado ou existido em Marte é muito mais oportuna agora que sabemos que moléculas orgânicas estavam presentes em sua superfície naquela época", concluiu.
- Próximas missões -
De acordo com Ariel Anbar, professor da Universidade do Estado do Arizona que dirigiu o programa de astrobiologia da faculdade financiado pela Nasa de 2009 a 2015, o trabalho "definitivamente move a bola pela quadra de maneiras importantes".
Ele "define como as perguntas serão feitas e perseguidas na próxima etapa da exploração de Marte", disse Anbar, que não esteve envolvido no estudo, à AFP por e-mail.
Os cientistas esperam promover a busca por sinais de vida em Marte com o rover europeu e russo ExoMars, programado para aterrissar em 2021.
Este vai perfurar ainda mais fundo do que qualquer instrumento anterior, até dois metros de profundidade.
A Nasa também tem outro rover em andamento com sua missão Mars 2020, que planeja perfurar núcleos e separá-los para uma possível futura captura e retorno à Terra.

Álbum da Copa da Rússia tem 21 erros a mais que edição anterior

Capa do álbum da Copa do Mundo Rússia 2018.
 
Com as listas de todas as 32 seleções que disputarão a Copa do Mundo da Rússia 2018 completas, também já estão definidos os erros nas figurinhas do álbum da Copa, que a cada quatro anos aposta com antecedência em quem serão os convocados de cada equipe. Nesta edição, foram 92 erros no livro ilustrativo (2,8 por time, em média), 21 a mais do que o número em 2014. Somando os escolhidos de Brasil, Argentina, Alemanha, Espanha, França, Portugal, Bélgica e Inglaterra, as oito principais seleções do torneio, são 26 erros, uma média de mais de três figurinhas equivocadas por equipe favorita.
Quem mais enganou a publicação da Panini foi o treinador Didier Deschamps, da França. Presentes no álbum, os laterais Digne e Kurzawa, o zagueiro Koscielny, o meia Rabiot e onas atacantes Lacazette e Martial não foram chamados para a Copa. Digne, Lacazette, Martial e Rabiot ainda foram indicados para a lista de 12 suplentes, mas o último se negou a fazer parte desta, causando polêmica na França. Rabiot foi preterido pelos meio-campistas Kanté, Matuidi, N’Zonzi, Pogba e Tolisso. Sem nenhum erro na edição de 2006 do álbum, os franceses viram a publicação se equivocar com Benzema em 2010 e Ribéry em 2014.
Atrás da França estão Portugal, Argentina e Inglaterra, todos com quatro erros. Nos portugueses, o lateral Eliseu, os volantes Danilo e André Gomes e o atacante Nani foram convocados pela Panini, mas não chamados pelo treinador Fernando Santos. Sampaoli deixou de lado o goleiro Romero, o zagueiro Funes Mori, o meia Enzo Pérez e o atacante Icardi, todos com figurinha no álbum. Por fim, o goleiro Hart, o lateral Bertrand e os meias Oxlade-Chamberlain e Lallana estão apenas na seleção inglesa do livro ilustrado.
Talvez as duas ausências mais polêmicas, Sané e Nainggolan, que fizeram grande temporada no Manchester City e na Roma, respectivamente, ganharam suas figurinhas da Panini. No entanto, Joachim Löw, da Alemanha, e Roberto Martínez, da Bélgica, não convocaram os dois jogadores. Na seleção alemã, Can (Liverpool) e Götze (Borussia Dortmund) também se tornaram 'erros' da Panini. Na Espanha, ainda, Vitolo e Morata estão no álbum, mas não na Copa.
Com a seleção brasileira, a Panini quase repetiu seu melhor desempenho, obtido em 2014 quando apenas Robinho estava na seleção do álbum e não no Mundial. Giuliano tinha tudo para ser o único erro da publicação em 2018, mas Daniel Alves, com lesão no joelho, se tornou desfalque de Tite e equívoco no livro ilustrado às vésperas da convocação decisiva. Em 2010, foram três erros: André Santos, Ronaldinho e Adriano; em 2006, mais três: Roque Júnior, Renato e Júlio Baptista.
Assim como vitimaram nomes como Beckham, Ballack, Ribéry, Thiago Alcântara, Walcott e Reus em Copas anteriores, as lesões voltaram a ser responsáveis em casos que a Panini não tinha como adivinhar. Além de Dani Alves no Brasil, Danilo, de Portugal, Koscielny, da França, Romero, da Argentina, e Chamberlain, da Inglaterra, se tornaram equívocos após sofrerem lesões no fim da temporada e não conseguirem se recuperar a tempo para a disputa do Mundial.
El País

terça-feira, 5 de junho de 2018

Por que caminhamos mais devagar quando envelhecemos?

