quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Por que atualizar computador é mais importante até que antivirus para evitar ciberataques

Informações de 143 milhões de americanos vazaram em um dos maiores ciberataques dos últimos tempos em meados deste ano, quando hackers invadiram o sistema da empresa de gestão de crédito Equifax. O método foi menos cinematográfico do que o crime em si: eles descobriram um acesso aos dados por meio de um software que estava desatualizado havia dois meses.
 
 
Aplicativos, softwares e sistemas operacionais ganham atualizações não apenas para melhorar sua aparência e a experiência dos usuários, mas principalmente para corrigir falhas de segurança.
A exploração de vulnerabilidades é uma das principais portas de entradas para hackers, que na última década transformaram o cibercrime "de uma brincadeira em um negócio lucrativo", define Douglas Santos, que trabalha no Laboratório de Ameaças do Canadá da Fortinet, multinacional de segurança de rede.
Mesmo com o aumento expressivo do volume de ataques - e do valor das perdas -, ainda é grande o número de empresas e de usuários de computadores pessoais que são atacados por causa de descuidos como o da Equifax.
As violações de dados custarão às empresas americanas US$ 4,1 milhões (R$ 13,5 milhões) neste ano, de acordo com o estudo "Cost of Data Breach 2017", feito pela IBM em parceria com o Instituto Ponemon.

Símbolo da Equifax no painel da bolsa de Nova York

No Brasil, país cada vez mais visado pelos criminosos, as perdas quase dobraram desde 2013, de R$ 2,6 milhões para R$ 4,7 milhões projetados para este ano. O levantamento contou com a participação de 166 organizações de 12 diferentes segmentos.
As vulnerabilidades são um tema tão importante no mundo da tecnologia da informação que a IBM tem especialistas dedicados a vasculhar programas e sistemas operacionais em busca delas para notificar os desenvolvedores, diz João Rocha, líder de segurança da companhia no Brasil.
E o período de maior risco de ataques, ele ressalta, é justamente aquele entre o lançamento de uma atualização e momento em que ela é finalmente instalada na máquina. Nesse intervalo, os hackers sabem que há uma fragilidade e tentam explorá-la nas máquinas que ainda estão desprotegidas.
"É difícil se proteger de uma vulnerabilidade 'zero-day' (completamente desconhecida), mas a maioria dos ataques não é desse tipo", ele destaca.

Prevenção a 85% das ameaças

As atualizações de sistemas operacionais e de softwares ocupam o topo da lista de recomendações do analista sênior de segurança da Kaspersky Lab Fabio Assolini.
Combinadas à prática do "whitelisting" - uma "lista branca" que autoriza o download apenas de programas reconhecidamente confiáveis -, elas evitariam 85% das ameaças a computadores, ele ressalta.
O trio faz parte de uma lista de 30 estratégias reunidas pela Australian Signals Directorate (ADS), agência de inteligência do governo australiano responsável por segurança da informação, e adotadas hoje no mundo inteiro.
"O antivírus ocupa apenas a 22ª posição", acrescenta o especialista da Kaspersky, referindo-se à modalidade que muita gente acredita ser a medida de segurança mais importante.

Hacker

O descuido de manter as máquinas desatualizadas acontece em empresas de todos os tamanhos em todos os países, diz Santos, da Fortinet. E está por trás da grande maioria dos ataques que ele observa entre os dois mil clientes corporativos que atende no Brasil - de companhias na área de saúde e no setor de serviços a hotéis.
A falha nem sempre é desleixo, ressalva Assolini, da Kaspersky. "Para nós parece simples manter o sistema atualizado, mas isso é mais difícil quando você tem uma rede com centenas de computadores e nem todos usam o mesmo sistema operacional, por exemplo."
No caso específico do Brasil, ele emenda, o fato de muitas empresas usarem softwares piratas - inclusive grandes companhias - e sistemas operacionais que não mais suportados, como o Windows XP, também facilita os ataques.

O risco dos malwares

Os principais agentes de ameaças e ataques são os softwares maliciosos - chamados de malware -, que se escondem em sites, emails, mensagens de texto, de WhatsApp e que se infiltram no computador para roubar informações ou executar funções sem o consentimento do usuário.
São malwares os vírus, trojans, worms, spywares.
Uma das estratégias mais comuns de propagação são os golpes de "phishing", os e-mails infectados que se escondem em mensagens cada vez mais sofisticadas. O Brasil é campeão dessas fraudes.
Um exemplo recente entre os clientes da Kaspersky, conta Assolini, envolveu o departamento financeiro de uma média empresa. Um email com anexo intitulado "planilha de aumento salarial" liberava a instalação de um trojan que mudava o código de barras dos boletos bancários gerados pela companhia e fazia com que os pagamentos fossem direcionados para as contas de hackers.
"Quem não clicaria em um email que promete revelar aumento de salário?", comenta Assolini.
 
Mulher lamenta ciberataque
 
O termo malware ganhou ainda mais popularidade em maio deste ano, quando redes de empresas e órgãos públicos de diversos países foram invadidos pelo WannaCry, que sequestrava informações de computadores e só as liberava mediante o pagamento de resgate em bitcoins.
O pior ciberataque de que se tem notícia infectou mais de mil computadores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e deixou a rede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo fora do ar por mais de 24 horas.

Novos cargos na TI

"A era de segurança digital no Brasil começou depois do WannaCry", diz Bruno Prado, fundador da UPX Technologies, empresa de tecnologia.
Para ele, o ataque chamou atenção das empresas brasileiras, cada vez mais alvo tanto de hackers locais quanto de estrangeiros, para segurança digital.
Desde então, ele exemplifica, é cada vez maior o número de companhias que procuram softwares de monitoramento para acompanhar as atividades dos funcionários e prevenir comportamentos de risco.
Em paralelo, os departamentos de TI estão ganhando uma nova posição, diz Prado - o Chief Information Security Officer (CISO), que trabalha ao lado do Chief Security Officer (CSO) e se reporta diretamente ao presidente da companhia.
BBC Brasil

Como descobrir e apagar as informações que o google tem de você

Ele sabe o que você procura, o que te interessa e os lugares que você visita, entre muitas outras coisas. Esse é o Google, a ferramenta de busca mais usada do mundo.
 
Olho reflete logomarca do Google
"Quando o usuário usa nossos serviços, confia a nós informações dele".
É assim, de forma clara, que o gigante tecnológico se dirige a seus usuários logo na primeira linha dos termos e condições de privacidade.
Mas o que você provavelmente não sabe é que o Google oferece a possibilidade de excluir as informações armazenadas em um lugar chamado "Minha atividade" ou "My activity", em inglês.
Nós explicamos como fazer isso em alguns passos.

1. Excluir minha atividade

Cada vez que você faz uma pesquisa no Google, a empresa a salva e a associa à sua conta.
Ela também registra todos os movimentos que você faz, como preencher um formulário ou ler seu e-mail no Gmail.
Todos os dados são coletados em um site chamado "Atividade". É exatamente nesta área que você tem que ir para consultá-lo.
Você tem três opções na hora de excluir informações:
A primeira é usar a pesquisa para encontrar uma página específica para apagar.

Minha Atividade no Google
A segunda é limpar as buscas feitas no mesmo dia, escolhendo "Hoje" e depois clicando na opção "Excluir"
A terceira opção é eliminar toda a sua pesquisa. Para fazer isso, clique em "Excluir por" na lista à esquerda. Clique em "Excluir por data" e selecione "Todo o período". Se você tem certeza desta opção, clique em "Excluir".
Em todos os casos, aparecerá um aviso do Google sobre os possíveis impactos dessa decisão. Mas, na realidade, excluir o histórico de pesquisa do Google e a trilha de navegação não tem nenhuma consequência em relação à operação da sua conta do Google ou seus aplicativos.

2. Elimine toda a sua atividade no YouTube

Página interna do Google

Mas isso é algo que você também pode excluir facilmente, apagando o histórico de pesquisa.

