sexta-feira, 20 de julho de 2018

8 maneiras como viagens espaciais vão mudar o mundo

Viagens espaciais acessíveis ainda são um pouco difíceis de serem imaginadas em nossos nível atual de tecnologia. No entanto, empresas como SpaceX e Blue Origin trabalham para que isso se torne realidade o quanto antes.
Perguntamos aos membros do Conselho de Tecnologia da FORBES o que eles pensam sobre o futuro das viagens espaciais comerciais e o que isso pode significar para o futuro da área tecnológica. As respostas sugerem novas oportunidades de tirar o fôlego para a humanidade e para a economia em geral.
Veja, na galeria de fotos a seguir, 8 maneiras como viagens espaciais irão mudar o mundo:

Slide 1 de 8: 1. A próxima fronteira da humanidade"É fundamental conquistar o espaço para garantir a sobrevivência a longo prazo da humanidade. No curto prazo, é ótimo ver pessoas com visão e força financeira tomarem medidas corajosas para ampliar nossas capacidades espaciais. Os esforços do governo e dos políticos não conseguem igualar o impulso comercial e empreendedor. Devemos esperar que esses pioneiros do espaço encontrem modelos de negócios reais e sustentáveis ​​que prosperem e cresçam a longo prazo", diz Rick Braddy, da SoftNAS Inc.

1. A próxima fronteira da humanidade
"É fundamental conquistar o espaço para garantir a sobrevivência a longo prazo da humanidade. No curto prazo, é ótimo ver pessoas com visão e força financeira tomarem medidas corajosas para ampliar nossas capacidades espaciais. Os esforços do governo e dos políticos não conseguem igualar o impulso comercial e empreendedor. Devemos esperar que esses pioneiros do espaço encontrem modelos de negócios reais e sustentáveis ​​que prosperem e cresçam a longo prazo", diz Rick Braddy, da SoftNAS Inc.
 
Slide 2 de 8: 2. Oportunidades infinitas"SpaceX e Blue Origin, entre outras, trabalham para viabilizar viagens espaciais. Enquanto a competição cresce, o que vemos não é nada comparado ao que veremos nos próximos anos, uma vez que a exploração mineral espacial se torne uma realidade. Então, veremos um retorno aos dias da corrida do ouro, com centenas, se não forem milhares, de competidores no mercado de exploração espacial", afirma Daniel Levitt, da Bioz
 
2. Oportunidades infinitas
"SpaceX e Blue Origin, entre outras, trabalham para viabilizar viagens espaciais. Enquanto a competição cresce, o que vemos não é nada comparado ao que veremos nos próximos anos, uma vez que a exploração mineral espacial se torne uma realidade. Então, veremos um retorno aos dias da corrida do ouro, com centenas, se não forem milhares, de competidores no mercado de exploração espacial", afirma Daniel Levitt, da Bioz .
 
Slide 3 de 8: 3. Baixa órbita terrestre"Veremos a indústria do espaço privado se preparar para vender passagens para pessoas ricas. Como a concorrência continua a aumentar, os preços vão diminuir, o que vai tornar a exploração espacial uma realidade para muitas pessoas", prevê Thomas Griffin, da OptinMonster.
 
3. Baixa órbita terrestre
"Veremos a indústria do espaço privado se preparar para vender passagens para pessoas ricas. Como a concorrência continua a aumentar, os preços vão diminuir, o que vai tornar a exploração espacial uma realidade para muitas pessoas", prevê Thomas Griffin, da OptinMonster.
 
Slide 4 de 8: 4. Mais recursos"É sempre um bom sinal quando outra grande empresa com acesso a muitos recursos entre no negócio. A Amazon vai ajudar a tornar as viagens espaciais acessíveis. Este primeiro voo de sucesso prova que eles estão realmente dispostos a realizar este objetivo. Não que a SpaceX já não fale sério, mas a entrada da Amazon dá outra razão para melhorar sua tecnologia, ainda mais rapidamente. Tudo somado, é definitivamente uma ótima notícia para a indústria espacial", diz Vikram Joshi, da pulsd.
 
4. Mais recursos
"É sempre um bom sinal quando outra grande empresa com acesso a muitos recursos entre no negócio. A Amazon vai ajudar a tornar as viagens espaciais acessíveis. Este primeiro voo de sucesso prova que eles estão realmente dispostos a realizar este objetivo. Não que a SpaceX já não fale sério, mas a entrada da Amazon dá outra razão para melhorar sua tecnologia, ainda mais rapidamente. Tudo somado, é definitivamente uma ótima notícia para a indústria espacial", diz Vikram Joshi, da pulsd.
 
Slide 5 de 8: 5. Hospitalidade em ambientes inóspitosO avanço das tecnologias espaciais é estimulante. Com setores privados competindo para criar opções de viagens espaciais comerciais para os consumidores, o futuro não tão distante oferece oportunidades que a humanidade só sonhava. Nos próximos anos, isso irá evoluir para a hospitalidade do espaço: hotéis em órbita e resorts lunares já têm sido projetados. Será inspirador", afirma Michael Gargiulo, da VPN.com.
 
5. Hospitalidade em ambientes inóspitos
O avanço das tecnologias espaciais é estimulante. Com setores privados competindo para criar opções de viagens espaciais comerciais para os consumidores, o futuro não tão distante oferece oportunidades que a humanidade só sonhava. Nos próximos anos, isso irá evoluir para a hospitalidade do espaço: hotéis em órbita e resorts lunares já têm sido projetados. Será inspirador", afirma Michael Gargiulo, da VPN.com.
 
Slide 6 de 8: 6. Exposição à radiação espacialPrecisamos lembrar que há grandes riscos de exposição à radiação quando se pensa em viagens espaciais comerciais. Por exemplo, na missão a Marte, prevê-se que um humano possa estar exposto a doses mortais de radiação imprevisíveis. Alguns sugerem que alguns abrigos especiais sejam necessários para proteger os astronautas, outros aconselham o AstroRad, um traje espacial para proteger as missões tripuladas contra o espaço profundo", conta Dr. Karin Lachmi, da Bioz.
 
6. Exposição à radiação espacial
Precisamos lembrar que há grandes riscos de exposição à radiação quando se pensa em viagens espaciais comerciais. Por exemplo, na missão a Marte, prevê-se que um humano possa estar exposto a doses mortais de radiação imprevisíveis. Alguns sugerem que alguns abrigos especiais sejam necessários para proteger os astronautas, outros aconselham o AstroRad, um traje espacial para proteger as missões tripuladas contra o espaço profundo", conta Dr. Karin Lachmi, da Bioz.
 
Slide 7 de 8: 7. Inovação AtivadaA corrida espacial nos deu enormes avanços em tecnologia. À medida que esta corrida se abrir de vez à iniciativa privada, haverá um aumento exponencial da inovação e da pesquisa científica básica, o que impulsionará muitos setores. Haverá várias empresas que nos levarão ao espaço, à Lua e potencialmente além. Isso abrirá portas para sermos uma espécie multiplanetária ou potencialmente uma espécie não-planetária", diz Viren Gupta, da Eponym.
 
7. Inovação Ativada
A corrida espacial nos deu enormes avanços em tecnologia. À medida que esta corrida se abrir de vez à iniciativa privada, haverá um aumento exponencial da inovação e da pesquisa científica básica, o que impulsionará muitos setores. Haverá várias empresas que nos levarão ao espaço, à Lua e potencialmente além. Isso abrirá portas para sermos uma espécie multiplanetária ou potencialmente uma espécie não-planetária", diz Viren Gupta, da Eponym.
 
Slide 8 de 8: 8. Algo MaiorA transição de uma indústria altamente regulamentada e apoiada pelo governo, no século 20, para um ambiente voltado ao setor privado, no qual a concorrência prospera, no século 21, criou uma indústria altamente comercializável e veloz. A área espacial continuará a crescer em ritmo veloz, graças aos investidores, e levará a muitos avanços que incluem não só uma viagem a Marte, mas a mineração de recursos espaciais, viagens mais rápidas e muito mais. O que vemos agora é apenas o começo de uma indústria espacial que segue a todo vapor", afirma Alexandro Pando, da Xyrupt.
 
