sábado, 23 de setembro de 2017

Quais são os principais motivos para estarmos perdendo tanta biodiversidade?

Há quanto tempo você não vê um gafanhoto no seu passeio de domingo no campo, ouve os grilos da varanda ou vê um vaga-lume numa caminhada noturna em uma estrada rural? A sensação de estar perdendo essa fauna que tantas gerações associam à sua infância é mais do que isso, é uma realidade. E o que é pior, juntamente com esses animais também estão desaparecendo elementos básicos para o sustento de muitos ecossistemas dos quais todos os seres vivos dependem.Resultado de imagem para imagens pássaros voando
 
Não é apenas uma sensação popular, é algo percebido por todos os entomologistas que fazem trabalhos e pesquisas de campo; a diminuição do número de indivíduos de praticamente todos os insetos é brutal”. Isso é confirmado por Juan José Presa, professor de Zoologia da Universidade de Murcia, na Espanha, e coautor de um dos muitos relatórios e estudos recentes que fornecem números sobre o declínio dos artrópodes.
Esse estudo, do começo deste ano, resultado da colaboração entre a União Europeia e a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), destaca que quase um terço das espécies de ortópteros avaliadas (gafanhotos, grilos e cigarras, entre outras) está ameaçado, algumas em perigo de extinção.
Wolfgang Wägele, diretor do Instituto Leibniz de Biodiversidade Animal (Alemanha), juntamente com outros colegas, fala na revista Science do “fenômeno do para-brisa”, no qual os motoristas passam menos tempo removendo de seus carros os inúmeros insetos que antes se espatifavam contra qualquer ponto da carroceria. Os pesquisadores citados no artigo estão cientes do declínio generalizado, apesar de reconhecerem, como o resto da comunidade científica, que é muito difícil estabelecer dados mais precisos.
 
Desmatamento próximo a Rio Branco (AC) 
 © WWF-Brasil/Juvenal Pereira
 
Por que estamos perdendo tantas espécies e faixas de terra a cada segundo?
A biodiversidade sofreu redução de mais de um quarto nos últimos 35 anos.
 
Essa notícia não é nada boa.
Em geral, o crescimento populacional e o nosso consumo são os motivos para essa enorme perda. Em termos específicos, a destruição do habitat e o comércio da fauna silvestre são as principais causas da queda da população das espécies.
Nós...
  • coletamos,
  • derrubamos,
  • arrancamos e
  • caçamos
 espécies de
  • animais,
  • árvores,
  • flores e
  • peixes
para usar na
  • medicina,
  • lembranças,
  • símbolos de status,
  • materiais de construção e
  • alimentos.
Hoje essa superexploração (caça, pesca, captura acidental) é totalmente insustentável.

Em nível global, atualmente necessitamos do equivalente a 1,4 planeta para dar vazão a nossos estilos de vida. Esta é a atual Pegada Ecológica da humanidade, isto é, a demanda das pessoas imposta ao mundo natural.

Em 2009, a humanidade usou 40% mais recursos do que a natureza é capaz de regenerar em um ano.

Esse problema (uso de recursos em velocidade superior à sua capacidade de regeneração e criação de resíduos como CO2 em velocidade superior à sua capacidade de absorção) recebe o nome de descompasso ecológico.
Atualmente mantemos esse descompasso liquidando os recursos naturais do planeta. Podemos cortar árvores mais rápido do que elas são capazes de voltar a crescer e capturar peixes em velocidade maior do que eles são capazes de se reproduzir. Embora seja possível fazer isso por um breve período de tempo, o descompasso acaba levando ao esgotamento dos recursos dos quais depende a nossa economia.

A pressão é agravada ainda mais pelas mudanças climáticas. A quantidade e o alcance de efeitos e impactos das mudanças do clima sobre a biodiversidade ainda são desconhecidos. E a capacidade (ou incapacidade) de os seres vivos se adaptarem a esses impactos é uma grande incógnita.

Entretanto, o que sabemos é que os próximos 30 anos serão determinantes.
determinantes.

Sabemos também que os seres humanos, e nosso comportamento, alteraram os ecossistemas da Terra com maior rapidez e amplitude nos últimos 50 anos do que em qualquer outro período da história humana.

No final das contas, pode-se dizer que a perda da biodiversidade é a maior ameaça à estabilidade e à segurança do mundo hoje.

Poluição atmosférica de navios " alimenta" tempestades elétricas, diz estudo

Partículas poluentes aumentaram incidência de raios ao longo de linhas de navegação
 
Rotas de navegação são afetadas pelo dobro do número de raios que áreas adjacentes e cientistas acreditam que isso é evidência de influência humana em padrões climáticos.
Cientistas americanos dizem ter encontrado evidência de que a passagem de navios por duas das principais rotas de navegação do mundo tem efeitos no clima local.
Segundo um estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters, gases emitidos por navios transitando pelo Oceano Índico e o Mar da China Meridional, duas regiões de tráfego naval intenso, estariam "vitaminando" tempestades elétricas no percurso de embarcações, algo não registrado em áreas adjacentes e de clima semelhante.
De acordo com Joel Thornton, professor de Ciências Atmosféricas da Universidade Washington (EUA), isso ocorre porque partículas de fuligem, nitrogênio e enxofre presentes nos gases exaustores dos navios diminuem o tamanho de gotículas de chuva, fazendo com que subam mais alto na atmosfera.
Isso resulta na formação de mais partículas de gelo e mais raios.
Analisando registros de raios ao redor do mundo, em mais de um bilhão de ocorrências, Thornton e sua equipe constataram uma incidência de raios quase duas vezes mais frequente ocorrendo diretamente sobre as "avenidas aquáticas".
 
Estudo pode ter encontrado evidência de influência humana em padrões climáticos
 
"Temos um exemplo claro de como humanos estão mudando a intensidade de tempestades por meio da emissão de partículas de combustão. Temos evidência inédita de que estamos interferindo na formação de nuvens de forma contínua, e não em incidentes específicos como grandes incêndios florestais", alerta o cientista.
A formação de nuvens tem influência nos padrões de chuva e pode resultar em alterações climáticas ao influenciar a quantidade de luz solar que as nuvens refletem para o espaço.
Todos os motores de combustão emitem gases de escape, e as partículas de fuligem, hidrogênio e enxofre neles contidas, e conhecidas como aerossóis, formam o smog , nome dado camadas visíveis de poluição atmosférica comuns a grandes cidades. Mas as partículas também atuam como núcleos de condensação de nuvens e "sementes de nuvens" - vapor d'água condensado ao redor de aerossóis forma gotículas, que posteriormente formam nuvens.
Navios de carga cruzando o oceano emitem gases de escape continuamente. O ar sobre os oceanos normalmente tem gotículas maiores, porque mais moléculas de águas precisam aderir a partículas. A adição de aerossóis ao ar resulta em mais partículas e gotículas menores.
E mais leves: essas gotículas viajam para pontos mais altos da atmosfera e um número maior que o normal congela. Quanto mais gelo atmosférico, maior é a formação de raios - nuvens ficam eletrificadas quando partículas congeladas se chocam umas com as outras e com gotículas - e o raio nada mais é que uma neutralização dessa carga.
"Quando fizemos um mapa dos raios, estava claro que os navios tinham alguma influência, pois os raios ocorriam praticamente em linha reta, sobrepostas às linhas de navegação", explica outra cientista envolvida no estudo, Katrina Virts, que trabalha como meteorologista da Nasa, a agência espacial americana.
Quando estão no oceano, navios queimam mais combustível do que nos portos, emitindo mais aerossóis e formando mais raios, como explica Daniel Rosenfeld, cientista atmosférico da Universidade Hebraica de Jerusalém, comentando o estudo.
"Temos uma pistola fumegante - a prova de que a incidência de raios mais do que dobra em áreas oceânicas pristinas. O estudo mostra de forma clara a relação entre emissões antropogênicas e a formação de nuvens de tempestade".
Thornton e sua equipe, porém, não constataram uma maior ocorrência de chuvas nas linhas de navegação. Os cientistas especulam que a poluição do ar em outras áreas do planeta pode também ter afetado tempestades.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Como ajudar nosso sistema imunológico a se manter em plena forma

Vitamina C para o inverno, dieta Mediterrânea durante todo o ano e uma boa dose de exercício físico de forma regular. Não é a poção mágica para ser invencível, mas sim para ajudar nosso sistema imunológico a se manter em plena forma.
 