Perda de força e massa muscular prejudica a mobilidade: A dificuldade para caminhar pode reduzir a expectativa de vida

Já reparou que os idosos costumam caminhar mais lentamente? O que será que está por trás dessa marcha reduzida? Há uma explicação física, baseada em achados científicos, para essa história. Com o passar dos anos, geralmente após os 30, a maioria das pessoas começa a perder pequenas quantidades de massa muscular.
E o que isso tem a ver com as caminhadas? Bem, uma pesquisa publicada no início do ano pela Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, constatou que os idosos caminham a uma velocidade menor e cansam mais rapidamente devido à perda de força e massa nos músculos das pernas. Mais do que isso, os estudiosos verificaram que o perfil da macha do indivíduo mais velho pode estar associado à sua expectativa de vida.
Segundo o estudo, esse declínio no desempenho da marcha é capaz de levar a um estilo de vida sedentário, contribuindo para a piora do estado geral de saúde. Estima-se que isso possa gerar uma redução de dez anos na sobrevida.
 

Para melhorar as coisas e evitar essas perspectivas, os pesquisadores sugerem hábitos e medidas que permitam a construção e reparação dos músculos das pernas. Assim ficaria mais fácil caminhar e ter uma vida ativa e equilibrada, fator essencial para a longevidade.
Para se ter uma ideia da dimensão dessa questão, 4% dos homens e 3% das mulheres com idade entre 70 e 75 anos e 16% dos homens e 13% das mulheres com 85 anos ou mais apresentam perda acentuada da massa muscular, segundo dados da Fundação Internacional de Osteoporose. A situação pode evoluir inclusive para uma condição chamada de sarcopenia, que consiste na perda da massa e da força dos músculos e está diretamente relacionada ao envelhecimento. A sarcopenia, por sua vez, afeta o equilíbrio, a marcha e a capacidade de realizar atividades rotineiras.
Sabemos que a diminuição da mobilidade pode induzir um círculo vicioso de redução das atividades físicas, o que afeta em cheio a qualidade e a expectativa de vida. Por isso, a prática de exercícios regulares, em especial os treinos de força com uso de pesos, associada a uma dieta balanceada com bom espaço para proteínas, é pré-requisito para prevenir ou minimizar a perda de massa muscular e mesmo do tecido ósseo.
Exercício físico é uma das ferramentas básicas para chegarmos bem à velhice. Procure ter o hábito de realizar caminhadas diárias de pelo menos 30 minutos. Isso já ajuda bastante. O ato de caminhar nos faz gastar energia, ter controle sobre os movimentos e bota para trabalhar os sistemas cardíaco, pulmonar, nervoso e musculoesquelético. Se puder agregar outras atividades esportivas à rotina, tanto melhor. Sua saúde agradece. Hoje e lá na frente.