8. Algo Maior
A transição de uma indústria altamente regulamentada e apoiada pelo governo, no século 20, para um ambiente voltado ao setor privado, no qual a concorrência prospera, no século 21, criou uma indústria altamente comercializável e veloz. A área espacial continuará a crescer em ritmo veloz, graças aos investidores, e levará a muitos avanços que incluem não só uma viagem a Marte, mas a mineração de recursos espaciais, viagens mais rápidas e muito mais. O que vemos agora é apenas o começo de uma indústria espacial que segue a todo vapor", afirma Alexandro Pando, da Xyrupt.
 

terça-feira, 17 de julho de 2018

Viver na era da impaciência

Impacientes. Estamos cada vez mais impacientes. As novas tecnologias estão mudando nossas vidas e alterando nossa relação com o tempo. Por um lado, temos a impressão de que voa, alimentado pelo dispositivo que se tornou uma extensão do nosso corpo, o onipresente celular, uma caixa de surpresas, entretenimento e dispersão que nunca se fecha e parece sempre disposta a nos oferecer uma nova distração. Por outro lado, há momentos em que esse mesmo artefato funciona como um verdadeiro congelador de instantes: tudo para à espera de uma resposta que nunca chega; e então parece que o tempo se alonga.
 
Transeuntes no distrito financeiro de Canary Wharf, em Londres.
 
A psicóloga australiana Aoife McLoughlin publicou em novembro de 2015 um estudo que demonstrou que nosso corpo percebe o tempo de maneira diferente quando passamos longos períodos conectados a dispositivos eletrônicos. Um estudo realizado na Universidade James Cook (JCU), em Queensland, comprovou que, em pessoas e sociedades tecnocêntricas, os relógios internos parecem ter acelerado seu ritmo; fenômeno que pode ser muito útil para trabalhar mais rápido, por exemplo, mas que também faz as pessoas se sentirem mais pressionadas. À medida que o ritmo de nossas vidas acelera, diz a professora que ensina no campus da JCU em Cingapura, a sensação subjetiva de tempo disponível diminui, o que nos faz sentir a pressão do tempo.
 
Diversos estudos científicos mostram que a percepção que temos dele está ligada às nossas emoções. Se tudo está bem, o tempo corre. Se estamos entediados, ou em perigo, ou de olho no relógio, tudo fica mais lento. O modo como nosso cérebro representa e percebe o tempo continua sendo um mundo de incógnitas para os pesquisadores.
Não temos um corpo especializado em perceber o tempo. Ignacio Morgado Bernal, diretor do Instituto de Neurociências da Universidade Autônoma de Barcelona, explica que são várias as partes do cérebro envolvidas nessa função: o córtex auditivo, o visual, o pré-frontal, os gânglios basais e até mesmo o cerebelo. A rede de neurônios que se mobiliza para avaliar o tempo é, portanto, muito ampla. Mas o tempo está passando mais rápido do que antes? Formulada a pergunta, Morgado Bernal afirma, em conversa por telefone, que por um lado, quando há mais estímulos no ambiente, parece que tudo passa mais rápido, sim, mas lança uma pergunta: “Estamos vivendo melhor agora? Acho que não, a sobrecarga de informação é uma fonte de estresse. E o aumento do estresse afeta nossa percepção do tempo. Se você se sentir mal, tudo fica mais demorado.”
 
Ramon Bayés, membro da Academia de Psicologia da Espanha e um dos introdutores da psicologia comportamental e experimental neste país, diz que quanto mais importante é para nós uma mensagem, mais longa parece a espera – menosprezado conceito nestes tempos impacientes. “Os tempos de espera são tempos de incerteza”, diz ele. “E incerteza significa sofrimento.”
O psicólogo Bayés, autor do livro El reloj emocional (Alienta), publicado em 2007, afirma que devemos aprender a controlar o tempo para não sermos controlados por ele. Aposentado (nasceu em Barcelona em 1930), mas ativo, escreve por e-mail: “A tecnologia é um obstáculo se somos impacientes e estamos constantemente esperando mensagens que os outros podem nos enviar. Para contrabalançar esta tirania, na educação, é necessário ensinar o valor da ponderação e o controle da demora.”
El País

Por que especialistas recomendam embrulhar chaves automáticas do carro em papel alumínio?

A tecnologia que permite a você destrancar seu carro à distância também traz um risco de roubo.
 
Chaves de carro envoltas em papel alumínio
O problema existe porque as chaves automáticas dos carros modernos estão constantemente emitindo sinais para eles.
Especialistas alertam que os ladrões podem comprar chaves "virgens" e usá-las para replicar o código de acesso de um determinado veículo.

Como evitar que isso aconteça?

A forma mais fácil de precaução contra isso é embrulhar as chaves em papel alumínio.
Especialistas em cibersegurança concordam que, embora não seja o ideal, esse é um método muito fácil e barato.
Outra opção é comprar pela internet uma "bolsa de Faraday", que tem a mesma função de isolamento do alumínio e serve como um escudo contra a transferência de informações que poderiam ser usadas no roubo do carro.
 
Moshe Shlisel
 
"Estamos falando de uma forma de comunicação por ondas eletromagnéticas, como rádio ou televisão. Pense em uma música que é constantemente usada em uma rádio e uma fechadura que se abre ao ouvir essa música. Se eu conheço a música, posso abrir a fechadura", diz à BBC News Mundo Moshe Shlisel, CEO da agência de segurança cibernética GuardKnox Cyber ​​Technologies.
Shlisel, que também trabalhou para a força aérea israelense no desenvolvimento de sistemas de defesa com mísseis, explica que a função do papel alumínio é criar uma célula para evitar que as ondas eletromagnéticas sejam registradas por outra pessoa.

Ataques ocorrem cada vez mais

Para muitos, pode parecer antiquado, no século XXI, usar papel alumínio para proteger algo tão tecnológico.
A precaução, no entanto, tem se mostrado mais do que nunca necessária, como explica Shlisel.
"Apesar de não ter números, posso dizer que esses incidentes acontecem cada vez mais, porque os dispositivos necessários para cometer esses ataques podem ser facilmente adquiridos na internet e há até tutoriais no YouTube sobre como fazê-los", diz ele.
 
Homem tentando arrombar um carro
 
E acrescenta: "A indústria automotiva está totalmente ciente desses problemas e buscando maneiras de impedir que terceiros consigam replicar a comunicação entre uma chave e um veículo".
Este tipo de crime não acontece apenas com carros e precauções têm sido tomadas de olho nisso.
Algumas pessoas, por exemplo, tomam o cuidado de proteger seus cartões de crédito em carteiras "isolantes".
Além disso, instituições governamentais dos Estados Unidos, por exemplo, entregam determinados documentos a seus usuários dentro de invólucros especiais para evitar a transferência e o roubo de dados, como é o caso do Green Card ou Cartão de Residente Permanente - o visto permanente de imigração concedido pelas autoridades do país.
No caso dos carros, os roubos podem ser cometidos com bastante facilidade.
"Você chega a uma casa que tem um carro estacionado na frente, detecta uma chave a dez passos dele, dentro de uma sala, e consegue desbloqueá-lo. Enquanto as ferramentas estiverem disponíveis, o cenário para esses roubos me parece cada vez mais provável ", disse ao jornal USA Today o diretor do Centro de Segurança de Sistemas de Computadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, Clifford Neuman.
Quando leu pela primeira vez sobre o risco de seu carro ser roubado desse jeito, ele começou a guardar suas chaves à noite dentro de uma lata de café vazia.
Os especialistas continuam recomendando que, até as empresas fabricantes encontrarem uma solução para o problema, é preferível usar o papel alumínio antes de deixar as chaves onde provavelmente elas estão guardadas agora: no bolso de uma calça, dentro da bolsa ou sobre uma mesa.
BBC Brasil

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Boas ações podem ter efeito 'contagioso' indicam estudos

Em 2014, vídeos em que celebridades e anônimos viravam baldes de água com gelo sobre as próprias cabeças inundaram as redes sociais. A campanha, que buscava incentivar doações para pesquisas sobre esclerose lateral amiotrófica, se espalhou por vários países como uma onda de boa ação e contribuiu para descobertas científicas importantes.
 