3. Como eliminar tudo que os anunciantes sabem sobre você

O Google não só sabe tudo sobre você, mas também repassa essa informação a anunciantes.
É por isso que ele é capaz de mostrar anúncios que combinam com o que você procura.
Mas é possível descobrir quais informações estão sendo transmitidas aos anunciantes.
Para isso, acesse sua conta do Google e depois "Informações pessoais e privacidade". Desta vez, o que interessa é a opção "Configurações de anúncio".

Privacidade do Google
Uma vez dentro, clique em "Gerenciar Configurações de Anúncio".
Na sequência, opte por "Controlar anúncios com sessão fechada". Se você clicar nessa opção, você pode escolher se deseja receber anúncios com seus interesses ativados ou desativados (a opção de não receber publicidade não está disponível).
O Google irá avisá-lo de que não se adequará a você porque você vai parar de ver anúncios relacionados aos seus interesses, mas cabe a você escolher.

4. Remover o histórico de localização do Google

Se você usa um dispositivo Android, o Google acompanha os locais que você visitou com seu dispositivo por meio de um recurso chamado Rotas.

Página de privacidade do Google
Para apagar todas essas informações do Google Maps, você deve acessar essa página.
A função em questão é chamada de Rotas e a exclusão do rastreio é tão simples quanto clicar no botão da lixeira (na parte inferior direita da tela).
BBC Brasil

A curiosa história por trás do logo mais famoso do mundo

Há o Arco de Trajano, o de Mármore, o Arco de Constantino e o de Napoleão. Você pode subir ao topo do mais alto deles, o de Gateway, de 192 metros de altura, em St. Louis (EUA) ou observar as centenas de arcos em formato de ferradura no sul da Espanha, naquela que foi a Grande Mesquita de Córdoba.
 
 Símbolo do McDonald's
Mas, por mais que esses possam ser os arcos mais importantes em termos de alta cultura, engenharia inovadora ou valor histórico, o mais famoso mesmo é o do McDonald's. Sob seus arcos, atualmente expostos em mais de 30 mil restaurantes em 119 países, 68 milhões de clientes são servidos por dia.
O que muitos não sabem é que o famoso "M" formado pelo cruzamento de dois arcos dourados foi criado mais por acidente do que pelo trabalho de design.
Em 1937, Patrick McDonald, que chegou à Califórnia na década anterior vindo de New Hampshire, no outro lado dos EUA, abriu o The Airdrome, uma barraca de cachorro-quente em formato octagonal no aeroporto de Monrovia, em Los Angeles. Ele conduzia o negócio com seus filhos Richard ("Dick") e Maurice ("Mac"), que, em 1940, mudaram a barraca para San Bernardino.
Oito anos mais tarde, os irmãos a relançaram com seu novo conceito de fast-food, vendendo hambúrgueres por 15 centavos de dólar, metade do preço de seus competidores. Uma nova fachada anunciava "Os Famosos Hamburguers McDonald's".

McDonald's

Em 1952, Dick e Mac se sentaram com o arquiteto de Los Angeles Stanley Clark Meston e seu assistente Charles Fish. O plano era desenhar um restaurante McDonald's de estrada que pudesse virar uma franquia.
Dick havia desenhado dois semicírculos que, pensou, ficariam bonitos em cada extremidade da estrutura, chamando atenção de motoristas famintos e suas famílias.
Meston, que já havia trabalhado como designer de cenários nos estúdios Universal e para Wayne McAllister, o arquiteto dos restaurantes de drive-in do estilo característico dos anos 1930, transformou os semicírculos de Dick em um par de parábolas altas de metal pintadas de dourado neon. Refletindo as últimas tendências de arquitetura e engenharia, pareciam valer um milhão de dólares - e não 15 centavos.
Os arcos de Meston, feitos pelo criador de marcas George Dexter, estrearam em 1953 com a primeira franquia do McDonalds em Phoenix, no Arizona. Ela foi comprada pelo executivo de petróleo Neil Fox. Seus cunhados, Roger Williams e Bud Landon, que também eram seus sócios, compraram a franquia do terceiro "novo" McDonald's em Downey, na Califórnia.
O prédio em questão seria demolido em 1994, mas foi restaurado pela McDonald's Corporation. Nele é possível ver como, a partir de alguns ângulos, os arcos dourados se cruzam - e como, assim, o logo do McDonald's de fato surgiu.

Amo muito tudo isso

Os irmãos McDonald estavam satisfeitos com a expansão lenta e firme da franquia, mas não Ray Kroc, que tinha sido músico de jazz, DJ e vendedor de papelaria.
Ao vender máquinas de milkshake no começo dos anos 1950, Kroc viu o potencial de crescimento de uma cadeia de hambúrgueres com design diferenciado e comida rápida e barata. Ele chegou ao cargo de gerente de franquias em 1955. Seis anos depois, comprou a companhia de Dick e Mac por US$ 2,7 milhões (R$ 8,7 milhões).

McDonald's

Kroc transformou o McDonald's em uma corporação global. O americano de Chicago que falava rápido havia prometido royalties aos irmãos McDonald a cada novo restaurante, mas o acordo havia sido feito com um aperto de mãos, sem nada escrito. No fim, eles não receberam royalties - nem sequer conseguiram os direitos autorais do nome.
A história de como Kroc tomou controle do McDonald's, passou a perna nos irmãos e fez sua fortuna é contada no filme Fome de Poder (The Founder, 2016), que traz Michael Keaton no papel principal. A versão em inglês do poster diz: "Ele roubou a ideia de outra pessoa e os Estados Unidos engoliram".
Conforme os EUA comiam seus lanches, Kroc tirava os arcos parabólicos dos restaurantes e os transformava, graficamente, no arco duplo, ou no logo "M", aperfeiçoado em 1968.
Nesse ano, o McDonald's rompeu com a arquitetura modernista de Meston e optou por um estilo mais retrô que caracterizou a cadeia de hamburguerias desde então. O logo foi revisado em 2003, quando ganhou mais sombra.

Kroc (à direita), CEO do McDonald's

Um símbolo, mil significados

Se por um lado o McDonald's havia perdido a simplicidade elegante de sua arquitetura original, a corporação era cada vez mais vista tanto como uma história americana de sucesso como uma enorme ameaça à saúde.
Apesar do argumento do documentário de 2004 Super Size Me: A Dieta do Palhaço, de Morgan Spurlock, ser facilmente desbancado - ninguém precisa comer 5 mil calorias diárias no McDonald's e não ingerir nada além de seus lanches, três vezes ao dia, por um mês - ele certamente mostrou como a cadeia perdeu a inocência que tinha nos anos 1950.
Os arcos dourados do McDonald's podem ser vistos agora como símbolos do capitalismo agressivo global, consumismo excessivo e imperialismo cultural americano. Mas houve concessões em alguns lugares.
Os arcos do McDonald's de Sedona, no Arizona, aberto em 1993, são turquesa para se adequar à paisagem local. Pelo mesmo motivo, o desenhado pelo arquiteto Gary Vigen em Monterey, na Califórnia, e aberto em 2010 tem arcos pretos, enquanto o de Champs-Elysées, em Paris, e o da cidade medieval Bruges, na Bélgica, traz símbolos brancos.

McDonald's com M turquesa

É verdade, porém, que os arcos dourados foram muito além dos Estados Unidos e da Europa. Cancelada em 1995, a missão da Nasa rumo ao asteroide 449 - chamado de Hamburga por causa da cidade alemã, não do prato - teria sido patrocinada pelo McDonald's.