cuerpo cambia estaciones
 
Imagine uma rede gigante de células e órgãos que trabalham a cada nanossegundo para manter o organismo livre de bactérias, vírus, fungos e qualquer agente estranho com intenções infecciosas que nos poderia levar ao abismo das doenças, por mais leves que elas sejam. Isso é o que poderíamos definir como nosso sistema imunológico: um mecanismo inteligentíssimo que em seu estado normal mantém as enfermidades a distância.
O curioso é que algumas pesquisas, como a que desenvolveram especialistas da Universidade de Cambridge, Munique, Londres e Dresden, revelam que as diferentes estações do ano podem provocar alterações no organismo. Isto demonstra uma possível base genética nas variações fisiológicas no estado de saúde em plantas e animais, como resultado de uma adaptação ao ambiente externo (luz solar, temperatura e dieta).
Segundo a doutora Silvia Sánchez Ramón, chefa da Unidade de Imunologia Clínica do Hospital Ruber Internacional, “23% do genoma humano mostra oscilações estacionais, assim como mudanças significativas na expressão de mais de 4.000 genes nos glóbulos brancos do sangue e em células do tecido adiposo”. O que isso poderia significar? Bem, que efetivamente o organismo está exposto a sofrer doenças mais ou menos específicas, conforme for inverno ou verão.
“A estacionalidade na incidência das doenças infecciosas em humanos está claramente estabelecida. Em outras enfermidades, como as autoimunes –esclerose múltipla ou artrite reumatoide, para citar algumas– também está descrita a influência da época do ano no curso da doença”, afirma a especialista. “Por exemplo, a cifra de monócitos, que são glóbulos brancos do sangue com um enorme potencial inflamatório, é máxima no inverno. Isto favoreceria um estado inflamatório –com aumento de proteínas como a interleucina 6 ou a proteína C reativa— durante o inverno na Europa. Este estado pró-inflamatório poderia explicar, ao menos em parte, uma maior incidência de problemas cardiovasculares, autoinmunes —como a artrite reumatoide ou a diabetes tipo 1– ou psiquiátricos, que se observam nessas doenças durante os meses de inverno, segundo os autores do trabalho mencionado”, comenta a doutora Sánchez Ramón.

Vacinar-se: melhor no inverno

Sabendo disto, existe alguma recomendação para fortalecer o sistema imunológico e conseguir que essas alterações estacionais pouco nos afetem? “O conceito de reforçar o sistema imunológico é complicado. Embora muitos avaliem como possível por meio de dezenas de diferentes produtos, não está claro o que fazem realmente. Como simplificação poderíamos dizer que a única coisa cientificamente comprovada que reforça o sistema imunológico de uma forma clara são as vacinas. É um reforço específico, praticamente inócuo para outras coisas, e demonstrado”, afirma o doutor Manel Juan, médico imunologista do Serviço de Imunologia do Hospital Clínic de Barcelona, e membro da Sociedade Espanhola de Imunologia (SEI)
No entanto, há coisas que podemos fazer. Por um lado, como aponta a doutora Sánchez Ramón, aproveitar os períodos nos quais o organismo demanda mais proteção para, precisamente, administrar-lhe as defesas de que necessita. “Uma possível consequência derivada desse estudo e de outros mais recentes, embora o grau de evidência científica ainda seja escasso, é a variação da resposta às vacinas segundo a época do ano em que são administradas. Este estado pró-inflamatório descrito nos meses de inverno de que falamos se correlacionaria com uma maior geração de proteção imunitária. Portanto, essa época do ano é a mais adequada para qualquer tipo de vacina”.

Os hábitos saudáveis ajudam?

Sim. Há uma série de recomendações que, de uma forma ou outra, como indica a doutora Sánchez, contribuem para que, em condições normais, o sistema imunológico esteja o mais saudável possível: “Uma dieta adequada, rica em nutrientes e vitaminas; uma ingestão hídrica apropriada; exercício físico regular; evitar o quanto possível a exposição a fatores de risco de infecções, conforme a época do ano; e evitar o estresse, tanto psicológico como físico”, afirma. Mas há nuances. Não é que a dieta adequada recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) seja uma garantia férrea para se manter invencível diante de qualquer doença viral, mas não fazê-la, sim, é que significa somar pontos para ter algum tipo de problema.
“O que está claro também é que o sistema imunológico é sensível às deficiências alimentares graves, pois é um sistema muito dependente de metabolismo. Ou seja, é preciso evitar a subnutrição”, enfatiza o doutor Manel Juan. O especialista é cauteloso e reitera que alguns produtos comerciais que dizem que reforçam o sistema imunológico podem ter trabalhos científicos que apontam mudanças que podem ser avaliadas como benéficas para a saúde, porém, adverte: “nada está claro para além do efeito nutricional desses produtos. O que se pode afirmar com certeza é que convém ter uma dieta equilibrada, com suficientes vitaminas e nutrientes essenciais”.
Para conseguir isso, Anna Bach-Faig, professora em Estudos de Ciências da Saúde da Universidade Aberta da Catalunha (UOC, na sigla em catalão) e conselheira de Alimentação e Nutrição da Ordem Oficial de Farmacêuticos de Barcelona (COFB), dá algumas sugestões. “Priorizar certos alimentos, como os cereais integrais e as carnes magras, já que proporcionam vitamina B e aminoácidos para construir os componentes do sistema imunológico, assim como ferro e zinco. Uma deficiência nesses últimos pode deprimir o sistema imunológico. Também são favoráveis o iogurte e as bebidas lácteas fermentadas ,que por meio de seus micro-organismos vivos atuam na imunidade intestinal para aumentar a resistência às infecções”, comenta a professora Bach-Faig.
E em geral? A recomendação é seguir uma dieta equilibrada, rica e variada em frutas e verduras. “A variedade nas cores proporcionará variedade em antioxidantes, que são os protetores do organismo; as bagas e frutas vermelhas, por exemplo, são ricas em vitamina C e flavonoides; e os legumes amarelos, as laranjas e as folhas verdes, em betacaroteno, um antioxidante importante na imunidade da pele e das mucosas”.

Exercício físico, em todos os sentidos

Apesar de o especialista Manel Juan reiterar que não há nada concreto em nível científico, além de algumas publicações secundárias e a lógica inter-relação de todos os sistemas dentro do próprio organismo para estar o mais saudável e forte, ele reconhece que “uma vida ativa, não sedentária, e hábitos saudáveis –nem tóxicos nem drogas– também contribuem para a capacidade funcional do sistema imunológico”. Nesse sentido, alguns estudos em nível internacional, como o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, realizado pelos pesquisadores Terra, Gonçalves da Silva, Salerno e Lourenço, afirmam que a atividade física intensa tende a gerar uma resposta anti-inflamatória no organismo.
E o sexo? Está pensando se pode entrar nesta categoria? Não temos a resposta adequada, mas podemos confessar que o professor de psicologia Carl Chametski, da Universidade Wilkes, observou que, em uma amostra de 112 alunos, aqueles com maior atividade sexual eram também os que apresentavam um maior índice de imunoglobulina A (lgA) na saliva, um anticorpo que protege o organismo de qualquer vírus ou micróbio. Coincidência?

E as alergias?

Faça o que o seu médico lhe recomendar para reduzir os efeitos da alergia, especialmente na primavera e no outono, mas fique tranquilo. Como explica o doutor Moisés Labrador, coordenador do Comitê de Imunologia da Sociedade Espanhola de Alergologia e Imunologia Clínica (SEAIC), a alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico contra determinadas proteínas alergênicas que deveriam ser inócuas –e, de fato, para os não alérgicos, são–, mas não são consequência de um desequilíbrio em seu sistema imunológico.
O que acontece em muitos casos é que, como explica o doutor Labrador, a resposta de tipo 2 do organismo para nos defendermos das agressões externas e internas –com sintomas como a tosse, os espirros, a coceira, vômitos ou diarreia–, destinada a eliminar de forma rápida o agente que nos está fazendo mal, não se ativa para o que não estava previsto. “O que acontece é que nos países em vias de desenvolvimento a resposta de tipo 2 se dedica à sua atividade principal e as doenças alérgicas são menos frequentes. Mas nas sociedades ocidentais, onde por meio de atividades de saúde pública já se controlam parasitas, venenos de animais e os tóxicos externos, esta resposta de tipo 2 não desaparece, mas fica ativa, como a responsável pela alergia. Esta explicação é conhecida como teoria da higiene e é a aceita atualmente para explicar o aumento da frequência de doenças alérgicas nos países desenvolvidos nas últimas cinco décadas.
El País.com

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O que faz ser tão difícil prever um terremoto como o que atingiu o México?

Todo ano são registrados oficialmente mais de 200 mil terremotos em nosso planeta, apesar de milhões deles ocorrerem.