Os dias na Terra estão ficando mais longos - e a culpa é da Lua

Os dias na Terra estão ficando mais longos – e a culpa é da Lua
 
Sabe aqueles momentos atarefadíssimos que fazem você desejar que o dia tivesse mais horas? Seu desejo vai se realizar. Mas só daqui a alguns milhões de anos. E por culpa da Lua.
Cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison atestaram que os dias na Terra estão ficando mais longos. A cada ano, nossos dias ficam um centésimo de milésimo de segundo (1/75000) mais longos.
Ok, os números podem não impressionar. É pouco para o tempo de vida do ser humano. Nem a geração dos seus tataranetos vai sentir a diferença.
Mas daqui a muitos, muitos (e bote muitos nisso) anos, essa mudança será crucial. É só pensar ao contrário. Se os dias estão ficando mais longos, anos atrás eles eram mais curtos.
Cientistas descobriram que numa época quatro vezes mais antiga que os dinossauros, quando não existia nenhum ser vivo com mais de uma célula no planeta (ou seja, há cerca de 1,4 bilhões de anos), um dia durava apenas 18 horas. E isso é, pelo menos em parte, causado pelo aumento da distância entre a Lua e a Terra.
A SUPER já explicou que a Lua está se afastando da Terra, e a cada centímetro mais longe, mais uma casa decimal pequenininha de tempo aumenta nos nossos dias. Tudo porque objetos astronômicos, como a Lua e a Terra, exercem uma influência gravitacional uns sobre os outros – o que afeta o eixo e a velocidade de rotação da Terra. Esse efeito é proporcional à distância entre eles. Com a Lua mais próxima, a Terra acelera – processo que você entende melhor aqui. “À medida que a Lua se afasta, a Terra é como uma patinadora, que desacelera de um giro quando estica os braços”, diz Stephen Meyers, professor de geociência da Universidade de Wisconsin-Madison e um dos autores do estudo.
Há mais de um bilhão de anos, a Lua estava cerca de 40.000 quilômetros mais próxima, o que fazia a Terra girar mais bem rápido. Consequentemente, os dias eram muito menores. Mas isso não é para sempre: os cientistas atestaram que, quando a Lua chegar a uma distância ideal da Terra, ela não vai mais se afastar. 
O mais legal desse novo estudo é o método utilizado para fazer essas descobertas, chamado de “astrocronologia”. Ele usa um modelo estatístico que liga astronomia teórica com observações geológicas, o que torna possível investigar o passado da Terra e reconstituir a história de todo o sistema solar. É uma espécie de arqueologia do espaço. Por exemplo: uma das formas pelas quais os cientistas conseguiram fazer esses cálculos em relação à rotação da Terra, há mais de um bilhão de anos, foi observando os sedimentos de uma rocha de 90 milhões de anos. Ela forneceu informações cruciais sobre os ciclos climáticos do nosso planeta.
“O registro geológico é um observatório astronômico para o sistema solar primitivo. Estamos olhando para o seu ritmo pulsante, preservado na rocha e na história da vida”, afirma Meyers. Além da relação com a Lua, os cientistas comprovaram mudanças na direção do eixo de rotação da Terra e na forma de sua órbita, tanto em tempos mais recentes quanto há bilhões de anos – tudo isso através da astrocronologia. Apesar de a lua que brilha lá no céu ficar cada vez mais longe, os mistérios do universo estão cada vez mais próximos do homem.
 
 

 

Dia Mundial do Meio Ambiente: a "epidemia de plásticos", em imagens

Slide 2 de 19: Segundo a ONU, até 2050, pode haver mais plásticos que peixes nos oceanos, caso a humanidade não reveja a forma como consome o material. Na imagem, um peixe se aproxima de vários micro plásticos em uma imagem divulgada durante uma entrevista coletiva promovida pelo Greenpeace, em Hong Kong, em 23 de abril.

Segundo a ONU, até 2050, pode haver mais plásticos que peixes nos oceanos, caso a humanidade não reveja a forma como consome o material. Na imagem, um peixe se aproxima de vários micro plásticos em uma imagem divulgada durante uma entrevista coletiva promovida pelo Greenpeace, em Hong Kong, em 23 de abril.

Slide 3 de 19: Operário separa resíduos em um centro de reciclagem em Pira (Itália) os plásticos recolhidos por pescadores italianos durante um projeto impulsionado pelas autoridades da Itália para sensibilizar a população sobre a contaminação marinha.

Operário separa resíduos em um centro de reciclagem em Pira (Itália) os plásticos recolhidos por pescadores italianos durante um projeto impulsionado pelas autoridades da Itália para sensibilizar a população sobre a contaminação marinha.

Slide 4 de 19: Em 2018, o Dia Mundial do Meio Ambiente tem como tema o impacto do uso do plástico no planeta. A hashtag #AcabeComAPoluiçãoPlástica foi adotada pela ONU para as redes sociais neste dia. Na imagem, um homem empilha tambores de plástico em uma oficina de reciclagem em Mumbai (Índia), em 9 de março de 2018.

Em 2018, o Dia Mundial do Meio Ambiente tem como tema o impacto do uso do plástico no planeta. A hashtag #AcabeComAPoluiçãoPlástica foi adotada pela ONU para as redes sociais neste dia. Na imagem, um homem empilha tambores de plástico em uma oficina de reciclagem em Mumbai (Índia), em 9 de março de 2018.

Slide 5 de 19: Anualmente, 500 bilhões de sacolas plásticas são usadas (e jogadas fora) no mundo, segundo a ONY. O objetivo da campanha neste ano é estimular o consumo consciente para reduzir a produção de produtos plásticos descartáveis. Na imagem, clientes de um supermercado em Sevilla, na Espanha, guardam compras em sacolas plásticas.