McLanche Feliz

De volta à Terra, os arcos atraíram a atenção de artistas contemporâneos, assim como as latas de sopa Campbell's atraíram Andy Warhol.
O australiano Ben Frost usou incontáveis embalagens de batatas fritas do McDonald's como tela de imagens feitas a partir de quadrinhos, desenhos e dos mundos de fantasia, fetiche, mangá e super-heróis.
Uma instalação de Masato Nakamura sobre os arcos do restaurante foi apresentada ao público pela primeira vez em 1998 no Museu de Arte Contemporânea de Tóquio. Essa coroa de arcos pode significar o que quer que você queira, disse ele.
O trabalho foi inspirado em uma viagem pelo mundo que ele havia feito - muitas de suas fotos continham esses arcos dourados. Ele até foi patrocinado pelo próprio McDonald's. Aparentemente, a empresa viu uma boa oportunidade de publicidade em seu trabalho enigmático.
Talvez tenha sido. Em 1960, quando os McDonald's cederam aos arcos arquitetônicos de Meston, a empresa ouviu o psicólogo americano Louis Cheskin, que havia trabalhado também para a empresa de carros Ford. Em termos freudianos, sugeria Cheskin, os arcos McDonald's simbolizavam os seios da mãe.
Por mais que isso possa ser um pouco demais, o McDonald's definitivamente brincou com a criança interior de dezenas de milhões de pessoas, além das próprias crianças, com seu palhaço Ronald McDonald, sua comida que não exige um garfo e seus posteres coloridos e brilhantes.
O fato é que não importa como você veja essa cadeia de hambúrgueres: sua identidade corporativa se estende pelo mundo.
BBC Brasil

O controverso Planeta Nove, novo inetgrante do Sistema Solar que ninguém 'nunca viu'

Ele tem dez vezes o tamanho da Terra e, por se encontrar 20 vezes mais distante do Sol que Netuno, precisa de 10 mil a 20 mil anos para completar sua órbita.
Seu nome, ainda que provisório, é "Planeta Nove", porque se trata nada menos que do nono membro do Sistema Solar. O problema é que ninguém o viu.
O astro foi descrito pela primeira vez há dois anos em uma pesquisa publicada na revista científica The Astronomical Journal e, desde então, divide a comunidade científica.
 
Mas os autores do estudo, Michael Brown e Konstantin Batygin, ambos especialistas do prestigiado Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), estão acostumados com a controvérsia: eles fazem parte também da equipe de pesquisadores que rebaixou Plutão à categoria de planeta anão.
 
 
Embora muitos cientistas critiquem a falta de evidências definitivas sobre a existência do Planeta Nove, os pesquisadores preferem se concentrar na metade do copo que está cheia.
É que, em todo esse tempo, nenhuma evidência surgiu para refutar a existência do planeta de forma conclusiva.
"Nos últimos 170 anos, muitos afirmaram ter descoberto novos planetas e sempre estiveram errados", disse Brown à revista The Atlantic na semana passada.
O astrônomo afirmou que, "incrivelmente", ninguém conseguiu provar que seus cálculos para o nono planeta estejam errados.
Batygin, por sua vez, compartilhou em sua conta no Twitter o artigo da revista, intitulado "O Planeta Nove é real?" com o acréscimo do comentário: "A resposta curta é: sim".
É que, segundo os cientistas, é mais difícil imaginar o Sistema Solar sem esse astro do que com ele.

Indícios para o 'sim'

Para descrever a existência deste gigante planeta congelado, os pesquisadores basearam-se principalmente em dados indiretos, como seus supostos traços gravitacionais.
Em particular, estudaram seis objetos localizados no chamado Cinturão de Kuiper, uma região que se estende da órbita de Netuno até o espaço interestelar.
Esses corpos gelados têm órbitas elípticas que apontam na mesma direção, algo que é tão improvável que só poderia ser explicado pela presença de um corpo como o Planeta Nove, segundo defenderam Brown e Batygin em seu estudo original.

Em outubro, Batygin deu uma entrevista ao site de notícias da Nasa, agência espacial americana, em que disse: "Neste momento, existem cinco linhas diferentes de estudos com evidências observacionais que apontam para a existência do Planeta Nove".
De acordo com o astrofísico, "se você decidir eliminar essa explicação e imaginar que o Planeta Nove não existe, você geraria mais problemas do que soluções. De repente, você teria cinco enigmas diferentes e você deveria ter que desenvolver cinco teorias diferentes para explicá-los".
No mês passado, o próprio Batygin publicou um estudo que aumentaria as evidências defendidas por ele, em que afirma que o Planeta Nove até conseguiu mudar o sentido da órbita de objetos distantes do Sistema Solar.

Indícios para o 'não'

Nestes dois anos, astrônomos de diferentes partes do mundo apresentaram explicações alternativas ao nono planeta.
De acordo com um projeto chamado "Outer Solar System Origins Survey" ("Pesquisas sobre as origens para além do Sistema Solar"), por exemplo, que descobriu mais de 800 novos objetos transneptunianos (aqueles que orbitam o Sol a uma distância média superior à de Netuno), a distribuição desses corpos é realmente aleatória.
 
Eles até chegaram a dizer que os dados sobre os quais Brown e Batygin estão se baseando têm erros causados por fatores climáticos - assim, todos os cálculos seriam tendenciosos.
Christopher Smeenk, filósofo da ciência da Universidade do Oeste de Ontário, nos Estados Unidos, foi além.
"Os cientistas muitas vezes são bons em desenvolver conclusões por contrastes, ao estilo de Sherlock Holmes", disse ele à revista The Atlantic.
O famoso detetive, acrescentou, era capaz de elaborar probabilidades de culpa entre uma série de suspeitos.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O que é o "excitonium", nova forma de matéria finalmente comprovada após 50 anos de busca


Imagen abstracta de un producto conductor.

Na década de 1960, o físico americano Bertrand Halperin teorizou sobre a existência de uma nova forma de matéria, a qual ele batizou de "excitonium". Desde então, diversas equipes de pesquisadores conseguiram encontrar evidências de sua existência, mas nenhuma delas definitiva – até agora.
Cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, conseguiram provar que a tal matéria existe. Liderada pelo físico Peter Abbamonte, a equipe desenvolveu um método para demonstrar de cinco formas diferentes que o excitonium é real, segundo seu trabalho publicado na revista científica Science. "Esse resultado é de importância cósmica", disse Abbamonte.
O excitonium é um condensado, portanto, um sólido, formado por partículas chamadas "éxcitons". Essas partículas são compostas por um par improvável: um elétron que se excita, ou seja, se energiza, e passa de uma faixa de energia para outra, e o "buraco" que ele deixa ao se mover.

Esse buraco "se comporta como se fosse uma partícula com carga positiva e atrai o elétron que escapou". A interação entre ambos forma o éxciton, diz o comunicado da Universidade de Illinois.

Peter Abbamonte (centro) e os estudiantes Mindy Rak (esq.) e Anshul Kogar (dir.), que participaram do estudo

A dupla "estranha e maravilhosa", nas palavras dos cientistas, compõe a partícula. Se isso parece complicado, é porque de fato é. Segundo os pesquisadores, o excitonium "desafia a razão".

Para que serve?

De acordo com Guilherme Matos Sipahi, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), a descoberta permitirá explorar melhor a mecânica quântica e as previsões feitas nesse campo de conhecimento. "Isso promove um avanço da ciência e pode levar a novas tecnologias."
O trabalho foi realizado em parceira com pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Universidade de Amsterdã, na Holanda. Levou-se tanto tempo para chegar a esse resultado porque os cientistas não tinham as técnicas necessárias para distinguir o excitonium sem margem de dúvidas, uma tarefa que exigiu seis anos.
Em uma entrevista para a revista Newsweek, Abbamonte contou ter se encontrado com Halperin, cientista da Universidade de Harvard hoje com 76 anos, e ele teria demonstrado muita felicidade ao saber da confirmação empírica de sua teoria.
O excitonium existe na literatura especializada há cinco décadas, mas os cientistas ainda não sabem quais são suas propriedades. Tanto que existem hipóteses opostas: alguns pensam ser um material isolante, enquanto outros imaginam que funcione como um supercondutor ou um superfluido, transportando energia sem dissipação.
O novo desafio da equipe da Universidade de Illinois será identificar as possíveis funções do excitonium e, assim, apontar futuras aplicações. Em entrevista ao jornal britânico The Independent, Abbamonte comparou esta descoberta com a do Bóson de Higgs, também conhecida como a "partícula de Deus".
"Provar sua existência é crítico para validar as leis da Física como as conhecemos hoje."

Representação artística dos 'excitons' de um sólido de 'excitonium'

Como funcionam os mísseis de micro-ondas que os EUA podem usar em caso de ataque da Coreia do Norte

Nos arredores da cidade de Albuquerque, no Estado do Novo México, uma equipe de especialistas da Força Aérea americana desenvolve uma arma pouco tradicional, mas que poderia ter um objetivo estratégico: deter os mísseis nucleares da Coreia do Norte.
 