Pessoas tendem a ser influenciadas por atos de generosidade ou egoísmo dos outros
O sucesso do "desafio do balde de gelo" é um exemplo de como a generosidade pode ser contagiosa. Mas por que milhares de pessoas se submeteram a um banho gelado e ainda doaram seu dinheiro para pesquisas sobre uma doença rara, causa que dificilmente as beneficiaria de forma direta?
Esse é o tipo de pergunta que cientistas como Jamil Zaki, professor da Universidade Stanford (EUA), tentam responder por meio de pesquisas. Uma das maneiras de entender como as boas ações se disseminam pela sociedade, segundo Zaki, é pela ótica da conformidade, que é a tendência de alinhar atitudes e crenças às das pessoas ao redor.
"Fundamentalmente, somos uma espécie social. As pessoas são muito motivadas a serem parte de um grupo e compartilhar um senso de identidade", diz o pesquisador. "Uma forma de fazer isso é imitando comportamentos, opiniões e emoções."

Influência do entorno é chave

No passado, o conceito de conformidade ganhou uma fama ruim quando estudos começaram a constatar que a pressão social era capaz de induzir indivíduos a adotar comportamentos nocivos ou duvidar de seu próprio julgamento. Em um experimento clássico, o psicólogo polonês Solomon Asch mostrava a um voluntário dois cartões: um deles continha uma linha reta e o outro, três linhas retas de tamanhos diferentes.
O participante tinha de identificar qual delas tinha o mesmo comprimento da linha de referência. Quando outros participantes escolhiam a resposta claramente errada, o sujeito tinha mais chance de seguir a maioria, indo contra o que seus próprios olhos estavam vendo.
Zaki, por outro lado, estuda como a conformidade pode levar a comportamentos positivos. Em uma série de experimentos coordenados por ele, os participantes que observaram seus colegas fazerem doações generosas para instituições de caridade decidiram abrir mais a carteira do que os que observaram doações mesquinhas.
Os resultados, publicados pela revista Personality and Social Psychology em 2016, também mostraram que o impacto de se observar a generosidade alheia não se limitou a copiar suas boas ações. A influência positiva também fez os participantes se mostrarem mais solidários em relação aos outros participantes e com mais empatia diante de situações adversas.
Cientistas também conseguiram mapear o modo como atos de cooperação podem se multiplicar pela sociedade. Um estudo feito por pesquisadores de Harvard e da Universidade da Califórnia em San Diego mostrou que indivíduos beneficiados por doações durante um jogo repassaram a generosidade a outros participantes, que por sua vez beneficiaram um terceiro grupo.
A pesquisa, publicada em um artigo da revista Proceedings of the National Academy of Sciences em 2010, mostra que a gentileza inicial foi capaz de atingir pessoas com até três graus de separação em relação ao primeiro benfeitor.

Estratégia vitoriosa em termos sociais

Mas a decisão de cooperar com outros membros da sociedade não é apenas um ato de pura e desinteressada generosidade. É, sim, uma estratégia vitoriosa em termos evolutivos, de acordo com Martin Nowak, professor de Harvard e diretor do Programa de Dinâmicas da Evolução da universidade. Segundo o especialista, a cooperação - seja entre humanos, insetos ou células - quase sempre se dá quando existe uma expectativa de se obter algo em troca no futuro.

Mãos unidas

Nowak propõe cinco mecanismos que explicam, à luz da evolução, por que um indivíduo resolve colaborar com o outro. O primeiro é a reciprocidade direta: eu ajudo e você me ajuda.
O segundo é a reciprocidade indireta: eu ajudo você, por isso ganho uma boa reputação e outra pessoa me ajuda graças a essa reputação. O terceiro é a reciprocidade espacial: eu ajudo meus vizinhos e assim aumento minhas chances de ser ajudado.
O quarto é a seleção de grupos, que se baseia no fato de que grupos de "cooperadores" se dão melhor do que grupos de "egoístas". O quinto é a seleção por parentesco: eu ajudo meus familiares porque tenho mais chances de compartilhar genes com eles e quero disseminar esses genes pela população.
"A cooperação - além da competição - está envolvida sempre que a evolução constrói algo novo, algo diferente", diz Nowak. "Por isso, eu tenho chamado a cooperação de 'arquiteta mestre' do processo evolutivo."

Comunicação é essencial

Além de experimentos em que os participantes têm de decidir se ajudarão ou não seus companheiros em diferentes circunstâncias, outro método para estudar como as pessoas cooperam umas com as outras é de forma teórica, por meio de modelos matemáticos.
Segundo Francisco C. Santos, professor do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, esses estudos teóricos são baseados em um ramo da matemática chamado teoria dos jogos.
"A teoria dos jogos é usar a matemática para estudar conflitos de interesse", diz Santos. Por exemplo, se um indivíduo está disposto a pagar um custo para proporcionar um benefício a alguém, é possível usar esses dados para construir equações capazes de prever as dinâmicas que podem ocorrer em diferentes cenários.
"Se conseguirmos compreender quais são os mecanismos subjacentes da cooperação, esse conhecimento é útil para promovermos a cooperação onde ela não existe."
Apesar das vantagens evolutivas de adotar uma atitude cooperativa, é fácil pensar em situações da vida real em que ninguém está disposto a ajudar as pessoas ao redor. Ou, pior, circunstâncias em que atitudes egoístas se espalham pela sociedade como um vírus. De fato, algumas pesquisas mostram que atos de indiferença podem ser tão contagiosos como quanto atos de altruísmo.
De acordo com Martin Nowak, a gentileza só se espalha pela sociedade quando os mecanismos que permitem essa disseminação são fortes o suficiente. Por exemplo, se o indivíduo que ajuda o próximo ganhar uma reputação boa o bastante para que outros decidam ajudá-lo, então, a gentileza se espalhará naquele grupo. "Se esse mecanismo não for forte o suficiente, a cooperação vai perder e a indiferença vai ganhar", diz o pesquisador.
Um dos ingredientes essenciais para garantir que a onda de boas ações se espalhe, segundo Nowak, é a comunicação. "A ideia é que a reputação do indivíduo que colaborou seja conhecida. É importante disseminar informações sobre as decisões que os indivíduos tomaram em termos de cooperação."
Experimentos já mostraram, por exemplo, que mais pessoas decidiram comparecer às urnas em uma eleição quando viram no Facebook que seus amigos fizeram o mesmo. Da mesma forma, no fenômeno do desafio do balde de gelo, o fato de os vídeos terem se tornado virais teve um grande papel na multiplicação das doações.

Intervenções

Francisco C. Santos e seus colegas têm utilizado os modelos matemáticos para encontrar soluções para situações em que a falta de cooperação é notável, como a busca de um acordo para prevenir mudanças climáticas.
Ele observa que, sim, os seres humanos são propensos à cooperação. Mas isso ocorre principalmente em pequenas comunidades. Quando o assunto são mudanças climáticas, é preciso cooperar com o mundo inteiro. "Esse é um problema global, não local, o que faz com que seja tão difícil promover a cooperação nesses contextos."
Essa é justamente a premissa de um livro que Jamil Zaki deve lançar em breve nos Estados Unidos (The War for Kindness: Building Empathy in a Fractured World, ou A guerra por gentileza: construindo empatia num mundo estilhaçado, em tradução livre e sem previsão de lançamento no Brasil).
De acordo com Zaki, os humanos evoluíram para ser socialmente conectados e inclinados a ter empatia. Mas essa evolução ocorreu quando vivíamos em pequenas comunidades, ao redor de pessoas parecidas conosco e onde todos dependiam uns dos outros.
 