Sismógrafo
Muitos passam ao largo dos registros oficiais porque são demasiadamente leves para que possamos senti-los ou porque acontecem em zonas remotas que não são monitoradas pelas autoridades.
Outros, como o de magnitude 7,1 que atingiu o centro do México na segunda-feira, causam dezenas de mortes e derrubam prédios inteiros.
Construir casas e edifícios à prova de terremotos é, evidentemente, a melhor estratégia para evitar tanto perdas humanas quanto materiais.
Mas seria possível evacuar com antecedência as zonas que serão afetadas - como acontece durante a passagem de um furacão, por exemplo?
A resposta é não. Isso porque é impossível prever quando um terremoto vai acontecer - salvo por alguns minutos.
A razão é que a maioria dos terremotos ocorre pela liberação repentina de uma grande tensão na crosta terrestre.
Essa tensão vai se acumulando gradualmente devido aos movimentos das placas tectônicas, normalmente ao longo de uma falha geológica, explica o site da British Geological Survey.
Por isso, é impossível prever quando os terremotos vão ocorrer, "basicamente pela forma como essa energia é liberada", afirma à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Richard Luckett, sismólogo da instituição.
"Sabemos que a tensão está sendo acumulada nas grandes falhas e sabemos onde elas estão, mas não temos como saber quando essa energia vai ser liberada", diz.
Luckett recorre ao exemplo que normalmente usa para explicar o fenômeno às crianças.
"Se você puser um tijolo sobre uma folha de lixa e lentamente retirá-la com uma mola, o tijolo vai se mover. Você pode repetir esse experimento dez vezes: embora aplique todas as vezes a mesma força, verá que o tijolo vai se movimentar repentinamente depois de diferentes intervalos de tempo", diz Luckett.
"Em termos físicos, é completamente imprevisível", acrescenta.
 
Terremoto no México
 
No caso do México, destaca o especialista, a placa sobre a qual o país está situado - a norte-americana - se move em direção ao oeste na proporção de mais de sete centímetros por ano.
"Mas saber se ela está acumulando pressão não ajuda a prever terremotos, pois não sabemos quando essa energia será liberada", diz.
O que especialistas podem saber é onde há probabilidade de ocorrer um terremoto de grande intensidade, "já que eles têm relação com o tamanho da falha", esclarece Luckett.
A falha vinculada ao terremoto de terça-feira, por exemplo, é grande: tem cerca de 50 km de distância.
Mesmo assim, isso não contribui para prever qual será a intensidade de um terremoto, já que a pressão pode ser liberada em uma série de pequenos tremores ou em um grande e único abalo.
 
Mapa

Sinais?

Mas há outros sinais a que devemos ficar atentos? Talvez uma mudança no clima ou comportamento dos animais que podem nos ajudar a prever um terremoto?
Acredita-se que os animais possam sentir as primeiras ondas que são geradas pelo terremoto - e que nós não percebemos.
"Os terremotos não tem nada a ver com o estado do tempo e certamente não há uma ligação com as mudanças climáticas", esclarece o especialista.
"São sistemas completamente diferentes", acrescenta.
Mas, segundo ele, o caso dos animais é interessante.
Há uma série de estudos sobre como alguns bichos exibem um comportamento distinto ante a iminência de um terremoto.
Diz-se, por exemplo, que os cachorros latem mais ou que os animais geralmente fazem mais barulho.
Segundo Luckett, "quando um forte terremoto acontece, provoca ondas distintas que viajam através da terra. As primeiras são muitos pequenas, não causam dano, e muitas vezes em sequer percebemos", explica.
"Mas os animais sim", ressalva.
Ainda assim, eles não ajudam a prever um terremoto.
"Os animais sentem essas vibrações, mas isso ocorre uma vez que o terremoto já aconteceu", assegura o especialista.
"Eles nos avisam do perigo um pouco antes (o tempo depende do intervalo entre as ondas pequenas e as grandes), da mesma forma que os alarmes", explica.
"Neste sentido, os dispositivos são mais sensíveis que os animais", completa.
Luckett diz não acreditar que será possível prever terremotos.
"O que poderemos fazer é aprimorar nossas formas de detectá-los."

Mundo teve mais desastres naturais este ano ou é só impressão?

O Caribe mal começava a se recuperar dos estragos provocados pelo furacão Irma, que deixou cerca de 60 mortos, quando foi atingido pelos ventos de até 260 km/h do furacão Maria.
 
Furação atinge San Juan, capital de Porto Rico
O México foi solapado por um terremoto de 7,1 graus de magnitude que causou ao menos 248 mortes, apenas 12 dias depois de um tremor maior, de 8,2 graus, matar cerca de 100 pessoas no sul do país. No sul da Ásia, inundações provocadas pelas chuvas de monções mataram mil pessoas em Bangladesh, Índia e Nepal.
É impressão ou os desastres naturais estão mais frequentes e intensos em 2017?
A resposta é que no caso dos furacões, sim. A quantidade e intensidade das tempestades de grandes proporções registradas este ano estão acima da média anual.
A principal causa para o aumento da força desses fenômenos é o aquecimento global, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
 
Furacão Maria em 19 de setembro

Acima da média

Shuai Wang, pesquisador da Faculdade de Ciências Naturais do Imperial College London, explica que a média anual de furacões no Atlântico é de 6,2, conforme a série histórica de 1968 a 2016 da Agência Norte-Americana de Administração Atmosférica e Oceânica.
Em 2017, antes mesmo do término do período de tempestades tropicais, já foram registrados sete furacões, quatro deles de grande proporções - classificados em categorias superiores a 3 na escala Saffir-Simpson, que mede os fenômenos pela intensidade dos ventos e o potencial de destruição.
"Ainda é cedo para sabermos a quantidade de furacões que teremos em 2017. Mas já podemos dizer que tivemos tempestades mais intensas que a média histórica", diz Wang.
Em agosto, o furacão Harvey provocou estragos no Texas, Houston e Louisiana, matando pelo menos 47 pessoas. Pouco depois, entre nos dias 6 e 7 de setembro, o furacão Irma arrasou várias cidades do Caribe e o sul da Flórida, provocando mais de 60 mortes.
Numa infeliz coincidência, a mesma região afetada pelo Irma se tornou rota do furacão Maria. Os ventos de até 260 km/h destelharam casas na ilha de Dominica - até o primeiro-ministro do país teve que ser resgatado da residência oficial.
O furacão também passou por Porto Rico e pelas Ilhas Virgens Norte-Americanas.

Altas temperaturas

O meteorologista Bob Hensen, do Weather Underground, serviço norte-americano de previsão meteorológica, diz que as altas temperaturas do oceano alcançadas este ano podem ter contribuído para a força das tempestades.
"Já alcançamos, antes de terminar o ano, mais tempestades que a média do ano inteiro", disse.
Segundo Hensen, por causa das mudanças climáticas, a intensidade dos furacões aumentou nas últimas três décadas. O ano de 2005 foi o que mais registrou furacões - 15 no total, entre os quais o Katrina, que matou ao menos 1,8 mil pessoas nos Estados Unidos.
"Podemos estar tendo furacões mais fortes associados ao fenômeno do aquecimento global. A temperatura da água afeta a intensidade da tempestade, embora não haja evidência de que influencie na quantidade", avaliou.
A opinião de que o aquecimento global tem papel relevante na intensidade dos furacões é compartilhada pelo pesquisador Shuai Wang, que prevê tempestades cada vez mais fortes se nada for feito para reverter o aumento da temperatura dos oceanos.
"O furacão é como um motor que precisa de combustível. A lógica é que, com a mudança climática, o oceano fica mais quente e gera mais energia para o ciclone, que acaba causando mais estragos quando alcança o continente", explicou.
"Os pesquisadores divergem sobre o efeito a longo prazo do aquecimento global. Eu acho que, se a temperatura continuar aumentando, teremos ciclones mais intensos", completou Wang.
Lógica parecida serve para desastres causados por excesso de chuvas, as chamadas monções. Para Bob Hensen, a intensidade pode ter aumentado por causa do aquecimento solar.
"Temperaturas mais altas favorecem a evaporação das águas. O ambiente úmido da atmosfera permite chuvas mais fortes."

Terremotos

Quanto a terremotos como o ocorrido no México na terça, os números não mostram aumento ao longo dos anos, e a intensidade está dentro da média histórica.
De acordo com o British Geological Survey, o centro britânico de geociências, todo ano ocorrem, em média, 15 terremotos com magnitude maior que 7, considerados de grande proporção.
Até o momento foram registrados seis terremotos com magnitude superior a 7, segundo dados atualizados da organização não governamental World Earthquakes, que categoriza registros de abalos sísmicos em todo o mundo.
Em 2016, foram registrados 17 terremotos com magnitude maior que 7.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sandálias com meia: uma história de utilidade e mau gosto

Calígula nasceu e cresceu entre legionários romanos e passou a infância disfarçado como um deles. Claro que o menino não se chamava Calígula. Seu pai o vestia assim para divertir os soldados, que eram conhecidos como caligati. Esse apelido, por sua vez, surgiu pelos pés, já que eles sempre calçavam caligae, que eram como botinas abertas, amarradas no tornozelo e com a sola cravejada. Sempre se disse que esses preguinhos permitiam que os legionários romanos caminhassem incansavelmente por terrenos irregulares e chegassem a qualquer lugar com o calçado e os pés intactos. Mas havia algo a mais. Os pregos tinham aliados ao mesmo tempo antiestéticos e úteis: as meias.
 