Bombardeiro B-52
Não é um armamento qualquer. Trata-se de um tipo de arma eletromagnética que não é nociva para o ser humano e cuja base de funcionamento é a mesma tecnologia de um forno micro-ondas.
E, segundo diversos especialistas em assuntos militares consultados pela BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, poderia ser uma alternativa para desativar as armas nucleares de Pyongyang de forma efetiva, sem gerar grandes prejuízos.
O "Projeto de mísseis avançados de micro-ondas de alta potência de interferência eletrônica" (Champ, na sigla em inglês) prepara, em essência, projéteis que emitem ondas de altíssima frequência, capazes de fritar sistemas eletrônicos.
 
Base da Força Aérea de Kirtland, em Albuquerque
 
"Tendo em conta o estado da tecnologia no mundo moderno, em que quase tudo funciona por meios digitais, esse tipo de míssil emite micro-ondas de altíssima frequência, capaz de interromper ou inativar os equipamentos eletrônicos", explica James Fisher, porta-voz da base Kirtland da Força Aérea americana, em Albuquerque, a sede do projeto.
O espaço, que foi um dos lugares de apoio para o Projeto Manhattan (a investigação dos Estados Unidos para desenvolver a bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial), agora centra suas investigações neste novo tipo de armamento baseado no espectro eletromagnético.
"O Champ é basicamente um míssil de cruzeiro, mas sem carga, que pode ser lançado por bombardeiros B-52 e que tem um alcance de uns 1.130 quilômetros", detalha Fisher.
Mas sua utilidade como armamento transcende o potencial lançamento de um míssil atômico pela Coreia do Norte.

Armas eletromagnéticas

Não é a primeira vez que os Estados Unidos experimentam as ondas eletromagnéticas.
Oriana Skylar, especialista em temas de segurança na Universidade de Georgetown, afirma que a Força Aérea investigou e utilizou o potencial das micro-ondas como arma no decorrer das últimas décadas.
Segundo ela, equipes militares que fazem bombardeios eletromagnéticos foram utilizadas no Afeganistão e no Iraque com o objetivo de desativar bombas e drones.
 
Drone carrega bandeira
 
Mas a fascinação do Exército dos Estados Unidos com as micro-ondas parece remontar a várias décadas atrás.
Uma divisão do Pentágono, chamada Projetos de Investigação Avançada de Defesa, foi encarregada nos anos 1960 de analisar os possíveis efeitos das micro-ondas no comportamento humano.
"Tudo começou com um bombardeio de micro-ondas realizado pelo governo da União Soviética contra a embaixada dos Estados Unidos em Moscou", diz Sharon Weinberger, editora-chefe da revista especializada Foreing Policy e autora do livro The Imagineers of War: The Untold Story of Darpa, the Pentagon Agency That Changed the World ("Os imaginários da guerra: a história não contada de Darpa, a agência do Pentágono que mudou o mundo").
Esses fatos, que entraram para a história como "o sinal de Moscou", foram a base para o estudo de micro-ondas da Força Aérea americana, que chegou inclusive a irradiar macacos para estudar os possíveis efeitos nos seres vivos.
Aquelas primeiras experiências com animais foram um fracasso, mas o desenvolvimento de armamentos baseados nessa tecnologia tomou novos rumos nos últimos anos.
 
Macaco aprisionado em laboratório
 
E ainda que os mísseis de micro-ondas lançados a partir de bombardeiros ainda não tenham sido utilizados em combate, os testes já efetuados deixaram o Pentágono otimista.

Teste no deserto

Ainda que os especialistas assegurem que já foram realizados diversos testes para provar sua efetividade, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos só liberou informação sobre um caso até agora: o primeiro.
Ele teve lugar no deserto de Utah, em 2012, apenas três anos depois de se iniciarem oficialmente as primeiras investigações sobre esse tipo de armamento no laboratório da Força Aérea na base de Kirtland.
De acordo com Fisher, em outubro desse ano, um bombardeiro B-52 lançou um míssil de micro-ondas sobre um deserto, uma área de mais de 4 mil quilômetros quadrados. Ali, os militares dispuseram, com antecedência, equipamentos elétricos em edifícios e construções similares.
A quase totalidade dos aparelhos deixou de funcionar após o bombardeio.
 
Bombardeiro B-52
 
"Um dos lados positivos desse tipo de armamento é que seu objetivo é danificar os sistemas eletrônicos sem afetar diretamente os seres humanos", comenta Philip Bleek, especialista do Centro James Martin de Estudos sobre a Não Proliferação em Monterey, Califórnia.
O analista explica que, ainda que se baseiem na mesma tecnologia que um forno de micro-ondas, a diferença entre ambos é que a radiação que esse tipo de armamento gera é menor em tempo e maior em intensidade do eletrodoméstico.
No caso do aparelho de cozinha, a alta potência a longo prazo tem um efeito nocivo sobre os tecidos humanos, enquanto a rapidez de um bombardeio com um míssil desse tipo é capaz de queimar um circuito eletrônico, mas não a pele.
De fato, segundo dados da base de Kirtland, o nível de radiação emitida por um míssil foi testado em mais de 13 mil pessoas e apenas duas precisaram de atendimento médico.
 
Forno de micro-ondas
 
Mas como esse armamento poderia ser utilizado para desativar os mísseis nucleares da Coreia do Norte?

Efetividade contra mísseis atômicos

O porta-voz da base da Força Aérea de Kirtland afirma que o desenvolvimento desse tipo de armas não foi pensado como uma possível solução de defesa contra um ataque nuclear da Coreia do Norte.
No entanto, seu uso com esse objetivo foi discutido na Casa Branca em agosto deste ano, segundo relataram dois funcionários do governo, sob condição de anonimato, à rede de TV americana NBC.
De acordo com Bleek, um dos efeitos menos discutidos dos pulsos eletromagnéticos (emissão de energia eletromagnética de alta intensidade em um curto período de tempo) é a sua capacidade de prevenir detonações nucleares ao tornar os mísseis inoperantes.
 
Imagem de uma detonação nuclear
 
"Esse pulso eletromagnético pode fritar circuitos eletrônicos não blindados em uma área significativamente maior que a ameaçada por uma explosão atômica", explica o pesquisador.
O especialista indica ainda que as armas que utilizam esse tipo de radiação danificariam qualquer tipo de dispositivo eletrônico, de telefones celulares a automóveis modernos. Assim, teoricamente também poderia fazer um míssil nuclear parar de funcionar.
"Digo teoricamente porque, na prática, os dispositivos militares (ou outros) podem se proteger dos efeitos desses pulsos com uma espécie de escudo eletromagnético", explica.
"Uma vez que as armas nucleares estão desenhadas para funcionar durante uma guerra nuclear, é provável que estejam protegidas contra os efeitos dos pulsos eletromagnéticos, assim como os sistemas de comando e controle associados", acrescenta.
No entanto, o especialista, que trabalhou como assessor de temas de defesa para o Pentágono, acredita que o mais provável é que, dada a falta de experiência que Pyongyang tem no desenvolvimento de armamento nuclear, não conte com proteção eletromagnética.
"Parece bastante plausível que os mísseis da Coreia do Norte e a infraestrutura para dispará-los não contem com esses sistemas, o que faria com que seus foguetes fossem muito sensíveis aos pulsos eletromagnéticos, se tornando inofensivos."
Apesar disso, ele duvida que essas armas possam ser uma solução mágica para as ameaças do governo de Kim Jong-un.
 
Momento da decolagem do míssil Hwasong-15, em uma imagem difundida pela imprensa estatal norte-coreana em 30 de novembro de 2017
 
"Se os Estados Unidos lançarem mísseis de cruzeiro no território da Coreia do Norte, isso seria considerado uma provocação, não importa que seja uma carga explosiva ou um dispositivo de pulsos eletromagnéticos", sustenta.
"As armas de micro-ondas poderiam desempenhar um papel estratégico em uma operação militar dirigida contra Pyongyang, se isso vier a ocorrer, mas estão longe de ser um remédio definitivo contra a ameaça nuclear da Coreia do Norte."

Por que o homem não pisou mais na Lua?