Jamil Zaki
Jamil Zaki, diretor do Laboratório de Neurociência Social de Stanford, investiga como atos de generosidade podem se disseminar pela sociedade.
 
"Hoje, vivemos em um mundo gigante, somos conectados a milhares de pessoas, algumas das quais veremos só uma vez na vida, e possivelmente ao redor de grupos que nos ameaçam", diz Zaki.
Segundo o pesquisador, as regras sob as quais nós evoluímos para sermos empáticos foram quebradas. "Vivemos em um momento em que é muito mais difícil ter empatia, por isso vemos um crescente de ódio, desconexão e isolamento."
O cenário parece desolador. Mas Zaki garante que é possível reverter a situação se adotarmos estratégias para treinar o nosso "músculo empático". Ele cita estudos que concluíram que uma variedade de intervenções - como a leitura de obras literárias ou o uso de técnicas de dramatização - são capazes de aumentar o grau de empatia dos participantes. Para ele, a esperança de vivermos em um mundo mais cooperativo está em exercitarmos ativamente nossa empatia.
BBC News

Sarcófago fechado há mais de 2 mil anos com múmia misteriosa no Egito intriga arqueólogos

Sarcófago preto de granito encontrado na cidade de Alexandria: Dimensões do sarcófago impressionaram especialistas: tem mais de 2 metros de altura

Arqueólogos egípcios descobriram neste mês um misterioso sarcófago preto de quase 2 metros de altura na cidade de Alexandria, na costa norte do Egito.
A descoberta intriga os especialistas pelas dimensões do túmulo e por ele parecer estar intacto há mais de 2 mil anos - ao contrário de outros do antigo Egito que, ao longo dos séculos, foram saqueados e danificados.
É o maior sarcófago já encontrado na região de Alexandria.
O anúncio foi feito pelo secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades egípcio, Mostafa Waziri. 
O sarcófago de granito preto, com 1,85 metros de altura, 2,65 metros de comprimento e 1,65 metros de largura, foi encontrado em uma tumba a 5 metros de profundidade. Uma cabeça de homem esculpida em alabastro também foi encontrada no local.
Segundo o Ministério de Antiguidades egípcio, o objeto provavelmente retrata o dono do túmulo, que ainda não foi identificado - de acordo com especialistas, possivelmente se tratava de um nobre daquele período.

Escultura de cabeça encontrada junto ao túmulo em Alexandria: Cabeça esculpida em mármore também foi encontrada nas escavações e possivelmente retrata o homem enterrado no local

A descoberta foi feita por uma missão de arqueólogos do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito durante escavações para inspecionar o terreno de um morador de Alexandria - ele pretendia fazer os alicerces de uma construção na área.
Acredita-se que o túmulo remonte ao período ptolemaico, que começou após a morte de Alexandre, o Grande, em 305 a.C. e durou até 30 a.C, quando a rainha Cleópatra 7ª foi derrotada e o Egito se tornou província do Império Romano.
"Há uma camada de argamassa entre a tampa e o corpo do sarcófago, indicando que ele não é aberto desde que foi lacrado na antiguidade ", diz Ayman Ashmawy, o chefe do Setor de Antiguidades do Egito Antigo, em uma mensagem postada pelo Ministério de Antiguidades do Egito, em seu perfil oficial no Facebook.

Sarcófago encontrado em Alexandria, a uma profundidade de 5 metros abaixo do solo: Sarcófago de granito preto com 1,85 metros de altura, 2,65 metros de comprimento e 1,65 metros de largura está a 5 metros de profundidade

Agora, o túmulo está sob vigilância enquanto especialistas se preparam para descobrir o que há exatamente dentro do sarcófago.
"Esperamos que este túmulo seja de um dos altos dignitários do período", disse Ashmawy, em entrevista publicada no jornal britânico The Guardian. "A cabeça de alabastro é provavelmente a de um nobre em Alexandria. Quando abrirmos o sarcófago, esperamos encontrar dentro dele objetos intactos, o que nos ajudará a identificar essa pessoa e a posição que ocupava", acrescentou.
Ashmawy observa que abrir o sarcófago pela primeira vez é um trabalho delicado e que possivelmente isso será feito no próprio local, dadas as dificuldades de movê-lo para um museu, por exemplo.
"São cinco metros de profundidade e a coisa toda pesa mais de 30 toneladas. A tampa sozinha tem 15 toneladas", exemplificou ele, ainda na entrevista ao Guardian.
Uma equipe de engenheiros deverá visitar o local nas próximas semanas. A expectativa é que forneçam os equipamentos e suportes necessários para que a tampa do sarcófago seja removida.
Especialistas em mumificação e restauração também devem participar da abertura do túmulo para garantir que o conteúdo seja preservado.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Brasileiro de 8 anos, o mais jovem escritor premiado pela NASA , tem encontro na ONU

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João Paulo Guerra Barrera, o mais jovem escritor bilíngue do mundo e o mais jovem premiado em um concurso mundial pela NASA, será recebido nesta quarta-feira (11) pela Secretária Geral da ONU para a Juventude, Jayathma Wickramanayake, na sede da ONU em Nova Iorque. 
Em seu segundo livro, intitulado "Morando no espaço - Living In Space", lançado em março deste ano, o jovem autor aborda, de maneira lúdica, temas relacionados à sustentabilidade, compatíveis com a agenda ONU 2030, o que motivou o convite.
Para João Paulo, trabalhar a questão da sustentabilidade é primordial, sempre utilizando a educação e a tecnologia como ferramentas para mudar o mundo. "A educação combinando inovação, criatividade e diversão podem conceder conquistas incríveis. Não importa a idade, o essencial é a vontade de realizar os seus sonhos", diz.
Também na ONU, ele também encontrará o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, António Manuel de Oliveira Guterres, para quem entregará uma carta pedindo que o Português seja incluído como língua oficial na ONU.
Nos Estados Unidos, ele terá ainda agenda dia 12 no consulado Geral do Brasil em Nova Iorque, onde será recebido pelo Embaixador e Cônsul-geral Enio Cordeiro. No mesmo dia, irá à BEA - Brazilian Endowment for the Arts (Biblioteca Brasileira de Nova Iorque), onde fará uma doação de seus livros bilíngues. No sábado (14), ele estará em Nova Jersey, no Mantena Global Care, uma organização comunitária que ajuda a comunidade de baixa renda e os imigrantes latinos da cidade de Newark (NJ) e áreas adjacentes, para onde também levará seus livros.
Seu novo livro, "Morando no espaço - Living In Space", terá um estande na Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2018, que acontece de 3 a 12 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na qual João Paulo também é o embaixador da visitação escolar. Nomeado Embaixador do NASA Science Days no Brasil, o evento ganhará uma Edição Especial dentro da Bienal Internacional do livro de SP. Com um Mega Stand, intitulado Morando no Espaço, o objetivo é divulgar a importância da ciência, tecnologia aeroespacial, engenharia e matemática, além de contar com uma exposição exclusiva de objetos que já estiveram no espaço e mostrar como é o dia-dia dos astronautas.
Nos 10 dias da Bienal, a expectativa é que cerca de 1 milhão de pessoas visitem a feira, que é a maior da América Latina. Do total desse público, estima-se que 25% sejam crianças.
O livro Morando no Espaço também esteve presente na Feira Internacional do Livro Infantil em Bolonha dos dias 25 a 29 de março, na Feira Literária de Londres nos dias 10 a 12 de abril; Ele estará ainda na Feira Internacional do Livro em Frankfurt nos dias 10 a 14 de outubro e na Feira Internacional do Livro Infantil em Xangai na China entre os dias 25 e 29 de novembro.
Sobre João Paulo Guerra Barrera
Com apenas 8 anos de idade, João Paulo Guerra Barrera já tem dois livros publicados e detém o título de escritor bilíngue mais novo do mundo, com os livros "No mundo da Lua e dos planetas – In the world of the Moon and the planets", lançado em 2016, e também Morando no espaço - Living in Space", lançado em março deste ano. Aos seis anos de idade ele venceu o NASA AMES Space Settllement Contest, concurso mundial da NASA para jovens com até 18 anos. Foi o mais jovem da história a ganhar o concurso.
Em janeiro, ele foi nomeado Embaixador do NASA Science Days no Brasil. Ele também promove palestras em escolas, congressos dentro e fora do Brasil, ressaltando a importância da leitura, da educação e a consciência sustentável entre os jovens e crianças. Com isso, pouco a pouco tem se tornado referência na luta por uma educação melhor para jovens e crianças.
Em junho, ele esteve em Boston, onde foi palestrante no MIT (Massachusetts Institute of Technology) - uma das mais conceituadas universidades americanas - no encerramento da Conferência Mundial do ensino promoção e manutenção do Português como língua de herança.
Na ocasião, ele também se encontrou com a Consul e Embaixadora Geral do Brasil em Boston, Gilvânia Maria de Oliveira, grande incentivadora de projetos educacionais promovidos por brasileiros. João Paulo participou ainda da abertura do Focus Brasil Boston, um evento multidisciplinar e multimídia dedicado aos mais variados temas e aspectos da presença internacional do Brasil e das comunidades brasileiras no exterior.
JB