Sandália com meia: uma história de utilidade e mau gosto
 
Enquanto alguns historiadores e arqueólogos consideram que a meia sob as caligae servia para que os legionários romanos protegessem os pés do frio e do atrito, outros acreditam que andar com o pé sem meias favoreceria a ventilação durante as longas caminhadas.
Entre os primeiros, Adrian Goldsworthy é o mais citado na academia. O autor de O Exército Romano escreveu: “Também é ilusória a aparente desproteção frente às inclemências climáticas, já que aparentemente as caligae geralmente eram usadas com meias. Numa representação de guardas pretorianos aparece uma meia aberta nos dedos e no calcanhar, usada durante um desfile. Gradualmente, a partir do século II d. C., outros tipos de calçados mais fechados foram se tornando cada vez mais comuns”.

Mais enrolado que pé de romano

Existe em espanhol uma expressão coloquial para quando as pessoas estão muito atarefadas: “Estou mais enrolado que pé de romano”. Isso é praticamente tudo o os espanhóis sabem sobre os calçados romanos, mas o fato é que nem todos os romanos se calçavam ou vestiam do mesmo jeito. A indumentária servia para ostentar a classe social e, em algum momento, essa distinção inclusive se transformou numa obrigação regulada pelas leis suntuárias.
Ana Cristina Esquinas, especialista em arqueologia romana, dá uma ideia sobre o que amarrava as pernas dos romanos: “Eram tiras de couro, linho, tendões e inclusive cordões feitos com tripas secas e retorcidas”.
Dois achados arqueológicos na Grã-Bretanha são, até hoje, as amostras mais antigas da combinação de sandália e meia. Primeiro, apareceu um pé. Era de bronze, pertencia a uma estátua e estava numa escavação romana ao sul de Londres. Esse pé, achado em um templo romano de Southwark, insinua a
presença de uma meia. Vários anos depois, apareceram restos de fibra que poderiam ser de meias junto a sandálias em North Yorkshire, também na Inglaterra. Em ambos os casos, os especialistas relacionaram essa combinação com o clima frio.
“Os soldados romanos usavam caligae com meias de lã tecida ou feltro, para amenizar o frio durante a conquista das províncias do norte. É muito possível que esse costume tenha se arraigado a partir daí, levando-se em conta o abundante rebanho para a produção de lã”, detalha Karin Wachtendorff, historiadora da arte especializada em moda histórica e autora do blog espanhol Historia de la Moda y los Tejidos.
Embora este calçado de sola cravejada tenha uma origem militar, seu sucesso sobre terrenos irregulares foi tamanho que ele se estendeu para o resto da sociedade romana e calçava qualquer um que viajasse a pé.

Sandália com meia: uma história de utilidade e mau gosto

Os viajantes

A história da sandália com meia está marcada pela utilidade: protegeu os romanos do frio, resguardou os pés da quem não tinha acesso às meias-calças e ainda são de vital importância para os diabéticos, que sofrem especialmente por causa do atrito. Mesmo assim, ainda fazem rir.
Wachtendorff observa que esse costume surgiu no século XIX, “quando os viajantes românticos europeus começaram a visitar outros países, estabelecendo mitos e estereótipos sobre a idiossincrasia das gentes desses lugares que visitavam, incluindo sua forma de vestir”. E aponta: “Os países latinos costumam reagir com ironia e inclusive com rechaço a tudo aquilo que nos parece chocante a nível estético, sem pararmos para pensar nem procurar o porquê de tal ou qual costume indumentário. É uma questão educacional: ficamos com a fachada”, explica Wachtendorff.
 
A Segunda Guerra Mundial voltou a dar asas à combinação. Assim explica Wachtendorff: “As meias longas de nylon começaram a escassear, pois no final de 1941 a empresa Dupont parou a fabricação para se dedicar por inteiro à produção de paraquedas para a guerra. A partir desse momento, tanto as meias de nylon como as de seda se tornaram um elemento de luxo cobiçado e perseguido pelas mulheres. Na falta de meias longas, as mulheres tiveram que recorrer às meias três-quartos, que combinavam com suas sandálias tipo anabela ”.

O apocalipse: às passarelas

Neste ano, a modelo Kendall Jenner calçou sandálias com meias e passeou pelo tapete vermelho; a Louis Vuitton as resgatou para sua coleção primavera/verão de 2018, e a Gucci lançou recentemente um desenho que parece uma piada: é uma meia junto com uma sandália e custa 1.200 euros (4.500 reais).
Também são vistas no mundo dos videogames, como os chinelos com meias do protagonista de Soldado 76, personagem de Overwatch, ou o game social Habbo, cujos administradores utilizaram esse elemento para várias atividades do jogo.

Novo terremoto no México no aniversário do devastador tremor de 1985

Ao menos 56 pessoas morreram vítimas de um terremoto de magnitude 7,1 que sacudiu a região central do México nesta terça-feira.
O tremor foi registrado às 13h14 no horário local (15h14 em Brasília) com epicentro nos arredores da cidade de Axochiapan, no Estado de Morelos.
O tremor coincidiu com o 32º aniversário do devastador terremoto que deixou milhares de mortos em 1985 - não se sabe o número exato de óbitos na tragédia, variando de 3.692 segundo fontes oficiais e 10 mil de acordo com a Cruz Vermelha do México.
Veículos de imprensa e usuários das redes sociais publicaram imagens de prédios severamente afetados na Cidade do México, algumas inclusive registrando o exato momento da queda - o terremoto desta terça-feira foi sentido na capital com muito mais força do que o tremor de magnitude 8,2 que deixou 98 mortos no sul do país no último dia 7.
Testemunhas disseram à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que viram sérios danos a edificações, além de pedaços de vidros e de fiação caindo.
Roberto Rentería, que estava na região central da cidade, contou que "o ruído dos edifícios rangendo foi bastante impressionante".
"O alarme sísmico tocou depois.  A rua ficou cheia de poeira e tem cheiro muito forte de gás. Há vários edifícios com risco de cair".
Harbin Preciado, de 14 anos, disse que, graças à uma simulação para situações de tremor realizada nesta mesma terça-feira, eles e seus colegas da escola sabiam exatamente o que fazer.

Vulcano o planeta procurado por mais de meio século e que Einstein expulsou do céu

Por mais de meio século, cálculos de renomados cientistas apontaram para a existência de um planeta na órbita entre Mercúrio e o Sol - que jamais foi localizado.
 
Vulcano imaginado pela NASA
Apesar de até ter recebido um nome - Vulcano -, o "planeta escondido" permaneceu sendo um dos mais desconcertantes fenômenos do Sistema Solar. Procurado por 56 anos, tornou-se um planeta hipotético, até que o físico alemão Albert Einstein o "expulsou" do céu com sua Teoria da Relatividade.
"É um planeta, ou se preferir, um grupo de planetas menores que circulam na proximidade da órbita de Mercúrio", propôs em 1859 Urbain Joseph Le Verrier, o mais famoso astrônomo do mundo à época e diretor do Observatório de Paris. Ele dizia que só um planeta "seria capaz de produzir a perturbação anômala sentida por Mercúrio".
Le Verrier não foi o primeiro a suspeitar da presença do planeta escondido. Anos antes, em 1846, um diagrama do Sistema Solar elaborado para escolas e academias já indicava a presença de Vulcano. Ele constava numa litografia feita por E. Jones & G.W. Newman, de Nova York, nos EUA.
Mas foi a sólida reputação de Le Verrier que deu peso à hipótese sobre a existência de Vulcano.

Diagrama do Sistema Solar elaborado para escolas e academias que incluiu Vulcano

O mais distante do Sol

Treze anos antes de indicar a existência de Vulcano, La Verrier já havia apresentado à academia francesa a proposta de que um planeta perturbava a órbita de Urano.
Enviou uma carta a Johann Galle, do Observatório de Berlim, que, ao recebê-la, em 23 de setembro de 1846, imediatamente se dedicou a encontrar o planeta até então desconhecido. Era Netuno.
La Vierrier apontou para sua existência através de cálculos matemáticos.
Assim como Mercúrio, Urano também mostrava uma pequena discrepância em sua órbita que não podia ser explicada pela força da gravidade dos outros planetas e do Sol.
No entanto, a partir da lei da gravitação universal - formulada por Isaac Newton em 1687 - e supondo a presença e o movimento de um corpo celestial mais distante do que Urano, La Vierrier conseguiu não só descobrir um novo planeta como também se consagrou na posição de "astro" da ciência.