Foi, nas palavras de Neil Armstrong, um pequeno passo para o homem, mas um salto enorme para a humanidade.
 
o Imagem mostra o homem na Lua
Em 21 de julho de 1969, às 2h56 no horário local (0h56 no horário de Brasília), um ser humano - no caso, Armstrong - pisou pela primeira vez na Lua. A notícia estremeceu o mundo. Outras cinco expedições americanas chegaram ali até dezembro de 1972, quando Eugene Cernan fechou o ciclo de alunissagens, ou seja, de pousos na superfície da Lua. Depois dele, nenhum homem voltou ao satélite natural da Terra em mais de 45 anos.
Muitas teorias de conspiração foram criadas deste então para apoiar a ideia de que as alunissagens nunca aconteceram e que as imagens que se difundiram não foram nada mais do que montagens feitas em estúdios de televisão. Mas os motivos, na verdade, são outros: dinheiro, relevância científica e, é claro, questões políticas.
Mas quase meio século depois, o governo dos Estados Unidos anunciou que pretende voltar ao satélite em breve. E que isso pode ser só uma primeira parada em uma jornada para a conquista de Marte.
Na segunda-feira, o presidente Donald Trump aprovou a Diretriz de Política Espacial 1, uma ordem presidencial que autoriza a Nasa a enviar novamente missões tripuladas à Lua.
A previsão é que a diretriz, que foi firmada sem consulta prévia ao Senado, só entre em vigor quando restar ao presidente dois anos na Casa Branca. Mas tendo em vista os prazos para a aprovação dos orçamentos, muitos especialistas temem ela não será efetiva - a menos que Trump seja reeleito em 2020.
Entenda a seguir o que fez os Estados Unidos, e nenhum outro país, não enviarem uma tripulação sequer à Lua em quase meio século - e por que isso pode mudar agora.

Questão de orçamento

Com a façanha de Armstrong, os Estados Unidos foram coroados em sua batalha pela corrida espacial com a então União Soviética, que já havia colocado um cachorro e um tripulante, Yuri Gagarin, no espaço, mas não conseguiu chegar muito além da atmosfera terrestre.
A iniciativa foi, no entanto, extremamente dispendiosa.
"Enviar uma nave tripulada à Lua era extremamente caro, e realmente não há uma explicação verdadeiramente científica para sustentá-la", explica à BBC Mundo Michael Rich, professor de Astronomia da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
De acordo com o especialista, para além do interesse científico, por trás das missões à Lua encontravam-se razões políticas - basicamente a competição pelo controle do espaço.
Ao longo dos anos, com a Lua "conquistada" pelos Estados Unidos, pisar no satélite começou a perder o interesse. "Não havia justificativa científica ou política para retornar", diz Rich.
George W. Bush propôs em 2004, durante seu mandato, um plano semelhante ao de Trump: enviar uma nova tripulação à Lua e, de lá, abrir as portas para a conquista de Marte.
Mas o projeto se desfez, segundo Rich, pela mesma razão pela qual não havia se repetido antes: seu custo.
O governo Barack Obama, que sucedeu Bush, não se mostrou disposto a gastar os US$ 104 bilhões (o equivalente a R$ 344,44 bilhões) calculados como o custo da empreitada.
"Na prática, é muito difícil convencer o Congresso a aprovar um orçamento tão exorbitante quando, a partir do ponto de vista científico, não havia razões suficientes para retornar à Lua. O projeto Apollo (para levar o homem até lá) foi grandioso, mas pouco produtivo cientificamente falando", comenta.
Durante os anos do programa, o montante que o governo dos Estados Unidos destinava aos projetos da Nasa representava quase 5% do orçamento federal. Atualmente, corresponde a menos de 1%.
"Naqueles anos, os americanos estavam convencidos de que destinar tal quantia para esses projetos era necessário. Depois disso, acredito que a maioria da população não estivesse muito convencida da ideia de que seus impostos fossem destinados a um passeio pela Lua", afirma.
Outra razão, comenta, é que a Nasa se viu envolvida em outros projetos mais importantes nos anos que se seguiram: novos satélites, sondas a Júpiter, pôr em órbita a Estação Espacial Internacional, investigações sobre outras galáxias e planetas, ou seja, projetos que tinham mais "relevância científica" do que uma potencial viagem de volta ao satélite.

A nova corrida espacial

As potenciais viagens à Lua começaram, no entanto, a ganhar novamente interesse nos últimos anos.
Há cada vez mais iniciativas estatais e privadas que não só anunciam um retorno ao satélite, mas também planos ambiciosos de colonização, a maioria baseada no barateamento de tecnologias e na fabricação de naves espaciais.
A China, por exemplo, planeja pousar na superfície da Lua em 2018, enquanto a Rússia anunciou que pretende ter uma nave ali em 2031.
Enquanto isso, muitas iniciativas privadas buscam um modelo de negócios espacial que englobe desde explorar os minerais que existem na Lua até vender fragmentos do satélite como pedras preciosas.
E, ao que parece, os Estados Unidos não querem ficar para trás.

Novas justificativas

A agência espacial americana sustenta há anos que ainda existem grandes razões para voltar à Lua.
A Nasa considera que o retorno do homem poderia trazer um maior conhecimento da ciência lunar e permitir a aplicação de novas tecnologias no solo.
Além disso, Laurie Castillo, porta-voz da Nasa, assegurou à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que a agência continua na Lua - mesmo sem a presença humana.
"Temos hoje a Lunar Reconnaissance Orbiter (uma sonda especial americana lançada em 2009 para exploração da Lua), que está fazendo coisas impressionantes", disse
"Mas quando se leva em conta o desenvolvimento tecnológico que alcançamos, você se pergunta se ainda é necessário enviar um homem fisicamente à Lua para comprovar qualquer tecnologia. Então você conclui que as razões para voltar fogem novamente ao meramente científico", opina o professor Rich.
Logo, o anúncio feito por Trump tem fundo político, avalia.
"Acredito que ele queira dar a ideia de que os Estados Unidos não ficarão para trás na nova corrida espacial."
Dados os avanços tecnológicos e a aposta do setor privado na conquista especial, Rich não acredita que uma base na Lua ou em Marte esteja longe da realidade.
"Em menos de cem anos, estou quase certo de que a Lua estará muito próxima e que estaremos explorando outros lugares do Universo."

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Arábia Saudita autoriza abertura de salas de cinema