Encontrado na Grécia o trecho mais antigo que se conhece da 'Odisseia'

La Odisea extracto
 
Uma equipe de pesquisadores descobriu na Grécia o que se acredita ser o fragmento mais antigo do poema épico de Homero, Odisseia. Os especialistas (de nacionalidades grega e alemã) encontraram o texto gravado em uma placa de barro no sítio arqueológico de Olímpia, berço dos Jogos Olímpicos, situado na península do Peloponeso, segundo informa o Ministério da Cultura da Grécia.
No trecho, com 13 versos, o herói Odisseu dirige-se ao amigo Eumeu. Estimativas preliminares indicam que a peça pode datar do período romano, provavelmente antes do século III d.C. “Trata-se uma descoberta arqueológica, epigráfica, literária e histórica”, declarou o ministério grego. O texto homérico mais antigo que se conhece é a versão de Aristarco da Samotrácia (século II a.C.).
A Odisseia conta a história de Odisseu (ou Ulisses), rei de Ítaca, que viaja durante dez anos tentando voltar para casa após a queda de Troia. Primeiro transmitido oralmente, a epopeia atribuída a Homero, que compôs a Ilíada e esta obra por volta do final do século VIII a.C., foi transcrita antes da era cristã em pergaminhos dos quais restam apenas fragmentos encontrados no Egito.
A descoberta foi feita no âmbito da pesquisa geoarqueológica O sítio multidimensional de Olímpia, que há três anos reúne especialistas gregos e alemães no estudo desse sítio arqueológico.

Tailândia transformará caverna em museu sobre resgate de meninos perdidos

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Um complexo de cavernas da Tailândia onde 12 meninos e seu técnico de futebol ficaram presos por mais de duas semanas até serem resgatados será transformado em um museu sobre o resgate, disse o chefe da operação nesta quarta-feira.
Dois mergulhadores britânicos encontraram os meninos e seu treinador em uma caverna no sistema de cavernas inundado de Tham Luang, situado na província de Chiang Rai, no norte tailandês, na segunda-feira passada, nove dias depois de eles se perderem durante uma excursão.
Todos eles foram resgatados sãos e salvos após uma missão repleta de obstáculos que foi encerrada na noite de terça-feira. Um mergulhador de resgate tailandês morreu na sexta-feira, ressaltando os perigos da empreitada.
"Esta área se tornará um museu vivo, para mostrar como a operação transcorreu", disse o chefe da operação de resgate, Narongsak Osottanakorn, em uma coletiva de imprensa.
"Uma base de dados interativa será criada", disse. "Será mais uma grande atração para a Tailândia."
Autoridades tailandesas disseram que o drama dos meninos e do resgate multinacional colocou a caverna definitivamente no mapa e que existem planos para convertê-la em um destino turístico.
Mas ainda na terça-feira o primeiro-ministro Prayuth Chan-ocha disse que precauções adicionais terão que ser implantadas dentro e fora da caverna para garantir a segurança dos turistas.
Um guia de viagem descreve a caverna relativamente inexplorada de Tham Luang dizendo que ela possui uma "câmara de entrada impressionante" que leva a um caminho demarcado e de lá a uma série de câmaras e seixos.
Moradores de um vilarejo dizem que ela é sujeita a enchentes, e muitos exortaram as autoridades a instalarem sinais de alerta mais claros.
Chongklai Worapongsathorn, vice-diretor-geral do Departamento Nacional de Parques, Vida Selvagem e Conservação da Flora, disse que a caverna ficará fechada a partir de quinta-feira, mas não informou por quanto tempo.
Ele disse haver planos para "reviver" um parque nacional adjacente onde centenas de agentes de resgate e militares montaram onde centenas de agentes de resgate e militares montaram acampamento durante a operação de busca e resgate.
Tailandeses supersticiosos se impressionam com uma lenda sobre o local, cujo nome completo significa "caverna da dama reclinada", segundo a qual uma linda princesa fugiu para a caverna com seu amante plebeu. Seu pai então enviou soldados para matá-lo, levando-a a cometer suicídio. As montanhas ao redor assumiram a forma de seu corpo.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Resgate na Tailândia: sete momentos emocionantes de operação heróica que resgatou os meninos da caverna

O bem-sucedido resgate na Tailândia que tirou os 12 meninos e seu técnico de futebol do interior do complexo de cavernas de Tham Luang, no norte do país, foi marcado por momentos de muita emoção, ansiedade, tristeza e júbilo.
 
 
Os garotos fazem parte do time de futebol Wild Boars e têm entre 11 e 17 anos. Eles haviam entrado na caverna no dia 23 de junho depois de um treino, e acabaram surpreendidos por fortes chuvas que inundaram o local e bloquearam a saída. Eles foram encontrados por mergulhadores na semana passada, após nove dias. Estavam famintos, mas sem ferimentos graves.
 

Crianças desaparecem após treino

Ainda longe dos holofotes da imprensa internacional, o primeiro drama foi enfrentado pelos pais naquele 23 de junho quando receberam a informação de que 11 bicicletas haviam sido encontradas do lado de fora de uma caverna conhecidamente perigosa durante a estação de chuvas.
Eram por volta de três da tarde e um temporal havia caído sobre a região. As crianças haviam se reunido às 10 da manhã para seu treino rotineiro de futebol e estavam desaparecidas.

Buscas em região de cavernas

Nas primeiras horas do dia 24, começaram as buscas que passaram a ser acompanhadas pelo mundo inteiro, atraindo para o país especialistas em resgates em cavernas inundadas. Um dos integrantes da equipe de futebol, que não havia comparecido ao treino, disse que os meninos haviam visitado outras três vezes a caverna, mas nunca durante a arriscada estação de chuvas.
Ele indicou ainda, em entrevista à imprensa tailandesa, que havia, sim, planos de marcar o aniversário de um dos membros do time visitando o local naquele dia.