Netuno

Para resolver a incógnita de Mercúrio, cujo periélio (o ponto em que um planeta se encontra mais próximo do Sol) parecia mudar ligeiramente a cada órbita, Le Verrier seguiu o mesmo método usado anteriormente.
Ao calcular a influência da atração gravitacional de Vênus, Terra, Marte e Júpiter, suas previsões sobre a órbita de Mercúrio pareciam estar sempre ligeiramente erradas.
Mercúrio nunca estava onde indicavam as projeções, baseadas nos conhecimentos da época. A solução para o enigma deveria ser, como aconteceu no caso de Urano, a presença de um outro planeta, no caso, Vulcano.
Só faltava encontrá-lo para provar sua existência.

Perto do Sol

Um passo promissor veio quando Edmond Modeste Lescarbault, um médico aficionado por astronomia, observou com seu telescópio um ponto preto que passava diante do Sol. Ele anotou o tamanho, velocidade e duração do deslocamento.

Vulcano, deus romano
Meses depois, após ler sobre o hipotético planeta de Le Verrier, enviou-lhe uma carta com todos os detalhes. O famoso astrônomo foi visitá-lo, verificou o equipamento e as notas do médico e anunciou com entusiasmo a descoberta de Vulcano, no início da década de 1860.
No entanto, ainda era necessária a confirmação de um especialista independente - e o novo planeta era extremamente difícil de detectar.
Vulcano parecia ser um dos últimos enigmas do Sistema Solar e tornou-se um dos corpos celestes mais procurados da astronomia.
Ao longo dos anos, astrônomos - profissionais e amadores - anunciaram ter avistado Vulcano. Mas a existência do planeta foi confirmada e negada várias vezes. A mídia divulgou a notícia de sua presença mais de uma vez e a especulação persistiu até o século 20.
Mais precisamente até novembro de 1915.
A busca por Vulcano teve seu fim na Academia Prussiana de Ciências quando Albert Einstein bagunçou a visão corrente sobre o Universo com sua Teoria da Relatividade.

Ilustração do Pequeno Príncipe

Pouco antes de apresentar a teoria, Einstein usou-a para explicar a discrepância na órbita de Mercúrio.
"Einstein não só disse: meus cálculos são melhores. Ele disse: 'Precisam mudar completamente a ideia que têm das características da realidade", explicou, à revista National Geographic, Thomas Levenson, professor do MIT, nos EUA, e autor do livro The Hunt for Vulcan (A Caçada por Vulcano, sem tradução em português).
O cerne da Teoria da Relatividade de Einstein é que o espaço e o tempo não são estáticos. Para justificar quão peculiar é a órbita de Mercúrio, Einstein argumenta que um objeto maciço, no caso o Sol, foi capaz de dobrar o espaço e o tempo e ainda alterar o caminho da luz, de modo que um raio, quando passa próximo ao Sol, viaja por um caminho curvo.
Com seus cálculos, Einstein demonstrou que a relatividade geral predizia a diferença observada no periélio mercuriano.
"Negar a existência de Vulcano foi central para Einstein, porque mostrou que essa ideia estranha e radicalmente nova dele de que espaço e tempo fluem é realmente o caminho certo para ver o Universo", disse Levenson.
Mercúrio, de acordo com a teoria de Einstein, não estava tendo a órbita alterada por nenhum outro objeto. Simplesmente, ele se moveu por um espaço-tempo distorcido.
Assim, "Vulcano foi expulso do céu astronômico para sempre", escreveu o autor Isaac Asimov em seu ensaio científico O Planeta Que Não Era, de 1975.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Tremor de Terra atinge cidades do Paraná

Tremor no Paraná (Foto: Arte G1)
 
Um tremor de terra foi registrado na região de Rio Branco do Sul e Itaperuçu, na Região Meropolitana de Curitiba, na madrugada desta segunda-feira (18), segundo o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). O abalo sísmico foi sentido em outras cidades do estado.
Atualização: inicialmente a USP informou que tinham sido registrados dois abalos sísmicos na cidade, o segundo em São Jerônimo da Serra, na região norte. O erro foi registrado pelo sistema, que operava de maneira automática naquele momento, segundo a USP. Horas depois, a informação foi analisada de maneira manual e corrigida apontando que tinha sido registrado um único abalo.
Apesar dos registros, nenhum atendimento foi registrado entre a noite de domingo (17) e a madrugada desta segunda, de acordo com o Corpo de Bombeiros. De qualquer forma, o tremor assustou os moradores de Rio Branco do Sul.
A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil informou que não houve chamados para atender ocorrências, apenas pessoas ligando por curiosidade, para saber o que aconteceu. O agente da Defesa Civil Eduardo Bomfim disse que, até o  geralmente, acima de cinco pontos na escala richter.

Os relatos


"Foi tenso, mas já passou. De qualquer modo, deu um pouco de medo", disse Ronaldo, de Almirante Tamandaré, que fez um post no site da USP.
Elidiane, de Rio Branco do Sul, que também comentou na página sobre o assunto, disse que foi uma explosão e que as janelas ficaram sacudindo.

domingo, 17 de setembro de 2017

Historiador diz ter decifrado um dos manuscritos mais misteriosos do mundo

Textos que parecem mensagens cifradas, desenhos de mulheres nuas em banheiras com líquido verde, símbolos do zodíaco e desenhos de plantas e criaturas estranhas. Não é de se estranhar que estes e outros elementos, parte do conteúdo do Manuscrito Voynich - um livro ilustrado datado do período entre os séculos 15 e 16 e encontrado em 1912 pelo comerciante Wilfrid Voynich, que batiza o objeto - tenham intrigado especialistas e leigos há décadas sobre sua origem e função.
 
Páginas do manuscrito medieval mostram plantas
 
Com tamanho pequeno, 240 páginas ilustradas e uma capa de couro desgastada, o livro já foi apontado como "o manuscrito mais misterioso do mundo", como obra de extraterrestres e até como uma farsa fabricada por Wilfrid Voynich.
Mas no início deste mês, o historiador britânico Nicholas Gibbs diz ter chegado à resolução de tamanho e duradouro mistério. E, segundo seu artigo publicado na prestigiada revista britânica The Times Literary Supplement , a resposta é simples: o livro tinha como objetivo aconselhar sobre a saúde - principalmente das mulheres - e é uma amostra da medicina medieval de seu tempo.
Em seu texto na The Times Literary Supplement , que ganhou o título "Manuscrito Voynich: A solução", Gibbs diz que o objeto é "um livro de referências de remédios retiradas dos tratamentos padrão do período medieval, um manual de instruções para a saúde e o bem-estar para as mulheres mais abastadas da sociedade, e que muito possivelmente foi escrito para uma única pessoa".
Latim
Se por muito tempo acreditou-se que as estranhas palavras do livro eram criptografadas, Gibbs apresenta uma explicação alternativa: elas seriam abreviações de termos do latim. Mais especificamente, seriam ligaduras tipográficas - o nome que se dá à grafia que une duas ou mais letras em um único símbolo (como Æ e &, neste caso uma união das letras "E" e "T"). Este recurso era muito utilizado na Idade Média como forma de economizar espaço e trabalho pelos escribas de então.
"Como alguém com uma longa experiência na interpretação de inscrições em latim em monumentos clássicos e nas tumbas e em chapas metálicas de igrejas inglesas, reconheci no Manuscrito Voynich sinais reveladores de um formato abreviado de latim", escreveu Gibbs.
 
Os trechos que Gibbs diz ter decodificado
Consultando o Léxico Abbreviaturarum de Latim Medieval (1899), de Adriano Cappelli, o historiador diz ter reconhecido no manuscrito pelo menos duas ligaduras, "Eius" e "Etiam". Diversas abreviações corresponderiam a palavras-padrão relacionadas a plantas e infusões, como aq=aqua (água), con=confundo (mistura), ris=radacis/radix (raíz). "Então, o herbário do Manuscrito Voynich deve, portanto, ser uma série de ingredientes 'simples' com as medidas necessárias".
O artigo publicado na The Times Literary Supplement traz uma imagem com duas linhas codificadas com palavras como estas.
Segundo o pesquisador, era comum que livros de referência semelhantes ao manuscrito viessem acompanhados de um índice com abreviações e os nomes correspondentes de doenças, sintomas, nomes de plantas, entre outros. Para Gibbs, porém, o que seria o índice do Manuscrito Voynich está desaparecido.
Medicina medieval
O historiador relaciona também o manuscrito a outros contextos da Idade Média, como as práticas de banho - tema bastante presente nas ilustrações do manuscrito. "Me pareceu lógico olhar para os hábitos de banho do período medieval. Ficou logo bastante óbvio que eu havia entrado na seara da medicina medieval", diz o texto de Gibbs.
Segundo o pesquisador, ilustrações de plantas, símbolos do zodíaco e diagramas eram comuns quando o tema era saúde nesta época - quando precursores clássicos da medicina como Galeno, Hipócrates e Sorano de Eféso eram reverenciados. O uso dos banhos como tratamentos era uma longa tradição, praticada por gregos e romanos e continuada na Idade Média.
 