 
Resultado de imagem para fotos de salas de cinema inauguradas na arábia saudita
 
A Arábia Saudita autorizou nesta segunda-feira a abertura de salas de cinema no reino pela primeira vez em quase quatro décadas. O Ministério de Cultura e Informação vai começar a conceder alvarás de forma imediata e calcula que os primeiros multiplex abram ao público em março do ano que vem. A medida, longamente esperada, é parte do programa de reformas lançado pelo príncipe herdeiro Mohamed bin Salman (conhecido pelas iniciais MBS) para modernizar o país. Prevê-se que o primeiro cinema de Riad seja inaugurado com a projeção de Born a King (“nascido rei”), primeira superprodução rodada no reino sunita, com direção do espanhol Agustí Villaronga.
“Isto marca um antes e um depois no desenvolvimento da economia cultural no reino”, declarou o ministro da Cultura e Informação, Awwad Alawwad. Em nota, ele antecipou também que a Comissão Geral de Meios Audiovisuais iniciou um processo para facilitar as autorizações necessárias. “Esperamos que os primeiros cinemas abram em março de 2018”, afirma o ministro, que preside essa comissão.
Estes serão os primeiros alvarás para a abertura de salas comerciais de cinema desde a sua proibição, no começo da década de 1980. Naquela época, a monarquia saudita, alarmada pela revolução islâmica do Irã e pela revolta de Meca, procurou se proteger reforçando seus laços com a cúpula religiosa wahabita, à qual concedeu enormes poderes em matéria educacional e de controle social. Esse pacto fez da Arábia Saudita um dos países com as normas mais anacrônicas do mundo.
A ausência de cinemas era só a ponta do iceberg de um sistema social que até agora proibia qualquer tipo de diversão em público. Entretanto, a conjunção de baixos preços do petróleo e a mudança geracional representada pela ascensão de MBS, o verdadeiro detentor do poder por trás do trono do seu pai, o rei Salman, motivaram uma reviravolta no reino. Necessitado de um novo modelo produtivo, o príncipe compreendeu que a mudança seria impossível sem reformas sociais radicais. Junto com a decisão de autorizar as mulheres a dirigirem carros, a medida anunciada nesta segunda-feira representa um dos pilares desse projeto.
“A abertura de cinemas servirá como catalisador para o crescimento econômico e a diversificação; ao desenvolver o setor cultural em geral, criaremos novos empregos e oportunidades de formação, além de enriquecer as opções de entretenimento no reino”, afirmou Alawwad.
Desde o lançamento do programa de reformas Visão 2030, os sauditas sabiam que a abertura de cinemas não era questão de se, mas de quando. Durante a recente visita desta correspondente a Riad, os interlocutores observavam que os projetos de vários shopping-centers atualmente já previam espaço para os cinemas multiplex. Também davam como certo que a honra de inaugurar esta nova fase caberia a Born a King, que na época estava terminando de ser rodado complexo palaciano de Atheriyah, na periferia da capital saudita.
Com um orçamento de 20 milhões de dólares (65,8 milhões de reais), a produção hispano-britânica Born a King narra a missão diplomática que Abdulaziz ibn Saud, o primeiro monarca saudita, encomendou ao seu filho caçula Faisal em 1919. Com apenas 13 anos, o príncipe foi enviado a Londres para convencer os ingleses a apoiarem o reino que Saud tentava fundar na Arábia. Realizar esse filme foi uma aventura sem precedentes, num país que não só carece de tradição cinematográfica como também é, ainda hoje, muito fechado ao turismo.
“Tivemos que inventar tudo, porque não havia infraestrutura”, dizia Villaronga numa pausa das filmagens. E referia-se literalmente a tudo, começando pela própria produtora que lhes prestou serviços de apoio, a Nebras Film, criada por um construtor que viu uma oportunidade de negócio num setor até então praticamente inexistente na Arábia Saudita.
Até hoje, apenas dois longas-metragens foram filmados no reino com atores sauditas: O Sonho de Wadjda, de 2012, e Barakah Yoqabil Barakah, de 2016. Num país onde 70% da população tem menos de 30 anos, só quem tem mais de 50 se lembra das salas que existiam em Riad e Jidá até a década dos setenta do século passado. Essa carência obriga os cinéfilos sauditas a peregrinarem a Dubai ou ao Bahrein, como faziam os espanhóis na época franquista indo a Biarritz ou Perpignan para ver filmes proibidos pela censura.
El País.com

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Como são escolhidas as capitais dos países?

Imagem mostra vista geral de Jerusalém

Os olhos do mundo estão voltados para Jerusalém, cidade que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu oficialmente nesta semana como capital de Israel, apesar de alertas de dentro e de fora do mundo árabe sobre os riscos da decisão.
A cidade abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos e é considerada única e simbólica.
Israel a considera sua capital e sede de governo, mas nenhum outro país havia reconhecido isso oficialmente até a última quarta-feira. Seu status é uma das questões fundamentais que dividem Israel e Palestina.
A discordância em torno da decisão dos Estados Unidos levanta a discussão sobre o que as capitais representam e por que estão onde estão. Aqui estão quatro razões:

Congresso Nacional brasileiro

1. Uma forma de controle e um símbolo de unidade

A palavra "capital" tem origem na palavra latina capitalis, que significa "relativo à cabeça". Uma cidade considerada a "cabeça de um território" está intimamente vinculada ao Estado existente ali, é sede do governo e, normalmente, também da realeza, em locais em que há monarquia.
A capital precisa ser protegida, mas também ser capaz de exercer controle sobre o restante do país e de projetar um senso de unidade. Por essa razão, muitas capitais são construídas no centro de seus respectivos países – elas precisam ser vistas como representativas e acessíveis.
Brasília, por exemplo, foi construída para ser a capital do Brasil no governo de Juscelino Kubitschek bem no centro do país. Transferir a capital do Rio de Janeiro, na região Sudeste, para uma área do Estado de Goiás, na região Centro-Oeste, era algo planejado desde o século 18, ainda no governo português.
A ideia chegou a ser defendida em outros momentos históricos. No entanto, a proposta só ganhou fôlego em meados do século passado.
 
Madri, na Espanha, está quase no centro da Península Ibérica. Abuja, que virou capital da Nigéria em 1991, foi construída do zero, assim como Brasília, em uma posição geográfica central para representar a unidade de uma nação dividida tanto por aspectos religiosos quanto geográficos.

Imagem do Parlamento australiano, em Canberra

2. Compromisso político

A fundação da capital dos Estados Unidos, em 1790, foi baseada em concessões políticas. Alexander Hamilton e os Estados do norte queriam que o governo federal assumissem as dívidas destes Estados e estabelecesse um acordo com Thomas Jefferson e James Madison, que queriam que a capital ficasse no sul.
George Washington escolheu o local exato à margem do rio Potomac, e o resto é história.
Na Austrália, turistas ficam muitas vezes chocados ao descobrir que a capital do país não é sua maior e mais famosa cidade, Sydney, mas Canberra, que fica a meio caminho entre Sydney e sua concorrente ao sul, Melbourne.
Alguns historiadores dizem que o calor escaldante em Sydney e Melbourne no verão é uma das principais razões pelas quais a fria Canberra, localizada a 600 metros acima do nível do mar, foi a escolhida.
"O motivo mais relevante, com o qual todos os políticos concordaram na época, era que brancos só poderiam prosperar e liderar vivendo em um clima frio", disse o historiador David Headon à revista Australian Geographic.

3. História complicada

Berlim ou Bonn? Essa era a questão quando o Muro de Berlim caiu, em 1989, e a Alemanha reunificada teve de decidir qual seria sua capital. Durante a Guerra Fria, Bonn era a capital da Alemanha Ocidental e Berlim Leste, a capital da Alemanha Oriental.

Turistas caminham nas proximidades do que restou do Muro de Berlim

Hoje, poucos dos viajantes que se aglomeram nas casas noturnas de Berlim e tiram fotos com o que restou do muro que dividia a cidade chegarão a conhecer Bonn, mas a decisão sobre qual das duas cidades se tornaria a capital foi definida por apenas alguns votos de diferença no Parlamento alemão, em 20 de junho de 1991. Nessa votação, Berlim triunfou com 337 votos contra 320 a favor de Bonn.
Enquanto os alemães travaram uma disputa em torno de duas capitais potenciais, a África do Sul optou por ter três sedes de poder. Os poderes deste Estado se dividem entre Cidade do Cabo (Legislativo), Pretoria (Executivo) e Bloemfontein (Judiciário), enquanto o Tribunal Constitucional fica em uma quarta cidade, Joanesburgo.
Isso remonta à criação da União da África do Sul, em 1910, depois que quatro colônias britânicas foram fundidas e não foi possível chegar a um acordo sobre onde a capital ficaria.
Em 1994, após o fim do apartheid, o regime de segregação racial que imperava no país, houve uma movimento em prol da criação de uma nova capital, a exemplo do que ocorreu com Canberra ou Brasília, a fim de proporcionar um recomeço à nação, mas isso nunca ocorreu.

Vista geral da cidade de Astana, capital do Cazaquistão

4. Caprichos de homens poderosos

Astana, capital do Cazaquistão desde 1997, é uma reluzente cidade futurista e um símbolo das ambições do seu autoritário presidente Nursultan Nazarbayev, que governa o país desde 1991.
Entre seus principais marcos, está o Palácio da Paz e Harmonia, uma pirâmide de concreto e vidro projetada pelo britânico Norman Foster que ostenta uma sala de concertos de 1,5 mil lugares. Esta cidade de ventos fortes em meio à estepe fria foi chamada brevemente de Akmola, que significa "sepultura branca".
Outro país, Mianmar, também tem uma capital remota, que tem quatro vezes o tamanho de Londres, no Reino Unido. Nay Pyi Taw foi construída em 2005 como um refúgio isolado para um governo militar paranóico, em um momento em que o país começou sua atribulada transição para a democracia.
A enorme capital tem estradas enormes, zoológico e campos de golfe, mas poucas pessoas.