Mergulhador encontra crianças com vida

Os meninos tailandeses foram encontrados agrupados no interior da cavenra juntamente com o técnico do time de futebol
 
O grupo estava desaparecido havia 9 dias e muitos já haviam perdido as esperanças. Foi quando, finalmente, mergulhadores britânicos encontraram as crianças e o técnico com vida em um nicho elevado dentro da profunda rede de cavernas. Eles estavam a 4 quilômetros da entrada.
O vídeo em que o mergulhador conversa em inglês com uma das crianças correu o mundo. Os meninos contam com a ajuda de um dos membros da equipe, Adul Samon, de 14 anos, refugiado de Mianmar, que fala inglês.
"Quantos vocês são?", perguntou o mergulhador assim que avistou os meninos aglomerados sobre uma rocha, tentando se manter distantes da água que inundou a caverna. "Somos só dois. Mas muita gente está vindo", diz o mergulhador. O capítulo mostrava o que era possível alcançar unindo os melhores talentos internacionais por uma causa.
"Somos treze", respondeu o adolescente, em inglês, para então perguntar "que dia é hoje" e dizer que todos estavam famintos. Os mergulhadores responderam que é "segunda-feira" e que o grupo já estava havia mais de uma semana na caverna Eles também explicaram que precisavam deixar os jovens lá, porque tiveram que mergulhar para chegar até o local.
Gráfico sobre meninos presos em caverna na Tailândia
Gráfico sobre o resgate de meninos na Tailândia
Mas acrescentam: "Somos só dois. Mas muita gente está vindo. Mais gente está vindo aqui. Vocês são muito fortes, muito fortes."
Em outra filmagem divulgada pelas equipes de resgate, Adul diz, em tailandês: "Eu sou o Adul. Estou bem de saúde". E faz o tradicional gesto tailandês "wai" de cumprimentar - que simboliza respeito ao outro.

Meses na caverna?

Os momentos de alegria, no entanto, não duraram muito e foram logo substituídos pela angústia em relação ao resgate quando autoridades admitiram que os 13 talvez tivessem que permanecer no local por meses, até o fim da estação de chuvas.
Essa hipótese, no entanto, foi rebatida pouco depois quando uma avaliação mais minuciosa do local onde se encontravam indicava o risco de elevação do nível da água com a previsão de mais chuvas.

Mergulhador morre

No dia 5 de julho, a notícia da morte do ex-mergulhador da Marinha tailandesa Suman Gunan deixa claro o grau de risco da missão. Ele tinha 38 anos, era triatleta e havia se voluntariado a participar da operação de resgate. Ele havia levado suprimentos e oxigênio para o grupo. No retorno, teria ficado ele próprio sem ar suficiente. Integrantes da equipe de resgate relataram que a morte não seria em vão e serviria para aumentar o propósito da missão.

Cartas e pedidos de comida

O grupo envia cartas para a família e amigos. Na troca de cartas, divulgada na página de Facebook da Marinha tailandesa no sábado, 7 de julho, os meninos deram notícias aos familiares e foram encorajados a se manterem calmos enquanto esperam o resgate.
"Não se preocupem, estamos fortes. Professora, não nos dê muito dever de casa!", brincou um deles. Outro escreveu: "Nick ama papai, mamãe e os irmãos. Se eu conseguir sair, mãe e pai, por favor me tragam mookatha (tipo de churrasco tailandês) para comer".an, que é chamado de "Titan" pelos amigos, pediu que o irmão "esteja preparado para me trazer frango frito".
Outro deles, Bew, se mostrou preocupado em ajudar a mãe em sua loja. "Não se preocupem, mãe e pai. Bew desapareceu por duas semanas. Mas depois foi ajudar mamãe a vender as coisas na loja. Vou correndo para lá", disse.
Em uma carta separada, o técnico Ekkapol Chantawong pediu desculpas aos pais das crianças, mas os familiares responderam que ele não deveria se culpar. Em sua carta, o técnico de 25 anos disse aos pais que "todos os meninos estão bem, a equipe de resgate está nos tratando bem"."E eu prometo que vou cuidar das crianças o melhor que puder... Peço desculpas sinceras aos pais."

Urgência no resgate e missão cumprida

O resgate começa na manhã de domingo, 8 de julho. O risco de mais chuvas tornava o resgate urgente. Já no primeiro dia, quatro são retirados da caverna. A missão é bem-sucedida nos dois dias seguintes, terminando com cinco resgates nesta terça-feira.

Noventa mergulhadores

Noventa mergulhadores estão envolvidos na operação de resgate - 40 tailandeses e 50 estrangeiros. Tirar os meninos e o técnico de lá era ainda mais complicado porque há sessões na caverna que envolvem mergulho - algumas vezes em um espaço muito estreito - e outras que requerem equipamento de montanhismo.

Submarino rejeitado

O drama dos meninos atraiu a atenção do mundo todo, e logo vieram sugestões e ofertas de ajuda para tirar o grupo da caverna em segurança. Uma delas veio do empresário bilionário do ramo de tecnologia Elon Musk, que chegou a oferecer seus serviços ao governo tailandês para ajudar na operação de resgate de 12 meninos e seu treinador de futebol, presos em uma caverna inundada.
Em uma série de tuítes, o dono da Tesla afirmou que a experiência acumulada em seus mais diferentes negócios poderia ser útil para a equipe que trabalha no salvamento. Uma das últimas sugestões do empresário foi a de construir um minissubmarino feito com pedaços de foguetes. Mas o governo tailandês gentilmente recusou a oferta, preferindo seguir em frente com seu plano original de usar mergulhadores, o que provou ser um sucesso.

Caminho difícil

Para sair do local - localizado a mais de 800 metros abaixo do solo - os meninos e o técnico precisaram andar nas rochas, caminhar na água, escalar e mergulhar - tudo na completa escuridão - com o auxílio de cordas colocadas ao longo do percurso para guiá-los. Segundo o governo tailandês, que divulgou o plano do resgate, os garotos foram divididos em quatro grupos e transportados um a um. O treinador estava neste último grupo.
"Eu não consigo entender o quão calmas essas crianças são, sabe? Pensando em como elas foram mantidas na caverna por duas semanas, sem ver suas mães…São crianças incrivelmente fortes. Isso é quase inacreditável", diz o mergulhador Ivan Karadzic, quando a operação de resgate na Tailândia ainda estava em curso.
Karadzic era um dos integrantes da equipe de resgate internacional. Seu trabalho era o de cuidar do translado dos meninos em um trecho bastante complicado no meio do trajeto. Ele ressaltou que "nenhuma criança jamais mergulhou dessa maneira".
Os garotos que ficaram presos na caverna fazem parte do time de futebol Wild Boars e têm entre 11 e 17 anos. Acredita-se que eles foram para a caverna no dia 23 de junho, após um treino, para comemorar o aniversário de um dos colegas.
 
Equipes de resgate em caverna na Tailândia
Teriam levado apenas alimentos básicos e acabaram presos por causa da inundação.

Readaptação

Autoridades sanitárias explicaram que nessa fase de readaptação fora da caverna, inicialmente eles receberam comidas instantâneas e géis energéticos, mas agora estão comendo alimentos fáceis de digerir. Alguns dos meninos também já viram seus pais - mas apenas através de um vidro para reduzir chances de eventual contaminação.
Resultados de exames complementares são esperados dentro de alguns dias e se todos os sinais de infecção tiverem desaparecido, a expectativa é que as famílias possam visitá-los. No entanto, terão de vestir roupas de proteção e de ficar a até 2 metros de distância.
Fonte BBC

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Por que 9 de julho é feriado em São Paulo

Nove de Julho é feriado apenas no Estado de São Paulo e somente desde 1997. E muitos ainda não fazem ideia do motivo. Afinal, o que foi a Revolução Constitucionalista de 1932?
 
Obelisco
Foi um movimento armado, que resultou da revolta generalizada no Estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas, que assumira o poder em 1930 com um golpe de Estado, derrubando o então presidente Washington Luís e impedindo a posse de seu sucessor.
Vargas reduziu a autonomia dos Estados do país e indicava interventores para governá-los segundo seus interesses.
Com o apoio de grupos econômicos e políticos locais, o levante - que resultou no maior conflito militar do país no século 20 - teve início no dia 9 de julho de 1932, e terminou com a rendição do Exército Constitucionalista em 2 de outubro.
Seu estopim foram as mortes de quatro jovens paulistas por tropas getulistas durante uma manifestação no centro de São Paulo, no dia 23 de maio.
Os confrontos entre constitucionalistas e tropas enviadas por Getúlio - que conseguiu articular uma resposta militar com apoio de todos os Estados, exceto o Mato Grosso -, no interior do Estado e na capital, deixaram 934 mortos, entre eles, 634 constitucionalistas.
 