Anualmente, 500 bilhões de sacolas plásticas são usadas (e jogadas fora) no mundo, segundo a ONY. O objetivo da campanha neste ano é estimular o consumo consciente para reduzir a produção de produtos plásticos descartáveis. Na imagem, clientes de um supermercado em Sevilla, na Espanha, guardam compras em sacolas plásticas.

Slide 6 de 19: Plásticos empilhados na planta de reciclagem do grupo ALVA em Berlim (Alemanha), em 15 de agosto de 2017. A Comissão Europeia apresentou no dia 28 de maio uma proposta legislativa para reduzir o consumo de plástico que proíbe os produtos de um só uso, como cacnudinhos e talheres de plástico.

Plásticos empilhados na planta de reciclagem do grupo ALVA em Berlim (Alemanha), em 15 de agosto de 2017. A Comissão Europeia apresentou no dia 28 de maio uma proposta legislativa para reduzir o consumo de plástico que proíbe os produtos de um só uso, como cacnudinhos e talheres de plástico.

Slide 7 de 19: Ação simbólica de Greenpeace para viabilizar o problema da contaminação no mar Mediterrâneo.

Ação simbólica de Greenpeace para viabilizar o problema da contaminação no mar Mediterrâneo.

Slide 8 de 19: Uma praia cheia de lixo, incluídos muitos plásticos, na Hann Bay, no Senegal, no último dia 1 de junho.

Uma praia cheia de lixo, incluídos muitos plásticos, na Hann Bay, no Senegal, no último dia 1 de junho.

Slide 9 de 19: Três dos mais de 2.000 voluntários que limparam uma praia de Hong Kong no último 27 de maio.

Três dos mais de 2.000 voluntários que limparam uma praia de Hong Kong no último 27 de maio.

Slide 10 de 19: Restos de poliolefina recolhidos durante uma campanha de sensibilização pela reciclagem em Pisa, na Itália.

Restos de poliolefina recolhidos durante uma campanha de sensibilização pela reciclagem em Pisa, na Itália.

Slide 11 de 19: Um ativista da luta contra a contaminação do meio ambiente pelo lixo construiu um barco de garrafas de plástico na cidade libanesa de Byblos, no Líbano, exibido em maio deste ano.

Um ativista da luta contra a contaminação do meio ambiente pelo lixo construiu um barco de garrafas de plástico na cidade libanesa de Byblos, no Líbano, exibido em maio deste ano.

Slide 13 de 19: Um homem caminha acima do lixo em um povo de pescadores em Jacarta (Indonésia).

Um homem caminha acima do lixo em um povo de pescadores em Jacarta (Indonésia).

Slide 14 de 19: Um pescador separa o lixo dos peixes durante um projeto contra a contaminação em Livorno (Itália).

Um pescador separa o lixo dos peixes durante um projeto contra a contaminação em Livorno (Itália).

Slide 15 de 19: Os resíduos plásticos produzidos em uma semana pela família Lyritsis, estabelecida em Atenas (Grécia). Estima-se que cada ser humano produz, em média, um quilo de lixo por dia, sendo que mais da metade dele poderia ser reciclado.

Os resíduos plásticos produzidos em uma semana pela família Lyritsis, estabelecida em Atenas (Grécia). Estima-se que cada ser humano produz, em média, um quilo de lixo por dia, sendo que mais da metade dele poderia ser reciclado.

Slide 16 de 19: Homem coleta material plástico em Abidjan, na Costa do Marfim, em maio deste ano. Dia Mundial do Meio Ambiente de 2018 tem como tema o consumo de plástico.

Homem coleta material plástico em Abidjan, na Costa do Marfim, em maio deste ano. Dia Mundial do Meio Ambiente de 2018 tem como tema o consumo de plástico.

Slide 17 de 19: De acordo com a ONU, caso a humanidade não reveja a forma como consome plástico no mundo, poderá haver mais plásticos do que peixes nos oceanos até 2050. Na imagem, uma sacola boiando no Mar Vermelho, no Egito.

De acordo com a ONU, caso a humanidade não reveja a forma como consome plástico no mundo, poderá haver mais plásticos do que peixes nos oceanos até 2050. Na imagem, uma sacola boiando no Mar Vermelho, no Egito.