O fone de ouvido que é capaz de traduzir 15 idiomas praticamente ao vivo

Com a globalização e opções cada vez mais baratas de transporte e acomodação, viajar para outro país se tornou mais acessível.
Enquanto muitos de nós adoraríamos nos tornar fluentes em outras línguas, pode ser difícil ou quase impossível aprender os idiomas de todos os países na nossa lista de destinos dos sonhos.
Por mais que o desafio de lidar com a barreira da língua faça parte do charme da viagem a lazer, eventualmente as barreiras de comunicação acabam se tornando um problema em determinadas situações.
 
Escritório da Waverly Labs

Comunicar-se com pessoas que não falam a nossa língua materna continua sendo um desafio para muitos de nós, muitas vezes não por causa de viagem. Você pode estar fechando um acordo de negócios, lidando com uma emergência ou com pressa de chegar a algum lugar. Não há dúvidas de que às vezes seria bom se todos falássemos a mesma língua.
Os avanços na tecnologia indicam que isso pode ser um problema do passado muito em breve. A companhia de produtos inovadores Waverly Labs, criada em 2014 por Andrew Ochoa, criou um fone de ouvidos tradutor de idiomas chamado Pilot e um aplicativo que o acompanha e garante seu funcionamento. Pelo invento, recebeu o prestigiado prêmio de tecnologia Beazley Designs of the Year em 2017.

Fones Pilot

"É um prêmio de grande importância para nossa equipe, um reconhecimento não só pela estética mas pela nossa engenharia", diz Ochoa.
Então como funciona o fone de ouvido Pilot? Ele usa uma variedade de algoritmos que anulam ruídos para ouvir as palavras de um usuário para outro.
"Essas palavras são enviadas à nuvem, onde é processada através de reconhecimento de fala, tradução robô e e síntese de fala antes de ser enviada de volta ao usuário e qualquer outro usuário de Pilot que estiver sincronizado na conversa", explica Ochoa. "Isso acontece com um pequeno atraso, geralmente milisegundos".
Há vários competidores par a par com Pilot, incluindo Clik, Skype e Google, que no último mês lançaram seus Pixel Buds com a habilidade de traduzir cerca de 40 idiomas em tempo real. Os fones de ouvido Pilot atualmente trabalham com 15 idiomas, mas podem receber upgrade para traduzir muito mais. Por seu pioneirismo e seu prêmio de prestígio, o Pilot pode estar um passo à frente.
Segundo Ochoa, é a união de aplicativo e fones que fazem o sistema Pilot tão único.
Acabar com a necessidade de aprender outra língua é algo controverso. Segundo a psicóloga Judith Kroll, aprender uma língua nova traz uma série de benefícios, desde melhoria na memória e flexibilidade mental até maior criatividade cognitiva e habilidades de priorização.
"Nós podemos nos referir à maioria dessas vantagens comunicativas como multi-tasking", diz Kroll. "Os bilíngues parecem se sair melhor nesse tipo de atividade".
Ellen Bialystok, uma psicóloga da Universidade de York em Toronto, lembra que a doença de Alzheimer é diagnosticada mais tarde em bilíngues do que em pessoas que falam apenas uma língua, o que indica que aprender um novo idioma pode ajudar o cérebro a "aguentar a doença por mais tempo".
É claro que em um mundo ideal nós todos falaríamos várias línguas, mas nem todos têm tempo, dinheiro e capacidade de aprender uma língua com tamanha fluência que não precise da ajuda de um dicionário ou da tecnologia.
 
fluência que não precise da ajuda de um dicionário ou da tecnologia.

Fones Pilot

Este ano, o projeto Pilot lançou uma campanha de financiamento que permite às pessoas que quiserem ser as primeiras a testar a tecnologia o façam com desconto ao encomendar o produto - que se mostrou muito popular.
A empresa viu uma reação muito positiva e ampla dos usuários e Ochoa diz que a Waverly Labs "recebe histórias inspiradoras todos os dias dos nossos clientes, desde professores de escola que precisam falar com pais até viajantes que querem usar o Pilot no exterior e até familiares com cunhados que falam outra língua". "O Pilot pode resolver tanto problemas pessoais quanto profissionais".
BBC Brasil

AquaRio inspira o maior painel de street art do mundo

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O Aquário Marinho do Rio será fonte de inspiração para o que já é considerado o “maior complexo de graffiti do mundo”. Até o dia 11, o artista paulistano Felipe Yung — o Flip — e o produtor de street art Pagu estarão no AquaRio, a fim de começar a pesquisa e os primeiros rascunhos da obra Aquário Urbano. Trata-se de um painel feito com 14 empenas de larga escala e seis fachadas menores, que será criado na cidade de São Paulo, e está destinado a três recordes no Guinness Book: Maior Graffiti Mural do Mundo, Maior Obra em Freestyle e Maior Instalação de Realidade Virtual.
Com previsão de lançamento para dezembro de 2018, o processo de criação da arte urbana poderá ser acompanhado de perto pelos visitantes que estiverem no oceanário. Ao fim do passeio pelo circuito, as pessoas terão a oportunidade de descer pela rampa para apreciar o traço de Flip, que também esteve em aquários no Japão, Estados Unidos e Portugal. O motivo da escolha do AquaRio não foi por acaso: considerado um marco da retomada do turismo na cidade, a atração — que acaba de completar um ano de funcionamento — tem números grandiosos: mais de 1,4 milhão de pessoas já passaram pelo local e viram de perto os 28 recintos com mais de 4,8 mil animais da fauna marinha, dentre eles 47 tubarões de nove espécies diferentes.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Exame atesta idade de fragmento de osso que seria do 'Papai Noel"

O fragmento de um osso que acredita-se ser de São Nicolau, o santo que é inspiração para o Papai Noel, foi examinado em um teste de carbono feito pela Universidade de Oxford, no Reino Unido.
 
Osso de São Nicolau
Segundo a avaliação, a relíquia data do período em que o santo viveu - acredita-se que ele tenha morrido em 343 d.C.
A instituição afirma que esses foram os primeiros testos feitos com os ossos.
Relíquias de São Nicolau, que morreu na região que hoje é a Turquia, são mantidas na cripta de uma igreja em Bari, na Itália, a partir do século 11.
Por causa da popularidade do santo, outros fragmentos de ossos surgiram em outras localidades - mas suspeita-se da autenticidade desses materiais.
Acredita-se que Nicolau tenha nascido no ano de 270, na então cidade grega de Patara, e viajado para Palestina e Egito antes de voltar e se transformar no bispo de Mira, hoje Demre, na Turquia.
Originário de uma família rica, foi aprisionado durante o reinado do imperador romano Diocleciano, só sendo libertado no reinado do sucessor, Constantino
Como bispo, ele foi uma figura adorada pelos fiéis e conhecido por suas boas ações.
Nicolau foi imortalizado por várias lendas passadas de geração para geração - uma delas narra a entrega de bolsas de ouro para famílias necessitadas por meio de uma chaminé.

Espalhados pelo mundo

O teste de Oxford analisou um fragmento de pélvis que ficou em uma igreja da França e que atualmente é abrigado pelo padre Dennis O'Neill, do Estado do Illinois, nos Estados Unidos.

Homem usa roupa de São Nicolau

O teste de radiocarbono confirmou que o osso data do mesmo período de São Nicolau.
Segundo o professor Tom Higham, de Oxford, o osso analisado é diferente daqueles que geralmente descobre-se mais tarde serem invenções.
"Esse fragmento de osso, ao contrário, indica que nós provavelmente estejamos olhando para os restos de São Nicolau", diz o arqueólogo.
Existem milhares de outros ossos apontados como sendo de São Nicolau, incluindo uma coleção armazenada em uma igreja em Veneza.
Agora os pesquisadores querem usar o teste de DNA para ver quantos ossos realmente são de uma mesma pessoa - e como podem estar conectados ao fragmentado analisado em Oxford.
Eles querem verificar se o osso de parte da pélvis avaliado corresponde àqueles guardados em Bari, cuja coleção não inclui a ossada dessa região do corpo.
Os especialistas não podem, no entanto, assegurar que o osso pertença mesmo a São Nicolau.
"A ciência não é capaz de provar definitivamente que seja (dele), mas pode provar que não é", diz Higham.
BBC Brasil

A ressaca é mais forte quando se mistura diferentes tipos de bebidas?