Moeda usada em São Paulo durante revolução de 1932

Legado

Historiadores pintam um quadro de "vitória após a derrota" ao analisar o legado o movimento.
"Em termos de curto prazo, foi a conquista de todas as bandeiras pelas quais o Estado se bateu em 1932", aponta o jornalista Luiz Octavio de Lima, autor do recém-lançado 1932: São Paulo Em Chamas. "O governo getulista convocou uma Assembleia Constituinte, o Congresso foi reaberto, e foram convocadas eleições gerais."
Como legado de longo prazo, ele aponta para "a valorização dos preceitos democráticos e a participação popular. O conceito de cidadania, assim como a vigilância mais próxima de governados sobre governantes."
 
Obelisco do Ibirapuera, símbolo da cidade de São Paulo e da revolução de 1932

O historiador Paulo Rezzutti vê fortes razões para explicar as celebrações de 9 de Julho, "porque um Estado se levantou em armas por uma Constituição e conseguiu, mesmo perdendo a revolução, que a Constituição fosse convocada".
"Só isso já deveria ser comemorado. A Revolução de 1932 foi, em parte, uma amostra do que o poder desse Estado era capaz de fazer se ignorado."
 
Cartaz eleitoral distribuído durante pleito que elegeu Getúlio Vargas, em 1930
 
Rezutti também acha que o episódio não teve o destaque que merece na historiografia do país do século 20. "Precisamos recordar que o governo de Getúlio Vargas, contra quem foi feito o levante, perdurou ainda por 13 anos, o que fez com que o assunto Revolução Constitucionalista não pudesse ser mencionado na imprensa, discutido nas tribunas políticas ou ensinado nas escolas", pontua o jornalista.
"A narrativa dessa guerra civil foi encampada pelos vencedores e durante muito tempo prevaleceram teses como a de que o movimento teve um cunho separatista e antinacional, que São Paulo desprezava o restante do país, etc, quando, na verdade, a revolta nem havia sido estritamente paulista na sua origem, tendo obtido apoios no Sul, no Mato Grosso, em partes de Minas Gerais, Bahia e Amazonas", explica.
"Também dizia-se que era motivada por um desejo da elite cafeicultora e industrial de São Paulo de recuperar privilégios perdidos após a Revolução de 1930, teoricamente de inspiração mais popular. Esses fatores tornaram o episódio distante do interesse de parte dos acadêmicos. Mas a partir dos anos de 1980 esses conceitos começaram a ser revistos."
Para o pesquisador e colecionador Ricardo Della Rosa, que é neto de combatentes e mantém a página no Facebook 'Tudo Por São Paulo', dedicada ao tema, "a Revolução mostrou que é possível lutar por uma causa e, ainda que não tenham vencido no campo de batalha, os paulistas se uniram até as últimas consequências. E foram em frente. Em um curto período de tempo, produziram armas, chegaram a cunhar uma moeda própria, enfim, em três meses, fizeram mais do que em anos. A tristeza é que esse legado acabou não sendo passado em lugar algum, não virou matéria escolar, nada... É um período quase omitido em nossa história."

Legado físico

Se teve pouco espaço na História do país, a Revolução de 32 está presente com força em vários endereços conhecidos da capital paulista e em monumentos espalhados pelo interior do Estado.
Rezutti cita "as avenidas 23 de maio e 9 de julho, principais artérias que cortam a cidade de São Paulo; o Obelisco, o grande mausoléu dos combatentes de 1932, no Ibirapuera; os monumentos em todas as cidades do Vale do Paraíba onde houveram combates; os monumentos nas faculdades que depois comporiam a USP (a Politécnica, o Largo do São Francisco e a Faculdade de Medicina), de onde partiram estudantes para a revolução."
Também é lembrada a rua MMDC, no Butantã, que alude ao acrônimo Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, como eram conhecidos os quatro jovens manifestantes paulistas mortos por tropas getulistas em 23 de maio de 1932.
 
Avenida 9 de Julho, em São Paulo

Outras figuras históricas do movimento também acabaram eternizadas pela malha viária paulistana. Na Vila Clementino, a rua Pedro de Toledo homenageia o interventor de Vargas que aderiu à causa e foi aclamado governador paulista, rompendo com o governo federal. No Mandaqui, há a praça General Bertholdo Klinger. General Isidoro Dias Lopes emprestou seu nome a uma rua de Santana.
Mas não é só isso. A joia da coroa desse levante é um monumento erguido próximo ao Parque Ibirapuera, oficialmente chamado de Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932, mas conhecido popularmente apenas como Obelisco. Trata-se de um monumento que, depois de 12 anos fechado ao público, foi reaberto em dezembro de 2014, depois de obras de restauro que custaram R$ 11,4 milhões aos cofres públicos.
O conjunto artístico foi concebido pelo artista Galileo Emendabili (1898-1974). Ali no mausoléu jazem os restos mortais dos quatro MMDC, do jornalista Guilherme de Almeida - conhecido como o "poeta de 32" -, do jurista Ibrahim de Almeida Nobre - o "tribuno de 32" -, do agricultor Paulo Virgínio - o "herói de Cunha" - e de outros 713 combatentes.
Guilherme de Almeida tem um espaço dedicado a sua memória em São Paulo. Trata-se da Casa Guilherme de Almeida, no bairro do Pacaembu. O sobrado, onde o poeta, advogado, jornalista, crítico de cinema, ensaísta e tradutor viveu de 1946 até sua morte, em 1969, guarda muitos de seus objetos pessoais, inclusive aquelas peças que aludem ao movimento de 1932, como a arma que ele usou e seu capacete.
 
Capacete usado por soldados paulistas durante Revolução de 1932
 
Mas fica no centro da cidade, na rua Álvares Penteado, aquele que certamente é o mais curioso prédio referente a esse episódio histórico: o edifício Ouro Para o Bem de São Paulo. Inaugurado em 1939, o prédio foi construído com o dinheiro das joias e alianças que paulistas doaram à causa constitucionalista. Isto porque, para sustentar a causa, a Associação Comercial de São Paulo acabou criando a campanha Ouro Para o Bem de São Paulo.
Com o fim da revolução, diante da iminente derrota, a associação temia que esses valores acabassem confiscados pelo governo federal. Então, tudo foi doado para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - que decidiu investir na construção de edifícios, inclusive este.

Ele é dotado de uma arquitetura muito peculiar. Em estilo art déco, sua fachada representa a bandeira paulista: cada um de seus andares corresponde a uma das 13 listras da flâmula.
Outro marco é da Universidade de São Paulo. Trata-se de escultura feita por Adriana Janacópulos, instalada no pátio interno da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em homenagem aos estudantes mortos em combate. É um busto de um jovem no momento em que recebe uma bala. Logo abaixo, em um granito negro, lê-se a triste quadra em vermelho: "Quando se sente bater/no peito heroica pancada/ deixa-se a folha dobrada/ enquanto se vai morrer."