Uma ilustração de mulheres se banhando do Manuscrito de Voynich
 
Uma ilustração de mulheres se banhando do Manuscrito de Voynich Foto: BBCBrasil.com
"O tema central do Manuscrito Voynich é apenas uma dessas atividades, e uma de suas principais características é a presença de figuras femininas nuas imersas em algum tipo de mistura. A medicina clássica e medieval tinha divisões separadas dedicadas às queixas e doenças das mulheres, principalmente, mas não exclusivamente na área de ginecologia", escreveu o historiador no artigo.
Gibbs identificou também referências, em conteúdo e em ilustrações, a dois guias amplamente disseminados pela Europa no período medieval: o Trotula , um tratado ginecológico, e o De Balneis Puteolanis , que versava sobre os benefícios dos banhos com infusões.

Críticas

A solução dada por Gibbs, porém, não resolveu a incógnita para muitos outros especialistas. Em blogs, fóruns e no Twitter, a publicação foi bastante criticada - em geral, acusada de não ter apresentado bases suficientes para os argumentos.
"E lá vamos nós de novo. Eu já revisei dezenas de 'soluções', e essa é tão pouco convicente quanto as últimas 3 mil", escreveu no Twitter Lisa Fagin Davis, diretora da Academia Medieval dos Estados Unidos.
Já René Zandbergen, engenheiro que administra um site sobre o manuscrito, o artigo de Gibbs foi desproporcional: um texto muito grande com apenas duas linhas do livro medieval decodificadas. "O resumo no Times Literary Supplement é realmente muito curto para fornecer qualquer análise séria", disse Zandbergen à revista The Atlantic.

Qual é a explicação científica para que alguns pratos fiquem mais gostosos no dia seguinte

Reações químicas ocorridas durante cozimento podem continuar após prato ficar pronto; ingredientes de sabor marcante deixam de se sobressair e prato ganha sabor mais homogêneo.
 
Geladeira
 
mesmo de ontem, sobra ou requentado - como quiser chamar. Esses pratos que você cozinhou ontem e guardou na geladeira podem conter uma explosão de sabores que você não sentiu quando foram servidos pela primeira vez.
Em especial, guisados, molhos e sopas tendem a ter sabor muito melhor no dia seguinte.
 
Geladeira
Isso não tem nada a ver com a sua memória ou com o fato de que, como você não teve de cozinhar, agora pode relaxar e desfrutar melhor da comida.
O segredo está nos próprios alimentos, seus ingredientes e as reações químicas que neles acontecem durante o cozimento, refrigeração e reaquecimento.
É claro que nem toda comida guardada de um dia para outro vai ter um sabor melhor.
Sabemos que uma salada, depois de ser temperada, fica murcha e pouco convidativa algumas horas após seu preparo.
 Pratos fritos perdem a textura crocante e o macarrão vira uma massaroca borrachenta e ressecada.
Peito de frango, sushi, peixe e mariscos também ficam pouco apetitosos dias após seu preparo.
Por outro lado, um molho à bolonhesa ou um frango ao curry requentados… hummm! Não tem nada igual.
Química e Física
As receitas que melhoram de gosto de um dia para o outro têm algumas características em comum.
Pratos que contêm carne e molhos, por exemplo, combinam múltiplos ingredientes com propriedades aromáticas individuais. Entre eles estão a cebola, o alho, o pimentão e as ervas.
 
Mulher pegando comida na geladeira
 
Durante o processo de cozimento, esses elementos sofrem uma série de reações químicas dentro de um ambiente complexo.
Os ingredientes aromáticos são os que mais reagem nesse meio, produzindo compostos de sabores e aromas que, por sua vez, interagem com a proteína das carnes e o amido das batatas e legumes.
Quando o prato esfria, é refrigerado e depois requentado, algumas dessas reações voltam a ocorrer, resultando em um melhor sabor.
Além disso, em um prato recém preparado, ingredientes como o alho e a cebola podem se sobressair demais, disputando a atenção do paladar uns contra os outros.
No dia seguinte, no entanto, já se mesclaram e se suavizaram, o que dá ao prato um sabor mais equilibrado.
Gorduras, ossos e músculos
As gorduras e os colágenos têm muito a ver com a alteração nos sabores.
Quando uma carne cozida esfria, o colágeno - um tipo de proteína presente nos músculos, ossos e outras partes do animal - que havia derretido durante o cozimento começa a se coagular na superfície da carne, "prendendo" muitos sabores.
Esse fenômeno se acentua ainda mais na carne moída porque há mais superfícies às quais o colágeno gelatinoso pode aderir.
O mesmo ocorre com os amidos. Quando são cozidos, ficam gelatinosos. Ao esfriar, os compostos de sabores presentes no molho ficam presos em suas estruturas.
 
Comida requentada
 
Pedaços de batata, mandioca e banana usados como ingredientes em guisados ficam particularmente saborosos no dia seguinte.
Esse processo também tem influência positiva sobre a textura da comida, que pode ficar mais espessa e cremosa.
O mesmo ocorre em pratos à base de carne. Quando esfriam e são requentados, tornam-se mais viscosos porque as fibras da proteína se decompõem, liberando o material gelatinoso que fica entre as células.
Cada vez que a proteína esfria e é reaquicida, mais quantidades dessa substância são liberadas, espessando o líquido que envolve a carne.
Porém, esse processo não deve ser repetido em demasiado. Quando é requentada muitas vezes, a carne tende a ficar fibrosa.
Recomendações
Para obter o melhor resultado possível, é preciso que sejam obedecidas certas regras básicas de preparo, refrigeração e armazenamento do alimento.
No preparo de molhos ou cozidos à base de carne, recomenda-se primeiro que a carne seja dourada em fogo alto.
 

Tempestade Maria ganha força e pode se transformar em furacão

 
 
A tempestade tropical Maria ganhou força e pode se transformar em furacão no decorrer deste domingo (17), durante o seu deslocamento para o leste das Pequenas Antilhas, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos.
O fenômeno meteorológico, que apresenta ventos máximos sustentados de 100 km/h, se dirige para as Pequenas Antilhas, recentemente atingidas pela devastadora passagem do furacão Irma e das quais se encontra a 720 km.
No último boletim divulgado, o NHC apontou que Dominica está sob aviso de furacão, enquanto Santa Lúcia se encontra sob aviso de tempestade tropical.
Ambas as ilhas, assim como outras próximas, sofreram recentemente impacto do furacão Irma, com casos dramáticos como o de Barbuda, devastada em mais de 90% segundo as autoridades locais, que ainda não terminaram as tarefas de reconstrução.
Maria se move em direção oeste-noroeste a uma velocidade de translação de 24 km/h e deve manter este padrão ao longo dos próximos dias, durante os quais o olho do fenômeno se aproximará das Pequenas Antilhas na noite de segunda-feira com características de furacão, de acordo com o NHC.
Embora a tempestade esteja seguindo quase a mesma trajetória do furacão Irma, que atingiu a Flórida, a Geórgia e a Carolina do Sul, ainda é muito cedo prever se chegará a essa península.
Além de María, os meteorologistas do NHC continuam a acompanhar o desenvolvimento de outros dois ciclones no Atlântico.

Furacão José

O furacão de categoria 1 José mantém a trajetória com direção norte, com uma velocidade de translação de 15 km/h, e está 575 km/h ao sudeste do Cabo Hatteras, na Carolina do Norte. José se fortaleceu levemente nas últimas horas e apresenta ventos máximos sustentados de 150 km/h e deve permanecer como furacão durante os próximos dias.
 
 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Detergente ou sabão? qual o melhor produto para lavar a louça?