Há vários mitos sobre a melhor forma de beber álcool para evitar, ou ao menos minimizar, uma ressaca.
Quão confiáveis são essas crenças populares? Há evidências de que misturar vinho e cerveja piora a ressaca no dia seguinte? É verdade que não podemos misturar? Infelizmente, as evidências científicas não dão suporte para esse tipo de estratégia.
A BBC fez uma revisão de pesquisas recentes e é possível afirmar que as causas dos principais sintomas de ressaca são desidratação, mudanças nos níveis de hormônios como aldosterona e cortisol e os efeitos tóxicos do próprio álcool. Além disso, há evidências de que o sistema imune é afetado e isso poderia ser a causa da dor de cabeça, da náusea e da fatiga.
Como regra geral, quanto mais álcool você beber, pior será sua ressaca no dia seguinte. A não ser, é claro, que você seja uma das pessoas sortudas que não sofrem de ressaca, o que existe comprovadamente de acordo com alguns estudos recentes, ainda que não se saiba o motivo para isso.
Há dois principais "ingredientes" para uma ressaca severa: beber muito álcool e beber muito rápido. A mesma quantidade de álcool, porém, nem sempre resulta na mesma severidade da ressaca.
Sabe-se que misturar bebidas ou tomar coquetéis pode levá-lo a consumir mais álcool - e isso pode piorar a sua ressaca. Além disso, alguns drinks parecem ter um efeito posterior pior do que outros.
Além da intoxicação causada pelo álcool, há outros componentes que afetam o nível da ressaca - os chamados congêneres. Congêneres são substâncias não-alcóolicas produzidas durante a fermentação, como acetona, acetaldeído e taninos, que mudam as cores das bebidas e lhes dão sabores distintos.
Drinks claros, como vodca, tem menos congêneres do que os mais escuros, como o uísque. Na verdade, um uísque bourbon tem 37 vezes mais congêneres do que a vodca, o que torna a ressaca de uísque pior.
Portanto, misturar bebidas claras e escuras pode fazer você se sentir mais enjoado do que se tivesse bebido apenas líquidos claros. Ainda assim, ambos os drinks diminuem sua cognição igualmente no dia seguinte depois de bebê-los.

Vinho e cerveja

Para descobrir o efeito dessas substâncias na ressaca, pesquisadores americanos recrutaram estudantes universitários que bebiam com frequência mas não tinham problemas de alcoolismo.
Em algumas noites, eles beberam bourbon e coca-cola, em outras vodca com coca-cola e em outras um placebo que nada mais era que uma mistura do refrigerante com água tônica e algumas gotas de bourbon ou vodca para torná-lo parecido com o drink real.
Os participantes tomaram entre três e seis drinks, o suficiente para ter uma concentração de 0,11g de álcool para cada 100 ml. Essa concentração é de duas a cinco vezes mais alto do que o limite do bafômetro para ter permissão de dirigir, dependendo de em que país você estiver.
Os estudantes passaram a noite em uma clínica e foram acordados às 7h da manhã para tomar um café da manhã e encarar uma nova bateria de testes. Eles receberam U$450 (R$1450) pelo experimento.
Os pesquisadores concluíram que os estudantes que beberam bourbon classificaram a ressaca como pior do que os outros grupos, mas tiveram performance tão boa quanto os outros nos testes de tempo de reação.
Ainda não há uma pesquisa específica sobre a mistura de cerveja e vinho e o efeito disso na ressaca, mas talvez o problema não seja da uva ou do grão em si, mas da força desses drinks na nossa capacidade de julgamento.
A cerveja tem entre a metade e um terço da força do vinho, então começar com ela e depois bever vinho pode ser menos intoxicante do que o contrário. Se você começar bebendo vinho e depois pular para a cerveja, porém, seu julgamento pode já estar prejudicado o suficiente para você não perceber quão bêbado está.
Ou seja, as evidências científicas apontam que a culpa da ressaca não é da mistura em si, mas sim de beber demais ou de uma quantidade mais alta de congêneres na sua bebida.
BBC Brasil

Imagens da Nasa mostram a dimensão dos incêndios que já ameaçam a Los Angeles, na Califórnia

Moradores do bairro de Bel-Air, em Los Angeles, estão sob ameaça de seren atingidos pelas chamas de um dos incêndios que devastam o Estado da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos.
O incêndio Skirball já se espalhou por mais de 150 hectares e destruiu várias casas e mansões desta que é uma das áreas mais nobres da cidade americana.
Este é o mais recente de uma série de focos que surgiram nesta região do país nos últimos dias, deixando um rastro de devastação.
O maior deles, o incêndio Thomas, já afetou mais de 90 mil hectares e chegou à costa do Pacífico, como mostram imagens de satélite da Nasa, nas quais é possível ver a grande área queimada.
As fotos feitas a partir do espaço mostram os vários focos ativos de incêndio nesta parte da Califórnia.

Imagem de satélite de incêndio na Califórnia

De acordo com o Corpo de Bombeiros da Califórnia, até quarta-feira, 12 mil casas e edifícios estavam sob a ameaça do Thomas e 150 já haviam sido destruídos. Apenas 5% da área em chamas estava sob controle.
Ventos fortes ajudaram a espalhar as chamas e fizeram a fumaça avançar muitos quilômetros oceano adentro. A previsão é que a situação persista até pelo menos sexta-feira, com a possibilidade de rajadas de até 130 km/h.
"Não há como combater os incêndios com esse vento", disse Ken Pimlott, chefe do Corpo de Bombeiros do Estado.

Bombeiros resgatam quadro de casa em Bel Air

Ordens de evacuação foram emitidas em várias áreas do Estado. Está em vigor o alerta roxo, o nível mais elevado na história da Califórnia, em meio ao que autoridades locais estão chamando de um "clima extramente crítico para fogo".
Em Bel Air, na quarta-feira, bombeiros foram vistos resgatando obras de arte de casas luxuosas enquanto tentavam conter o avanço do fogo. Moram no bairro celebridades e empresários como a cantora Beyoncé e o fundador da Tesla, Elon Musk.
O cantor Lionel Richie cancelou um show em Las Vegas que ocorreria na noite de ontem afirmando que estava "ajudando sua família a se abrigar em um local mais seguro".

Incêndio consome edificação em Los Angeles

Uma grande propriedade e vinhedo do bilionário Rupert Murdoch também corria risco e já sofreu danos. O jornal Los Angeles Times disse que Murdoch pagou US$ 28,2 milhões (R$ 94,5 milhões) pelo local há quatro anos – um valor 12 vezes acima da média em Bel Air.
O Museu Getty também estava sob a ameaça do fogo e permaneceria fechado nesta quinta-feira. A instituição disse não ter retirado as obras dali, mas que um sistema de filtragem do ar estava protegendo sua coleção, que inclui quadros de Leonardo da Vinci, Van Gogh e Turner, de possíveis danos causados pela fumaça.

Fumaça do incêndio em Bel Air, Los Angeles

A Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) cancelou hoje suas aulas, apesar do seu campus estar fora da área de evacuação na zona oeste da cidade, uma decisão que tomou com base no "quadro de incertezas". Muitas escolas estão fechadas.
O incêndio Creek, no norte de Los Angeles, também teve até agora somente 5% de sua área controlada. Ele cobre atualmente 12,6 mil hectares. Mas destruiu apenas quatro construções nesta que é uma região menos densamente povoada.

Helicóptero despeja água sobre incêndio

Em todo o Estado, mais de 200 mil pessoas já tiveram de deixar suas casas. Uma moradora de Los Angeles, Patricia Moore, de 84 anos, se preparava para o caso de ter de fugir quando disse à agência de notícias AFP: "Ontem, estava mais ao norte, mas, nesta manhã, acordamos e estava ao leste de nós."
"Ouvimos os bombeiros antes de seis da manhã e dissemos: 'Talvez esteja na hora de começar a colocar nossas coisas no carro'."
BBC Brasil