Lugares

Se as batalhas se espalharam por várias frentes no interior paulista, a capital acabou sendo epicentro das manifestações que desencadearam a revolução. Foi na esquina da rua Barão de Itapetininga com a praça da República, por exemplo, que ocorreu o célebre evento de 23 de maio de 1932, aquele que terminaria com quatro mortos, os estudantes MMDC.
No dia seguinte, os revoltosos acabaram se reunindo na praça do Patriarca, para um grande comício contra o governo federal. "Dos estudantes ao povo de São Paulo. Depois dos acontecimentos de ontem, nenhum paulista pode deixar de atender ao apelo de São Paulo. Viva São Paulo livre!", diziam os panfletos espalhados pela cidade.
A reação também veio por panfletos, conforme contou o escritor e memorialista Hernâni Donato em seu livro História da Revolução de 32. "De um avião voando perigosamente a baixa altura descem cópias do manifesto do coronel Ávila Lins, comandante interino da II Região Militar", escreveu. "O pronunciamento é tão evasivo quanto os discursos dos outros chefes militares: as tropas federais 'não permitem que elementos quaisquer perturbem a ação enérgica e patriótica do Governo Revolucionário em prol da manutenção e organização do Governo Paulista'".
No dia 9 de julho, o Palácio dos Campos Elíseos se tornou o centro da história. Foi ali que Pedro de Toledo aderiu à causa e foi aclamado governador paulista, praticamente dando início ao conflito.
BBC

sábado, 7 de julho de 2018

Teoria da gravidade de Einstein é testada em condições extremas de estrela 'zumbi'

Um novo estudo realizado pela astrônoma canadense, Anne Archibald, mediu um tipo especial de estrela de nêutrons chamada pulsar enquanto se movia, ou melhor, "caía" na direção de outra estrela.  Depois, os investigadores compararam as medições exatas com as de uma estrela anã branca muito mais leve que estava caindo na direção da mesma estrela e praticamente não encontraram nenhuma diferença no seu comportamento em termos de gravidade.
"Temos bastante convicção de que o que vimos corresponde totalmente à teoria da relatividade geral", citou o canal CBC Ingrid Stairs, professora da Universidade da Colúmbia Britânica e coautora do estudo publicado nesta sexta-feira (6) na revista Nature.
 
 
A teoria de Einstein descreve a gravidade como curvas na relação espaço-tempo que produzem os objetos quando descem ou caem. No espaço, a gravidade e "queda" tomam a forma de estrelas, planetas e luas orbitando uns ao redor dos outros.
Um trio único de estrelas, registrado por Stairs e seus colegas em 2012, basicamente tornou possível o relatório acima mencionado. Nomeadamente, o trio contém um tipo especial de estrela de nêutrons circulando em um sistema triplo de estrelas. A estrela mencionada no estudo é um pulsar de milissegundos, que gira à velocidade recorde de 366 rotações por segundo e, como consequência, é batizada de zumbi. A coisa mais interessante é que este pulsar está orbitando outras duas estrelas, e uma grande anã branca está, por sua vez, orbitando ambas.
"Para que um sistema triplo sobreviva a uma supernova que forma um pulsar é realmente extraordinário", disse Archibald.
O sistema chamado PSR J0337+1715 fica à distância de 4.200 anos-luz da Terra na constelação de Touro. De acordo com os pesquisadores, isso poderia ser usado para realizar testes únicos de gravidade no futuro.
"Isto nos permitiu ir além do que é possível no Sistema Solar", afirmou Stairs, adicionando que os cientistas se sentem "muito excitados".
Jornal do Brasil

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Por que a velocidade da Terra nesta sexta-feira será 7.000 km/h mais lenta que em janeiro

Nesta sexta-feira, 6 de julho, a Terra estará mais distante do Sol do que em qualquer outro dia deste ano de 2018.
Nesse dia, o planeta atingirá seu afélio, palavra de origem grega que significa "longe do Sol".
"O afélio é o ponto da órbita ao redor do Sol em que a Terra fica mais longe do astro e o periélio (que quer dizer 'perto do Sol') é justamente o oposto, o ponto da órbita em que a Terra fica mais próxima ao astro", disse à BBC Mundo Nayra Rodríguez Eugenio, astrofísica e professora do Instituto de Astrofísica das Canarias, em Tenerife, na Espanha.
"No periélio, o Sol está a aproximadamente 147 milhões de quilômetros da Terra; no afélio está a uns 152 milhões de quilômetros do Sol."
A distância varia porque a órbita da Terra ao redor do Sol não é uma circunferência perfeita, nosso planeta descreve uma trajetória elíptica.

Velocidade

O afélio ocorre a cada ano entre 2 e 7 de julho. O periélio foi no dia 3 de janeiro.
A Terra alcançará sua maior distância do Sol no dia 6 de julho às 17h46 GMT (14h46 no horário de Brasília), quando o planeta e seu astro estarão a 152.095.566 de quilômetros um do outro.
A maior distância se traduz numa velocidade de órbita menor.

Terra e Sol

Assim como foi assinalado por uma das chamadas leis de Kepler (sobre movimentos planetários, formuladas pelo astrônomo e matemático alemão Johannes Kepler no século 17), quando os planetas estão perto do Sol eles se movem mais rápido do que quando estão longe.
A velocidade orbital de translação será de 103.536 quilômetros por hora, mais de 7.000 quilômetros a menos por hora do que a velocidade no periélio.

Estações do ano

As reduções ou aumento de velocidade da Terra na rota ao redor do Sol não têm nada a ver com as variações de temperatura e clima das estações do ano.
"As estações acontecem pela inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano de órbita que faz ao redor do Sol, que chamamos de 'eclíptica'", disse Rodríguez Eugenio.

Árvore em diferentes estações do ano

"Esse eixo está inclinado a uns 23,5 graus, por isso, quando estamos no verão do Hemisfério Norte, o eixo norte, ou Polo Norte da Terra, está apontado mais em direção ao Sol. Já no inverno, nosso Polo Norte está apontado na direção oposta -- não exatamente oposto, cerca de 23,5 graus, mas está apontado na direção oposta ao Sol."

Mais água no hemisfério sul

O verão do Hemisfério Norte coincide com o afélio, "mas recebemos mais radiação solar aqui no Hemisfério Norte porque o Sol está mais alto sobre o horizonte e temos mais horas de luz solar", explicou a astrofísica.
No Hemisfério Sul, por outro lado, o verão coincide com o periélio.
"Isso poderia nos fazer pensar que no Hemisfério Sul a temperatura sobe mais do que no Norte no verão porque, além da inclinação, a Terra também está mais perto do Sol", disse Rodríguez Eugenio.
MAS NÃO É O QUE ACONTECE

Hemisfério sul
O que acontece é que "no Hemisfério Sul há maior quantidade de água e isso faz com que a temperatura não aumente tanto", diz ela.
"Isso parece que se deve ao fato de que a Terra esquenta mais facilmente do que a água e, como o Hemisfério Sul tem uma proporção maior do seu território coberta por água, o excesso de energia é absorvido por ela."
Por isso, no verão, tanto no Hemisfério Sul como no Norte, a temperatura é aproximadamente a mesma", explicou a astrofísica.
BBC

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Temperaturas do lugar mais frio do planeta são ainda mais baixas do que se pensava

Buracos localizados na camada de gelo da Antártida ajudaram os cientistas a descobrirem que a temperatura na área é cinco graus menor do que haviam identificado em 2013.


  1. No estudo anterior, os especialistas explicam as condições necessárias para que as temperaturas caiam tão drasticamente.
    Eles concluíram que ventos leves e céu limpo não são os únicos fatores-chave. Ventos extremamente secos, que se mantenham constantes durante vários dias, também desempenham um papel crucial.
  2. Para chegar aos novos resultados, os cientistas observaram pequenas depressões ou buracos rasos na camada de gelo da Antártida, onde o ar frio, denso e descendente se acumula e pode permanecer por vários dias.
    Isso faz com que a superfície e o ar acima dela se resfriem ainda mais, até que as condições claras, calmas e secas terminem e o ar se misture com um outro mais quente na atmosfera.
Os especialistas já desenvolvem novos instrumentos para medir possíveis temperaturas mais baixas
 
"Nesta área, vemos períodos de ar extremamente seco, e isso permite que o calor da superfície da neve se irradie para o espaço com mais facilidade", disse Ted Scambos, principal autor do estudo, em um comunicado.

Ainda mais gelado?

O novo recorde de -98°C pode ser superado de novo se as condições ambientais necessárias se mantiverem constantes por várias semanas, embora Scambos considere muito pouco provável que isso ocorra.
Apesar dessa improbabilidade, a equipe de pesquisadores já trabalha na concepção dos instrumentos que lhes permitam sobreviver e trabalhar em lugares ainda mais frios, além de medir as temperaturas do ar e da neve.
Os especialistas esperam ter esses meios de trabalho prontos dentro de dois anos.