Detergente ou sabão: qual é o melhor para lavar a louça?
 Quanto mais espuma, mais fácil remover a gordura? E a água quente, como ela ajuda no processo? Essas são algumas das perguntas respondidas pela química, uma excelente aliada de quem encara uma pia cheia de panelas, pratos, copos e talhares sujos e engordurados.
A diferença entre o detergente e o sabão, como explica Watson Loh, professor do Instituto de Química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), se resume basicamente à estrutura molecular. Enquanto o sabão é composto por sebos  vegetais, o detergente se constitui a partir de derivados petroquímicos. "Ainda assim o funcionamento dele é praticamente o mesmo: remover a gordura".
Os dois são usados para retirar desengordurar a louça porque fazem o meio de campo entre as moléculas de água, polares, e de gordura, apolares e hidrofóbicas (substância que não absorve a à água).
"Os detergentes têm uma porção de moléculas polar e outra apolar. Com essa estrutura ela consegue fazer a ligação da água com a gordura", explica Adauto Lorenzini, professor de química do cursinho da Poli.
"Imagine que o alfinete é o detergente (a cabeça a parte polar e a ponta a apolar) e o agulheiro o óleo. Ao perfurar todo o espaço do agulheiro, cria-se o que chamamos de micela, ou seja, a possibilidade de interação com a água, nesse caso é responsável por dissolver a sujeira da louça", exemplifica.
Detergente ou sabão? Se pensarmos no ambiente, o sabão de barra deve ser considerada a melhor opção. De acordo com o professor do cursinho da Poli, o sabão é biodegradável. "Em contrapartida, nem todos os detergentes são benéficos  ao ecossistema. Alguns deles possuem fosfato." A substância na água de rios e lagos aumenta a população de algas, reduzindo o oxigênio e provocando a morte de peixes.
O sabão, no entanto, tem uma desvantagem em relação ao detergente. Não consegue atuar na presença de cálcio, magnésio e ferro.
"Quando tenho que lavar minha mão cheia de giz, por exemplo, tenho que recorrer ao detergente. Se for usar o sabão vai virar uma pasta de sujeira", alerta o químico, que diz que casos assim são raros, mas devem ser levados em consideração.

Espuma não significa limpeza
  Cuidado com os exageros! O excesso no uso do sabão ou do detergente não significa que seus copos e pratos ficarão mais limpos. "O importante é certificar-se de que esfregar o produto em toda a área da louça engordurada. Uma fina camada já é suficiente", afirma Loh, que diz que é preciso bom senso.
 Só para se ter uma ideia, o recomendado é 25g de detergente para uma lava-louça capaz de limpar um conjunto de louças para seis ou oito pessoas (serviços).

As principais revelações da sonda Cassini antes de "missão suicida" na atmosfera de Saturno

Lançada em 1997, a sonda Cassini passou 13 anos explorando o sistema de Saturno.

Cassini confirmou existência de oceano em Enceladus, e cientistas acreditam que satélite tem potencial para abrigar vida. Foto: Nasa
Mas, nesta sexta-feira, a espaçonave foi desintegrada ao mergulhar, em altíssima velocidade, na atmosfera de Saturno. Segundo a Nasa, a agência espacial americana, o objetivo da destruição foi evitar que ela contaminasse as luas de Titã e Enceladus, que podem abrigar vida.
Assim, a nave se desmaterializou e fez parte do planeta que tem estudado desde 2004.
Confira uma seleção das principais descobertas da sonda:

Gêiseres

Titã, a maior lua de Saturno. Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Imagens enviadas de volta das missões dos anos 1980 da sonda Voyager mostraram que Enceladus, a lua de Saturno, de 500 km de diâmetro, tinha uma superfície muito suave e, portanto, relativamente jovem. Poderia ter sido renovada por algum processo desconhecido. Mas foi Cassini que descobriu os gêiseres de água congelada despontando no polo sul da pequena lua.
 A água é jorrada em uma velocidade de 1,3 mil km por hora através de orifícios que estão conectados a um oceano salgado abaixo da cobertura de gelo. A água é considerada um ingrediente essencial para a vida como a conhecemos, o que faz de Enceladus um alvo na busca de uma biologia alienígena.
Além disso, ao sobrevoar sobre os jatos de água e "provando-os" com um aparelho a bordo da aeronave, Cassini pôde detectar a presença de grãos rochosos, metano e hidrogênio molecular.
A explicação mais provável para essas descobertas é a presença de aberturas para fluidos no fundo do mar. Na Terra, esses orifícios hidrotermais que jorram água superaquecida proveniente de um local abaixo do solo oceânico são cheios de vida.
A Enceladus revelou que habitats capazes de abrigar vida podem ser mais comuns do que pensávamos, colocando nossa própria existência em perspectiva.

Pousando em Titã

Ilustração artística do pouso da sonda Huygens Foto: ESA-C. Carreau

Em 14 de janeiro de 2005, a sonda europeia Huygens desceu até a densa atmosfera da maior lua de Saturno, Titã.
Huygens chegou ao ponto mais alto da atmosfera (uma altitude de 1.270 km) e sobreviveu à entrada hipersônica, usando um paraquedas para flutuar em direção ao solo, coletando dados por duas horas e 27 minutos.
Usando seus instrumentos de bordo, Huygens enviou fotos e fez uma descrição da atmosfera de Titã, incluindo dados como temperatura, pressão, densidade e composição.
"Havia uma camada atmosférica na qual os ventos iam de velocidades como 60 ou 70 km até zero, aumentando logo depois", disse o cientista do projeto Huygens Jean-Pierre Lebreton. "Isso ainda não foi propriamente explicado".
A sonda enviou dados da superfície por outros 90 minutos até que Cassini - que estava enviando os dados à Terra - desapareceu no horizonte, interrompendo as comunicações. Até hoje, é a maior distância da Terra em que uma espaçonave enviada já pousou.
As descobertas da Huygens foi que fizeram a Nasa temer a possibilidade de contaminação em Saturno e, anos mais tarde, decidir pelo "suicídio" da Cassini.
Lua igual, mas diferente
Cassini e Huygens mostraram Titã como uma versão da Terra "através do espelho". A temperatura de sua superfície de -179 graus Celsius implica que os hidrocarbonetos desempenham muitos papéis que a água tem no nosso planeta. Titã tem um ciclo de estações, com ventos, chuva de metano e mares, montanhas de gelo e dunas de areias de "plástico".
Três mares escuros de metano estão no pólo norte de Titã - sendo que o maior deles, o mar Kraken, é maior que o Lago Superior da América do Norte. Ao redor desses mares, há numerosas extensões de líquidos.
A Cassini registrou pequenas ondas na superfície de um mar e uma característica misteriosa em outro que foi apelidado de "ilha mágica". Icebergs, ondas e bolhas de gás saindo do solo oceânico são possíveis explicações para esse último fenômeno.
Titã também tinha uma química extraordinariamente complexa e orgânica em sua atmosfera. De fato, alguns cientistas acreditam que pode ser uma semelhante com a atmosfera que nutriu a vida na Terra antigamente - oferecendo um vislumbre sobre nosso próprio passado primordial.
A Enceladus não é a única lua com um oceano - Titã também tem uma extensão de líquido embaixo de sua superfície. Mas esse oceano provavelmente é composto de água misturada com amônia.
 
Anéis dinâmicos
Cassini revelou que o sistema de anéis de Saturno é um ambiente ativo e dinâmico. Aliás, os anéis são um laboratório para a forma como planetas se formam ao redor de estrelas jovens. Cientistas pensam que a forma como luas inseridas ali fazem "vãos" pode ser semelhante à maneira como corpos maiores formaram o disco de poeira e gás que orbitou o sol bilhões de anos atrás.
 A Cassini observou estruturas previamente desconhecidas nos anéis e testemunhou o possível nascimento de uma jovem lua. Dados da missão podem finalmente começar a responder um dos maiores mistérios sobre Saturno - como e quando os anéis se formaram.
Em 2017, pouco antes do fim da missão, cientistas anunciaram descobertas preliminares sugerindo que eles eram relativamente jovens - talvez 100 milhões de anos de idade. Isso pode indicar que estamos apenas vivendo em um momento especial da história em que Saturno tem anéis.
 
Força de tempestade
A espaçonave da Nasa observou tempestades gigantes em ambos os pólos de Saturno. Para dar uma noção de perspectiva, o olho de um furacão no norte de Saturno tinha uma largura de 2 mil quilômetros. Isso é 50 vezes maior que um furacão médio na Terra. As velocidades dos ventos lá pode chegar a 504km por hora.
O olho da tempestade do pólo norte se movimenta em redemoinhos com uma corrente de "ar" com seis lados. Ninguém tem muita certeza sobre como essa corrente hexagonal de ar é formada - algo deste tipo jamais foi visto em outro planeta.
No entanto, usando simulações de computador, cientistas conseguiram mostrar como essas características podem ser formadas a partir da interação de diferentes correntes de ar. Diferentemente de furacões na Terra, que geralmente duram dias, essa tempestade existe por no mínimo décadas, talvez séculos.
 