Slide 18 de 19: O Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído em 1974 e, neste ano, tem como objetivo repensar o uso do plástico no planeta. Na imagem, um homem carrega galões de água no Vietnã.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído em 1974 e, neste ano, tem como objetivo repensar o uso do plástico no planeta. Na imagem, um homem carrega galões de água no Vietnã.

Slide 19 de 19: Homem seleciona lixo reciclável em um aterro na cidade de Bulawayo, segunda maior cidade do Zimbábue.

Homem seleciona lixo reciclável em um aterro na cidade de Bulawayo, segunda maior cidade do Zimbábue.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Erupção do Vulcão de Fogo na Guatemala

Vulcão de Fogo na Guatemala

Na Guatemala uma violenta erupção do Vulcão de Fogo, ocorreu na tarde deste domingo. Um dos rios de lava e lama fervente criados pelo vulcão sepultou o povoado de El Rodeo de Escuintla, no sul do país, segundo as autoridades.

Trabalhos de resgate baixo a chuva de cinza em Guatemala, neste domingo.

O chefe da Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres (Conred), Sergio García, disse na noite de domingo que haviam sido contabilizados também ao menos 20 feridos, 3.100 moradores desalojados e um total de 1,7 milhão de cidadãos afetados pela erupção do vulcão. Ainda não se conhece o número de desaparecidos e desabrigados, já que muitos dos afetados procuraram refúgio em casas de familiares ou amigos.
Sete das vítimas estavam em El Rodeo de Escuintla, e outras quatro são dois bombeiros e duas pessoas que não respeitaram os cordões de isolamento, informaram as autoridades em uma entrevista coletiva com a participação do presidente Jimmy Morales, acompanhado de seus ministros de Governo (Interior), Saúde Pública e Defesa.

Erupção do Vulcão de Fogo na Guatemala deixa pelo menos 62 mortos

A cinza expelida pelo Vulcão de Fogo alcançou os 10.000 metros de altura sobre o nível do mar e, segundo o Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia (Insivumeh), esta erupção, a segunda do vulcão em 2018, é a maior dos últimos anos. As colunas de cinza e o fluxo de lava deixaram desalojados na capital e provocaram o fechamento do aeroporto local.
Eddy Sánchez, diretor de Vulcanologia do instituto, alertou para os riscos de médio prazo, como a contaminação da água potável nas localidades afetadas pela cinza e a possibilidade de que a drenagem seja estancada pela areia arrastada com a água das chuvas.
O ministro da Saúde Pública e Assistência Social, Carlos Enrique Soto, informou no final da tarde que 15 pessoas tinham sido internadas com queimaduras causadas pela lava. “Entre eles há quatro crianças em estado grave, com queimaduras de terceiro grau.”
O presidente Morales reuniria seu gabinete na noite de domingo para analisar a possibilidade de decretar algum estado de exceção em três províncias particularmente afetadas.
Na coletiva, as autoridades advertiram à população que a dimensão da tragédia está sendo exagerada nas redes sociais, com fotos antigas, inclusive algumas de catástrofes ocorridas fora da Guatemala. Pediram aos usuários que ignorem essas mensagens.
A erupção iniciou por volta de meio-dia de domingo, com explosões e colunas de cinza que alarmaram as comunidades próximas. Na cidade histórica de Antigua, os visitantes também ficaram assustados com a chuva de cinzas que cobriu as ruas com dois a cinco centímetros de matéria vulcânicas.
As cinzas atingiram vários departamentos (províncias) do país, a tal ponto que as autoridades decidiram fechar o aeroporto internacional de La Aurora “para garantir a segurança de aeronaves e passageiros”. Por volta de 19h30 (23h30 em Brasília), metade da limpeza estava concluída, mas a reabertura só deveria acontecer quando as autoridades e os representantes das companhias aéreas concluíssem que havia condições de operar em segurança. Enquanto isso, cinco voos internacionais com destino à Guatemala foram desviados para El Salvador.
Duas das principais rodovias da Guatemala, a Pan-Americana, que liga a capital do país com o México, e a que conduz ao Pacífico, apresentam problemas de circulação porque a areia, mais a água da chuva, deixam a pista escorregadia. Há temores de inundações, porque grande parte da lava e da lama cai diretamente nos leitos dos rios próximos.
O Vulcão de Fogo, situado entre os departamentos de Escuintla, Sacatepéquez e Chimaltenango, já havia entrado em erupção em janeiro deste ano. Esse vulcão, com 3.763 metros de altura e 35 quilômetros a sudoeste da capital, provocou em setembro de 2012 a última emergência por erupção no país, desalojando 10.000 moradores de povoados ao sul da montanha.
El País

Mudança climática afeta teor nutritivo dos alimentos

Os pesquisadores decidiram estudar o arroz porque mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo dependem desta cultura como sua principal fonte de alimento.