 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A difícil busca pelo depósito definitivo de lixo nuclear

Em 2016 entraram em funcionamento dez reatores nucleares em todo o mundo, além de outros dois no primeiro semestre de 2017, segundo o relatório World Nuclear Industry Status Report , publicado na sexta-feira passada (08/09).
Seis dessas novas usinas estão localizadas na China, que passou ao terceiro lugar entre as cinco maiores potências geradoras de energia atômica, depois dos Estados Unidos e da França. Juntas, as cinco grandes produtoras geram 70% desse tipo de energia no mundo, cabendo a metade aos EUA e França.
Uma vez que, nesse mesmo período, apenas quatro reatores foram desativados, torna-se ainda mais premente a decisão de o que fazer com os resíduos radioativos - uma questão que ainda não foi devidamente respondida.
 
 
Oposição da população alemã
Em setembro de 2017, a Alemanha começará a procura por um local definitivo para armazenar seu lixo atômico. Uma comissão especial está encarregada de rastrear o país em busca de um sítio geológico apropriado à construção de um depósito profundo. Nele ficará enterrado, de uma vez por todas, o legado de décadas de produção de energia nuclear.
O governo alemão espera encontrar esse local até o ano de 2031. No entanto, críticos estão céticos de que o prazo seja viável. Há questões técnicas complexas, por exemplo se argila, granito ou sal oferecem a melhor proteção contra vazamento ou contaminação. O sítio deve fornecer segurança por 1 milhão de anos, portanto os cientistas querem estar certos de que ele resistirá a ocorrências como eventuais eras glaciais.
O maior desafio, contudo, será persuadir as comunidades a aceitar um depósito de lixo atômico "no seu quintal". No fim dos anos 1970, por exemplo, a Alemanha Ocidental decidiu testar uma mina de sal em Gorleben, na Baixa Saxônia, como possível depósito definitivo: seguiu-se uma batalha de décadas, com os moradores locais protestando veementemente contra o projeto.
Os opositores argumentavam que a área pouco populosa e próxima à fronteira com a antiga Alemanha comunista, teria sido escolhida por motivos políticos, e não científicos. Levantaram-se também objeções técnicas.
O especialista americano em assuntos nucleares Robert Alvarez destaca que a Alemanha ao menos dispõe de um conjunto de critérios científicos para selecionar um sítio que seja geologicamente estável e preserve os contêineres da oxidação e consequente corrosão. Em comparação com o governo dos EUA, Berlim "tem prestado mais atenção aos geólogos e aos especialistas em segurança nuclear".
Segurança questionável nos EUA
Nos EUA, o presidente Donald Trump tomou iniciativas para reiniciar as obras num depósito na Montanha Yucca, antigo local de testes de armas nucleares no remoto deserto de Nevada. Segundo Alvarez, a escolha do sítio, ocorrida antes da eleição de 1988, foi resultado de uma jogada política do Congresso, que descartou um estudo sobre possíveis locações por todo o país.



"As pessoas ficaram loucas, e isso assustou os políticos que concorriam na eleição. Então, em 1987, quando o processo estava se desenrolando, o Congresso simplesmente mudou a lei e disse: 'Vamos colocar o depósito em Yucca, vocês todos estão fora de perigo'."
O pesquisador sublinha que o local já estava contaminado pelos testes nucleares, e que na época Nevada só dispunha de quatro votos no colégio eleitoral que escolhe o presidente. No entanto as condições geológicas na montanha estão longe de ser ideais, exigindo ventilação em grande escala por pelo menos cem anos a fim de manter baixa a temperatura dos resíduos.
"Há um monte de baboseira sobre Yucca ser o melhor local", afirma Alvarez. Melhor seria um sítio granítico, como os que estão sendo explorados na Finlândia e na Noruega. "Temos uma grande extensão de solo de granito em nosso país, mas fica em áreas populosas", observa o especialista.
Obstáculos em aberto na Europa
A Finlândia ocupa as manchetes internacionais com o que se tem saudado como o primeiro depósito nuclear permanente de longo prazo do mundo, a 400 metros de profundidade no leito granítico do litoral oeste.
Segundo Alvarez, os países escandinavos estão se afirmando como a vanguarda no setor. Ainda assim, não há garantias de que os depósitos de granito profundos continuarão seguros daqui a centenas de anos, como pretendem os finlandeses. "Para dizer o mínimo, essa afirmativa contém fortes elementos de especulação. Como prever como estará o mundo daqui a cem anos?", objeta o cientista.
Outros países enfrentam dificuldades ainda maiores. "O problema na Finlândia e na Suécia é muito simples", diz Andy Blowers, do grupo independente de especialistas Nuclear Waste Advisory Associates. "Elas têm um tipo de geologia, e em grande quantidade, têm poucas usinas elétricas e, portanto, um volume definido de resíduos."



A França, que gera três quartos de sua energia de fontes termonucleares, planejava abrir em 2030 um depósito em Bure, no sul. No entanto, assim como no caso da montanha Yucca, o local apresenta uma série de problemas técnicos e de segurança, e ativistas vêm protestando contra o projeto.
No Reino Unido, os planos para um depósito definitivo próximo ao sítio de desmantelamento e reprocessamento nuclear foram cancelados, em seguida a consultas junto ao público e a autoridades científicas.
Também devido à oposição do público, em meados deste ano o governo da Austrália abandonou seus planos de um depósito internacional, onde iria se armazenar lixo atômico de todo o mundo.
Seco ou molhado? 
 Assim, antes mesmo de a Finlândia começar a encher seu novo depósito, os resíduos acumulados pelo mundo em mais de seis décadas de energia nuclear estão basicamente esperando sobre o solo, em instalações temporárias. Com graus variáveis de segurança, essas instalações nunca foram pensadas para concentrar tanto lixo radioativo, nem por tanto tempo.
Também neste ponto, Alvarez considera a posição da Alemanha melhor do que a de muitas outras nações: por um lado, ela tem utilizado contêineres que são "Mercedes", comparados aos "velhos Chevrolets" dos EUA, bem mais espessos e aptos a manter os resíduos em segurança por mais tempo.
Uma decisão importante é se o armazenamento de dejetos atômicos deve ser seco ou em piscinas. Os dejetos precisam ser mantidos resfriados em líquido, mas se este evapora, o lixo radioativo se aquece rapidamente, resultando em incêndios cujas consequências superariam Chernobyl de longe, preveem analistas.



Durante o acidente de Fukushima, em 2011, essa catástrofe esteve em cogitação por um breve período, quando uma piscina contendo um reator inativo foi seriamente danificada. No entanto um outro vazamento voltou a enchê-la. Sem esse acaso feliz, dezenas de milhões de japoneses - talvez até 27% da população total, segundo certos especialistas - teriam de ser removidos.
No entanto, apesar de todos os perigos e das recomendações dos analistas para que se opte pelo armazenamento seco em contêineres, países como França, Reino Unido, Coreia do Sul e EUA continuam depositando resíduos atômicos em piscinas.
Das piscinas para a eternidade
Especialistas apontam que a questão mais premente não é encontrar locais definitivos para o armazenamento, mas assegurar que os temporários sejam seguros e permaneçam assim até estar resolvida a charada de como eliminar os dejetos mais tóxicos que a humanidade já gerou.
"Desconfio que o que temos pela frente é um período bem mais longo de depósitos de superfície", prevê Alvarez.
O alemão Mycle Schneider, analista independente de política nuclear e principal autor do relatório anual sobre o status do setor, diz não estar nem mesmo convencido de que o armazenamento geológico devesse ser a meta final: o lixo atômico precisaria sobretudo estar acessível para o caso de se encontrar um meio mais eficaz de dispor dele.
Por enquanto, a questão é encontrar a solução menos ruim. "A coisa é bem clara: tirar o mais rápido possível o combustível usado das piscinas e colocá-lo em armazenamento seco, mesmo que, para início de conversa, isso não seja o ideal. Depois, passar ao próximo estágio, que é uma construção adequada, e depois a um depósito reforçado, como um bunker. A partir daí, pode-se começar a pensar na eternidade."

Superbactéria foi ao espaço - e voltou ainda mais forte

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A Nasa desinfeta rigorosamente suas naves, para evitar que bactérias de origem terrestre contaminem outros planetas. Mas não conseguia se livrar da SAFR, e decidiu fazer um teste. Soltou um balão com amostras da bactéria a 32 km de altitude, na estratosfera. A bactéria ficou lá por oito horas, sendo bombardeada por raios ultravioleta e radiação cósmica, e aí os pesquisadores puxaram o balão de volta.
Para surpresa geral, 267 bactérias sobreviveram e sofreram uma mutação que as tornava imunes às condições do espaço.
A bactéria não causa doenças em humanos – a não ser que, um dia, passe por uma mutação que a torne capaz disso.
BBC Brasil