Pesquisadores da mudança climática começaram a se dar conta, nos últimos anos, de que o excessivo dióxido de carbono que a humanidade bombeia na atmosfera não está apenas aquecendo o planeta, também está tornando menos nutritivas algumas de nossas plantações mais importantes.
Cientistas descobriram em um novo estudo que o arroz exposto a níveis elevados de dióxido de carbono contém quantidades menores de importantes nutrientes.
As consequências potenciais deste fenômeno para a saúde humana são enormes, considerando que já são bilhões as pessoas em todo o mundo que não ingerem proteínas e vitaminas, bem como outros nutrientes, em quantidades suficientes.
"Quando estudamos a segurança dos alimentos, frequentemente nos concentramos no fato de que a mudança climática poderá afetar a produção das lavouras", disse Lewis H. Ziska, fisiologista vegetal do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos e coautor do estudo. "Mas a qualidade destas culturas e seu teor nutricional são igualmente importante, e nem sempre têm sido analisados de maneira mais profunda".
No estudo, publicado em maio pela revista "Science Advances", Ziska e seus colegas expuseram campos de arroz experimentais na China e no Japão aos mesmos níveis elevados de dióxido de carbono que, segundo se prevê, ocorrerão mais perto do final do século em consequência da atividade humana. A maioria das 18 variedades de arroz que foram cultivadas continha um teor consideravelmente menor de proteínas, zinco e ferro do que o arroz cultivado hoje em dia. Todas as variedades de arroz apresentaram declínios drásticos das vitaminas B1, B2, B5 e B9, embora contivessem níveis mais elevados de vitamina E.
Os pesquisadores decidiram estudar o arroz porque mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo dependem desta cultura como sua principal fonte de alimento.
"Em um país como o Bangladesh, o arroz fornece 70% das calorias diárias necessárias e não há muitas outras oportunidades de conseguir esses nutrientes", afirmou Kristie L. Ebi, professora de saúde pública da Universidade de Washington e coautora do estudo.
O documento se baseia em um estudo publicado na revista "Nature" em 2014 e conclui que elevados níveis de dióxido de carbono reduziram a quantidade de zinco e ferro encontrados no trigo, no arroz, na ervilha forrageira e na soja.
Em plantas como arroz e trigo, que realizam o que conhecemos como fotossíntese C3, o aumento dos níveis de dióxido de carbono pode fazê-las produzir mais carboidratos, diluindo alguns dos componentes mais nutritivos. Mas os cientistas ainda tentam compreender por que alguns compostos, como a vitamina B, ficam diluídos e outros não, ou por que algumas variedades de arroz sofrem declínios mais acentuados de vitamina B do que outras.
Com pesquisas mais aprofundadas, os cientistas poderiam tentar cultivar ou criar pela engenharia genética novas variedades de culturas que preservam grande parte do seu valor nutricional apesar do aumento do dióxido de carbono. Mas este poderá ser um processo extremamente complexo, aponta Ziska, considerando que todas as linhagens de arroz testadas em seu estudo mostraram declínios significativos da vitamina B.
Se os cientistas que estudam tais culturas não puderem solucionar o problema, serão necessárias mudanças mais profundas para neutralizar o efeito negativo para a nutrição no mundo todo.
"Consequentemente, as pessoas precisarão de dietas mais diversificadas com uma variedade de fontes de alimentos de qualidade", afirmou Kristie L. Ebi, "e este já constitui um grande desafio".
Outra solução possível seria a redução da quantidade de dióxido de carbono que a humanidade emite.
"A ideia de que os alimentos poderão tornar-se menos nutritivos foi uma surpresa, não é algo intuitivo", explicou Samuel S. Myers, um cientista dedicado à pesquisa do Harvard University Center for the Environment .
que trabalhou no estudo publicado pela "Nature" em 2014. "Mas acho que devemos esperar outras surpresas. Estamos alterando completamente as condições biofísicas em que se baseia nosso sistema alimentar, e ainda conhecemos muito pouco sobre a maneira como essas interferências se espalharão pelo ecossistema e afetarão a saúde humana".